Winnie Mandela “A Mãe da Nação teria restaurado a dignidade dos Negros”

wi e juO ex-líder da juventude do ANC Malema – um crítico contudente do presidente deposto Jacob Zuma – era próximo  de Winnie Madikizela-Mandela e tem o mesmo apelo direto.

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Ele foi expulso do CNA depois de ter sido condenado por discursos de ódio e criou a EFF em 2013, que cresceu para ser forte o suficiente para ser um ‘fazedor de rei’ nas eleições do governo local em 2016.

 

Um porta-voz do ANC não atendeu seu telefone quando a Reuters ligou para pedir comentários sobre as declarações de Malema.

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Winnie Madikizela-Mandela fez uma campanha incansável pela libertação do marido Nelson Mandela da prisão e emergiu como uma proeminente heroína  da libertação, mas seu legado foi mais tarde manchado por alegações de violência.

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Ela estava entre os candidatos a vice-presidente do ANC em 1997, uma posição que a teria preparado para um papel de liderança nacional, mas desistiu de sua candidatura depois de não conseguir apoio suficiente.

“A Mãe da Nação teria restaurado a dignidade dos negros”, disse Malema, adotando um epíteto amplamente usado na mídia sul-africana para refletir o respeito pela oposição declarada de Winnie Madikizela-Mandela ao regime do apartheid.

 

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Alguns sul-africanos  concentraram-se nos capítulos mais sombrios de seu passado, incluindo a condenação por sequestro e agressão de um ativista encontrado com a garganta cortada perto de sua casa em Soweto.

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“Que ela descanse em paz por todo o grande trabalho que fez”, disse Esther Shabangu, residente em Joanesburgo.

“Eu gostaria que todas nós, como mulheres, assumíssemos o legado que ela deixou para os negros neste país”.

Malema disse que a condenação de Winnie Madikizela-Mandela em 1991 foi uma farsa e prometeu que a FEP lutaria pelos direitos dos sul-africanos negros com a mesma destemida que o forte anti-apartheid.

“A lança caiu”, disse Malema. “Estamos aqui para pegar a lança.”

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Nomzamo Winnie Madikizela-Mandela foi uma combatente que nunca fez acordo com o inimigo

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Milhares de sul-africanos prestaram ontem homenagem ao “espírito combativo” de Winnie Mandela com uma série de eventos dedicados à vida da lutadora contra o regime do apartheid e ex-mulher de Nelson Mandela, falecida domingo à tarde, por doença, aos 81 anos.

Apoiantes recordam Winnie com músicas de intervenção
Fotografia: DR

Muitas pessoas afluem à casa de Winnie Mandela, para homenagear a ex-mulher do ex-Presidente sul-africano, também já falecido.
Tanto o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, que lidera o Congresso Nacional Africano (ANC), como o líder da oposição, Julius Malema, fundador dos Combatentes da Liberdade Económica (EFF, esquerda radical), que se tornou o confidente de Winnie Mandela nos últimos anos, saudaram a memória da militante do ANC.winie malema e cyril
As exéquias oficiais acontecem no dia 14 de Abril, anunciou Ramaphosa.
A liga das mulheres do ANC, que Winnie Mandela dirigiu no passado, organizou ontem uma marcha até ao seu domicílio, no Soweto.
Winnie e Nelson Mandela personificaram durante mais de 30 anos a luta contra o regime racista da África do Sul. A fotografia do casal, de mãos dadas, à saída de Nelson Mandela da prisão em 1990 após 27 anos atrás das grades, simbolizou uma vitória na luta contra o apartheid, que só foi oficialmente abolido em 1994.
Além de se destacar na luta antiapartheid, Winnie tornou-se uma figura controversa. A mulher que foi apelidada de “mãe da nação” encorajou a violência durante a luta contra o regime segregacionista e o seu discurso violento e as acusações de homicídio contra o seu guarda-costas afastaram-na do marido.
Nelson Mandela e Winnie, que se casaram em 1956, divorciaram-se em 1996, dois anos depois de Nelson Mandela se tornar no primeiro Presidente negro da África do Sul.
Frequentemente criticada pelo ANC, Winnie Mandela apoiava a actual liderança do partido, que o ex-marido levou ao poder após as primeiras eleições pós-apartheid em 1994.
Na segunda-feira à noite, logo após a fatídica notícia, o Presidente sul-africano, Cyrill Ramaphosa, deslocou-se à casa de Winnie Mandela no Soweto, onde os seus partidários estavam reunidos e cantavam músicas de intervenção.
“Na cultura africana, cantamos quando estamos feridos”, disse Winnie Ngwenya, 64 anos, líder da liga feminina do ANC, à agência AFP.
Uma das suas últimas aparições públicas remonta à última conferência nacional do ANC, em Dezembro, em Joanesburgo, onde foi saudada com aplausos.
Algumas semanas depois, foi hospitalizada devido a uma infecção renal e teve alta dez dias mais tarde antes de ser internada novamente no fim de semana passado.

