Teatro brasileiro esteve presente em Cabo Verde

20663762_1425829237453480_6945747696100738249_nO Festival Internacional de Teatro do Mindelo, Mindelact é considerado importante evento de artes cénicas da África Ocidental. Ele acontece todos os anos na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, e este ano contou com a maior delegação de artistas e companhias de teatro do Brasil. Ao todo, sete grupos brasileiros se apresentaram este ano no evento que terminou neste sábado (11).

Odair Santos, correspondente da RFI em Cabo Verde

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A 23ª edição do Festival Internacional de Teatro Mindelact contou com a participação do grupo de Teatro Caixa Preta, do Núcleo Vinicius Piedade e Companhia, do Desvio Coletivo, do Grupo Dragão 7, da Companhia Satyrus, da Palavra Z Produções Teatrais e da contadora de histórias, Clara Haddad, Alguns dos artistas brasileiros que participaram do evento partilharam as suas experiências com a RFI Brasil, na cidade do Mindelo. Para a diretora do grupo Desvio Coletivo, Priscilla Toscano, foi “muito importante” para ela e, principalmente, para o grupo, essa participação. “É a primeira vez do ‘Desvio Coletivo’ num país africano. A gente tem feito a peça ‘Cegos’ há quase seis anos e o objetivo é realizar o máximo de cidades possíveis. Recentemente, a gente esteve na Ásia e pra gente, no mesmo ano, poder vir e fazer a África é muito importante” explica Priscilla.midelact

O ator brasileiro Vinicius Piedade, do Núcleo Vinicius Piedade e Cia, apresentou no festival o drama ‘Cárcere’ que é uma reflexão sobre a liberdade. A peça conta a história de um personagem que é privado de sua liberdade e de seu piano. De acordo com Vinicius Piedade, o Brasil tem uma relação direta com a África e “para nós é extremamente relevante ter esse contato direto com os nossos irmãos africanos”.

O ator afirma que a relação entre Brasil e Cabo Verde “é muito natural” porque “qualquer brasileiro que vem pra cá vai se sentir em casa, o que certamente não vai acontecer no Senegal, que é mais perto de Cabo Verde no continente”.

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Brasileiroes conhecendo brasileiros em Cabo Verde

Por sua vez, o ator Júnior Lima, que faz parte do grupo Dragão 7 que promove no Brasil um festival de teatro onde se dá a troca de experiência entre artistas e companhias de teatro do Brasil e dos países africanos de língua portuguesa, destaca o fato do Mindelact impulsionar o intercâmbio teatral.mindleact

Junior Lima cita, como exemplo, o fato de poder conhecer o trabalho dos colegas que vem, como ele, de São Paulo: “Uma oportunidade única de encontrar e conhecer pessoas que mesmo lá na cidade de São Paulo a gente não tem acesso. Eu antes de vir pra cá não conhecia o trabalho do ‘Desvio Coletivo’ e do Vinicius Piedade e foi aqui, graças ao Mindelact que a gente pôde se cruzar e conhecer”.

Júnior Lima disse que cada relação que teve em Cabo Verde foi muito rica e que “o pessoal cabo-verdiano é de fato muito afetuoso, que para você na rua, que quer saber de onde você veio, o que faz na vida e a que se dedica para te conhecer “. O ator do grupo Dragão 7 afirma que “para além do intercâmbio artístico, (a experiência) foi de trocas humanas e muitos especiais”.

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União linguística

Já o ator Bruno Mariozz, da Palavra Z Produções Teatrais do Rio de Janeiro, o Festival Internacional de Teatro do Mindelo reforça a união linguística entre o Brasil e Cabo Verde. “Eu acho que o Mindelact reforça esse conceito e troca da nossa língua. Apesar de alguns sotaques e palavras diferentes, a gente se une através da língua”, ressalta Bruno Mariozz.

 

Mais de 30 companhias de teatro de 12 países realizaram 50 espetáculos, em 12 palcos diferentes, do Mindelact. Oito dessas apresentações foram encenadas por companhias de teatro brasileiras.

 

http://br.rfi.fr/brasil/20171111-brasil-tem-participacao-de-peso-em-principal-festival-de-teatro-da-africa-ocidental

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Documentários para entender melhor a questão do racismo no Brasil e em outros países

Documentários para entender melhor a questão do racismo no Braisl e em outros países:

OlhosAzuisviraracismodecabeaparabaixo-11) Olhos azuis
https://vimeo.com/67460531

2) cinema

3) The Color of Money – A História do Racismo e do Escravismo

4) Raça Humana

5) O negro no Brasil

6) Ninguém nasce assim

7) Racismo Camuflado no Brasil

8) Negro lá, negro cá

9) Vidas de Carolina

10) Negros dizeres

11) Mulher negra

12) Negro Eu, Negro Você

13)A realidade de trabalhadoras domésticas negras e indígenas

14) Espelho, Espelho Meu!

15) Open Arms, Closed Doors

16) The Brazilian carnival queen deemed ‘too black’- A Globeleza que era negra demais

17) Boa Esperança – minidoc

18) Você faz a diferença

19) Memórias do cativeiro

20) Quilombo São José da Serra

21) 7%
https://www.facebook.com/usp7doc/

22) Menino 23

23) Pele Negra, Máscara Branca

24) Introdução ao pensamento de Frantz Fanon

25) Invernada dos Negros

26) A negação do Brasil

27) Sua cor bate na minha

28) História da Resistência Negra no Brasil

Teatro moçambicano: “As pessoas não podem pensar que vão ao teatro para rir”

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Joaquim Matavel conta que o FITI é movido pela vontade de contribuir para a promoção da cultura

O Festival Internacional Teatro de Inverno (FITI) é o mais longo movimento cultural que acontece em Moçambique e o único que reúne grupos e companhias teatrais anualmente. A acontecer em Maio, durante um mês, a plataforma pretende trazer, pela primeira vez, grupos de Portugal. Joaquim Matavel, coordenador do FITI, contou ao “O País” o que move esta máquina há 14 anos num país em que as artes são insustentáveis.

O que move esta máquina que há 14 anos está a fazer história em Moçambique e a influenciar grupos locais a terem projecção no exterior?

Vontade de fazer… Vontade de contribuir para o desenvolvimento da promoção da cultura moçambicana e em particular do teatro moçambicano. Mas, acima de tudo, muita vontade de poder fazer a diferença numa sociedade em que estamos toda a hora a reclamar de alguma coisa que não está bem.

Acredito que é por isso que faz sentido a seguinte reflexão: “os primeiros passos são inúteis quando não se chega ao fim”.

