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Eleições presidenciais no Senegal confirmaram o favoritismo

 

eleições 2019

Mais de 6,6 milhões de senegaleses participaram das eleições  para escolher o Presidente do país para os próximos cinco anos, que acabou reelegendo  o actual chefe de Estado, Macky Sall, do  país da África Ocidental que goza de uma democracia estável.

A segurança do escrutínio foi mantida por oito mil polícias, e cinco mil observadores, dos quais 900 estrangeiros, estiveram presentes nas mesas de voto.

Falando a agência de notícias francesa France-Presse, na sede da coligação presidencial, em Dakar, Mahammed Dionne disse que “os resultados permitem-nos dar os parabéns ao presidente Macky Sall pela sua reeleição”.

A agência de notícias espanhola EFE cita também o primeiro-ministro senegalês, que anunciou Macky Sal como vencedor, na primeira volta, das eleições presidenciais de domingo, com pelo menos 57 por cento dos votos, salvaguardando, no entanto, que a Comissão Eleitoral do país ainda não tinha revelado os resultados oficiais provisórios.

Também os órgãos de comunicação social locais colocavam Sal na liderança às primeiras horas da contagem dos votos – mas alguns não atribuíam os 51 por cento necessários para evitar uma segunda volta, o que levantou duras críticas dos candidatos da oposição por entenderem que só a Comissão Eleitoral pode adiantar resultados oficiais.

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Situado junto ao Atlântico, o Senegal tem uma população de 15,8 milhões de pessoas com uma média de idades de 19 anos.

O mandato de Sall ficou marcado por um crescimento económico e pelo desenvolvimento de infra-estruturas, embora as deficiências nos serviços básicos tenham sido motivo de protesto por parte dos senegaleses.

Segundo o Banco Mundial, a economia do Senegal tem vindo a apresentar um crescimento regular nos últimos anos, tendo, em 2017, registado um aumento de 7,2%, ficando acima dos 6% pelo terceiro ano consecutivo. Este crescimento foi potenciado por um plano de desenvolvimento que “impulsionou o investimento público e a atividade do sector privado”.

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Durante o atual mandato, Macky Sall focou-se na construção de infra-estruturas como um novo aeroporto internacional, a construção de estradas e de uma ligação ferroviária entre Dacar e a nova cidade de Diamniadio. Ainda assim, as deficiências em serviços primários, como a saúde e a educação, levaram à existência de várias greves e manifestações.

Com os últimos dados a apontarem para uma taxa de desemprego de 15,7% e uma taxa de pobreza cifrada em 47%, são grandes os desafios que o vencedor das eleições de hoje terá de enfrentar.

Antiga colónia francesa, o Senegal obteve a sua independência em Abril de 1960.

O Brasil tem sido um dos destinos dos imigrantes sengeleses, a procura de emprego, por melhores condições de vida. Nas ruas das grandes cidades como São Paulo , Porto Alegre há um padrão nas principais vias de circulação de pedestres: vários homens negros, em sequência, sentados em banquinhos, ao lado de uma lona esticada no chão com uma variedade de produtos exposta. Não exite uma estação de metrô em são Paulo em que não encontramos um senegalense vendendo produtos.

Nigéria: 190 milhões de pessoas a espera das eleições

nigeria cidadeA Nigéria, o país mais populoso de África, com 190 milhões de habitantes, e primeira potência petrolífera do continente, elege este sábado o seu Presidente, entre o incumbente, Muhammadu Buhari, e o líder da oposição, Atiku Abubakar.

Ao longo do último mês, Buhari, candidato do Congresso dos Progressistas (APC), e Abubakar, do Partido Popular Democrático (PDP), principal partido da oposição, percorreram os 36 estados do país, com recordes históricos de participações nos comícios, num sinal, segundo muitos especialistas e observadores, do abrandamento económico e da pobreza crescente, mais do que da popularidade de qualquer um dos dois pouco carismáticos candidatos.

Os comícios são antes de tudo uma oportunidade oferecida a muitos para se alimentarem, fazerem algum dinheiro, ou receberem os “presentes” lançados às multidões pelas equipas de campanha.

O país caiu na recessão económica entre 2016 e 2017, pouco depois da chegada ao poder de Muhammadu Buhari — que foi eleito em 2015 com a promessa de colocar o país a crescer 10% ao ano –, muito por força da queda dos preços do petróleo. A recuperação é ainda muito tímida. O produto interno bruto (PIB) nigeriano cresceu apenas 1,9% em 2018, de acordo com dados conhecidos hoje, e o Fundo Monetário Internacional estima que voltará a ser da mesma ordem (2%) em 2019.

O gigante africano é hoje o país que regista um maior número de pessoas a viver abaixo do estado de pobreza extrema (87 milhões), à frente da Índia, de acordo com o barómetro do World Poverty Clock.

“Meter a Nigéria a trabalhar outra vez (‘Make Nigeria work again’)” é o lema de Abubakar, que joga a carta da recuperação económica como principal trunfo diferenciador na sua quarta tentativa de ocupar o mais alto cargo da nação.

