Estudantes de Benin, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Chade, Costa do Marfim, Senegal e Togo visitam o Brasil

Grupo de produtores e estudantes de oito países percorre o Norte de Minas para ver produção em clima similar ao deles

Regis Lancaster/Divulgação

Uma missão formada por 37 estudantes e profissionais da área agrícola de países da África visitou na última semana, os municípios de Catuti e Mato Verde, no Norte de Minas, com o objetivo de conhecer o cultivo de algodão no semiárido. O plantio é feito dentro do Programa de Retomada do Algodão do Norte de Minas, que envolve 97 agricultores de seis municípios.

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A comitiva estrangeira, que chegou na segunda-feira e permaneceu na região até ontem, foi formada por representes de oito países africanos de língua francesa – Benin, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Chade, Costa do Marfim, Senegal e Togo. Eles estão no Brasil há quatro meses, aperfeiçoamento conhecimentos sobre a cotonicultura em curso promovido pela Universidade Federal de Lavras (Ufla).
O projeto de “Capacitação e Transferência de Tecnologia na Cultura do Algodão” da Ufla é desenvolvido desde 2014, em parceria com o Ministério de Relações Exteriores. Envolve também o projeto “Cotton Victória”, que visa promoção da cadeia produtiva e a melhoria das técnicas da cultura algodoeira em países da África subsaariana. Dentro da parceria, em 2015, um grupo de professores da Universidade Federal de Lavras participou de uma viagem técnica que teve como propósito avaliar o cultivo do algodão em três países africanos: Quênica, Tanzânia e Burundi.
Os integrantes da delegação africana realizaram no Norte de Minas as atividades práticas do curso ministrado pela Ufla. Um dos aspectos considerados é o fato de o algodão ser produzido na região em características climáticas e de solo próxima aos países africanos.
Além de assistir palestras, eles visitaram as propriedades dos pequenos produtores do Projeto de Retomada de Algodão, que conseguem bons índices de produtividade em regime de poucas chuvas. Para isso, adotam técnicas para o uso eficiente dos recursos hídricos, se adaptando ao clima semiárido.
Uma das estratégias adotadas é a irrigação complementar – os plantios foram feitos no período chuvoso e, mesmo assim, contaram com equipamentos de irrigação, recebendo a chamada ‘molhagem mecânica’ somente quando a chuva demora – no veranico. É usada água captada em poço-tubular, mas em menor quantidade, considerando o limite do lençol freático da região. Os agricultores do Norte de Minas plantaram 480 hectares (ha)  de algodão na safra 2016/2017, dos quais 400 ha de sequeiro e 80 hectares semi-irrigados.

 

Técnicas

A missão africana visitou no município de Catuti a propriedade do pequeno agricultor José Alves de Souza, o “Zé Brasil”, que recorre ao sistema de captação de água de chuva em tanque escavado e irriga a roça de algodão por gotejamento. Também conheceram sistema semelhante na área do pequeno produtor José Rodrigues de Souza, no mesmo município. Os visitantes tiveram aula prática sobre preparo de solo com subsolagem e gradagem intermediária.
Criado há nove anos, o programa de Retomada do Algodão do Norte de Minas é considerado modelo para garantir a atividade familiar e a convivência com a seca. Envolve pequenos agricultores dos municípios de Catuti, Mato Verde, Pai Pedro, Monte Azul, Porteirinha e Matias Cardoso. A iniciativa foi implantada pela Cooperativa dos Produtores Rurais de Catuti (Coopercat). Conta com o apoio da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) e da Prefeitura de Catuti.

Antes da missão dos países africanos de língua francesa, o Projeto de Retomada do Algodao recebeu visitas de outras delegações estrangeiras, incluindo grupos de Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Peru. Despertou também a atenção de instituições que estimulam práticas solidárias, como o Projeto “Tecendo Valor, desenvolvido pela Fundação Solidariedade Latino-americana, com recursos do Instituto C&A.

