Grupo Parlamentar Brasil-Marrocos é criado com a presidência de Cristovam Buarque

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Senadores reuniram-se nesta quarta-feira para criar o colegiado, presidido por Cristovam Buarque (PPS-DF). Objetivo é incentivar as relações entre os poderes legislativos dos dois países.

 Senadores brasileiros instalaram na tarde de quarta-feira (09) no Senado Federal, em Brasília (DF), o Grupo Parlamentar Brasil-Marrocos, que visa incentivar as relações bilaterais entre os poderes legislativos dos dois países. Proposto originalmente em 2015, o “grupo de amizade”, como foi chamado pelos presentes na reunião, elegeu o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) como seu presidente.

O grupo parlamentar teve a sua criação aprovada em outubro de 2015 na forma do Projeto de Resolução do Senado (PRS) 20/2015, do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). A proposta prevê que a cooperação interparlamentar ocorra por meio de visitas recíprocas, troca de publicações e trabalhos legislativos, além da realização de congressos, seminários, simpósios, debates, conferências, estudos e encontros direcionados para áreas específicas.

O relator da matéria foi o senador Cristovam Buarque (PPS-DF). Ele argumenta, em seu voto favorável à criação do colegiado,  que a “atuação do Grupo Parlamentar Brasil-Marrocos contribuirá para o estreitamento das relações entre as duas nações, ao possibilitar o conhecimento mútuo entre os respectivos parlamentos”. O senador também destaca que o Marrocos é um país-chave no contexto africano e de política externa extremamente ativa e multidirecionada.

 

“O mundo ficou global, mas os parlamentos são ainda muito locais. Cada vez mais vamos ter que abrir as nossas relações e nossos contatos”, afirmou Buarque, que destacou a relação de proximidade que o Brasil possui com o país do Norte da África.

Compõem ainda a diretoria executiva a senadora Ana Amélia (PP-RS) e o senador Jorge Viana (PT-AC), vice-presidentes, e Antonio Anastasia (PSDB-MG), Armando Monteiro (PTB-PE) e José Agripino (DEM-RN), secretários. Acir Gurgacz (PTB-RO), Fernando Collor (PTC-AL), Roberto Requião (PMDB-PR) e Wilder Morais (PP-GO) também fazem parte do grupo, que é de livre adesão.

Collor, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado Federal, presidiu a reunião. Ele esteve no Marrocos no mês passado, onde reuniu-se com parlamentares do país africano que prometeram visitar o Senado brasileiro ainda este ano. “A missão deverá vir em outubro ou em novembro, talvez coincidindo com a visita do ministro das Relações Exteriores Nasser Bourita ao Brasil”, disse o senador.

A visita do chanceler marroquino está prevista para o começo de novembro. Na ocasião, deverão ser retomadas as negociações técnicas para o acordo de comércio entre o Marrocos e o Mercosul.

O embaixador do Marrocos em Brasília, Nabil Adghoghi, presente na reunião, afirmou que é vontade do país africano avançar nesse assunto. “Esperamos dentro em breve alcançar um acordo de livre-comércio com o Mercosul. Não é possível darmos as costas a um mercado tão promissor como este”, disse, após lembrar que o Marrocos possui acordos bilaterais com União Europeia, Turquia, países do Golfo e Estados Unidos, entre outros.

Outros acordos entre os dois países também devem ser assinados nos campos de defesa e educação, além do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI). Este, segundo Adghoghi, já está pronto, só esperando pelo momento oportuno para a assinatura. “2017 está sendo um ano rico e muito promissor para as relações entre o Brasil e o Marrocos”, destacou o embaixador.

Ser presidiário brasileiro em país africano é sinônimo de desamparo

brasil-africa-sul-.jpgRIO – Em consequência de novas rotas do narcotráfico, o número de brasileiros presos na África e na Oceania vem crescendo nos últimos anos. Nos dois continentes, mais de 90% dos brasileiros presos foram usados como “mulas” do tráfico internacional de drogas. Na América do Norte, principalmente nos Estados Unidos, também houve um crescimento das prisões, mas lá menos de 1% foi por esse motivo. Dados do Ministério das Relações Exteriores (MRE) mostram que, em 2016, havia 2.999 brasileiros presos no exterior, 732 (ou 24,4%) deles por envolvimento com o tráfico de entorpecentes. Entre 2015 e 2016, o número de brasileiros presos no exterior cresceu 9,8%.

– Os aumentos se devem às prisões por narcotráfico. De duas, uma: ou o aumento significa um uso mais intensivo da rota ou um maior rigor no controle das autoridades policiais e da cooperação policial entre o Brasil e a África do Sul e a Oceania – disse ao GLOBO a diretora do departamento consular e de brasileiros no exterior do MRE, Luiza Lopes da Silva.

No mês passado, o GLOBO publicou reportagem do Grupo de Diarios América (GDA) mostrando que a África se tornou a principal rota para o tráfico de drogas provenientes da América Latina com destino à Europa e que as organizações criminosas tinham relações diretas com o terrorismo e o tráfico de armas. A Comunidade de Polícias da América (Ameripol) revelou que pela rota africana passam 30% de toda a cocaína que tem a Europa como destino final.

Isso pode explicar o crescimento de 44,8% de brasileiros presos na África entre 2015 e 2016. Nos países da Oceania, esse aumento proporcional é ainda maior e chega a 51,8% no mesmo período.

