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República Democrática do Congo após as eleições preocupa a União Africana

 

O Presidente da República, João Lourenço presidente de Angola, participa hoje, em Addis-Abeba, Etiópia, numa cimeira com pelo menos 16 outros Chefes de Estado para consultas de alto nível a respeito da situação na República Democrática do Congo, que realizou eleições gerais a 30 de Dezembro último.

João Lourenço recebeu ontem cumprimentos de despedida
Fotografia: Dombele Bernardo| Edições Novembro

Segundo uma nota da Casa Civil do Presidente da República de Angola distribuída ontem, antes da cimeira africana, João Lourenço participa numa reunião da Dupla Troika da SADC.

Ontem, no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, o Chefe de Estado recebeu cumprimentos de despedida do Vice-Presidente da República, de Angola Bornito de Sousa, do governador de Luanda, Luther Rescova, de membros auxiliares do Poder Executivo, entre outras individualidades.

A Dupla Troika é composta pelos países que integram a Troika do Órgão de Defesa e Segurança e da SADC enquanto organização regional.

Os resultados das eleições gerais realizadas na RDC foram contestadas, no Tribunal Constitucional, pelo candidato Martin Fayulu, que ficou em segundo lugar. Fayulu reivindica uma recontagem manual dos votos. Ele garante que   a sua formação ganhou 61 por cento dos votos nas eleições de 30 de Dezembro e não 34,86 por cento, de acordo com dados da Comissão Eleitoral (CENI), que deu a vitória ao também opositor Félix Tshisekedi com 38,57 por cento.

O líder do Lamuka não é o único descontente com os dados publicados pela CENI. A Conferência Episcopal Nacional do Congo (CENCO) assegura que os números que tem não correspondem aos oficiais.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/africa_esta_preocupada_com_a_situacao_na_rdc-

Isabel dos Santos solta o verbo

isabel dos santosA empresária angolana Isabel dos Santos alertou esta quarta-feira que em Angola “a situação está a tornar-se cada vez mais tensa, com a possibilidade de se juntar à crise económica existente, uma crise política profunda”.

Numa série de mensagens divulgadas durante o dia no Twitter, a filha do ex-chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, exemplifica: “greve nacional dos médicos com 90% de adesão, quebra do poder de compra em 170%, fome nas famílias apesar do petróleo em alta”.

As mensagens divulgadas pela empresária surgem no mesmo dia em que o seu pai, José Eduardo dos Santos, fez uma declaração garantindo que não deixou os cofres públicos vazios, e poucos dias depois de o actual Presidente, João Lourenço, ter criticado a forma como foi feita a passagem da “pasta” entre os dois chefes de Estado.

Na declaração sem direito a perguntas dos jornalistas, feita pouco depois de o actual Presidente levantar voo de Luanda rumo a Lisboa, para uma visita de Estado de três dias, José Eduardo dos Santos disse: “Não deixei os cofres do Estado vazios. Em Setembro de 2017, na passagem de testemunho, deixei 15 mil milhões de dólares no Banco Nacional de Angola como reservas internacionais líquidas a cargo do um gestor que era o governador do BNA sob orientação do Governo”.

Isabel dos Santos escreveu no Twitter que esta foi “uma entrevista sem precedentes”. “Antigo Presidente angolano Eng. José Eduardo dos Santos, afirma que não deixou os ‘cofres vazios’ e novo OGE2018 foi feito pela equipa do Presidente João Lourenço. 15 mil milhões de dólares foi valor deixado em caixa. E 29 mil milhões foi receita 2018 da Sonangol”, afirma.

João Lourenço sucedeu em Setembro de 2017, após as eleições gerais de Agosto, a José Eduardo dos Santos no cargo de Presidente da República de Angola, funções que desempenhou entre 1979 e 2017.

Em Novembro de 2017, João Lourenço exonerou Isabel dos Santos da presidência do conselho de administração da petrolífera estatal angolana Sonangol.

Presidente do Senado brasileiro alerta: “Esse povo que vem aí não é da política, é da rede social”

Ao “BuzzFeed News”, Eunício revelou o conteúdo da conversa que teve com o guru do capitão reformado. O encontro deles ocorreu em uma sala do Senado, na semana passada. Estavam no local Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, e o senador Fernando Bezerra (MDB-PE).

Guedes procurou Eunício para pedir que a reforma da Previdência fosse logo votada. O presidente do Senado, no entanto, disse que o mais importante era mesmo falar acerca do Orçamento Geral da União.

“Ele olhou para mim e disse que orçamento não é importante, importante é aprovar Reforma da Previdência”, contou Eunício, que lembrou ao ministro de Bolsonaro que a aprovação do Orçamento é pré-requisito para o recesso parlamentar, como consta na Constituição.

“Ele me disse: ‘vocês não aprovam orçamento, orçamento eu não quero que aprove não’. Mas não é o senhor querer, a Constituição diz que só podemos sair em recesso após a aprovação”, argumentou.