Antigo vice-presidente e empresário próspero, Abubakar defende uma política liberal para retirar a Nigéria da anemia económica, por exemplo, através da privatização de parte da companhia nacional de petróleo nigeriana, a Nigerian National Petroleum Corporation (NNPC), ou da flutuação da moeda, o naira.

Já Buhari defende o intervencionismo do Estado, a começar pelo banco central, através da fixação das taxas de câmbio, por exemplo, interditando as importações, ou estimulando o micro-crédito, com um programa de pequenos empréstimos livres de colaterais, de 24 a 75 euros, o “Trader Moni”, dirigido a dois milhões de pequenos comerciantes.

Abubakar fala para os mercados internacionais e a sua vitória, admitem analistas citados por várias agências, poderá finalmente inverter a tendência que faz da bolsa de valores nigeriana a que mais valor perdeu em todo o mundo desde que Buhari foi eleito.

A reputação de Abubakar está, porém, manchada por acusações persistentes de corrupção, que o próprio desmente com igual insistência, pelo que o ceticismo segue de mão dada com o otimismo dos investidores internacionais, e esta não é a melhor perspetiva para um país que viu o investimento direto estrangeiro cair para menos de metade dos valores verificados no início da década.

A outra carta que (não) se joga nestas eleições é a das clivagens étnicas e religiosas. A Nigéria é um país dividido entre o norte, maioritariamente muçulmano, e o sul, de domínio cristão, assim como entre três comunidades étnicas importantes — hauçá (25% da população), ioruba (21%) e igbo (18%) — de entre mais de 500 grupos étnicos e línguas diferentes.

A escolha do candidato presidencial na Nigéria tem sido baseada na região de origem ou na religião, mais do que nas ideias políticas, mas desta vez ambos os contendores, Buhari e Abubakar, são houçás e muçulmanos, pelo que a decisão não será tomada por força da religião ou etnia.

O número recorde de eleitores inscritos para as eleições gerais deste sábado — presidenciais, legislativas e para a escolha dos governadores — ascende aos 84 milhões (número que compara com 67,4 milhões no escrutínio de 2015, ainda que a participação não tenha ultrapassado os 43,65%), mas a afluência às urnas nestas eleições está ameaçada pelo surto de violência associada ao extremismo islâmico protagonizada pelo grupo rebelde Boko Haram.

As forças de segurança nigerianas anunciaram no final da semana passada terem já deslocado 95% dos efetivos que garantirão o voto seguro em todo o país, mas os ataques do grupo jihadista têm-se intensificado nos últimos dias, sobretudo no nordeste do país e este poderá ser um fator muito dissuasor da participação eleitoral, sobretudo nas regiões mais afetadas.

Buhari foi eleito em 2015 com a promessa de destruir os rebeldes do Boko Haram durante o mandato que agora chega ao fim. O facto, no entanto, é que o grupo terrorista se mantém como uma muito forte ameaça, e os seus ataques provocaram já 1,9 milhões de deslocados na Nigéria, segundo a Amnistia Internacional (AI).

Uma onda de ataques sucessivos no nordeste da Nigéria está na origem de cerca de 60 mil refugiados desde novembro, no que é o maior registo de refugiados dos últimos dois anos, e leva as Nações Unidas e as organizações não-governamentais a operar na região a temer uma reedição da crise do Boko Haram.

Desde o início da insurgência do Boko Haram em 2009, pelo menos 35 mil pessoas foram mortas. Os ataques na vasta região do lago Chade, que engloba partes dos Camarões, Chade, Niger e Nigéria, provocaram mais de 2,5 milhões de deslocados, incluindo 1,9 milhões internos na Nigéria e 250 refugiados nigerianos.

Apesar de o Governo nigeriano afirmar repetidamente que a ameaça jihadista foi minimizada, a realidade no terreno mostra o contrário e a preocupação é que a situação piore com as eleições gerais de 16 de fevereiro.

Fonte:https://www.dn.pt/lusa/interior/nigeriaeleicoes-gigante-africano-na-reta-final-para-escolher-o-proximo-presidente-10576125.html

O proximo presidente da Nigéria terá como desafio enfrentar a pobreza

 

A Nigéria prepara-se para ir às urnas no sábado em eleições gerais. Há mais de 70 candidatos à Presidência, mas apenas dois favoritos: o atual chefe de Estado, Muhammadu Buhari, e o rival Atiku Abubakar.

    
Wahlkampf Nigeria Wahlplakat APC (DW/T. Mösch)

Ao todo, 73 candidatos concorrem à Presidência da maior economia africana.

Mas, excetuando o atual chefe de Estado, Muhammadu Buhari, e o opositor Atiku Abubakar, nenhum dos candidatos restantes, aprovados pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (INEC) em meados de janeiro, terá hipóteses significativas de conquistar a Presidência.

Muitos são desconhecidos a nível nacional e poucos foram vistos na capital, Abuja. Não há sondagens confiáveis sobre a eleição de sábado, que deverá ser altamente renhida, e o resultado permanece incerto.

Mohammadu BuhariPresidente Muhammadu Buhari recandidata-se ao cargo

Na cidade natal de Buhari

Muhammadu Buhari, de 76 anos, concorre a um segundo mandato como candidato do Congresso dos Progressistas (APC).

