Construção de Refinarias de petróleo é a meta do novo governo angolano

O Presidente da República, João Lourenço, defendeu nesta quinta-feira, 16, em Luanda, a implementação de uma estratégia para refinar internamente os derivados do petróleo.

A estratégia visa evitar que Angola dependa consideravelmente da importação de produtos refinados derivados do petróleo.

“Não tem lógica que Angola, como produtor de petróleo, e com altos níveis de produção, continue a viver quase que exclusivamente da importação de produtos refinados”, afirmou João Lourenço.

O Chefe de Estado considerou fundamental que a par da Refinaria de Luanda, cuja capacidade de refinação diária ronda os 44 mil barris, o país deve apostar na construção de outra, independentemente do investimento ser público ou privado.

As duas possibilidades devem ficar em aberto. O que pretendemos é que o país tenha mais refinarias, sublinhou o Presidente durante a cerimónia de empossamento do secretário de Estado dos Petróleos e do Conselho de Administração da Sonangol.

Em relação à concessionária nacional de combustíveis, Sonangol, reconheceu que continua a ser a “galinha dos ovos de ouro” da economia do país, daí que a sua administração vai exigir maior responsabilidade dos novos gestores.

“Devem cuidar bem dela”, afirmou o Presidente aos membros do Conselho de Administração da petrolífera nacional empossados nesta quinta-feira, 15.

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Eis a lista dos empossados:

Paulino Fernando de Carvalho Jerónimo – secretário de Estado dos Petróleos

Carlos Saturnino Guerra Sousa e Oliveira – Presidente do Conselho de Administração da Sonangol;

Sebastião Pai Querido Gaspar Martins – Administrador Executivo da Sonangol;
Luís Ferreira do Nascimento José Maria – Administrador Executivo da Sonangol;
Carlos Eduardo Ferraz de Carvalho Pinto – Administrador Executivo da Sonangol;
Rosário Fernando Isaac – Administrador Executivo da Sonangol;
Baltazar Agostinho Gonçalves Miguel – Administrador Executivo da Sonangol;
Alice Marisa Leão Sopas Pinto da Cruz – Administradora Executiva da Sonangol;
José Gime – Administrador Não Executivo da Sonangol;
André Lelo – Administrador Não Executivo da Sonangol.

 

http://www.governo.gov.ao/VerNoticia.aspx?id=33897

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Isabel dos Santos foi exonerada do cargo de presidente do Conselho da Sonangol

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Fonseca Bengui |

Isabel dos Santos foi exonerada ontem do cargo de presidente do Conselho de Administração da Sonangol (Sociedade Nacional de Combustíveis) pelo Presidente da República, João Lourenço.

Carlos Saturnino na liderança da Sonangol
Fotografia: Edições Novembro |

Os Serviços de Apoio ao Presidente da República, em comunicado, informaram que Carlos Saturnino Guerra Sousa e Oliveira é o novo presidente do conselho de administração da petrolífera.
O novo presidente do Conselho de Administração da Sonangol, para ocupar o lugar de Isabel dos Santos, foi antes exonerado do cargo de secretário de Estado dos Petróleos, que ocupava desde a formação do Governo saído das últimas eleições.
O Presidente da República, em consequência, nomeou Paulino Fernando de Carvalho Jerónimo novo secretário de Estado dos Petróleos. O ato  de exoneração de Isabel dos Santos é extensivo aos membros do conselho de de administração dirigido pela empresária. Assim, foram exonerados  Eunice Paula Figueiredo Carvalho, Edson de Brito Rodrigues dos Santos, Manuel Lino Carvalho Lemos, João Pedro de Freitas Saraiva dos Santos, todos administradores executivos. Foram ainda exonerados José Gime, André Lelo, e Sarju Raikundalia, todos  administradores não executivos.

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O novo conselho de administração da concessionária petrolífera nacional é agora integrado, além do presidente Carlos Saturnino, por Sebastião Pai Querido Gaspar Martins, Luís Ferreira do Nascimento José Maria, Carlos Eduardo Ferraz de Carvalho Pinto, Rosário Fernando Isaac, Baltazar Agostinho Gonçalves Miguel e Alice Marisa Leão Sopas Pinto da Cruz, todos   administradores executivos. José Gime e André Lelo são administradores não executivos.
O Executivo prevê, no Orçamento Geral do Estado para o próximo ano,  uma  produção de petróleo de 1.649.910 barris por dia a um preço de 45 dólares o barril.

