Francis Kéré projeta um edifício “transparente” para o Parlamento de Burkina Faso

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Em outubro de 2014, quando o Presidente de Burkina Faso, Blaise Compaoré, estava se preparando para fazer uma emenda à constituição do país que iria eliminar o tempo limite de mandado presidencial e o permitira estender seu mandato de 27 anos, dez mil cidadãos de Burkinabé na capital de Ouagadougouromperam os isolamento policial para atear fogo em vários edifícios governamentais que incluíam a prefeitura, a sede nacional do partido em mandato atual, e o edifício da Assembléia Nacional. Nos dias atuais, o presidente Compaoré recuou, inaugurando uma nova era de governo democrático resultando na primeira eleição presidencial pluralista e competitiva do país em 2015.

Mas a revolução deixou o antigo complexo governamental em ruínas e em extrema necessidade de uma direção clara para o futuro, tanto culturalmente como arquitetonicamente. Enquanto antiga colônia francesa, Burkina Faso é o lar de 19 milhões de pessoas, 50 etnias diferentes e mais de 60 línguas. O país precisava de um novo Parlamento que servisse de base comum para esses grupos diversos, enquanto proporcionaria tecnologia e educação necessária para criar oportunidades e melhor qualidade de vida para todos cidadãos.

Para encontrar esta solução, o novo chefe do Parlamento comissionou no ano passado o arquiteto e nativo burkinabês Francis Kéré para desenvolver um edifício e masterplan para o edifício da Assembléia. O novo edifício, nas palavras do arquiteto, deveria ser um edifício “que não apenas dirigisse os valores que são os valores democráticos fundamentais de transparência, abertura e igualdade, mas também se tornaria catalizador para o crescimento e desenvolvimento para a capital da cidade de Ouagadougou como um todo.”

Cortesia de Kéré ArchitectureCortesia de Kéré ArchitectureCortesia de Kéré ArchitectureImage of the capital city of Ouagadougou. Image © Francis Kéré+19

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Na edição de 2016 da Bienal de Veneza como parte da exposição “Na busca de uma nova Ouagadougou” na 15ª Exposição de Arquitetura Internacional, Francis Kéré e seu escritório Kéré Architecture, revelaram seus planos para o projeto pela primeira vez.

O projeto parte de uma forma de templo Zigurat que convida as pessoas a escalaram, entrarem e ocupar toda a superfície do edifício. Com seis pavimentos de altura, o edifício se destacaria do entorno de pouca altura e topografia plana de Ouagadougou, dado aos residentes uma nova perspectiva elevada da cidade como um todo. As decisões de projeto combinam para criar um novo senso de democracia que é liberal e simbólico.

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Em uma disposição similar a um vilarejo, o processo de tomada de decisão não é um assunto privado que ocorre entre quatro paredes; os membros da comunidade são livres para participarem das reuniões e observar os procedimentos. Neste verdadeiro espírito de transparência e abertura, a fachada externa da estrutura do parlamento é projetada para ser habitada pelo público,” explicaram os arquitetos.

O projeto também é inspirado na economia agricultora de Burkina Faso, onde quase 90% da força de trabalho é empregada em cultivos. Por esta razão, foram integrados uma série de terraços verdes ao longo da fachada ocupável para criar um laboratório comunal para técnicas pioneiras de agricultura urbana. A vegetação tem apoio de elementos de proteção solar, que também auxiliam no fornecimento da circulação de ar resfriado nos interiores do edifício.

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Dentro do edifício, o hall da Assembléia Parlamentar tem 127 poltronas e foi projetado para não replicar os modelos ocidentais de câmaras governamentais, mas respondem à necessidades, recursos e clima locais. Para alcançar isso, os arquitetos se voltaram para as configurações tradicionais dos governos de Burkina Faso.

“Em áreas rurais, os mais anciões dos vilarejos se reúnem para discutir assuntos importantes sob a sombra de uma grande árvore. Aqui foi reinterpretado como uma Árvore de Palavras, em um jardim privado diretamente adjacente ao hall da Assembléia formal onde os membros do parlamento podem se reunir mais diretamente.”

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O novo edifício do parlamento está inserido em um masterplan maior que também fará homenagem à história do terreno – no lugar da ruína do edifício antigo, será erguido um memorial na forma de uma depressão e um espelho d’água onde a água da chuva pode ser recolhida para irrigação in loco e também como um sistema de resfriamento passivo para os interiores. O espaço pretende criar uma atmosfera serene onde “visitantes podem relaxar na sombra e refletir naqueles que perderam a vida nas revoltas.”

