Boa noticia! Delegado do Amapá de Meio Ambiente usa TI contra desmatamento

amapaDelegado do Amapá usa aplicativo do WRI para caçar desmatadores

É preciso dar destaque às cada vez mais raras boas notícias. Leonardo Brito, titular da Delegacia do Meio Ambiente do Amapá, está usando, a Tecnologia da Informação – TI o appdo Global Forest Watch para monitorar em tempo real o aparecimento de novos focos de desmatamento. O aplicativo, desenvolvido com o apoio do WRI, traz imagens de satélite com resolução suficiente para que Brito identifique e monte uma operação rapidamente. Apesar do Amapá não constar do ranking dos grandes desmatadores, Brito conta que “grileiros invadem e derrubam a mata para colocar gado. Madeireiros ilegais arrasam áreas grandes em busca de madeiras nobres. Querem ipês e cedros, mas derrubam tudo e vendem o resto para virar carvão.”

Vamos plantar um trilhão de árvores

o-que-e-reflorestamento-02Um professor e sua equipe desenvolveram ferramentas para analisar fotos de satélite que, combinadas com resultados de pesquisas de campo, estimam quantas árvores existem no planeta. A conta chegou a cerca de 3 trilhões de árvores, 7 vezes mais do que última estimativa feita pela NASA. Crowther foi além: somou as áreas degradadas ou abandonadas, excluindo cidades e lavouras, e estimou ser possível plantar mais 1,2 trilhão de árvores sem deslocar pessoas ou ameaçar a segurança alimentar. O crescimento desta quantidade de árvores sugaria 130 bilhões de toneladas de carbono da atmosfera ou o equivalente a dez anos de emissões globais como as do ano passado, empurrando assim os impactos das mudanças climáticas para muito além. O jornal inglês The Independent e o site belga HLN deram a notícia.

 

Fontehttp://climainfo.org.br/2019/02/19/plantar-um-trilhao-de-arvores-para-conter-o-aquecimento-global/

Mudanças climáticas e segurança nacional

furaão na base de Tyndall

por Adriana Erthal Abdenur
Fevereiro 8, 2019
Imagem por Nasa

As chances crescentes de vendavais, enchentes e secas representam ameaças à segurança nacional não apenas no espaço terrestre mas também na costa

Em 2018, caças F-22 foram parcial ou totalmente destruídos quando o Furacão Michael atingiu a Base Aérea Tyndall, na Flórida. As aeronaves, que valem bilhões de dólares, estavam em solo para manutenção. O furacão, de categoria 4 na escala Saffir-Simpson (que vai até 5), danificou gravemente os hangares da base e boa parte do seu conteúdo.

O evento extremo chamou atenção para um risco que, até poucos anos atrás, sequer constava na lista oficial de ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos: o impacto das mudanças climáticas. Um relatório publicado pelo Pentágono em 2014 já havia alertado que o clima representa “riscos imediatos” para a segurança norte-americana, argumentando que medidas concretas de adaptação seriam necessárias.

Frequência e intensidade dos eventos meteorológicos e a elevação do nível do mar oferecem riscos. Já sabemos que dezenas de bases navais norte-americanas, sobretudo situadas em atóis e ilhas do Pacífico, são vulneráveis. Desastres como o Furacão Michael mostram que as políticas de adaptação colocadas em prática não foram suficientes, segundo novo relatório de defesa. Dois terços das instalações estão sob risco de inundação. Mais da metade é vulnerável a secas e incêndios florestais.

As mudanças climáticas já ameaçam instalações militares brasileiras. Em outubro de 2017, uma tempestade tombou uma aeronave Pantera K2 e danificou helicópteros, gerando estragos milionários na base do Comando de Aviação do Exército, em Taubaté. Os ativos militares brasileiros estão concentrados geograficamente. As chances crescentes de vendavais, enchentes e secas representam ameaças à segurança nacional não apenas no espaço terrestre mas também na costa.

As ameaças não se limitam aos danos materiais. As Forças Armadas no Brasil são importantes no desenvolvimento de áreas remotas e na assistência humanitária, inclusive em casos de desastres naturais e ao longo das zonas de fronteira. O agravamento de tais quadros requer planejamento de longo prazo para mitigação e adaptação. É necessária maior reflexão, inclusive do Ministério da Defesa, sobre como adequar políticas e instituições a essa nova realidade.

As mudanças climáticas se multiplicam e aceleram os conflitos armados por todo o mundo. Dado o histórico brasileiro de participação em operações de paz, tais impactos também são altamente relevantes para a política externa brasileira. Estudos já mostram que elas produzem desafios adicionais às missões de paz das Nações Unidas. Na região do Sahel, a desertificação vem acirrando disputas em torno da água, exacerbando a insegurança alimentar e contribuindo para o surgimento de grupos extremistas.

Furacão atinge o estado da Florida, EUA

 

O clima tem efeitos sobre os padrões de violência e tensões sociais também na América Latina. Nos Andes, o derretimento das geleiras reduz o volume de água de rios. Milhares de pessoas que vivem em vários países da região dependem desses rios, que irrigam terras bem além das áreas montanhosas. O próprio Amazonas nasce das águas de degelo do Nevado Mismi, ao sul do Peru. A América Central e o Caribe sofrem com o impacto de furacões. O Haiti, onde o Brasil teve expressiva atuação junto à missão de paz da ONU, é considerado um dos países mais vulneráveis do mundo às mudanças climáticas.

No Brasil, essa influência começa a ser compreendida. Na Amazônia, mudanças nos padrões pluviais afetam os padrões de seca e de inundações. Isso exacerba os conflitos em torno da terra, provoca enormes fluxos migratórios internos e contribui para crises hídricas em grandes regiões metropolitanas, tais como São Paulo. A mudança climática já ameaça os chamados “rios voadores,” correntes de vento que trazem umidade da Amazônia até a região centro-sul do Brasil.

No Cerrado, a elevação da temperatura pode estender o período de seca, reduzindo a cobertura de árvores e favorecendo as queimadas. Essas secas terão impacto de cada vez maior alcance, já que o Cerrado distribui águas para as principais bacias hidrográficas do país. Em todas essas regiões, infraestruturas críticas, desde hidroelétricas até instalações portuárias, podem sofrer danos irreversíveis em questão de horas em casos de eventos climáticos extremos.

O Ministério da Defesa organizou debates pontuais sobre os impactos das mudanças ambientais em contextos específicos, tais como as operações militares marítimas, terrestres e aéreas. A Política Nacional de Defesa menciona as mudanças climáticas uma vez: afirma que o fenômeno “tem graves consequências sociais, com reflexos na capacidade estatal de agir e nas relações internacionais”. O Livro Branco da Defesa sequer cita as mudanças climáticas. É necessária uma abordagem preventiva e transversal, que preze a cooperação internacional, a mitigação e adaptação de todos os setores da sociedade brasileira. Caso contrário, inclusive as Forças Armadas serão prejudicadas pela falta de preparo.

Quanto à política externa, a permanência do Brasil no Acordo de Paris permite que o país também coopere com outros Estados. Isso para o desenvolvimento, e também para a segurança nacional. Faltam, portanto, políticas e diretrizes que levem a sério o enorme impacto que as mudanças climáticas já surtem sobre os interesses nacionais, e os efeitos ainda mais graves que o fenômeno terá sobre a segurança durante as próximas décadas. As mudanças climáticas requerem uma visão a longo prazo, sob uma ótica de direitos humanos e fundamentada no planejamento sistemático e de precaução.

 

*Adriana Erthal Abdenur é da Divisão de Segurança e Paz do Instituto Igarapé.

Fonte:https://diplomatique.org.br/mudancas-climaticas-e-seguranca-nacional

Ruralistas de Santarém tentaram impedir reunião da CIDH com indígenas

No quarto dia de sua visita ao Brasil, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA teve uma amostra da grave situação de conflito e violência promovida por gente ligada a produtores rurais da região de Santarém. A Comissão foi interpelada de forma intimidatória e ameaçadora por representantes dos produtores de soja que tentaram impedir a realização da reunião com os indígenas e expulsar o comissariado da região.sanntre

No fundo, nada melhor para ilustrar a situação, não é mesmo?

Mamíferos, aves, peixes, reptéis e anfibios estão ameaçados pela extinção de forma acelerada

coraisRelatório Planeta Vivo  documenta o estado do planeta – incluindo a biodiversidade, os ecossistemas e a demanda de recursos naturais – e o que isso significa para os seres humanos e a vida selvagem. Publicado pelo WWF a cada dois anos, o relatório reúne uma variedade de pesquisas para fornecer uma visão abrangente da saúde da Terra.