Chissano defende que Mário Soares foi um lutador pela independência das colonias portuguesas

Joaquim Chissano2.jpgChissano reagia à morte do antigo Chefe do Estado português

Um amigo da África portuguesa, um homem de liberdade e combatente da ditadura. São as palavras de Joaquim Chissano para lembrar aquele com quem nos últimos anos privou várias vezes.

Referindo-se à obra do político português, o antigo estadista moçambicano lembrou o informalismo e o contacto humano de Mário Soares nas negociações do Acordo de Lusaka, em 1974, o que ajudou a desbloquear a tensão entre a ex-colônia e o Estado Português. Para Chissano, Mário Soares foi, também por via disso, um lutador pela independência das colônias portuguesas.

Já sem cargos governamentais, Soares e Chissano desenvolveram uma amizade e trabalharam juntos em organizações internacionais. Graças a essa amizade, o fundador do Partido Socialista português, no papel de jornalista, entrevistou Joaquim Chissano, em 2001.

O antigo presidente de Portugal foi apoiante da ideia de criação da CPLP, a comunidade que hoje congrega todos os países falantes da língua portuguesa.

Além disso, Chissano recordou também que a cooperação econômica entre Moçambique e Portugal iniciou com Mário Soares, na altura Chefe de Estado.

 

http://opais.sapo.mz/index.php/politica/63-politica/43157-chissano-defende-que-mario-soares-foi-um-lutador-pela-independencia-das-colonias-portuguesas.html

Os Recados das Eleições na África do Sul

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Os resultados das eleições municipais na África do Sul realizadas na última quarta-feira introduziram mudanças significativas no xadrez político da pátria de Nelson Político. Pela primeira vez desde que o Congresso Nacional Africano (ANC) ascendeu ao poder, em 1994, o histórico partido mobilizou menos de 60% da preferência dos cidadãos. Por sua vez, ao obter mais 40% dos votos, a oposição alcançou o melhor resultado de sempre, infligindo pela via democrática um golpe suficientemente duro para estremecer as estruturas do ANC. Com os citados resultados o país mais ao sul do continente africano assiste ao redesenhar do mapa político a nível do poder local. Doravante, o ANC passará a ver nos partidos Aliança Democrática (DA) e Economic Freedom Fighters (EFF) dois fortes candidatos a quebrarem a hegemonia que alcançou aquando das primeiras eleições democráticas da era pós-apartheid.

Depreende-se, para já, o fim do ciclo de eleições com vencedores antecipados. O ANC está claramente a enfrentar momentos menos bons. O envolvimento de membros do partido em escândalos de corrupção e o desgaste da imagem pública do Presidente Jacob Zuma terão contribuído para o pior resultado eleitoral obtido pelo lendário partido. É acentuado o índice de insatisfação pelo desempenho de Jacob Zuma que, amparado pela maioria parlamentar, escapou em Abril a uma moção de destituição. Antes porém, foi obrigado pelo Tribunal Constitucional a devolver aos cofres do Estado mais de 15 milhões de dólares gastos com benfeitorias na sua residência privada. O pedido de desculpas endereçado pelo Presidente à nação não bastou para apagar o facto da memória colectiva.

Observadores da cena política sul-africana estimam que apoiantes tradicionais do ANC vêm trocando este por outros partidos. É grande o desencanto face a vários incumprimentos do programa eleitoral do ANC. Vinte e dois anos depois das mudanças democráticas o desemprego mantém-se altos em patamares. A criminalidade e a deficiente segurança pública continuam a figurar entre os problemas de primeira linha. Enquanto isso, a classe média diminuiu o poder aquisitivo. A política do black empowrement (empoderamento) ficou aquém das expectativas, além de ter sido beliscada também por episódios de corrupção. Para parte significativa dos cidadãos a elite política demarcou-se das promessas de redobrar a luta por justiça social, diminuição da pobreza e direitos iguais. A crise económica consubstanciada na desvalorização do rand, a moeda local e a consequente diminuição do poder compra da população contribuíram para o quase descalabro do ANC.

