Apartheid do Brasil é maior do que na África do Sul e, é ignorado

Apartheid social está por trás da violência no Brasil, diz pesquisador
Segregação racial no Brasil é igual ao Apartheid na África do Sul, observa Julio Jacobo

POR MAURÍCIO FERRO

O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz 

RIO – O professor, sociólogo e pesquisador Julio Jacobo, coordenador da área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), diz que o Brasil tem uma segregação racial “exatamente igual” à África do Sul no período do Apartheid e que essa divisão é o pano de fundo para as mais de 786 mil mortes no país num período de 15 anos. Especial publicado pelo GLOBO mostrou que, entre janeiro de 2001 e dezembro de 2015, o Brasil teve mais homicídios que as guerras de Síria e do Iraque.

O GLOBO CHECOUPlano do governo está longe das metas

Jacobo afirma ainda que o sistema carcerário e as forças de segurança também contribuem para a média de uma morte a cada 10 minutos, como revelou o levantamento. E diz que a revogação do estatuto do desarmamento seria como institucionalizar a “teoria do faroeste”: “cada um por si, todos contra todos”. Confira abaixo a entrevista que o especialista concedeu ao GLOBO.

Em 15 anos, houve uma média de um homicídio a cada 10 minutos. No total, foram 786 mil mortes — mais que na Guerra da Síria e do Iraque. Como chegamos a esse ponto?

Por falta de planejamento e falta de vontade. É claro que a vontade política está para o outro lado, ou seja, para o lado de incentivar as contradições e conflitos. Tem uma questão que está no fundo de tudo isso: o Brasil é um país que tem uma enorme segregação. É um dos países do mundo que mais segrega. Falava-se que a África do Sul, em seu pior período, no Apartheid, segregava a população negra. No Brasil, acontece exatamente o mesmo.

Esse Apartheid social reflete, neste momento, uma guerra. Está na guerra às drogas, aos pobres, aos negros… Há uma série de guerras em andamento que contradizem um pouco a imagem do brasileiro. A imagem do brasileiro é o cara bonzinho, cantando em prosa e verso, “meu Brasil brasileiro”… Em prosa e verso, o Brasil real imagina um país sem conflitos raciais, sem segregação. Um país de gente boa. Mas não é assim. Em poucas partes do mundo se mata tanto. Nem na guerra da Síria.

Publico o Mapa da Violência há 20 anos. (A violência está) longe de melhorar. (Ela) piorou ao longo do tempo. O medo aumentou. Esse conflito não declarado mata muita gente. Entre 2007 e 2011, o número de mortos por homicídio no Brasil se equiparou a todos os conflitos armados no mundo, que foram pouco mais de 40. Entre eles, o conflito da Síria. Isso em um país que não tem conflito de fronteiras com ninguém. Não tem nenhum conflito aberto, não tem guerra racial (oficial). Enfim, não tem guerras declaradas. Mas tem uma guerra cotidiana que mata muito mais gente que todas as guerras declaradas do mundo.

Quais as possíveis soluções para o combate à violência?

Exigir políticas públicas de superação dos conflitos. Dê uma olhada: a polícia, o aparelho do estado que deveria tender a solucionar o problema, longe disso, incentiva o conflito. É uma polícia que mata e morre; é um Exército que, quando intervém, intervém contra a população. Todo o aparelho institucional, que deveria ser solução do conflito, incentiva. Nosso sistema carcerário incentiva o conflito; nosso sistema de segurança pública incentiva o conflito; nossa polícia, com elevada mortalidade, incentiva o conflito. As instituições que deveriam zelar pela paz do cidadão são instituições que incentivam a guerra cidadã.

 

O levantamento mostra que 70% das mortes acontecem por armas de fogo. Os números poderiam ser ainda maiores se não fosse pelo estatuto do desarmamento?

Exatamente. A partir de 2003, quando é implementado o estatuto, há uma regressão (do número de homicídios por arma de fogo), quando realmente há o controle das armas de fogo. Em 2007 e 2008, mais ou menos, (a taxa de homicídios) deixa de cair. E a partir de 2009 e 2010 voltam a subir com mais intensidade. Em 2011 e 2012, a taxa volta aos níveis anteriores.

O que explica isso?

Praticamente não há desarmamento da população neste momento. Não há entrega de armas, não há campanhas, etc. Deveríamos incentivar tudo aquilo que possa fomentar a resolução de conflitos. Mas não estamos fazendo isso ainda.

Temos iniciativas no Congresso que buscam a revogação dos estatuto…

Há vários deputados que estão sempre ameaçando submeter a revogação do estatuto do desarmamento à votação. A tese é de que o cidadão armado pode se defender, como não tem ninguém neste momento que o defenda dos bandidos armados. É a teoria do faroeste.

Seria um retrocesso a revogação do estatuto?

Na verdade, não (chegaria nem a ser) um retrocesso. Seria uma nova realidade. Uma nova realidade armada. O cidadão se armaria para proteger sua família, sua casa, seus filhos. Então, seria cada um por si e todo mundo contra todo mundo. Uma realidade muito pior. Por incrível que pareça.

A bancada a favor da revisão do estatuto do desarmamento afirma que o número de homicídios é crescente, mesmo com o estatuto aprovado. Como rebater esse argumento?

Basicamente, mostrando que o estatuto do desarmamento, praticamente, não existe mais por influência da própria bancada. No primeiro ano, foram retiradas de circulação aproximadamente 500 mil a 600 mil armas de fogo em um ano, um ano e pouco. A partir daí, praticamente acabou o estatuto. Não se vê postos de retirada. Ninguém neste momento devolve arma de fogo.

Quais as alternativas que o Brasil tem para enfrentar as mortes violentas?

Retirar armas de circulação, desarmar a cidadania. Criar uma nova consciência na juventude, que, neste momento, é quem mais mata e mais morre com armas de fogo. Criar uma nova consciência, uma nova ideologia de pacificação social — algo que se conseguiu naquela época (2003). Por que não se consegue hoje? Porque tem muitos interesses em jogo; muito dinheiro em jogo. A indústria de armas de fogo do Brasil é uma das mais poderosas do mundo. É uma indústria muito poderosa, que continua financiando deputados, senadores…

O Brasil tem Ministério dos Direitos Humanos. Esse peso institucional tem efeito prático na defesa dos direitos humanos no país?

