Representatividade negra no audiovisual

O RioContentMarket 2017 teve sua abertura oficial na noite de 7 de março, em cerimônia para convidados, patrocinadores e imprensa apresentada pelos atores Lázaro Ramos e Camila Pitanga. O maior mercado audiovisual da América Latina chega a sua sétima edição composto por rodadas de negócios, painéis e apresentações exclusivas, entre os dias 8 e 10 de março, no Hotel Windsor Barra, no Rio de Janeiro. Entre os convidados que cruzaram o tapete vermelho, especialmente preparado para a ocasião, passaram nomes reconhecidos do teatro, do cinema e da televisão como Ruth de Souza, Antonio Pitanga, Elisa Lucinda, Maria Ceiça, Cris Vianna, Luís Miranda.

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Em seu discurso de boas-vindas, Mauro Garcia, presidente-executivo da BRAVI, realizadora do evento, disse que o RioContentMarket busca construir pontes e fazer conexões entre os segmentos do audiovisual. “Aqui somos plurais. De todas as cores ideológicas, de todas as bandeiras, de todos os elos que formam a cadeia produtiva do audiovisual. Todos reunidos para celebrar boas obras e bons negócios”.

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Na sequência, subiu ao palco a secretária municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Nilcemar Nogueira. “O evento é de relevância extrema ao conduzir a nossa cidade a um dos mais importantes segmentos da cultura mundial. É a demonstração da força da cidade do Rio como polo agregador de um segmento que vem crescendo nas últimas décadas. Entre 2009 e 2014, a RioFilme investiu R$ 185 milhões em quase 500 iniciativas cariocas,” disse.

Camila-Pitanga-e-Antônio-PitangaEngajados na luta pela representatividade negra no audiovisual, Lázaro Ramos e Camila Pitanga foram enfáticos ao falar da importância dessa temática no evento. “O negro no audiovisual atende à demanda da sociedade.

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07 FEVEREIRO 2017 – RIO DE JANEIRO – Cerimonia de abertura do Rio Content Market. Foto: Rogerio Resende

Histórias bem contadas alegram a todos, e o público negro consumidor é vasto, crescente e ainda não é bem representado”, opinou o ator. Pitanga complementou dizendo que “essa atuação ainda é muito baixa em um país onde metade da população é negra, e não se vê representada na mídia. Não nos referimos apenas àqueles que estão na frente das câmeras, mas também aos que estão por trás delas, escrevendo, produzindo e dirigindo”.singleton

A cerimônia de abertura foi encerrada com a première mundial da nova série do diretor John Singleton, ‘Rebel”, que estreia ainda este mês nos EUA no canal BET – Black Entertainment Television.  Tanto Singleton, que também é produtor-executivo da série, quanto a atriz Danielle Moné Truitt, protagonista de ‘Rebel’, e a executiva Zola Mashariki, vice-presidente e diretora de Programação Original da BET, estiveram no evento.

‘Rebel’ conta a história de Rebecca Wilson, ex-policial da cidade de Oakland (Califórnia). Ela deixa a corporação após a morte de seu irmão mais novo, causada por outro policial, e como investigadora particular enfrenta vingança dos antigos companheiros e a violência inerente contra a população negra, principalmente contra as mulheres. A opressão e justiça social e racial permeiam a obra de Singleton. Entre seus trabalhos dirigiu episódios de séries como ‘The People vs O. J. Simpson: American Crime Story’ (2016); ‘Empire’ (2015) e ‘Billions’ (2016) e é responsável por longas como ‘Shaft’ (2000). Tornou-se conhecido em 1991, por ser o mais jovem diretor indicado ao Oscar pelo filme ‘Os Donos da Rua’, que discute a vida de três jovens da periferia de Los Angeles.MV5BNWRhMWQxZGQtNmM1Yi00NDRjLTlhYjUtNjUxMWMxNjM1NTA0XkEyXkFqcGdeQXVyNzIwNTAzODA@._V1_SY1000_CR0,0,772,1000_AL_

 

 

John-Singleton_Históriaa-arrancadas-do-peito-300x200“Quando eu era adolescente, tinha pesadelos sobre virar adulto. Eu morava em um bairro difícil, como as favelas daqui. Não que eu tivesse danos psicológicos, mas era um sentimento que transbordava, e isso está no filme ‘Boyz n the hood’ (Os Donos da Rua).” As palavras são de John Singleton, reconhecido diretor de Hollywood, que se encontra no RioContentMarket para falar sobre a sua mais nova produção, o seriado ‘Rebel’. Os participantes do evento, contudo, não conseguiram evitar falar sobre o clássico de 1991 e Singleton não hesitou em responder. “Eu não sabia o que estava fazendo, não sabia como dirigir um filme. E continuo fazendo isso: em cada projeto eu preciso me encontrar para achar a alma da obra e esculpi-la”, disse.

