Estudantes de Benin, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Chade, Costa do Marfim, Senegal e Togo visitam o Brasil

Grupo de produtores e estudantes de oito países percorre o Norte de Minas para ver produção em clima similar ao deles

Regis Lancaster/Divulgação

Uma missão formada por 37 estudantes e profissionais da área agrícola de países da África visitou na última semana, os municípios de Catuti e Mato Verde, no Norte de Minas, com o objetivo de conhecer o cultivo de algodão no semiárido. O plantio é feito dentro do Programa de Retomada do Algodão do Norte de Minas, que envolve 97 agricultores de seis municípios.

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A comitiva estrangeira, que chegou na segunda-feira e permaneceu na região até ontem, foi formada por representes de oito países africanos de língua francesa – Benin, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Chade, Costa do Marfim, Senegal e Togo. Eles estão no Brasil há quatro meses, aperfeiçoamento conhecimentos sobre a cotonicultura em curso promovido pela Universidade Federal de Lavras (Ufla).
O projeto de “Capacitação e Transferência de Tecnologia na Cultura do Algodão” da Ufla é desenvolvido desde 2014, em parceria com o Ministério de Relações Exteriores. Envolve também o projeto “Cotton Victória”, que visa promoção da cadeia produtiva e a melhoria das técnicas da cultura algodoeira em países da África subsaariana. Dentro da parceria, em 2015, um grupo de professores da Universidade Federal de Lavras participou de uma viagem técnica que teve como propósito avaliar o cultivo do algodão em três países africanos: Quênica, Tanzânia e Burundi.
Os integrantes da delegação africana realizaram no Norte de Minas as atividades práticas do curso ministrado pela Ufla. Um dos aspectos considerados é o fato de o algodão ser produzido na região em características climáticas e de solo próxima aos países africanos.
Além de assistir palestras, eles visitaram as propriedades dos pequenos produtores do Projeto de Retomada de Algodão, que conseguem bons índices de produtividade em regime de poucas chuvas. Para isso, adotam técnicas para o uso eficiente dos recursos hídricos, se adaptando ao clima semiárido.
Uma das estratégias adotadas é a irrigação complementar – os plantios foram feitos no período chuvoso e, mesmo assim, contaram com equipamentos de irrigação, recebendo a chamada ‘molhagem mecânica’ somente quando a chuva demora – no veranico. É usada água captada em poço-tubular, mas em menor quantidade, considerando o limite do lençol freático da região. Os agricultores do Norte de Minas plantaram 480 hectares (ha)  de algodão na safra 2016/2017, dos quais 400 ha de sequeiro e 80 hectares semi-irrigados.

 

Técnicas

A missão africana visitou no município de Catuti a propriedade do pequeno agricultor José Alves de Souza, o “Zé Brasil”, que recorre ao sistema de captação de água de chuva em tanque escavado e irriga a roça de algodão por gotejamento. Também conheceram sistema semelhante na área do pequeno produtor José Rodrigues de Souza, no mesmo município. Os visitantes tiveram aula prática sobre preparo de solo com subsolagem e gradagem intermediária.
Criado há nove anos, o programa de Retomada do Algodão do Norte de Minas é considerado modelo para garantir a atividade familiar e a convivência com a seca. Envolve pequenos agricultores dos municípios de Catuti, Mato Verde, Pai Pedro, Monte Azul, Porteirinha e Matias Cardoso. A iniciativa foi implantada pela Cooperativa dos Produtores Rurais de Catuti (Coopercat). Conta com o apoio da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) e da Prefeitura de Catuti.

Antes da missão dos países africanos de língua francesa, o Projeto de Retomada do Algodao recebeu visitas de outras delegações estrangeiras, incluindo grupos de Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Peru. Despertou também a atenção de instituições que estimulam práticas solidárias, como o Projeto “Tecendo Valor, desenvolvido pela Fundação Solidariedade Latino-americana, com recursos do Instituto C&A.

 

http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2017/07/17/internas_economia,884338/africanos-estao-de-olho-no-algodao-mineiro.shtml

Nigéria diz ter tomado último reduto do Boko Haram

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Presidente do país afirma que tropas do governo conquistaram floresta considerada o último grande refúgio da milícia islamista. Desde que entrou em atividade, há sete anos, grupo terrorista matou cerca de 20 mil pessoas.O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, anunciou neste sábado (24/12) a tomada completa por tropas governamentais da floresta de Sambisa, situada no nordeste do país e considerada o último grande refúgio da milícia islamista Boko Haram. “Os terroristas fugiram e já não têm um lugar onde se esconder”, declarou o presidente, se referindo à conquista, finalizada na sexta-feira.

Além de santuário e base de operações, a floresta de Sambisa era o último grande território controlado pela organização fundamentalista na parte nordeste da Nigéria, segundo o comunicado de Buhari.

O Exército da Nigéria realizava há vários meses ofensivas nesta floresta, de cerca de 1.300 quilômetros quadrados, localizada no estado de Borno, onde os combatentes do grupo se refugiaram depois de sofrer alguns reveses militares.

Na quarta-feira, o Exército anunciou a libertação de 1.880 civis que estavam nas mãos do Boko Haram e a captura de mais de 500 combatentes durante a semana passada, na floresta de Sambisa.

Mais de 15 mil mortos

Desde que começou sua atividade terrorista há sete anos, o Boko Haram matou cerca de 20 mil pessoas e provocou o desloamento de mais de dois milhões. A insurgência visa criar um Estado islâmico regido pela sharia. A milícia controlava até há pouco vastas áreas do nordeste da Nigéria, país mais populoso da África..

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, chegou ao poder em maio de 2015, tendo a luta contra Boko Haram como uma de suas prioridades.

Desde então, o Exército nigeriano conseguiu fazer os fundamentalistas recuarem, em cooperação com tropas dos países vizinhos Camarões, Níger, Chade e Benin. Entretanto, não conseguiu interromper atos terroristas do grupo realizados contra civis, em que frequentemente crianças são usadas em atentados suicidas em mercados e outros lugares movimentados.