 

http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2017/07/17/internas_economia,884338/africanos-estao-de-olho-no-algodao-mineiro.shtml

A situação na República Democrática do Congo preocupa os angolanos

Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) prevê instalar um órgão permanente para o acompanhamento do processo político na República Democrática do Congo (RDC), informou em Luanda o ministro das Relações Exteriores de Angola .

mapa-congo

Georges Chikoti, ministro de Angola,  que falou na terça-feira à Angop no seu regresso do Cairo, afirmou que, com o fim do mandato da Missão das Nações Unidas para a Estabilização na República Democrática do Congo (MONUSCO), há necessidade de redefinir a ajuda da SADC à RDC.
O chefe da diplomacia angolana informou que a anteceder a conferência dedicada à Região dos Grandes Lagos, realizada no Cairo, capital do Egipto, participou em Dar-es-Salam, capital da Tanzânia, na reunião do Comité Inter-Estatal de Política e Diplomacia da SADC, que decorreu entre os dias 24 e 25 de Fevereiro.
De acordo com o ministro angolano, a reunião da SADC tratou de questões ligadas à segurança na região, particularmente na República Democrática do Congo e no Lesoto, países onde a comunidade da África Austral quer encorajar os diferentes partidos políticos a trabalharem na consolidação da paz, por forma a prevenir futuras crises.
Relativamente à Conferência sobre Paz e Segurança na Região dos Grandes Lagos, organizada pelo Governo egípcio, adiantou que o objectivo era olhar para os desafios e as perspectivas de oportunidade da consolidação da paz naquela região, uma vez que o Egipto substituiu Angola como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. “O Egipto quer empenhar-se mais nas questões do continente. Então, convidou-nos, na qualidade de presidente [da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos para, em conjunto com as Nações Unidas e outros parceiros, fazermos um debate sobre as questões da RDC, Burundi, Sudão do Sul e da República Centro Africana”, esclareceu.
Os participantes no encontro, disse, chegaram à conclusão que a dimensão do conflito na RCA não evoluiu. Logo, é necessário intensificar os esforços de coordenação entre países para obter uma resposta melhor. “De forma geral, pode-se dizer que o encontro foi muito bom e que se podem esperar outros esforços, particularmente do Egipto”, concluiu Georges Chikoti.
No Cairo, além de participar na conferência, o ministro das Relações Exteriores reuniu com o seu homólogo egípcio, Sameh Shoukry, com quem passou em revista as relações bilaterais e a possibilidade da realização de encontros entre Luanda e Cairo, para estreitar a cooperação, fundamentalmente nas áreas econômicas.
Além de presidir à Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos, Angola é vice-presidente do Órgão de Defesa e Segurança da SADC.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/situacao_na_rdc_mobiliza__a_sadc

Comitê Contra Discriminação Racial da ONU insta Burundi a proteger os seus civis

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O Comité para a Eliminação da Discriminação Racial (CEDR) da ONU instou hoje o Burundi a atuar de forma a proteger a sua população civil e a permitir a entrada de um contingente da organização para verificar a situação.

Os representantes do CERD sustentam num comunicado que “o facto de milícias armadas intimidarem a população abertamente mostra a incapacidade ou falta de vontade do governo de proteger os civis”.

O comité expressa “grande preocupação” com o número de assassínios, execuções sumárias, desaparecidos e torturados, com o facto de “muitos dos casos terem uma motivação étnica” e com “a utilização do discurso do ódio” por parte de representantes do executivo, bem como com o crescente número de cidadãos do Burundi exilados.

O Burundi está imerso numa grave crise desde abril de 2015, quando o seu presidente Pierre Nkurunziza se candidatou a um terceiro mandato, contrariando, do ponto de vista da oposição, a Constituição.

Desde então morreram centenas de pessoas e cerca de meio milhão abandonaram as suas casas, segundo a ONU, que alertou para um possível genocídio e acusou o governo de crimes contra a humanidade.

O Tribunal Penal Internacional abriu uma investigação para determinar a possível responsabilidade do governo de Nkurunziza, que reagiu proibindo a entrada dos investigadores da ONU e pedindo a sua saída do TPI.

