Menu

Primeiro-ministro da Etiópia apresenta sua renúncia

maxresdefault

O primeiro-ministro da Etiópia, Hailemariam Desalegn, apresentou ontem o seu pedido de renúncia .

“A agitação e a crise política levaram à perda de vidas e ao deslocamento de muitas pessoas”, disse Hailemariam em um discurso televisionado na quinta-feira.

“Vejo minha renúncia como vital na tentativa de realizar reformas que levem a uma paz e democracia sustentáveis”, afirmou.

A informação desta decisão foi avançada pela televisão etíope, que referiu que Desalegn também abandona a presidência de uma coligação de partidos que governa os destinos da Etiópia. A saída de Hailemariam Desalegn acontece num momento em que têm aumentado os protestos anti-governamentais nas regiões de Oromia e Amhara, dos quais já resultaram dez mortos e centenas de feridos.Centenas de pessoas morreram em uma onda de violência em toda a Etiópia, inicialmente provocada por um plano de desenvolvimento urbano na capital, Addis Abeba, em 2015.

oromia

 

 

A demissão de Desalegn terá que ser ainda aprovada pelo Conselho da Frente Democrática Revolucionária dos Povos Etíopes (EPRDF, na sigla inglesa).

Wahlkampf Äthiopien 2010 (DW)Foto de arquivo: Campanha eleitoral do partido EPRDF (2010)

Segundo a Fana, Desalegn, de 53 anos, irá continuar em funções até à conclusão do processo de transição, ao mesmo tempo que deixará também funções de deputado da Frente Revolucionária e Democrática Popular Etíope.
Há um mês, as autoridades etíopes libertaram centenas de prisioneiros, não tendo mesmo assim conseguido travar a realização dos protestos. Desde 2015 que a Etiópia é palco de repetidas manifestações violentas com apelos por parte dos protestantes à aplicação de reformas políticas e econômicas e à exigência do fim da corrupção.
Estes distúrbios estavam a provocar profundas divisões no seio da coligação que governa o país, com as elites a acusarem o primeiro-ministro de falta de pulso para resolver o problema causado pelas constantes manifestações.

Ethiopia-protest-2017
Alguns observadores consideram que a turbulência que agora afeta a Etiópia pode estender-se a toda a região do Corno de África, afetando alguns países que até agora têm gozado de grande estabilidade política e militar.

Africa-countries-horn

corno da africa

O Governo etíope é acusado há muito por várias organizações internacionais de prender jornalistas críticos ao regime e de dirigentes da oposição “apenas por serem desfavoráveis” ao executivo.

Desalegn, que foi secretário-geral da União Africana em 2013, está no poder desde 2012, após a morte do antigo Presidente e ditador Meles Zenawi, de quem foi ministro dos Negócios Estrangeiros e depois vice-primeiro-ministro, antes de assumir a chefia do executivo.

 

Advertisements

O milionário Cyril Ramaphosa é o novo presidente da Africa do Sul

Cyril Ramaphosa é o novo presidente do país no mesmo dia em que o  pedido de renúncia foi  entregue  por Jacob Zuma.

Mandela+Meyer+Ramaphosa+De+Klerk+1996

Ramaphosa desempenhou um papel fundamental na fundação do poderoso Congresso dos sindicatos sul-africanos e, como secretário-geral do ANC no início da década de 1990, fez parte do time que negociou o fim do apartheid e redigiu a nova constituição progressiva da África do Sul. Em seus empreendimentos, Ramaphosa trouxe a franquia do McDonald’s para a África do Sul, e segundo a revista Forbes estima que valeria mais de 450 milhões de dólares (360,4 milhões de euros) em 2015.

 
O que Ramaphosa está oferecendo: Ele prometeu combater a corrupção e o nepotismo que mancharam a presidência de nove anos de Zuma, que desistiu após o ANC após a ameaça de um voto de não-confiança.