O Boko Haram provocou uma onda de indignação no mundo todo ao sequestrar, em abril de 2014, 276 estudantes de uma escola feminina de ensino médio da cidade de Chibok, no estado de Borno. Cerca de 200 menores ainda continuam nas mãos da seita.

Apesar de ter sido expulso da floresta de Sambisa, o Boko Haram ainda executa atentados suicidas em áreas do nordeste nigeriano e nos vizinhos Níger e Camarões.

https://noticias.terra.com.br/nigeria-diz-ter-tomado-ultimo-reduto-do-boko-haram,78916daaa35ec04387ef1f6a10241cdco9bjsvd5.html

Angola é o país lusófono com maior mortalidade associada à poluição do ar

Angola é o país lusófono – e um dos oito países africanos – com maior mortalidade associada à poluição atmosférica, com 50 pessoas em cada 100 mil a morrerem devido à exposição a ar de má qualidade

JAWAD JALALI/EPA

 

Os dados constam do relatório “Poluição do ar ambiente: Uma avaliação Global da Exposição e do peso da doença”, hoje divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que conclui que três milhões de pessoas morrem todos os anos por causas associadas à poluição do ar exterior e que 92% da população mundial respira ar poluído.

Com recurso a um novo modelo de avaliação da qualidade do ar, a OMS confirma que mais de nove em cada dez humanos vivem em locais onde a qualidade do ar exterior excede os limites definidos.

A OMS define como limite uma concentração anual média de 10 microgramas por metro cúbico de partículas finas (PM2,5), valor que, segundo o relatório, é excedido em todos os países lusófonos exceto Portugal (nove) e Brasil (10). Nesta tabela, o país lusófono mais mal classificado é Cabo Verde, que apresenta uma concentração média de 36 microgramas de partículas finas por cada metro cúbico, quando se tem em conta as medições em ambiente rural e urbano.

A Guiné Equatorial apresenta uma concentração média anual de 33 microgramas de partículas finas por metro cúbico, a Guiné-Bissau 27, Moçambique 17, Timor-Leste 15 e São Tomé e Príncipe 13.

Quando consideradas apenas as medições em ambiente urbano, Angola é o país lusófono com piores resultados, apresentando uma concentração média anual de 42 microgramas de partículas finas por metro cúbico de ar, valor que desce para 27 quando se tem em conta as zonas rurais e urbanas.

Os números têm por base medições através de satélite, modelos de transporte aéreo e estações de medição da poluição atmosférica em mais de 3.000 localidades, tanto rurais como urbanas, e o estudo foi desenvolvido pela OMS em colaboração com a Universidade de Bath, no Reino Unido. O relatório faz também uma avaliação do impacto da exposição ao ar poluído na saúde, tendo em conta dados do ano 2012.

A nível global, os autores concluem que três milhões de mortes anuais estão associadas à poluição atmosférica, nomeadamente doenças respiratórias agudas, doença pulmonar obstrutiva crónica, cancro do pulmão, doença isquémica do coração e acidente vascular cerebral. Entre os países lusófonos, Angola é o país com mais mortes associadas à poluição atmosférica – 51 por cada 100 mil habitantes.

Quando comparado com os restantes países africanos, apenas sete têm uma taxa superior: Mali (60), Burkina Faso (58), Níger (57), Eritreia (56), e Benim, Chade e República Democrática do Congo (52).

A Guiné Equatorial apresenta uma taxa de 50 mortes associadas à poluição do ar exterior em cada 100 mil habitantes, a Guiné-Bissau 47, Cabo Verde 37, Timor Leste 31, São Tomé e Príncipe 26, Brasil 14 e Portugal sete.

Segundo o relatório, as partículas poluentes consistem numa mistura complexa de partículas sólidas e líquidas de substâncias orgânicas e inorgânicas em suspensão no ar. A maioria dos seus componentes são sulfatos, nitratos, amónia, cloreto de sódio, negro de carbono e pó mineral, entre outros. As partículas iguais ou menores do que 10 micrómetros de diâmetro são particularmente perigosas porque podem penetrar e instalar-se nos pulmões.

http://observador.pt/2016/09/27/angola-e-o-pais-lusofono-com-maior-mortalidade-associada-a-poluicao-do-ar/

Jovens muçulmanos africanos reunidos contra o extremismo

Jovens muçulmanas nigerinas – AFP

Ouagadougou (RV) – Jovens africanos de religião muçulmana, comprometidos nos seus respectivos países na luta contra o fundamentalismo, reuniram-se nos dias passados em Ouagadougou, capital de Burkina Faso, para participar do simpósio intitulado “Contribuição para prevenção do extremismo violento”.

Perigos na radicalização

O encontro teve por objetivo chamar a atenção, sobretudo das novas gerações, sobre os perigos existentes na radicalização e no extremismo violento.

Papel dos governos

Eram centenas os participantes, vindos de oito nações da região, para pedir aos governos para que desempenhem plenamente o seu papel, oferecendo oportunidades de emprego e de formação, com o fim de evitar que os jovens caiam nas garras do terrorismo.

Necessidade de ação

Para a Organização da Juventude Muçulmana na África Ocidental (OJEMAO) – que representa Togo, Benin, Mali, Guiné, Niger, Costa do Marfim, Senegal e Burkina Faso – é necessário agir rapidamente, porque os terroristas e alguns pregadores radicais tomaram a iniciativa.

O temor é que outras regiões africanas possam sofrer o fascínio dos fundamentalistas, com a criação de organizações que fazem uso do pretexto da fé para “justificar” seus crimes.

Solidariedade islâmica

A OJEMAO é particularmente ativa no Niger onde, entre outros, os participantes promovem iniciativas de solidariedade islâmica.

http://br.radiovaticana.va/news/2016/08/22/jovens_mu%C3%A7ulmanos_africanos_reunidos_contra_o_extremismo/1252969

Evaristo Carvalho o novo Presidente de São Tomé e Príncipe afirma: “Não serei um pau-mandado”

Bernardino Manje | São Tomé e Príncipe
11 de Agosto, 2016

Fotografia: Mota Ambrósio |

Evaristo Carvalho, 75 anos, é o novo Presidente de São Tomé e Príncipe, depois de ser eleito domingo último sem a concorrência do segundo candidato mais votado na primeira volta, Manuel Pinto da Costa, que desistiu das eleições por alegados vícios no processo.