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Entrevistado pelo diretor brasileiro, Jefferson De, e pela diretora de Programação Original do canal BET, Zola Mashariki, Singleton falou sobre o processo de produção de ‘Rebel’, suas influências e sua obra em termos gerais. “Eu sou o tipo de diretor que planeja tudo com antecedência, mas quando chega o momento… é como o jazz. A gente começa a brincar, a mexer com os personagens. Eu mesmo pego a câmera e experimento”.

 

Entre as influências para a criação de ‘Rebel’, o diretor mencionou o filme noir dos Estados Unidos das décadas de 40 e 50, época de Humphrey Bogart e de personagens sombrios, uma estética influenciada pela segunda guerra mundial.

“Eu quis fazer algo similar com uma mulher negra, que nesse caso tem que solucionar uma guerra dentro de casa. Por isso, será muito diferente do que já foi visto”, disse o diretor.

 

Zola Mashariki, por sua vez, contou como o projeto chegou às suas mãos. “Ele falou que não seria apenas mais uma série policial, mas estaria focada na construção da personagem. Não queríamos que fosse uma mulher negra idealizada, mas mostrar uma pessoa real, com suas virtudes e falhas”.

Executiva do BET destaca o envolvimento dos talentos e audiência para o aumento da representatividade negra no audiovisual

Dando continuidade às discussões sobre a representatividade negra no mercado audiovisual, Zola Mashariki, diretora de conteúdo do BET (Black Entertainment Television), do grupo Viacom, contou sobre seu compromisso em promover talentos negros e outras minorias entre os principais players do mercado audiovisual.

Durante a conversa com o ator Lázaro Ramos e com Viviane Ferreira, advogada especialista dos direitos autorais e presidente da APAN – Associação de Profissionais do Audiovisual Negro, Zola fez sugestões para que a representatividade no audiovisual brasileiro siga os mesmos caminhos trilhados pela norte-americana, que está adiantada em relação ao reconhecimento sobre rentabilidade e demanda junto à audiência.

Entre as recomendações, a executiva sugeriu que os profissionais deem espaço e atenção aos novos talentos, que por sua vez, devem se unir a grupos com os mesmos ideais, além de criar suas próprias oportunidades, realizando histórias que realmente acreditam. Sobre a narrativa, Zola acrescentou: “o entretenimento deve ser o objetivo do conteúdo, ainda que haja o intuito de transmitir uma mensagem social. A audiência quer se divertir, se emocionar”.

Zola, que afirma ter aceitado o convite para a sétima edição do RioContentMarket com o propósito de unir forças com o mercado brasileiro e explorar negócios para o canal BET, destacou a importância dos talentos para envolver a audiência com o conteúdo em que há representatividade das minorias, já que a demanda é fundamental para o crescimento das oportunidades.

 

RIOCONTENTMARKET 2017 celebrou AFROBRASILIDADE E PARCERIAS
Os corredores do espaço de convenções do Windsor Barra Hotel, no Rio de Janeiro, ficaram lotados durante o RioContentMarket, que recebeu 3.700 participantes de 8 a 10 de março. O ânimo dos produtores independentes e a resiliência de um mercado que não se deixou afetar pela turbulência da economia brasileira ficaram evidentes. “Reunimos o mesmo número de participantes do ano passado, resultado excelente se pensarmos que estamos vivendo um cenário econômico pouco favorável”, avalia Mauro Garcia, presidente-executivo da Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), entidade realizadora do evento.

O Brazilian Content, projeto de exportação realizado pela BRAVI em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), promove durante o RioContentMarket rodadas de negócios exclusivas entre as empresas apoiadas pelo projeto e compradores internacionais presentes no evento. Além dos encontros com emissoras de TV e plataformas estrangeiras, o Brazilian Content é responsável pela atração de delegações de produtores internacionais e pelo matchmaking com empresas brasileiras. Neste ano, em parceria com os projetos também apoiados pela Apex-Brasil, Brazil Music Exchange (executado pela BMA) e Brazilian Game Developers (realização da Abragames), o Brazilian Content promoveu a presença de empresas dos setores de música e games no RioContentMarket. Muitas empresas apoiadas pelos projetos Cinema do Brasil e Film Brazil, também realizados em parceria com Apex-Brasil pelo Siaesp e Apro, respectivamente, participam naturalmente do evento, uma vez que atuam no setor audiovisual.

