Africanos estão no Brasil para aprender técnicas de produção de sementes de gramíneas forrageiras

Foto: Laura Souza Pereira

Laura Souza Pereira - Africanos participam de workshop sobre produção de sementes

Africanos participam de workshop sobre produção de sementes

Um grupo de africanos participa, nesta semana, de um workshop sobre produção de sementes de gramíneas forrageiras na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP). São 16 representantes de países africanos que estão na delegação. O evento, que vai até sexta-feira (15), foi articulado pela Embrapa em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

O objetivo é identificar potenciais, restrições e limitações à produção de sementes de forrageiras utilizadas no Brasil com possibilidade de uso consorciado em lavouras de algodão em cinco países africanos – Benin, Burkina Faso, Chade, Mali e Togo. O workshop também vai apresentar e discutir alternativas técnicas à produção de sementes dessas gramíneas e elaborar um planejamento inicial para a multiplicação de sementes nesses países.

De acordo com o pesquisador Francisco Dübbern de Souza, que está trabalhando o tema com os visitantes, a intenção é apresentar a experiência brasileira nessa área. “A ideia é que a experiência do Brasil sirva de inspiração para eles solucionarem os problemas com pastagem em seus países”, destacou Souza.

Para Fagaye Sissoko, a expectativa com a formação é que o grupo aprenda e domine a técnica de multiplicação das sementes de gramíneas para não depender mais do Brasil. “As sementes de pastagens sempre partiram do Brasil para os países da África. Agora, é preciso que aprendamos a multiplicar essas sementes. Sabemos dos benefícios dessas plantas para o solo e para a cultura do algodão”, afirmou Sissoko, representante de Mali.

A programação do workshop inclui visitas a campo, laboratórios e experimentos da Embrapa. Os representantes de cada país vão caracterizar as condições locais de cultivo e de uso das sementes de gramíneas forrageiras tropicais em seus países. Na tarde de quinta-feira (14) começa o trabalho em grupo que prevê a definição do planejamento para produção de sementes. O workshop termina sexta-feira (15), às 11h30.

Histórico

O projeto de cooperação técnica internacional “Fortalecimento tecnológico e difusão de boas práticas agrícolas para o algodão nos países do Cotton-4 e Togo” começou em 2009. A iniciativa visa ajudar os cinco países africanos a desenvolver o setor de algodão, aumentando a produtividade, gerando diversidade genética e aprimorando a qualidade do produto cultivado.

Produtores de algodão da África Ocidental perceberam aumento da produtividade quando consorciaram braquiária à cultura original. A Embrapa chegou a enviar sementes da gramínea à África, mas os resultados não foram positivos por falta de conhecimento.

Estudantes de Benin, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Chade, Costa do Marfim, Senegal e Togo visitam o Brasil

Grupo de produtores e estudantes de oito países percorre o Norte de Minas para ver produção em clima similar ao deles

Regis Lancaster/Divulgação

Uma missão formada por 37 estudantes e profissionais da área agrícola de países da África visitou na última semana, os municípios de Catuti e Mato Verde, no Norte de Minas, com o objetivo de conhecer o cultivo de algodão no semiárido. O plantio é feito dentro do Programa de Retomada do Algodão do Norte de Minas, que envolve 97 agricultores de seis municípios.