– Nos preocupa muito a situação do presidiário que foi usado como “mula”, porque ele fica preso num país em que não pode contar com ninguém, na maior parte das vezes não fala a língua e não tem quem o visite, porque normalmente a família não tem recursos para isso. É diferente de ser preso nos Estados Unidos, onde costuma haver algum apoio mínimo ou da igreja ou da comunidade de brasileiros – explica Luiza.

Segundo ela, é muito mais difícil prestar ajuda consular quando o brasileiro ainda não foi condenado e está detido provisoriamente aguardando julgamento. O Itamaraty acompanha os julgamentos, mas não atua na defesa dos brasileiros, que precisam contratar um advogado ou pedir ajuda de defensores públicos no país em que foi preso. Entre os que estavam presos no ano passado, 1.378 ainda aguardavam julgamento.

Nem sempre a “mula” usada pelos traficantes é uma pessoa em dificuldades financeiras e que comete um ato de desespero. É o que mostra a história de Maria (nome fictício), que nasceu no interior da Bahia e foi presa em 2010. Depois de cumprir sete anos de prisão de uma pena de 14 anos em Joanesburgo, na África do Sul, retornará na quarta-feira ao Brasil. A mãe contou ao GLOBO que Maria disse à família que sairia de férias e iria para São Paulo encontrar com uns amigos. Dias depois, ela foi surpreendida com a notícia de que a filha tinha sido presa na África.

– Uma amiga dela de Ilhéus contou que ela estava presa por ter levado drogas para fora do país. Fomos até Ilhéus e encontramos uma outra mulher que já tinha feito a viagem como mula e tinha conseguido ir e voltar sem ser presa. Ela disse que avisou para a Maria não ir – contou Sandra (nome fictício), a mãe.

Maria ganharia R$ 8 mil pela entrega. Conseguiu passar pelas autoridades, mas o traficante não a encontrou no aeroporto e depois de umas horas os policiais a prenderam. Essa história foi contada pela baiana à mãe por uma carta que conseguiu enviar ao Brasil depois de algum tempo. Durante os sete anos em que esteve presa, ela também conseguiu se comunicar com a família, inclusive seu filho adolescente, por mensagens de telefone de dentro da cadeia africana. Lá, teve problemas de saúde, fez faxina para as detentas locais para pagar por produtos de necessidade básica e vendeu o cabelo para ganhar algum dinheiro.

– Ela queria abrir uma lojinha com os R$ 8 mil e sonhava em trabalhar como artista na TV, chegou a fazer inscrição para o Big Brother. Ela nunca se envolveu com droga, era uma filha boa e atenciosa. Agora, vai ser um recomeço, mas estamos aqui esperando por ela – contou a mãe.

Os motivos que levaram Maria à prisão são bem diferentes daqueles que levam os brasileiros para a cadeia nos Estados Unidos, país que mais prendeu brasileiros no ano passado. Em 2015, havia 532 atrás das grades. No ano passado, esse número subiu para 728. A maior parte deles foi preso por irregularidades imigratórias, homicídio ou tentativa de homicídio e roubo.

https://oglobo.globo.com/brasil/nova-rota-do-trafico-eleva-em-45-as-prisoes-de-brasileiros-na-africa-21674746

E Então, Quem é Cão Vira-Latas no Brasil?

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Reservas morais e intelectuais do naipe do economista Paulo Kliass, um dos colunistas do brilhante sítio na Internet da Revista Caros Amigos, foram achincalhadas nos anos do PT no governo federal.

Edu Montesanti 

Em junho de 2011, em uma análise do então partido neo-oligárquico no poder, Kliass observou sobre a agressividade petista em relação a toda e qualquer crítica no artigo Não ao Patrulhamento e ao Medo da Crítica:

“[Vigora hoje] a velha e conhecida chantagem do ‘quem não está comigo, então é porque está ‘contramigo’ [sic] (…) No interior do governo, e mesmo em algumas áreas do próprio movimento social, não se compreendia que a crítica era necessária justamente para que fossem apresentadas alternativas (…) Chega a ser mesmo surpreendente ler e ouvir as tentativas de algumas pessoas buscando defender o indefensável, justificar o injustificável. Quando se trata, então, de indivíduos cujo passado conhecemos e sabemos o que defendiam até anteontem, aí a coisa fica ainda mais triste ou esquisita. Imagino o que estariam a dizer e argumentar esses mesmos responsáveis pelo patrulhamento, caso tais políticas estivessem sendo desenvolvidas por outro governo, em um contexto em que estivessem na oposição. Mas agora, não! A coisa é diferente, pois se trata do ¿nosso governo¿, como acontece de eu ouvir, baixinho por aí, de alguns ainda envergonhados pelo argumento chinfrim”.

Em um passado não muito remoto, mesmo enquanto a ex-presidente Dilma (sim, em grande medida vítima de preconceito de gênero neste País reacionário por natureza) era “fritada”, especialmente nos anos em que Luiz Inácio era presidente e gozava de ampla popularidade, para e caricata esquerda brasileira era inadmissível qualquer crítica à sociedade brasileira: uma simples menção crítica neste sentido valia o raivoso título de “cão vira-latas”, dando a entender que o crítico sofria de complexo de inferioridade. Todos nos lembramos bem dessa chantagem psicológica, como observou Kliass.

