MPLA, o maior partido de Angola precisa realizar transformações profundas

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A sessão foi aberta, no período da manhã de segunda feira , pelo líder do partido, José Eduardo dos Santos, que apelou para a necessidade do “reforço e manutenção da unidade de pensamento e de ação” no seio dos militantes do partido como requisitos para dar corpo ao lema “Melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”, que presidiu à campanha eleitoral de João Lourenço.
Discursando na abertura da sessão, no Complexo Turístico de Belas, José Eduardo dos Santos sublinhou que  a direcção do partido pretende que os cidadãos, os trabalhadores e as famílias tenham acesso aos bens essenciais e  sejam protagonistas das suas próprias vidas e das sociedades onde se inserem. “Que sejam no fundo cidadãos autónomos e responsáveis”, acrescentou o presidente do MPLA.
“É neste contexto que esta reunião vai analisar o Plano geral de actividades do partido para 2018”, destacou logo a seguir José Eduardo dos Santos, esclarecendo os objectivos desta primeira reunião do Comité Central depois da vitória do partido nas eleições de 23 de Agosto último.

Comité Central do MPLA esteve reunido na segunda-feira em Luanda pela primeira vez, depois das eleições gerais de 23 de Agosto, ganhas pelo partido dos “camaradas” com maioria qualificada.

A reunião do Comité Central do Partido que governa o país ocorre num momento em que os cidadãos angolanos esperam do Executivo a realização de grandes mudanças em diferentes sectores da vida nacional.
O MPLA ganhou as eleições e vai governar o país até 2022. Até 2022, o MPLA terá de proceder a transformações profundas na sociedade, em que avultam problemas complexos e diversos que precisam de ser superados com urgência.
O partido no poder sabe que tem de mudar o que está mal no nosso país e que tem a grande responsabilidade de colocar o país na rota do desenvolvimento e do bem-estar dos cidadãos. O povo voltou a escolher o MPLA para governar, na esperança de que o partido dos “camaradas”, pela sua experiência e pela qualidade dos seus quadros, pode fazer com que a vida dos angolanos melhore.
O país tem um novo Presidente da República, direta e democraticamente eleito, e que fez promessas que quer cumprir durante o seu mandato. O Presidente da República, João Lourenço, já disse ao país o que pretende fazer durante a sua governação, havendo expectativa em relação ao que concretamente o Chefe de Estado vai realizar.
O novo Presidente da República tem certamente consciência de que o povo espera muito dele, em termos de uma gestão que priorize a realização do bem comum. O Presidente da República conhece bem os problemas do país e tem já as terapias adequadas para resolver muitos dos nossos problemas. É verdade que nem tudo vai ser fácil de fazer, mas já é animador o facto do Chefe de Estado estar realmente determinado a realizar mudanças.
O MPLA tem apenas cinco anos para mostrar que é capaz de ultrapassar muitos dos problemas que afetam a vida dos angolanos. Estes problemas estão identificados. Importa agora que se trabalhe arduamente para que o que se prometeu na campanha eleitoral seja cumprido. As comunidades estão à espera de acções concretas e de resultados.
O Governo está obrigado, em virtude da atual situação econômica e social que vivemos, a realizar mudanças. É importante que os gestores públicos se apercebam que estamos a entrar num novo ciclo, que vai exigir deles muito trabalho.

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Não passou despercebido o fato do Comité Central do MPLA ter encorajado o Executivo a trabalhar de forma afincada para impulsionar as mudanças necessárias e indispensáveis nos diversos sectores da vida nacional. É positivo o fato de o Comité Central do MPLA estar alinhado com as ações do Executivo focadas no combate a muitos males de que enferma a nossa sociedade.

Sendo complexa a tarefa do Executivo, na atual conjuntura econômica, financeira e social, faz sentido que um importante órgão do partido no poder, o seu Comité Central, tome posição sobre os novos tempos ao nível da governação do país.

É o MPLA que tem a ganhar se cumprir com as suas promessas eleitorais. Os militantes do MPLA terão percebido que até às próximas eleições gerais não há muito tempo, e que se deve prestar todo o apoio ao atual Executivo, para que concretize o seu programa de governo.
Sabe-se que nem todos os militantes do partido dos “camaradas” vão gostar das mudanças que o Executivo quer empreender. Haverá inevitavelmente resistência às mudanças que o novo Presidente da República quer levar a cabo.
O que mais satisfaz os cidadãos é saber que o Presidente João Lourenço está a trabalhar em prol do bem-estar de todos os angolanos e que quer acabar com a injustiça social. Temos um Presidente que pretende governar em prol da prosperidade do país, para que todas as famílias possam viver com dignidade.

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/editorial/o_mpla_e_as_mudancas

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João Lourenço é o novo presidente de Angola

João Lourenço é hoje investido no cargo de Presidente da República, tornando-se o terceiro Chefe de Estado de Angola independente, depois de António Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos.

