Fatoumata Jawara torturada não quer vingança, “e sim justiça”

Fatoumata Jawara em sua casa, em Banjul.
Fatoumata Jawara em sua casa, em Banjul. ÁNGELES LUCAS

Despiram-na, surraram-na até quase matá-la e chamaram uma dezena de homens para assistissem à humilhação dela. Então ela lhes disse, com um fio de voz, que iria morrer sobre aquela mesa se a estuprassem. Um ano depois desse horror, vivido em uma lúgubre sala dos serviços de inteligência do Estado, Fatoumata Jawara se transformou em uma ativa deputada na Assembleia Nacional de Gâmbia e integrante do Parlamento Pan-Africano. “Quero justiça, não vingança. Posso perdoar quem fez tudo aquilo, mas devem reconhecer o que fizeram, dizer a verdade”, afirma essa mulher de 30 anos, mãe de três filhos, que virou o rosto de um novo país que emerge sobre as cinzas do regime ditatorial de Yahya Jammeh, hoje exilado na Guiné Equatorial.

Depois de passar oito meses presa, Jawara retornou em dezembro passado à sua modesta casa térrea, com um enorme quintal, no bairro de Talinding, uma área popular da capital, Bajul, atravessada por ruas de areia. Jammeh ainda estava no poder, mas sua derrota eleitoral, que abriu as portas das cadeias aos presos políticos, já prenunciava sua partida, que ocorreria em janeiro deste ano, quando o ditador estava acuado por uma ameaça de intervenção militar de países vizinhos. Depois disso, as eleições legislativas de 6 de abril resultaram em um Parlamento controlado pelos antigos opositores da UDP (31 dos 53 deputados) e dirigido por outra mulher, Mariama Diack Denton. Fatoumata Jawara se tornava deputada.

“Não foi fácil chegar até aqui. Durante oito meses não pude ver meus filhos, que choravam dia e noite. Estava isolada em uma cela,urinei sangue durante semanas por causa dos golpes. Ainda há coisas que não posso contar nem explicar, é um trauma que não superei”, afirma, com semblante amargurado. Com apenas 16 anos, ela ficou fascinada pela figura de Ouseinou Darboe, líder opositor e atual ministro de Relações Exteriores gambiano, seu autêntico mentor, que também esteve preso em várias ocasiões. “Minha família me dizia para não ir atrás dos políticos, que eu ia terminar mal. Mas eu via muitas coisas que precisavam mudar neste país”, diz. “Rezo todos os dias para que o que eu passei não volte a acontecer. Nunca mais.”

Atualmente, a deputada trabalha no Parlamento na reforma da Lei de Imprensa, porque “os jornalistas não têm nenhum direito reconhecido”,e na renovação das forças da ordem. “Os soldados da Ecomig [Missão da Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental em Gâmbia] precisam ficar mais tempo aqui e nos ajudar a criar um novo Exército, uma nova Polícia”, argumenta. As tropas africanas, lideradas pelo Senegal, ainda fazem frente a certa resistência de partidários do antigo regime ditatorial. A tensão é especialmente forte em Kanilai, o povoado natal de Jammeh, onde no último dia 2 um homem morreu com um tiro no abdome durante uma manifestação pela retirada das tropas estrangeiras.

Assim, com avanços e retrocessos, a nova Gâmbia é construída. Sem poder, neste momento, solicitar a extradição do ditador, o governo trabalha em várias frentes, com não poucas dificuldades orçamentárias, que são notadas nos habituais cortes de luz que sofre a capital, mais que na época anterior, e nos problemas de abastecimento de água. Uma investigação aberta pelo Ministério da Justiça quantificou a dimensão do dinheiro roubado por Jammeh, antes de sua saída do país, em 45 milhões de euros, e congelou 88 contas bancárias em seu nome ou no de 14 empresas que controlava.

