Menu

Isabel dos Santos solta o verbo

isabel dos santosA empresária angolana Isabel dos Santos alertou esta quarta-feira que em Angola “a situação está a tornar-se cada vez mais tensa, com a possibilidade de se juntar à crise económica existente, uma crise política profunda”.

Numa série de mensagens divulgadas durante o dia no Twitter, a filha do ex-chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, exemplifica: “greve nacional dos médicos com 90% de adesão, quebra do poder de compra em 170%, fome nas famílias apesar do petróleo em alta”.

As mensagens divulgadas pela empresária surgem no mesmo dia em que o seu pai, José Eduardo dos Santos, fez uma declaração garantindo que não deixou os cofres públicos vazios, e poucos dias depois de o actual Presidente, João Lourenço, ter criticado a forma como foi feita a passagem da “pasta” entre os dois chefes de Estado.

Na declaração sem direito a perguntas dos jornalistas, feita pouco depois de o actual Presidente levantar voo de Luanda rumo a Lisboa, para uma visita de Estado de três dias, José Eduardo dos Santos disse: “Não deixei os cofres do Estado vazios. Em Setembro de 2017, na passagem de testemunho, deixei 15 mil milhões de dólares no Banco Nacional de Angola como reservas internacionais líquidas a cargo do um gestor que era o governador do BNA sob orientação do Governo”.

Isabel dos Santos escreveu no Twitter que esta foi “uma entrevista sem precedentes”. “Antigo Presidente angolano Eng. José Eduardo dos Santos, afirma que não deixou os ‘cofres vazios’ e novo OGE2018 foi feito pela equipa do Presidente João Lourenço. 15 mil milhões de dólares foi valor deixado em caixa. E 29 mil milhões foi receita 2018 da Sonangol”, afirma.

João Lourenço sucedeu em Setembro de 2017, após as eleições gerais de Agosto, a José Eduardo dos Santos no cargo de Presidente da República de Angola, funções que desempenhou entre 1979 e 2017.

Em Novembro de 2017, João Lourenço exonerou Isabel dos Santos da presidência do conselho de administração da petrolífera estatal angolana Sonangol.

Aristides Gomes o Primeiro Ministro de Guiné Bissau

Media player poster frame

O Presidente guineense, José Mário Vaz, marcou a data do ato eleitoral no dia em que tomou posse o novo primeiro-ministro.

Aristides Gomes volta a chefiar o Executivo de Bissau numa tentativa para pôr fim a mais uma crise política no país, como conta o jornalista Nuno Carvalho.

É um novo primeiro-ministro de consenso que toma posse na Guiné-Bissau: Aristides Gomes conduzirá o país até às eleições legislativas de novembro.

A Guiné-Bissau está há quase três anos mergulhada numa crise política.

Economia de Guiné focado na agricultura, energia e capital humano

Com um novo plano estratégico, controle de gastos e investimentos, o crescimento está de volta e parece sustentável. O grande desafio agora é que seja compartilhado.

Asfaltagem de estradas, novas infraestruturas nos setores de energia, mineração e logística, construção de torres de escritórios em Conacri … Os canteiros de obras estão se multiplicando tanto na capital quanto dentro do país, prova de que A economia guineense está se recuperando gradualmente da epidemia de Ebola e da queda nos preços das commodities que a atingiram duramente em 2014 e 2015.

O país possui um Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (PNDES) 2016-2020 , cuja prioridade é a transformação sustentável e inclusiva da economia. Enfoca a energia e a agricultura, o capital humano e o desenvolvimento sustentável na gestão de recursos naturais e patrimônio.

Com o aumento da produção de bauxita e ouro, a boa resiliência da agricultura e o investimento em infraestrutura, o crescimento alcançou 6,6% do PIB em 2016 (ao invés de 5,2% espera-se que suba para 6,7% em 2017 (de 5,4%), de acordo com as projeções do corpo técnico do FMI após sua missão em Conacri em agosto de 2017 (ver gráfico). Quanto ao estado das finanças públicas, recuperou-se graças a uma mobilização mais forte das receitas domésticas e a uma redução das despesas públicas, o que permitiu reduzir o défice orçamental.

maxresdefault

Um dos projetos mais emblemáticos deste revival é o da barragem e da usina de Souapiti , cuja capacidade instalada será de 550 MW. O seu comissionamento parcial em 2019 deve permitir reduzir a totalidade do déficit de eletricidade do país, estimado em 400 MW, o que continua sendo uma das principais desvantagens de seu desenvolvimento econômico e humano. O projeto foi concluído por US $ 1,4 bilhão (€ 1,14 bilhão) pela China International Water and Electric Corporation , principal empreiteira do complexo hidrelétrico de Kaleta (240 MW), que entrou em serviço em 2015.

No noroeste do país, os investimentos também estão aumentando no desenvolvimento, exploração e, sobretudo, na transformação da bauxita – a industrialização do setor é essencial para agregar valor. Este é particularmente o caso em Kamsar, na região de Boké, onde a Guinea Alumina Corporation, a subsidiária guineense da Emirates Global Aluminium, está investindo mais de US $ 1,3 bilhão em seu complexo de mineração Sangarédi – cujas reservas são estimadas em 1,3 bilhão de toneladas – que entrará em operação em 2019 e cuja componente logística inclui o fortalecimento das instalações ferroviárias da Compagnie des Bauxites de Guinée.

No final de novembro de 2017, a Boké Mining Corporation anunciou um investimento de US $ 3 bilhões para a construção de uma refinaria de alumina e uma linha férrea para transportar bauxita para o porto de Dapilon. 2022. No mês seguinte, o grupo chinês TBEA assinou com a Conakry um contrato de investimento de 2,89 bilhões de dólares para desenvolver uma cadeia de produção integrada (bauxita de alumina) nas prefeituras de Boffa, de Télimélé e Boké.