Este é um provérbio oriental que nós nos apropriamos dele. Fizemos a primeira edição deste festival, hoje internacional. Em 2004, decidimos que não podíamos mais parar. E porque os grupos amadores, que desde o início fizeram parte, acharam que foi uma alternativa muito boa, dentro de um ambiente em que temos falta de espaço para a prática do teatro e temos fraco patrocínio ou quase nenhum. Então, o festival apareceu como uma oportunidade para os grupos se apresentarem. E não só: a oportunidade para os grupos trocarem experiência e uns aprenderem com os outros, como também impulsarem aquilo que é o associativismo cultural.

O festival tem uma constante evolução. A partir de algum momento, o movimento ficou internacional. Que projecção ganhou no mundo?

Deixou de ser algo doméstico, algo só moçambicano. Passou a ser também, em primeiro lugar, dos angolanos. Os grupos de teatro angolanos nesta altura, em Angola, apresentam as suas obras, fazem as suas criações na perspectiva de se internacionalizarem, apresentando-se no FITI, em Maputo. Os grupos brasileiros também. Temos companhias brasileiras que sempre estão à espera que se abram candidaturas para poderem chegar a Moçambique e trazer o melhor do que se faz no Brasil. E hoje temos contacto, temos solicitações de várias partes do mundo, de gente que precisa vir a Moçambique e apresentar as suas criações.

Qual é o seu sentimento pelo facto de muitos grupos terem a possibilidade de apresentarem as suas peças apenas no festival?

É um sentimento dúbio. Por um lado, é uma frustração, mas ao mesmo tempo, é uma alegria muito grande. E posso dizer, com toda certeza e sem pestanejar, que o festival é catalizador para que existam grupos de teatro a formarem-se nas escolas e nos bairros a nível da cidade de Maputo e não só.

Qual é a relação entre o FITI e o Ministério da Cultura e Turismo?

O papel do Governo seria de criar cada vez mais programas e planos melhores para o desenvolvimento cultural no país. Deveria ser o papel do Ministério da Cultura e Turismo, de municípios e direcções provinciais resgatar aqueles cinemas que nalgum momento foram privatizados; deviam devolver às práticas culturais e erguer novos espaços para a prática cultural, porque, se a memória não me trai, não existe nenhuma sala construída pelo nosso Governo no período pós-independência que sirva para as artes.

Tendo em conta que o teatro é uma vertente artística que pauta pela divulgação de várias mensagens de crítica sociopolítica e não só, podemos assumir que durante um mês de festival temos um espaço de aprendizagem?

É um espaço para dar voz aos sem voz, por isso durante muito tempo fomos insistindo que este festival não tem lema. Cada grupo, cada companhia vai trazer o que de melhor tiver, vai trazer a abordagem que quiser, desde que esteja ali a manifestar-se. Vai trazer arte, crítica social, sátira, comédia ou tragicomédia, desde que seja uma mensagem que sirva para construir a sociedade moçambicana e o cidadão moçambicano.

Qual é o retorno das autoridades governamentais e da sociedade no geral em relação a prestação do festival?

O público é muito grato ao festival; os fazedores de teatro também o são, como também os estudantes e professores de teatro. As nossas estruturas governamentais… essas deviam, nesta altura, também começar a olhar para o festival como algo que representa este país, que é a bandeira deste país. Há um grande distanciamento entre aquilo que é a produção e a execução do festival e a intervenção do nosso Governo, do nosso Ministério, do nosso Município naquilo que poderia ser o apoio para que Moçambique tivesse um movimento teatral.

Além dos espectáculos, o festival agrega outras actividades, designadamente as oficinas, os debates, homenagens e concertos musicais. Quais são os novos paradigmas que advém dos debates, um conceito que chamam de “Papu Kultura”?

Foi considerando que o teatro não é para qualquer um (risos); é um exercício que precisa ser pensado. As pessoas não podem pensar que vão ao teatro para rir. As pessoas vão ao teatro para poder encontrar espelhos, para interiorizar as suas ideias, para refletir sobre a própria condição humana e os problemas do dia-a-dia. Outro paradigma é a necessidade de se criar uma forma de casar o teatro com a escrita. Escrevemos muito, mas essa escrita não chega ao palco. Por outro lado, por que essas peças teatrais não podem ser matéria para a construção de livros?

Ano passado foi lançada a revista “Ser ou não ser”. O que este conceito vem mudar na história do FITI?

A revista surge do “Papu Kultura”, com a necessidade de registar o que acontece no nosso teatro. Longe de pensar num livro, decidimos pensar numa revista. Trazendo a revista tivemos outras constatações. A primeira é que escrevemos muito pouco sobre teatro e, segundo, há pouca gente que analisa as obras de arte.

http://opais.sapo.mz/index.php/entrevistas/76-entrevistas/44188-o-teatro-nao-e-para-qualquer-um.html

Representatividade negra no audiovisual

O RioContentMarket 2017 teve sua abertura oficial na noite de 7 de março, em cerimônia para convidados, patrocinadores e imprensa apresentada pelos atores Lázaro Ramos e Camila Pitanga. O maior mercado audiovisual da América Latina chega a sua sétima edição composto por rodadas de negócios, painéis e apresentações exclusivas, entre os dias 8 e 10 de março, no Hotel Windsor Barra, no Rio de Janeiro. Entre os convidados que cruzaram o tapete vermelho, especialmente preparado para a ocasião, passaram nomes reconhecidos do teatro, do cinema e da televisão como Ruth de Souza, Antonio Pitanga, Elisa Lucinda, Maria Ceiça, Cris Vianna, Luís Miranda.

Lázaro-Ramos-e-Ruth-de-Souza

Em seu discurso de boas-vindas, Mauro Garcia, presidente-executivo da BRAVI, realizadora do evento, disse que o RioContentMarket busca construir pontes e fazer conexões entre os segmentos do audiovisual. “Aqui somos plurais. De todas as cores ideológicas, de todas as bandeiras, de todos os elos que formam a cadeia produtiva do audiovisual. Todos reunidos para celebrar boas obras e bons negócios”.

Nilcemar-Nogueira

Na sequência, subiu ao palco a secretária municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Nilcemar Nogueira. “O evento é de relevância extrema ao conduzir a nossa cidade a um dos mais importantes segmentos da cultura mundial. É a demonstração da força da cidade do Rio como polo agregador de um segmento que vem crescendo nas últimas décadas. Entre 2009 e 2014, a RioFilme investiu R$ 185 milhões em quase 500 iniciativas cariocas,” disse.