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A comitiva estrangeira, que chegou na segunda-feira e permaneceu na região até ontem, foi formada por representes de oito países africanos de língua francesa – Benin, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Chade, Costa do Marfim, Senegal e Togo. Eles estão no Brasil há quatro meses, aperfeiçoamento conhecimentos sobre a cotonicultura em curso promovido pela Universidade Federal de Lavras (Ufla).
O projeto de “Capacitação e Transferência de Tecnologia na Cultura do Algodão” da Ufla é desenvolvido desde 2014, em parceria com o Ministério de Relações Exteriores. Envolve também o projeto “Cotton Victória”, que visa promoção da cadeia produtiva e a melhoria das técnicas da cultura algodoeira em países da África subsaariana. Dentro da parceria, em 2015, um grupo de professores da Universidade Federal de Lavras participou de uma viagem técnica que teve como propósito avaliar o cultivo do algodão em três países africanos: Quênica, Tanzânia e Burundi.
Os integrantes da delegação africana realizaram no Norte de Minas as atividades práticas do curso ministrado pela Ufla. Um dos aspectos considerados é o fato de o algodão ser produzido na região em características climáticas e de solo próxima aos países africanos.
Além de assistir palestras, eles visitaram as propriedades dos pequenos produtores do Projeto de Retomada de Algodão, que conseguem bons índices de produtividade em regime de poucas chuvas. Para isso, adotam técnicas para o uso eficiente dos recursos hídricos, se adaptando ao clima semiárido.
Uma das estratégias adotadas é a irrigação complementar – os plantios foram feitos no período chuvoso e, mesmo assim, contaram com equipamentos de irrigação, recebendo a chamada ‘molhagem mecânica’ somente quando a chuva demora – no veranico. É usada água captada em poço-tubular, mas em menor quantidade, considerando o limite do lençol freático da região. Os agricultores do Norte de Minas plantaram 480 hectares (ha)  de algodão na safra 2016/2017, dos quais 400 ha de sequeiro e 80 hectares semi-irrigados.

 

Técnicas

A missão africana visitou no município de Catuti a propriedade do pequeno agricultor José Alves de Souza, o “Zé Brasil”, que recorre ao sistema de captação de água de chuva em tanque escavado e irriga a roça de algodão por gotejamento. Também conheceram sistema semelhante na área do pequeno produtor José Rodrigues de Souza, no mesmo município. Os visitantes tiveram aula prática sobre preparo de solo com subsolagem e gradagem intermediária.
Criado há nove anos, o programa de Retomada do Algodão do Norte de Minas é considerado modelo para garantir a atividade familiar e a convivência com a seca. Envolve pequenos agricultores dos municípios de Catuti, Mato Verde, Pai Pedro, Monte Azul, Porteirinha e Matias Cardoso. A iniciativa foi implantada pela Cooperativa dos Produtores Rurais de Catuti (Coopercat). Conta com o apoio da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) e da Prefeitura de Catuti.

Antes da missão dos países africanos de língua francesa, o Projeto de Retomada do Algodao recebeu visitas de outras delegações estrangeiras, incluindo grupos de Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Peru. Despertou também a atenção de instituições que estimulam práticas solidárias, como o Projeto “Tecendo Valor, desenvolvido pela Fundação Solidariedade Latino-americana, com recursos do Instituto C&A.

 

http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2017/07/17/internas_economia,884338/africanos-estao-de-olho-no-algodao-mineiro.shtml

Moussa Faki Mahamat: Quem é o novo líder da União Africana?

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do Chade tomou posse esta terça-feira (14.03) como presidente da Comissão da União Africana, em Adis-Abeba. Desenvolvimento e segurança deverão estar no topo da agenda.

Äthiopien Treffen Afrikanische Union - Tschad Außenminister Moussa Faki (picture-alliance/Anadolu Agency/M. Wondimu Hailu)

O antigo primeiro-ministro do Chade, Moussa Faki Mahamat, foi eleito para ocupar o cargo executivo mais importante da organização, substituindo a antiga presidente, a sul-africana Nkosazana Dlamini-Zuma. O ex-chefe da diplomacia chadiana, de 56 anos, tem uma vasta experiência política. Estudou Direito em Brazzaville e em Paris e é visto como o arquiteto da nomeação do Chade para o Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro não-permanente e também como responsável pela nomeação daquele país para a presidência rotativa da União Africana em 2016.

Como antigo primeiro-ministro do Chade e ministro dos Negócios Estrangeiros, Faki Mahamat tem tido sempre uma palavra decisiva nas operações estratégicas em missões na Líbia, Mali, Sudão do Sul ou República Centro Africana. A sua eleição para presidente da Comissão da União Africana aponta para uma provável reorientação das políticas da organização em torno das questões de paz e segurança no continente, considera Liesl Louw-Vaudran, do Instituto de Estudos de Segurança, em Pretória: “O seu país, o Chade, é muito conhecido por se considerar uma espécie de campeão da intervenção militar”.

