Angola inaugura fábrica de clínquer, matéria prima básica do cimento

20170712064800cliquerUma unidade fabril com capacidade para 2,4 milhões de toneladas de cimento e cerca de dois milhões de clínquer por ano é inaugurada hoje, no município de Cacuaco, em Luanda.

A Nova Cimangola II  resulta de um investimento comparticipado pelas empresas Ciminvest e  Nova Cimangola e surge com suficiente potencial para cobrir o deficit de clínquer que se registava na indústria cimenteira nacional.
O recurso à importação de clínquer pesava significativamente nas contas da Nova Cimangola, que gastava anualmente cerca de 70 milhões de dólares na compra da matéria-prima, com implicações nos custos de produção e no preço do produto final.
A Nova Cimangola, a segunda mais antiga fábrica de cimento do país depois da Secil Lobito, há muito que fabrica clínquer, mas em quantidade insuficiente para as suas necessidades e com tecnologia anacrónica (via húmida), que torna o processo mais moroso e dispendioso, quando na actualidade, as grandes indústrias do sector já migraram, quase todas, para a chamada via seca, com graus de eficácia a superar, de longe, o antigo método. A entrada em funcionamento da nova unidade fabril liberta da importação a Nova Cimangola e a indústria cimenteira em geral, que vê aumentada a oferta de clínquer.  Orçado em cerca de 400 milhões de dólares, as obras foram executadas em 21 meses pela empresa Sinoma International Engineering.
Com o arranque da fábrica, de acordo com assessoria de imprensa da Nova Cimangola,  são criados 220 postos trabalhos, 85 por cento dos quais reservados a cidadãos de nacionalidade angolana.
A fábrica ocupa uma área de 700 hectares, numa zona com grandes jazidas de calcário, matéria-prima indispensável na feitura de cimento. Na antiga fábrica, localizada na zona do Kikolo, a 14 quilómetros do centro da cidade de Luanda,  apurou o Jornal de Angola, o calcário caminha para o esgotamento.
Com a entrada em funcionamento desta fábrica, espera-se  que a Nova Cimangola duplique a sua produção, passando de 1.800.000 toneladas anuais para 3.600.000 toneladas, as mesmas quantidades que são produzidas actualmente pela China Internacional Fund Angola, com a qual passa a disputar a liderança do mercado.
A Nova Cimangola II surge numa altura em que os níveis de produção já alcançados na indústria cimenteira nacional, mais do que satisfazer as necessidades

do país, garantem a estabilidade do preço do produto no mercado face às oscilações cambiais a que estava sujeito, quando a procura era superior ao que era então produzido.
Dados do Ministério da Indústria indicam que Angola atingiu, há dois anos, uma capacidade de produção instalada de 8.030.000 toneladas de cimento anuais, valor que está acima das necessidades actuais do país, que andam à volta de seis milhões de toneladas anuais.
O Jornal de Angola apurou que o país produz actualmente 4,8 milhões de toneladas de clínquer, quantidade que pode chegar a  7,9 milhões de toneladas anuais, o bastante para as necessidades do país, caso se concretize um outro investimento na produção de clínquer da Cimenfor, outra cimenteira nacional com perspectivas de vir a produzir clínquer no curto ou médio prazo. O investimento tem tudo para devolver à Nova Cimangola a liderança do mercado perdida para a China Internacional Fund Angola ou colocar as duas empresas em pé de igualdade, mas com vantagens comparativas para a Nova Cimangola, que junta  prestígio à antiguidade no mercado.

Incentivos fiscais

O projecto está em linha com a estratégia do Executivo destinada a aumentar a produção nacional, a criação de novos postos de trabalho, a redução das importações e o fomento das exportações, o controlo da saída de divisas e a estabilização dos níveis de inflação.
Por esta razão, o Estado resolveu conceder benefícios fiscais e aduaneiros à Nova Cimangola II, por um período de cinco anos, a contar da data em que a fábrica passa a incorporar 90 por cento da mão-de-obra prevista.
No quadro dos benefícios fiscais que o Estado oferece, a Nova Cimangola II fica isenta de impostos industrial e de aplicação de capitais sobre os lucros distribuídos e beneficia de uma redução de 2,5 por cento nos impostos de aplicação de capitais sobre os juros dos empréstimos contraídos no âmbito do projecto.
Além dos benefícios fiscais, o Estado isenta a nova empresa do pagamento de direitos aduaneiros em bens e equipamentos.

