Comércio entre Brasil e África gerou saldo de US$ 3,2 bilhões até outubro

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Da Redação

Brasília – Após atingir o recorde histórico de US$ 25,931 bilhões em 2008, a corrente de comércio (exportação+importação) entre o Brasil e os países da África de janeiro a outubro deu sequência a uma recuperação iniciada ano passado, mas não o suficiente para sequer se aproximar das melhores marcas registradas no passado recente.

Até o mês passado as exportações brasileiras totalizaram US$ 7,940 bilhões (alta de 26,16% comparativamente com o mesmo período de 2017), enquanto as vendas africanas ao Brasil cresceram a um ritmo mais lento, de 16,01% e somaram US$ 4,739 bilhões. No período, o intercâmbio comercial com os países africanos gerou para o Brasil um superávit de US$ 3,201 bilhões, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Os números do MDIC mostram altas expressivas em todas as categorias de produtos por valor agregado. As exportações de produtos básicos atingiram o montante de US$ 2,42 bilhões graças a um aumento de 50,7% e responderam por 31% de todo o volume embarcado pelas empresas brasileiras para os países africanos. Os bens semimanufaturados também tiveram suas vendas ampliadas em 45,9% e somaram US$ 2,7 bilhões (participação de 34,3% nos embarques). Por sua vez, os produtos manufaturados, responsáveis por 34,4% no total exportado, tiveram alta de 11,8% e geraram receita da ordem de US$ 2,73 bilhões.

O açúcar ocupou nos dez primeiros meses do ano a liderança entre os principais produtos exportados para os países africanos. O açúcar de cana registrou vendas no valor de US$ 2,42 bilhões, correspondentes 31% do volume total embarcado para aqueles países. O açúcar refinado também figurou entre os produtos importantes da pauta exportadora, com uma receita de US$ 1,1 bilhão. Outros destaques foram carne de frango (US$ 610 milhões), milho em grãos (US$ 522 milhões) e carne bovina (US$ 506 milhões).

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Em relação aos países, o Egito vem se consolidando este ano como o principal parceiro comercial do Brasil na África, superando a Nigéria, que ocupou o posto nas últimas décadas. As vendas ao mercado egípcio totalizaram US$ 2 bilhões (com destaque para o açúcar, carne bovina e milho em grãos), correspondentes a 25% das exportações totais brasileiras para o continente.

Responsável por 16% dos embarques brasileiros para o continente africano, a África do Sul importou produtos no valor total de US$ 1,2 bilhão, à frente da Argélia, com um volume de compras da ordem de US$ 1,02 bilhão (13% do total vendido à África). Outros mercado importantes para o Brasil foram a Nigéria (US$ 645 milhões) e a Argélia (US$ 597 milhões). Os dois países foram o destino, respectivamente, de 8,1% e 7,5% de todas as exportações brasileiras para os países da África.

Do lado africano, os principais produtos vendidos ao Brasil foram naftas (US$ 1,5 bilhão e participação de 36% nas vendas totais), petróleo (US$ 1,13 bilhão, equivalentes a 24% dos embarques) e adubos ou fertilizantes (US$ 434 milhões, com participação de 9,2% nas vendas ao Brasil).

No tocante às exportações para o Brasil, a Argélia foi o país líder nos embarques ao país, com vendas no total de US$ 2 bilhões (42% do total exportado), seguida pela Nigéria com US$ 778 milhões (16% das vendas), Marrocos, com US$ 704 milhões (15% nas exportações) e a África do Sul, com um total de US$ 385 milhões exportado para o Brasil no período.

https://www.comexdobrasil.com/intercambio-comercial-com-africa-volta-crescer-e-gera-saldo-de-us-32-bilhoes-ate-outubro/

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A Argélia anunciou recentemente que planeja garantir direitos trabalhistas e de residência a imigrantes africanos em situação irregular. O Ministro do Interior, juntamente com os responsáveis pelos serviços de segurança, está desenhando estratégias para a regularização deles.

O Governo estima que existam cerca de 25 mil trabalhadores imigrantes residindo no país. Esses números podem ser ainda maiores, caso se considere indicadores divulgados por Organizações Não-Governamentais (ONGs), que contabilizam 50 mil. Boa parte deles é oriunda dos vizinhos Mali, Burkina Faso e Níger.