Reacções 
O deputado e vice-presidente da CASA-CE diz não ver nada de extraordinário nas exonerações e nomeações na direcção da Sonangol, considerando tratar-se de “um mero exercício das competências políticas constitucionais” do Presidente da República. O Presidente da República, disse, continua a compor, a vários níveis, as equipas de trabalho da sua confiança para corresponder aos objectivos estratégicos da sua governação. “No quadro actual, o Presidente da República tem legitimidade política e legalidade constitucional de assim proceder”, frisou. “Não vejo algo extraordinário nas exonerações e nomeações, pois é um mero exercício das competências políticas constitucionais”, salientou.  Lindo Bernardo Tito disse no entanto que o actual PCA, Carlos Saturnino Guerra Sousa e Oliveira,  já esteve na Sonangol, pelo que, acrescentou, “ninguém garante ao país que estará isento dos antigos vícios.” “A prática é o critério da verdade”, sublinhou, salientando que o Presidente da República “ainda não tomou medidas profundas que visam alterar a situação económica e social precária imposta pelos sucessivos governos do MPLA.”
O político da CASA-CE lembra que o actual Presidente da República sempre esteve nos centros de decisões políticas tomadas pelo seu partido, considerando por isso ser ele parte do problema.
O jurista e docente universitário Albano Pedro entende que a exoneração de Isabel dos Santos “permite que João Lourenço, na qualidade de Presidente da República, tenha controle de fato da Sonangol, colocando gestores de confiança na sua direção.”
Em segundo lugar, acrescentou, “leva à libertação da ligação que havia entre os negócios privados de Isabel dos Santos e a Sonangol, por meio da qual os dinheiros públicos podiam vazar para negócios diversos em Angola e no estrangeiro, sem que servissem directamente os angolanos”.

          Burocracia leva petrolífera nacional ao derrame 
Uma quase paralisia da indústria petrolífera, em resultado de processos de gestão extremamente burocratizados e ineficientes, por parte da SONANGOL, é a principal constatação que resultou do diagnóstico mandado fazer ao sector pelo Presidente da República, João Lourenço.
Fontes bem colocadas deste diário garantiram que o grupo de trabalho já finalizou a sua missão, que estava fixada para um período de trinta dias, no despacho presidencial que determinou a sua constituição.   O Jornal de Angola soube, em primeira mão, que o relatório descreve um conjunto de constrangimentos e práticas que prejudicaram, de modo assinalável, as operações do sector petrolífero, o mais penoso de todos eles o facto de a extrema burocracia imputada à gestão da SONANGOL ter elevado à cifra de cinco mil milhões de dólares os processos que esperam aprovação na concessionária nacional.
O grupo referiu, entre as suas constatações, que se deparou com uma “concessionária nacional sem liderança e sem estratégia para desenvolver o papel de impulsionadora da indústria petrolífera” e que é facto também um “mau relacionamento entre a SONANGOL e as companhias petrolíferas, por um lado”, e, por outro, “entre a SONANGOL + subsidiárias e as empresas fornecedoras, por ausência de pagamento regulares”.
Depois de assinalar a ausência de actividades de exploração, designadamente a prospecção e pesquisa de hidrocarbonetos, o relatório-diagnóstico faz alusão a uma “falta de sintonia entre a SONANGOL e o ministério de tutela”.
A missão que se encarregou de estudar a fundo os problemas da indústria petrolífera em Angola avançou um conjunto de propostas, que vão desde a reestruturação da concessionária nacional à redefinição de algumas das suas funções, passando por recomendações de natureza estratégica como a necessidade do aumento da capacidade de refinação do país. “Este é um aspecto crucial do desenvolvimento da nossa indústria no Downstream, enquanto país produtor de petróleo. Não podemos continuar a depender de importações de derivados de petróleo em cerca de 80%”, terão recomendado os especialistas que integraram o grupo no seu relatório final.
A seis de Outubro último, o Chefe de Estado, João Lourenço, recebeu, em audiência, representantes das empresas petrolíferas, a pedido destas. Na sequência do encontro, o Presidente da República, em despacho datado de 13 de Outubro, deu um prazo de 30 dias, para que o grupo liderado pelo ministro dos Recursos Minerais e dos Petróleos, Diamantino Azevedo, apresentasse um plano para o sector, em resposta à “necessidade de melhorar as actuais condições de investimento na indústria de petróleo e gás, como condição relevante para o desenvolvimento futuro do país”.
Além do ministro dos Petróleos, constituíram o grupo de trabalho o ministros das Finanças, Archer Mangueira, e representantes da Sonangol, BP Angola, Cabinda Gulf Oil Company (Chevron) Eni Angola, Esso Angola, Statoil Angola e Total E&P.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/sonangol_tem_nova_gestao

