Jovens africanos estudaram a cadeia produtiva da mandioca no Brasil

Benin, Burundi, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Malaui, Moçambique, Nigéria, República do Congo, Uganda, Senegal, Serra Leoa, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

Embrapa treina jovens de 14 países africanos na Bahia

Imagem: Embrapa

Embrapa - O pesquisador Joselito Motta com os jovens em comércio de Vitória da Conquista

O pesquisador Joselito Motta com os jovens em comércio de Vitória da Conquista

Até o dia 17 de novembro, 28 jovens de 14 países africanos participam do “Treinamento em propagação, produção e processamento da mandioca para jovens africanos”, ministrado na Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA).

A iniciativa faz parte do Youth Technical Training Program – YTTP (Programa de Capacitação Técnica Juvenil), realizado pelo Instituto Brasil África (Ibraf), organização sem fins lucrativos voltada para projetos de cooperação sul-sul com ênfase nas relações Brasil-África. Os países representados são: Benin, Burundi, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Malaui, Moçambique, Nigéria, República do Congo, Senegal, Serra Leoa, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

Desde o dia 23 de outubro, o grupo recebe informações sobre a cadeia produtiva da mandioca por meio de aulas teóricas e práticas em laboratórios e campos experimentais da UD e em áreas de parceiros de pesquisa e transferência de tecnologia. No último dia, o grupo também vai receber informações sobre outras culturas pesquisadas pela Embrapa.

O programa inclui visitas técnicas à Cooperativa dos Produtores de Amido de Mandioca do Estado da Bahia – Coopamido (Laje), à Cooperativa dos Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves – Coopatan (Presidente Tancredo Neves), ao Instituto Biofábrica de Cacau (Ilhéus) e à Cooperativa Mista Agropecuária dos Pequenos Agricultores do Sudoeste da Bahia – Coopasub (Vitória da Conquista).

A escolha da agricultura como primeiro tema do YTTP faz parte da estratégia Feeding Africa, do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), apoiador da primeira desta primeira etapa do programa, que busca a transformação da agricultura no continente africano. “A agricultura é uma matriz comum ao continente africano e ao Brasil, e entendo isso de forma muito clara: para desenvolver um país como um todo ou o continente como um todo, primeiramente, tem que ser através do desenvolvimento da agricultura”, declarou João Bosco Monte, presidente do Ibraf.

Com o objetivo de definir a programação do treinamento, Monte já tinha estado na Unidade em março e julho. “Para o Ibraf, a Embrapa é uma parceira fundamental e imperativa. O programa tem três pilares: a faixa etária, porque queríamos jovens; o gênero, porque queríamos equidade; e a continentalidade. Por isso, temos representantes de 14 países da África, que é formada por 54 países”, disse.

Entre os alunos, compostos por produtores e técnicos, a expectativa é grande. Beckie Nakabugo, de Uganda, é uma delas. “Aprender sobre mandioca vai beneficiar meu país, porque o povo está desanimado. Lá tem o Cassava Brown Streak Virus, e muitos produtores desistem de plantar. Minhas expectativas com o curso são grandes, porque a Embrapa é uma empresa grande e nós estamos recebendo o melhor tratamento, com os melhores professores”, afirmou.

Ernest Lifu Atem, de Camarões, está gostando da experiência. “Alguns dos temas a gente precisaria de, no mínimo, seis meses para realmente entender, mas estamos aprendendo bastante. Espero transformação de mente, de conhecimento. Espero ver mais métodos do que resultados dos trabalhos feitos aqui no Brasil. Claro que os resultados também são importantes para comparar as análises, mas o que mais importa é aprender métodos para aplicar no meu local de trabalho”, salientou.

“A formação ocorre bem, os palestrantes explicam bem os cursos e as matérias. Uma coisa muito interessante é a associação da teoria com a prática. É muito interessante ver o que eles falam e as provas reais do que aconteceu. Eu espero que a formação continue assim até o final. Nós fomos bem acolhidos, e a Embrapa é um lugar bem calmo, ideal para aprender”, destacou Guelord Nsuanda, da República Democrática do Congo.

“Como responsáveis pelo treinamento, esperamos que os alunos repassem esse conhecimento porque ele realmente tem que chegar ao produtor”, disse o pesquisador Marcio Porto, do Núcleo de Relações Internacionais, um dos organizadores do curso, ao lado de Alfredo Alves.

jovens

 

Encerramento do curso

“Meu sonho para os jovens africanos é que se tornem milionários. A pergunta é: como isso vai acontecer? A resposta: só vai acontecer quando a juventude africana praticar agricultura como negócio. E esse é o propósito de estarmos aqui. Garanto ao Instituto Brasil África e à Embrapa que daqui a cinco anos os participantes que estão aqui vão se tornar milionários. Iremos fazer uso do que aprendemos. Não somente iremos nos tornar milionários, mas iremos criar empregos para outros jovens africanos, que vão ter um trabalho digno.” Com esse depoimento, o jovem Obinna Atu, da Nigéria, encerrou sua participação no curso sobre propagação, produção e processamento da mandioca, que treinou, durante um mês, 28 jovens de 14 países africanos na Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA).

No workshop de encerramento, que contou com a presença do presidente do Instituto Brasil África, João Bosco Monte, do chefe-geral Alberto Vilarinhos e de integrantes da equipe técnica de mandioca, um jovem representante de cada país resumiu o que significou o curso e como pretende aplicar os novos conhecimentos (veja cinco depoimentos abaixo). Os países representados foram: Benin, Burundi, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Malaui, Moçambique, Nigéria, República do Congo, Uganda, Senegal, Serra Leoa, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

“Depois de 30 dias de intensas atividades, o resumo é muito valioso. O que imaginamos há mais de um ano, quando idealizamos esse programa, era trazer jovens africanos para receber treinamento no Brasil em instituições campeãs que pudessem agregar valor a eles. A ideia, então, era trazê-los para aprender no melhor lugar. Quando ouço os depoimentos e olho nos olhos deles, vejo que valeu a pena o investimento para que esses 28 jovens pudessem receber esse conhecimento aqui, que pode se transformar em algo muito maior. Essa é a beleza de um treinamento como esse. Os jovens saem com o conhecimento adquirido, mas podem ser multiplicadores disso em seus lugares de origem”, avaliou Bosco.

A iniciativa faz parte do Youth Technical Training Program – YTTP (Programa de Capacitação Técnica Juvenil), realizado pelo Instituto Brasil África, organização sem fins lucrativos voltada para projetos de cooperação sul-sul com ênfase nas relações Brasil-África sediada em Fortaleza (CE). A escolha pela agricultura como primeiro tema faz parte da estratégia Feeding Africa, do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), apoiador da desta primeira etapa do programa.

