Bancos congelam as contas dos guineenses penalizados pela CEDEAO

  • Lassana Cassamá

Bissau
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Presidente de Guiné Bissau reuniu-se com representantes dos bancos comerciais

As 19 personalidades da Guiné-Bissau, sob sanções da CEDEAO por alegadamente ter impedido a concretização do Acordo de Conacri, viram as suas contas bancárias restringidas.jomavgbissauglobal

Esta situação terá motivado um encontro, na terça-feira, 6, entre o Presidente da República, José Mário Vaz, e os responsáveis dos bancos comerciais.

Do ponto de vista financeiro, analistas perspectivam dias difíceis para os 19 sancionados perante informações de que as suas contas estão a ser bloqueadas pelos bancos.

Na opinião do consultor jurídico Luís Petit, se se efectivar em pleno a decisão do congelamento das contas dos visados, não há riscos de responsabilização judicial dos bancos face aos seus clientes.CEDEAO (1)

“O Estado da Guiné-Bissau está submetido às regras internas da CEDEAO, tanto assim que as entidades privadas autorizadas devem estar em condições de cumprir estas diretrizes, desde que sejam devidamente notificadas”, explica Petit, para quem o encontro entre o Presidente da República e os responsáveis dos bancos revela “uma má imagem” de José Mário Vaz, perante os seus pares da organização regional.

Por seu lado, o especialista em assuntos econômicos João Alberto Djata especifica que, se os bancos efetivarem as restrições os visados que são empresários correm o risco de enfrentar situações extremas de debilidades financeiras.

Contudo, face a esta eventualidade, ressalvou que o Estado pode sentir-se afectado na arrecadação dos impostos provenientes de empresas afectadas.

“A haver contas congeladas, eles terão dificuldades, naturalmente, em termos de realização dos seus negócios”, assegurou Djata.

A CEDEAO aplicou no início de Fevereiro sanções a 19 personalidades políticos guineenses por, segundo a organização, impedirem o cumprimento do Acordo de Concri que prevê uma solução para a crise guineense.

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fonte:https://www.voaportugues.com/a/bancos-comerciais-sancionados-guine-bissau-cedeao/4284599.html

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CEDEAO aplica sanções às autoridades de Guiné Bissau pelo descumprimento do Acordo de Conacri

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A Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) divulgou hoje a lista de sanções contra 19 individualidades guineenses entre as quais se encontra o Procurador-geral da República, Bacari Biai.

downloadEsta lista é divulgada como consequência ao descumprimento do Acordo de Conacri proposto pela CEDEAO em Outubro de 2016 com o objectivo de acabar com a crise política na Guiné-Bissau e eleger um primeiro-ministro de consenso.

Começaram a ouvir-se reacções das 19 personalidades guineenses sancionadas pela CEDEAO por alegados entraves ao Acordo de Conacri. Braima Camará, o coordenador do grupo dos 15 deputados expulsos do PAIGC, alega que ainda que não tinha sido notificado oficialmente sobre o castigo, mas que está de consciência tranquila porque “quem não deve não teme”.

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Na lista dos sancionados constam: Braima Camará, Rui Dia de Sousa, Soares Sambu, Abel da Silva Gomes, Manuel Nascimento Lopes, Eduardo Mamadu Balde, Maria Aurora Abissa Sano, todos deputados expulsos do PAIGC.

Mas ainda o secretário-geral do Partido da Renovação Social (PRS), Florentino Mendes Pereira, o vice-presidente do mesmo partido e ministro das Pescas no Governo demissionário, Orlando Mendes Viegas, o líder do grupo parlamentar do PRS,Certório Biote, e o dirigente da mesma formação política, Domingos Quade.

Ainda do PRS são alvo de sanções Carlitos Barai e Domingos Malu, actual e antigo ministro da Saúde Pública.

Constam ainda na lista o antigo Procurador-geral da República António Sedja Man e o atual titular deste órgão, Bacari Biai, o ministro do Interior do Governo demissionário, Botche Cande, Herson Gougjabi Vaz, filho do Presidente guineense, e os também ministros do Comércio, Victor Madinga, e do Turismo, Fernando Vaz.

