Eleições presidenciais no Senegal confirmaram o favoritismo

 

eleições 2019

Mais de 6,6 milhões de senegaleses participaram das eleições  para escolher o Presidente do país para os próximos cinco anos, que acabou reelegendo  o actual chefe de Estado, Macky Sall, do  país da África Ocidental que goza de uma democracia estável.

A segurança do escrutínio foi mantida por oito mil polícias, e cinco mil observadores, dos quais 900 estrangeiros, estiveram presentes nas mesas de voto.

Falando a agência de notícias francesa France-Presse, na sede da coligação presidencial, em Dakar, Mahammed Dionne disse que “os resultados permitem-nos dar os parabéns ao presidente Macky Sall pela sua reeleição”.

A agência de notícias espanhola EFE cita também o primeiro-ministro senegalês, que anunciou Macky Sal como vencedor, na primeira volta, das eleições presidenciais de domingo, com pelo menos 57 por cento dos votos, salvaguardando, no entanto, que a Comissão Eleitoral do país ainda não tinha revelado os resultados oficiais provisórios.

Também os órgãos de comunicação social locais colocavam Sal na liderança às primeiras horas da contagem dos votos – mas alguns não atribuíam os 51 por cento necessários para evitar uma segunda volta, o que levantou duras críticas dos candidatos da oposição por entenderem que só a Comissão Eleitoral pode adiantar resultados oficiais.

images

Situado junto ao Atlântico, o Senegal tem uma população de 15,8 milhões de pessoas com uma média de idades de 19 anos.

O mandato de Sall ficou marcado por um crescimento económico e pelo desenvolvimento de infra-estruturas, embora as deficiências nos serviços básicos tenham sido motivo de protesto por parte dos senegaleses.

Segundo o Banco Mundial, a economia do Senegal tem vindo a apresentar um crescimento regular nos últimos anos, tendo, em 2017, registado um aumento de 7,2%, ficando acima dos 6% pelo terceiro ano consecutivo. Este crescimento foi potenciado por um plano de desenvolvimento que “impulsionou o investimento público e a atividade do sector privado”.

mapa-senegal

Durante o atual mandato, Macky Sall focou-se na construção de infra-estruturas como um novo aeroporto internacional, a construção de estradas e de uma ligação ferroviária entre Dacar e a nova cidade de Diamniadio. Ainda assim, as deficiências em serviços primários, como a saúde e a educação, levaram à existência de várias greves e manifestações.

Com os últimos dados a apontarem para uma taxa de desemprego de 15,7% e uma taxa de pobreza cifrada em 47%, são grandes os desafios que o vencedor das eleições de hoje terá de enfrentar.

Antiga colónia francesa, o Senegal obteve a sua independência em Abril de 1960.

O Brasil tem sido um dos destinos dos imigrantes sengeleses, a procura de emprego, por melhores condições de vida. Nas ruas das grandes cidades como São Paulo , Porto Alegre há um padrão nas principais vias de circulação de pedestres: vários homens negros, em sequência, sentados em banquinhos, ao lado de uma lona esticada no chão com uma variedade de produtos exposta. Não exite uma estação de metrô em são Paulo em que não encontramos um senegalense vendendo produtos.

Nigéria: 190 milhões de pessoas a espera das eleições

nigeria cidadeA Nigéria, o país mais populoso de África, com 190 milhões de habitantes, e primeira potência petrolífera do continente, elege este sábado o seu Presidente, entre o incumbente, Muhammadu Buhari, e o líder da oposição, Atiku Abubakar.

Ao longo do último mês, Buhari, candidato do Congresso dos Progressistas (APC), e Abubakar, do Partido Popular Democrático (PDP), principal partido da oposição, percorreram os 36 estados do país, com recordes históricos de participações nos comícios, num sinal, segundo muitos especialistas e observadores, do abrandamento económico e da pobreza crescente, mais do que da popularidade de qualquer um dos dois pouco carismáticos candidatos.

Os comícios são antes de tudo uma oportunidade oferecida a muitos para se alimentarem, fazerem algum dinheiro, ou receberem os “presentes” lançados às multidões pelas equipas de campanha.

O país caiu na recessão económica entre 2016 e 2017, pouco depois da chegada ao poder de Muhammadu Buhari — que foi eleito em 2015 com a promessa de colocar o país a crescer 10% ao ano –, muito por força da queda dos preços do petróleo. A recuperação é ainda muito tímida. O produto interno bruto (PIB) nigeriano cresceu apenas 1,9% em 2018, de acordo com dados conhecidos hoje, e o Fundo Monetário Internacional estima que voltará a ser da mesma ordem (2%) em 2019.

