Não pode haver construção para Europa e outra para Angola

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por Josina de Carvalho |
 
O candidato do MPLA a Presidente da República em Angola prometeu que o seu Governo, caso vença as eleições gerais, vai tomar medidas para baixar consideravelmente o preço das obras, principalmente estradas e habitação social, bem como garantir a qualidade das infra-estruturas construídas.
 
“Não pode haver construção para Europa e outra para Angola, porque uma estrada feita em Angola ou na Europa tem de ter a mesma qualidade e durabilidade, tendo em conta que o seu objecto social é o mesmo”, argumentou João Lourenço, lembrando ainda que a redução do preço das empreitadas vai permitir a construção de mais estradas, pontes, barragens, escolas, hospitais e habitações sociais.
João Lourenço, que falava durante o acto político de massas realizado no campo da Mabor Malha, município do Cazenga, garantiu também que vai passar a punir os gestores que se descuidarem da manutenção das infra-estruturas públicas, porque gastam milhões para construção e se esquecem da manutenção dos bens públicos.
“Isso deve ser corrigido, porque o dinheiro gasto é dos contribuintes”, declarou, alertando que o Governo vai incentivar a cultura de manutenção dos bens públicos, antes de punir quem não seguir a orientação.
 
Para João Lourenço, “a cultura do comprou, estragou, deitou fora e comprou outro tem de acabar, porque por muito petróleo e outras riquezas que Angola tenha não é possível continuar com essa cultura”. Os gestores e cidadãos que preservam os bens públicos e até privados, como carros e equipamentos, devem ser premiados para estimular os demais a seguir o mesmo exemplo. Para o Estado reduzir ainda mais a despesa com a construção destas infra-estruturas sociais e requalificação dos bairros, João Lourenço defende parcerias público-privadas, para apoiar o Governo na construção de um futuro melhor para os angolanos. “Já vem sendo feito, mas continuaremos a fazer depois de Agosto, caso consigamos ganhar as eleições, e continuar a obra de Agostinho Neto e de José Eduardo dos Santos”, disse.
 
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Francis Kéré projeta um edifício “transparente” para o Parlamento de Burkina Faso

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Em outubro de 2014, quando o Presidente de Burkina Faso, Blaise Compaoré, estava se preparando para fazer uma emenda à constituição do país que iria eliminar o tempo limite de mandado presidencial e o permitira estender seu mandato de 27 anos, dez mil cidadãos de Burkinabé na capital de Ouagadougouromperam os isolamento policial para atear fogo em vários edifícios governamentais que incluíam a prefeitura, a sede nacional do partido em mandato atual, e o edifício da Assembléia Nacional. Nos dias atuais, o presidente Compaoré recuou, inaugurando uma nova era de governo democrático resultando na primeira eleição presidencial pluralista e competitiva do país em 2015.

Mas a revolução deixou o antigo complexo governamental em ruínas e em extrema necessidade de uma direção clara para o futuro, tanto culturalmente como arquitetonicamente. Enquanto antiga colônia francesa, Burkina Faso é o lar de 19 milhões de pessoas, 50 etnias diferentes e mais de 60 línguas. O país precisava de um novo Parlamento que servisse de base comum para esses grupos diversos, enquanto proporcionaria tecnologia e educação necessária para criar oportunidades e melhor qualidade de vida para todos cidadãos.

Para encontrar esta solução, o novo chefe do Parlamento comissionou no ano passado o arquiteto e nativo burkinabês Francis Kéré para desenvolver um edifício e masterplan para o edifício da Assembléia. O novo edifício, nas palavras do arquiteto, deveria ser um edifício “que não apenas dirigisse os valores que são os valores democráticos fundamentais de transparência, abertura e igualdade, mas também se tornaria catalizador para o crescimento e desenvolvimento para a capital da cidade de Ouagadougou como um todo.”

Cortesia de Kéré ArchitectureCortesia de Kéré ArchitectureCortesia de Kéré ArchitectureImage of the capital city of Ouagadougou. Image © Francis Kéré+19

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Na edição de 2016 da Bienal de Veneza como parte da exposição “Na busca de uma nova Ouagadougou” na 15ª Exposição de Arquitetura Internacional, Francis Kéré e seu escritório Kéré Architecture, revelaram seus planos para o projeto pela primeira vez.

O projeto parte de uma forma de templo Zigurat que convida as pessoas a escalaram, entrarem e ocupar toda a superfície do edifício. Com seis pavimentos de altura, o edifício se destacaria do entorno de pouca altura e topografia plana de Ouagadougou, dado aos residentes uma nova perspectiva elevada da cidade como um todo. As decisões de projeto combinam para criar um novo senso de democracia que é liberal e simbólico.

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Em uma disposição similar a um vilarejo, o processo de tomada de decisão não é um assunto privado que ocorre entre quatro paredes; os membros da comunidade são livres para participarem das reuniões e observar os procedimentos. Neste verdadeiro espírito de transparência e abertura, a fachada externa da estrutura do parlamento é projetada para ser habitada pelo público,” explicaram os arquitetos.

