11 de fevereiro, “Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência”

 

O dia 11 de Fevereiro foi instituído pela Organização da Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para comemorar o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Este dia constitui uma oportunidade para todos apoiarem a sua integração na ciência, com o intuito de chamar a atenção para a necessidade de se continuar os esforços na redução das diferenças de gênero na ciência.

Mensagem conjunta de Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO e Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres por ocasião do Dia Internacional de Mulheres e das Meninas na Ciência

e Phumzile Mlambo-Ngcuka1

Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO

Nosso futuro será marcado pelo progresso científico e tecnológico, assim como nosso passado. Esse progresso futuro será melhor quando se basear no talento integral, na criatividade e nas ideias de mulheres e meninas na ciência.

A maioria dos países, industrializados ou não, estão longe de alcançar a paridade de gênero nas disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (Science, Technology, Engineering and Mathematics –  STEM) em todos os âmbtios do sistema educacional. Esse deficit alimenta a lacuna no emprego. De acordo com estimativas do Instituto de Estatísticas da UNESCO (UIS), as mulheres atualmente representam menos de 30% da força de trabalho de pesquisa e desenvolvimento em todo o mundo.

O rápido crescimento dos setores de ciência e tecnologia são vitais para as economias nacionais. Lidar com alguns dos maiores desafios da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável – da melhoria do sistema de saúde ao combate da mudança climática – dependerá de aproveitar todos os talentos. Isso significa que precisamos alcançar um aumento significativo no número de mulheres que entram e permanecem nas carreiras de STEM.

Uma das principais ferramentas para combater a desigualdade de gênero nas ciências é desmantelar as barreiras para meninas e mulheres em casa, na sala de aula e no local de trabalho. Isso requer mudar de atitudes e desafiar os estereótipos. Precisamos combater percepções preconceituosas entre professores, empregadores, colegas e pais quanto à adequação de meninas e mulheres jovens na educação científica  – ou na aprendizagem da ciência de modo geral –, nas carreiras científicas e nas lideranças e coordenações no âmbito acadêmico.

É difícil para as meninas acreditarem em si mesmas como cientistas, exploradoras, inovadoras, engenheiras e inventoras quando as imagens que vêem nas mídias sociais, nos livros didáticos e na publicidade refletem os papéis estreitos e limitantes de gênero. É por isso que a ONU Mulheres está liderando a iniciativa Aliança Sem Estereótipo (Unstereotype Alliance), que incentiva anunciantes de publicidade, empresas de tecnologia e influenciadores a banir retratos antigos e estereotipados de gênero em publicidade que possam diminuir ou limitar o papel das mulheres na sociedade. Essas representações imprecisas podem dificultar as carreiras das mulheres, inclusive como inovadoras científicas.

relatório do Painel de Alto Nível sobre Empoderamento Econômico Feminino de 2017 do Secretário-Geral da ONU (link externo em inglês) explorou o impacto dessas normas sociais adversas e ressaltou a necessidade do diálogo com crianças e adolescentes, de modo que tanto as meninas como os meninos se vejam como igualmente capazes desde a primeira infância. Ele também analisou maneiras de promover modelos positivos como um dos principais impulsionadores da mudança para aumentar a participação econômica das mulheres em todo o mundo.

Mulheres fortes mais experientes podem mostrar às mulheres e às meninas o caminho para a liderança acadêmica, a pesquisa e os negócios ao longo de suas carreiras. É por isso que a UNESCO, juntamente com a Fundação L’Oréal, por duas décadas, tem incentivado as mulheres cientistas por meio do prêmio For Women for Science Awards, criado para celebrar as conquistas das mulheres cientistas. O nosso recentemente lançado Manifesto “For Women in Science”, é um apelo para incentivar o talento das mulheres, ao apoiar a educação de meninas em disciplinas STEM e ao garantir a igualdade de oportunidades, de modo que elas participem plenamente e liderem o amplo espectro de órgãos científicos de alto nível.

A ONU Mulheres e a UNESCO estão engajadas em continuar trabalhando no Sistema das Nações Unidas e com todos os nossos parceiros da sociedade pública, privada e civil para garantir que as meninas e as mulheres sejam representadas de forma mais igualitária, que a elas sejam concedidas todas as oportunidades que precisam para prosperar em disciplinas relacionadas à ciência, e para que façam as descobertas inovadoras do futuro.

Fonte:http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/joint_message_from_unesco_and_un_women_for_the_international/

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Marco legal da Ciência , Tecnologia e Inovação é regulamentado no Brasil

ban_854b30e8d2ebb29b9c763c187a1084b9Diário Oficial da União de hoje (8) publicou decreto que regulamenta o Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação (Lei nº 13.243/2016)  e  traz a expectativa de desburocratizar as atividades de pesquisa e inovação no país. As novas regras criam mecanismos para integrar instituições científicas e tecnológicas e incentiva investimentos em pesquisa.

 

De acordo com o ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o novo marco legal deve simplificar a celebração de convênios para a promoção da pesquisa pública; facilitar a internacionalização de instituições científicas e tecnológicas e aumentar a interação elas e as empresas.

Deve ainda incrementar a promoção de ecossistemas de inovação; diversificar instrumentos financeiros de apoio à inovação e permitir maior compartilhamento de recursos entre entes públicos e privados.

Outros pontos são a simplificação de procedimentos de importação de bens e insumos para pesquisa; novos estímulos para a realização de encomendas tecnológicas e flexibilidade no remanejamento entre recursos orçamentários.

O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro, que participou da reunião no Palácio do Planalto, avaliou como positivo o regulamento do marco e lembrou que é resultado de anos de discussões.