Inclui a construção de uma mina, com início de operação previsto para junho de 2019, para uma produção de 10 milhões de toneladas de bauxita por ano, uma refinaria de alumina (1 milhão de toneladas / ano, operacional em meados de 2021) e uma fundição de alumínio (200.000 t / a, operacional até ao final de 2024), mas também uma central térmica (75 MW) e um complexo hidroeléctrico em Amaria (300 MW). Embora esses projetos de mineração contribuam para o crescimento do PIB, este último permanece muito pouco inclusivo, já que as indústrias extrativas são pobres em mão de obra (3% dos empregos).

Projetos estruturantes

À medida que o desemprego aumenta, especialmente para os jovens, e o país ainda exporta quase exclusivamente matérias-primas não processadas do setor de mineração, uma das prioridades é diversificar a economia com base na redistribuição. da agricultura. O setor emprega mais de 50% da população ativa, e seu potencial é ainda mais importante que o país é estragado pela natureza: boa pluviosidade, rede hidrográfica impressionante, enormes reservas de terra arável, etc.

A despesa total necessária para financiar os 50 projetos estruturais incluídos no PNDES 2016-2020 foi fixada em US $ 14,6 bilhões (em cinco anos), dos quais 32% devem ser fornecidos por investimentos externos …

E é claro que eles se juntam nos últimos meses. Em setembro de 2017, Conakry recebeu um empréstimo de US $ 20 bilhões em China , que será lançado mais de vinte anos, em troca de concessões mineiras (principalmente em bauxita), dos quais um montante imediatamente disponível por US $ 3 bilhões.

Uma das maiores dificuldades será manter uma política monetária prudente e uma estratégia de endividamento

No final de outubro, a União Europeia concedeu 120 milhões de euros ao governo guineense, incluindo 60 milhões para as cidades de Conakry e Kindia, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Urbano e Saneamento (Sanita), e outros 60 milhões para o Programa de Apoio à Consolidação do Estado.

A fim de mobilizar doadores internacionais e parceiros privados, o executivo guineense também organizou um grupo consultivo em Paris nos dias 16 e 17 de novembro de 2017, com o apoio do Banco Mundial, que levantou US $ 20 bilhões. promessas de financiamento bem além dos US $ 4,5 bilhões esperados.

Finalmente, em meados de dezembro, o FMI aprovou o novo acordo de três anos sob o Mecanismo de Crédito Ampliado, um pacote de empréstimos não concessionais de US $ 650 milhões durante o período 2018-2020, para permitir ao país alcançar maior crescimento, diversificar sua economia, reduzir as desigualdades e fortalecer as redes de segurança social – mais de 55% dos guineenses ainda vivem abaixo da linha da pobreza.

Esses objetivos só podem ser alcançados se o Estado buscar reformas para melhorar o clima de negócios para fomentar o desenvolvimento do setor privado e se continuar a aumentar o investimento público em infraestrutura. Uma das maiores dificuldades será a manutenção de uma política monetária e uma estratégia de endividamento prudentes ao mesmo tempo, para que a dívida permaneça viável, a inflação seja moderada e o sistema bancário tenha a liquidez necessária para um crescimento saudável. crédito ao setor privado.

Fonte:http://www.jeuneafrique.com/mag/538699/economie/guinee-economie-une-relance-sous-surveillance/

Crises frequentes afetam Presidência da Nigéria a menos de um ano das eleições

buhari

Atentados e ataques terroristas, frequente falta de combustível, violência ligada à propriedade das terras e instabilidade no sudoeste do país (Biafra) são algumas das sucessivas crises que estão a pôr em causa uma eventual recandidatura do Presidente da Nigéria.

PRESIDENT BUHARI HOST ECOWAS LEADERS ON THE GAMBIA

PRESIDENTE BUHARI

Segundo a Bloomberg, a mais recente crise para Muhammad Buhari surgiu a 01 deste mês, quando alegados membros terroristas ligados ao Boko Haram assassinaram três funcionários humanitários das Nações Unidas e oito soldados num ataque nem Rann, nordeste do país, na mesma região em que, duas semanas antes, foram raptadas mais de 100 raparigas entre os 11 e os 19 anos.

As ações do Boko Haram acabaram por minar a reivindicação governamental que insistia na ideia de que o Boko Haram estava “tecnicamente derrotado”, lembra o site Bloomberg, alertando para os perigos de convulsão militar na já fustigada Áfroica Ocidental.

“Vão haver consequências políticas, pois é um profundo soco no estômago no moral dos soldados. É mais uma preocupação para Burahi”, afirmou Chetra Nwanze, analista e conselheiro da empresa de segurança e de informações SBM Intelligence, com sede em Lagos.

Apesar de Buhari, 75 anos, ainda não ter dado indicações quanto a uma recandidatura, o partido que lidera, o Congresso de Todos os Progressistas (APC), tem-no apoiado nessa ideia.

Buhari, aliás, conta ainda com alguma popularidade na região de onde é natural e que constitui a sua base política, situada no norte muçulmano da Nigéria, onde os problemas com o terrorismo e com extremismos islâmicos são constantes.

No entanto, muitos lembram que, em 2017, o Presidente nigeriano passou cinco meses em Londres em tratamento médico a uma doença ainda por revelar, situação agravada pelo facto de a coligação que o apoia começar a dar sinais de enfraquecimento.

Depois de uma visita aos cinco Estados nigerianos mais afetados pela violência, realizada ao longo da semana passada, Buhari decidiu reforçar a segurança nessas regiões para baixar a tensão.

“Todos pudemos testemunhar os inimagináveis atos de violência cometidos este ano. Aumentámos o número de agentes da segurança e de equipamentos e aceleramos o combate às armas ilegais”, sublinhou o Presidente nigeriano, agastado, paralelamente, com a descida de 12 lugares (caiu para o 148.º lugar entre 172 países) nos dados relativos a 2017 do Índice de Perceção de Corrupção, elaborado pela Transparência Internacional, com sede em Berlim.