Para fazer frente aos desafios orçamentários, a Gâmbia de Adama Barrow conta com o apoio do vizinho Senegal e de novos aliados com os quais a relação havia esfriado nos últimos anos, especialmente a União Europeia, que desbloqueou uma primeira parcela de 225 milhões de euros para ajudar com a transição, que deve durar três anos. O retorno ao Commonwealth e o respaldo gambiano à Corte Penal Internacional, da qual Jammeh havia anunciado a retirada do país, mostraram a reconexão da nação com a comunidade internacional.

Enquanto o governo trabalha em seu ritmo na criação de uma Comissão da Verdade e Reconciliação, as vítimas da ditadura se organizam. Fatoumata Jawara expressa que gostaria que “Jammeh sofresse o que nós sofremos”. Por sua vez, Phateema Sandeng, filha do opositor Solo Sandeng, cujo assassinato, em abril do ano passado, foi um dos fatores que desencandeou a reviravolta eleitoral, afirma estar “feliz de voltar a meu país, de começar de novo. Você nunca sabe o quão forte você pode ser até viver algo assim, a morte do seu pai, o exílio”. Aisatu Kanji, esposa do opositor Kaniba Kanyi, desaparecido no buraco negro das prisões do regime, em 2006, disse durante anos ao seu filho Abdoulsalam que seu pai havia imigrado para a Europa. “Mas agora ele já sabe. E está orgulhoso dele”.

http://brasil.elpais.com/brasil/2017/06/16/internacional/1497636400_675864.html

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Direitos Humanos para as pessoas com albinismo na África Austral

Uma das maiores tragédias no campo dos direitos humanos é o tráfico de pessoas com albinismo na África Austral, que demandaria um esforço humanitário de todos os países que compõe a Nações Unidas, o tema ainda não entrou na pauta da CPLP, infelizmente.

Nenhuma nação do mundo pode convier com o destino dado as pessoas com albinismo na África Austral.

Encontro regional de dois dias decorre em Pemba, norte de Moçambique, e foi organizado pelas agências da ONU para migrações e infância, em parceria com autoridades.


África 21 Digital, com ONU News


                                                                                                       Foto: Unicef Moçambique/ Sergio Fernandez

Agências das Nações Unidas estão a unir forças com governos de África Austral para proteger pessoas com albinismo, que muitas vezes são vítimas de abusos como mutilação, tráfico e até assassinato, ligados a crenças de que partes dos seus corpos têm poderes mágicos em poções.

Um fórum regional de dois dias sobre proteção e prevenção e combate ao tráfico humano de pessoas com albinismo em Moçambique, Malaui e Tanzânia esta a decorrer em Pemba, norte do país lusófono.

Esta é a primeira formação deste tipo e foi organização pela Organização Internacional para Migrações (OIM), em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef),  procurador-geral de Moçambique e o procurador da província de Cabo Delgado.

Entre os participantes estão representantes de órgãos de coordenação de combate ao tráfico dos três países, além de promotores, policiais, instituições nacionais de direitos humanos e ONGs voltadas à proteção de pessoas com albinismo, entre outros.

Crianças

O representante do Unicef em Moçambique, Marcoluigi Corsi, falou de ações da agência e ressaltou a campanha #TodosIguais, lançada nas redes sociais em 2015 após casos de sequestro e morte de crianças com albinismo no país.

O objetivo é chamar atenção sobre o assunto e, segundo Corsi, a campanha, em andamento, já chegou a 5 milhões de pessoas até o momento.

Moçambique, Malaui e Tanzânia partilham fronteiras e, segundo a OIM, são países de origem ou destino de tráfico de pessoas com albinismo e partes de seus corpos.

O fórum resultará em um plano de ação de cooperação através de fronteiras para a prevenção e combate a crimes relacionados ao tráfico humano e para proteção dos direitos de pessoas com albinismo.

Para a chefe da missão da OIM em Moçambique, Katharina Schnoering, uma abordagem regional como esta “complementa ações nacionais em Moçambique, Malaui e Tanzânia e é a única forma de aprimorar a coordenação e investigação entre fronteiras para proteger pessoas com albinismo”.

