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Quem são as cientistas negras brasileiras?

As mulheres negras que realizam pesquisas voltadas para ciências exatas são pouco mais de 5.000

São Paulo 
Sonia Guimarães no ITA.
Sonia Guimarães no ITA. ROOSEVELT CÁSSIO

Quando criança, Sonia Guimarães era a segunda melhor aluna da sala e adorava matemática. No primário, ficou entre as cinco melhores da classe. Estudava de tarde, mas quem se destacava tinha a chance de ir para a turma da manhã. Sonia não foi porque foi preterida pela filha de uma das funcionárias, que havia pleiteado a vaga. “Quem tiraram? A pretinha. Eu me senti depreciada por isso”, lembra ela. A hoje professora de Física no Instituto Tecnológico da Aeronáutica(ITA), uma das instituições de ensino mais conceituadas e concorridas do país, lembra que essa não foi a única passagem de racismo que a marcou em sua vida. Mas, apesar da torcida contra, conseguiu o primeiro título de doutorado em física concedido a uma mulher negra brasileira.

Ela, porém, sequer sabia dessa deferência. “Descobri por acaso quando o site Black Women of Brazil fez uma matéria. Nem meus chefes no ITA sabem disso! Alguns alunos descobriram porque eles pesquisam sobre mim na internet”. Estudante de escola pública durante toda a vida, Sonia trabalhava na adolescência e todo seu dinheiro era destinado a pagar o cursinho, já que fazia ensino médio técnico. Sonhava em ser engenheira civil. Para realizar seu sonho prestou Mapofei, um vestibular que na década de 1970 dava vagas para as grandes faculdades de engenharia deSão Paulo. Mas foi orientada por um professor a colocar como opções no vestibular os cursos que tivessem menor procura. Sua escolha foi para física. “No segundo ano [do curso], eu prestei vestibular para engenharia civil, mas comecei a ter aula de física que estuda materiais sólidos, e me apaixonei”.

saga de Sonia faz um paralelo com a de Katherine Johnson, Mary Jackson e Dorothy Vaughanque faziam parte da equipe de “computadores humanos” da Nasa, na época em que negros não podiam nem mesmo usar os mesmo banheiros que funcionários brancos na Agência. Elas são as protagonistas do filme Estrelas Além do Tempo. A presença de mulheres negras na ciência também é mínima no Brasil. Embora o país tenha 52% de negros, somente em 2013 soube-se quantos deles estavam na área científica.

Foi nesse ano que o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) solicitou que os pesquisadores brasileiros informassem raça e cor em seus lattes. Um estudo feito em 2015 tendo como base essas informações, mostra que entre 91.103 bolsistas da instituição cursando pós-graduação, seja em formato de Mestrado, Doutorado ou Iniciação Científica, as mulheres negras que realizam pesquisas voltadas para ciências exatas são pouco mais de 5.000, ou 5,5%.

Essa pouca diversidade colabora para que a ciência produzida no Brasil seja descolada da necessidade da população, avalia Anna Maria Canavarro Benite, presidenta da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN). Embora o país seja um dos maiores produtores de artigos científicos, ocupando o 13º lugar no ranking elaborado pela empresa Thomson Reuters, essa produção é descolada da necessidade da população. “O Brasil produz muito. Mas, por exemplo, agora o país vive um surto de febre amarela e essas pesquisas não ajudam a vida prática da sociedade”, afirma.

Anita Canavarro, como é conhecida, também é professora de química da Universidade Federal de Goiás(UFG) e dedica sua carreira a “descolonizar” o currículo da disciplina nas escolas públicas. A professora chama de “descolonização” a necessidade de colocar o negro como sujeito produtor da tecnologia. “Nós temos traços de apagamento e invisibilização. Vários artefatos tecnológicos utilizados no Brasil são datados desde antes da chegada do colonizador e até hoje não são creditados”, explica Anita. A indústria de mineração, por exemplo, utiliza colunas de destilação que tem arquitetura semelhante à de fornos africanos. Já a indústria de mineração utiliza até os dias atuais processos já utilizados por povos africanos que faziam fundição de ferro, explica ela. “Ao mesmo tempo, a primeira Constituição do Brasil proibia negros de irem à escola alegando que eles possuíam moléstias contagiosas”.

Antes de ser cientista, a presidenta ABPN era uma moradora da Baixada Fluminense que se aproximou das ciências exatas porque percebeu que os cursos ligados à licenciatura eram menos disputados na Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ), quando iniciou sua graduação em 2001. “Uma vez no curso, eu me apaixonei pelos processos de transformação da matéria. Hoje minha leitura de mundo é muito ligada a isso”.

Ao contrário de Anita e Sonia, Katemari Rosa sempre foi apaixonada pela ciência. “Eu escolhi fazer física porque eu quis descobrir o céu, quando criança me apaixonei por astronomia”, diz ela. A maioria dos astrônomos são formados em física e por isso seguiu o curso, explica.

Gaúcha, Katemari estudou no atual Instituto Federal do Rio Grande do Sul(IFRS), ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). Foi no campus que ela pôde frequentar o observatório e o planetário da universidade.

Quando ela olha para trás, se lembra de casos de racismo que sofreu, mas que na época não identificava como tal, como quando a funcionária da escola que cuidava de estágios a indicou para uma vaga de assistente de dentista. Além de atender telefone e fazer coisas específicas da função, foi orientada a lavar a louça do consultório. “A funcionária jamais indicaria uma daquelas meninas brancas para essa vaga”.

O maior choque que teve, porém, foi quando se mudou para Salvador para fazer o Mestrado. A cidade com mais negros no Brasil tinha uma universidade pública que não espelhava isso, já que no Instituto de Física da Universidade Federal da Bahia (UFBA) havia apenas um professor negro. “A gente tem dificuldade de atribuir ao racismo porque isso significa que existem pessoas pensando que a gente é menos gente. Trata-se de um mecanismo de defesa, como dizia Derrick Bell”, reflete ela, citando o primeiro professor negro de Direito em Harvard nos anos 1970. “É difícil de explicar e só quem sente, sabe. A gente tem essas sensações, mesmo que não atribua ao racismo, na experiência cotidiana”.