Sul-africanos depositam grande esperança no novo Chefe de Estado Cyril Ramaphosa que dias antes prometeu cortar o espaço aos dirigentes corruptos
Fotografia: MIKE HUTCHINGS | AFP

Deste modo é colocado um ponto final na “novela” em que se estava a transformar o braço de ferro entre Jacob Zuma e o ANC, que durante os últimos dias concentrava as atenções nacionais e internacionais no que se estava a passar no país.
O suspense quanto à definição desse braço de ferro arrastou-se até às últimas horas de quarta-feira, pois só nessa altura é que Jacob Zuma decidiu enfrentar a realidade e reconhecer, implicitamente, que já não tinha os apoios suficientes para continuar a dirigir os destinos da nação sul-africana.
Horas antes de aparecer perante os seus concidadãos a anunciar que tinha acabado de assinar o seu pedido de resignação, embora não concordasse com quem exigia a sua saída, Jacob Zuma tinha dado uma entrevista à cadeia SABC a garantir que iria continuar até ao fim do seu mandato. Mas, terá sido a decisão do ANC avançar com a apresentação de uma moção de censura para o derrubar, caso não aceitasse demitir-se, que terá feito Jacob Zuma perceber que se encontrava num beco cuja única saída apontava para a porta das traseiras, onde do lado de lá o espreitava (e ainda espreita) a justiça pronta a ajustar com ele as contas que considera estarem pendentes.

Uma sucessão natural
Face à resignação de Jacob Zuma, não restava outra alternativa legal ao ANC que não fosse a de indicar o nome do seu presidente, Cyril Ramaphosa, para acumular esse cargo com o de Presidente da República. Porém, até à última da hora surgiu a possibilidade de Ramaphosa ir ontem a votos no parlamento com um outro candidato apresentado pela oposição, mas que nunca foi sequer identificado.
Essa possibilidade gorou-se pois a interpretação que foi feita da constituição apontava no sentido de ser o vice-presidente da República, neste caso Cyril Ramaphosa, o único candidato que os deputados teriam que ratificar num gesto meramente simbólico, mas constitucionalmente imprescindível. Alguns observadores referem que Cyril Ramaphosa está com um olho na presidência da República praticamente desde que o ANC che-
gou ao poder em 1994.

mandela 3
Essa percepção é atribuída ao fato de em 1994 Ramaphosa não ter conseguido disfarçar alguma mágoa pelo facto de Nelson Mandela não o ter escolhido como seu sucessor. Terá sido, aliás, essa decepção que o empurrou para o mundo dos negócios e para os sindicatos, interrompendo uma carreira política que ele próprio já nessa altura tinha a certeza de estar condenada ao sucesso. Finalmente, Cyril Ramaphosa tem a oportunidade de concretizar o sonho de ser presidente da República, eventualmente muito melhor preparado do que estava em 1994. Essa preparação, sobretudo a sua passagem pelos sindicatos e a experiência que tem do mundo dos negócios será fundamental para vencer a sua primeira grande batalha e relançar a economia sul-africana.
Trata-se de uma batalha que não será fácil de vencer, numa altura em que o desemprego atingiu uma taxa de 30 por cento e quase metade dos jovens andam à procura do seu primeiro emprego.
Ontem, o mercado financeiro parece ter apreciado e agradecido a demissão apresentada por Jacob Zuma, com o rand a atingir a maior valorização dos últimos três anos face ao euro e ao dólar norte-americano.
jacob

O futuro de Jacob Zuma
Mas, enquanto Cyril Ramaphosa começa a dar os primeiros passos para impor o seu programa e o seu estilo de governação, a grande pergunta que agora se coloca relaciona-se com o futuro que está reservado a Jacob Zuma. Para já não se sabe se ele conseguiu, nas reuniões privadas que teve com Cyril Ramaphosa, garantir algum tipo de acordo que lhe permita ter como garantido o apoio político do ANC.
Embora se saiba que o poder judicial é independente do poder político, seria reconfortante para Jacob Zuma ter a certeza de que poderia contar com uma “retaguarda segura” e, sobretudo, “solidária” para enfrentar as malhas que a justiça tece para enredar aqueles que têm contas para ajustar com ela, como é inegavelmente o seu caso.
A última informação disponível, tornada pública no calor dos esforços para levar Zuma a demitir-se, refere que Cyril Ramaphosa não garantiu qualquer tipo de imunidade para proteger o antigo presidente das garras da justiça. Mas isso foi no início deste mês.
Daí para cá ocorreram diversas reuniões entre os dois, durante as quais alguma coisa pode ter ficado acordada no segredo das quatro paredes sem que disso fosse dado conhecimento à opinião pública. Tratando-se de um assunto extremamente sensível, por envolver um ex-Presidente da República, é natural que a própria justiça tenha, também, um especial  cuidado para não dar passos em falso. Por isso, aconselha a experiência de casos recentes, que se espere para ver o que se passará nos próximos dias e então se poder ajuizar, com mais rigor, o que pode estar reservado para Zuma.