Schnoering lembrou que esta abordagem regional à investigação, pesquisa e cooperação foi recomendada em um relatório recente da especialista independente da ONU sobre os direitos dessa população, Ikponwosa Ero, que vistou Moçambique em 2016.

A OIM está a trabalhar em parcerias com governos para prestar assistência a vítimas de tráfico humano e também no fortalecimento das respostas nacionais a estes crimes nos três países africanos.

https://africa21digital.com/2017/05/20/28018/

MPLA lamenta que sucessos da paz na RDCongo sejam sacrificados

O MPLA, partido no poder em Angola, lamentou hoje, em Luanda, que alguns sucessos alcançados na conquista da paz para a República Democrática do Congo (RDCongo) estão agora a ser “sacrificados”, com o atual conflito armado naquele país.

A preocupação foi realçada pelo secretário-geral do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), António Paulo Cassoma, no discurso de abertura do encontro que junta na capital angolana os seus homólogos dos antigos movimentos de libertação nacional da África austral, de Moçambique, África do Sul, Namíbia, Zimbabué e Tanzânia.

António Paulo Cassoma referiu que a reunião acontece num contexto regional marcado por alguns focos de tensão, augurando que os sinais de entendimento e de paz em Moçambique “sejam consolidados”, igualmente desejando “o resgate da estabilidade política na África do Sul”.band

Relativamente à RDCongo, o dirigente do MPLA disse que Angola assiste com “grande preocupação ao recrudescimento de um conflito militar, que ao longo dos anos já provocou a perda de milhares de vidas humanas e obrigou que alguns dos seus cidadãos se colocassem na condição de refugiados que abandonam as suas zonas de origem para os países vizinhos em defesa das suas vidas”.

O político frisou que o território angolano tem sido recetor de milhares de refugiados em busca de paz e proteção das suas vidas, salientando que com o apoio de agências especializadas das Nações Unidas, o Estado angolano tem prestado “um abrigo e condições mínimas para a sua subsistência”.

“A paz para a nossa sub-região continuará a estar no centro das nossas agendas e é neste sentido que se dirigem os esforços do Presidente José Eduardo dos Santos, na sua qualidade de presidente da Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos”, referiu.

Lamentou que “alguns sucessos alcançados neste âmbito no passado, estão a ser sacrificados por força desses conflitos que assentam numa base étnica e tribal”.

“O nosso Presidente, o presidente do MPLA e da República, está determinado em prosseguir com os esforços coletivos, em coordenação com os demais chefes de Estado da sub-região, para que se alcance a paz duradoura que o povo congolês e de outros povos da sub-região que dela necessitam e merecem”, disse.

Participam do encontro os secretários-gerais da FRELIMO (Moçambique), do ANC (África do Sul), da SWAPO (Namíbia), da ZANU-PF (Zimbabué) e da Chama Cha Mapinduzi (Tanzânia).

Como convidados ao encontro esteve presente uma delegação do Partido Comunista Chinês, a qual António Paulo Cassoma manifestou o apreço pela cooperação e solidariedade que os Antigos Movimentos de Libertação da África Austral têm recebido

http://www.dn.pt/lusa/interior/mpla-lamenta-que-sucessos-da-paz-na-rdcongo-sejam-sacrificados-8486778.html

Conselho de Segurança da ONU visita zona da pior crise humanitária de África

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O Conselho de Segurança da ONU iniciou hoje uma visita à zona da pior crise humanitária em África, na região do lago Chade, onde milhões enfrentam o risco de fome e a violência do ‘jihadista’ Boko Haram.


Os membros do conselho estão hoje nos Camarões, tendo previstas reuniões com altos responsáveis, bem como com a força multinacional que têm lutado contra os extremistas islâmicos nigerianos do Boko Haram.

A visita inclui deslocações ao Chade, ao Níger e à Nigéria, onde os membros do conselho devem visitar um campo de deslocados devido à violência do grupo terrorista.