O grupo recebeu informações sobre toda a cadeia produtiva da mandioca por meio de aulas teóricas e práticas em laboratórios, campos experimentais da Unidade e áreas de parceiros de pesquisa e transferência de tecnologia. No último dia, também foram repassadas informações sobre outras culturas pesquisadas pela Embrapa. A programação incluiu visitas técnicas à Cooperativa dos Produtores de Amido de Mandioca do Estado da Bahia – Coopamido (Laje), à Cooperativa dos Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves – Coopatan (Presidente Tancredo Neves), ao Instituto Biofábrica de Cacau (Ilhéus) e à Cooperativa Mista Agropecuária dos Pequenos Agricultores do Sudoeste da Bahia – Coopasub (Vitória da Conquista).

“Não é fácil reunir pessoas de 14 países, falando dois idiomas (inglês e francês) e muitos outros, seus idiomas nativos. Uma verdadeira torre de babel. Mas deu tudo certo. O curso foi produtivo, e a avaliação dos participantes em relação à Embrapa foi muito positiva, elogios grandes à equipe técnica que compartilhou conhecimento. Agora a intenção é irmos além da mandioca. Vejo a banana, por exemplo, como uma cultura de especial interesse pelos africanos”, resumiu o pesquisador Marcio Porto, um dos organizadores do curso, ao lado do pesquisador Alfredo Alves, que está na África, em missão com Joselito Motta, que acompanhou o grupo durante boa parte do curso e foi citado por muitos participantes no encerramento. Nesta semana, Marcio se juntou a eles, na África, em missão que passa por Gana e Nigéria.

Na primeira semana, Alfredo e Joselito visitaram comunidades produtoras e processadoras de mandioca de Techiman, em Gana, onde as mulheres fabricam o gari – farinha fermentada e amarelada com azeite de dendê. Na zona rural de Abeokuta, na Nigéria, os pesquisadores estiveram em uma comunidade onde as mulheres viram pela primeira vez a tapioca brasileira. “Apesar das dificuldades, o semblante delas era de alegria e esperança”, relatou Joselito.

A Embrapa participou também do evento CassavaTech 2017, que ocorreu de 21 a 23 em Lagos, na Nigéria.

Depoimentos

Gana – Valaria Adzo Adzatia
“Agora sei que não sabia muito sobre mandioca. Nunca vou esquecer as aulas, as visitas a campo, as casas de produção e tudo mais. Eu não sabia que a gente poderia utilizar a mandioca para fazer muitas coisas. Em Gana percebi que a gente desperdiça muito a mandioca. Um produto que aprendi aqui e não estava muito confiante em fazer era o amido. Sempre vi como um processo muito longo, mas foi simplificado aqui para mim. É um dos produtos que estou pensando em trabalhar porque vou me concentrar mais na parte de processamento.”

Malaui – Maness Nkhata
“A parte sobre as pragas foi muito importante porque vi algumas coisas que são novas para mim, especialmente o manejo integrado. O treinamento me proporcionou também conhecimento para produção e processamento da mandioca. Isso vai me ajudar no desenvolvimento de outros produtos que não fazemos nos nossos países. Outra área muito interessante foi a cultura de tecidos. Espero também construir um laboratório para cultura de tecidos e outros processos, além de treinar outros jovens para plantar e manejar as plantações de mandioca. O treinamento foi um sucesso. Meus planos futuros com o conhecimento obtido nas aulas, nas visitas a campo e outras áreas são contribuir para o sucesso da produção de mandioca no meu país.”

Nigéria – Obinna Atu
“Percebi que na África acontece como aqui no Brasil: a maioria dos agricultores não tem acesso aos materiais de plantios melhorados. Por anos o IITA (Instituto Internacional de Agricultura Tropical) tem lutado para alcançar esses objetivos. A mandioca é um dos alimentos mais importantes da base alimentar na Nigéria. Mais de 60% das famílias dependem da mandioca para viver. Vi o processo de multiplicação como uma boa maneira de começar um negócio para os jovens, para investir nosso dinheiro e nossa energia. Aqui vimos também muitos produtos que podemos fazer utilizando a mandioca. Vamos experimentar na Nigéria para ver as oportunidades de negócios lá. Descobrimos que o processamento pode criar milhares de trabalhos para os jovens e gerar muito lucro.”

Senegal – Dieynaba Badiane
“O Senegal tem 14 regiões, e em cada uma há uma plataforma de produção. A gente pode transformar todos esses conhecimentos adquiridos aqui. O que me marcou nessa formação é o fato de trabalhar na prática, nos laboratórios. Temos necessidades agrícolas no Senegal e não conhecemos a cultura in vitro. Com essa técnica que aprendi aqui, quero fazer a micropropagação e trabalhar em parceria com vocês. Temos o hábito de inovar e de criar novas coisas na fabricação, mas ainda não tínhamos conhecido o potencial da mandioca. Com tudo que eu aprendi aqui nessa formação, vou levar muito para lá.”

Serra Leoa – Alie Kamara
“Falando sobre produção de alimentos, fomos capazes de observar e fazer alguns processos, como a produção de chips de mandioca, de mandioca palito. Também aprendemos sobre o programa de melhoramento, que é uma coisa do meu interesse. Na viagem que fizemos, aprendemos muito sobre as etapas. No laboratório, vimos como fazer a multiplicação, identificando o material antes de cortar, como levamos a mandioca para o laboratório, a limpeza do material. Outra parte que aprendemos foi sobre ciência e empreendedorismo. Tenho muita coisa para levar para casa. Vou fazer uma apresentação sobre o que aprendi aqui para outros jovens do meu país.”

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Achille Mbembe: A era do humanismo esta terminando

achile mbembe“Outro longo e mortal jogo começou. O principal choque da primeira metade do século XXI não será entre religiões ou civilizações. Será entre a democracia liberal e o capitalismo neoliberal, entre o governo das finanças e o governo do povo, entre o humanismo e o niilismo”, escreve Achille Mbembe. E faz um alerta: “A crescente bifurcação entre a democracia e o capital é a nova ameaça para a civilização”.

Achille Mbembe (1957, Camarões francês) é historiador, pensador pós-colonial e cientista político; estudou na França na década de 1980 e depois ensinou na África(África do Sul, Senegal) e Estados Unidos. Atualmente, ensina no Wits Institute for Social and Economic Research (Universidade de Witwatersrand, África do Sul). Ele publicou Les Jeunes et l’ordre politique en Afrique noire (1985), La naissance du maquis dans le Sud-Cameroun. 1920-1960: histoire des usages de la raison en colonie (1996), De la Postcolonie, essai sur l’imagination politique dans l’Afrique contemporaine (2000), Du gouvernement prive indirect(2000), Sortir de la grande nuit – Essai sur l’Afrique décolonisée (2010), Critique de la raison nègre (2013). Seu novo livro, The Politics of Enmity, será publicado pela Duke University Press neste ano de 2017.