A sétima edição do RioContentMarket, que se consolidou como o maior mercado audiovisual da América Latina, somou 1.281 projetos audiovisuais apresentados e 1.421 reuniões nas Rodadas de Negócios, 20% mais do que no ano anterior. O número de patrocinadores e expositores cresceu 54%, e também houve aumento significativo na quantidade de players e keynote speakers: em 2016, foram 197 players contra os 269 dessa edição, e 28 keynote speakers no ano passado contra 37 nesse ano.

O evento recebeu players de 30 países, como Alemanha, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Dinamarca, Estados Unidos, México, Reino Unido e Rússia. Cinco delegações internacionais também vieram ao evento: Argentina, Canadá, França, Chile e Paraguai, as duas últimas pela primeira vez, o que reforçou os laços entre o Brasil e países latino-americanos. Executivos de canais como Telefe, Caracol, TV Azteca e Señal Colombia, bem como de produtoras como a Zumbastico Studios (Chile), vieram ao Rio de Janeiro com o objetivo de desenvolver coproduções. Players de 24 estados brasileiros também compareceram às Rodadas de Negócios, incluindo as delegações de Ceará, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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07 FEVEREIRO 2017 – RIO DE JANEIRO – Cerimonia de abertura do Rio Content Market. Foto: Davi Campana

Nomes de peso no mercado participaram como palestrantes, a exemplo de John Dahl (ESPN Films), produtor-executivo do documentário ‘OJ: Made in America’, vencedor do Oscar 2017; Marie Jacobson, vice-presidente-executiva de Programação e Produção da Sony Pictures Networks; Alex Hirsch, criador e produtor da animação Gravity Falls; Michelle Satter, diretora do Programa de Longas-Metragens do Sundance Institute; Zola Mashariki, diretora de Programação Original da BET (Black Enternainment Television), e John Singleton, diretor de ‘Boyz n the Hood’ (‘Os Donos da Rua’) e de episódios das séries ‘Empire’, ‘Billions’ e ‘American Crime Story – The People v. O.J. Simpson’.

Além de falar em um painel, Singleton participou da cerimônia de abertura, no dia 7 de março, ao lado da atriz Danielle Moné Truitt, protagonista da série americana ‘Rebel’, que teve sua première mundial realizada no RioContentMarket. A série, com foco na comunidade afrodescendente dos Estados Unidos, foi escolhida para abrir o evento por dialogar com tema da representatividade negra no setor audiovisual, fio condutor do RioContentMarket nesse ano.

Os atores Lázaro Ramos e Camila Pitanga foram os anfitriões da noite de abertura, que recebeu e homenageou artistas negros do cinema, da TV e do teatro brasileiro, como Ruth de Souza, Antonio Pitanga, Elisa Lucinda, Maria Ceiça, Cris Vianna, Adélia Sampaio, Jefferson De e Luís Miranda.

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07 FEVEREIRO 2017 – RIO DE JANEIRO – Cerimonia de abertura do Rio Content Market. Foto: Rogerio Resende

A representatividade negra no setor também permeou toda a programação do RioContentMarket. Mais de 50 afrobrasileiros do mercado audiovisual falaram em painéis e participaram das Rodadas de Negócios.

Acordos internacionais 
A Brasil Audiovisual Independente e a Associação de Produtores Independentes de Televisão (APIT), de Portugal, assinaram durante o evento acordo de cooperação para potencializar as oportunidades de coprodução entre seus associados. O intuito é atuar conjuntamente em busca da ampliação do acordo de cooperação entre os governos do Brasil e de Portugal, que atualmente é válido apenas para cinema, a projetos voltados à TV e a outras plataformas do audiovisual.

No campo governamental, a Ancine também celebrou protocolo de cooperação com o Centre National du Cinéma et de l’Image Animée (CNC), da França. O documento marca o lançamento de uma parceria estratégica entre os órgãos, que inclui troca de informação e intercâmbio de agentes. O objetivo principal é a expansão, assim que possível, dos acordos de coprodução para a área audiovisual, em busca de novos incentivos a projetos independentes produzidos em conjunto pelos dois países.