Na sua cidade natal, Daura, no norte da Nigéria, há imagens de Buhari um pouco por todo o lado: o seu retrato pode ser visto não só nas ruas, como também pendurado nas paredes da sala de estar dos seus apoiantes.

“Ele é um homem bom”, resume Aliyu Rabe Daura, que trabalha para o governo estadual. “Da última vez que ele aqui esteve, em Daura, foi a pé da mesquita para a sua casa.”

Quando assumiu a Presidência, há quatro anos, Buhari declarou guerra à corrupção e ao terrorismo. Prometeu ainda fortalecer a economia. Mas as suas políticas de segurança são consideradas um fracasso.

Quem quer ser o próximo Presidente da Nigéria?

O grupo terrorista Boko Haram ataca cada vez mais comunidades, desde o final de 2018. Até ao início de fevereiro, cerca de 30 mil pessoas foram forçadas a fugir da cidade de Rann, no estado de Borno, para os vizinhos Camarões, segundo a organização Médicos Sem Fronteiras.

O primeiro mandato de Buhari também foi marcado por várias ausências devido a problemas de saúde.

Buhari assegura no seu programa eleitoral, de 14 páginas, que, nos últimos anos, foram estabelecidas as bases para uma Nigéria estável e próspera. E promete agora expandir as estradas, melhorar o fornecimento de energia e criar empregos. Mas essas são também promessas do seu principal rival.

As promessas de Atiku Abubakar

Atiku Abubakar, que entre 1999 e 2007 foi vice-Presidente da Nigéria, garante que, se for eleito, haverá mudanças no mercado de trabalho.

Segun Sowunmi, gerente de campanha eleitoral de Abubakar, diz que o seu chefe é o candidato ideal quando se trata de questões económicas: “África e especialmente a Nigéria têm um grande número de desempregados. Abubakar tem muita experiência na criação de empregos com as suas empresas. Ele criou 50 mil empregos diretos e outros 300 mil indiretos. Precisamos de empregos muito rapidamente”, afirma.

Nigeria, ehemaliger Vizepräsident Atiku AbubakarAtiku Abubakar promete mais empregos – tal como o seu rival Buhari

Abubakar, de 72 anos, criou um império com base em empresas que oferecem serviços de logística, petróleo e gás. Foi ainda o fundador da Universidade Americana da Nigéria em Yola.

Não se sabe em concreto quanta riqueza já acumulou, mas foi alvo de acusações de corrupção e branqueamento de capitais. Segundo um relatório do Senado norte-americano, com a ajuda da sua quarta esposa, Fatima Abubakar, o empresário levou, entre 2000 e 2008, cerca de 40 milhões de dólares para os Estados Unidos.

Na cidade de Daura, o cantor Mannir Abba compôs uma música para Atiku Abubakar e não poupa elogios ao candidato.

“Atiku é a melhor escolha. Tudo o que vê na minha cidade natal, Daura, foi criado durante o Governo do PDP, e não no atual Governo”, comenta.

Mais de 80 milhões de eleitores estão registados para escolher, no sábado (16.02), o próximo Presidente do país, além dos novos deputados e 36 governadores.

Segundo a comissão eleitoral, um em cada quatro eleitores é estudante ou está a realizar alguma formação profissional. 62% dos nigerianos têm menos de 25 anos. Os dois principais candidatos à Presidência poderiam facilmente ser seus avós.

Fonte:https://www.dw.com/pt-002/quem-quer-ser-o-pr%C3%B3ximo-presidente-da-nig%C3%A9ria/a-47513118

Eleições na Nigéria para presidente

000000000000nigeriastatesmapbA Nigéria, primeira potência petroleira da África e país mais populoso do continente com 190 milhões de habitantes, escolherá em eleições muito disputadas em 16 de fevereiro o seu presidente, entre o chefe de Estado em fim de mandato Muhamadu Buhari, e o líder da oposição, Atiku Abubakar, em uma campanha marcada pela morte de 15 pessoas na terça-feira em uma avalanche humana após um ato do primeiro.

O presidente em fim de mandato Buhari realizou no sábado o seu principal ato de campanha em Lagos diante de dezenas de milhares de pessoas.

Em contrapartida, o partido de Abubakar, que tinha previsto uma grande concentração em Abuja, teve que cancelá-la. Abubakar acusou o presidente Buhari e sua formação de estarem por trás da proibição de chegar o local previsto do ato, afirmação negada pelo partido no poder.

Durante um mês, Buhari, candidato do Congresso dos Progressistas (APC), e Abubakar, do Partido Popular Democrático (PDP), principal movimento de oposição, percorreram os 37 estados da Nigéria.

Ao menos 15 pessoas morreram na terça-feira em uma avalanche humana ao terminar um ato de Buhari, em um estádio de Port Harcourt (sudeste), quando a multidão tenta sair do local, informou um hospital nesta quarta.

“Foram levados 15 corpos (ao Hospital Universitário de Port Harcourt, estado de Rivers), três homens e 12 mulheres”, assinalou o porta-voz do hospital Kem-Daniel Elebiga.