Eu penso que é melhor que tenha do que não tenha. Mas não tem muita incidência. No entanto, há um crescimento da consciência brasileira sobre os direitos humanos. Avançou-se muito nos últimos 15 a 20 anos nesse sentido.

Apesar disso, as pessoas têm dificuldades de entender que direitos humanos são para todos.

Exatamente. A cidadania brasileira, a República brasileira, é uma das mais recentes na América Latina. Foi um dos últimos que se declarou republicano. É um lapso histórico. Algumas coisas são mais novas que em outros países. Não comparemos com Europa, mas comparemos com outros países da América Latina. Nosso problema democrático, nosso entendimento de democracia, é muito recente.

Existe relação direta entre o fim recente da ditadura e a abolição tardia da escravidão com o entendimento da população sobre os direitos humanos?

Exatamente. Questões da cidadania, direitos humanos. É uma sociedade que não pratica muito os direitos humanos. Foi um dos últimos do mundo a abolir a escravatura. Nossa consciência cidadã é uma questão muito recente. E o respeito ao próximo também é uma questão muito recente.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/brasil/apartheid-social-esta-por-tras-da-violencia-no-brasil-diz-pesquisador-22182370#ixzz51B1Ws9GJ
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Brasil reaproxima-se de Angola e reabrirá linha de crédito.

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Josina de Carvalho

O Brasil poderá reabrir a linha de crédito fornecida pelo Banco de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil, através de empresas brasileiras  que têm compromisso de vender bens e serviços em Angola, anunciou o embaixador daquele país.

Fotografia: Jaimagens | fotógrafoEm entrevista ao Jornal de Angola, Paulino Neto explicou que a suspensão da linha de crédito decorreu no âmbito da operação “Lava Jato” e que as empresas envolvidas fizeram um acordo com o Ministério Público, que neste momento analisa essa situação jurídica complexa, para a retomada da linha de crédito para Angola e outros países.
A suspensão, referiu, gerou um impacto inegável nas relações comercias com Angola, mas as relações diplomáticas e políticas continuam muito próximas e fraternas. O embaixador  garantiu que as autoridades dos dois países estão a trabalhar para que a situação seja resolvida no próximo ano. “Acho que  a partir de 2018 teremos uma luz no fundo do túnel”, reforçou.

Visita de Estado
O diplomata disse que as autoridades brasileiras aguardam uma resposta positiva do convite do Presidente Michel Temer ao Presidente João Lourenço para fazer uma visita de Estado ao Brasil no primeiro semestre do próximo ano.
Em declarações este diário, no final da visita de cortesia ao Jornal de Angola, para conhecer as suas instalações e o seu funcionamento, o diplomata brasileiro disse que entregou recentemente o convite oficial ao ministro angolano das Relações Exteriores, Manuel Augusto, mas até ao momento não obteve uma resposta formal da parte angolana. “Acreditamos que a resposta será positiva”, disse o embaixador, revelando ainda que as autoridades do seu país pretendem que a visita de Estado do Presidente João Lourenço tenha a mesma dimensão da sua visita efectuada recentemente à África do Sul.brasil e angola

Pedidos de asilo

Paulino Neto informou igualmente que autoridades brasileiras receberam três mil  pedidos de asilo político de cidadãos angolanos, que estão a ser analisados pelo Conselho Brasileiro de Refugiados.
Enquanto aguardam a decisão deste órgão colegial, que integra representantes do governo e da sociedade civil, o embaixador assegurou que estes angolanos requerentes de estatuto de refugiado podem viver no Brasil e beneficiar de assistência médica e social.
O diploma alertou que o governo brasileiro não vê motivos para ceder ao pedido dos angolanos, uma vez que não estão a ser perseguidos por razões políticas, nem religiosas. “Nos parece que os pedidos são impertinentes, mas como os poderes públicos no Brasil têm cada um a sua função, vão analisar os casos a nível do Conselho de Refugiados”, disse, adiantando que os pedidos de asilo por condições de vida precária no país de origem também não dão direito ao estatuto de refugiado.
Aos angolanos que pretendam fazer o mesmo pedido, Paulino Neto aconselha a desistirem da ideia, podendo apenas solicitar  vistos de turista, de trabalho, temporários para os estudantes ou de outra natureza com a devida justificação.
Relativamente à sua visita ao Jornal de Angola, Paulino Neto disse ter sido a primeira vez e ficou “bem impressionado” com o seu funcionamento, sobretudo porque no Brasil não existem jornais públicos. “Temos um sistema de comunicação social apenas com uma televisão e rádio públicas, cuja programação é distribuída a nível nacional, mas não é obrigatório que  esta seja retransmitida por  órgãos privados”, explicou.
Por ser o principal jornal diário e noticioso do país, considerou a publicação um guia dos temas candentes da sociedade e de leitura obrigatória. “Sei que o Jornal está a passar por um período de transição. Vamos acompanhar com interesse esse novo período e o seu conteúdo com maior curiosidade”.800px-Map_of_South_Atlantic_Cable_System_route.svg

                                              Procedimentos para vistos estão mais acessíveis e rápidos

O embaixador do Brasil em Angola aconselhou os cidadãos angolanos a dispensarem os intermediários para obtenção de vistos, em troca de compensação financeira.
Paulino Neto disse que o pedido de vistos de entrada para o Brasil e os procedimentos para a sua obtenção já estão acessíveis  e mais rápidos com a entrada em funcionamento, desde o mês de  Setembro, do Centro de Processamento de Dados denominado “Visa Center”, gerido por uma empresa de renome internacional.
Há um ano no cargo, Paulino Neto disse que  os requisitos contestados anteriormente, particularmente a obrigação de uma renda igual ou superior a 400 mil kwanzas, foram eliminados, porque a maioria dos angolanos não aufere tal salário. “Podem ir ao site da embaixada ver os requisitos e entregar directamente o processo ao Visa Center e não vão pedir 100.000 kwanzas para o visto, como já ouvi”, garantiu o diplomata, dando a conhecer que o visto de entrada é tratado em dez dias úteis.
Em média, informou, são passados cerca de 20.000 vistos de entrada  por ano. O número reduziu nos últimos anos devido à crise económica que Angola vive, mas nos últimos meses, frisou, tende a elevar-se. Para facilitar os cidadãos angolanos que viajam com frequência para o Brasil, Paulino Neto disse que a embaixada está a conceder vistos de um ano para múltiplas entradas e já não perdem validade após 90 dias sem o seu  uso. No futuro, disse, terão validade de dois anos.  “Esperamos melhorar ainda mais o atendimento e a rapidez no processamento de vistos”, disse o diplomata, acrescentando que vivem em Angola cerca de 15.000 brasileiros.

