Menu

A morte do líder da Renamo abre um período de incertezas em Moçambique

 

 

Afonso Dhlakama, presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, principal partido da oposição), morreu ontem, aos 65 anos, devido a complicações de diabetes, noticiou a imprensa moçambicana que citou fonte partidária.

Fotografia: DR

Outras fontes da Renamo confirmaram à agência Efe a morte de Dhlakama, mas não deram detalhes da causa.
Dhlakama vivia refugiado na serra da Gorongosa, no centro do país, desde 2016, tal como já o havia feito noutras ocasiões, quando se reacendiam os confrontos entre a Renamo e as forças de defesa e segurança de Moçambique.
De acordo com a Televisão Independente Moçambicana (TIM), Dhlakama morreu quando aguardava, na serra da Gorongosa, por um helicóptero, para ser evacuado para a África do Sul, onde iria ser submetido a tratamento médico.
Depois de abandonar Maputo, o líder da Renamo estava escondido no interior da serra da Gorongosa, na província de Sofala, em Moçambique, desde 2015.
Dhlakama era desde 1984 o líder político da Renamo, movimento criado pela antiga Rodésia (hoje Zimbabwe) e a África do Sul para lutar contra a alegada extensão do comunismo na região, e portanto contra o partido no poder, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).
A assinatura dos Acordos de Paz de Roma (1992), rubricados com o então Presidente e líder da Frelimo, Joachim Chissano, puseram fim a uma guerra civil de 16 anos, iniciada após a independência do país, de Portugal, com um saldo de um milhão de mortos.
Apesar do acordo de 1992, a Renamo continuou a realizar ataques esporádicos em diferentes zonas de Moçambique até à assinatura definitiva da paz, em 5 de Setembro de 2014, a 40 dias das últimas eleições.
Após várias rondas de negociações, nesse dia o então Presidente moçambicano e líder da Frelimo, Armando Guebuza, e Afonso Dhlakama assinaram um acordo de paz que punha fim a dois anos de conflito no país.
Durante a assinatura da paz em Maputo, o líder opositor expressou o desejo de mudar radicalmente o panorama político das “últimas duas décadas” no país, nas quais, segundo sua opinião, houve uma “sistemática concentração do poder num punhado de privilegiados”.
Dhlakama, nascido em 1953 em Mangunde, na província central de Sofala, onde a Renamo tem uma das suas fortificações tradicionais, tornou-se líder do grupo após a morte em combate em 1979 do primeiro chefe do movimento, André Matsangaissa, e, como político, manteve o partido governamental em xeque durante mais de duas décadas.
Sob a sua liderança, a Renamo chegou a ser acusada pela comunidade internacional de cometer crimes contra a humanidade, como massacres de civis e recrutamento de crianças-soldado.
O líder opositor perdeu eleições de maneira sucessiva, sendo as primeiras em 1999, com o então Presidente Joaquim Chissano.
Dhlakama disputou as quartas eleições de 2009 com Armando Guebuza, tendo igualmente perdido as mesmas.
A última votação, em 2014, foi vencida pelo actual Presidente do país e candidato da Frelimo, Filipe Nyussi.

Líder da Renamo
foi membro da Frelimo

Afonso Macacho Marceta Dhlakama nasceu em Mangunda, na província de Sofala, no centro de Moçambique, a 1 de Janeiro de 1953 e estava há mais de 40 anos na liderança da Renamo.
Dhlakama vivia refugiado na serra da Gorongosa, no centro do país, desde 2016, tal como já o havia feito noutras ocasiões, quando se reacendiam os confrontos entre a Renamo e as forças de defesa e segurança de Moçambique.
Apesar de se auto-intitular “pai da democracia moçambicana”, e para muitos simpatizantes ser o “Mandela ou Obama moçambicano”, Afonso Dhlakama era igualmente visto como um “senhor da guerra”.
Entre o afável e o incendiário, Dhlakama era uma figura controversa. “Se não gostarem de mim, depois de cinco anos, podem-me mandar embora, porque não vou matar ninguém”, disse o líder da Renamo num comício no centro do país em 2014, respondendo desta forma aos críticos que o acusavam de recorrer à violência para fazer vingar os seus pontos de vista na política de se comportar como “dono” da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), que dirigia desde os 23 anos.
Em 1974, com o fim da guerra colonial, o político e militar ingressou na Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), tendo acabado por abandonar esse movimento para se tornar, dois anos depois, um dos fundadores da RNM (Resistência Nacional de Moçambique). Após a morte de André Matsangaíssa em combate e depois de uma luta pela sucessão, Dhlakama assume a liderança do movimento que passa a ser designado por Renamo.
Depois de uma guerra civil de 16 anos, movida com o apoio do apartheid,  Dhlakama assina o Acordo Geral de Paz com o então Presidente do país, Joaquim Chissano, líder da Frelimo, a 4 de Outubro de 1992, em Roma, passando a Renamo a ser um partido político. A primeira vez que concorreu como candidato às eleições gerais (legislativas e presidenciais) foi em 1994, dois anos depois do acordo firmado em Itália.

Conflito arrasou o país

A guerra civil em Moçambique foi uma das mais brutais de África. A RENAMO teve má fama por causa da destruição de escolas e centros de saúde, da minagem de estradas e pelo recrutamento de crianças soldados. A violência causou aproximadamente 900.000 mortos. Milhões refugiaram-se dentro ou fora de Moçambique.
Mesmo contra os princípios do Acordo Geral de Paz de Roma, que previu a desmobilização total dos rebeldes da RENAMO, Dhlakama sempre manteve um exército privado do partido. Treinaram longe do olhar do público em bases fechadas no interior da província de Sofala, nas localidades de Maríngué e Inhaminga.
O escritor moçambicano Mia Couto chegou a criticar o estilo militarista de fazer política de Dhlakama numa entrevista ao canal privado STV: “Ficámos reféns do medo de alguém que reiteradamente veio anunciar que ‘agora sim vou voltar à guerra, vou incendiar o país’… Ele escolheu vários tipos de discursos que são realmente ameaças”, disse.
Dhlakama reagiu com um auto-isolamento na Serra da Gorongosa, abandonando a sua mansão em Maputo.
“Desde Outubro de 2012, quando Afonso Dhlakama se retirou para o seu antigo quartel general da guerra civil, abandonou de facto as instituições de Moçambique e as plataformas democráticas existentes”, disse uma analista do instituto britânico de estudos políticos, Chatham House, Elisabete Azevedo-Harman. “Isolou-se da capital Maputo e dos outros actores políticos”, acrescentou.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/morreu_afonso_dhlakama