A física atualmente trabalha na Universidade Federal de Campina Grande(UFCG), onde concentra seus esforços para formar novos professores que entendam a necessidade de inspirar jovens a seguir no caminho das ciências. “Uma das minhas alunas fez um projeto para examinar livros didáticos de física do ensino médio. Nas imagens analisadas, as pessoas negras só apareciam na parte de mecânica, velocistas africanos ou jogadores de futebol”, relata. As negras estavam empurrando carrinho de bebê. “E a gente pensa que física não tem nada a ver mas está cheio de imagens que reforçam o papel da mulher, o papel do negro. Nós aprendemos desde cedo onde são nossos lugares”.

A química Denise Fungaro, por outro lado, confessa que não se atentava para a inexistência de professores e colegas negros quando entrou na Universidade de São Paulo (USP) em 1983. “Eu não sofria discriminação. Nunca tive professores negros, mas como a avaliação é feita através de provas não tem como a pessoa te discriminar”, afirma. “Hoje entendo que eu era exceção, a única aluna negra no curso em um país onde 52% da população é negra”. Ela acabou de ser agraciada com o prêmio Kurt Politzer, concedido pela Associação Brasileira de Indústria Química (ABIQUIM), mas seu desejo é servir de inspiração para sua filha que tem três anos. “Eu quero que ela saiba que pode ser bem-sucedida em outras áreas que não sejam exclusivamente artísticas ou esportivas”.

Enquanto isso, Sonia Guimarães pensa em se aposentar do ITA, mas não sabe quando. Na conversa com o EL PAÍS, lembra dos tempos em que trabalhou na Itália e em que estudou na Inglaterra, enquanto dá entrevistas para meninas do ensino médio, através do projeto “Elas nas Exatas”. Tornou-se também voluntária ensinando inglês para que outros jovens negros realizem seus sonhos de uma formação no exterior

 

Fonte;https://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/24/ciencia/1487948035_323512.html

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Senegalesa quer capacitar meninas e mulheres para ciência e tecnologia

Uma das pessoas mais poderosas da África quer capacitar meninas e mulheres para a Ciência e a Tecnologia. Em entrevista exclusiva a EXAME, ela explica como

São Paulo – Ela foi abandonada pela mãe enquanto criança na zona rural do Senegal, não teve acesso à educação na infância e juventude e foi traficada para a França.

Mariéme Jamme se recusou a continuar parte das estatísticas que atormentam mulheres marginalizadas e aprendeu sozinha a ler e a escrever aos 16 anos. Dois anos depois, vivendo no Reino Unido, dominava sete linguagens diferentes de programação, uma habilidade que lhe garantiu empregos em grandes corporações.

Com a cabeça naquelas que não conseguiram deixar os ciclos de violência e exclusão que ela mesma conheceu, Mariéme virou ativista e criou projetos para inserir jovens senegalesas no mundo das Ciências Exatas. Ainda assim, sentia que suas ações não estavam criando impactos suficientes para mudar a realidade dessas pessoas. Queria mais.

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Criou, então, o iamtheCODE, que, segundo ela, é um dos maiores e “talvez o primeiro” movimento criado na África que tem impacto global. O projeto está hoje presente em 60 países e atua a partir da mobilização de governos e iniciativa privada na capacitação de meninas e mulheres para a Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. O objetivo? Ensinar um milhão delas a programar até 2030.

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“Por anos, meninas e mulheres foram deixadas para trás, especialmente em países como o Brasil, países da África e do Oriente Médio. Precisamos prestar atenção nisso”, avaliou em entrevista exclusiva a EXAME. “Quero garantir que elas tenham a capacitação e a confiança de que podem conseguir empregos em empresas desses setores”, reforçou.

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Mariéme teve o trabalho reconhecido pela Unicef e foi eleita uma das mulheres mais poderosas da África pela revista Forbes. Por telefone, falou a EXAME sobre a chegada de iamtheCODE no Brasil, empoderamento em comunidades marginalizadas e os desafios de agir em lugares nos quais a visão tradicional dos gêneros ainda é a realidade.

Abaixo, confira a entrevista:

EXAME – Por que é importante ensinar programação?

Mariéme – O importante não é apenas aprender a programar, mas sim inserir as pessoas no mundo digital, que é a direção em que estamos caminhando. Há muitos desafios por aí, especialmente com a robótica e a automação impactando os empregos, e são muitas as tendências para os próximos dez anos. Se não capacitarmos as mulheres nessas áreas, vão ficar para trás.

Acredito que é importante trabalharmos não só a capacitação em programação, mas também a educação digital como um todo, ensinar essas mulheres a procurarem por dados e soluções para seus problemas. Nosso objetivo é o de garantir que elas estejam sempre bem-informadas para tomar as suas decisões.

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EXAME – Essa é essa premissa por trás do movimento iamtheCODE? Pode nos contar um pouco mais sobre o projeto?

Mariéme – O iamtheCODE é um dos maiores, talvez o primeiro, movimento criado na África e que tem impacto global e foi criado por mim a partir da minha própria frustração.

Na época em que a ideia surgiu, eu estava aprendendo a ensinar meninas a programar e investigando como dar acesso à essa educação para as mulheres. No entanto, não conseguia ver os impactos das minhas ações nos governos e no setor privado. Assim, decidi criar algo holístico em que pudesse mobilizar essas pessoas a realmente investir na educação.

Educação não pode ser caridade. As meninas que cresceram em favelas, por exemplo, não deveriam estar ali, mas estão porque alguém não está fazendo o seu trabalho. Queremos transformar as meninas da favela em mulheres bem-sucedidas, dar para essas pessoas esperança e oportunidades.

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EXAME – IamtheCODE agora está presente em 60 países. Em muitos deles, a sociedade ainda enxerga os gêneros a partir dos seus papeis tradicionais. Como convencer as pessoas da importância de ensinar programação para meninas e mulheres?