Nomeação de Isabel dos Santos na Presidência da Sonangol foi legal

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A nomeação de Isabel dos Santos para o cargo de presidente do Conselho de Administração da Sonangol não viola a Lei da Probidade Pública nem a Constituição angolana, de acordo com decisão do Tribunal Supremo. A decisão foi tomada a 22 de Dezembro e está num documento de 37 páginas.
Em Julho, um grupo de 12 juristas considerou que a nomeação feita pelo Presidente da República violava a Lei da Probidade Pública e a Constituição da República, por a nomeada ser filha de quem nomeou. Por isso, pediu a sua impugnação junto do Tribunal Supremo, além de ter apresentado uma queixa de improbidade pública na Procuradoria Geral da República e escrito uma carta ao Presidente José Eduardo dos Santos
Já a Procuradoria-Geral da República (PGR) tinha considerado que a nomeação do presidente do Conselho de Administração da Sonangol é competência legal do Presidente da República, ao abrigo da Lei de Bases do Sector Empresarial Público.
Em declarações à Rádio Nacional Angola, o porta-voz do grupo contestatário, o advogado David Mendes, disse que vai interpor recurso, realçando que não concorda com a fundamentação do acórdão, com cerca de 37 páginas.
“Há questões que levantámos, entre elas o princípio da igualdade, que não foi tratado nesse acórdão. Falou-se mais da probabilidade de danos materiais, mas nós levantámos danos materiais imediatos”, considerou o advogado. O arquivamento da acção dos 12 advogados pelo Tribunal Supremo veio demonstrar a justeza e a independência do sistema judicial e dos tribunais.
Licenciada em Engenharia Electrónica pela Universidade King’s College, de Londres, e com mais de vinte anos de experiência profissional, Isabel dos Santos ocupou cargos de gestão de topo em empresas cujo universo engloba milhares de colaboradores, antes da sua nomeação para PCA da Sonangol. Foi administradora em empresas de telecomunicações, instituições financeiras e empresas cotadas na bolsa europeia. Desde a sua nomeação, a 25 de Junho, a nova administração da Sonangol desenvolve um processo de reestruturação da principal empresa pública angolana. Foi feita uma avaliação profunda do grupo, para assegurar um conhecimento total da situação de partida e para que as suas decisões sejam tomadas com base na realidade da empresa.
A avaliação, que cobriu a situação financeira e fiscal, a organização, os processos, os sistemas de informação e as pessoas, apontou para uma situação bastante mais grave do que o cenário inicialmente delineado, obrigando a decisões de gestão com carácter de urgência.
O trabalho detectou um conjunto de inconsistências entre a informação contabilística e a informação real da empresa, bem como uma falta de controlo sobre várias participações financeiras, tornando-se evidente a necessidade de reestruturação financeira do Grupo, para conseguir cumprir os compromissos de dívida.
Ao nível dos processos, a Sonangol identificou um desalinhamento com as boas práticas, o não cumprimento dos procedimentos e das normas internas e a falta de mecanismos de controlo.
Os sistemas informáticos foram também alvo de diagnóstico, tendo sido demonstrada a falta de fiabilidade da informação e profundas debilidades ao nível do sistema de contabilidade (SAP), com elevado risco para o negócio e para a tomada de decisão.
 

Angola:Projetar o futuro com determinação

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Fotografia: Walter Fernandes

Desde o início do ano que tinham sido accionados os alertas para o risco de uma instabilidade social causada precisamente pela degradação da situação económica. Desde meados de 2015, que o preço do petróleo estava em queda livre e as receitas fiscais baixaram consideravelmente.

Recordo-me do dia em que ao dirigir uma reunião da Comissão Económica, no Luena, o Presidente da República falou sobre a gravidade da situação económica do país, principalmente devido à incapacidade da companhia Sonangol de injectar divisas no sistema financeiro.

 

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A grave situação financeira da Sonangol tem uma outra nuance, também ela negativa, já que com cada vez menos divisas ou “moeda forte”, impunha-se reavaliar a política de disponibilização de cambiais. Muitos empresários ficaram sem como importar mercadorias ou matérias-primas para manter em funcionamento as unidades de produção. Também começaram a surgir problemas contratuais com técnicos expatriados que recebiam em divisas. Com o declínio das importações o Serviço Nacional das Alfândegas também perdeu capacidade de arrecadar receitas. Ora o quadro denunciava um colapso iminente. Chegou-se a dizer amiúde que o país estava em banca rota. E não tinha qualquer alternativa que não fosse a de recorrer ao FMI, de mão estendida, para um resgate financeiro.