Presidente da República Eleito João Lourenço
Fotografia: Jaimagens | Edições Novembro

Com mais de mil convidados nacionais e estrangeiros, entre os quais 30 chefes de Estado e de Governo, a cerimónia começa com a leitura da transcrição da declaração da Comissão Nacional Eleitoral que proclama João Manuel Gonçalves Lourenço como Presidente da República de Angola eleito e do seu percurso de vida. que o Jornal de Angola publica nesta edição.João Manuel Gonçalves Lourenço toma posse hoje como Presidente da República e é o terceiro dirigente do MPLA a assumir o mais alto cargo do aparelho do Estado desde a Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975.
Numa entrevista que concedeu à agência noticiosa EFE, em Madrid, após a divulgação dos resultados na altura provisórios que já indicavam que seria o próximo Presidente da República, João Lourenço reconheceu a “situação financeira menos boa” que Angola atravessa, com quebras avultadas e sucessivas nas receitas do petróleo, que ainda é o principal produto de exportação do país.
Apesar do cenário enevoado no plano financeiro, João Lourenço prometeu “dar a volta por cima”, mas “trabalhando muito”. Vários analistas destacaram o discurso “sóbrio e a frontalidade” do então futuro inquilino do Palácio Presidencial da Cidade Alta, ao assumir-se como um “reformador ao estilo Deng Xiaoping”, tendo a paz que Angola vive há 15 anos como principal garantia nessa “difícil missão”.
“A situação financeira é menos boa devido à queda dos preços do petróleo, mas Angola é um país em paz. Um país no qual os cidadãos se reconciliaram e esta é uma vantagem em comparação com 38 anos em que o meu antecessor era o Chefe de Estado, que durante pelo menos 27 anos governou em situação de guerra”.
João Lourenço fez questão de vincar que tem perfeita noção de que governar em situação de guerra é bem mais difícil: “Felizmente enfrento esta nova fase de paz com este espírito. Vamos concentrar-nos principalmente no desenvolvimento económico e social do país”, disse João Lourenço, colocando a captação do investimento estrangeiro e a luta contra a corrupção e o nepotismo, como questões essenciais para a recuperação económica de Angola.
“Uma vez ganhas estas batalhas, vai ser mais fácil captar investimento para o país”, rematou.
Essa terá sido uma das passagens mais comentadas dessa entrevista de João Lourenço, por evidenciar traços distintivos da sua personalidade, entre os quais a coragem, elevação, foco nas questões essenciais e, acima de tudo, o elevado sentido de Estado.

O novo Presidente

Nascido no Lobito, província de Benguela, aos 5 de Março de 1954, é filho de Sequeira João Lourenço natural de Malange, enfermeiro, e de Josefa Gonçalves Cipriano Lourenço, natural do Namibe, costureira, ambos já falecidos.
Em Fevereiro deste ano, e depois de eleito vice-presidente do MPLA em Congresso, foi confirmado pelo Comité Central como candidato do partido às eleições gerais de 23 de Agosto. Nessa altura, exercia no governo o cargo de ministro da Defesa Nacional.
João Lourenço desempenhou, entretanto, várias funções de relevo no aparelho do Estado e no partido. Na sua trajectória exerceu os cargos de Governador Provincial e 1º Secretário do Comité Provincial do Partido no Moxico e em Benguela. Na antiga Assembleia do Povo, João Lourenço foi Deputado e nas Forças Armadas para Libertação de Angola (FAPLA) foi chefe da Direcção Política Nacional.
Entre os cargos de maior relevo a nível do partido, foi Secretário-Geral e Presidente da Comissão Constitucional, Secretário do Bureau Político para a Informação, Presidente do Grupo Parlamentar, Membro da Comissão Permanente e 1º Vice-Presidente da Assembleia Nacional.
João Lourenço é casado com Ana Afonso Dias Lourenço e pai de seis filhos. Tem como hobby a leitura, a equitação e o xadrez, e mantém a boa forma, praticando futebol e karaté. Para além do português, o novo inquilino do Palácio da Cidade Alta fala inglês, russo e espanhol.

Um dia na História

É comum nas democracias modernas que haja uma data definida por lei para início de cada novo ciclo governativo. Nos Estados Unidos, a cerimônia de posse do Presidente é realizada impreterivelmente a 20 de Janeiro. No Brasil, o novo inquilino do Palácio do Planalto assume o cargo no primeiro dia do ano.
Em Angola as coisas parecem encaminhar-se para aí. Apesar de nada haver em termos legais – a Constituição fala em até 15 dias após a divulgação dos resultados eleitorais definitivos-, a verdade é que o 26 de Setembro volta a fazer história como a data da investidura do Presidente da República escolhido nas urnas.
Num dia como hoje, há exactos cinco anos, e no mesmo local, João Manuel Gonçalves Lourenço é investido no cargo de Presidente da República e assume a mais alta magistratura do Estado angolano.
Da cerimónia anterior, uma única diferença: quando prestou juramento, assinou o termo de posse e recebeu do juiz-presidente do Tribunal Constitucional, a mais alta instância do poder judicial, os símbolos distintivos das novas funções, José Eduardo dos Santos sucedia a si próprio.
No discurso que fez como primeiro Presidente eleito, José Eduardo dos Santos destacou a importância da transição e da estabilidade política e social, como condições essenciais para o desenvolvimento de Angola. Hoje, 26 de Setembro de 2017, João Lourenço recebe o testemunho de José Eduardo dos Santos e inscreve o seu nome na história como terceiro Presidente da República de Angola.