Advertisements

Diabete mata lider da oposição moçambicano em momento crucial de negociação da paz

Dhlakama na campanha das presidenciais de 2014. Teve então 36,6% dos votos; Nyusi alcançou 56%

  |  EPA

Dirigiu a Renamo desde 1979, então em luta contra a Frelimo. Assinou o Acordo de Paz de 1992, que pôs fim a 16 anos de guerra civil. Acusou sempre o poder de fraude eleitoral

Afonso Dhlakama morreu nesta quinta-feira aos 65 anos nas matas da Gorongosa, morte que sucede num momento crucial das negociações que decorriam entre o líder da Renamo e o presidente Filipe Nyusi para o total desarmamento dos elementos do principal partido de oposição em Moçambique e sua integração nas forças armadas do país.

A Renamo confirmou a morte ao final do dia e anunciou que o corpo do seu líder será transferido sexta-feira para o hospital central da Beira. Um grupo de dirigentes do partido estava a caminho da Gorongosa.

A causa da morte terá sido resultado de uma crise de diabetes. Dhlakama, que liderava a Renamo desde 1979 (após a morte de André Matsangaissa, que fundara o movimento em 1977), negociava com o presidente moçambicano uma revisão da Constituição que permita a designação dos administradores de distrito pelos governadores das províncias, a serem eleitos nas eleições gerais de 2019. Esta questão assim como a completa desmobilização das forças da Renamo têm estado no centro das negociações entre os dois dirigentes.

O desaparecimento de Dhlakama a pouco mais de um ano das eleições vem colocar um sério desafio à Renamo, que teve sempre, nas cinco presidenciais realizadas em Moçambique desde o Acordo Geral de Paz, assinado em Roma, a 4 de outubro de 1992, o seu líder histórico como candidato e grande responsável pela estratégia do partido.

Dhlakama, desde a primeira votação em 1994, sempre contestou os resultados que, invariavelmente, deram a vitória ao candidato da Frelimo, no poder desde 1975, e a maioria a este partido. Nas presidenciais de outubro de 1994, tem 33,7 % dos votos; Joaquim Chissano ganhou com 53,3%. Nas legislativas, a Frelimo somou 44,3%, a Renamo 37,7. No ciclo eleitoral de 1999, Chissano obteve 52,2% e Dhlakama 47,7%. O padrão dos resultados ir-se-á repetindo até 2014, quando Nyusi teve 57% dos votos e Dhlakama 36,6%.

As sucessivas derrotas de Dhlakama e da Renamo, a que não foram alheias fraudes eleitorais, de acordo com a análise de observadores independentes, levaram o antigo guerrilheiro a endurecer o discurso. Após quase 16 anos de guerra civil (1977-1992) e a paz trazida pelo Acordo de Roma, em 2012, pela primeira vez Dhlakama deixou a capital, Maputo, com o argumento de que tinha a vida em perigo. Desde então e até 2017 viveu-se um conflito de baixa intensidade entre a Renamo e o governo, com o líder da antiga guerrilha em parte incerta, após as forças governamentais atacarem a base de Sadjundjira (Gorongosa) e o desalojarem em outubro de 2013.

Só em 2014 reapareceu em Maputo para a assinatura de um acordo de cessação de hostilidades, a 5 de setembro, com o presidente Armando Guebuza. Mas pouco depois das eleições de outubro do mesmo ano, deixou de novo a capital moçambicana, abrindo a crise político-militar mais séria desde 1992. Começou pouco depois um longo e acidentado processo negocial que só terminaria em 2017, com a assinatura de um acordo de cessar-fogo entre a Renamo e o poder político em Maputo.

“Parceiro estratégico”

Marcelo Rebelo de Sousa lamentou a morte do líder da Renamo numa mensagem enviada a Filipe Nyusi, destacando o relevo de Dhlakama como “interlocutor privilegiado nos caminhos do diálogo, da paz e da concórdia” em Moçambique. Neste país, a primeira reação veio da segunda maior força da oposição, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), com o seu líder e antigo dirigente da Renamo até 2009, Daviz Simango, a classificar o desaparecimento de Dhlakama como “uma grande tragédia nacional”.

Posteriormente, a Frelimo, através do porta-voz Caifadine Manasse, citado pela Lusa, considerou que o líder da Renamo “era um parceiro estratégico” e “estava a percorrer um caminho para a paz”. O mesmo porta-voz afirmou-se convicto de que a Renamo não deixará as negociações em curso e que irá trabalhar para a consolidação da paz e da estabilidade em Moçambique.

Afonso Macacho Marceta Dhlakama nasceu a 1 de janeiro de 1953 na localidade de Mangunde, numa família onde o pai era régulo – fator importante na política em África. Por causa do envolvimento desde jovem, primeiro, com a Frelimo, depois na guerrilha contra o regime de Maputo, Dhlakama não teve grande educação formal. No entanto, nunca desistiu de se cultivar e de receber formação, quer a partir da África do Sul quer de diferentes círculos europeus (entre os quais portugueses) e americanos que, a partir dos anos 80, vão apoiar a Renamo. Casado desde 1980, era pai de oito filhos.

 

https://www.dn.pt/mundo/interior/terminou-a-longa-guerrilha-de-afonso-dhlakama-9306193.html?utm_source=Push&utm_medium=Web

Aristides Gomes o Primeiro Ministro de Guiné Bissau

Media player poster frame

O Presidente guineense, José Mário Vaz, marcou a data do ato eleitoral no dia em que tomou posse o novo primeiro-ministro.

Aristides Gomes volta a chefiar o Executivo de Bissau numa tentativa para pôr fim a mais uma crise política no país, como conta o jornalista Nuno Carvalho.