 

Guiné Bissau: não houve progresso na implementação do Acordo de Conacri

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A delegação da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que esteve em Bissau por dois dias em busca de uma estratégia de implementação do Acordo de Conacri, conclui não houve nenhum progresso significativo na implementação desse acordo que visa pôr fim a crise política que dura há mais de dois anos.

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A Cimeira da CEDEAO de Abuja, Nigéria, no fim do ano passado, tinha dado um prazo de 30 dias às autoridades guinneses para implementar o Acordo, um prazo que expirou no dia 16 de janeiro.CEDEAO (1)

Com extremar de posições e o persistente impasse político, a CEDEAO diz que irá avançar para a aplicação de sanções contra as pessoas que impedem a efetiva implementação do Acordo, lê-se no comunicado final da missão divulgado nesta quinta-feira (18.01.)em Bissau.

Guinea-Bissau Jose Mario VazJosé Mário Vaz, Presidente da Guiné-Bissau

Contactos continuam

As divergências persistem entre o PAIGC, partido que venceu as eleições em 2014, e os seus deputados expulsos que reclamam o regresso aos lugares que ocupavam na direção.

Os quinze deputadosexpulsos condicionam o regresso ao partido com a anulação do Congresso previsto para o final do mês. Uma proposta prontamente refutada pela direção do PAIGC.

A missão da CEDEAO liderada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Togo, Robert Dussey, e integrada pelo secretário-geral da presidência da Guiné-Conacri, Nabi Bangura, desdobrou-se em contactos com os atores políticos guineenses.

Conselho de Segurança da ONU aprovou o cumprimento do Acordo de Conacri na Guiné Bissau

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O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou hoje uma declaração presidencial a pedir o cumprimento do Acordo de Conacri e a nomeação de um novo primeiro-ministro na Guiné-Bissau.

A declaração diz que o Acordo de Conacri, que prevê a formação de um governo consensual integrado por todos os partidos representados no parlamento e a nomeação de um primeiro-ministro de consenso e de confiança do chefe de Estado, é “a ferramenta principal para uma resolução pacifica da crise política” e diz que o documento oferece uma “oportunidade histórica”.

“O Conselho de Segurança expressa preocupação profunda com o impasse político na Guiné-Bissau, devido à incapacidade dos seus líderes atingirem uma solução consensual e duradoura, como fica demonstrado com o falhanço da Assembleia Nacional em realizar sessões plenárias desde janeiro de 2016 e com o falhanço de quatro governos consecutivos em aprovar um programa de governo e um orçamento nacional”, lê-se na declaração.

Os membros do Conselho de Segurança lembram “os efeitos negativos da crise política na população civil” e pedem “a todos os atores políticos que coloquem os interesses do povo da Guiné-Bissau acima de quaisquer outras considerações”.

“O Conselho de Segurança sublinha a importância de preparar as eleições legislativas e presidenciais, calendarizadas para 2018 e 2019, sobretudo atualizando o registo de eleitores”, defende a organização.

A declaração do presidente do Conselho de Segurança elogia a extensão por três meses da missão Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) no país, sublinhando o seu “papel positivo na estabilização do país.”

As notícias do crescimento económico são bem recebidas, mas os estados membros dizem que “com as causas da instabilidade por resolver”, estes ganhos “podem não ser sustentáveis.”

O organismo volta a pedir uma reforma do setor da segurança, um combate à corrupção reforçando o sistema judicial e uma melhoria da administração pública da Guiné-Bissau.

“O Conselho de Segurança mostra preocupação para com os desafios colocados pelas ameaças terroristas e outras ameaças, como o extremismo violento, que podem conduzir a terrorismo e crime organizado internacional, como tráfico de drogas e pessoas”, lê-se no documento.

A declaração não se refere à revisão das sanções impostas a 10 militares da Guiné-Bissau, algo que foi defendido pelo presidente do Comité de Sanções para o país, Elbio Rosselli, embaixador permanente do Uruguai na ONU.

Segundo o “What`s in Blue”, uma publicação do Conselho de Segurança, “vários estados membros parecem estar contra a retirada de indivíduos da lista” porque “acreditam que manter essa designação cria um desincentivo a possíveis interferências pelos militares numa situação que ainda é muito frágil.”