 Novo inquilino do Palácio da Cidade Alta

O Palácio Presidencial da Cidade Alta, que desde 2000 passou a residência oficial do mais alto magistrado e sede do poder político, tem a partir de hoje um novo inquilino.
Nos próximos cinco anos será residência oficial do casal Ana Afonso Dias e João Manuel Gonçalves Lourenço e onde este passará a reunir-se com os seus auxiliares como Presidente da República e Titular do Poder Executivo.
Em Angola, o Presidente da República é o Chefe de Estado, o titular do Poder Executivo e o Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas. O Presidente da República promove e assegura a unidade nacional, a independência e a integridade territorial do País e representa a Nação no plano interno e internacional.
O Presidente da República exerce o poder executivo, auxiliado por um Vice-Presidente, Ministros de Estado e Ministros, que por sua vez são auxiliados por Secretários de Estado ou vice-ministros.

 Resgate do prestígio do Ministério da Defesa Nacional e relançamento da cooperação

Nomeado Ministro da Defesa Nacional em Abril de 2014, João Lourenço teve o mérito de resgatar e consolidar a dignidade e o prestígio da instituição e das Forças Armadas Angolanas.
A elevação do Ministério da Defesa Nacional e das FAA para patamares elevados e reconhecidos, por instituições regionais e internacionais, nas quais Angola tem tido o privilégio de actuar no domínio da Defesa, como garantem os seus antigos colaboradores directos é apenas um exemplo do esforço e diligências empreendidas no reforço da operacionalidade e da capacidade combativa das tropas.
Fruto do seu empenho, nas Tropas Terrestres e na Força Aérea é visível uma mudança qualitativa em meios blindados, aeronaves e outros equipamentos. Embora condicionada pelos constrangimentos de ordem económica e financeira, prossegue o redimensionamento e reequipamento da Marinha de Guerra Angolana, um projecto ambicioso e de grande envergadura, de segurança e vigilância da plataforma marítima de Angola.
No plano internacional, o ponto alto do consulado do Presidente da República eleito, à frente do Ministério da Defesa Nacional, foi o encontro de trabalho que teve, em meados do mês de Maio, na sede do Pentágono, em Washington, com o seu homólogo norte-americano, James Mitts.
Recebido com honras militares, no encontro, os dois governantes assinaram um Memorando de Entendimento, instrumento de cooperação que doravante vai permitir assinar acordos mais específicos em vários domínios da cooperação militar entre Angola e os Estados Unidos. “Encaramos a cooperação com os Estados Unidos no domínio da Defesa como algo de  muito sério. Acreditamos que ambos os países sairão a ganhar com este acordo”, declarou na ocasião.
No âmbito da cooperação militar, o mandato de João Lourenço possibilitou também o relançamento da cooperação militar com a China, outra potência militar à escala mundial, país que Angola conta para modernizar as Forças Armadas.

As conversações ao mais alto nível entre delegações de Angola e da China, chefiadas pelos ministros da Defesa dos dois países, nas cidades de Pequim, em Setembro de 2015, e Luanda, em Julho de 2017, são indicadores da disponibilidade do Executivo angolano para consolidar e estreitar a cooperação mutuamente vantajosa com a China, na base de uma nova abordagem e de uma nova dinâmica, que obedeça sempre ao princípio do respeito mútuo, tratamento e valorização equitativa dos interesses de cada país. Neste particular, o ministro da Defesa chinês, Chang Wanquan, tem dado garantias que a parceria com Angola tem como objectivo a implementação dos consensos estabelecidos entre os Chefes de Estado dos dois países para impulsionar, com maior profundidade, os laços de cooperação entre as Forças Armadas Angolanas e as chinesas. Outro exemplo do contributo no processo de modernização das FAA está na reiterada disponibilidade que a Universidade de Defesa Nacional da China, tem para cooperar com instituições de Angola ligadas ao ensino militar.
A dinâmica de trabalho implementada nos últimos três anos pelo Ministério da Defesa Nacional fez da Itália outro parceiro estratégico de Angola no seu processo de reequipamento e modernização. Em Junho de 2016, no decorrer da visita de quatro dias que efectuou àquele país europeu, João Lourenço admitiu a possibilidade de implantação de uma indústria de equipamentos militares no país. Além do encontro de trabalho que teve com a ministra da Defesa, Roberta Pinotti, a permanência do Presidente da República eleito, na Itália, serviu para consolidar alguns dos projectos iniciados em 2015 na área da segurança e vigilância marítima.
Em Março de 2017, na cidade de Madrid, numa demonstração da excelência do estado das relações bilaterais estabelecidas com a Espanha, ainda nos primórdios da Independência Nacional, o ministro da Defesa Nacional cessante e a sua homóloga espanhola, María Dolores de Cospeda rubricaram um acordo de cooperação no domínio da Defesa. Dias antes, João Lourenço havia sido recebido pelo presidente do Governo de Espanha, Mariano Rajoy, no Palácio de Moncloa.
No plano regional, nas reuniões da comissão mista de Defesa e Segurança Angola-Zâmbia, incentivou o combate ao tráfico de drogas e imigração ilegal que constituem ameaças às fronteiras comuns e preocupam as autoridades dos dois países. O mesmo sucedeu com as autoridades de Defesa da Namíbia, para desencorajar a criminalidade transfronteiriça, sobretudo o roubo de gado, falsificação de documentos, a pirataria e à ameaça de terrorismo.
O consulado do ministro cessante fica particularmente marcado pelo seu “incansável compromisso”, na qualidade de Presidente em exercício do Comité de Ministros da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos na busca de soluções duradouras para a pacificação regional, no espírito do pacto de segurança, estabilidade e desenvolvimento, particularmente em países como o Burundi, República Democrática do Congo, República Centro Africana, Sudão do Sul e Sudão.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/a_investidura_de_joao_lourenco

