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África precisa de US$ 14 bilhões/ano para abastecimento de água.

Representantes do Conselho Ministerial da Água da África se reuniram na cidade de Entebbe, na Uganda, em 18 e 19 de janeiro, para destacar temas importantes para o continente e que deverão ser levados ao 8º Fórum Mundial da Água. O resultado dos debates, que inclui, entre outros assuntos, segurança da água, ecossistema e mudanças climáticas, fará parte do Relatório Regional Africano, uma das atividades do Processo Regional do 8º Fórum.

Osward Chanda, diretor do departamento de água e saneamento do Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB, sigla em inglês), disse que os políticos precisam se sensibilizar e formular políticas públicas que envolvam elementos relacionados às mudanças climáticas, à criação de emprego para jovens no setor de água, aos sistemas ecológicos e ao desenvolvimento da água.

Ahmed Eldaw, coordenador regional da Global Water Partnership Eastern Africa, ressaltou que existem questões-chave que a região precisa focar, como o impacto das mudanças climáticas e da segurança da água, do ecossistema e de outras questões relacionadas às pessoas.

Chanda observou que o Fórum Mundial da Água é uma oportunidade para participar ativamente das discussões mundiais sobre a água e garantir que a perspectiva da África seja adequadamente apresentada em um diálogo global. O evento acontecerá em Brasília, entre 18 e 23 de março de 2018.

Realidade africana

Osward Chanda ressaltou que há uma lacuna de financiamento no setor hídrico africano. “O continente precisa de US$ 14 bilhões para abastecer o setor de água por ano. Atualmente, o AfDB injeta US$ 3 bilhões para melhorar o setor de água e saneamento no continente”, revelou.

De acordo com Chanda, investimentos maciços no desenvolvimento e gerenciamento integrado da água são fundamentais para garantir a segurança sustentável desse recurso, a produção de alimentos e energia de forma inclusiva.

A estratégia do continente africano para o horizonte de 2013-2022 está concentrada em investimentos no desenvolvimento e gerenciamento integrado de recursos hídricos para ampliar a qualidade e garantir a segurança da água, da agricultura e do desenvolvimento de energia no continente de forma sustentável.

Segundo Chanda, essas ações são capazes de promover a qualidade de vida das pessoas e realçar o papel da água na transformação da sociedade africana.

http://www.worldwaterforum8.org/pt-br/news/workshop-em-uganda-discute-relatório-regional-africano

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Angola tem a segunda maior dívida da África

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Um relatório da agência internacional de notação financeira Standard & Poors (S&P) sobre o endividamento dos países africanos, publicado ontem na imprensa internacional, declara que Angola emite, este ano, dívida de 15,9 bilhões de dólares (cerca de 3,4 trilhões de kwanzas), mais 26,5 por cento que em 2017.

 

 

Apesar de próximos, os números da Standard & Poors diferem dos enunciados no Plano Anual de Endividamento do Ministério das Finanças
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

A agência de “rating” realça que este é o valor mais alto desde 2014, ano em que Angola recorreu aos mercados para angariar 17,3 bilhões de dólares (3,6 trilhões de kwanzas).
O documento mostra que Angola será o segundo maior emissor africano de dívida, atrás da África do Sul, que vai endividar-se em 18,7 bilhões de dólares (3,9 trilhões de kwanzas) este ano, o que representa uma subida de 7,8 por cento sobre 2017.
Os analistas da S&P afirmam que Angola tem o maior rácio de “dívida rolante” face ao Produto Interno Bruto (PIB), cerca de 36 por cento, o que significa que é o país que tem mais dívida a atingir a maturidade e é geralmente resolvido recorrendo a emissões de dívida de curto prazo para pagar a de longo prazo.
Os números da S&P são parcialmente díspares dos que constam no Plano Anual de Endividamento, um documento no qual o Executivo prevê captar, em emissões, 6,721 trilhões de kwanzas em 2018, totalizando 14 trilhões de kwanzas de endividamento total.
Este montante, repartido por 4,762 trilhões de kwanzas a captar em dívida emitida no mercado interno e 1,959 trilhões de kwanzas em desembolsos externos, visa “colmatar as necessidades de financiamento” do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2018.
“O ‘stock’ de dívida governamental deve permanecer com a tendência de crescimento verificada nos anos anteriores, que se fundamenta numa maior participação da dívida titulada”, refere o documento, apontando um crescimento da dívida de 18 por cento em relação a 2017.