“Vemos isso como um ponto positivo para a integração maior da ciência, tecnologia e inovação no país. Temos a preocupação clara de destravar uma série de dificuldades legais que o Brasil tradicionalmente tem para a ciência funcionar; dar mais flexibilidade para a ação da ciência é muito importante. Como essa regulamentação vai chegar na ponta, nas empresas, nas instituições de pesquisa, isso vai ser um processo de construção”.

 

http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?data=08/02/2018&jornal=515&pagina=10&totalArquivos=180

Ser inventor é só para crianças ricas

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Vários estudos documentam o imenso talento que se perde devido à desigualdade social e de gênero

Meninos de famílias abastadas têm acesso muito mais fácil à inovação.
Meninos de famílias abastadas têm acesso muito mais fácil à inovação. US ETV

Se você pensa que existem carreiras elitistas, como a diplomacia e a magistratura, talvez deva considerar os inovadores. Estudos recentes revelam uma realidade bem diferente do estereótipo do gênio inventor que vive sem um tostão, encerrado numa garagem com seu talento e o suor de sua testa. A profissão de inventor é muito pouco igualitária, com injustos filtros que impedem o acesso de mulheresminorias e, essencialmente, pessoas com famílias de poucos recursos. O principal talento necessário para ser um inovador de sucesso é ter pais com dinheiro.

“Transformar-se em inventor depende de duas coisas nos EUA: se destacar em matemática e ciências e ter uma família rica”, concluem os autores

Um menino criado numa das famílias que compõem o 1% mais rico da população tem 10 vezes mais chances de se transformar em inventor do que outro educado por pais com renda abaixo da média, sem importar as notas que tenham, segundo o estudo “Quem se torna um inventor nos EUA”, publicado recentemente. As crianças que mais se destacam na aula de matemática, por exemplo, têm muito mais probabilidade de se tornarem inventores – mas somente se vierem de famílias de alta renda. É pouco provável que as crianças com bom desempenho em matemática e de famílias de baixa renda ou minorias consigam seguir essa carreira.

“Transformar-se em inventor depende de duas coisas nos Estados Unidos: se destacar em matemática e ciências e ter uma família rica”, concluem os autores do trabalho. Assim, uma criança de família pobre que se sobressai em matemática tem as mesmas chances de triunfar como inovador que as de uma criança rica com notas medíocres nessa matéria.

“[A desigualdade] pode se dever a fatores intangíveis, como a falta de acesso à rede de amigos e contatos familiares”, explica Palomeras

O estudo analisa, com uma quantidade excepcional de dados, o perfil sociodemográfico de 1,2 milhão de inventores nos EUA, considerando a renda familiar, as notas escolares e as patentes registradas. Tudo começa muito antes da universidade. “Os estudantes de famílias de baixa e alta rendas nas universidades com maiores quantidades de inventores (por exemplo, o MIT) continuam patenteando a um ritmo relativamente similar, apoiando a noção de que os fatores que afetam as crianças antes de ingressar no mercado de trabalho são determinantes para quem se transforma em inventor”, afirmam os pesquisadores do estudo, liderado por Raj Chetty, da Universidade Stanford.

Poderia se pensar que a desigualdade dos EUA é pouco representativa além de suas fronteiras. Mas outro estudo recente, “A origem social dos inventores”, sobre os inventores na Finlândia, obteve resultados similares. Na Finlândia, um país com educação igualitária e gratuita, com pouca discriminação a priori no mercado de trabalho, os pesquisadores encontraram uma má gestão do talento, “que afeta sobretudo os indivíduos de alto coeficiente de inteligência”. Os autores da pesquisa focaram nesse fator, o da capacidade cognitiva, em vez das notas escolares, mas encontraram um padrão idêntico ao dos EUA: as possibilidades de se transformar em inventor na idade adulta aumentam à medida que cresce a renda da família, disparando quando chega ao topo das famílias mais ricas. As capacidades de meninas e meninos são um fator secundário também na Finlândia, um dos países mais igualitários do mundo. A educação dos pais afeta decisivamente as possibilidades dos filhos, um fator que em muitos países tem um vínculo direto com sua renda. “A relação entre a renda dos pais e a probabilidade de se tornar um inventor se baseia na educação dos pais, tanto diretamente como através de seu impacto na educação do filho”, explicam os autores, liderados por Philippe Aghion, do College de France, em Paris.

Também há uma gigantesca disparidade de gênero: só 4,2% dos inventores europeus são mulheres. E recebem 14% menos que seus colegas homens por patentes de alta qualidade

Como funciona esse mecanismo? “Pode influir de muitas formas intangíveis: se os pais não têm a educação adequada, talvez não saibam que há oportunidades que seus filhos estejam perdendo; ou porque não têm referentes em seu entorno; ou porque não têm acesso à rede de amigos e contatos da família”, explica Neus Palomeras, economista da Universidad Carlos III, em Madri. Há uma década, Palomeras participou do primeiro estudo que tentava estabelecer um perfil dos inventores europeus, “Inventores e processos de invenção na Europa”. Por exemplo, só 26% tinham doutorado e 77% diploma universitário.7-cientistas-negros-que-vocc3aa-deveria-conhecer-fb1.png

Mas talvez o que mais chamou a atenção naquele estudo, assim como nos atuais, seja o espaço praticamente residual deixado às mulheres: em sua amostra de 9.000 europeus com patentes importantes, só 2,8% eram inventoras. No estudo de 2016 “É um trabalho de homem: renda e diferença de gênero na pesquisa industrial”, que abordou esse problema, apenas 4,2% dos 9.700 inventores de 23 países eram mulheres (8,3% na Espanha; 2,4% na Suécia), que além disso recebiam 14% menos que seus colegas homens com o mesmo nível de produtividade de patentes de alta qualidade. Nos EUA, a equipe de Chetty estima que haja 18% de inventoras na geração nascida em 1980, contra 7% na geração de 1940.