O novo Presidente já ocupou vários cargos no aparelho do Estado, tendo sido Primeiro-Ministro por duas ocasiões (em 1994 e entre o final de 2001 e início de 2002) e ministro da Defesa e da Ordem Interna. Evaristo Carvalho diz estar preparado para desempenhar as funções de Presidente da República e realça o facto de já ter trabalhado diretamente com os três anteriores Chefes de Estado, designadamente Manuel Pinto da Costa, Miguel Trovoada e Fradique de Menezes.
Na sua primeira entrevista exclusiva a um órgão de comunicação estrangeiro, na qualidade de Presidente eleito, Evaristo Carvalho fala ao Jornal de Angola sobre o processo eleitoral, a desistência de Pinto da Costa, aquilo que vai ser o relacionamento com outros órgãos de soberania, bem como as relações com Angola, que considerou excelentes, mas com espaço bastante para o seu aprofundamento.

Jornal de Angola – Acaba de ser eleito Presidente da República de São Tomé e Príncipe. Que avaliação faz de todo o processo eleitoral?

Evaristo Carvalho – Estamos praticamente no fim do processo eleitoral iniciado no mês de Julho e que termina com a segunda volta, ocorrida no dia 7 do mês em curso. Estamos a aguardar a proclamação final do Tribunal Constitucional, mas estou confiante que serei o quarto Presidente de São Tomé e Príncipe. O balanço que faço é de que o processo foi normal até ao dia 17 de Julho. Infelizmente, na segunda volta, há a destacar a desistência do segundo candidato que deveria disputar comigo. Tirando este acontecimento, as eleições decorreram num clima de paz e tranquilidade e estou convencido de que, na próxima segunda-feira, com a proclamação dos resultados definitivos pelo Tribunal Constitucional, estará tudo concluído e serei de facto o quarto Presidente da República na história de São Tomé e Príncipe. Um Presidente de todos os são-tomenses, seja dos que votaram em mim, seja dos outros.

Jornal de Angola – A desistência do candidato Manuel Pinto da Costa não acaba, de certa forma, por retirar algum sabor à sua vitória?

Evaristo Carvalho – Não restam dúvidas de que se houvesse dois candidatos, o acto eleitoral seria muito melhor. Mas não temos culpa alguma na desistência do outro candidato. Quanto à atitude do segundo candidato, só ele saberá justificar. Certamente ele, como Presidente em exercício, sentiu que disputar a segunda volta com um concorrente que na primeira volta só lhe faltava cem votos para ser eleito logo no primeiro turno, seria perda de tempo. Mas só ele é que sabe as reais causas, pois a minha eleição foi clara. O povo manifestou-se massivamente.

Jornal de Angola – E o que tem a dizer sobre a elevada percentagem de abstenção na segunda volta?

Evaristo Carvalho – É normal! Ela não belisca a minha vitória. Aliás, muita gente já previa a minha vitória. Tanto o segundo candidato mais votado na primeira volta (Pinto da Costa), como a terceira (Maria das Neves), fizeram de tudo para boicotar as eleições. Mas, como viram, o boicote não surtiu efeito porque, se na primeira volta consegui acima de 34 mil votos, na segunda volta, além dos meus votantes da primeira volta, consegui mais cerca de oito mil votos. Portanto, sinto-me satisfeito, sem qualquer belisco na minha posição de vencedor. Serei, de facto, o próximo Presidente da República e de todos os são-tomenses.

Jornal de Angola – O candidato Manuel Pinto da Costa não votou na segunda volta e já se cogita que ele também não vai estar na
investidura do Presidente eleito. Isso é possível do ponto de vista legal?

Evaristo Carvalho – Penso que, do ponto de vista legal ou jurídico, não existe qualquer dificuldade em ele estar ausente. Mas do ponto de vista político acho que isso é mau. Aliás, pela pessoa que é, foi o primeiro Presidente da República, acho que mesmo desistindo de ser candidato, no último domingo, deveria aceitar as condições e dirigir-se às urnas para votar. Confesso que fiquei surpreendido com o facto dele não ter votado, porque durante toda a campanha todos nós, candidatos, apelámos à população ao voto. Portanto, não ficou nada bem o facto dele não ter ido votar. Demonstrou não ser democrático.

Jornal de Angola – Que comentários tem a fazer sobre acusações feitas, sobretudo durante a campanha, de que o senhor é um “pau-mandado” do Primeiro-Ministro Patrice Trovoada?

Evaristo Carvalho – Isso só pode ser mesmo compreendido no quadro da campanha. Os que dizem ou disseram isso pensam que pelo facto de o partido ADI assumir toda a responsabilidade do Estado eu seria um pau-mandado, naquele sentido de que eu seria um Presidente do “sim senhor, sim senhor”. Mas podem crer que não serei isso. Conheço perfeitamente as competências de cada órgão. No nosso país as competências do Estado estão repartidas. O Presidente da República tem o seu papel bem definido, assim como o Governo, a quem compete conduzir a política geral do país. Depois surgem os tribunais, que têm o papel da justiça. Não serei um pau-mandado. Em todos estes anos, desde 1975, trabalhei no aparelho do Estado, primeiro como funcionário e depois como político. É curioso que já trabalhei com os três anteriores Presidentes da República. Fui colaborador directo de todos eles…

Jornal de Angola – Então conhece bem os meandros da Presidência da República?

Evaristo Carvalho – Conheço a função do Presidente da República e só tenho de respeitar as linhas traçadas na Constituição. Como disse, o Presidente da República tem o seu papel, o Governo e os tribunais também têm o seu. Se o Primeiro-Ministro é o chefe do Executivo, o Presidente da República tem a função de apoiar, colaborar, para que todas as instituições funcionem normalmente e as coisas marchem. Não terei o papel de boicotar qualquer órgão, nem do Governo, a quem compete trabalhar para criar o bem-estar da população e fazer o país desenvolver-se. Como vêem, isso não significa ser um pau-mandado.