O principal desafio do novo presidente da África do Sul é combater a corrupção

Cyril1CIDADE DO CABO – O vice-presidente sul-africano Cyril Ramaphosa foi eleito nesta quinta-feira o novo presidente da África do Sul após a renúncia de Jacob Zuma, que sofria pressões internas do partido Congresso Nacional Africano (CNA) diante de acusações de corrupção. Ramaphosa foi escolhido após votação no Parlamento. Aos 65 anos, ele diz que seu foco é acabar com a corrupção e revitalizar o crescimento econômico do país. Ele afirmou que trabalhará duro para “não desapontar o povo da África do Sul” em breve pronunciamento após ser eleito.

— As questões que vocês levantaram, questões que tem a ver com corrupção, questões sobre como podemos alinhar nossas empresas públicas e como podemos lidar com o Estado estão em nosso radar — afirmou o novo presidente.

Jacob Zuma tentou resistir após ter sua renúncia exigida pelo próprio partido, mas acabou entregando o cargo na quarta-feira. Sem perspectiva de sobreviver politicamente à crise interna alavancada pelas várias acusações de corrupção de que é alvo, Zuma cedeu e acabou anunciando a saída, reiterando que discordava da maneira como o processo havia sido levado. O CNA — que conduziu a luta contra o apartheid e teve entre seus quadros Nelson Mandela — havia anunciado uma moção de desconfiança no Parlamento que levaria a uma destituição certa.

No plenário do Parlamento sul-africano, o líder opositor da aliança democrática Mmusi Maimaine desejou força a Ramaphosa, mas disse que eles ficarão atentos para reponsabilizá-lo por qualquer erro cometido. Além disso, ele declarou que irá encontrá-lo nas urnas em 2019 — quando o período vigente de Zuma deveria acabar.

Talvez a maior expectativa é se Ramaphosa conseguirá salvar o CNA de si mesmo. A economia estagnada, junto aos escândalos quase contínuos, pela primeira vez na História da África do Sul, levou grande número de eleitores para longe do partido. No ano passado, o CNA perdeu o controle de três das maiores cidades do país: Johannesburgo, Pretória e Nelson Mandela Bay. Espera-se, portanto, que sua chegada ao poder seja um momento de virada.

— Um momento de grande renovação está sobre nós, e não devemos deixar passar — disse, na campanha que o elegeu presidente do CNA em dezembro. — Deveríamos entender e unir nosso país em torno de um objetivo. O objetivo de fazer a África do Sul grande e torná-la livre da corrupção.

 

As primeiras eleições livres da África do Sul pelo CNA em 1994, e era o possível indicado a sucedê-lo no cargo. No entanto, na época, foi preterido pelo partido e, desde então, atuou como advogado e entrou para o mundo dos negócios, onde acumulou uma fortuna milionária, sem se afastar da política.

Ramaphosa já foi conhecido como um grande sindicalista pela proximidade que manteve com mineradores quando atuava como advogado nos anos 1980. Nesse período, adquiriu experiência suficiente para se tornar um bom negociador reconhecido pela luta com grandes mineradoras de propriedade branca pela criação de organizações em defesa dos trabalhadores e pelo aprimoramento das leis trabalhistas no país.

Hoje, o presidente é um magnata com as mãos em quase todos os setores da economia e amealhou um patrimônio pessoal de quase US$ 500 milhões — o que lhe confere boa reputação com a classe empresarial sul-africana. Ele entrou para os negócios com o programa de empoderamento negro, quando empresas administradas por brancos passaram participações em ações a sócios negros para diversificar o empresariado no país.

Nos últimos anos, sentou-se nos conselhos de conglomerados de mineração e atuou como diretor de grandes empresas, incluindo a South African Breweries, maior cervejaria do país, subsidiária da SABMiller. Ele é casado com a irmã do homem de negócios mais rico da África do Sul.

Jacob Zuma (à esquerda) e Cyril Ramaphosa sentam-se lado a lado em conferência anual do partido governista em Johannesburgo, em dezembro de 2016 – Siphiwe Sibeko / REUTERS

CAMPANHA ANTICORRUPÇÃO

Em 2014, ele deixou um pouco de lado sua carreira empresarial para voltar à política, e o presidente Jacob Zuma o nomeou seu vice-presidente. Na campanha pela liderança do CNA, ele denunciou a corrupção na campanha de Zuma, que sustenta já ter se resolvido com a Justiça, e prometeu estimular a economia durante a sua campanha.