Imigrantes africanos deportados

Contudo, com relação a esse último país, um relatórioproduzido pela Human Rights Watch aponta que autoridades argelinas deportaram para lá cerca de 1,5 mil imigrantes somente em dezembro de 2016. Desde 2014, foram mais de 18 mil deportações de famílias que buscavam melhores condições laborais e fugiam da subnutrição e das tensões envolvendo ataques terroristas.

A mais recente ação do Governo, que segue direção contrária as deportações, surge como resposta pró-Direitos Humanos em relação as campanhas que se espalharam pelas redes sociais do país, nas quais cidadãos argelinos hostilizam e culpam os africanos pelo desemprego e pela transmissão do vírus HIV.

Estima-se que cerca de 30% da população jovem esteja desempregada, por conta da dificuldade do Estado em dinamizar a economia para criar postos de trabalho em outros setores, para além da exploração de petróleo e gás, sua principal fonte de receita.

Com isso, tais movimentos anti-imigração dividiram a população. Em junho, a hashtag com o tema “Não a Africanos na Argélia” esteve entre ostrending topics nacionais no Facebook e no Twitter, vocalizando a insatisfação daqueles que dizem defender os interesses das famílias argelinas. Em contrapartida, muitos cidadãos se insurgiram contra esses movimentos e consideram que a nação possui o dever de acolher africanos em situação de vulnerabilidade, haja vista a posição de liderança do país na região do Saara.

Inúmeras Organizações Internacionais, como a Anistia Internacional, o Crescente Vermelho Argelino e o Human Rights Watch acompanham a situação dos imigrantes e tem incentivado o Governo a tomar atitudes como essa, além de participarem ativamente do processo de acolhimento e inserção laboral.

http://www.jornal.ceiri.com.br/argelia-planeja-regularizar-trabalho-de-imigrantes-africanos/

Estudantes bolsistas angolanos são agredidos na Argélia por racismo

February 5, 2017

Dezenas de estudantes angolanos na Argélia, país africano situado no norte de África, têm sofrido agressões físicas e psicológicas por parte de indivíduos naturais daquele país. O racismo é apontado com a razão dos ataques, que intensificam à medida que o tempo passa.

 

 

Os estudantes angolanos são bolseiros pelo Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudantes (INAGBE). Na universidade onde os jovens angolanos frequentam as aulas também estão matriculados estudantes de outras nacionalidades, para além dos próprios argelinos.

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Na quarta-feira última, dia 1, quando vários estudantes assistiam um jogo do Campeonato Africano das Nações (CAN-2017) em futebol, que decorre no Gabão, os estudantes argelinos insistiam em ver o jogo da taça do Rei de Espanha entre o Barcelona e Atlético de

Madrid. A confusão instalou-se mas, segundo contou à Rádio Angola um dos estudante e vitima que preferiu falar sob anonimato, os guardas do campus universitário impediram que o pior acontecesse.

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O estudante avançou que, dois dias depois, precisamente às 19 horas de sexta-feira, o grupo de argelinos que esteve na origem da confusão no dia do jogo apanhou um estudante angolano quando estava isolado no refeitório da universidade e ali foi espancado. Quando foram avisados do que estava a acontecer, os angolanos foram ao refeitório às pressas, mas ali chegados foram ameaçados com facas pelos argelinos.

 

“Recuamos até o nosso prédio, nos fechamos com os outros colegas estrangeiros que vivem aqui connosco, mas ainda assim eles cercaram o prédio, atiraram pedras, garrafas, paus, partiram as janelas dos quartos”, explicou.

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Os argelinos não desistiram, e passados “algumas horas eles conseguiram entrar no prédio”, onde “arrombaram as portas dos quartos dos quartos, as janelas, roubaram materiais”. Dentre os materiais roubados se encontram telefones, computadores, e até roupas.

 

A polícia local demorou horas para chegar à universidade, e quando os agentes chegaram, segundo o estudante, alegaram que não podiam entrar sem que alguém no interior do prédio residencial dos estudantes ligasse para confirmar a queixa e autorizar a entrada, pois quem ligou à polícia não se encontrava na instituição.