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/conselho-de-seguranca-pede-implementacao-de-acordo-de-conacri-na-guine-bissau_n1026951

Cabo Verde pode assumir presidência da CEDEAO

 

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O primeiro-ministro disse esta quarta-feira que Cabo Verde já está negociar para assumir a presidência da Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) na próxima cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da comunidade.

 

Trata-se, segundo Ulisses Correia e Silva, de um processo normal de rotatividade, em que é vez de Cabo Verde presidir à comissão da CEDEAO.

“Nós temos todo o interesse e está convergente com aquilo que nós defendemos relativamente a ter Cabo Verde com posicionamento muito forte a nível da integração regional e de ocupação de cargos de responsabilidade e esperemos que possamos conseguir” disse.

Questionado sobre se Cabo Verde já tem indicação da pessoa para o cargo de presidente da comissão da CEDEAO, o chefe do Governo cabo-verdiano disse que não e que as negociações estão a decorrer para posteriormente fazer essa escolha.

“Nós temos que criar as condições, como estamos a fazer, com negociações tranquilas junto da CEDEAO para poder ter acesso ao cargo e logo depois definirmos e negociar o melhor perfil para um cargo internacional e regional muito importante.”, sublinhou.

Togo substituirá Libéria na presidência da CEDEAO

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O Presidente do Togo, Faure Gnassingbé, foi designado novo presidente em exercício da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) no domingo, refere a organização, em comunicado, hoje divulgado à imprensa.

A designação foi feita durante a 51.ª cimeira de chefes de Estado e de Governo da CEDEAO que decorreu domingo em Monróvia na Libéria, que também anunciou que a 52.ª cimeira vai decorrer em Lomé, Togo, em dezembro.

Faure Gnassingbé substitui no cargo a chefe de Estado da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf.

Outra das decisões dos chefes de Estado e de Governo da CEDEAO foi dar o seu “acordo de princípio” para a adesão de Marrocos à organização devido aos “fortes laços de cooperação com a África Ocidental”, refere o comunicado.

No plano da segurança, segundo o documento, a CEDEAO decidiu prolongar por mais três meses o mandato da missão de segurança na Guiné-Bissau e por mais 12 meses a missão na Gâmbia.

http://www.dn.pt/lusa/interior/presidente-do-togo-substituti-chefe-de-estado-da-liberia-na-presidencia-da-cedeao-8536310.html

A ONU e a União Africana

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Terminou recentemente a cimeira da União Africana, acontecimento que contou com a presença do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, que, em intervenção nesta organização continental, deu ênfase à importância de África, continente berço da humanidade, para a resolução dos grandes problemas mundiais.

 