Enquanto hoje abundam entre a própria “esquerda” brasileira delirante, no maior cinismo, as mesmas críticas à sociedade nacional que passou, repentinamente, a não prestar mais após o bico nos fundilhos do PT pela mesma oligarquia a quem ele outrora abraçou, este que escreve agora foi publicamente achincalhado quando escrevia no Observatório da Imprensa em 2013, tempos nada distantes: por observar a despolitização e falta de dedicação à leitura da sociedade brasileira em geral, um militante petista passou a fazer ataques pessoais no espaço de leitores, para posteriormente, em seu blog, voltar a atacar o autor nominalmente com fotos de cães vira-latas que, na opinião dele, retratavam a mentalidade deste que escreve. Hoje, este tipo de apontamento crítico é “fichinha” em comparação ao que andam dizendo do brasileiro em geral os militantes petistas.

Em outras oportunidades – quando o PT esteve no poder – tachado também por militantes do PT de reprodutor da versão da grande mídia, de desmerecedor imperialista da sociedade brasileira (!). Pois uma rápida busca nos arquivos deste autor em comparação ao que essa mesma “esquerda” anda agora dizendo, evidencia a profunda hipocrisia, o descarado mau-caratismo, o jogo baixo de muitos: muda-se de posição facilmente por medo, por interesses, ou por uma combinação de ambos como diz o romancista norte-americano David Zeman.

Ontem deslumbrados e raivosamente agarrados ao poder sobre seus  cães de guarda, hoje desesperados pela retomada do poder, a “esquerda” nacional vive de distração em distração (ela mesma o que – agora – tanto critica na outra vertente política) tem se “esquecido” de uma questão: como é possível que, em quase dois anos após Dilma ter começado a “balançar”, não se foi capaz de projetar ou ao menos colocar em discussão uma alternativa realmente popular no Brasil em relação ao mestre na retórica, Luiz Inácio? Note-se que uma simples menção de opção já gera a raiva de “esquerda” no País. Ou seja: a história não anda sendo capaz de dar lições ao nosso povo em geral.

Está-se há mais de um ano das eleições presidenciais – as quais nem se term certeza que ocorrerão -, enquanto se trata a questão de “luta” por Luiz Inácio “contra” as oligarquias como se estivéssemos em outubro de 2018, às vésperas do segundo turno eleitoral: excesso de fanatismo que cega o indivíduo, ou a desavergonhada defesa de interesses polítio-partidários segue imperando no País?

O óbvio: a “esquerda” tupiniquim não foi nem será capaz de sequer colocar em pauta uma alternativa popular muito mais que pela falência dos partidos políticos, mas porque as críticas que ela mesma anda tecendo à sociedade valem tanto para ela quanto para os outros segmentos sociais.

A ausência de uma sombra alternativa popular no Brasil justificam que este autor insista em destacar “esquerda” com aspas, e todos os adjetivos que, mesmo quando gozava do poder, aplicava, a saber: apática, inerte, sisuda, despolitizada, mesquinha, sectária, reacionária, rancorosa, corrupta.

Em epítome, a fim de ajudar a responder à questão derradeira, palavras do próprio Luiz Inácio a seguir, abraçado com as oligarquias as quais, nem poderia ser diferente neste País perdido, acabam gerando por parte de não poucos raiva e ódio… contra o comunicador que as divulga, e não contra o autor da gargalhada política abaixo!!

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) arrancou, na noite desta segunda-feira [dezembro de 2006], risos e aplausos de uma platéia formada por empresários e intelectuais ao, de certa forma, desmerecer a esquerda brasileira. Segundo ele, trata-se de uma ideologia típica da juventude.

“‘Se você conhece uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque está com problema’ [risos e aplausos]. ‘Se você conhecer uma pessoa muito nova de direita, é porque também está com problema’, afirmou o presidente depois de receber o prêmio ‘Brasileiro do Ano’ da revista IstoÉ.
“Lula explicou que, em sua opinião, as pessoas responsáveis tendem a, conforme amadurecem, abrir mão de suas convicções radicais para alcançar uma confluência. Tal fenômeno ele classificou de ‘evolução da espécie humana’.

“‘Quem é mais de direita vai ficando mais de centro, e quem é mais de esquerda vai ficando social-democrata, menos à esquerda. As coisas vão confluindo de acordo com a quantidade de cabelos brancos, e de acordo com a responsabilidade que você tem. Não tem outro jeito'”.+

Brasil: só podia dar no que deu, e só não percebeu quem não quis. Mas, afinal, diante das palavras acima em contexto, quem é cão vira-latas neste País mesmo?

O Brasil precisa, urgentemente, de uma alternativa popular autêntica!

http://port.pravda.ru/cplp/brasil/06-08-2017/43781-vira_latas-0/

Santa Catarina no Brasil recebeu 50.000 imigrantes do Senegal e do Haiti

Apesar do preconceito, dificuldades de trabalho, eles dizem que aqui é melhor que em seus países.


Por RBS TV

Conheça os desafios e o dia a dia de imigrantes que vivem em Santa Catarina

Conheça os desafios e o dia a dia de imigrantes que vivem em Santa Catarina

Há dois anos, Santa Catarina recebeu 50 mil imigrantes do Haiti e do Senegal. No entanto, faltam políticas públicas para acolhê-los. Apesar do preconceito, das dificuldades de inserção no mercado de trabalho, viver no estado, é melhor do que em seus países, como mostrou o Jornal do Almoço.

“Eu mando dinheiro para eles [os familiares] todo mês”, contou a auxiliar de cozinha Sanon Willie, do Haiti.

