Estudantes de Benin, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Chade, Costa do Marfim, Senegal e Togo visitam o Brasil

Grupo de produtores e estudantes de oito países percorre o Norte de Minas para ver produção em clima similar ao deles

Regis Lancaster/Divulgação

Uma missão formada por 37 estudantes e profissionais da área agrícola de países da África visitou na última semana, os municípios de Catuti e Mato Verde, no Norte de Minas, com o objetivo de conhecer o cultivo de algodão no semiárido. O plantio é feito dentro do Programa de Retomada do Algodão do Norte de Minas, que envolve 97 agricultores de seis municípios.

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A comitiva estrangeira, que chegou na segunda-feira e permaneceu na região até ontem, foi formada por representes de oito países africanos de língua francesa – Benin, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Chade, Costa do Marfim, Senegal e Togo. Eles estão no Brasil há quatro meses, aperfeiçoamento conhecimentos sobre a cotonicultura em curso promovido pela Universidade Federal de Lavras (Ufla).
O projeto de “Capacitação e Transferência de Tecnologia na Cultura do Algodão” da Ufla é desenvolvido desde 2014, em parceria com o Ministério de Relações Exteriores. Envolve também o projeto “Cotton Victória”, que visa promoção da cadeia produtiva e a melhoria das técnicas da cultura algodoeira em países da África subsaariana. Dentro da parceria, em 2015, um grupo de professores da Universidade Federal de Lavras participou de uma viagem técnica que teve como propósito avaliar o cultivo do algodão em três países africanos: Quênica, Tanzânia e Burundi.
Os integrantes da delegação africana realizaram no Norte de Minas as atividades práticas do curso ministrado pela Ufla. Um dos aspectos considerados é o fato de o algodão ser produzido na região em características climáticas e de solo próxima aos países africanos.
Além de assistir palestras, eles visitaram as propriedades dos pequenos produtores do Projeto de Retomada de Algodão, que conseguem bons índices de produtividade em regime de poucas chuvas. Para isso, adotam técnicas para o uso eficiente dos recursos hídricos, se adaptando ao clima semiárido.
Uma das estratégias adotadas é a irrigação complementar – os plantios foram feitos no período chuvoso e, mesmo assim, contaram com equipamentos de irrigação, recebendo a chamada ‘molhagem mecânica’ somente quando a chuva demora – no veranico. É usada água captada em poço-tubular, mas em menor quantidade, considerando o limite do lençol freático da região. Os agricultores do Norte de Minas plantaram 480 hectares (ha)  de algodão na safra 2016/2017, dos quais 400 ha de sequeiro e 80 hectares semi-irrigados.

 

Técnicas

A missão africana visitou no município de Catuti a propriedade do pequeno agricultor José Alves de Souza, o “Zé Brasil”, que recorre ao sistema de captação de água de chuva em tanque escavado e irriga a roça de algodão por gotejamento. Também conheceram sistema semelhante na área do pequeno produtor José Rodrigues de Souza, no mesmo município. Os visitantes tiveram aula prática sobre preparo de solo com subsolagem e gradagem intermediária.
Criado há nove anos, o programa de Retomada do Algodão do Norte de Minas é considerado modelo para garantir a atividade familiar e a convivência com a seca. Envolve pequenos agricultores dos municípios de Catuti, Mato Verde, Pai Pedro, Monte Azul, Porteirinha e Matias Cardoso. A iniciativa foi implantada pela Cooperativa dos Produtores Rurais de Catuti (Coopercat). Conta com o apoio da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) e da Prefeitura de Catuti.

Antes da missão dos países africanos de língua francesa, o Projeto de Retomada do Algodao recebeu visitas de outras delegações estrangeiras, incluindo grupos de Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Peru. Despertou também a atenção de instituições que estimulam práticas solidárias, como o Projeto “Tecendo Valor, desenvolvido pela Fundação Solidariedade Latino-americana, com recursos do Instituto C&A.

 

http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2017/07/17/internas_economia,884338/africanos-estao-de-olho-no-algodao-mineiro.shtml

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Moussa Faki Mahamat: Quem é o novo líder da União Africana?

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do Chade tomou posse esta terça-feira (14.03) como presidente da Comissão da União Africana, em Adis-Abeba. Desenvolvimento e segurança deverão estar no topo da agenda.

