Crescimento sem industrialização? Etiópia, Costa do Marfim, Tanzânia, Senegal, Burkina Faso e Ruanda

 

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Apesar dos baixos preços mundiais das commodities das quais tendem a

depender, muitas das economias mais pobres do mundo estão em boa

situação. O crescimento da África Subsaariana desacelerou

drasticamente desde 2015, mas isso reflete problemas específicos em

três de suas maiores economias (Nigéria, Angola e África do Sul).

 

As projeções para Etiópia, Costa do Marfim, Tanzânia, Senegal, Burkina

Faso e Ruanda apontam para a obtenção de um crescimento de 6% ou

mais neste ano. Na Ásia, o mesmo ocorre com Índia, Mianmar,

Bangladesh, Laos, Cambodja e Vietnã.

 

Essas são boas novas, mas são também surpreendentes. Economias em desenvolvimento que conseguem crescer aceleradamente de maneira sustentável, sem depender de surtos de crescimento dos recursos naturais -como a maioria desses países dependeu por uma década ou mais -, normalmente são impulsionadas pela industrialização voltada para as exportações. Só que poucos desses países estão vivenciando muita industrialização.

 

A participação da indústria de transformação nos países subsaarianos de baixa renda está, em grande medida, estagnada – e, em alguns casos, em queda. E, apesar de muito se falar do “Make in India”, uma das máximas do premiê Narendra Modi, o país dá poucos indícios de contar com uma industrialização acelerada.

 

A produção industrial se tornou uma poderosa força propulsora do desenvolvimento econômico para países de baixa renda por três motivos. Em primeiro lugar, era relativamente fácil absorver a tecnologia do exterior e gerar empregos de alta produtividade.

Em segundo lugar, os empregos industriais não exigiam muita qualificação: agricultores podiam ser transformados em trabalhadores da produção em fábricas, com pouco investimento em treinamento adicional.

E, em terceiro lugar, a demanda por produtos industrializados não era limitada pela baixa renda interna: a produção podia se expandir virtualmente de forma ilimitada, por meio das exportações.

 

Mas as coisas mudaram. Está atualmente bem documentado que a produção se tornou cada vez mais intensiva na utilização de qualificações nas últimas décadas.

 

Juntamente com a globalização, isso dificultou muito para os recém-chegados o ingresso com força nos mercados mundiais e a reedição da experiência dos superastros asiáticos da indústria de transformação. Com a exceção de um punhado de exportadores, as economias em desenvolvimento passaram por uma desindustrialização prematura. É omo se a força propulsora tivesse sido retirada dos países retardatários.

 

Como, então, entender o recente surto de crescimento de alguns dos países mais pobres do mundo? Será que esses países descobriram um novo modelo de crescimento?

 

Em pesquisa recente, Xinshen Diao, do Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, Margaret McMillan, da Universidade Tufts, e eu examinamos os padrões de crescimento ostentados por essa nova safra de países de alto desempenho. Nosso foco está nos processos de mudança estrutural vivenciados por esses países.

Documentamos algumas descobertas paradoxais.

Em primeiro lugar, a mudança estrutural promotora de crescimento foi significativa na experiência recente de países de baixa renda como Etiópia, Malawi, Senegal e Tanzânia, apesar da ausência de industrialização.

 

A mão de obra tem migrado das atividades agrícolas de baixa produtividade para atividades de maior produtividade, mas estas são, principalmente, serviços, e não indústria de transformação.

 

A agricultura teve papel

fundamental na África por si

só e também ao impulsionar

mudanças estruturais que

ampliam o crescimento.

Diversificação e adoção de

novas técnicas de produção

podem transformá-la em

atividade virtualmente

moderna

 

Em segundo lugar, a rápida mudança estrutural ocorrida nesses países

sucedeu à custa de um crescimento da produtividade do trabalho

primordialmente negativo nos setores não agrícolas. Em outras

palavras, embora os serviços que absorviam os novos postos de trabalho

ostentassem uma produtividade relativamente alta de saída, sua

dianteira diminuiu à medida que se expandiam.

 

Esse comportamento contrasta acentuadamente com a experiência clássica de crescimento do Leste da Ásia (como as de Coreia do Sul e China), na qual a mudança estrutural e aumentos da produtividade da mão de obra não agrícola contribuíram significativamente para o crescimento total.