A revolta do Boko Haram na Nigéria matou em sete anos mais de 20.000 pessoas e obrigou 2,6 milhões a abandonarem as suas casas. Nos últimos anos, o grupo extremista também tem atuado nos países vizinhos.

Numa conferência em Oslo na semana passada, o chefe da ajuda humanitária da ONU Stephen O’Brien disse que 14 países prometeram 672 milhões de dólares (637 milhões de euros) em três anos para evitar a fome nos quatro países africanos que rodeiam o lago Chade.

Os Estados Unidos, que são o maior doador humanitário, não se comprometeram a contribuir para combater a crise na Nigéria. Responsáveis norte-americanos indicaram que a administração de Donald Trump está a propor um corte de 37% nos orçamentos da diplomacia e da ajuda externa para ajudar a pagar o aumento dos gastos militares.

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/onu-conselho-de-seguranca-visita-zona-da-pior-crise-humanitaria-de-africa

A paz no Sudão do Sul mais longe que nunca

No Sudão do Sul a paz permanece uma quimera. Nos últimos dias ocorreram combates em Malakl, a segunda maior cidade do país e capital do estado do Alto Nilo, rico em petróleo.

Südsudan Krieg - Regierungssoldat (picture-alliance/AP Photo/J. Lynch)

As tropas governamentais do Presidente Salva Kiir e os combatentes leais ao ex-vice-Presidente e líder rebelde, Riek Machar, acusam-se mutuamente pela violência. Os confrontos foram confirmados por Stephane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da Organização das Nações Unidas: “Os nossos colegas da missão da ONU no Sudão do Sul disseram estar profundamente preocupados com o surgimento de combates nas imediações de Malakal entre o Exército Popular de Libertação do Sudão e o Exército Popular de Libertação do Sudão na Oposição”. Foram registados bombardeamentos e a missão de paz da ONU continua a patrulhar Malakal, “que aparentemente está deserta,” acrescentou a porta-voz.

Nenhuma das partes em conflito confirmou o número de vítimas. Os confrontos começaram há uma semana e as autoridades foram forçadas a encerrar o aeroporto. A área circundante de Malakal está sob controlo de Johnson Olony, um ex-general do exército que se aliou a outras forças rebeldes em abril de 2015.

Südsudan Rebellenführer Riek Machar in Juba (Reuters/Stringer)Os protagonistas do conflito: Riek Machar (centro) e Salva Kiir (direita)

Combates alastram-se

Entretanto, registaram-se também combates em Kajokeji, na região do Rio Yei, no sul do país, junto à fronteira com o Uganda. O ministro da Informação daquele estado, Steven Onesmus Ladu, confirmou que há vítimas: “Alguns soldados do Governo foram mortos. Mas os rebeldes foram repelidos. Um comandante rebelde foi detido.”

O comandante em questão é o representante do líder rebelde, Riek Machar, adiantou a mesma fonte. A violência já obrigou mais de 20 mil pessoas a abandonaram as suas casas e refugiaram-se no Uganda, disse à DW o líder da igreja episcopal de Kajokeji, Emmanuel Marial:  “Há muitas pessoas a fugir. Mesmo aqui no nosso complexo, as crianças estão a sofrer. A situação é extremamente preocupante.”

A guerra civil no Sudão do Sul começou em 2013, quando o Presidente Salva Kiir, de etnia Dinka, afastou o vice-Presidente Riek Machar, do povo Nuer. Em 2016, o país viveu um curto período de trégua, que terminou em julho com combates na capital, Juba, que levaram à fuga de Riek Machar.

A guerra civil no Sudão do Sul já obrigou mais de três milhões de pessoas a procurar refúgio em campos das Nações Unidas ou nos países vizinhos, Quénia e Uganda. A comissão dos Direitos Humanos da ONU no Sudão do Sul alertou, no final do ano passado, para a limpeza étnica no que este em curso no país, e para a qual os dois lados do conflito recorrem à fome, violação e incêndio de aldeias.