José Eduardo dos Santos não se recandidata a presidência de Angola e indica João Lourenço

José Eduardo dos Santos em visita de Estado a Portugal em 2009

O ministro da Defesa de Angola é o nome escolhido pelo atual presidente para o suceder

O ministro da Defesa de Angola, João Lourenço, foi indicado pelo chefe de Estado e presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, para ser o candidato do partido a Presidente da República nas eleições de 2017, avançou hoje a rádio pública angolana.

Para o número dois da lista do MPLA às eleições gerais de 2017, e candidato a vice-presidente, foi indicado e aprovado na reunião do Comité Central do partido, que se realizou hoje em Luanda, o nome do atual ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa.

Para presidente da Assembleia Nacional na lista do MPLA volta a ser proposto Fernando da Piedade dias dos Santos, que já está atualmente em funções, acrescenta a informação divulgada pela rádio estatal, que ao início da noite começou a promover debates sobre a nova liderança em perspetiva.

João Lourenço, 62 anos, é vice-presidente do MPLA desde o congresso do partido em agosto último e deverá ser apresentado publicamente como cabeça de lista do partido a 10 de dezembro, no arranque da campanha pré-eleitoral em Luanda.

Questionado em agosto pela agência Lusa, sobre se estaria preparado para ocupar a liderança partidária em caso de retirada do líder do MPLA da vida política em 2018, como anunciado anteriormente por José Eduardo dos Santos, o general João Lourenço preferiu não fazer comentários.

“Penso que é muito cedo para falarmos sobre esta matéria, prefiro prescindir de fazer comentários a respeito desta matéria”, respondeu.

José Eduardo dos Santos, chefe de Estado e líder do partido desde 1979, anunciou em março que pretende abandonar a vida política em 2018.

A Constituição angolana prevê que o cabeça de lista do partido mais votado em eleições gerais seja automaticamente nomeado Presidente da República.

“O nosso objetivo é ganhar as eleições com maioria qualificada ou no mínimo maioria absoluta e o segredo estará na disciplina, na união e coesão de todos em torno dos nossos candidatos, quer no processo da campanha eleitoral quer no momento da votação”, afirmou José Eduardo dos Santos, durante o discurso de abertura desta reunião do Comité Central de hoje.

O MPLA aprovou hoje uma resolução com o cabeça de lista do partido às eleições gerais de 2017 em Angola, mas sem oficializar o nome de João Lourenço.

A informação consta do comunicado final divulgado pelo secretário do bureau político do MPLA, Mário António, depois de concluída a segunda reunião ordinária do Comité Central, presidida por José Eduardo dos Santos, dando apenas conta que aquele órgão “aprovou” a “resolução interna sobre a designação do cabeça de lista às eleições gerais de 2017”.

Foi igualmente aprovada, segundo o comunicado lido por Mário António, a “síntese da estratégia eleitoral do MPLA”, para preparar as tarefas até às eleições de agosto do próximo ano, bem como a estrutura de coordenação da campanha e o programa de governação do partido entre 2017 e 2022, na próxima legislatura.

Contrariamente à expectativa gerada, nenhum nome de candidato foi oficializado hoje pelo partido, com uma fonte do MPLA a explicar informalmente que a decisão sobre os nomes dos candidatos não deve ser divulgada sem antes ser dada a conhecer às bases, em todo o país.

Ninguém do partido comentou qualquer nome da lista aprovada, sabendo-se apenas que, em simultâneo, o Comité Central aprovou uma moção de “incondicional apoio” a José Eduardo dos Santos, presidente do partido e chefe de Estado desde 1979, atualmente com 74 anos, “na defesa dos ideais do MPLA e dos destinos do país”.

http://www.dn.pt/mundo/interior/jose-eduardo-dos-santos-nao-se-recandidata-e-indica-joao-lourenco-5531641.html

Indecisão sobre o candidato à presidente de Angola em 2017

O presidente do MPLA e chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, afirmou hoje o objectivo do partido em vencer as eleições gerais de 2017 pelo menos com maioria absoluta, mas não esclareceu se é candidato.
“O nosso objectivo é ganhar as eleições com maioria qualificada ou no mínimo maioria absoluta e o segredo estará na disciplina, na união e coesão de todos em torno dos nossos candidatos, quer no processo da campanha eleitoral quer no momento da votação”, afirmou José Eduardo dos Santos, durante o discurso de abertura da segunda reunião ordinária do Comité Central do MPLA, que se realiza hoje em Luanda.

Contudo, e apesar da expectativa em torno do discurso e dos sinais a transmitir pelo chefe de Estado, em cerca de cinco minutos de intervenção inicial José Eduardo dos Santos voltou a não clarificar se encabeçará a lista às eleições gerais de 2017, após quase 40 anos no poder em Angola.