Até agora, as autoridades do Burundi recusaram a entrada de um contingente de 228 polícias aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU para estabilizar o país e suspenderam as relações com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

O comité expressa “grande preocupação” com o número de assassínios, execuções sumárias, desaparecidos e torturados, com o facto de “muitos dos casos terem uma motivação étnica” e com “a utilização do discurso do ódio” por parte de representantes do executivo, bem como com o crescente número de cidadãos do Burundi exilados.

O Burundi está imerso numa grave crise desde abril de 2015, quando o seu presidente Pierre Nkurunziza se candidatou a um terceiro mandato, contrariando, do ponto de vista da oposição, a Constituição.

Desde então morreram centenas de pessoas e cerca de meio milhão abandonaram as suas casas, segundo a ONU, que alertou para um possível genocídio e acusou o governo de crimes contra a humanidade.

O Tribunal Penal Internacional abriu uma investigação para determinar a possível responsabilidade do governo de Nkurunziza, que reagiu proibindo a entrada dos investigadores da ONU e pedindo a sua saída do TPI.

Até agora, as autoridades do Burundi recusaram a entrada de um contingente de 228 polícias aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU para estabilizar o país e suspenderam as relações com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/696986/comite-contra-discriminacao-da-onu-insta-burundi-a-proteger-os-seus-civis

Burundi notifica ONU sobre saída do Tribunal Penal Internacional

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WASHINGTON – Um porta-voz da Organização das Nações Unidas informou nesta quinta-feira que recebeu uma carta do governo de Burundi que notifica formalmente a decisão do país em sair do Tribunal Penal Internacional. Segundo Stephane Dujarric, o documento agora será analisado pelo departamento legal da entidade e processado caso esteja de acordo com as normas.

— Obviamente lamentamos a decisão da África do Sul (anunciada na semana passada) e agora de Burundi e o relato da medida adotada por Gâmbia. Nós não recebemos nenhuma comunicação oficial de Gâmbia ainda — disse o porta-voz.

Na semana passada, o presidente de Burundi, Pierre Nkurunziza sancionou a legislação que estabelece a saída do TPI, que teria anunciado uma investigação em torno da violência política seguida da decisão do chefe de Estado de tentar um terceiro mandato no poder. O Parlamento do país aprovou a lei na terça-feira da última semana. A saída do tribunal ocorre um ano após a notificação formal à ONU.

Também na semana passada, a África do Sul adotou a mesma medida, alegando que leis internas sobre a resolução de conflitos por vezes são incompatíveis com a interpretação do tribunal. A decisão foi anunciada após uma divergência no ano passado: a África do Sul permitiu que o presidente sudanês Omar al Bashir viajasse ao país para participar de uma reunião de cúpula da União Africana, apesar da ordem de prisão do TPI contra o mandatário.

http://oglobo.globo.com/mundo/burundi-notifica-onu-sobre-saida-do-tribunal-penal-internacional-20369884

ONU quer ponderação após expulsão de equipe de direitos humanos no Burundi

 

Alto comissário de direitos humanos apela ao país a esperar por um possível reajuste do mandato e das atividades da equipe no território; autoridades burundesas declararam persona non grata a três peritos independentes das Nações Unidas.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A ONU fez um apelo ao Burundi para reconsiderar a decisão de suspender toda a cooperação com o Escritório de Direitos Humanos “até que volte a ser negociado” o mandato e as atividades da representação de entidade no país.

Esta sexta-feira, o alto comissário para os Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, expressou “grande preocupação” com a medida, que foi anunciada há dois dias pelas autoridades de Bujumbura.

“Persona non grata”

Zeid lamentou a decisão das autoridades de declarar persona non grata a três peritos independentes que conduziam uma investigação para as Nações Unidas no país.

O chefe de Direitos Humanos disse que nos últimos 20 anos, o seu escritório no Burundi realizou uma monitoria independente e prestou ajuda valiosa para “reforçar as instituições para a promoção e proteção” do setor no país africano.