“Eu encontrei um Brasil diferente do que imaginei, porque esperava encontrar uma resposta e nesse momento começava uma verdadeira crise”, disse Moussa Faye, do Senegal.

Willie trabalha como auxiliar de cozinha e ajuda a família no Haiti (Foto: Reprodução RBS TV)Willie trabalha como auxiliar de cozinha e ajuda a família no Haiti (Foto: Reprodução RBS TV)

Willie trabalha como auxiliar de cozinha e ajuda a família no Haiti (Foto: Reprodução RBS TV)

Sanon Willie demorou seis meses para encontrar trabalho, mas agora está satisfeita como funcionária de um restaurante. Para ela, o mais difícil é a saudade dos parentes.

“Eu estou feliz aqui e triste também porque tenho saudade da minha família”, afirmou.

Preconceito

Para Moussa, a dificuldad e é outra: “A gente encontra sempre preconceito, mas tem que saber lutar contra isso”, declarou emocionado. Ele é professor de idiomas, mas no Brasil trabalhou como servente de pedreiro e hoje está desempregado. Moussa recebe R$ 120 pelos dois dias por semana em que ajuda em uma associação cultural. O valor é quase insuficiente para pagar o aluguel de R$ 450.

Moussa era professor de idiomas no Senegal, no Brasil enfrenta preconceito e não consegue trabalho (Foto: Reprodução RBS TV)Moussa era professor de idiomas no Senegal, no Brasil enfrenta preconceito e não consegue trabalho (Foto: Reprodução RBS TV)

Moussa era professor de idiomas no Senegal, no Brasil enfrenta preconceito e não consegue trabalho (Foto: Reprodução RBS TV)

“Eles se deparam com o preconceito porque são pobres, são negros, são discriminados no atendimento em postos de saúde, são discriminados no ônibus. Eles descobrem que o Brasil, que internacionalmente até 2015 vivia uma imagem muito positiva no exterior de país acolhedor, era acolhedor com alguns tipos de migrantes, com esses não”, afirmou Gláucia Assis, coordenadora do Observatório de Migrações da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

Estado construído por migrantes

Santa Catarina é um estado que se desenvolveu pela mão de obra de migrantes. Para a pesquisadora, isso aconteceu porque a chegada de alemãs, italianos, portugueses e franceses no século XIX foi amparada por políticas públicas.

Pesquisadora diz que SC precisa de imigrantes para crescer (Foto: Reprodução RBS TV)Pesquisadora diz que SC precisa de imigrantes para crescer (Foto: Reprodução RBS TV)

Pesquisadora diz que SC precisa de imigrantes para crescer (Foto: Reprodução RBS TV)

“Foi difícil, as pessoas trabalharam muito, mas elas tiveram acesso à terra, tiveram políticas migratórias que de alguma forma os acolheram. O que acontece com os migrantes que chegam agora, os haitianos, senegaleses, ganeses, é que eles se deparam com uma lei migratória muito antiga e a sociedade civil, que com algum apoio de prefeituras e do estado, foi fazendo o acolhimento dessas pessoas”, explicou Gláucia Assis.

Moussa recebe R$ 120 por dois dias de trabalho em projeto (Foto: Reprodução RBS TV)Moussa recebe R$ 120 por dois dias de trabalho em projeto (Foto: Reprodução RBS TV)

Moussa recebe R$ 120 por dois dias de trabalho em projeto (Foto: Reprodução RBS TV)

Um exemplo dessa falta de políticas públicas é o Centro de Referência de Atendimento ao Migrante. Apesar de licitação ter sido feita há um ano, os recursos estarem garantidos ainda não começou a funcionar. No local, deve ser oferecido atendimento psicológico, apoio para fazer documentos, entre outros serviços.

A reportagem da RBS TV procurou a secretaria de estado de Assistência Social, mas até a publicação desta notícia não recebeu os dados. O órgão também não soube informar o prazo para a entrega do Centro de Referência. Enquanto isso, os estrangeiros continuam chegando, agora também os refugiados.

Gerson veio da Venezuela com a mulher e o filho (Foto: Reprodução RBS TV)Gerson veio da Venezuela com a mulher e o filho (Foto: Reprodução RBS TV)

Gerson veio da Venezuela com a mulher e o filho (Foto: Reprodução RBS TV)

Refugiados

“Meu nome é Gerson Joel Zambrano Lingstuyl. Eu sou venezuelano e com a crise da Venezuela está acontecendo uma coisa muito ruim lá, não tem comida, remédio, medicina”, declarou o jovem que trabalha como caixa de um supermercado.

Na Venezuela, ele era funcionário de um banco, mas não conseguia comprar alimentos suficientes para passar o mês. No Brasil, ganha dois salários mínimos mensais e com esse valor pode alimentar a família.

O filho Jeremias, de 15 dias, deu coragem a Gerson para buscar junto com a mulher uma vida melhor no Brasil. “Eu saí por ele, eu sonho para ele tudo, eu quero dar a melhor escola, a melhor educação. Eu quero dar para ele o que eu não tinha quando era um menino”, disse o rapaz.

Hisham (à direita) veio da Síria com toda família (Foto: Reprodução RBS TV)Hisham (à direita) veio da Síria com toda família (Foto: Reprodução RBS TV)

Hisham (à direita) veio da Síria com toda família (Foto: Reprodução RBS TV)

Há dois anos, o comerciante Hisham Yasin deixou a Síria com a família para fugir da guerra. “Porque lá a vida era difícil, há sete anos estão em guerra, mais de 7 milhões de pessoas morreram, outros 7 milhões estão refugiados”, com Hisham.