África é considerada como o continente das oportunidades, mas também está marcada por vários problemas, como conflitos armados, terrorismo e crises humanitárias. António Guterres, que foi durante vários anos Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, conhece bem os problemas de África, pelo que não admira que ele tenha um conhecimento profundo dos problemas do continente. Este conhecimento vai certamente ajudá-lo a encontrar, na qualidade de Secretário-Geral da ONU, as vias apropriadas para que muitos problemas de África sejam solucionados.
Guterres tem consciência de que África é um continente com “enorme potencial”, não só em termos econômicos mas também de capacidade de países africanos poderem resolver os seus próprios problemas. O Secretário-Geral da ONU acredita que os africanos podem dar soluções aos seus próprios problemas, e citou como exemplo a recente intervenção da CEDEAO (Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental ) na Gâmbia, com a ajuda das Nações Unidas.
Vivemos hoje num mundo em que há sinais preocupantes de indiferença ao sofrimento humano em várias partes do mundo. É sempre bom que seja um Secretário-Geral da ONU, com todo o prestígio deste cargo, a apelar para a solidariedade com as pessoas que no mundo precisam de ajuda, nomeadamente os refugiados.
Guterres destacou o facto de África continuar aberta às “pessoas que precisam de protecção, quando muitas fronteiras estão a ser fechadas, até mesmo nos países mais desenvolvidos”. O Secretário-Geral da ONU sabe que vivemos momentos difíceis no mundo e que é preciso contar com a África para a resolução de muitos problemas de um continente que alberga um número considerável de refugiados.
A ONU quer uma parceria com a África, e é importante que haja uma colaboração estreita entre as Nações Unidas e a União Africana, porque há problemas complexos por resolver. As Nações Unidas e a União Africana podem constituir uma forte parceria para a promoção da paz, do progresso e da solidariedade.
As situações difíceis por que passam milhares de pessoas no mundo, nomeadamente refugiados, justificam acções permanentes de solidariedade por parte dos Estados e dos políticos em todo o mundo. Guterres chegou a citar, a propósito, uma frase de Samora Machel, o falecido Presidente de Moçambique, segundo a qual “a solidariedade é um acto de união entre aliados lutando em diferentes áreas, mas com os mesmos objectivos e o principal desses é ajudar no desenvolvimento da humanidade no nível mais alto possível”.
É importante que os Estados estejam cada vez mais unidos para enfrentarem em conjunto os mesmos desafios. Cada Estado deve dar uma contribuição para tornar o mundo cada vez melhor. Os políticos ou estadistas africanos, e não só, devem sentir-se na obrigação de trabalhar incessantemente no sentido de se pôr fim às crises humanitárias.
Mas o ideal ainda é que se dê prioridade à prevenção de conflitos ou de outras situações que possam gerar sofrimento para milhões de pessoas. Se prevenirmos conflitos, poderemos evitar que as pessoas tenham de abandonar os seus países de origem, para fugir à violência.
A ONU e a União Africana são duas organizações que, em parceria, podem conjugar esforços para que o continente africano seja um espaço bom para se viver. A África deve tirar partido da qualidade de muitos dos seus recursos humanos, para se focar na construção da prosperidade das populações de um continente que possui riquezas enormes que precisam de ser transformadas, para benefício dos seus povos.
A África já passou por muitas situações dramáticas durante muitos anos. É hora de se pôr fim às tragédias que enfraquecem as instituições dos nossos Estados. É hora de construirmos a paz e instaurarmos definitivamente no continente africano a estabilidade.
Não basta dizer que África é o continente das oportunidades. Que estas oportunidades sejam realmente aproveitadas pelas populações africanas, a fim de que possam ter uma vida digna. Vale a pena citar palavras do Secretário-Geral da ONU dirigidas aos delegados à cimeira da União Africana a propósito das oportunidades em África. “É fundamental que façamos mais para proporcionar aos jovens oportunidades e esperança. Felicito-vos por terem designado 2017 como o ano do aproveitamento do dividendo demográfico através de investimentos na juventude. Mais de três em cada cinco africanos têm menos de 35 anos de idade”, disse António Guterres, que acredita na força da juventude africana para tornar o continente berço da humanidade num espaço de constante prosperidade.

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/editorial/a_onu_e_a_uniao_africana

Gâmbia pode ser exemplo pela saída da crise política pela persuasão

_92810623_afp_barrowA crise pós-eleitoral na Gâmbia, que terminou da melhor forma possível, sem mortes e com o exílio, na Guiné Equatorial, do antigo Presidente Yahya Jammeh,  parece inaugurar uma nova era na forma de os africanos resolverem os problemas do continente.

Após reiteradas recusas, Yahya Jammeh finalmente aceitou ceder o poder ao Presidente Adama Barrow, evitando um banho de sangue e a entrada no pequeno país de quase dois milhões de habitantes encravado no Senegal de uma força regional para o “convencer” a abandonar a Presidência da Gâmbia.
Yahya Jammeh alega que saiu “de sã consciência e sem pressões”, mas foi a dissuasão da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), com aval da União Africana e da ONU, que o levou a deixar o poder após 22 anos de uma governação iniciada com um golpe de Estado.
Para alguns autores, a dissuasão é definida como o receio de uma individualidade ou colectividade sofrer danos em consequência da ação que pretendia levar a efeito.
Para outros, significa persuadir um adversário a não iniciar uma ação específica em virtude dos benefícios percebidos não justificarem os custos e riscos estimados.
A CEDEAO convenceu Yahya Jammeh que continuar a governar sem o aval do povo gambiano resultava para si num dano muito maior do que largar o poder para Adama Barrow, eleito em eleições presidenciais consideradas livres, justas e transparentes pela União Africana e a comunidade internacional.
Para tal, o bloco regional da África Ocidental utilizou o argumento da dissuasão, cuja chave reside na capacidade de represálias e desta reduzir a represália do adversário.
CEDEAO, União Africana e ONU saem reforçadas da crise pós-eleitoral da Gâmbia, inauguram um precedente e adotam um paradigma que envia um recado a líderes africanos sedentos de poder, o de que não vão mais tolerar que líderes depostos pela vontade do povo manifestada nas urnas governem à revelia da soberania popular.
Ao apoiar prontamente a iniciativa da CEDEAO, a ONU e a União Africana privilegiaram uma diplomacia preventiva mais atuante, destinada a evitar o conflito.
Mas é necessário que a prontidão usada na Gâmbia – cujo Presidente foi dissuadido com 200 soldados nigerianos, aviões do Senegal, cargueiros, um helicóptero e um avião de vigilância e de reconhecimento – seja a mesma em situações idênticas em países mais fortes.
Dito de outro modo, é crucial que CEDEAO, ONU e União Africana não adoptem uma política de dois pesos e duas medidas, sendo forte com os Estados fracos e fracos com os Estados fortes.
A actuação da CEDEAO, das Nações Unidas e da União Africana na crise na Gâmbia foi positiva, mas é necessário que actuem da mesma maneira em casos semelhantes em Estados mais fortes, para não perderem a credibilidade que agora conseguiram granjear.