Desafios mantêm-se

Nkosazana Dlamini-Zuma Amtseinführung Vorsitz Afrikanische Union (picture-alliance/dpa/J. Prinsloo)Antiga presidente da comissão da UA Nkosazana Dlamini-Zuma

Para trás fica a sua antecessora, a sul-africana Dlamini-Zuma, que foi severamente criticada por negligenciar questões prementes num continente dilacerado pela fome e pela guerra. Dlamini-Zuma foi diversas vezes acusada de se concentrar no seu plano de prosperidade a longo prazo, para não mencionar o seu futuro político na África do Sul.

Jenerali Ulimwengu, analista político da Tanzânia, considera que Moussa Faki Mahamat não terá tarefa fácil e “os desafios que vai enfrentar são semelhantes aos de Dlamini-Zuma”. “Um dos problemas da União Africana é ter muitas intenções e acordos aprovados, mas nenhum mecanismo adequado para financiá-los ou implementá-los. Então surgem apenas declarações floridas nos média sem qualquer sentido prático”, explica o analista.

Moussa Faki também é alvo de críticas. O político tem fama de estar muito perto do Presidente Idriss Déby, o chefe de Estado do Chade e líder do Movimento Patriótico de Salvação. Déby foi reeleito em abril de 2016 pelo quinto mandato consecutivo, resultado criticado internamente. Governa o país com mão de ferro desde 1990. Ambos são membros do grupo étnico de Zagaua.

Os analistas comentam que Déby conseguiu colocar um homem em quem confiava ao comando da União Africana no mesmo dia em que entregou a presidência rotativa da organização à Guiné-Conacri, mostrando a influência que tem no continente.

Influências do passado

o entanto, a eleição de Faki Mahamat não era um facto consumado. Falhas internas não permitiram que nenhum candidato ganhasse a maioria necessária de dois terços em tentativas anteriores, forçando Dlamini-Zuma a permanecer mais seis meses no cargo. No início deste ano, foram precisas sete rondas de votação para que Faki Mahamat surgisse como vencedor à frente de Amina Mohamed do Quénia.

“Há países que ainda são mentalmente controlados pelos países que os colonizaram”, sublinha Jenerali Ulimwengu, acrescentando que “esses países dão instruções sobre várias questões, como por exemplo, como votar nas eleições ou criar novas relações com os países africanos companheiros”. Para o analista, “esta ordem de ideias vai manter-se e assombrar Faki Mahamat porque até mesmo a sua eleição foi influenciada pela divisão entre os países francófonos e anglófonos. Isso tem sido um problema nos países africanos”.

Enquanto fazia campanha, Faki disse que na qualidade de chefe da Comissão da União Africana o que mais desejava era que o som das armas fosse abafado por canções culturais e fábricas ruidosas. Embora tenha prometido colocar a segurança e o desenvolvimento no topo da agenda dos quatro anos de mandato, poderá também avançar com algumas das reformas tidas como necessárias para tornar a organização mais efetiva. “O líder da União Africana deveria ser capaz de tomar uma decisão e autorizar o envio de tropas em situações de crise. Neste momento, a Comissão está, de certo modo, refém da decisão dos 55 estados-membros. Está basicamente de mãos atadas”, lembra a especialista Liesl Louw-Vaudran. Habituado a estar em posições de poder, Faki poderá querer mudar isto.

Chade agradece apoio de Angola ao seu candidato na União Africana

Bernardino Manje |
10 de Fevereiro, 2017

Fotografia: José Cola | Edições Novembro

O Chade agradeceu ontem o apoio que Angola deu ao ministro chadiano dos Negócios Estrangeiros, Moussa Faki Mahamat, candidato vencedor no cargo de presidente da Comissão da União Africana.

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O agradecimento foi feito ontem, em Luanda, pelo ministro chadiano das Infra-estruturas, Transportes e Descentralização, Adoum Younousmi, que se encontra desde quarta-feira na capital angolana como enviado do Presidente Idriss Déby.