Previsões de Lagarde

No total, o relatório da S&P sobre a dívida pública dos 17 países que a agência de “rating” avalia na África Subsaariana mostra que estes países vão endividar-se em mais 57 mil milhões de dólares (acima de 12 trilhões de kwanzas) este ano.
Este valor representa uma subida de 7,4 por cento face aos 53 bilhões (11,2 trilhões)  de dívida emitida no ano passado e comprova que a crise dos preços das matérias-primas, iniciada em 2014, continua a afetar fortemente estas economias dependentes dos recursos naturais para equilibrarem os orçamentos.
“Esta subida reflecte o aumento das emissões planeadas pelos maiores emissores, do ponto de vista histórico, [que são] África do Sul e Angola”, lê-se no documento, que aponta que, no caso do nosso país, o endividamento “deve-se parcialmente a grandes amortizações previstas para 2018”, enquanto na África do Sul a subida explica-se pela “fraca trajetória orçamental”.
Nos restantes, segundo o documento, as necessidades de financiamento vão manter-se relativamente estáveis, o que “reflete um equilíbrio entre o ambiente ligeiramente mais favorável no mercado das matérias-primas e o aperto nas condições de financiamento decorrente da normalização da política monetária norte-americana”.
A S&P espera que o ‘stock’ de dívida comercial chegue a 392 bilhões de dólares (83 triliões de kwanzas) no final deste ano em África e que o total (incluindo a concessional, a preços mais baixos do que os de mercado) atinja 514 bilhões de dólares (109 trilhões).
O relatório da S&P surge em linha com as preocupações repetidamente manifestadas pela diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, que admitiu numa entrevista recente que 2018 pode ser o ano em que o problema da dívida vai explodir em África.
Numa entrevista à revista “Quartz”, Lagarde, quando questionada sobre o perigo do problema da dívida explodir em 2018, respondeu: “pode muito bem ser”.
Para a líder do FMI, “o que pode desencadear esses sérios desenvolvimentos são, na verdade, as melhorias nas economias avançadas, nomeadamente a valorização de algumas moedas nacionais, o aperto da política monetária norte-americana e talvez na Zona Euro, que tornam o fardo da dívida mais pesado nalguns países”.

 Maior parte do financiamento externo provém da China

Pelo menos 51 por cento da dívida contratada pelo Governo angolano, ao longo deste ano provém da China, de acordo com dados do Plano Nacional de Endividamento (PAE), que cifra o valor dos empréstimos externos, durante esse período, em 1,556 trilhões de kwanzas.
Quarenta e dois por cento do total, 653 bilhões de kwanzas, será proveniente do Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) e nove por cento, 140 bilhões de kwanzas, do Eximbank daquele país, declara o PAE.
Na lista do financiamento em enquadramento para 2018 consta ainda 28 por cento através de uma emissão de “eurobonds” – títulos da dívida pública em moeda estrangeira -, equivalente a 435 bilhões de kwanzas (uns dois bilhões de dólares) e um apoio do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) de 11 por cento do total, que deverá ascender a mais de 171 bilhões de kwanzas.
O documento acrescenta que os financiamentos estão “em fase de enquadramento” e  serão em maior percentagem empregues nos sectores da Energia e Águas, Construção e Defesa.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/angola_e_o_segundo_maior_emissor_de_divida_em_africa_1

BAD financia Cabo Verde em 32 milhões de euros na construção de parque tecnológico

parque tecnológico, na cidade da Praia

 

Cabo Verde vai ter, dentro de dois anos, um parque tecnológico, na cidade da Praia, uma infraestrutura que o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, acredita vai ser uma plataforma de prestação de serviços em África.