Aspeto positivo para Buhari é o facto de a oposição do Partido Democrático Popular (PDP), ainda não ter conseguido recuperar da derrota eleitoral de 2015, o que tem inviabilizado, internamente, o surgimento de alternativas.

Também no lado positivo, apesar da frequente falta de combustíveis no país, a economia de um dos principais países exportadores de petróleo em África tem melhorado ligeiramente, tal como indicou o Gabinete Nacional de Estatísticas (NBS), com sede em Abuja, poderá crescer 2,1% já este ano, depois de um crescimento de 0,8% em 2017 e de uma contração de 1,6% em 2016.

buhari na onu“Se decidir recandidatar-se, Buhari será o principal candidato”, opinou Amaka Anku, diretora para África do Grupo Eurásia, instituição com sede em Washington, destacando que o Presidente nigeriano terá de manter a coligação das forças políticas que criaram a APC e que o levou a derrotar Goodluck Jonathan nas presidenciais de 2015.

De qualquer forma, alertou, os recentes raptos de raparigas voltaram a ser a notícia principal no país e não seria a primeira vez que o Boko Haram teria uma influência decisiva em eleições no país.

Amaka Anku sustentou que, em abril de 2014, quando os apoiantes do Boko Haram raptaram 276 raparigas em Chibok, no nordeste da Nigéria, abriram-se “brechas” na Presidência de Jonathan que nunca foram fechadas, dando espaço para Buhari.

No entanto, segunda-feira, Buhari indicou que, para já, privilegia o diálogo com o movimento extremista a uma ação militar para libertar as mais de uma centena de raparigas em poder do Boko Haram.

Antigo comandante militar na década de 1980, Buhari prometeu acabar com o Boko Haram nos meses que se seguiram ao início do mandato e, sob as suas ordens, as tropas nigerianas foram conseguindo importantes avanços, obrigando os insurgentes a largar os territórios ocupados e forçando-os também a regressar à velha tática da guerrilha. As incursões do Boko Haram, porém, não cessaram.

“O «timing» e o que sucedeu em Chibok são demasiado perfeitos, o que demonstra a perceção política dos insurgentes. Se as raparigas não forem resgatadas, as eleições serão influenciadas”, sublinhou à Bloomberg Idayat Hassan, diretor executivo do Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), com sede em Abuja.

olesegum2

Mas os problemas de Buhari também vêm do lado do antigo Presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, que o apoiou nas eleições de 2015, e que, em janeiro deste ano, escreveu uma “carta aberta” a apelar ao atual chefe de Estado que não se recandidate e a acusá-lo de nepotismo e de incompetência na gestão económica do país.

“Esperemos que as primeiras páginas dos jornais não nos levem a crer que Buhari será fácil de bater. Não será fácil não”, concluiu Amaka Anku.

 

Brasil na Missão para a Estabilização da República Centro-Africana está incerta

A participação do Brasil na Missão Multidimensional das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA), começa a enfrentar problemas para sua confirmação.

Força da ONU participando da Missão Multidimensional das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA). Fot0 – MINUSCA

Nota DefesaNet
Texto atualizado 13:20 28NOV2017

Equipe DefesaNet
O Comandante do Exército Brasileiro, General-de-Exército Eduardo Villas Bôasdirigiu uma mensagem aos Comandantes / Chefes / Diretores de Organizações Militares sobre a Participação Brasileira em Missão de Paz na República Centro-Africana (RCA).

O texto informa que oficialmente o Brasil foi convidado a integrar a Missão Multidimensional das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA), em 22 de novembro de 2017.

Informa que até o presente momento, o Governo Brasileiro não emitiu um parecer respondendo ao questionamento, formulado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Abaixo Mensagem do Comandante do Exército

O chefe do Departamento de Operações de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), Jean-Pierre Lacroix destacou que, entre os novos desafios para as Nações Unidas nos próximos anos, está a necessidade de plena implementação de uma política de tolerância zero com relação a casos de abuso sexual.

38604_resize_620_380_true_false_null

Em palestra realizada no auditório do Ministério da Defesa, Lacroix fez ainda um resumo da situação atual das missões de paz da ONU ao redor do mundo. De acordo com ele, a Organização vem contabilizando inúmeros sucessos no sentido de conseguir estabelecer a paz e salvar vidas da população civil.1511872348_Palestra_secretrio_ONU_grande_2

No entanto, de acordo com Lacroix, a ONU agora enfrenta desafios que exigem respostas precisas para que possa haver uma evolução das missões de paz. Segundo ele, uma das grandes dificuldades, atualmente, é a questão política das missões, ou seja, restabelecer a paz e fazer com que as instituições locais funcionem plenamente.

Lacroix destacou situações mais violentas, populações mais fragilizadas e amedrontadas nos locais que são ou serão alvo de missões, além da questão da pressão sobre novos recursos que vem sendo enfrentada pela ONU.

Diante deste novo cenário, Lacroix explicou que a ONU está revendo parâmetros de atuação para buscar formas flexíveis e eficientes e destacou que, para isso, cada vez mais se farão necessárias tropas versáteis e inteligentes, capazes de se adaptar aos mais diversos contextos políticos, econômicos e sociais.

Além disso, ele ressaltou que a ONU buscará um envolvimento cada vez maior dos países membros e parceiros. “Precisamos de um trabalho em parceria com toda a comunidade internacional, não existe mais cenário para poucos protagonistas, todos os países tem um papel muito importante”, disse ele citando como exemplo o caso da missão de paz em Mali onde a União Europeia desempenha papel fundamental no treinamento das Forças Armadas locais.

