Conselho de Segurança da ONU aprovou o cumprimento do Acordo de Conacri na Guiné Bissau

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O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou hoje uma declaração presidencial a pedir o cumprimento do Acordo de Conacri e a nomeação de um novo primeiro-ministro na Guiné-Bissau.

A declaração diz que o Acordo de Conacri, que prevê a formação de um governo consensual integrado por todos os partidos representados no parlamento e a nomeação de um primeiro-ministro de consenso e de confiança do chefe de Estado, é “a ferramenta principal para uma resolução pacifica da crise política” e diz que o documento oferece uma “oportunidade histórica”.

“O Conselho de Segurança expressa preocupação profunda com o impasse político na Guiné-Bissau, devido à incapacidade dos seus líderes atingirem uma solução consensual e duradoura, como fica demonstrado com o falhanço da Assembleia Nacional em realizar sessões plenárias desde janeiro de 2016 e com o falhanço de quatro governos consecutivos em aprovar um programa de governo e um orçamento nacional”, lê-se na declaração.

Os membros do Conselho de Segurança lembram “os efeitos negativos da crise política na população civil” e pedem “a todos os atores políticos que coloquem os interesses do povo da Guiné-Bissau acima de quaisquer outras considerações”.

“O Conselho de Segurança sublinha a importância de preparar as eleições legislativas e presidenciais, calendarizadas para 2018 e 2019, sobretudo atualizando o registo de eleitores”, defende a organização.

A declaração do presidente do Conselho de Segurança elogia a extensão por três meses da missão Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) no país, sublinhando o seu “papel positivo na estabilização do país.”

As notícias do crescimento económico são bem recebidas, mas os estados membros dizem que “com as causas da instabilidade por resolver”, estes ganhos “podem não ser sustentáveis.”

O organismo volta a pedir uma reforma do setor da segurança, um combate à corrupção reforçando o sistema judicial e uma melhoria da administração pública da Guiné-Bissau.

“O Conselho de Segurança mostra preocupação para com os desafios colocados pelas ameaças terroristas e outras ameaças, como o extremismo violento, que podem conduzir a terrorismo e crime organizado internacional, como tráfico de drogas e pessoas”, lê-se no documento.

A declaração não se refere à revisão das sanções impostas a 10 militares da Guiné-Bissau, algo que foi defendido pelo presidente do Comité de Sanções para o país, Elbio Rosselli, embaixador permanente do Uruguai na ONU.

Segundo o “What`s in Blue”, uma publicação do Conselho de Segurança, “vários estados membros parecem estar contra a retirada de indivíduos da lista” porque “acreditam que manter essa designação cria um desincentivo a possíveis interferências pelos militares numa situação que ainda é muito frágil.”

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/conselho-de-seguranca-pede-implementacao-de-acordo-de-conacri-na-guine-bissau_n1026951

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Soldados brasileiros na Republica Centro Africana, apesar das críticas da União Africana.

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Governo brasileiro estuda a possibilidade de  enviar tropas para participar da MINUSCAmissão de paz da ONU na República Centro-Africana.

O Brasil atravessa um momento de crise política e econômica, por que não deixar as potências estabelecidas cuidarem dos assuntos internacionais mais complexos?

Mesmo quando interesses brasileiros não são diretamente afetados — como no caso da crise na República Centro-Africana —, uma atuação ativa do Brasil fortaleceria a legitimidade do país para influenciar debates sobre o futuro da África, tema prioritário devido à crescente crise migratória. Embora a União Africana tem deixa claro que a presença de estrangeiros pra resolver conflitos não tem merecido sua aprovação. A União Africana reclama para si o papel de negociador.

Os dramáticos fracassos no enfrentamento de questões como as mudanças climáticas, a volatilidade financeira e as violações de direitos humanos ao longo das últimas décadas são claros indicadores de que novos atores — como Brasil, China e Índia — precisam contribuir para a busca de soluções significativas. Registre-se que a União Africana não tem recebido o devido investimento para equacionar os problemas da região.

 

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Uma política externa assertiva não é incompatível com a priorização de problemas domésticos. Muito pelo contrário: é uma ferramenta essencial para enfrentar esses desafios. Por exemplo, levar adiante negociações comerciais com a União Europeia (que beneficiam a economia brasileira), fortalecer relações com a China (para aumentar investimentos em infraestrutura) e promover a integração regional (para combater tráfico de armas e de pessoas, assim como fortalecer a segurança nas fronteiras) são questões diretamente ligadas a interesses nacionais que afetam a vida diária da população brasileira.Rep Centro Africana

O Ministério da Defesa considera o envio, em 2018, de aproximadamente 800 soldados, o equivalente a um batalhão de infantaria, ao país onde um quinto da população está internamente deslocado por causa da guerra civil. A situação na República Centro-Africana está pior do que a do Haiti, onde capacetes azuis brasileiros atuaram ao longo dos últimos anos. Mesmo assim, há semelhanças com a ilha caribenha, dando às tropas brasileiras — que têm preparo acima da média na ONU — uma vantagem comparativa, e condições de ajudar a estabilizar a situação.

