Chissano defende que Mário Soares foi um lutador pela independência das colonias portuguesas

Joaquim Chissano2.jpgChissano reagia à morte do antigo Chefe do Estado português

Um amigo da África portuguesa, um homem de liberdade e combatente da ditadura. São as palavras de Joaquim Chissano para lembrar aquele com quem nos últimos anos privou várias vezes.

Referindo-se à obra do político português, o antigo estadista moçambicano lembrou o informalismo e o contacto humano de Mário Soares nas negociações do Acordo de Lusaka, em 1974, o que ajudou a desbloquear a tensão entre a ex-colônia e o Estado Português. Para Chissano, Mário Soares foi, também por via disso, um lutador pela independência das colônias portuguesas.

Já sem cargos governamentais, Soares e Chissano desenvolveram uma amizade e trabalharam juntos em organizações internacionais. Graças a essa amizade, o fundador do Partido Socialista português, no papel de jornalista, entrevistou Joaquim Chissano, em 2001.

O antigo presidente de Portugal foi apoiante da ideia de criação da CPLP, a comunidade que hoje congrega todos os países falantes da língua portuguesa.

Além disso, Chissano recordou também que a cooperação econômica entre Moçambique e Portugal iniciou com Mário Soares, na altura Chefe de Estado.

 

http://opais.sapo.mz/index.php/politica/63-politica/43157-chissano-defende-que-mario-soares-foi-um-lutador-pela-independencia-das-colonias-portuguesas.html

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Os Recados das Eleições na África do Sul

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Os resultados das eleições municipais na África do Sul realizadas na última quarta-feira introduziram mudanças significativas no xadrez político da pátria de Nelson Político. Pela primeira vez desde que o Congresso Nacional Africano (ANC) ascendeu ao poder, em 1994, o histórico partido mobilizou menos de 60% da preferência dos cidadãos. Por sua vez, ao obter mais 40% dos votos, a oposição alcançou o melhor resultado de sempre, infligindo pela via democrática um golpe suficientemente duro para estremecer as estruturas do ANC. Com os citados resultados o país mais ao sul do continente africano assiste ao redesenhar do mapa político a nível do poder local. Doravante, o ANC passará a ver nos partidos Aliança Democrática (DA) e Economic Freedom Fighters (EFF) dois fortes candidatos a quebrarem a hegemonia que alcançou aquando das primeiras eleições democráticas da era pós-apartheid.

Depreende-se, para já, o fim do ciclo de eleições com vencedores antecipados. O ANC está claramente a enfrentar momentos menos bons. O envolvimento de membros do partido em escândalos de corrupção e o desgaste da imagem pública do Presidente Jacob Zuma terão contribuído para o pior resultado eleitoral obtido pelo lendário partido. É acentuado o índice de insatisfação pelo desempenho de Jacob Zuma que, amparado pela maioria parlamentar, escapou em Abril a uma moção de destituição. Antes porém, foi obrigado pelo Tribunal Constitucional a devolver aos cofres do Estado mais de 15 milhões de dólares gastos com benfeitorias na sua residência privada. O pedido de desculpas endereçado pelo Presidente à nação não bastou para apagar o facto da memória colectiva.

Observadores da cena política sul-africana estimam que apoiantes tradicionais do ANC vêm trocando este por outros partidos. É grande o desencanto face a vários incumprimentos do programa eleitoral do ANC. Vinte e dois anos depois das mudanças democráticas o desemprego mantém-se altos em patamares. A criminalidade e a deficiente segurança pública continuam a figurar entre os problemas de primeira linha. Enquanto isso, a classe média diminuiu o poder aquisitivo. A política do black empowrement (empoderamento) ficou aquém das expectativas, além de ter sido beliscada também por episódios de corrupção. Para parte significativa dos cidadãos a elite política demarcou-se das promessas de redobrar a luta por justiça social, diminuição da pobreza e direitos iguais. A crise económica consubstanciada na desvalorização do rand, a moeda local e a consequente diminuição do poder compra da população contribuíram para o quase descalabro do ANC.