No entorno do memorial, um bosque de árvores nativas irá proporcionar zonas sombreadas para sentar e se reunir. No entorno, novas lojas comerciais e espaços de exposições vão ativar o espaço.

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Em uma época transformadora para Burkina Faso, o projeto aborda a questão de “como avançamos?” ao criar um edifício e um masterplan que são de fato para seu povo.

“Queremos que todo o edifício seja uma plataforma para as pessoas se apropriarem.”

O projeto esteve em exibição na 15ª Exposição de Arquitetura Internacional  Reporting from the Front para a Bienal de Veneza

Arquitetura: Kéré Architecture
Localização: Ouagadougou, Burkina Faso
Equipe de Projeto: Francis Kéré, Adriana Arteaga, Jaime Herraiz, Andrea Maretto, Diego Sologuren Martin, Nina Tescari, Blake Villwoc

Angola é o país lusófono com maior mortalidade associada à poluição do ar

Angola é o país lusófono – e um dos oito países africanos – com maior mortalidade associada à poluição atmosférica, com 50 pessoas em cada 100 mil a morrerem devido à exposição a ar de má qualidade

JAWAD JALALI/EPA

 

Os dados constam do relatório “Poluição do ar ambiente: Uma avaliação Global da Exposição e do peso da doença”, hoje divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que conclui que três milhões de pessoas morrem todos os anos por causas associadas à poluição do ar exterior e que 92% da população mundial respira ar poluído.

Com recurso a um novo modelo de avaliação da qualidade do ar, a OMS confirma que mais de nove em cada dez humanos vivem em locais onde a qualidade do ar exterior excede os limites definidos.

A OMS define como limite uma concentração anual média de 10 microgramas por metro cúbico de partículas finas (PM2,5), valor que, segundo o relatório, é excedido em todos os países lusófonos exceto Portugal (nove) e Brasil (10). Nesta tabela, o país lusófono mais mal classificado é Cabo Verde, que apresenta uma concentração média de 36 microgramas de partículas finas por cada metro cúbico, quando se tem em conta as medições em ambiente rural e urbano.

A Guiné Equatorial apresenta uma concentração média anual de 33 microgramas de partículas finas por metro cúbico, a Guiné-Bissau 27, Moçambique 17, Timor-Leste 15 e São Tomé e Príncipe 13.

Quando consideradas apenas as medições em ambiente urbano, Angola é o país lusófono com piores resultados, apresentando uma concentração média anual de 42 microgramas de partículas finas por metro cúbico de ar, valor que desce para 27 quando se tem em conta as zonas rurais e urbanas.

Os números têm por base medições através de satélite, modelos de transporte aéreo e estações de medição da poluição atmosférica em mais de 3.000 localidades, tanto rurais como urbanas, e o estudo foi desenvolvido pela OMS em colaboração com a Universidade de Bath, no Reino Unido. O relatório faz também uma avaliação do impacto da exposição ao ar poluído na saúde, tendo em conta dados do ano 2012.

A nível global, os autores concluem que três milhões de mortes anuais estão associadas à poluição atmosférica, nomeadamente doenças respiratórias agudas, doença pulmonar obstrutiva crónica, cancro do pulmão, doença isquémica do coração e acidente vascular cerebral. Entre os países lusófonos, Angola é o país com mais mortes associadas à poluição atmosférica – 51 por cada 100 mil habitantes.

Quando comparado com os restantes países africanos, apenas sete têm uma taxa superior: Mali (60), Burkina Faso (58), Níger (57), Eritreia (56), e Benim, Chade e República Democrática do Congo (52).

A Guiné Equatorial apresenta uma taxa de 50 mortes associadas à poluição do ar exterior em cada 100 mil habitantes, a Guiné-Bissau 47, Cabo Verde 37, Timor Leste 31, São Tomé e Príncipe 26, Brasil 14 e Portugal sete.