À espera de Adama Barrow

A Gâmbia esperava ontem a chegada do novo Chefe de Estado,  Adama Barrow, após a partida forçada ao exílio do seu antecessor, Yahya Jammeh.
Na capital gambiana, Banjul, as manifestações espontâneas de alegria para festejar a partida de Yahya Jammeh deram lugar a um sentimento de tranquilidade, segundo a agência de notícias France Press.
Num comunicado conjunto, divulgado pouco depois de Yahya Jammeh abandonar o país, a CEDEAO, a União Africana e as Nações Unidas prometeram defender os direitos do antigo presidente, incluindo a possibilidade de regressar a Gâmbia, e declararam o fim da intervenção.
As três organizações saudaram “a boa vontade” de Yahya Jammeh “para conquistar uma saída pacífica à crise”, e referem que as forças militares da CEDEAO “ficam no país pelo tempo necessário” para garantir a segurança do regresso à Gâmbia do Presidente Adama Barrow.
Na manhã de domingo, soldados senegaleses da CEDEAO entraram na Gâmbia e foram recebidos com alegria pela população e por militares, noticiou a France Press.

Apoio de António Guterres

O Secretário-Geral da ONU afirmou no sábado que “o Estado de direito prevaleceu na Gâmbia”.
Numa mensagem divulgada no Twitter, António Guterres saudou a liderança africana “pelo sucesso em restaurar a democracia na Gâmbia”, dois dias depois de ligar para o Presidente Adama Barrow e felicitá-lo pela tomada de posse.
Na conversa ao telefone, António Guterres elogiou a determinação de Adama Barrow e o que chamou de “histórica decisão da CEDEAO para honrar e respeitar a vontade do povo gambiano”.
O Secretário-Geral da ONU manifestou a disponibilidade das Nações Unidas apoiar o novo Presidente gambiano nos esforços de promover democracia e o desenvolvimento sustentável no país.
O chefe do Escritório da ONU na África Ocidental e no Sahel, Mohammed Ibn Chambas, está na Gâmbia, ao lado de outros líderes regionais, para encontrar uma solução para a questão da transição.
Dados da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) indicam que mais de 45.000 pessoas fugiram da Gâmbia desde o início de Janeiro, a maioria rumo ao Senegal, devido a crise pós-eleitoral, que durou seis semanas.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/dissuasao_evitou_banho_de_sangue_na_gambia

Presidente eleito da Gâmbia toma posse no Senegal

O PRESIDENTE eleito da Gâmbia, Adama Barrow, disse hoje, quinta-feira, que vai assumir o cargo de Presidente da República na embaixada da Gâmbia na capital senegalesa, Dakar, às 16.00 (hora local).

Barrow encontra-se desde semana passada em Dakar, onde se deslocou para consultas junto de Chefes de Estado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), organização que medeia a crise gambiana.

Numa mensagem postada na sua conta no Twitter, Barrow disse: “Meus queridos Gambianos, a presidência de Yahya Jammeh está oficialmente terminada. A nova era da Gâmbia finalmente chegou. Todos vocês são bem-vindos à minha tomada de posse hoje às 16 horas na Embaixada Gambiana, em Dakar”.