O gigante africano é hoje o país que regista um maior número de pessoas a viver abaixo do estado de pobreza extrema (87 milhões), à frente da Índia, de acordo com o barómetro do World Poverty Clock.

“Meter a Nigéria a trabalhar outra vez (‘Make Nigeria work again’)” é o lema de Abubakar, que joga a carta da recuperação económica como principal trunfo diferenciador na sua quarta tentativa de ocupar o mais alto cargo da nação.

Antigo vice-presidente e empresário próspero, Abubakar defende uma política liberal para retirar a Nigéria da anemia económica, por exemplo, através da privatização de parte da companhia nacional de petróleo nigeriana, a Nigerian National Petroleum Corporation (NNPC), ou da flutuação da moeda, o naira.

Já Buhari defende o intervencionismo do Estado, a começar pelo banco central, através da fixação das taxas de câmbio, por exemplo, interditando as importações, ou estimulando o micro-crédito, com um programa de pequenos empréstimos livres de colaterais, de 24 a 75 euros, o “Trader Moni”, dirigido a dois milhões de pequenos comerciantes.

Abubakar fala para os mercados internacionais e a sua vitória, admitem analistas citados por várias agências, poderá finalmente inverter a tendência que faz da bolsa de valores nigeriana a que mais valor perdeu em todo o mundo desde que Buhari foi eleito.

A reputação de Abubakar está, porém, manchada por acusações persistentes de corrupção, que o próprio desmente com igual insistência, pelo que o ceticismo segue de mão dada com o otimismo dos investidores internacionais, e esta não é a melhor perspetiva para um país que viu o investimento direto estrangeiro cair para menos de metade dos valores verificados no início da década.

A outra carta que (não) se joga nestas eleições é a das clivagens étnicas e religiosas. A Nigéria é um país dividido entre o norte, maioritariamente muçulmano, e o sul, de domínio cristão, assim como entre três comunidades étnicas importantes — hauçá (25% da população), ioruba (21%) e igbo (18%) — de entre mais de 500 grupos étnicos e línguas diferentes.

A escolha do candidato presidencial na Nigéria tem sido baseada na região de origem ou na religião, mais do que nas ideias políticas, mas desta vez ambos os contendores, Buhari e Abubakar, são houçás e muçulmanos, pelo que a decisão não será tomada por força da religião ou etnia.

O número recorde de eleitores inscritos para as eleições gerais deste sábado — presidenciais, legislativas e para a escolha dos governadores — ascende aos 84 milhões (número que compara com 67,4 milhões no escrutínio de 2015, ainda que a participação não tenha ultrapassado os 43,65%), mas a afluência às urnas nestas eleições está ameaçada pelo surto de violência associada ao extremismo islâmico protagonizada pelo grupo rebelde Boko Haram.

As forças de segurança nigerianas anunciaram no final da semana passada terem já deslocado 95% dos efetivos que garantirão o voto seguro em todo o país, mas os ataques do grupo jihadista têm-se intensificado nos últimos dias, sobretudo no nordeste do país e este poderá ser um fator muito dissuasor da participação eleitoral, sobretudo nas regiões mais afetadas.

Buhari foi eleito em 2015 com a promessa de destruir os rebeldes do Boko Haram durante o mandato que agora chega ao fim. O facto, no entanto, é que o grupo terrorista se mantém como uma muito forte ameaça, e os seus ataques provocaram já 1,9 milhões de deslocados na Nigéria, segundo a Amnistia Internacional (AI).

Uma onda de ataques sucessivos no nordeste da Nigéria está na origem de cerca de 60 mil refugiados desde novembro, no que é o maior registo de refugiados dos últimos dois anos, e leva as Nações Unidas e as organizações não-governamentais a operar na região a temer uma reedição da crise do Boko Haram.

Desde o início da insurgência do Boko Haram em 2009, pelo menos 35 mil pessoas foram mortas. Os ataques na vasta região do lago Chade, que engloba partes dos Camarões, Chade, Niger e Nigéria, provocaram mais de 2,5 milhões de deslocados, incluindo 1,9 milhões internos na Nigéria e 250 refugiados nigerianos.