É um novo primeiro-ministro de consenso que toma posse na Guiné-Bissau: Aristides Gomes conduzirá o país até às eleições legislativas de novembro.

A Guiné-Bissau está há quase três anos mergulhada numa crise política.

Presidente do Sudão liberta todos os presos políticos

O presidente Omar al-Bashir ordenou nesta terça-feira a libertação de “todos os presos políticos” mantidos no Sudão, informou a imprensa estatal, semanas depois de prisões em massa em uma repressão aos protestos contra o governo.Centenas de ativistas da oposição, líderes e manifestantes foram presos em janeiro por agentes de segurança para conter as manifestações que surgiram devido ao aumento dos preços dos alimentos, incluindo o pão.

“O presidente Omar al-Bashir emitiu na terça-feira um decreto para libertar todos os presos políticos detidos em todo o país”, informou a agência oficial de notícias SUNA, citando um decreto emitido por Bashir.

“A decisão visa promover a paz e harmonia entre todos os partidos políticos, a fim de criar um ambiente positivo para atingir as metas nacionais”, disse.

As prisões de janeiro ocorreram após protestos esporádicos ocorridos na capital Cartum e em algumas outras cidades do Sudão, depois que o preço do pão mais que dobrou.

Alguns ativistas foram libertados, mas muitos continuam detidos, incluindo os líderes da oposição Khaled Omar, do Partido do Congresso Sudanês, e Mokhtar al-Khatib, chefe do Partido Comunista do Sudão.

A SUNA não informou quantos prisioneiros seriam libertados ou identificariam algum deles.

Os Estados Unidos e as embaixadas européias no Sudão pediram a libertação de todos os detidos, com a missão de Washington em Cartum dizendo que muitos estavam sendo mantidos em “condições desumanas”.

As autoridades sudanesas reprimiram os manifestantes em uma tentativa de evitar uma repetição dos distúrbios que se seguiram a uma rodada anterior de cortes de subsídios em 2013.

Naquela época, dezenas de pessoas foram mortas quando as forças de segurança esmagaram manifestações, dizem grupos de direitos humanos.

Fonte:https://guardian.ng/news/sudans-bashir-orders-release-of-all-political-detainees/

Jornal de Cabo Verde: PT reafirma Lula como candidato a Presidente e transfere provisoriamente sede para Curitiba

O Partido dos Trabalhadores (PT) reafirmou hoje a intenção de apresentar Lula da Silva como candidato à presidência do Brasil e anunciou a transferência provisória da sua sede para Curitiba, onde o ex-Presidente está a cumprir pena de prisão.
PT reafirma Lula como candidato a Presidente e transfere provisoriamente sede para Curitiba
epa06654270 Brazilian former president Lula da Silva (R) attends a ceremony in memory of his wife, Marisa Leticia Lula da Silva, after leaving the headquarters of the Workers’ Party (PT) in Sao Bernardo do Campo, Brazil, 07 April 2018 (issued 08 April 2018). Lula had been at the party’s headquarters for two days in order to delay his imprisonment ordered by judge Sergio Moro. Finally, Lula surrendered and was imprisoned to serve his 12-years sentence for corruption and money laundering 07 April 2018. EPA/Sebastiao Moreira Lusa

As decisões foram anunciadas pela presidente do PT, a senadora Gleissi Hoffmann, depois de uma reunião que a direção executiva do maior partido de esquerda da América Latina teve em Curitiba.

“Decidimos reafirmar a candidatura do presidente Lula. É o nosso candidato sob qualquer circunstância”, assegurou a senadora ao indicar que o PT manterá a intenção de ter Luiz Inácio Lula da Silva na corrida às presidenciais, apesar deste estar a cumprir desde sábado uma pena de 12 anos de prisão por corrupção.

“Entendemos que a libertação de Lula constitui a sua candidatura efetiva à presidência do Brasil, pelo que vamos lutar muito pela candidatura de Lula”, acrescentou Hoffmann ao referir-se aos esforços dos advogados do PT para garantir a liberdade do antigo dirigente sindical o mais rápido possível.

Apesar de pretendem manter a candidatura, o partido tem ainda como desafio inscrevê-lo na corrida, já que está legalmente inabilitado.

De acordo com a legislação brasileira, estão inabilitados eleitoralmente por oito anos os condenados em segunda instância, como é o caso do líder emblemático da história do Brasil, mas o PT assegura que irá às últimas instâncias judiciais para inscrevê-lo e que apresentará recursos tanto perante o Tribunal Superior Eleitoral como na Corte Suprema.

A outra decisão importante adotada pela direção do PT foi a transferência provisória da sua sede para Curitiba, onde centenas de manifestantes se concentraram no sábado para exigir a libertação do líder socialista.

Fonte:https://noticias.sapo.cv/actualidade/artigos/pt-reafirma-lula-como-candidato-a-presidente-e-transfere-provisoriamente-sede-para-curitiba-2

Jornal “O País” de Moçambique: PT mantém Lula como seu candidato e transfere sede para Curitiba

PT mantém Lula como seu candidato e transfere sede para Curitiba

O Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou esta segunda-feira a transferência simbólica da sede do partido para Curitiba, onde está preso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fisicamente, a sede segue em São Paulo. Segundo o partido, a mudança é em caráter provisório e, na prática, vai fazer com que as decisões sejam discutidas e divulgadas pelas lideranças em Curitiba.

“Nós vamos transferir, não a sede física, mas a direcção política do PT para Curitiba”, afirmou a presidente do partido, a senadora Gleisi Hoffmann, citada pelo G1.

Gleisi também disse que governadores ligados ao partido devem ir à Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, para tentar visitar o ex-presidente.

“Temos a confirmação dos governadores que vem para cá, vão até à Polícia Federal e nós estamos vendo a possibilidade de visitarem o presidente Lula”, comentou a senadora.

Por outro lado, o PT também disse que Lula continua candidato à Presidência da República “e sua candidatura será registada no dia 15 de Agosto, conforme a legislação eleitoral”.

Segundo o partido, Glesi Hoffmann foi designada como porta-voz política petista por Lula até que ele seja solto e ficará responsável pela articulação com outros partidos.