A nota pede às autoridades que continuem a empenhar-se de forma construtiva com todos os mecanismos de direitos humanos da ONU.

Suspensão

O presidente do Conselho de Direitos Humanos, Choi Kyonglim, manteve um encontro urgente em Genebra a seu pedido, esta sexta-feira, com o embaixador do Burundi para discutir a situação no país e os passos a seguir.

Este ano o Burundi assumiu o seu assento como membro do Conselho de Direitos Humanos até 2018.

Em resposta a uma questão de um jornalista, o porta-voz do Conselho disse que após a decisão do Burundi, somente a Assembleia Geral, como órgão decisório da ONU, pode tomar medidas para suspender os membros do Conselho de Direitos Humanos.

http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2016/10/14/onu-quer-ponderacao-apos-expulsao-de-equipa-de-direitos-humanos-no-burundi.htm

Burundi: Bélgica deplora decisão do governo de declarar peritos da ONU “persona non grata”

Bujumbura – A Bélgica deplora a decisão do Governo do Burundi de pôr em causa a sua colaboração com o Escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, declarando “persona não grata” três peritos da ONU independentes incumbidos de fiscalizar o respeito pelos direitos humanos no país, soube-se de fonte oficial.

PRESIDENTE DO BURUNDI, PIERRE NKURUNZINZA,CUJO GOVERNO DECLAROU COLABORADORES DA ONU COMO “PERSONA NON GRATA”

FOTO: FRANCISCO MIUDO

Num comunicado transmitido à imprensa, o ministro belga dos Negócios Estrangeiros, Didier Reynders, deplora igualmente que o Burundi tenha decidido retirar-se do Tribunal Penal Internacional (TPI).

O chefe da diplomacia belga aludia a um projecto de lei adoptado quarta-feira última, com  uma maioria esmagadora, e segundo o qual o Parlamento do Burundi condena “a instrumentalização” do TPI pelas potências ocidentais com o fito de desestabilizar os Governos em África.

Considerando que, procedendo assim, o Governo do Burundi “mancha a credibilidade do seu engajamento” a favor do respeito pelos direitos humanos e da luta contra a impunidade, a Bélgica apela a este país para « ponderar estas decisões, cooperar plenamente com a ONU em matéria de direitos humanos e inscrever a sua ação no quadro da Resolução 2016 do Conselho de Segurança e do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas de 27 de Setembro de 2016.

Tendo em conta a evolução da situação política no Burundi, depois da eleição, para um terceiro mandato, do Presidente da república, Pierre Nkurunziza, a Bélgica reduziu seus programas de cooperação com este país.

fonte:http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2016/9/41/Burundi-Belgica-deplora-decisao-governo-declarar-peritos-ONU-persona-non-grata,49f0ccac-cd60-453e-ad08-1dcfe1ae9cfc.html

Burundi vai abandonar Tribunal Penal Internacional

Será o primeiro país a recusar a jurisdição do tribunal constituído em 1998 para julgar crimes de guerra e contra a humanidade.

Votação no Parlamento do Burundi para a saída do Tribunal Penal Internacional ONESPHORE NIBIGIRA/AFP

O Parlamento do Burundi aprovou uma proposta para retirar o país da alçada do Tribunal Penal Internacional, em reação à abertura de uma investigação preliminar por suspeitas de violações dos direitos humanos e crimes como desaparecimentos forçados, detenções arbitrárias e tortura e morte de activistas e opositores políticos do Governo, cujas conclusões não foram ainda apresentadas.

A proposta foi apresentada por um legislador pró-governamental, Gabriel Ntisezerana, que descreveu o tribunal internacional, criado em 1998 na cidade de Haia para julgar crimes de guerra e contra a humanidade, como “um instrumento político utilizado pelas potências ocidentais para afastar do poder os líderes africanos de quem não gostam”.