Apesar de o Governo nigeriano afirmar repetidamente que a ameaça jihadista foi minimizada, a realidade no terreno mostra o contrário e a preocupação é que a situação piore com as eleições gerais de 16 de fevereiro.

Fonte:https://www.dn.pt/lusa/interior/nigeriaeleicoes-gigante-africano-na-reta-final-para-escolher-o-proximo-presidente-10576125.html

O proximo presidente da Nigéria terá como desafio enfrentar a pobreza

 

A Nigéria prepara-se para ir às urnas no sábado em eleições gerais. Há mais de 70 candidatos à Presidência, mas apenas dois favoritos: o atual chefe de Estado, Muhammadu Buhari, e o rival Atiku Abubakar.

    
Wahlkampf Nigeria Wahlplakat APC (DW/T. Mösch)

Ao todo, 73 candidatos concorrem à Presidência da maior economia africana.

Mas, excetuando o atual chefe de Estado, Muhammadu Buhari, e o opositor Atiku Abubakar, nenhum dos candidatos restantes, aprovados pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (INEC) em meados de janeiro, terá hipóteses significativas de conquistar a Presidência.

Muitos são desconhecidos a nível nacional e poucos foram vistos na capital, Abuja. Não há sondagens confiáveis sobre a eleição de sábado, que deverá ser altamente renhida, e o resultado permanece incerto.

Mohammadu BuhariPresidente Muhammadu Buhari recandidata-se ao cargo

Na cidade natal de Buhari

Muhammadu Buhari, de 76 anos, concorre a um segundo mandato como candidato do Congresso dos Progressistas (APC).

Na sua cidade natal, Daura, no norte da Nigéria, há imagens de Buhari um pouco por todo o lado: o seu retrato pode ser visto não só nas ruas, como também pendurado nas paredes da sala de estar dos seus apoiantes.

“Ele é um homem bom”, resume Aliyu Rabe Daura, que trabalha para o governo estadual. “Da última vez que ele aqui esteve, em Daura, foi a pé da mesquita para a sua casa.”

Quando assumiu a Presidência, há quatro anos, Buhari declarou guerra à corrupção e ao terrorismo. Prometeu ainda fortalecer a economia. Mas as suas políticas de segurança são consideradas um fracasso.

Quem quer ser o próximo Presidente da Nigéria?

O grupo terrorista Boko Haram ataca cada vez mais comunidades, desde o final de 2018. Até ao início de fevereiro, cerca de 30 mil pessoas foram forçadas a fugir da cidade de Rann, no estado de Borno, para os vizinhos Camarões, segundo a organização Médicos Sem Fronteiras.

O primeiro mandato de Buhari também foi marcado por várias ausências devido a problemas de saúde.

Buhari assegura no seu programa eleitoral, de 14 páginas, que, nos últimos anos, foram estabelecidas as bases para uma Nigéria estável e próspera. E promete agora expandir as estradas, melhorar o fornecimento de energia e criar empregos. Mas essas são também promessas do seu principal rival.

As promessas de Atiku Abubakar

Atiku Abubakar, que entre 1999 e 2007 foi vice-Presidente da Nigéria, garante que, se for eleito, haverá mudanças no mercado de trabalho.

Segun Sowunmi, gerente de campanha eleitoral de Abubakar, diz que o seu chefe é o candidato ideal quando se trata de questões económicas: “África e especialmente a Nigéria têm um grande número de desempregados. Abubakar tem muita experiência na criação de empregos com as suas empresas. Ele criou 50 mil empregos diretos e outros 300 mil indiretos. Precisamos de empregos muito rapidamente”, afirma.

Nigeria, ehemaliger Vizepräsident Atiku AbubakarAtiku Abubakar promete mais empregos – tal como o seu rival Buhari

Abubakar, de 72 anos, criou um império com base em empresas que oferecem serviços de logística, petróleo e gás. Foi ainda o fundador da Universidade Americana da Nigéria em Yola.

Não se sabe em concreto quanta riqueza já acumulou, mas foi alvo de acusações de corrupção e branqueamento de capitais. Segundo um relatório do Senado norte-americano, com a ajuda da sua quarta esposa, Fatima Abubakar, o empresário levou, entre 2000 e 2008, cerca de 40 milhões de dólares para os Estados Unidos.

Na cidade de Daura, o cantor Mannir Abba compôs uma música para Atiku Abubakar e não poupa elogios ao candidato.