Äthiopien Treffen Afrikanische Union - Tschad Außenminister Moussa Faki (picture-alliance/Anadolu Agency/M. Wondimu Hailu)

O antigo primeiro-ministro do Chade, Moussa Faki Mahamat, foi eleito para ocupar o cargo executivo mais importante da organização, substituindo a antiga presidente, a sul-africana Nkosazana Dlamini-Zuma. O ex-chefe da diplomacia chadiana, de 56 anos, tem uma vasta experiência política. Estudou Direito em Brazzaville e em Paris e é visto como o arquiteto da nomeação do Chade para o Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro não-permanente e também como responsável pela nomeação daquele país para a presidência rotativa da União Africana em 2016.

Como antigo primeiro-ministro do Chade e ministro dos Negócios Estrangeiros, Faki Mahamat tem tido sempre uma palavra decisiva nas operações estratégicas em missões na Líbia, Mali, Sudão do Sul ou República Centro Africana. A sua eleição para presidente da Comissão da União Africana aponta para uma provável reorientação das políticas da organização em torno das questões de paz e segurança no continente, considera Liesl Louw-Vaudran, do Instituto de Estudos de Segurança, em Pretória: “O seu país, o Chade, é muito conhecido por se considerar uma espécie de campeão da intervenção militar”.

Desafios mantêm-se

Nkosazana Dlamini-Zuma Amtseinführung Vorsitz Afrikanische Union (picture-alliance/dpa/J. Prinsloo)Antiga presidente da comissão da UA Nkosazana Dlamini-Zuma

Para trás fica a sua antecessora, a sul-africana Dlamini-Zuma, que foi severamente criticada por negligenciar questões prementes num continente dilacerado pela fome e pela guerra. Dlamini-Zuma foi diversas vezes acusada de se concentrar no seu plano de prosperidade a longo prazo, para não mencionar o seu futuro político na África do Sul.

Jenerali Ulimwengu, analista político da Tanzânia, considera que Moussa Faki Mahamat não terá tarefa fácil e “os desafios que vai enfrentar são semelhantes aos de Dlamini-Zuma”. “Um dos problemas da União Africana é ter muitas intenções e acordos aprovados, mas nenhum mecanismo adequado para financiá-los ou implementá-los. Então surgem apenas declarações floridas nos média sem qualquer sentido prático”, explica o analista.

Moussa Faki também é alvo de críticas. O político tem fama de estar muito perto do Presidente Idriss Déby, o chefe de Estado do Chade e líder do Movimento Patriótico de Salvação. Déby foi reeleito em abril de 2016 pelo quinto mandato consecutivo, resultado criticado internamente. Governa o país com mão de ferro desde 1990. Ambos são membros do grupo étnico de Zagaua.

Os analistas comentam que Déby conseguiu colocar um homem em quem confiava ao comando da União Africana no mesmo dia em que entregou a presidência rotativa da organização à Guiné-Conacri, mostrando a influência que tem no continente.

Influências do passado

o entanto, a eleição de Faki Mahamat não era um facto consumado. Falhas internas não permitiram que nenhum candidato ganhasse a maioria necessária de dois terços em tentativas anteriores, forçando Dlamini-Zuma a permanecer mais seis meses no cargo. No início deste ano, foram precisas sete rondas de votação para que Faki Mahamat surgisse como vencedor à frente de Amina Mohamed do Quénia.

“Há países que ainda são mentalmente controlados pelos países que os colonizaram”, sublinha Jenerali Ulimwengu, acrescentando que “esses países dão instruções sobre várias questões, como por exemplo, como votar nas eleições ou criar novas relações com os países africanos companheiros”. Para o analista, “esta ordem de ideias vai manter-se e assombrar Faki Mahamat porque até mesmo a sua eleição foi influenciada pela divisão entre os países francófonos e anglófonos. Isso tem sido um problema nos países africanos”.

Enquanto fazia campanha, Faki disse que na qualidade de chefe da Comissão da União Africana o que mais desejava era que o som das armas fosse abafado por canções culturais e fábricas ruidosas. Embora tenha prometido colocar a segurança e o desenvolvimento no topo da agenda dos quatro anos de mandato, poderá também avançar com algumas das reformas tidas como necessárias para tornar a organização mais efetiva. “O líder da União Africana deveria ser capaz de tomar uma decisão e autorizar o envio de tropas em situações de crise. Neste momento, a Comissão está, de certo modo, refém da decisão dos 55 estados-membros. Está basicamente de mãos atadas”, lembra a especialista Liesl Louw-Vaudran. Habituado a estar em posições de poder, Faki poderá querer mudar isto.