Os ganhos para as Forças Armadas brasileiras seriam de manter militares na ativa, aperfeiçoar conhecimento em logística e  reforçar sua projeção de poder (capacidade de um exército de projetar força distante do seu próprio território).

Os soldados brasileiros voltariam ao Brasil com uma experiência internacional relevante e mais habilidades de comunicação intercultural. Em função da complexidade da situação na República Centro-Africana, a Força Aérea Brasileira teria aeronaves (inclusive o Super Tucano e helicópteros Black Hawk) atuando em áreas de conflito pela primeira vez desde a 2.ª Guerra Mundial. Dito de outra maneira, sofisticaria e tornaria mais versátil o hard power brasileiro — nada trivial em um cenário global altamente imprevisível.

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Além disso, o envio de tropas teria um baixo impacto no orçamento, pois se trataria apenas de uma realocação do número de soldados que saiu do Haiti e não de um aumento na participação brasileira em missões de paz. Outro ponto muitas vezes ignorado é que a ONU repassa ao governo brasileiro uma quantia considerável por sua atuação em uma missão de paz, reduzindo, assim, o custo ao contribuinte nacional. É verdade que seria necessária a abertura de uma embaixada brasileira em Bangui, mas as implicações financeiras seriam modestas.Bangui_Republica_Centro_Africana.jpg

Os riscos e os custos de o Brasil participar de mais uma missão de paz. Como foi o caso no Haiti, é possível antecipar a chegada de migrantes da República Centro-Africana às cidades brasileiras. A República Centro-Africana — um dos dez países mais pobres do mundo — vive uma complexa guerra civil  entre o governo do presidente Faustin Touadéra, milícias cristãs chamadas Anti-Balaka e uma coalizão das milícias muçulmanas Séleka e, segundo a ONU, há o risco de um genocídio. Não por acaso é uma das maiores missões da ONU, com quase treze mil soldados e um orçamento de quase um bilhão de dólares.

Bispos católicos pedem transparência e serenidade na apuração das eleições angolanas

A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) apelou ontem, em Luanda, às formações políticas concorrentes às eleições gerais de 23 de Agosto, a respeitarem a vontade expressa nas urnas pelo povo angolano.

Arcebispo de Luanda exortou as forças concorrentes a aceitarem a vontade do povo expressa nas urnas
Fotografia: Kindala Manuel|Edições Novembro

O apelo dos bispos católicos vem expresso numa mensagem pastoral sobre as eleições lida pelo porta-voz da CEAST, Dom Manuel Imbamba, no final de uma conferência de imprensa, orientada pelo presidente desta instituição e arcebispo de Luanda, Dom Filomeno Vieira Dias.
Na mensagem, os bispos católicos saúdam o povo angolano que “respondeu com alegria, nobreza, civismo e dignidade à convocatória eleitoral” no dia 23 de Agosto de 2017, acrescentando que os angolanos demonstraram ser um povo que pugna pelo convívio social multicultural, fomentador da unidade na diversidade, da reconciliação efectiva, do desenvolvimento autêntico e da paz que parte do coração.
“Neste momento cabe aos políticos dar corpo e sentido ao convívio da vontade expressa nas urnas, aceitando com serenidade e responsabilidade o veredito final”, refere a mensagem dos bispos católicos, que apelam ao recurso às leis para dissipar possíveis equívocos.
A mensagem sublinha ainda que “o olhar de todos os angolanos e dos amigos de Angola está virado para a Comissão Nacional Eleitoral (CNE), a quem cabe o peso da responsabilidade de gerir e publicar, com a máxima transparência e nos termos da Lei, tudo quanto os leitores exprimiram nas urnas”. A CEAST apelou aos órgãos de comunicação social e utentes das redes sociais a não transformarem instrumentos de promoção do bem, da integração da paz, do diálogo e do convívio em instrumentos de instigação e propagação do terror, do medo, da insegurança, da desordem, da divisão e da desinformação gratuita.

“Unamos as nossas vontades e inteligências e trabalhemos por uma Angola fraterna, plural, inclusiva, bela e próspera”, referem os bispos, que apelam ainda os angolanos a  manterem acesas as lâmpadas da fé, harmonia, diálogo, calma, paz e do respeito mútuo.