“Atiku é a melhor escolha. Tudo o que vê na minha cidade natal, Daura, foi criado durante o Governo do PDP, e não no atual Governo”, comenta.

Mais de 80 milhões de eleitores estão registados para escolher, no sábado (16.02), o próximo Presidente do país, além dos novos deputados e 36 governadores.

Segundo a comissão eleitoral, um em cada quatro eleitores é estudante ou está a realizar alguma formação profissional. 62% dos nigerianos têm menos de 25 anos. Os dois principais candidatos à Presidência poderiam facilmente ser seus avós.

Fonte:https://www.dw.com/pt-002/quem-quer-ser-o-pr%C3%B3ximo-presidente-da-nig%C3%A9ria/a-47513118

Eleições na Nigéria para presidente

000000000000nigeriastatesmapbA Nigéria, primeira potência petroleira da África e país mais populoso do continente com 190 milhões de habitantes, escolherá em eleições muito disputadas em 16 de fevereiro o seu presidente, entre o chefe de Estado em fim de mandato Muhamadu Buhari, e o líder da oposição, Atiku Abubakar, em uma campanha marcada pela morte de 15 pessoas na terça-feira em uma avalanche humana após um ato do primeiro.

O presidente em fim de mandato Buhari realizou no sábado o seu principal ato de campanha em Lagos diante de dezenas de milhares de pessoas.

Em contrapartida, o partido de Abubakar, que tinha previsto uma grande concentração em Abuja, teve que cancelá-la. Abubakar acusou o presidente Buhari e sua formação de estarem por trás da proibição de chegar o local previsto do ato, afirmação negada pelo partido no poder.

Durante um mês, Buhari, candidato do Congresso dos Progressistas (APC), e Abubakar, do Partido Popular Democrático (PDP), principal movimento de oposição, percorreram os 37 estados da Nigéria.

Ao menos 15 pessoas morreram na terça-feira em uma avalanche humana ao terminar um ato de Buhari, em um estádio de Port Harcourt (sudeste), quando a multidão tenta sair do local, informou um hospital nesta quarta.

“Foram levados 15 corpos (ao Hospital Universitário de Port Harcourt, estado de Rivers), três homens e 12 mulheres”, assinalou o porta-voz do hospital Kem-Daniel Elebiga.

“Doze sobreviventes” foram tratados ou estão em tratamento, acrescentou.

Mas aqueles que assistem a estas manifestações gigantescas podem obter algum dinheiro, comida ou “presentes” jogados pelas equipes de campanha para a multidão, o que relativiza seu caráter multitudinário.

A Nigéria mergulhou em uma recessão econômica entre 2016 e 2017, logo depois que Buhari chegou ao poder, e hoje o crescimento não está se recuperando.

O gigante da África é atualmente o país do mundo que tem o maior número de pessoas vivendo abaixo do limiar da extrema pobreza (87 milhões), à frente da Índia, de acordo com o World Poverty Clock.

O tema econômico centraliza a campanha e o opositor Abubakar prometeu em seu lema que “a Nigéria volte ao trabalho” (“Make Nigeria work again”).

Mas Buhari se posicionou como um político próximo ao povo, com sua medida “Trader Moni”, um sistema de microcrédito de 24 a 75 euros para os dois milhões de pequenos comerciantes nos mercados.

Na Nigéria, país dividido entre um sul predominantemente cristão e um norte dominado pelos muçulmanos, além de diversas comunidades, a escolha dos candidatos é geralmente baseada em sua região de origem, ou religião, do que em suas ideias e programa.

Mas este ano, os dois principais candidatos são muçulmanos e pertencem à mesma comunidade hausa, estabelecida no norte do país.

Fonte:https://www.dn.pt/lusa/interior/nigeriaeleicoes-gigante-africano-na-reta-final-para-escolher-o-proximo-presidente-10576125.html

Juventude nigeriana está pessimista em relação às eleições para presidente na Nigéria

jo

Pela primeira vez, os nigerianos nascidos depois da instauração da democracia em 1999, e após décadas de ditaduras militares, são chamados às urnas no próximo dia 16 para eleger o seu presidente.

Os jovens, porém, sentem-se excluídos do jogo político da maior economia africana, dominado por uma elite envelhecida. As presidenciais do próximo sábado serão disputadas por dois septuagenários, ligados aos dois partidos que dominam a política nigeriana, e os cerca de 60% da população com menos de 25 anos manifesta encontram poucas razões para votar.