O projeto também é inspirado na economia agricultora de Burkina Faso, onde quase 90% da força de trabalho é empregada em cultivos. Por esta razão, foram integrados uma série de terraços verdes ao longo da fachada ocupável para criar um laboratório comunal para técnicas pioneiras de agricultura urbana. A vegetação tem apoio de elementos de proteção solar, que também auxiliam no fornecimento da circulação de ar resfriado nos interiores do edifício.

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Dentro do edifício, o hall da Assembléia Parlamentar tem 127 poltronas e foi projetado para não replicar os modelos ocidentais de câmaras governamentais, mas respondem à necessidades, recursos e clima locais. Para alcançar isso, os arquitetos se voltaram para as configurações tradicionais dos governos de Burkina Faso.

“Em áreas rurais, os mais anciões dos vilarejos se reúnem para discutir assuntos importantes sob a sombra de uma grande árvore. Aqui foi reinterpretado como uma Árvore de Palavras, em um jardim privado diretamente adjacente ao hall da Assembléia formal onde os membros do parlamento podem se reunir mais diretamente.”

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O novo edifício do parlamento está inserido em um masterplan maior que também fará homenagem à história do terreno – no lugar da ruína do edifício antigo, será erguido um memorial na forma de uma depressão e um espelho d’água onde a água da chuva pode ser recolhida para irrigação in loco e também como um sistema de resfriamento passivo para os interiores. O espaço pretende criar uma atmosfera serene onde “visitantes podem relaxar na sombra e refletir naqueles que perderam a vida nas revoltas.”

No entorno do memorial, um bosque de árvores nativas irá proporcionar zonas sombreadas para sentar e se reunir. No entorno, novas lojas comerciais e espaços de exposições vão ativar o espaço.

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Em uma época transformadora para Burkina Faso, o projeto aborda a questão de “como avançamos?” ao criar um edifício e um masterplan que são de fato para seu povo.

“Queremos que todo o edifício seja uma plataforma para as pessoas se apropriarem.”

O projeto esteve em exibição na 15ª Exposição de Arquitetura Internacional  Reporting from the Front para a Bienal de Veneza

Arquitetura: Kéré Architecture
Localização: Ouagadougou, Burkina Faso
Equipe de Projeto: Francis Kéré, Adriana Arteaga, Jaime Herraiz, Andrea Maretto, Diego Sologuren Martin, Nina Tescari, Blake Villwoc

Empresas de construção declaram falência em Angola

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Carlos Paulino| Menongue
 
 
Mais de 50 empresas privadas do Cuando Cubango, com destaque para as de construção civil e comércio, declararam falência no primeiro semestre, quando o Departamento de Inspecção Geral do Trabalho emitiu, diariamente, notificações contra despedimentos arbitrários, revelou ao Jornal de Angola o responsável daqueles serviços.
Gabriel Mualela disse que o Departamento de Inspecção Geral do Trabalho tinha inscritos, no começo do ano, 248 empresas privadas e 1.741 empregados, muitos deles despedidos à medida em que as falências e situações de restrição financeira tomam conta do mercado.
As empresas alegam a falta de divisas, a elevada taxa de câmbio, a perda da capacidade para importar e do poder de compra da população como os principais factores para solicitarem falência, até porque, as que estão a resistir vendem a preços exorbitantes por comprarem divisas no mercado informal para conseguirem manter os negócios.
Gabriel Mualela avançou que as empresas de construção civil do Cuando Cubango estão praticamente todas fechadas, uma vez que as grandes obras tiveram que paralisar devido à conjuntura económica.
O chefe do Departamento de Inspecção Geral do Trabalho afirmou que, de Janeiro a Junho, foram realizadas 191 inspecções a empresas que permitiram detectar 782 infracções e cobrar multas de 611.025 kwanzas.
A lista das infracções é liderada pelo sector do Comércio com 551, seguido do de Hotelaria e Turismo (97), prestação de serviços (57), Saúde (33), Indústria, Geologia e Minas (21), Construção Civil (19), Banca e Telecomunicações. As infracções incluem a falta de inscrição dos trabalhadores no Sistema de Segurança Social, boletim de sanidade, despedimento arbitrário, ausência de qualificadores ocupacionais, registo nominal dos trabalhadores, elaboração do horário de trabalho (46), atrasos de salário e de gozo de férias. No mesmo período de 2015, foram efectuadas 116 inspecções e registadas 302 infracções, tal como multas de cerca 1,745 milhões de kwanzas.
 
 

Trabalhadores chineses expulsos de Moçambique por contratação ilegal

Hard_chineses-obras_ML-620x465Vinte e um trabalhadores de nacionalidade chinesa, afetos à empresa ZTE Mozambique, Lda foram suspensos, com efeitos imediatos, por contratação ilegal à luz da Lei nº 23/2007, de 1 de Agosto (Lei do Trabalho).