Chade agradece apoio de Angola ao seu candidato na União Africana

Bernardino Manje |
10 de Fevereiro, 2017

Fotografia: José Cola | Edições Novembro

O Chade agradeceu ontem o apoio que Angola deu ao ministro chadiano dos Negócios Estrangeiros, Moussa Faki Mahamat, candidato vencedor no cargo de presidente da Comissão da União Africana.

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O agradecimento foi feito ontem, em Luanda, pelo ministro chadiano das Infra-estruturas, Transportes e Descentralização, Adoum Younousmi, que se encontra desde quarta-feira na capital angolana como enviado do Presidente Idriss Déby.

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O chefe da diplomacia chadiana foi eleito durante a 28.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, decorrida no final de Janeiro em Adis Abeba, Etiópia. Na eleição, Moussa Mahamat venceu a ministra dos Negócios Estrangeiros do Quénia, Amina Mohamed Jibril, depois de sete idas ao voto.
Moussa Mahamat sucede no cargo à sul-africana Nkosazana Dlamini Zuma, que não se candidatou ao segundo mandato de quatro anos a que tinha direito. O enviado do Presidente Idriss Déby foi ontem recebido pelo chefe da diplomacia angolana, Georges Chikoti, a quem apresentou, formalmente, os agradecimentos pelo apoio de Angola na eleição de Moussa Mahamat.

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Adoum Younousmi disse também ter vindo a Luanda no quadro do reforço das relações entre Angola e o Chade, tendo lembrado que os dois países trocam têm trocado impressões a nível da sub-região e do continente relativamente à paz e estabilidade e à luta contra o terrorismo. “A questão da paz e estabilidade é de interesse dos Presidentes (Idriss) Déby e (José Eduardo) Dos Santos, que regularmente trocam impressões neste sentido”, sublinhou Adoum Younousmi, que disse ter abordado com Georges Chikoti a actual situação na República Centro Africana e na fronteira entre o Chade e a Líbia.

Luta contra o Boko Haram

A informação foi confirmada pelo ministro angolano das Relações Exteriores, que realçou o contributo do Chade na luta contra o grupo  Boko Haram. “O Chade é um país bastante envolvido na estabilidade da região da África Central, particularmente na luta contra o Boko Haram”, disse Georges Chikoti, que adiantou:

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“O ministro chadiano  veio cá para trocarmos impressões sobre a situação na região da África Central e Ocidental, o Chade tem  tropas na fronteira com a Líbia, porque alguns terroristas que saíam da Líbia entravam no Chade. O Chade também tem tropas a combater na Nigéria e nos Camarões,  travar o Boko Haram”. Georges Chikoti adiantou que Angola também tem trocado impressões com o Chade sobre a República Centro Africana (RCA). Informou que o processo de estabilização na RCA continua, mas ainda existem alguns conflitos entre os grupos armados.
Chikoti disse ser necessário que o processo de paz possa engajar esses grupos armados para que a paz seja sólida. “Pensamos que a paz deve ser global nesta região”, defendeu o chefe da diplomacia angolana, tendo confirmado que, sobre este aspecto, tem havido trocas de impressões entre os Presidentes José Eduardo dos Santos e Idriss Déby Itno.
Angola, segundo Chikoti, quer continuar a trocar impressões com o Chade sobre a União Africana. “Queremos uma organização sólida, que não se desintegre. Temos agora um novo Estado-membro, o Marrocos. Queremos que a União se mantenha firme no interesse dos países do continente africano”, defendeu o ministro.

Cooperação 
econômica

Angola e o Chade podem, nos próximos tempos, cooperar em sectores como os dos Transportes e da Agricultura. A informação foi avançada ontem, à imprensa, pelo chefe da diplomacia angolana, depois de ter recebido o ministro chadiano das Infra-estruturas, Transportes e Descentralização.
Segundo Georges Chikoti, os dois países têm boas relações, não descartando a possibilidade de se poder trabalhar em sectores como o dos Transportes e Agricultura. O ministro disse, no entanto, que este passo está a depender da identificação de produtos que sejam o alvo da referida cooperação.
“Temos de explorar todas as possibilidades e ver se identificamos alguns produtos. Por exemplo, o Chade produz muita carne e podemos ver a possibilidade de os privados poderem promover a cooperação. Mas isso ainda querer vários encontros entre nós, para que se possa consolidar alguma coisa”, afirmou.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/chade_agradece_apoio__dado_ao_seu_candidato

União Africana com muitos desafios

por Belarmino Van-Dúnem |

A União Africana elegeu um novo Presidente da sua Comissão, na verdade, a entidade máxima da organização. A disputa foi renhida e praticamente todas as regiões do continente apresentaram um candidato.