Venceu sua principal oponente por apenas 179 dos mais de 4.700 votos totais na convenção do CNA. Nkosazana Dlamini-Zuma, de 68 anos, que reconheceu a derrota, é considerada uma integrante leal do partido, tendo servido em vários cargos ministeriais — além de ser ex-mulher de Zuma. Muitos de seus apoiadores provavelmente receberão altos cargos em um CNA liderado por Ramaphosa, o que pode limitar sua capacidade de promulgar reformas radicais.

As expectativas são altas sobre o vice-presidente. Ramaphosa leva um ar urbano e pragmático à liderança do CNA, embora muitas vezes tenha sido atacado por um estilo de vida claramente em desacordo com o da maioria dos sul-africanos. Ele se comprometeu a erradicar a corrupção de um governo cujos funcionários — em todos os níveis — muitas vezes descaradamente usaram o poder para enriquecer.

A retórica deu a Ramaphosa o apoio de alguns dos principais detratores de Zuma: líderes empresariais e negros urbanos de classe média. Muitos também se perguntam se Ramaphosa irá perseguir os casos de corrupção contra Zuma.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/mundo/proximo-presidente-sul-africano-cyril-ramaphosa-precisara-reunificar-partido-22396899#ixzz57CzPiWvx
stest

https://oglobo.globo.com/mundo/cyril-ramaphosa-eleito-novo-presidente-da-africa-do-sul-22399842#ixzz57Cz4LIpq
stest

Parlamento confirma Ramaphosa como Presidente sul-africano

tamphosaVotação ocorreu menos de 24 horas depois de Zuma ter apresentado a sua demissão, pondo fim a nove anos na presidência.

Matamela Cyril Ramaphosa foi eleito presidente da África do Sul nesta quinta-feira, 15 de fevereiro.  Ele assumiu o cargo depois que o ex-presidente Jacob Zuma apresentou sua renúncia.
Cyril1Nascido em 17 de novembro de 1952 em Soweto, Ramaphosa se envolveu com o ativismo estudantil enquanto estudava direito na década de 1970.

Ele foi preso em 1974 e passou 11 meses em confinamento solitário.

mandela 3Depois de estudar, ele se voltou para o sindicalismo – uma das poucas formas legais de protestar contra o regime.

Quando Mandela foi libertada em 1990 após 27 anos de prisão por se opor ao apartheid, Ramaphosa foi uma parte fundamental do grupo de trabalho que levou a transição para a democracia.

mandela 2

Ramaphosa aumentou a proeminência global como o principal negociador da ANC, com seu contributo visto como um fator no sucesso das negociações e a resultante transferência democrata democrática.

Mandela+Meyer+Ramaphosa+De+Klerk+1996

 

Ramaphosa tem quatro filhos com sua segunda esposa, Tshepo Motsepe, um de les é  médico.

Ele foi acusado em 2017 de ter assuntos com várias mulheres jovens, que ele negou.

Ramaphosa admitiu um caso extraconjugal, mas disse à mídia local que desde então havia divulgado o relacionamento com sua esposa.

Alguns viram as revelações súbitas como uma campanha de difamação por associados de Zuma, que apoiou outro candidato na conferência do partido Crunch – sua ex-esposa Nkosazana Dlamini-Zuma.

O impacto do escândalo foi de curta duração, e Ramaphosa baseou sua campanha em sua promessa de reconstruir a economia do país, impulsionar o crescimento e criar empregos muito necessários.

“Ramaphosa não tem associação com nenhum dos escândalos de corrupção que atormentaram a África do Sul”, escreveu seu biógrafo Ray Hartley em “The Man Who Would Be King”.mandela5

 

A democracia venceu na África do Sul

jacobEm um discurso de despedida à nação que durou 30 minutos, Zuma, de 75 anos, afirmou que não concordou com a forma como o ANC o forçou a renunciar depois da eleição de Cyril Ramaphosa como presidente do partido em dezembro. Mas afirmou que tem que “aceitar que se meu partido e meus compatriotas desejam que eu saia, eles têm que exercer esse direito e fazer isso da maneira prescrita na Constituição”. Também disse que não tinha medo de uma moção de censura ou de um processo de impeachment.