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Uma criança de família pobre que se sobressai em matemática tem as mesmas chances de triunfar como inovador que as de uma criança rica com notas medíocres na matéria

Trata-se de um enorme problema de desigualdade de gênero que, como em outros casos, começa na infância. No estudo do Chetty sobre os EUA, as meninas estavam tão longe de ter acesso a essa carreira inovadora quanto os meninos de famílias sem recursos ou de minorias étnicas. “Se as meninas estivessem tão expostas a inventoras quanto os meninos a inventores, a disparidade de gênero na inovação se reduziria à metade”, calcula a equipe do estudo. Essa ideia tem sido implementada em diversas iniciativas, como a de cientistas mulheres que compartilham suas experiências com suas alunas, além da campanha espanhola 11 de Fevereiro, que promove a vocação das estudantes por ocasião do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.

Por essa razão, os autores falam de “Einsteins perdidos”: são todos esses cérebros que não podem contribuir com seu talento inovador para a sociedade. “Se as mulheres, as minorias e as crianças de famílias de baixa renda inventassem no mesmo ritmo que os homens brancos de famílias de alta renda, a taxa de inovação nos EUA seria quadruplicada”, calcula a equipe de Chetty. “Seriam pessoas que poderiam substituir outras menos produtivas em seus cargos ou que poderiam levar ao mercado uma ideia de qualidade que ajudasse a aumentar a inovação”, diz Palomeras.

Na Finlândia, um dos países mais igualitários, as oportunidades também aumentam à medida que a renda familiar cresce

A desigualdade de gênero, pelo menos nos EUA, foi ligeiramente corrigida. Mas a desigualdade de classe nem sempre foi assim. Entre 1880 e 1940, a renda do pai se relacionava positivamente com a chance de o filho se tornar um inventor – mas, ao contrário de agora, a educação da criança era mais decisiva, segundo um estudo publicado em 2017 sobre a idade de ouro dos inventores norte-americanos. Como afirma Chetty no The New York Times, a “criatividade está amplamente distribuída; as oportunidades, não.”

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/26/ciencia/1514291186_766622.html3

Gana cria importante projeto no campo da astronomia

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Não é preciso ser rico para isso, basta vontade política, começando lá de baixo. Gana por exemplo. Tem o 87º PIB do mundo. O Uruguay está em 79º. Eles tem a 126ª renda per capita do mundo. Nós que somos essa desgraça, estamos em 80. Mesmo assim eles conseguem juntar uns caraminguás e investir em ciência.

O mais recente projeto é o radio-observatório de Kuntunse. Os cientistas conseguiram uma antiga antena de comunicação doada pela Vodafone, e com apoio do governo transformaram as instalações em um radiotelescópio.

Esse equipamento não só permitirá observações sofisticadas, como será integrado a telescópios em outros países, inclusive Europa e África do Sul. Através de um processo de interferometria, é criada uma antena virtual com milhares de km, possibilitando muito mais resolução.

O custo do projeto foi de US$ 9,2 milhões, ou “você me fez dar pause em Game of Thrones pra ISSO?” em valores de políticos brasileiros. Foi bancado pelo African Renaissance and International Cooperation Fund, um Departamento que promove investimentos pacíficos em países africanos.

A meta agora é incluir Astronomia nas universidades locais, assim não será mais preciso ir para o exterior estudar. Dickson Adomako, diretor do Instituto Ganense de Tecnologia e Ciência Espacial ressalta que o observatório será uma chance dos astrônomos botarem a mão na massa, saindo do campo teórico.

O observatório foi inaugurado quinta-feira passada pelo presidente Nana Addo Dankwa Akufo-Addo, e descrito como o começo de uma nova era de pesquisa e cooperação internacional, incluindo a African Very Long Baseline Interferometry Network.ghana-radio-astronomy-observatory.jpg

Essa iniciativa vinda de um país tão pobre mostra que não importa o seu tamanho. Ninguém é tão pequeno que não possa olhar pra cima e sonhar com as estrelas.

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Brasil e Senegal renovam acordo de cooperação técnico e cientifico

 

 

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Os senadores aprovaram nesta terça-feira (27/6) o acordo de cooperação científica e tecnológica entre Brasil e Senegal, celebrado em maio de 2010. O texto (PDS 9/2017) segue agora para promulgação.brasil-x-senegal

O objetivo do acordo é contribuir para expandir e fortalecer os laços entre as comunidades científicas dos dois países, por meio de condições favoráveis para atividades de cooperação. Há previsão de eventos bilaterais, intercâmbio de informações científicas e tecnológicas, custeio de atividades e facilitação do trânsito de pessoal e equipamentos necessários à pesquisa conjunta.

O texto do acordo também prevê intercâmbio de cientistas, pesquisadores, peritos, bolsistas e participantes de cursos, colóquios ou qualquer outro evento na área científica; comunicação, troca de informações e de documentação científicas e tecnológicas; organização, no plano bilateral, de fóruns, seminários e cursos científicos e tecnológicos; identificação de problemas científicos e tecnológicos; formulação e implementação de programas conjuntos de pesquisa; aplicação dos resultados de pesquisas na economia, indústria, agricultura, medicina e outros.Vanessa-Grazzotin-senado

A matéria teve parecer favorável da relatora na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Ela diz que as comunidades científicas do Brasil e do Senegal irão se beneficiar do intercâmbio de técnicas e conhecimentos. Ela cita como exemplos a cooperação entre bibliotecas científicas, centros de informação científica e tecnológica, instituições científicas para o intercâmbio de livros, publicações periódicas e bibliografias, intercâmbio de informações e de documentos completos por meio de redes de comunicação e informação eletrônica e visitação recíproca de cientistas em várias áreas do conhecimento.