Camila-Pitanga-e-Antônio-PitangaEngajados na luta pela representatividade negra no audiovisual, Lázaro Ramos e Camila Pitanga foram enfáticos ao falar da importância dessa temática no evento. “O negro no audiovisual atende à demanda da sociedade.

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07 FEVEREIRO 2017 – RIO DE JANEIRO – Cerimonia de abertura do Rio Content Market. Foto: Rogerio Resende

Histórias bem contadas alegram a todos, e o público negro consumidor é vasto, crescente e ainda não é bem representado”, opinou o ator. Pitanga complementou dizendo que “essa atuação ainda é muito baixa em um país onde metade da população é negra, e não se vê representada na mídia. Não nos referimos apenas àqueles que estão na frente das câmeras, mas também aos que estão por trás delas, escrevendo, produzindo e dirigindo”.singleton

A cerimônia de abertura foi encerrada com a première mundial da nova série do diretor John Singleton, ‘Rebel”, que estreia ainda este mês nos EUA no canal BET – Black Entertainment Television.  Tanto Singleton, que também é produtor-executivo da série, quanto a atriz Danielle Moné Truitt, protagonista de ‘Rebel’, e a executiva Zola Mashariki, vice-presidente e diretora de Programação Original da BET, estiveram no evento.

‘Rebel’ conta a história de Rebecca Wilson, ex-policial da cidade de Oakland (Califórnia). Ela deixa a corporação após a morte de seu irmão mais novo, causada por outro policial, e como investigadora particular enfrenta vingança dos antigos companheiros e a violência inerente contra a população negra, principalmente contra as mulheres. A opressão e justiça social e racial permeiam a obra de Singleton. Entre seus trabalhos dirigiu episódios de séries como ‘The People vs O. J. Simpson: American Crime Story’ (2016); ‘Empire’ (2015) e ‘Billions’ (2016) e é responsável por longas como ‘Shaft’ (2000). Tornou-se conhecido em 1991, por ser o mais jovem diretor indicado ao Oscar pelo filme ‘Os Donos da Rua’, que discute a vida de três jovens da periferia de Los Angeles.MV5BNWRhMWQxZGQtNmM1Yi00NDRjLTlhYjUtNjUxMWMxNjM1NTA0XkEyXkFqcGdeQXVyNzIwNTAzODA@._V1_SY1000_CR0,0,772,1000_AL_

 

 

John-Singleton_Históriaa-arrancadas-do-peito-300x200“Quando eu era adolescente, tinha pesadelos sobre virar adulto. Eu morava em um bairro difícil, como as favelas daqui. Não que eu tivesse danos psicológicos, mas era um sentimento que transbordava, e isso está no filme ‘Boyz n the hood’ (Os Donos da Rua).” As palavras são de John Singleton, reconhecido diretor de Hollywood, que se encontra no RioContentMarket para falar sobre a sua mais nova produção, o seriado ‘Rebel’. Os participantes do evento, contudo, não conseguiram evitar falar sobre o clássico de 1991 e Singleton não hesitou em responder. “Eu não sabia o que estava fazendo, não sabia como dirigir um filme. E continuo fazendo isso: em cada projeto eu preciso me encontrar para achar a alma da obra e esculpi-la”, disse.

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Entrevistado pelo diretor brasileiro, Jefferson De, e pela diretora de Programação Original do canal BET, Zola Mashariki, Singleton falou sobre o processo de produção de ‘Rebel’, suas influências e sua obra em termos gerais. “Eu sou o tipo de diretor que planeja tudo com antecedência, mas quando chega o momento… é como o jazz. A gente começa a brincar, a mexer com os personagens. Eu mesmo pego a câmera e experimento”.

 

Entre as influências para a criação de ‘Rebel’, o diretor mencionou o filme noir dos Estados Unidos das décadas de 40 e 50, época de Humphrey Bogart e de personagens sombrios, uma estética influenciada pela segunda guerra mundial.

“Eu quis fazer algo similar com uma mulher negra, que nesse caso tem que solucionar uma guerra dentro de casa. Por isso, será muito diferente do que já foi visto”, disse o diretor.

 

Zola Mashariki, por sua vez, contou como o projeto chegou às suas mãos. “Ele falou que não seria apenas mais uma série policial, mas estaria focada na construção da personagem. Não queríamos que fosse uma mulher negra idealizada, mas mostrar uma pessoa real, com suas virtudes e falhas”.

Executiva do BET destaca o envolvimento dos talentos e audiência para o aumento da representatividade negra no audiovisual

Dando continuidade às discussões sobre a representatividade negra no mercado audiovisual, Zola Mashariki, diretora de conteúdo do BET (Black Entertainment Television), do grupo Viacom, contou sobre seu compromisso em promover talentos negros e outras minorias entre os principais players do mercado audiovisual.

Durante a conversa com o ator Lázaro Ramos e com Viviane Ferreira, advogada especialista dos direitos autorais e presidente da APAN – Associação de Profissionais do Audiovisual Negro, Zola fez sugestões para que a representatividade no audiovisual brasileiro siga os mesmos caminhos trilhados pela norte-americana, que está adiantada em relação ao reconhecimento sobre rentabilidade e demanda junto à audiência.

Entre as recomendações, a executiva sugeriu que os profissionais deem espaço e atenção aos novos talentos, que por sua vez, devem se unir a grupos com os mesmos ideais, além de criar suas próprias oportunidades, realizando histórias que realmente acreditam. Sobre a narrativa, Zola acrescentou: “o entretenimento deve ser o objetivo do conteúdo, ainda que haja o intuito de transmitir uma mensagem social. A audiência quer se divertir, se emocionar”.

Zola, que afirma ter aceitado o convite para a sétima edição do RioContentMarket com o propósito de unir forças com o mercado brasileiro e explorar negócios para o canal BET, destacou a importância dos talentos para envolver a audiência com o conteúdo em que há representatividade das minorias, já que a demanda é fundamental para o crescimento das oportunidades.

 

RIOCONTENTMARKET 2017 celebrou AFROBRASILIDADE E PARCERIAS
Os corredores do espaço de convenções do Windsor Barra Hotel, no Rio de Janeiro, ficaram lotados durante o RioContentMarket, que recebeu 3.700 participantes de 8 a 10 de março. O ânimo dos produtores independentes e a resiliência de um mercado que não se deixou afetar pela turbulência da economia brasileira ficaram evidentes. “Reunimos o mesmo número de participantes do ano passado, resultado excelente se pensarmos que estamos vivendo um cenário econômico pouco favorável”, avalia Mauro Garcia, presidente-executivo da Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), entidade realizadora do evento.