Estamos empurrando nosso planeta para a beira. A atividade humana – como alimentamos, abastecemos e financiamos nossas vidas – está causando um impacto sem precedentes sobre a vida selvagem, os lugares selvagens e os recursos naturais de que precisamos para sobreviver.

Em média, vimos um surpreendente declínio de 60% no tamanho das populações de mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios em pouco mais de 40 anos, de acordo com o Living Planet Report 2018 da WWF. As principais ameaças às espécies identificadas no relatar diretamente a atividades humanas, incluindo perda e degradação de habitat e uso excessivo de vida selvagem, como sobrepesca e caça excessiva.

O relatório apresenta uma imagem preocupante do impacto que a atividade humana tem sobre a vida selvagem, as florestas, os oceanos, os rios e o clima do mundo. Estamos diante de uma janela de fechamento rápido para ação e da necessidade urgente de todos – todos – de repensar e redefinir coletivamente a forma como valorizamos, protegemos e restauramos a natureza.

“Este relatório soa como uma advertência em nossa proa”, disse Carter Roberts, presidente e CEO da WWF-US. “Sistemas naturais essenciais para nossa sobrevivência – florestas, oceanos e rios – continuam em declínio. A vida selvagem ao redor do mundo continua a diminuir. Isso nos lembra que precisamos mudar de rumo. É hora de equilibrar nosso consumo com as necessidades da natureza e proteger o único planeta que é a nossa casa ”.

NOSSO PLANETA VIVO, NUM RELANCE

60%

Populações de mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios diminuíram em média 60% entre 1970 e 2014, o ano mais recente com dados disponíveis.

50%

Estima-se que a Terra tenha perdido cerca de metade de seus corais de águas rasas nos últimos 30 anos.

20%

Um quinto da Amazônia desapareceu em apenas 50 anos.

US $ 125 trilhões

Globalmente, a natureza fornece serviços no valor de cerca de US $ 125 trilhões por ano, além de ajudar a garantir o fornecimento de ar fresco, água limpa, alimentos, energia, remédios e muito mais.

 

Ainda temos tempo para agir.

Para garantir um futuro sustentável para todos os seres vivos, precisamos urgentemente conter a perda da natureza. O maior desafio – e a maior oportunidade – está em mudar nossa abordagem ao desenvolvimento e lembrar que proteger a natureza também ajuda a proteger as pessoas.

O WWF está trabalhando com governos, empresas e comunidades para reduzir as emissões de carbono, prevenir a perda de habitat e promover políticas para combater as mudanças climáticas. Estamos focados em proteger a vida selvagem e conservar recursos naturais como florestas, oceanos, água doce e pastagens. E estamos explorando novas maneiras de alimentar nossa população sem prejudicar o meio ambiente.

Em última análise, o mundo precisa se unir para fazer um acordo global para salvar a natureza.

Fonte:https://www.worldwildlife.org/pages/living-planet-report-2018

Presidente Bolsonaro ameaça acelerar os licenciamentos ambientais

20181029153134469326iLicenciamento ambiental está sendo ameaçado pela bancada ruralsita de mudar ainda nesta legislatura. A bancada rualista procurou o presidente Bolsonaro, para propr alterações na  Lei d Licenciamento ambiental.

O presidente tem afirmado que dará celeridade aos licenciamentos das hidrelétricas. O presisente Boldonaro ,  tem dado sinais de que pretende avançar nos processos que envolvem licenciamentos ambientais. A tendência é judicializar esses processos.

O presidente do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico (FMASE), Marcelo Moraes, afirmou que nos últimos anos novas regras foram impostas, tornando o licenciamento ambiental mais burocrático e moroso
O plano de governo do presidente eleito Jair Bolsonaro para a área ambiental ainda não está claro, mas a expectativa de agentes do setor elétrico ligados à pauta ambiental é de que haja maior abertura ao diálogo, de maneira que seja possível acelerar o processo de licenciamento. Para o presidente do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico (FMASE), Marcelo Moraes, uma esperada conversa mais aberta pode permitir a retomada da discussão sobre novas hidrelétricas com reservatórios.

 

 

“A gente sabe que o viés do novo presidente é um pouco mais liberal do ponto de vista ambiental, então a gente vê, de certa forma, com bons olhos, de um lado, mas também com certa preocupação, por outro. Acho que tem mais a ganhar do que perder”, disse Moraes, em breve comentário. Ele lembrou da possibilidade, já aventada pela equipe de Bolsonaro, de fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, mas demonstrou otimismo com a possibilidade de maior celeridade do processo de licenciamento, “mantendo a segurança e mantendo todas as prerrogativas ambientais”.

 

Moraes afirmou que nos últimos anos novas regras foram impostas, tornando o licenciamento ambiental mais burocrático e moroso. E destacou, no setor elétrico, a suspensão do processo de licenciamento da usina São Luiz do Tapajós, no Pará, e uma resolução da Agência Nacional de Águas (ANA) impedindo qualquer nova outorga na Bacia do Rio Paraguai, sem qualquer análise prévia. Agora, vislumbra a possibilidade de retomada das discussões sobre a construção de hidrelétricas com reservatórios que considera “uma dádiva”. “Talvez dois ou três países no mundo podem ter ainda exploração de potencial hidrelétrico, o Brasil é um deles, e estamos praticamente impedidos de fazer novas hidrelétricas, seja do porte que for, até PCHs com dificuldade”, disse.

 

Com base na expectativa de uma conversa “mais aberta, mais franca” com diversas frentes – governo, setor elétrico, Organizações não-governamentais (ONGs), Ministério Público e Justiça -, o dirigente defendeu um “maior equilíbrio na relação entre setor produtivo e setor ambiental”. “Acho que no governo Bolsonaro vamos ter uma oportunidade nova de começar um diálogo diferente”, disse, defendendo “a convivência harmoniosa entre o desenvolvimento econômico do País e essa preservação ambiental”.

Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/economia/2018/10/29/internas_economia,766846/fmase-quer-acelerar-processo-de-licenciamento-de-hidreletricas-no-novo.shtml

50 000 pessoas por ano morrem no Brasil de doenças relacionadas à poluição

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Em países de baixa renda, 87% dos menores de 5 anos são expostos

Publicado em 29/10/2018 – 13:01

 

Por Vinícius Lisboa – Repórter da Agência Brasil  Rio de Janeiro

Um relatório divulgado hoje (29) pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que 93% das crianças e adolescentes respiram ar com nível de partículas finas acima do que é considerado recomendável para a saúde. A situação é mais grave em algumas regiões do mundo como a Ásia e a África e também nos países de renda média e baixa.

A publicação do relatório antecede a realização da Primeira Conferência Global da Organização Mundial de Saúde sobre Poluição do Ar e Saúde, que começa amanhã na Suíça. O tema do encontro é “Melhoria da Qualidade do Ar, Combate às Mudanças Climáticas”.

Nos países com renda baixa e média, 98% dos menores de 5 anos são expostos a níveis maiores do que é recomendado para a saúde, enquanto nos países de renda elevada, o percentual é de 52%.

 

Na África e no Mediterrâneo Oriental, 100% das crianças com menos de 5 anos estão expostas a níveis acima do recomendável.

No continente americano, países de renda baixa e média, como o Brasil, expõem 87% das crianças menores de 5 anos a esses níveis de partículas finas.

Mortes

Além da poluição das grandes cidades, as crianças muitas vezes estão expostas a partículas geradas dentro de suas próprias casas, provocadas pela queima de combustíveis como carvão e querosene.

Cerca de 3 bilhões de pessoas ainda dependem de combustíveis e equipamentos poluentes para cozinhar e se aquecer no mundo. Mulheres e crianças costumam passar mais tempo ao redor dessas fontes de calor, expostas à fumaça, o que resulta em concentrações de poluentes que chegam a ser seis vezes mais altas que o ambiente ao redor.

A organização estima que essa exposição resultou em 3,8 milhões de mortes prematuras em todo o mundo, o que supera a mortalidade causada por malária, tuberculose e Aids combinadas. Destas mortes, 400 mil atingiram menores de 5 anos.

No Brasil, a OMS estima que 50 mil pessoas morrem por ano de doenças relacionadas à poluição do ar. Quase 10% da população do país ainda queima madeira para cozinhar, o que contribui para a exposição à poluição.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2018-10/oms-93-das-criancas-respiram-poluicao-acima-do-recomendavel

O mundo está preocupado com os rumos da política do meio ambiente no Brasil

 

desmtamento

 

Os cientistas do clima estão emitindo seu mais dramático aviso de que a humanidade tem apenas 12 anos para reduzir as emissões ou sofrer as consequências do perigoso aquecimento global. Se os países não começarem a plantar árvores e cortar os combustíveis fósseis agora, disseram, então será impossível evitar um aumento de mais de 0,5ºC, o que erradicará completamente todos os corais do mundo e perturbará irreversivelmente os sistemas climáticos, provocando secas e inundações. e calor extremo que empurrará centenas de milhões para a pobreza.