No período de perguntas e respostas, Dom Filomeno Vieira Dias disse que a comunicação social pública não  tratou de forma igual os partidos políticos durante a campanha, mas sublinhou o papel desempenhado por todos os órgãos de informação, que permitiu aos eleitores reflectirem sobre vários assuntos. Sublinhou que deve haver um esforço por parte daqueles que procuram ser veículos e transmissores da verdade. Por seu lado, o vice-presidente e porta-voz da CEAST disse que é precioso trabalhar para se evitar o mal estar que paira entre as pessoas depois das eleições.

“Hoje estamos a sentir que as pessoas estão muito tensas, nervosas e querem mudanças imediatas”, referiu Dom Manuel Imbamba, acrescentando que todos os procedimentos seguidos no processo eleitoral devem estar de acordo com a Lei.
“A CNE deve ter coragem de procurar o diálogo inclusivo com as partes em jogo, para que nenhuma delas se sinta lesada naquilo que lhe cabe como direito”, disse.

A crise da igreja Católica continua na Nigéria

download (1)O arcebispo Ignatius Kaigama, presidente da Conferência dos Bispos da Nigéria, está pedindo aos sacerdotes da diocese de Ahiara para aceitar um bispo nomeado por Bento XVI e confirmado por Francisco, embora não advenha do grupo étnico e linguístico majoritário da diocese. Ainda que alguns sacerdotes afirmem que estão prontos para cumprir o que quer que o papa decida, isso não significa que as queixas implícitas estejam resolvidas.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 23-08-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O arcebispo Ignatius Kaigama, presidente da Conferência Episcopal da Nigéria, pediu aos sacerdotes e leigos da problemática diocese de Ahiara que “deixem as queixas de lado” e aceitem o bispo Peter Ebere Okpaleke, nomeado pelo Papa Bento XVI ainda em 2012 e que ainda não teve permissão de fazer parte da diocese por não ser do grupo étnico e linguístico majoritário.

“Não estamos felizes que a igreja de Ahiara tenha ficado de fora do sistema por todo esse tempo”, disse Kaigama à Agência de Notícias da Nigéria.

“Não estamos exatamente felizes que o nome da Nigéria esteja se espalhando por diferentes partes do mundo como pessoas desleais à autoridade do papa”, declarou no domingo, em entrevista na arquidiocese de Jos, localizada no “cinturão médio” da Nigéria.

Kaigama estava se referindo aos abalos provocados pelo ultimato emitido pelo papa Francisco em junho, que insistia que todos os sacerdotes na diocese de Ahiaraescrevessem uma carta pedindo desculpas por se recusar a aceitar a autoridade papal e receber Okpaleke como bispo.

O prazo para o envio da carta se encerrou em 9 de julho, e os que não enviaram enfrentam ameaça de suspensão. O pedido já havia sido feito pelo cardeal Fernando Filoni, da Congregação para a Evangelização dos Povos do Vaticano, que supervisiona os territórios missionários. O pedido foi enviado em uma carta datada de 24 de junho de 2014.

“Oramos fervorosamente para que o povo de Ahiara seja sensato e volte a ser uma Igreja baseada na obediência à autoridade de Deus”, disse Kaigama, no domingo, apelando aos sacerdotes e aos leigos para “deixar as queixas de lado e aceitar o bispo Okpalaeke para que o trabalho de Deus possa continuar”.

Desde o início da crise, não houve ordenações sacerdotais nem confirmações, pois ambas são tarefas exclusivas dos bispos.

De acordo com o fórum católico pro-Okpaleke de Mbaise, grande parte dos sacerdotes cumpriu o pedido do Papa Francisco e enviou a carta pedindo desculpas pela rebeldia, embora alguns tenham agido com reservas.

“Sobre a diretiva do papa de que devemos enviar uma carta individualmente expressando obediência e lealdade a ele e pedindo perdão por ter contribuído com a dor que sofreu devido à crise na diocese de Ahiara, todos os sacerdotes na diocese a cumpriram”, afirmou um dos sacerdotes ao Crux, no final de julho, sob a condição de permanecer anônimo.

“Ele é nosso pai, nossa lealdade a ele não pode ser comprometida de forma alguma”.

No entanto, pouco depois, acrescentou: “Mas esperamos que ele reavalie seu posicionamento e nomeie outro bispo”.

O padre David Iheanacho teve um discurso parecido, dizendo ao Crux que havia escrito a carta a Francisco, “pedindo perdão pela contribuição pessoal à dor que sofreu devido à crise. Prometi total lealdade a ele como pontífice supremo, sucessor de São Pedro e vigário de Cristo na Terra. Expressei minha vontade de aceitar quem quer que enviasse e tivesse designado para ser meu bispo”.