 

A diferença parece ser explicada pelo fato de que a expansão de setores urbanos, modernos, em recentes episódios de crescimento acelerado é impulsionada pela demanda interna, e não pela industrialização voltada para as exportações.

 

Em especial, o modelo africano parece ser sustentado por choques positivos de demanda agregada gerados ou por transferências procedentes do exterior ou pelo crescimento da produtividade na agricultura.

 

Na Etiópia, por exemplo, os investimentos públicos em irrigação, transportes e energia elétrica geraram um aumento significativo da produtividade e das rendas agrícolas. Isso resulta em mudança estrutural promotora do crescimento, uma vez que o aumento da demanda se propaga para os setores não agrícolas.

Mas, como efeito colateral, a produtividade da mão de obra não agrícola é deprimida com a diminuição dos retornos sobre o capital e a atração de empresas menos produtivas.

Não se pretende com isso minimizar a importância do crescimento acelerado da produtividade na agricultura, o setor arquetipicamente tradicional. Nossa pesquisa sugere que a agricultura desempenhou papel fundamental na África não apenas por si só como também como impulsionadora de mudança estrutural magnificadora do crescimento.

 

A diversificação para produtos não tradicionais e a adoção de novas técnicas de produção podem transformar a agricultura em uma atividade virtualmente moderna.

 

Mas há limites para o quanto esse processo consegue puxar a economia. Em parte devido à baixa elasticidaderenda da demanda por produtos agrícolas, o êxodo da mão de obra da agricultura é resultado inevitável durante o processo de desenvolvimento.

 

A mão de obra liberada tem de ser absorvida nas atividades modernas. E, se aprodutividade não se expandir nesses setores modernos, o crescimento de toda a economia vai, em última instância, estacionar. A contribuição que o componente da mudança estrutural pode dar é necessariamente autolimitadora, caso o setor moderno não experimente um crescimento acelerado da produtividade por si só.

 

Países africanos de baixa renda conseguirão sustentar taxas moderadas de crescimento da produtividade no futuro, calcadas em persistentes aprimoramentos do capital humano e da governança. A continuidade da convergência com níveis de renda de países ricos parece alcançável. Mas as evidências sugerem que as taxas de crescimento infundidas recentemente pela mudança estrutural acelerada são excepcionais e poderão não durar.

 

Jornal Valor 17 de outubro de 2017

(Tradução de Rachel Warszawski).

Dani Rodrik é professor de economia política internacional na Faculdade de Governo John F. Kennedy, de Harvard. Copyright: Project Syndicate, 2017.

www.project-syndicate.org

Fonte:http://www.valor.com.br/opiniao/5157940/crescimento-sem-industrializacao

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Visita do Ministro Aloysio Nunes Ferreira a Gana, Nigéria, Côte d’Ivoire e Benin

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O ministro Aloysio Nunes Ferreira realizará a sua segunda visita oficial ao continente africano no período de 11 a 16 de outubro de 2017. Serão visitados 4 países da África Ocidental – Gana, Nigéria, Côte d’Ivoire e Benin.

As relações com a África constituem uma prioridade permanente do governo brasileiro. O segundo périplo que o ministro Aloysio Nunes realiza pelo continente reafirma essa prioridade e busca fortalecer ainda mais os laços econômicos, políticos e culturais que unem o Brasil a esses países amigos.

A África Ocidental experimentou expressivas taxas de crescimento econômico e conquistou importantes avanços em termos de estabilidade política e governança democrática na última década. O governo brasileiro tem reforçado seu compromisso de continuar a contribuir para o desenvolvimento socioeconômico e a consolidação da paz e da democracia na África Ocidental, por meio de uma parceria horizontal pautada pela solidariedade Sul-Sul.

No dia 11 de outubro, o ministro das Relações Exteriores fará visita a Gana, onde será recebido pela chanceler Shirley Ayorkor Botchway, e terá audiência com o presidente Nana Addo Dankwa Akufo-Addo. As relações com Gana são marcadas por convergências políticas e importantes relações econômicas. O Fórum Empresarial Brasil-Gana, realizado pela APEX e pelo Itamaraty, em agosto passado, em Acra, atesta o compromisso do governo brasileiro com a intensificação das relações econômicas bilaterais.