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O chefe da diplomacia chadiana foi eleito durante a 28.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, decorrida no final de Janeiro em Adis Abeba, Etiópia. Na eleição, Moussa Mahamat venceu a ministra dos Negócios Estrangeiros do Quénia, Amina Mohamed Jibril, depois de sete idas ao voto.
Moussa Mahamat sucede no cargo à sul-africana Nkosazana Dlamini Zuma, que não se candidatou ao segundo mandato de quatro anos a que tinha direito. O enviado do Presidente Idriss Déby foi ontem recebido pelo chefe da diplomacia angolana, Georges Chikoti, a quem apresentou, formalmente, os agradecimentos pelo apoio de Angola na eleição de Moussa Mahamat.

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Adoum Younousmi disse também ter vindo a Luanda no quadro do reforço das relações entre Angola e o Chade, tendo lembrado que os dois países trocam têm trocado impressões a nível da sub-região e do continente relativamente à paz e estabilidade e à luta contra o terrorismo. “A questão da paz e estabilidade é de interesse dos Presidentes (Idriss) Déby e (José Eduardo) Dos Santos, que regularmente trocam impressões neste sentido”, sublinhou Adoum Younousmi, que disse ter abordado com Georges Chikoti a actual situação na República Centro Africana e na fronteira entre o Chade e a Líbia.

Luta contra o Boko Haram

A informação foi confirmada pelo ministro angolano das Relações Exteriores, que realçou o contributo do Chade na luta contra o grupo  Boko Haram. “O Chade é um país bastante envolvido na estabilidade da região da África Central, particularmente na luta contra o Boko Haram”, disse Georges Chikoti, que adiantou:

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“O ministro chadiano  veio cá para trocarmos impressões sobre a situação na região da África Central e Ocidental, o Chade tem  tropas na fronteira com a Líbia, porque alguns terroristas que saíam da Líbia entravam no Chade. O Chade também tem tropas a combater na Nigéria e nos Camarões,  travar o Boko Haram”. Georges Chikoti adiantou que Angola também tem trocado impressões com o Chade sobre a República Centro Africana (RCA). Informou que o processo de estabilização na RCA continua, mas ainda existem alguns conflitos entre os grupos armados.
Chikoti disse ser necessário que o processo de paz possa engajar esses grupos armados para que a paz seja sólida. “Pensamos que a paz deve ser global nesta região”, defendeu o chefe da diplomacia angolana, tendo confirmado que, sobre este aspecto, tem havido trocas de impressões entre os Presidentes José Eduardo dos Santos e Idriss Déby Itno.
Angola, segundo Chikoti, quer continuar a trocar impressões com o Chade sobre a União Africana. “Queremos uma organização sólida, que não se desintegre. Temos agora um novo Estado-membro, o Marrocos. Queremos que a União se mantenha firme no interesse dos países do continente africano”, defendeu o ministro.

Cooperação 
econômica

Angola e o Chade podem, nos próximos tempos, cooperar em sectores como os dos Transportes e da Agricultura. A informação foi avançada ontem, à imprensa, pelo chefe da diplomacia angolana, depois de ter recebido o ministro chadiano das Infra-estruturas, Transportes e Descentralização.
Segundo Georges Chikoti, os dois países têm boas relações, não descartando a possibilidade de se poder trabalhar em sectores como o dos Transportes e Agricultura. O ministro disse, no entanto, que este passo está a depender da identificação de produtos que sejam o alvo da referida cooperação.
“Temos de explorar todas as possibilidades e ver se identificamos alguns produtos. Por exemplo, o Chade produz muita carne e podemos ver a possibilidade de os privados poderem promover a cooperação. Mas isso ainda querer vários encontros entre nós, para que se possa consolidar alguma coisa”, afirmou.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/chade_agradece_apoio__dado_ao_seu_candidato

Nigéria diz ter tomado último reduto do Boko Haram

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Presidente do país afirma que tropas do governo conquistaram floresta considerada o último grande refúgio da milícia islamista. Desde que entrou em atividade, há sete anos, grupo terrorista matou cerca de 20 mil pessoas.O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, anunciou neste sábado (24/12) a tomada completa por tropas governamentais da floresta de Sambisa, situada no nordeste do país e considerada o último grande refúgio da milícia islamista Boko Haram. “Os terroristas fugiram e já não têm um lugar onde se esconder”, declarou o presidente, se referindo à conquista, finalizada na sexta-feira.