Ele afirma que todos os sacerdotes consentiram, porque o papa não “brinca” com ameaças de sanção. Também declarou que Francisco é muito amado em Ahiara, e que sua palavra é “lei para os sacerdotes e leigos da diocese”.

“O único problema é que todos nós entramos em um dilema terrível entre engolir uma amarga pílula de injustiça e obedecer ao Santo Padre”, disse ele, por telefone. “Não se engane, o dilema ainda existe, e não sei como vai se resolver. Estamos rezando para que o Espírito Santo ilumine o Santo Padre para tomar a decisão certa e resolver o problema em nossa diocese.”

Em texto no fórum, o leigo Mark C. Nwoga afirma que a crise atual de Ahiara e de outras dioceses, que enfrentam conflitos semelhantes, não resulta de um processo falido de nomeação de bispos, mas sim de uma falha entre os sacerdotes.

“Há alguns ‘sacerdotes profissionais, ao invés de vocacionais’, que não são tão adeptos da oração nem da piedade, mas muito demonstram abertamente uma visão e um estilo de vida mundanos”, afirmou.

A raiz do problema, segundo ele, é que alguns sacerdotes se comportam mais como “agitadores políticos, querendo ser nomeados bispos”.

A nomeação de Okpaleke foi recebida com protestos e abaixo-assinados pedindo por um bispo do clero local. Apesar da rejeição, ele foi ordenado bispo em maio de 2013, embora a posse formal ainda não tenha ocorrido.

jornal The Guardian da Nigéria informou, no sábado, que o bispo declarou que não está incomodado pela oposição contra a nomeação e que está aguardando a posse, cuja data ainda não foi anunciada.

Em discurso na celebração do 70º aniversário de um sacerdote de sua cidade natal, Okpaleke disse que não pode permitir que a crise o distraia da missão de servir a Deus: “o que estão dizendo não diz respeito à minha vocação; minha vocação vem de Deus e é declarada pela Igreja”.

 

http://www.ihu.unisinos.br/570988-nigeria-diocese-de-ahiara-deve-deixar-as-queixas-de-lado-e-aceitar-o-bispo

Embaixador americano em Guiné Bissau afirma ser inaceitável a situação politica do pais

 

O novo embaixador dos Estados Unidos da América para a Guiné-Bissau, Tulinabo Mushingi, considerou inaceitável o actual impasse político nesse país africano e defendeu que o assunto deve ser resolvido pelos guineenses.

Classe política tem de ultrapassar as principais diferenças
Fotografia: Edições Novembro

“Ouvi dizer que a Guiné-Bissau se encontra num impasse devido à situação política. Sendo assim, o status quo é simplesmente inaceitável, todos nós, todos vós, todo o povo da Guiné-Bissau, todos os agentes devem fazer alguma coisa para sair desta situação”, afirmou na terça-feira o embaixador dos Estados Unuidos, que está baseado no Senegal, num encontro com jornalistas. Para Tulinabo Mushingi, os “actuais líderes devem tomar prontamente medidas que promovam o consenso e permitam a criação de um Governo inclusivo”.
“Líderes políticos de todas as alas devem priorizar os interesses nacionais e encontrar uma solução para a crise actual”, afirmou.
Questionado sobre se os EUA já não defendem a aplicação do Acordo de Conacri para ultrapassar o impasse político no país, o embaixador disse que isso “não é segredo”.
“O que estou a dizer é que há um impasse político. E os guineenses é que devem decidir o que vão fazer. Não cabe aos EUA impor um acordo aqui. É para os guineenses decidirem”, afirmou. Em Junho, a embaixadora interina dos EUA, Martina Boustani, defendeu que os acordos de Bissau e de Conacri “representam a melhor solução.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/politicos_criticados_por_manter_impasse

Angola pede que se levante as sanções impostas contra o Governo da República Democrática

O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, apelou à União Europeia a levantar as sanções unilateralmente impostas contra o Governo da República Democrática (RDC) do Congo e outras entidades daquele país.

Ministro das Relações Exteriores regressou ontem de Pretória
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

Em declarações à imprensa, em Pretória (África do Sul), onde participou na 37ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da SADC, em representação do Presidente José Eduardo dos Santos, Georges Chikoti considerou importante a organização regional apoiar o Governo da RDC na busca de uma solução pacífica e dialogada entre todos os congoleses, para o fim da crise politica e militar e a realização das eleições gerais. “Torna-se por isso pertinente que o Órgão da SADC (órgão de política, defesa e segurança) assuma o papel proactivo na sensibilização da comunidade internacional e todos os interessados para apoiar a implementação do acordo político de 31 de Dezembro de 2016”, salientou.
O ministro apontou igualmente como preocupação os desafios de segurança no Lesoto e a permanência dos focos de insegurança no leste da RDC.