O Brazilian Content, projeto de exportação realizado pela BRAVI em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), promove durante o RioContentMarket rodadas de negócios exclusivas entre as empresas apoiadas pelo projeto e compradores internacionais presentes no evento. Além dos encontros com emissoras de TV e plataformas estrangeiras, o Brazilian Content é responsável pela atração de delegações de produtores internacionais e pelo matchmaking com empresas brasileiras. Neste ano, em parceria com os projetos também apoiados pela Apex-Brasil, Brazil Music Exchange (executado pela BMA) e Brazilian Game Developers (realização da Abragames), o Brazilian Content promoveu a presença de empresas dos setores de música e games no RioContentMarket. Muitas empresas apoiadas pelos projetos Cinema do Brasil e Film Brazil, também realizados em parceria com Apex-Brasil pelo Siaesp e Apro, respectivamente, participam naturalmente do evento, uma vez que atuam no setor audiovisual.

A sétima edição do RioContentMarket, que se consolidou como o maior mercado audiovisual da América Latina, somou 1.281 projetos audiovisuais apresentados e 1.421 reuniões nas Rodadas de Negócios, 20% mais do que no ano anterior. O número de patrocinadores e expositores cresceu 54%, e também houve aumento significativo na quantidade de players e keynote speakers: em 2016, foram 197 players contra os 269 dessa edição, e 28 keynote speakers no ano passado contra 37 nesse ano.

O evento recebeu players de 30 países, como Alemanha, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Dinamarca, Estados Unidos, México, Reino Unido e Rússia. Cinco delegações internacionais também vieram ao evento: Argentina, Canadá, França, Chile e Paraguai, as duas últimas pela primeira vez, o que reforçou os laços entre o Brasil e países latino-americanos. Executivos de canais como Telefe, Caracol, TV Azteca e Señal Colombia, bem como de produtoras como a Zumbastico Studios (Chile), vieram ao Rio de Janeiro com o objetivo de desenvolver coproduções. Players de 24 estados brasileiros também compareceram às Rodadas de Negócios, incluindo as delegações de Ceará, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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07 FEVEREIRO 2017 – RIO DE JANEIRO – Cerimonia de abertura do Rio Content Market. Foto: Davi Campana

Nomes de peso no mercado participaram como palestrantes, a exemplo de John Dahl (ESPN Films), produtor-executivo do documentário ‘OJ: Made in America’, vencedor do Oscar 2017; Marie Jacobson, vice-presidente-executiva de Programação e Produção da Sony Pictures Networks; Alex Hirsch, criador e produtor da animação Gravity Falls; Michelle Satter, diretora do Programa de Longas-Metragens do Sundance Institute; Zola Mashariki, diretora de Programação Original da BET (Black Enternainment Television), e John Singleton, diretor de ‘Boyz n the Hood’ (‘Os Donos da Rua’) e de episódios das séries ‘Empire’, ‘Billions’ e ‘American Crime Story – The People v. O.J. Simpson’.

Além de falar em um painel, Singleton participou da cerimônia de abertura, no dia 7 de março, ao lado da atriz Danielle Moné Truitt, protagonista da série americana ‘Rebel’, que teve sua première mundial realizada no RioContentMarket. A série, com foco na comunidade afrodescendente dos Estados Unidos, foi escolhida para abrir o evento por dialogar com tema da representatividade negra no setor audiovisual, fio condutor do RioContentMarket nesse ano.

Os atores Lázaro Ramos e Camila Pitanga foram os anfitriões da noite de abertura, que recebeu e homenageou artistas negros do cinema, da TV e do teatro brasileiro, como Ruth de Souza, Antonio Pitanga, Elisa Lucinda, Maria Ceiça, Cris Vianna, Adélia Sampaio, Jefferson De e Luís Miranda.

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07 FEVEREIRO 2017 – RIO DE JANEIRO – Cerimonia de abertura do Rio Content Market. Foto: Rogerio Resende

A representatividade negra no setor também permeou toda a programação do RioContentMarket. Mais de 50 afrobrasileiros do mercado audiovisual falaram em painéis e participaram das Rodadas de Negócios.

Acordos internacionais 
A Brasil Audiovisual Independente e a Associação de Produtores Independentes de Televisão (APIT), de Portugal, assinaram durante o evento acordo de cooperação para potencializar as oportunidades de coprodução entre seus associados. O intuito é atuar conjuntamente em busca da ampliação do acordo de cooperação entre os governos do Brasil e de Portugal, que atualmente é válido apenas para cinema, a projetos voltados à TV e a outras plataformas do audiovisual.

No campo governamental, a Ancine também celebrou protocolo de cooperação com o Centre National du Cinéma et de l’Image Animée (CNC), da França. O documento marca o lançamento de uma parceria estratégica entre os órgãos, que inclui troca de informação e intercâmbio de agentes. O objetivo principal é a expansão, assim que possível, dos acordos de coprodução para a área audiovisual, em busca de novos incentivos a projetos independentes produzidos em conjunto pelos dois países.

Sobre o RioContentMarket
Realizado pela Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), com a curadoria da Esmeralda Produções e produzido pela Fagga | GL eventsExhibitions, o RioContentMarket é um mercado internacional dedicado à produção de conteúdo audiovisual aberto a toda a indústria de televisão e mídias digitais. Tem entre os seus mais importantes parceiros a RioFilme e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), pilares fundamentais para a sua realização. Em apenas seis edições, o evento consolidou-se como um dos maiores do mundo voltado a negócios e exposição de conteúdos audiovisuais, consagrando-se como palco das negociações entre players do mercado brasileiro e mais de mil produtoras independentes.  Por suas salas desde 2011 já passaram mais de 17 mil participantes, entre executivos, produtores e profissionais da indústria audiovisual de 36 países, que vieram apresentar projetos inovadores, cases e modelos de negócios relevantes para o desenvolvimento de parcerias e coproduções, além de realizarem reuniões de negócios.

Sobre a Brasil Audiovisual Independente (BRAVI)
A BRAVI reúne produtoras independentes de conteúdo audiovisual para televisão e mídias digitais e possui mais de 600 associados em 18 unidades da Federação, nas cinco regiões do Brasil. Fundada em 1999, a associação atua fortemente para o desenvolvimento do mercado audiovisual brasileiro e representa o setor em diversos fóruns de debates públicos e privados. Com uma estrutura profissional e reconhecida representatividade nacional, a BRAVI também participa ativamente das regulamentações do mercado audiovisual, incentivando a produção e novos modelos de negócios, além de oferecer capacitação especializada ao produtor independente. Por meio de relevantes parcerias institucionais, apoia a participação do empresário brasileiro no mercado audiovisual internacional.