Brasileiro é um dos povos que mais faz turismo na África do Sul

downloadBrasil se apresenta  como uma das potencias na emissão de turistas para a África do Sul. O aumento médio foi de 105% no número de viajantes ao destino, de janeiro a setembro de 2017, fez com que o País ultrapassasse o Canadá e assumisse a 9ª colocação no ranking mundial da South African Tourism (SAT). Ao todo, 48 mil brasileiros viajaram à África do Sul durante o período analisado.

Reino Unido (318,4 mil),  EUA (281,1 mil), ,Alemanha (224,8 mil), França (134,2 mil), Holanda  (110,9 mil), Austrália (87,1 mil), Índia (74,1 mil), China (73,8 mil), Brasil (48,2 mil) e Canadá (46,8 mil).pais_Africa-do-Sul-1478803800-1

Atualmente, a África do Sul conta com 12 voos semanais a partir de São Paulo, sendo sete da excelente South African Airways, e cinco da Latam (dois deles incluídos no último mês de novembro para suprir a alta demanda de final de ano).

Em período de crise, no qual muitos destinos registram queda no número de turistas brasileiros, é importante observar algumas das razões que levam a um crescimento tão sólido.vista-aerea-costa-cidade-do-cabo-africa-do-sul

“A África do Sul é um país que nasceu para o turismo, tendo tudo que um destino precisa para ser um dos preferidos entre os viajantes. Além disso, sempre teve um custo benefício excelente, de modo que o preço elevado das passagens aéreas era a única coisa que impedia o país de explodir como destino para os brasileiros”, diz Tati Isler, representante do South African Tourism no Brasil.

Com a entrada da Latam na rota, os voos ficaram em média 20% mais baratos, o que ajuda a explicar o crescimento

Jovens africanos estudaram a cadeia produtiva da mandioca no Brasil

Benin, Burundi, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Malaui, Moçambique, Nigéria, República do Congo, Uganda, Senegal, Serra Leoa, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

Embrapa treina jovens de 14 países africanos na Bahia

Imagem: Embrapa

Embrapa - O pesquisador Joselito Motta com os jovens em comércio de Vitória da Conquista

O pesquisador Joselito Motta com os jovens em comércio de Vitória da Conquista

Até o dia 17 de novembro, 28 jovens de 14 países africanos participam do “Treinamento em propagação, produção e processamento da mandioca para jovens africanos”, ministrado na Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA).

A iniciativa faz parte do Youth Technical Training Program – YTTP (Programa de Capacitação Técnica Juvenil), realizado pelo Instituto Brasil África (Ibraf), organização sem fins lucrativos voltada para projetos de cooperação sul-sul com ênfase nas relações Brasil-África. Os países representados são: Benin, Burundi, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Malaui, Moçambique, Nigéria, República do Congo, Senegal, Serra Leoa, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

Desde o dia 23 de outubro, o grupo recebe informações sobre a cadeia produtiva da mandioca por meio de aulas teóricas e práticas em laboratórios e campos experimentais da UD e em áreas de parceiros de pesquisa e transferência de tecnologia. No último dia, o grupo também vai receber informações sobre outras culturas pesquisadas pela Embrapa.

O programa inclui visitas técnicas à Cooperativa dos Produtores de Amido de Mandioca do Estado da Bahia – Coopamido (Laje), à Cooperativa dos Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves – Coopatan (Presidente Tancredo Neves), ao Instituto Biofábrica de Cacau (Ilhéus) e à Cooperativa Mista Agropecuária dos Pequenos Agricultores do Sudoeste da Bahia – Coopasub (Vitória da Conquista).

A escolha da agricultura como primeiro tema do YTTP faz parte da estratégia Feeding Africa, do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), apoiador da primeira desta primeira etapa do programa, que busca a transformação da agricultura no continente africano. “A agricultura é uma matriz comum ao continente africano e ao Brasil, e entendo isso de forma muito clara: para desenvolver um país como um todo ou o continente como um todo, primeiramente, tem que ser através do desenvolvimento da agricultura”, declarou João Bosco Monte, presidente do Ibraf.

Com o objetivo de definir a programação do treinamento, Monte já tinha estado na Unidade em março e julho. “Para o Ibraf, a Embrapa é uma parceira fundamental e imperativa. O programa tem três pilares: a faixa etária, porque queríamos jovens; o gênero, porque queríamos equidade; e a continentalidade. Por isso, temos representantes de 14 países da África, que é formada por 54 países”, disse.

Entre os alunos, compostos por produtores e técnicos, a expectativa é grande. Beckie Nakabugo, de Uganda, é uma delas. “Aprender sobre mandioca vai beneficiar meu país, porque o povo está desanimado. Lá tem o Cassava Brown Streak Virus, e muitos produtores desistem de plantar. Minhas expectativas com o curso são grandes, porque a Embrapa é uma empresa grande e nós estamos recebendo o melhor tratamento, com os melhores professores”, afirmou.

Ernest Lifu Atem, de Camarões, está gostando da experiência. “Alguns dos temas a gente precisaria de, no mínimo, seis meses para realmente entender, mas estamos aprendendo bastante. Espero transformação de mente, de conhecimento. Espero ver mais métodos do que resultados dos trabalhos feitos aqui no Brasil. Claro que os resultados também são importantes para comparar as análises, mas o que mais importa é aprender métodos para aplicar no meu local de trabalho”, salientou.

“A formação ocorre bem, os palestrantes explicam bem os cursos e as matérias. Uma coisa muito interessante é a associação da teoria com a prática. É muito interessante ver o que eles falam e as provas reais do que aconteceu. Eu espero que a formação continue assim até o final. Nós fomos bem acolhidos, e a Embrapa é um lugar bem calmo, ideal para aprender”, destacou Guelord Nsuanda, da República Democrática do Congo.