Presidente da Nigéria regressa após meses de tratamento em Londres

Suas longas ausências ao longo deste ano provocaram fortes críticas sobre sua capacidade de continuar no cargo

Abuja – O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, retornou a seu país após três meses de tratamento médico em Londres, onde estava sendo cuidado devido a uma doença, não revelada até o momento, que o manteve ausente por vários meses no último ano.

Buhari foi recebido no aeroporto pelo presidente interino, Yemi Osinbajo, na tarde de ontem, e não fez nenhuma declaração, ainda que o gabinete presidencial tenha informado que ele falará à nação na próxima segunda-feira.

Muitos cidadãos comemoraram a chegada do presidente ao longo da estrada que liga o aeroporto com a cidade, para mostrar seu apoio após meses de ausência.

“Acolhendo com satisfação a volta do rei leão de novo ao palácio”, escreveu o senador Shehu Sani na sua conta do Twitter.

Os seus 105 dias de ausência no país foi objeto de intensas críticas por parte da oposição e de ativistas, que repreenderam o Governo por não revelar a natureza da doença do presidente, bem como por ter recebido tratamento médico no estrangeiro, para eles mostra do estado dos hospitais da Nigéria.

Esta não é a primeira vez que Buhari, de 74 anos, delega a presidência a Osinbajo este ano, já que sua primeira visita médica a Londres aconteceu no dia 19 de janeiro e se prolongou por dois meses.

Suas longas ausências ao longo deste ano provocaram também fortes críticas sobre sua capacidade de continuar no cargo.

A posição do presidente é um tema sensível na Nigéria onde os aspectos regionais, étnicos e religiosos têm um papel importante na sua eleição, pelo que os partidos políticos tentam compartilhar o poder entre os diferentes grupos para evitar assim a marginalização e uma possível instabilidade.

Buhari é muçulmano, de etnia fulani e do estado norte-central de Katsina, enquanto que Osinbajo é um cristão da etnia iorubá e procedente do sudoeste.

Buhari foi escolhido presidente nas eleições de 2015, quando venceu o então presidente, Goodluck Jonathan, em uma vitória histórica, já que foi a primeira vez que um partido da oposição assumiu o poder.

Presidente volta para Nigéria após meses de tratamento em Londres

Papa Francisco pode fechar 163 paróquias , no estado de Imo na Nigéria

ahiaraPapa Francisco está pensando seriamente na possibilidade de fechar 163 paróquias na diocese católica de Ahiara, no estado de Imo, devido à crise prolongada gerada pela nomeação de Peter Okpalaeke como bispo.

A informação é publicada por The Nation, 20-08-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Sua nomeação, quatro anos atrás, após a morte do bispo Victor Chikwe, encontrou forte resistência dos padres do grupo étnico Mbaise e pelos leigos, o que gerou um impasse.

Uma figura crucial na Secretaria Católica da Nigéria confidenciou a um dos nossos correspondentes que o papa não teria outra escolha a não ser usar de sua autoridade caso o impasse continue.

Declarou que “o que está acontecendo em Ahiala é uma afronta jamais vista na história do catolicismo na Nigéria e na África“.

“A nomeação de um bispo jamais foi tão contestada. É uma pena e uma grande vergonha para o Secretariado Católico da Nigéria e para o papa.”

Segundo ele, como os gladiadores já indicaram que não vão voltar atrás, o papa teria que fechar as 163 paróquias da diocese.

“Considerando a paciência demonstrada, devemos concordar que não seria fora de contexto o papa agir agora.”

“De agora em diante, a qualquer momento, ele pode anunciar que as paróquias não estão mais sob a liderança do Vaticano. Nesse caso, poderiam ir para outro lugar.”

“O papa é a autoridade última da Igreja e nada fará ele se voltar a sentimentos étnicos primordiais”, afirmou a fonte, que pediu completo anonimato.

Ele sugeriu que alguns padres recalcitrantes que alimentam a oposição ao compromisso do bispado também podem ser depostos para servir como retaliação aos outros.

O tão discutido Okpalaeke, porém, declarou ontem que não está incomodado pela oposição à nomeação.

Disse estar aguardando a posse apesar de protestos da grupo étnico dos sacerdotes de Ahiara.

Ele falou durante a cerimônia de 70 anos do Monsenhor Johnbosco Akam em sua casa de campo de Uga, no Conselho de Aguata, estado de Anambra.