 

Mapa de Angola
Informações desencontradas baralharam a opinião pública e os investidores. Afinal Angola, como qualquer outro Estado membro do Fundo Monetário Internacional, é livre de recorrer a esta instituição para negociar o apoio a que tem direito pelo tecto da sua contribuição e pelas necessidades que apresenta a sua economia, sem pré-condições.  O ambiente em que decorreram as conversações, no interior das salas de reuniões, contrastava com o escarcéu que se fazia sentir no exterior. Angola pretende do FMI, como de resto ficou vincado em comunicados oficiais, apoio para o programa de diversificação económica e ficou claro que existe vontade de ambos os lados em trabalhar neste sentido.
As negociações avançaram pouco ou quase nada. Ficou o compromisso de uma nova visita no quadro do Artigo IV para aprofundar o debate e aferir sobre a assertividade das medidas que estão a ser adoptadas pelas autoridades angolanas para equilibrar e, já agora, sanear as contas públicas. Em meados de Novembro, o brasileiro Ricardo Velloso, chefe da Missão do FMI para Angola, fez uma declaração que acabou com as especulações em torno das negociações em si. Como quem quis claramente esquecer toda a azáfama da anterior visita, o economista disse com palavras muito claras que as projecções apontavam para uma estagnação da economia angolana no corrente ano e crescimento de 1,25 por cento em 2017. As projecções do Governo apontam para 2,1 por cento.
O FMI estima que para este ano a inflação atinja 45 por cento, antes de cair para 20 por cento em 2017, assim como o défice global de 4,00 por cento e uma dívida pública que deve exceder os 70 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). A Missão do FMI recomendou ao Governo a adopção da previsão do défice orçamental para 2017 não superior a 2,25 por cento do PIB, ao contrário dos 5,9 por cento projectados, por entender que tal deixaria a economia angolana “vulnerável a preços de petróleo inferiores ao estimado e aumentar a preocupação quanto à sustentabilidade da dívida”.
Segundo o chefe da Missão do FMI para Angola, a meta de défice proposta é “consistente com uma melhoria moderada do saldo fiscal primário não petrolífero e com um continuado ajustamento gradual a médio prazo para colocar a dívida numa clara trajectória descendente”. Ricardo Velloso referiu ainda que estas projecções sobre crescimento, inflação e dívida ficam a dever-se às medidas tomadas pelas autoridades para mitigar o impacto da baixa dos preços do petróleo, incluindo uma melhoria significativa do saldo fiscal primário não petrolífero e a desvalorização do kwanza face ao dólar.

Ajustamento fiscal

Antes de elogiar o Banco Nacional de Angola por aplicar restrições à liquidez desde Junho último, levando a que a inflação cedesse e pela disponibilidade de um maior volume de divisas de modo a aliviar a pressão sobre o mercado cambial, Ricardo Velloso reconheceu que “foi feito um grande esforço de ajustamento fiscal e as acções do Governo para controlar a despesa pública compensaram parcialmente, prevendo-se que, em 2017, ano de eleições, o processo continue mas num “esforço menor”.

 

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Ora, quem esteve atento à Mensagem à Nação apresentada pelo Presidente da República na Assembleia Nacional terá percebido que a avaliação do desempenho da economia angolana feita pelo FMI no quadro do artigo IV não andou muito longe da avaliação do Executivo.
Também apontado como um dos momentos políticos do ano, na Mensagem à Nação, a abrir o Ano Parlamentar, no novo edifício da Assembleia Nacional, o Presidente da República foi prudente ao referir-se aos números da economia. Por exemplo, quando se referiu à taxa média anual de crescimento da economia comparou os dois anos anteriores, cuidando de se referir ao impacto da queda brusca do preço do petróleo no mercado internacional, neste indicador em 2016 e nas receitas fiscais do Estado.
Em duas passagens do discurso do Presidente da República diante dos deputados é possível perceber o quadro difícil da economia angolana e o que foi feito para manter o crescimento na agenda do Governo.Na primeira, o Presidente faz alusão ao “choque sistémico da queda do preço do petróleo” nas receitas públicas. “Só em 2015, a redução do preço do petróleo terá provocado uma quebra de quase seis mil milhões de dólares na receita fiscal.” O Chefe de Estado referiu que a continuidade do esforço de investimento público só é possível com recurso ao endividamento, interno e externo, mas, obviamente, como referiu, dentro de limites.