Segundo o relatório, as partículas poluentes consistem numa mistura complexa de partículas sólidas e líquidas de substâncias orgânicas e inorgânicas em suspensão no ar. A maioria dos seus componentes são sulfatos, nitratos, amónia, cloreto de sódio, negro de carbono e pó mineral, entre outros. As partículas iguais ou menores do que 10 micrómetros de diâmetro são particularmente perigosas porque podem penetrar e instalar-se nos pulmões.

http://observador.pt/2016/09/27/angola-e-o-pais-lusofono-com-maior-mortalidade-associada-a-poluicao-do-ar/

Jovens muçulmanos africanos reunidos contra o extremismo

Jovens muçulmanas nigerinas – AFP

Ouagadougou (RV) – Jovens africanos de religião muçulmana, comprometidos nos seus respectivos países na luta contra o fundamentalismo, reuniram-se nos dias passados em Ouagadougou, capital de Burkina Faso, para participar do simpósio intitulado “Contribuição para prevenção do extremismo violento”.

Perigos na radicalização

O encontro teve por objetivo chamar a atenção, sobretudo das novas gerações, sobre os perigos existentes na radicalização e no extremismo violento.

Papel dos governos

Eram centenas os participantes, vindos de oito nações da região, para pedir aos governos para que desempenhem plenamente o seu papel, oferecendo oportunidades de emprego e de formação, com o fim de evitar que os jovens caiam nas garras do terrorismo.

Necessidade de ação

Para a Organização da Juventude Muçulmana na África Ocidental (OJEMAO) – que representa Togo, Benin, Mali, Guiné, Niger, Costa do Marfim, Senegal e Burkina Faso – é necessário agir rapidamente, porque os terroristas e alguns pregadores radicais tomaram a iniciativa.

O temor é que outras regiões africanas possam sofrer o fascínio dos fundamentalistas, com a criação de organizações que fazem uso do pretexto da fé para “justificar” seus crimes.

Solidariedade islâmica

A OJEMAO é particularmente ativa no Niger onde, entre outros, os participantes promovem iniciativas de solidariedade islâmica.

http://br.radiovaticana.va/news/2016/08/22/jovens_mu%C3%A7ulmanos_africanos_reunidos_contra_o_extremismo/1252969

Burkina Faso a violação dos direitos humanos

É um dos maiores flagelos a nível mundial em matéria de violação de direitos humanos. Todos os anos, 15 milhões de meninas são obrigadas a tornar-se esposas, muito antes de se tornarem mulheres. As consequências podem ser desastrosas para o seu futuro
Maria tinha apenas 13 anos quando a vida e as tradições do seu país, o Burkina Faso, lhe pregaram uma partida. O pai obrigou-a a casar com um homem de 70 anos, que já tinha cinco mulheres, e não lhe deixou margem de manobra para recusar. «Ameaçou-me, e disse que se eu não me juntasse ao meu marido, me matava», contou a menina aos investigadores da Amnistia Internacional (AI). Encurralada, encheu-se de coragem e fugiu de casa. Caminhou a pé, durante vários dias, para cumprir os quase 170 quilómetros que a separavam de um abrigo para sobreviventes de casamentos forçados, em Kaya, no nordeste do país.

Maria livrou-se de um destino que tinha tudo para ser madrasto, mas nem todas as adolescentes apanhadas nas malhas dos casamentos precoces têm a mesma sorte. Por dia, cerca de 41 mil menores de 18 anos são forçadas a casar em todo o mundo, e até ao final deste ano, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que mais de 15 milhões de meninas sejam obrigadas a contrair matrimónio, antes de atingirem a maioridade. Se a atual tendência se mantiver, a agência da ONU prevê que, até 2030, o número de meninas e mulheres que se casaram ainda crianças chegue a um bilião.

São cifras demasiado altas e preocupantes, tendo em conta que o casamento infantil é uma violação dos direitos das mulheres. «Meninas que se casam ainda crianças estão mais propensas a abandonarem a escola, a serem vítimas de violência doméstica, a contraírem Sida e a morrerem vítimas de complicações durante a gravidez ou o parto, pois o seu corpo normalmente não está pronto para dar à luz. Além disso, este tipo de união é danosa para a economia e fomenta ciclos inter-geracionais de pobreza», alertam os responsáveis da UNICEF.

O caso do Burkina Faso, retratado no mais recente relatório da AI sobre casamentos forçados, é paradigmático. Em algumas regiões, mais de metade das raparigas casam antes de fazerem 18 anos. «São demasiadas raparigas que não têm controlo sobre as suas próprias vidas, a quem é negado o direito de escolha, de quando e com quem casar. Isto tem de acabar. Nem familiares nem a comunidade em geral devem poder tomar decisões sobre o corpo de uma rapariga, nem negar-lhe a oportunidade de cumprir os sonhos e esperanças que tem para o seu futuro», destaca o diretor regional da organização para a África Ocidental e Central, Alioune Tine.