A Aliança Democrática, principal partido da oposição que representava a elite branca na era do apartheid ganha o rótulo de grande vencedora das eleições municipais, embora o ANC tenha ganho no cômputo geral. Actualmente liderado por Mmusi Maimane, primeiro negro a desempenhar tal função, Aliança que já administrava Cape Town, cidade sede do parlamento sul-africano, voltou a conquistar a preferência do eleitorado com margens expressivas. Outra conquista de realce foi testemunhada em Port Elizabeth, baptizada como Nelson Mandela Bay e que é considerada um importante polo económico e político da África do Sul.

As cidades de Pretória, capital política da África do Sul e Joanesburgo, principal centro económico-financeiro do país podem revelar igualmente resultados surpreendentes pela negativa para o ANC que nem na terra natal do presidente Zuma conseguiu assegurar a vitória. O responsável pela derrota com sabor a humilhação foi o partido Inkhata Zulu, bastante influente na região do Kwazulu Natal.

A partir dos resultados das eleições realizadas na quarta-feira o ANC deve aprender a negociar no sentido de fazer alianças políticas com vista a governar com estabilidade. Tanto a dúvida em relação ao futuro quanto a certeza de o panorama político sul-africano jamais será como antes, fazem prever um pleito eleitoral renhido em 2019. Pode ser o princípio do fim da hegemonia do ANC. O eleitorado negro que constituía a principal base de apoio do partido que ascendeu ao poder com Nelson Mandela parece ter reagido positivamente ao piscar de olhos da Aliança Democrática. O passado associado ao apartheid ficou lá atrás. Por seu turno, Julius Molema, o polémico líder do Economic Freedom Fighters e antigo presidente do braço juvenil do ANC, promete fragmentar ainda mais o partido que o projectou.

Nos próximos tempos o partido governante na África do sul vai precisar muitíssimo mais do que promessas eleitorais bem estruturadas para convencer os sul-africanos a voltarem no seu projecto de governo. Políticas públicas à altura dos gigantescos desafios do país a par de competências para implementar boas práticas de governação deverão integrar qualquer pacote que se pretenda aliciante. O eleitorado dá mostras de associar a administração ao exercício do voto. Salta à vista o amadurecimento político que permite votar em partidos com propostas diferenciadas e, desse modo, escapar a suposta lógica do voto seguro na legenda partidária do coração. À vista desarmada os resultados do último pleito eleitoral na África do Sul transmitem inequivocamente a ideia de que não basta ser histórico para vencer eleições.

Os Recados das Eleições na África do Sul

MPLA lamenta morte de dirigente do PAIGC

 

Fotografia: DR

A direção do MPLA lamentou ontem, em comunicado, a morte de Carmen Pereira, dirigente histórica e membro do bureau político do PAIGC, sublinhando que o seu desaparecimento físico constitui uma perda irreparável e deixa um enorme vazio no seio dos combatentes da liberdade e da sociedade guineense.

 

“Foi com a mais profunda tristeza que tomamos conhecimento do passamento físico da Carmen Pereira”, lê-se no comunicado assinado pelo secretário-geral, Julião Mateus Paulo “Dino Matrosse”, acrescentando que a malograda foi “uma destacada nacionalista e combatente da luta de libertação nacional, tendo dedicado toda a sua vida em defesa dos ideais da liberdade, da independência, da democracia e do progresso social da Guiné-Bissau”.
O MPLA inclina-se diante da memória de Carmen Pereira e exprime, em nome dos  militantes e simpatizantes, sentidas condolências à família e ao PAIGC. Durante o seu percurso, ocupou vários cargos políticos, entre eles a presidência da Assembleia Nacional Popular, em 1980 e em 1984. Nesse ano assumiu também a presidência da Guiné-Bissau, durante três dias, tornando-se na primeira Presidente de um país africano, na altura em que a nova Constituição foi aprovada.

Entre 1975 e 1980 foi presidente do Parlamento de Cabo Verde e da Guiné-Bissau e em Governos posteriores assumiu as pastas da Saúde (1981-83) e dos Assuntos Sociais (1990-91). Carmen Pereira esteve no sábado no Palácio do Governo, numa acção de solidariedade para com o Governo demitido a 12 de Maio pelo Presidente, José Mário Vaz. A dirigente histórica morreu sábado, aos 79 anos, na sua casa na sequência de uma indisposição súbita.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/mpla_lamenta_morte_de_dirigente_do_paigc