De acordo com o BuzzFeed, Guedes teria cortado a fala de Eunício. “‘Não, eu só quero Reforma da Previdência. Se vocês não fizerem vou culpar esse governo, vou culpar esse Congresso e o PT volta, e vocês vão ser responsáveis pela volta do PT.”

Notícias ao Minuto

Eunício contou que o guru de Bolsonaro continuou insistindo com o assunto “volta do PT”.

“(Ele me disse:) ‘se vocês não aprovarem tudo aquilo que nós queremos esse ano, o PT volta. Se aprovar a reforma o Brasil vai crescer a 6%, se não aprovar o Brasil não vai crescer, eu vou culpar vocês’”, relatou.

Neste momento, Eunício teria saído da sala. O presidente do Senado contou ainda que Bezerra ficou “horrorizado” com Guedes.

Mas o clima ainda ficou pior. Após a reunião, Paulo Guedes deu entrevista a jornalistas e sugeriu que a população desse uma “prensa” no Senado para votar a reforma da Previdência.

“E ele foi lá para a porta (do Ministério da Fazenda) e disse que tem que dar uma prensa. Eu digo que aqui ninguém dá prensa. Aqui você convence, discute, ganha perde, agora prensa ninguém vai dar em mim”, disse Eunício.

“Enquanto eu for presidente ninguém diz aqui o que vamos fazer, quem diz aqui é o dedinho de cada um, que pode votar não, sim ou abstenção”, acrescentou.

Magno Malta e o reajuste do STF

Eunício Oliveira também falou das críticas de Bolsonaro e Paulo Guedes sobre o Senado ter aprovado o reajuste de 16% nos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), votado na quarta-feira (7).

Para o presidente da Casa, os próprios aliados do capitão reformado contribuirão para a aprovação do reajuste.

“Vou só dizer o seguinte: não sei como eles estão fazendo, mas não aceito o Magno Malta (PR-ES) de manhã fazer discurso esculhambando a recomposição salarial dos magistrados, que troca o auxílio-moradia por salário, mas de tarde não vai votar. E mais oito que se dizem bolsonaristas não votaram, e eu sou culpado por isso?”, disse Eunício ao BuzzFeed.

“Esse povo que vem aí não é da política, é da rede social”, acrescentou Eunício.

Paulo Guedes não se manifestou sobre as declarações de Eunício de Oliveira.

Fonte:https://www.noticiasaominuto.com.br/politica/687243/esse-povo-que-vem-ai-nao-e-da-politica-e-da-rede-social-diz-eunicio

Fazendeiros do Pará intimidam Comissão Interamericana de Direitos Humanos

cidhDurante a visita à aldeia Açaizal, Território Munduruku do Planalto, a equipe da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) foi interpelada de forma intimidatória e ameaçadora por representantes dos produtores de soja do Planalto Santareno, que tentaram impedir a realização da reunião com o povo indígena e expulsar o comissariado da região. Com a ocorrência deste fato, ficou evidente à CIDH e a todas as organizações e movimentos populares presentes na visita, a situação de grave conflito e violência promovida pelos setores ligados ao agronegócio, que historicamente atuam no sentido da apropriação e pilhagem das terras e territórios dos povos tradicionais, originários, e dos povos do campo do Oeste do Pará em geral. Apesar disso, a agenda foi mantida, a reunião realizada, assim como a audiência com as organizações sociais e populares do oeste paraense, na sede do Ministério Público Estadual (MPE), em Santarém (PA).

(texto e foto: CPT Santarém e CPT Itaituba) 

Em seu quarto dia de visitas ao Brasil para verificar a situação dos direitos humanos, a delegação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) chegou ao oeste do Pará, no município de Santarém, na manhã de hoje, 08 de novembro. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) acompanharam os representantes da CIDH ao território indígena Munduruku do Planalto Santareno. O referido território é formado pelas aldeias Açaizal, Amparador, São Francisco da Cavada e Ipaupixuna, que vivenciam graves conflitos em decorrência da presença de setores ligados ao agronegócio, em especial produtores de soja, no território tradicional indígena. Durante a visita à aldeia Açaizal, Território Munduruku do Planalto, a CIDH pôde presenciar um pouco do cotidiano de violência e intimidação a que o povo Munduruku do Planalto Santareno é historicamente submetido. A reunião de escuta do povo indígena, antes mesmo de ser iniciada, foi interrompida pela interpelação intimidatória e ameaçadora de representantes dos produtores de soja do Planalto Santareno, que tentaram impedir a realização da mesma e expulsar o comissariado da região.

Com a ocorrência deste fato, ficou evidente à CIDH e a todas as organizações e movimentos populares presentes na visita a situação de grave conflito e violência promovida pelos setores ligados ao agronegócio, que historicamente atuam no sentido da apropriação e pilhagem das terras e territórios dos povos tradicionais, originários, e dos povos do campo do Oeste do Pará em geral.