O Clínquer é um material granular de 3mm a 25mm de diâmetro, resultante da calcinação de uma mistura de calcário, argila e de componentes químicos como o silício, o alumínio e o ferro. O clínquer é a matéria prima básica de diversos tipos de cimento, inclusive o cimento Portland, onde, no seu processo de fabricação, o clínquer sai do forno a cerca de 80°C, indo diretamente à moagem onde é adicionado ao gesso. Outras adições, tais como escória de alto forno, pozolanas e cinzas são realizadas de modo a se obter o cimento composto.clinquer

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/importacao_de_clinquer_chega_ao_fim

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A produção de Gesso em Angola abre novos mercados, com apoio do Brasil

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Natacha Roberto |

A fábrica Super Gesso, que tem ma matriz no Brasil, tem sido há muito tempo o principal fornecedor de gesso do mercado interno. Para uso médico, agrícola ou para construção civil, a fábrica tem sido exemplar e faz a sua parte na hora de agregar valor e mais qualidade aos produtos nacionais.

Com o mercado interno praticamente dominado, os gestores da fábrica esperam este ano inaugurar um novo capítulo no processo de desenvolvimento do projecto Super Gesso, o das exportações. Contactos estão bastante avançados para que o gesso “made in Angola” chegue primeiramente a mercados fronteiriços, particularmente nos Congos, Brazzaville e Kinshasa.

Segundo projecções dos gestores, a fábrica espera exportar mensalmente cinco mil toneladas de gesso para o Congo Brazzaville e 15 mil para a RDC. Estas exportações para os mercados fronteiriços representam um crescimento significativo para a empresa que procurou reunir condições para o aumento da produção e criar a folga necessária para não afectar o abastecimento ao mercado interno.

O director-geral da empresa, Elvis Lafayete, garante uma previsão de vendas na ordem das 32 mil toneladas este ano. As operações viradas para o mercado externo têm sido vantajosas para as empresas que encaram a exportação como factor de crescimento acelerado. A Super Gesso está apostada em produzir com qualidade os seus produtos.

Para Alves Lafayete, a aposta no mercado internacional obriga a empresa a adaptar-se às exigências do mercado internacional, redefinir os padrões de qualidade e de segurança. A empresa produz 25 mil toneladas por mês, totalmente consumidas pelo mercado interno. Este volume tem sido satisfatório para o mercado nacional, mas, como diz o responsável da empresa, o que se quer é aumentar os níveis de produção face ao volume de solicitações dos mais variados sectores.

Actualmente, o sector da construção civil é o que mais consome gesso como matéria-prima para o fabrico do cimento. Há nove anos a funcionar na cidade do Sumbe, a empresa produz pedra bruta para as cimenteiras e outros derivados do gesso como blocos e molduras para tecto falso.

A marca de cimento nacional Yetu tem sido suportada pela produção da Super Gesso. O sector da agricultura também tem sido um dos grandes potenciais consumidores desta matéria na produção de ração para aves. O gesso aplicado actua aumentando a disponibilidade de nutrientes na superfície do solo, fundamental para o crescimento e desenvolvimento das plantas. O gesso pode estimular o subsolo e é uma excelente fonte de cálcio e enxofre para as plantas.

Especialistas do sector agrário consideram o gesso importante fertilizante para enriquecer os solos de forma moderada. Sem concorrentes no mercado nacional, a única unidade fabril de gesso no país está também a fornecer o seu produto ao sector da saúde, para a criação de ligaduras e outros materiais de apoio hospitalar. “Estamos a pensar em transformar o gesso em giz escolar para apoiar o sector da educação, reduzindo assim as importações deste que é um material essencial para o ensino escolar”, afirma.

Mão-de-obra local

A produção de gesso tem sido garantida por mão-de-obra local. Manuel Augusto trabalha num dos sectores mais cruciais da fábrica. Há seis anos na unidade fabril, Manuel Augusto está prestes a concretizar o sonho de ter uma casa própria. Um dos mais antigos funcionários da empresa conta pelos dedos o tempo que falta para concluir as obras de construção da sua primeira casa.

Manuel tem a função de calcinador. Trajado a rigor, o jovem demonstra grande habilidade, mas também gosto pela profissão. Nas primeiras horas do dia, tem a importante tarefa de ligar o forno onde é produzido o gesso para tecto falso.
A fábrica tem dezenas de funcionários, como Manuel, que é chefe de família e morador da cidade do Sumbe. Domingos Caminheiro tem a responsabilidade de produzir placas de gesso. Por ele passam pelo menos 100 unidades, nas oito horas de trabalho. Ele desloca-se pela unidade fabril com uma máquina retroescavadora que serve para carregar pedras de utilização para dumbres e camiões. Com apenas um ano de serviço na empresa, Domingos Caminheiro ensina os novos colegas a manejar a máquina.