Fonte:http://www.defesanet.com.br/ph/noticia/27807/Soldados-brasileiros-tem-“conduta-exemplar”–diz-chefe-de-Missoes-de-Paz-da-ONU-/

Especula-se sobre o montante de recursos desviados pelo governo de Mugabe

O ex-ministro das Finanças do Zimbabué Tendai Biti acredita que será fácil. Já o diretor da organização Corruption Watch antevê dificuldades em conhecer o rasto do dinheiro, grande parte em paraísos fiscais.

defaultRobert e Grace Mugabe

Os tabloides sul-africanos publicam inúmeros artigos sobre as “riquezas incalculáveis” que Robert Mugabe e sua família deverão ter acumulado ao longo de anos de 37 anos de poder. No entanto, não é possível ainda avaliar com precisão quanto o ex-Presidente do Zimbabué e família terão gasto de fundos públicos.

Sabe-se que as festas de aniversário de Mugabe devem ter custado mais de dois milhões de dólares, com cerca de 500 mil dólares só para champanhe e caviar.

Além de uma mansão em Harare com 25 quartos, avaliada em 8,5 milhões de euros, o ex-chefe de Estado do Zimbabué detém, pelo menos, quatro moradias de luxo em Hong Kong e o Palácio de Hamilton, em Sussex, na Inglaterra, avaliado em mais de 400 milhões de euros.

Além disso, há que contabilizar ainda mais de 15 mil hectares de terras, que incluem áreas expropriadas a proprietários brancos. Algumas dessas propriedades foram convertidas em retiros privados e resorts. Robert Mugabe detém também veículos blindados, alguns deles Mercedes, no valor de um milhão de euros, um Rolls-Royce, diversas joias, relógios, diamantes e aplicações financeiras.

A sua esposa Grace Mugabe foi até apelidada de Gucci-Grace devido ao seu estilo de roupa.  Em 2014, chegou a defender o marido, dizendo que ele era o “Presidente mais pobre do mundo”.

Os dois filhos do casal também apreciam uma vida de luxo. Chatunga Mugabe, por exemplo, viveu numa moradia no Dubai com uma mensalidade de 30 mil euros, antes de se mudar para uma residência em Joanesburgo, na África do Sul, com renda de quatro mil dólares.

Recuperar o dinheiro desviado do Zimbabué

Ehemaliger Finanzminister Simbabwes Tendai BitiTendai Biti, ex-ministro das Finanças do Zimbabué

O ministro das Finanças do Zimbabué entre 2009 e 2013, Tendai Biti, foi confrontado com a corrupção no Governo de Mugabe. “O meu maior desafio não foram os milhares que Mugabe roubou, mais os milhões que tinham desaparecido. Hoje, sabemos que foram cerca de 15 milhões de dólares, uma elevada quantia”, lembra Tendai Biti. Para o ex-ministro das Finanças, “uma das principais tarefas do novo Governo é recuperar o dinheiro”.

“Esse dinheiro pertence ao Zimbabué e deve regressar ao país. São cerca de mil milhões de dólares, que pertencem aos zimbabueanos. Será um teste para o novo Governo localizar esse dinheiro. Hoje em dia é fácil. Com todas as regras financeiras internacionais contra a lavagem de dinheiro e de promoção da transparência, deverá ser uma tarefa fácil”, estima Tendai Biti.

Paraísos fiscais

No entanto, Paul Holden, diretor da organização sem fins lucrativos Corruption Watch, acredita que será difícil rastrear o dinheiro de Mugabe. Trazer o dinheiro de volta ao Zimbabué “depende de vários fatores: em primeiro lugar, é preciso descobrir a quantidade de ativos de Mugabe e onde eles estão exatamente. Caso contrário, poder ser muito difícil conhecer o rasto do dinheiro. A maioria do dinheiro está provavelmente localizado no exterior, em paraísos fiscais. Pode levar muito tempo e também ser bastante difícil”, alerta Paul Holden.

Mesmo que se venha a saber onde estão os ativos, será muito difícil provar que o dinheiro foi roubado do Zimbabué, acrescenta o diretor da organização Corruption Watch.

Outros casos mostram o quão difícil pode ser o processo. O ex-Presidente da Nigéria Sani Abacha terá conseguido gastar cinco bilhões em receitas de petróleo fora do país durante seu mandato entre 1993 e 1998. Mas apenas depois de 16 anos uma pequena parte do dinheiro roubado foi trazida de volta à Nigéria.

Será Mnangagwana uma verdadeira alternativa?

A questão que fica é se o sucessor de Robert Mugabe, o antigo vice-Presidente Emmerson Mnangagwana, é o homem certo para promover esse desenvolvimento.

Simbabwe Emmerson Mnangagwa in HarareEmmerson Mnangagwana de regresso ao Zimbabué

“Mnangagwa foi um aliado próximo de Mugabe por mais de 30 anos e, como tal, foi parte do sistema corrupto. Então, a maior parte dos observadores é cética sobre se ele realmente será diferente do seu antecessor”, observa Paul Holden, diretor da organização Corruption Watch.

“A nossa esperança é que a destituição de Mugabe seja o ponto de partida para a transformação do Zimbabué num estado democrático”, acrescenta Holden.

Emmerson Mnangagwana regressou ao Zimbabué, esta quarta-feira (22.11) a fim de tomar posse na sexta-feira (24.11).

No Zimbabwe começa um novo período, ou mais do mesmo?

Harare – Emmerson Mnangagwa, que prepara-se para suceder Robert Mugabe, saudou quarta-feira, em Harare, “o início de uma nova democracia” no Zimbabwe e apelou “todos patriotas” a trabalhar em conjunto, no seu primeiro discurso desde o início da crise, noticiou a AFP.

ZIMBABWE: EMMERSON MNANGAGWA, TOMA POSSE SEXTA-FEIRA COMO PRESIDENTE DO ZIMBABWE.

FOTO: ALBERTO JULIÃO

Prometendo ser “o servidor” do povo, o antigo vice-presidente, 75 anos, que deve ser investido sexta-feira, presidente do país, apelou “todos os zimbabweanos patriotas a reunir-se, a trabalhar em conjunto”.