Refugiados gambianos regressam à casa

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Dacar – Pelo menos oito mil refugiados que tinham abandonado à Gâmbia temendo escaramuças ligadas à crise política regressaram desde a partida para o exilio do ex-presidente Yahya Jammeh, afirmou esta terça-feira, o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (HCR), citado pela AFP.r

MAPA DO SENAGAL

FOTO: ANGOP

“Vários milhares de pessoas regressaram à Gâmbia desde que o ex-presidente Yahya Jammeh cedeu o poder” e “os movimentos de regresso continuam”, indicou o HCR num artigo publicado no seu site regional, evocando “uma estimativa de oito mil pessoas” reentradas desde segunda-feira.

Com excepção da sua fachada atlântica, a Gâmbia, ex-colónia britânica de menos de dois milhões de habitantes, está encravada no Senegal, ex-colónia francesa de cerca de 15 milhões de habitantes.

A crise, que durou seis semanas, eclodiu a 09 de Dezembro, com a rejeição de Yahya Jammeh dos resultados da eleição presidencial dando como vencedor Adama Barrow, que já tinha felicitado uma semana antes.

A crise terminou com a partida para o exilio de Jammeh na tarde de 21 de Janeiro, após de intensas pressões diplomáticas e militares. Barrow, acolhido em Dacar desde 15 de Janeiro, por razões de segurança, tomou posse na embaixada gambiana nesta cidade a 19 de Janeiro.

O bloqueio na Gâmbia “provocou uma crise regional e forçou mais de 76 mil pessoas a se refugiar no Senegal, segundo as autoridades senegalesas”, disse o HCR, precisando que essas cifras referem-se ao período de 01 a 22 de Janeiro.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/0/4/Senegal-Gambianos-regressam-casa-apos-partida-Jammeh-para-exilio,b89e153e-68c4-4b14-a700-761905e766cc.html

Dhlakama considera lamentável falta de assistência a refugiados moçambicanos no Zimbabwe

 


Afonso Dhlakama preocupado com refugiados

Afonso Dhlakama preocupado com refugiados

Líder da Renamo disse à VOA que vai tratar do assunto com o Presidente Filie Nyusi

O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, considerou nesta terça-feira, 17, de lamentável a falta de assistência a refugiados moçambicanos no Zimbabué, e garantiu que vai abordar o assunto com o Presidente da Republica, Filipe Nyusi.

Ele diz que o Governo não pode esquivar-se das suas responsabilidades.

“É lamentável, é lamentável, nós estamos habituados (a esta falta de assistência do Governo aos refugiados)”, disse Afonso Dhlakama à VOA, lembrando a recusa do Governo moçambicano aos refugiados no Maláui, que foram inicialmente considerados de “camponeses e mais tarde mulheres de guerrilheiros da Renamo”.

Só com a intervenção das agências humanitárias das Nações Unidas, prosseguiu Afonso Dhlakama, é que o Governo moçambicano reconheceu a existência dos refugiados, e não espera a mesma coisa do Zimbabué, devido às relações de amizade entre Maputo e Harare.

Refugiados enfrentam fome nos países vizinhos

Milhares de moçambicanos que se refugiaram no Zimbabué, tem enfrentando fome severa e não tem nenhuma ajuda alimentar no campo de concentração em Chipingue, junto à fronteira com o distrito moçambicano de Mossurize (Manica), onde registaram-se violentos confrontos entre as forças governamentais e o braço armado da Renamo.

Recentemente a imprensa zimbabueana reportou que mais de três mil moçambicanos refugiados em acampamentos improvisados no distrito de Chipinge, no sudeste do Zimbabwe, estavam a enfrentar fome severa.

De acordo com o jornal Manica Post, as condições de sobrevivência dos moçambicanos são muitas vezes sombrias, com a falta de água e alimentos num acampamento em Mutoki Village, que igualmente não tem banheiros.

