Construtora chinesa construirá entreposto de fiscalização de madeira em Angola

A província do Cuando Cubango vai contar, a partir de Agosto, com o primeiro entreposto de fiscalização e comercialização de madeira, que regula toda a actividade de exploração florestal na região.

André Moda e Pedro Mutindi exibem maqueta do entreposto de comercialização de madeira
Fotografia: Nicolau Vasco | Ediçoões Novembro| Cuando Cubango
A obra, a cargo da construtora chinesa CBTGC, teve início na segunda-feira, com o lançamento da primeira pedra pelo secretário de Estado para os Recursos Florestais, André Moda, acompanhado do governador provincial do Cuando Cubango, Pedro Mutindi.
Orçada em cinco milhões de dólares norte-americanos, a infra-estrutura construída numa área de 27 hectares, a 14 quilómetros da cidade de Menongue, vai integrar  serviços de pesagem, processamento, tratamento de lixo, armazenamento e reparação de meios técnicos.
Na cerimónia de lançamento da primeira pedra, André Moda assegurou que o empreendimento vai permitir controlar o transporte e comércio de madeira e, deste modo, facilitar o trabalho do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), das direcções locais dos mi-nistérios do Comércio e Indústria, Finanças, Polícia Fiscal e da Administração Geral Tributária (AGT).
O entreposto de fiscalização e comercialização do Cuando Cubango é o primeiro de vários que o Ministério da Agricultura pretende construir em todo o país, com a finalidade de combater a fuga ao fisco e estimular a arrecadação de receitas, parte das quais destinadas ao desenvolvimento local.
Os primeiros beneficiários do novo serviço, de acordo com o secretário de Estado para os Recursos Florestais, são os madeireiros que, até recentemente, vendiam a madeira em circuitos ilegais a preços muito baixos, chegando a cobrar 30 mil kwanzas por metro cúbico, quando em países como a China e Vietname a mesma quantidade pode custar entre cinco e dez mil dólares.
Com a entrada em funcionamento do entreposto, os preços estarão bem definidos, o que vai ajudar os madeireiros  a aumentar os seus recursos financeiros.
Por força da nova legislação, que começa a ser observada no sector este ano, os madeireiros autorizados ficam obrigados a proceder à plantação de árvores nas áreas de abate, para permitir o repovoamento florestal.
Sobre o produto apreendido nas províncias do Cuan-do Cubango, Moxico, Namibe e Uíge, desde Fevereiro do ano em curso, altura em que entrou em vigor um instrutivo do Ministério da Agricultura que interditava a extracção, transporte e comercialização, André Moda revelou que, “por orientação superior”, toda a madeira vai ser transportada para Luanda, onde será comercializada e as receitas revertidas a favor do Estado.
Sem entrar em detalhes sobre a quantidade da madeira apreendida em todo o país, o secretário de Estado para os Recursos Florestais disse que o volume é grande e em algumas províncias equipas multissectoriais ainda procedem ao levantamento de dados para melhorar as informações em posse do Ministério da Agricultura.
André Moda anunciou a atribuição de carteiras de exploração de madeira, ainda este ano, para distinguir os agentes autorizados, em conformidade com a lei.
Até 2019, o Ministério da Agricultura promete instalar seis entrepostos de fiscalização e comercialização de madeira em igual número de províncias, onde a actividade florestal ganha força.

Mais-valia para a região
Pedro Mutindi enalteceu a iniciativa do Ministério da Agricultura, salientando que o entreposto de fiscalização e comercialização de madeira é uma mais-valia para a província do Cuando Cubango.
Tendo em conta o potencial florestal da província, o Cuando Cubango vai ter dois entrepostos de fiscalização e comercialização, um dos quais na zona fronteiriça, onde a actividade de exploração é feita de forma intensa, com relatos de roubos e fuga ao fisco.
“A implementação deste projecto, cujo lançamento da primeira pedra testemunhamos hoje, vai contribuir para o melhoramento da fiscalização e controlo no corte, circulação e comercialização da madeira”, afirmou Pedro Mutindi.
No âmbito desta estratégia da redução das importações e fomento das exportações, lembrou, o sector madeireiro é um dos eleitos para contribuir para a captação de divisas.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/agricultura_garante_disciplinar__a_comercializacao_de_madeira

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O Brasil não conhece a China

Poucos brasileiros conhecem e entendem seu maior parceiro comercial e investidor. Já os chineses sabem quase tudo sobre o Brasil. Essa é uma situação arriscada, que pode resultar numa relação como a da era colonial.

    
defaultEdifícios em Pequim: cada vez mais empresas brasileiras são controladas a partir da capital chinesa

Os primeiros contatos com correspondentes chineses no Brasil foram frustrantes. Era difícil de entender os colegas. Eles mal falavam português. E quando dava para entender as perguntas deles, elas faziam pouco sentido. Isso foi há cerca de 15 anos. Hoje, é completamente diferente.