Começando na Grã-Bretanha, o modelo industrial do capitalismo de carbono tem extraído há muito tempo minerais e recursos orgânicos, e descarregando os resíduos no ar, mar e terra. À medida que mais nações se desenvolviam, exportavam seu estresse ambiental para o próximo país, subindo a escada econômica.

Agora que esse paradigma está sendo replicado pelo país mais populoso do mundo, a China, há muito poucos lugares para absorver o impacto. A competição pelo que resta está crescendo. Então é violência e extremismo.

 

Bolsonaro tem o apoio de líderes do agronegócio e da mineração, que estão esfregando as mãos de alegria com a perspectiva de uma Amazônia desnudada de suas maiores proteções . Os mercados – que são fortemente impulsionados pelas indústrias extrativas – também o amam. O principal índice de ações e a taxa de câmbio do real subiram após a vitória na primeira rodada. Um editorial do Wall Street Journal endossou-o como um ” populista conservador “.

Tais políticos neofascistas não devem ser dispensados ​​de bom grado. Eles são os pistoleiros das indústrias que trabalham contra o acordo de Paris e outros acordos internacionais que visam evitar novas catástrofes ambientais, que atingem os mais duramente os mais pobres. Seu “anti-globalismo” é, antes de tudo, anti-natureza e anti-futuro. Uma abordagem de extração primeiro pode trazer benefícios econômicos a curto prazo, já que os amigos e doadores de campanha limpam mais florestas, abrem plantações e extraem mais minas – mas os lucros são concentrados enquanto o estresse ambiental é compartilhado.

Bolsonaro tem o apoio de líderes do agronegócio e da mineração, que estão esfregando as mãos de alegria com a perspectiva de uma Amazônia desnudada de suas maiores proteções . Os mercados – que são fortemente impulsionados pelas indústrias extrativas – também o amam. O principal índice de ações e a taxa de câmbio do real subiram após a vitória na primeira rodada. Um editorial do Wall Street Journal endossou-o como um ” populista conservador “.

Tais políticos neofascistas não devem ser dispensados ​​de bom grado. Eles são os pistoleiros das indústrias que trabalham contra o acordo de Paris e outros acordos internacionais que visam evitar novas catástrofes ambientais, que atingem os mais duramente os mais pobres. Seu “anti-globalismo” é, antes de tudo, anti-natureza e anti-futuro. Uma abordagem de extração primeiro pode trazer benefícios econômicos a curto prazo, já que os amigos e doadores de campanha limpam mais florestas, abrem plantações e extraem mais minas – mas os lucros são concentrados enquanto o estresse ambiental é compartilhado.

Já estamos vendo um fosso crescente entre políticos e cientistas. Enquanto os últimos pedem uma ação climática mais ambiciosa, os primeiros sabem que receberão mais fundos de campanha se se opuserem aos cortes de emissões, apoiarem as indústrias extrativas e enfraquecerem os regulamentos de poluição. Não são apenas ditaduras. A Grã-Bretanha está avançando com o fracking, a Alemanha com carvão e a Noruega com exploração de petróleo.

Em algum momento, os eleitores perceberão que o estresse ecológico está no centro dos problemas atuais do mundo. O aha! O momento pode ser quando a água cresce proibitivamente cara, ou as safras fracassam devido a ondas de calor sucessivas, ou a crise de refugiados desencadeia a guerra, mas em algum momento a fraqueza dos homens fortes será aparente, e as pessoas buscarão mudanças. O perigo é que, então, pode ser tarde demais. Tanto o clima quanto a política terão ultrapassado um ponto crítico, levando ao caos social e à transformação de populistas em ditadores para toda a vida.

Isso ainda não é inevitável, mas os riscos estão aumentando. O que ficou mais claro do que nunca é que a melhor maneira de evitar o colapso climático e ecológico é votar em líderes que fazem disso uma prioridade. Será impossível consertar a economia a menos que você primeiro conserte o ambiente. O instinto global para mudanças radicais está certo, mas a menos que isso seja voltado para a reconstrução ecológica, as democracias do mundo podem se extinguir antes que os corais o façam.

 Jonathan Watts é o editor de ambiente global do Guardian

Como podemos nos mobilizar para limitar o aquecimento global em 1,5ºC?

energia solar1

Limitar o aquecimento global em 1,5°C é um tremendo desafio, mas de enfrentamento ainda possível, segundo a ciência climática. A limitação do aquecimento traria muitos cobenefícios e custaria muito menos do que a posterior remediação dos danos. Analisamos aqui o que precisa ser feito em cada setor da economia responsável pelas emissões de gases de efeito estufa para que esta limitação seja possível.

 

Em 2015, quando os governos de todo o mundo adotaram o Acordo de Paris pelo clima do nosso planeta, solicitaram aos cientistas do IPCC uma análise dos impactos que a humanidade sofreria caso o aquecimento global chegasse a 1,5°C e, também, uma análise das maneiras pelas quais seria possível aos países cumprir a meta de manutenção do aquecimento global abaixo desta temperatura.

 

Pois bem, os milhares de cientistas de todo o mundo reunidos no IPCC entregaram estas análises em outubro de 2018, em um relatório especial que busca responder (i) quais são os impactos de um aquecimento global de 1,5oC e de um aquecimento de 2oC? O que é necessário para limitar o aumento da temperatura em 1,5oC? E quais são os trade-offs com as metas de desenvolvimento sustentável da ONU?

 

Tentamos aqui sintetizar as ações que precisam ser feitas em cada setor para que o aquecimento global não ultrapasse os 1,5oC. Esta não é uma síntese do relatório do IPCC, mas somente uma guia para sua compreensão. O Sumário para Formuladores de Políticas do relatório do IPCC pode ser lido aqui.

 

 

Qual é o tamanho do desafio?

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Manter o aumento da temperatura média global sob 1,5°C será um empreendimento massivo com implicações para todos os setores da economia – mas ainda é uma meta alcançável.

 

Os cientistas desenvolveram diferentes cenários possíveis para os níveis futuros de emissão de gases de efeito estufa ano a ano, conhecidos como “trajetórias”. Nas trajetórias compatíveis com um aumento da temperatura limitado em 1,5°C, o mundo tem que ser neutro em carbono por volta do meio deste século, ou seja, nestes cenários a humanidade não poderia mais adicionar dióxido de carbono (CO2) à atmosfera já em 2050. Isto dependeria de um corte sem precedente nas emissões de CO2 e, também, de cortes rápidos das emissões dos demais gases de efeito estufa. Uma resposta fraca ou tardia fará com que a temperatura média global ultrapasse os 1,5°C, e que dependamos mais e mais de tecnologias capazes de extrair CO2 da atmosfera (que são ainda arriscadas, não comprovadas e muitas vezes bastante caras) para baixar a temperatura da Terra. Sem nenhuma ação adicional pelo clima, o aquecimento global ultrapassará os 1,5°C já por volta de 2040.[1]

 

Mantermo-nos dentro da meta de 1,5°C dependerá de cortes nas emissões rápidos e profundos em todos os setores responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa. Delineamos abaixo uma série de medidas de corte de emissão que poderiam ajudar a cumprir esta meta, agrupadas nos seguintes setores: oferta de energia, uso da terra, indústria, transporte e edificações. No último trecho deste texto delineamos também as opções para a remoção de CO2 da atmosfera. Achamos importante observar que todos os setores têm opções sobre quanto e como cortar suas emissões, mas as escolhas de um determinado setor afetarão os demais.

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Cada um de nós, individualmente, terá que mudar seu comportamento para contribuir com a limitação do aquecimento global em 1,5°C. Como? Mudando a dietas de modo a reduzir o consumo de carnes, reduzindo o desperdício de comida, usando menos os carros e mais o transporte público, usando equipamentos mais eficientes e instalando melhores sistemas de isolamento térmico para dependermos menos de aparelhos de ar condicionado, nas regiões quentes, e de aquecedores de ambiente, nas regiões frias. Mas é bom ressaltar que estas mudanças comportamentais, embora relevantes, não suficientes por si só. A economia tem que mudar.