O Parque Tecnológico de Cabo Verde vai situar-se no bairro de Achada Grande Frente, na Praia, e vai ocupar uma área de nove hectares de terreno nas imediações do Data Center.

O parque, projetado pelo arquiteto cabo-verdiano Fernando Maurício dos Santos, terá cinco edifícios: centro de empresas, centro de formação e treinamento, centro cívico, centro de incubação e outro Data Center, como extensão do atual.

O projeto é financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e pelo Governo de Cabo Verde em cerca de 32 milhões de euros.

Durante o lançamento da primeira pedra, na quarta-feira, o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, perspetivou que o parque vai ser um centro de prestação de serviços em África ao nível das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).

«A ambição é colocar o Parque e o Data Center como referências regionais de serviços tecnológicos em África», perspetivou o chefe do Governo, acreditando que também que vai alavancar o empreendedorismo no setor em Cabo Verde.

A ilha de São Vicente também vai ter o seu Parque Tecnológico e Data Center, que será será lançado em outubro deste ano.

Fonte:https://www.abola.pt/africa/ver.aspx?id=681314

Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) tem 81,2 ME de operações em curso na Guiné-Bissau

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O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) tem 81,2 milhões de euros de operações em curso na Guiné-Bissau, em projetos nacionais do sector público e projetos regionais, anunciou hoje em comunicado.

“A carteira de ativos doméstica inclui nove operações” para um total de compromissos líquidos de 50,6 milhões de euros, “enquanto uma outra conta inclui duas operações multinacionais” no valor de 30,5 milhões de euros, de acordo com o documento.

Os dados surgem depois encontros entre dirigentes do BAD e do governo guineense, realizados em setembro.

“O nível de autorizações do Banco [para operações financeiras] é uma ilustração da forte parceria forjada entre a Guiné Bissau e o Banco Africano de Desenvolvimento ao longo de mais de quatro décadas de cooperação”, destacou o BAD.

De acordo com o banco, o desempenho operacional na execução de projetos melhorou e a duração média dos trabalhos apoiados em território guineense baixou de 6,6 para quatro anos.

As autoridades e o BAD vão criar “um controlo regular e aprofundado com base na descentralização dos serviços do escritório regional do BAD, em Dakar, que desde 2005 tem dado um suporte mais forte a operações de proximidade com os parceiros da Guiné-Bissau”, concluiu o BAD.

http://24.sapo.pt/noticias/internacional/artigo/banco-africano-de-desenvolvimento-bad-tem-81-2-me-de-operacoes-em-curso-na-guine-bissau_21313589.html

 

Relatório da ONU sobre a Guiné-Bissau é preocupante

 

Nova Iorque – O relatório do secretário-geral da ONU sobre a situação na Guiné-Bissau, que será apresentado hoje, em Nova Iorque, aos membros do Conselho de Segurança, recomenda a manutenção das sanções ao país. 

“Existe amplo consenso de que as sanções têm actuado como um impedimento ao envolvimento directo das forças de segurança e defesa na deteriorante situação política que o país enfrenta desde Agosto de 2015”, lê-se no relatório citado pela Agência Angola Press.

Uma destas sanções diz respeito à proibição de sair do país de 11 militares que estiveram envolvidos no golpe de estado de 2012, responsáveis que continuam a pertencer às forcas armadas e, à excepção de três, nas mesmas funções.

O relatório diz que os militares se têm mantido à margem da crise política, mas que “o risco de uma intervenção pode aumentar se a crise política persistir, se a reforma de sectores relevantes não for implementada e, em particular, se a precária situação orçamental impedir o pagamento de salários aos soldados.”

“O Conselho de Segurança deve manter a situação actual e enviar uma mensagem clara a todos os cidadão da Guiné-Bissau: o regime de sanções é aplicável a todos, independentemente da sua afiliação política ou institucional”, defende o secretário-geral Ban Ki-Moon.