O chefe de Estado cessante, Muhammadu Buhari, 76 anos – que já tinha ocupado o cadeira presidencial nos anos 80 na sequência de um golpe de Estado, e foi eleito em 2015 para um mandato de quatro anos –, enfrenta Atiku Abubakar, 72 anos, antigo vice-presidente entre 1999 e 2007.

“São sempre as mesmas mentiras, a mesma corrupção, não há nada que mude para nós”, diz à AFP um jovem vendedor de rua com 19 anos, Femi Edu, a propósito dos políticos que dividem entre si o poder desde o evento da democracia há 20 anos.

Femi Edu não irá votar. “Nós o que queremos é apenas trabalho, mas nem isso eles são capazes de nos dar”, diz este jovem desempregado que, como milhões de compatriotas, vive graças à economia informal.

Esta será a primeira vez que a geração de nigerianos nascidos depois das ditaduras militares pós-independência (1966-1999) podem exprimir-se nas urnas para eleger o próximo presidente, assim como os próximos deputados à Assembleia Nacional e os governadores.

O grupo de eleitores da faixa etária entre os 18 e os 35 anos assume-se neste escrutínio como o principal bloco do eleitorado, com 51% dos inscritos (43 milhões), e é o mais apetecido alvo de sedução dos candidatos, tanto nas redes sociais como na televisão.

À semelhança de Femi Edu, muitos jovens, porém, não acreditam nas promessas de quem se diz apostado em fazer erguer o gigante de pés de barro, gangrenado pela corrupção, que, apesar das imensas riquezas retiradas do petróleo, dificilmente assegura o mínimo de sobrevivência aos seus 190 milhões de habitantes.

“A `política é suja`: é isso que pensam os jovens. Eles têm a impressão de que o seu voto não conta”, diz à AFP a cantora Celeste Ojatula, 24 anos, que participa no programa Voice2rep, lançado pela sociedade civil para incitar os jovens nigerianos a votar.

Celeste Ojatula e uma dezena de outros jovens artistas participaram em três grandes concertos de rap e afrobeats gratuitos, cuja entrada foi aberta a todos os que apresentassem o cartão de eleitor.

“A maior parte apenas quer ir para longe daqui, estudar no Canadá e ter uma vida melhor”, acrescenta uma outra cantora, Chioma Ogbona, 30 anos. “O cartão de eleitor serve sobretudo para obterem um visto ou para abrirem conta num banco, não apenas para votar”, acrescenta.

A editorialista Tabia Princewill, também citada pela AFP, diz que a juventude educada e urbana partilha desencanto. “Os que votam são os mais pobres, os que estão mais em baixo na escada social. Como têm a barriga vazia, basta dar-lhes um saco de arroz que eles dão o seu voto”, explica. “Ainda é preciso uma ou duas gerações para que as coisas mudem mesmo”.

Após anos de lobbying intenso da sociedade civil, em maio de 2018 foi dado um passo importante para o envolvimento dos mais jovens na política ativa nigeriana, com a adoção da lei “Not too young to run” (não demasiado jovem para concorrer), que reduziu a idade limite dos candidatos às presidenciais de 40 para 35 anos e 35 para 30 para os candidatos a governador.

Chike Ukaegbu, com apenas 35 anos, não precisou de mais do que isto para se lançar na corrida presidencial. “Nunca tinha pensado nisto”, confessa o jovem empresário originário do sudeste do país, que vive entre a Nigéria e Nova Iorque.

“Deixámos de ter desculpa, já não podemos dizer que eles não querem saber de nós”, explica à AFP o benjamim entre os 73 candidatos declarados. “Estamos em maioria, cabe-nos a nós mudar a história da nossa nação”, acrescenta.

Muito poucos eleitores conhecem o seu rosto, por comparação com as caras dos candidatos favoritos, cujos outdoors gigantes e cartazes estão afixados em todas as grandes cidades do país.

Em parte por falta de meios, é, assim, através da internet e de mensagens pela Whatsapp que o candidato se dirige aos jovens — ainda que milhões de entre eles vivam em zonas remotas fora das grandes cidades, onde não chegam sequer as redes de telecomunicações.

Prince Bukunyi Olateru-Olagbegi, com apenas 27 anos, criou no ano passado o Partido Democrático Moderno (MDP), reclama ter alcançado já os 65 mil militantes, e é outro jovem protagonista nestas eleições, às quais concorre com dois candidatos às legislativas.