Sobre o Brazilian Content 
O Brazilian Content é o programa internacional da Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), criado em 2004 e realizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Com o objetivo de promover o conteúdo independente produzido para múltiplas telas no mercado internacional, o Brazilian Content viabiliza parcerias entre empresas brasileiras e estrangeiras, por meio de coproduções, vendas e pré-vendas para canais de TV, internet, telefonia celular e mídias digitais. O Brasil hoje é considerado um importante mercado no cenário internacional e está alinhado às tendências mundiais de produção multimídia.

 

http://www.apexbrasil.com.br/Noticia/RIOCONTENTMARKET-2017-CELEBRA-AFROBRASILIDADE-E-PARCERIAS#sthash.OVGornVs.dpuf

 

http://bravi.tv/historias-arrancadas-do-peito/

Série Rebel mostra o dia a dia da mulher negra americana como policial

MV5BNjQzYmY1NjItODk0Mi00NzY4LWJjOWQtMzQyYTY1OTNiOGJjL2ltYWdlXkEyXkFqcGdeQXVyNDI2MDA5MzI@._V1_RIO – John Singleton andava meio sumido. Sem lançar filmes desde “Sem saída”, de 2011, o diretor de “Os donos da rua” (1991), pelo qual se tornou o cineasta mais jovem a concorrer ao Oscar de melhor direção, com apenas 24 anos, volta agora na TV com a série “Rebel”. Com estreia marcada para o próximo dia 28 nos EUA, a trama ainda não tem data para chegar ao Brasil, mas teve sua première mundial na noite dessa terça, no RioContentMarket. Singleton e a protagonista da história, Danielle Moné Truitt vieram ao país apresentar a história durante o maior evento dedicado ao audiovisual da América Latina — o diretor fala nesta quarta, às 11h, no painel “A arte da direção”.MV5BNWRhMWQxZGQtNmM1Yi00NDRjLTlhYjUtNjUxMWMxNjM1NTA0XkEyXkFqcGdeQXVyNzIwNTAzODA@._V1_SY1000_CR0,0,772,1000_AL_

Em “Rebel”, Singleton volta a abordar a violência urbana, marca de seus primeiros filmes. O título da série é também o nome da protagonista (vivida por Danielle), uma policial do distrito de Oakland, na Califórnia, que sempre precisou ralar o dobro para provar seu valor por ser mulher e negra num meio essencialmente masculino e de tantos conflitos raciais. Até que ela vê seu irmão ser assassinado por seus colegas. O elenco ainda se completa com Giancarlo Esposito (de “Breaking bad”) e Brandon Quinn.

— Esse cenário (da violência urbana) é o cenário em que eu fui criado, cresci em Los Angeles, me sinto em casa nesse tipo de história. A vida inteira tive que lidar com a polícia na vizinhança, aprendi a evitá-los. Já vi meu pai e seus amigos serem obrigados a sair do carro e apanharem de policiais — conta Singleton, que nos últimos tempos dirigiu episódios de séries como “Empire” e “American crime story: O povo contra O.J. Simpson”.

O diretor, que costumava criticar os grandes estúdios de Hollywood por “não deixar que os negros contem suas histórias” já enxerga mudanças no cenário nos últimos anos.

— Durante muitos e muitos anos, latinos e negros viam versões estereotipadas de si mesmos nas telas. Agora temos mais negros atrás das câmeras, escrevendo e dirigindo. E isso faz muita diferença — diz o diretor que, ao contrário do que diz ter feito em “Os donos da rua”, não mirou no público essencialmente negro em “Rebel”. — Continuo mirando no público negro, mas de certa forma diluí um pouco a história para que todos pudessem se identificar, para que a série fosse notada e todos pudessem gostar.

Para Danielle, que acumula papéis em musicais da Broadway e experimenta seu primeiro grande papel na TV, a história de “Rebel” é, de fato, para todos os públicos.

— A série tem atores negros, asiáticos, latinos… Nossa esperança é que, ao mostrar uma mulher negra de forma completa, as pessoas possam se conectar com essa mulher. Todos queremos ser amados, respeitados, todos sofremos, passamos por situações… mostrar pessoas negras vivendo esses papéis na TV ajuda o resto das pessoas a perceber que não somos tão diferentes assim.

Além de “Rebel”, Singleton prepara outras duas séries para o futuro: “Snowfall”, sobre o tráfico de cocaína na Los Angeles em 1983, antes da chegada do crack, e “Straight outta heaven”, sobre um astro do hip-hop que morre e volta à vida como anjo da guarda.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/afastado-do-cinema-john-singleton-lanca-rebel-sua-primeira-serie-de-tv-21026037#ixzz4c3AxboNp
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A angolana Leila Lopes tem boneca

 

O número de seguidores de Leila Lopes, bem como as mensagens de carinho do público levaram a que a eterna Miss Universo 2011 criasse uma boneca com as suas características.

Leila publicou a imagem de uma boneca com vestes similares às suas, no dia em que foi coroada a mais bela mulher do mundo.

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Todavia, explicou que a imagem da boneca, que não se assemelha à sua,  vai sofrer alteração nos próximos tempos. “Pessoal, esta ainda não é a boneca oficial Leila. Mas agradeço desde já o vosso feedback. Motivou-me a fazer a minha boneca o quanto antes. Muito obrigada”, anunciou a beldade.

http://jornaldeangola.sapo.ao/gente/leila_lopes_tem_boneca

Crônicas de Nollywood

Kenneth Nnebue era un modesto vendedor de productos electrónicos en la ciudad de Lagos, Nigeria. Transcurría un momento en el que al otro lado del mundo los avances tecnológicos de los años 90 amenazaban con dejar obsoleto un importante stock de productos electrónicos al que los países asiáticos ansiaban dar salida. Esto eran buenas noticias para los comercios como el de Nnebue, que verían a buen precio aumentar sus existencias. Pero por alguna razón, los VHS en blanco no se vendían tan bien como cabría esperar, por lo que en un alarde de creatividad este vendedor pensó que quizá grabando en ellos películas ganarían valor y podría venderlos mejor. Tras escribir un guion para ello, puso su cámara a punto y convenció a un grupo de amigos a los que ilusionó con su idea. Era el año 1992 y sin saberlo del todo, Kenneth Nnebue puso la semilla de la que sería la película inaugural de Nollywood: Living in Bondage.