O artigo foi publicado, originalmente, em inglês, no dia 22-12-2016, no sítio do Mail & Guardian, da África do Sul, sob o título “The age of humanism is ending” e traduzido para o espanhol e publicado por Contemporeafilosofia.blogspot.com, 31-12-2016. A tradução é de André Langer.

Eis o artigo.

Não há sinais de que 2017 seja muito diferente de 2016.

Sob a ocupação israelense por décadas, Gaza continuará a ser a maior prisão a céu aberto do mundo.

Nos Estados Unidos, o assassinato de negros pela polícia continuará ininterruptamente e mais centenas de milhares se juntarão aos que já estão alojados no complexo industrial-carcerário que foi instalado após a escravidão das plantações e as leis de Jim Crow.

Europa continuará sua lenta descida ao autoritarismo liberal ou o que o teórico cultural Stuart Hall chamou de populismo autoritário. Apesar dos complexos acordos alcançados nos fóruns internacionais, a destruição ecológica da Terra continuará e a guerra contra o terror se converterá cada vez mais em uma guerra de extermínio entre as várias formas de niilismo.

As desigualdades continuarão a crescer em todo o mundo. Mas, longe de alimentar um ciclo renovado de lutas de classe, os conflitos sociais tomarão cada vez mais a forma de racismo, ultranacionalismo, sexismo, rivalidades étnicas e religiosas, xenofobia, homofobia e outras paixões mortais.

A difamação de virtudes como o cuidado, a compaixão e a generosidade vai de mãos dadas com a crença, especialmente entre os pobres, de que ganhar é a única coisa que importa e de que ganhar – por qualquer meio necessário – é, em última instância, a coisa certa.

Com o triunfo desta aproximação neodarwiniana para fazer história, o apartheid, sob diversas modulações, será restaurado como a nova velha norma. Sua restauração abrirá caminho para novos impulsos separatistas, para a construção de mais muros, para a militarização de mais fronteiras, para formas mortais de policiamento, para guerras mais assimétricas, para alianças quebradas e para inumeráveis divisões internas, inclusive em democracias estabelecidas.

Nenhuma das alternativas acima é acidental. Em qualquer caso, é um sintoma de mudanças estruturais, mudanças que se farão cada vez mais evidentes à medida que o novo século se desenrolar. O mundo como o conhecemos desde o final da Segunda Guerra Mundial, com os longos anos da descolonização, a Guerra Fria e a derrota do comunismo, esse mundo acabou.

Outro longo e mortal jogo começou. O principal choque da primeira metade do século XXI não será entre religiões ou civilizações. Será entre a democracia liberal e o capitalismo neoliberal, entre o governo das finanças e o governo do povo, entre o humanismo e o niilismo.

O capitalismo e a democracia liberal triunfaram sobre o fascismo em 1945 e sobre o comunismo no começo dos anos 1990 com a queda da União Soviética. Com a dissolução da União Soviética e o advento da globalização, seus destinos foram desenredados. A crescente bifurcação entre a democracia e o capital é a nova ameaça para a civilização.

Apoiado pelo poder tecnológico e militar, o capital financeiro conseguiu sua hegemonia sobre o mundo mediante a anexação do núcleo dos desejos humanos e, no processo, transformando-se ele mesmo na primeira teologia secular global. Combinando os atributos de uma tecnologia e uma religião, ela se baseava em dogmas inquestionáveis que as formas modernas de capitalismo compartilharam relutantemente com a democracia desde o período do pós-guerra – a liberdade individual, a competição no mercado e a regra da mercadoria e da propriedade, o culto à ciência, à tecnologia e à razão.

Cada um destes artigos de fé está sob ameaça. Em seu núcleo, a democracia liberal não é compatível com a lógica interna do capitalismo financeiro. É provável que o choque entre estas duas ideias e princípios seja o acontecimento mais significativo da paisagem política da primeira metade do século XXI, uma paisagem formada menos pela regra da razão do que pela liberação geral de paixões, emoções e afetos.

Nesta nova paisagem, o conhecimento será definido como conhecimento para o mercado. O próprio mercado será re-imaginado como o mecanismo principal para a validação da verdade. Como os mercados estão se transformam cada vez mais em estruturas e tecnologias algorítmicas, o único conhecimento útil será algorítmico. Em vez de pessoas com corpo, história e carne, inferências estatísticas serão tudo o que conta. As estatísticas e outros dados importantes serão derivados principalmente da computação. Como resultado da confusão de conhecimento, tecnologia e mercados, o desprezo se estenderá a qualquer pessoa que não tiver nada para vender.

A noção humanística e iluminista do sujeito racional capaz de deliberação e escolha será substituída pela do consumidor conscientemente deliberante e eleitor. Já em construção, um novo tipo de vontade humana triunfará. Este não será o indivíduo liberal que, não faz muito tempo, acreditamos que poderia ser o tema da democracia. O novo ser humano será constituído através e dentro das tecnologias digitais e dos meios computacionais.

A era computacional – a era do Facebook, Instagram, Twitter – é dominada pela ideia de que há quadros negros limpos no inconsciente. As formas dos novos meios não só levantaram a tampa que as eras culturais anteriores colocaram sobre o inconsciente, mas se converteram nas novas infraestruturas do inconsciente. Ontem, a sociabilidade humana consistia em manter os limites sobre o inconsciente. Pois produzir o social significava exercer vigilância sobre nós mesmos, ou delegar a autoridades específicas o direito de fazer cumprir tal vigilância. A isto se chamava de repressão.

A principal função da repressão era estabelecer as condições para a sublimação. Nem todos os desejos podem ser realizados. Nem tudo pode ser dito ou feito. A capacidade de limitar-se a si mesmo era a essência da própria liberdade e da liberdade de todos. Em parte graças às formas dos novos meios e à era pós-repressiva que desencadearam, o inconsciente pode agora vagar livremente. A sublimação já não é mais necessária. A linguagem se deslocou. O conteúdo está na forma e a forma está além, ou excedendo o conteúdo. Agora somos levados a acreditar que a mediação já não é necessária.

Isso explica a crescente posição anti-humanista que agora anda de mãos dadas com um desprezo geral pela democracia. Chamar esta fase da nossa história de fascista poderia ser enganoso, a menos que por fascismo estejamos nos referindo à normalização de um estado social da guerra. Tal estado seria em si mesmo um paradoxo, pois, em todo caso, a guerra leva à dissolução do social. No entanto, sob as condições do capitalismo neoliberal, a política se converterá em uma guerra mal sublimada. Esta será uma guerra de classe que nega sua própria natureza: uma guerra contra os pobres, uma guerra racial contra as minorias, uma guerra de gênero contra as mulheres, uma guerra religiosa contra os muçulmanos, uma guerra contra os deficientes.