No dia 12 de outubro, o chanceler Aloysio Nunes Ferreira visitará a Nigéria. Em Abuja, manterá encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Geoffrey Onyeama. As relações Brasil-Nigéria alcançaram novo patamar em 2013, quando foi realizada a I Sessão do Mecanismo de Diálogo Estratégico, em Brasília. Em agosto de 2017, a APEX e o Itamaraty organizaram o Fórum Empresarial Brasil-Nigéria em Lagos, evento que buscou explorar o grande potencial das relações econômicas entre o Brasil e a maior economia africana.

No dia 13 de outubro, o ministro das Relações Exteriores será o primeiro chanceler a visitar a Côte d’Ivoire desde a viagem de Saraiva Guerreiro em 1983. Na ocasião, o ministro Aloysio Nunes Ferreira será recebido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Marcel Amon-Tanoh. A visita explorará áreas comuns de cooperação técnica e oportunidades de intensificação dos fluxos de comércio e de investimentos.

No dia 14 de outubro, o ministro Aloysio Nunes Ferreira visitará o Benin, onde manterá encontros com o chanceler Aurélien Agbénonci e com o presidente Patrice Talon. Serão passados em revista temas políticos bilaterais e regionais, a ativa agenda de cooperação técnica bilateral e as potencialidades das relações econômicas entre os dois países. O Benin – onde há uma importante comunidade de afro-brasileiros retornados, conhecidos como “agudás” – é um dos países da África Ocidental com os quais o Brasil mantém laços culturais mais próximos.

Ministro das Relações Exteriores do Brasil visita a Costa do Marfim

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O ministro das Relações Exteriores do Brasil,  Aloysio Nunes Ferreira, concluiu hoje visita de dois dias à Côte d´Ivoire (Costa do Marfim), na África Ocidental, visando o reforço das relações bilaterais em várias áreas.


África 21 Digital


Abidjan, Costa do Marfim

Durante as conversações realizadas em Abidjan, a capital do país oeste-africano,  os governantes brasileiro e ivoirense concordaram em aprofundar a cooperação bilateral, particularmente nos setores político, econômico, comercial, de infraestrutura, biotecnologia, farmacêutica, cultural e esportivo, bem como da defesa e da segurança, de acordo com nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro (Itamaraty).

Na ocasião, o governo da Costa do Marfim “reiterou o agradecimento ao Governo brasileiro pela importante cooperação técnica proporcionada ao Instituto Nacional de Estatística para a realização do 4° Recenseamento Geral Habitacional e Populacional da Côte d’Ivoire”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros marfinense,Marcel Amon-Tanoh, agradeceu ainda a  transferência de tecnologia brasileira para criação de tilápias em várias regiões da Côte d’Ivoire, acompanhada de uma doação de milhares de alevinos dessa variedade de peixes.

Durante a estadia, Aloysio Nunes Ferreira foi recebido pelo presidente da República, Alassane Ouattara, a quem transmitiu convite do Palácio do Planalto para visitar o Brasil.

A Costa do Marfim expressou também o agradecimento pela anulação de 86% da dívida ao Brasil e a disposição de proceder à assinatura do contrato de reestruturação do residual da dívida marfinense.

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Estudantes de Benin, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Chade, Costa do Marfim, Senegal e Togo visitam o Brasil

Grupo de produtores e estudantes de oito países percorre o Norte de Minas para ver produção em clima similar ao deles

Regis Lancaster/Divulgação

Uma missão formada por 37 estudantes e profissionais da área agrícola de países da África visitou na última semana, os municípios de Catuti e Mato Verde, no Norte de Minas, com o objetivo de conhecer o cultivo de algodão no semiárido. O plantio é feito dentro do Programa de Retomada do Algodão do Norte de Minas, que envolve 97 agricultores de seis municípios.