Sem riscos

A crise financeira em função da baixa do preço do petróleo não condiciona o crescimento da empresa angolana que utiliza matéria-prima local para a produção do gesso. A empresa está menos exposta aos riscos de falência face às crises financeiras uma vez que poupa a saída de divisas para o exterior e a matéria-prima é local. Para dar suporte à produção existem registos de reservas no país de gipsite, matéria-prima utilizada para o fabrico do gesso. Com esta garantia a empresa tem ainda reservas suficientes para suportar uma produção diária de gesso até 400 anos.

Um mineral

O gesso pode aparecer em diversas variedades, como gipsite, que é das variedades mais abundantes de gesso, e que facilmente se transforma em anidrite (variedade desidratada de gesso) se as condições de calor, pressão e presença de água variarem. A anidrite é outra variedade de gesso. Forma-se como mineral primário em sabkhas ou em bacias profundas. O termo está muito associado à gipsite porque a única diferença entre eles são as moléculas de água. A anidrite contém maior densidade que a gipsite, contudo, possui menor porosidade.
Outro tipo de gesso é a selenite, que é um mineral macrocristalino, incolor, hialino e euédrico. Encontra-se, muitas vezes, a preencher fendas em rochas. Já o alabastro, outra variedade, é semelhante ao mármore. É maciço, microgranular e translúcido. As suas cores dependem das impurezas contidas. Ocorre, frequentemente, em zonas de grandes depósitos de gesso. Por fim, o espato, que é acetinado, fibroso e possui um brilho sedoso. Este material em forma de agulha deposita-se em fracturas e ao longo de planos de estratificação.

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/gesso_a_conquista_de_mais_mercados

Congo levanta embargo imposto sobre o cimento angolano

2 de Agosto, 2016

Fotografia: jaimagens.com

 As autoridades da República Democrática do Congo (RDC) levantaram o embargo imposto há um mês sobre o cimento angolano, para permitir que 700 caminhões carregados do produto entrem no país, noticiou ontem a Rádio Nacional de Angola (RNA).

A estação emissora citou o despachante oficial Sérgio Tang a afirmar que o levantamento do embargo é temporário e só vai vigorar até que os 700 caminhões, carregados e com as formalidades fiscais e aduaneiras cumpridas, sigam para os seus destinos na RDC.
Sérgio Tang considerou em declarações à RNA que a interdição da venda de cimento angolano no Congo Democrático foi decidida de forma unilateral pelas autoridades daquele país, as quais não deram quaisquer explicações sobre o assunto às instituições e empresas angolanas envolvidas no comérxcio de cimento. A RNA também entrevistou um camionista que se disse satisfeito com a decisão.

A interdição

Até a manhã de ontem, centenas de  comerciantes nacionais aguardavam por uma autorização no Posto Aduaneiro do Nóqui, Zaire.
Comerciantes entrevistados ontem pela Angop afirmaram que, além da interdição, as autoridades congolesas elevaram as taxas aduaneiras sobre o cimento e outros produtos cobradas aos comerciantes angolanos.
Basílio Felisberto Lukamba, que está no Posto Aduaneiro do Nóqui há 21 dias, com seis camiões carregados de cimento, referiu que as autoridades congolesas alegam razões de protecção da produção local  como estando na base da interdição.
“Os congoleses  dizem que a ‘inundação’ do seu mercado com cimento angolano provocou a baixa do preço do cimento produzido naquele país, o que fez entrar em falência algumas fábricas locais, levando para o desemprego os seus trabalhadores”, explicou o comerciante com base em informações oficiosas obtidas no lado congolês da fronteira.

Taxas agravadas

O comerciante queixou-se também da alteração regular das taxas aduaneiras aplicadas na exportação de mercadorias por parte da RDC, cuja portagem custa 300 mil francos congoleses (cerca de 50 mil kwanzas), acrescida a uma outra taxa de três dólares (500 kwanzas) por cada saco de cimento.
Disse que os serviços aduaneiros da Rapública  Democrática do Congo elevaram ainda as taxas de alfandegamento  de 1.600 para 1.900 dólares (267 mil para 317 mil kwanzas), acrescidos de mais 300 dólares (50 mil kwanzas).
“Peço que o Executivo vele por esta situação que está a prejudicar os comerciantes nacionais, visto que existem acordos bilaterais que regulam as trocas comerciais entre os dois países”, solcitou Basílio Felisberto Lukamba.
O motorista Leonardo Pereira lamentou o transtorno criado pelas autoridades congolesas, principalmente devido ao  bom relacionamento  existente entre Angola e a República Democrática do Congo.
Há duas semanas no Posto Aduaneiro do Nóqui com um camião carregado de cimento, Leonardo Pereira sugeriu o  diálogo entre as autoridades angolanas e congolesas para que seja sanada de forma definitiva esta situação.
A Angop soube que a mesma situação é registada no Posto Aduaneiro do Luvo, município de Mbanza Congo, há cerca de um mês, onde centenas de camiões aguardam  por uma anuência dos congoleses para comercializarem o cimento e outros materiais de construção civil de produção nacional.
O município do Nóqui  dista cerca de 162 qulómetros a norte da cidade de Mbanza Congo, ocupa uma extensão territorial de 5.275 quilómetros quadrados e é o quinto maior município da província.
O cimento é um dos produtos da indústria angolana com mais potencial de exportação, dada a considerável oferta disponível no mercado interno.
Duas grandes empresas cimenteiras implantadas em Angola e equipadas com máquinas sofisticados proporcionam uma oferta abundante e consideravelmente produrado pelos construtores.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/levantado_embargo_ao_cimento_angolano