“Doze sobreviventes” foram tratados ou estão em tratamento, acrescentou.

Mas aqueles que assistem a estas manifestações gigantescas podem obter algum dinheiro, comida ou “presentes” jogados pelas equipes de campanha para a multidão, o que relativiza seu caráter multitudinário.

A Nigéria mergulhou em uma recessão econômica entre 2016 e 2017, logo depois que Buhari chegou ao poder, e hoje o crescimento não está se recuperando.

O gigante da África é atualmente o país do mundo que tem o maior número de pessoas vivendo abaixo do limiar da extrema pobreza (87 milhões), à frente da Índia, de acordo com o World Poverty Clock.

O tema econômico centraliza a campanha e o opositor Abubakar prometeu em seu lema que “a Nigéria volte ao trabalho” (“Make Nigeria work again”).

Mas Buhari se posicionou como um político próximo ao povo, com sua medida “Trader Moni”, um sistema de microcrédito de 24 a 75 euros para os dois milhões de pequenos comerciantes nos mercados.

Na Nigéria, país dividido entre um sul predominantemente cristão e um norte dominado pelos muçulmanos, além de diversas comunidades, a escolha dos candidatos é geralmente baseada em sua região de origem, ou religião, do que em suas ideias e programa.

Mas este ano, os dois principais candidatos são muçulmanos e pertencem à mesma comunidade hausa, estabelecida no norte do país.

Fonte:https://www.dn.pt/lusa/interior/nigeriaeleicoes-gigante-africano-na-reta-final-para-escolher-o-proximo-presidente-10576125.html

Juventude nigeriana está pessimista em relação às eleições para presidente na Nigéria

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Pela primeira vez, os nigerianos nascidos depois da instauração da democracia em 1999, e após décadas de ditaduras militares, são chamados às urnas no próximo dia 16 para eleger o seu presidente.

Os jovens, porém, sentem-se excluídos do jogo político da maior economia africana, dominado por uma elite envelhecida. As presidenciais do próximo sábado serão disputadas por dois septuagenários, ligados aos dois partidos que dominam a política nigeriana, e os cerca de 60% da população com menos de 25 anos manifesta encontram poucas razões para votar.

O chefe de Estado cessante, Muhammadu Buhari, 76 anos – que já tinha ocupado o cadeira presidencial nos anos 80 na sequência de um golpe de Estado, e foi eleito em 2015 para um mandato de quatro anos –, enfrenta Atiku Abubakar, 72 anos, antigo vice-presidente entre 1999 e 2007.

“São sempre as mesmas mentiras, a mesma corrupção, não há nada que mude para nós”, diz à AFP um jovem vendedor de rua com 19 anos, Femi Edu, a propósito dos políticos que dividem entre si o poder desde o evento da democracia há 20 anos.

Femi Edu não irá votar. “Nós o que queremos é apenas trabalho, mas nem isso eles são capazes de nos dar”, diz este jovem desempregado que, como milhões de compatriotas, vive graças à economia informal.

Esta será a primeira vez que a geração de nigerianos nascidos depois das ditaduras militares pós-independência (1966-1999) podem exprimir-se nas urnas para eleger o próximo presidente, assim como os próximos deputados à Assembleia Nacional e os governadores.

O grupo de eleitores da faixa etária entre os 18 e os 35 anos assume-se neste escrutínio como o principal bloco do eleitorado, com 51% dos inscritos (43 milhões), e é o mais apetecido alvo de sedução dos candidatos, tanto nas redes sociais como na televisão.

À semelhança de Femi Edu, muitos jovens, porém, não acreditam nas promessas de quem se diz apostado em fazer erguer o gigante de pés de barro, gangrenado pela corrupção, que, apesar das imensas riquezas retiradas do petróleo, dificilmente assegura o mínimo de sobrevivência aos seus 190 milhões de habitantes.

“A `política é suja`: é isso que pensam os jovens. Eles têm a impressão de que o seu voto não conta”, diz à AFP a cantora Celeste Ojatula, 24 anos, que participa no programa Voice2rep, lançado pela sociedade civil para incitar os jovens nigerianos a votar.

Celeste Ojatula e uma dezena de outros jovens artistas participaram em três grandes concertos de rap e afrobeats gratuitos, cuja entrada foi aberta a todos os que apresentassem o cartão de eleitor.

“A maior parte apenas quer ir para longe daqui, estudar no Canadá e ter uma vida melhor”, acrescenta uma outra cantora, Chioma Ogbona, 30 anos. “O cartão de eleitor serve sobretudo para obterem um visto ou para abrirem conta num banco, não apenas para votar”, acrescenta.

A editorialista Tabia Princewill, também citada pela AFP, diz que a juventude educada e urbana partilha desencanto. “Os que votam são os mais pobres, os que estão mais em baixo na escada social. Como têm a barriga vazia, basta dar-lhes um saco de arroz que eles dão o seu voto”, explica. “Ainda é preciso uma ou duas gerações para que as coisas mudem mesmo”.