Relatos anteriores sugeriam que ele iria tomar posse num local indeterminado na Gâmbia.

Estes novos desenvolvimentos seguem-se ao fracasso das negociações de última hora para persuadir o Presidente derrotado, Yahya Jammeh, a demitir-se. O prazo terminou sem que Jammeh deixasse o poder.

Como sinal de crescente isolamento, o ainda homem forte de Gâmbia tem assistido ao abandono de figuras-chave do governo e do seu círculo mais próximo.

A vice-presidente da Gâmbia, Isatou Njie-Saidy, renunciou ontem, horas antes de expirar o mandato do Presidente Jammeh, informou a agência de notícias AFP, citando fontes familiares.

O ministro do Meio Ambiente e do Ensino Superior também renunciou, o último de uma série de membros do Executivo a abandonar Jammeh, após a sua recusa em deixar o cargo.

O advogado de Jammeh fugiu para o Senegal depois de escrever uma carta pedindo-lhe para abandonar o poder, segundo notícias do jornal Premium Times da Nigéria.

Edu Gomez disse que trabalhou para Jammeh sob “tremenda pressão e coerção”, relata o jornal, que cita a carta do advogado, na qual diz: “Na terça-feira, 17 de Janeiro de 2017, eu e o meu filho tomámos uma decisão crucial de procurar um santuário na República do Senegal. Isso foi considerado necessário devido ao crescente medo e tensão”.

Um correspondente da BBC na capital, Banjul, relata que a situação está estranhamente silenciosa e que tudo está parado; as pessoas mantém-se dentro de casa, com receio de serem apanhadas no meio de confusão, na sequência do estado de emergência decretado quarta-feira por Jammeh.

As forças militares da África Ocidental estão preparadas para entrar no país a fim de imporem a transferência do poder.

Relatos não confirmados dão conta de que as tropas do Senegal já atravessaram a fronteira para garantirem um número de cidades, com a ajuda de soldados gambianos.

Jammeh – que está no poder há mais de duas décadas – contesta o resultado das eleições

http://jornalnoticias.co.mz/index.php/internacional/64602-presidente-eleito-da-gambia-toma-posse-no-senegal.html

Presidente da Gambia está isolado internacionalmente

Eleazar Van-Dúnem |

Fotografia: Martial Trezzini | Pool/ AFP

A crise política na Gâmbia, que desde terça-feira está em Estado de Sítio por decreto de Yahya Jammeh, cujo mandato legítimo terminou hoje, é até agora o maior teste para a política de prevenção de conflitos que o novo Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, e a União Africana querem privilegiar.

 

Perante o Conselho de Segurança , António Guterres disse recentemente que a organização gasta muito tempo e recursos na resposta às crises, sublinhando que as pessoas pagam um preço alto demais e defendendo “uma nova abordagem” baseada na mediação de conflitos e na “diplomacia pela paz” e mais empenho “para prevenir a guerra e apoiar a paz ao invés de nos concentrarmos em responder aos conflitos”.
O mundo espera de António Guterres um papel mais activo na tentativa de resolução dos problemas internacionais e acredita, como afirmou recentemente o Presidente angolano José Eduardo dos Santos, que o novo Secretário-Geral da ONU vai dar um “notável impulso a uma nova abordagem dos problemas internacionais”.
O conflito na Gâmbia, por conseguinte, é a oportunidade para António Guterres demonstrar uma diplomacia preventiva mais actuante que busque soluções efectivas para os conflitos actuais e evite novos conflitos, rompendo deste modo com o consulado de Ban Ki-moon, muito criticado pela sua inacção.
Para a União Africana, é uma oportunidade para que possa adoptar um novo paradigma e enviar uma clara mensagem aos líderes africanos sedentos de poder, a de que já não vai permitir que líderes depostos pela vontade do povo manifestada nas urnas governem à revelia da soberania popular. A crise na Gâmbia ainda não resvalou para uma guerra civil, mas o evoluir da situação caminha para tal, a menos que a ONU e a União Africana invertam o percurso.
A organização mundial e a entidade regional, que defendem o mesmo “modus operandis” e cooperam em matéria de paz e segurança, também serão marcados, pela positiva ou pela negativa, sobretudo o mandato de António Guterres e a actuação da União Africana.