Mariéme – É muito desafiador e, ao mesmo tempo, animador, pois está claro que não podemos mais excluir as meninas e as mulheres das narrativas. Já tiramos coisas demais delas nos últimos anos.

Na semana passada, eu estava em Gana para uma palestra. Nela, um homem se levantou e perguntou por quê estávamos falando apenas sobre a capacitação de meninas e mulheres. Eu respondi que entendia que se essas medidas não impactassem os meninos, eles também ficariam para trás. E esse é também um desafio, ainda há muitas pessoas que não acreditam que as mulheres deveriam estar nessas discussões.

Mas esse é também o nosso trabalho e é por isso que iamtheCODE é tão importante: educamos, informamos e realizamos trabalhos de advocacy para conscientizar os governantes sobre importância da inclusão feminina.

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EXAME – Quais os planos para iamtheCODE no Brasil?

Mariéme – Temos uma empresa britânica parceira que está presente em São Paulo e nossa intenção é a de iniciar as operações dos clubes de programação em Salvador, São Paulo e Recife ainda neste mês. A expectativa é a de que todos os clubes estejam em atividade até o fim de maio.

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EXAME – O projeto também pretende inserir essas meninas e mulheres no mercado de trabalho?

Mariéme – Estamos falando de comunidades marginalizadas, especialmente a negra, portanto, nossa prioridade é inspirá-las, mostrá-las que não é por serem negras que não podem ser bem-sucedidas no Brasil. Depois, queremos realmente ajudá-las a ter a confiança de que vão aprender e de que podem trabalhar em uma empresa de tecnologia.

Nosso objetivo é o de auxiliá-las a conseguir esse emprego no final da jornada. Até o momento, trabalhamos com meninas entre 11 e 18 anos de idade, mas já estamos olhando para a geração seguinte, jovens entre 18 e 25 anos.

Especificamente sobre o Brasil, o sistema ainda é muito racista e não acho que está pronto para contratar pessoas negras na Tecnologia e da Inovação. Não desejamos tornar isso uma questão racial, mas vejo que o maior desafio no país é o de encontrar pessoas que estejam dispostas a dar uma chance para as minorias.

Uma das coisas que queremos fazer no Brasil é convidar as mulheres que fazem parte desse mundo a terem mais compaixão e empatia. Acho que ainda não há muito interesse em ajudar as minorias, mas espero conseguir mostrar que a tecnologia não conhece barreiras, passaportes, raças.

Temos meninas programando em São Francisco (Estados Unidos) e no Quênia. Então, o problema não é conhecimento, mas sim inclusão e quero garantir as pessoas entendam e falem sobre o assunto.

trip272-marieme-header.jpgEXAME – Sua história de vida é impressionante. Quando você olha para trás, como se sente?

Mariéme – É uma lição de humildade, mas é fruto de trabalho duro. Me sinto lisonjeada de ter a atenção da imprensa, de ver as pessoas interessadas na minha história e é por isso que quero deixar meu legado no mundo e nas meninas.

Minha história não me define, sou o exemplo de pessoa que foi pobre, marginalizada e que conseguiu ser bem-sucedida. Mas, o Reino Unido me deu oportunidades: vivo em um país que reconheceu meu valor. Então, quero devolver para a sociedade, pois todos os dias milhões de meninas são traficadas, violadas, abusadas, discriminadas e ninguém faz nada.

É evidente que, se você der para uma menina habilidades e oportunidades para pensar e se educar, ela será muito bem-sucedida.

Esta senegalesa tem um plano para ensinar 1 milhão de meninas a programar

Comissão da União Africana lança plataforma de Gestão de Conhecimento

união-africana-5176648710 de abril de 2018

Addis Abeba, Etiópia, 10 de abril de 2018: A Comissão da União Africana fez a sua incursão no mundo cibernético ao revelar oficialmente a sua plataforma online de Gestão do Conhecimento (KM) do Fórum Africano de Governança da Internet (AfIGF).

A plataforma de Gestão do Conhecimento foi criada em resposta ao pedido esmagador das partes interessadas da Internet na África, especialmente durante o 6º Fórum Mundial e Africano de Governança da Internet (IGF), realizado em dezembro de 2017 no Egito e na Suíça, respectivamente.

“A plataforma está conectada aos recursos do site do IGF africano ( https://www.afigf.africa )”, explica Moctar Yedaly, chefe da Sociedade da Informação no Departamento de Infraestrutura e Energia da Comissão da União Africana.

“Servirá também como um espaço para a troca regular de pontos de vista e informação, bem como para um melhor planeamento e implementação dos programas africanos de TIC e Governação da Internet da Comissão da União Africana, das Comunidades Económicas Regionais e dos estados membros para o processo de preparação de políticas na Internet. importa ”, acrescentou Yedaly.

Através da plataforma de Gestão do Conhecimento, que é ativa com várias comunidades e fóruns, os interessados ​​ajudariam a abordar os desafios das TIC em geral e as questões de política da Internet em particular. Isto, idealmente, deveria ajudar a estabelecer posições africanas comuns em várias questões.

As partes interessadas podem ir para https://knowledge.afigf.africa/ para começar a colaborar, compartilhar e atribuir.

Nota para os editores

A Governança da Internet é vista como a evolução das políticas e mecanismos sob os quais os principais interessados ​​da comunidade da Internet (governo, empresas, sociedade civil, academia) fazem recomendações sobre o desenvolvimento e o uso da Internet. Ela abrange os principais objetivos da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (WSIS) (Genebra 2003, Tunis 2005).