Sobre o RioContentMarket
Realizado pela Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), com a curadoria da Esmeralda Produções e produzido pela Fagga | GL eventsExhibitions, o RioContentMarket é um mercado internacional dedicado à produção de conteúdo audiovisual aberto a toda a indústria de televisão e mídias digitais. Tem entre os seus mais importantes parceiros a RioFilme e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), pilares fundamentais para a sua realização. Em apenas seis edições, o evento consolidou-se como um dos maiores do mundo voltado a negócios e exposição de conteúdos audiovisuais, consagrando-se como palco das negociações entre players do mercado brasileiro e mais de mil produtoras independentes.  Por suas salas desde 2011 já passaram mais de 17 mil participantes, entre executivos, produtores e profissionais da indústria audiovisual de 36 países, que vieram apresentar projetos inovadores, cases e modelos de negócios relevantes para o desenvolvimento de parcerias e coproduções, além de realizarem reuniões de negócios.

Sobre a Brasil Audiovisual Independente (BRAVI)
A BRAVI reúne produtoras independentes de conteúdo audiovisual para televisão e mídias digitais e possui mais de 600 associados em 18 unidades da Federação, nas cinco regiões do Brasil. Fundada em 1999, a associação atua fortemente para o desenvolvimento do mercado audiovisual brasileiro e representa o setor em diversos fóruns de debates públicos e privados. Com uma estrutura profissional e reconhecida representatividade nacional, a BRAVI também participa ativamente das regulamentações do mercado audiovisual, incentivando a produção e novos modelos de negócios, além de oferecer capacitação especializada ao produtor independente. Por meio de relevantes parcerias institucionais, apoia a participação do empresário brasileiro no mercado audiovisual internacional.

Sobre o Brazilian Content 
O Brazilian Content é o programa internacional da Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), criado em 2004 e realizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Com o objetivo de promover o conteúdo independente produzido para múltiplas telas no mercado internacional, o Brazilian Content viabiliza parcerias entre empresas brasileiras e estrangeiras, por meio de coproduções, vendas e pré-vendas para canais de TV, internet, telefonia celular e mídias digitais. O Brasil hoje é considerado um importante mercado no cenário internacional e está alinhado às tendências mundiais de produção multimídia.

 

http://www.apexbrasil.com.br/Noticia/RIOCONTENTMARKET-2017-CELEBRA-AFROBRASILIDADE-E-PARCERIAS#sthash.OVGornVs.dpuf

 

http://bravi.tv/historias-arrancadas-do-peito/

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Crônicas de Nollywood

Kenneth Nnebue era un modesto vendedor de productos electrónicos en la ciudad de Lagos, Nigeria. Transcurría un momento en el que al otro lado del mundo los avances tecnológicos de los años 90 amenazaban con dejar obsoleto un importante stock de productos electrónicos al que los países asiáticos ansiaban dar salida. Esto eran buenas noticias para los comercios como el de Nnebue, que verían a buen precio aumentar sus existencias. Pero por alguna razón, los VHS en blanco no se vendían tan bien como cabría esperar, por lo que en un alarde de creatividad este vendedor pensó que quizá grabando en ellos películas ganarían valor y podría venderlos mejor. Tras escribir un guion para ello, puso su cámara a punto y convenció a un grupo de amigos a los que ilusionó con su idea. Era el año 1992 y sin saberlo del todo, Kenneth Nnebue puso la semilla de la que sería la película inaugural de Nollywood: Living in Bondage.

Living in Bondage, la ópera prima de Nollywood
Living in Bondage, la ópera prima de Nollywood

Ésta es ya un clásico del cine nigeriano y con ella se iniciaba un estilo de contar historias diferente y enteramente nigeriano. Dirigida por Chris Obi Rapu, compañero de Kenneth, narra la historia de un hombre que se une a un culto secreto y asesina a su mujer como forma de sacrificio. La trama está rodeada de misticismo, fantasmas y melodrama. Nnebue lo logró –se vendieron más de 750.000 copias de Living in Bondage–, pero no sólo eso, con su película demarcó una ruta nueva para el cine africano. Hasta entonces las películas con éxito de este continente eran producciones apoyadas y financiadas desde el exterior en las que se contaban historias de denuncia social con impresionantes planos artísticos y una excelente fotografía. Viajaban para ser admiradas en las taquillas de cines alternativos europeos donde eran aplaudidas como voz de la subalternidad. Pocas veces eran vistas y disfrutadas por la población mayoritaria africana, que ahora con Nollywood podía acceder en los videoclubs a producciones con enrevesadas tramas en las que, aunque se reflejaban las disparidades sociales, no era éste su propósito último, y contaban historias que enganchaban al espectador desde el minuto uno.