Após anos de lobbying intenso da sociedade civil, em maio de 2018 foi dado um passo importante para o envolvimento dos mais jovens na política ativa nigeriana, com a adoção da lei “Not too young to run” (não demasiado jovem para concorrer), que reduziu a idade limite dos candidatos às presidenciais de 40 para 35 anos e 35 para 30 para os candidatos a governador.

Chike Ukaegbu, com apenas 35 anos, não precisou de mais do que isto para se lançar na corrida presidencial. “Nunca tinha pensado nisto”, confessa o jovem empresário originário do sudeste do país, que vive entre a Nigéria e Nova Iorque.

“Deixámos de ter desculpa, já não podemos dizer que eles não querem saber de nós”, explica à AFP o benjamim entre os 73 candidatos declarados. “Estamos em maioria, cabe-nos a nós mudar a história da nossa nação”, acrescenta.

Muito poucos eleitores conhecem o seu rosto, por comparação com as caras dos candidatos favoritos, cujos outdoors gigantes e cartazes estão afixados em todas as grandes cidades do país.

Em parte por falta de meios, é, assim, através da internet e de mensagens pela Whatsapp que o candidato se dirige aos jovens — ainda que milhões de entre eles vivam em zonas remotas fora das grandes cidades, onde não chegam sequer as redes de telecomunicações.

Prince Bukunyi Olateru-Olagbegi, com apenas 27 anos, criou no ano passado o Partido Democrático Moderno (MDP), reclama ter alcançado já os 65 mil militantes, e é outro jovem protagonista nestas eleições, às quais concorre com dois candidatos às legislativas.

“Oferecer a esperança” é o seu programa, através de investimentos massivos na educação, criação de empregos e anulação das clivagens étnicas e religiosas.

Ganhar uma eleição presidencial na Nigéria é, no entanto, uma missão quase impossível sem patrocínio político e muito dinheiro, reconhece.

Por cada assento na Câmara dos Representantes, câmara baixa do Parlamento nigeriano, os dois principais partidos, Congresso dos Progressistas (APC, no poder) e o Partido Democrático do Povo (PDP), vão gastar até 150 milhões de nairas (mais de 360 mil euros) na campanha, garante Olateru-Olagbegi.

“Mas há que começar por algum lado”.

Fonte: https://www.rtp.pt/noticias/mundo/filhos-da-democracia-votam-pela-primeira-vez-na-nigeria_n1129129

A democracia moçambicana depende da desmilitarização

Desmilitarização da Renamo ainda levanta fortes dúvidas

Victor Carvalho

A questão da desmilitarização da Renamo, principal partido da oposição em Moçambique, ainda está a da que falar e a levantar algumas dúvidas entre os diferentes protagonistas no processo politico do país, uma vez que se trata de um assunto sensível e que pode afectar fortemente o processo politico ainda em curso

 

 

Fotografia: DR

Apesar de já ter assinado um memorando de entendimento com o governo, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, reclama especial cuidado na implementação do acordo de desmilitarização do seu braço armado, sublinhando que ele deve ser feito de forma digna e humanizada.

“A força residual da Renamo vai proceder à entrega das armas a um organismo previamente instituído para o efeito e será reintegrada na sociedade de forma digna e humanizada”, sublinhou Ossufo Momade, principal responsável do partido, quando falava em teleconferência para jornalistas.

O documento, assinado há uma semana por Ossufo Momade e pelo chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, prevê que a reintegração dos homens da Renamo na polícia aconteça depois da implementação política do acordo.

Ossufo Momade, sublinha os esforços que têm sido feitos pelo grupo de contacto e pela comunidade internacional que, segundo disse,  “não tem poupado esforços para o alcance da paz efetiva e a verdadeira reconciliação nacional”, mas exige que tudo seja feito com “absoluta transparência” para que “tudo seja feito nos parâmetros que estão estabelecidos”.

Este processo negocial entre o Governo moçambicano e a Renamo começou há um ano, quando Filipe Nyusi se deslocou à Gorongosa, no centro de Moçambique, para uma reunião com o então líder da Renamo, Afonso Dhlakama, no dia 6 de Agosto do ano passado, num encontro que ficou selado por um caloroso aperto de mãos.

Além do desarmamento e integração dos homens do braço armado do maior partido de oposição nas forças armadas e na polícia, a agenda negocial entre Nyusi e Dhlakama, que faleceu no dia 3 de Março, envolvia também a descentralização de poder, ponto que já foi ultrapassado com uma revisão da Constituição aprovada no passado mês de Julho.

EUA destacou o empenho de Dhkalama

A embaixada dos EUA em Maputo destacou hoje o empenho de Afonso Dhlakama na busca da democracia e paz em Moçambique, encorajando a Renamo e o Governo a honrarem o legado do político.
EUA destacam empenho do líder da Renamo pela democracia e paz

“Através de um esforço conjunto, primeiro com o Presidente Joaquim Chissano e mais recentemente com o Presidente Filipe Jacinto Nyusi, Afonso Dhlakama provou a Moçambique e ao mundo que estava empenhado em alcançar a democracia e uma paz duradoura”, diz a embaixada norte-americana, em comunicado hoje divulgado em Maputo.

A nota prossegue assinalando que, mesmo nos seus últimos dias, o líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) trabalhou perseverantemente para promover os objectivos da descentralização e desmilitarização do braço armado do principal partido da oposição.