As partes interessadas africanas que desejarem se registrar enviariam um pedido via e-mail para yedalym@africa-union.org e Suliemana@africa-union.org

Para mais informações, contacte a
Direcção de Informação e Comunicação | Comissão da União Africana I E-mail: dic@africa-union.org I Site na Web: www.au.int I Addis Ababa | Etiópia
Consulta de imprensa Contatos: Sophia Nesri | Analista de Informação PIDA | Departamento de Infraestrutura e Energia | Comissão da União Africana I E-mail: sophian@africa-union.org I Site na Web: www.au.int I Addis Ababa | Etiópia
Esther Azaa Tankou / Chefe da Divisão de Informação / AUC / Tel: +251 911361185 /
E-mail: yamboue@africa-union.org

Fonte:https://au.int/en/pressreleases/20180410/auc-launches-online-knowledge-management-platform

Jeuneafrique: ” A diplomacia da generosidade”

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The Economist em sua edição de 17 de julho, ele fez um balanço dos vários canais de ajuda pública brasileira aos países pobres e descobriu que alcançou US $ 1,2 bilhão (910 milhões de euros). E até mais de 4 bilhões, se somarmos os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Porque os 30 milhões de dólares que permitem à Agência Brasileira de Cooperação prestar assistência técnica aos países do Sul são complementados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Programa Mundial de Alimentos (PMA), programas para Gaza (US $ 300 milhões) ou Haiti (US $ 350 milhões). A ajuda estritamente humanitária do Brasil aumentou em 20% nos últimos três anos.

Ainda auxiliado pelo Banco Mundial, o Brasil está se tornando um dos maiores doadores do mundo e gasta tanto quanto, por exemplo, o Canadá. Essa política foi descrita pelos próprios brasileiros como “diplomacia de generosidade”.

Trata-se de países de língua portuguesa, que se beneficiam sobretudo no campo da saúde (luta contra a AIDS), mas também francófonos como o Mali (pesquisa do algodão) ou o Haiti (ajuda alimentar). Neste último país, o Brasil subsidia um programa que permite que mães carentes cujos filhos freqüentem a escola e sejam vacinados para receber alimentação gratuita, à maneira do Bolsa Família .

Ao contrário da China, que financia estradas e ferrovias, o Brasil prefere priorizar programas sociais e agricultura, onde se destaca.

Professor ganense ganhou computadores depois que suas aulas viralizaram nas redes sociais

Muitos de vocês devem se lembrar da emocionante história do professor de Gana que, na falta de acesso a computadores, acabou por desenhar uma janela inteira do Word para ensinar seus alunos sobre o funcionamento dessas tecnologias. O caso, embora recente, levou a uma resposta intensa do público, com direito a uma declaração da própria Microsoft informando que iria fornecer equipamentos para o Prof. Richard Akoto.

Felizmente, toda a comoção do público não ficou nas palavras. Para começar, a gigante de Redmond manteve sua promessa e levou Akoto até Cingapura para participar do evento educacional Microsoft Education Exchange e receber um computador para ajudá-lo nas tarefas.

Além disso, como relata o site Quartz, outras doações foram feitas para o professor pouco depois. Um notebook novinho em folha, por exemplo, teria sido doado por um benfeitor da University of Leeds, no Reino Unido. Dias depois, cinco desktops teriam sido doados para a escola pela NIIT, uma escola de treinamento em computação localizada em Accra, capital de Ghana, junto de um laptop para uso pessoal de Akoto.

Não parece suficiente? Então que tal dizer que muitos estão cotando o Akoto para receber o prêmio anual “Melhor Professor Nacional”, que dá ao vencedor uma casa de três quartos para ele morar em qualquer lugar de sua escolha, entre outros ganhos? Pois é. Não dá pra negar que as mudanças na vida desse professor foram enormes – e, convenhamos, bastante merecidas.

Fonte:https://www.tecmundo.com.br/ciencia/128208-professor-gana-recompensado-varios-computadores-doados.htm

Inteligência artificial vai mudar todos os relacionamentos humanos

Para historiador, Google, Facebook e Amazon competem em revolução digital e redes sociais ficam arcaicas

Silas Martí
NOVA YORK
O historiador Andrew Keen, fala ao público durante debate da União Europeia
O historiador Andrew Keen, durante debate da União Europeia – Mélanie Wenger/ DLD

Quando descreveu os perigos da internet em seu primeiro livro há dez anos, Andrew Keen ficou conhecido como o anticristo do Vale do Silício, uma rara voz dissonante num momento em que o mundo parecia celebrar as maravilhas das redes sociais.

Em “O Culto do Amador”, o historiador que trocou seu Reino Unido natal pela meca do “big tech” na Califórnia, onde fundou uma série de start-ups que fracassaram, já falava na erosão da confiança em instituições que são pilares da sociedade moderna.

Ele previu a era das “fake news”, com a crise da mídia tradicional diante da ascensão da opinião de amadores na rede mundial, e o fim de certas experiências humanas, como a solidão e a privacidade, que desapareceriam num ambiente dado ao exibicionismo total.

Uma década depois, Keen aponta as consequências de um mundo inebriado pela internet em seu mais novo livro.

“How to Fix the Future”, recém-lançado nos Estados Unidos, descreve o quadro de medo e paranoia que domina a época atual e aponta a eleição de Donald Trump como fenômeno de um momento em que a crença cega na suposta transparência do ambiente virtual acabou gerando sociedades mais opacas.

Nesta entrevista, Keen comenta a crise de imagem do Vale do Silício, prevê um futuro controlado por inteligência artificial e aponta ameaças que o amor à tecnologia pode impulsionar, entre elas o levante de uma tecnocracia digital na China e de uma nova guerra fria causada por políticas digitais divergentes.

Folha – Seus livros e artigos são um alerta sobre os perigos da internet há uma década. Como vê a rede mundial hoje?

Andrew Keen – Tenho uma visão histórica sobre a revolução digital e a vejo como outras grandes mudanças tecnológicas e culturais do passado, como a Revolução Industrial e a Reforma Protestante, mas já não gosto mais de usar essa palavra internet.

A internet está em todos os lugares hoje em dia e provocou uma mudança profunda na forma como aprendemos, conversamos e administramos governos e os negócios.

É uma mudança tão forte quanto a Revolução Industrial, com a diferença que já não há crianças trabalhando em fábricas que cospem fumaça nem o surgimento de uma nova classe proletária.