Entre os candidatos destacaram-se três ministros das Relações Exteriores, nomeadamente, do Chade, Quênia, Botsuana e da Guiné Equatorial. Mas para além destes candidatos, concorreu também o senegalês que desempenhou até ao momento a função de representante regional das Nações Unidas.
A existência de cinco candidatos demonstra alguma falta de coordenação diplomática entre os Estados africanos, situação que não se verificou nos anos transactos. Se, por um lado, representa o grande interesse que os países têm pela organização continental, por outro pode criar afastamento ou falta de engajamento por parte dos Estados cujo candidato perde eleições. gettyimages-453211116-e1485782007351
A presidente cessante, Nkosazana Dlamini-Zuma, terminou o seu primeiro mandato com alguma modéstia. Aquando da sua candidatura em 2012 houve uma grande expectativa, quer por representar a maior economia do continente africano, mas também por ter sido a primeira mulher a exercer o cargo, para além da própria história de vida de muita combatividade e exercício de vários cargos políticos de grande responsabilidade, entre os quais a de ministra das Relações Exteriores da África do Sul, que deixou de exercer para assumir os destinos da União Africana.
Não se pode deixar de mencionar também o facto da África do Sul ter quebrado o acordo de cavalheiros ou costume até então praticado pela organização, segundo o qual os primeiros cinco Estados com maior quota não se candidatavam para a presidência da organização, à semelhança do que acontece na ONU, em que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança não apresentam candidatos para secretário-geral da organização.
Até ao momento, os países favoritos pertencentes ao Top 5 eram a África do Sul, a Argélia, a Nigéria, o Egipto e a Líbia, mas com o conflito líbio e a consequente morte de Muammar Kadhafi, a Líbia deixou de conseguir honrar os seus compromissos.

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Depois de uma intensa campanha diplomática e algumas auscultações, o candidato do Chade foi o escolhido, Moussa Faki Mahamat, antigo primeiro-ministro e actual ministro das Relações Exteriores. O Chade tem estado envolvido em vários processos de resolução de conflitos no continente africano, sobretudo na luta contra o terrorismo.
O Chade enviou efectivos militares para a Líbia, o Sudão do Sul, a República Centro Africana, o Mali, a Nigéria e para a região do Sahel. Tanto os Estados Unidos da América como a França têm o Presidente Idriss Déby Itno como um parceiro estratégico em África. No caso concreto da França, este país possui uma base militar no território chadiano responsável por defender os interesses daquele país na região.
A África Central acaba assim de eleger um presidente para a Comissão da União Africana, mas também terá contado o fato de a ala francófona da organização ter agido em coordenação. É interessante o fenômeno da divisão linguística no continente africano. Habitualmente são identificados três grupos linguísticos: os francófonos, os anglófonos e os lusófonos. Até à data a disputa para ocupar os cargos mais importantes da organização tem sido feita entre os dois primeiros grupos.
O novo presidente da Comissão da União Africana, o chadiano Moussa Faki Mahamat, terá muitos desafios pela frente, entre os quais se destacam os conflitos pré e pós-eleitorais, a coordenação das Comunidades Económicas Regionais no sentido de se incrementar a cooperação intra-africana, a captação e mobilização de recursos para o funcionamento da organização e a capitalização dos quadros africanos para que possam sentir-se cada vez mais valorizados no continente e evitar a fuga de “cérebros”.
O Chade é um país com pouca expressão política no continente e na região, facto que poderá contribuir para uma maior abertura relativamente aos contributos dos parceiros africanos. Por outro lado, o engajamento das forças armadas chadianas em vários conflitos africanos e as parcerias bilaterais que tem com as potências ocidentais poderão contribuir para um trabalho eficiente e eficaz do novo presidente da União Africana.