Fonte:http://opais.sapo.mz/pt-mantem-lula-como-seu-candidato-e-transfere-sede-para-curitiba

 

Jeune Afrique: “Lula (re)descobriu a África”

lul

Escrito por Edouard Bailby

Luiz Inácio Lula da Silva, líder carismático do maior país da América Latina, revolucionou as relações entre o Brasil e o continente africano.

Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregar o poder a seu sucessor em 1º de janeiro de 2011, ele terá dado uma nova dimensão às relações de seu país com a África. ” Visitei vinte e sete países africanos”, disse ele recentemente, “mais do que todos os chefes de Estado brasileiros reunidos em nossa história. De fato, desde a independência, em 1822, os líderes do maior país da América Latina foram, de fato, extremamente raros para pisar no outro lado do Atlântico Sul. Em oito anos, Lulaquintuplicou a quantidade de relações comerciais, que subiu de US $ 5 bilhões em 2002 [3,8 bilhões de euros, Ed]] para mais de 26 bilhões este ano, mas ele incentivou principalmente empresas brasileiras a investir em infraestrutura .

Até meados do XX ° século , o Brasil tinha apenas uma embaixada na África sub-saariana. Um porto de escala para navios mercantes entre a Europa e a América do Sul, Dakar foi escolhido por razões geográficas óbvias. Por outro lado, nem uma única representação diplomática ou comercial em outros países. No entanto, os 4,5 milhões de escravos deportados para o Brasil afetaram profundamente este país de língua portuguesa e contribuíram muito para o seu desenvolvimento. Não foi até 1961 que o presidente Janio Quadros nomeou um embaixador negro em Gana. Encorajados, os brasileiros fundaram uma Câmara de Comércio Brasil-África. Sem sucesso.

Ao tomar o poder em 1964, os generais brasileiros entenderam a importância estratégica do Atlântico Sul – foi então na guerra fria – e desenvolveram uma doutrina favorável à estabilidade política em ambos os lados do oceano. Assim, eles foram os primeiros no mundo ocidental a reconhecer o governo marxista do Movimento Popular de Libertação de Angola, enquanto em casa eles aprisionaram os comunistas. Livros escolares para africanos de língua portuguesa começaram a ser impressos no Brasil. No arquipélago de Cabo Verde, o revolucionário método de alfabetização de Paulo Freire foi posto em prática nas escolas desde a independência. Posteriormente, algumas empresas brasileiras ganharam uma posição na África Subsaariana.

Tudo mudou com Lula, que, desde o início de seu primeiro mandato , deixou claro que faria da África uma das prioridades de sua política externa  : “Temos raízes neste continente, vamos nos renovar com nossas identidade nacional. ”

Vindo de origens populares , cuja herança ancestral conhece, abriu mais de quinze embaixadas e estimulou empresas brasileiras a investir prioritariamente nos cinco países de língua portuguesa. Recentemente, as autoridades moçambicanas deram o sinal verde à empresa Camargo Corrêa para a construção da barragem de Mphanda Nkuma no rio Zambeze. A quinta maior construtora do mundo, a Odebrecht, que emprega 129 mil pessoas, foi encarregada de realizar trabalhos importantes em vários outros países africanos. Quanto à Petrobras, a petroleira, ela está interessada em exploração offshore.

Ao contrário dos chineses, que trazem centenas de trabalhadores de seu país, os brasileiros empregam mão-de-obra local sob a orientação de seus engenheiros. As relações com a população e as autoridades são facilitadas. Recentemente, o governo de Brasília assinou acordos de cooperação técnica. Um dos mais importantes diz respeito à melhoria da qualidade do algodão em quatro países de língua francesa: Benin, Burkina Faso, Mali e Chade.

Os brasileiros ganharam uma posição na África. Agora será necessário contar com eles. Em todas as áreas.

__

* Jornalista e escritor, especialista em América Latina e Caribe.

Fonte:http://www.jeuneafrique.com/194609/politique/comment-gr-ce-lula-le-br-sil-a-re-d-couvert-l-afrique/

Guiné é uma promessa que pode dar certo

guinea-1758955_960_720-960x642

Uma recuperação bem retomada e aura internacional recuperada, o país mostrou nos últimos dois anos uma frente bastante serena. Mas desde janeiro, o descontentamento social está aumentando. Quanto ao clima político, depois do local e antes do legislativo, em setembro, é novamente agitado.

Na tela do computador, com suas curvas e diagramas dinâmicos, a Guiné parece ter recuperado sua forma. Crescimento de mais de 6% para dois anos, um déficit orçamentário controlado, inflação reduzida para 8%, contra 21% em 2010 … A maioria de seus indicadores é verde.carte-conakry_guinee_agriculture_carte31

Depois de dois anos de crise de saúde, depois de dois outros marcados por uma situação internacional difícil, virada de cabeça para baixo pela queda nos preços das commodities, a economia guineense está melhor e, no papel, suas perspectivas parecem boas. Como prova, o novo programa de três anos foi concluído em dezembro com o Fundo Monetário Internacional.

Gradualmente, os investidores voltam. Vários hotéis de luxo foram construídos pelo mar. Andando em Kaloum, no centro de Conakry nas obras, sob os enormes guindastes que a raia o céu eo barulho incessante de betoneiras, a pessoa começa imaginar a capital do futuro .

Na costa, as torres gêmeas Weily Kakimbo e seus vinte e cinco andares que abrigarão em breve um shopping center, um hotel e escritórios certamente têm um lado “bling-bling”, mas também mostram que a capital aspira a mudar o século.

Um verdadeiro mal-estar

Algumas semanas atrás, enquanto ele ainda estava no comando da União Africana, o Presidente Alpha Condé teve que se alegrar com todos esses bons sinais. Mas dificilmente ele passou a mão para sua contraparte ruandesa no topo de Adis Abeba que ele encontra um país novamente dilacerado por seus velhos demônios. A violência pós-eleitoral consecutiva para 04 de fevereiro de som comum como um ultimato.

Depois de uma campanha que nem apaixonou nem mobilizou multidões – enquanto foram as primeiras eleições locais desde 2005 -, a condução da pesquisa e seus resultados parciais se transformaram em pretexto para externar um verdadeiro mal-estar e agitar alguns frustrações sociais.