 

 

O que precisa ser feito na oferta de energia

 

O setor energético – o conjunto de atividades econômicas que extrai recursos como petróleo, gás natural e carvão, gera eletricidade, produz combustíveis como gasolina, diesel e etanol, e transporta a energia para onde ela é usada – é responsável por cerca de 35% das emissões globais de gases de efeito estufa, o que faz do setor o que mais emite estes gases.[2] No Brasil de 2016, este setor foi responsável por 19% das emissões do país. O setor é o terceiro em importância no Brasil, atrás apenas da agropecuária e das mudanças no uso do solo[3].

 

Cortar estas emissões rapidamente será essencial para mantermo-nos na meta de 1,5°C. Como outros setores terão que fazer mais uso da eletricidade para substituir combustíveis fósseis como o petróleo, o carvão e o gás, será importante assegurar que o suprimento de eletricidade venha de fontes de energia de baixas emissões de CO2(muitas vezes referidas como de “baixo carbono”). Isto depende de cortes no uso de combustíveis fósseis e do crescimento do uso de fontes de energia de baixo carbono.

 

Cortes no uso de energia

 

Para limitarmos o aquecimento global em 1,5°C, o uso de combustíveis fósseis tem que cair rapidamente. Isto é particularmente importante para o carvão, que deve ser praticamente abandonado até mais ou menos 2040.[4] Mas o uso do petróleo também precisa cair ao longo do século. E o uso do gás natural deve ser pequeno por volta de 2100, embora em algumas trajetórias de emissão o uso do gás deva cair imediatamente.

 

O uso da captura e estocagem de carvão (CCS) – o grupo de tecnologias que busca capturar os gases gerados pela queima dos combustíveis fósseis e os estocar em rochas – poderia, em teoria, permitir que tanto o gás quanto o carvão sejam usados ainda por algum tempo sem que se ultrapasse o limite de 1,5°C. Mas as tentativas de desenvolvimento concreto destas possibilidades têm falhado sistematicamente. Pelo menos 32 projetos de termelétricas a carvão com captura e estocagem de CO2 foram cancelados ou suspensos em todo o mundo, e somente dois estão em operação.[5]

 

Alcançar a meta de 1,5°C será muito mais fácil, barato e disruptivo se os governos de todo o mundo tomarem medidas imediatas para a substituição dos combustíveis fósseis por fontes limpas de energia. O investimento continuado em termelétricas movidas a combustíveis fósseis implicará cortes futuros mais drásticos e rápidos. Isto será mais difícil e acabará gerando “ativos podres”, como termelétricas a carvão e a gás que não poderão mais operar – fazendo com que os investidores não sejam mais capazes de gerar os rendimentos necessários para cobrirem seus custos e terem algum retorno.

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A esperança vem de iniciativas como a Powering Past Coal Alliance[6] criada em 2017 por 21 países, estados, empresas e cidades comprometidos com o fim do uso de termelétricas tradicionais movidas a carvão. Em setembro de 2018, a Aliança já tinha 74 membros, incluindo 29 países, com uma significativa participação de estados, cidades e empresas dos EUA contrárias à retórica usada pela administração Trump em apoio ao carvão.

 

Desde 2010 foram cancelados no mundo 1.705 projetos de construção de termelétricas a carvão.[7] O primeiro país a se comprometer com o abandono gradativo, mas total, do carvão foi o Reino Unido, em 2015. Desde aquele momento, a proporção da eletricidade gerada no Reino por meio da queima de carvão caiu rapidamente, e a fonte foi responsável pelo atendimento de menos de 7% da demanda de 2017.[8]

 

O rápido crescimento da energia de baixo carbono

 

A energia de baixo carbono, que inclui as fontes solar, eólica (dos ventos), biomassa, nuclear, hidro e geotérmica, precisa crescer rapidamente para preencher o vazio deixado pela declínio no uso dos combustíveis fósseis e, provavelmente, atender à crescente demanda por eletricidade que ajudará o mundo a se manter dentro do limite de 1,5°C.

 

Existem diferentes maneiras pelas quais as fontes de energia de baixo carbono podem vir a atender as necessidades energéticas globais. A maioria das trajetórias sugere que as energias solar e da biomassa se expandirão rapidamente e estarão entre as mais importantes. Existe uma incerteza maior sobre quanto de energia nuclear será necessária – sendo que algumas trajetórias sugerem que esta será uma fonte importante de energia outras sugerem que esta não será necessária.[9]

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Como um possível benchmark, a eletricidade gerada pelos ventos e pelo Sol podem ter que continuar seguindo as taxas recentes de crescimento (entre 25% a 30%) até 2025, de acordo com uma publicação científica recente. Depois disso, o crescimento destas pode se ralentar para algo entre 4% e 5%, o que levaria a uma total descarbonização da geração de eletricidade global por volta de 2050.[10]

 

Esta transição está bem encaminhada: em 2016, 24% da eletricidade global já veio de fontes renováveis,[11] fazendo do conjunto destas fontes a segunda maior fonte de eletricidade depois do carvão.[12] Em 2016, o mundo tinha 32 vezes mais capacidade de geração solar e cinco vezes mais capacidade eólica que em 2007.[13]

 

Os custos das energias solar e eólica estão caindo rapidamente. Entre 2010 e 2017, o custo de produção da eletricidade via eólica nos continentes caiu da ordem de 25%, enquanto o custo da geração em grande escala da eletricidade de fonte solar caiu 73%.[14]

energia solar

Os custos destas fontes renováveis são comumente competitivos com os do carvão. Os custos médios da geração de eletricidade por carvão foram, em 2017, de entre US$ 50 a US$ 73 por MWh. Enquanto isso, o custo médio global da produção eólica em terra foi da ordem de US$ 67/MWh, e de entre US$ 56 e US$ 86/ MWh para a fonte solar fotovoltaica.[15] No final de 2017, os mais baixos preços das energias solar e eólica foram de US$21/MWh e US$19/MWh, ambos conseguidos pelo México.[16] Dentro dos próximos 15 anos é provável que seja mais barato construir uma nota usina solar ou eólica do que usar termelétricas a gás já existentes.[17]

 

O apoio governamental será importante para dar confiança aos investidores na transição para as energias limpas. O governo da Índia, por exemplo, definiu como meta a instalação de 175 GW de capacidade de geração renovável de eletricidade até 2022.[18]No ultimo ano, a Índia investiu mais em energia renovável do que em energia fóssil, mais que dobrando o investimento em geração de eletricidade solar, e investiu valores recordes na geração eólica em terra.[19]

 

Infelizmente no Brasil os sinais dados pelo governo ao mercado não são tão claros. Em certos momentos são realizados leilões de compra específicos para energia renovável, em outros, os responsáveis pelo planejamento sinalizam em favor de térmicas a gás, por exemplo. O resultado disto é que a tendência da matriz elétrica neste século é de queda na participação da hidroeletricidade – de 87% em 2000 para 66% em 2016 – e de aumento da termeletricidade fóssil, de 9% para 17% no mesmo período. [20] Isto, porém, não impediu um aumento importante da geração de eletricidade por usinas eólicas, que cresceu 55% contra um crescimento de 6% na geração hidrelétrica e uma queda de 28% na geração térmica fóssil neste século.[21]

 

O armazenamento de eletricidade será também crucial para a transição energética. Como algumas fontes renováveis de energia – como a eólica e a solar – são intermitentes, armazenar a energia gerada por estas fontes pode assegurar que o suprimento sempre atenda à demanda. A tecnologia de armazenamento está se desenvolvendo e se expandindo rapidamente. E os custos rapidamente decrescentes, a necessidade de manutenção da qualidade do ar, as regras contra a poluição e as políticas climáticas provavelmente continuarão pressionando pela sua expansão.

 

 

O que precisa ser feito no uso da terra

 

A superfície dos continentes e sua biodiversidade podem tanto absorver quanto emitir gases de efeito estufa, de modo que as decisões sobre como as terras são usadas terão grande papel na determinação do aquecimento global exceder ou não 1,5°C. As atividades ligadas ao uso da terra – Agricultura, Florestamento e outros usos da terra são agrupadas no jargão das negociações climáticas internacionais como setor AFOLU (na sigla em  inglês). Este setor, atualmente, emite mais do que absorve gases de efeito estufa, e é responsável por 24% das emissões globais.[22] No Brasil, as emissões somadas da atividade agropecuária e da mudança no uso da terra chegam a 73% das emissões em 2016.[23]

 

Mas reduzir as emissões não é a única consideração necessária neste setor. As terras e a biodiversidade nelas existente também precisam prover alimento para as pessoas e os animais, habitats para a vida selvagem e biomassa para a energia. Além disso, elas também precisam seguir provendo outros serviços vitais para os seres humanos, como água e ar limpos, controle de enchentes e polinização de culturas agrícolas – os chamados serviços ecossistêmicos.