Apesar das dificuldades, as pessoas ouvidas pela RBS TV, encontraram no Brasil, uma situação melhor do que em seus países.

“Aqui é fácil, tem saúde, chego ao hospital e sou atendida. Lá no Haiti é muito difícil, o hospital público é difícil e o particular é muito caro. Aqui, minha vida é melhor ”, relatou Willin Sanon.

“Meus irmãos e irmãs pequenos estão na escola, de graça, é muito bom. O Brasil aqui é bom mesmo”, contou Hisham.

Hisham quer vender doces e salgados árabes para todo estado (Foto: Reprodução RBS TV)Hisham quer vender doces e salgados árabes para todo estado (Foto: Reprodução RBS TV)

Hisham quer vender doces e salgados árabes para todo estado (Foto: Reprodução RBS TV)

Aqui é melhor

Enquanto os irmãos estudam, ele produz doces e salgados árabes. “Quero levar meus doces para todo estado, são uma delícia”, disse.

“Nessa abertura para o outro, a gente aprende que a cor da pele não torna as pessoas nem inferiores nem piores. Eu acho que a gente aprende a lidar com o preconceito e a gente descobre que este estado que construiu o seu discurso em cima da migração, pra que ele continue crescendo, ele precisa dos imigrantes que chegaram agora”, afirmou a pesquisadora Gláucia Assis.

http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/sc-tem-50-mil-imigrantes-faltam-politicas-publicas-de-acolhimento-diz-pesquisadora-da-udesc.ghtml

“Diversificar a Economia e Potenciar a Produção Nacional, Visando uma Angola Auto-Suficiente e Exportadora”

Madalena José |

26 de Julho, 2017

Depois de um ano de interrupção, a Feira Internacional de Luanda (FILDA) abre hoje, com 230 empresas expositoras, o que representa uma redução significativa de participação em relação à última edição realizada em 2015, com a participação de mais de 800 empresas.

Pelo menos 230 empresas expõem potencialidades na Feira Internacional de Luanda
Fotografia: José Soares | Edições Novembro

A organização garante que as empresas nacionais mantêm o ritmo de liderança dos últimos três anos.
Nesta sua 33.ª edição o evento decorre numa área de 16 mil metros implantados  em quatro pavilhões, com o predomínio das empresas nacionais .
A decorrer, pela primeira vez, na Baía de Luanda sob o lema “Diversificar a Economia e Potenciar a Produção Nacional, Visando uma Angola Auto-Suficiente e Exportadora”, até à tarde de ontem a montagem dos espaços estava concluída, albergando todos os expositores em \”stands\” próprios e \”stands\”-tipo Filda. A 32.ª edição da Feira Internacional de Luanda-2015, realizada sob o lema “Dinamismo, criativo, conferência, na produção nacional, um pressuposto, para diversificação e industrialização da economia angolana e um desafio para a juventude empreendedora”, realizou-se numa área de 50 mil metros quadrados nas instalações do Cazenga.
A FILDA 2015 resultou num volume de negócios estimado em 11 milhões de dólares apresentando-se como desfecho de cinco dias de contactos comerciais entre decisores, fornecedores, gestores e financiadores.
Na 31.ª edição da Feira Internacional de Luanda, que decorreu de 22 a 27 de Julho de 2014, participaram 475 empresários nacionais.
Tal como nos três últimos anos, o evento constituiu um instrumento de promoção e captação de investimentos para o país e de divulgação para o exterior do ambiente macroeconómico que se regista, disse Coutinho. A presidente do conselho de administração do Instituto de Fomento Empresarial, Dalva Ringote, confirmou ontem ao Jornal de Angola que os  expositores estrangeiros, vindos de 25 países,  já se encontravam todos no país. Trata-se de Portugal, Brasil, Suécia, África do Sul, Zâmbia, Índia, China, só para citar os sete maiores investidores no país.
O Jornal de Angola foi ao terreno e encontrou um frenesim dentro do recinto. Homens e máquinas circulavam de um lado para outro, todos querendo terminar a montagem dos \”stands\” antes da inauguração. Para acolher a edição de 2017 no novo espaço, desta vez à beira-mar, foram construídas várias infra-estruturas, entre as quais seis pavilhões, nomeadamente o de Angola, dos Sectores, dos Petróleos, o Pavilhão Internacional, Exposição Exterior, Praça da Alimentação  e salas de Conferências .No Pavilhão Internacional estão presentes 11 países, com destaque para Portugal e o Brasil, com maior número de empresas representadas com 20 e dez empresas respectivamente.
A representação portuguesa nesta edição é organizada pela Associação Empresarial de Portugal e pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), enquanto a brasileira é coordenada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil).
A Feira é organizada por diferentes entidades gestoras, como a Eventos Arena que é a promotora, com a gestão directa do Governo de Angola, através do Ministério daEconomia. “Reforçar a atractividade de Angola no panorama mundial, estimular as parcerias e sinergias entre os empresários nacionais e internacionais e activamente contribuir para uma Angola auto-suficiente e exportadora é o objectivo da organização”, referiu a PCA do Instituto de Fomento Empresarial.

