Austrália queria dar vistos especiais aos brancos da África do Sul

A ministra sul-africana das Relações Internacionais e Cooperação, Lindiwe Sisulo, afirmou que recebeu com “satisfação” um pedido de desculpas apresentado pela Austrália, em relação ao polémico anúncio de disponibilização de “vistos especiais” para fazendeiros brancos.

Ministra sul-africana satisfeita com o pedido de desculpas
Fotografia: DR

Há cerca de um mês, o ministro australiano dos Assuntos Internos, Peter Dutton, anunciou que o seu Governo estava na disposição de atribuir “vistos especiais” a fazendeiros sul-africanos brancos que viessem a ser “perseguidos”, em consequência da nova política de distribuição de terras prometida pelo Presidente Cyril Ramaphosa. “Eu penso que essas pessoas vão ser afectadas, e que precisam de uma atenção especial. Por isso, vamos priorizá -las na atribuição de vistos especiais, para que possam fixar-se na Austrália”, disse na altura Peter Dutton. Esses comentários levantaram acesa polémica na África do Sul e motivaram ríspida troca de correspondência diplomática entre os dois países. No auge da contestação, o Governo sul-africano enviou uma nota ao Alto Comissário da Austrália na África do Sul, Adam McCarthy, a exigir a retratação por parte das autoridades australianas.
Finalmente, ao fim de um mês, o Governo sul-africano recebeu a nota assinada pelo primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbul, e pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Julie Bishop, a pedir desculpas pelas declarações proferidas há um mês por Peter Dutton.
No mesmo dia, o próprio Peter Dutton fez uma declaração a lamentar a polémica que provocou, ao anunciar  a existência de “vistos especiais” para fazendeiros brancos sul-africanos.
A ministra sul-africana das Relações Internacionais e Cooperação, por sua vez, clarificou que o  país mantém abertos os canais diplomáticos, através dos quais todos os países podem tomar conhecimento ou aprofundar aquilo que são as políticas em curso na África do Sul.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/australia_pede_desculpas_ao_governo_sul-africano

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A seca em Moçambique é uma tragédia desconhecida pelo brasileiros

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Moçambique atravessa um período de secas que tem levado milhões de pessoa a situações crítica, mas no Brasil isso não faz parte da pauta da política externa. Há uma insensibilidade e um desconhecimento sobre  esse drama. A recente decisão do governo brasileiro de suspender a doação de três aviões  à Moçambique, dá uma ideia do pensa o novo governo sobre Africa.

– Enquanto isso os australianos pensam diferente, pois Moçambique é um dos beneficiários do apoio adicional disponibilizado pelo governo australiano para a África Austral em resposta à escassez de alimentos devido a grave seca provocada pelo fenômeno de El Niño na região.

A disponibilização deste apoio, no valor de 10 milhões de dólares australianos (cerca de 7,7 mil dólares norte-americanos ao câmbio corrente), foi anunciada na semana passada pela ministra australiana dos Negócios Estrangeiros, Julie Bishop, e será efectivada através do Programa Mundial de Alimentação (PMA).

Um comunicado do Alto Comissariado da Austrália recebido pela AIM adianta que o apoio vai servir para o fornecimento de alimentos e apoio nutricional para 11,9 milhões de pessoas afectadas pela seca nos países da África Austral.

Dos países mais afectados na região da África Austral, que irão beneficiar directamente deste financiamento adicional constam Moçambique, Lesotho, Malawi, Suazilândia e Zimbabwe

A crise actual causada pelo fenómeno El Niño resultou em uma das piores secas na África Austral dos últimos 35 anos, tendo deixado 32 milhões de pessoas sem acesso ao fornecimento adequado de alimentos, incluindo 2,7 milhões de crianças gravemente desnutridas.

A Austrália tem sido activa na resposta global ao impacto do El Niño, que também teve um impacto devastador no Indo-Pacífico.

A resposta da Austrália tem sido feita com base no financiamento para a aquisição de alimentos de subsistência, nutricional e meios de subsistência para os países mais afectados no Pacífico e Sudeste Asiático, bem como no Corno de África.

Através do seu programa de ajuda, o governo australiano também está a investir na melhoria da preparação e de capacidade de adaptação à mudança climática para ajudar comunidades a se prepararem para futuros períodos de seca.

Com este financiamento adicional, a contribuição da Austrália para os países afectados pelo El Niño irá aumentar para um total de 46 milhões de dólares australianos.

El Nino é um evento climático natural que ocorre no Oceano Pacífico, aquecendo suas águas e alterando a distribuição de calor e humidade em várias partes do globo.

Muitos climatologistas acreditam que o El Nino possa estar relacionado com o inverno mais quente na região central dos Estados Unidos, secas na África e verões mais quentes na Europa. Estes efeitos ainda estão em processo de estudos.

Em Moçambique, o El Nino está associado a seca durante o período mais chuvoso – Janeiro a Março. Este fenômeno também foi responsabilizado pela grave escassez de alimentos em grande parte das regiões sul e centro de Moçambique, em 2002, e pela grave seca que devastou o país, em 1992.

http://noticias.sapo.mz/aim/artigo/11270708092016130141.html