¿Qué es Nollywood?

El cine no se reduce al relato que se cuenta en las dos horas que dura una película. Alrededor de la industria cinematográfica se despliegan a su vez muchas historias a ambos lados de la pantalla que marcan, a la vez que desvelan, muchas dinámicas sociales que merecen una reflexión. Hollywood es quizá la industria cinematográfica en la que más dinero se invierte y la que más abarca territorialmente, pero Bollywood y Nollywood la han rebasado ya en número de películas, logrando penetrar en sus respectivas sociedades e incluso empezando a expandirse ya a otras. Pero hay más, la forma de entender el cine, de verlo, de compartirlo y de trabajar en él son diferentes. Si Hollywood tendía a homogeneizar la forma de disfrutarlo con un efecto globalizador, la India y Nigeria vienen a plantear una reinvención de este arte amoldándolo a los gustos e intereses de la población local a la que en un primer momento están dirigidas.

Vayamos primero a uno de los lados de la pantalla. En Nigeria poco se parece la producción de películas a la de cualquier otro país. De entrada se parte ya de un presupuesto reducidísimo, que suele provenir del bolsillo del valiente que la produce, y se graba además en un máximo de dos semanas. Una vez terminada no se llevará a la gran pantalla: se graban unos cuantos miles de VHS que serán vendidos a videoclubs donde se alquilarán a clientes. Poco tiempo después, todos los vídeos habrán sido pirateados y seguirán su curso en el mercado negro, dejando de dar dinero a los cineastas. Evidentemente no es una inversión con mucho retorno, la velocidad y dinamismo obligan a todos aquellos que trabajan en Nollywood a vivir en mayor o menor medida al día, siempre en busca de nuevos proyectos.

Puede advertirse que las condiciones bajo las que se hacen las películas no son tampoco las idóneas. Aunque se utilizan cámaras digitales, éstas son de 35 mm, frente a la creciente limpieza en la calidad de la imagen tanto en Bollywood como en Hollywood. Lo mismo ocurre con los efectos especiales, más cercanos a lo que frecuentemente se llama “Serie B”. De hecho, son contadas las películas en las que se estrella un coche en una persecución o se destruye mobiliario. Los decorados son rudimentarios y se montan en pisos cedidos por horas a los cineastas, por lo que tampoco pueden ser demasiado transformados para la ocasión.

A pesar de estas dificultades, las películas suelen tener lugar en interiores, ya que la falta de recursos de partida dificulta que puedan cerrar una calle por horas o pagar a figurantes para las escenas de exteriores, estos últimos suelen ser voluntarios. Otra razón para rodar en interiores es que es Lagos, la ciudad donde tienen lugar la mayor parte de los rodajes, no es precisamente un emplazamiento conocido por su seguridad, por lo que trabajar muchas horas con equipo técnico en la calle supone un riesgo importante a evitar. Frecuentemente las escenas en la calle se graban sólo una vez, lo que también afecta al resultado general.

Los "estudios" de cine en Nollywood no son tan majestuosos como sus pares estadounidense. Tampoco lo necesitan.
Los “estudios” de cine en Nollywood no son tan majestuosos como sus pares estadounidense. Tampoco lo necesitan. Fuente: RT

En suma, como señalan los trabajadores de la industria del cine en Nigeria las dos características fundamentales de Nollywood son su celeridad y su creatividad: los cineastas deben hacer frente al bajo presupuesto y a la inagotable oferta de películas.

Al otro lado de la pantalla también se vive de forma diferente el cine. Ni estas películas están hechas para la gran pantalla, ni la mayor parte de la población tiene por costumbre ir al cine. Esta es una actividad peligrosa y más relacionada con la élite, que puede permitirse seguridad privada y que suele ir a ver películas estadounidenses, indias y francesas, lo que no quiere decir que en otros contextos vean también películas de Nollywood.

El lugar donde más se ven estas producciones es en el ámbito doméstico, en el salón de las pobladas casas nigerianas donde varias familias se reúnen y, aunque siguen la trama con atención, las películas pueden verse interrumpidas por quehaceres o conversaciones entre los espectadores. También se ponen películas en bares, tiendas, locutorios y en pequeños clubs de cine; la enorme cantidad de producciones hace que la rutina de un comerciante pueda estar casi por entera acompañada por películas nollywoodienses resonando en su televisión.