Registrando que em junho do ano passado (2016), pesquisadores do Instituto Pauster de Dakar, no Senegal, participaram ativamente do combate ao surto de Ebola na África, estiveram em São Paulo para ajudar cientistas brasileiros no combate ao vírus zika, transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti. O grupo chegou à capital paulista para se juntar à Rede Zika, criada por cientistas, professores e alunos de instituições e laboratórios para investigar o vírus e o aumento no número de casos de microcefalia e da síndrome de Guillain-Barré no país.cientistas zika.jpg

Liderados por Amadou Alpha Sall, renomado especialista em epidemia e controles virais, os senegaleses têm o desafio de treinar pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e ajudá-los na implantação de um teste rápido e eficaz para diagnosticar a doença, feito por sorologia. Durante o surto de ebola, os cientistas conseguiram criar um teste que detectava a doença em apenas 15 minutos. A análise rápida permitiu o diagnóstico em locais afetados pela epidemia que atingiu o Oeste da África.6ijpsnijefo5bddtobblqyi67 cientistas

Mulher negra e cientista brasileira narra epopeia de sua vida

‘Passei fome, mas tracei meta de conseguir vencer’, diz mulher que enfrentou preconceitos e se tornou cientista

Joana D’Arc Félix de Souza superou infância pobre e chegou a uma das universidades mais prestigiadas do mundo. Ela atua na ETEC em Franca, SP, em pesquisas para preservar meio ambiente.

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Aos 4 anos, a pequena Joana D’Arc começou a trilhar um caminho incentivado pelos conselhos do pai. Filha de uma empregada doméstica e de um profissional de curtume, ela encontrou nos estudos a chave para transformar uma vida de grandes dificuldades.

Hoje, aos 53 anos, a cientista PhD em química e professora Joana D’Arc Félix de Souza conquistou status visionário por sua atuação em pesquisas com o objetivo de poupar o meio ambiente de agressões e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

“Já dormi com fome, já passei fome, mas eu coloquei uma meta no meu caminho: a de conseguir vencer”, diz.

20141219Simplicidade que transforma

Joana nasceu em Franca (SP) no seio de uma família com poucos recursos financeiros. Sem condições de mantê-la em uma creche, a mãe optou por levar a caçula para o trabalho todos os dias. A patroa, diretora do Sesi, descobriu uma habilidade precoce na menina, que aprendeu a ler aos 4 anos.

“Para eu ficar quietinha minha mãe me ensinou a ler os jornais que tinham na casa. Teve certo dia que a diretora me viu vendo os jornais e disse ‘Você está vendo as figurinhas?’, e eu disse ‘Não, eu estou lendo’. E ela me deu a primeira oportunidade para estudar.”

A menina foi matriculada na primeira série de uma das turmas do Sesi e conseguiu acompanhar os colegas. O antigo colegial foi concluído quando ela tinha 14 anos, na Escola Estadual Torquato Caleiro, e com isso, surgiu o desejo de ingressar em uma universidade.

“Os meninos começaram a falar de vestibular para poder fazer a faculdade e começou a me despertar aquele ‘eu também quero fazer alguma coisa’ e eu fui conversando com a professora sobre como eu fazia para passar no vestibular. Ela me arrumou todas as apostilas do filho que fez cursinho para eu estudar”, lembra.joana-darc5

Mesmo sem dinheiro e sem ideia de como seria a vida longe da família, já que precisaria estudar em uma universidade pública fora de Franca, Joana ouviu os conselhos do pai e dedicou-se a longas jornadas de estudo com o material emprestado do filho da professora.

“Meu pai estudou só até a 8ª série e a minha mãe foi até a 4ª série. Então, o meu pai sempre incentivou bastante. Ele falava ‘mesmo a gente não tendo condições, a gente vai fazer o máximo, o possível e o impossível para você estudar”, diz.

O trabalho do pai no curtume, local onde o couro cru é quimicamente tratado para ser utilizado na produção de artigos como sapatos, também foi responsável pela escolha da graduação de Joana.

“Eu queria fazer química porque eu via os químicos trabalhando nos curtumes e achava bonito. A gente era tão mal informada que eu achava que químicos só trabalhavam em curtume. Então, o meu objetivo era fazer química para trabalhar no curtume.”

Ela foi em frente no sonho de conquistar uma vaga nas disputadas Unicamp, USP e UNESP. Foi aprovada em todas e escolheu com segurança a universidade em Campinas (SP), distante 330 quilômetros de casa.joana-darc3

A pesquisadora Joana D’Arc coleciona 53 prêmios ao longo da carreira Franca-SP (Foto: Stella Reis/EPTV)

Os desafios

Ainda adolescente, se mudou sozinha na década de 1980 para a cidade grande e passou a viver em um pensionato com pessoas diferentes e de todos os lugares do país. O patrão do pai de Joana também ajudou com algumas despesas, mas não tardou até que as primeiras dificuldades começassem a aparecer.

“Aos finais de semana e em muitas outras noites eu dormi com fome. Eu via aquelas meninas com bolsas, com sorvetes e era muito difícil ver tudo aquilo e não ter condições de comprar. Mas, eu via que a minha mãe não parava de trabalhar, era uma vida sofrida, e criei esse objetivo: eu vou em frente para conseguir.”

No segundo semestre do primeiro ano de graduação, Joana começou a fazer a iniciação científica e passou a receber uma bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Os R$ 300 mensais foram um alívio para a jovem estudante até o fim do curso. Com o primeiro pagamento em mãos, ela correu direto para a padaria e comprou R$ 20 em doces. “Comi tudo sozinha”, lembra. Parte do dinheiro, cerca de R$ 100, ainda eram enviados para ajudar os pais em Franca.

Na Unicamp, Joana ampliou o currículo e tornou-se doutora em química industrial, em 1994. Os artigos publicados sobre a síntese de fármacos renderam a ela um convite para fazer o pós-doutorado em uma das instituições mais prestigiadas do mundo, a Universidade Harvard, nos EUA.