Além de santuário e base de operações, a floresta de Sambisa era o último grande território controlado pela organização fundamentalista na parte nordeste da Nigéria, segundo o comunicado de Buhari.

O Exército da Nigéria realizava há vários meses ofensivas nesta floresta, de cerca de 1.300 quilômetros quadrados, localizada no estado de Borno, onde os combatentes do grupo se refugiaram depois de sofrer alguns reveses militares.

Na quarta-feira, o Exército anunciou a libertação de 1.880 civis que estavam nas mãos do Boko Haram e a captura de mais de 500 combatentes durante a semana passada, na floresta de Sambisa.

Mais de 15 mil mortos

Desde que começou sua atividade terrorista há sete anos, o Boko Haram matou cerca de 20 mil pessoas e provocou o desloamento de mais de dois milhões. A insurgência visa criar um Estado islâmico regido pela sharia. A milícia controlava até há pouco vastas áreas do nordeste da Nigéria, país mais populoso da África..

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, chegou ao poder em maio de 2015, tendo a luta contra Boko Haram como uma de suas prioridades.

Desde então, o Exército nigeriano conseguiu fazer os fundamentalistas recuarem, em cooperação com tropas dos países vizinhos Camarões, Níger, Chade e Benin. Entretanto, não conseguiu interromper atos terroristas do grupo realizados contra civis, em que frequentemente crianças são usadas em atentados suicidas em mercados e outros lugares movimentados.

O Boko Haram provocou uma onda de indignação no mundo todo ao sequestrar, em abril de 2014, 276 estudantes de uma escola feminina de ensino médio da cidade de Chibok, no estado de Borno. Cerca de 200 menores ainda continuam nas mãos da seita.

Apesar de ter sido expulso da floresta de Sambisa, o Boko Haram ainda executa atentados suicidas em áreas do nordeste nigeriano e nos vizinhos Níger e Camarões.

https://noticias.terra.com.br/nigeria-diz-ter-tomado-ultimo-reduto-do-boko-haram,78916daaa35ec04387ef1f6a10241cdco9bjsvd5.html

Cimeira de Chefes de Estado inaugura passaporte africano

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Fotografia: AFP

Os primeiros passaportes da União Africana (UA) foram entregues ontem aos Chefes de Estado presentes na 27ª cimeira da organização continental, que decorre em Kigali, Ruanda.

 Os documentos foram entregues de forma simbólica aos  presidentes do Rwanda, Paul Kgame e do Tchade, Idris Sabry, pela presidente da Comissão da UA, Dlamini Zuma. Os utentes desses passaportes poderão circular pelos países africanos sem necessidade de visto, cumprindo assim com um dos objetivos da agenda 2063 referente à  integração do continente.
Apelos ao fortalecimento da unidade no continente, ao cumprimento da agenda 2063 e à  aposta na juventude pelos líderes africanos presentes no evento marcaram a cerimônia de abertura da cimeira.
Discursando na abertura do conclave, o Presidente do Rwanda, Paul Kagame, apelou ao espírito de solidariedade no continente, com vista a alcançarem-se os objectivos preconizados nos ideais do pan-africanismo.
Paul Kagame pediu aos homólogos africanos para que, na cimeira, se preocupassem mais com as questões prioritárias do continente, ao invés de perderem tempo em assuntos que em nada contribuem para o fortalecimento da organização e de África.
“Devemos aproveitar as nossas cimeiras para definirmos as nossas prioridades e decidirmos como resolver os nossos problemas, pois África está a levantar-se”, referiu o Chefe de Estado anfitrião.