O capitalismo neoliberal deixou em sua esteira uma multidão de sujeitos destruídos, muitos dos quais estão profundamente convencidos de que seu futuro imediato será uma exposição contínua à violência e à ameaça existencial. Eles anseiam genuinamente um retorno a certo sentimento de certeza – o sagrado, a hierarquia, a religião e a tradição. Eles acreditam que as nações se transformaram em algo como pântanos que necessitam ser drenados e que o mundo tal como é deve ser levado ao fim. Para que isto aconteça, tudo deve ser limpo. Eles estão convencidos de que só podem se salvar em uma luta violenta para restaurar sua masculinidade, cuja perda atribuem aos mais fracos dentre eles, aos fracos em que não querem se transformar.

Neste contexto, os empreendedores políticos de maior sucesso serão aqueles que falarem de maneira convincente aos perdedores, aos homens e mulheres destruídos pela globalização e pelas suas identidades arruinadas.

A política se converterá na luta de rua e a razão não importará. Nem os fatos. A política voltará a ser um assunto de sobrevivência brutal em um ambiente ultracompetitivo.

Sob tais condições, o futuro da política de massas de esquerda, progressista e orientada para o futuro, é muito incerto. Em um mundo centrado na objetivação de todos e de todo ser vivo em nome do lucro, a eliminação da política pelo capital é a ameaça real. A transformação da política em negócio coloca o risco da eliminação da própria possibilidade da política.

Se a civilização pode dar lugar a alguma forma de vida política, este é o problema do século XXI.

Quênia adota medida de proteção ambiental proibindo a produção e importação de sacos plásticos

A proibição de fabrico e a importação de sacos plásticos entrou em vigor no Quénia, que pune infrações à nova lei com multas de até 38 mil dólares (31,8 mil euros).

Guiné-Bissau, Camarões, Mali, Tanzânia, Uganda, Etiópia e Malawi figuram entre os países que adotaram ou anunciaram uma interdição idêntica.

Aproximadamente 100 milhões de sacos plásticos são distribuídos apenas pelos supermercados no Quénia, segundo o Programa Ambiental das Nações Unidas.

O governo queniano diz que os sacos prejudicam o ambiente, dado que não se decompõem, bloqueando os esgotos.

Estudantes de Benin, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Chade, Costa do Marfim, Senegal e Togo visitam o Brasil

Grupo de produtores e estudantes de oito países percorre o Norte de Minas para ver produção em clima similar ao deles

Regis Lancaster/Divulgação

Uma missão formada por 37 estudantes e profissionais da área agrícola de países da África visitou na última semana, os municípios de Catuti e Mato Verde, no Norte de Minas, com o objetivo de conhecer o cultivo de algodão no semiárido. O plantio é feito dentro do Programa de Retomada do Algodão do Norte de Minas, que envolve 97 agricultores de seis municípios.

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A comitiva estrangeira, que chegou na segunda-feira e permaneceu na região até ontem, foi formada por representes de oito países africanos de língua francesa – Benin, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Chade, Costa do Marfim, Senegal e Togo. Eles estão no Brasil há quatro meses, aperfeiçoamento conhecimentos sobre a cotonicultura em curso promovido pela Universidade Federal de Lavras (Ufla).
O projeto de “Capacitação e Transferência de Tecnologia na Cultura do Algodão” da Ufla é desenvolvido desde 2014, em parceria com o Ministério de Relações Exteriores. Envolve também o projeto “Cotton Victória”, que visa promoção da cadeia produtiva e a melhoria das técnicas da cultura algodoeira em países da África subsaariana. Dentro da parceria, em 2015, um grupo de professores da Universidade Federal de Lavras participou de uma viagem técnica que teve como propósito avaliar o cultivo do algodão em três países africanos: Quênica, Tanzânia e Burundi.
Os integrantes da delegação africana realizaram no Norte de Minas as atividades práticas do curso ministrado pela Ufla. Um dos aspectos considerados é o fato de o algodão ser produzido na região em características climáticas e de solo próxima aos países africanos.
Além de assistir palestras, eles visitaram as propriedades dos pequenos produtores do Projeto de Retomada de Algodão, que conseguem bons índices de produtividade em regime de poucas chuvas. Para isso, adotam técnicas para o uso eficiente dos recursos hídricos, se adaptando ao clima semiárido.
Uma das estratégias adotadas é a irrigação complementar – os plantios foram feitos no período chuvoso e, mesmo assim, contaram com equipamentos de irrigação, recebendo a chamada ‘molhagem mecânica’ somente quando a chuva demora – no veranico. É usada água captada em poço-tubular, mas em menor quantidade, considerando o limite do lençol freático da região. Os agricultores do Norte de Minas plantaram 480 hectares (ha)  de algodão na safra 2016/2017, dos quais 400 ha de sequeiro e 80 hectares semi-irrigados.

 

Técnicas

A missão africana visitou no município de Catuti a propriedade do pequeno agricultor José Alves de Souza, o “Zé Brasil”, que recorre ao sistema de captação de água de chuva em tanque escavado e irriga a roça de algodão por gotejamento. Também conheceram sistema semelhante na área do pequeno produtor José Rodrigues de Souza, no mesmo município. Os visitantes tiveram aula prática sobre preparo de solo com subsolagem e gradagem intermediária.
Criado há nove anos, o programa de Retomada do Algodão do Norte de Minas é considerado modelo para garantir a atividade familiar e a convivência com a seca. Envolve pequenos agricultores dos municípios de Catuti, Mato Verde, Pai Pedro, Monte Azul, Porteirinha e Matias Cardoso. A iniciativa foi implantada pela Cooperativa dos Produtores Rurais de Catuti (Coopercat). Conta com o apoio da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) e da Prefeitura de Catuti.

Antes da missão dos países africanos de língua francesa, o Projeto de Retomada do Algodao recebeu visitas de outras delegações estrangeiras, incluindo grupos de Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Peru. Despertou também a atenção de instituições que estimulam práticas solidárias, como o Projeto “Tecendo Valor, desenvolvido pela Fundação Solidariedade Latino-americana, com recursos do Instituto C&A.

 

http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2017/07/17/internas_economia,884338/africanos-estao-de-olho-no-algodao-mineiro.shtml

Nigéria diz ter tomado último reduto do Boko Haram

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Presidente do país afirma que tropas do governo conquistaram floresta considerada o último grande refúgio da milícia islamista. Desde que entrou em atividade, há sete anos, grupo terrorista matou cerca de 20 mil pessoas.O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, anunciou neste sábado (24/12) a tomada completa por tropas governamentais da floresta de Sambisa, situada no nordeste do país e considerada o último grande refúgio da milícia islamista Boko Haram. “Os terroristas fugiram e já não têm um lugar onde se esconder”, declarou o presidente, se referindo à conquista, finalizada na sexta-feira.

Além de santuário e base de operações, a floresta de Sambisa era o último grande território controlado pela organização fundamentalista na parte nordeste da Nigéria, segundo o comunicado de Buhari.

O Exército da Nigéria realizava há vários meses ofensivas nesta floresta, de cerca de 1.300 quilômetros quadrados, localizada no estado de Borno, onde os combatentes do grupo se refugiaram depois de sofrer alguns reveses militares.