Apesar disso, fortalecidos pela ancestralidade e resistência, os povos presentes deram início à reunião, apresentando suas principais pautas. Destacaram que uma luta fundamental destes povos é a da própria existência, seja enquanto povo que se reconhece e se afirma a partir da luta história e ancestral, seja enquanto território, espaço fundamental para a reprodução econômica, social e cultural. Ressaltam que é urgente a demarcação oficial do território Munduruku do Planalto, a qual deverá referendar a autodemarcação realizada e que o papel da CIDH deve ser ao lado dos povos do campo, buscando soluções para a garantia e efetivação dos seus direitos e para a proteção de seus lutadores e lutadoras.

Em resposta, os representantes da CIDH afirmaram que o objetivo da visita é produzir um informe sobre a situação dos Direitos Humanos no Brasil à OEA e a partir dele uma recomendação ao Estado Brasileiro quanto à garantia efetiva dos DHs. Em especial, a CIDH pretende realizar um informe e recomendação em relação à atuação do Programa de Proteção aos/as defensores/as de direitos humanos e sobre a situação específica dos/as ameaçados/as de morte, que não devem de forma alguma arcar com os custos da proteção. Destacam também a importância de construção de ações e políticas voltadas para a incidência nas situações urgentes e imediatas de proteção aos/as ameaçados/as de morte e legitimam a CPT como interlocutora fundamental para manter a CIDH informada acerca da situação dos DH’s no Oeste do Pará.

CIDH ouve organizações sociais e populares do Oeste do Pará

No período da tarde ocorreu a audiência com as organizações e movimentos populares em geral, na sede do Ministério Público Estadual, as quais apresentaram à CIDH as seguintes violações aos direitos humanos: atuação do agronegócio e dos grandes empreendimentos em desrespeito aos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e seus territórios, aos assentamentos de reforma agrária, à biodiversidade e às águas, com destaque para a pretensa construção do Porto do Maicá, a ser destinado para o escoamento de grãos; autorizações ilegais de manejo florestais e extração de madeira em territórios tradicionais, em especial do território indígena Maró, e em assentamentos de reforma agrária de modo a provocar um desmatamento desenfreado; atuação violenta de empresas e grandes fazendeiros em assentamentos rurais, de modo a promover um processo intenso de concentração de lotes e reconcentração fundiária; ameaças à vida e integridade física dos povos do campo, das águas e da floresta e ausência de uma atuação efetiva do PPDDH, o que tem aumentado as situações de violência e homicídios contra lutadores/as; negativas permanentes aos direitos à saúde e educação dos povos indígenas e quilombolas, numa total situação de descaso; ameaça constante ao direito de autoafirmação dos povos tradicionais; ausência de uma política efetiva de demarcação dos territórios indígenas, quilombolas e demais territórios tradicionais, o que tem promovido um processo de minifundização, cercamento e privatização destes territórios; inaplicabilidade da Convenção 169 da OIT, em especial quanto às determinações de garantia de posse e propriedade dos povos tradicionais e de consulta prévia livre e informada e desrespeito aos protocolos de consulta realizados por povos quilombolas, indígenas e ribeirinhos no Oeste do Pará; uso intensivo e desmedido de agrotóxicos de modo a promover o envenenamento das comunidades.

A equipe da CPT em Itaituba destacou, ainda, a situação do P.A. Areia e dos agricultores Osvalinda e Daniel, que em decorrência de sua atuação em defesa de um modo de produção agroecológico e sustentável e do enfrentamento à concentração fundiária e extração ilegal de madeira, têm sido ameaçados e vivem em constante situação de risco. Por esta razão encontram-se incluídos no PPDDH, o qual não tem garantido uma proteção efetiva, já que o monitoramento remoto e a realização de rondas policiais não garantem a segurança necessária. Neste sentido, a CPT ressaltou a importância da incidência da CIDH na política de proteção a defensores/as de direitos humanos, destacando que o Pará conta com 16 pessoas ameaçados/as de morte incluídos/as no PPDDH.

 

Ruralistas de Santarém tentaram impedir reunião da CIDH com indígenas

No quarto dia de sua visita ao Brasil, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA teve uma amostra da grave situação de conflito e violência promovida por gente ligada a produtores rurais da região de Santarém. A Comissão foi interpelada de forma intimidatória e ameaçadora por representantes dos produtores de soja que tentaram impedir a realização da reunião com os indígenas e expulsar o comissariado da região.sanntre

No fundo, nada melhor para ilustrar a situação, não é mesmo?

Boaventura Sousa Santos dá entrevista sobre o Brasil

O sociólogo português afirma que as classes populares foram abandonadas pelas elites políticas e eclesiásticas. “Lula cometeu muitos erros. Usou o antigo sistema político para governar com a direita”

Boaventura de Sousa Santos, no Centro de Estudos Sociológicos da Universidade de Coimbra.