“Como responsáveis pelo treinamento, esperamos que os alunos repassem esse conhecimento porque ele realmente tem que chegar ao produtor”, disse o pesquisador Marcio Porto, do Núcleo de Relações Internacionais, um dos organizadores do curso, ao lado de Alfredo Alves.

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Encerramento do curso

“Meu sonho para os jovens africanos é que se tornem milionários. A pergunta é: como isso vai acontecer? A resposta: só vai acontecer quando a juventude africana praticar agricultura como negócio. E esse é o propósito de estarmos aqui. Garanto ao Instituto Brasil África e à Embrapa que daqui a cinco anos os participantes que estão aqui vão se tornar milionários. Iremos fazer uso do que aprendemos. Não somente iremos nos tornar milionários, mas iremos criar empregos para outros jovens africanos, que vão ter um trabalho digno.” Com esse depoimento, o jovem Obinna Atu, da Nigéria, encerrou sua participação no curso sobre propagação, produção e processamento da mandioca, que treinou, durante um mês, 28 jovens de 14 países africanos na Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA).

No workshop de encerramento, que contou com a presença do presidente do Instituto Brasil África, João Bosco Monte, do chefe-geral Alberto Vilarinhos e de integrantes da equipe técnica de mandioca, um jovem representante de cada país resumiu o que significou o curso e como pretende aplicar os novos conhecimentos (veja cinco depoimentos abaixo). Os países representados foram: Benin, Burundi, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Malaui, Moçambique, Nigéria, República do Congo, Uganda, Senegal, Serra Leoa, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

“Depois de 30 dias de intensas atividades, o resumo é muito valioso. O que imaginamos há mais de um ano, quando idealizamos esse programa, era trazer jovens africanos para receber treinamento no Brasil em instituições campeãs que pudessem agregar valor a eles. A ideia, então, era trazê-los para aprender no melhor lugar. Quando ouço os depoimentos e olho nos olhos deles, vejo que valeu a pena o investimento para que esses 28 jovens pudessem receber esse conhecimento aqui, que pode se transformar em algo muito maior. Essa é a beleza de um treinamento como esse. Os jovens saem com o conhecimento adquirido, mas podem ser multiplicadores disso em seus lugares de origem”, avaliou Bosco.

A iniciativa faz parte do Youth Technical Training Program – YTTP (Programa de Capacitação Técnica Juvenil), realizado pelo Instituto Brasil África, organização sem fins lucrativos voltada para projetos de cooperação sul-sul com ênfase nas relações Brasil-África sediada em Fortaleza (CE). A escolha pela agricultura como primeiro tema faz parte da estratégia Feeding Africa, do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), apoiador da desta primeira etapa do programa.

O grupo recebeu informações sobre toda a cadeia produtiva da mandioca por meio de aulas teóricas e práticas em laboratórios, campos experimentais da Unidade e áreas de parceiros de pesquisa e transferência de tecnologia. No último dia, também foram repassadas informações sobre outras culturas pesquisadas pela Embrapa. A programação incluiu visitas técnicas à Cooperativa dos Produtores de Amido de Mandioca do Estado da Bahia – Coopamido (Laje), à Cooperativa dos Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves – Coopatan (Presidente Tancredo Neves), ao Instituto Biofábrica de Cacau (Ilhéus) e à Cooperativa Mista Agropecuária dos Pequenos Agricultores do Sudoeste da Bahia – Coopasub (Vitória da Conquista).

“Não é fácil reunir pessoas de 14 países, falando dois idiomas (inglês e francês) e muitos outros, seus idiomas nativos. Uma verdadeira torre de babel. Mas deu tudo certo. O curso foi produtivo, e a avaliação dos participantes em relação à Embrapa foi muito positiva, elogios grandes à equipe técnica que compartilhou conhecimento. Agora a intenção é irmos além da mandioca. Vejo a banana, por exemplo, como uma cultura de especial interesse pelos africanos”, resumiu o pesquisador Marcio Porto, um dos organizadores do curso, ao lado do pesquisador Alfredo Alves, que está na África, em missão com Joselito Motta, que acompanhou o grupo durante boa parte do curso e foi citado por muitos participantes no encerramento. Nesta semana, Marcio se juntou a eles, na África, em missão que passa por Gana e Nigéria.

Na primeira semana, Alfredo e Joselito visitaram comunidades produtoras e processadoras de mandioca de Techiman, em Gana, onde as mulheres fabricam o gari – farinha fermentada e amarelada com azeite de dendê. Na zona rural de Abeokuta, na Nigéria, os pesquisadores estiveram em uma comunidade onde as mulheres viram pela primeira vez a tapioca brasileira. “Apesar das dificuldades, o semblante delas era de alegria e esperança”, relatou Joselito.

A Embrapa participou também do evento CassavaTech 2017, que ocorreu de 21 a 23 em Lagos, na Nigéria.

Depoimentos

Gana – Valaria Adzo Adzatia
“Agora sei que não sabia muito sobre mandioca. Nunca vou esquecer as aulas, as visitas a campo, as casas de produção e tudo mais. Eu não sabia que a gente poderia utilizar a mandioca para fazer muitas coisas. Em Gana percebi que a gente desperdiça muito a mandioca. Um produto que aprendi aqui e não estava muito confiante em fazer era o amido. Sempre vi como um processo muito longo, mas foi simplificado aqui para mim. É um dos produtos que estou pensando em trabalhar porque vou me concentrar mais na parte de processamento.”

Malaui – Maness Nkhata
“A parte sobre as pragas foi muito importante porque vi algumas coisas que são novas para mim, especialmente o manejo integrado. O treinamento me proporcionou também conhecimento para produção e processamento da mandioca. Isso vai me ajudar no desenvolvimento de outros produtos que não fazemos nos nossos países. Outra área muito interessante foi a cultura de tecidos. Espero também construir um laboratório para cultura de tecidos e outros processos, além de treinar outros jovens para plantar e manejar as plantações de mandioca. O treinamento foi um sucesso. Meus planos futuros com o conhecimento obtido nas aulas, nas visitas a campo e outras áreas são contribuir para o sucesso da produção de mandioca no meu país.”