O documento diz ainda que o Conselho de Segurança deve mostrar que está pronto para “fortalecer as medidas”, que deve considerar o estabelecimento de um comité que recolha informação para sanções mais dirigidas e eficientes e, finalmente, recomenda a visita do presidente do Comité de Sanções da ONU à Guiné-Bissau.

No geral, o relatório defende que “o inicial mas significante progresso feito na Guiné-Bissau após as eleições de 2014, através da formação de um governo legítimo, inclusivo e democrático, foi amplamente revertido” nos últimos 12 meses.

A Guiné-Bissau atravessa uma crise política sem que os dois principais partidos do país, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e o Partido da Renovação Social (PRS), consigam chegar a acordo para marcar uma data para a continuação dos trabalhos parlamentares e debater o programa de Governo.

O documento garante que “três mudanças sucessivas de governo e um prolongado período de paralisia política enfraqueceram ainda mais as instituições do estado”, explica que “a implementação de reformas chave nos sectores da defesa, segurança e justiça foi suspensa” e que “a prestação de serviços básicos foi negativamente afectada.”

O relatório fornece ainda uma actualização sobre os principais acontecimentos políticos, de segurança, direitos humanos, e desenvolvimentos na área socioeconómica e humanitária na Guiné-Bissau desde o seu relatório mais recente, de 12 de Fevereiro de 2016.

Este é o primeiro relatório produzido sobre a supervisão do novo Representante Especial, Modibo Ibrahim Touré, que substitui Miguel Trovoada.

Outro aspecto evidenciado pelo relatório do secretário-geral da ONU sobre a situação na Guiné-Bissau, tem a ver com a possível expansão no país do grupo terrorista Al Qaida do Magreb islâmico.

“Existem preocupações de que grupos como a Al-Qaida no Magrebe Islâmico podem aproveitar-se da instabilidade na Guiné-Bissau para ganhar presença e avançar a sua agenda de extremismo violento”, lê-se no documento. Os autores do relatório lembram que em Março deste ano quatro indivíduos, suspeitos de colaborar com organizações ligadas à Al-Qaida, foram perseguidos pelas autoridades no país e detidos enquanto tentavam cruzar a fronteira.

“Existem receios na região de que o país se possa tornar um alvo para excursões terroristas, visto que, no momento presente, a capacidade do governo responder a esta ameaça ou possíveis ameaças de crime organizado transnacional, como o tráfico de droga, continua limitada”, explica o documento.

O relatório lembra ainda que instituições como o Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento e a União Europeia suspenderam o seu apoio orçamental ao país, uma situação que pode ter um “impacto devastante” no país, visto que 80% do seu apoio vem da ajuda internacional.

 

http://pt.radiovaticana.va/news/2016/08/30/relat%C3%B3rio_da_onu_sobre_a_guin%C3%A9-bissau/1254643

África exige mudanças nas relações com o FMI

Fotografia: DR

Os governadores africanos junto do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial solicitaram das organizações de “Bretton Woods” apoios para enfrentar choques e aumentar a resiliência dos seus países para impulsionar o crescimento económico.

Este foi um dos pontos da Declaração de Cotonou, cidade onde decorreu o Caucus Africano 2016, aprovada esta sexta-feira na célebre capital do Benin – palco do conhecido Acordo de Cotonou, o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os países ACP (África-Caraíbas-Pacífico), assinado em 23 de Junho de 2000, sucedendo à Convenção de Lomé.
Os governadores (responsáveis dos Ministérios das Finanças, Planeamento e bancos centrais) dos países africanos junto do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional solicitam assim que, no âmbito da Conta de Recursos Gerais, o FMI estabeleça uma facilidade adaptada às necessidades peculiares dos exportadores de matérias-primas, pois estes continuam sujeitos a choques nos preços dos produtos de exportação.
Segundo o secretário de Estado do Tesouro, João Boa Francisco Quipipa, em representação do ministro das Finanças, esta posição conjunta traduz a determinação dos países africanos em manter os seus programas de desenvolvimento que foram largamente afectados pela queda dos preços das matérias-primas.