Living in Bondage, la ópera prima de Nollywood
Living in Bondage, la ópera prima de Nollywood

Ésta es ya un clásico del cine nigeriano y con ella se iniciaba un estilo de contar historias diferente y enteramente nigeriano. Dirigida por Chris Obi Rapu, compañero de Kenneth, narra la historia de un hombre que se une a un culto secreto y asesina a su mujer como forma de sacrificio. La trama está rodeada de misticismo, fantasmas y melodrama. Nnebue lo logró –se vendieron más de 750.000 copias de Living in Bondage–, pero no sólo eso, con su película demarcó una ruta nueva para el cine africano. Hasta entonces las películas con éxito de este continente eran producciones apoyadas y financiadas desde el exterior en las que se contaban historias de denuncia social con impresionantes planos artísticos y una excelente fotografía. Viajaban para ser admiradas en las taquillas de cines alternativos europeos donde eran aplaudidas como voz de la subalternidad. Pocas veces eran vistas y disfrutadas por la población mayoritaria africana, que ahora con Nollywood podía acceder en los videoclubs a producciones con enrevesadas tramas en las que, aunque se reflejaban las disparidades sociales, no era éste su propósito último, y contaban historias que enganchaban al espectador desde el minuto uno.

¿Qué es Nollywood?

El cine no se reduce al relato que se cuenta en las dos horas que dura una película. Alrededor de la industria cinematográfica se despliegan a su vez muchas historias a ambos lados de la pantalla que marcan, a la vez que desvelan, muchas dinámicas sociales que merecen una reflexión. Hollywood es quizá la industria cinematográfica en la que más dinero se invierte y la que más abarca territorialmente, pero Bollywood y Nollywood la han rebasado ya en número de películas, logrando penetrar en sus respectivas sociedades e incluso empezando a expandirse ya a otras. Pero hay más, la forma de entender el cine, de verlo, de compartirlo y de trabajar en él son diferentes. Si Hollywood tendía a homogeneizar la forma de disfrutarlo con un efecto globalizador, la India y Nigeria vienen a plantear una reinvención de este arte amoldándolo a los gustos e intereses de la población local a la que en un primer momento están dirigidas.

Vayamos primero a uno de los lados de la pantalla. En Nigeria poco se parece la producción de películas a la de cualquier otro país. De entrada se parte ya de un presupuesto reducidísimo, que suele provenir del bolsillo del valiente que la produce, y se graba además en un máximo de dos semanas. Una vez terminada no se llevará a la gran pantalla: se graban unos cuantos miles de VHS que serán vendidos a videoclubs donde se alquilarán a clientes. Poco tiempo después, todos los vídeos habrán sido pirateados y seguirán su curso en el mercado negro, dejando de dar dinero a los cineastas. Evidentemente no es una inversión con mucho retorno, la velocidad y dinamismo obligan a todos aquellos que trabajan en Nollywood a vivir en mayor o menor medida al día, siempre en busca de nuevos proyectos.

Puede advertirse que las condiciones bajo las que se hacen las películas no son tampoco las idóneas. Aunque se utilizan cámaras digitales, éstas son de 35 mm, frente a la creciente limpieza en la calidad de la imagen tanto en Bollywood como en Hollywood. Lo mismo ocurre con los efectos especiales, más cercanos a lo que frecuentemente se llama “Serie B”. De hecho, son contadas las películas en las que se estrella un coche en una persecución o se destruye mobiliario. Los decorados son rudimentarios y se montan en pisos cedidos por horas a los cineastas, por lo que tampoco pueden ser demasiado transformados para la ocasión.

A pesar de estas dificultades, las películas suelen tener lugar en interiores, ya que la falta de recursos de partida dificulta que puedan cerrar una calle por horas o pagar a figurantes para las escenas de exteriores, estos últimos suelen ser voluntarios. Otra razón para rodar en interiores es que es Lagos, la ciudad donde tienen lugar la mayor parte de los rodajes, no es precisamente un emplazamiento conocido por su seguridad, por lo que trabajar muchas horas con equipo técnico en la calle supone un riesgo importante a evitar. Frecuentemente las escenas en la calle se graban sólo una vez, lo que también afecta al resultado general.

Los "estudios" de cine en Nollywood no son tan majestuosos como sus pares estadounidense. Tampoco lo necesitan.
Los “estudios” de cine en Nollywood no son tan majestuosos como sus pares estadounidense. Tampoco lo necesitan. Fuente: RT

En suma, como señalan los trabajadores de la industria del cine en Nigeria las dos características fundamentales de Nollywood son su celeridad y su creatividad: los cineastas deben hacer frente al bajo presupuesto y a la inagotable oferta de películas.

Al otro lado de la pantalla también se vive de forma diferente el cine. Ni estas películas están hechas para la gran pantalla, ni la mayor parte de la población tiene por costumbre ir al cine. Esta es una actividad peligrosa y más relacionada con la élite, que puede permitirse seguridad privada y que suele ir a ver películas estadounidenses, indias y francesas, lo que no quiere decir que en otros contextos vean también películas de Nollywood.

El lugar donde más se ven estas producciones es en el ámbito doméstico, en el salón de las pobladas casas nigerianas donde varias familias se reúnen y, aunque siguen la trama con atención, las películas pueden verse interrumpidas por quehaceres o conversaciones entre los espectadores. También se ponen películas en bares, tiendas, locutorios y en pequeños clubs de cine; la enorme cantidad de producciones hace que la rutina de un comerciante pueda estar casi por entera acompañada por películas nollywoodienses resonando en su televisión.

La trama tampoco obedece a los cánones a los que estamos acostumbrados: la superstición y la brujería suelen estar presentes en la historias entremezcladas con el realismo. Estéticamente y debido a las tramas, hay quien las compara con las telenovelas latinoamericanas y señala de la cercanía de estas películas a la televisión más que a la gran pantalla. Aunque esta asociación tiene en parte su razón de ser,  una diferencia crucial frente a las telenovelas es que no se tiende tanto a la idealización de los personajes, la falta de medios y las historias que se relatan son muy cercanas a la vida diaria de los nigerianos.

Aunque en su mayoría buscan contar una historia sin ambicionar convertirse en un mecanismo de denuncia social, la falta de presupuesto hace que haya poco espacio para el adulteración y la idealización, por lo que en las películas se terminan reflejando escenarios y personajes reales. Eso sí, aunque las tramas presentan personajes sórdidos en situaciones de dificultad, suelen terminar en final feliz en forma de moraleja –se castiga a los ‘malos’ y se premia a los ‘buenos’–. Aquí cabe otra pequeña reflexión: frecuentemente aparecen mujeres que se ‘salen’ del tradicional papel de esposas y cuidadoras y son representadas como femmes fatales y brujas. En línea con la moralina de estas historias, terminan siendo castigadas por sus fechorías.