“Servi ao povo da África do Sul ao máximo de minha habilidade. Sou eternamente grato que confiaram em mim”, disse.

“Cheguei à decisão de renunciar como presidente da República com efeito imediato” afirmou. “Apesar de eu discordar da decisão da liderança da minha organização, sempre fui um membro disciplinado do ANC”, acrescentou.

renuncia1

“Nenhuma vida deve ser perdida em meu nome. E o ANC não deve ficar dividido em meu nome”, afirmou ao final de seu discurso.

Figura importante da luta anti-Apartheid nos anos 60, 70 e 80, Zuma ficou preso por 10 anos e ficou mais 15 anos no exílio antes de dar voltar ao seu país para empreender carreira política. Foi vice-presidente do país entre 1999 e 2005. Assumiu como presidente em maio de 2009.

Ele é alvo de mais de 700 acusações por corrupção relativa a contratos de armas do final dos anos 1990 e é investigado por supostamente ter usado o Estado para favorecer empresários com concessões públicas milionárias.

Os diversos escândalos de corrupção em que está envolvido levaram o país a uma séria crise política.

A direção do ANC tem o poder de solicitar a saída de seus membros que estejam em função governamental, como aconteceu em 2008 no caso do presidente Thabo Mbeki, que cumpriu a decisão e renunciou.

Caso não renunciasse, Zuma poderia ser destituído por meio de uma moção no Parlamento nos próximos dias. Até então, Zuma se recusava a obedecer as ordens de seu partido.

Mas, ontem decididamente, o dia foi politicamente intenso na África do Sul. Logo pela manhã, o Congresso Nacional Africano (ANC) tinha emitido uma ordem para que Jacob Zuma apresentasse a sua demissão do cargo de Presidente da República. Isto, no final de uma reunião em que os 107 membros do Conselho Nacional Executivo do ANC tiveram num hotel da capital sul-africana para uma decisão final e definitiva sobre o futuro do Presidente da África do Sul.
Jacob Zuma manteve várias reuniões com Cyril Ramaphosa, e com outros dirigentes do ANC, e que em todas elas o ambiente foi “cordial” e “respeitoso”, nunca se falando de modo direto da sua renúncia. Jacob Zuma disse estar de “consciência perfeitamente tranquila” e convicto de que não havia nada de errado, para que fosse forçado a apresentar a demissão.

Venceu o Estado de Direito

Dada a história e o contexto do continente africano pós-colonial em que vários chefes de Estado se agarraram ao poder por décadas, a mudança de ontem pode ser vista como uma vitória para a democracia da África do Sul. Ele provou ser resiliente diante do projeto de captura de estado  por Jacob  Zuma.

O Estado de Direito e um poder judicial independente mantiveram-se firmes apesar das pressões políticas. Os partidos da oposição e as organizações da sociedade civil foram muito importantes nesse processo ao utilizarem a Constituição para desafiar Zuma.

Agora, Zuma, juntamente com a família Gupta e muitos outros – incluindo vários membros do atual gabinete – devem enfrentar a perspectiva de serem responsabilizados pelos crimes de corrupção. O processo já está em andamento.

E uma das primeiras nomeações da Ramaphosa será um Procurador Geral. Os tribunais já decidiram que devem prosseguir com a apuração dos casos de corrupção ocorridos no Governo. Os ventos da mudança estão soprando pelos corredores do poder.

 A corrupção no Governo de Zuma 

 

Uma unidade de elite da Polícia da África do Sul dirigiu operações de buscas à casa de família do grupo empresarial Gupta, em Joanesburgo, no quadro das investigações sobre tráfico de influências que atingem a cúpula do Estado sul-africano, e em particular o Presidente Jacob Zuma.
A operação está ligada ao escândalo “Captura do Estado”, nome dado ao caso de corrupção em que se encontra implicado o Presidente Jacob Zuma, disse à imprensa Hanqwani Mulaudzi, porta-voz da polícia.

dguudmc5zgzw0ib0stjw
Pouco depois das 08:00  um veículo civil escoltado por carros da polícia abandonou a propriedade da família Gupta. Três pessoas foram detidas até agora, incluindo um dos irmãos, segundo um comunicado da Polícia. Na África do Sul, nenhum sobrenome ressoa tanto nos últimos anos como o dos Gupta, os multimilionários indianos amigos do Presidente Jacob Zuma que fazem negócios com todos os sectores da administração pública, recebem tratamento de Chefes de Estado e se permitem, inclusive, em oferecer postos de ministro.

auma e gupta
Após anos de silêncio protetor, os testemunhos incriminadores sobre a relação de Zuma com os Gupta começaram a surgir em cascata dentro do próprio ANC.
Os Gupta operam na África do Sul uma mina de urânio que poderia abastecer todo o projecto nuclear do país. Uma empresa adquirida agora pela família foi escolhida com a influência directa do Presidente para fornecer o carvão para uma das centrais eléctricas da Eskom.
Segundo a imprensa local, o Presidente sul-africano realizou várias manobras duvidosas para dar o contrato aos irmãos indianos.