Tenores da oposição, Cellou Dalein Diallo na liderança, denunciaram fraudes. Outros, como Faya Millimouno, levantaram a questão da relevância de tal votação este ano, considerando o custo de sua organização – cerca de 800 bilhões de francos guineenses (mais de 70 milhões de euros).

Cortes de energia, más condições das estradas, problemas de coleta de lixo e prisões de jornalistas chegaram ao auge. Sem mencionar os recorrentes rumores sobre um hipotético terceiro mandato presidencial de “idade” – 80 anos em 4 de março.

Uma grande parte da população, especialmente os jovens, não se beneficia dos frutos do crescimento

É uma geração inteira que é impaciente. “Boa parte da população, especialmente os jovens, não está aproveitando os benefícios do crescimento”, disse Abdourahmane Sanoh, presidente da United Citizens for Development Platform. Enquanto as desigualdades forem fortes, vivenciaremos crises cíclicas. Em resumo, para os mais críticos, esse crescimento positivo parcialmente impulsionado pelo setor de mineração beneficiaria principalmente, se não apenas, alguns investidores estrangeiros.

Enquanto aguarda um melhor diálogo entre o Estado e o setor privado, nomeadamente através do Fórum Empresarial da Guiné, criado no final de 2017, Madani Dia, o secretário executivo da plataforma de consulta do setor privado da Guiné, desenha também o alarme.

Deixe o setor privado respirar e dê a oportunidade de criar empregos

“Deixe o setor privado respirar e dê a oportunidade de criar empregos. Hoje, a taxa real de desemprego dos jovens é superior a 80%. Se continuarmos assim, temos direito ao desastre, ele insiste. O governo entendeu e está fazendo esforços, mas devemos ir mais rápido e mais longe, priorizando urgentemente os investimentos intensivos em mão-de-obra, por exemplo, para pavimentar as ruas das cidades, estradas de construção e asfalto, etc. Devemos dar um objetivo e uma renda a todos esses jovens, enquanto esperamos treiná-los e oferecer-lhes outras perspectivas. ”

A cidade no campo

No lado executivo, leva tempo. “Nós colocamos o país de volta aos trilhos”, disse o primeiro-ministro Mamady Youla. Mais de € 1 bilhão já foi investido na melhoria de estradas em Conakry, para atualizar a estrada nacional 1 (Coyah-Mamou Dabola), construir a linha de energia Linsan-Forni proceder à expansão do porto de Conakry … como muitos projetos tangíveis.

Mas o que fazemos para atraí-los para as aldeias? Pensamos em criar moradias rurais?

O governo parece determinado a atender aos outros grandes desafios do Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social 2016-2020 (PNDES). Ele fez esforços para obter a economia da “todo meu” através da diversificação, graças à reafectação de agricultura, muito promissor, eo ressurgimento de indústrias que geram mais renda e divisas (café, cacau, palm óleo e castanha de caju).

 

“Está tudo bem para desenvolver esses canais, mas também devemos interessar aos jovens, nuances Madani Dia. Claro, vendendo lenços ao longo das ruas da capital, não sonha. Então, se lhes dermos oportunidades reais, elas retornarão ao campo. Mas o que fazemos para atraí-los para as aldeias? Pensamos em criar moradias rurais? ”

Tantas questões que poderiam encontrar um eco positivo no ouvido do Presidente Alpha Condé, que sempre quis apostar na abertura, na descentralização e na transformação do potencial das áreas rurais.

“Esta é a prioridade do governo: investir pesadamente no campo”, confirma o ministro da Juventude, Moustapha Naité. Para criar oportunidades econômicas e dar esperança aos jovens, nossa ideia – e já estamos trabalhando no PNDES – é reproduzir os benefícios do ambiente urbano no campo. É por isso que nos concentramos no desenvolvimento de tecnologias, particularmente através dos muitos projetos que empreendemos para desenvolver fibras ópticas em áreas rurais. Também estamos melhorando o transporte. Quando eles sabem que podemos estar bem conectados ao campo e à cidade, em vez de tentar a sorte na Europa, nossos jovens irão para uma aventura em seu próprio país. ”

Na Guiné, a nova geração não pede mais nada. Mas ela não é mais seduzida por belas promessas.

Objetivos e coletivos

Além dos protestos pós-eleitorais, o descontentamento social se intensificou em fevereiro, especialmente na educação , onde a greve paralisou escolas públicas e privadas. A sociedade civil não é deixada de fora.

Diversos coletivos surgiram, como o Third Dynamic 2020, para promover a unidade nacional e encorajar o estado a investir na formação de jovens. Um objetivo semelhante para Wonkhai 2020 , “correr para 2020” em Soussou ,  que apela aos políticos para colocar os jovens no centro dos seus programas e guineenses para superar as divisões. Seu slogan: “unir ou perecer”.

http://www.jeuneafrique.com/mag/538702/politique/guinee-une-annee-sous-tension/

omada e aura internacional recuperada, o país mostrou nos últimos dois anos uma frente bastante serena. Mas desde janeiro, o descontentamento social está aumentando. Quanto ao clima político, depois do local e antes do legislativo, em setembro, é novamente agitado.

Na tela do computador, com suas curvas e diagramas dinâmicos, a Guiné parece ter recuperado sua forma. Crescimento de mais de 6% para dois anos, um déficit orçamentário controlado, inflação reduzida para 8%, contra 21% em 2010 … A maioria de seus indicadores é verde.

Depois de dois anos de crise de saúde, depois de dois outros marcados por uma situação internacional difícil, virada de cabeça para baixo pela queda nos preços das commodities, a economia guineense está melhor e, no papel, suas perspectivas parecem boas. Como prova, o novo programa de três anos foi concluído em dezembro com o Fundo Monetário Internacional.

Gradualmente, os investidores voltam. Vários hotéis de luxo foram construídos pelo mar. Andando em Kaloum, no centro de Conakry nas obras, sob os enormes guindastes que a raia o céu eo barulho incessante de betoneiras, a pessoa começa imaginar a capital do futuro .