Em vez disso, as empresas de tecnologia se tornaram as mais ricas e poderosas do planeta e estão todas concentradas na costa oeste dos Estados Unidos. Isso gerou outros níveis de riqueza e figuras como Jeff Bezos, o dono da Amazon que é talvez o homem mais rico da história.

O que está no horizonte como próxima fase dessa evolução?

Sempre tendemos a superestimar a velocidade com a qual a tecnologia pode mudar o mundo, mas acredito que nos próximos 15 anos a inteligência artificial vai mudar todas as indústrias e todos os relacionamentos humanos, por isso empresas como Google, Facebook e Amazon agora estão competindo para ver quem vai dominar essa área.

Mas acredito que pode até haver uma nova empresa, uma espécie de novo Google ou Amazon, que vai surgir e transformar todas as coisas.

A inteligência artificial já é uma realidade, não é só conversa ou uma propaganda vazia. E ela vai mudar a maneira em que pensamos sobre nós mesmos quando começar a substituir as pessoas em fábricas ou a servir fast food ou a trabalhar como médicos, advogados e até professores.

Os humanos podem se tornar obsoletos no futuro próximo?

Não penso isso, mas precisamos entender o que está acontecendo e desenvolver novas formas de agir. Na era das máquinas inteligentes e dos algoritmos, precisamos entender o que só os humanos ainda conseguem fazer.

Mas, enquanto essa reflexão não amadurece, acredita que a tecnologia e as redes sociais vão continuar a agravar o quadro de descrença em relação à política da atualidade descrito em seu livro mais recente?

A tecnologia não é o que levou Donald Trump ao poder ou o que está por trás da xenofobia. Mas a realidade é que a revolução digital criou outras formas de escassez. Há escassez de confiança e de capacidade de prestar atenção. Estamos confiando cada vez menos em todas as coisas.

Isso começou com a maneira como a internet gerou um fetiche em torno de amadores, minando nossa confiança em especialistas, curadores, profissionais e críticos. Foi a natureza democrática dessa tecnologia que nos levou a essa crise de confiança.

Trump é o presidente da internet. Ele representa os piores elementos das redes sociais, o narcisismo, a obsessão com o próprio ego, a inabilidade de ouvir. É o primeiro presidente antissocial.

Qual o antídoto para isso?

Mesmo que a tecnologia tenha provocado essa crise, acredito que nossa confiança possa ser reconstruída usando essa mesma tecnologia.

Seu livro dá exemplos bons e ruins de nações como Estônia e Cingapura, que estão ancorando seus governos em inovações tecnológicas. Quais são as vantagens e os perigos da ideia de país inteligente?

Nada é inevitável em relação à tecnologia, então tudo depende de como ela é usada. A Estônia é um bom exemplo de como um governo pode ser mais transparente com a tecnologia. Não é perfeito, mas está inspirando sistemas parecidos em todo o planeta.

O caso de Cingapura é mais preocupante porque há uma ausência de democracia, mas até o sistema paternalista deles parece funcionar melhor do que a democracia disfuncional que estamos vivendo agora nos Estados Unidos.

A China também está avançando nesse cenário e exerce grande controle sobre seus cidadãos censurando a internet e monitorando manifestações online. Como avalia isso?

O modelo de países inteligentes tem problemas, mas em todos eles há um grau de prestação de contas à sociedade que não existe na China.

Deveríamos estar bem mais preocupados com o caso chinês. Eles estão construindo um sistema orwelliano, em que o governo determina o destino das pessoas em termos de moradia, educação e privilégios sociais com base nos dados que tem sobre eles.

Eles estão se aproximando cada vez mais de um regime totalitário. É um pesadelo, uma tecnocracia digital onde os direitos individuais são ignorados.

No século 21, podemos ter uma nova guerra fria em que a base do conflito não será mais a diferença entre regimes econômicos e sim a maneira como cada país conduz as suas políticas digitais.

Mas mudanças como a decisão dos EUA de acabar com a neutralidade da rede não contribuem para um controle excessivo no resto do mundo?

Essa coisa de neutralidade da rede é uma ilusão completa, é “fake news” criada pela esquerda americana.

Eles sugerem que o perigo está no controle da rede por empresas como AT&T e Comcast, mas elas são minúsculas perto do Google e da Amazon.

Esse debate é um desperdício de tempo que só reflete o medo e a paranoia dessa época em que estamos vivendo.

A real ameaça à democracia está em como o Facebook e o Google se tornaram superpoderes globais enquanto o governo americano não funciona. Ninguém ali trabalha.

Você acredita que os EUA deveriam seguir os passos da União Europeia e impor mais restrições a essas empresas?

Os americanos sempre gostam de pensar que são mais avançados do que o resto do mundo, mas nesse ponto ficaram muito para trás em relação aos europeus. O século 21 já nos deu motivos para repensar as regras antitruste.

Haverá cada vez mais pressão para uma proteção maior de dados pessoais, como já existe na Europa. E penso que nas próximas eleições aqui os candidatos vão disputar cargos com plataformas anti-Vale do Silício da mesma forma que já atacaram Wall Street.

O “big tech” está vivendo o auge de uma crise de imagem?

O espírito dessa época é outro. A histeria em torno das redes sociais já se esgotou. Elas se tornam cada vez mais arcaicas e fora de moda.

Há dez anos eu era o único a dizer que elas enfraquecem a credibilidade e a verdade, enquanto hoje todos concordam com isso.

Elas prometiam transparência, mas nosso mundo só se tornou mais opaco e ninguém sabe o que essas empresas fazem com todos os nossos dados.

Os consumidores vão começar a peitar essas firmas. E o Google e o Facebook vão precisar aprender algumas lições com outras indústrias, como a dos automóveis, que se repensou para sobreviver.

A tecnologia é tão perigosa quanto o nosso amor por ela.