É uma crítica recorrente no continente, uma vez que todos os seis processos pendentes no tribunal dizem respeito a África. Mas até agora, apesar de várias ameaças, nenhum outro país se desvinculou do tribunal, depois de ter aceitado a sua jurisdição.

A decisão foi aprovada por uma esmagadora maioria de 94 votos, com 14 abstenções e apenas dois votos contrários: segue agora para aprovação pelo Senado e assinatura do Presidente, Pierre Nkurunziza, cuja reeleição para um terceiro mandato consecutivo, classificada como inconstitucional pela oposição, levou a uma escalada na violência política do país, em Abril de 2015.

Nkurunziza já fez saber que assinará a lei para dar ao início à “separação” do Tribunal Penal Internacional, um processo inédito que se prevê demore um ano – e que mesmo que venha a concretizar-se, não põe termo às investigações que se encontram em curso. Em Abril, a procuradora Fatou Bensouda confirmou que estava a “examinar” a situação no Burundi, num inquérito preliminar que poderá evoluir para a dedução de acusações.

Também as Nações Unidas avançaram com uma investigação para averiguar queixas de violações dos direitos humanos e crimes contra a humanidade. Um relatório divulgado no final de Setembro nomeou uma série de dirigentes do regime que alegadamente estão por detrás de uma campanha que envolverá a detenção, tortura e morte de adversários políticos. “É perfeitamente claro que existe uma conspiração [internacional] para prejudicar o Burundi”, reagiu o vice-presidente, Gaston Sindimwo.

O Governo retaliou de imediato, dando ordem de expulsão do país a três investigadores da ONU, e atirando para o lixo a comissão de inquérito à violência política que a organização pretendia instalar em Bujumbura. Em Agosto, o regime já tinha recusado uma proposta da ONU para o destacamento de uma força de 200 capacetes azuis para responder à onda de violência no país.

Agricultura orgânica tem potencial na África, mas falta financiamento

 
03-25-2013irrigation
 
 
De acordo com a Federação Internacional de Movimentos da Agricultura Orgânica, na África Oriental as exportações orgânicas crescerem de 4,6 milhões de dólares em 2002/03 para 35 milhões de dólares em 2009/10, e houve um aumento no rendimento das colheitas em Burundi, Quênia, Ruanda, Uganda e na Tanzânia.
 
No entanto, segundo destacou o relatório divulgado pela UNCTAD, em 16 países africanos 23% dos agricultores orgânicos, exportadores e especialistas disseram que o acesso ao financiamento se tornou mais restritivo nos últimos cinco anos; 64% dos entrevistados, por sua vez, relataram que a situação não tinha mudado, enquanto apenas 13% afirmaram que o acesso ao crédito havia melhorado.
 
 
A agricultura orgânica oferece uma importante e lucrativa oportunidade de exportação para a África, mas o acesso ao financiamento atualmente é mais difícil do que há cinco anos, advertiu um novo relatório sobre financiamento agrícola na região divulgado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) no final de agosto.
 
De acordo com a Federação Internacional de Movimentos da Agricultura Orgânica, na África Oriental as exportações orgânicas crescerem de 4,6 milhões de dólares em 2002/03 para 35 milhões de dólares em 2009/10, e houve um aumento no rendimento das colheitas no Burundi, no Quênia, Ruanda, Uganda e na Tanzânia.
 
No entanto, segundo destacou o relatório divulgado pela UNCTAD, em 16 países africanos 23% dos agricultores orgânicos, exportadores e especialistas disseram que o acesso ao financiamento se tornou mais restritivo nos últimos cinco anos; 64% dos entrevistados, por sua vez, relataram que a situação não tinha mudado, enquanto apenas 13% afirmaram que o acesso ao crédito havia melhorado.
 
O relatório observou ainda que as áreas mais críticas em termos de necessidade extrema de financiamento são as de certificação de produtos, a de organização de pequenos agricultores em grupos de produção, de investimento em mercado e a de compra de equipamentos.
 
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o financiamento para o setor agrícola na África, de forma geral, sofreu pressão nos últimos anos, caindo para uma média de 2,7% dos orçamentos nacionais em 2013.
 