Ao abrigo da lei do Burkina Faso, as raparigas devem ter pelo menos 17 anos para poder contrair matrimónio. Porém, mais de metade – cerca de 51,3 por cento – das jovens entre os 15 e os 17 anos, que vivem da região de Sahel, no norte do país, já estão casadas. Com estas uniões, as famílias das raparigas, por norma, procuram consolidar alianças familiares, adquirir estatuto social, ou receber em troca alguns bens, dinheiro, ou prestação de serviços. Segundo a AI, em algumas regiões é comum ainda a prática da «mulher bónus», em que a noiva leva com ela uma sobrinha para integrar a família do marido, na qualidade de «rapariga adicional» para ser casada.

Isso mesmo testemunhou Céline, de 15 anos, outra das adolescentes que conseguiu fugir a um futuro que não tinha escolhido, no dia da boda em que deveria casar com um familiar do marido da tia. «Eu não queria casar com aquele homem. A minha tia disse-me que se eu fugisse me destruiria. Fugi, mas quando cheguei à aldeia a minha própria família recusou receber-me», conta a adolescente.

Na Índia, o cenário é ainda mais chocante. É ali que se realiza um terço dos casamentos de menores, a nível mundial. Recentemente foi posto a circular na internet um vídeo, feito às escondidas, que documenta a prática dos matrimónios precoces em Chittorgarh, na província de Rajasthan, no norte do país. As imagens rapidamente se tornaram virais. Mostram os rituais de um festival hindu, onde meninas de 10 anos, ou menos, são repreendidas pelos ministros da celebração, por estarem a chorar. É visível ainda uma pequena ‘esposa’, de apenas cinco anos, vestida de noiva, a dar as sete voltas da praxe a uma fogueira, ao lado do seu futuro marido, de 11 anos.

Mudança geográfica
Babatunde Osotimehin, diretor-executivo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês), é perentório, quando chamado a pronunciar-se sobre o tema: «Escolher quando e com quem casar é uma das decisões mais importantes da vida. O casamento infantil nega essa escolha a milhões de meninas, todos os anos». E os progressos alcançados até agora no combate ao matrimónio forçado também não se revelam muito animadores. Se os índices atuais perdurarem, o número total de meninas noivas em África pode aumentar de 125 milhões para 310 milhões, até 2050. Ou seja, o continente africano arrisca-se a ultrapassar o sul da Ásia como a região com o número mais elevado de mulheres entre os 20 e os 24 anos de idade que terão casado na infância. E manter-se-á a probabilidade de uma rapariga proveniente do quinto mais pobre da sociedade vir a casar na infância ser tão forte hoje como o era há 25 anos.

Ainda assim, há organizações que não desistem de combater o casamento infantil, quer a nível global, quer local. No último Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de março, os especialistas do UNFPA e da UNICEF anunciaram a criação de um novo programa de ação, a desenvolver em 12 países da África, Ásia e Médio Oriente. A campanha conta com o apoio do Canadá, Itália, Holanda, Reino Unido e União Europeia, e foi apresentada como fazendo parte de um amplo esforço para evitar que meninas se casem muito novas e apoiar as que já se casaram.

No essencial, as duas agências da Nações Unidas esperam explorar estratégias já testadas e comprovadas, como o aumento do acesso das adolescentes à educação e a serviços de saúde, a consciencialização dos pais e das comunidades para os perigos do casamento precoce, o aumento do apoio económico às famílias e o fortalecimento e cumprimento de leis que estabeleçam 18 anos como idade mínima para o casamento.

«Vamos trabalhar com os governos dos países com alta prevalência de casamento infantil para defender os direitos das adolescentes, de modo que elas possam alcançar o seu potencial e os países possam atingir as suas metas de desenvolvimento social e económico», promete o diretor-executivo do Fundo de População das Nações Unidas.

Mamadou Traoré da Ordem dos Advogados do Burkina Faso foi libertado

Mamadou Traoré

 

O antigo bastonário da Ordem dos Advogados do Burkina Faso, Mamadou Traoré, encarcerado em finais de abril último no quadro do inquérito sobre o golpe de Estado frustrado de Setembro de 2015, beneficia desde segunda-feira duma liberdade provisória, soube-se terça-feira de fontes judiciais.