Leia mais: China e suas ambições geopolíticas

Há alguns anos, eu viajei com alguns colegas chineses da agência de notícias Xinhua pela principal região agrícola do Brasil. O governo queria nos mostrar a força da agricultura brasileira. O meu colega chinês não só falava um excelente português: ele ainda conhecia quase todos os empresários, secretários de governo e governadores de encontros anteriores. E ainda mencionou, de passagem, que, quando o presidente chinês fazia visitas oficiais ao Brasil, ele servia de intérprete. Fiquei impressionado.

Há pouco tempo, encontrei dois jovens colegas chineses durante uma visita à periferia do Rio de Janeiro. Eles cantarolavam, alegres, os novos funks que tocavam nos bares ao redor. Não tinham nenhum sotaque, conheciam todas as letras.

Alexander Busch, Kolumne Tropiconomia bei DW Brasil	(Paulo Fridman)Alexander Busch

Em apenas uma década, não foi só a presença dos jornalistas chineses no Brasil e o conhecimento deles sobre o país que aumentaram enormemente. Também os diplomatas, empresários e bancários da China têm, já há alguns anos, uma presença cada vez mais firme. De forma despercebida, os bancos estatais chineses ocuparam prédios inteiros num importante centro financeiro de São Paulo, a Avenida Brigadeiro Faria Lima.

No ano passado, empresas chinesas entraram no setor energético brasileiro, com investimentos de cerca de 10 bilhões de dólares. Com a CPFL, a State Grid se tornou a maior empresa integrada de energia elétrica do Brasil e da América Latina. Já a chinesa Three Gorges é hoje a maior produtora privada de energia elétrica do Brasil.

Empresas estatais da China investem hoje mais no Brasil do que nos demais países da América do Sul: portos, participação em empresas de mineração e petróleo, ferrovias municipais e interurbanas são cada vez mais controladas a partir do Extremo Oriente. “A China tem um plano claro, uma elevada disposição para enfrentar riscos, grandes conhecimentos em mercados emergentes e dispõe de capital praticamente ilimitado”, disse Georgina Baker, vice-presidente da International Finance Cooperation, durante uma recente passagem por São Paulo, para explicar essa rápida expansão.

A China segue uma estratégia: suas empresas investem diretamente no DNA industrial do Brasil. Quem controla as redes de energia, as rodovias, as ferrovias e talvez logo também as redes de telefonia terá uma vantagem enorme como investidor quando chegar a hora da digitalização e transmissão de dados no Brasil. A imponente presença da China, como nova potência mundial, preenche o vazio cada vez maior deixado pelos Estados Unidos.

Mas, à parte alguns especialistas, quase ninguém percebe isso no Brasil. E parece que também ninguém se importa. De um modo geral, os conhecimentos sobre a China no Brasil são ínfimos diante do fato de que o país se tornou seu principal parceiro comercial e investidor.

Isso vale para os formadores de opinião na mídia, para os políticos e para o setor privado e também para as autoridades. Pouquíssimos empresários, diretores e diplomatas conhecem a China, viveram por lá ou falam chinês. A imprensa não tem nenhum correspondente por lá. No Ministério do Exterior, os especialistas em China podem ser contados nos dedos de uma mão. Pode-se aprender chinês em vários lugares do Brasil, mas a procura é baixa.

Esse desconhecimento sobre a China vale também para todos os outros brasileiros. “Quase ninguém conhece um esportista, músico ou astro do cinema chinês”, comenta Oliver Stünkel, professor de relações internacionais na Fundação Getúlio Vargas. Segundo ele, a maioria das pessoas na América Latina não tem uma opinião sobre a China, seja positiva, seja negativa. “Para elas tanto faz.” Em relação aos Estados Unidos, a situação é completamente outra. Apesar de a influência do país ser cada vez menor, quase todo brasileiro têm alguma opinião sobre o vizinho do norte.

Acho isso muito arriscado. O Brasil está desperdiçando uma oportunidade enorme. Só se o Brasil conhecer e entender melhor seu principal parceiro comercial e investidor, poderá impedir que as relações se tornem de mão única, como eram com as potências coloniais, antigamente, e durante um certo período com os Estados Unidos. Com a China, o Brasil corre o risco de se tornar, de novo, o eterno fornecedor de matérias-primas e mercado de consumo para produtos industrializados – e a China ainda estará sentada no centro de comando da economia brasileira.