La trama tampoco obedece a los cánones a los que estamos acostumbrados: la superstición y la brujería suelen estar presentes en la historias entremezcladas con el realismo. Estéticamente y debido a las tramas, hay quien las compara con las telenovelas latinoamericanas y señala de la cercanía de estas películas a la televisión más que a la gran pantalla. Aunque esta asociación tiene en parte su razón de ser,  una diferencia crucial frente a las telenovelas es que no se tiende tanto a la idealización de los personajes, la falta de medios y las historias que se relatan son muy cercanas a la vida diaria de los nigerianos.

Aunque en su mayoría buscan contar una historia sin ambicionar convertirse en un mecanismo de denuncia social, la falta de presupuesto hace que haya poco espacio para el adulteración y la idealización, por lo que en las películas se terminan reflejando escenarios y personajes reales. Eso sí, aunque las tramas presentan personajes sórdidos en situaciones de dificultad, suelen terminar en final feliz en forma de moraleja –se castiga a los ‘malos’ y se premia a los ‘buenos’–. Aquí cabe otra pequeña reflexión: frecuentemente aparecen mujeres que se ‘salen’ del tradicional papel de esposas y cuidadoras y son representadas como femmes fatales y brujas. En línea con la moralina de estas historias, terminan siendo castigadas por sus fechorías.

Nollywood como espejo cultural

Los inicios de Nollywood coinciden con una periodo convulso de golpes de estado en los que se alternan dictaduras, cada una más represiva que la anterior, por lo que la censura de contenidos era el día a día y la libertad de expresión casi un lujo. Ejemplo de ello es que el año 1995 Nigeria fue suspendida de la Commonwealth debido a las violaciones de derechos humanos de su gobierno. Las películas que venían del exterior, además de pasar filtros de censura, entraban con dificultades en un estado cada vez más aislado internacionalmente. Esto derivó en un crecimiento de la producción interna de películas.

Para ser el primer productor mundial de películas sólo hacen falta ganas. Fuente: RT
Para ser el primer productor mundial de películas sólo hacen falta ganas. Fuente: RT

‘Living in Bondage’ es el inicio de Nollywood como tal, pero cabe también preguntarse por el origen cultural de esta industria cinematográfica con rasgos tan propios. Hay quien establece una relación entre esta industria y el teatro ambulante de los Yoruba,  un teatro muy popular entre los años 30′ y 70′ que proviene de la tradición teatral Aláàrìnjó, que representaba breves obras satíricas en las que actores enmascarados representaban personajes que se volvían a repetir de unas obras a otras, lo que recuerda en parte al teatro clásico italiano, eso sí, con música, percusión y unas interpretaciones más físicas.  Aunque pueden encontrarse relaciones entre este teatro y la industria cinematográfica, lo cierto es que Nollywood no puede acotarse a una sola etnia, ni en lo relativo a la producción de películas, ni en cuanto a quién las ve.

A la brecha del norte musulmán y el sur cristiano se le suma la mezcla étnica en Nigeria. Fuente: Ikuska
A la brecha del norte musulmán y el sur cristiano se le suma la mezcla étnica en Nigeria. Fuente: Ikuska

Nigeria es un país muy rico culturalmente, compuesto por más de 250 grupos étnicos con sus dialectos correspondientes, es también un estado donde conviven, frecuentemente enfrentadas, diferentes religiones. El Islam es la religión predominante, especialmente en el norte, sumando alrededor del 50% de la población. El Cristianismo es la segunda con cerca de un 40%, pero otras religiones como el Animismo tienen también una fuerza considerable a la vez que un espacio, en forma de supersticiones, en los otros credos. Junto con las diferencias raciales y religiosas, es inevitable encontrar profundas divisiones sociales entre territorios. El norte es significativamente más pobre, y la región más rica es la del delta del Níger, donde están las principales reservas de petróleo del país. Las brechas sociales persisten también dentro de los territorios y la ausencia de un estado sólido y fuerte hace que a menudo la población viva ‘al día’: ni la seguridad, ni la educación ni la sanidad quedan amparados bajo su paraguas. Las disparidades sociales y la inseguridad están muy presentes en los largometrajes. Para dar prueba de su diversidad, es interesante saber que Lagos es la ciudad más multilingüe del mundo.