Segundo várias fontes próximas do dossier, Traoré foi inculpado por “atentado contra a segurança do Estado, cumplicidade de atentado contra a segurança do Estado, ofensas corporais voluntárias, cumplicidade de ofensas corporais voluntárias e homicídio”.

O seu encarceramento suscitou vivos protestos dos sindicatos dos advogados africanos, que denunciaram largamente um vício de procedimento.

A 16 de Setembro último, soldados do ex-Regimento da Segurança Presidencial (RSP) destituíram momentaneamente o regime de transição, antes de serem desmantelados por manifestantes e colunas do Exército Regular provenientes do interior do país.

A resistência a este golpe de Estado, que adiou as eleições de 11 de Outubro para 29 de Novembro de 2015, fez 15 mortos e mais de 200 feridos. Após o golpe de força, várias pessoas suspeitas de apoiar os golpistas foram detidos. O mandado de captura internacional emitido contra o presidente da Assembleia Nacional costa marfinense, Guillaume Soro, no quadro dos inquéritos sobre o mesmo golpe de Estado frustrado e antes de ser anulado por “vício de forma”, foi substituído por um “procedimento de denúncia”.

Na segunda-feira, o comissário do Governo, Alioune Zanré, tranquilizou durante uma conferência de imprensa que o caso será julgado até ao fim deste ano.

http://www.verdade.co.mz/africa/58224-antigo-bastonario-da-ordem-dos-advogados-do-burkina-faso-obtem-liberdade-provisoria

Partido no poder vence eleições autárquicas no Burkina Faso

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O partido no poder no Burkina Faso, o Movimento do Povo para o Progresso (MPP), do Presidente Roch Marc Christian Kaboré, ganhou a maioria dos assentos das eleições autárquicas de domingo passado no Burkina Faso, segundo os resultados provisórios proclamados quarta-feira à noite pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI).

Segundo estes resultados, dos 363 distritos onde esteve presente, o MPP obteve 11 mil e 167 assentos (58,91 porcento), enquanto o seu principal rival, a União para o Progresso e Mudança (UPC), de Zéphirin Diabré, venceu três mil e 51 assentos em 289 distritos.

Por seu turno, o Congresso para a Democracia e Progresso (CDP), do ex-Presidente Blaise Compaoré, ganhou dois mil e 134 assentos nestas autárquicas. Cerca de 156 mil e 693 candidatos disputaram-se domingo passado 18 mil e 955 assentos dos 19 mil e 212 a prover.

Mais de cinco milhões e 500 mil eleitores foram convocados às urnas com uma taxa de participação de 47,65 porcento.

 

http://www.verdade.co.mz/africa/58087-partido-no-poder-vence-eleicoes-autarquicas-no-burkina-faso

Eleições em Burkina Faso

 
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Mais de cinco milhões e meio de Burkinabes deverão neste domingo ir às urnas para elegerem conselheiros municipais depois destas instituições dissolvidas pelas autoridades da transição, após a destituição, a 31 de Outubro de 2014, do então Presidente burkinabe, Blaise Compaoré.
 
Oitenta e cinco partidos e formações políticas em competição encerraram, sábado último à meia-noite a campanha eleitoral.
 
No total, 156 mil e 693 candidatos, dos quais 98 mil e 926 homens (ou seja 63,13 porcento) e 57 mil e 767 mulheres (36,86 porcento), vão disputar 19 mil e 624 assentos em nove mil e 299 circunscrições eleitorais para 351 comunas para os próximos cinco anos.
 
Cinco milhões e 539 mil e 384 eleitores inscritos na lista eleitoral foram divididos em 17 mil e 938 assembleias de voto.
 
Estas eleições devem permitir ao Burkina Faso concluir o longo processo eleitoral iniciado desde a abertura da transição política pós-revolta.
 

Burkina Faso, Etiópia, Gâmbia, Quênia, Marrocos, Tunísia, Moçambique participam de Seminário no Brasil

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De 10 a 13 de maio, será realizada em Brasília a 11ª edição do Seminário Internacional de Políticas Sociais para o Desenvolvimento, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

O seminário é uma oportunidade para governos de 66 países em desenvolvimento conhecerem melhor as políticas sociais que ajudaram o Brasil a tirar 36 milhões de pessoas da pobreza e sair do Mapa da Fome da ONU.

O Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) está apoiando a participação de 11 países: Burkina Faso, Etiópia, Gâmbia, Quênia, Marrocos, Tunísia, Moçambique, Cuba, Peru, Panamá e Colômbia, com representantes governamentais e funcionários do PMA envolvidos em iniciativas de proteção social.

O seminário vai se concentrar em questões como a forma de estruturar e implementar programas de transferência condicional de renda, a importância de um sistema de registro unificado para programas sociais, como priorizar segurança alimentar e nutricional, gestão de sistemas de assistência social unificados e avaliação e gerenciamento de informações para programas sociais.

Entre os temas que serão debatidos estão uma visão geral do programa Bolsa Família, a governança e a abordagem multissetorial como instrumentos para assegurar o direito humano à alimentação adequada e o acesso à água.

Os participantes também realizarão visitas de campo para conhecer melhores práticas em segurança alimentar e nutricional, incluindo o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), e em assistência social.

Organizado pelo MDS, o seminário tem apoio do centro de excelência do PMA, da iniciativa ‘World Without Poverty’ (Mundo Sem Pobreza), da FAO e da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL). A expectativa é reunir 250 participantes de 66 países.

Dia de Alimentação Escolar e Nutrição

Como parte das atividades do seminário, as delegações participarão na segunda-feira (9) da oficina Dia de Alimentação Escolar e Nutrição, com o objetivo de discutir detalhes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

A agenda da oficina inclui uma apresentação do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, responsável pela gestão do programa de alimentação escolar no Brasil.

A apresentação fornecerá um panorama do programa, sua estrutura, marco legal, político e financeiro, que possibilitam servir refeições balanceadas para mais de 40 milhões de estudantes diariamente.

Alguns aspectos específicos do programa serão discutidos em detalhes, como a legislação, seus sistemas de implementação e monitoramento, os aspectos nutricionais e as estratégias adotadas para garantir que cubra as necessidades nutricionais básicas de crianças e adolescentes, além do vínculo entre projeto e agricultores familiares.

As delegações também poderão aprender mais sobre as políticas de segurança alimentar e nutricional do Distrito Federal. Duas das principais estratégias que serão discutidas são o banco de alimentos e os restaurantes comunitários.

Na quarta-feira (11), as delegações também visitarão uma escola pública para ver em primeira mão o programa de alimentação escolar.

O Dia de Alimentação Escolar e Nutrição é parte da estratégia do centro de excelência contra a fome do PMA para promover a troca de conhecimentos entre países em desenvolvimento sobre programas e políticas de segurança alimentar e nutricional, como forma de contribuir para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2, que trata da eliminação da fome.

 

Seminário em Brasília discute políticas sociais e de desenvolvimento

Ativistas africanos tornam-se Embaixadores de Consciência

Ativistas africanos tornam-se Embaixadores de Consciência
Texto Juliana Batista

Angélique Kidjo tem sido uma defensora da liberdade de expressão e da educação das raparigas em África
Artista e jovens ativistas africanos tornaram-se nos novos Embaixadores de Consciência da Amnistia Internacional, devido aos seus esforços na defesa dos direitos humanos

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A cantora Angélique Kidjo e três movimentos juvenis de ativistas africanos venceram o prêmio Embaixador de Consciência da Amnistia Internacional (AI), anunciou a organização de defesa dos direitos humanos, esta quarta-feira, 4 de maio. A cerimônia de entrega dos prêmios decorre a 28 de maio, em Dakar, no Senegal.

«O prêmio de Embaixador de Consciência é uma celebração daquelas figuras públicas ou grupos que demonstraram uma coragem excecional na defesa da justiça. Angélique Kidjo e os membros da Y`en a marre, do Le Balai Citoyen e da LUCHA todos deram provas notáveis de serem corajosos defensores dos direitos humanos e usaram os seus talentos para inspirar outros», refere Salil Shetty, secretário-geral da AI, em comunicado.

Angélique Kidjo, vencedora de vários prêmios Grammy, fugiu do país natal na década de 1980 após ser pressionada a fazer concertos para o «repressivo regime no poder no Benim», lê-se numa nota da AI. Ao longo dos 30 anos de carreira, a artista tem sido uma «eminente defensora da liberdade de expressão e da educação das raparigas em África, assim como uma voz muito ativa no combate à mutilação genital feminina».