A Aliança Democrática, principal partido da oposição que representava a elite branca na era do apartheid ganha o rótulo de grande vencedora das eleições municipais, embora o ANC tenha ganho no cômputo geral. Actualmente liderado por Mmusi Maimane, primeiro negro a desempenhar tal função, Aliança que já administrava Cape Town, cidade sede do parlamento sul-africano, voltou a conquistar a preferência do eleitorado com margens expressivas. Outra conquista de realce foi testemunhada em Port Elizabeth, baptizada como Nelson Mandela Bay e que é considerada um importante polo económico e político da África do Sul.

As cidades de Pretória, capital política da África do Sul e Joanesburgo, principal centro económico-financeiro do país podem revelar igualmente resultados surpreendentes pela negativa para o ANC que nem na terra natal do presidente Zuma conseguiu assegurar a vitória. O responsável pela derrota com sabor a humilhação foi o partido Inkhata Zulu, bastante influente na região do Kwazulu Natal.

A partir dos resultados das eleições realizadas na quarta-feira o ANC deve aprender a negociar no sentido de fazer alianças políticas com vista a governar com estabilidade. Tanto a dúvida em relação ao futuro quanto a certeza de o panorama político sul-africano jamais será como antes, fazem prever um pleito eleitoral renhido em 2019. Pode ser o princípio do fim da hegemonia do ANC. O eleitorado negro que constituía a principal base de apoio do partido que ascendeu ao poder com Nelson Mandela parece ter reagido positivamente ao piscar de olhos da Aliança Democrática. O passado associado ao apartheid ficou lá atrás. Por seu turno, Julius Molema, o polémico líder do Economic Freedom Fighters e antigo presidente do braço juvenil do ANC, promete fragmentar ainda mais o partido que o projectou.

Nos próximos tempos o partido governante na África do sul vai precisar muitíssimo mais do que promessas eleitorais bem estruturadas para convencer os sul-africanos a voltarem no seu projecto de governo. Políticas públicas à altura dos gigantescos desafios do país a par de competências para implementar boas práticas de governação deverão integrar qualquer pacote que se pretenda aliciante. O eleitorado dá mostras de associar a administração ao exercício do voto. Salta à vista o amadurecimento político que permite votar em partidos com propostas diferenciadas e, desse modo, escapar a suposta lógica do voto seguro na legenda partidária do coração. À vista desarmada os resultados do último pleito eleitoral na África do Sul transmitem inequivocamente a ideia de que não basta ser histórico para vencer eleições.

Os Recados das Eleições na África do Sul

MPLA lamenta morte de dirigente do PAIGC

 

Fotografia: DR

A direção do MPLA lamentou ontem, em comunicado, a morte de Carmen Pereira, dirigente histórica e membro do bureau político do PAIGC, sublinhando que o seu desaparecimento físico constitui uma perda irreparável e deixa um enorme vazio no seio dos combatentes da liberdade e da sociedade guineense.

 

“Foi com a mais profunda tristeza que tomamos conhecimento do passamento físico da Carmen Pereira”, lê-se no comunicado assinado pelo secretário-geral, Julião Mateus Paulo “Dino Matrosse”, acrescentando que a malograda foi “uma destacada nacionalista e combatente da luta de libertação nacional, tendo dedicado toda a sua vida em defesa dos ideais da liberdade, da independência, da democracia e do progresso social da Guiné-Bissau”.
O MPLA inclina-se diante da memória de Carmen Pereira e exprime, em nome dos  militantes e simpatizantes, sentidas condolências à família e ao PAIGC. Durante o seu percurso, ocupou vários cargos políticos, entre eles a presidência da Assembleia Nacional Popular, em 1980 e em 1984. Nesse ano assumiu também a presidência da Guiné-Bissau, durante três dias, tornando-se na primeira Presidente de um país africano, na altura em que a nova Constituição foi aprovada.

Entre 1975 e 1980 foi presidente do Parlamento de Cabo Verde e da Guiné-Bissau e em Governos posteriores assumiu as pastas da Saúde (1981-83) e dos Assuntos Sociais (1990-91). Carmen Pereira esteve no sábado no Palácio do Governo, numa acção de solidariedade para com o Governo demitido a 12 de Maio pelo Presidente, José Mário Vaz. A dirigente histórica morreu sábado, aos 79 anos, na sua casa na sequência de uma indisposição súbita.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/mpla_lamenta_morte_de_dirigente_do_paigc