Segundo ele, “o que estão dizendo não diz respeito à minha vocação; minha vocação vem de Deus e é declarada pela Igreja”.

“Sou um sacerdote realizado. Onde quer que tenha me encontrado como padre, certamente verei a Deus no último dia. É a minha missão.”

Ele se pronunciou apenas quando as investigações revelaram que os padres adotaram novas medidas para combater a nomeação, dizendo não ser transparente.

Embora todos tenham escrito a carta de desculpas conforme foi exigido pelo Papa Francisco, como forma de punição por resistir à autoridade da Igreja, análises revelaram que eles decidiram ficar nos bastidores enquanto pediam que líderes leigos continuassem lutando.

Eles pesaram as consequências de desobedecer o Vaticano e mobilizaram os leigos para rejeitar Okpalaeke.

O presidente da Organização dos homens católicos da diocese de AhiaraGerald Anyanwu, disse a jornalistas que a diocese não está se rebelando contra o papa, mas exigindo justiça e equidade.

“Não estamos questionando a decisão do papa, mas não vamos aceitar Okpalaeke como Bispo.”

“Esse processo não seguiu os procedimentos estabelecidos para a nomeação de bispos.”

Outro membro dos leigos, Sebastian Eke, disse: “Somos a favor da justiça. Não vemos motivos por que alguém desta ou de qualquer outra diocese do estado de Imo não possa ser nomeado como bispo da diocese de Ahiara.”

“O que estamos dizendo é que não queremos Okpalaeke, e tentar forçá-lo a fazer parte da comunidade não é justo”.

A vice-presidente da Organização das Mulheres Católicas (Catholic Women Organisation – CWO) da Diocese, Dra. Liona Ohanu, que falou em nome das mulheres, pediu que o Vaticano ouvisse a demanda das pessoas.

Ela afirmou que “respeitamos o papa e não podemos desobedecer sua diretiva como nosso Chefe Supremo, mas a questão de Okpalaeke é uma exceção e ele não será bem recebido como bispo desta diocese. O papa pode nomear qualquer outra pessoa, de qualquer lugar, e vamos aceitar, menos Okpalaeke.”

Enquanto os leigos protestavam, os sacerdotes se reuniam em um dos edifícios da catedral, de onde monitoravam o desenvolvimento e a publicação das diretrizes, aparentemente operando nos bastidores para não enfurecer ainda mais o Vaticano.

Mas o principal líder católico em Abuja disse que o Papa poderia agir a qualquer momento para impedir “o constrangimento que esses jingoístas étnicos causaram à Igreja”.

Quênia vive clima de tensão pós eleição e vitória de Uhuru Kenyatta

Nairobi – O líder da oposição queniana, Raila Odinga, 72 anps, prometeu domingo que não se renderá até que seja reconhecida a sua vitória nas eleições presidenciais, vencidas pelo presidente , enquanto aumentava a pressão para que acalmasse os seus simpatizantes.

RAILA ODINGA, LÍDER DA OPOSIÇÃO NO QUÉNIA

FOTO: ANGOP

Na sua primeira aparição pública desde sexta-feira à noite, Odinga também pediu aos seus simpatizantes para não irem trabalhar nesta segunda de manhã, após a pressão da comunidade internacional para que interviesse no sentido de arrefecer os ânimos no período pós-eleitoral, em que os distúrbios já deixaram 16 mortos desde sexta-feira.

O opositor anunciou que iria explicar na próxima terça-feira “o caminho a seguir” pelo seu partido político e assinalou: “Ainda não perdemos. Não cederemos”, insistiu em Kibera, subúrbio de Nairobi, reduto da oposição.

Confrontos violentos foram registados domingo na comunidade de Mathare, subúrbio de Nairobi, entre membros da etnia kikuyu, ligada ao presidente reeleito, Uhuru Kenyatta, e integrantes da etnia luos, apoiantes do opositor derrotado nas urnas.

A violência irrompeu depois que os luos incendiaram estabelecimentos de comerciantes kikuyus, provocando uma batalha campal entre ambos os grupos. Dois homens morreram.

Os incidentes ocorreram após uma visita de Odinga a Mathare para se encontrar com a família de uma menina de nove anos que morreu baleada na manhã de sábado quando estava na varanda no quarto andar de um prédio.

Odinga visitou o subúrbio de Kibera, onde, diante de milhares de apoiantes, afirmou que não aceitaria os resultados da eleição presidencial “roubada”, segundo ele, por Kenyatta.

“Ainda não perdemos. Não baixaremos a guarda. Esperem que anuncie o que deve ser feito, depois de amanhã”, assinalou no domingo.