Há mais de 25 anos, o jornalista Alexander Busch é correspondente de América do Sul do grupo editorial Handelsblatt (que publica o semanário Wirtschaftswoche e o diário Handelsblatt) e do jornal Neue Zürcher Zeitung. Nascido em 1963, cresceu na Venezuela e estudou economia e política em Colônia e em Buenos Aires. Busch vive e trabalha em São Paulo e Salvador. É autor de vários livros sobre o Brasil.

http://www.dw.com/pt-br/o-brasil-n%C3%A3o-conhece-a-china-isso-%C3%A9-perigoso/a-43715399

“Le Monde”:Concorrência da China, India, Turquia e Brasil na Africa mudaram o mercado africano

 

Para um observador casual tornou-se difícil  manter os mercados africanos  concedido a empresas s Europeias. O modelo ocidental, cujo apelo antes parecia inabalável, está agora a braços com modelos concorrentes inspirados por novos parceiros de África , a primeira das quais a China e Índia .

Mais de um século de intercâmbios tendenciosos, mas também de admiração cruzada e proximidade cultural, poderiam criar a ilusão de uma fluidez inalterável entre um Ocidente seguro de seu modelo e uma África entusiasmada pelo know-how que precisava para assegurar- lhe um futuro próspero.

Algumas ideias herdadas, muitas vezes reprimidas

O traço parece forçado? Ao contrário, acreditamos que não devemos nos enganar sobre este ponto: vários atores econômicos na África – nem todos verdadeiros – de empresas a instituições de financiamento do desenvolvimento são condicionados por essas idéias herdadas, muitas vezes reprimidas, mas que não ficam menos grávidas.

Quantos desses líderes empresariais, investidores e comerciantes, que algumas vezes formam as sutilezas da negociação no estilo chinês, a etiqueta meticulosa das monarquias do Golfo, os equilíbrios políticos mais sutis da América Latina, têm sido os mesmos? perguntas sobre como abordar seus parceiros africanos?

 

Porque a língua, a história compartilhada, o contato diário com várias diásporas dar uma sensação de facilidade e coniventes ao comércio entre africanos e europeus, é fácil esquecer que essa proximidade cultural é frequentemente o resultado dos próprios africanos . Com efeito, são mais frequentemente eles que falam línguas europeias do que os europeus que falam bamileke, ioruba, bambara, fon, tshiluba ou swahili. Muitos africanos que sabem as datas-chave na história do Ocidente e muito poucos europeus que pode citar os das grandes civilizações africanas, a Cultura Nok aos grandes reinos e impérios de Axum, a Grande Zimbabwe , Kanem ou Mali.

Esse conhecimento ou “sensibilidade” é útil para fazer negócios? Não necessariamente, alguns podem pensar . E mesmo que considerem a parte cultural importante, sustentam que, a partir de agora, é necessário, antes de tudo, construir relações essencialmente com base no respeito da regra e dos interesses mútuos.

Um dos pilares da futura ordem mundial

Isso é verdade em todas as circunstâncias e especialmente nas trocas puramente comerciais, mas não deveríamos encontrar um equilíbrio entre a regra e os interesses mútuos e o respeito pelas culturas, sensibilidades, expectativas um do outro? Um equilíbrio que também leva em conta as populações, seus representantes envolvidos em grandes projetos de investimento e a necessária ”  licença social para operar”  ?

As mundo muda, assim como o equilíbrio geral em que se baseou desde o XIX th  século. A China renasce, a Índia segue em frente, a Coréia, o Brasil e a Turquia estão se espalhando e trazendo consigo o ressurgimento de um espírito de cooperação entre os países do “Sul”, que agora têm os meios de suas ambições.

Quanto à Europa , diante desses Golias econômicos e demográficos, não pesará mais de 6% da população mundial até 2030. O padrão de vida de sua população , limitado por seus recursos naturais e demográficos, dependerá mais do que nunca de recursos comerciais e financeiros externos.

E a África, hoje muitas vezes equivocadamente considerada um ator menor na economia mundial, mas cujos recursos humanos e naturais fazem dela um dos principais pilares da futura ordem mundial, já é o campo privilegiado da competição empresarial. de todos os continentes – o exemplo das terras raras, essencial no mundo eletrônico, é significativo.

A Europa tem os ativos para construir um forte eixo com a África

O cumprimento das regras é um pré-requisito essencial nessa relação de confiança, mas é apenas um pré-requisito para investimentos de longo prazo. Os empreendedores ocidentais devem a muitos deles mais consideração pelas realidades locais, costumes, leis consuetudinárias, história e sensibilidades de seus parceiros. Isso é ainda mais verdadeiro para todos os investidores estrangeiros, sejam eles chineses, russos ou brasileiros.