“Queremos o crescimento da nossa economia, queremos empregos”, disse, numa altura em que o Zimbabwe conhece altos níveis de desemprego, uma falta de liquidez e um endividamento crescente.

Por outro lado, agradeceu o exército que, na sequência da sua demissão, interveio na noite de 14 a 15, sem violência aparente. O responsável revelou ter estado “em contacto permanente” com os responsáveis castrenses durante a crise.

Sob a pressão dos militares, da rua e do seu partido, Robert Mugabe, 93 anos, aceitou terça-feira, demitir-se, após 37 anos na liderança do país.

Mugabe deve renunciar a presidência do Zimbabwe, cargo que exerce desde 1980,

Zimbabwe's President Robert Mugabe SMILE

Zimbabwe’s President Robert Mugabe SMILES during three-day summit on food security at UN Food and Agriculture Organisation (FAO) in Rome on June 3, 2008. Zimbabwe’s President Robert Mugabe accused Britain Tuesday of fomenting Western efforts to effect “illegal regime change” in his country by crippling it economically. AFP PHOTO / POOL / Alessandro Di Meo (Photo credit should read ALESSANDRO DI MEO/AFP/Getty Images)

Eleazar Van-Dúnem |

A situação do Zimbabwe está hoje mais clarificada depois de na noite de ontem os militares terem reforçado as suas posições em toda a cidade de Harare, com especial incidência para as ruas que dão acesso à residência oficial do Presidente Mugabe e de ter detido alguns dos seus principais ministros.

Militares zimbabweanos reforçaram as suas posições nas ruas que dão acesso à residência de Mugabe
Fotografia: AFP |

A comunidade angolana está bem e foi aconselhada a permanecer em casa, enquanto a SADC vai enviar emissários especiais a Harare e a Luanda depois de Jacob Zuma ter falado ao telefone com Mugabe. A TAAG cancelou o voo de ontem para Harare.    

Robert Mugabe pode renunciar ao cargo 
O Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, deve renunciar hoje ao cargo que exerce desde 1980, após garantir a saída, do país, da primeira-dama, Grace Mugabe, numa altura em que uma intervenção militar alimenta rumores sobre um golpe de Estado.
O canal televisivo sul-africano  News24 noticiou ontem que hoje à tarde é anunciada a renúncia de Robert Mugabe e que o Exército mantém a família presidencial e a sua guarda sob custódia, depois de soldados do Exército bloquearem o acesso a edifícios do governo na capital do país, Harare, como o Mwenemutapa, que abriga o escritório do Chefe de Estado, o Parlamento e o Supremo Tribunal.
Ontem, informações apontavam para uma forte presença militar na estrada que leva à residência rural de Mugabe, no distrito de Zvimba.
Três explosões fortes foram ouvidas na noite de terça-feira em Harare, antes de os militares tomarem as ruas e prenderem ministros.
O jornal zimbabweano “NewsDay” noticiou que, após incursões militares nas suas residências, os soldados detiveram os ministros das Finanças, Ignatius Chombo, da Educação Superior, Jonathan Moyo, e do Governo Local, Obras Públicas e Habitação e comissário político a nível nacional da União Nacional Africana do Zimbabwe – Frente Patriótica (ZANU-PF), Saviour Kasukuwere. O trio faz parte do chamado “grupo G40”, facção da ZANU-PF que, segundo especialistas, procura afastar os veteranos da guerra da independência – como o Vice-Presidente Emmerson Mnangagwa, destituído na semana passada – e abrir caminho para a primeira-dama, Grace Mugabe, assumir o poder. No “NewsDay” lê-se que Jonathan Moyo é o cérebro do grupo, um dos muitos em que se dividiu a ZANU-PF para organizar a sucessão do Presidente Robert Mugabe, de 93 anos.
De acordo com a fonte, o presidente da juventude da ZANU-PF e o número dois dos serviços de inteligência foram detidos. Outras informações dão conta de que o director da Polícia também pode ter sido preso pelos militares. Na noite de terça-feira, o Exército negou que esteja em curso um golpe de Estado, mas prometeu combater o que chamou de “criminosos” próximos de Robert Mugabe.
Em comunicado lido à nação na TV estatal, o porta-voz militar disse que não se trata de “uma tomada militar do Governo”. O que os militares querem “é pacificar uma situação degenerada  que, se não for tomada uma providência, pode resultar num conflito violento”. “Assim que cumprirmos a nossa missão, esperamos que a situação volte ao normal”, afirmou.
O porta-voz pediu que todos os “veteranos de guerra” da luta de libertação do Zimbabwe assegurem a paz, a estabilidade e a unidade. E pediu que as forças de segurança cooperem para o bem do país.
“O Presidente e a sua família estão em segurança”, garantiu. Mais cedo, a ZANU-PF acusou num comunicado o chefe das Forças Armadas de “conduta de traição” por ter dirigido ao partido que Governa, na segunda-feira, um aviso sem precedentes, na primeira divergência pública entre Robert Mugabe e os militares.