“Encorajamos os líderes da Renamo e os seus interlocutores no Governo da República de Moçambique a honrar o legado de Afonso Dhlakama, ao concluir este grande projecto pelo qual dedicou os últimos anos da sua vida”, lê-se no comunicado.

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, morreu na quinta-feira pelas 08:00, aos 65 anos, na Serra da Gorongosa, devido a complicações de saúde.

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, referiu à Televisão de Moçambique (TVM) que foram feitas tentativas para o transferir por via aérea para receber assistência médica no estrangeiro, mas sem sucesso.

Fontes partidárias contaram à Lusa que o presidente do principal partido da oposição moçambicana faleceu quando um helicóptero já tinha aterrado nas imediações da residência, na Gorongosa.

O seu corpo encontra-se desde a madrugada na morgue do Hospital Central da cidade da Beira.

https://noticias.sapo.mz/actualidade/artigos/eua-destacam-empenho-do-lider-da-renamo-pela-democracia-e-paz

Jornal The Guardian da Nigéria : “Lula do Brasil passa primeiro dia na prisão, já esperando sair”

6 horas atrás

O esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva serviu no primeiro dia de uma sentença de 12 anos de prisão por corrupção no domingo, mas já esperava sua saída para os tribunais nesta semana, ameaçando estender o drama antes das eleições presidenciais.

O homem de 72 anos, que cumpriu dois mandatos como chefe de Estado entre 2003 e 2010, entrou na prisão em Curitiba no sábado, tornando-se o primeiro ex-presidente do Brasil a ser preso por condenação criminal.

Sua cela está localizada no mesmo prédio da polícia federal que serve de base para as operações de “Car Wash”, a ampla investigação anti-enxerto que o derrubou.

Desde a Segunda Guerra Mundial, os presidentes do Brasil muitas vezes acabam em apuros – acusados, derrubados por um golpe e até mesmo por um suicídio -, mas Lula é o primeiro a ser condenado e preso.

Ele foi considerado culpado no ano passado por aceitar um apartamento de luxo como suborno de uma construtora e é o maior couro cabeludo até agora na investigação “Car Wash”. Ele insiste em sua inocência e diz que foi enquadrado para impedi-lo de concorrer nas eleições presidenciais de outubro, nas quais as pesquisas mostram que ele está na vanguarda.

Mas pode haver surpresas pela frente, com um desenvolvimento legal potencialmente explosivo ocorrendo já na quarta-feira, quando a Suprema Corte poderá rever a atual lei sobre o encarceramento durante os apelos, informou a mídia local.

Do jeito que as coisas estão, qualquer um condenado e perdendo um primeiro apelo, como no caso de Lula, deve conduzir novos apelos da prisão.

Mas há pressão para mudar isso para que os apelos do tribunal superior possam ser buscados em liberdade – o que poderia fornecer um alívio para Lula.

– “Tudo é possível” –
Os analistas são rápidos em apontar que, dada a história de mudanças rápidas e inesperadas do país, tudo pode acontecer.

“No Brasil, tudo é possível, para que ele pudesse passar uma semana na prisão e, em seguida, um juiz do Supremo Tribunal Federal poderia mandá-lo para prisão domiciliar, por exemplo”, disse Oliver Stuenkel, especialista em relações internacionais da Fundação Getulio Vargas. em São Paulo.

“Por um longo tempo, temos vivido com o inédito, por isso é muito difícil prever o que vai acontecer”, disse ele à AFP.

Com seis meses até a eleição presidencial no Brasil, e Lula ainda na liderança, as apostas são altas.

“Da prisão, ele continuará exercendo sua influência e também poderá explorar o simbolismo de sua vitimização”, disse Andre Cesar, analista da consultoria política Hold.

Estar preso quase certamente significa que Lula estará fora das eleições presidenciais de outubro, abrindo a disputa. Nas pesquisas, ele pontua mais do que o dobro de seus rivais mais próximos.

– Cuba, Venezuela atacam o aprisionamento de Lula provocou uma enxurrada de protestos da esquerda de Cuba e da Venezuela, que denunciaram que ele era uma trama política para afastá-lo da corrida presidencial de outubro, com Caracas dizendo que ele foi “vítima de uma inquisição judicial”. ”

Havana seguiu uma linha similar, dizendo que Lula havia sofrido “perseguição injusta” nas mãos do sistema político, do judiciário e da mídia.

Enquanto isso, em Curitiba, cerca de 150 dos fiéis apoiadores de Lula ainda estavam reunidos perto da prisão, onde a presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, disse a eles que a cidade se tornaria um centro de ação política para sua libertação.

Lula “não é um prisioneiro normal, ele é um prisioneiro político, o primeiro desde o ressurgimento da democracia” em 1985, disse ela.

“Curitiba será o centro da nossa ação política. Só sairemos quando Lula sair. Esta vigília será permanente.

Autoridades da Central Única dos Trabalhadores (CUT), maior federação sindical do Brasil, disseram que esperavam a chegada de dezenas de comboios, trazendo adeptos de todo o país.