A pesquisadora rumou então para Cambridge para avançar em mais uma etapa promissora da carreira. O assunto de sua tese acabou surpreendendo os orientadores. “Quando eu fui fazer o pós-doc a sugestão era trabalhar com reaproveitamento de resíduos e meu orientador me falou ‘você quer trazer um problema brasileiro?’. Meu pai já tinha sugerido para eu levar os resíduos do curtume aqui para ver o que eu podia fazer.”

Mas, Joana viu seus planos mudarem de rumo inesperadamente em outubro de 2002, com duas perdas avassaladoras. Primeiro, a irmã. Um mês e três dias depois, o pai. As mudanças a fizeram repensar a vida.

“Meu pai sentiu muito a morte da minha irmã e, depois de um mês e três dias, ele faleceu. O meu objetivo era ficar nos Estados Unidos, mas, minha mãe ficou muito doente e o marido da minha irmã foi morar com ela, com as crianças. Eu resolvi voltar para ajudar a minha mãe na criação dos meus sobrinhos.”

Joana atua como coordenadora na ETEC em Franca e coleciona 56 prêmios (Foto: Stella Reis/EPTV)

Escola da mudança

A decisão, por mais difícil que tenha sido, foi a melhor a ser tomada, considera a pesquisadora. O ponto final à vida nos EUA acabou revelando à Joana uma nova oportunidade. Ao invés da carteira de aluno, ela passou a ocupar um lugar superior na sala de aula, o do professor.

Há 12 anos, ela passou a atuar na Escola Técnica Estadual (ETEC) em Franca e começou a desenvolver projetos de pesquisa, conquistando discípulos e prêmios – 56 no total.

“Desenvolvi uma cultura muito interessante aqui na escola, porque os alunos achavam que o curso técnico era o máximo que eles iriam chegar. Eles começaram a ver que existia uma universidade e que eles poderiam fazer uma pós-graduação, ter uma vida acadêmica ou trabalhar em uma indústria.”

Ao lado dos alunos, Joana desenvolveu o trabalho que rendeu-lhe o prêmio Kurt Politizer de Tecnologia 2014, concedido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abquim), um reconhecimento aos projetos de inovação tecnológica na área. A pesquisa diz respeito à utilização da pele suína em transplantes realizados em seres humanos. A ideia de pesquisar o assunto surgiu quando um trabalhador em Franca sofreu graves lesões ao derrubar um galão de ácido sulfúrico sobre o corpo por acidente. A vítima era parente de um aluno de Joana.

“Ele me contou a história e começou a falar sobre transplantes de pele. Comecei a pesquisar quais tipos de peles animais eram compatíveis com a humana e a que mais se aproximava era a suína, com 78% de compatibilidade. Eu quis descobrir o que faria chegar aos 100% e fomos purificando até alcançar o objetivo.”

Segundo a pesquisadora, o Brasil possui apenas quatro bancos de pele e eles trabalham com restos de peles de cirurgias plásticas, já que as pessoas desconhecem o processo de doação. De acordo com Joana, uma indústria farmacêutica do Rio de Janeiro está interessada em uma transferência de tecnologia.

Por causa do conhecimento sobre as atividades nos curtumes em Franca, a pesquisadora também atua em soluções para que os resíduos do couro não afetem o meio ambiente. Atualmente, ela trabalha no desenvolvimento do chamado cimento ósseo, que usa o colágeno do couro e a hidroxiapatita extraída da escama de peixes.

“Se em um acidente a pessoa perde parte do osso, o médico vai remover a parte perdida, fechar a cirurgia e esse cimento ósseo vai favorecer o crescimento do osso novo. Enquanto ele cresce, o cimento vai ser absorvido sem rejeição.”

Segundo a pesquisadora, países como Holanda e Estados Unidos estão interessados na tecnologia desenvolvida na ETEC.

Joana recebe o prêmio Kurt Politizer, da Abquim, em 2014 (Foto: Assessoria de imprensa ETEC)

Preconceito a fez mais forte

Aos 53 anos, Joana se recorda do preconceito vivido tanto na juventude quanto nos dias de hoje, mas acredita que os episódios a fizeram mais forte e a ajudaram a chegar ao lugar que tanto sonhava.

“Me lembro de uma passagem que me chateou muito na escola. Na hora do intervalo alguns alunos da minha sala danificaram alguns bancos, quebraram algumas coisas. Quando voltamos para a sala, a diretora falou ‘pessoas do nível de vocês nunca vão conseguir nada. Pessoas que os pais vêm trazer de bicicleta na escola nunca vão conseguir ser nada’. As palavras más daquela diretora me ajudaram a vencer na vida.”

Joana tem quatro sobrinhos e eles decidiram seguir os passos da tia na carreira. A professora acredita que o estímulo ao estudo seja seu maior legado aos jovens da família e aos alunos. Ela replica deste modo o que recebeu de herança do pai.

“Eu me sinto realizada por não ter sido impedida por nenhum obstáculo, não ter desistido. Vejo a contribuição que eu estou dando ao meio ambiente e me sinto lisonjeada. Também me sinto bem por poder passar um pouco do meu conhecimento a um aluno e sentir o reconhecimento que eles têm. Sempre procurei incentivar porque é o estudo que vai colocá-lo onde você almeja chegar. É a única coisa que ninguém te rouba. Me sinto gratificada por meus sobrinhos poderem estudar sem preocupação com o que vão jantar ou almoçar, por poder dar a eles uma vida mais tranquila.”