 

Os europeus devem se beneficiar de suas conexões históricas e conhecimento do continente que “novos investidores” não têm . E, no entanto, é o oposto que está acontecendo hoje, porque são muitas vezes bloqueados por essa abordagem histórica. A Europa tem todos os recursos para construir um forte eixo com a África.

E estamos convencidos de que um novo relacionamento, ancorado em um conhecimento melhor e verdadeiro de valores, filosofias, sensibilidades, expectativas, especialmente de populações, bem como formas de fazer e dizer , reabrirá aos investidores não apenas as portas mas também os corações e a confiança dos seus parceiros africanos.

Por Aminata Niane, consultora internacional, ex-diretora geral da Agência Nacional de Promoção de Investimentos e Grandes Projetos do Senegal (APIX); Marlyn Mouliom Roosalem, Diretora Associada do Afriland First Bank e ex-Ministra do Comércio e Indústria da África Central  ; Didier Acouetey, fundador e presidente executivo da AfricSearch; Alexandre Maymat, Chefe da África, Ásia, Mediterrâneo e Ultramar , Serviços Bancários Internacionais e Serviços Financeiros da Société Générale; Stéphane BrabantAdvogado do Tribunal, sócio da Herbert Smith Freehils LLP Paris , co-presidente do grupo Áfricano

http://www.lemonde.fr/afrique/article/2018/04/05/les-entrepreneurs-occidentaux-doivent-faire-preuve-de-plus-d-egards-pour-les-realites-africaines_5281175_3212.html

Anistia Internacional denuncia violação dos direitos humanos de empresa chinesa em Moçambique

A Amnistia Internacional acusa a empresa mineira chinesa Haiyu Mozambique Mining de violar as leis moçambicanas e internacionais numa exploração de areias pesadas em Nagonha (Nampula), considerando que a operação mineira resultou no desalojamento de 290 pessoas.


África 21 Digital com Lusa


“A Haiyu violou a legislação nacional nas áreas do ambiente e da exploração mineira. Antes de estabelecer as suas operações, a empresa não consultou os residentes de Nagonha; não realizou uma Avaliação de Impacto Ambiental adequada para identificar os riscos de minerar e despejar areias nas zonas húmidas; e não monitorizou e reportou os seus próprios impactos ambientais ao governo para verificação e aprovação”, indica a Amnistia Internacional num relatório que será hoje apresentado em Maputo.

No relatório “As Nossas Vidas Não Valem Nada – O Custo Humano da Exploração Mineira Chinesa em Nagonha, Moçambique”, a organização de direitos humanos considera que “as práticas da Haiyu transformaram a topografia da área e afetaram o sistema de drenagem das zonas húmidas”, alterações que “tiveram impactos negativos sobre o ambiente e a população local”.

O mais importante desses impactos deu-se na manhã de 07 de fevereiro de 2015, quando uma inundação súbita destruiu parcialmente Nagonha, uma aldeia litoral no distrito de Angoche, na província de Nampula, norte de Moçambique.

“Quarenta e oito casas foram imediatamente arrastadas para o mar, pois a água das inundações abriu um novo canal em direção ao mar que atravessou a aldeia, dividindo em duas a duna sobre a qual a aldeia está situada. As inundações deixaram cerca de 290 pessoas desalojadas. A edilidade local registou mais 173 casas parcialmente destruídas”, recorda a Amnistia Internacional (AI).

Segundo os especialistas consultados pela AI, esta situação deveu-se ao “impacto das operações mineiras da Haiyu (…), nomeadamente o impacto das contínuas descargas de areias da mineração sobre as zonas húmidas e os cursos de água”, o que causou alteração na topografia e, em última análise, as inundações de Nagonha em 2015.

Por outro lado, quando confrontada pelos residentes desalojados de Nagonha para a necessidade de os compensar pelos estragos, a empresa chinesa primeiro recusou e depois apresentou uma proposta considerada inaceitável.

“O plano de reassentamento proposto pela Haiyu era extremamente inadequado e os residentes de Nagonha sentiram-se insultados e recusaram a oferta”, escreve a AI.

Ou seja, para a organização não-governamental, “a Haiyu (…) não seguiu o processo de diligência devida adequado em termos de direitos humanos para identificar, impedir, atenuar e, se necessário, reparar os impactos adversos das suas operações sobre os residentes”.

A AI considera também que o Governo moçambicano sabia que a Haiyu não tinha feito as avaliações de impactos ambientais nem, como é de lei, consultou os residentes em Nagonha para obter deles o “direito de uso e aproveitamento da terra” (DUAT), um direito que estes têm quando vivem num terreno por mais de dez anos.