Y`en a marre (Fartos, em tradução livre) é um grupo de rappers e jornalistas do Senegal que estimula os jovens no país a registarem-se como eleitores e a exercerem o direito de liberdade de expressão. O grupo tem organizado reuniões e insistido com o atual governo para que este cumpra as promessas de reformas feitas.

Le Balai Citoyen (Vassoura dos Cidadãos) é um movimento com raízes políticas no Burkina Faso «extremamente ativo nos protestos pacíficos» e fundado por dois músicos. O grupo tem dado voz a problemas relacionados com a confiscação de terras, os cortes de fornecimentos de energia, e tem mobilizado a população a «reivindicar o livre exercício dos seus direitos e a lutar contra a impunidade».

A LUCHA é um outro movimento juvenil de origem comunitária «investido no protesto pacífico», tendo sido criado em Goma, na República Democrática do Congo. O grupo é «especialmente ativo em questões sociais, direitos humanos e a proteger as populações civis dos grupos armados». O movimento defende os valores de justiça social e de governação democrática através de ações não-violentas e apartidárias.

http://www.fatimamissionaria.pt/artigo.php?cod=34484&sec=8

Aside

Projeto do PNUD visa a ampliar produção de algodão em lavouras africanas

 

Chamado Cotton 4 + Togo, programa reúne esforços do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento em países como Benin, Burquina Faso, Chade e Mali. O objetivo é trocar informações sobre técnicas agrícolas para pequenos produtores de algodão.

Objetivo do Cotton 4 + Togo é trocar informações sobre técnicas agrícolas para pequenos produtores de algodão. Foto: Secom MT/ Mayke Toscano

Uma parceria internacional tem feito diferença nas lavouras africanas. Trata-se do projeto Cotton 4 + Togo, que reúne esforços da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e do PNUD em países africanos como Benin, Burquina Faso, Chade, Mali e Togo.

Os resultados dessa parceria estão sendo apresentados até sexta-feira (29) na I Reunião do Comitê Gestor do Cotton 4 + Togo, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

O projeto atua no campo das técnicas de melhoramento genético, cultivo do solo e manejo de pragas e, segundo os participantes, a parceria entre Brasil e África já rendeu novas variedades de algodão que serão lançadas brevemente no mercado, graças ao cruzamento entre variedades brasileiras e africanas.

Uma das técnicas brasileiras adotadas nos países africanos, o plantio direto, aumentou significativamente o volume da produção no continente, que passou de uma média de uma tonelada por safra para 4,5 toneladas.

Além de apoiar o desenho da primeira fase do projeto Cotton-4, o PNUD fornece suporte logístico para a aquisição de equipamentos no Brasil e no exterior. Quando necessário, escritórios do PNUD dos países envolvidos no programa são convidados a colaborar.

Na segunda fase do Cotton 4+Togo, já em andamento, o objetivo é disseminar informação para pequenos produtores que estão na ponta da cadeia algodoeira, capacitar mão de obra e revitalizar laboratórios nos países parceiros, construir um banco de armazenamento coletivo de material genético, monitorar, avaliar e garantir a continuidade das lições aprendidas.

“Os resultados da primeira fase do projeto Cotton 4 são um excelente exemplo do potencial e da importância da Cooperação Sul-Sul como mecanismo catalizador do desenvolvimento dos países, gerando novas oportunidades e promovendo o atingimento dos objetivos de desenvolvimento sustentável”, disse o representante residente do PNUD, Niky Fabiancic, presente no evento.

A sessão de abertura, ocorrida na segunda-feira (25), foi presidida pelo secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores, Sérgio Danese, e teve a participação de embaixadores de países africanos parceiros do Brasil.

Também estavam presentes o diretor da Agência Brasileira de Cooperação, João Almino, a pesquisadora e diretora de administração e finanças da Embrapa, Vania Castiglioni e o presidente-executivo do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), Haroldo Cunha.

Um dos principais produtores agrícolas do mundo, o Brasil lidera o mercado internacional de algodão e tem exportado expertise e adquirido novas experiências com países africanos.

“O Brasil tornou-se referência mundial no campo da cooperação para o desenvolvimento em diversos domínios, com especial destaque para a agricultura sustentável”, disse o secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores.


Projeto do PNUD e parceiros visa a ampliar produção de algodão em lavouras africanas