Trata-se de Mengmeng Li, Yawei Zi, Qinping Ou, Zichen Cao, Jie Chen, Jinfeng Li Hao Qin, Liu Wang, Weiming Cao, Chuanyong Li, Xiruo Liu, Kui Liu, Chen Yu, Zhu Xinmao, Sun Jinlong, Zhang Liang Chang, Zhang Wet, Xue Quan, Chu Gang, Chen Chen Yue, e Liu Yang, segundo um comunicado de imprensa enviado ao @Verdade, na terça-feira (24), pela Inspecção-Geral do Trabalho (IGT).

Aquela instituição do Estado indica que os chineses expulsos exerciam as funções de engenheiros de tecnologias de informação e comunicação.

Em Março passado, algumas das cerca de 60 companhias chinesas que operam em Moçambique, sobretudo na área de construção, queixaram-se das dificuldades que enfrentam para contratar os moçambicanos formados na China, os quais, segundo explicaram, mereceram prioridade porque falam a sua língua, o que facilita a comunicação e o trabalho.

Li Chunhua, embaixador da China em Moçambique, disse, num encontro com Vitória Diogo, ministra do Trabalho, Emprego e Segurança Social, que anualmente as firmas chinesas divulgam anúncios para o provimento de vagas mas não são ocupadas, além de que os centros de emprego do país não dispõem de uma base de dados sobre o emprego e oferta de técnicos. “Precisamos de uma maior interligação entre esses licenciados e as empresas chinesas”.

http://www.verdade.co.mz/newsflash/58053-trabalhadores-chineses-expulsos-de-mocambique-por-contratacao-ilegal-

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Construtoras portuguesas dizem que Moçambique continua a ser mercado promissor

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Construtoras portuguesas defenderam que, apesar da crise que o país enfrenta, continua a ser um mercado promissor. Incentivo ao investimento estrangeiro como um dos caminhos para o atual mau momento.
 
 
Construtoras portuguesas em Moçambique defenderam à Lusa que, apesar da crise que o país enfrenta, continua a ser um mercado promissor, apontando o incentivo ao investimento estrangeiro como um dos caminhos para o atual mau momento.
 
“Moçambique tem enfrentado um momento complicado, mas acredito que é um período curto e, tal como outros países que já estiveram numa situação similar, vai sair desta situação”, disse à Lusa o diretor-financeiro da Mota-Engil em Maputo, Paulo Pereira, uma das empresas representadas da Expoconstrução Tektonica, que hoje encerra a sua quinta edição na capital moçambicana.
 
Apontando, a título de exemplo, a situação de Portugal, que “sai de uma crise muito mais contundente”, Paulo Pereira disse que, com mais investimento estrangeiro, os desafios económicos em Moçambique poderão ser superados e o país continua a afirmar-se como um mercado promissor a nível regional.
 
“Moçambique, com as empresas portuguesas e investidores internacionais, vai ultrapassar a crise. Não tenho dúvidas”, sustentou Paulo Pereira, acrescentando que se trata de uma crise que está a ser sentida em “vários outros lugares do mundo”.
 
Por sua vez, João Lopes, diretor-geral da Mercury, do grupo Visabeira, disse à Lusa que a crise em Moçambique começa a afetar as empresas do setor da construção, principalmente as que importam matéria-prima, devido à depreciação do metical, manifestando, no entanto, o seu otimismo para os próximos tempos.
 
“Os preços tendem a subir no mercado interno e isto leva as empresas a optarem por algumas restrições de consumo”, lamentou João Lopes, observando que, caso a situação prevaleça, é possível que os projetos no setor da construção comecem a abrandar.
 
“A situação é complexa mas o mercado da construção de Moçambique é promissor”, frisou João Lopes.
 
O gestor de produtos da Geonext, Miguel Gomes, afirmou, por seu turno, à Lusa que a situação em Moçambique está a ficar um “bocado complicada”, observando que dos oito anos que a sua empresa atua no país esta pode ser considerada a pior fase de todas.
 
“Temos registado casos em que os pagamentos têm alguns problemas para chegar a Portugal, possivelmente devido à falta de divisas e tudo isto tem complicado os negócios futuros”, afirmou Miguel Gomes, acrescentando que, infelizmente não basta apenas um “enorme potencial” de mercado, é necessário que sejam criadas condições favoráveis para os negócios.
 
“As informações que têm saído não são das melhores e tudo isto cria uma certa retração do mercado”, lamentou Miguel Gomes, sustentando que, entretanto, o futuro de Moçambique ainda é promissor, tendo em conta que “o país é fantástico e de boa gente”.
 
A economia moçambicana está a ser abalada desse o final do ano passado por uma forte desvalorização do metical face ao dólar, aumento da inflação e ainda os efeitos de desastres naturais e uma crise político-militar sem fim à vista.
 
O investimento caiu mais de 70% em 2015 face ao ano anterior e os principais doadores de Moçambique anunciaram a suspensão dos seus financiamentos após a revelação de avultadas dívidas garantidas pelo Estado à revelia das contas públicas.
 
Apesar de todas as ameaças à economia, e à forte derrapagem da dívida pública, o Governo moçambicano afirma que aposta no aumento da produtividade e competitividade para criar resistência ao choque externo que enfrenta.