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A comitiva estrangeira, que chegou na segunda-feira e permaneceu na região até ontem, foi formada por representes de oito países africanos de língua francesa – Benin, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Chade, Costa do Marfim, Senegal e Togo. Eles estão no Brasil há quatro meses, aperfeiçoamento conhecimentos sobre a cotonicultura em curso promovido pela Universidade Federal de Lavras (Ufla).
O projeto de “Capacitação e Transferência de Tecnologia na Cultura do Algodão” da Ufla é desenvolvido desde 2014, em parceria com o Ministério de Relações Exteriores. Envolve também o projeto “Cotton Victória”, que visa promoção da cadeia produtiva e a melhoria das técnicas da cultura algodoeira em países da África subsaariana. Dentro da parceria, em 2015, um grupo de professores da Universidade Federal de Lavras participou de uma viagem técnica que teve como propósito avaliar o cultivo do algodão em três países africanos: Quênica, Tanzânia e Burundi.
Os integrantes da delegação africana realizaram no Norte de Minas as atividades práticas do curso ministrado pela Ufla. Um dos aspectos considerados é o fato de o algodão ser produzido na região em características climáticas e de solo próxima aos países africanos.
Além de assistir palestras, eles visitaram as propriedades dos pequenos produtores do Projeto de Retomada de Algodão, que conseguem bons índices de produtividade em regime de poucas chuvas. Para isso, adotam técnicas para o uso eficiente dos recursos hídricos, se adaptando ao clima semiárido.
Uma das estratégias adotadas é a irrigação complementar – os plantios foram feitos no período chuvoso e, mesmo assim, contaram com equipamentos de irrigação, recebendo a chamada ‘molhagem mecânica’ somente quando a chuva demora – no veranico. É usada água captada em poço-tubular, mas em menor quantidade, considerando o limite do lençol freático da região. Os agricultores do Norte de Minas plantaram 480 hectares (ha)  de algodão na safra 2016/2017, dos quais 400 ha de sequeiro e 80 hectares semi-irrigados.

 

Técnicas

A missão africana visitou no município de Catuti a propriedade do pequeno agricultor José Alves de Souza, o “Zé Brasil”, que recorre ao sistema de captação de água de chuva em tanque escavado e irriga a roça de algodão por gotejamento. Também conheceram sistema semelhante na área do pequeno produtor José Rodrigues de Souza, no mesmo município. Os visitantes tiveram aula prática sobre preparo de solo com subsolagem e gradagem intermediária.
Criado há nove anos, o programa de Retomada do Algodão do Norte de Minas é considerado modelo para garantir a atividade familiar e a convivência com a seca. Envolve pequenos agricultores dos municípios de Catuti, Mato Verde, Pai Pedro, Monte Azul, Porteirinha e Matias Cardoso. A iniciativa foi implantada pela Cooperativa dos Produtores Rurais de Catuti (Coopercat). Conta com o apoio da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) e da Prefeitura de Catuti.

Antes da missão dos países africanos de língua francesa, o Projeto de Retomada do Algodao recebeu visitas de outras delegações estrangeiras, incluindo grupos de Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Peru. Despertou também a atenção de instituições que estimulam práticas solidárias, como o Projeto “Tecendo Valor, desenvolvido pela Fundação Solidariedade Latino-americana, com recursos do Instituto C&A.

 

http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2017/07/17/internas_economia,884338/africanos-estao-de-olho-no-algodao-mineiro.shtml

Brasileiros pouco viajam para Costa do Marfim , portugueses criam oportunidades de negócios

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A AEP – Associação Empresarial de Portugal anunciou a ida de uma missão  à Costa do Marfim com a participação de representantes dos setores do arroz, bebidas, oleaginosas, construção, cereais e metalomecânica.



A missão estará em Abidjan entre os dias 15 e 19 de julho e “tem como objetivo facilitar às empresas portuguesas contatos com entidades institucionais e empresas locais que permitam compreender as necessidades emergentes e as potencialidades nos vários setores de atividade”, segundo nota divulgada pela AEP.

Esta é a segunda missão da AEP ao país africano. Nos últimos seis anos, a Costa do Marfim regista taxas de crescimento da economia superiores a 7% ao ano.

https://africa21digital.com/2017/07/13/empresarios-portugueses-preparam-missao-costa-do-marfim/

Governo de Guiné Bissau quer limitar participação de estrangeiros na campanha de caju

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O governo guineense quer limitar aos cidadãos do país a compra da castanha de caju, principal produto de exportação, de acordo com um decreto a que a agência Lusa teve hoje acesso.

O decreto preparado pelo ministro do Comércio e Promoção Empresarial, Vítor Mandinga, aguarda pela promulgação do presidente José Mário Vaz.