Na costa, as torres gêmeas Weily Kakimbo e seus vinte e cinco andares que abrigarão em breve um shopping center, um hotel e escritórios certamente têm um lado “bling-bling”, mas também mostram que a capital aspira a mudar o século.

Um verdadeiro mal-estar

Algumas semanas atrás, enquanto ele ainda estava no comando da União Africana, o Presidente Alpha Condé teve que se alegrar com todos esses bons sinais. Mas dificilmente ele passou a mão para sua contraparte ruandesa no topo de Adis Abeba que ele encontra um país novamente dilacerado por seus velhos demônios. A violência pós-eleitoral consecutiva para 04 de fevereiro de som comum como um ultimato.

Depois de uma campanha que nem apaixonou nem mobilizou multidões – enquanto foram as primeiras eleições locais desde 2005 -, a condução da pesquisa e seus resultados parciais se transformaram em pretexto para externar um verdadeiro mal-estar e agitar alguns frustrações sociais.

Tenores da oposição, Cellou Dalein Diallo na liderança, denunciaram fraudes. Outros, como Faya Millimouno, levantaram a questão da relevância de tal votação este ano, considerando o custo de sua organização – cerca de 800 bilhões de francos guineenses (mais de 70 milhões de euros).

Cortes de energia, más condições das estradas, problemas de coleta de lixo e prisões de jornalistas chegaram ao auge. Sem mencionar os recorrentes rumores sobre um hipotético terceiro mandato presidencial de “idade” – 80 anos em 4 de março.

Uma grande parte da população, especialmente os jovens, não se beneficia dos frutos do crescimento

É uma geração inteira que é impaciente. “Boa parte da população, especialmente os jovens, não está aproveitando os benefícios do crescimento”, disse Abdourahmane Sanoh, presidente da United Citizens for Development Platform. Enquanto as desigualdades forem fortes, vivenciaremos crises cíclicas. Em resumo, para os mais críticos, esse crescimento positivo parcialmente impulsionado pelo setor de mineração beneficiaria principalmente, se não apenas, alguns investidores estrangeiros.

Enquanto aguarda um melhor diálogo entre o Estado e o setor privado, nomeadamente através do Fórum Empresarial da Guiné, criado no final de 2017, Madani Dia, o secretário executivo da plataforma de consulta do setor privado da Guiné, desenha também o alarme.

Deixe o setor privado respirar e dê a oportunidade de criar empregos

“Deixe o setor privado respirar e dê a oportunidade de criar empregos. Hoje, a taxa real de desemprego dos jovens é superior a 80%. Se continuarmos assim, temos direito ao desastre, ele insiste. O governo entendeu e está fazendo esforços, mas devemos ir mais rápido e mais longe, priorizando urgentemente os investimentos intensivos em mão-de-obra, por exemplo, para pavimentar as ruas das cidades, estradas de construção e asfalto, etc. Devemos dar um objetivo e uma renda a todos esses jovens, enquanto esperamos treiná-los e oferecer-lhes outras perspectivas. ”

A cidade no campo

No lado executivo, leva tempo. “Nós colocamos o país de volta aos trilhos”, disse o primeiro-ministro Mamady Youla. Mais de € 1 bilhão já foi investido na melhoria de estradas em Conakry, para atualizar a estrada nacional 1 (Coyah-Mamou Dabola), construir a linha de energia Linsan-Forni proceder à expansão do porto de Conakry … como muitos projetos tangíveis.

Mas o que fazemos para atraí-los para as aldeias? Pensamos em criar moradias rurais?

O governo parece determinado a atender aos outros grandes desafios do Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social 2016-2020 (PNDES). Ele fez esforços para obter a economia da “todo meu” através da diversificação, graças à reafectação de agricultura, muito promissor, eo ressurgimento de indústrias que geram mais renda e divisas (café, cacau, palm óleo e castanha de caju).

 

“Está tudo bem para desenvolver esses canais, mas também devemos interessar aos jovens, nuances Madani Dia. Claro, vendendo lenços ao longo das ruas da capital, não sonha. Então, se lhes dermos oportunidades reais, elas retornarão ao campo. Mas o que fazemos para atraí-los para as aldeias? Pensamos em criar moradias rurais? ”

Tantas questões que poderiam encontrar um eco positivo no ouvido do Presidente Alpha Condé, que sempre quis apostar na abertura, na descentralização e na transformação do potencial das áreas rurais.

“Esta é a prioridade do governo: investir pesadamente no campo”, confirma o ministro da Juventude, Moustapha Naité. Para criar oportunidades econômicas e dar esperança aos jovens, nossa ideia – e já estamos trabalhando no PNDES – é reproduzir os benefícios do ambiente urbano no campo. É por isso que nos concentramos no desenvolvimento de tecnologias, particularmente através dos muitos projetos que empreendemos para desenvolver fibras ópticas em áreas rurais. Também estamos melhorando o transporte. Quando eles sabem que podemos estar bem conectados ao campo e à cidade, em vez de tentar a sorte na Europa, nossos jovens irão para uma aventura em seu próprio país. ”

Na Guiné, a nova geração não pede mais nada. Mas ela não é mais seduzida por belas promessas.

Objetivos e coletivos

Além dos protestos pós-eleitorais, o descontentamento social se intensificou em fevereiro, especialmente na educação , onde a greve paralisou escolas públicas e privadas. A sociedade civil não é deixada de fora.

Diversos coletivos surgiram, como o Third Dynamic 2020, para promover a unidade nacional e encorajar o estado a investir na formação de jovens. Um objetivo semelhante para Wonkhai 2020 , “correr para 2020” em Soussou ,  que apela aos políticos para colocar os jovens no centro dos seus programas e guineenses para superar as divisões. Seu slogan: “unir ou perecer”.

http://www.jeuneafrique.com/mag/538702/politique/guinee-une-annee-sous-tension/

Guiné em busca de superar a crise politica

carte_guinee

O governo da Guiné deve garantir que suas forças de segurança atuem com moderação e respeito para preservar a vida humana em resposta aos protestos da oposição, disseram hoje a Human Rights Watch e a Anistia Internacional. Desde as eleições locais de 4 de fevereiro de 2018, pelo menos 15 pessoas foram mortas e dezenas de feridos em confrontos entre as forças de segurança, os manifestantes da oposição e os partidários do governo. Líderes da oposição suspenderam os protestos no final de semana da Páscoa, mas disseram que retomarão o dia 5 de abril.