Nigéria – Obinna Atu
“Percebi que na África acontece como aqui no Brasil: a maioria dos agricultores não tem acesso aos materiais de plantios melhorados. Por anos o IITA (Instituto Internacional de Agricultura Tropical) tem lutado para alcançar esses objetivos. A mandioca é um dos alimentos mais importantes da base alimentar na Nigéria. Mais de 60% das famílias dependem da mandioca para viver. Vi o processo de multiplicação como uma boa maneira de começar um negócio para os jovens, para investir nosso dinheiro e nossa energia. Aqui vimos também muitos produtos que podemos fazer utilizando a mandioca. Vamos experimentar na Nigéria para ver as oportunidades de negócios lá. Descobrimos que o processamento pode criar milhares de trabalhos para os jovens e gerar muito lucro.”

Senegal – Dieynaba Badiane
“O Senegal tem 14 regiões, e em cada uma há uma plataforma de produção. A gente pode transformar todos esses conhecimentos adquiridos aqui. O que me marcou nessa formação é o fato de trabalhar na prática, nos laboratórios. Temos necessidades agrícolas no Senegal e não conhecemos a cultura in vitro. Com essa técnica que aprendi aqui, quero fazer a micropropagação e trabalhar em parceria com vocês. Temos o hábito de inovar e de criar novas coisas na fabricação, mas ainda não tínhamos conhecido o potencial da mandioca. Com tudo que eu aprendi aqui nessa formação, vou levar muito para lá.”

Serra Leoa – Alie Kamara
“Falando sobre produção de alimentos, fomos capazes de observar e fazer alguns processos, como a produção de chips de mandioca, de mandioca palito. Também aprendemos sobre o programa de melhoramento, que é uma coisa do meu interesse. Na viagem que fizemos, aprendemos muito sobre as etapas. No laboratório, vimos como fazer a multiplicação, identificando o material antes de cortar, como levamos a mandioca para o laboratório, a limpeza do material. Outra parte que aprendemos foi sobre ciência e empreendedorismo. Tenho muita coisa para levar para casa. Vou fazer uma apresentação sobre o que aprendi aqui para outros jovens do meu país.”

O acesso dos negros brasileiros à rede e mexe com as mídias tradicionais

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por Intervozes — publicado 21/11/2017 17h11, última modificação 21/11/2017 18h17
Representatividade negra cresce na rede e influencia mídia tradicional. Universalizar o acesso torna-se parte da luta contra a desigualdade

VII Fórum da Internet no Brasil

Mulheres negras discutem apropriação tecnológica para combater desigualdades raciais durante o VII Fórum da Internet no Brasil

Por Ana Claudia Mielke*

A internet se transformou em uma potente ferramenta de empoderamento de negras e negros. Pipocam iniciativas pelo país que visam construir narrativas positivas acerca da negritude.

Coletivos de comunicadores e comunicadoras negras e negros pautam questões fundamentais como genocídio da juventude negra, enquanto blogueiros e blogueiras se afirmam como influenciadores digitais, a partir de postagens em campos tão diversos como política, moda, estética e trabalho – este último com visibilidade a inovações e startups que aceleram empresas de negras e negros no mercado.

Mas, quando se fala em Internet no Brasil, deve-se considerar ainda o enorme gap que existe no acesso. Apenas 54% da população brasileira possuía acesso à internet em seu domicilio em 2016 (Pesquisa TIC Domicílios realizada pelo CETIC.br). Aproximadamente 95 milhões de brasileiros e brasileiras não possuem nenhum tipo de conexão em casa, nem mesmo a partir do celular.

Considerando a mesma pesquisa, os dados econômicos das famílias conectadas são bastante relevantes. O abismo digital é profundo entre aqueles que ganham até um salário mínimo (70%), caindo um pouco entre os que recebem até dois salários mínimos (54%) e ainda mais entre os que ganham mais de dois salários (35%). Mas o que os dados apontam sobre a população negra brasileira?

Em 2014, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) produziu uma série histórica da pesquisa sobre Acesso à Internet e à Televisão e Posse de Telefone Móvel Celular para Uso Pessoal (PNAD2014TI).

A partir dela foi evidenciado que, da população com mais de 10 anos que havia acessado a internet nos últimos três meses antes da realização da pesquisa, 61,5% eram brancos, enquanto, entre os negros e negras, este percentual era de apenas 39,5%.

E este abismo já foi muito pior: em 2003, um branco nas mesmas condições de um negro tinha 167% mais chances de acessar a internet, segundo o Mapa da Exclusão Digital (Fundação Getúlio Vargas).

O dado da PNAD, embora não seja conclusivo, pode ser analisado à luz das outras disparidades que se reproduzem ano após ano e são identificadas pela Pesquisa TIC Domicílios, como o fato de o percentual de desconectados aumentar nas zonas rurais, nos estados do Norte e Nordeste do país e, também, entre os menos escolarizados.

Isto significa que, se a falta de acesso à internet ainda reproduz abismo socioeconômico e regional no Brasil certamente também reproduz mais um abismo racial no país. Para inferir este resultado, basta tomar como referência a conclusão de Sueli Carneiro de que raça é um estruturante de classe no Brasil.

Ausência de informação e retrocessos

A produção de dados sobre usos e acessos da população brasileira deveria ter como finalidade a produção de soluções que objetivassem diminuir o abismo digital existente no país. O Estado, neste sentido, deveria promover políticas públicas para mitigar as disparidades que separam ricos e pobres, sul/sudeste do norte/nordeste, populações urbanas das rurais. E por que não? Negros/as e brancos/as.

Faltam dados, no entanto, que apontem as desigualdades raciais quando assunto é apropriação tecnológica, acesso às redes e hábitos de usuários, como destacou Silvana Bahia, do PretaLab, iniciativa que tem, entre outros objetivos, produzir mapeamentos sobre o assunto.

A fala foi feita durante a mesa Mulheres Negras e Tecnologias, dentro do VII Fórum da Internet no Brasil, realizado entre os dias 14 e 18 últimos, no Rio de Janeiro. Trata-se da primeira iniciativa negra promovida dentro do principal espaço de discussão das políticas de internet do país, que por sua vez é realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), desde 2011.

Infelizmente, em tempos de profunda crise institucional, em que o Estado segue sendo gerido por atores ilegítimos, pouco se pode esperar em termos de políticas públicas de inclusão e defesa dos bens comuns.