Nollywood como espejo cultural

Los inicios de Nollywood coinciden con una periodo convulso de golpes de estado en los que se alternan dictaduras, cada una más represiva que la anterior, por lo que la censura de contenidos era el día a día y la libertad de expresión casi un lujo. Ejemplo de ello es que el año 1995 Nigeria fue suspendida de la Commonwealth debido a las violaciones de derechos humanos de su gobierno. Las películas que venían del exterior, además de pasar filtros de censura, entraban con dificultades en un estado cada vez más aislado internacionalmente. Esto derivó en un crecimiento de la producción interna de películas.

Para ser el primer productor mundial de películas sólo hacen falta ganas. Fuente: RT
Para ser el primer productor mundial de películas sólo hacen falta ganas. Fuente: RT

‘Living in Bondage’ es el inicio de Nollywood como tal, pero cabe también preguntarse por el origen cultural de esta industria cinematográfica con rasgos tan propios. Hay quien establece una relación entre esta industria y el teatro ambulante de los Yoruba,  un teatro muy popular entre los años 30′ y 70′ que proviene de la tradición teatral Aláàrìnjó, que representaba breves obras satíricas en las que actores enmascarados representaban personajes que se volvían a repetir de unas obras a otras, lo que recuerda en parte al teatro clásico italiano, eso sí, con música, percusión y unas interpretaciones más físicas.  Aunque pueden encontrarse relaciones entre este teatro y la industria cinematográfica, lo cierto es que Nollywood no puede acotarse a una sola etnia, ni en lo relativo a la producción de películas, ni en cuanto a quién las ve.

A la brecha del norte musulmán y el sur cristiano se le suma la mezcla étnica en Nigeria. Fuente: Ikuska
A la brecha del norte musulmán y el sur cristiano se le suma la mezcla étnica en Nigeria. Fuente: Ikuska

Nigeria es un país muy rico culturalmente, compuesto por más de 250 grupos étnicos con sus dialectos correspondientes, es también un estado donde conviven, frecuentemente enfrentadas, diferentes religiones. El Islam es la religión predominante, especialmente en el norte, sumando alrededor del 50% de la población. El Cristianismo es la segunda con cerca de un 40%, pero otras religiones como el Animismo tienen también una fuerza considerable a la vez que un espacio, en forma de supersticiones, en los otros credos. Junto con las diferencias raciales y religiosas, es inevitable encontrar profundas divisiones sociales entre territorios. El norte es significativamente más pobre, y la región más rica es la del delta del Níger, donde están las principales reservas de petróleo del país. Las brechas sociales persisten también dentro de los territorios y la ausencia de un estado sólido y fuerte hace que a menudo la población viva ‘al día’: ni la seguridad, ni la educación ni la sanidad quedan amparados bajo su paraguas. Las disparidades sociales y la inseguridad están muy presentes en los largometrajes. Para dar prueba de su diversidad, es interesante saber que Lagos es la ciudad más multilingüe del mundo.

Parte del triunfo de Nollywood deviene de su capacidad de reflejar contextos y situaciones con los que la población se siente identificada y reflejada. Así, dependiendo del origen de la película, de la región con mayoría yoruba, igbo, hausa u otras, encontramos que se producen películas diferentes que responden a las inquietudes y preferencias de cada región. Por poner un ejemplo, los hausa en el norte son musulmanes y las películas hechas por y dirigidas a esta etnia suelen ser películas con números musicales estilo Bollywood en los que se narran historias de amor, eso sí, sin relaciones explícitas, mientras que con los yoruba triunfan las películas con más acción. Se suele rodar en una combinación de idiomas pero hay películas rodadas en un solo idioma regional. No obstante, la mayor parte de películas se ruedan en el multiétnico Lagos, centro económico del país, por lo que, aunque se mezclan idiomas, el central suele ser el inglés. Muchos productores se decantan por el inglés para abarcar más mercado. Y es que no olvidemos que la cifra de habituales a las películas nollywoodienses no deja de aumentar: Ghana, Sierra Leona, Camerún e incluso la diáspora nigeriana que vive otros continentes. Es tal la mezcla lingüística que se ha tenido que inventar el término Engligbo, que hace referencia al idioma que frecuentemente se utiliza en los largometrajes y que mezcla inglés con igbo. Parte del éxito de esta industria se debe a la creciente demanda de producción artística local, contada para africanos por africanos y en lenguas africanas.

De Nigeria al mundo

Atendiendo a datos macroeconómicos, Nigeria podría considerarse una potencia emergente. Demográficamente es uno de los 10 países más poblados del  mundo,  (181 millones de habitantes), con una población primordialmente joven. A nivel de recursos no puede decirse que esté mal dotado: petróleo, minerales, madera, hierro…  Su producto interior bruto ha superado ya al del contendiente regional Sudáfrica, aunque no en PIB per cápita. Sin embargo, su estabilidad pende de un hilo, tanto en lo económico como en lo político y social. Podría empezarse con la dependencia de las importaciones de petróleo refinado, que ya es una pérdida en sí, y que se junta además con el vertiginoso paro juvenil. La ausencia de exportaciones de productos con valor agregado y la dependencia de productos primarios lo convierten en un estado rentista que no logra poner en marcha la importante fuerza de trabajo que habita en su seno. Como en otros países africanos, la corrupción institucional frena la evolución hacia un estado sólido proveedor de servicios, y el sector político peca de clientelista y sobremilitarizado.

La corrupción y el paro devienen pilares para la formación de un gigantesco mercado negro, y a nivel social persisten luchas étnicas y religiosas que dificultan la convivencia. Por si fuera poco, elgrupo terrorista Boko Haram y la piratería ahondan en la inseguridad de este país que se ve además profundamente afectado por la contaminación debido a los métodos de extracción, lícitos e ilícitos, de su crudo.

Si la estabilidad es una necesidad para la conversión en potencia regional, Nigeria está lejos de serlo, pero Nollywood es un importante instrumento de soft power que se exporta a países de alrededor como Ghana, Camerún o Níger. Si sigue creciendo como industria, esto significa más salidas profesionales para los jóvenes que de otra forma estarían desempleados y en una situación de vulnerabilidad frente a las prácticas de captación de mafias y grupos terroristas.

Más allá de las características propias de la industria, Nollywood empieza a jugar un papel importante como instrumento cultural geopolítico en la región. De puertas adentro es además una salida profesional creativa y reputada que simboliza una válvula de escape frente a la falta de perspectivas de los jóvenes. No deja de ser sorprendente el crecimiento de esta industria que no recibe ni financiación estatal ni ayuda exterior, como es el caso de muchas producciones francófonas de los países fronterizos. El milagroso aprovechamiento de recursos en el cine contrasta con el derroche de estos en otros sectores.