Na quarta-feira, o Exército anunciou a libertação de 1.880 civis que estavam nas mãos do Boko Haram e a captura de mais de 500 combatentes durante a semana passada, na floresta de Sambisa.

Mais de 15 mil mortos

Desde que começou sua atividade terrorista há sete anos, o Boko Haram matou cerca de 20 mil pessoas e provocou o desloamento de mais de dois milhões. A insurgência visa criar um Estado islâmico regido pela sharia. A milícia controlava até há pouco vastas áreas do nordeste da Nigéria, país mais populoso da África..

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, chegou ao poder em maio de 2015, tendo a luta contra Boko Haram como uma de suas prioridades.

Desde então, o Exército nigeriano conseguiu fazer os fundamentalistas recuarem, em cooperação com tropas dos países vizinhos Camarões, Níger, Chade e Benin. Entretanto, não conseguiu interromper atos terroristas do grupo realizados contra civis, em que frequentemente crianças são usadas em atentados suicidas em mercados e outros lugares movimentados.

O Boko Haram provocou uma onda de indignação no mundo todo ao sequestrar, em abril de 2014, 276 estudantes de uma escola feminina de ensino médio da cidade de Chibok, no estado de Borno. Cerca de 200 menores ainda continuam nas mãos da seita.

Apesar de ter sido expulso da floresta de Sambisa, o Boko Haram ainda executa atentados suicidas em áreas do nordeste nigeriano e nos vizinhos Níger e Camarões.

https://noticias.terra.com.br/nigeria-diz-ter-tomado-ultimo-reduto-do-boko-haram,78916daaa35ec04387ef1f6a10241cdco9bjsvd5.html

Que tragédia. Metade da população da República Centro Africana precisa de ajuda de emergência

por Eleazar Van-Dúnem |

A ministra para o Bem Estar e Reconciliação da República Centro Africana (RCA) disse terça-feira, em Genebra, que quase metade da população do seu país precisa de assistência humanitária.

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Virginie Baikoua falava ao lado do coordenador humanitário da ONU para a RCA, Fabrizio Hochschild, que pediu “mais atenção e apoio” da comunidade internacional para o que considerou “uma crise humanitária esquecida”.
A RCA, apesar do imenso potencial agrícola, tem das mais altas taxas de desnutrição crónica do mundo, que afecta uma entre duas crianças, “é dos países mais pobres e negligenciados do mundo, e os conflitos apenas pioram a situação”, referiu o representante da ONU.

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Nos últimos três meses, ocorreram seis confrontos que resultaram em centenas de mortes e dezenas de milhares de desalojados, as taxas de mortalidade materna e infantil estão entre as mais altas do mundo e a insegurança, o fraco acesso à água potável e a cuidados de saúde estão entre os grandes problemas da RCA, afirmou.
Fabrizio Hochschild informou que um entre 10 centro-africanos vive como refugiado e a maioria procurou abrigo nos Camarões, e destacou que “esforços humanitários são críticos para estabilizar a RCA numa altura que são tratadas as questões políticas, de desenvolvimento e de segurança”.
O Plano de Resposta Humanitária da ONU para atender a RCA no próximo ano e ajudar 1,6 milhões de civis custa 400 milhões de dólares, concluiu Fabrizio Hochschild.
A Organização das Nações Unids anunciaram no início do mês, numa Conferência de doadores realizada em Bruxelas para ajudar os centro-africanos, que a comunidade internacional enviou “sinais fortes” de apoio aos esforços de paz e de desenvolvimento com a promessa – ainda não cumprida – de disponibilizar  2,28 mil milhões de dólares para a RCA.
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Crianças são afectadas

Antes da conferência de doadores de Bruxelas, que inicialmente pretendia conseguir três bilhões de dólares para a RCA, o UNICEF revelou que as crianças representam metade dos 850 mil centro-africanos deslocados internos ou refugiados nos países vizinhos, e que mais de um terço das crianças não frequenta a escola.
Aquela agência da ONU alertou que pelo menos 41por cento dos menores de cinco anos sofrem de desnutrição crônica e que desde 2013 entre seis mil e 10 mil foram recrutados por grupos rebeldes armados centro-africanos. Para reverter o quadro, o UNICEF defende que as crianças sejam prioridade no plano de recuperação, que deve dar primazia à saúde e à educação para os mais vulneráveis.
As desigualdades econômicas, a disparidade de oportunidades entre as populações urbanas e rurais e tensões étnicas “alimentaram um ressentimento que ainda perdura” e o conflito iniciado em 2102, referiu o UNICEF. “As questões da justiça, da protecção e do combate à corrupção são fundamentais para a construção de um país que proteja os seus cidadãos e reforce o Estado de direito”, concluiu o comunicado do UNICEF.

Violência contínua

Na semana passada, pelo menos 85 pessoas morreram e 76 ficaram feridas nos mais recentes confrontos entre grupos armados rivais centro-africanos na região de Bria, anunciou terça-feira o Conselho Especial das Nações Unidas para a prevenção do genocídio e confirmou o porta-voz oficial da presidência da RCA, Albert Mopkem.
A violência entre facções rivais Seleka, de maioria muçulmana, começou há uma semana na cidade de Bria, a 400 quilômetros a nordeste de Bangui, e causou 85 mortos, civis, 76 feridos e cerca de 11.000 pessoas foram obrigadas a sair da localidade.
Os confrontos opõem dois grupos armados que surgiram da antiga coligação rebelde Seleka, a Frente Patriótica para o Renascimento da RCA (FPRC), liderada por Nourredine Adam, e a União para a Paz na RCA (UPC), por Ali Darass.
Dados estimam que a RCA é dos países mais pobres do mundo. A ONU tem no país cerca de 12.500 efectivos na sequência de violência sectária que eclodiu em Março de 2013, após o afastamento do Presidente François Bozize, cristão, pela aliança rebelde Seleka, muçulmana

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/metade_da_populacao_da_rca_precisa_de_ajuda_de_emergencia

Intercâmbios esportivos entre Brasil e países africanos

africanos

 

A Confederação Brasileira de Desporto Universitário e a Federação Africana de Desporto Universitário (Fasu) prepararam um protocolo de intenções para fazer com que atletas e comissões técnicas façam intercâmbios entre Brasil e países da África, participando de competições fora de seus países de origem.

Vice-presidente da confederação e presidente da representação da Federação Internacional de Esporte Universitário nas Américas, Alim Maluf Neto afirmou que agora é preciso que universidades se interessem a participar da construção do convênio.

“Queremos essa troca de experiências e de know how com a África para capacitar mais os nossos profissionais e permitir a troca de experiência entre os atletas”, disse Maluf, que espera ter times africanos competindo nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) já no próximo ano.