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/por_uma_uniao_africana_mais_eficaz

Secretário-Geral da ONU critica “visão parcial” sobre o continente africano

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Fotografia: Zacharias Abubeker | AFP

O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, deixou a 28ª Cimeira da União Africana com um forte apelo para a mudança na forma como o continente berço da humanidade é caracterizado pela comunidade internacional e com a promessa de o apoiar na construção do desenvolvimento e da paz sustentáveis.

 

Ao falar a jornalistas à margem da cimeira que juntou em Addis Abeba dezenas de líderes do continente africano, antes de deixar a capital Etíope, António Guterres defendeu que África deve ser reconhecida pelo potencial de desenvolvimento, economia e governação.
António Guterres lamentou a forma como África é descrita na Europa, Américas e Ásia, denunciou o que chamou de “uma visão parcial de África”, disse ser preciso mudar a narrativa sobre o continente na comunidade internacional e que este deve ser reconhecido “pelo seu enorme potencial.”
O Secretário-Geral das Nações Unidas recordou que África teve o maior crescimento econômico do mundo nos últimos 10 anos e “histórias de sucesso extraordinárias do ponto de vista do desenvolvimento econômico e de governação.”
Uma dessas histórias, prosseguiu, ocorreu há dias com a reacção “exemplar” da Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental (CEDEAO) na Gâmbia, que demonstrou “a capacidade de os países africanos se unirem e resolverem os problemas no continente.”
António Guterres lembrou que “o apoio da União Africana e das Nações Unidas ajudou a resolver a crise pós-eleitoral” e disse esperar que esse exemplo “seja seguido noutras partes do mundo.”
O Secretário-Geral da ONU elogiou a União Africana pelo “trabalho muito importante em nome do continente”, manifestou “disposição total da ONU em apoiar plenamente as suas actividades” e destacou “o entendimento integral” entre a ONU, a União Africana e a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (Igad) sobre a necessidade de se trabalhar “numa só voz” para pacificar o Sudão do Sul.

Agradecimento a África

No discurso proferido na segunda-feira na União Africana, António Guterres  reiterou o pleno apoio da organização que dirige à construção do desenvolvimento e da paz sustentáveis na África.
António Guterres, que começou o discurso manifestando solidariedade à União Africana, afirmou que a ONU “tem orgulho dessa parceria” e destacou a cooperação das partes na implementação das agendas 2063 da União Africana, 2030 da ONU e na promoção da paz, da segurança e dos direitos humanos.

samora-machel  Samora Machel
O Secretário-Geral recordou uma frase do ex-Presidente moçambicano, já falecido, Samora Machel, segundo a qual “a solidariedade é um acto de união entre aliados lutando em diferentes áreas, mas com os mesmos objectivos e o principal desses é ajudar no desenvolvimento da humanidade no nível mais alto possível”, para afirmar que a União Africana “trabalha diariamente pela união, paz e progresso para todos.”
E África, prosseguiu, fornece a maioria das forças de paz da ONU.
As nações africanas “estão entre os maiores e mais generosos anfitriões de refugiados do mundo” e as suas fronteiras “continuam abertas às pessoas que precisam de protecção, quando muitas fronteiras estão a ser fechadas, até mesmo nos países mais desenvolvidos.” António Guterres elogiou o continente por incluir algumas das economias que mais crescem no mundo, mas pediu mais atenção para os jovens.
“É fundamental que façamos mais para proporcionar aos jovens oportunidades e esperança. Felicito-vos por terem designado 2017 como o ano do aproveitamento do dividendo demográfico através de investimentos na juventude. Mais de três em cada cinco africanos têm menos de 35 anos de idade”, afirmou.
Para o continente tirar partido deste potencial, António Guterres recomenda mais investimento na educação, na formação e no trabalho condigno e considera “fundamental” envolver os jovens “na construção do seu próprio futuro.” Nesse sentido, prometeu “apoio total” do Sistema das Nações Unidas.  António Guterres disse esperar também trabalhar com a União Africana para reforçar o poder das mulheres africanas, para que estas possam desempenhar o seu papel no desenvolvimento e na paz sustentáveis. Sobre a paz, garantiu que a ONU vai apoiar a iniciativa africana “Silenciar as Armas até 2020”, ou até mesmo antes da data.