*Sob a supervisão de Thaisa Figueiredo

Joana entre alunos que recebem todo seu incentivo na pesquisa em Franca-SP (Foto: Assessoria de imprensa ETEC)

http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/passei-fome-mas-tracei-meta-de-conseguir-vencer-diz-mulher-que-enfrentou-preconceitos-e-se-tornou-cientista.ghtml

Uma iniciativa dos africanos para os africanos na era digital

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Na  sexta-feira, 32 anos após o registo do primeiro domínio de Internet no Mundo, o conhecidíssimo “.com”, a União Africana (UA) lançou o domínio “africa”, dando ao continente a sua própria identidade digital, ao preço módico de 18 dólares anuais.  O domínio fica completamente disponível ao público a partir de Julho.

 

“Com o ‘.africa’, eu diria que a África finalmente conseguiu a sua identidade digital”, disse Nkosazana Dlamini-Zuma, presidente da Comissão da União Africana, que esta semana entrega o cargo ao chadiano Moussa Faki Mahamat, após quatro anos na chefia da organização. Segundo Nkosazana Dlamini-Zuma, o novo domínio permitirá que as pessoas e as empresas do continente africano alcancem melhor o Mundo, inserindo-se mais na globalização.

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A África Subsariana tem uma das taxas mais baixas de penetração na Internet do Mundo, de acordo com o Banco Mundial, com cerca de 22 por cento de utentes, em comparação com a média global de 44 por cento.
A UA prometeu aumentar a penetração da Internet em banda larga em 10 por cento no próximo ano, como parte da sua proposta de desenvolvimento “Agenda 2063”.
A África do Sul, a maior economia do continente, domina a presença africana “on-line”, possuindo 1,1 milhões dos dois milhões de registos de “sites” em África, disse Lucky Masilela, presidente do Conselho de Administração da ZA Central Registry, a empresa sul-africana que vai administrar o domínio “.africa”.
“As altas taxas são um obstáculo para muitas pessoas que querem registar um ‘site”, disse Masilela.
Essas taxas, em alguns países africanos, podem custar até 250 dólares norte-americanos anuais, mas Lucky Masilela disse que o domínio “.africa” estará disponível por apenas 18 dólares. “O domínio ‘.africa’ vai ser um ‘agitador’ no mercado e vai ajudar a reduzir os custos dos nomes de domínio”, garantiu o responsável da ZA Central Registry.
A UA espera que os rendimentos dos registos de domínio ajudem a cobrir alguns dos custos administrativos e de funcionamento da Comissão da organização continental.
Um domínio é um nome de fácil memorização e que serve para localizar e identificar os computadores na Internet.
Ao visitarmos um sítio web ou enviarmos um e-mail, o   computador precisa de saber a localização do servidor em que a página ou a caixa de e-mail de destino estão armazenados para então mostrar a informação que se deseja ver (o conteúdo da página ou o relatório de entrega do e-mail).
A informação da localização destes servidores está noutro servidor (chamado servidor de nomes) que assegura a indicação do endereço certo para a entrega dos pedidos enviados pelo nosso computador para a Internet.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/sociedade/africa_ganha_identidade_digital

Recomendações do Conselhão para educação básica e a área de ciência e tecnologia

conselhao_-_temerOs integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), conhecido como Conselhão, apresentaram hoje (7/3), durante a 46ª reunião plenária do grupo, 15 recomendações elaboradas com o objetivo de estimular o desenvolvimento do país. As propostas serão avaliadas pelo presidente Michel Temer. Se forem aprovadas, poderão ser implementadas pelo governo.

As recomendações abrangem as áreas de ambiente de negócios; agronegócio, educação básica, desburocratização e modernização do Estado e produtividade e competitividade.

“Tratamos aqui de medidas para a retomada do crescimento. Nosso objetivo é o crescimento com o combate ao desemprego. Nesses dois anos que nos faltam, o que queremos é colocar o país no trilho para que quem vier possa conduzir a locomotiva”, disse o presidente na abertura da reunião.

“As conclusões dos grupos serão agora objetos de menção. E depois vamos falar das medidas que o governo tomará. Vamos para a execução. A cada nova reunião, avaliaremos aquilo que se produziu nas anteriores”, acrescentou Temer.

 

Educação básica

– Implementar uma política nacional de formação inicial e continuada de docentes e gestores, com foco na prática, valorizando aspectos motivacionais, competências interpessoais e de liderança, articulada às carreiras por meio de certificação nacional e do estabelecimento da promoção em bases meritocráticas.

– Garantir a implantação da infraestrutura de conectividade por meio de wifi aberto e banda larga até as salas de aula, complementada pelo desenvolvimento de uma cultura digital, o que inclui: habilidades, conteúdos, ferramentas e plataformas, com o objetivo de formar o cidadão do século 21.

– Coordenar, por meio de uma instância interministerial, a execução e o monitoramento do Marco Legal da Primeira Infância (Lei 13.257/2016), fomentando a realização de um pacto entre os governos federal, estaduais e municipais, que possibilite sua efetiva ação.

Produtividade e Competitividade

Estimular a produção e difusão de ciência, tecnologia e inovação por meio de políticas de Estado que incluam: o aperfeiçoamento da Lei do Bem (com a inserção de pequenas e médias empresas, reintrodução da política de inclusão digital, a efetividade na fruição dos créditos e incorporação de direito autoral decorrente de P&D), o aperfeiçoamento e a regulamentação do Código de CT&I, potencializando a colaboração universidade/empresa, a massificação dos programas de extensão tecnológica, o apoio ao empreendedorismo inovador, o fomento aos meios de financiamento e ao capital de risco e a agilização do sistema de reconhecimento de patentes.

 

O Debate Público Desenvolvimento Econômico-Social de MG: O impacto do Código de Ciência, Tecnologia e Inovação, no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em 7 de outubro de 2016 alguns temas foram abordados  que ajudam a esclarecer os impasses:

“O presidente da Fundação de Amparo à pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), Evaldo Vilela, é importante contextualizar a sociedade sobre o momento que vivemos, principalmente em relação às oportunidades relacionadas às startups. “Precisamos perceber que a ciência é uma indústria e criar condições para que essa indústria se desenvolva no Brasil. O cientista não precisa ser empreendedor, ele precisa ter condições de desenvolver o que precisa, e ter uma legislação condizente é fundamental para isso”, afirma Vilela.