O secretário de Estado do Tesouro enfatiza a necessidade de apoio das instituições de Bretton Woods no sentido de encontrar instrumentos de política e reformas que tornem as economias africanas mais resilientes aos choques. “A nossa curva de crescimento não deve abrandar”, defende, adiantando também a necessária “assistência técnica para a mobilização de recursos internos e o combate aos fluxos ilícitos, como ficou assente o ano passado na declaração de Luanda, uma vez que este fenômeno priva os nossos países de importantes recursos para o desenvolvimento e transformação econômica”.
A declaração de Cotonou do Caucus Africano pretende impulsionar o crescimento e promover a transformação econômica e, para o efeito, instam o BM e o FMI a aumentar o financiamento de projectos estruturantes e de transformação, mediante as diferentes janelas disponíveis, nomeadamente em áreas como agricultura, energia e infra-estruturas.
A comunidade financeira do continente africano pretende assim vingar estes pontos nas discussões da reunião anual do Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial, que decorre em Outubro próximo em Washington.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/banca/africa_exige_mudancas_nas_relacoes_com_o_fmi

Aside

Crescimento econômico deve situar-se acima dos 5% em 2016 e 2017

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
São Tomé e Príncipe vai crescer acima de 5%, «neste e no próximo ano», e «os investimentos estrangeiros na construção, agricultura e turismo devem manter esta taxa robusta», estima o African Economic Outlook (AEO).

De acordo com o relatório divulgado esta segunda-feira em Lusaka, capital da Zâmbia, pelo Banco de Desenvolvimento Africano, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e pelas Nações Unidas,
São Tomé e Príncipe «registou o melhor desempenho no capítulo da governação geral na África Central do Índice Ibrahim sobre oportunidades econômicas, direitos humanos e Estado de direito».

«O crescimento económico deve manter-se acima dos 5% em 2016 e 2017; o aumento do investimento direto estrangeiro na construção, agricultura, turismo e os novos projetos dos doadores devem liderar e aumentar o crescimento nos próximos anos», pode ler-se numa das passagens do relatório.

Elogiando as reformas levadas a cabo nos últimos anos, particularmente no capítulo fiscal, o AEO diz que a nova legislação, «se for aplicada eficazmente, vai melhorar a eficiência da administração pública e dos serviços sociais para a população».

Recuperar crescimento é o maior desafio de Moçambique

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O principal desafio de Moçambique a curto prazo é recuperar o ímpeto do crescimento e garantir a sustentabilidade orçamental e da dívida, lê-se no African Economic Outlook, que estima uma expansão da economia em 6,5%.

“O principal desafio de curto prazo é recuperar o ímpeto do crescimento econômico ao mesmo tempo que garante a sustentabilidade da fiscal e da dívida”, diz o relatório divulgado hoje na capital da Zâmbia pelo Banco de Desenvolvimento Africano, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e pelas Nações Unidas.

A redução dos lucros nas exportações e a despesa públicas são os dois principais motivos apontados para o abrandamento do Produto Interno Bruto para 6,3% no ano passado, mas para este ano estas três instituições apontam para uma ligeira aceleração para 6,5%.

 

http://24.sapo.pt/article/lusa-sapo-pt_2016_05_23_1262272574_recuperar-crescimento-e-o-maior-desafio-de-mocambique—relatorio

Aside

Menos importação reduz fertilizantes nas plantações de Angola 

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Natacha Roberto |

Fotografia: Paulo Mulaza

Os atrasos que se registram na importação de fertilizantes, devido à crise cambial no país, podem condicionar a produção agrícola dos grandes produtores nacionais e reduzir o aumento dos produtos no mercado consumidor, alertou em Luanda o sócio-gerente da “Quinta Amiese”, Joel Plugiiese.