Parte del triunfo de Nollywood deviene de su capacidad de reflejar contextos y situaciones con los que la población se siente identificada y reflejada. Así, dependiendo del origen de la película, de la región con mayoría yoruba, igbo, hausa u otras, encontramos que se producen películas diferentes que responden a las inquietudes y preferencias de cada región. Por poner un ejemplo, los hausa en el norte son musulmanes y las películas hechas por y dirigidas a esta etnia suelen ser películas con números musicales estilo Bollywood en los que se narran historias de amor, eso sí, sin relaciones explícitas, mientras que con los yoruba triunfan las películas con más acción. Se suele rodar en una combinación de idiomas pero hay películas rodadas en un solo idioma regional. No obstante, la mayor parte de películas se ruedan en el multiétnico Lagos, centro económico del país, por lo que, aunque se mezclan idiomas, el central suele ser el inglés. Muchos productores se decantan por el inglés para abarcar más mercado. Y es que no olvidemos que la cifra de habituales a las películas nollywoodienses no deja de aumentar: Ghana, Sierra Leona, Camerún e incluso la diáspora nigeriana que vive otros continentes. Es tal la mezcla lingüística que se ha tenido que inventar el término Engligbo, que hace referencia al idioma que frecuentemente se utiliza en los largometrajes y que mezcla inglés con igbo. Parte del éxito de esta industria se debe a la creciente demanda de producción artística local, contada para africanos por africanos y en lenguas africanas.

De Nigeria al mundo

Atendiendo a datos macroeconómicos, Nigeria podría considerarse una potencia emergente. Demográficamente es uno de los 10 países más poblados del  mundo,  (181 millones de habitantes), con una población primordialmente joven. A nivel de recursos no puede decirse que esté mal dotado: petróleo, minerales, madera, hierro…  Su producto interior bruto ha superado ya al del contendiente regional Sudáfrica, aunque no en PIB per cápita. Sin embargo, su estabilidad pende de un hilo, tanto en lo económico como en lo político y social. Podría empezarse con la dependencia de las importaciones de petróleo refinado, que ya es una pérdida en sí, y que se junta además con el vertiginoso paro juvenil. La ausencia de exportaciones de productos con valor agregado y la dependencia de productos primarios lo convierten en un estado rentista que no logra poner en marcha la importante fuerza de trabajo que habita en su seno. Como en otros países africanos, la corrupción institucional frena la evolución hacia un estado sólido proveedor de servicios, y el sector político peca de clientelista y sobremilitarizado.

La corrupción y el paro devienen pilares para la formación de un gigantesco mercado negro, y a nivel social persisten luchas étnicas y religiosas que dificultan la convivencia. Por si fuera poco, elgrupo terrorista Boko Haram y la piratería ahondan en la inseguridad de este país que se ve además profundamente afectado por la contaminación debido a los métodos de extracción, lícitos e ilícitos, de su crudo.

Si la estabilidad es una necesidad para la conversión en potencia regional, Nigeria está lejos de serlo, pero Nollywood es un importante instrumento de soft power que se exporta a países de alrededor como Ghana, Camerún o Níger. Si sigue creciendo como industria, esto significa más salidas profesionales para los jóvenes que de otra forma estarían desempleados y en una situación de vulnerabilidad frente a las prácticas de captación de mafias y grupos terroristas.

Más allá de las características propias de la industria, Nollywood empieza a jugar un papel importante como instrumento cultural geopolítico en la región. De puertas adentro es además una salida profesional creativa y reputada que simboliza una válvula de escape frente a la falta de perspectivas de los jóvenes. No deja de ser sorprendente el crecimiento de esta industria que no recibe ni financiación estatal ni ayuda exterior, como es el caso de muchas producciones francófonas de los países fronterizos. El milagroso aprovechamiento de recursos en el cine contrasta con el derroche de estos en otros sectores.

Como diría Jonathan Haynes, no se dejen engañar por su nombre, no se trata de una copia de Hollywood, sino de una muestra de la multipolarización de la industria de entretenimiento. Nollywood es un producto sui generis que nace de unas limitaciones y bebe de la subalternidad sin procurar hacer de ésta su bandera. Su verdadera moraleja es que se puede hacer mucho con nada, como decía una joven productora ejecutiva, es un fenómeno que va de ningún lugar a alguna parte –from nowhere to somewhere–.

 

http://elordenmundial.com/2016/07/19/cronicas-de-nollywood/

Lupita Nyong’o numa história emocionante no trailer de “Rainha de Katwe”


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O filme “Rainha de Katwe”, é a mais nova produção da Disney e acaba de ganhar mais um trailer que está emocionante demais!