O presidente da Federação Africana de Esporte Universitário (Fasu), Michael Malumbete Palete, fez uma visita ao JUBs e acompanhou partidas de futsal. Ele destacou que a parceria também pode desmistificar preconceitos sobre o continente africano.

“O mito de pessoas vivendo com leões em suas casas precisa ser apagado. Nós não somos só pobreza, somos desenvolvimento, somos avanço científico, pesquisa, desenvolvimento em esporte e instalações”, disse o sul-africano.

Com o acordo, Malumbete também espera atrair patrocínio para o esporte universitário no continente, uma de suas maiores dificuldades. “Há muito mais que pode ser desenvolvido”, diz ele, que defende que os patrocinadores que apoiam universidades e esporte universitário não estão apenas apoiando a formação de bons profissionais. “Estarão investindo em um mundo mais pacífico.”

Um acordo do mesmo tipo está sendo costurado com a China, mas a proposta ainda esbarra no desejo dos chineses de promover intercâmbios esportivos mais longos entre os atletas.

Intercambistas

Os JUBs deste ano já contaram com atletas africanos no futsal masculino. O time de estudantes foi a Cuiabá representando a Universidade Federal de Roraima, onde estudam por meio do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação, que oferece vagas de nível superior no Brasil para estudantes de países em desenvolvimento. Com atletas de diversos países da África, a equipe disputou a terceira divisão da competição.

Edvrard Bambock, de 22 anos, nasceu no Camarões e cursa agronomia na universidade brasileira. Ele está no país há sete meses e brinca que achava que tinha aprendido a falar português quando se deparou com a variedade de sotaques dos atletas dos jogos

“Percebi que tem muito sotaque que não dá para entender diretamente. Conversei com pessoas que falavam que eram de lugares que eu não sabia que existiam no Brasil”, disse Bambock. “Cada estado no Brasil tem a sua cultura. Bahia tem uma cultura mais africana e Santa Catarina parece mais com a Alemanha. Nem sabia que o Brasil tinha pessoas que falam alemão”.

Bambock chegou a defender a seleção juvenil de futebol no seu país e fez testes para jogar na Alemanha, França e Espanha. No período que jogava na Europa, lesões o impediram de assinar os contratos e a família pressionou que ele voltasse a estudar.

“Não queria decepcioná-los, e eles realmente tem razão. Se eu eu não tiver nada na cabeça, não vou fazer nada da vida”.

O atleta e os colegas de equipe se conheceram no Brasil, jogando futsal na universidade. “Ajudou muito minha integração no Brasil, porque passei a jogar com meus irmãos africanos e os brasileiros e entender melhor a língua”.

Há quatro anos na Universidade Federal de Roraima, estudando relações internacionais, Onogifro Euclisio, de 25 anos, conta que aprendeu a admirar a espontaneidade e a informalidade dos brasileiros. O estudante da Guiné Bissau se surpreendeu ao encontrar pessoas de camiseta regata na universidade e professores com tatuagens e brincos. “Lá, a gente tem isso de que professor é exemplo e não pode ser assim. Aqui, aprendi um novo jeito de estudo e que está me ajudando”, afirmou. Ele disse que quer seguir carreira acadêmica em seu país.

“Quando eu voltar, quero colocar em prática tudo o que aprendi, principalmente em questão de conservadorismo. Já abri mão disso e agora acredito em uma cultura mais liberal”.

Labiou Ayigbebe, aluno de jornalismo, e outros colegas, contam que começaram a se interessar pelo Brasil vendo atletas como Ronaldinho Gaúcho vestirem a camisa verde e amarela. Com 17 anos, ele não se abate com as duas derrotas que eliminaram o time do futsal no JUBs e comemora: “Fiz um golaço. Coloquei no Facebook e mandei o vídeo para o meu técnico no Benin. Ele ficou muito feliz”.

http://istoe.com.br/parceria-busca-intercambios-esportivos…/

A imagem pode conter: 6 pessoas , pessoas sorrindo , campo de beisebol

Acidente ferroviário em Eseka, Cameroun

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Nota 417 do Itamaraty


O governo brasileiro recebeu, com pesar, a notícia do acidente ocorrido na ferrovia entre Iaundê e Douala, no Cameroun, no dia 21 de outubro, que resultou na morte de aproximadamente oitenta pessoas e deixou centenas de feridos.

O Brasil expressa suas condolências e solidariedade aos familiares das vítimas, ao povo e ao governo do Cameroun.

Evaristo Carvalho o novo Presidente de São Tomé e Príncipe afirma: “Não serei um pau-mandado”

Bernardino Manje | São Tomé e Príncipe
11 de Agosto, 2016

Fotografia: Mota Ambrósio |

Evaristo Carvalho, 75 anos, é o novo Presidente de São Tomé e Príncipe, depois de ser eleito domingo último sem a concorrência do segundo candidato mais votado na primeira volta, Manuel Pinto da Costa, que desistiu das eleições por alegados vícios no processo.

O novo Presidente já ocupou vários cargos no aparelho do Estado, tendo sido Primeiro-Ministro por duas ocasiões (em 1994 e entre o final de 2001 e início de 2002) e ministro da Defesa e da Ordem Interna. Evaristo Carvalho diz estar preparado para desempenhar as funções de Presidente da República e realça o facto de já ter trabalhado diretamente com os três anteriores Chefes de Estado, designadamente Manuel Pinto da Costa, Miguel Trovoada e Fradique de Menezes.
Na sua primeira entrevista exclusiva a um órgão de comunicação estrangeiro, na qualidade de Presidente eleito, Evaristo Carvalho fala ao Jornal de Angola sobre o processo eleitoral, a desistência de Pinto da Costa, aquilo que vai ser o relacionamento com outros órgãos de soberania, bem como as relações com Angola, que considerou excelentes, mas com espaço bastante para o seu aprofundamento.

Jornal de Angola – Acaba de ser eleito Presidente da República de São Tomé e Príncipe. Que avaliação faz de todo o processo eleitoral?

Evaristo Carvalho – Estamos praticamente no fim do processo eleitoral iniciado no mês de Julho e que termina com a segunda volta, ocorrida no dia 7 do mês em curso. Estamos a aguardar a proclamação final do Tribunal Constitucional, mas estou confiante que serei o quarto Presidente de São Tomé e Príncipe. O balanço que faço é de que o processo foi normal até ao dia 17 de Julho. Infelizmente, na segunda volta, há a destacar a desistência do segundo candidato que deveria disputar comigo. Tirando este acontecimento, as eleições decorreram num clima de paz e tranquilidade e estou convencido de que, na próxima segunda-feira, com a proclamação dos resultados definitivos pelo Tribunal Constitucional, estará tudo concluído e serei de facto o quarto Presidente da República na história de São Tomé e Príncipe. Um Presidente de todos os são-tomenses, seja dos que votaram em mim, seja dos outros.

Jornal de Angola – A desistência do candidato Manuel Pinto da Costa não acaba, de certa forma, por retirar algum sabor à sua vitória?