Jornal de Angola – Nem mesmo o facto de ser subordinado do Primeiro-Ministro no seio do partido ADI pode levar a essas desconfianças?

Evaristo Carvalho – Mas isso acontece em quase todo o mundo! Mesmo em Angola, o Presidente da República é do partido no poder e a maioria na Assembleia Nacional é desse mesmo partido. Isso não significa ditadura, nem que o Presidente seja um pau-mandado. O mais importante nisso tudo é que haja o respeito pela Constituição da República. E aqui em São Tomé e Príncipe, o Presidente da República é o bastião da defesa da Constituição. Acompanhar, fiscalizar e fazer com que as instituições funcionem independentes, mas de uma forma ligada, com o objectivo de fazer avançar o país, é o meu propósito. Quero ser o Presidente colaborador, conselheiro e fiscalizador. Naturalmente, o facto de ser do mesmo partido do Primeiro-Ministro é melhor ainda. Há melhores condições para os consensos e o entendimento e estou certo de que as coisas vão caminhar da melhor forma.

Jornal de Angola – Quais são as suas principais apostas durante os cinco anos de mandato?

Evaristo Carvalho – A primeira aposta é de garantir a estabilidade governativa. A segunda, fazer uma presidência que proporcione o regular funcionamento das instituições do Estado. Ter boas relações com o Governo, a Assembleia Nacional e com os tribunais. Terceiro, reconhecer a competência governativa, impulsionar a agenda e programa de trabalho do Governo, no sentido de criar as melhores condições de vida das populações. As apostas são fundamentalmente estas.

Jornal de Angola – Com a sua eleição, o que vai mudar na política externa são-tomense?

Evaristo Carvalho – Vamos reforçar a nossa relação com os países da CPLP, do Golfo da Guiné, região à qual pertencemos, bem como alargar as relações de amizade e de cooperação com outros países. Sendo São Tomé e Príncipe um país com uma fragilidade conhecida, quer do ponto de vista econômico, quer financeiro, temos de lutar neste sentido da procura da ajuda e abrir novos caminhos para a cooperação que nos permita desenvolver.

Jornal de Angola – Que avaliação faz das relações entre Angola e São Tomé e Príncipe?

Evaristo Carvalho – São excelentes! Mas nós, como novo Presidente da República, vamos fazer tudo no sentido de reforçá-las. Temos relações de consanguinidade. Mesmo no período da colonização, São Tomé e Príncipe e Angola sempre foram dois países irmãos. Existem muitos são-tomenses que quando as coisas não estão a correr-lhes muito bem cá, o primeiro pensamento que vem é emigrar para Angola, e vice-versa. Por isso, tenho o dever de consolidar essa relação.

Jornal de Angola – Quer deixar uma mensagem para a comunidade são-tomense residente em Angola?

Evaristo Carvalho – Sim! Por acaso estive em Angola durante a campanha. Prometi-lhes fazer advocacia junto do Governo angolano para que este preste a melhor atenção aos meus conterrâneos que estão em Angola, fundamentalmente para que estejam livres e documentados. Durante o meu mandato, vou fazer o possível para que as condições de acolhimento dos são-tomenses residentes em Angola sejam melhoradas. Por outro lado, também queremos que eles colaborem com o povo irmão angolano para o desenvolvimento de Angola.


São Tomé e Príncipe

São Tomé e Príncipe é um país insular localizado no Golfo da Guiné, precisamente na linha do Equador. O país é composto por duas ilhas principais (ilha de São Tomé e ilha do Príncipe) e alguns ilhéus, num total de 1.001 quilômetros quadrados e cerca de 190 mil habitantes. Possui fronteiras marítimas com o Gabão, Guiné Equatorial, Camarões e Nigéria.
As ilhas de São Tomé e Príncipe foram descobertas em 1470 e 1471 pelos navegadores portugueses João de Santarém e Pêro Escobar. Existe uma tese maioritária, segundo a qual as ilhas eram desabitadas até à chegada dos portugueses. A cana-de-açúcar foi introduzida nas ilhas no século XV, mas a concorrência brasileira e as constantes rebeliões locais levaram a cultura agrícola ao declínio no século XVI.
A maior parte da população (cerca de 180 mil) reside actualmente na ilha de São Tomé e menos de dez mil no Príncipe. A população é essencialmente descendente de vários grupos étnicos que emigraram para as ilhas desde 1485. É essencialmente composta por oriundos das antigas colónias portuguesas em África e dos descendentes de escravos provenientes do antigo Reino de Daomé (atual Benin). Nos últimos dez anos, verificou-se um grande fluxo migratório de pessoas originárias de países da costa africana, com maior incidência para a Nigéria.
A grande maioria dos são-tomenses é cristã, nomeadamente da Igreja Católica Apostólica Romana, Evangélica, Adventista do Sétimo Dia, Nova Apostólica e Maná. O português é a língua oficial e é falado mais ou menos por quase toda a população, mas também falam três crioulos de base portuguesa, o fôrro, angolar e lunguié. A população urbana corresponde a 61 por cento do total e a rural a 39 por cento.
O regime político em vigor em São Tomé e Príncipe é semi-presidencialista, com uma democracia multipartidária e representativa. O Presidente da República é também o Chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas, enquanto o Primeiro-Ministro é o chefe do Governo. O poder legislativo é unicameral e a Assembleia Nacional é composta por 55 deputados eleitos para um mandato de quatro anos.
A justiça é administrada ao mais alto nível pelo Supremo Tribunal de Justiça. Existem somente dois níveis de jurisdição: tribunais de primeira instância e os recursos são feitos junto do Supremo Tribunal de Justiça, que é o tribunal de última instância. Existe também um Tribunal Constitucional, que funciona provisoriamente junto do Supremo Tribunal de Justiça, bem como um Tribunal de Contas.
Os principais recursos naturais e produções em São Tomé e Príncipe são o cacau, café e óleo de palma. A pesca é uma das principais fontes de alimentação da população. A indústria limita-se à transformação dos produtos agrícolas.
Cem dólares equivalem a cerca de dois milhões e duzentos mil dobras (moeda de São Tomé e Príncipe). Uma refeição num restaurante fica entre 200 a 250 mil dobras. A corrida do táxi numa distância de um quilómetro custa dez mil dobras. O serviço de táxi é feito em viaturas ligeiras pintadas com cor amarela, bem como em motorizadas, que constituem a maioria.