Boaventura de Sousa Santos, no Centro de Estudos Sociológicos da Universidade de Coimbra. JOÃO HENRIQUES

É há décadas o oráculo de cabeceira da esquerda ibérica e latino-americana, geralmente indo além dos partidos socialistas. Hugo Chávez (Venezuela), Lula(Brasil), Gustavo Petro (Colômbia), Pablo Iglesias (Espanha), Francisco Louçã (Portugal), o escutaram e escutam para criar alternativas que vão além das siglas. O sociólogo Boaventura de Sousa Santos (Coimbra, 1940) divide seu tempo entre a universidade portuguesa, onde elogia uma solução de Governo socialista sem precedentes, e a Universidade de Wisconsin, onde se empanturra de análises da CIA. Com mais de 40 ensaios no currículo, esta semana apresenta na Espanha, Esquerdas do Mundo, Uni-vos. Embora acredite nas conspirações globais, Sousa Santos também acredita na capacidade das forças locais para criar alternativas que escapem ao determinismo dos poderes fáticos, e até acredita que a democracia liberal só pode ser defendida pela esquerda. Apesar de nem sempre acertar, Salve Santos!

Pergunta. Depois de 14 anos de Governos de esquerda parece que os brasileiros ficaram escaldados…

Resposta. Lula foi um grande presidente, mas cometeu muitos erros. Ele usou o antigo sistema político para governar com a direita. Não houve reforma fiscal nem do sistema nem dos meios de comunicação no momento em que seu partido, o PT, tinha uma grande legitimidade para fazer isso. Governar com o antigo sistema antigo foi governar com o compadrio, com a corrupção endêmica dos partidos, não só do PT.

P. As Bolsas acolheram com grande otimismo a derrota do PT e a vitória de Bolsonaro.

R. Sim, agora, depois das eleições, em vez da reação das pessoas, a primeira notícia da mídia é a reação dos mercados. A Bolsa é controlada por cinco grandes instituições financeiras, que movimentam 50 trilhões dos 90 trilhões do PIB mundial e têm, portanto, um poder enorme de chantagem sobre os sistemas políticos nacionais. A derrota da esquerda no Brasil não é alheia ao imperialismo americano.

P. Esse termo não soa como algo antigo?

R. Já sei que deixou de ser usado na mídia, mas acho que o imperialismo americano existe, embora andassem distraídos na primeira década do século.

P. Muito usado por Chávez, Evo Morales, Lula …

R. Foi uma década em que os Estados Unidos estavam concentrados no Iraque, e isso permitiu às forças progressistas da Argentina, Venezuela, Brasil, Bolívia, Equador, Chile chegarem ao poder. A partir de 2009, os americanos começam a perceber que estão perdendo a América Latina, que têm agora um novo parceiro, a China. Sua primeira reação é o golpe hondurenho de 2009. Uma década depois os hondurenhos emigram em caravana para os Estados Unidos.

P. O imperialismo americano não se contenta apenas com Honduras, é isso?

R. Os EUA precisam que todos os países aliados parem a China, mas de maneiras diferentes. Precisam da Europa, mas não da União Europeia (UE). A abordagem de Trump para a Europa é com o Tratado de Comércio Transatlântico, que quer acabar com isso porque não quer uma UE unida. É mais fácil para ele controlar o continente minando a UE, separando-a país por país. Conseguiu isso com o Reino Unido e vai tentar com outros. Um por um, dominará todo o continente melhor.

P. No entanto, os grandes investimentos da China são na África e América do Sul.

R. Leio atentamente todos os documentos da CIA para ver o futuro com seus olhos. A grande ameaça para manter sua hegemonia mundial é a China. Em 2030 será a primeira economia. Vivemos um intervalo entre duas globalizações. Tivemos várias desde 1870, cada uma dominada por uma inovação tecnológica, do motor a vapor à Internet. As últimas sempre foram dominadas pelos Estados Unidos, mas vamos entrar em uma nova onda de inovação, estrelada pela inteligência artificial, a robótica e a automação, e nestas áreas – ao contrário das anteriores– a China está bem posicionada. Quem dominar a nova onda será o país hegemônico.

P. A hora do imperialismo chinês?

“A Bolsa é controlada por cinco grandes instituições financeiras, que têm um enorme poder de chantagem”

R. A China se juntou à Rússia, Índia, Brasil e África do Sul, os BRICS. Esse projeto, ao contrário do que poderíamos imaginar, era um aviso temível para os Estados Unidos. Tinha que ser neutralizado a qualquer preço porque colocaria em questão o mais sagrado do império americano, o dólar. Em 1971, deixou de estar respaldado pelo padrão-ouro, mas os EUA entraram em acordo com a família real saudita para que o dólar fosse a única moeda de pagamento das transações petrolíferas.

P. E assim continua meio século depois.

R. Sim, ao custo de reprimir qualquer movimento para acabar com o dólar como a única referência mundial. Sempre que há um ataque a essa moeda a reação dos Estados Unidos é brutal. É verdade que o ex-presidente do FMI Dominique Strauss-Kahn esteve em uma confusão com uma camareira, mas, coincidentemente, um mês antes ele havia proposto a criação de uma cesta de moedas como referência para o comércio mundial, e não apenas o dólar. [Sadam] Hussein queria que o comércio de hidrocarbonetos fosse em euros e Gaddafi propôs uma moeda africana semelhante ao euro. Todos tiveram destinos fatais.