A possível aprovação do PLC 79, que retira as garantias de universalização do acesso e de modicidade tarifária como parte das obrigações das empresas que entregam a infraestrutura de conexão; a dificuldade do governo em garantir o interesse coletivo no uso do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC), que deveria promover a conexão dos rincões do país, a partir da implementação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e, a quase inevitável falência da OI devem não apenas contribuir para aumentar o abismo digital entre grupos da sociedade, como também, levar uma parte significativa do país a um apagão digital.

Impacto desigual

A possibilidade de um apagão terá consequências mais significativas sobre os grupos historicamente invisibilizados ou negativamente representados nos meios de comunicação tradicionais. São estes os que sofrerão mais com a impossibilidade de acessar a Internet, em virtude da falta de oferta do serviço em sua região e/ou por conta dos elevados preços que poderão ser praticados.

Talvez, para quem cresceu numa conjuntura em que redes sociais e comunicação por smartphones são um dado quase natural, não seja fácil enxergar as consequências produzidas pela desregulamentação total do setor de telecomunicações no Brasil. No entanto, para quem viveu o processo de transição, as possibilidades de retrocessos são evidentes.

É possível imaginar o vazamento do vídeo que flagra Willian Waack em cena de racismo explícito há 10 ou 15 anos atrás? E mesmo que ele fosse denunciado àquela época, será que a informação teria o mesmo alcance de público que teve nos dias atuais em função da viralização na Internet? E Rafael Braga? Será que sua história conseguiria furar o bloqueio da mídia comercial?

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Ousaria dizer que sequer o caso recente de Diogo Cintra, jovem artista negro, morador da periferia de São Paulo que foi violentamente espancado após ter sido “qualificado” por seguranças do Terminal Parque Dom Pedro como assaltante, teria tido tanta repercussão nos meios tradicionais de TV não fosse sua reverberação na rede.

Narrativas da negritude se multiplicam

Ninguém mais duvida do poder da internet enquanto promotora de novas narrativas. Representatividade negra, embora ainda bastante reivindicada na televisão e no cinema – com razão – agora ocupa outros espaços. E não são brechas, são espaços significativos e em crescente expansão.

À mídia tradicional tem restado o papel de acompanhar esta movimentação e, como consequência da força da rede, pautar temas que até então eram considerados menores ou vistos como problemas de grupos específicos (de guetos) – mesmo quando negros (pretos e pardos) já ultrapassavam 50% da população brasileira.

Basta olhar a programação da TV aberta para perceber o aumento da produção de conteúdos pautados na temática da negritude e/ou do enfrentamento ao racismo. No mês da Consciência Negra isto fica ainda mais marcado. Mas não dá pra negar que até 10, 15 anos atrás esta produção era infinitamente menor.

A mudança de comportamento da mídia tradicional deve ser encarada como um ganho da luta promovida pelos movimentos de negros e negras, em diferentes esferas: acesso à educação, políticas de ações afirmativas, maior ingresso no mercado de trabalho e maior incidência na política.

Mas ela deve também ser analisada à luz da potencialidade de democratização e difusão de narrativas da população negra, de mulheres, da população LGBTQ a partir da Internet. Também é resultado de uma pressão que hoje se impõe do ambiente das redes digitais para as grandes redes de TV. Ganha aqui, ganha lá!

Garantir políticas públicas de acesso para impedir que a internet continue restrita aos ricos, moradores das zonas urbanas, das maiores capitais do país, que seja instrumento de comunicação que atenda prioritariamente aos brancos deve, portanto, estar no horizonte daqueles que lutam pelo enfrentamento da desigualdade racial do país.

Permitir que as narrativas negras surjam, ressurjam e se reinventem no espaço da rede e alcancem um número cada vez maior de pessoas é essencial para diversificar e amplificar vozes, fontes de conhecimento e alavancar o empoderamento das populações mais periféricas.

E esta produção e compartilhamento em rede dependem de expandir o acesso de negras e negros a este importante instrumento de democratização da comunicação que se tornou a Internet no Brasil.

*Jornalista, mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP, e coordenadora executiva do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

 

fonte:https://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/negros-estao-mais-empoderados-na-internet-mas-acesso-ainda-e-desigual?utm_campaign=newsletter_rd_-_23112017&utm_medium=email&utm_source=RD+Station

Teatro brasileiro esteve presente em Cabo Verde

20663762_1425829237453480_6945747696100738249_nO Festival Internacional de Teatro do Mindelo, Mindelact é considerado importante evento de artes cénicas da África Ocidental. Ele acontece todos os anos na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, e este ano contou com a maior delegação de artistas e companhias de teatro do Brasil. Ao todo, sete grupos brasileiros se apresentaram este ano no evento que terminou neste sábado (11).

Odair Santos, correspondente da RFI em Cabo Verde

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A 23ª edição do Festival Internacional de Teatro Mindelact contou com a participação do grupo de Teatro Caixa Preta, do Núcleo Vinicius Piedade e Companhia, do Desvio Coletivo, do Grupo Dragão 7, da Companhia Satyrus, da Palavra Z Produções Teatrais e da contadora de histórias, Clara Haddad, Alguns dos artistas brasileiros que participaram do evento partilharam as suas experiências com a RFI Brasil, na cidade do Mindelo. Para a diretora do grupo Desvio Coletivo, Priscilla Toscano, foi “muito importante” para ela e, principalmente, para o grupo, essa participação. “É a primeira vez do ‘Desvio Coletivo’ num país africano. A gente tem feito a peça ‘Cegos’ há quase seis anos e o objetivo é realizar o máximo de cidades possíveis. Recentemente, a gente esteve na Ásia e pra gente, no mesmo ano, poder vir e fazer a África é muito importante” explica Priscilla.midelact

O ator brasileiro Vinicius Piedade, do Núcleo Vinicius Piedade e Cia, apresentou no festival o drama ‘Cárcere’ que é uma reflexão sobre a liberdade. A peça conta a história de um personagem que é privado de sua liberdade e de seu piano. De acordo com Vinicius Piedade, o Brasil tem uma relação direta com a África e “para nós é extremamente relevante ter esse contato direto com os nossos irmãos africanos”.