Apelos à não violência 
Jacob Zuma, o Presidente da África do Sul, manifestou-se contra qualquer mudança de regime “inconstitucional” no Zimbabwe. Em comunicado, Jacob Zuma diz estar “muito preocupado” com a situação e manifesta esperança de que os desenvolvimentos no Zimbabwe “não levem a uma alteração inconstitucional do Governo”.
A ZANU-PF  anunciou no Twitter que “o Zimbabwe é pacífico e não há instabilidade. A Constituição não foi violada e continua a existir uma democracia”.
Em entrevista à agência DW África, Tendai Biti, antigo ministro das Finanças e líder do MDC, principal partido da oposição do Zimbabwe, condena a acção militar em curso no país, mas admite ser tempo de Robert Mugabe deixar o poder.  “Condenamos a retirada ilegal do Presidente, mas é preciso reconhecer duas coisas. Uma é que não houve violência, e acho que o Exército planeou esta acção cuidadosamente. Outra questão é que há uma crise política centrada no Presidente e na sua sucessão. Existe o grave risco de uma dinastia Mugabe se a sua esposa assumir o poder.”
O secretário-geral do MDC afirmou que “o Exército está em processo de tomar o comando”. Em entrevista pelo telefone a partir do Zimbabwe com o canal sul-africano ANN7, Douglas Mwonzora afirmou: “Esta é a definição padrão de um golpe de Estado. Se isto não é um golpe, o que será?”, questionou, antes de acrescentar que a ZANU-PF “está em fase de negação, mas já não tem o controlo”.
Sobre a mensagem do Exército, na qual foi descartada um “golpe militar”, Douglas Mwonzora considerou que “é um comunicado normal quando os militares intervêm”. “Há muito ressentimento contra (o Presidente) Robert Mugabe e a sua esposa (Grace)”, sublinhou. O político pediu aos cidadãos que “tenham cuidado” e disse ser a hora “de salvar o país”, mas advertiu que “não vai ser permitido derramamento de sangue”.
Até ontem, o clima em Harare era calmo, e o comércio funcionava normalmente.

Golpe sofisticado 

Sara Rich Dorman, pesquisadora especializada na História política do Zimbabwe, afirmou à UOL que esta acção militar “é um tipo peculiar de golpe, com um padrão diferente, que não vimos em outros lugares” e que se tiver êxito, pode  ser exportado e intervenções do género podem acontecer noutros países do continente.“Este modelo de intervenção pode ser atraente para outros países em que a maioria das disputas acontece dentro dos partidos dominantes.
Não havíamos visto os militares agindo de forma aberta assim em questões deste tipo. Agora que isso se tornou possível, abre-se a possibilidade de trajectórias semelhantes em outros lugares. Não daria para ver claramente onde, mas é uma nova forma de jogar a política africana, e, se der certo, as pessoas podem tentar repetir.”  Em vez de derrubar o governante e o grupo do poder, os militares parecem querer assumir o governo dizendo que o estão a defender.
“Dada a posição de Robert Mugabe e esta tradição, parecia improvável que alguém o tentasse derrubar. Daí o que estamos a ver, uma intervenção militar que aparentemente não o tirou do poder. Assim, eles conseguem assumir o governo sem precisar romper de forma tão definitiva com o sistema. Fizeram um golpe em defesa do partido que está no poder. É um modelo diferente de golpe”, disse Sara Rich Dorman.
A acção do Exército do Zimbabwe, que assumiu o controlo do país para supostamente proteger o Presidente Robert Mugabe, deve ser entendida como um golpe de Estado, afirma a também autora do livro “Entendendo o Zimbabwe – Da Libertação ao Autoritarismo”, publicado no ano passado, no qual analisa a História política do Zimbabwe. Mesmo que o Exército negue, não há outro nome para o que acontece no país, refere pesquisadora especializada na História política do Zimbabwe.
“É um golpe. É uma intervenção militar na política. Os militares alegam que estão a agir para defender os interesses de Robert Mugabe, que constitucionalmente é o presidente, mas não está claro se ele pediu isso. Não há motivo para achar que ele pediu. Conta como golpe. Não vejo forma de chamar de outra coisa”, disse a cientista política especializada em questões africanas, professora da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e editora sénior da revista académica “Journal of Southern African Studies”.
Sara Rich Dorman explica diz ser raro haver golpes no Sul de África, por a maioria dos países da região ter sistemas partidários fortes.

Ler os sinais dos tempos 

Analistas políticos angolanos contactados pelo Jornal de Angola condenaram a tomada do poder pela Forças Armadas e disseram que Robert Mugabe não soube ler os sinais dos tempos. Para o analista político Herlander Napoleão, é imperativo que as lideranças africanas interpretem os sinais dos tempos e as revoluções sociais que foram ocorreram no nosso continente com a chamada “Primavera Árabe”.
O analista diz ser preciso que se destrua a ideia de que não existe vida depois do poder, e sublinha que as novas gerações africanas perderam o medo, que é o ingrediente fundamental para as ditaduras. África precisa de instituições fortes e de homens sérios, comprometidos com o seu progresso e desenvolvimento , afirma.
Herlander Napoleão lembra que em África, ironicamente, quem chega ao poder através de golpe de Estado normalmente sai da mesma maneira.  “Existe uma linha muito ténue entre o Presidente muito temido e o Presidente muito odiado”, afirma. Lamenta que muitos líderes africanos dificilmente abandonam o poder  voluntáriamente e alerta que os líderes que não conseguirem fazer a leitura dos tempos podem não acabar os seus dias na sua terra natal.”
Para o analista, a boa governação, transparência, alternância democrática continuam “nublados e confusos, e muitos líderes  africanos esqueceram-se dos grandes líderes impulsionadores das lutas de libertação de África. Exorta os governantes africanos a evitarem promover o que chama de “sucessão dinástica” (tentativa de alguns chefes de estado em entregar o poder a filhos e mulheres) em países republicanos, o que, entende, está na origem de muitos conflitos em África.