Jacob Zuma, Presidente da África do Sul renuncia

RENUNCIA“Anuncio a minha renúncia do cargo de Presidente da República da África do Sul, com efeitos imediatos”

Em uma declaração ao país, feita através da televisão, Jacob Zuma anunciou que havia acabado de assinar, com efeitos imediatos, o seu pedido de renúncia  do cargo de Presidente da África do Sul.

Na sua alocução, Jacob Zuma disse que não concordava com as razões que estavam a ser apontadas para que apresentasse a sua demissão, mas sublinhou que o fazia em respeito pela unidade do seu partido, o ANC, e do povo sul-africano.

“Devo aceitar que meu partido e meus compatriotas querem que eu vá embora”, disse Zuma.

“Não tenho medo de qualquer moção de censura; Não tenho medo de qualquer impeachment”, disse Zuma, durante a sua comunicação.

Segundo deu a entender, a decisão terá sido motivada pela necessidade de preservar a integridade do partido, perante a violência e divisão que estava a acontecer.

“Ninguém merece morrer em meu nome. O partido não se deve dividir por minha causa” destacou.

Jacob Zuma cumpria agora o seu segundo mandato como Presidente da África do Sul.Cyril ra

Deixa o poder nas mãos do seu então vice-presidente da República, Cyril Ramaphosa, que deverá ser anunciado hoje como seu sucessor na chefia do Estado.

Zuma tem até hoje para deixar o poder

-ZUMA

Victor Carvalho

 

Aquilo que os sul-africanos mais temiam acabou mesmo por acontecer. O Congresso Nacional Africano e Jacob Zuma extremaram as suas posições, e pairando no ar a sensação do inicio de um processo de “impeachment” parlamentar para levar à queda do presidente.

O secretário-geral do ANC, Ace Magashule, assegurou ontem que o Presidente sul-africano, Jacob Zuma, vai pronunciar-se hoje sobre a ordem de demissão do partido.
Fotografia: Johannes Eisele | AFP

A única forma desse processo não avançar é Jacob Zuma, no prazo de 48 horas que agora lhe foi dado, assinar pelo pedido de demissão que lhe é exigido pelo próprio partido, à frente do qual foi eleito Presidente da África do Sul.
Mas, o grande problema é que Jacob Zuma continua renitente em aceitar este ultimato e já fez saber que pretende estar mais alguns meses no poder, mais concretamente até finalizar o seu mandato.
Um porta-voz da presidência desmentiu ainda ontem de manhã uma notícia que estava a ser avançada pela BBC e segundo a qual Jacob Zuma estava a elaborar a sua carta de demissão, sublinhando que o futuro do presidente será tratado, “a seu tempo”, longe dos holofotes da imprensa.
“Jacob Zuma continua a ser o Presidente da África do Sul e está disposto a terminar o seu mandato”, sublinhou o mesmo porta-voz. A decisão de avançar com este ultimato foi tomada nas primei-
ras horas de ontem no decorrer de mais uma da imensa maratona de reuniões, durante as quais os apoiantes de Jacob Zuma e os que defendem a sua demissão têm esgrimido longa e infrutiferamente os seus argumentos.
Desta feita, os 107 membros do Conselho Nacional Executivo do ANC estiveram reunidos até às primeiras horas de ontem num hotel da capital da nação sul-africana para uma tomada de decisão sobre o futuro do Presidente da África do Sul.
O conselho recordou o que aconteceu em 2008 quando o Presidente ThaboMbeki, que sucedeu no cargo a Nelson Mandela, renunciou por falta de apoio do ANC no parlamento. O apoio que Jacob Zuma ainda no seio da direcção do partido, sem o qual não conseguiria resistir este tempo todo, é expresso, fundamentalmente, pelos elementos provenientes das zonas rurais e pelos antigos combatentes, enquanto os quadros mais jovens, os empresários e os representantes dos sindicatos estão unidos à volta de CyrilRamaphosa, presidente do partido, na exigência pela sua saída imedia-
ta do cargo de Presidente da República.
Jacob Zuma terá sido informado da decisão sobre este recente ultimato de 48 horas para a sua saída do poder pela voz do próprio líder do partido, CyrilRamaphosa, que acompanhado pelo secretário geral, AceMagashule, se deslocou ontem de madrugada até à residência presidencial, em Pretoria, não se sabendo se nessa ocasião se terão encontrado pessoalmente com o ainda presidente da África do Sul ou se terão apenas feito a entrega formal do documento onde consta a posição saída da reunião.
Oposição avança com nova moção de censura
Depois de já ter vencido sete moções de censura apresentadas pela oposição, sempre com o apoio do ANC, o Presidente Jacob Zuma vai en-frentar no próximo dia 22 uma nova moção parlamentar pedida por um partido da oposição, a Aliança Nacional. Ontem de manhã, um porta-voz da Aliança Democrática disse que a oposição não vai parar até que o presidente Zuma se demita ou seja demitido, e diz que esta está atenta ao modo como o ANC está a tratar a situação. “Não vamos permitir que o partido no poder use paninhos quentes em relação ao Presidente da República. Ele vai ter que pagar pelos crimes que cometeu”, sublinhou o mesmo porta-voz em declarações à televisão sul-africana.
Após deixar a presidência do ANCno último congresso do partido, em Dezembro, a favor de CyrilRamaphosa – que não era o seu candidato preferido -, a pressão para que o chefe de Estado abandone o poder aumentou, especialmente nas últimas semanas.

