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Cultura de caju pode evitar a fome em Guiné Bissau

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O presidente da Associação de Agricultores da Guiné-Bissau (ANAG), Jaime Gomes, defendeu hoje que o caju pode evitar a fome no país e criticou a forma como aquele produto é tratado pelas autoridades.
Cultura do caju devia ser bem tratada porque evita fome na Guiné-Bissau - associação

Dados do Governo guineense apontam o país como sendo o quinto maior produtor mundial da castanha do caju, com cerca de 200 mil toneladas anuais, e Jaime Gomes acrescenta que cerca mais de 85% da população rural vive do caju.

O presidente da ANAG disse que “faltam políticas realistas” do Governo para “melhorar e fazer render mais” o caju da Guiné-Bissau cuja produção “poderia facilmente” atingir o “duplo ou triplo” da safra atual.

Jaime Gomes, que considera o caju, o “jazigo mais precioso que a Guiné-Bissau tem”, adiantou, que se não houver uma “política realista e imediata” muitos pomares, nomeadamente nas regiões de Biombo (nordeste) e Bolama/Bijagós, no sul, poderão desaparecer.

Segundo Jaime Gomes, pragas estão a “dar cabo” das plantas velhas, nomeadamente as que foram plantadas na década de 1950.

O líder dos agricultores guineense disse estar triste pelo facto de não estar a vislumbrar “nenhuma resposta prática” do Ministério da Agricultura perante a praga que os camponeses designaram de ‘serra-caju’, insetos que cortam os ramos até deixar o cajueiro doente e morto.

“Há outras pragas que atacam o caule, há outras que atacam as folhas, outras ainda que comem as flores”, sublinhou Jaime Gomes, que apela à intervenção do Governo e do Banco Mundial, uma das mais ativas instituições que apoiam o setor do caju do país.

No próximo dia 28, na vila de Nhacra, a 40 quilómetros de Bissau, deve ser aberta a campanha oficial de comercialização do caju, mas até àquela data, Jaime Gomes exorta os agricultores a não venderem o seu produto por menos de 500 francos CFA (cerca de 0,76 cêntimos de euro) o quilo.

O presidente da ANAG disse ter já informações de que em algumas zonas do país o caju está a ser comprado, por comerciantes, a 350 francos CFA, com a alegação de que o Governo ainda não fixou o preço de referência mínima.

“Não há o preço de referência mínima este ano, mas há o preço do ano passado”, observou Jaime Gomes.

https://24.sapo.pt/noticias/internacional/artigo/cultura-do-caju-devia-ser-bem-tratada-porque-evita-fome-na-guine-bissau-associacao_23903066.html

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“Tolerância zero à saída clandestina do caju” em Guiné Bissau

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A Guiné-Bissau fez, nesta sexta-feira, 31, a abertura oficial da comercialização da castanha de caju, que é o seu principal produto de exportação. Mas a medida está a ser polémica, porquanto exclui operadores externos do processo – estes estão proibidos agora de comprar directamente o caju aos produtores nacionais.Guiné-Bissau: Polémica no arranque da campanha de caju
 
Conforme a imprensa local, cada quilograma da castanha de caju, vai ser vendida por 500 Francos CFA (o equivalente, em euros, a 76 cêntimos). Além disso, por cada tonelada exportada, o Estado irá arrecadar uma taxa de 1150 dólares.
 
O ministro do Comércio e Promoção Empresarial anuncia que, só em taxas de exportação do caju, o Governo irá arrecadar este ano cerca de 12 milhões de dólares. Vítor Mandinga realçou que isto se deve ao facto de a Guiné-Bissau ser actualmente o “quinto produtor mundial e o segundo produtor africano da castanha de caju”.
 
Conforme a RFI, o governo institucional considera que as perspectivas são boas para a campanha em causa, porque conta vender a totalidade da castanha de caju a ser produzido no país.
 
A previsão é para atingir cerca de 250 mil toneladas, daí o lema desta campanha ser “Tolerância zero à saída clandestina do caju”. É que, segundo estimam as autoridades locais, cerca de 50 mil toneladas do caju guineense saem do país, através do contrabando, para países vizinhos.
 
Entretanto, a campanha da venda do mesmo produto arranca no meio de uma grande controvérsia. Tudo porque o Governo acaba de proibir que os operadores económicos estrangeiros comprem directamente o caju aos produtores. Ou seja, a partir de agora, os compradores terão que provar que são guineenses, através do Bilhete de Identidade (ou Cartão de Eleitor), mas também terão que possuir um armazém assim como o número de identificação fiscal.
 
A fazer fé nas fontes referidas, esta medida é vista como sendo proteccionista pelos críticos do governo e da regulação do sector do caju, conforme confirmou o próprio ministro do Comércio, Vítor Mandinga.
 
Referindo-se sobre este particular, o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou também que esta medida é “perigosa” e aconselhou Bissau a não a internar a venda do mesmo produto. Isto deve-se nomeadamente ao facto que, limitando a concorrência na compra, os produtores podem sair prejudicados.
 
Leitura bem diferente tem o presidente da Câmara do Comércio, Saliu Lamba, para quem esta medida tirará o país da “pobreza extrema”. Em 2016, a Guiné-Bissau exportou 200 mil toneladas de caju, segundo indicam as autoridades locais.