Dirigentes africanos têm de acabar com a ideia de que são insubstituíveis e o seu poder é eterno

Augusto Báfua Báfua, especialista em relações internacionais, lembra que o antigo Presidente nigeriano, Olusegum Obasanjo, alertou no inicio deste  2017 aos líderes africanos longevos. “Se não deixarem o poder, o poder vai  deixar-vos”.
Para Báfua Báfua, Robert Mugabe deu indícios de perder o controlo da situação quando o seu maior problema passou a ser primeiro a ex-vice-presidente Joyce Mujuro e agora o sucessor desta, Emmerson “Ngwena” Mnangagwa.  Segundo o analista, cogita-se que os militares exigem a (re)nomeação de Emmerson Mnangagwa como vice-Presidente da República e o pedido de demissão de Robert Mugabe, ficando deste modo “Ngwena” como Presidente interino e candidato da ZANU-PF à Presidência da República já em 2018.
As próximas horas vão dizer muito sobre o futuro a curto prazo do Zimbabwe, perspectiva Augusto Báfua Báfua.
Osvaldo Mboco, docente universitário, lembra que o Zimbabwe independente sempre foi governado por Robert Mugabe, e que nos anos 80 e 90 este era um dos países mais prósperos de África, com um nível de desenvolvimento invejável, um índice de desenvolvimento humano médio e um sistema de saúde e educação dos melhores em África.
O analista pede uma posição clara da União Africana e dos blocos regionais nos quais o Zimbabwe está inserido sobre a situação.  O Zimbabwe, recorda, atravessa uma profunda crise económica, com 70 por cento da população a viver abaixo da linha da pobreza.

                                     União Africana condena “o que parece um golpe de Estado” contra Robert Mugabe no Zimbabwe

O Presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé, condenou, na qualidade de presidente em exercício da União Africana, “o que parece um golpe de Estado” no Zimbabué e  instou os militares a “submeterem-se à legalidade constitucional”, segundo um comunicado oficial.
“A União Africana manifesta a sua grande preocupação em relação à situação em curso no Zimbabwe, onde manifestamente soldados estão a tentar tomar o poder pela força”, lê-se no comunicado da organização.
A União Africana “condena com a maior firmeza o que parece um golpe de Estado e reitera o seu total apoio às instituições legais do país” e pede “aos militares que ponham imediatamente termo à sua ação e se submetam à legalidade constitucional”, acrescenta o texto.
Robert Mugabe destacou-se como líder guerrilheiro contra o regime racista branco de Ian Smith, o líder da Rodésia. Em 1980 tornou-se primeiro-ministro, e permitiu a Ian Smith, o homem que o manteve preso por uma década, viver os últimos anos no Zimbabwe. Nos anos 80, sob sua direcção, a economia do Zimbabwe era uma das mais pujantes do continente. Com uma taxa de alfabetização de 90 por cento, o Zimbabwe era  um exemplo para África.
Em 1981, Robert Mugabe recebeu o Prémio Internacional de Direitos Humanos da Universidade Howard em Washington e, em 1988, a ONU  distinguiu -o pela sua luta contra a fome em África.
De lá para cá, a sua imagem  perante a comunidade internacional mudou radialmente.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/militares_tem_o_controlo_da_situacao_no_zimbabwe

A Segurança Alimentar da Republica Democrática do Congo é profundamente preocupante

congo

Responsável do Programa Alimentar Mundial alerta que é imperativo que a ajuda chegue rapidamente ao terreno.

O Iémen, a Somália, o Sudão do Sul e a Nigéria são os países mais afectados pela fome

Num país já marcado por confrontos e instabilidade política, a República Democrática do Congo vê-se perante uma nova crise: existem mais de três milhões de pessoas no país (incluindo milhares de crianças) em risco de morrerem à fome, segundo disse à BBC o director do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, David Beasley. “Precisamos de ajuda, e precisamos dela agora”, alertou o representante.

Estamos a falar de centenas de milhares de crianças que morrerão nos próximos meses, se não arranjarmos, em primeiro lugar, financiamento; em segundo, comida; e, em terceiro, acesso aos locais”, acrescentou, em declarações à BBC. Para já, diz Beasley, só têm 1% dos fundos que precisam e a chegada da ajuda ao terreno pode complicar-se com o início da época de chuvas. “Nem consigo imaginar o quão horrível será” se se esperar mais algumas semanas até receber os fundos, confessou.

Segundo dados do Programa Alimentar Mundial (PAM) morreram 5,4 milhões de pessoas entre os anos de 1998 e 2007 na sequência de guerras e conflitos no país – não só em consequência directa mas também por fome e doenças que poderiam ser tratadas ou evitadas. Mais de um milhão e meio de pessoas tiveram de abandonar as suas casas para fugir à violência.

Subdivisões_da_República_Democrática_do_Congo

Num cenário que considera desastroso, o representante das Nações Unidas conta que viu na região de Kasai, no epicentro dos problemas, um cenário de destruição: casas queimadas e crianças seriamente desnutridas e perturbadas. A República Democrática do Congo é uma das nações com a taxa mais elevada de mortalidade infantil. Além disso, 8% das crianças com menos de cinco anos sofrem de subnutrição crónica e 43% sofrem de subnutrição e revelam atrasos no crescimento. Situado no Centro de África, este é o segundo maior país do continente e tem uma população de 72,7 milhões de habitantes, sendo que 63% deles vivem abaixo do limiar de pobreza.

O representante das Nações Unidas também foi partilhando relatos da sua viagem pela República do Congo no Twitter. “Visitei hoje a vila de Nyanzale na República Democrática do Congo – ouvi tantos pedidos para acabar os conflitos que impulsionam a fome”, lê-se num deles. “Não me deito a pensar nas crianças que alimentámos hoje. Deito-me a chorar por todas aquelas que não alimentámos”, escreveu ainda.

congo

E o cenário repete-se por outros países. No site do PAM das Nações Unidas, lê-se que 20 milhões de pessoas estão em risco de morrer de fome por todo o mundo e que, se não for prestada assistência, cerca de 600 mil crianças podem vir a morrer nos próximos meses. O Iémen, a Somália, o Sudão do Sul e a Nigéria são os países mais afectados.