“Oferecer a esperança” é o seu programa, através de investimentos massivos na educação, criação de empregos e anulação das clivagens étnicas e religiosas.

Ganhar uma eleição presidencial na Nigéria é, no entanto, uma missão quase impossível sem patrocínio político e muito dinheiro, reconhece.

Por cada assento na Câmara dos Representantes, câmara baixa do Parlamento nigeriano, os dois principais partidos, Congresso dos Progressistas (APC, no poder) e o Partido Democrático do Povo (PDP), vão gastar até 150 milhões de nairas (mais de 360 mil euros) na campanha, garante Olateru-Olagbegi.

“Mas há que começar por algum lado”.

Fonte: https://www.rtp.pt/noticias/mundo/filhos-da-democracia-votam-pela-primeira-vez-na-nigeria_n1129129

Editorial do Estadão cobra mais seriedade do Governo Bolsonaro

download

Justiça e responsabilidade

O presidente Jair Bolsonaro e sua equipe têm tratado de forma um tanto ligeira os atos do governo anterior

 

Além de não reconhecerem o trabalho feito pelo governo Temer nos últimos dois anos, o presidente Jair Bolsonaro e sua equipe têm tratado de forma um tanto ligeira os atos do governo anterior, com suposições que demonstram desconhecimento dos assuntos e, em alguns casos, podem até constituir crimes contra a honra.

No domingo passado, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, publicou em sua conta no Twitter imagem com parte de uma página de um contrato de aluguel de carros para o Ibama, assinado em dezembro de 2018, com o seguinte comentário: “Quase 30 milhões de reais em aluguel de carros, só para o Ibama…”. E não fez outro juízo sobre o caso.

Ao contrário, o presidente Jair Bolsonaro escreveu: “A certeza é: havia todo um sistema formado para principalmente violentar financeiramente o brasileiro sem a menor preocupação!”. Ainda afirmou que o seu governo estava “em ritmo acelerado, desmontando rapidamente montanhas de irregularidades e situações anormais que estão sendo e serão comprovadas e expostas”. Mais tarde, o presidente apagou seus comentários.

Se o novo ministro do Meio Ambiente encontrou algo suspeito realizado na gestão anterior, deveria pedir os devidos esclarecimentos e, se fosse o caso, solicitar abertura de investigação. Por si mesmo, o tal contrato de locação de R$ 28,712 milhões nem autoriza gasto excessivo nem constitui, necessariamente, irregularidade.

O mais grave é o fato de o presidente Bolsonaro fazer de uma constatação factual – o Ibama contratou o aluguel de carros – uma denúncia, ao afirmar que existem “montanhas de irregularidades e situações anormais que estão sendo e serão comprovadas”.

Se todas as pessoas devem ter cuidado antes de denunciar a existência de irregularidades e malfeitos – o Código Penal estabelece penas para os crimes de injúria, difamação e calúnia e de denunciação caluniosa -, mais cuidado ainda deve ter o presidente da República. O presidente Jair Bolsonaro admite que muitas das supostas irregularidades e situações anormais ainda não foram comprovadas, mas mesmo assim ele já diz existirem, sem maiores explicações, “montanhas de irregularidades”.

Em nota, a presidente do Ibama, Suely Araújo, afirmou que “a acusação sem fundamento evidencia completo desconhecimento da magnitude do Ibama e das suas funções. O valor estimado inicialmente para esse contrato era bastante superior ao obtido no fim do processo licitatório, que observou com rigor todas as exigências legais e foi aprovado pelo Tribunal de Contas da União”. Um dia depois do ocorrido, Suely Araújo pediu exoneração do cargo. O contrato em questão é 10% mais barato que o anterior e prevê o fornecimento de 33 carros a mais.

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro pediu aos seus ministros que passassem um pente-fino sobre os atos do governo Temer “no apagar das luzes”. Na ocasião, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que haviam encontrado “uma movimentação incomum de exonerações e indicações nos últimos 30 dias, assim como também houve uma movimentação incomum de recursos destinados a ministérios também nos últimos 30 dias”. O ministro deixou, assim, uma grave insinuação no ar.