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Alpha Condé, o Presidente da Guiné Conacri e líder em exercício da União Africana, convidou António Guterres a participar anualmente num pequeno almoço com Chefes de Estado e de Governo africanos em Janeiro. Para o Secretário-Geral da ONU, estas ocasiões vão servir para interagir com líderes africanos e discutir “de forma muito significativa” as relações entre a União Africana e a ONU.
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Mais apoio ao continente

António Guterres passou das promessas à prática ao liberar, também na segunda-feira, 100 milhões de dólares da verba do Fundo Central de Resposta de Emergência para mais de nove países, oito dos quais Estados africanos.
O Secretário-Geral da ONU disponibilizou o dinheiro para operações humanitárias em nove países com o que considera “crises negligenciadas”, ajudando deste modo mais de 6 milhões de pessoas nos Camarões, na Coreia do Norte, na Líbia, no Madagáscar, no Mali, no Níger, na Nigéria, na Somália e no Uganda. Ao justificar a medida, António Guterres disse que o financiamento é crucial para que agências da ONU e parceiros continuem a apoiar “pessoas que precisam de ajuda tão desesperadamente.”
Boa parte dos 100 milhões de dólares vão para pessoas deslocadas e o financiamento vai ajudar  a garantir cuidados de saúde, abrigo e alimentos para milhões de pessoas que escapam da violência do Boko Haram na Nigéria, no Níger e nos Camarões, explicou.
No Madagáscar, no Mali e na Coreia do Norte, o apoio da ONU segue para os civis que sofrem de desnutrição e com a insegurança alimentar, acrescentou.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/guterres_critica_visao_parcial_sobre_o_continente_africano

 Novo presidente da Comissão da União Africana é do Tchad

Djamena – O tchadiano Moussa Faki Mahamat, eleito nesta segunda-feira, em Addis Abeba, à presidência da Comissão da União Africana, é desde 2008, o chefe da diplomacia do seu país, aliado ao Ocidente na luta anti-jihadista, e um fiel do presidente Idriss Déby Itno, noticiou a AFP.

ADDIS ABEBA: CIMEIRA DA UNIÃO AFRICANA

Aos 56 anos, este antigo Primeiro-ministro e atual ministro tchadiano dos Negócios Estrangeiros seguiu todos os dossiers estratégicos nos quais o seu país está engajado:
Líbia, Mali, Sudão do Sul e República Centro-Africana (RCA), até a intervenção atual no Sahel e na bacia do lago Tchad.

a sua eleição à frente do executivo da UA poderá satisfazer a França e os Estados Unidos, que apoiam o Tchad e o seu regime de ferro na luta contra o grupo islamita nigeriano Boko Haram e outras entidades armadas no Sahel.

A capital, Djamena, acolhe por outro lado, o Estado-maior da força francesa Barkhane.

O novo presidente da Comissão da União africana, que sonha um continente “onde o som de armas” seria sufocado pelos “hinos da cultura e do rugido das fábricas”, sonha colocar “o desenvolvimento e a segurança” entre suas prioridades.

Poliglota (francês, árabe, inglês), tendo estudado em Brazzaville e Paris, pretende “tornar a UA menos burocrática, menos litigiosa também … A livre circulação de pessoas e bens deve se tornar efectiva. Construção de estradas, caminhos de ferro, criar as pontes entre nós”, confidenciou ao semanário Jeune Afrique antes da eleição.

Cabelos grisalhos, Moussa Faki é por outro lado, um fiel do presidente tchadiano Idriss Déby Itno. Os dois homens são oriundos da etnia zaghawa e o primeiro  ocupou vários cargos de relevo nos governos sucessivos do segundo, os mais importantes foram os postos de Primeiro-ministro e de ministro dos Negócios Estrangeiros.

Déby coloca um homem de confiança para dirigir o executivo continental, no mesmo dia em que cedeu a presidência rotativa da UA, que ocupava desde há um ano, para o seu homologo guinense Alpha Condé.

O candidato vencedor é do bloco regional da África Central, que é considerado como parente pobre do continente devido ao seu fraco crescimento económico e suas alternâncias politicas quase impossíveis.

No seu próprio país, a reeleição em Abril de 2016 do presidente Déby, na primeira volta com 60 por cento suscitou uma contestação, enquanto que a situação financeira é catastrófica devido ao colapso nas receitas petrolíferas.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/0/5/Tchad-Novo-presidente-Comissao-Uniao-Africana-primeira-pessoa,3253de55-521f-4fdd-b806-2f851cf4e989.html