Isso aconteceu apesar do compromisso assumido pela União Africana, em 2003, de alocar 10% dos orçamentos nacionais para o setor. Além disso, a quota de crédito comercial disponibilizada para a agricultura na África caiu para uma média de 2,8% no mesmo ano, enquanto a média mundial é de 5,8%.
 
A variação do preço relativo dos produtos também é muito ampla. No caso dos orgânicos, a diferença de preço pode ser entre 10% a 100% maior do que a dos alimentos convencionais.
 
A UNCTAD constatou que as exportações orgânicas de café e de cacau são as que mais se beneficiam do financiamento na África, mas existe um enorme potencial de exportar colheitas orgânicas de abacaxi, manga, banana e até batata.
 
Segundo o estudo, a falta de garantias de crédito e a capacidade insuficiente dos bancos de integrar os detalhes da agricultura orgânica nos seus planos de financiamento são os principais obstáculos para os agricultores e exportadores africanos.
 
Diante da situação, a Conferência da ONU defende um esforço coordenado para melhorar a coleta de dados entre valores domésticos e internacionais de produtos orgânicos africanos, para que um melhor plano de negócios possa ser criado no continente.
 
 
 

Importação de alimentos prejudica África

 

Fotografia: JAIMAGENS.COM

A África gasta anualmente 35 bilhões de dólares para importar alimentos que, se fossem produzidos no continente, podiam criar vários postos de trabalho na agricultura.

 

O pensamento foi exteriorizado pelo presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Kanayo Nwanze, quando discursava na sexta conferência internacional sobre o desenvolvimento africano, que terminou ontem em Nairobi, capital do Quênia.
Kanayo Nwanze apresentou no evento uma mensagem destinada a todos os líderes africanos, onde considera que as oportunidades para a prosperidade no continente são enormes, mas, na sua opinião, os investimentos precisam de ser redirecionados para o sector agrícola.
O continente africano tem 25 por cento das terras aráveis do planeta. A África gera apenas 10 por cento da produção agrícola mundial. Para o responsável do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, os líderes africanos estão a falhar com a população por causa dos investimentos débeis na agricultura e infra-estruturas e pela falta de política de apoio ao sector.
A conferência é organizada anualmente pelo Japão, com o objectivo de promover o diálogo entre os líderes africanos e os seus parceiros. Pela primeira vez, a reunião é realizada no continente africano.

Aumento do desemprego

O continente africano é a segunda região do Mundo que mais rapidamente cresce. Mesmo assim, mais de 300 milhões de africanos vivem abaixo da linha da pobreza, a maioria em áreas rurais. As taxas de desemprego chegam aos 40 por cento.
Para Kanayo Nwanze, o crescimento econômico em África não está a ser traduzido em combate à pobreza, além de que os africanos precisam de oportunidades e não de ajudas. O Japão é um membro fundador do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, cujo objectivo está concentrado no combate à pobreza, no aumento da segurança alimentar, na melhoria da nutrição e no fortalecimento da sustentabilidade.

Agricultura orgânica

Produtores e comerciantes de produtos orgânicos em África estão a sofrer com a falta de financiamento, revela a Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento CNUCED).
Em 16 países, 23 por cento dos agricultores e exportadores acreditam que o acesso ao crédito ficou mais restrito nos últimos cinco anos e, para 64 por cento, a situação não melhora.  Na África Oriental, as exportações de produtos orgânicos passaram de 4,6 milhões de dólares em 2003 para 35 milhões em 2010. As colheitas em países como o Burundi, Quénia, Ruanda, Uganda e Tanzânia aumentaram.
Um relatório da Conferência para o Comércio e Desenvolvimento indica que são necessários investimentos para que os agricultores possam certificar os seus produtos como orgânicos, organizarem-se em grupos de produção e investir em marketing e na compra de equipamentos.
A agência especializada da ONU revela que o financiamento para o sector agrícola em África tem sido mais baixo nos últimos anos. A variação do preço relativo dos produtos também é muito ampla. No caso dos produtos orgânicos, a diferença de preço pode ser entre 10 por cento e 100 por cento maior do que a dos alimentos convencionais. A CNUCED constata que as exportações de café e de cacau orgânicos são as que mais  beneficiam do financiamento em África, mas existe um enorme potencial de exportação de colheitas orgânicas de ananás, manga, banana e até de batata.
A falta de garantias de crédito e a capacidade insuficiente dos bancos de integrar os detalhes da agricultura orgânica nos seus planos de financiamento são obstáculos para agricultores e exportadores africanos.
Diante da situação, a CNUCED defende fortemente um esforço coordenado para melhorar a recolha de dados entre valores domésticos e internacionais de produtos orgânicos africanos, para que um melhor plano de negócios possa ser criado no continente africano.