Kenyatta foi reeleito presidente na noite de sexta-feira, para um segundo mandato de cinco anos, com 54,27% dos votos, frente a 44,74% de Odinga, segundo resultados oficiais. A oposição questiona os números.

Após o anúncio da vitória de Kenyatta, houve cenas de violência e saques em redutos da oposição, no Oeste do país e nos subúrbios de Nairobi, com um saldo de 16 mortos até a noite deste sábado.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou Odinga a enviar “uma mensagem clara a seus simpatizantes para que se abstenham de recorrer à violência”. União Europeia e Reino Unido também fez um apelo por moderação, e felicitaram Kenyatta por sua vitória.

A coligação opositora, Nasa, afirma que Odinga venceu as eleições, cujo resultado responde, segundo ela, a uma manipulação electrónica do sistema de transmissão da contagem de votos usado pela comissão eleitoral. Mas descartou recorrer à Suprema Corte, como fez, em vão, em 2013.

A derrota deste ano é a quarta em eleições presidenciais sofrida por Odinga, após as de 1997, 2007 e 2013.

Embora a repressão policial esteja sendo firme, o ministro do Interior, Fred Matiangi, garante que a polícia não lançou mão do “uso desproporcional da força contra nenhum manifestante, em nenhum lugar do país”.

Na manhã de domingo, em Mathare, um dos subúrbios de Nairobi mais afectados pela violência, comerciantes reabriam suas lojas.

“Queremos ouvir o que Raila tem a dizer. Será ele que nos guiará. Se nos disser para sair às ruas, sairemos. Se quiser que fiquemos em casa, ficaremos”, declarou o cabeleireiro de Humpfrey Songole, 25, horas antes de Odinga se pronunciar em Kibera.

Os distúrbios actuais diferem do conflito de há 10 anos, que deixou mais de 1,1 mil mortos e 600 mil deslocados. Apesar de reflectirem antigas divisões tribais, no momento estão circunscritos aos redutos da oposição.

O contexto político também é diferente: após as eleições de 2007, a maioria dos confrontos opuseram os kikuyu de Kenyatta aos kalenjin, etnias actualmente aliadas. De fato, o vice-presidente William Ruto é um kalenjin.

Actualmente, apenas a etnia luo, à qual pertence Odinga, parece estar mobilizada.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/7/33/Quenia-Lider-oposicao-promete-continuar-contestar-vitoria-Kenyatta,beec95fd-beae-4215-a628-30879fa6ce67.html

E Então, Quem é Cão Vira-Latas no Brasil?

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Reservas morais e intelectuais do naipe do economista Paulo Kliass, um dos colunistas do brilhante sítio na Internet da Revista Caros Amigos, foram achincalhadas nos anos do PT no governo federal.

Edu Montesanti 

Em junho de 2011, em uma análise do então partido neo-oligárquico no poder, Kliass observou sobre a agressividade petista em relação a toda e qualquer crítica no artigo Não ao Patrulhamento e ao Medo da Crítica:

“[Vigora hoje] a velha e conhecida chantagem do ‘quem não está comigo, então é porque está ‘contramigo’ [sic] (…) No interior do governo, e mesmo em algumas áreas do próprio movimento social, não se compreendia que a crítica era necessária justamente para que fossem apresentadas alternativas (…) Chega a ser mesmo surpreendente ler e ouvir as tentativas de algumas pessoas buscando defender o indefensável, justificar o injustificável. Quando se trata, então, de indivíduos cujo passado conhecemos e sabemos o que defendiam até anteontem, aí a coisa fica ainda mais triste ou esquisita. Imagino o que estariam a dizer e argumentar esses mesmos responsáveis pelo patrulhamento, caso tais políticas estivessem sendo desenvolvidas por outro governo, em um contexto em que estivessem na oposição. Mas agora, não! A coisa é diferente, pois se trata do ¿nosso governo¿, como acontece de eu ouvir, baixinho por aí, de alguns ainda envergonhados pelo argumento chinfrim”.

Em um passado não muito remoto, mesmo enquanto a ex-presidente Dilma (sim, em grande medida vítima de preconceito de gênero neste País reacionário por natureza) era “fritada”, especialmente nos anos em que Luiz Inácio era presidente e gozava de ampla popularidade, para e caricata esquerda brasileira era inadmissível qualquer crítica à sociedade brasileira: uma simples menção crítica neste sentido valia o raivoso título de “cão vira-latas”, dando a entender que o crítico sofria de complexo de inferioridade. Todos nos lembramos bem dessa chantagem psicológica, como observou Kliass.