O número de refugiados para o Zimbabué começou a acentuar-se em Agosto passado, quando já eram contabilizados no acampamento 712 moçambicanos.

As últimas doações de alimentos aconteceram em Junho do ano passado.

http://www.voaportugues.com/a/dhlakama-considera-lamentavel-falta-assistencia-refugiados/3679526.html

Gâmbia: Dirigentes oeste-africanos em Banjul pressionam Jammeh para abandonar o poder

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Abuja (Nigéria) – Os dirigentes oeste-africanos vão deslocar-se novamente esta semana a Gâmbia, para pressionar o presidente Yahya Jammeh a respeitar o resultado das eleições e a deixar o poder, declarou esta segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, noticiou a AFP.

O chefe de Estado nigeriano, Muhammadu Buhari, desloca-se à Banjul terça-feira, acompanhado da sua homóloga da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, e o antigo presidente do Ghana, John Dramani Mahama, precisou o ministro, Geoffrey Onyeama.

Esse encontro visa “discutir com o presidente Jammeh o imperativo de respeitar à Constituição”, acrescentou o ministro, num comunicado, após discussões sobre a crise gambiana.

O presidente nigeriano Muhammadu Buhari e o ex-presidente ghanense foram escolhidos pela organização oeste-africana da CEDEAO como mediadores para resolver à crise eleitoral na Gâmbia, onde o presidente cessante Yahya Jammeh recusa-se a abandonar o poder.

Yahya Jammeh, a frente da Gâmbia há 22 anos, tinha inicialmente reconhecido a sua derrota nas presidenciais de 01 de Dezembro e felicitou o seu opositor Adama Barrow, antes de fazer à revira-volta.

A 09 de Dezembro, rejeitou os resultados e exigiu a organização de um novo escrutínio ao argumentar irregularidades na contagem dos resultados.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/0/2/Gambia-Dirigentes-oeste-africanos-Banjul-para-pressionar-Jammeh-abandonar-poder,9fd44e57-5db5-4f6d-b73a-ac461b80066a.html

Guiné Bissau um ano de crises e acordos descumpridos

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O ano de 2016 na Guiné-Bissau foi dominado, uma vez mais, pela política, mais precisamente pela crise política que influenciou todos os sectores da vida nacional.

O Presidente da República e o PAIGC, partido mais votado nas eleições de 2014, travaram uma ferrenha batalha política e na qual entraram outros actores políticos como o PRS que aliou-se ao Chefe de Estado.

Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC, e José Mário Vaz, Chefe de Estado, foram as figuras que maracam este ano.00000000000000000000000

Dois acordos sucessivos foram alcançados, mas sem resultados.

Conacri e Bissau foram palcos de negociações entre as partes.

Primeiro, em Bissau, esteve uma missão de alto nível da CEDEAO, composta pelos presidentes da Guiné Conacri, Alpha Condé, e da Serra Leoa, Ernest Koroma.

Segundo, como o citado acordo não foi cumprido, as partes deslocaram-se a Conacri.

Na capital do país vizinho, tudo correu bem, mas, chegada à hora da implementação do que foi assinado, assistiu-se a mais um episódio da crise, que culminou com a demissão do Governo liderado por Baciro Djá e a nomeação de Umaro Mocktar Sissoko para o cargo do primeiro-ministro.

Aliás, no âmbito desta mesma crise, ainda por conter, esteve em Bissau Hellen Johnson Sirleaf, Presidente da Libéria e em exercício da Conferência dos Chefes de Estado e de Governos da CEDEAO.00000000000000000000000c

Muitas figuras marcaram a crise politica, na Guiné-Bissau, em 2016, como Cipriano Cassamá, presidente do Parlamento, e Florentino Mendes Pereira, secretário-geral do PRS.

Quem também esteve atento à evolução da situação foi Nuno Na Bian, adversário político do actual Chefe de Estado, nas eleições de 2014.

O ano prestes a terminar deu origem a dois movimentos alegadamente anti-crise: Iniciativa Bassora e o Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados.