Cyril raRamaphosa 
Independentemente do que agora suceder com Jacob Zuma, demissão voluntária ou forçada através da aprovação de uma moção parlamentar de censura, existe a certeza de que CyrilRamaphosa é o próximo presidente da África do Sul.
Isto, porque o veterano político ganhou a corrida para suceder a Jacob Zuma como líder do ANC, naquilo que foi na altura descrito por observadores internacionais como “o final de uma longa maratona”. O novo número 1 do principal partido sul-africano conseguiu vencer em Dezembro do ano passado NkosazanaDlamini-Zuma, ex-mulher de Zuma, por 179 votos (2.440-2.261).

zuma

Pressões chegam de todo o lado do país

Vai ser muito difícil a Jacob Zuma resistir às pressões que chegam de todo o lado para que se demita. Tanto do seu próprio partido, como das forças da oposição e ainda de uma larga franja da sociedade civil. Ao ANC basta aguardar pela apresentação de mais uma moção de censura por parte da oposição, aliás já prevista para o dia 22, para assistir à queda do presidente.
Para isso é apenas necessário que os seus deputados respeitem a orientação que eventualmente venha a ser dada pelo partido, abstendo-se de votar, para que Jacob Zuma fique sem o apoio do parlamento. Se isso suceder, o presidente é forçosamente obrigado e demitir-se. De acordo com a constituição sul-africana, o Presidente da República é eleito pelo parlamento e este tem o poder de o destituir, bastando para tal retirar-lhe o apoio que emana do poder do voto. No seio da principal força da oposição, a Aliança Democrática tem sido o partido mais activo na luta para afastar Jacob Zuma do poder.
Este partido, o segundo mais votado nas últimas eleições, tem algumas aspirações para 2019 e quer ter a liderança do processo de destituição do actual presidente, de modo a apresentar isso como um argumento político forte para usar na próxima campanha eleitoral.
O ANC, por seu lado, apesar de ter praticamente garantida a vitória nas eleições de 2019, não quer perder mais votos para os seus adversários e, por isso mesmo, quer ter também a sua chancela no processo para o afastamento de Jacob Zuma.
Como se vê, politicamente, todos os partidos têm a ganhar com a saída imediata de Jacob Zuma. Só ele, visado pela justiça, tem a perder com a sua demissão, pois corre sérios riscos de ter que enfrentar a lei e responder pelos crimes de que vem sendo acusado.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/zuma_tem_ate_hoje_para_deixar_o_poder

Pres da África do Sul ameaçado de impeachment, diz: “Eu não fiz nada de errado”

ZUMA ENTREVISTA.jpgO comando executivo do Congresso Nacional Africano(ANC), o maior partido político da Africa do Sul, comunicou ao presidente da África do Sul que deve renunciar ao cargo.  Caso ele continue a se negar a deixar o poder, o o ANC pretende se juntar a oposição e realizar o impeachment no Congresso.