Um aumento da retórica cada vez mais divisora ​​de todos os lados da divisão política, incluindo incidentes de discurso de ódio nas mídias sociais, aumentou a tensão social e criou o risco de mais violência. As autoridades devem tomar medidas imediatas para coibir o uso do discurso de ódio e os partidos políticos devem condenar os membros que o usam.

“Desde o início de 2018, a violência política mortal tem aumentado, levando a uma dolorosa perda de vidas e propriedades na capital da Guiné e além”, disse Corinne Dufka, diretora da Human Rights Watch na África Ocidental. “Como a Guiné se prepara para novas manifestações, é vital que as forças de segurança provem que podem agir imparcial e profissionalmente para facilitar as manifestações e proteger a oposição e os apoiadores do governo.”

A violência política na Guiné é alimentada por profundas divisões étnicas, com o partido no poder, o Rally do Partido Popular Guineense (Rassemblement du Peuple de Guinée, ou RPG), dominado pela etnia Malinké. Os apoiantes do maior partido de oposição, a União das Forças Democráticas da Guiné (União das Forças Democráticas da Guiné, ou UFDG) são em grande parte retirados do grupo étnico Peuhl.

As eleições locais da Guiné – a primeira desde 2005 – foram adiadas repetidamente desde 2010, quando o governo e a oposição não chegaram a um acordo sobre como organizá-las. A Comissão Eleitoral anunciou em 21 de fevereiro que o RPG havia ganho 3.284 assentos no conselho para os 2.156 da UFDG. Os vereadores eleitos, que também incluem centenas de representantes de partidos menores e candidatos independentes, elegerão agora prefeitos nas 342 comunas da Guiné.F039041A

Embora o dia das eleições fosse relativamente pacífico, no dia seguinte a oposição acusou o partido do poder de fraude eleitoral. A Comissão Eleitoral defendeu os resultados eleitorais, mas os partidários da oposição realizaram protestos semanais nas ruas, estabelecendo barreiras nos subúrbios de Conakry, a capital.guinee-conakry-regions

Várias manifestações corresponderam a uma greve de professores de um mês sobre remuneração e condições, e protestos estudantis sobre o fechamento de escolas devido à greve. Embora o governo tenha fechado um acordo para acabar com a greve dos professores em 13 de março, os líderes da oposição disseram em 23 de março que os protestos contra os resultados das eleições locais continuariam.aaaaguinee

As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo e, em alguns casos, munição, para dispersar os manifestantes e responder à violência dos manifestantes. Esses confrontos levaram à morte de pelo menos nove manifestantes ou espectadores, incluindo quatro pessoas assassinadas em 14 de março, e um gendarme que um porta-voz da polícia disse ter sido morto por uma pedra lançada por um manifestante em 19 de fevereiro.

As forças de segurança da Guiné têm uma história de usar força desnecessária e excessiva – muitas vezes resultando na perda de vidas – e sem neutralidade política. Enquanto isso, o governo alega que, nos últimos anos, pedras lançadas por manifestantes ou objetos pontiagudos de estilingues feriram e, em alguns casos, mataram membros da força de segurança e que alguns manifestantes carregam armas.

As tensões políticas também levaram à violência entre a oposição e os apoiadores do governo, disseram a Human Rights Watch e a Anistia Internacional. Um suposto incêndio criminoso em 5 de fevereiro matou cinco pessoas, incluindo quatro crianças, após confrontos entre o governo e partidários da oposição em Kalinko.

Líderes da oposição também pediram uma investigação sobre um incêndio em 17 de março no mercado de Madina, em Conakry, que destruiu centenas de lojas e quiosques, alegando que os partidários do governo haviam ameaçado atingir o mercado. O governo disse que a investigação sobre a causa do incêndio está em andamento, mas suspeitam que o incêndio tenha sido causado acidentalmente por um curto-circuito elétrico. A Human Rights Watch e a Anistia Internacional documentaram, desde 2010, a destruição de propriedade nos mercados por multidões associadas ao partido no poder, muitas vezes junto com membros das forças de segurança e, em menor escala, por partidários da oposição. Em 12 de março, os manifestantes vandalizaram meios de comunicação em Conakry.g

Os monitores de mídia, incluindo a Associação Guineense de Blogueiros, levantaram preocupações sobre um, que se refere à defesa do ódio nacional, racial ou religioso para incitar violência, hostilidade ou discriminação.

O governo tomou medidas preliminares para reduzir a tensão nas comunidades e garantir a responsabilização por supostos abusos. Em 14 de março, Gassama Diaby, ministro da unidade nacional e da cidadania, prometeu justiça às vítimas de violência durante as manifestações e disse que a Ordem dos Advogados guineenses forneceria advogados para as famílias das vítimas. Grupos de direitos humanos, incluindo a Human Rights Watch e a Anistia Internacional, escreveram para Diaby em 20 de março para apoiar a iniciativa e pedir a ele que cumprisse essas promessas.

Em 6 de março, Diaby também anunciou a criação de um comitê para monitorar o potencial discurso de ódio na mídia e na internet. Ele pediu um processo judicial contra um ministro do governo que, em discurso no dia 20 de fevereiro, disse aos membros do partido governista que eles deveriam “se vingar” dos responsáveis ​​por tumultos e danos materiais depois das eleições locais. Ao policiar o discurso do ódio, o governo guineense deve se referir ao Plano de Ação de Rabat, um conjunto de diretrizes apoiadas pela ONU que discutem como evitar a incitação à violência, hostilidade ou discriminação, ao mesmo tempo em que protegem a liberdade de expressão.

O governo também deve orientar todos os membros da força de segurança a respeitar os Princípios Básicos da ONU sobre o Uso da Força e Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis ​​pela Aplicação da Lei e pelas Diretrizes da Comissão Africana sobre Direitos Humanos e Povos nas Assembléias de Policiamento na África. aplicação prática desses princípios. Membros da força de segurança envolvidos em crimes graves e manifestantes que cometerem violência devem ser levados à justiça em julgamentos justos.