Evaristo Carvalho – Não restam dúvidas de que se houvesse dois candidatos, o acto eleitoral seria muito melhor. Mas não temos culpa alguma na desistência do outro candidato. Quanto à atitude do segundo candidato, só ele saberá justificar. Certamente ele, como Presidente em exercício, sentiu que disputar a segunda volta com um concorrente que na primeira volta só lhe faltava cem votos para ser eleito logo no primeiro turno, seria perda de tempo. Mas só ele é que sabe as reais causas, pois a minha eleição foi clara. O povo manifestou-se massivamente.

Jornal de Angola – E o que tem a dizer sobre a elevada percentagem de abstenção na segunda volta?

Evaristo Carvalho – É normal! Ela não belisca a minha vitória. Aliás, muita gente já previa a minha vitória. Tanto o segundo candidato mais votado na primeira volta (Pinto da Costa), como a terceira (Maria das Neves), fizeram de tudo para boicotar as eleições. Mas, como viram, o boicote não surtiu efeito porque, se na primeira volta consegui acima de 34 mil votos, na segunda volta, além dos meus votantes da primeira volta, consegui mais cerca de oito mil votos. Portanto, sinto-me satisfeito, sem qualquer belisco na minha posição de vencedor. Serei, de facto, o próximo Presidente da República e de todos os são-tomenses.

Jornal de Angola – O candidato Manuel Pinto da Costa não votou na segunda volta e já se cogita que ele também não vai estar na
investidura do Presidente eleito. Isso é possível do ponto de vista legal?

Evaristo Carvalho – Penso que, do ponto de vista legal ou jurídico, não existe qualquer dificuldade em ele estar ausente. Mas do ponto de vista político acho que isso é mau. Aliás, pela pessoa que é, foi o primeiro Presidente da República, acho que mesmo desistindo de ser candidato, no último domingo, deveria aceitar as condições e dirigir-se às urnas para votar. Confesso que fiquei surpreendido com o facto dele não ter votado, porque durante toda a campanha todos nós, candidatos, apelámos à população ao voto. Portanto, não ficou nada bem o facto dele não ter ido votar. Demonstrou não ser democrático.

Jornal de Angola – Que comentários tem a fazer sobre acusações feitas, sobretudo durante a campanha, de que o senhor é um “pau-mandado” do Primeiro-Ministro Patrice Trovoada?

Evaristo Carvalho – Isso só pode ser mesmo compreendido no quadro da campanha. Os que dizem ou disseram isso pensam que pelo facto de o partido ADI assumir toda a responsabilidade do Estado eu seria um pau-mandado, naquele sentido de que eu seria um Presidente do “sim senhor, sim senhor”. Mas podem crer que não serei isso. Conheço perfeitamente as competências de cada órgão. No nosso país as competências do Estado estão repartidas. O Presidente da República tem o seu papel bem definido, assim como o Governo, a quem compete conduzir a política geral do país. Depois surgem os tribunais, que têm o papel da justiça. Não serei um pau-mandado. Em todos estes anos, desde 1975, trabalhei no aparelho do Estado, primeiro como funcionário e depois como político. É curioso que já trabalhei com os três anteriores Presidentes da República. Fui colaborador directo de todos eles…

Jornal de Angola – Então conhece bem os meandros da Presidência da República?

Evaristo Carvalho – Conheço a função do Presidente da República e só tenho de respeitar as linhas traçadas na Constituição. Como disse, o Presidente da República tem o seu papel, o Governo e os tribunais também têm o seu. Se o Primeiro-Ministro é o chefe do Executivo, o Presidente da República tem a função de apoiar, colaborar, para que todas as instituições funcionem normalmente e as coisas marchem. Não terei o papel de boicotar qualquer órgão, nem do Governo, a quem compete trabalhar para criar o bem-estar da população e fazer o país desenvolver-se. Como vêem, isso não significa ser um pau-mandado.

Jornal de Angola – Nem mesmo o facto de ser subordinado do Primeiro-Ministro no seio do partido ADI pode levar a essas desconfianças?

Evaristo Carvalho – Mas isso acontece em quase todo o mundo! Mesmo em Angola, o Presidente da República é do partido no poder e a maioria na Assembleia Nacional é desse mesmo partido. Isso não significa ditadura, nem que o Presidente seja um pau-mandado. O mais importante nisso tudo é que haja o respeito pela Constituição da República. E aqui em São Tomé e Príncipe, o Presidente da República é o bastião da defesa da Constituição. Acompanhar, fiscalizar e fazer com que as instituições funcionem independentes, mas de uma forma ligada, com o objectivo de fazer avançar o país, é o meu propósito. Quero ser o Presidente colaborador, conselheiro e fiscalizador. Naturalmente, o facto de ser do mesmo partido do Primeiro-Ministro é melhor ainda. Há melhores condições para os consensos e o entendimento e estou certo de que as coisas vão caminhar da melhor forma.

Jornal de Angola – Quais são as suas principais apostas durante os cinco anos de mandato?

Evaristo Carvalho – A primeira aposta é de garantir a estabilidade governativa. A segunda, fazer uma presidência que proporcione o regular funcionamento das instituições do Estado. Ter boas relações com o Governo, a Assembleia Nacional e com os tribunais. Terceiro, reconhecer a competência governativa, impulsionar a agenda e programa de trabalho do Governo, no sentido de criar as melhores condições de vida das populações. As apostas são fundamentalmente estas.

Jornal de Angola – Com a sua eleição, o que vai mudar na política externa são-tomense?

Evaristo Carvalho – Vamos reforçar a nossa relação com os países da CPLP, do Golfo da Guiné, região à qual pertencemos, bem como alargar as relações de amizade e de cooperação com outros países. Sendo São Tomé e Príncipe um país com uma fragilidade conhecida, quer do ponto de vista econômico, quer financeiro, temos de lutar neste sentido da procura da ajuda e abrir novos caminhos para a cooperação que nos permita desenvolver.

Jornal de Angola – Que avaliação faz das relações entre Angola e São Tomé e Príncipe?

Evaristo Carvalho – São excelentes! Mas nós, como novo Presidente da República, vamos fazer tudo no sentido de reforçá-las. Temos relações de consanguinidade. Mesmo no período da colonização, São Tomé e Príncipe e Angola sempre foram dois países irmãos. Existem muitos são-tomenses que quando as coisas não estão a correr-lhes muito bem cá, o primeiro pensamento que vem é emigrar para Angola, e vice-versa. Por isso, tenho o dever de consolidar essa relação.

Jornal de Angola – Quer deixar uma mensagem para a comunidade são-tomense residente em Angola?