A reação do presidente foi de continuar a dizer que não sabe quais os motivos que o estão pedindo para que ele se afaste. Depois das diversas acusações de corrupção. Ele continua a afirmar que não fez nada de errado.  E ainda diz que não está desafiando a decisão do ANC, mas discorda por achar incorreta.

O clima continua muito tenso, e pode ter um desfecho dramático. O Presidente Jacob Zuma, parece não entender que o governo acabou e a sua presença deixa o país em suspenso e coloca o futuro do partido em xeque. Zuma pediu três a seis meses para fazer a transição do cargo. ANC disse que esse período é muito longo para deixar o país no clima de incerteza e ansiedade.

ANC-documents_sliderA preocupação o ANC é que o país se una nos objetivos de crescimento , criação de empregos e transformação econômica.

 

Sudão do Sul, República Democrática do Congo e República Centro Africana preocupam o continente

846px-Mapa_político_da_África.svg.png

O Presidente de Angola,  José Eduardo dos Santos considerou “inquestionável” que o “atual espírito unipolar nas relações internacionais” conduziu o mundo a um período difícil, marcado por conflitos militares em várias partes do globo, pelo clima de incerteza política e pela crise econômica e financeira.
Para o Chefe de Estado angolano só o regresso aos “parâmetros do multilateralismo universal” permitiria sair desse momento difícil que o mundo vive atualmente. “São muitos os problemas a que a comunidade internacional tem de fazer face, e só colocando acima de tudo a vontade política, o espírito de diálogo e o cumprimento dos princípios e normas do Direito Internacional será possível encontrar soluções para esses problemas”.

O Presidente da República defendeu uma visão “mais realista, pragmática e tolerante” num cenário internacional em que urge inverter-se a “inércia negativa dos conflitos”, com a ONU e outras instituições internacionais a terem um papel cada vez mais ativo na resolução dos problemas internacionais. O líder angolano realçou o consenso de que a paz é fundamental para o desenvolvimento e progresso dos povos e nações, para a promoção da democracia e para a salvaguarda dos direitos humanos. Líder em exercício da conferência internacional da região dos Grandes Lagos, José Eduardo dos Santos pediu que seja dado maior apoio a África na luta contra o terrorismo, o radicalismo religioso e a sua expansão pelo continente.
E citou os casos de maior preocupação na região. O Sudão do Sul, que enfrenta um problema de insurreição e precisa de uma “verdadeira reconciliação”, a RDC onde tarda a aplicação dos acordos entre o governo e a oposição para a realização de eleições até Dezembro deste ano, e se restabeleça a confiança no sistema democrático vigente, e a República Centro Africana que, depois do processo de transição que culminou em eleições e formação do Governo, e outras instituições, continua a precisar de apoio para a conclusão da pacificação e estabilização.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/mundo_espera_forte_accao_da_onu

O novo primeiro ministro de Guiné Bissau promove engenharia política

media 

Umaro Sissoco Embaló, Primeiro – ministro da Guiné BissauDR

O Primeiro-ministro da Guiné Bissau, Umaro Sissoco Embaló, prossegue os contactos com as partes signatárias do Acordo de Conacri, tendo em vista a formação de um Governo integrado por todos.

Umaro Sissoco Embaló devia manter um encontro de trabalho com o PAIGC, partido vencedor das últimas eleições legislativas na Guiné Bissau. Mas a RFI sabe que o partido liderado por Domingos Simões Pereira fez saber, por carta endereçada ao Primeiro-ministro, que só terá uma posição definitiva sobre se integra ou não o Governo, depois de reunir o seu comité central no próximo fim-de-semana.

Quem já se decidiu em integrar o Governo é o Partido da Renovação Social (PRS), com quem Umaro Sissoco Embaló se reuniu esta terça-feira. A confirmação foi – nos dada por Vítor Pereira, o porta-voz do PRS:

Entretanto, Umaro Sissoco Embaló promete ter o seu Governo formado nos próximos dias, talvez na próxima semana, e diz contar com todas as sensibilidades do país.

 

http://pt.rfi.fr/guine-bissau/20161122-guine-bissau-primeiro-ministro-multiplica-contactos-com-partidos