 

“Quando estávamos a ser atacados ligamos aos colegas que estão fora e eles ligaram à polícia. E a polícia quando chegou disse que não podia intervir porque tinha de ser alguém de dentro ligar ou os guardas da cidade universitária”, relatou.

 

Ao seu bel-prazer, os argelinos espancaram e saquearam os estudantes angolanos até perto das zero horas. O estudante que foi capturado no refeitório se encontra ferido, pois, como se não bastasse os socos e pontapés, foi também agredido com madeiras e cadeiras, tanto que foi encaminhado ao hospital, liberado horas depois sob orientação de repouso.

 

Apenas no sábado, dia 4, é que agentes da polícia argelina entraram no edifício e conversaram com as vítimas, pois os agressores já se tinham ido. A embaixada angolana na Argélia já foi informada, desde sexta-feira, mas nenhum funcionário foi enviado até ao momento em que entrevistávamos o estudante.

 

Os estudantes argelinos são conhecidos, mas a direcção da universidade não tomou ainda medidas, talvez porque os mesmos fugiram. O delegado da comunidade angolana na província onde está a universidade aconselhou os estudantes a não reagirem em caso de provocação por partes dos argelinos.

 

A situação está calma por enquanto, o estudante admitiu ter medo pois “não sabemos quando vão voltar a nos atacar”, pelo que pede ao governo angolano que interceda junto das autoridades argelinas no sentido de garantir “mais segurança” aos estudantes bolseiros.

 

FAMÍLIA AFLITA PEDE SEGURANÇA

 

Familiar de estudantes residente em Angola, contou que se encontra bastante preocupado desde que recebeu a informação de que o seu filho e colegas estavam a ser agredidos por argelinos, apreensão que aumentou quando viu fotografias do estado em que se encontra os aposentos do filho e companheiros. Lamentou também o facto da embaixada angolana na Argélia até agora não acudir os estudantes bolseiros.

 

Porém, o familiar adianta que vai contactar a embaixada argelina em Angola para pedir explicações pelas agressões. Apelou ainda ao governo angolano para entrar em contacto com as autoridades argelinas para garantir a segurança dos estudantes naquele país.

 

Lembrando que o povo angolano respeita os direitos dos estrangeiros que se encontram em Angola, familiar pede tratamento idêntico para com os angolanos na Argélia.

 

 

Perguntas e sugestões podem ser enviadas para info@friendsofangola.org. A Rádio Angola – uma rádio sem fronteiras – é um dos projectos da Friends of Angola, onde as suas opiniões e sugestões são validas e respeitadas.

http://www.friendsofangola.org/single-post/2017/02/05/Estudantes-angolanos-bolseiros-agredidos-na-Arg%C3%A9lia-por-racismo

Brasil doa R$ 1,2 milhão para combater a fome no Sudão do Sul, Argélia e Haiti

 

 

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) recebeu uma doação de 1,2 milhão de reais do governo brasileiro. A verba será destinada à distribuição de alimentos, à assistência para refugiados e a outras estratégias para acabar com a fome no Sudão do Sul, na Argélia e no Haiti.

Suls-sudaneses recebem alimentos. Foto: PMA / Ala Kheir

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) recebeu uma doação de 1,2 milhão de reais do governo brasileiro. A verba será destinada à distribuição de alimentos, à assistência para refugiados e a outras estratégias para acabar com a fome no Sudão do Sul, na Argélia e no Haiti.

O Sudão do Sul enfrenta uma guerra civil que já forçou mais de 1,8 milhão de pessoas a deixar suas casas e deixou 3,6 milhões de indivíduos em situação de insegurança alimentar.

A Argélia abriga refugiados do Saara Ocidental que já recebem ajuda do PMA, mas a agência da ONU está tendo dificuldades em captar os recursos necessários para atender as populações deslocadas.

O Haiti foi atingido em outubro pelo Furacão Matthew, que afetou 2 milhões de pessoas e deixou mais de 800 mil passando fome.