Alguma comunicação social angolana refere que José Eduardo dos Santos terá confirmado a intenção de não se recandidatar em 2017 na reunião do bureau político do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), realizada quinta-feira em Luanda.

O Comité Central do MPLA conta desde Agosto último com 363 membros e da ordem de trabalhos da reunião de hoje, a segunda do actual mandato, consta a apreciação da estratégia eleitoral do partido.

“O Comité Central, nesta sessão, vai aprovar a estratégia eleitoral do partido, onde estarão expressas as orientações que todas as estruturas deverão cumprir”, disse.

A actual Constituição de Angola, que é o segundo maior produtor de petróleo de África, prevê que o cabeça de lista do partido mais votado em eleições gerais (parlamento e Presidência) é automaticamente designado Presidente da República.

“Devemos trabalhar com o povo e para o povo, rumo à vitória. E celebrar condignamente o sexagésimo aniversário da fundação do MPLA, que se aproxima”, disse o líder do partido.

José Eduardo dos Santos, de 74 anos, sucedeu em 1979 ao primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, mas já integrava o primeiro Governo após o período colonial português, então como ministro das Relações Exteriores.

Em Março deste ano, igualmente no discurso de abertura de uma reunião do Comité Central do MPLA, José Eduardo dos Santos anunciou a intenção de deixar a vida política em 2018.

Contudo, já em Agosto, acabaria por ser reeleito presidente do partido, sem nunca esclarecer em que moldes seria feita a anunciada transição ou sequer se pretendia concorrer às eleições de 2017.

http://noticias.sapo.ao/info/artigo/1492093.html

Boatos sobre a saúde do presidente de Angola

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O Comité Central do partido que sustenta o Governo denunciou ontem, em comunicado, que círculos afectos a sectores da oposição ao MPLA e ao Executivo estão a servir-se das redes sociais para, uma vez mais, usando a mentira, especular, desta vez, sobre o estado de saúde do Camarada Presidente José Eduardo dos Santos.

 

“Nunca é demais repetir que, mediante o cumprimento da sua agenda, o Camarada Presidente José Eduardo dos Santos tem dirigido, pessoal e directamente, os trabalhos dos órgãos e organismos de cúpula do MPLA e do Estado, nomeadamente, as reuniões do Bureau Político (que hoje teve lugar) e do Comité Central do Partido, do Conselho de Ministros e das suas Comissões, como, por exemplo, a que ocorreu em 30 de Novembro de 2016, no Palácio Presidencial, em Luanda”, lê-se no comunicado do Comité Central do MPLA enviado ontem à imprensa.

Claro está que o objectivo número um dos inimigos da paz é o de semear a confusão no seio do povo angolano e desencorajar os investidores internos e externos, numa altura particular em que o Governo Angolano acaba de negociar, com as autoridades da República Popular da China, financiamentos que vão ajudar a alavancar a economia angolana, designadamente no sector das infra-estruturas do País e se prepara para a realização das Eleições Gerais, que terão lugar em Agosto do próximo ano.
O MPLA, Partido que sustenta o Governo, alerta todos os cidadãos e a opinião pública internacional a estarem atentos à circulação de falsas informações contra Angola, que encontram terreno fértil nas redes sociais, dando crédito, só e somente, às comunicações divulgadas pelas entidades oficiais do Estado, que nada têm a esconder.

Por outro lado, a Direcção do MPLA exorta os militantes, simpatizantes e amigos do Partido a fortalecerem a unidade e a coesão em torno do Comité Central e do Camarada Presidente José Eduardo dos Santos, “elemento essencial para vencermos os desafios que se colocam na via do fortalecimento da democracia e da melhoria constante do bem-estar de todos os angolanos”.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/denuncia__de_boatos_sobre_saude_do_presidente

MPLA, maior partido de Angola, convoca reunião do Comité Central

Luanda, 29 nov (Lusa) – O MPLA reúne sexta-feira em Luanda o Comité Central, numa altura em que o líder do partido no poder em Angola, José Eduardo dos Santos, ainda não disse se pretende recandidatar-se ao cargo de Presidente da República.

A informação com a convocatória foi confirmada hoje à Lusa por fonte do MPLA, mas sem adiantar a ordem de trabalhos da reunião deste órgão, que conta com 363 membros.

As próximas eleições gerais em Angola estão previstas para agosto de 2017 e José Eduardo dos Santos anunciou em março, também no discurso de abertura de uma reunião ordinária do Comité Central do MPLA, a intenção de abandonar a vida política ativa.

“Em 2012, em eleições gerais, fui eleito Presidente da República e empossado para cumprir um mandato que nos termos da Constituição da República termina em 2017. Assim, eu tomei a decisão de deixar a vida política ativa em 2018”, disse na altura José Eduardo dos Santos.

Contudo, já em agosto, acabaria por ser reeleito presidente do partido, não sendo ainda conhecido em que moldes será feita a anunciada transição ou sequer se pretende concorrer às eleições de 2017.