“O Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural (MITADER) tinha conhecimento de que a Haiyu não tinha consultado e ouvido os residentes de Nagonha para obter a transferência do DUAT” e “sabia que a Haiyu não tinha realizado as auditorias de impacto ambiental”, adianta a AI.

Ainda assim, concluiu a AI, o governo permitiu que a Haiyu avançasse com a exploração mineira em Nagonha.

“Apesar das provas sobre os impactos negativos das operações mineiras sobre as pessoas de Nagonha, o governo permitiu a continuação de práticas de exploração mineira prejudiciais, sem qualquer controlo. (…) As falhas do governo em fazer cumprir a legislação e regulamentos existentes constituem uma omissão evidente no seu dever de proteger os direitos humanos de interferências de atores não estatais”, aponta a ONG.

A Haiyu, que explora areias pesadas em duas concessões em Nampula (Nagonha e Sangage) desde 2011, das quais extrai minerais como a ilmenite, o titânio e o zircão, continua a negar qualquer responsabilidade.

“Em primeiro lugar, as chuvas foram intensas, muito violentas e de uma escala nunca vista durante 100 anos. Isto constitui força maior. Foi uma catástrofe natural e não provocado por atividade humana. Em segundo lugar, a extração de areias pesadas envolve a separação por gravidade e os resíduos (na forma de areia branca, neste caso) são devolvidos ao seu ponto de origem, imediatamente após a separação. 99% da areia permanece no seu ponto de origem e não é extraída. Isto contradiz a ideia de que houve uma alteração no canal para as águas subterrâneas, o que não é verdade”, argumentou a empresa numa mensagem à AI.

Após ouvir especialistas, a AI considerou que “a reivindicação de que as chuvas de Fevereiro de 2015 ‘foram de uma escala nunca vista durante 100 anos’ é falsa”.

A Haiyu continua a despejar areias sobre as zonas húmidas até hoje.

Fonte:https://africa21digital.com/2018/03/28/chinesa-haiyu-viola-leis-de-mocambique-acusa-a-amnistia-internacional/

Chineses investirão na agricultura de Angola

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Num artigo intitulado “Pode a agricultura de Angola aprender com a experiência de Moçambique?”, o CLBrief (www.clbrief.com) cita o Instituto Nacional de Estradas de Angola para referir a importância de recuperar mais de sete mil quilómetros de estradas que são fundamentais para a distribuição de produtos agrícolas e que neste momento são um estrangulamento ao desenvolvimento do sector.
Em Janeiro, a CITIC e a Companhia China Huashi Enperprises anunciaram planos para desenvolver o agronegócio e projectos de água na província da Huíla num dos primeiros investimentos chineses no sector. A Câmara de Comércio Angola-China anunciou em Fevereiro que o investimento Chinês  em Angola vai diversificar  nos próximos anos, colocando o foco na agricultura e no agronegócio. A câmara lembra que 230 dos seus membros são empresas e homens de negócios da China.
A empresa de Hubei Wanbao Grains and Oils anunciou que vai investir 250 milhões de dólares numa área de 20 mil hectares para cultivar cereais e arroz no Vale do Limpopo, perto do Xai Xai, no sul de Moçambique.
Segundo o portal China-Lusophone Brief, os Governos de Angola e Moçambique devem estruturar da melhor maneira os investimentos chineses, para que não se tornem em projectos gigantescos que, em vez de beneficiarem a economia dos países e das populações, passem a ser essencialmente empreendimentos virados para a exportação.
O Governo de Moçambique deve aprovar  um projecto de produção de feijão e milho das empresas chinesas Power e Xinjiang.

Exemplo chinês põe em debate a limitação de mandatos na África

 

Argélia, Camarões, Guiné Equatorial, Ruanda, Uganda, Burundi, Gabão, Congo, Togo, Zâmbia, Quênia e RDCongo, por diferentes razões, estão envolvidos em processos em que pretendem reverter a ordem constitucional e pôr cobro à limitação de mandatos, tal como se decidiu recentemente na China.

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Entre os 12 países em causa, na Argélia não há limitação de mandatos e Bouteflika, 81 anos feitos a 02 deste mês, apesar de raramente aparecer em público, já deu indicações de que, em 2019, quer renovar as vitórias que tem colecionado desde 1999 (2004, 2009 e 2014), ano em que chegou ao poder depois de 26 anos como chefe da diplomacia argelina. O mesmo se passa nos Camarões, onde Byia, aos 84 anos, e há 35 no poder, vai recandidatar-se nas eleições deste ano.

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Idêntica situação é a da Guiné Equatorial, com Teodoro Obiang Nguema, no poder desde 1979, e no Ruanda, com Paul Kagamé, Presidente desde 2000. A situação já se “resolveu” no Uganda, onde Yoweri Museveni, Presidente há 21 anos, fez aprovar a lei que pôs cobro à limitação de dois mandatos, pelo que pode concorrer novamente na votação em 2021.