 

É possível cortar as emissões do uso da terra de muitas maneiras, mas cada escolha tem consequências. Por exemplo, a expansão das florestas remove o CO2 da atmosfera, mas reduz a área disponível para a agricultura. Plantar árvores e outros cultivos para queimá-los para a geração de energia, ao mesmo tempo em que se captura e se estoca nas rochas terrestres o CO2 gerado (a bioenergia com captura e estocagem de carbono, ou BECCS), aumenta a pressão por terras e água, compete com a produção de alimentos e pode comprometer a qualidade do ar local.

 

Duas abordagens podem nos ajudar a manter o aquecimento global sob 1,5°C: proteger e expandir os ecossistemas que estocam carbono, e introduzir práticas agrícolas que reduzem as emissões do uso da terra.

 

Proteção de florestas e solos

 

Florestas e solos estocam grandes quantidades de carbono. O estado destes ecossistemas terá uma influência importante no nível do aquecimento que enfrentaremos.

 

O que as pessoas comem é um fator relevante na determinação do estado das florestas e dos solos. A produção de carne, frutos do mar, ovos e laticínios é responsável por entre 56% e 58% das emissões geradas pela produção de alimentos, apesar desta produção contribuir com somente 37% das proteínas e 18% das calorias consumidas pelas pessoas.[24] Os alimentos que geram a maioria das emissões incluem a carne de bovinos e ovinos e a produção de queijos – sendo que as emissões da produção da carne bovina é aproximadamente 25 vezes maior que as emissões da produção do equivalente em tofu, e mais de 60 vezes maior do que a da produção de legumes e frutas secas.

 

Quanto mais carnes, peixes, laticínios e ovos as pessoas comerem, mais difícil será limitar o aquecimento global em 1,5°C, portanto a redução do consumo destes alimentos faria uma grande diferença. Reduzir o consumo de carne de mais de 100 gramas por dia para menos de 50 gramas por dia pode cortar as emissões de uma pessoa em 35%. Mudar para uma dieta vegetariana poderia cortar as emissões pessoais em 47%, e mudar para uma dieta vegana poderia reduzir estas emissões em 60%, de acordo com um estudo de 2014.[25]

 

Reduzir o desperdício de comida também pode ajudar na redução das emissões de CO2, por meio da redução da quantidade de comida que precisa ser produzida. Hoje, um terço dos alimentos produzidos em todo o mundo são desperdiçados. As emissões deste desperdício são maiores do que todas as emissões da Índia.[26] Cortar o desperdício de alimentos pela metade até 2030 é um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU.[27]

 

Políticas públicas para a proteção florestal podem ajudar na redução de emissões. A Costa Rica é um bom exemplo de como é possível reverter o impacto da agropecuária: em 1943 as florestas cobriam 77% do país; nas décadas seguintes, a produção agrícola e pecuária reduziu as florestas de modo tal que, em 1986, somente 41% da área da Costa Rica era coberta por florestas; mas então o país começou a regenerar suas florestas; os subsídios para a pecuária foram removidos, a pressão por áreas de pasto caiu, ao mesmo tempo em que a produção da pecuária caia em um terço; como resultado deste processo, em 2012 as florestas haviam já se recuperado em parte e cobriam 52% da área do país.[28]

 

Desafio de Bonn é um esforço global que busca restaurar 150 milhões de hectares desmatados e degradados em todo o mundo até 2020, e 350 milhões de hectares até 2030.[29] Estima-se que isto possa absorver o equivalente a 7% das emissões provenientes do uso de combustíveis fósseis (veja mais sobre o potencial de absorção de carbono das florestas e dos solos no último trecho deste texto).[30]

 

Práticas que podem cortar emissões do uso da terra

 

Também é possível cotar as emissões do uso da terra sem mudar a destinação dada às terras. O carbono estocado nos solos pode ser aumentado por meio de várias técnicas de restauração de solos degradados e de preparo para o cultivo.[31] Um exemplo é o plantio direto muito usado no Brasil.

 

Aumentar a eficiência da agricultura e da produção florestal poderia também reduzir a área total utilizada, o que reduziria as emissões e permitiria a expansão das florestas. Uma opção seria intensificar a produção agropecuária, embora se esta intensificação não for feita de maneira sustentável pode vir a criar outros problemas como a degradação de solos, a poluição por pesticidas e a redução do bem-estar animal.

 

A geração de energia por meio da queima de biomassa pode ter sua eficiência aumentada por meio do uso de resíduos da agricultura e da produção florestal, como o bagaço de cana e resíduos de cultivos, de colheitas ou de serrarias. Um exemplo disso é a usina de geração combinada de calor e energia que é alimentada pela queima de biomassa e que fornece calor a uma rede distrital de aquecimento da cidade de Pfaffenhofen, Alemanha. Em 2014, a planta substituiu a queima de resíduos de serrarias pela queima de resíduos da produção florestal, e esta mudança cortou suas emissões de CO2 em aproximadamente 70 mil toneladas por ano.[32]

 

O que precisa ser feito na indústria

 

A indústria é diretamente responsável por 21% das emissões globais, embora este número possa ser ainda mais alto se forem contabilizadas as emissões da geração de eletricidade e de calor utilizados no setor.[33]

 

Para o mundo se tornar neutro em carbono até 2050, estas emissões precisarão cair nitidamente. Algumas maneiras pelas quais estas emissões podem ser reduzidas são discutidas a seguir.

 

Mudança para a eletricidade e outros combustíveis limpos

 

Já que a produção de eletricidade deve ser limpa até 2050 para que seguremos o aquecimento global em 1,5°C, a indústria será comumente capaz de cotar suas emissões de CO2 usando mais eletricidade, ao invés de combustíveis fósseis para suprir suas demandas energéticas.

 

Um exemplo disso é a fabricação de aço, na qual fornos de arco elétrico podem substituir os altos-fornos tradicionais. Fornos de arco elétrico convertem sucata em aços de alta qualidade por meio de um processo que usa menos energia do que o da produção de aço em altos-fornos. A participação do uso de fornos de arco elétrico na produção total de aço nos EUA aumentou de 38% para 61% entre 1991 e 2010.[34]

 

Onde a eletricidade não é opção, a indústria pode migrar para combustíveis mais limpos, como a biomassa, substituindo particularmente o carvão. Por exemplo, o primeiro fabricante de cimento do Senegal substituiu parcialmente o carvão pela biomassa. Desde 2013, os frutos de árvores de Jatropha e outros resíduos de biomassa entregam até 35% do calor demandado pela fábrica de cimento, o que evita a emissão de 54 mil toneladas de CO2 por ano.[35] O hidrogênio, que pode ser separado da água com o uso de eletricidade, é um outro combustível limpo que poderia ser mais usado na indústria.[36]

 

Cortando emissões de processos industriais

 

A indústria também precisará fazer um uso amplo da captura e estocagem de carbono (CCS) para ser possível manter o aquecimento global em 1,5°C. Isto será particularmente importante em setores nos quais outras mudanças não podem eliminar inteiramente as emissões, como a produção de cimento, de ferro e aço. Mas até agora o desenvolvimento de CCS tem sido lento; medidas governamentais – que incluem a precificação de carbono – podem ser um possível caminho para esta mudança.

 

Outras inovações serão também essenciais. Por exemplo, grande parte das emissões de CO2 da produção de alumínio vem dos anodos de carbono usados durante o derretimento do minério. Um novo desenho do anodo, desenvolvido pela Alcoa e a Rio Tinto, tem o potencial de cortar emissões, somente no Canadá, em 6,5 milhões de toneladas de CO2 por ano.[37]

 

Aumentando a eficiência e reduzindo os resíduos

 

Sem ação climática a indústria seguirá aumentando seu consumo de energia. Evitar um aquecimento superior a 1,5°C dependerá da limitação deste aumento. Medidas de eficiência energética poderiam ajudar. Entre estas a redução de resíduos, mudanças para tecnologias mais modernas e captura e reuso de calor.

 

Por exemplo, um programa de eficiência energética desenvolvido para a indústria chinesa cortou 400 milhões de toneladas de CO2 em cinco anos.[38] O programa 1,000 Energy-Consuming Enterprises introduziu metas para a economia de energia, auditorias e sistemas de relato, além de incentivos e investimentos.

 

O corte do uso de materiais industriais também contribuiria para a redução de emissões. Existem várias maneiras para fazer isso, incluindo o projeto de produtos de maior durabilidade, redução das perdas de material durante a manufatura, projeto de produtos que demandem menor quantidade de materiais e aumentem a capacidade de reciclagem e remanufatura (na qual velhos produtos podem ser restaurados até novas condições de uso, um parte-chave da ideia de economia circular).