“Dada a longa história da Guiné em confrontos relacionados às eleições, o risco de mais violência continua alto”, disse François Patuel, Pesquisador da Anistia Internacional na África Ocidental. “O governo deveria enviar uma mensagem que os abusos de direitos humanos cometidos no contexto de manifestações serão investigados imparcialmente e processados ​​em julgamentos justos. Os líderes políticos na Guiné também devem fazer declarações públicas claras e fortes, nos níveis mais altos de cada partido, denunciando violência comunitária e discurso de ódio “.

Fonte:http://allafrica.com/stories/201803300110.html

Crises frequentes afetam Presidência da Nigéria a menos de um ano das eleições

buhari

Atentados e ataques terroristas, frequente falta de combustível, violência ligada à propriedade das terras e instabilidade no sudoeste do país (Biafra) são algumas das sucessivas crises que estão a pôr em causa uma eventual recandidatura do Presidente da Nigéria.

PRESIDENT BUHARI HOST ECOWAS LEADERS ON THE GAMBIA

PRESIDENTE BUHARI

Segundo a Bloomberg, a mais recente crise para Muhammad Buhari surgiu a 01 deste mês, quando alegados membros terroristas ligados ao Boko Haram assassinaram três funcionários humanitários das Nações Unidas e oito soldados num ataque nem Rann, nordeste do país, na mesma região em que, duas semanas antes, foram raptadas mais de 100 raparigas entre os 11 e os 19 anos.

As ações do Boko Haram acabaram por minar a reivindicação governamental que insistia na ideia de que o Boko Haram estava “tecnicamente derrotado”, lembra o site Bloomberg, alertando para os perigos de convulsão militar na já fustigada Áfroica Ocidental.

“Vão haver consequências políticas, pois é um profundo soco no estômago no moral dos soldados. É mais uma preocupação para Burahi”, afirmou Chetra Nwanze, analista e conselheiro da empresa de segurança e de informações SBM Intelligence, com sede em Lagos.

Apesar de Buhari, 75 anos, ainda não ter dado indicações quanto a uma recandidatura, o partido que lidera, o Congresso de Todos os Progressistas (APC), tem-no apoiado nessa ideia.

Buhari, aliás, conta ainda com alguma popularidade na região de onde é natural e que constitui a sua base política, situada no norte muçulmano da Nigéria, onde os problemas com o terrorismo e com extremismos islâmicos são constantes.

No entanto, muitos lembram que, em 2017, o Presidente nigeriano passou cinco meses em Londres em tratamento médico a uma doença ainda por revelar, situação agravada pelo facto de a coligação que o apoia começar a dar sinais de enfraquecimento.

Depois de uma visita aos cinco Estados nigerianos mais afetados pela violência, realizada ao longo da semana passada, Buhari decidiu reforçar a segurança nessas regiões para baixar a tensão.

“Todos pudemos testemunhar os inimagináveis atos de violência cometidos este ano. Aumentámos o número de agentes da segurança e de equipamentos e aceleramos o combate às armas ilegais”, sublinhou o Presidente nigeriano, agastado, paralelamente, com a descida de 12 lugares (caiu para o 148.º lugar entre 172 países) nos dados relativos a 2017 do Índice de Perceção de Corrupção, elaborado pela Transparência Internacional, com sede em Berlim.

Aspeto positivo para Buhari é o facto de a oposição do Partido Democrático Popular (PDP), ainda não ter conseguido recuperar da derrota eleitoral de 2015, o que tem inviabilizado, internamente, o surgimento de alternativas.

Também no lado positivo, apesar da frequente falta de combustíveis no país, a economia de um dos principais países exportadores de petróleo em África tem melhorado ligeiramente, tal como indicou o Gabinete Nacional de Estatísticas (NBS), com sede em Abuja, poderá crescer 2,1% já este ano, depois de um crescimento de 0,8% em 2017 e de uma contração de 1,6% em 2016.

buhari na onu“Se decidir recandidatar-se, Buhari será o principal candidato”, opinou Amaka Anku, diretora para África do Grupo Eurásia, instituição com sede em Washington, destacando que o Presidente nigeriano terá de manter a coligação das forças políticas que criaram a APC e que o levou a derrotar Goodluck Jonathan nas presidenciais de 2015.

De qualquer forma, alertou, os recentes raptos de raparigas voltaram a ser a notícia principal no país e não seria a primeira vez que o Boko Haram teria uma influência decisiva em eleições no país.

Amaka Anku sustentou que, em abril de 2014, quando os apoiantes do Boko Haram raptaram 276 raparigas em Chibok, no nordeste da Nigéria, abriram-se “brechas” na Presidência de Jonathan que nunca foram fechadas, dando espaço para Buhari.

No entanto, segunda-feira, Buhari indicou que, para já, privilegia o diálogo com o movimento extremista a uma ação militar para libertar as mais de uma centena de raparigas em poder do Boko Haram.

Antigo comandante militar na década de 1980, Buhari prometeu acabar com o Boko Haram nos meses que se seguiram ao início do mandato e, sob as suas ordens, as tropas nigerianas foram conseguindo importantes avanços, obrigando os insurgentes a largar os territórios ocupados e forçando-os também a regressar à velha tática da guerrilha. As incursões do Boko Haram, porém, não cessaram.

“O «timing» e o que sucedeu em Chibok são demasiado perfeitos, o que demonstra a perceção política dos insurgentes. Se as raparigas não forem resgatadas, as eleições serão influenciadas”, sublinhou à Bloomberg Idayat Hassan, diretor executivo do Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), com sede em Abuja.

olesegum2

Mas os problemas de Buhari também vêm do lado do antigo Presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, que o apoiou nas eleições de 2015, e que, em janeiro deste ano, escreveu uma “carta aberta” a apelar ao atual chefe de Estado que não se recandidate e a acusá-lo de nepotismo e de incompetência na gestão económica do país.

“Esperemos que as primeiras páginas dos jornais não nos levem a crer que Buhari será fácil de bater. Não será fácil não”, concluiu Amaka Anku.