O presidente Jair Bolsonaro não tirou o PT do poder e tampouco, ao tomar posse, recebeu um país devastado pelo lulopetismo. Entre o atual governo e o de Dilma Rousseff houve o governo de Michel Temer, que em dois anos realizou várias reformas e assegurou uma nova situação econômica ao País. Parte importante do trabalho de reconstrução do País, iniciado pelo presidente Michel Temer e que o novo governo se comprometeu a dar continuidade, é reinstaurar o ambiente de normalidade da Nação, indispensável para o desenvolvimento econômico e social. Nos últimos anos, o Brasil sofreu, por várias causas, atribulações que dificultaram enormemente a superação da crise. Só faltava que o presidente da República alimentasse e difundisse rumores sem comprovação. O momento exige mais seriedade.

Fonte: https://opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,justica-e-responsabilidade,70002670903

Spike Lee:“Usam o medo das pessoas. Isso não é novo, é a forma como o fascismo costuma jogar”

espike.jpg

Publicado em 12 novembro, 2018 8:22 am

De Víctor Usón no El País Brasil.

Spike Lee evita mencionar o nome de Donald Trump, prefere chamá-lo de “agente laranja” ou, algumas vezes, de “filho da puta”. “Na minha cabeça soa melhor assim”, afirma, enquanto ri. É um ferrenho opositor das políticas do presidente americano, um duro ativista que costuma usar o nome da arma química utilizada pelos EUA na Guerra do Vietnã para se referir a Trump.

Lee responde de forma direta e contundente: “É um racista”. Suas frases, marcantes e concisas, brilham no quarto do resort de luxo no qual recebe a imprensa. Vestido com tênis, boné e jaqueta prateada, o cineasta olha fixamente através de seus grandes óculos azuis antes de continuar falando: “Você não o ouviu dizer que os mexicanos são uns violadores, assassinos e narcotraficantes?”, conta ao EL PAÍS no festival de cinema de Los Cabos, no México.

Suas palavras soam ainda mais contundentes em território mexicano e não muito longe da fronteira que Donald Trump se empenha em fortificar. Tijuana, que fica a norte de Los Cabos e faz fronteira com os EUA, será a porta de entrada da caravana migrante que tanto enfurece o presidente americano. “Que Deus os abençoe, vocês não estão fazendo nada de errado”, afirma Lee.

Ele lança dardos envenenados contra o presidente americano e lhe faltam adjetivos para definir sua política migratória. “Separar as mães de seus filhos é algo diabólico, uma barbárie”, assinala, concentrando sua esperança em que isso não ocorra depois da iminente chegada dos mais de 6.000 centro-americanos que se dirigem para o posto fronteiriço de Tijuana. “Só tentam ter uma vida melhor e estão fazendo um grande sacrifício para conseguir”, recorda Lee.

Mas sua cruzada não é dirigida apenas contra Trump, ela se estende por todo o planeta: “Não é só o agente laranja, o do Brasil [o presidente eleito Jair Bolsonaro] é igualmente ruim. Ocorre em nível global. Temos de combater essas pessoas”. A vitória de Jair Bolsonaro e o avanço de partidos populistas na Europa o levam a ficar em alerta para a chegada de velhos fantasmas do passado. “Usam o medo das pessoas. Isso não é novo, é a forma como o fascismo costuma jogar”, sustenta o cineasta.

(…)

Spike Lee. Foto: Wikimedia Commons
Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/cineasta-spike-lee-fascismo-usa-o-medo-nao-e-so-trump-bolsonaro-e-igualmente-ruim/

A democracia moçambicana depende da desmilitarização

Desmilitarização da Renamo ainda levanta fortes dúvidas

Victor Carvalho

A questão da desmilitarização da Renamo, principal partido da oposição em Moçambique, ainda está a da que falar e a levantar algumas dúvidas entre os diferentes protagonistas no processo politico do país, uma vez que se trata de um assunto sensível e que pode afectar fortemente o processo politico ainda em curso

 

 

Fotografia: DR

Apesar de já ter assinado um memorando de entendimento com o governo, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, reclama especial cuidado na implementação do acordo de desmilitarização do seu braço armado, sublinhando que ele deve ser feito de forma digna e humanizada.

“A força residual da Renamo vai proceder à entrega das armas a um organismo previamente instituído para o efeito e será reintegrada na sociedade de forma digna e humanizada”, sublinhou Ossufo Momade, principal responsável do partido, quando falava em teleconferência para jornalistas.

O documento, assinado há uma semana por Ossufo Momade e pelo chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, prevê que a reintegração dos homens da Renamo na polícia aconteça depois da implementação política do acordo.