O ator afirma que a relação entre Brasil e Cabo Verde “é muito natural” porque “qualquer brasileiro que vem pra cá vai se sentir em casa, o que certamente não vai acontecer no Senegal, que é mais perto de Cabo Verde no continente”.

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Brasileiroes conhecendo brasileiros em Cabo Verde

Por sua vez, o ator Júnior Lima, que faz parte do grupo Dragão 7 que promove no Brasil um festival de teatro onde se dá a troca de experiência entre artistas e companhias de teatro do Brasil e dos países africanos de língua portuguesa, destaca o fato do Mindelact impulsionar o intercâmbio teatral.mindleact

Junior Lima cita, como exemplo, o fato de poder conhecer o trabalho dos colegas que vem, como ele, de São Paulo: “Uma oportunidade única de encontrar e conhecer pessoas que mesmo lá na cidade de São Paulo a gente não tem acesso. Eu antes de vir pra cá não conhecia o trabalho do ‘Desvio Coletivo’ e do Vinicius Piedade e foi aqui, graças ao Mindelact que a gente pôde se cruzar e conhecer”.

Júnior Lima disse que cada relação que teve em Cabo Verde foi muito rica e que “o pessoal cabo-verdiano é de fato muito afetuoso, que para você na rua, que quer saber de onde você veio, o que faz na vida e a que se dedica para te conhecer “. O ator do grupo Dragão 7 afirma que “para além do intercâmbio artístico, (a experiência) foi de trocas humanas e muitos especiais”.

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União linguística

Já o ator Bruno Mariozz, da Palavra Z Produções Teatrais do Rio de Janeiro, o Festival Internacional de Teatro do Mindelo reforça a união linguística entre o Brasil e Cabo Verde. “Eu acho que o Mindelact reforça esse conceito e troca da nossa língua. Apesar de alguns sotaques e palavras diferentes, a gente se une através da língua”, ressalta Bruno Mariozz.

 

Mais de 30 companhias de teatro de 12 países realizaram 50 espetáculos, em 12 palcos diferentes, do Mindelact. Oito dessas apresentações foram encenadas por companhias de teatro brasileiras.

 

http://br.rfi.fr/brasil/20171111-brasil-tem-participacao-de-peso-em-principal-festival-de-teatro-da-africa-ocidental

Conversa de Waack revela o racismo incorporado no Brasil

Os ataques afetam diretamente os tons mais escuros de pele

Por Edilson Nascimento

A conversa de Willian Waack, jornalista da Rede Globo, revela o que é bem claro no Brasil, o racismo incorporado nas relações sociais. Esse assunto sempre provoca diferentes reações, alguns nem acreditam que exista, embora já se encontre toda uma legislação voltada para o combate a injuria e ofensa racial.

O fato é que o grau de sensibilidade de percepção em relação aos ataques racistas, vai ser diretamente proporcional a tonalidade da cor da pele da pessoa, ou seja, quanto mais escura, consequentemente mais afetada com as insinuações e comentários, que nem sempre são objetivos e escancarados por conta da lei de injuria e ofensa racial.

As brincadeiras, piadas e conversas revelam o quanto ainda precisamos evoluir em relação as relações étnicas no Brasil. A colonização ainda acorrenta, aprisiona almas e espíritos de dominados e dominadores. A estrutura de uma emissora de televisão é um exemplo muito evidente da divisão de poder na sociedade.

Afirmo isso por ter trabalhado 13 anos na afiliada da Rede Globo aqui no Piauí. E, como afropiauiense ter começado nessa empresa bem na base de tudo. Na época uma equipe de externa era formada por 5 trabalhadores, que saiam em um Fiat Uno. Era composta por um motorista, um iluminador, um operador de VT, um cinegrafista e um repórter.

Nessa composição eu era o “menos importante”, o iluminador, estava sempre atrás de tudo, tinha que procurar a tomada, na hora de sair também as vezes atrasava a equipe. Não havia oportunidade para manifestar nenhuma opinião, isso porque no imaginário funcional e estrutural da coisa, “os operadores não pensam”. Essa situação me indignava e eu era tido por alguns como o recalcado, o problemático.

E as pessoas mais claras conversam nos bastidores, falam de seus desejos, de suas experiências, mas aqueles mais escuros ficam apenas espiando, muitas vezes porque as suas vivências são ridicularizadas por aqueles que estão em postos de destaque nas instâncias sociais mais privilegiadas.

O menosprezo acontece também nas brincadeiras, nas piadas. Essa manifestação de Waack é café pequeno diante de tantas injurias e ofensas que já presenciei em relação a condição do afrodescendente que sonha, que almeja algo de diferente na sociedade.

E, particularmente, acredito que as leis judiciais colaboram, mas não resolvem o problema.  O racismo acontece de diferentes formas e nem sempre temos como comprová-lo. A sociedade brasileira precisa evoluir para entender que a colonização é um grande mal e que a espécie humana é única.

Diante de tudo, cabe a ideia de Franz Fanon quando afirma que todos os seres humanos são infelizes, se engana quem pensa que apenas os negros sofrem. Os brancos também oprimem por falta de uma orientação adequada de humanidade. O racismo é um grande mal e precisa ser encarado com maior clareza. Não basta punir, temos de pensar e conversar a respeito de seus males em todos os espaços sociais.

http://www.meionorte.com/blogs/edilsonnascimento/conversa-de-waack-revela-o-racismo-incorporado-no-brasil-325928

Documentários para entender melhor a questão do racismo no Brasil e em outros países

Documentários para entender melhor a questão do racismo no Braisl e em outros países:

OlhosAzuisviraracismodecabeaparabaixo-11) Olhos azuis
https://vimeo.com/67460531

2) cinema

3) The Color of Money – A História do Racismo e do Escravismo

4) Raça Humana

5) O negro no Brasil

6) Ninguém nasce assim

7) Racismo Camuflado no Brasil

8) Negro lá, negro cá

9) Vidas de Carolina

10) Negros dizeres

11) Mulher negra

12) Negro Eu, Negro Você

13)A realidade de trabalhadoras domésticas negras e indígenas

14) Espelho, Espelho Meu!