 
Na segunda, faz referência aos “inevitáveis impactos” no plano monetário. “Para garantir os pressupostos básicos necessários ao desenvolvimento, o Executivo teve de adoptar uma Política de Estabilidade e Regulação Macroeconómica que lhe permitiu aprimorar a condução coordenada da Política Fiscal, Monetária, Cambial e de rendimento e preços, acentuando o papel da Programação Financeira”.
Por aqui se percebe que as constatações da Missão do FMI sobre o desempenho positivo da economia angolana, ao admitir que as projecções por sinal, optimistas, ficavam a dever-se às medidas tomadas pelas autoridades para mitigar o impacto da baixa dos preços do petróleo, incluindo uma melhoria significativa do saldo fiscal primário não petrolífero e a desvalorização do kwanza face ao dólar, não foram obras do acaso.
Já agora, e na linha das constatações do FMI, importa salientar que os indicadores destacados pelo Presidente da República, na Mensagem à Nação, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística, tendem a aproximar-se das metas do Executivo. Lembrando: a taxa de inflação mensal que, em Julho, estava em cerca de 4 por cento, baixou em Agosto para cerca de 3 por cento e em Setembro para 2,14 por cento, verificando-se assim a baixa dos preços de bens de consumo no mercado e um apreciável aumento do poder de compra dos salários. A meta, como disse o Presidente, é conseguir uma taxa de inflação mensal de um por cento ou menos.

Resistência às pressões

Além das questões econômicas, e da agenda apertada imposta pela dinâmica de uma diplomacia activa, na região dos grandes Lagos e nas Nações Unidas, o ano político foi ainda marcado pelo caso “15+2” e o julgamento do activista Marcos Mavungo. A análise do ponto de vista político impõe-se pelo facto de as instituições angolanas terem sabido resistir a todo o tipo de pressões, internas e também do exterior, para que os casos seguissem os seus trâmites nas instâncias competentes. Junte-se a esses o caso Sonangol e Isabel dos Santos.  Há que reconhecer o mérito de quem soube resistir à tentação de tomar uma decisão susceptível de pôr em causa todo o processo que está em curso de construção de uma sociedade onde as pessoas possam e saibam conviver com as diferenças e, acima de tudo, respeitem as instituições.

 

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Angola consolida liderança na produção de petróleo

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A produção petrolífera em Angola alcançou, no ano em curso, uma média diária de 1,775 milhões de barris, colocando o país como o maior produtor africano de petróleo, superando a Nigéria, cuja produção está fixada em 1,468 milhões.

A meta de produção obtida por Angola representa 90 por cento das exportações, 50 PIB (produto interno bruto) e 80 dos seus rendimentos de impostos. Os 1,775 milhões de barris por dia reflectem sobre o aumento na produção de 8.800 diários, face ao mês de Junho deste ano.

Para comprovar a tendência crescente, Novembro teve um valor especial, tendo sido Angola o terceiro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) que registou um incremento na produção.

Em Novembro, a produção angolana foi de 24,4 mil barris por dia, a par do Kuwait, que produziu mais 25,9 mil, mas longe da subida da produção iraquiana, que verificou um acréscimo de 247,5 mil barris diários.

A aceleração imprimida na produção interna de petróleo não encontrou uma correspondência no preço de venda no mercado internacional, onde o valor do barril de petróleo, na referência para as exportações angolanas, se situava, em média, no mercado de futuros de Londres, em 45,93 dólares.

Em menos de dois anos, o país viu o barril exportado passar de mais de 100 dólares para vendas médias, no primeiro semestre deste ano, para 36, segundo dados do Ministério das Finanças.
Para contornar as dificuldades económica, financeira e cambial resultantes da forte quebra nas receitas petrolíferas, a Sonangol, numa parceria com os fornecedores do sector, reduziu os custos de produção do barril em 12 dólares. Durante este ano, a insuficiência na produção de refinados se manteve, face à procura do mercado interno. A produção nacional de refinados representou perto de 20 por cento do consumo total interno.
Na implementação dos projectos programados para 2016, o sector petrolífero angolano foi feliz apenas no bloco 15, onde se registou uma produção cumulativa de dois mil milhões de barris de petróleo. sonag
Trata-se de um acumulado da produção de 13 anos, que vem desde o início da operação do bloco em 2003, a partir do projecto de desenvolvimento Xikomba. Com uma área de 4.144 quilómetros quadrados e localizado aproximadamente a 145 quilómetros em águas profundas, a oeste da província do Zaire, no offshore angolano, o bloco 15 produz, actualmente, cerca de 320 mil barris de petróleo por dia.
Na senda do desempenho do sector petrolífero, salta também, entre os destaques, a primeira conferência africana de conteúdo local, evento que reuniu representantes ligados às áreas de petróleo e gás.Contudo, para o registo do ano 2016 fica a queda das receitas brutas da Sonangol, que baixam desde o ano de 2013, ao situar-se, no ano de 2016, em 40.070 milhões de dólares. Em 2014, a receita foi de 24.657 milhões e em 2015 de 16.212 milhões.
As receitas deste ano provenientes da petrolífera angolana Sonangol devem registar uma queda de um terço, posicionando-se em 15,325 mil milhões de dólares, comparativamente aos resultados verificados há quatro anos, de acordo com dados provisórios tornados públicos, recentemente, pelo conselho de administração da companhia nacional de bandeira.