Fim da coabitação política em São Tomé e Príncipe

No dia 3 de Setembro, o actual Presidente de São Tomé e Príncipe, Manuel Pinto da Costa, termina o seu mandato, embora já tenha exercido o cargo durante 15 anos, entre 1975 e 1991, quando o MLSTP|PSD era o único partido no cenário político local. Com a sua derrota na primeira volta nas presidenciais de 17 de Julho e desistência na segunda volta, no último domingo, Pinto da Costa não conseguiu cumprir a tradição que se registava em São Tomé e Príncipe, em que os Presidentes em exercício eram reeleitos para um segundo mandato. Foi assim com Miguel Trovoada e o mesmo repetiu-se com Fradique de Menezes. Com a derrota de Pinto da Costa, também se põe fim à coabitação política que sempre existiu em São Tomé e Príncipe. É que o Presidente eleito, Evaristo Carvalho, é do mesmo partido do primeiro-ministro, a ADI (Acção Democrática Independente).
Apesar de ser um dos fundadores do MLSTP/PSD, Pinto da Costa sempre concorreu como independente. Foi assim em 2011 e repetiu-se este ano. Desde um tempo a esta parte, tem sido notável o difícil relacionamento entre os Presidentes da República de São Tomé e Príncipe e os primeiros-ministros, pelo facto de os dois não serem da mesma cor partidária.
A instabilidade política tem sido uma constante, o que em algumas vezes obrigou à demissão do governo e a convocação de eleições antecipadas. Estando a ADI no governo e sendo o novo Presidente da República um militante deste partido (mais do que um simples militante, vice-presidente), estão criadas as condições para acabar, ou pelo menos diminuir, as “crônicas intrigas e querelas políticas”, como considerou Evaristo Carvalho as dificuldades de coabitação que, volta e meia, existiam entre o Chefe de Estado e o líder do Governo. “Durante os 25 anos de democracia, São Tomé e Príncipe conheceu, infelizmente, 15 primeiros-ministros por causa de crises cíclicas institucionais”, lembrou Evaristo Carvalho, durante a campanha para as eleições, admitindo que esta instabilidade política era um entrave ao progresso. “Num país de economia frágil como o nosso, a coesão política é a condição ‘sine qua non’ para a sua afirmação e desenvolvimento”, considerou. O actual primeiro-ministro também lembrou os momentos de coabitações difíceis no país. “Esta será, provavelmente, a primeira vez que pomos termo à coabitação”, sublinhou Patrice Trovoada, considerando que os problemas registados no passado não foram apenas das instituições, mas também das pessoas que encarnam estas instituições. Com a eleição do candidato do seu partido, para Presidente da República, Patrice Trovoada prevê uma governação mais tranquila. “Toda a gente sabe da excelência das relações pessoais entre Evaristo Carvalho e Patrice Trovoada, daí que acho que não há nuvens nenhumas e estou ávido de começarmos a trabalhar juntos a partir do dia 3 de Setembro”, disse o primeiro-ministro, referindo-se à data de tomada de posse de Evaristo Carvalho no cargo de Presidente da República. Todas as expectativas estão agora voltadas para como deve ser a gestão do novo Presidente da República, que prometeu “exercer a função com toda a serenidade e lealdade e contribuindo para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe”. Evaristo Carvalho é actualmente deputado e vice-presidente da ADI, tendo sido já primeiro-ministro por duas vezes (em 1994 e entre o final de 2001 e início de 2002), ministro da Defesa e da Ordem Interna (Interior).

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/nao_serei_um_pau-mandado

Aside

Oba do Benin “reuniu-se” com os seus antepassados

Oba-Of-Benin

Por Alemma-Ozioruva Aliu

Após vários meses de especulações sobre seu paradeiro desde que ele desapareceu de funções públicas, o Palácio do Oba de Benin insistiu que o Oba estava indisposto e tinha ido a Savannah.

Mas ontem, o Iyase (primeiro-ministro) do Benin , Chefe Sam IBGE, anunciou a passagem do monarca , Omo N’Oba N’Edo Uku Akpolokpolo, Oba Erediauwa, dizendo que ele tinha ido para a “reunir-se com o seu antepassados “.

Um dia antes, uma reunião de todos os Enigie no reino, chefes do palácio, Odionweres, os líderes da ala, as mulheres do mercado e um grupo de pessoas foi chamado para observar a tradição do Benin de mais de 400 anos.

IBGE, que foi acompanhado pelo Esogban do reino, chefe David Edebiri, deu a notícia ao herdeiro e parentes, Edaiken N’Uselu,
Sua Alteza Real, Eheneden Erediauwa, filhos e outros membros da família real, assim como a Enigies e a multidão de simpatizantes, que enchiam o palácio, naquele momento em fase de renovação e de reconstrução.

Há rituais tradicionais que anunciam o momento solene do anúncio, incluindo quebra de giz branco na entrada do local onde o Oba senta-se no tribuna fora das câmaras internas e depois no portão de entrada para o palácio.

Os chefes, em procissão semelhante, acompanhado por um homem carregando o tradicional Akpoki (uma caixa redonda com coisas sagradas e com tampas em nas extremidades e disse estar contendo alguns itens tradicionais de altos poderes espirituais), marcharam para o centro do principal portão de entrada.