RAIO-X

Vida
Nasceu em Londres, em 1960, e hoje vive em Berkeley, nos Estados Unidos

Formação
Estudou história e ciências políticas na Universidade de Londres e na Universidade da Califórnia, em Berkeley

Carreira
Em 1995, ele fundou a Audiocafe.com, que fechou cinco anos depois. Trabalhou em empresas de tecnologia como Pulse 3D, SLO Media e Santa. Ele hoje faz palestras sobre a revolução digital e é autor de quatro livros, entre eles “O Culto do Amador” e “How to Fix the Future”

HOW TO FIX THE FUTURE
AUTOR Andrew Keen
EDITORA Atlantic Monthly Press
QUANTO US$ 16,30 (R$ 52,98), 288 págs.

 https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/03/inteligencia-artificial-vai-mudar-todos-os-relacionamentos-humanos.shtml

11 de fevereiro, “Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência”

 

O dia 11 de Fevereiro foi instituído pela Organização da Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para comemorar o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Este dia constitui uma oportunidade para todos apoiarem a sua integração na ciência, com o intuito de chamar a atenção para a necessidade de se continuar os esforços na redução das diferenças de gênero na ciência.

Mensagem conjunta de Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO e Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres por ocasião do Dia Internacional de Mulheres e das Meninas na Ciência

e Phumzile Mlambo-Ngcuka1

Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO

Nosso futuro será marcado pelo progresso científico e tecnológico, assim como nosso passado. Esse progresso futuro será melhor quando se basear no talento integral, na criatividade e nas ideias de mulheres e meninas na ciência.

A maioria dos países, industrializados ou não, estão longe de alcançar a paridade de gênero nas disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (Science, Technology, Engineering and Mathematics –  STEM) em todos os âmbtios do sistema educacional. Esse deficit alimenta a lacuna no emprego. De acordo com estimativas do Instituto de Estatísticas da UNESCO (UIS), as mulheres atualmente representam menos de 30% da força de trabalho de pesquisa e desenvolvimento em todo o mundo.

O rápido crescimento dos setores de ciência e tecnologia são vitais para as economias nacionais. Lidar com alguns dos maiores desafios da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável – da melhoria do sistema de saúde ao combate da mudança climática – dependerá de aproveitar todos os talentos. Isso significa que precisamos alcançar um aumento significativo no número de mulheres que entram e permanecem nas carreiras de STEM.

Uma das principais ferramentas para combater a desigualdade de gênero nas ciências é desmantelar as barreiras para meninas e mulheres em casa, na sala de aula e no local de trabalho. Isso requer mudar de atitudes e desafiar os estereótipos. Precisamos combater percepções preconceituosas entre professores, empregadores, colegas e pais quanto à adequação de meninas e mulheres jovens na educação científica  – ou na aprendizagem da ciência de modo geral –, nas carreiras científicas e nas lideranças e coordenações no âmbito acadêmico.

É difícil para as meninas acreditarem em si mesmas como cientistas, exploradoras, inovadoras, engenheiras e inventoras quando as imagens que vêem nas mídias sociais, nos livros didáticos e na publicidade refletem os papéis estreitos e limitantes de gênero. É por isso que a ONU Mulheres está liderando a iniciativa Aliança Sem Estereótipo (Unstereotype Alliance), que incentiva anunciantes de publicidade, empresas de tecnologia e influenciadores a banir retratos antigos e estereotipados de gênero em publicidade que possam diminuir ou limitar o papel das mulheres na sociedade. Essas representações imprecisas podem dificultar as carreiras das mulheres, inclusive como inovadoras científicas.

relatório do Painel de Alto Nível sobre Empoderamento Econômico Feminino de 2017 do Secretário-Geral da ONU (link externo em inglês) explorou o impacto dessas normas sociais adversas e ressaltou a necessidade do diálogo com crianças e adolescentes, de modo que tanto as meninas como os meninos se vejam como igualmente capazes desde a primeira infância. Ele também analisou maneiras de promover modelos positivos como um dos principais impulsionadores da mudança para aumentar a participação econômica das mulheres em todo o mundo.

Mulheres fortes mais experientes podem mostrar às mulheres e às meninas o caminho para a liderança acadêmica, a pesquisa e os negócios ao longo de suas carreiras. É por isso que a UNESCO, juntamente com a Fundação L’Oréal, por duas décadas, tem incentivado as mulheres cientistas por meio do prêmio For Women for Science Awards, criado para celebrar as conquistas das mulheres cientistas. O nosso recentemente lançado Manifesto “For Women in Science”, é um apelo para incentivar o talento das mulheres, ao apoiar a educação de meninas em disciplinas STEM e ao garantir a igualdade de oportunidades, de modo que elas participem plenamente e liderem o amplo espectro de órgãos científicos de alto nível.

A ONU Mulheres e a UNESCO estão engajadas em continuar trabalhando no Sistema das Nações Unidas e com todos os nossos parceiros da sociedade pública, privada e civil para garantir que as meninas e as mulheres sejam representadas de forma mais igualitária, que a elas sejam concedidas todas as oportunidades que precisam para prosperar em disciplinas relacionadas à ciência, e para que façam as descobertas inovadoras do futuro.

Fonte:http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/joint_message_from_unesco_and_un_women_for_the_international/

Ministros do Brasil e Angola assinam “memorando de entendimento” para novos financiamentos

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Foto do embaixador Marcos Galvão, Secretario Geral do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e Archer Mangueira, o Ministro de Finanças de Angola

O ministro da Fazenda do Brasil, Henrique Meirelles, assinou, na segunda-feira, em Brasília, um “memorando de entendimento” com o ministro angolano das Finanças, Archer Mangueira, relacionado com futuros empréstimos e linhas de crédito para investimentos em Angola, noticiou a imprensa brasileira.

A noticia mereceu destaque  nos principais jornais de Angola,  mas  no  Brasil, pouca repercussão nem mesmo na pagina do Ministério da Fazenda, não se encontra nenhuma noticia registrada. O teor do noticiário brasileiro de ontem registra que o Ministério da Fazenda e O BNDES negam que vão levar um calote de Angola, que nas últimas décadas foi o país que mais recebeu investimentos do Brasil.