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Exonerada direção da Sonangol, a empresa petrolífera de Angola

 
A presidente do Conselho de Administração da Sonangol, EP, Isabel dos Santos, procedeu ontem à exoneração do presidente da Comissão Executiva da Sonangol Pesquisa & Produção, Carlos Saturnino Guerra Sousa e Oliveira.
A Sonangol P&P é a empresa do grupo Sonangol que durante a avaliação efectuada apresentou maiores debilidades de gestão e, consequentemente, de desvios financeiros, refere uma nota de imprensa da Sonangol.naom_53623204e3d8f
 
Esta decisão é estendida a toda a Comissão Executiva da referida empresa, sendo também exonerados os vogais Carlos Alberto Figueiredo, Walter Costa Manuel do Nascimento, Guilherme de Aguiar Ventura e Ricardo Jorge Pereira A. Van-Deste.
É indicada, para o cargo de presidente da Comissão Executiva da Sonangol Pesquisa & Produção, Isabel dos Santos, e são nomeados como vogais Edson Santos, Sarju Raikundalia, Bernardo Domingos e Carlos Cardoso.
 
Esta decisão está alinhada com a postura do novo Conselho de Administração da petrolífera de ser consequente com os princípios de rigor e transparência que baseiam a sua gestão.
A Sonangol Pesquisa e Produção é uma subsidiária da petrolífera angolana e tem como objectivo o exercício de atividades de prospecção, pesquisa e produção de hidrocarbonetos líquidos e gasosos. A operar desde 1994, tem hoje uma produção de 46.000 barris por dia. A Sonangol P&P é parceira em vários blocos em Angola, Brasil, Cuba e Iraque.
 
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Em entrevista ao diário económico britânico “Financial Times” (FT), Isabel dos Santos assumiu que a Sonangol perdeu “o foco no seu negócio ‘core’, o petróleo”, razão pela qual a petrolífera vai ser dividida em três unidades: exploração e produção, logística e uma divisão que agregue as concessões petrolíferas às companhias estrangeiras. Já os negócios que não tenham a ver com a actividade petrolífera serão reunidos num fundo- há mais de 90 empresas e até um clube de futebol que vão integrar esta entidade.
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“Não estávamos a controlar os nossos activos – os nossos activos no petróleo – tanto quanto queríamos e, principalmente, faltava-nos visão estratégica”, declarou Isabel dos Santos ao FT. “A minha visão é tornar a Sonangol muito rentável”, acrescentou a responsável.
Desde que Isabel dos Santos assumiu o controlo da Sonangol, a dívida da companhia estatal baixou dos 13,6 mil milhões de dólares em 2015 para os 9,8 mil milhões de dólares este ano. E a sua intenção é reduzir ainda mais o nível de endividamento, para os oito mil milhões de dólares até final do próximo ano. Pressionada pelos baixos preços do petróleo, a Sonangol viu os lucros caírem dos três mil milhões em 2013 para os 400 milhões este ano.
 
“Até 2021 ou 2022 esta companhia estará numa situação completamente diferente”, assume a empresária, adiantando que não vai haver lugar a pagamento de dividendos este ano (o Estado é o único accionista), enquanto tenta reequilibrar as contas da Sonangol.
“Elaborámos um plano com o Governo para explicar a situação financeira da empresa e isso foi importante para reduzir a dívida, no sentido de reforçar a capacidade para investir no futuro. Investir no desenvolvimento de novos campos petrolíferos é crítico para nós”, afirmou.
 
 

Sonangol,multinacional angolana de petróleo, paga as dívidas aos bancos

por Armando Estrela |
2 de Dezembro, 2016

Fotografia: Vigas da Purificação

A administração da multinacional angolana Sonangol está a honrar o pagamento mensal das prestações referentes à sua dívida financeira aos bancos, anunciou ontem, em conferência de imprensa, a presidente do conselho de administração da companhia, Isabel dos Santos.

 

No ano passado, o incumprimento por parte da Sonangol dos convênios financeiros com os bancos resultou num conjunto de constrangimentos, que limitam hoje o acesso ao financiamento programado para este ano. A dívida financeira da empresa para este ano já é estimada em 9,851 mil milhões de dólares.
Ainda assim, a administração da empresa tem necessidade de contrair novos financiamentos, tendo em atenção os compromissos financeiros firmados para 2016, ainda por financiar, de forma que a Sonangol possa cumprir os pagamentos até ao final do ano. Esta necessidade totaliza 1,569 milhões de dólares.
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Queda de receitas