Angola atinge autossuficiência na produção de cimento, refrigerantes e aço

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Angola já é auto-suficiente na produção de cimento, refrigerantes, águas engarrafadas e varão de aço, tendo em curso estudos para elevar o valor dos direitos aduaneiros ou proibir a importação deste último, anunciou quinta-feira o director do Gabinete de Estudos Projectos e Estatística (GEPE) do Ministério da Indústria.
 
Ivan Prado disse à Angop que Angola produz por ano cerca de 500 mil toneladas de varão de aço, 9,200 milhões de toneladas de cimento, 5,5 milhões de hectolitros de refrigerantes e dez milhões de hectolitros de águas engarrafadas, mas que, à excepção de varão, “ainda precisa de importar e noutras indústrias de transformação precisa ainda de quase tudo”.
 
O país também está em vésperas de obter elevadas produções nas fábricas têxteis Textang II (Luanda) e África Têxtil (Benguela), concluídas a cem por cento, em fase de testes, assim como na Satec (Dondo), em fase de conclusão com uma execução física de 96 por cento, disse Ivan Prado.
As fábricas têm dificuldades em obter algodão, mas, neste momento, estão identificados investidores no Sumbe e em Malanje, com os quais se conta para impulsionar a produção da matéria-prima, disse.
 
Ivan Prado revelou que o Ministério da Indústria foi orientado a encontrar entidades privadas através de um concurso público para a aquisição daquelas fábricas, em cuja edificação o Estado empregou 1.200 milhões de dólares (mais de 200 mil milhões de kwanzas). O director do GEPE do Ministério da Indústria declarou que a aposta do processo de diversificação da economia em curso, consiste em salvaguardar primeiro as cadeias produtivas, quando todas as unidades industriais devem olhar para a sua cadeia produtiva para que o país deixe de ter indústrias que dependem em cem por cento das importações.
“Devemos olhar para o sector agrícola, no sentido de criarmos ‘inputs’ para a indústria nacional. O sector tem um programa de industrialização onde a maior importância recai sobre a indústria do sector alimentar”, disse.
Dinâmica nas moagens
Angola produziu em 2015 cerca de 28 mil toneladas de farinha de milho, um aumento de cinco mil toneladas em relação a 2014 atribuído à aplicação de um programa institucional desse domínio, disse Ivan do Prado, que reconheceu que o sector tem um elevado défice de milho e outros cereais, mas que o desempenho foi conseguido com a aplicação do Programa Dirigido da Farinha de Milho.
 
O programa é operado por quatro empresas privadas angolanas, Induve, Sociedade de Moagem, Rogerio Leal e Filhos e Fonseca e Irmãos, as quais Ivan Prado considerou que “já trabalham com alguma expressão no mercado”.
 
O director do GEPE do Ministério da Indústria citou dados da Administração Geral Tributária (AGT) que apontam para uma desaceleração das importações angolanas de farinha de milho de 314 mil toneladas en 2014, para 256 mil em 2015.
“É um défice grande mas que pode ser encarado como oportunidade para quem quer investir neste segmento da economia nacional”, considerou Ivan Prado, que anunciou o interesse de um empresário privado na produção de trigo e que “tudo indica que já a partir do próximo ano se tenha farinha nacional” e voltou a citar números da AGT que também apontam para o declínio das importações desse produto de 510 mil toneladas em 2014, para 420 em 2015. O director do GEPE do Ministério da Indústria revelou que os planos das autoridades incidem agora sobre um projecto de construção de uma grande moagem em Luanda, com o arranque das operações previsto para 2017, onde se vão produzir 393 mil toneladas de farinha de trigo por ano.
 
Para ajudar Angola a obter elevado desempenho na produção de cereais, está projectado um investimento privado de produção de fertilizantes a ser implantado em Cabinda, e estão em curso estudos que envolvem vários pelouros institucionais, como a Agricultura, Geologia e Minas, Energia e Água e Petróleos.