Do palácio à cela de prisão
Mas outras pessoas da cidade expressaram satisfação pelo destino do ex-presidente, tirando fotos em frente à prisão, que chamaram de “casa de Lula”.

“Deixe Lula ficar lá por muito tempo e todo o seu bando com ele. Ele merece ”, disse o empresário Mauro Celli, 49 anos.

“A justiça foi feita neste país”, disse Glaucio Zeni, 53 anos.

A nova casa de Lula, uma cela de aproximadamente 15 metros quadrados, é quase luxuosa pelos padrões das prisões muitas vezes violentas e desesperadamente superlotadas do Brasil.

Tem seu próprio banheiro privado e chuveiro quente – e até mesmo uma televisão, disseram as autoridades, para que ele possa assistir seu time de futebol favorito, o Corinthians, enfrentando o Palmeiras na final do campeonato paulista.

Fonte:https://guardian.ng/news/brazils-lula-spends-first-day-in-prison-already-hoping-to-get-out/

Guiné em busca de superar a crise politica

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O governo da Guiné deve garantir que suas forças de segurança atuem com moderação e respeito para preservar a vida humana em resposta aos protestos da oposição, disseram hoje a Human Rights Watch e a Anistia Internacional. Desde as eleições locais de 4 de fevereiro de 2018, pelo menos 15 pessoas foram mortas e dezenas de feridos em confrontos entre as forças de segurança, os manifestantes da oposição e os partidários do governo. Líderes da oposição suspenderam os protestos no final de semana da Páscoa, mas disseram que retomarão o dia 5 de abril.

Um aumento da retórica cada vez mais divisora ​​de todos os lados da divisão política, incluindo incidentes de discurso de ódio nas mídias sociais, aumentou a tensão social e criou o risco de mais violência. As autoridades devem tomar medidas imediatas para coibir o uso do discurso de ódio e os partidos políticos devem condenar os membros que o usam.

“Desde o início de 2018, a violência política mortal tem aumentado, levando a uma dolorosa perda de vidas e propriedades na capital da Guiné e além”, disse Corinne Dufka, diretora da Human Rights Watch na África Ocidental. “Como a Guiné se prepara para novas manifestações, é vital que as forças de segurança provem que podem agir imparcial e profissionalmente para facilitar as manifestações e proteger a oposição e os apoiadores do governo.”

A violência política na Guiné é alimentada por profundas divisões étnicas, com o partido no poder, o Rally do Partido Popular Guineense (Rassemblement du Peuple de Guinée, ou RPG), dominado pela etnia Malinké. Os apoiantes do maior partido de oposição, a União das Forças Democráticas da Guiné (União das Forças Democráticas da Guiné, ou UFDG) são em grande parte retirados do grupo étnico Peuhl.

As eleições locais da Guiné – a primeira desde 2005 – foram adiadas repetidamente desde 2010, quando o governo e a oposição não chegaram a um acordo sobre como organizá-las. A Comissão Eleitoral anunciou em 21 de fevereiro que o RPG havia ganho 3.284 assentos no conselho para os 2.156 da UFDG. Os vereadores eleitos, que também incluem centenas de representantes de partidos menores e candidatos independentes, elegerão agora prefeitos nas 342 comunas da Guiné.F039041A

Embora o dia das eleições fosse relativamente pacífico, no dia seguinte a oposição acusou o partido do poder de fraude eleitoral. A Comissão Eleitoral defendeu os resultados eleitorais, mas os partidários da oposição realizaram protestos semanais nas ruas, estabelecendo barreiras nos subúrbios de Conakry, a capital.guinee-conakry-regions

Várias manifestações corresponderam a uma greve de professores de um mês sobre remuneração e condições, e protestos estudantis sobre o fechamento de escolas devido à greve. Embora o governo tenha fechado um acordo para acabar com a greve dos professores em 13 de março, os líderes da oposição disseram em 23 de março que os protestos contra os resultados das eleições locais continuariam.aaaaguinee

As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo e, em alguns casos, munição, para dispersar os manifestantes e responder à violência dos manifestantes. Esses confrontos levaram à morte de pelo menos nove manifestantes ou espectadores, incluindo quatro pessoas assassinadas em 14 de março, e um gendarme que um porta-voz da polícia disse ter sido morto por uma pedra lançada por um manifestante em 19 de fevereiro.

As forças de segurança da Guiné têm uma história de usar força desnecessária e excessiva – muitas vezes resultando na perda de vidas – e sem neutralidade política. Enquanto isso, o governo alega que, nos últimos anos, pedras lançadas por manifestantes ou objetos pontiagudos de estilingues feriram e, em alguns casos, mataram membros da força de segurança e que alguns manifestantes carregam armas.

As tensões políticas também levaram à violência entre a oposição e os apoiadores do governo, disseram a Human Rights Watch e a Anistia Internacional. Um suposto incêndio criminoso em 5 de fevereiro matou cinco pessoas, incluindo quatro crianças, após confrontos entre o governo e partidários da oposição em Kalinko.