Enquanto hoje abundam entre a própria “esquerda” brasileira delirante, no maior cinismo, as mesmas críticas à sociedade nacional que passou, repentinamente, a não prestar mais após o bico nos fundilhos do PT pela mesma oligarquia a quem ele outrora abraçou, este que escreve agora foi publicamente achincalhado quando escrevia no Observatório da Imprensa em 2013, tempos nada distantes: por observar a despolitização e falta de dedicação à leitura da sociedade brasileira em geral, um militante petista passou a fazer ataques pessoais no espaço de leitores, para posteriormente, em seu blog, voltar a atacar o autor nominalmente com fotos de cães vira-latas que, na opinião dele, retratavam a mentalidade deste que escreve. Hoje, este tipo de apontamento crítico é “fichinha” em comparação ao que andam dizendo do brasileiro em geral os militantes petistas.

Em outras oportunidades – quando o PT esteve no poder – tachado também por militantes do PT de reprodutor da versão da grande mídia, de desmerecedor imperialista da sociedade brasileira (!). Pois uma rápida busca nos arquivos deste autor em comparação ao que essa mesma “esquerda” anda agora dizendo, evidencia a profunda hipocrisia, o descarado mau-caratismo, o jogo baixo de muitos: muda-se de posição facilmente por medo, por interesses, ou por uma combinação de ambos como diz o romancista norte-americano David Zeman.

Ontem deslumbrados e raivosamente agarrados ao poder sobre seus  cães de guarda, hoje desesperados pela retomada do poder, a “esquerda” nacional vive de distração em distração (ela mesma o que – agora – tanto critica na outra vertente política) tem se “esquecido” de uma questão: como é possível que, em quase dois anos após Dilma ter começado a “balançar”, não se foi capaz de projetar ou ao menos colocar em discussão uma alternativa realmente popular no Brasil em relação ao mestre na retórica, Luiz Inácio? Note-se que uma simples menção de opção já gera a raiva de “esquerda” no País. Ou seja: a história não anda sendo capaz de dar lições ao nosso povo em geral.

Está-se há mais de um ano das eleições presidenciais – as quais nem se term certeza que ocorrerão -, enquanto se trata a questão de “luta” por Luiz Inácio “contra” as oligarquias como se estivéssemos em outubro de 2018, às vésperas do segundo turno eleitoral: excesso de fanatismo que cega o indivíduo, ou a desavergonhada defesa de interesses polítio-partidários segue imperando no País?

O óbvio: a “esquerda” tupiniquim não foi nem será capaz de sequer colocar em pauta uma alternativa popular muito mais que pela falência dos partidos políticos, mas porque as críticas que ela mesma anda tecendo à sociedade valem tanto para ela quanto para os outros segmentos sociais.

A ausência de uma sombra alternativa popular no Brasil justificam que este autor insista em destacar “esquerda” com aspas, e todos os adjetivos que, mesmo quando gozava do poder, aplicava, a saber: apática, inerte, sisuda, despolitizada, mesquinha, sectária, reacionária, rancorosa, corrupta.

Em epítome, a fim de ajudar a responder à questão derradeira, palavras do próprio Luiz Inácio a seguir, abraçado com as oligarquias as quais, nem poderia ser diferente neste País perdido, acabam gerando por parte de não poucos raiva e ódio… contra o comunicador que as divulga, e não contra o autor da gargalhada política abaixo!!

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) arrancou, na noite desta segunda-feira [dezembro de 2006], risos e aplausos de uma platéia formada por empresários e intelectuais ao, de certa forma, desmerecer a esquerda brasileira. Segundo ele, trata-se de uma ideologia típica da juventude.

“‘Se você conhece uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque está com problema’ [risos e aplausos]. ‘Se você conhecer uma pessoa muito nova de direita, é porque também está com problema’, afirmou o presidente depois de receber o prêmio ‘Brasileiro do Ano’ da revista IstoÉ.
“Lula explicou que, em sua opinião, as pessoas responsáveis tendem a, conforme amadurecem, abrir mão de suas convicções radicais para alcançar uma confluência. Tal fenômeno ele classificou de ‘evolução da espécie humana’.

“‘Quem é mais de direita vai ficando mais de centro, e quem é mais de esquerda vai ficando social-democrata, menos à esquerda. As coisas vão confluindo de acordo com a quantidade de cabelos brancos, e de acordo com a responsabilidade que você tem. Não tem outro jeito'”.+

Brasil: só podia dar no que deu, e só não percebeu quem não quis. Mas, afinal, diante das palavras acima em contexto, quem é cão vira-latas neste País mesmo?

O Brasil precisa, urgentemente, de uma alternativa popular autêntica!

http://port.pravda.ru/cplp/brasil/06-08-2017/43781-vira_latas-0/