Lá, o Iyase do Benin fez alguns encantamentos tradicionais e quebrou um grande giz branco e anunciou a audiência de tudo o que o monarca tinha reunido com seus antepassados.

Uma declaração oficial pelo IBGE foi disponibilizada aos jornalistas, afirmou que Oba Erediauwa juntou-se aos seus antepassados.

Ele descreveu o Oba como o “Príncipe da Paz” e orou a Deus que conceda a sua alma a paz eterna.

De acordo com a declaração: “Como foi anunciado pela Iyase do Benin, Osorhue Bunrun, Oba Erediauwa do Benin Unido, o Príncipe da Paz, Ebo, Ayenmwirhe, se reuniu com seus pais.”

“Ele pode encontrar a paz perfeita com Deus, Amém.”

Os chefes principais da câmara interna do palácio tinham, antes do anúncio público da morte do Oba, horas de reunião a portas fechadas com o príncipe herdeiro, o Enigie e outros anciãos da família real antes que saiu para quebrar o notícia.

O falecido Oba era um ex-Secretário Permanente Federal antes que ele subiu ao trono em 1979.

De acordo com os Bini rituais de luto tradicionais para um monarca traduzido, todo o homem no reino é esperado para raspar a cabeça durante todo o período de luto, que pode durar até três meses, enquanto todos os mercados no reino devem ficar fechadas por cerca de sete dias.

Explicando o anúncio da transição do Oba e o tradicional aspecto do luto, o Obadolagbonyi do Benin , Chief Omon-Osagie Utetenegiabi, disse:
“Sim, é tradicional. É habitual que quando um Oba parte torna-se um antepassado, que se traduz em um maior glória. ”

“O Oba de Benin não morre, porque ele é uma instituição; ele traduz, principalmente, à alta glória como um antepassado.

“A notícia é primeiro apresentado para seu filho mais velho e a família imediata, o que foi feito mais cedo hoje (ontem). E o Iyase do Benin, como o chefe de mais alta patente, depois quebra a notícia para o povo do Reino e do mundo. ”

“O Iyase é o tradicional primeiro-ministro e a ponte entre as pessoas e a realeza e é isso que ele fez hoje.

“A partir de hoje até o término do Emwinekhua, todos os chefes Benin, todos os chefes que foram habilitados pelo Oba de usar o talão rodada do pescoço, que é dois, agora um desgaste.”

“É costume, porque quando você vê um chefe vestindo uma pérola, isso mostra que estamos em um estado de luto.”

“Depois de hoje (ontem), estamos aguardando mais instruções sobre o que fazer.”

Em sua reação, o governador Adams Oshiomhole descreveu a monarca como um líder e um pai, que apoiou a administração de seu governo e desenvolvimento do estado.

Uma declaração emitida pelo governador :
“Nossos corações estão pesados, carregados de dor e sofrimento, com o anúncio da passagem para a glória de Omo N’Oba N’Edo Uku Akpolokpolo, Oba Erediauwa do Benin, o nosso muito venerado Oba, um distinto uno Edo numero, um nigeriano realizado, um burocrata experiente, unificador por excelência, personagem único e exemplar Omo N’Oba, cujo reinado trouxe distinção, imensa classe, requinte e integridade para as instituições tradicionais no Estado de Edo e do país em geral.

“Sua carruagem vem com um élan que foi peculiar com a reverência da realeza.”

“Sua coragem incomum foi o símbolo do espírito pode-fazer da mente Edo.

“Sua unidade de propósito não estava em dúvida, assim como ele usou sua posição reverenciada para promover o engajamento construtivo entre todos os matizes de opinião e da cultura no Estado de Edo.

“Como um burocrata puro-sangue, subindo para o auge de sua carreira como secretário permanente federal, ele entendeu a dinâmica e os meandros da governação.”

Ele acrescentou: “Ele era a voz alternativa para os muitos que não têm voz na nossa sociedade, chamando a atenção do governo para as questões do desenvolvimento e governação transparente, sem se importar cuja boi é ferido.”

“Ele foi corajoso, sem medo, forte e experiente em suas mensagens verbais e escritas.

“Para nós, no Governo do Estado de Edo, ele era o nosso torcedor mais forte, tanto em sua fé incomum em nossa capacidade e sua disposição para oferecer conselhos incomum para afinar o discurso público no nosso compromisso comum para transformar o estado.

“Ele alegra o nosso coração, por isso, que o nosso Oba reverenciado estava vivo para testemunhar a transformação positiva do estado sob seu reinado, e para estar com a gente através grossa e fina no curso de tornar a economia Edo um tesouro para ser visto.

“Ser parte dessa história eloquente de transformação antes de seu reencontro com seus antepassados nos dá novas garantias de que ele vai ocupar um especial orgulho do lugar no futuro.

“Estamos envolvidos com um profundo sentimento de nostalgia que o nosso grande Oba, um bisavô, avô, pai, tio e pai real iconoclasta de postura exemplar e conduta, que sofreu a dignidade da mente média Edo, juntou-se a seus antepassados. ”

“Estamos, no entanto, encorajados pelo fato de que outra grande filho da Grande Benin Unido, HRH Edaiken N’Uselu, o príncipe Eheneden Erediauwa, que já está mostrando atributos por excelência manifestos de seu grande pai, vai entrar em grandes sapatos de seu pai . ”

De acordo com o governador: “Edo pessoas vão perder o nosso real pai iconoclasta do grande Benin Unido.

“Os nigerianos e Nigéria vai perder este grande exemplo de um pai real, a Oba de distinção e integridade. Adieu até nos encontrarmos a parte não mais. ”

Expectedly, havia uma ansiedade nos mercados e centros de negócios em Benin City ontem sobre o anúncio da morte do monarca.

Após o anúncio no palácio, representantes do lugar visitado mercados tradicionais chave em toda a cidade numeração cerca de 15 e eles são esperados para ser fechado ao público durante os próximos sete dias.

No entanto, houve tensão dentro do Benin Metropolis e cidades adjacentes após o anúncio pelos chefes do palácio.