Se a proposta for promulgada, o «intermediário de escoamento» do caju guineense – atividade exercida essencialmente por cidadãos da Mauritânia e India – «terá que possuir bilhete de identidade da Guiné-Bissau, caso contrário não pode exercer aquela atividade».

É considerado intermediário de escoamento qualquer pessoa ou empresa que se dedica à compra da castanha de caju, mediante um contrato com o intermediário do posto que é, por sua vez, quem compra o caju ao produtor.

Doravante, o intermediário de escoamento para obter licença do governo guineense para operar na campanha do caju, além do bilhete de identidade, ou cartão de eleitor, terá que possuir ainda armazém e número de identificação fiscal, todos autenticados por um notário.

Mama Saliu Lamba, presidente da Câmara de Comércio, aplaudiu a medida, que considera ser capaz de «tirar o país da pobreza extrema, levar os operadores económicos a organizarem-se melhor e ajudar o Governo».

Saliu Lamba entende que «há muito barulho» à volta de um projeto que disse ser «bem-vindo» e que não limita «a participação dos estrangeiros na atividade do caju.

O caju guineense é normalmente comprado por operadores naturais da Mauritânia e da India, principais mercados do produto.

A Guiné-Bissau é considerada o quinto maior produtor de castanha do caju, a seguir à Costa do Marfim, India, Vietname e Brasil.

Na última safra, o país exportou cerca de 200 mil toneladas

Côte D’ivoire: Primeiro-Ministro apresenta demissão do seu governo

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Abidjan – O Primeiro-Ministro ivoiriense, Daniel Kablan Duncan, apresentou esta segunda-feira, em Abidjan, a demissão do seu governo ao presidente Alassane Dramane Ouattara, noticiou a Juene Afrique.

MAPA DA CÔTE D’IVOIRE

O anúnciou, esperado desde há alguns dias, aconteceu após uma audiência entre os dois homens no Palácio da Presidência da República no final desta manhã.

“Submeti a demissão do Primeiro-Ministro e a do governo em conformidade com o artigo 33 da Constituição”, indicou Daniel Kablan Duncan.

O antigo Primeiro-Ministro indicou a imprensa que essa demissão acontece antes da sessão inaugural da Assembleia nacional prevista para esta segunda-feira, há menos de um mês após à realização das eleições legislativas a 18 de Dezembro.

“Os membros do governo foram eleitos sobre 20 candidatos. Segundo uma prática política de longa data, todos os deputados eleitos devem assistir a sessão inaugural. Existe uma incompatibilidade entre as funções de deputado e de ministro”, acrescentou, evocando o artigo 84 da nova Constituição.

Alassane Ouattara aceitou a demissão do Primeiro-Ministro e exarou decretos que dão por findo as funções do governo, assim como dos conselheiros especiais da presidência.

A agenda política dos próximos dias afigura-se bastante apertada. Numa altura em que é esperada uma remodelação governamental esta semana, os deputados ivoirienses devem eleger esta segunda-feira, o próximo presidente da Assembleia nacional. Guillaume Soro, candidato à sua própria sucessão, parte favorito para conseguir o voto de confiança.

FRANCE-ICOAST-POLITICS-DIPLOMACYPor outro lado, Alassane Ouattara deve proceder a nomeação do vice-presidente, um posto criado pela nova Constituição. Segundo informações do Juene Afrique, está prevista para terça-feira, às 10h00 locais, uma deslocação do chefe de Estado à Assembleia nacional para fazer uma declaração solene durante a qual deverá anunciar o nome do seu futuro delfim constitucional.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/0/2/Cote-ivoire-Primeiro-Ministro-apresenta-demissao-seu-governo,161ad08a-dea0-4908-a98e-2f748a8b0c01.html

Protesto militar ameaça paz política na Costa do Marfim

Militares amotinados preparam-se para receber o ministro da Defesa ontem em Bouake

 

Presidente Alassane Ouattara disposto a aceitar reivindicações de revoltosos, decisivos para a sua vitória sobre Gbagbo em 2011.

Tiroteio no Ministério da Defesa em Abidjan, tentativa de assalto ao quartel-general das Forças Armadas, medidas de segurança excecionais nas imediações do palácio presidencial, notícias de confrontos em vários pontos da Costa do Marfim – era ontem a situação que se vivia neste país da África Ocidental palco de uma breve mas violenta guerra civil nos primeiros meses de 2011.