As receitas deste ano provenientes da petrolífera angolana Sonangol devem registrar uma queda de um terço, posicionando-se em 15,325 mil milhões de dólares, comparativamente aos resultados verificados há quatro anos, de acordo com dados provisórios tornados ontem públicos, em conferência de imprensa, pelo conselho de administração da companhia.
No ano passado, a receita bruta da multinacional angolana foi de 16,212 mil milhões de dólares. Em 2013 a Sonangol verificou o seu maior “boom”, com a receita anual em torno dos 40 mil milhões de dólares, e foi exactamente nesse ano que os resultados financeiros começaram a mostrar resultados negativos, terminando o ano de 2014 em 24,657 mil milhões de dólares.
Os custos operacionais da empresa não diminuíram tanto quanto a quebra de receitas, estimando-se hoje em 11,957 mil milhões de dólares, uma redução de 2,486 mil milhões de dólares, face ao ano de 2015, que registou custos na ordem de 14,443 mil milhões de dólares. O lucro da Sonangol também decresce desde o ano de 2013, altura em que tinham sido fixados em 3,089 mil milhões de dólares. No ano de 2014 a companhia teve lucro de 1,415 mil milhões de dólares e no ano passado contabilizou apenas 389 milhões. A administração da petrolífera nacional não prevê para este ano qualquer proveito para o Estado.

No ano passado, a Sonangol investiu 4,683 bilhões de dólares em diversos novos projectos, incluindo os consignados fora do sector de petróleo e gás. Este ano, os investimentos tiveram o seu foco principal em projectos de exploração e de desenvolvimento petrolíferos, mas a administração da empresa reconhece uma redução para cerca de 3,303 mil milhões de dólares.
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Venda de petróleo

A PCA da Sonangol referiu que a redução da receita de venda de petróleo também levou à diminuição dos seus resultados e da rentabilidade, reduzindo a libertação de fundos para o accionista principal – o Estado angolano. “No caso concreto da Sonangol, a referida redução acentuada de receitas não foi acompanhada pela necessária revisão da estratégia de investimento do Grupo”, disse Isabel dos Santos. “Este cenário conduziu a uma situação difícil perante os credores internacionais, dificultando a capacidade de obter novos financiamentos, fundamentais para a sustentabilidade das operações, da manutenção dos níveis de produção, dos pagamentos a fornecedores e do cumprimento dos seus compromissos financeiros”, referiu.
De forma a contrariar este cenário negativo, a nova administração da Sonangol fez uma avaliação profunda do grupo, para assegurar um conhecimento total da situação de partida e para que as suas decisões sejam tomadas com base na realidade da empresa. Esta avaliação que cobriu a situação financeira e fiscal, a organização, os processos, os sistemas de informação e as pessoas, aponta para uma situação bastante mais grave do que o cenário inicialmente delineado, obrigando a decisões de gestão com carácter de urgência, admitiu Isabel dos Santos.
A administração da petrolífera angolana diz que “a avaliação conduzida até à data detectou um conjunto de inconsistências entre a informação contabilística e a informação real da empresa, bem como uma falta de controlo sobre várias participações financeiras, tornando-se evidente a necessidade de reestruturação financeira do Grupo, para conseguir cumprir os compromissos de dívida”.
Ao nível dos processos, a Sonangol identificou um desalinhamento com as boas práticas, o não cumprimento dos procedimentos e das normas internas e a falta de mecanismos de controlo. A empresa fez saber que os sistemas informáticos foram também alvo de diagnóstico, tendo sido demonstrada a falta de fiabilidade da informação e de profundas debilidades ao nível do sistema de contabilidade (SAP), com elevado risco para o negócio e para a tomada de decisão.

