A catedral em Gana

David Adjaye projeta a catedral nacional de Gana (Foto: Divulgação)

“A Catedral preencherá o elo perdido na arquitetura de nossa nação, fornecendo uma Igreja de propósito nacional. Será uma casa de adoração e oração inter-denominacional e também servirá de palco para eventos de estado de natureza religiosa, como inaugurações presidenciais, funerais estaduais e serviços nacionais de ação de graças “, explicou Nana Akufo-Addo, presidênte de Gana.

David Adjaye projeta a catedral nacional de Gana (Foto: Divulgação)

A Catedral ficará em um terreno de cerca de 6 hectares próximo ao cemitério Osu e vai abrigar uma série de capelas impressionantes, um batistério, um auditório com capacidade para 5.000 pessoas, uma escola de música e uma galeria de arte, além de espaços comerciais e do primeiro Museu da Bíblia do continente africano.

David Adjaye projeta a catedral nacional de Gana (Foto: Divulgação)

“É uma honra imensa ter a oportunidade de contribuir com algo desta escala no continete africano. Procurei elaborar um edifício que não só entenda sua paisagem, mas que seja exclusivo de Accra e da Nação de Gana “, afirmou David Adjaye ao comentar o projeto

O arquiteto e sua equipe ainda tomaram o cuidado de trabalhar em parceria com artista ganenses e de outros países da áfrica no desenvolvimento dos móveis e dos adorno da decoração.

 

Fonte:https://casavogue.globo.com/Arquitetura/noticia/2018/03/david-adjaye-projeta-catedral-nacional-de-gana.html

Teatro brasileiro esteve presente em Cabo Verde

20663762_1425829237453480_6945747696100738249_nO Festival Internacional de Teatro do Mindelo, Mindelact é considerado importante evento de artes cénicas da África Ocidental. Ele acontece todos os anos na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, e este ano contou com a maior delegação de artistas e companhias de teatro do Brasil. Ao todo, sete grupos brasileiros se apresentaram este ano no evento que terminou neste sábado (11).

Odair Santos, correspondente da RFI em Cabo Verde

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A 23ª edição do Festival Internacional de Teatro Mindelact contou com a participação do grupo de Teatro Caixa Preta, do Núcleo Vinicius Piedade e Companhia, do Desvio Coletivo, do Grupo Dragão 7, da Companhia Satyrus, da Palavra Z Produções Teatrais e da contadora de histórias, Clara Haddad, Alguns dos artistas brasileiros que participaram do evento partilharam as suas experiências com a RFI Brasil, na cidade do Mindelo. Para a diretora do grupo Desvio Coletivo, Priscilla Toscano, foi “muito importante” para ela e, principalmente, para o grupo, essa participação. “É a primeira vez do ‘Desvio Coletivo’ num país africano. A gente tem feito a peça ‘Cegos’ há quase seis anos e o objetivo é realizar o máximo de cidades possíveis. Recentemente, a gente esteve na Ásia e pra gente, no mesmo ano, poder vir e fazer a África é muito importante” explica Priscilla.midelact

O ator brasileiro Vinicius Piedade, do Núcleo Vinicius Piedade e Cia, apresentou no festival o drama ‘Cárcere’ que é uma reflexão sobre a liberdade. A peça conta a história de um personagem que é privado de sua liberdade e de seu piano. De acordo com Vinicius Piedade, o Brasil tem uma relação direta com a África e “para nós é extremamente relevante ter esse contato direto com os nossos irmãos africanos”.

O ator afirma que a relação entre Brasil e Cabo Verde “é muito natural” porque “qualquer brasileiro que vem pra cá vai se sentir em casa, o que certamente não vai acontecer no Senegal, que é mais perto de Cabo Verde no continente”.

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Brasileiroes conhecendo brasileiros em Cabo Verde

Por sua vez, o ator Júnior Lima, que faz parte do grupo Dragão 7 que promove no Brasil um festival de teatro onde se dá a troca de experiência entre artistas e companhias de teatro do Brasil e dos países africanos de língua portuguesa, destaca o fato do Mindelact impulsionar o intercâmbio teatral.mindleact

Junior Lima cita, como exemplo, o fato de poder conhecer o trabalho dos colegas que vem, como ele, de São Paulo: “Uma oportunidade única de encontrar e conhecer pessoas que mesmo lá na cidade de São Paulo a gente não tem acesso. Eu antes de vir pra cá não conhecia o trabalho do ‘Desvio Coletivo’ e do Vinicius Piedade e foi aqui, graças ao Mindelact que a gente pôde se cruzar e conhecer”.