A crise teve início na última sexta-feira na segunda mais importante cidade do país, Bouake, que foi capturada por militares revoltosos. Estes exigem um aumento de vencimento, promoções mais rápidas e direito a habitação própria, tendo a maioria integrado a rebelião que controlou o Norte da Costa do Marfim entre 2002 e 2011. Quando as forças de Alassane Ouattara entraram em Abidjan e capturaram o então presidente Laurent Gbagbo, que recusara aceitar os resultados das eleições de 2010, os combatentes rebeldes foram integrados nas Forças Armadas. Os rebeldes contribuíram, em larga medida, para a vitória militar de Ouattara sobre Gbagbo, atualmente a ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional de Haia, acusado de crimes contra a humanidade no período da guerra civil.

Além de Bouake, que esteve no centro da rebelião de 2002-2011, militares revoltosos teriam o controlo total ou parcial de, pelo menos, mais cinco ou seis cidades, entre as quais a terceira maior do país, Man. Muitos dos revoltosos escondiam o rosto atrás de capuzes ou máscaras improvisadas num sinal evidente de temerem represálias após o desfecho do protesto.

O presidente Alassane Ouattara, que se encontrava no Gana para a tomada de posse do seu homólogo neste país, regressou a Abidjan para acompanhar a situação. Por seu turno, o ministro da Defesa, Alain-Richard Donwahi, viajou para Bouake, onde iniciou contactos com os militares amotinados. Ao final do dia, o presidente Ouattara garantiu que seria alcançado um acordo e tomadas em consideração as reivindicações dos revoltosos. Ouvidos pela France24, estes mostraram-se determinados nas reivindicações e garantiram que, “se eles [as unidades fiéis ao governo] quiserem atacar-nos, estamos preparados para isso”.

Forças da missão das Nações Unidas na Costa do Marfim (ONUCI) tomaram posições junto do aeroporto de Bouake e à entrada da cidade. Durante o dia de ontem foram realizados voos de reconhecimento sobre os locais sob controlo dos amotinados. Testemunhos de residentes em Bouake, citados pelas agências, davam conta de todo o “comércio fechado”, com as “ruas desertas, quando habitualmente estão sempre muito animadas”. Todos os testemunhos confirmavam a ausência de violência sobre os civis.

A Costa do Marfim teve presidenciais e legislativas, em 2015 e 2016, as primeiras ganhas por Ouattara e as segundas pela coligação do partido que o apoia. Desde o fim da guerra, o país recuperou o ritmo de crescimento que conhecera até ao início da crise de 2002-2011.

http://www.dn.pt/mundo/interior/protesto-militar-ameaca-paz-politica-na-costa-do-marfim-5592429.html

Missão portuguesa com várias origens

30 de Julho, 2016

Fotografia: AFP

A missão de 92 atletas portugueses aos Jogos Olímpicos Rio’2016 engloba competidores nascidos em 17 países, alguns oriundos da diáspora, outros a assumir a nacionalidade da nação que abraçaram  as suas famílias.

Ao todo são 18 (cerca de um quinto) os nascidos em países tão distintos como o Brasil e Estados Unidos, nas Américas, Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Congo e Costa do Marfim, em África, na asiática China ou nos europeus Rússia, Bulgária, França, Alemanha, Moldávia, Ucrânia, Inglaterra ou Suíça.
Recorde-se que o campeão olímpico Nélson Évora – só Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Carlos Lopes têm também o ouro olímpico – nasceu na Costa do Marfim.
As mesa-tenistas Fu Yu e Shao Jiene, nascidas na China, o judoca Sergiu Oleinic, oriundo da Moldávia, as nadadoras Tamila Holub e Victoria Kaminskaya, respectivamente da Ucrânia e Rússia, a velocista Lorene Bazolo, que chegou do Congo, e o lançador de peso Tsanko Arnaudov, de origem búlgara, são os nomes menos “portugueses” da comitiva para os  Jogos Olímpicos Rio’2018.
Diferentes motivos levaram esses atletas a representar Portugal, como por exemplo Lorene Bazolo que fugiu do Congo, que representou em Londres’2012, para encontrar amparo no país europeu, cujo recorde dos 100 metros, que era de Lucrécia Jardim desde 1997, já bateu.
Tsanko Arnaudov está em Portugal desde os 12 anos, Fu Yu chegou ao país em 2001 e naturalizou-se em 2013, enquanto Shao Jieni chegou a Gondomar há seis anos (tinha 16) e Tamila Holub foi para Portugal com a família com três anos.
A cavaleira Luciana Diniz, por exemplo, tem nome mais português, mas nasceu no Brasil, país que representou em Atenas’2004, sendo que já vestiu as cores lusitanas em Londres’2012.
O grosso do grupo no Rio’2016 está distribuído por todo o país, destacando-se, ainda assim, Lisboa com 11 atletas, Porto e Guimarães com quatro, Coimbra, Cascais e Portimão com três. A Madeira conta com três representantes e os Açores um.