http://jornaldeangola.sapo.ao/sociedade/importacao_de_alimentos_prejudica_africa

Tortura, execuções e violência no Burundi denunciada pela ONU

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As Nações Unidas apresentaram hoje um relatório demolidor sobre centenas de execuções e casos de tortura e violações cometidos no Burundi, dando um prazo de dois meses ao governo local para responder às acusações.

O Comité Contra a Tortura, reunido em Genebra, na Suíça, para a 58.ª sessão, emitiu um comunicado no qual informa ter examinado um relatório que contém “informações alarmantes dando conta de possíveis casos de tortura com motivações políticas ou étnicas” no Burundi.

O documento, de 12 páginas, exige às autoridades do país africano que abram “inquéritos independentes e imparciais” sobre 348 execuções extrajudiciais e 651 casos de tortura, registados entre abril de 2015 e abril deste ano, atribuídos maioritariamente às forças da ordem e segurança.

O Comité denuncia igualmente “desaparecimentos forçados de opositores políticos”, citando 36 casos no mesmo período de tempo, e “violências sexuais cometidas pelas forças de segurança e jovens imbonerakure [milicianos]”, bem como uma “retórica de genocídio” contra a minoria tutsi.

A violência assolou o Burundi depois de o presidente cessante, Pierre Nkurunziza, ter decidido, em abril de 2015, apresentar-se a um terceiro mandato, para o qual foi reeleito em julho de 2015.

Os seus opositores consideram um terceiro mandato inconstitucional e contrário aos acordos de Arusha, que abriram caminho ao fim da longa guerra civil no Burundi (1993-2006).

Em dezembro de 2015, o Comité Contra a Tortura tomou a iniciativa de exigir ao Burundi um relatório sobre as medidas adotadas face às “informações credíveis e numerosas dando conta de execuções sumárias, incluindo assassinatos políticos, prisões arbitrárias, torturas e maus tratos contra membros da oposição, jornalistas e defensores dos direitos humanos, e suas famílias”, lê-se na página oficial do organismo das Nações Unidas, composto por dez peritos independentes, que supervisiona o respeito pela Convenção Contra a Tortura, que o Burundi ratificou em 1993.

O Burundi enviou uma delegação para se reunir com o Comité Contra a Tortura no dia 28 de julho, mas anulou a sua participação na 58.ª sessão do organismo, em protesto contra a apresentação de um outro relatório, elaborado por representantes da sociedade civil do Burundi, denunciando torturas e desaparecimentos.

O procurador do Burundi exigiu, de imediato, que os quatro advogados que integram o painel desse segundo relatório fossem banidos da Ordem, alegando “participação em movimento insurgente e tentativa de golpe de Estado”.

As Nações Unidas criticaram as represálias e instaram o Burundi a “proteger os elementos da sociedade civil que cooperam com o Comité”.

O Comité deu ao Burundi um prazo até 12 de outubro para responder ao relatório hoje divulgado, resposta que deve incluir “as medidas a tomar para aplicar o conjunto das recomendações” que figuram no documento.

http://observador.pt/2016/08/12/nacoes-unidas-denunciam-execucoes-tortura-e-violacoes-no-burundi/