Este último protagonizou duas manifestações exigindo o fim da crise, através da dissolução do Parlamento e a consequente convocação de eleições antecipadas.

Futebol deu alegrias

Mas nem tudo se resumiu à crise política.

O ano fica marcado pelo apuramento da Guiné-Bissau, pela primeira-vez, para a fase final do Campeonato Africano de Futebol das Nações, a decorrer no próximo mês no Gabão.

Uma nota para o regresso ao país do contra-Almirante, José Américo Bubu Na Tchutu, preso, julgado e condenado pela justiça norte americana, devido ao seu envolvimento no tráfico de drogas.

Na altura, as autoridades politicas do país reagiram com prudência ao seu regresso.

Problemas sociais

Registaram-se também sucessivas paralisações no sector educativo guineense.

Os professores das escolas públicas não se desarmaram ao longo do ano, alegando incumprimento do diploma da carreira docente.

Foi no meio de toda esta crise politica, que o então Governo liderado por Baciro Djá assinou com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um acordo que abre a possibilidade para a retoma do programa de assistência à Guiné-Bissau.

Entretanto, na perspectiva da Liga Guineense dos Direitos Humanos há indicadores preocupantes quanto à falta de respeito pelos direitos humanos.

Uma outra nota a registar em 2016 foi a reunião de 10 organismos de regulação jornalística da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa em Bissau, onde discutiram a “regulação editorial no online”.

No cair do pano, uma nota para a formação do Governo liderado por Umaro Sissoko Embaló: 37 membros, com apenas cinco mulheres.

 

http://www.voaportugues.com/a/guine-bissau-retrospectiva-2016/3652689.html

República Democrática de Congo: com intensos tiroteios

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Lubumbashi – Intensos tiroteios foram ouvidos nesta terça-feira de manhã, em Lubumbashi, a segunda cidade da República Democrática do Congo, noticia a AFP.

Os tiroteios foram ouvidos onde as forças de segurança estão destacadas para o último dia de mandato do presidente Joseph Kabila.

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O tiroteio começou por volta de 09h15 (07h15 TMG) num bairro do sul desta cidade do sudeste do país, segundo este jornalista aconteceu pouco antes nesta zona, palco de confrontos entre os manifestantes e a polícia que testemunharam vários pneus queimados abandonados numa estrada cheia de pedras.

Foram ouvidas intensas rajadas por cerca de vinte minutos que em seguida originou os tiroteios de forma intermitente até pouco depois das 10h00.

Na comuna de Matuba onde o jornalista já havia encontrado vestígios de confrontos, um oficial sénior da polícia disse que os seus homens tinham atacado os “grupos de manifestantes” hostis de cinco a 10 pessoas.

Jean-Claude Kazembe, Governador do Alto – Katanga, província do qual Lubumbashi é a capital, disse à AFP que “entre os manifestantes (em Katuba), identificou-se três que estão armados”.

“Isto é o que justifica a polícia, disparar balas reais para o ar para dispersar os civis”, acrescentou o governador.

Lubumbashi é o feudo do opositor no exílio, Moisés Katumbi, um candidato às presidenciais que deveriam realizar-se este ano, mas que foram adiadas indefinidamente.

Kabila, cujo mandato termina nesta terça-feira, está no poder desde 2001 e a Constituição o proíbe de candidatar-se.

O Chefe de Estado tem a intenção de permanecer no poder até que seja eleito alguém para sucedê-lo.

O opositor congolês histórico, Etienne Tshisekedi, apelou na noite de segunda para terça-feira ao povo para “não reconhecer” o presidente.

A situação está muito tensa na RDC desde as últimas 48 horas. A maior parte das grandes cidades estão controladas pelo aparato militar e a população continua massivamente em casa.

http://cdn1.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2016/11/51/Congo-Intensos-tiroteios-ouvidos-Lubumbashi,95e93411-5f0b-43da-8794-87256eebe3d1.htmlunc