O novo trailer traz mais da nossa querida atriz Lupita Nyong’o que vive a mãe da protagonista da história, lembrando que ela foi vencedora do Oscar em 2014 por “12 Anos de Escravidão”.

“Rainha de Katwe” é uma jovem garota que supera as adversidades da sua terra natal, na Uganda, para se tornar uma campeã de xadrez e rodar o mundo inteiro.

Lupita Nyong’o numa história emocionante no trailer de “Rainha de Katwe”

 

Lupita Nyong’o: “Queen of Katwe”a história real de uma menina de Uganda campeã de xadrez

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A Disney divulgou o pôster e primeiro trailer do drama “Queen of Katwe”. A prévia, por sinal,  trata de uma história de uma menina pobre que, desafiando todas as probabilidades, torna-se uma campeã de xadrez. É fábula encantada, como adora o estúdio. Ou melhor, a versão infantil de uma história real.

A trama acompanha uma menina (a estreante Madina Nalwanga) de uma aldeia de Uganda que aprende a jogar xadrez e,  vira campeã nacional – e mais popular que craque de futebol, segundo o trailer. O elenco destaca Lupita Nyong’o (“12 Anos de Escravidão”) como a mãe da jovem e David Oyelowo (“Selma”) como seu treinador.

“Queen of Katwe” é a segunda parceria consecutiva entre a cineasta indiana Mira Nair e o roteirista William Wheeler, após “O Relutante Fundamentalista” (2012). A estreia está marcada para setembro, mas, até lá, pode ganhar o direcionamento dos filmes anteriores da diretora, que saíram direto em vídeo no Brasil.

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Cinema de Guiné Bissau em 2015 foi um ano positivo

 
 
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Leonardo Cardoso, presidente do Instituto Nacional de Cinema e Audiovisual (INCA), considerou que o ano de 2015 foi bastante positivo para as atividades realizadas pela instituição cinematográfica.
 
O responsável destacou o facto de no ano passado o INCA ter participado na semana cultural de filmes em Cabo Verde, as exibições de filmes por toda a cidade de Bissau e as obras de reabilitação do edifício onde funciona o instituto.
 
«Tudo isso foi possível graças aos apoios de alguns parceiros, de patrocinadores e instituições nacionais», sublinhou Leonardo Cardoso, em declarações à Agência de Notícias da Guiné-Bissau (ANG).
 
Relativamente à pirataria na área, o presidente da INCA aconselhou o Gabinete do Autor, a Sociedade Guineense do Direito dos autores e a Associação dos Músicos Guineenses a fazerem uma campanha de sensibilização sobre os prejuízos da pirataria em relação à cultura e à economia nacional.
 
 
 
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Diretor do Cinema do Senegal recomenda Cabo Verde a investir no cinema nacional

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Cidade da Praia, 23 Nov (Inforpress) – O director de Cinema do Senegal recomendou hoje as autoridades cabo-verdianas, na Cidade da Praia, a investirem no cinema nacional e que seja criada uma política de cinema no arquipélago.
 
Hugue Diaz, que se encontra em Cabo Verde no âmbito do Festival de Cinema da Praia, falava aos jornalistas à margem da palestra sobre o “Financiamento do cinema senegalês”, que ministrou, enquadrada no Festival de Cinema de Plateau, que decorre até o dia 28, na Cidade da Praia.
 
Segundo o responsável, Senegal tem fundo de cinema que considerou de “revolucionário” no valor de cinco milhões de euros destinado a produção e formação para a produção cinematográfica nacional, mas que nos próximos tempos vão pedir mais financiamento.
 
Hugue Diaz explicou que o seu país já tem uma experiência no sector de “financiamento do cinema”, lembrando que o cinema e o audiovisual têm “muito custo”, mas que no seu país há cineastas que fazem filmes e “bons filmes”, sendo certo, concretizou, que a televisão digital terrestre vai dar um contributo “muito importante” na expansão do filme nacional.
 
O que falta a Cabo Verde, sustentou, para que o cinema nacional tenha o seu auge é a “vontade política” e uma “política de cinema” que façam com quem haja infra-estruturas de produção de cinema.
 
O director de Cinema do Senegal considerou ainda que o cinema é a “melhor forma de promover um país”, e que, por isso, Cabo Verde e Senegal vão avançar para co-produção de filmes que serão exibidos nos dois países.