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No Burundi, há um referendo em maio próximo para se proceder a uma alteração constitucional, de forma a permitir a Nkurunziza candidatar-se a um terceiro mandato e, no limite, liderar o país até 2034. A polémica em torno do fim da limitação dos dois mandatos presidenciais também existe no Gabão, em que Ali Bingo Ondimba, filho de Omar Bongo, está no poder desde 2005 e venceu a votação de dezembro de 2017 no meio de grande contestação, pois já entrou no terceiro mandato.

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No Congo, Denis Sassou Nguesso, que passou 32 anos, intercalados (1979/92 e desde 1999 no poder,), foi reeleito Presidente em março de 2016, prolongando um regime que lidera com “mão de ferro”. Também no Togo, onde a instabilidade política e social começa a subir de tom, Faure Gnassingbé sucedeu ao pai, Gnassingbé Eyadéma, em 2005, e desde então, venceu as eleições de 2010 e 2015, estando já em discussão pública a alteração à Constituição que lhe permitirá concorrer a um terceiro mandato em 2020.

Edgar Lungu,

A cumprir o segundo mandato, também Edgar Lungu, na Zâmbia, está a pensar em mudar a Carta Magna para poder apresentar-se novamente nas presidenciais de 2021, o mesmo sucedendo no Quênia, onde Uhuru Kenyatta, apesar do boicote da oposição, venceu as presidenciais de novembro de 2017, depois de ganhar as de 2013, e já iniciou o debate sobre a devida alteração constitucional para a votação em 2022.

Joseph Kabila

Complexa está ainda a situação na República Democrática do Congo (RDC), onde Joseph Kabila, cujo segundo e último mandato constitucional terminou em dezembro de 2016, conseguiu um acordo polêmico com a oposição e prolongou a Presidência por mais um ano. No entanto, a data das presidenciais de 2017 nunca chegou a ser marcada, tendo sido recentemente fixada para 23 de dezembro deste ano. No poder desde 2001, sucedeu ao pai, Laurent-Desiré Kabila, assassinado nesse ano por um guarda-costas.

Mugabe e jos eduardo

Angola deixou a “lista” em agosto de 2017, com o fim dos 38 anos de regime de José Eduardo dos Santos, o mesmo sucedendo, mais recentemente, no Zimbabué, onde Robert Mugabe foi afastado compulsivamente pelos militares em novembro último.

Fonte:http://observador.pt/2018/03/04/limitacao-de-mandatos-em-africa-na-ordem-do-dia-e-o-perigo-do-exemplo-chines/

Ugandenses denunciam de torturas, maus-tratos e insultos de empresa chinesa

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Ugandenses denunciaram que a empresa China Railway N03 , uma empresa chinesa que foi contratada para reformar 195 km de  ferrovia de Moroto-Soroti na sub-região de Karamoja, tem praticado atos de violência contra trabalhadores.

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Os gerentes chineses tem torturado, agredido, insultado os trabalhadores, que são ameaçados de serem despedidos se reclamarem do tratamento desumano. Muitos trabalhadores afirmam que diariamente  são insultados e assaltados por alguns de seus supervisores chineses sem motivo.

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O Sr. Patrick Lokol, um motorista, disse que os trabalhadores que ficam doentes ou se machucam enquanto estão de plantão são obrigados a trabalhar para evitar ser sumariamente demitidos.

Autoridades ugandenses foram acionadas e se comprometeram a realizar investigações, pois há legislação que protege os trabalhadores. As críticas contra os chineses sobre as formas de tratamento tem crescido no continente africano, os trabalhadores de Uganda se somam a denúncia ocorrida em outros países.

260 mil chineses vivem em Angola

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês vai visitar Angola e São Tomé e Príncipe. A viagem de Wang Yi a África inclui ainda paragens no Ruanda e Gabão.

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, visitará Angola e São Tomé e Príncipe, entre 12 e 16 de janeiro, na sua primeira deslocação ao estrangeiro este ano, ainformou fonte diplomática chinesa. A viagem de Wang Yi a África inclui ainda paragens no Ruanda e Gabão.

Há mais de duas décadas que os ministros chineses  dos Negócios Estrangeiros começam sempre o ano com uma viagem ao continente africano. “A continuação de Wang com esta tradição demonstra que a China presta consistentemente grande atenção aos laços entre China e África”, afirmou  Lu Kang, porta-voz da diplomacia chinesa.