 

Por exemplo, o aumento do uso de aço reciclado poderia cortar as emissões em aproximadamente 75% para cada tonelada de sucata reciclada. 64% do consumo de aço europeu já vem da reciclagem da sucata – esta proporção poderia aumentar com uso de mais aço reciclado na construção civil, nas embalagens e na fabricação de equipamentos. E outras regiões do mundo poderiam também aumentar a reciclagem de aço.[39]

 

Quanto à remanufatura, seu potencial é elevado, mas em grande parte não realizado. Somente 1,9% da produção manufaturada da União Europeia é composta de produtos remanufaturados, mas só esta pequena fração evita a emissão de 8,3 milhões de toneladas de CO2 por ano,[40] o que é aproximadamente equivalente às emissões anuais de todos os carros da Bélgica. A Volvo tem remanufaturado componentes deste 1945, quanto uma escassez de matéria prima levou a empresa a criar um sistema de trocas. Por meio da remanufatura, a Volvo deixou de usar 780 toneladas de aço e 300 toneladas em 2015. A remanufatura de uma caixa de câmbio emite 36% menos CO2 do que a produção de uma caixa nova.[41]

 

 

O que precisa ser feito no transporte

 

O transporte é responsável por 14% das emissões globais de CO2.[42] Três quartos destas emissões vêm dos veículos que trafegam nas rodovias de todo o mundo,[43]embora a contribuição da aviação e da navegação esteja aumentando.

 

Existem duas principais maneiras pelas quais é possível cortar as emissões do transporte – fazer um transporte mais limpo e reduzir a demanda por transporte.

 

Tornar o transporte mais limpo

 

Veículos mais eficientes podem ser construídos para reduzir o consumo de combustíveis. Exemplos incluem a injeção direta de combustíveis, que torna os motores mais eficientes, e geradores/motores de partida integrados, que desligam motores e lâmpadas em momentos específicos. O uso de materiais mais leves, como a fibra de carbono, reduz o peso dos veículos, enquanto a redução do arrasto, o uso de estruturas mais leves e rodas menores também aumentam a eficiência.[44] Para veículos de transporte de mercadorias, melhorias da eficiência podem ser combinadas com melhorias nas cadeias de suprimento, na logística e nas rotas.

 

A eletrificação poderia cortar em muito as emissões de veículos de passageiros e ajudar a manter alcançável a meta de 1,5°C. Se por volta de 70% dos veículos forem elétricos em 2050, as emissões anuais globais de CO2 serão reduzidas em aproximadamente 3,3 bilhões de toneladas – o equivalente a 8% das atuais emissões totais.[45] Quinze países já anunciaram planos para acabar com a venda de carros movidos a diesel e gasolina e 20 cidades já definiram datas para banir veículos não elétricos[46].

 

Existem agora mais de quatro milhões de veículos elétricos de passageiros nas ruas de todo o mundo, incluindo 400 mil ônibus elétricos. As vendas estão se acelerando rapidamente: praticamente nenhum destes veículos tinha sido vendido antes de 2011, e da ordem de dois milhões deles estão agora sendo vendidos a cada ano.[47] Se espera que este crescimento exponencial continue: a venda anual de veículos elétricos alcançará 11 milhões de veículos em 2025 e 30 milhões em 2030, segundo projeção da BNEF.[48] A China será responsável por grande parte deste crescimento, com 50% da venda global de carros elétricos em 2025.

 

Vários governos estão investindo em estações de carregamento de baterias para encorajar as pessoas a usar veículos elétricos. Alguns exemplos:

– O governo chinês tem planos de construção de 4,8 milhões de estações de carga até 2022, o que requererá investimentos da ordem de US$ 1,9 bilhão em infraestrutura.[49]

– O governo do Reino Unido anunciou em julho de 2018 um fundo de investimento em infraestrutura de carga de baterias de £ 400 milhões em apoio às empresas que querem instalar pontos de carga.[50]

– A California Public Utility Commission aprovou projetos de carga de baterias no valor de US$ 738 milhões em junho de 2018.[51]

– A New York Power Authority se comprometeu em maio de 2018 a investir até US$ 250 milhões na construção de infraestrutura para veículos elétricos.[52]

 

É difícil alimentar veículos comerciais pesados com eletricidade, mas a tecnologia para isto está avançando. Caminhões elétricos e veículos comerciais leves têm sido testados em projetos de demonstração apoiados por iniciativas governamentais na Califórnia, Suécia, Alemanha e Holanda.[53] As montadoras Tesla, Daimler, Volvo, Renault Caminhões e VW planejam comercializar caminhões elétricos em 2022.

 

Por outro lado, as projeções das emissões da aviação e da navegação mostram que estas devem crescer da participação atual de 20% nas emissões totais do setor de transporte global, em 2018, para 34% em 2060.[54] O corte destas emissões será um desafio particular. Isto porque se espera que a demanda por estes dois modos de transporte cresça rapidamente, e sabe-se que é difícil substituir os combustíveis fósseis utilizados por aviões e navios por combustíveis limpos, ou substituir estes modos de transporte por outros alternativos. Biocombustíveis avançados, hidrogênio e baterias podem ser parte da solução, mas precisarão ser combinados com melhorias de eficiência. Estes setores não são cobertos pelo Acordo de Paris e ambos estão desenvolvendo planos para o corte de suas emissões.

 

Cortar a demanda por transporte

 

Mudanças comportamentais podem ser mais importantes para o setor de transporte do que para qualquer outro setor, e precisam ser apoiadas por políticas públicas e regulações. Estas mudanças podem ser divididas entre aquelas que reduzem a demanda por transporte, por exemplo por meio da implantação de cidades mais caminháveis e do teletrabalho, e aquelas que mudam a demanda em direção a modos mais eficientes de transporte de pessoas e mercadorias, como ônibus, bondes e trens.

 

Um planejamento urbano efetivo é crucial para que estas soluções tenham sucesso. As cidades precisarão de projetos que tornem mais fácil o abandono dos carros em favor de caminhadas, das bicicletas ou do transporte de massa. O planejamento integrado do uso do solo urbano e dos sistemas de transporte pode diminuir as jornadas e até evitar parte dos deslocamentos.[55] A cobrança pelos congestionamentos e outras políticas que desencorajam o uso do carro particular, enquanto encorajam o uso do transporte público, podem ajudar a reduzir o uso do carro. A cidade de Portland, no Oregon, EUA, é líder na integração dos planejamentos urbano e de transporte. Enquanto a cidade crescia rapidamente, esta se focou no desenvolvimento e no encorajamento do uso do transporte público, e também em evitar o espalhamento da malha urbana, dando ênfase no adensamento populacional e ao uso misto das proximidades das vias e estações do Sistema de transporte público.[56]

 

 

O que precisa ser feito nas edificações

 

A construção e o uso das edificações são diretamente responsáveis por 6% das emissões globais de gases de efeito estufa – porcentagem que pode ser ainda maior se contabilizarmos as emissões da geração da eletricidade e das outras fontes de energia eventualmente utilizadas nas edificações.[57]

 

A uso de energia nas edificações cresce à medida em que crescem as populações e estas têm suas rendas aumentadas – tendências que implicam usos incrementais de condicionamento ambiental e de outros equipamentos, particularmente nos países em desenvolvimento. Este crescimento deve continuar, aumentando a pressão sobre os esforços de redução de emissões de gases de efeito estufa. A maneira pela qual o mundo suprirá esta demanda crescente ajudará a determinar se o aquecimento global poderá ser limitado em 1,5°C.

 

Subindo os padrões para as novas edificações

 

Será importante definir padrões de eficiência mais elevados para as novas edificações de modo a reduzir a demanda por energia, particularmente aquela utilizada para o condicionamento ambiental e a calefação. Padrões mais elevados podem ser alcançados por meio de melhorias no isolamento térmico das edificações, e com o emprego de aparelhos e sistemas de ar condicionado e de calefação mais eficientes.

 

Um exemplo do progresso nesta matéria vem da Dinamarca, onde as regras para o consumo de energia das novas edificações estão entre as mais estritas do mundo.[58]Como resultado destas regras, as casas construídas desde 2008 usam metade da energia usada nas construídas antes de 1977.[59]

 

Tornando as edificações existentes mais eficientes

 

Uma grande proporção dos edifícios hoje existentes ainda será usada em 2050, particularmente nos países desenvolvidos. Estas edificações têm que ser transformadas em edificações mais eficientes para que cortem seu consumo de energia e ajudem a manter o aquecimento global limitado em 1,5°C. O ‘retrofit’ das edificações existentes pode reduzir dramaticamente seu consumo de energia. Em prédios de apartamentos ou escritórios, a economia de energia de um ‘retrofit’ pode chegar a 90%, enquanto em edificações isoladas as reduções podem chegar a 75%.[60] Mas estas melhorias acontecerão somente se os governos introduzirem e colocarem em prática códigos de edificação mais restritivos quanto ao consumo de energia.