Muitos moradores, incluindo os comerciantes, mulheres do mercado, estranhos e não-tradicionalistas foram envolvidos pelo medo pois de repente tiveram que fechar suas lojas sobre o medo dos rituais tradicionais que algum medo possa custar cabeças humanas.

http://guardian.ng/…/benin-monarch-re-unites-with-ancestors/

Aside

Projeto do PNUD visa a ampliar produção de algodão em lavouras africanas

 

Chamado Cotton 4 + Togo, programa reúne esforços do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento em países como Benin, Burquina Faso, Chade e Mali. O objetivo é trocar informações sobre técnicas agrícolas para pequenos produtores de algodão.

Objetivo do Cotton 4 + Togo é trocar informações sobre técnicas agrícolas para pequenos produtores de algodão. Foto: Secom MT/ Mayke Toscano

Uma parceria internacional tem feito diferença nas lavouras africanas. Trata-se do projeto Cotton 4 + Togo, que reúne esforços da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e do PNUD em países africanos como Benin, Burquina Faso, Chade, Mali e Togo.

Os resultados dessa parceria estão sendo apresentados até sexta-feira (29) na I Reunião do Comitê Gestor do Cotton 4 + Togo, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

O projeto atua no campo das técnicas de melhoramento genético, cultivo do solo e manejo de pragas e, segundo os participantes, a parceria entre Brasil e África já rendeu novas variedades de algodão que serão lançadas brevemente no mercado, graças ao cruzamento entre variedades brasileiras e africanas.

Uma das técnicas brasileiras adotadas nos países africanos, o plantio direto, aumentou significativamente o volume da produção no continente, que passou de uma média de uma tonelada por safra para 4,5 toneladas.

Além de apoiar o desenho da primeira fase do projeto Cotton-4, o PNUD fornece suporte logístico para a aquisição de equipamentos no Brasil e no exterior. Quando necessário, escritórios do PNUD dos países envolvidos no programa são convidados a colaborar.

Na segunda fase do Cotton 4+Togo, já em andamento, o objetivo é disseminar informação para pequenos produtores que estão na ponta da cadeia algodoeira, capacitar mão de obra e revitalizar laboratórios nos países parceiros, construir um banco de armazenamento coletivo de material genético, monitorar, avaliar e garantir a continuidade das lições aprendidas.

“Os resultados da primeira fase do projeto Cotton 4 são um excelente exemplo do potencial e da importância da Cooperação Sul-Sul como mecanismo catalizador do desenvolvimento dos países, gerando novas oportunidades e promovendo o atingimento dos objetivos de desenvolvimento sustentável”, disse o representante residente do PNUD, Niky Fabiancic, presente no evento.

A sessão de abertura, ocorrida na segunda-feira (25), foi presidida pelo secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores, Sérgio Danese, e teve a participação de embaixadores de países africanos parceiros do Brasil.

Também estavam presentes o diretor da Agência Brasileira de Cooperação, João Almino, a pesquisadora e diretora de administração e finanças da Embrapa, Vania Castiglioni e o presidente-executivo do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), Haroldo Cunha.

Um dos principais produtores agrícolas do mundo, o Brasil lidera o mercado internacional de algodão e tem exportado expertise e adquirido novas experiências com países africanos.

“O Brasil tornou-se referência mundial no campo da cooperação para o desenvolvimento em diversos domínios, com especial destaque para a agricultura sustentável”, disse o secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores.


Projeto do PNUD e parceiros visa a ampliar produção de algodão em lavouras africanas

Aside

Brasil , Benin e Togo: Segunda Fase do Projeto Cotton-4 + Togo


Excelentíssimos Senhores Embaixadores Isidore Monsi, da República do Benin; Alain Francis Gustave Ilboudo, da República de Burkina Faso; e Mamadou Macki Traoré, da República do Mali;
Senhor Diretor da Agência Brasileira de Cooperação, Embaixador João Almino;
Senhor Encarregado de Negócios da República do Togo;
Senhor Niky Fabiancic, Representante Residente do PNUD no Brasil;
Senhora Vânia Beatriz Castiglioni, Diretora-Executiva da EMBRAPA;
Senhor Haroldo Cunha, Presidente-Executivo do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA),
Demais funcionários presentes,
Senhoras e Senhores,

Quero dar as boas-vindas a todos os participantes, brasileiros e africanos, desta “I Reunião do Comitê Gestor da segunda fase do Projeto Cotton-4 + Togo”.

É uma satisfação participar, juntamente com o Diretor da Agência Brasileira de Cooperação, Embaixador João Almino, e com nossos parceiros brasileiros e africanos, desta cerimônia de abertura.

Quero especialmente cumprimentar a ABC pela organização deste evento, que o Itamaraty tem a oportunidade e a satisfação de acolher com grande e justificável interesse.

Quero agradecer imensamente aos nossos amigos africanos, cujo engajamento e entusiasmo alimentam este projeto ambicioso e exitoso.

 

Senhoras e Senhores,

Sabemos todos que a cooperação Sul-Sul é um importante instrumento de apoio aos países em desenvolvimento na construção de soluções para seus problemas socioeconômicos.

O Brasil conduz suas ações de cooperação técnica com o propósito de fortalecer e de criar capacidades nas instituições parceiras dos países em desenvolvimento beneficiários. Pela via da cooperação técnica, o Brasil entende ser capaz de contribuir para a promoção do desenvolvimento inclusivo e sustentável e para a multiplicação do conhecimento compartilhado.

Nossa política externa pretende destacar-se pelo seu compromisso solidário com aqueles nossos parceiros que podem beneficiar-se de nossas ações de cooperação, que podem valer-se dos exemplos que podemos oferecer em muitas áreas que constituem a base do nosso próprio desenvolvimento.

Os países africanos são hoje os principais receptores da cooperação técnica brasileira.

As iniciativas de cooperação técnica empreendidas pelo Governo brasileiro na África são o reflexo natural da prioridade que o Brasil confere a suas relações com o continente africano.