Júnior Lima disse que cada relação que teve em Cabo Verde foi muito rica e que “o pessoal cabo-verdiano é de fato muito afetuoso, que para você na rua, que quer saber de onde você veio, o que faz na vida e a que se dedica para te conhecer “. O ator do grupo Dragão 7 afirma que “para além do intercâmbio artístico, (a experiência) foi de trocas humanas e muitos especiais”.

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União linguística

Já o ator Bruno Mariozz, da Palavra Z Produções Teatrais do Rio de Janeiro, o Festival Internacional de Teatro do Mindelo reforça a união linguística entre o Brasil e Cabo Verde. “Eu acho que o Mindelact reforça esse conceito e troca da nossa língua. Apesar de alguns sotaques e palavras diferentes, a gente se une através da língua”, ressalta Bruno Mariozz.

 

Mais de 30 companhias de teatro de 12 países realizaram 50 espetáculos, em 12 palcos diferentes, do Mindelact. Oito dessas apresentações foram encenadas por companhias de teatro brasileiras.

 

http://br.rfi.fr/brasil/20171111-brasil-tem-participacao-de-peso-em-principal-festival-de-teatro-da-africa-ocidental

Documentários para entender melhor a questão do racismo no Brasil e em outros países

Documentários para entender melhor a questão do racismo no Braisl e em outros países:

OlhosAzuisviraracismodecabeaparabaixo-11) Olhos azuis
https://vimeo.com/67460531

2) cinema

3) The Color of Money – A História do Racismo e do Escravismo

4) Raça Humana

5) O negro no Brasil

6) Ninguém nasce assim

7) Racismo Camuflado no Brasil

8) Negro lá, negro cá

9) Vidas de Carolina

10) Negros dizeres

11) Mulher negra

12) Negro Eu, Negro Você

13)A realidade de trabalhadoras domésticas negras e indígenas

14) Espelho, Espelho Meu!

15) Open Arms, Closed Doors

16) The Brazilian carnival queen deemed ‘too black’- A Globeleza que era negra demais

17) Boa Esperança – minidoc

18) Você faz a diferença

19) Memórias do cativeiro

20) Quilombo São José da Serra

21) 7%
https://www.facebook.com/usp7doc/

22) Menino 23

23) Pele Negra, Máscara Branca

24) Introdução ao pensamento de Frantz Fanon

25) Invernada dos Negros

26) A negação do Brasil

27) Sua cor bate na minha

28) História da Resistência Negra no Brasil

Teatro moçambicano: “As pessoas não podem pensar que vão ao teatro para rir”

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Joaquim Matavel conta que o FITI é movido pela vontade de contribuir para a promoção da cultura

O Festival Internacional Teatro de Inverno (FITI) é o mais longo movimento cultural que acontece em Moçambique e o único que reúne grupos e companhias teatrais anualmente. A acontecer em Maio, durante um mês, a plataforma pretende trazer, pela primeira vez, grupos de Portugal. Joaquim Matavel, coordenador do FITI, contou ao “O País” o que move esta máquina há 14 anos num país em que as artes são insustentáveis.

O que move esta máquina que há 14 anos está a fazer história em Moçambique e a influenciar grupos locais a terem projecção no exterior?

Vontade de fazer… Vontade de contribuir para o desenvolvimento da promoção da cultura moçambicana e em particular do teatro moçambicano. Mas, acima de tudo, muita vontade de poder fazer a diferença numa sociedade em que estamos toda a hora a reclamar de alguma coisa que não está bem.

Acredito que é por isso que faz sentido a seguinte reflexão: “os primeiros passos são inúteis quando não se chega ao fim”.

Este é um provérbio oriental que nós nos apropriamos dele. Fizemos a primeira edição deste festival, hoje internacional. Em 2004, decidimos que não podíamos mais parar. E porque os grupos amadores, que desde o início fizeram parte, acharam que foi uma alternativa muito boa, dentro de um ambiente em que temos falta de espaço para a prática do teatro e temos fraco patrocínio ou quase nenhum. Então, o festival apareceu como uma oportunidade para os grupos se apresentarem. E não só: a oportunidade para os grupos trocarem experiência e uns aprenderem com os outros, como também impulsarem aquilo que é o associativismo cultural.