15) Open Arms, Closed Doors

16) The Brazilian carnival queen deemed ‘too black’- A Globeleza que era negra demais

17) Boa Esperança – minidoc

18) Você faz a diferença

19) Memórias do cativeiro

20) Quilombo São José da Serra

21) 7%
https://www.facebook.com/usp7doc/

22) Menino 23

23) Pele Negra, Máscara Branca

24) Introdução ao pensamento de Frantz Fanon

25) Invernada dos Negros

26) A negação do Brasil

27) Sua cor bate na minha

28) História da Resistência Negra no Brasil

Brasil investe nas relações com a Nigéria na agricultura e na defesa

 

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O ministro das Relações Exteriores do Brasil Aloysio Nunes em visita de trabalho de dois dias , acompanhado de uma delegação de oito funcionários do mais alto nível realizou uma conversa com o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, H.E. Sr. Geoffrey Onyeama.  Na conversa foram apresentados alguns projetos de trabalho: Projeto de Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimento; Projeto de Acordo sobre Transferência de Prisioneiros; Projeto de Acordo de Cooperação sobre Desenvolvimento Agrícola no âmbito do Programa More Food International; Acordo de extradição entre dois países.abuja nigeria

Ficou também estabelecido a possibilidade de cooperação na área da defesa no estabelecimento de forças de paz. O Ministro brasileiro convidou seu homologo nigeriano para uma visita ao pais.

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O Ministro Aloysio Nunes mostrou-se preocupado com a queda de transações comerciais entre os dois países, que caiu de 12 bilhões de dólares ao ano para 2 bilhões. Entre as explicações estaria na queda do preço do petróleo, entre outros fatores. Ele disse que a parceria entre os dois países é única, acrescentando: “Nossa parceria é estratégica, pois não é apenas no comércio; É histórico e cultural. Temos cooperação em investimentos, acabamos de ter uma conferência de investidores nigerianos e brasileiros em Lagos, que visava aumentar a perspectiva de possibilidades de parceria e investimento no país. Alguns já começaram a produzir bons resultados “.

Onyeama disse que os dois países trabalhariam juntos para fortalecer suas relações bilaterais.

Ele disse que a Nigéria também estava buscando parcerias com o Brasil na área da agricultura, acrescentando que a Nigéria poderia aprender muito na área de pesquisa e produção de alimentos, que poderia ser feito através de vários programas administrados pelo Brasil.abuja nigeria1e.jpg

Além disso, ambos os Ministros dos Negócios Estrangeiros analisaram o nível de implementação do Mecanismo de Diálogo Estratégico entre a Nigéria e o Brasil, que é uma plataforma destinada a intensificar o envolvimento entre os dois países. O Diálogo Estratégico também é projetado para manter um diálogo de alto nível entre funcionários dos dois países e servir como um fórum para a implementação de iniciativas que abrangem agricultura e segurança alimentar, comércio e investimento, energia, educação, energia, petróleo e mineração.  abuja nigeria1f

“Sobre a cooperação agrícola, o Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Nigéria e o Ministro das Relações Exteriores do Brasil trocaram pontos de vista sobre o Programa More Food International e compartilhando experiência na pecuária para aumentar a produção na Nigéria. Ambos os países também compartilharão experiências no Programa de Alimentação Escolar, Políticas de Intervenção Social e Luta contra a Corrupção, entre outras questões de interesse comum.

Visita do Ministro Aloysio Nunes Ferreira a Gana, Nigéria, Côte d’Ivoire e Benin

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O ministro Aloysio Nunes Ferreira realizará a sua segunda visita oficial ao continente africano no período de 11 a 16 de outubro de 2017. Serão visitados 4 países da África Ocidental – Gana, Nigéria, Côte d’Ivoire e Benin.

As relações com a África constituem uma prioridade permanente do governo brasileiro. O segundo périplo que o ministro Aloysio Nunes realiza pelo continente reafirma essa prioridade e busca fortalecer ainda mais os laços econômicos, políticos e culturais que unem o Brasil a esses países amigos.

A África Ocidental experimentou expressivas taxas de crescimento econômico e conquistou importantes avanços em termos de estabilidade política e governança democrática na última década. O governo brasileiro tem reforçado seu compromisso de continuar a contribuir para o desenvolvimento socioeconômico e a consolidação da paz e da democracia na África Ocidental, por meio de uma parceria horizontal pautada pela solidariedade Sul-Sul.

No dia 11 de outubro, o ministro das Relações Exteriores fará visita a Gana, onde será recebido pela chanceler Shirley Ayorkor Botchway, e terá audiência com o presidente Nana Addo Dankwa Akufo-Addo. As relações com Gana são marcadas por convergências políticas e importantes relações econômicas. O Fórum Empresarial Brasil-Gana, realizado pela APEX e pelo Itamaraty, em agosto passado, em Acra, atesta o compromisso do governo brasileiro com a intensificação das relações econômicas bilaterais.

No dia 12 de outubro, o chanceler Aloysio Nunes Ferreira visitará a Nigéria. Em Abuja, manterá encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Geoffrey Onyeama. As relações Brasil-Nigéria alcançaram novo patamar em 2013, quando foi realizada a I Sessão do Mecanismo de Diálogo Estratégico, em Brasília. Em agosto de 2017, a APEX e o Itamaraty organizaram o Fórum Empresarial Brasil-Nigéria em Lagos, evento que buscou explorar o grande potencial das relações econômicas entre o Brasil e a maior economia africana.

No dia 13 de outubro, o ministro das Relações Exteriores será o primeiro chanceler a visitar a Côte d’Ivoire desde a viagem de Saraiva Guerreiro em 1983. Na ocasião, o ministro Aloysio Nunes Ferreira será recebido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Marcel Amon-Tanoh. A visita explorará áreas comuns de cooperação técnica e oportunidades de intensificação dos fluxos de comércio e de investimentos.

No dia 14 de outubro, o ministro Aloysio Nunes Ferreira visitará o Benin, onde manterá encontros com o chanceler Aurélien Agbénonci e com o presidente Patrice Talon. Serão passados em revista temas políticos bilaterais e regionais, a ativa agenda de cooperação técnica bilateral e as potencialidades das relações econômicas entre os dois países. O Benin – onde há uma importante comunidade de afro-brasileiros retornados, conhecidos como “agudás” – é um dos países da África Ocidental com os quais o Brasil mantém laços culturais mais próximos.