A visita de Wang Yi servirá ainda para preparar o Fórum de Cooperação entre China e África, que será organizado, este ano, na China. O país asiático tornou-se, em 2009, o maior parceiro comercial de África. Pelas estatísticas chinesas, em 2015, o comércio China-África somou 169 bilhões de dólares (141 bilhões de euros).15721214_303

No ano passado, Angola foi o terceiro maior fornecedor de petróleo à China, depois da Rússia e da Arábia Saudita. Cobre, ferro e outras matérias-primas pesam também muito na balança comercial. Depois de a guerra civil em Angola ter acabado, em 2002, a China tornou-se um dos principais atores da reconstrução do país, nomeadamente das suas estradas, malha ferroviária e outras infraestruturas. Números oficiais de Luanda apontam que há quase 260 mil chineses a vivem em Angola.1

Em dezembro de 2016, São Tomé e Príncipe anunciou o reconhecimento da República Popular da China, rompendo com Taiwan, a ilha onde se refugiou o antigo governo chinês depois de o Partido Comunista (PCC) tomar o poder no continente, em 1949.

Por que será que existem mais chineses vivendo em Angola  do que brasileiros?

Provavelmente os brasileiros  tem muitas opções para morar fora do país e não enxergam como oportunidade de negócios viver em um país africano. Outra hipótese é a mais completa ignorância sobre o que se passa no continente africano.

Brasileiros tem poucas informações sobre o que se passa em África, e continuam com os mesmos estereótipos e imagens negativas, e isso colabora para que no imaginário não se vislumbre uma presença maior de brasileiros vivendo em  um país africano.

Outra hipótese são as dificuldades do dia a dia em viver em outro pais , é uma realidade muito distante , exige uma dose de sacrifícios.

O fato é que a diplomacia chinesa está mais presente nos países africanos. Há um investimento diplomático inegável.

Tenho escrito que os brasileiros deveriam colocar no cenário de suas opções de trabalho e investimento: o continente africano, pois são  economias em expansão que oferecem muitas possibilidades, que no Brasil estão mais difíceis. Há um forte desejo em diversificar as economias, o que significa querer substituir as importações em diversos produtos e serviços.

è preciso que trabalhemos para expandir os conhecimentos sobre o continente africano e reduzir os estereótipos que perduram sobre as pessoas e governo africanos

 

China proíbe o comércio de marfim

Victor Carvalho

A imprensa oficial chinesa deu ontem grande destaque ao cumprimento da decisão, anunciada pelo Presidente Xi Jinping ainda antes do final de 2017, que dava conta da proibição do comércio interno de marfim.

Medidas do Governo contra o tráfico na China oferecem maior tranquilidade aos elefantes em território de países africanos como a Costa do Marfim
Fotografia: Diptendu Dutta | afp

O anúncio da entrada em vigor a partir de 1 de Janeiro deste ano dessa proibição vem confirmar o empenho das autoridades em acertar o passo com as Nações Unidas que a meio do ano passado haviam “recordado” que a China tinha decidido, em 2015, proibir o comércio de marfim.

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Nessa altura, o próprio presidente chinês, Xi Jinping, reconheceu algum atraso na conclusão da legislação em relação a essa matéria, tendo sido ele próprio a anunciar em Novembro de 2017 que estava já tudo pronto para que o seu país pudesse agora cumprir a palavra dada em 2015. Trata-se de uma decisão com um grande impacto político a nível internacional pois permite corrigir a falha no cumprimento de uma promessa feita em 2015 e que estava a custar ao país algum ostracismo sempre que se falava de defesa do Ambiente ou da protecção dos animais.

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Já em 2017 que a comercialização de marfim no interior da China havia conhecido um declínio, uma vez que as autoridades policiais estavam a desenvolver um controle muito apertado junto dos principais locais de venda do produto antecipando trabalho para poder depois defender a aplicação da lei agora aprovada.

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Esse controlo fez com que os contrabandistas tivessem que redobrar cuidados no envio de marfim para o mercado chinês, o que provocou uma baixa de 80 por cento no total do produto disponível e de 65 por cento nos valores em circulação. De acordo com dados oficiais divulgados pelas autoridades chinesas, desde Março do ano passado foram encerradas 67 fábricas e lojas de preparação e venda de diamantes, havendo ainda 105 que serão agora fechadas. “A partir deste momento haverá tolerância zero para quem violar a lei e continuar a comercializar marfim. Trata-se de uma questão de Estado que tudo faremos para defender”, disse o ministro chinês das Florestas e do Ambiente no seu site disponível na rede social Weibo.