Ossufo Momade, sublinha os esforços que têm sido feitos pelo grupo de contacto e pela comunidade internacional que, segundo disse,  “não tem poupado esforços para o alcance da paz efetiva e a verdadeira reconciliação nacional”, mas exige que tudo seja feito com “absoluta transparência” para que “tudo seja feito nos parâmetros que estão estabelecidos”.

Este processo negocial entre o Governo moçambicano e a Renamo começou há um ano, quando Filipe Nyusi se deslocou à Gorongosa, no centro de Moçambique, para uma reunião com o então líder da Renamo, Afonso Dhlakama, no dia 6 de Agosto do ano passado, num encontro que ficou selado por um caloroso aperto de mãos.

Além do desarmamento e integração dos homens do braço armado do maior partido de oposição nas forças armadas e na polícia, a agenda negocial entre Nyusi e Dhlakama, que faleceu no dia 3 de Março, envolvia também a descentralização de poder, ponto que já foi ultrapassado com uma revisão da Constituição aprovada no passado mês de Julho.

A frágil democracia do Zimbabwe

Presidente do Zimbábue pede solução pacífica para crise eleitoral no país

Na quarta-feira, opositores foram às ruas protestar contra o atraso no anúncio dos resultados das eleições realizadas na segunda-feira

O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2018 | 07h42

HARARE – O presidente do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, pediu nesta quinta-feira, 2, uma solução pacífica para as divergências com a oposição, um dia depois da repressão de um protesto que terminou com pelo menos três mortos.

Eleições no Zimbábue
Centenas de seguidores do opositor Movimento pela Mudança Democrática tomaram as ruas do centro de Harare para protestar contra o atraso no anúncio dos resultados das eleições presidenciais Foto: Aaron Ufumeli / EFE

“É mais importante do que nunca que demonstremos união e nos comprometamos a solucionar nossas diferenças pacificamente e dentro da lei”, afirmou Mnangagwa. “Estamos em contato com Nelson Chamisa (o líder da oposição) para debater como resolver a situação”, completou ele em sua conta no Twitter.

President of Zimbabwe

@edmnangagwa

It is also more important than ever that we are united, and commit to settling our differences peacefully and respectfully, and within the confines of the law.

4/6

President of Zimbabwe

@edmnangagwa

We have been in communication with Nelson Chamisa to discuss how to immediately diffuse the situation, and we must maintain this dialogue in order to protect the peace we hold dear.

5/6

Centenas de seguidores do opositor Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês) tomaram na véspera as ruas do centro de Harare para protestar contra o atraso no anúncio dos resultados das eleições presidenciais realizadas na segunda-feira. Eles denunciaram fraude contra Chamisa, que consideram o autêntico vencedor.

Eleições no Zimbábue
Os protestos foram reprimidos pela polícia e também pelo Exército Foto: Aaron Ufumeli / EFE

Os protestos foram reprimidos pela polícia e também pelo Exército, com canhões de água, gás lacrimogêneo e munição real. Como resultado, a emissora estatal ZBC confirmou a morte de pelo menos três pessoas.

13

Protesto da oposição no Zimbábue após vitória parlamentar de partido governista acaba em confrontos com a polícia

O presidente do Zimbábue expressou suas condolências às famílias das “vítimas da violência de ontem”, considerando que “toda vida é sagrada e suas mortes são uma tragédia, independentemente das circunstâncias”.

President of Zimbabwe

@edmnangagwa

I wish to extend my sincere condolences to the families of the victims of yesterday’s violence. All human life is sacred, and their deaths are a tragedy, irrespective of the circumstances. I would also like to wish a speedy recovery to all those injured in yesterday’s events

1/6

Ele também disse que pedirá “uma investigação independente” do que aconteceu em Harare para que os responsáveis respondam na Justiça, em prol da “transparência e prestação de contas”.

Dia seguinte

As ruas de Harare amanheceram tranquilas, com a população esperando que a Comissão Eleitoral (ZEC, sigla em inglês) anuncie os dados referentes às eleições presidenciais.

Eleições no Zimbábue
Emmerson Mnangagwa disse que pedirá “uma investigação independente” do que aconteceu em Harare para que os responsáveis respondam na Justiça Foto: Yeshiel Panchia / EFE

A ZEC garantiu que eles serão publicados nesta quinta-feira, e culpa pelo atraso o fato de que os representantes dos 23 candidatos que foram apresentados ainda não verificaram todos os resultados, um requisito legal anterior à sua publicação. / AFP e EFE