Não há uma só foto do ministro da Fazenda brasileiro, nem do presidente do BNDES com o ministro de Finanças de Angola registrando os encontros.

O memorando de entendimento entre o Brasil e Angola é um excelente negócio para os dois países, e termina um período de quase dois anos de suspensão de ações restritas do BNDES junto a Angola. O teor do memorando de entendimento não foi divulgado.

Há um mal estar promovido pela  mídia quando o assunto são relações entre Brasil e África, se já era difícil promover a imagem do continente africano, nos últimos tempos ficou mais complexo. Um pouco contaminado pelas ações da Odebrecht,  a empresa brasileira envolvida em escândalos de corrupção, e ainda ser considerada a maior presença brasileira em Angola. Não só, mas também porque o presidente Lula marcou sua gestão por uma aproximação com Africa.

A política de promover as exportações de serviços de engenharia com crédito público é prática de muitos países, afirmam especialistas. Ainda assim a estratégia do BNDES é alvo de críticas.

“A Odebrecht monopolizou os financiamentos do BNDES. Essa é a anomalia”, diz Mathias Alencastro, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) especializado nas relações Brasil-África. Segundo ele, o foco em Angola seguiu uma estratégia comercial da Odebrecht.

Ministério das Finanças avalia com brasileiros os contratos em vigor relacionados com Angola
Fotografia: Rogério Tuti | Edições Novembro

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“Angola é um país que tem cumprido os seus compromissos financeiros para com o Brasil, pelo que decidimos elaborar um memorando de entendimento que possa facilitar futuros empréstimos e linhas de crédito também do sector privado”, disse o ministro Henrique Meirelles, logo após o encontro.
O ministro das Finanças de Angola, que concluiu ontem uma visita de trabalho ao Brasil, iniciada a 27 de Janeiro, foi  recebido pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, com quem analisou os contratos em vigor relacionados com Angola.
Um comunicado divulgado pelo banco estatal brasileiro informa que a reunião teve também por objectivo “discutir a montagem de novos financiamentos em máquinas e equipamentos brasileiros” e garante que “Angola mantém-se em dia com as suas obrigações financeiras para com o BNDES”.

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O Ministério das Finanças informou que o ministro Archer Mangueira manteve encontros em Brasília com os presidentes executivos de algumas empresas brasileiras com interesses em Angola, bem como com responsáveis de instituições financeiras internacionais, como o Crédit Suisse, Standard Bank e UBS (Union de Banques Suisses).
O BNDES já financiou vá­rios projectos em Angola, na sua maioria realizados pelo grupo brasileiro Odebrecht, com realce para a Barragem Hidroeléctrica de Laúca, Barragem de Cambambe, sistema de abastecimento de águas às cidades de Benguela, Lobito e Catumbela, construção da Via Expressa Luanda-Viana, construção do Aeroporto Internacional da Catumbela e construção do Pólo Industrial de Capanda, entre outros.

BNDES nega burla angolana

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O Ministério da Fazenda e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) negaram que o Brasil esteja à beira de levar um calote da República da Angola. Na última década, Angola foi um dos maiores destinatários dos pacotes de investimentos do Brasil no exterior. Sinalizando confiança nos compromissos assumidos pelo Governo angolano junto ao Brasil, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles assinou, na tarde desta segunda-feira, um ”memorando de entendimento” para alavancar futuros empréstimos e linhas de crédito para investimentos em Angola.

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O documento foi assinado durante uma reunião de Henrique Meirelles com o ministro das Finanças Archer Mangueira, que também aproveitou a ida ao Brasil para se reunir com o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro. Sobre a especulação de que o país  estava prestes a dar um calote ao Brasil, o banco estatal brasileiro assegurou que a “Angola mantém-se em dia com as suas obrigações financeiras com o BNDES”.
Já o Ministério da Fazenda destacou que as conversações com o Governo angolano envolvem também a negociação de investimentos por parte do sector privado.
O embaixador de Angola no Brasil, Nelson Cosme, disse que a reunião tratou das relações bilaterais entre Angola e Brasil, mas não quis dar detalhes o que foi falado, sob o argumento de que as negociações com o Governo e as entidades brasileiras ainda não haviam terminado.
No entanto, o BNDES firmou oito operações de crédito, entre Junho de 2007 e Junho 2012, para a construtora Camargo Corrêa investir em Angola um montante de 213.123 milhões de dólares. A maioria dos contratos parcelou os empréstimos em 120 meses, a uma taxa de juros que variou entre 3,065 por cento e 7,965 por cento ao ano. As tranches foram feitas no mesmo período em construtoras como a Andrade Gutierrez, a Odebrecht e a Queiroz Galvão.

E para os negros brasileiros, os africanos que vivem na diáspora, essas negociações tem algum impacto em nossas vidas ?  Receio que não, poucos negros brasileiros serão favorecidos por essa reabertura do governo brasileiro, na criação de novas  linhas de crédito. Quem sabe um dia consigamos incluir uma clausula nos acordos firmados com países africanos, em que os negros da diáspora tenham que participar, e deixemos de só mencionar os negros na cultura e na herança histórica.

 

Fonte: http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/angola_e_brasil_acertam_novos_financiamentos

Angola é primeiro país do mundo a ligar a África e Brasil por via do Oceano Atlântico

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A concretização deste projeto de iniciativa do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação de Angola, em parceria com a multinacional angolana, Angola Cables, vai transformar Angola no primeiro país do mundo a ligar a África e América do Sul por via do Oceano Atlântico, numa extensão de seis mil e 200 quilômetros.SACS map 680p

Além de unir os dois continentes, via marítima, o SACS tornará igualmente Angola no epicentro das telecomunicações a nível do continente africano, garantindo uma rota de tráfego África/Estados Unidos de América/Europa, através do cabo de fibra óptica West Africa Cable System (WACS), que liga 11 países do continente africano e três da Europa, segundo o gestor do projecto SACS, Clementino Fernando.cabo brasil