O montante disponibilizado pelo Brasil vem da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores. O PMA é a maior agência humanitária lutando contra a fome no mundo, alcançando mais de 80 milhões de pessoas em 80 países com assistência alimentar.

Acordo da OPEP enfrenta obstáculos

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Os preços do petróleo subiram para os maiores níveis em mais de um ano, após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) ter concluído um acordo na semana passada, para conter a produção da matéria-prima.
A OPEP concordou em cortar a sua produção em 1,2 milhões de barris por dia, ou mais de um por cento da produção global, e apelou para os outros produtores de petróleo se juntarem ingualmente aos esforços. Se implementado, o corte deve diminuir o excesso de oferta na indústria e impulsionar os preços, que alguns analistas acreditam que possam passar dos 60 dólares o barril. Analistas já prevêem uma série de obstáculos, que podem manter o mercado volátil. O sucesso do acordo da OPEP depende de diversos factores, incluindo a participação de países não membros e a questão do histórico de quebra do pacto mesmo dentro do próprio cartel.
Menos de duas semanas após o acordo, em Viena, os membro da OPEP retornaram ontem à capital austríaca, para um encontro com fornecedores de fora do cartel. O grupo quer que os não membros do grupo cortem a sua produção combinada, em 600 mil barris por dia.
As autoridades da OPEP afirmaram que, sem a participação dos não membros, o próprio acordo seria fortemente prejudicado. Alguns analistas continuam cépticos se países como a Rússia vão mesmo limitar a produção, mesmo que Moscovo se tenha comprometido em reduzir, “gradualmente”, em 300 mil barris por dia, no próximo ano.
O banco de investimento russo, Renaissance Capital, indicou que, devido à produção do país ser em grande parte composta de muitos poços que produzem quantidades relativamente pequenas de petróleo, a redução na produção em 300 mil barris por dia necessita do encerramento de mais de quatro mil poços. O custo dessa medida é maior do que qualquer benefício em potencial do aumento dos preços do barril de petróleo, disse o banco.
Além disso, os analistas dizem que o retorno da produção dos membros da OPEP de África, que sofreram com interrupções no fornecimento, pode fazer com que o acordo do cartel fique difícil de cumprir. Para já, a Líbia e a Nigéria foram dispensadas do acordo da OPEP, porque meses de actividades de grupos militantes nesses países interromperam a produção.
Em parceria com Angola, esses dois membros africanos da OPEP foram os principais responsáveis pelo aumento da produção geral de petróleo da organização em Novembro. A Líbia já pretende dobrar a sua produção nos próximos meses, para 900 mil barris por dia. Embora essa seja uma pequena parte da produção geral da OPEP, de mais de 33 milhões de barris por dia, significa que outros membros terão de cortar mais a sua produção, para chegar à meta do acordo. Se chegar a um acordo para cortar a produção era o primeiro passo, aderir ao próprio plano pode ser o principal desafio para a OPEP, avaliam os analistas. A maioria dos membros do cartel tem um histórico de ultrapassar as respectivas metas individuais, mas cumprir o acordo é fundamental.
Após fechar o plano na última semana, a organização divulgou que um comité composto pela Argélia, Venezuela e Kuwait vão monitorizar o cumprimento do acordo, apesar de não ter sido especificado como a falta de cumprimento deve ser definida, impedida ou punida.
Outros analistas concordam que o grupo pode ultrapassar a meta de 32,5 milhões de barris por dia, que inicia em Janeiro. Bjarne Schieldrop, analista da SEB Markets, estima a produção da organização em cerca de 33 milhões de barris por dia, no primeiro semestre de 2017, visto que “não cumprir os acordos é um hábito natural entre os membros da OPEP”.
Os investidores devem ter uma primeira noção de como os produtores vão agir em relação ao acordo, no começo de Fevereiro, quando os primeiros dados sobre a produção de petróleo no próximo ano forem divulgados.
Alguns analistas afirmam que o acordo da OPEP é um “presente” para os produtores de petróleo dos Estados Unidos, que podem acelerar a perfuração rapidamente, à medida que os preços sobem. Os produtores de xisto dos Estados Unidos aumentaram a sua eficiência nos últimos anos, diminuindo o preço de produção para menos de 40 dólares o barril.