Ainda que a situação tenha acalmado nos últimos meses, a República Democrática do Congo está a ser assolada por uma onda de violência desde a crise política de Dezembro, quando o Presidente Joseph Kabila recusou abandonar o poder no final do mandato – e recusa marcar novas eleições apesar de o seu terceiro mandato (que deveria ser também o último, segundo a Constituição) já ter expirado há nove meses. Na altura, o director-executivo da Human Rights Watch, Kenneth Roth, alertava que havia “um sério risco” que o Congo pudesse “mergulhar na violência generalizada e no caos nos próximos dias, com repercussões potencialmente voláteis em toda a região”.

Em Março deste ano, a milícia rebelde Kamuina Nsapu capturou e decapitou cerca de 40 agentes da polícia, na província de Kasai. Ainda em Março, os corpos de dois funcionários das Nações Unidas que estavam desaparecidos foram encontrados na região. Os dois funcionários – um norte-americano de 34 anos e uma sueca de 36 anos, assim como um intérprete de nacionalidade congolesa – estavam a investigar crimes e violações dos direitos humanos no país. No início deste mês, morreram cerca de 30 pessoas (a maioria civis) numa emboscada no Noroeste do país.

 

https://www.publico.pt/2017/10/29/mundo/noticia/precisamos-de-ajuda-e-precisamos-dela-agora-o-apelo-para-os-milhoes-que-podem-morrer-de-fome-1790724

MPLA, o maior partido de Angola precisa realizar transformações profundas

20171024064053comite_central_24

A sessão foi aberta, no período da manhã de segunda feira , pelo líder do partido, José Eduardo dos Santos, que apelou para a necessidade do “reforço e manutenção da unidade de pensamento e de ação” no seio dos militantes do partido como requisitos para dar corpo ao lema “Melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”, que presidiu à campanha eleitoral de João Lourenço.
Discursando na abertura da sessão, no Complexo Turístico de Belas, José Eduardo dos Santos sublinhou que  a direcção do partido pretende que os cidadãos, os trabalhadores e as famílias tenham acesso aos bens essenciais e  sejam protagonistas das suas próprias vidas e das sociedades onde se inserem. “Que sejam no fundo cidadãos autónomos e responsáveis”, acrescentou o presidente do MPLA.
“É neste contexto que esta reunião vai analisar o Plano geral de actividades do partido para 2018”, destacou logo a seguir José Eduardo dos Santos, esclarecendo os objectivos desta primeira reunião do Comité Central depois da vitória do partido nas eleições de 23 de Agosto último.

Comité Central do MPLA esteve reunido na segunda-feira em Luanda pela primeira vez, depois das eleições gerais de 23 de Agosto, ganhas pelo partido dos “camaradas” com maioria qualificada.

A reunião do Comité Central do Partido que governa o país ocorre num momento em que os cidadãos angolanos esperam do Executivo a realização de grandes mudanças em diferentes sectores da vida nacional.
O MPLA ganhou as eleições e vai governar o país até 2022. Até 2022, o MPLA terá de proceder a transformações profundas na sociedade, em que avultam problemas complexos e diversos que precisam de ser superados com urgência.
O partido no poder sabe que tem de mudar o que está mal no nosso país e que tem a grande responsabilidade de colocar o país na rota do desenvolvimento e do bem-estar dos cidadãos. O povo voltou a escolher o MPLA para governar, na esperança de que o partido dos “camaradas”, pela sua experiência e pela qualidade dos seus quadros, pode fazer com que a vida dos angolanos melhore.
O país tem um novo Presidente da República, direta e democraticamente eleito, e que fez promessas que quer cumprir durante o seu mandato. O Presidente da República, João Lourenço, já disse ao país o que pretende fazer durante a sua governação, havendo expectativa em relação ao que concretamente o Chefe de Estado vai realizar.
O novo Presidente da República tem certamente consciência de que o povo espera muito dele, em termos de uma gestão que priorize a realização do bem comum. O Presidente da República conhece bem os problemas do país e tem já as terapias adequadas para resolver muitos dos nossos problemas. É verdade que nem tudo vai ser fácil de fazer, mas já é animador o facto do Chefe de Estado estar realmente determinado a realizar mudanças.
O MPLA tem apenas cinco anos para mostrar que é capaz de ultrapassar muitos dos problemas que afetam a vida dos angolanos. Estes problemas estão identificados. Importa agora que se trabalhe arduamente para que o que se prometeu na campanha eleitoral seja cumprido. As comunidades estão à espera de acções concretas e de resultados.
O Governo está obrigado, em virtude da atual situação econômica e social que vivemos, a realizar mudanças. É importante que os gestores públicos se apercebam que estamos a entrar num novo ciclo, que vai exigir deles muito trabalho.

Joao-lourenço-e-jose-eduardo
Não passou despercebido o fato do Comité Central do MPLA ter encorajado o Executivo a trabalhar de forma afincada para impulsionar as mudanças necessárias e indispensáveis nos diversos sectores da vida nacional. É positivo o fato de o Comité Central do MPLA estar alinhado com as ações do Executivo focadas no combate a muitos males de que enferma a nossa sociedade.

Sendo complexa a tarefa do Executivo, na atual conjuntura econômica, financeira e social, faz sentido que um importante órgão do partido no poder, o seu Comité Central, tome posição sobre os novos tempos ao nível da governação do país.

É o MPLA que tem a ganhar se cumprir com as suas promessas eleitorais. Os militantes do MPLA terão percebido que até às próximas eleições gerais não há muito tempo, e que se deve prestar todo o apoio ao atual Executivo, para que concretize o seu programa de governo.
Sabe-se que nem todos os militantes do partido dos “camaradas” vão gostar das mudanças que o Executivo quer empreender. Haverá inevitavelmente resistência às mudanças que o novo Presidente da República quer levar a cabo.
O que mais satisfaz os cidadãos é saber que o Presidente João Lourenço está a trabalhar em prol do bem-estar de todos os angolanos e que quer acabar com a injustiça social. Temos um Presidente que pretende governar em prol da prosperidade do país, para que todas as famílias possam viver com dignidade.

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/editorial/o_mpla_e_as_mudancas