O gestor que falava à imprensa durante o ato de lançamento oficial do SACS, que aconteceu hoje, quarta-feira, na localidade de Sangano, município de Quissama, em Luanda, referiu que este sistema terá uma latência (tempo de reacção) de cerca de 60 mil segundos, permitindo maior velocidade das comunicações no país e mundo.cables

Garantiu que todo equipamento (cabos e navios) já está disponível no Japão, por ser o país fabricante e detentor da empresa que está a executar a obra, permitindo com que até Fevereiro de 2018 se conclua a instalação do cabo.cabo1

“A finalização da instalação do SACS está prevista para o primeiro trimestre de 2018 e em Julho do mesmo ano a empresa japonesa vai passar a infra-estrutura concluída à  gestora do projecto, Angola Cables”, afirmou.cabo

Segundo Clementino Fernando, o SACS será instalado numa profundidade de 1,5 metros nas águas rasas e sete quilómetros no alto mar, evitando a danificação do cabo submarino na circulação constante de navios e dos recursos marinhos.

A partir do primeiro semestre de 2018, para quando estão programadas tanto a entrada em operação do cabo SACS, que liga Angola ao Brasil, como do seu data center em Fortaleza, no Ceará, a Angola Cables passa a incluir o Brasíl em sua lista de prioridades, ao lado do continente africano. Afinal, nos dois últimos anos concentrou aqui parte relevante de seu investimento.

Em cinco anos, a empresa, que nasceu local para apoiar as operadoras angolanas, se transformou numa pequena multinacional de cabos submarinos. Investiu US$ 300 milhões em parcerias com grandes players, como o cabo Monet que liga os Estados Unidos ao Brasil passando por Fortaleza, Rio de Janeiro e terminando em Santos; com o cabo SACs vai reforçar a conexão Brasil-África e, aproveitando a passagem de todos os principais cabos submarinos que se conectam ao Brasil por Fortaleza, decidiu montar lá um data center de nível 1. Investimento que pode mudar o ecossistema de tecnologia de informação de Fortaleza e da região.

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O SACS, constituído por 72 repetidores, prevê ter uma capacidade de 40 terabits/segundo, 10 terabits/cada par de fibra e 80 gigabits, na fase inicial.

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Na ocasião, o governador do Estado do Ceará (Brasil), Camilo Santana, afirmou que a instalação do primeiro cabo que vai unir África e América do Sul possibilitará ter uma conexão mais rápida que anteriormente quando a ligação era feita Europa/Estados Unidos de América/ Brasil, assim como reforçar cada vez mais as relações bilaterais entre os países.

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“Vamos continuar a estreitar as nossas relações entre os povos dos dois países e do mundo através das telecomunicações, reforçando a amizade e união entre as nações”, referiu o governante brasileiro.

O ato de início da colocação do cabo submarino de fibra óptica na água  foi orientado pelo ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha e testemunhado pela ministra da Ciência e Tecnologias, Cândida Teixeira, responsáveis do governo provincial, diplomatas e técnicos do sector.

A execução deste projeto representa a materialização da estratégia de acesso aos cabos submarinos, aprovada em Abril de 2009 pelo Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/ciencia-e-tecnologia/2017/7/32/Angola-Cabo-fibra-optica-Angola-Brasil-comeca-funcionar-2018,09a042c8-77d3-4342-b283-c793e7106991.html

Julgamento do ex vice-presidente de Angola em Portugal abala as relações entre os dois países.

Operação Fizz começa hoje a ser julgada em Lisboa, com o antigo vice-presidente angolano e atual deputado Manuel Vicente, que não foi notificado, como principal suspeito

Inicia-se. hoje no Campus da Justiça, em Lisboa, o julgamento de um caso que abala as relações políticas e diplomáticas entre Portugal e Angola e no quadro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Em causa está a posição do antigo vice-presidente angolano Manuel Vicente, que o Ministério Público aponta como principal suspeito da Operação Fizz, acusando-o de ter corrompido o procurador Orlando Figueira para arquivar inquéritos do Departamento Central de Investigação e Ação Penal.

Independentemente da inocência ou culpabilidade de Manuel Vicente, o qual não foi notificado e que Luanda diz gozar de imunidade diplomática, a decisão da Justiça portuguesa de rejeitar o pedido angolano de auxílio judiciário – ao abrigo dos acordos assinados pelo Estado português no âmbito da CPLP – e justificá-lo com a desconfiança no sistema judicial daquele país lusófono abala as relações entre os dois Estados.

“No que nos toca, a questão está agora, exclusivamente, nas mãos do poder judicial”, enfatiza o embaixador Seixas da Costa, “tal como já estava no momento em que a Procuradoria-Geral da República [PGR] – ironicamente, a sede do eventual crime – não soube garantir a privacidade de um processo que devia ter mantido em segredo de justiça, uma quebra profissional e deontológica tanto mais grave quanto afetou gravemente as relações bilaterais com Angola”.

 As relações entre Portugal e Angola são econômicas, políticas, históricas, culturais, pessoais, de língua e os laços afetivos  são importantes. Países irmanados pela história de séculos que os une, com o que de bom e mau houve,desde que o navegador Diogo Cão chegou à foz do rio Congo e os portugueses fizeram contato com o rei Ngolado Ndongo.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, as exportações portuguesas de bens para Angola diminuíram 597 milhões de euros no ano 2016, ou seja, menos 28,5%, quando já em 2015 tinha descido 33,9%. Se formos ver a posição de Angola na lista de exportações vemos uma descida deste país de 4.º maior destino entre 2011 e 2014 para 6.º em 2015 e 8.º em 2016.

São os números do comércio internacional. Valem o que valem. Muito dinheiro, é certo, mas não valem, nem podem valer tudo ou justificar tudo.

Portugal e Angola fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Um espaço que se quer dinâmico, solidário e de respeito. Os acordos assinados são para serem cumpridos. Não é demais relembrar que tal como é princípio da Organização das Nações Unidas (da qual Portugal e Angola são membros), o princípio da não ingerência está plasmado logo no artigo 5º dos Estatutos da CPLP.