http://jornaldeangola.sapo.ao/desporto/missao_portuguesa_com_varias_origens

ONU cobra mais esforços da Costa do Marfim no combate a estupro e violência de gênero

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Novo relatório do Escritório de Direitos Humanos da ONU e da Operação das Nações Unidas no país revela que, de 2012 a 2015, mais de 1,1 mil casos de estupro foram registrados. Desses episódios, 66% envolviam vítimas crianças. Apenas 20% dos incidentes resultaram em condenação.
 
Anos de conflito favoreceram desenvolvimento de uma cultura de violência e impunidade para crimes de de abuso sexual, apontam organismos da ONU. Foto: UNOCI / Basil Zoma
Anos de conflito favoreceram desenvolvimento de uma cultura de violência e impunidade para crimes de abuso sexual, apontam organismos da ONU. Foto: UNOCI / Basil Zoma
 
De janeiro de 2012 a dezembro de 2015, 1.129 casos de estupro foram registrados na Costa do Marfim. Desses episódios, 66% envolviam vítimas crianças. Embora 90% dos incidentes tenham sido investigados, menos de 20% resultaram em condenação.
 
Os números alarmantes são de um novo relatório divulgado na terça-feira (12) pela Operação da ONU na Costa do Marfim (UNOCI) e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).
 
Os dois organismos pediram mais esforços das autoridades nacionais para combater e prevenir a violência sexual e pôr fim a impunidade de criminosos envolvidos.
 
“Apesar do fim das hostilidades desde 2011 e do alívio trazido pela estabilização gradual, os casos de estupro, cometidos principalmente por indivíduos, continuam”, observaram as agências da ONU.
 
“A predominância do estupro foi provavelmente agravada em consequência dos anos de conflito ocorridos no país, que fomentaram uma cultura de violência devido ao clima geral de insegurança e foram marcados pela impunidade por conta da falta de repressão sistemática.”
 
De acordo com o documento, todos os 203 casos que terminaram em condenação foram “reclassificados” – uma prática comum de julgar o estupro como um crime menor e que recebe uma condenação menos grave.
 
Outros pontos levantados pelo relatório como os principais obstáculos na luta contra o abuso sexual são as decisões e os procedimento judiciais demorados, bem como as várias deficiências na condução das investigações. A estigmatização das vítimas, que dificulta a denúncia dos casos, é também outro empecilho.
 
“A Costa do Marfim tem registrado nos últimos anos progressos significativos em termos de direitos humanos, mas a persistência do estupro e da impunidade em relação aos criminosos continua sendo preocupante e precisa de uma ação urgente”, disse o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein.
 
“Através dos esforços já implementados, as instituições da Costa do Marfim têm demonstrado que estão plenamente conscientes da dimensão do problema. No entanto, devem fortalecer ainda mais os seus esforços para lutar contra a violência sexual, particularmente através da implementação da Estratégia Nacional contra a Violência de Gênero e do apoio de agências da ONU “, explicou o chefe da UNOCI, Aïchatou Mindaoudou.
 
Como parte de suas conclusões, o documento dos organismos da ONU pede ações específicas e urgentes para a prevenção do abuso de crianças e recomenda que as autoridades da Costa do Marfim “garantam que todas as vítimas de violência sexual tenham acesso à justiça através de assistência gratuita”.
 
Governo também deve considerar a realização de sessões especiais nos tribunais penais para os casos de estupro, a fim de tornar a lutar contra esse crime mais eficaz e ágil.