Como diría Jonathan Haynes, no se dejen engañar por su nombre, no se trata de una copia de Hollywood, sino de una muestra de la multipolarización de la industria de entretenimiento. Nollywood es un producto sui generis que nace de unas limitaciones y bebe de la subalternidad sin procurar hacer de ésta su bandera. Su verdadera moraleja es que se puede hacer mucho con nada, como decía una joven productora ejecutiva, es un fenómeno que va de ningún lugar a alguna parte –from nowhere to somewhere–.

 

http://elordenmundial.com/2016/07/19/cronicas-de-nollywood/

Carta aberta ao racismo estrutural ou reflexões sobre Adélia Sampaio em Porto Alegre

adelia

Na manhã de segunda-feira (21/11/16) falávamos com Adelia Sampaio sobre sonhos. Adelia, a primeira cineasta negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, nos lembrou a graça de sonhar, fez piadas com isso e nos instigou. Estávamos em um carro rumo ao aeroporto. Ela voltaria pra casa ainda naquela manhã. Infelizmente, a realidade de uma mulher negra brasileira ainda é muito distante da sonhada. Adelia Sampaio foi impedida de voltar pra casa como planejado.

Ela retornaria ao Rio de Janeiro em um vôo no aeroporto Salgado Filho, às 10h39. Nos despedimos às 10:00 na entrada da sala de embarque, ainda digerindo o encontro potente e inspirador que aconteceu na noite anterior. Mas logo após, em torno de 11h, recebemos uma mensagem de Adelia dizendo não ter embarcado pois se recusou a tirar a calcinha em uma revista vexatória e, que naquele momento, estava na Delegacia de Polícia para o Turista (DPTUR), sem passagem para retornar a cidade onde reside.

Nossa primeira reação foi de profunda perplexidade. Aos 72 anos, Adelia tem próteses nos dois joelhos e 17 pinos na coluna. Há anos viajando, nunca havia enfrentado problemas para embarcar, tanto no Brasil, quanto no Exterior, visto que avisa com antecedência sua condição para os funcionários do equipamento detector de metais. Dessa vez, porém, foi levada a uma sala fechada por uma Agente de Proteção da Aviação Civil (Apac), que a obrigou a tirar a roupa e agachar-se.

Ironicamente, Adelia veio a Porto Alegre receber uma homenagem. Convidada e acolhida por mulheres negras para segunda edição do cineclube que leva seu nome, exibiu seu icônico filme, Amor Maldito, de 1984. O evento ocorreu no dia 20 de novembro (Dia da Consciência Negra), na Cinemateca Capitolio, data extremamente significativa para nós, que carregamos em nossos corpos a cor da resistência e da luta pela igualdade racial.

Escrevemos este manifesto ainda violentamente atingidas. Sequer nos foi dado o direito de guardarmos na memória esse encontro com a primeira mulher negra a fazer um longa-metragem no Brasil, sem que esse evento fosse atravessado pelo racismo.
Passamos hoje por um processo de resgate, de tentativa de enegrecimento de nossas memórias, de retomada.

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O Cineclube Adelia Sampaio surgiu desse momento. Era urgente, para nós do Coletivo Criadoras Negras, enegrecer a memória e a história do nosso cinema, trazer e homenagear trabalhos de mulheres negras que fazem audiovisual, para dar visibilidade a nossa narrativa. No meio desse processo mais uma vez fomos barradas e obrigadas a revisitar um lugar de dor.

Nossos desejos se chocam frequentemente com essa barreira, com o preconceito. Como se não nos fosse permitido o direito ao sonho. Mas como seguir sem sonhar? Para quê?

Reencontramos Adelia Sampaio mais uma vez pela manhã.

Voltamos imediatamente ao aeroporto depois de seu contato, acompanhadas dessa vez de nossa advogada Luana Pereira.

Encontramos a cineasta sozinha em frente a Polícia Federal, sem nenhuma assistência, nem da companhia LATAM Airlines, nem da Infraero. Ficamos quase 5 horas com ela tentando garantir seu bem-estar e contatando a imprensa. Foi preciso resistência psicologica e física, projeção midiática e o engajamento de duas advogadas para Adelia retornar sem custos adicionais para casa.

Ela tinha os olhos marejados, estava abatida mas seguia forte… ainda conseguiu nos falar novamente de sonho. Rimos!

A felicidade de uma mulher negra, apesar de todas as barreiras colocadas pela nossa sociedade, é uma das maiores possibilidades de transgressão e transformação do status quo.

Somos 49 milhões de mulheres negras, isto é 25% da população brasileira, e ainda vivenciamos a face mais perversa do racismo e sexismo. É necessário hoje, mais que nunca, construir uma rede de apoio que permita a partilha e o afeto para nós e conosco.

Enquanto coletivo, queremos manifestar nossa solidariedade e
apoio a Adelia, que merece ser tratada com dignidade e respeito em qualquer lugar que frequente. Reiteramos que o ocorrido no aeroporto ontem foi um ato agressivo, fruto do racismo estrutural de nossa sociedade. Racismo esse que faz com que se ache suspeito uma mulher negra pegar avião, que faz com que se ache natural uma mulher negra ser submetida a uma revista inconstitucional (proibida atualmente até mesmo dentro de presídios), onde se ache regular pedir para ela abrir as pernas como se abre um objeto, uma mala… e a vasculhar por dentro.
Sim, uma mulher negra ainda é vista como objeto e se reclamar desta condição pode ser acusada de desacato, como aconteceu com nossa renomada cineasta.
É importante dizer que o que vivenciamos ontem é apenas mais um exemplo dos milhares de relatos diários sem nomes e sem rostos. Adelia tem o privilégio de ser uma artista reconhecida e de ter sido pauta para a imprensa, mas incontáveis outras negras – como nós – passam por constrangimentos e agressões preconceituosas no anonimato. Por elas lutamos, por elas seguimos, com elas sonhamos. Nós por nós. Seguimos!

 

Criadoras Negras RS (22/novembro/2016)
Iliriana Rodrigues, Kaya Rodrigues, Alessandra Santos, Monique Rocco,Vanessa Garroni, Luana De Brito, Ana Lúcia Ríbas, Bruna Lleticia, Sandra Cecilia Peradelles, Gabriela Oliveira

 

CARTA ABERTA AO RACISMO ESTRUTURAL OU REFLEXOES SOBRE ADELIA SAMPAIO EM PORTO ALEGRE