Produtos e marcas
O evento vai lançar  vários produtos e  marcas. Tal é o caso   da Siemens que prevê o lançamento da campanha “Ingenuity For Life”, centrada nas três áreas fundamentais em que a Siemens actua em Angola, o  Oil & Gas, a Energia e a Indústria.
“Aproveitamos o momento para lançar a campanha de publicidade internacional com enfoque no mercado angolano”, diz Joana Garoupa, directora de comunicação da Siemens Angola, sublinhando “a importância de espelhar nesta iniciativa de comunicação, o que de melhor se faz em Angola”.
A UNITEL vai lançar a App Unitel, um serviço inovador da operadora, e promove o “Club da Criança Unitel”,  um espaço com actividades dedicadas às crianças dos três aos 14 anos e uma sessão de cinema ao ar livre.
Já o Banco Keve aposta na continuidade da estratégia definida pelo seu conselho de administração, que passa por garantir uma proximidade cada vez maior com os normais e potenciais clientes, dando a conhecer os seus produtos e serviços.
O Banco Keve, com mais de 13 anos de experiência de banca no mercado nacional, privilegia uma grande aproximação aos seus mais de 155 mil clientes, satisfazendo as suas necessidades no domínio das operações e prestação de serviços bancários.
Com  término previsto para o próximo domingo, 30 de Julho, a 33.ª edição da Feira Internacional de Luanda, considerada a maior bolsa de negócios de Angola, é um evento multi-sectorial realizado anualmente, com o objectivo de promover e fortalecer o potencial económico e  atrair investimentos, nacionais e internacionais, capazes de apoiar o desenvolvimento de Angola.
A FILDA é um evento que junta, desde 1983, empresas nacionais e mundiais para expor produtos e serviços.

Dia de Portugal
As cerca de duas dezenas de empresas portugueses que participam da FILDA 2017 voltam a dar a Portugal, como nas feiras anteriores, o título de maior representatividade estrangeira, em busca de novas oportunidades de negócio.
A participação portuguesa, a cargo da Associação Empresarial de Portugal (AEP), com o apoio da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola (CCIPA) e da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), junta empresas dos sectores da construção, agro-alimentar, engenharia, metalomecânica e cerâmica, habituais exportadoras para o mercado angolano.
Angola é um importante parceiro comercial de Portugal, principalmente enquanto destino das exportações. Ainda que nos últimos anos as exportações tenham registado um ligeiro decréscimo, o saldo da balança comercial é fortemente positivo para Portugal, tendo superado os 2,2 mil milhões de euros, em 2015.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/feira_de_negocios_abre_na_marginal_de_luanda

 

22° Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

2017O presidente Michel Temer destacou, hoje (20), na abertura da 22° Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a importância da cooperação entre os países integrantes da CPLP em áreas como saúde, educação, justiça e direitos humanos. A comunidade tem noves países-membros e o Brasil ocupa a presidência de turno do organismo no biênio 2016-2018.

2017 REPRESENTANTES DOS ESTADOS“O destino da CPLP é crescer cada vez mais e firmemente apoiada nos pilares da concertação político-diplomática, da cooperação, da promoção do nosso idioma e das nossas relações”, disse aos representantes dos países-membros da CPLP.

BRASILA reunião tem como objetivos definir a agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável nos países do bloco, aprovar resolução sobre a nova visão estratégica da CPLP e discutir o aumento da cooperação com os observadores associados à Comunidade.

REUNIÃO 2017Criada em 1996, a CPLP tem nove países-membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Outros dez países são observadores associados: Geórgia, Hungria, Japão, Maurício, Namíbia, República Eslovaca, República Tcheca, Senegal, Turquia e Uruguai.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2017-07/temer-comunidade-dos-paises-de-lingua-portuguesa-deve-crescer-com

África a última fronteira do capitalismo

gana

O continente africano é percebido hoje nos meios econômicos e diplomáticos mundiais como “a última fronteira do capitalismo”, e o Brasil precisa superar gargalos nas suas relações com os países africanos
para que participe de maneira mais efetiva deste processo. Este foi o ponto defendido pela diplomata Maria Elisa de Luna durante sabatina nesta quinta-feira (13) na Comissão de Relações Exteriores, quando foi aprovada para o cargo de embaixadora do Brasil em Gana.

gana1.jpgBndeUm dos pontos abordados foi a atuação das empresas brasileiras de engenharia na África, que têm sofrido para manter seus projetos. O senador Armando Monteiro (PTB-PE) disse que elas já estão tendo que recorrer a financiamentos com terceiros, devido à criminalização que no seu entender passou a ocorrer em torno das linhas de crédito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

– Já estamos perdendo espaço e podemos perder ainda mais espaço no comércio mundial, principalmente na área de serviços de engenharia. Justamente numa área em que temos uma enorme expertise, estão criminalizando o suporte que o BNDES dá a este processo – alertou.

Armando Monteiro acrescentou que ocorre no Brasil o exato oposto do que se verifica na China e na Turquia, cujos governos continuam apoiando suas empresas em projetos de infra-estrutura na África.

Elisa de Luna concordou com a visão expressada pelo senador, acrescentando que Accra, a capital de Gana, teve seu urbanismo transformado para melhor nos últimos anos por causa das inúmeras obras conduzidas pelas empresas brasileiras.

Produtos manufaturados

A diplomata destacou também que o Brasil precisa estabelecer uma política consistente e estruturada de internacionalização de companhias médias e pequenas, passando necessariamente por programas oficiais de apoio por meio de linhas de crédito. Este modelo permitiria ao Brasil otimizar a participação no processo de desenvolvimento da África.