 

Um exemplo: o Kuyasa Project[61] da Cidade do Cabo, na África do Sul, fez o ‘retrofit’ de mais de 2,3 mil casas de famílias de baixa renda, instalando aquecedores solares de água, lâmpadas eficientes e isolamento térmico de tetos. As medidas proporcionaram casas mais quentinhas e água quente, evitaram a emissão de aproximadamente 7 mil toneladas de CO2 por ano, além de reduzirem significativamente as contas de energia das famílias.

 

Um código de eficiência energética implantado na cidade do México, o qual certificou inicialmente 40 edificações, economizou a emissão de 66 mil toneladas de CO2. O código prevê a instalação de aquecimento solar de água, de iluminação eficiente e de isolamento térmico.[62]

 

Cortando o consumo de energia dos equipamentos

 

Eletrodomésticos – como refrigeradores e máquinas de lavar – são responsáveis pela maioria do consumo de energia das residências, embora eletrônicos como TVs e computadores tenham uma participação crescente neste consumo.[63] O crescimento da renda global tem levado mais pessoas a usar mais eletrodomésticos, os quais tornarão mais difícil o corte das emissões de gases de efeito estufa. Mas se os eletrodomésticos continuarem tendo sua eficiência aumentada, o consumo total de energia pode até cair.

 

Regras de eficiência energética tiveram até agora um efeito que alguns consideram dramático. Por exemplo, os produtos cobertos pelas regras de eficiência energética na Coreia do Sul se tornaram 59% mais eficientes entre 1996 e 2010, uma melhoria anual equivalente a 3,4%. A eficiência dos refrigeradores nos EUA melhorou a uma taxa media anual ainda mais alta – 4% ao ano – entre 1989 e 2010.[64]

 

Entretanto, muitos dos atuais padrões são muito fracos – em muitos casos os modelos mais eficientes são 50% mais eficientes que o requerido pelos padrões.

 

 

É possível remover CO2 da atmosfera?

 

Para manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C, as emissões globais de gases de efeito estufa terão que cair a zero por volta de meados deste século. Mas algumas emissões de redução difícil devem persistir, e podem ser compensadas por medidas deliberadas para a remoção de CO2 da atmosfera, o que resultaria em zerar as emissões líquidas.[65] Se os cortes de emissão forem lentos e não conseguirem brecar o aquecimento global em 1,5°C, mais remoções de CO2 serão necessárias para trazer a temperatura media do planeta de volta a abaixo dos 1,5oC.

 

É altamente improvável que a remoção de CO2 seja capaz de prover mais que uma menor parte das mudanças necessárias para trazer as emissões líquidas a zero. As atividades humanas atualmente lançam da ordem de 41 bilhões de toneladas de CO2por ano[66] enquanto algumas abordagens para a redução de CO2 podem ser capazes de remover entre 12 e 13 bilhões de toneladas de CO2 por ano, com o agravante de demandarem grandes porções de terra e energia, o que indica que estes níveis teóricos de remoção têm alcance pouco prováveis.

 

Uma série de métodos de remoção de CO2 tem sido estudada, incluindo o reforço dos ecossistemas que absorvem carbono, o cultivo de biocombustíveis e a captura de carbono emitida quando da sua queima, ou o uso de processos químicos e industriais para a captura direta de CO2 da atmosfera.

 

Plantando mais árvores

 

Aumentar a quantidade de florestas por meio da restauração de áreas recentemente desmatadas (reflorestamento) e plantando árvores para criar novas florestas (florestamento) é uma via relativamente barata de remoção de CO2 da atmosfera. E têm as vantagens de prover habitats para a vida selvagem e reduzir a erosão e inundações.

 

Mas existem desafios para o emprego do plantio de árvores como método para a remoção de CO2 da atmosfera. A abordagem pode requerer quantidades significativas de terra – tanto quanto 50% da área arável global, de acordo com algumas estimativas.[67] Além disso, as florestas precisam ser mantidas indefinidamente para impedir que o CO2 retorne à atmosfera.

 

Outras mudanças no uso da terra para a absorção de CO2 incluem a restauração de pastos e ecossistemas costeiros como mangues e salinas.

 

Estocando carbono no solo

 

A adição de carvão vegetal ao solo para nele estocar carbono, prática conhecida como biocarvão, poderia ser uma maneira de remover CO2 da atmosfera. Isto poderia, potencialmente, remover o equivalente a 6% das emissões globais.[68]

 

Mudanças no cultivo da terra podem também estocar mais carbono no solo. Estas incluem o plantio direto, no qual resíduos das culturas são deixados no campo, o aumento da dispersão de esterco animal no solo, e a manutenção de uma cobertura contínua de vegetação ao invés de deixar os campos nus depois das colheitas. Estas abordagens podem também enriquecer o solo e prevenir a erosão.

 

Estas mudanças podem ser mais baratas, mas demandam manutenção indefinida para que se evite o retorno do carbono à atmosfera. Em algumas trajetórias que vislumbram cortes rápidos das emissões, a necessidade da remoção de CO2 pode ser inteiramente obtida por estas atividades e pela plantação de árvores.

 

Bioenergia com captura e estocagem de carbono

 

Pode vir a ser possível capturar o CO2 da atmosfera por meio da captura dos gases emitidos quando da queima de biomassa para a geração de energia, ou quando do seu uso para a produção de combustíveis como o etanol, e então estocar estes gases no subsolo. Esta ideia é conhecida como captura e estocagem de carbono (BECCS) e a grande maioria das trajetórias do IPCC que limitam o aquecimento em 1,5°C usa um pouco mais ou um pouco menos BECCS.

 

As tecnologias BECCS podem ser capazes de absorver uma fração significativa das emissões feitas pela humanidade: alguns cálculos sugerem até um terço das atuais emissões.[69] Mas isto pode requerer uma quantidade muito grande de terra para o cultivo de biocombustíveis,[70] o que pode colocar pressão adicional sobre ecossistemas e a produção de alimentos – algumas estimativas sugerem entre um quarto e metade das terras aráveis de todo o mundo, apesar que a inovação pode ser capaz de reduzir esta demanda por área.

 

Existem poucos incentivos financeiros para o desenvolvimento das BECCS e o progresso tem sido lento. Atualmente somente um único projeto demonstrativo de grande escala está em operação no mundo. O projeto, em Decatur, no estado norte-americano de Illinois, captura CO2 da produção de etanol e injeta o gás no subsolo.[71]

 

Captura direta de CO2 do ar

 

Alguns dispositivos capturam diretamente CO2 da atmosfera. A tecnologia não precisa de grandes quantidades de terra, o que pode fazer mais fácil seu uso em grande escala, e é atualmente proibitivamente cara, além de demandar muita energia. Remover da ordem de 30% das atuais emissões anuais humanas de CO2, por exemplo, poderia requerer o equivalente a 30% do atual uso de energia.[72]

 

Como as BECCS, tecnologias de captura direta de CO2 não existem em larga escala, somente em alguns poucos e pequenos projetos. As empresas que atualmente desenvolvem projetos deste tipo são:

  • a Climeworks, uma empresa suíça que tem instalações na Islândia, lançou a primeira planta comercial do tipo em 2017[73] e vende créditos de captura de CO2.[74] Os consumidores podem pagar para a empresa capturar dióxido de carbono do ar e estocá-lo no subsolo, o que significa que, em princípio, o carbono fica permanentemente retirado da atmosfera.
  • e a Carbon Engineering, uma empresa canadense que produz combustíveis usando o CO2 capturado do ar.[75] Estes combustíveis podem potencialmente serem usados em substituição aos combustíveis fósseis, cortando assim emissões.