“Devemos olhar para trás e analisar o que fizemos com o necessário sentido de crítica e autocrítica, para constatarmos o que não foi bem feito. Os erros deverão ficar no passado e servir de critério para corrigirmos o presente e projetarmos o futuro. Só não erra quem não trabalha, mas o MPLA trabalha e faz, e o povo sabe. E está sempre empenhado em fazer mais e melhor”, afirmou José Eduardo dos Santos, na abertura do congresso do partido, a 17 de agosto.

Desde março que José Eduardo dos Santos não voltou ao assunto da sua sucessão, tendo apenas sido designado, ainda em agosto, o atual ministro da Defesa, general João Lourenço, para a vice-presidência do MPLA e potencial sucessor do líder.

Esta segunda reunião ordinária do Comité Central (eleito no congresso de agosto) está prevista para sexta-feira, 02 de dezembro, a partir das 09:00 (menos uma hora em Lisboa), no Complexo Turístico Futungo 2, em Luanda.

Este órgão máximo entre congressos integra, na nova composição, José Filomeno dos Santos e Welwistchea dos Santos, filhos do Presidente angolano.

A empresária Isabel dos Santos, militante e filha mais velha do chefe de Estado angolano, que a nomeou para o cargo de presidente do conselho de administração da petrolífera estatal Sonangol, ficou de fora desta lista de mais de 300 nomes, apesar de ter sido apontada como potencial candidata à sucessão de José Eduardo dos Santos.

O presidente do MPLA e chefe de Estado, de 74 anos, está no poder desde setembro de 1979, após a morte do primeiro Presidente angolano, António Agostinho Neto, tendo ocupado a pasta de ministro das Relações Exteriores de Angola logo após a proclamação da independência, a 11 de novembro de 1975.

 

Crise política em Guiné Bissau aprofunda a pobreza e o descrédito no futuro

Fotografia: DR

O PAIGC, partido vencedor das últimas eleições legislativas na Guiné-Bissau, mas arredado do poder, retirou a confiança política ao Presidente do país, José Mário Vaz, anunciou o porta-voz daquela força política, João Bernardo Vieira.

 

A decisão foi tomada numa reunião extraordinária do Comité Central realizada no sábado, numa votação que foi apoiada por 112 dos 123 presentes na sala.
A decisão visa “retirar a confiança política ao cidadão e militante José Mário Vaz por ser o principal promotor de toda a grave crise política que tem assolado o país há cerca de dois anos”, referiu João Bernardo Vieira.

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O partido suportou a candidatura de José Mário Vaz à presidência da Guiné-Bissau, mas o desentendimento tem reinado nesta legislatura, com o Presidente guineense a demitir dois Governos do PAIGC.
O PAIGC, liderado pelo ex-primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, acusa ainda o Chefe de Estado de ter atitudes que demonstram que está determinado em prejudicar o partido.

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Aquela força política vai reunir provas de violação dos estatutos por parte de Vaz e entregá-las ao conselho de jurisdição para que o órgão tome medidas.
Na mesma reunião, o PAIGC decidiu que não irá integrar o novo governo do país, que diz ser de iniciativa presidencial e por tal não estar previsto na Constituição.
O partido imputa ao Chefe do Estado a responsabilidade pelas consequências que poderão advir pelo facto de persistir na crise política ao nomear Sissoco Embaló para liderar o próximo executivo.
Enquanto isso, um movimento de cidadãos da Guiné-Bissau que se auto-intitula Vassoura do Povo diz querer afastar os políticos da governação do país e entregá-la aos cidadãos, de acordo com um membro da organização à imprensa.
A iniciativa, constituída essencialmente por jovens, culpa os políticos guineenses “pelo estado de descalabro” que dizem assolar a Guiné-Bissau e pretende, desta forma, vê-los fora das esferas de decisão durante 10 anos.

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“Todos os políticos deste país já provaram que não conseguem resolver os problemas que eles mesmos criaram e, por isso, têm que sair, têm que deixar o lugar para o povo simples assumir o que quer para si”, declarou Saturnino de Oliveira. “Nós não estamos nem do lado do Presidente da República, nem do presidente do Parlamento, nem dos líderes dos partidos PRS, PAIGC ou do grupo de 15 deputados dissidentes. Para nós, nenhum deles serve”, sublinhou Oliveira.
Saturnino de Oliveira quer um “governo popular” dirigido pelo povo e que trabalhe para o povo e diz que o movimento vai desencadear uma campanha de sensibilização da população sobre os objectivos que preconiza.
A Guiné-Bissau passa por uma crise política há mais de 15 meses e na última semana o Presidente do país, José Mário Vaz, acabou por nomear Sissoco Embaló como quinto primeiro-ministro desde as últimas eleições legislativas realizadas em 2014.
O impasse tem feito com que alguns grupos de cidadãos, sobretudo jovens, saiam à rua.
O Movimento de Cidadãos Conscientes Inconformados (MCCI) organizou durante o mês de Outubro duas manifestações em que juntou centenas de pessoas no centro de Bissau.
As manifestações foram suspensas depois da nomeação de Umaro Sissoco Embaló, na expectativa de que a nomeação do novo governo signifique o fim da crise na presente legislatura.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/paigc_nega_integrar_o_governo_de_embalo

Angola: MPLA elege Bureau Político de 47 membros

Luanda – A primeira Sessão Ordinária do Comité Central (CC) do MPLA elegeu, nesta terça-feira, o seu Bureau Político, de 47 membros.rigir

PRIMEIRA REUNIÃO DO COMITÉ CENTRAL DO MPLA, ELEITO NO VII CONGRESSO ORDINÁRIO

FOTO: FRANCISCO MIUDO

Orientada pelo presidente do partido, José Eduardo dos Santos, a sessão contou com a participação de 355 dos 363 membros que compõe o CC, eleito no VII Congresso realizado de 17 a 20 de Agosto.