O festival tem uma constante evolução. A partir de algum momento, o movimento ficou internacional. Que projecção ganhou no mundo?

Deixou de ser algo doméstico, algo só moçambicano. Passou a ser também, em primeiro lugar, dos angolanos. Os grupos de teatro angolanos nesta altura, em Angola, apresentam as suas obras, fazem as suas criações na perspectiva de se internacionalizarem, apresentando-se no FITI, em Maputo. Os grupos brasileiros também. Temos companhias brasileiras que sempre estão à espera que se abram candidaturas para poderem chegar a Moçambique e trazer o melhor do que se faz no Brasil. E hoje temos contacto, temos solicitações de várias partes do mundo, de gente que precisa vir a Moçambique e apresentar as suas criações.

Qual é o seu sentimento pelo facto de muitos grupos terem a possibilidade de apresentarem as suas peças apenas no festival?

É um sentimento dúbio. Por um lado, é uma frustração, mas ao mesmo tempo, é uma alegria muito grande. E posso dizer, com toda certeza e sem pestanejar, que o festival é catalizador para que existam grupos de teatro a formarem-se nas escolas e nos bairros a nível da cidade de Maputo e não só.

Qual é a relação entre o FITI e o Ministério da Cultura e Turismo?

O papel do Governo seria de criar cada vez mais programas e planos melhores para o desenvolvimento cultural no país. Deveria ser o papel do Ministério da Cultura e Turismo, de municípios e direcções provinciais resgatar aqueles cinemas que nalgum momento foram privatizados; deviam devolver às práticas culturais e erguer novos espaços para a prática cultural, porque, se a memória não me trai, não existe nenhuma sala construída pelo nosso Governo no período pós-independência que sirva para as artes.

Tendo em conta que o teatro é uma vertente artística que pauta pela divulgação de várias mensagens de crítica sociopolítica e não só, podemos assumir que durante um mês de festival temos um espaço de aprendizagem?

É um espaço para dar voz aos sem voz, por isso durante muito tempo fomos insistindo que este festival não tem lema. Cada grupo, cada companhia vai trazer o que de melhor tiver, vai trazer a abordagem que quiser, desde que esteja ali a manifestar-se. Vai trazer arte, crítica social, sátira, comédia ou tragicomédia, desde que seja uma mensagem que sirva para construir a sociedade moçambicana e o cidadão moçambicano.

Qual é o retorno das autoridades governamentais e da sociedade no geral em relação a prestação do festival?

O público é muito grato ao festival; os fazedores de teatro também o são, como também os estudantes e professores de teatro. As nossas estruturas governamentais… essas deviam, nesta altura, também começar a olhar para o festival como algo que representa este país, que é a bandeira deste país. Há um grande distanciamento entre aquilo que é a produção e a execução do festival e a intervenção do nosso Governo, do nosso Ministério, do nosso Município naquilo que poderia ser o apoio para que Moçambique tivesse um movimento teatral.

Além dos espectáculos, o festival agrega outras actividades, designadamente as oficinas, os debates, homenagens e concertos musicais. Quais são os novos paradigmas que advém dos debates, um conceito que chamam de “Papu Kultura”?

Foi considerando que o teatro não é para qualquer um (risos); é um exercício que precisa ser pensado. As pessoas não podem pensar que vão ao teatro para rir. As pessoas vão ao teatro para poder encontrar espelhos, para interiorizar as suas ideias, para refletir sobre a própria condição humana e os problemas do dia-a-dia. Outro paradigma é a necessidade de se criar uma forma de casar o teatro com a escrita. Escrevemos muito, mas essa escrita não chega ao palco. Por outro lado, por que essas peças teatrais não podem ser matéria para a construção de livros?

Ano passado foi lançada a revista “Ser ou não ser”. O que este conceito vem mudar na história do FITI?

A revista surge do “Papu Kultura”, com a necessidade de registar o que acontece no nosso teatro. Longe de pensar num livro, decidimos pensar numa revista. Trazendo a revista tivemos outras constatações. A primeira é que escrevemos muito pouco sobre teatro e, segundo, há pouca gente que analisa as obras de arte.

http://opais.sapo.mz/index.php/entrevistas/76-entrevistas/44188-o-teatro-nao-e-para-qualquer-um.html