Presidência da UA

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Na ocasião, a presidente da Comissão da União Africana, Dlamini Zuma, assegurou que estão criadas as condições para que a presidência da organização seja assumida pela República Centro Africana.
Dlamini Zuma destacou a importância do passaporte da União, o qual considerou um passo fundamental no processo de integração do continente e livre circulação dos cidadãos.  Após fazer uma retrospectiva sobre o trabalho realizado durante o seu mandato, a presidente da Comissão da União Africana realçou que ainda existem tarefas por cumprir.  O presidente em exercício da União Africana, Idris Debry, condenou o retorno das hostilidades no Sudão do Sul, que já causaram a morte de 300 pessoas. Apelou para a necessidade da UA trabalhar com urgência na criação de mecanismos de paz e segurança no continente.
A presidente da  União Panafricana da Juventude, Franci Muyomba, apelou aos Chefes de Estado para aprovarem a criação de um fundo de apoio aos jovens empreendedores. “É imperioso que os líderes africanos apostem no empreendedorismo, que tem contribuído para a geração de empregos e na melhoria das condições de vida de muitos cidadãos no continente”, reconheceu.  Ao intervir na cerimônia, o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Moahamud Abas, condenou os actos de terrorismo perpetrados em França e manifestou disponibilidade de contribuir para o combate a este fenômeno que ceifa a vida a muitos cidadãos inocentes.
Moahamud Abas advogou, de igual modo, a necessidade de África reforçar a solidariedade com a Palestina, destacando o apoio prestado pelos países africanos à  causa palestiniana.
Angola participa nesta Cimeira com uma delegação chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, em  representação do Chefe de  Estado, José Eduardo dos Santos.
Durante a sua estada em Kigali, Georges Chikoti tem previstas audiências com diversas personalidades políticas.

Trabalhar juntos

À margem da cimeira, o responsável máximo da Nova Parceria para o Desenvolvimento Africano (NEPAD), Ibrahim Mayaki, afirmou que os países africanos precisam de ser estratégicos e trabalhar juntos na promoção da industrialização do continente, com vista à criação de oportunidades de emprego. Ibrahim Mayaki realçou que os factores que impedem o crescimento do continente são a ausência de negociações entre os Estados africanos, aliado a falta de infra-estruturas e à pobreza. Observou que África tem a população mais jovem do mundo, salientando que os enormes desafios do continente são a promoção do crescimento econômico dos Estados, criação de emprego, e redução da pobreza.  A  27ª Cimeira da UA realizou-se sob o tema “2016: Ano Africano dos Direitos Humanos com especial incidência sobre os Direitos das Mulheres”.
No sábado, o grupo dos três países africanos com assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas (A3), integrado por Angola, Egito e Senegal, avaliou o retorno às hostilidades no Sudão do Sul, a crise no Burundi e o regresso da Missão das Nações Unidas (Minuso) ao Saara Ocidental.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/cimeira_de_chefes_de_estado_inaugura_passaporte_africano

Aside

Projeto do PNUD visa a ampliar produção de algodão em lavouras africanas

 

Chamado Cotton 4 + Togo, programa reúne esforços do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento em países como Benin, Burquina Faso, Chade e Mali. O objetivo é trocar informações sobre técnicas agrícolas para pequenos produtores de algodão.

Objetivo do Cotton 4 + Togo é trocar informações sobre técnicas agrícolas para pequenos produtores de algodão. Foto: Secom MT/ Mayke Toscano

Uma parceria internacional tem feito diferença nas lavouras africanas. Trata-se do projeto Cotton 4 + Togo, que reúne esforços da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e do PNUD em países africanos como Benin, Burquina Faso, Chade, Mali e Togo.

Os resultados dessa parceria estão sendo apresentados até sexta-feira (29) na I Reunião do Comitê Gestor do Cotton 4 + Togo, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

O projeto atua no campo das técnicas de melhoramento genético, cultivo do solo e manejo de pragas e, segundo os participantes, a parceria entre Brasil e África já rendeu novas variedades de algodão que serão lançadas brevemente no mercado, graças ao cruzamento entre variedades brasileiras e africanas.