Nesta reunião foram também eleitos João Manuel Gonçalves Lourenço, para o cargo de vice-presidente do partido, com 351 votos e António Paulo Kassoma, secretário-geral com 353 votos.

Carlos Alberto Ferreira Pinto e João Baptista Kussumua foram escolhidos, respectivamente, coordenador e coordenador-adjunto da Comissão de Disciplina e Auditoria do Comité Central, integrada por 23  membros.

De acordo com o comunicado final, os membros do Comité Central manifestaram total disponibilidade para a materialização dos dez desígnios da Moção de Estratégia do Líder do MPLA.

Exortaram os cidadãos maiores de idade e em particular, os militantes, simpatizantes e amigos do MPLA, a responderem com prontidão ao processo de actualização geral de dados dos cidadãos maiores e prova de vida, a ter lugar em todo o país, a partir do dia 25 de Agosto, no quadro do Registo Eleitoral.

Felicitam antecipadamente o Presidente do MPLA e da República, José Eduardo dos Santos, pelo seu 74º aniversário natalício, que se assinala no dia 28 deste mês, augurando votos de muita saúde e êxitos na condução dos destinos do partido e do país.

No quadro das comemorações dos 60 anos da fundação do MPLA a assinalar-se em Dezembro, o Comité Central recomenda desenvolver-se um amplo programa de actividades politicas, culturais, desportivas e recreativas para saudar o acontecimento.

Ainda nesta terça-feira, o Bureau Político do MPLA procedeu à eleição do seu secretariado.

Julião Mateus Paulo “Dino Matrosse” passa a assumir o cargo de secretário para as Relações Internacionais, Mário António de Sequeira e Carvalho o de secretário para Informação e Propaganda e Joana Lina Ramos Baptista secretária para Administração e Finanças, os dois últimos reconduzidos.

João de Almeida Martins mantém-se na coordenação do Secretariado para os Assuntos Políticos e Eleitorais e António Paulo Kassoma acumula o de secretário-geral e de secretário para os Quadros.

Jorge Inocêncio Dombolo é o secretário para a Organização e Mobilização, Pedro Sebastião, secretário para os Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria e Manuel Nunes Júnior, secretário para os Assuntos Económicos e Sociais.

O Bureau Político, sob proposta do Presidente do Partido, decidiu designar Roberto Victor de Almeida para exercer a função de Presidente da Fundação Sagrada Esperança.

 

A cúpula do Partido do Governo de Angola passa por renovação e autocrítica

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por Ivair Augusto Alves dos Santos
 
 
O MPLA, a maior força politica de Angola, realizou o VII Congresso Extraordinário, entre os dias 17 e 20 de agosto, com eleição de um novo Comite Central. Segundo a direção do partido houve uma renovação de 44%.
 
Foi uma oportunidade para o partido reconhecer os seus erros, fazer críticas, autocríticas, estar mais consciente de que é preciso fazer mais e melhor. O discurso de José Eduardo dos Santos no Congresso foi revelador. Falou da corrupção, da pressa no enriquecimento, no enriquecimento ilícito e do merecimento que se deve ter para se chegar aos órgãos de decisão do partido. Há que moralizar o partido, quereria dizer, e poupá-lo ao papel de trampolim para quem quer chegar de forma fácil ao dinheiro e ao poder. E mais, Dos Santos disse que é hora de deixar de parte os bons projetos que não são executados. Ele sabe que ao eleitorado vale mais uma pequena obra que mil projectos bonitos no papel.
 
O MPLA vai anunciar já na próxima terça-feira a composição do Bureau Político e do Secretariado deste que é o seu órgão de cúpula.
 
Além do presidente do partido, fazem parte do Bureau Político o vice-presidente do partido, o secretário-geral, o coordenador da Comissão de Disciplina e Auditoria do Comité Central, o presidente do Grupo Parlamentar, o primeiro secretário nacional da JMPLA e a secretária-geral da OMA.
 
Os estatutos dizem ainda que o Bureau Político pode ter um número de membros correspondente a até 15 por cento do Comité Central, sob proposta do presidente do Partido, respeitando a proporcionalidade da composição do Comité Central, o que permite admitir que venha a ter até 54 membros. Mais oito que o cessante.
 
As eleições para a presidência em Angola serão em 2017, a maior força politica sabe que o apaís vive em uma de suas maiores crises econômicas , devido a queda do preço do petróleo. Será uma das eleições mais duras, em que provavelmente o presidente Jose Eduardo dos Santos não concorrerá.
 
As próximas decisões do Partido, a nova composição terá grandes desafios principalmente combater as desigualdades sociais, a corrupção, a fome, desemprego e a pobreza extrema.