P. E aquele BRICS perdeu seu peão brasileiro.

R. Antes a Índia de Mohdi se entregara incondicionalmente, mas o Brasil é a sétima economia mundial e aproveitaram que tivesse uma democracia ainda frágil para acabar com esse laboratório. O BRICS ficou neutralizado.

P. As democracias trocaram Obama por Trump, Lula por Bolsonaro, Rienzi por Salvini…

R. Vivemos um ciclo reacionário, típico entre os intervalos das globalizações. É uma época em que a agressividade e a rivalidade entre os países aumentam –na Europa, deu origem a duas guerras. Sua face visível é Steve Bannon, ex-assessor de Trump. Não é coincidência que a sua organização, The Movement, tenha se instalado em Bruxelas. O seu objetivo é conseguir uma maioria de eurocéticos nas eleições europeias de maio e, assim, destruir democraticamente a UE.

P. Teme que ele consiga?

R. Vejo isso com muita preocupação. Esta onda reacionária é diferente das outras, tenta acabar com a distinção entre ditadura e democracia. A democracia liberal não sabe defender-se dos antidemocratas, de antissistemas como Trump ou Bolsonaro, que se aproveitam do sistema. A opinião pública é destruída com notícias falsas que transformam o adversário em inimigo; com o adversário se discute, o inimigo se destrói.

P. Mas como esse ciclo reacionário se formou?

R. Claro que não é uma crise repentina, tem suas causas. Se deixamos de ocupar um espaço, outros não o farão. Se os partidos clássicos se dedicam aos processos eleitorais e a suas alianças, e não trabalham com as classes populares, outros o farão. E não apenas os partidos. A Igreja Católica tinha uma forte base na América Latina com a teologia da libertação. João Paulo II a liquidou e esse vazio está sendo ocupado pela chamada teologia da prosperidade das igrejas evangélicas de influência norte-americana. Os ricos recebem a bênção de Deus, os pobres não são abençoados, são demonizados, culpados por sua pobreza. Houve um abandono das classes populares pelas elites, sejam elas políticas ou eclesiásticas.

P. O senhor tem uma solução?

R. Sim, Esquerda do Mundo, Uni-vos, o título do meu novo ensaio. A esquerda tem que acabar com seus dogmatismos e isolacionismo e estar ciente de que neste ciclo reacionário as forças esquerdistas são as que melhor podem defender a democracia liberal, porque a direita se entregou totalmente (a esquerda, parcialmente) aos poderes financeiros.

“João Paulo II liquidou a teologia da libertação católica e esse espaço é ocupado pela igreja evangélica”

P. Neste período reacionário, uma das exceções tem sido a solução portuguesa, um governo socialista com o apoio parlamentar de partidos à sua esquerda, incluindo antieuropeus, do Bloco e o Partido Comunista.

R. É a grande inovação política dos últimos anos. O partido socialista de Costa decide articular-se com partidos à esquerda em vez de fazer isso com a direita, como sempre. Com uma clarividência extraordinária, com o Bloco e o PC, chegaram à conclusão de que há muitas coisas que os separam, mas há outras que os unem, suficientes para governar. Estar unidos para acabar com a austeridade, já é muito. Se o PC é contra o euro e o PS a favor, isso não conta. Essa foi a grande sabedoria dos partidos.

P. Portugal rompeu com muitas profecias catastróficas.

R. Portugal demonstrou que o neoliberalismo era uma mentira. Com soluções contrárias a essa ideologia, o Governo deu um respiro às classes populares. A economia cresce, o investimento chega, o desemprego cai. Se isso tivesse acontecido em outro país, seria notícia mundial.

P. O modelo é exportável?

R. As soluções não podem ser copiadas, mas pode-se aprender com elas. Tenho alguma esperança de que sejam aceitas na Espanha com os jovens Sánchez e Iglesias. Esta semana vou lá para conversar com todos os partidos da esquerda. Na Espanha, o grande ator diferencial é a questão das nacionalidades e, especificamente, a Catalunha, o que impede qualquer acordo e, em minha opinião, assim vai continuar por algum tempo. Quando se joga o tudo ou nada, o acordo é impossível.

P. Na Espanha, mais do que em esquerda e direita, fala-se em castas e movimentos transversais.

R. Sei disso e fico indignado. A distinção entre esquerda e direita nunca foi tão importante. A esquerda muitas vezes apaixona, mas deixa passar oportunidades de ser outra alternativa de vida. A esquerda não pode ter vergonha de defender o Estado, obviamente democrático e não corrupto. Quem mais vai precisar de saúde pública, de mais educação, não serão as classes médias altas, mas sim aquelas que ganham o salário mínimo. É preciso ter a coragem de aumentar os impostos dos mais ricos. Prejudica o investimento, dizia-se em Portugal. Não foi assim, pelo contrário, aumentou. Há muitas mentiras econômicas. Os maiores mentirosos deste século ganharam os prêmios Nobel de Economia.