Acções prioritárias

Isabel dos Santos referiu que o novo conselho de administração da empresa trabalha arduamente para garantir o cumprimento dos compromissos financeiros, já que estes determinam a capacidade da Sonangol de obter novos financiamentos, fundamentais para investir em novos projectos de campos petrolíferos, para evitar o declínio dos níveis de produção. “Adicionalmente, e para manter a liquidez financeira da Sonangol e a estabilidade da economia angolana, temos trabalhado com o Banco Nacional de Angola e com o Executivo, para continuar a assegurar o acesso regular a divisas e, assim, o pagamento dos produtos refinados importados”, evidenciou, ao acrescentar que “de uma forma criteriosa e ponderada, estamos a reavaliar todos os investimentos e projectos”.
Em consequência, “estão suspensos (e não cancelados)”, conforme fez questão de sublinhar a PCA da Sonangol, os investimentos na Refinaria do Lobito e na estação de armazenamento de combustíveis da Barra do Dande, para reavaliação da visão estratégica e da viabilidade econômica por parte da nova administração.
A Sonangol reconhece que os actuais desafios não resultam só da queda do preço de petróleo bruto, mas, fundamentalmente, da aplicação de uma política de investimentos questionável, ao longo dos últimos quinze anos, que não geraram o valor esperado para o Estado.
Isabel dos Santos disse que “esta carteira de investimentos é caracterizada por projectos problemáticos, como a Refinaria do Lobito e o Terminal Oceânico da Barra do Dande, e investimentos avultados sem retorno, fora do negócio principal da Sonangol, nomeadamente, investimentos em áreas como saúde, hotelaria, imobiliária e energias renováveis”.
Do mesmo modo, a administração da petrolífera angolana constatou também que a produção nacional de produtos refinados é limitada, representando cerca de 20 por cento do consumo total. Os custos de importação cresceram ao longo deste ano, sendo os custos incorridos em dólares e as vendas realizadas em kwanza.
A importação de combustíveis representa uma necessidade de divisas de, em média, 170 milhões de dólares por mês. No entanto, o acesso a divisas, nesta conjuntura, tem sido muito desafiante para a Sonangol, que tem tido dificuldades em realizar os pagamentos aos seus fornecedores no exterior. “Esta situação é agravada por existirem dívidas acumuladas, referentes à totalidade de 2015 e ao primeiro semestre de 2016”, reconheceu a Sonangol.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/sonangol_paga_aos_bancos

1ª reunião do Conselho de Administração da Sonangol E.P. reúne com operadoras em Luanda



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O Conselho de Administração da Sonangol E.P., sob direção da sua Presidente, Isabel dos Santos, manteve hoje, quinta-feira (09 de Junho), no edifício sede da concessionária angolana, em Luanda, uma reunião informativa com empresas petrolíferas a operar no país.
O encontro, o primeiro do gênero levado a cabo pelo atual Conselho de Administração da Sonangol E.P., teve como objectivo principal apresentar às operadoras os novos membros deste órgão diretivo da empresa, a essência da reestruturação da Sonangol E.P. e do sector petrolífero angolano, assim como as suas vantagens.
Durante a sessão foi realçada a arquitetura hierárquica do sector à luz da nova postura, o objectivo funcional de cada um dos novos entes, a necessidade de manutenção da normal operatividade com o mínimo de constrangimentos possíveis, a pretensão de um exercício com transparência e o incremento da rentabilidade.

Falando à imprensa no final da reunião, o Presidente da Comissão Executiva da Sonangol E.P., Paulino Jerónimo, considerou que, enquanto parceiros, as operadoras devem ter conhecimento do que está a ser planificado no âmbito da referida reestruturação.

A redução de custos de produção foi um dos aspectos que mereceu referência particular do PCE, pois, como afirmou, “este é um tópico actual e muito importante para a nossa indústria”. Ainda a este propósito, Paulino Jerónimo sublinhou que qualquer projecto petrolífero que seja feito neste momento em Angola não terá sucesso sem a redução de custos.

No que concerne à “transparência na gestão”, assunto igualmente abordado pelos jornalistas, a resposta foi dada pela Administradora Executiva da Sonangol E.P. Eunice de Carvalho: “Em termos de transparência, na nossa óptica está já a ser demonstrada. Eu acho que os vários comunicados que foram feitos, as várias apresentações já feitas ao público, foram todas com a intenção de partilharmos os planos para a maior empresa de Angola”.

O novo membro do Conselho de Administração acrescentou que o encontro hoje realizado também constituiu uma oportunidade para a Sonangol E.P. demonstrar, aos parceiros da empresa, a sua transparência. “Vamos continuar a trabalhar desta forma”, concluiu a Administradora.

Entretanto, reagindo à apresentação feita pelo CA da Sonangol E.P., o Director Geral da BP Angola, Darryl K. Willis, realçou a experiência que os novos membros do CA trazem para a petrolífera angolana e o seu otimismo em relação ao futuro.

“Angola tem grande potencial e a direção da empresa (Sonangol E.P.) pediu para trabalharmos juntos para conseguirmos alcançar este potencial, e como membro da indústria estou bastante encorajado e optimista”, disse Darryl Willis, garantindo que a BP vai continuar em Angola por muito mais tempo.

O Director Geral da Chevron, John Bahz, também corrobora da opinião segundo a qual o encontro foi muito proveitoso. John Bahz afirmou que a redução de custos, a transparência e a eficácia anunciados pela Sonangol E.P. são objectivos bons para Angola, que também estão alinhados com os da Chevron.

Para além da Presidente do Conselho de Administração e do Presidente da Comissão Executiva da Sonangol E.P., Isabel dos Santos e Paulino Jerónimo, respectivamente, participaram igualmente da sessão, todos os Administradores Executivos da concessionária nacional, bem como representantes das mais diversas companhias petrolíferas a exercer actividade em Angola.

 

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