Intemperismo intensificado

 

A pulverização de rochas para aumentar sua área superficial pode aumentar a taxa de absorção de CO2 dissolvido na água da chuva. Este processo é conhecido como intemperismo intensificado. As estimativas mais altas do potencial desta ideia sugerem uma capacidade de remoção de até 7% das emissões atuais.[76] Embora os custos e o uso de energia possam ser menores do que os da captação direta de CO2 do ar, e as necessidades de terra serem relativamente baixas, seria necessário processar aproximadamente duas toneladas de rocha por tonelada de dióxido de carbono armazenado, o que implica mineração em grande escala.[77]

 

Fertilização oceânica

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Existem várias maneiras para aumentar o armazenamento de CO2 no oceano. Adicionar nutrientes à água ou aumentar a taxa de mistura de águas profundas com águas superficiais pode fazer com que as plantas marinhas absorvam mais CO2. Mas o potencial destas técnicas é relativamente pequeno e estas podem causar problemas significativos nos ecossistemas oceânicos.[78]

 

[1] https://www.nature.com/articles/s41561-018-0156-y

[2] https://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar5/wg3/drafts/fgd/ipcc_wg3_ar5_summary-for-policymakers_approved.pdf

[3] http://seeg.eco.br/wp-content/uploads/2018/08/Relatorios-SEEG-2018-Sintese-FINAL-v1.pdf

[4] https://www.nature.com/articles/s41558-018-0091-3#Sec15 Supplementary Figure 14

[5] http://sequestration.mit.edu/tools/projects/index_cancelled.html

[6] https://poweringpastcoal.org/

[7] https://docs.google.com/spreadsheets/d/1TmGMtqoUnUlxQ0Z8kDwBob5nV-W4Y2EWwgrq2RE3yR8/edit#gid=0

[8] https://www.ft.com/content/437c4e8a-efc0-11e7-ac08-07c3086a2625

[9] https://www.nature.com/articles/s41558-018-0091-3#Sec15 Supplementary Figure 14

[10] Kuramochi, Takeshi, et al. “Ten key short-term sectoral benchmarks to limit warming to 1.5 C.” Climate Policy 18.3 (2018): 287-305.

[11] https://www.iea.org/publications/renewables2017/

[12] https://webstore.iea.org/world-energy-outlook-2017

[13]http://www.irena.org/-/media/Files/IRENA/Agency/Publication/2017/Mar/IRENA_RE_Capacity_Statistics_2017.pdf

[14]http://irena.org/-/media/Files/IRENA/Agency/Publication/2018/Jan/IRENA_2017_Power_Costs_2018.pdf

[15] Bloomberg New Energy Finance

[16] https://about.bnef.com/blog/long-term-clean-energy-optimism-short-term-caution/

[17] https://data.bloomberglp.com/bnef/sites/14/2017/09/BNEF-Summit-London-2017-Michael-Liebreich-State-of-the-Industry.pdf p.94

[18] IRENA (2017), Renewable Energy Prospects for India, a working paper based on REmap. The International Renewable Energy Agency (IRENA), Abu Dhabi.

[19]IEA, World Energy Investment 2018

[20] http://seeg.eco.br/wp-content/uploads/2018/08/Relatorios-SEEG-2018-Sintese-FINAL-v1.pdf

[21] Idem referência acima

[22] https://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar5/wg3/drafts/fgd/ipcc_wg3_ar5_summary-for-policymakers_approved.pdf p8

[23] Idem referência 20

[24] http://science.sciencemag.org/content/360/6392/987

[25] https://www.researchgate.net/publication/263353807/download

[26]http://www.fao.org/fileadmin/templates/nr/sustainability_pathways/docs/FWF_and_climate_change.pdf

[27] https://sustainabledevelopment.un.org/sdg12

[28] http://wriorg.s3.amazonaws.com/s3fs-public/WRI_Restoration_Diagnostic_Case_Example_Costa_Rica.pdf

[29] http://www.bonnchallenge.org/content/challenge

[30] https://www.sei-international.org/mediamanager/documents/Publications/Climate/SEI-WP-2016-08-Negative-emissions.pdf

[31] http://science.sciencemag.org/content/304/5677/1623?ijkey=69da9114089ea6ae63346864c0333289b6664635&keytype2=tf_ipsecsha

[32] Wood Waste to Energy – A Case Study for Zero Waste SA

[33] https://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar5/wg3/drafts/fgd/ipcc_wg3_ar5_summary-for-policymakers_approved.pdf p8

[34] https://www.eia.gov/todayinenergy/detail.php?id=27292

[35] https://aera-group.fr/gallery/sococim/

[36] http://www.diva-portal.org/smash/get/diva2:1073841/FULLTEXT01.pdf

[37] https://www.nature.com/articles/d41586-018-05158-1

[38]  2014: Industry. In: Climate Change 2014: Mitigation of Climate Change. Contribution of Working Group III to the Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, Ch10.11.1 (p782) https://web.archive.org/web/20140722233728/http://www.climateworks.org/imo/media/doc/Knowledge%20Series%20China%20Clean%20Economy.pdf

[39] http://climatestrategies.org/wp-content/uploads/2014/10/20141014-steel-report—final-formatted-4.3.pdf

[40] http://www.remanufacturing.eu/assets/pdfs/remanufacturing-market-study.pdf

[41] http://publications.lib.chalmers.se/records/fulltext/252053/252053.pdf

[42] https://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar5/wg3/drafts/fgd/ipcc_wg3_ar5_summary-for-policymakers_approved.pdf p8

[43]https://www.iea.org/publications/freepublications/publication/CO2EmissionsfromFuelCombustionHighlights2017.pdf

[44] http://www.eesi.org/topics/vehicle-efficiency/description

[45] http://www.carbontracker.org/wp-content/uploads/2017/02/Expect-the-Unexpected_CTI_Imperial.pdf

[46] Países: Áustria, China, Finlândia, França, Alemanha, Índia, Irlanda, Países Baixos, Noruega, Escócia, Eslovênia, Sri Lanka, Suécia, Reino Unido e Taiwan. Cidades: Atenas, Auckland, Barcelona,Bruxelas, Cidade do Cabo, Copenhagen,Heidelberg, Londres, Los Angeles, Madri, Cidade do México,  Milão, Oxford, Paris, Quito, Roma, Seattle, Estocolmo, Taipei e Vancouver.

[47] https://about.bnef.com/blog/cumulative-global-ev-sales-hit-4-million/

[48] https://about.bnef.com/electric-vehicle-outlook/#toc-download

[49] https://www.ft.com/content/f9aece28-d65f-11e7-8c9a-d9c0a5c8d5c9

[50] https://www.gov.uk/government/news/management-of-400-million-electric-vehicles-charge-fund-opens-to-bidders

[51] http://docs.cpuc.ca.gov/PublishedDocs/Published/G000/M215/K380/215380424.PDF

[52] https://www.governor.ny.gov/news/governor-cuomo-announces-250-million-initiative-expand-electric-vehicle-infrastructure-across

[53] https://webstore.iea.org/global-ev-outlook-2018

[54]https://www.theicct.org/sites/default/files/publications/Beyond_Road_ZEV_Working_Paper_20180718.pdf

[55] http://ledsgp.org/wp-content/uploads/2016/01/SUTP_GIZ_FS_Avoid-Shift-Improve_EN.pdf

[56] http://www.ecotippingpoints.org/our-stories/indepth/usa-portland-sustainable-regional-planning.html

[57] https://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar5/wg3/drafts/fgd/ipcc_wg3_ar5_summary-for-policymakers_approved.pdf

[58] https://www.iea.org/policiesandmeasures/pams/denmark/name-22142-en.php

[59] https://www.eesi.org/articles/view/denmark-a-model-of-a-low-carbon-prosperous-economy

[60] Climate Change 2014: Mitigation of Climate Change. Contribution of Working Group III to the Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, Ch9 (p690)

[61] http://i2ud.org/2012/09/kuyasa-clean-development-project-south-africa/

[62] https://issuu.com/c40cities/docs/urbanefficiencyii_final_hi_res__1_

[63] Climate Change 2014: Mitigation of Climate Change. Contribution of Working Group III to the Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, Ch9 (p683)

[64]https://www.iea.org/publications/freepublications/publication/4E_S_L_Report_180915.pdf

[65] https://www.nature.com/articles/nclimate2572

[66] http://www.globalcarbonproject.org/carbonbudget/17/highlights.htm

[67] https://www.nature.com/articles/nclimate2870

[68] https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/gcb.13178

[69] https://www.nature.com/articles/nclimate3369

[70] https://www.nature.com/articles/nclimate2870

[71] https://www.energy.gov/fe/articles/doe-announces-major-milestone-reached-illinois-industrial-ccs-project

[72] https://www.nature.com/articles/nclimate2870

[73] http://www.climeworks.com/wp-content/uploads/2017/05/02_PR-Climeworks-DAC-Plant-Case-Study.pdf

[74] http://www.climeworks.com/historic-carbon-dioxide-removal-contracts-signed/

[75] http://carbonengineering.com/news/

[76] https://www.nature.com/articles/nclimate2870

[77]https://royalsociety.org/~/media/Royal_Society_Content/policy/publications/2009/8693.pdf

[78]https://royalsociety.org/~/media/Royal_Society_Content/policy/publications/2009/8693.pdf