P. A solução portuguesa pode mudar a tendência da União Europeia nas eleições de maio?

R. Portugal é um país muito pequeno para mudar a UE, mas se tivéssemos uma solução de esquerda moderada na Espanha, mais a Grécia e a Itália, derrotaríamos a extrema direita, e a UE seria salva. Se não a mudamos por dentro, haverá brexititaliabrexit e austriaexit –sem contar a Hungria e a Polônia, que são europeus só para receber dinheiro comunitário– e em vez de ter uma solução de esquerda para reinventar a UE, será uma de direita para destruir a Europa. Esse é o dilema que enfrentamos.

Presidente do Brasil eleito se recusa a falar sobre a situação do Egito

País árabe cancelou a visita em retaliação ao reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel

Talita Fernandes
BRASÍLIA

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), não quis responder a um questionamento feito pelo jornal a  Folha de S. Paulo  sobre o cancelamento de uma vista da diplomacia brasileira  ao governo do Egito.

“Não, outro assunto, outra pergunta aí”, disse o capitão .

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, e o vice-eleito, general Mourão, participam da sessão solene do Congresso nesta terça (5)
O presidente eleito, Jair Bolsonaro, e o vice-eleito, general Mourão, participam da sessão solene do Congresso nesta terça-feira (5) –  Pedro Ladeira / Folhapress

Após a insistência de repórteres para que ele se pronunciasse, ele repetiu o pedido de que ele fosse feito de outra maneira: “Outra pergunta, vamos embora”, disse, ao dar as costas e uma entrevista na saída do Ministério da Defesa.

O governo egípcio cancelou uma visita do Ministro das Relação Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, faria ao país árabe. O chanceler brasileiro embarcaria nesta quarta-feira (7) e cumpriria uma agenda de compromissos entre os dias 8 e 11 de novembro.

Formalmente, a mudança foi justificada pelo governo egipcio por uma mudanças  de agenda de autoridades do país.

Como este tipo de cancelamento é incomum na diplomacia, o processo foi visto como retaliação por membros da chancelaria brasileira,  por conta das manifestações de Bolsonaro sobre a política externa.

Ele prometeu, logo depois de eleito,  transferir uma embaixada brasileira em Tel Aviv para Jerusalém, o que desagradou a comunidade árabe.

Parece que o presidente eleito está repetindo a estratégia do presidente americano Donald Trump de só responder o que lhe interessa e a quem lhe interessa. Não sei se terá o mesmo sucesso, mas diante do que ocorreu hoje, receberá muitas críticas. parece que fazer discursos tem consequências.

O líder da bancada ruralista no Congresso, deputada Tereza Cristina (DEM-MS), se mostrou preocupada com as reações que países árabes possam ter diante da decisão anunciada pelo presidente eleito Jair Bolsonaro de transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.
Em entrevista à DW nesta terça-feira (06/11), ela declarou que “esse assunto preocupa” e lembrou que o Brasil é um grande exportador de carne para o mundo árabe. “Haveria um impacto ruim caso esses países decidam retaliar. Vamos conversar com a equipe de transição”, disse.

A morte do líder da Renamo abre um período de incertezas em Moçambique

 

 

Afonso Dhlakama, presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, principal partido da oposição), morreu ontem, aos 65 anos, devido a complicações de diabetes, noticiou a imprensa moçambicana que citou fonte partidária.

Fotografia: DR

Outras fontes da Renamo confirmaram à agência Efe a morte de Dhlakama, mas não deram detalhes da causa.
Dhlakama vivia refugiado na serra da Gorongosa, no centro do país, desde 2016, tal como já o havia feito noutras ocasiões, quando se reacendiam os confrontos entre a Renamo e as forças de defesa e segurança de Moçambique.
De acordo com a Televisão Independente Moçambicana (TIM), Dhlakama morreu quando aguardava, na serra da Gorongosa, por um helicóptero, para ser evacuado para a África do Sul, onde iria ser submetido a tratamento médico.
Depois de abandonar Maputo, o líder da Renamo estava escondido no interior da serra da Gorongosa, na província de Sofala, em Moçambique, desde 2015.
Dhlakama era desde 1984 o líder político da Renamo, movimento criado pela antiga Rodésia (hoje Zimbabwe) e a África do Sul para lutar contra a alegada extensão do comunismo na região, e portanto contra o partido no poder, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).
A assinatura dos Acordos de Paz de Roma (1992), rubricados com o então Presidente e líder da Frelimo, Joachim Chissano, puseram fim a uma guerra civil de 16 anos, iniciada após a independência do país, de Portugal, com um saldo de um milhão de mortos.
Apesar do acordo de 1992, a Renamo continuou a realizar ataques esporádicos em diferentes zonas de Moçambique até à assinatura definitiva da paz, em 5 de Setembro de 2014, a 40 dias das últimas eleições.
Após várias rondas de negociações, nesse dia o então Presidente moçambicano e líder da Frelimo, Armando Guebuza, e Afonso Dhlakama assinaram um acordo de paz que punha fim a dois anos de conflito no país.
Durante a assinatura da paz em Maputo, o líder opositor expressou o desejo de mudar radicalmente o panorama político das “últimas duas décadas” no país, nas quais, segundo sua opinião, houve uma “sistemática concentração do poder num punhado de privilegiados”.
Dhlakama, nascido em 1953 em Mangunde, na província central de Sofala, onde a Renamo tem uma das suas fortificações tradicionais, tornou-se líder do grupo após a morte em combate em 1979 do primeiro chefe do movimento, André Matsangaissa, e, como político, manteve o partido governamental em xeque durante mais de duas décadas.
Sob a sua liderança, a Renamo chegou a ser acusada pela comunidade internacional de cometer crimes contra a humanidade, como massacres de civis e recrutamento de crianças-soldado.
O líder opositor perdeu eleições de maneira sucessiva, sendo as primeiras em 1999, com o então Presidente Joaquim Chissano.
Dhlakama disputou as quartas eleições de 2009 com Armando Guebuza, tendo igualmente perdido as mesmas.
A última votação, em 2014, foi vencida pelo actual Presidente do país e candidato da Frelimo, Filipe Nyussi.