Líderes da oposição também pediram uma investigação sobre um incêndio em 17 de março no mercado de Madina, em Conakry, que destruiu centenas de lojas e quiosques, alegando que os partidários do governo haviam ameaçado atingir o mercado. O governo disse que a investigação sobre a causa do incêndio está em andamento, mas suspeitam que o incêndio tenha sido causado acidentalmente por um curto-circuito elétrico. A Human Rights Watch e a Anistia Internacional documentaram, desde 2010, a destruição de propriedade nos mercados por multidões associadas ao partido no poder, muitas vezes junto com membros das forças de segurança e, em menor escala, por partidários da oposição. Em 12 de março, os manifestantes vandalizaram meios de comunicação em Conakry.g

Os monitores de mídia, incluindo a Associação Guineense de Blogueiros, levantaram preocupações sobre um, que se refere à defesa do ódio nacional, racial ou religioso para incitar violência, hostilidade ou discriminação.

O governo tomou medidas preliminares para reduzir a tensão nas comunidades e garantir a responsabilização por supostos abusos. Em 14 de março, Gassama Diaby, ministro da unidade nacional e da cidadania, prometeu justiça às vítimas de violência durante as manifestações e disse que a Ordem dos Advogados guineenses forneceria advogados para as famílias das vítimas. Grupos de direitos humanos, incluindo a Human Rights Watch e a Anistia Internacional, escreveram para Diaby em 20 de março para apoiar a iniciativa e pedir a ele que cumprisse essas promessas.

Em 6 de março, Diaby também anunciou a criação de um comitê para monitorar o potencial discurso de ódio na mídia e na internet. Ele pediu um processo judicial contra um ministro do governo que, em discurso no dia 20 de fevereiro, disse aos membros do partido governista que eles deveriam “se vingar” dos responsáveis ​​por tumultos e danos materiais depois das eleições locais. Ao policiar o discurso do ódio, o governo guineense deve se referir ao Plano de Ação de Rabat, um conjunto de diretrizes apoiadas pela ONU que discutem como evitar a incitação à violência, hostilidade ou discriminação, ao mesmo tempo em que protegem a liberdade de expressão.

O governo também deve orientar todos os membros da força de segurança a respeitar os Princípios Básicos da ONU sobre o Uso da Força e Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis ​​pela Aplicação da Lei e pelas Diretrizes da Comissão Africana sobre Direitos Humanos e Povos nas Assembléias de Policiamento na África. aplicação prática desses princípios. Membros da força de segurança envolvidos em crimes graves e manifestantes que cometerem violência devem ser levados à justiça em julgamentos justos.

“Dada a longa história da Guiné em confrontos relacionados às eleições, o risco de mais violência continua alto”, disse François Patuel, Pesquisador da Anistia Internacional na África Ocidental. “O governo deveria enviar uma mensagem que os abusos de direitos humanos cometidos no contexto de manifestações serão investigados imparcialmente e processados ​​em julgamentos justos. Os líderes políticos na Guiné também devem fazer declarações públicas claras e fortes, nos níveis mais altos de cada partido, denunciando violência comunitária e discurso de ódio “.

Fonte:http://allafrica.com/stories/201803300110.html

Julius Maada Bio é o novo presidente de Serra Leoa

O candidato da oposição, Julius Maada Bio, foi proclamado vencedor da segundo turno das eleições realizadas sábado na Serra Leoa, anunciou quarta-feira a Comissão Nacional Eleitoral (NEC), tendo já sido ontem empossado numa cerimónia que decorreu num hotel da capital, Freetown.

Julius Maada Bio anuncia o começo de nova era para Serra Leoa
Fotografia: DR

Julius Bio, antigo militar golpista e líder do Partido Popular da Serra Leoa (SLPP), obteve 51,81 por cento dos votos, enquanto Samura Kamara, ex-ministro das Relações Exteriores e Finanças do Congresso de Todo o Povo (APC), no poder, terminou com 48,19 por cento, de acordo com os resultados divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral (NEC).
Ontem, o novo Presidente tomou posse num hotel de Freetown perante o presidente do Tribunal Supremo, Abdulai Hamid Charm.
Ernest Bai Koroma cumpriu dois mandatos de cinco anos e, face à Constituição, não se podia recandidatar.
Desde a Independência, em 1961, que os partidos APC e o SLPP alternam no poder neste país africano de cerca de sete milhões de habitantes.
Entre 1991 e 2002 o território foi devastado por uma guerra civil que causou 120 mil mortos e milhares de refugiados e de deslocados.
Os dois partidos contam com o apoio nas suas respectivas regiões, num país onde as preferências políticas geralmente coincidem com as etnias. A situação económica e social da Serra Leoa sofreu as consequências da queda do preço das matérias-primas e de uma epidemia de ébola  entre 2014 e 2016.  As condições de vida da população continuam a ser muito precárias, apesar de o país ter enormes reservas de minerais, em particular ferro e diamantes.
Na primeiro turno das eleições,  a 7 de Março, Julius Maada Bio obteve 43,3 por cento dos votos, enquanto  Samura Kamara registou 42,7 por cento. No seu discurso de tomada de posse, o novo Presidente afirmou que a Serra Leoa está a assistir ao início de uma nova era.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/oposicao_elege_novo_presidente