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A agência de notícias Xinhua, por seu lado, dá conta da existência de uma ampla campanha de sensibilização para o combate ao tráfico e venda de marfim e que conta com a participação de celebridades locais, tanto do mundo do desporto  como do espectáculo, entre eles o conhecido basquetebolista Yao Ming.
O Fundo Mundial para a Defesa da Natureza já reagiu à decisão agora implementada pela China, sublinhando que está “deliciado por ver o maior mercado mundial de marfim fechar as suas portas”. “Isto é um passo muito significativo e prova que existem esforços internacionais muito sérios para a protecção dos elefantes africanos”, referiu o director daquela organização para África, Fred Kumah.
Porém, como muitas vezes acontece nos meandros políticos, a legislação que a China vai agora accionar tem algumas lacunas. Neste caso, o problema é que Hong Kong fica de fora da alçada da lei, o que é estranho uma vez que se trata da principal região de comercialização de marfim em todo o país. A imprensa chinesa faz referência a esta “lacuna” legislativa, e tenta tranquilizar as pessoas adiantando que “em breve” também em Hong Kong “será totalmente proibida a comercialização de diamantes”.
Mas, os mais cépticos a­cham que a inclusão de Hong Kong na lei que já está em vigor desde o início do ano, poderá demorar ainda algum tempo uma vez que está mui­to dinheiro em jogo e que “existem interesses políticos que podem influenciar um certo adiamento da imposição da directiva assinada pelo Presidente chinês, Xi Jinping.
É que já em 1975 a China havia aderido, sem efeitos práticos, a uma convenção que proibia a comercialização de marfim e mais tarde, em 1990, a uma lei internacional aprovada nas Nações Unidas que também bania a venda do produto.

Laos passa a estar no topo da lista

Com a proibição de comercialização de marfim na China, que era o maior consumidor mundial do produto, agora passa a ser o Laos o país que lidera esta pouco recomendável lista.
Trata-se de uma situação normal, dentro da anormalidade que é a prática deste tipo de comércio, uma vez que os contrabandistas tentam sempre encontrar uma proximidade com o local onde actuavam com mais frequência.
Investigadores internacionais deste fenómeno visitaram um casino chinês que funciona às margens do rio Mekong, no interior do Laos, e confirmaram que se tratava de um cenário de jogo, prostituição e de… venda de marfim, na sua maioria a clientes provenientes da China. Esses mesmos investigadores referem que desde Novembro de 2017, quando o Presidente chinês anunciou a proibição da venda interna de marfim, a comercialização do produto no Laos conheceu um aumento significativo de 80 por cento. Tal como no Vietname e em Myanmar, também no Laos o preço do marfim é muito inferior àquele que era praticado na China. Os sindicatos internacionais do crime, envolvidos no tráfico de marfim são directamente responsáveis pelos actos de corrupção que envolvem cumplicidades em todo o mundo, sobretudo em África, onde se calcula que dezenas de milhares de elefantes foram dizimados.

 

Angola é o terceiro maior destino do financiamento chinês

 

Angola é o terceiro maior destino do financiamento chinês além-fronteiras, segundo a unidade de investigação AidData, que aponta que Pequim está perto de igualar Washington como principal fonte de empréstimos aos países em desenvolvimento.

Crédito chinês atinge mais de 16,5 mil milhões de dólares
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro
A pesquisa, difundida pela unidade de investigação AidData, da universidade norte-americana de William & Mary, analisa o financiamento oriundo da China, que publica poucos detalhes sobre os fluxos de capital para o exterior. Em 15 anos, e até 2014, Pequim doou ou emprestou 354,4 mil milhões de dólares a outros países.
Durante o mesmo período, os EUA doaram ou emprestaram 394,6 mil milhões de dólares. Angola surge no estudo da AidData como o terceiro maior beneficiário do financiamento de Pequim, apenas atrás da Rússia e Paquistão, dois países que fazem fronteira com a China. O país recebeu de Pequim um total de 16.556 milhões de dólares (14.011 milhões de euros).
A base de dados AidData, que reúne milhares de fontes, é analisada por acadêmicos da William & Mary e das universidades de Harvard e Heidelberg. “Ao nível mais alto, pode dizer-se que os EUA e a China são agora rivais nos gastos, no que toca às suas transferências financeiras para outros países”, escreve o director executivo da AidData, Bradley C. Parks.
A opacidade do financiamento chinês suscita preocupações de apoio a regimes corruptos e redução dos padrões de protecção ambiental e direitos humanos, que doadores ocidentais tentam reforçar. A maioria do financiamento chinês parece servir o crédito à exportação e outros critérios que visam promover os objectivos chineses, mas produzem pouco benefício aos países destinatários, segundo Parks.
“A maior fatia do financiamento não visa permitir um crescimento econômico significante para os países receptores”, afirma.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/angola_entre_os_maiores__devedores_da_china