Mediação de Marrocos

A France Press noticiou, citando um site de informação marroquino, que Marrocos promove “uma mediação discreta” na Gâmbia para convencer Yahya Jammeh a abandonar o poder. De acordo com a fonte, que cita “meios diplomáticos concordantes”, o ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros, Nasser Bourita, e Yassine Mansouri, chefe dos serviços de inteligência externa, “cumprem há alguns dias” uma “missão delicada em Banjul” para o agora Presidente ilegítimo “ceder o poder e aceitar a derrota nas eleições com a eventualidade de uma retirada dourada em Marrocos”.
Solicitado pela France Press para confirmar essas informações, o Governo marroquino recusou-se a comentar. Rabat mantém boas relações com a Gâmbia.

Intervenção militar

Vários meios de comunicação sociais noticiaram esta semana, citando fontes do Governo e do Exército nigeriano, que a Comunidade Económica de Desenvolvimento da África Ocidental (CEDEAO) prepara uma intervenção militar na Gâmbia, caso Yahya Jammeh continue a recusar abandonar o poder.
Entre os países implicados na acção destacam-se a Nigéria e o Senegal, que têm uma força conjunta para desdobrar em território gambiano. “Tomou-se a decisão de não permitir que o Presidente cessante da Gâmbia permaneça no poder e isso vai ocorrer através de uma intervenção militar, a menos que Yahya Jammeh renuncie”, disse uma fonte militar citada pela Prensa Latina.
“Vamos mobilizar-nos muito rápido para Dacar, no Senegal”, disse outra fonte, citada pela France Press, que mencionou o envio de “pilotos, técnicos e pessoal de manutenção dos aviões” relacionado “com os acontecimentos em curso na Gâmbia”. Especialistas militares convergem na ideia de que as Forças Armadas gambianas “não têm capacidade de enfrentar uma eventual força regional” se avançar a intervenção militar.

Yahya Jammeh isolado   

No plano interno, o Presidente cessante está cada vez mais isolado. Quatro novos ministros deixaram o Governo já assolado por uma série de demissões, noticiou na terça-feira a agência de notícias France Press citando fonte próxima do poder.
Os últimos ministros a demitir-se são o dos Negócios Estrangeiros, Neneh Macdoual-Gaye, das Finanças, Abdou Colley, do Comércio, Abdou Jobe e do Turismo, Benjamin Roberts, disse uma fonte próxima do governo cessante, que pediu anonimato.
Benjamin Roberts foi nomeado na segunda-feira para as Finanças, em substituição de Abdou Colley, mas permaneceu menos de 24 horas no cargo. Os ministros da Informação e dos Desportos tinham sido substituídos na semana passada.
Mudanças também ocorreram no Exército, onde oficiais que se recusam a apoiar Yahya Jammeh contra o Presidente eleito Adama Barrow, como solicitado pelos comandantes da Guarda republicana, que garante a protecção do agora Chefe de Estado ilegítimo, foram detidos domingo, segundo fontes dos serviços de segurança e da oposição.
Esta última reclama pela libertação imediata dos militares detidos.
Yahya Jammeh decretou o estado de emergência na terça-feira, justificando a medida com “um nível de ingerência estrangeira excepcional e sem precedentes” no processo eleitoral do país – em pronunciamento transmitido pela televisão e no qual lamentou “a atmosfera hostil injustificada que ameaça a soberania, a paz e a estabilidade”.
O agora Presidente ilegítimo diz querer permanecer no cargo até que a Justiça se pronuncie sobre o recurso apresentado por si.
A Constituição da Gâmbia estabelece que o estado de emergência dura sete dias a partir do decreto, mas pode ser prorrogado por até 90 dias com a aprovação do Parlamento, que já deu sinal verde para tal.
O estado de emergência, refere, vigora até o Tribunal Supremo se pronunciar em relação a uma reivindicação do partido de Yahya Jammeh sobre alegadas irregularidades na votação.
O Tribunal Supremo devia ter decidido o caso no dia 10, mas adiou a decisão para Maio, por alegada falta de juízes para uma deliberação

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/jammeh_sem_legitimidade_pode_ser_obrigado_a_sair