Evaristo Carvalho – Sim! Por acaso estive em Angola durante a campanha. Prometi-lhes fazer advocacia junto do Governo angolano para que este preste a melhor atenção aos meus conterrâneos que estão em Angola, fundamentalmente para que estejam livres e documentados. Durante o meu mandato, vou fazer o possível para que as condições de acolhimento dos são-tomenses residentes em Angola sejam melhoradas. Por outro lado, também queremos que eles colaborem com o povo irmão angolano para o desenvolvimento de Angola.


São Tomé e Príncipe

São Tomé e Príncipe é um país insular localizado no Golfo da Guiné, precisamente na linha do Equador. O país é composto por duas ilhas principais (ilha de São Tomé e ilha do Príncipe) e alguns ilhéus, num total de 1.001 quilômetros quadrados e cerca de 190 mil habitantes. Possui fronteiras marítimas com o Gabão, Guiné Equatorial, Camarões e Nigéria.
As ilhas de São Tomé e Príncipe foram descobertas em 1470 e 1471 pelos navegadores portugueses João de Santarém e Pêro Escobar. Existe uma tese maioritária, segundo a qual as ilhas eram desabitadas até à chegada dos portugueses. A cana-de-açúcar foi introduzida nas ilhas no século XV, mas a concorrência brasileira e as constantes rebeliões locais levaram a cultura agrícola ao declínio no século XVI.
A maior parte da população (cerca de 180 mil) reside actualmente na ilha de São Tomé e menos de dez mil no Príncipe. A população é essencialmente descendente de vários grupos étnicos que emigraram para as ilhas desde 1485. É essencialmente composta por oriundos das antigas colónias portuguesas em África e dos descendentes de escravos provenientes do antigo Reino de Daomé (atual Benin). Nos últimos dez anos, verificou-se um grande fluxo migratório de pessoas originárias de países da costa africana, com maior incidência para a Nigéria.
A grande maioria dos são-tomenses é cristã, nomeadamente da Igreja Católica Apostólica Romana, Evangélica, Adventista do Sétimo Dia, Nova Apostólica e Maná. O português é a língua oficial e é falado mais ou menos por quase toda a população, mas também falam três crioulos de base portuguesa, o fôrro, angolar e lunguié. A população urbana corresponde a 61 por cento do total e a rural a 39 por cento.
O regime político em vigor em São Tomé e Príncipe é semi-presidencialista, com uma democracia multipartidária e representativa. O Presidente da República é também o Chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas, enquanto o Primeiro-Ministro é o chefe do Governo. O poder legislativo é unicameral e a Assembleia Nacional é composta por 55 deputados eleitos para um mandato de quatro anos.
A justiça é administrada ao mais alto nível pelo Supremo Tribunal de Justiça. Existem somente dois níveis de jurisdição: tribunais de primeira instância e os recursos são feitos junto do Supremo Tribunal de Justiça, que é o tribunal de última instância. Existe também um Tribunal Constitucional, que funciona provisoriamente junto do Supremo Tribunal de Justiça, bem como um Tribunal de Contas.
Os principais recursos naturais e produções em São Tomé e Príncipe são o cacau, café e óleo de palma. A pesca é uma das principais fontes de alimentação da população. A indústria limita-se à transformação dos produtos agrícolas.
Cem dólares equivalem a cerca de dois milhões e duzentos mil dobras (moeda de São Tomé e Príncipe). Uma refeição num restaurante fica entre 200 a 250 mil dobras. A corrida do táxi numa distância de um quilómetro custa dez mil dobras. O serviço de táxi é feito em viaturas ligeiras pintadas com cor amarela, bem como em motorizadas, que constituem a maioria.


Fim da coabitação política em São Tomé e Príncipe

No dia 3 de Setembro, o actual Presidente de São Tomé e Príncipe, Manuel Pinto da Costa, termina o seu mandato, embora já tenha exercido o cargo durante 15 anos, entre 1975 e 1991, quando o MLSTP|PSD era o único partido no cenário político local. Com a sua derrota na primeira volta nas presidenciais de 17 de Julho e desistência na segunda volta, no último domingo, Pinto da Costa não conseguiu cumprir a tradição que se registava em São Tomé e Príncipe, em que os Presidentes em exercício eram reeleitos para um segundo mandato. Foi assim com Miguel Trovoada e o mesmo repetiu-se com Fradique de Menezes. Com a derrota de Pinto da Costa, também se põe fim à coabitação política que sempre existiu em São Tomé e Príncipe. É que o Presidente eleito, Evaristo Carvalho, é do mesmo partido do primeiro-ministro, a ADI (Acção Democrática Independente).
Apesar de ser um dos fundadores do MLSTP/PSD, Pinto da Costa sempre concorreu como independente. Foi assim em 2011 e repetiu-se este ano. Desde um tempo a esta parte, tem sido notável o difícil relacionamento entre os Presidentes da República de São Tomé e Príncipe e os primeiros-ministros, pelo facto de os dois não serem da mesma cor partidária.
A instabilidade política tem sido uma constante, o que em algumas vezes obrigou à demissão do governo e a convocação de eleições antecipadas. Estando a ADI no governo e sendo o novo Presidente da República um militante deste partido (mais do que um simples militante, vice-presidente), estão criadas as condições para acabar, ou pelo menos diminuir, as “crônicas intrigas e querelas políticas”, como considerou Evaristo Carvalho as dificuldades de coabitação que, volta e meia, existiam entre o Chefe de Estado e o líder do Governo. “Durante os 25 anos de democracia, São Tomé e Príncipe conheceu, infelizmente, 15 primeiros-ministros por causa de crises cíclicas institucionais”, lembrou Evaristo Carvalho, durante a campanha para as eleições, admitindo que esta instabilidade política era um entrave ao progresso. “Num país de economia frágil como o nosso, a coesão política é a condição ‘sine qua non’ para a sua afirmação e desenvolvimento”, considerou. O actual primeiro-ministro também lembrou os momentos de coabitações difíceis no país. “Esta será, provavelmente, a primeira vez que pomos termo à coabitação”, sublinhou Patrice Trovoada, considerando que os problemas registados no passado não foram apenas das instituições, mas também das pessoas que encarnam estas instituições. Com a eleição do candidato do seu partido, para Presidente da República, Patrice Trovoada prevê uma governação mais tranquila. “Toda a gente sabe da excelência das relações pessoais entre Evaristo Carvalho e Patrice Trovoada, daí que acho que não há nuvens nenhumas e estou ávido de começarmos a trabalhar juntos a partir do dia 3 de Setembro”, disse o primeiro-ministro, referindo-se à data de tomada de posse de Evaristo Carvalho no cargo de Presidente da República. Todas as expectativas estão agora voltadas para como deve ser a gestão do novo Presidente da República, que prometeu “exercer a função com toda a serenidade e lealdade e contribuindo para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe”. Evaristo Carvalho é actualmente deputado e vice-presidente da ADI, tendo sido já primeiro-ministro por duas vezes (em 1994 e entre o final de 2001 e início de 2002), ministro da Defesa e da Ordem Interna (Interior).

 

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