 

Joel Plugiiese alertou durante o seminário, que decorreu até quinta-feira, sobre “Gestão do Agronegócio”, promovido pela Escola de Direcção e Negócios (ASM) em parceria com o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA).
O empresário apelou para uma maior intervenção das autoridades na importação de fertilizantes agrícolas, pois a manter-se a situação como está pode condicionar a produção de bens em grande escala, que é o maior objectivo do Executivo neste período de diversificação da economia. O profissional agrícola reconhece que o atual momento de baixa do petróleo e as restrições de divisas está na base do problema, mas acredita que um maior empenho das autoridades permitirá reverter o quadro.
A “Quinta Amiese”, que produz 36 variedades de leguminosas numa dimensão de 400 hectares na província de Benguela, enfrenta dificuldades inerentes à falta de quadros em agronomia. “Ainda existe um número pouco significativo de engenheiros agrônomos, o que condiciona a qualidade da produção. Espero que o incentivo do Executivo motive os jovens a ingressarem neste curso”, apontou.

 
O representante da empresa “Agroinsumos”, Sansão Manuel, afirmou que a companhia que comercializa fertilizantes e ferramentas agrícolas apenas distribui os consumíveis nas províncias da Huíla e de Benguela. A restrição na comercialização destes produtos para outras províncias do país deve-se ao facto de existirem dificuldades na importação dos bens. “Estamos a tentar ajudar as fazendas com a comercialização de fertilizantes, mas não tem sido fácil em função de algumas dificuldades na importação”, reclamou Manuel. O administrador da “Agro Líder”, João Macedo, garantiu que a formação promovida pela Escola de Direcção e Negócios (ASM) proporcionou maior partilha de conhecimentos e permitiu que os profissionais do campo aprendessem a obter sucesso nas suas produções. As ações de formação em gestão de agronegócios garantiu um maior conhecimento aos produtores e uma melhor atuação na distribuição e comercialização dos produtos no mercado consumidor, reconheceu Macedo.
Vivaldo Roberto, responsável da Fazenda “Quinta dos Pomares”, sugere a abertura de linhas que facilitem a aquisição de insumos agrícolas para facilitar a produção dos grandes produtores. “Devem existir políticas que facilitem a produção dos empresários nacionais para assim podermos cumprir com as orientações do Executivo”, disse Roberto.

Projectos do BDA

O presidente do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), Manuel da Costa Neto, lembrou que Executivo está a apoiar o desenvolvimento sustentado e diversificado dos sectores da economia nacional não petrolífera. “Em 2014, o Estado angolano aprovou um Plano Estratégico do BDA que visa a capacitação técnica e profissional dos empresários nacionais”, referiu, explicando que a sua instituição decidiu estabelecer parcerias com órgãos de formação profissional, como o Instituto Nacional para as Pequenas e Médias Empresas (INAPEM), para alcançar este objectivo.

 

O BDA financiou 544 projetos agrícolas em 43 mil milhões de kwanzas. O director da Escola de Direção de Negócios (ASM), José  Wanassi, explicou que a instituição de formação de alta direção vai realizar a formação com a participação de professores de uma escola de Agronegócios de Espanha.
A administradora do Banco Privado Atlântico, Odyle Cardoso, informou que existem linhas de crédito que permitem aos clientes a concretização dos seus mais variados projetos de médio e longo prazo. “Com o crédito de investimento facilitamos os empresários adquirir bens agrícolas para a concretização dos seus projetos empresariais”, referiu Odyle. A administradora realçou que o programa de crédito obedece a um pagamento de reembolso num período de carência definido com base na finalidade do crédito, especificada no projeto.
O seminário de formação, que decorreu até quinta-feira, sobre “Gestão do Agronegócio”, foi promovido pela Escola de Direção e Negócios (ASM) em parceria com o Banco de Desenvolvimento de Angola. Os grandes líderes agrícolas e gestores da banca nacional frequentam a formação ministrada por professores argentinos. A ASM, que promove a formação, dedica-se à capacitação de líderes empresariais com os mais elevados padrões de exigência.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/menos_importacao_reduz_fertilizantes

Angola/FMI: Pedido de ajuda resulta da incapacidade para pagar compromissos

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O investigador Pedro Amakasu Raposo considerou hoje que o pedido de ajuda feito por Angola ao Fundo Monetário Internacional revela “a incapacidade financeira e econômica para pagar os compromissos e pôr a economia a funcionar”.