Temos uma política africana construída ao longo de décadas e reafirmada por cada Governo brasileiro como política de Estado. Seis viagens do Chanceler Mauro Vieira à África em pouco mais de um ano de gestão, no segundo mandato da Presidente Dilma Rousseff, são uma amostra da prioridade que conferimos a essa política africana e prova do engajamento que temos de permanentemente renová-la e fortalecê-la, mesmo em um quadro de severas restrições que todos conhecem.

Temos o bom sentimento de que as missões de cooperação técnica enviadas à África ao longo dos últimos anos em muito contribuíram para o adensamento das relações brasileiro-africanas e para o desenvolvimento dos nossos parceiros. A abertura de novas embaixadas residentes e o reforço da presença brasileira no continente africano, em seguimento à linha-mestra da nossa política africana, deram-se em sintonia com os esforços de ampliação da cooperação técnica bilateral e das relações Brasil-África em geral.

O Brasil tornou-se referência mundial no campo da cooperação para o desenvolvimento em diversos domínios, com especial destaque para a agricultura sustentável. Os bons resultados obtidos pelo País na agricultura, através de políticas sustentadas de desenvolvimento tecnológico, de que a EMBRAPA é expressão máxima, e a reconhecida excelência brasileira em todo o espectro da produção agrícola explicam a posição de destaque assumida pelo País nessa área. A África, por sua vez, tem um enorme potencial agrícola. É natural, portanto, que a agricultura se tenha tornado o principal foco de interesse do continente africano em sua cooperação com o Brasil.

Hoje, a principal frente de cooperação com países africanos em agricultura está justamente no setor algodoeiro. Iniciada com recursos financeiros do Governo brasileiro, em fevereiro de 2009, a parceria com Benin, Burkina Faso, Chade e Mali logo gerou o exitoso Projeto Cotton-4.

O Governo brasileiro é reconhecido ao Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), que passou a disponibilizar, a partir de 2012, 10% dos recursos recebidos dos Estados Unidos no contexto da implementação dos resultados do contencioso do algodão, na OMC, para a execução de projetos de cooperação técnica em países da América Latina e da África Subsaariana.

Dessa maneira, a cooperação técnica na área do algodão, que já contava com o Projeto Cotton-4, ganhou impulso adicional e passou a incluir também o Togo.

O Projeto Cotton-4 + Togo é um exemplo eloqüente das potencialidades da cooperação brasileiro-africana, que tanto interesse temos em desenvolver e aprofundar.

 

Senhoras e Senhores,

A agenda que os aguarda a partir de agora tem, para todos nós, grande importância.

Estaremos engajados em que o tratamento dessa agenda seja o mais proveitoso possível para o nosso projeto comum e, portanto, para as relações entre o Brasil e estes parceiros africanos que tanto prezamos.

Os senhores podem contar com o nosso compromisso e o nosso esforço.

Agradeço, uma vez mais, a presença de todos e desejo-lhes pleno êxito em suas atividades.

Muito obrigado.

http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/discursos-artigos-e-entrevistas/secretario-geral-das-relacoes-exteriores-discursos/13905-palavras-do-secretario-geral-sergio-danese-por-ocasiao-da-cerimonia-de-abertura-da-i-reuniao-do-comite-gestor-da-segunda-fase-do-projeto-cotton-4-togo-brasilia-25-de-abril-de-2016

Aside

Benin: Dois candidatos às presidenciais integram governo de PatriceTalon

Cotonou – Dois dos principais candidatos às presidenciais no Benin, foram convidados a integrar o governo do presidente Patrice Talon, com o cargo de ministros de Estado, de acordo com a lista do novo Executivo divulgado esta quarta-feira, na capital beninense, noticiou a AFP.

BENIN: PATRICE ATHANASE GUILLAUME TALON – NOVO PRESIDENTE ELEITO DA REPÚBLICA

Abdoulaye Bio Tchané e Pascal Irénée Koupaki, classificados em quarto e quinto lugares na primeira volta das presidenciais com 8,8% e 5,8% dos votos, foram nomeados Ministros de Estado, encarregue para o Desenvolvimento para o primeiro e secretário junto da presidência da República para o segundo.

Os dois novos “homens fortes” do governo tinham apoiado Patrice Talon, que venceu largamente na segunda volta o Primeiro ministro cessante Lionel Zinsou.

Três mulheres figuram entre os 21 membros do gabinete, nos cargos de Ensino Superior, do Trabalho e da Comunicação.

Para o cargo dos Negócios Estrangeiros foi nomeado Aurelian Agbenonci, um diplomata de carreira que ocupou vários cargos nas Nações Unidas.

Entre os fiéis de Patrice Talon, o advogado Joseph Djogbenou, Presidente da Comissão de Leis na Assembleia Nacional, foi  coptado para a pasta da Justiça, os deputados Sacca Lafia e Candide Azanaï, foram nomeados Ministros do Interior e da Defesa, enquanto o jovem Omeky Oswald, um porta-voz do candidato Talon durante a campanha, foi nomeado para o Ministério dos desportos.

Vários próximos do empresário Sebastian Ajavon, que se classificou em terceiro lugar na primeiro volta e cujo apoio a Patrice Talon foi essencial para a sua eleição, faz igualmente parte do governo, que não possui o cargo de Primeiro ministro, quebrando assim uma tradição instituída pelo seu antecessor Thomas Boni Yayi.

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2016/3/14/Benin-Dois-candidatos-presidenciais-integram-governo-PatriceTalon,2797ee1a-d875-4523-a960-6391630bc928.html

Aside

Patrice Talon, presidente do Benin

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Patrice Talon foi investido ontem, quarta – feira , como presidente do Benin, após ter liderado amplamente a segundo turno das eleições presidenciais de 20 de Março último com mais de 65% dos votos contra o ex – primeiro – ministro cessante , Lionel  Zinsou que obteve 34,6 %  tendo logo a seguir reconhecido a vitória do seu adversário.

Presentes a cerimônia estarão os chefes de Missões Diplomáticas , dos postos Consulares e Representantes de ONG?s acreditados no Benin e algumas entidades especiais.