Uma das técnicas brasileiras adotadas nos países africanos, o plantio direto, aumentou significativamente o volume da produção no continente, que passou de uma média de uma tonelada por safra para 4,5 toneladas.

Além de apoiar o desenho da primeira fase do projeto Cotton-4, o PNUD fornece suporte logístico para a aquisição de equipamentos no Brasil e no exterior. Quando necessário, escritórios do PNUD dos países envolvidos no programa são convidados a colaborar.

Na segunda fase do Cotton 4+Togo, já em andamento, o objetivo é disseminar informação para pequenos produtores que estão na ponta da cadeia algodoeira, capacitar mão de obra e revitalizar laboratórios nos países parceiros, construir um banco de armazenamento coletivo de material genético, monitorar, avaliar e garantir a continuidade das lições aprendidas.

“Os resultados da primeira fase do projeto Cotton 4 são um excelente exemplo do potencial e da importância da Cooperação Sul-Sul como mecanismo catalizador do desenvolvimento dos países, gerando novas oportunidades e promovendo o atingimento dos objetivos de desenvolvimento sustentável”, disse o representante residente do PNUD, Niky Fabiancic, presente no evento.

A sessão de abertura, ocorrida na segunda-feira (25), foi presidida pelo secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores, Sérgio Danese, e teve a participação de embaixadores de países africanos parceiros do Brasil.

Também estavam presentes o diretor da Agência Brasileira de Cooperação, João Almino, a pesquisadora e diretora de administração e finanças da Embrapa, Vania Castiglioni e o presidente-executivo do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), Haroldo Cunha.

Um dos principais produtores agrícolas do mundo, o Brasil lidera o mercado internacional de algodão e tem exportado expertise e adquirido novas experiências com países africanos.

“O Brasil tornou-se referência mundial no campo da cooperação para o desenvolvimento em diversos domínios, com especial destaque para a agricultura sustentável”, disse o secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores.


Projeto do PNUD e parceiros visa a ampliar produção de algodão em lavouras africanas

Investimento chinês sobe em África

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25 de Fevereiro, 2016

O nível de investimentos da China em África deve manter-se elevado nos próximos tempos, mesmo na actual conjuntura de abrandamento económico, previram ontem analistas  sul-africanos.

Gabriel Ouko, director da Deloitte Consulting para Projectos de Infra-estruturas e de Capital, afirmou à agência noticiosa Xinhua, que a economia chinesa tende para a estabilização, o que “vai promover o comércio e os investimentos” em África.
“A China é o maior mercado para produtos originários sobretudo de África”, sublinhou o analista, citado pela agência.
Mark Smith, director da Deloitte East Africa para Infra-estruturas e Projectos de Capital, disse à agência noticiosa chinesa que o actual abrandamento económico na China não afecta o estatuto do país como o maior parceiro de financiamento e de comércio com África.
Em Dezembro de 2015, durante a Cimeira China-África de Joanesburgo, o Presidente chinês Xi Jinping anunciou a consignação de dez mil milhões de dólares de capital adicional ao Fundo China-África para o Desenvolvimento, de dez mil milhões de dólares para o lançamento do Fundo de Cooperação Industrial China-África e  de seis mil milhões de dólares para o fundo do Banco de Desenvolvimento da China para as pequenas e médias empresas africanas.
A investigadora da Universidade de Londres Lucy Corkin, que  analisa  as linhas de crédito disponibilizadas pela  China a Angola, afirmou em entrevista à revista “The Diplomat” que uma leitura atenta ao Plano de Acção de Joanesburgo (2016-2018) e a declarações do Presidente chinês, Xi Jinping, parecem indicar a intenção de aplicar fundos ao desenvolvimento de infra-estruturas, “pedra angular das relações entre a China e África”, mas também ao desenvolvimento de capacidade industrial e de projectos agrícolas no continente.
“O lançamento do Fundo de Cooperação Industrial China-África representa a formalização de uma tendência, lentamente a ganhar ritmo, embora a partir de uma base baixa, de as empresas chinesas estabelecerem bases de montagem e produção em África, à medida que os custos operacionais aumentam em províncias orientais industrializadas da China”, adiantou Corkin, autora de “A Gestão de Angola das Linhas de Crédito da China” (2013).
O relatório 2015 “Africa Construction Trends”, divulgado na semana passada, revela que a China tem eclipsado os doadores tradicionais ocidentais, tornando-se líder no financiamento de projectos de infra-estruturas do continente e que os países africanos vão beneficiar de investimentos chineses em áreas estratégicas como infra-estruturas, agricultura, turismo e produção de energia.
“A questão da desaceleração económica na China é mais uma questão de percepção do que de realidade. A China está a crescer a uma média de seis a sete por cento e os investimentos do país em África e no resto do mundo ainda são elevados”, diz o relatório.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/investimentos/investimento_chines_sobe_em_africa