Líder da Renamo
foi membro da Frelimo

Afonso Macacho Marceta Dhlakama nasceu em Mangunda, na província de Sofala, no centro de Moçambique, a 1 de Janeiro de 1953 e estava há mais de 40 anos na liderança da Renamo.
Dhlakama vivia refugiado na serra da Gorongosa, no centro do país, desde 2016, tal como já o havia feito noutras ocasiões, quando se reacendiam os confrontos entre a Renamo e as forças de defesa e segurança de Moçambique.
Apesar de se auto-intitular “pai da democracia moçambicana”, e para muitos simpatizantes ser o “Mandela ou Obama moçambicano”, Afonso Dhlakama era igualmente visto como um “senhor da guerra”.
Entre o afável e o incendiário, Dhlakama era uma figura controversa. “Se não gostarem de mim, depois de cinco anos, podem-me mandar embora, porque não vou matar ninguém”, disse o líder da Renamo num comício no centro do país em 2014, respondendo desta forma aos críticos que o acusavam de recorrer à violência para fazer vingar os seus pontos de vista na política de se comportar como “dono” da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), que dirigia desde os 23 anos.
Em 1974, com o fim da guerra colonial, o político e militar ingressou na Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), tendo acabado por abandonar esse movimento para se tornar, dois anos depois, um dos fundadores da RNM (Resistência Nacional de Moçambique). Após a morte de André Matsangaíssa em combate e depois de uma luta pela sucessão, Dhlakama assume a liderança do movimento que passa a ser designado por Renamo.
Depois de uma guerra civil de 16 anos, movida com o apoio do apartheid,  Dhlakama assina o Acordo Geral de Paz com o então Presidente do país, Joaquim Chissano, líder da Frelimo, a 4 de Outubro de 1992, em Roma, passando a Renamo a ser um partido político. A primeira vez que concorreu como candidato às eleições gerais (legislativas e presidenciais) foi em 1994, dois anos depois do acordo firmado em Itália.

Conflito arrasou o país

A guerra civil em Moçambique foi uma das mais brutais de África. A RENAMO teve má fama por causa da destruição de escolas e centros de saúde, da minagem de estradas e pelo recrutamento de crianças soldados. A violência causou aproximadamente 900.000 mortos. Milhões refugiaram-se dentro ou fora de Moçambique.
Mesmo contra os princípios do Acordo Geral de Paz de Roma, que previu a desmobilização total dos rebeldes da RENAMO, Dhlakama sempre manteve um exército privado do partido. Treinaram longe do olhar do público em bases fechadas no interior da província de Sofala, nas localidades de Maríngué e Inhaminga.
O escritor moçambicano Mia Couto chegou a criticar o estilo militarista de fazer política de Dhlakama numa entrevista ao canal privado STV: “Ficámos reféns do medo de alguém que reiteradamente veio anunciar que ‘agora sim vou voltar à guerra, vou incendiar o país’… Ele escolheu vários tipos de discursos que são realmente ameaças”, disse.
Dhlakama reagiu com um auto-isolamento na Serra da Gorongosa, abandonando a sua mansão em Maputo.
“Desde Outubro de 2012, quando Afonso Dhlakama se retirou para o seu antigo quartel general da guerra civil, abandonou de facto as instituições de Moçambique e as plataformas democráticas existentes”, disse uma analista do instituto britânico de estudos políticos, Chatham House, Elisabete Azevedo-Harman. “Isolou-se da capital Maputo e dos outros actores políticos”, acrescentou.

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Diabete mata lider da oposição moçambicano em momento crucial de negociação da paz

Dhlakama na campanha das presidenciais de 2014. Teve então 36,6% dos votos; Nyusi alcançou 56%

  |  EPA

Dirigiu a Renamo desde 1979, então em luta contra a Frelimo. Assinou o Acordo de Paz de 1992, que pôs fim a 16 anos de guerra civil. Acusou sempre o poder de fraude eleitoral

Afonso Dhlakama morreu nesta quinta-feira aos 65 anos nas matas da Gorongosa, morte que sucede num momento crucial das negociações que decorriam entre o líder da Renamo e o presidente Filipe Nyusi para o total desarmamento dos elementos do principal partido de oposição em Moçambique e sua integração nas forças armadas do país.