Para o representante da Secretaria de Estado de Educação, Wladimir Tadeu Silveira Coelho, a Educação Básica precisa ser reconhecida como parte fundamental do processo de amadurecimento do sistema de Ciência e Tecnologia. “A integração entre educação básica, universidades e a pesquisa científica e tecnológica já acontece, mas ainda precisamos aproximar ainda mais nossos jovens da pesquisa científica. Eles precisam ser vistos como sujeitos capazes de contribuir”, afirma Coelho.”

 

 

 

Contra a desigualdade digital, computadores para mulheres negras

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Empreendedora lança projeto para dar condições de aprendizado a estudantes negras

Com apenas 22 anos, Buh D’Angelo já é formada em eletrônica, automação industrial, manutenção, tecnologia da informação (TI) e robótica, certificados de cursos técnicos que vem acumulando desde os 16. Este ano, inclusive, resolveu incluir mais um diploma à sua coleção e começou a cursar bacharelado em sistemas da informação, para aprimorar os conhecimentos que já tem em programação.

A empreendedora social Buh D’Angelo, da Infopreta. ANA CAROLINA CORTEZ

“Desde criança eu gosto de desmontar e montar coisas”, diz. Mas foi em 2013 que ela começou a direcionar essas habilidades para o empreendedorismosocial. Naquele ano, fundou o Infopreta, um projeto que conserta computadores de mulheres em situação de vulnerabilidade social por preços acessíveis (às vezes até de graça). Também criou a campanha Note Solidário da Preta, que conserta computadores doados por clientes para repassá-los a outras mulheres, estudantes, negras e de baixo poder aquisitivo, com boas notas no boletim.

“Resolvi criar o projeto porque eu sempre tive muitas dificuldades em conseguir os materiais que eu precisava para estudar tecnologia. A mulher negra, seja ela cisgênero ou transsexual, nunca está realmente inserida na sociedade. O meu objetivo, então, é o de dar condições para que essa mulher, que vive em vulnerabilidade, consiga estudar e se formar”, explica Buh. “Quem tem um computador hoje pode acessar Internet e, assim, ter acesso a livros e conteúdos variados para estudar”, complementa. Em pleno século XXI, dados Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE, mostram que menos da metade (48%) dos domicílios brasileiros têm computadores – e 86% desses dispositivos têm acesso à internet. A maior inclusão digital no Brasil está no celular, presente em 91% dos domicílios do país.

Por ter focado o seu público-alvo na mulher negra, a empreendedora afirma que tem recebido muitas mensagens machistas e racistas pela página da empresa no Facebook. “Muitas pessoas acham que o meu trabalho é de exclusão. Não entendem que é justamente o contrário”, complementa. Faz apenas um mês que trabalha em um escritório, que divide com outros três empreendedores no centro de São Paulo. Antes, ela consertava computadores na casa das clientes, na região da grande São Paulo. O valor que cobra depende da capacidade de pagamento de quem lhe procura. Mas, muitas vezes, não chega nem a cobrar pelo serviço.

Esse foi o caso de uma de suas clientes, a também empreendedora Ana Carolina Santos. A jovem, de 22 anos, é estudante de Letras e foi ao escritório do Infopreta para tentar consertar o seu notebook, alvo de um problema grave de infiltração na casa onde morava, na Jova Rural, Zona Norte de São Paulo. Por causa da infiltração ela perdeu também outros eletrodomésticos e a maior parte de seus móveis.

O notebook, porém, não teve jeito, estava mofado por dentro. “A Buh me doou um notebook novo, para que eu pudesse fazer meus trabalhos da faculdade. Eu também dependo do computador para trabalhar, já que minha loja só existe pela internet”, explica Ana Carolina, dona da Caió Cosmésticos Naturais, linha de produtos de beleza que ela mesma desenvolve em casa. Mas, para receber a doação pelo Note Solidário, ela teve de passar por uma entrevista e apresentar comprovantes de matrícula, além dos boletins. “Precisa se empenhar, ser boa aluna, para ser beneficiada”, destaca Buh.

Preconceito

Foi por conta de amigos nas redes sociais que Ana Carolina descobriu o Infopreta. “Antes, eu havia tentado consertar meu computador numa outra loja, mas o cara que me atendeu me considerou uma mulher que não entende nada de tecnologia e tentou me enrolar. Já a Buh fez questão de me explicar todo o problema, foi super atenciosa”, diz.

Encontrar uma mulher no segmento de tecnologia realmente não é comum. Segundo pesquisa da empresa de recrutamento e seleção Harvey Nash, menos de um terço dos funcionários de tecnologia das empresas são mulheres – e apenas 7% delas chegam a cargos de liderança.

“A área é dominada por homens, então não é tão fácil ser mulher e se dar bem. Imagine como é para uma mulher negra. No último estágio que fiz, em uma empresa de manutenção de computadores, eu limpava até banheiro. Só não consertava computadores”, lembra Buh. Abrir a própria empresa, portanto, foi a saída que encontrou para exercer a profissão que ama.

E dificilmente será possível impedir a jovem de trabalhar com os seus projetos. A empreendedora, que não para de consertar notebooks nem para conceder entrevista, está se recuperando de uma mastectomia que fez no final de julho, por conta de um câncer de mama. Nem assim ela deu um tempo à rotina da faculdade e de trabalho, mantendo o atendimento a mais de 15 mulheres por dia, durante cinco dias por semana.