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Chefe de Estado do Chade designado novo presidente em exercício da União Africana

O chefe de Estado chadiano, Idriss Déby, sucedeu hoje ao seu homólogo do Zimbabué, Robert Mugabe, ao ser designado como novo presidente da União Africana (UA) na abertura dos trabalhos da Cimeira da organização pan-africana, em Adis Abeba.


Déby, que ocupará a presidência rotativa da UA durante um ano, preside ao Chade desde 1990 e sucede ao chefe de Estado africano há mais tempo no poder – Mugabe chegou à presidência do Zimbabué em 1980.

Na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da UA, foi o próprio Mugabe quem anunciou a escolha de Déby, feita pelos seus pares, num longo discurso proferido algumas semanas após os rumores sobre o seu alegadamente deteriorado estado de saúde.

“Qualquer que seja a ajuda que me pedir, estarei lá, até que Deus me diga. Nessa altura, partirei para me juntar aos outros. Mas, enquanto for vivo, serei sempre combativo”, disse Mugabe, 91 anos.

A braços com uma luta contra os grupos terroristas jihadistas na África subsaariana, Déby, há 25 anos no poder, tornou-se um ator incontornável na África Central, liderando um exército aguerrido e bem equipado.

Face à ameaça dos islamitas do Boko Haram que operam no norte e nordeste da Nigéria, onde faz fronteira com o Chade, Déby ordenou em janeiro de 2015 o envio de tropas para o território nigeriano para libertar as localidades ocupadas pelo grupo terrorista.

Paralelamente, e face à inércia do exército nigeriano, deu início a uma resposta militar regional contra o Boko Haram.

“O aumento do terrorismo no mundo e, em particular em África, impõe que unamos as nossas forças. A solidariedade face ao fenómeno não deve resumir-se a palavras”, disse Déby, numa breve alocução após ter sido designado para o cargo.

Nascido em 1952, Déby chegou ao poder através de um golpe de Estado militar em 1990, derrubando o regime de Hissène Habré, abrindo o caminho da democracia ao país.

Eleito nas presidenciais de 1996, e sucessivamente reeleito desde então, o presidente chadiano é frequentemente criticado pela oposição, que o acusa de promover fraudes eleitorais e de violações aos Direitos Humanos.

Apesar da entrada do Chade no restrito clube de países produtores de petróleo, o que aconteceu em 2003, a grande maioria dos chadianos vive em extrema pobreza.

A 6 de fevereiro próximo, e face à inexistência de uma lei que limite os mandatos, Déby deverá ser escolhido pelo Movimento Patriótico de Salvação (MPS), partido que lidera, como candidato às eleições presidenciais previstas para 10 de abril próximo.

Tradicional aliado da França, antiga potência colonial, de quem acedeu à independência a 11 de agosto de 1960, o Chade enviou, em 2013, um contingente militar para o norte do Mali, para combater os rebeldes islamitas na intervenção que Paris liderou.

É, aliás, em Djamena que se encontra uma das já poucas bases militares francesas em África, onde apoiam o combate ao terrorismo no Sahel.

http://noticias.sapo.ao/info/artigo/1464882.html