Elisa de Luna reforçou a argumentação, lembrando que tanto com Gana como com outros países africanos, o Brasil consegue ter uma pauta de exportação com presença significativa de produtos industriais ou manufaturados, especialmente do setor agrícola.

No que se refere aos produtos alimentícios brasileiros por exemplo, a diplomata lamenta que muitos chegam a Gana por meio de empresas dos Emirados Árabes. Acrescenta que estes produtos tem muito mais identificação com o gosto dos ganeses e de outras nações africanas do que os produtos europeus, que são mais palatáveis nos climas frios.

Pro caso de ter sua indicação confirmada em Plenário pelo Senado, Elisa de Luna anuncia que outra prioridade será a reconstrução da Casa Brasil em Accra, que fica num bairro pobre da cidade. Esta casa também é conhecida como “Casa Tabom”, e serviu como a primeira casa de ex-escravos brasileiros que retornaram à África ainda no século 19.

Acordos

A CRE também aprovou, na reunião desta quinta-feira, a adesão do Brasil ao Acordo Internacional do Cacau (PDS 46/2017) e ao Acordo Constituinte do Centro de Informação para a Comercialização de Produtos Pesqueiros na América Latina (PDS 11/2017). Também foi aprovado um acordo de cooperação técnica ente Brasil e Etiópia (PDS 87/2016). Todos estes acordos seguem para análise do Plenário do Senado.

http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/07/13/brasil-deve-aprofundar-lacos-economicos-com-a-africa-defende-diplomata

Brasileiros pouco viajam para Costa do Marfim , portugueses criam oportunidades de negócios

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A AEP – Associação Empresarial de Portugal anunciou a ida de uma missão  à Costa do Marfim com a participação de representantes dos setores do arroz, bebidas, oleaginosas, construção, cereais e metalomecânica.



A missão estará em Abidjan entre os dias 15 e 19 de julho e “tem como objetivo facilitar às empresas portuguesas contatos com entidades institucionais e empresas locais que permitam compreender as necessidades emergentes e as potencialidades nos vários setores de atividade”, segundo nota divulgada pela AEP.

Esta é a segunda missão da AEP ao país africano. Nos últimos seis anos, a Costa do Marfim regista taxas de crescimento da economia superiores a 7% ao ano.

https://africa21digital.com/2017/07/13/empresarios-portugueses-preparam-missao-costa-do-marfim/

Historiadores dos EUA dizem que Portugal deve desculpas por tráfico de escravos

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Agência Brasil

Os líderes políticos portugueses devem pedir desculpas pelo papel do país no tráfico de escravos e incentivar uma discussão sobre o tema na sociedade portuguesa, defendem especialistas americanos. “O apoio do Estado a estas iniciativas pode galvanizar a investigação e ajudar a informar melhor o público”, disse à agência Lusa o professor da Universidade de Columbia, de Nova York, Christopher Brown.

“O fato de que vários países decidiram que era importante fazê-lo sugere uma nova norma que merece reflexão. Do meu ponto de vista, um reconhecimento do passado contribui para um sentimento coletivo de reconhecimento da desumanidades do passado”, reforçou o também professor americano Walter Hawthorne, da Universidade de Michigan.

Para Christopher Brown , o impacto da ação do Estado nessa área ficou evidente com o Museu de História Afro-Americana, inaugurado em Washington no ano passado e que se tornou o primeiro espaço na capital dos EUA dedicado à história dos afro-americanos, numa iniciativa do presidente George W. Bush, autorizada pelo Congresso.

Brown acredita que quando um líder político fala sobre estes temas “leva a história a uma audiência muito mais ampla do que os acadêmicos conseguiriam e desperta a curiosidade de todos aqueles que nem tinham pensado sobre isso antes. Por isso, sim, a liderança política pode fazer uma grande diferença, sobretudo se acompanhada por um apoio do estado para melhorar o conhecimento e compreensão sobre o tema”, atestou.

Da África ao Brasil

Em abril, o presidente português Marcelo Rebelo de Sousa visitou a ilha de Gorée, no Senegal, de onde partiram milhares de escravos para o Novo Mundo, e disse que o poder político português reconheceu a injustiça da escravatura quando a aboliu em parte do seu território, “pela mão do Marquês de Pombal, em 1761”.

As declarações foram feitas no mesmo local em que, anos antes, o Papa João Paulo II pediu perdão pela escravatura. A decisão de Rebelo de Sousa trouxe para a opinião pública uma discussão que até então estava praticamente reduzido à academia.

Walter Hawthorne, autor de livros como From Africa to Brazil: Culture, Identity, and an Atlantic Slave Trade 1600-1830 [Da África ao Brasil: Cultura, Identidade e o Comércio de Escravos no Atlântico 1600-1830], acredita que “um pedido de desculpas deve focar-se numa ação, com reconhecimento das consequências, e terminar com uma ação corretiva”, como a criação de um museu ou um centro de investigação.

Desculpas elevam

“Um pedido de desculpas ajudaria os 5.8 milhões de africanos tornados escravos e embarcados em navios com a bandeira de Portugal? Ajudaria aqueles que foram mortos em guerras causadas pelo tráfico de escravos? Aqueles que sofreram há centenas de anos? Não, mas seria um passo em frente para melhorar a relação hoje em dia entre pessoas com coresdiferentes”, defendeu.