A Renamo confirmou a morte ao final do dia e anunciou que o corpo do seu líder será transferido sexta-feira para o hospital central da Beira. Um grupo de dirigentes do partido estava a caminho da Gorongosa.

A causa da morte terá sido resultado de uma crise de diabetes. Dhlakama, que liderava a Renamo desde 1979 (após a morte de André Matsangaissa, que fundara o movimento em 1977), negociava com o presidente moçambicano uma revisão da Constituição que permita a designação dos administradores de distrito pelos governadores das províncias, a serem eleitos nas eleições gerais de 2019. Esta questão assim como a completa desmobilização das forças da Renamo têm estado no centro das negociações entre os dois dirigentes.

O desaparecimento de Dhlakama a pouco mais de um ano das eleições vem colocar um sério desafio à Renamo, que teve sempre, nas cinco presidenciais realizadas em Moçambique desde o Acordo Geral de Paz, assinado em Roma, a 4 de outubro de 1992, o seu líder histórico como candidato e grande responsável pela estratégia do partido.

Dhlakama, desde a primeira votação em 1994, sempre contestou os resultados que, invariavelmente, deram a vitória ao candidato da Frelimo, no poder desde 1975, e a maioria a este partido. Nas presidenciais de outubro de 1994, tem 33,7 % dos votos; Joaquim Chissano ganhou com 53,3%. Nas legislativas, a Frelimo somou 44,3%, a Renamo 37,7. No ciclo eleitoral de 1999, Chissano obteve 52,2% e Dhlakama 47,7%. O padrão dos resultados ir-se-á repetindo até 2014, quando Nyusi teve 57% dos votos e Dhlakama 36,6%.

As sucessivas derrotas de Dhlakama e da Renamo, a que não foram alheias fraudes eleitorais, de acordo com a análise de observadores independentes, levaram o antigo guerrilheiro a endurecer o discurso. Após quase 16 anos de guerra civil (1977-1992) e a paz trazida pelo Acordo de Roma, em 2012, pela primeira vez Dhlakama deixou a capital, Maputo, com o argumento de que tinha a vida em perigo. Desde então e até 2017 viveu-se um conflito de baixa intensidade entre a Renamo e o governo, com o líder da antiga guerrilha em parte incerta, após as forças governamentais atacarem a base de Sadjundjira (Gorongosa) e o desalojarem em outubro de 2013.

Só em 2014 reapareceu em Maputo para a assinatura de um acordo de cessação de hostilidades, a 5 de setembro, com o presidente Armando Guebuza. Mas pouco depois das eleições de outubro do mesmo ano, deixou de novo a capital moçambicana, abrindo a crise político-militar mais séria desde 1992. Começou pouco depois um longo e acidentado processo negocial que só terminaria em 2017, com a assinatura de um acordo de cessar-fogo entre a Renamo e o poder político em Maputo.

“Parceiro estratégico”

Marcelo Rebelo de Sousa lamentou a morte do líder da Renamo numa mensagem enviada a Filipe Nyusi, destacando o relevo de Dhlakama como “interlocutor privilegiado nos caminhos do diálogo, da paz e da concórdia” em Moçambique. Neste país, a primeira reação veio da segunda maior força da oposição, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), com o seu líder e antigo dirigente da Renamo até 2009, Daviz Simango, a classificar o desaparecimento de Dhlakama como “uma grande tragédia nacional”.

Posteriormente, a Frelimo, através do porta-voz Caifadine Manasse, citado pela Lusa, considerou que o líder da Renamo “era um parceiro estratégico” e “estava a percorrer um caminho para a paz”. O mesmo porta-voz afirmou-se convicto de que a Renamo não deixará as negociações em curso e que irá trabalhar para a consolidação da paz e da estabilidade em Moçambique.

Afonso Macacho Marceta Dhlakama nasceu a 1 de janeiro de 1953 na localidade de Mangunde, numa família onde o pai era régulo – fator importante na política em África. Por causa do envolvimento desde jovem, primeiro, com a Frelimo, depois na guerrilha contra o regime de Maputo, Dhlakama não teve grande educação formal. No entanto, nunca desistiu de se cultivar e de receber formação, quer a partir da África do Sul quer de diferentes círculos europeus (entre os quais portugueses) e americanos que, a partir dos anos 80, vão apoiar a Renamo. Casado desde 1980, era pai de oito filhos.

 

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Aristides Gomes o Primeiro Ministro de Guiné Bissau

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O Presidente guineense, José Mário Vaz, marcou a data do ato eleitoral no dia em que tomou posse o novo primeiro-ministro.

Aristides Gomes volta a chefiar o Executivo de Bissau numa tentativa para pôr fim a mais uma crise política no país, como conta o jornalista Nuno Carvalho.

É um novo primeiro-ministro de consenso que toma posse na Guiné-Bissau: Aristides Gomes conduzirá o país até às eleições legislativas de novembro.

A Guiné-Bissau está há quase três anos mergulhada numa crise política.