Um Congresso, em Angola, mais difícil que o que aparenta

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Um Congresso mais difícil que o que aparenta
Os estatutos terão sido mais mexidos, o voto electrónico foi mais demorado que o esperado. Dos Santos continua presidente do partido e o novo Bureau Político sai da reunião de Terça-feira
 
O MPLA corre hoje as cortinas sobre o seu VII Congresso. Aparentemente correu tudo bem, mas não foi assim tão fácil. O alargamento do seu Comité Central e as várias mexidas nos estatutos são apenas alguns sinais. Quando se esperava que o Comité Central fosse renovado em quarenta e cinco por cento, ficou-se com muito menos. O que resultou foi um alargamento do órgão de 311 para 363 membros, com a entrada de jovens, mulheres e alguns veteranos, velhos combatentes.
 
Há uma aparente contradição entre a entrada de “velhos” e o sentido da renovação, mas o lema sempre foi o da renovação na continuidade. Além disso, a aparente inexperiência política de alguns dos jovens que passam a integrar o Comité Central tem de ser equilibrada com a experiência dos mais velhos. Há uma matriz a preservar e há o sentido de serviço ao partido e aos angolanos que alguns dos jovens estão longe de entender.
 
O discurso de José Eduardo dos Santos no Congresso foi revelador. Falou da corrupção, da pressa no enriquecimento, no enriquecimento ilícito e do merecimento que se deve ter para se chegar aos órgãos de decisão do partido. Há que moralizar o partido, quereria dizer, e poupá-lo ao papel de trampolim para quem quer chegar de forma fácil ao dinheiro e ao poder. E mais, Dos Santos disse que é hora de deixar de parte os bons projectos que não são executados. Ele sabe que ao eleitorado vale mais uma pequena obra que mil projectos bonitos no papel.
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O que dirá no encerramento
 
No fim do Congresso, marcado para hoje, espera-se de José Eduardo dos Santos um discurso que revele o que MPLA pretende para o futuro, provavelmente mais de encontro à sua condição de homem que se prepara para abandonar a vida política activa, como anunciou em meados do ano, e que quer ser lembrado como um bom patriota.
 
Sobre a sua saída, Dos Santos deverá dizer quase nada, a não ser que o descubramos nas entrelinhas. Este assunto deverá ficar para o próximo ano, numa mais do que provável Conferência Nacional, ou num Congresso Extraordinário, que deverá relançar o partido para as eleições. Será depois disso que se conhecerá a lista para o Parlamento, o seu número um e o seu número dois. Avançar agora seria colocálos desnecessáriamente na linha de fogo dos opositores, ainda que o próximo cabeça de lista se chame José Eduardo dos Santos, entretanto reeleito neste VII Congresso presidente do MPLA para mais um mandato de cinco anos.
 
Assim, e olhando para a linha discursiva de Eduardo dos Santos nos últimos tempos e as suas grandes preocupações, é de prever que o presidente do partido fale hoje da mulher, por exemplo: a mulher rural, a zungueira, ou seja as mulheres mais vulneráveis deverão entrar no discurso de Dos Santos, não apenas num piscar de olho para o voto, mas porque elas são, de facto, o pilar mais importante na construção da sociedade angolana.
 
Aos jovens, deverá apelar à busca do mérito, da transição geracional que precisa de uma juventude comprometida com as causa públicas e com Angola. A família deverá igualmente ter lugar no discurso de encerramento do Congresso, este é um tema caro ao presidente do MPLA.
 
Depois, já em jeito de pré-campanha e para galvanizar o partido, deverá falar dos grande êxitos da governação, como os grandes projectos eléctricos (Laúca e Ciclo combinado do Soyo), das novas centralidades (o Kilamba já tem cinco anos e ganhou vida própria), dos caminhos de ferro, portos, aeroportos e outras infraestruturas. “Ide e evangelizai” Os dez pontos da Moção de Estatégia que apresentou ao partido para os próximos cinco anos deverão funcionar como os dez mandamentos de toda a acção do MPLA nos próximos tempos (a área da Justiça tem uma força grande no documento).
 
Deles sairão as linhas do programa eleitoral e do programa de Governo no próximo ano. É com base neste enunciado que os militantes serão instruídos a passar a palavra e a mobilizar o enunciado, numa acção quase de evangelização, de semeadura de fé, se olharmos para o momento económico difícil que o país enfrenta
 
Entrada na era electrónica
 
O Presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos (candidato único) e o novo Comité Central foram ontem eleitos por voto electrónico dos mais de dois mil delegados ao VII Congresso. José Eduardo dos Santos foi reeleito presidente do partido com 99,6% dos votos, num conjunto de mais de 2560. A lista candidata ao Comité Central obteve um pouco mais de 98% dos votos. A votação foi lenta, justificada pelo número de eleitores, apesar de estarem ao dispor cerca de dez urnas. Um comunicado de Imprensa distribuído no final do dia adiantava, no entanto, que o novo Comité Central terá a sua primeira reunião na Terça-feira, 23 de Agosto (estava inicialmente prevista para a tarde de ontem), e vai eleger o vice-presidente do partido, o secretário- geral e o novo Bureau Político do Comité Central que, por sua vez, elegerá o Secretariado do Bureau Político.