“Grandes pessoas pedem desculpas e tornam-se melhores pessoas. Grandes países cometeram atrocidades. Grandes países pedem desculpa. Quando os seus líderes tomam essa ação, elevam os seus países”, acrescentou  Hawthorne,que cresceu no sul dos EUA, um território marcado pela escravatura, e diz que conhece “bem as atrocidades que foram cometidas e a ligação que existe entre o trafico de escravos no Atlântico e racismo, desigualdades globais em termos monetários, educação, emprego, saúde e muito mais.”

“Portugal acolhe coleções de arquivos incríveis e bibliotecas que iluminam a história da escravatura. Nas suas universidades, encontram-se alguns dos melhores historiadores da área, pessoas que dedicaram a sua vida a escrever livros e artigos para envolver o público nestas importantes, mas distantes, discussões”, concluiu o historiador.

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2017/07/17/historiadores-dos-eua-dizem-que-portugal-deve-desculpas-por-trafico-de-escravos/

Marrocos pode ser um aliado importante para o Brasil

 

marrocos1São São Paulo – O Marrocos pode ser um aliado importante na ampliação das exportações de produtos brasileiros para todo o continente africano. Os potenciais da exploração do país africano como ponte para a África foram discutidos no seminário Avaliando e Redefinindo as políticas para a África num novo cenário global: cruzando perspectivas entre o Brasil e o Marrocos, organizado pelo Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), think tank com sede no Rio de Janeiro (RJ), e pelo OCP Policy Center, centro de estudos do Marrocos, nesta segunda-feira (17), no escritório da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em São Paulo.

André Barros/ANBA
Michel Alaby, diretor geral da Câmara Árabe, falou sobre relações econômicas entre Brasil e Marrocos

Michel Alaby, diretor geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, foi um dos palestrantes do painel Relações econômicas Marrocos-Brasil: situação atual e estratégias para um relacionamento mais profundo, presidido pelo presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun. O executivo apresentou números das relações econômicas entre o Brasil e o Marrocos e levantou sugestões para ampliar o fluxo comercial.

Os dados do comércio exterior entre os dois países vinham caindo nos últimos anos, mas apresentaram crescimento no primeiro semestre deste ano, quando as importações brasileiras alcançaram US$ 382 milhões, contra US$ 255 milhões nos primeiros seis meses de 2016, e as exportações do Brasil ao Marrocos avançaram de US$ 203 milhões para US$ 313 milhões. Alaby chamou atenção, porém, à grande concentração em dois produtos:

“Do Marrocos para o Brasil, mais de 70% do total é de adubo e fertilizantes. Já do Brasil para o Marrocos, a concentração está em açúcar”, afirmou o diretor geral da Câmara Árabe.

Para ampliar as relações comerciais e diversificar o fluxo de produtos, Alaby sugeriu maior intercâmbio de missões empresariais, participações em feiras nos dois países e menos burocracia, especialmente na área agropecuária, e agilidade nas negociações de um acordo comercial entre Mercosul e Marrocos.

“Precisamos alavancar as relações econômicas entre os dois países. O Marrocos não é um ‘hub’ importante apenas para os países africanos, pode contribuir também para ampliar a presença em todos os países árabes”, disse.

André Barros/ANBA
Abdou Diop, da GCME, falou sobre o setor privado marroquino

Segundo Abdou Diop, presidente da Comissão Sul-Sul da África da Confederação Geral das Empresas Marroquinas (GCME, na sigla em inglês), o Marrocos é o país certo para servir como ponte dos produtos brasileiros a outros mercados africanos. Ele mostrou exemplos de presença do setor privado local em outros países, como bancos, seguradoras e a companhia aérea Royal Air Maroc: “Os voos dela chegam a 35 cidades na África”, disse.

Atualmente, segundo Diop, existem projetos de infraestrutura liderados por empresas do Marrocos em países como Costa do Marfim, Madagascar, Sudão do Sul e Etiópia, onde o Brasil pode colaborar com intercâmbio tecnológico. “Na Etiópia a cana-de-açúcar é muito importante e o Brasil pode colaborar na área energética”, avaliou.

Como oportunidades de integração produtiva, citou a indústria automotiva e aeroespacial, além de joint-ventures entre empresas dos dois países. “As empresas marroquinas estão bem presentes na África e podem ajudar as brasileiras a competir neste mercado”, afirmou.

André Barros/ANBA
Rubens Hannun, presidente da Câmara Árabe, presidiu o painel. Ao seu lado, Sandra Rios, do Cindes

O professor de relações internacionais da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Marcus Vinicius de Freitas, apresentou pontos que precisam ser aprimorados nas relações entre os dois países, como o custo de transporte, incentivos governamentais que privilegiam alguns setores e prejudicam outros e as leis trabalhistas complicadas. Na avaliação dele, os dois estados deveriam interferir menos no setor privado.

A diretora do Cindes, Sandra Rios, tocou novamente na concentração de produtos nas pautas exportadoras e apresentou outros segmentos com oportunidades para os dois lados: além dos já citados automotivo e aeroespacial, ela falou sobre roupas, calçados, componentes elétricos e peixes como possibilidades para o Marrocos exportar, e de minério, aço, produtos químicos, farmacêuticos e maquinas industriais para a via contrária.

Ao fim do painel, o presidente da Câmara Árabe afirmou ter tomado notas de pontos importantes e colocou a entidade à inteira disposição para colaborar com as sugestões levantadas.

http://www.anba.com.br/noticia/21875669/oportunidades-de-negocios/brasil-tem-no-marrocos-uma-ponte-para-a-africa/