Para conseguir atender a crescente demanda, contudo, está treinando uma estagiária, jovem que conheceu durante um curso de manutenção de computadores que ministrou, gratuitamente. Ela também conta com a ajuda de uma sócia. “A gente não passa fome, mas também não ostenta”, brinca. Buh não sabe de cor quantas mulheres já foram beneficiadas pelo Note Solidário, mas somente naquela segunda-feira (23), em que foi entrevistada, tinha mais de dez máquinas aguardando para consertar e doar. O próximo passo é conseguir montar um centro de informática no Grajaú, projeto que está desenvolvendo em parceria com outros empreendedores, ainda sem data para sair do papel. “O Infopreta trabalha sempre em colaboração. A ideia é formar uma rede de apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade”, conta.

Ana Carolina e Buh D’Angelo, na oficina da Infopreta. ANA CAROLINA CORTEZ

http://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/23/politica/1471974537_807590.html?rel=mas

Barreiras que afastam as mulheres da ciência

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Elas recebem menos convites para avaliar o trabalho de seus pares. E meninas se veem como menos brilhantes desde os 6 anos

Na semana passada, dois estudos colocaram em evidência algumas das barreiras que impedem o aproveitamento do potencial das mulheres na ciência. O primeiro deles, publicado na revista Nature, se refere à presença feminina como avaliadoras dos trabalhos de seus colegas. Essa avaliação é uma das bases do sistema científico e acadêmico, e permite que as revistas científicas analisem a qualidade dos artigos submetidos para publicação. Além disso, trata-se de um caminho para que os avaliadores melhorem em sua própria área de conhecimento e fortaleçam vínculos com outros pesquisadores.

Uma análise da União Americana de Geofísica (AGU, na sigla em inglês) indica que mulheres de todas as idades têm menos probabilidades de participar desse processo. O estudo mostra que, entre 2012 e 2015, a presença feminina entre os revisores foi de 20%. Trata-se de uma porcentagem bem inferior aos 27% de mulheres que conseguem ter aceitos artigos em que aparecem como primeiras autoras, e abaixo dos 28% de membros femininos da AGU. A presença de mulheres varia com a idade. Entre aquelas na casa dos 20 anos, elas representam 45%. Em contraste, os autores da análise, Jory Lerback e Brooks Hanson, mostram que a porcentagem de artigos aprovados para publicação apresentados por mulheres é ligeiramente maior que a de homens (61% a 57%).

Sobre os motivos para essa menor representação, os autores mencionam como primeira causa o fato de as mulheres receberem menos convites para avaliar artigos do que os homens. Além disso, as mulheres também recusam esses convites com mais frequência.

Candidaturas idênticas para postos fixos nas universidades têm mais probabilidade de sucesso se o suposto aspirante é homem

Os autores apresentam duas possíveis interpretações para esses resultados. A primeira é que as mulheres que escrevem artigos sofram uma discriminação às avessas. A outra, talvez mais plausível, é que elas preparem melhor o envio de seus trabalhos já esperando encontrar mais dificuldades. Essa hipótese coincide com os resultados de outros estudos que indicam que as pessoas que esperam mais obstáculos dedicam mais esforço à preparação e assumem menos riscos. Isso explicaria também, pelo menos em parte, por que as mulheres enviam menos artigos para publicação do que os homens. “Um processo de estudo duplo-cego poderia lançar mais luz sobre esses fatores”, propõem os autores do artigo na Nature.

Nesse sentido, estudos como o que foi publicado na PNAS por um grupo liderado por Corinne A. Moss-Racusin, psicóloga do Skidmore College (Estados Unidos), sugerem que os professores universitários, independentemente de seu gênero, avaliam de maneira mais favorável uma candidatura para diretor de laboratório se ela vem acompanhada de um nome masculino. Outras análises semelhantes observaram como candidaturas idênticas para postos fixos na universidade têm mais possibilidades de sucesso se o suposto aspirante for homem. Esses trabalhos observam ainda que essas inclinações também atingem indivíduos que valorizam a igualdade e se consideram objetivos.

A complexidade do problema das inclinações também foi abordada em um artigo publicado na mesma revista em 2015. Apesar de haver uma grande quantidade de dados que refletem a desvantagem das mulheres nas carreiras ligadas à ciência e à engenharia, e de isso poder estar relacionado com os estereótipos de gênero, esses dados não são avaliados igualmente dependendo de quem leia sobre eles. Naquele artigo, foi observado que os homens – em particular aqueles em posições de poder dentro do mundo acadêmico – eram reticentes em aceitar o valor dos dados apresentados nesse tipo de estudo. Essa percepção, em um campo dominado pelos homens, dificulta que as inclinações sejam reconhecidas e comecem a ser combatidas.

Um segundo artigo publicado na semana passada traz mais informações sobre as possíveis causas da sub-representação feminina na ciência e na engenharia. Em um estudo apresentado na revistaScience, foi perguntado a meninos e meninas se acreditavam que uma pessoa descrita para eles como especialmente inteligente era de seu sexo ou do oposto. Quando as crianças tinham 5 anos, não se observavam diferenças. Mas a partir dos 6 ou 7 anos, a probabilidade de que meninas considerem a pessoa brilhante como sendo de seu sexo cai.

Em outro experimento do mesmo estudo, os autores viram que as meninas mais velhas, a partir dos 6 anos, têm menos interesse em jogos que, segundo a descrição, teriam sido planejados para crianças muito inteligentes. No entanto, o interesse não variava entre os gêneros quando o jogo era apresentado como dirigido a crianças muito persistentes. Os responsáveis pelo estudo consideram que essas ideias sobre gênero e inteligência, que aparecem em uma fase inicial da infância, podem afastar as meninas das carreiras em ciência e engenharia. Um dado interessante é que tanto meninos como meninas reconhecem que elas tiram melhores notas, o que sugere que não associam essas notas com brilhantismo. Agora, os autores querem entender as origens dessas diferenças de percepção.

http://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/31/ciencia/1485861412_947023.html