Em declarações à Lusa a propósito do pedido de assistência técnica e financeira feita por Angola ao FMI, ao abrigo de um Programa de Financiamento Ampliado (PFA), Pedro Raposo afirmou que “a necessidade de financiamento ditou que Angola tivesse de pedir um empréstimo ao FMI”.

O investigador que estuda há anos as relações da China e do Japão com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) considerou que a iniciativa angolana resulta “da incapacidade financeira e econômica para pôr a economia a funcionar, para pagar os salários e as despesas financeiras a que um Estado se obriga” e acrescentou que “foi essa falta de capacidade que levou o Governo a ter de pedir um empréstimo financeiro, sendo que ao fazê-lo vai estar condicionado a cumprir exigências”.

Lembrando a discussão acadêmica em curso sobre um eventual neocolonialismo por parte da China e outros doadores internacionais, Pedro Raposo sublinha que “para os países africanos, inclusive Angola, pedir ajuda a uma instituição internacional como o FMI ou o Banco Mundial é a última coisa que estes países querem fazer porque estas instituições personificam o neocolonialismo institucional e ingerência internacional do ocidente nas decisões soberanas das economias africanas”.

Na semana passada Angola anunciou que iria começar negociações com vista à obtenção de apoio financeiro e técnico para diversificar a economia, dependente significativamente das receitas do petróleo, que caíram a pique na sequência da descida do preço das matérias-primas nos mercados internacionais.

A iniciativa, considerou o investigador, “é uma ótima notícia, porque vai obrigar a diversificar a economia, porque por eles [autoridades angolanas] continuariam a viver dos recursos petrolíferos, mas felizmente a economia global está a forçar o país a ter mesmo de diversificar”.

Sobre o impacto nas empresas e cidadãos portugueses a viver e trabalhar em Angola, Pedro Raposo considerou que “a alegria não poderá ser muito efusiva tendo em conta que uma diversificação não se faz de um momento para o outro, leva 5 a 15 anos”, mas salientou que “a curto e médio prazo, havendo financiamento, haverá maior liquidez e possibilidade de aumentar o consumo interno e liquidar as dívidas”.

Sobre as semelhanças entre o pedido de ajuda externa feito por Portugal em 2011 e o pedido agora feito por Angola, o acadêmico vincou que as diferenças deverão ser bastante grandes.

“A austeridade que o FMI deverá impor não deverá ser como a nossa, porque já durante a década de 80 e 90 houve pacotes de ajustamento estrutural feitos pelo FMI e Banco Mundial em África, e foram uma desgraça porque a condicionante principal era a transição para a economia de mercado, e foi um desastre total, os países ficaram mais dependentes e fragilizados”, afirmou.

Neste pacote de ajuda técnica e financeira concedida à medida que as reformas vão sendo implementadas, Pedro Raposo espera “que haja peso e medida, não só porque este é um empréstimo para ajudar a reestruturação da economia, mas também porque as instituições internacionais estão mais cientes do falhanço destes pacotes de ajustamento em África e das consequências negativas que tiveram, portanto haverá certamente mais bom senso”.

Questionado sobre a razão do pedido de ajuda ao FMI em vez do aprofundamento da relação financeira com a China, um dos principais credores angolanos, Pedro Raposo respondeu que isso deve ter a ver com a descida do preço do petróleo, que é normalmente a forma de pagamento dos empréstimos da China a Angola.

“Como o petróleo vale menos, Angola perde muito dinheiro, já não compensa mais empréstimos da China e por isso terá pensado onde é que um pedido de empréstimo é mais eficaz e se calhar compensa mais a Angola recorrer ao FMI e pagá-lo em termos ainda a negociar”, apontou o investigador.

No contexto de necessidade de dólares, “a moeda chinesa ainda não tem expressão como moeda de troca internacional e, por outro lado, pode demonstrar que Angola não quer ficar ‘refém’ da China como sendo a única credora do país”, concluiu o professor de Relações Internacionais na Universidade Lusíada.

http://noticias.sapo.ao/info/artigo/1471966.html