Menu

Desemprego é o maior desafio para angolanos e moçambicanos

O emprego  é o maior desafio para Angola, Moçambique e outros oito países do sul do continente, segundo um estudo da União Africana (UA) e da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre políticas de crescimento em África.

Dezesseis milhões de pessoas na África Austral sem emprego
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

O relatório designado “Dinâmicas do Desenvolvimento em África – Crescimento, Emprego e Desigualdade 2018”, estima que 16,5 milhões de pessoas em Angola, África do Sul, Botswana, Lesotho, Malawi, Moçambique, Namíbia, Swazilândia, Zâmbia e Zimbabwe não têm trabalho.
O universo deste conjunto de dez países do Sul de África a que se refere o estudo é de 177 milhões de pessoas, o que representa 14 por cento da população no continente africano, de acordo com estatísticas da UA. O documento prevê que 1,1 milhões de pessoas consigam entrar no mercado  do trabalho em cada ano até 2030.
O primeiro relatório da UA e OCDE que aborda as relações entre crescimento, emprego e desigualdades em África e as implicações nos quadros estratégicos, assinala o problema da diversificação económica, salientando que “vários países dependem muito do sector mineiro, que é volátil e cria poucos empregos”.
A criação limitada de empregos, a incompatibilidade de competências e as barreiras que são colocadas para iniciar ou fazer crescer novos negócios são razões avançadas no estudo para justificar as taxas de desemprego de longa duração de 15 a 35 por cento nos países que compõem a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Nos países não membros da SADC, grande parte dos trabalhadores não tem recursos financeiros ou qualificação para entrar no mercado de trabalho.
“A maioria dos trabalhadores está no sub-emprego, principalmente na agricultura e serviços de baixo valor agregado”, constataram os investigadores que elaboraram o relatório.
O documento refere que “a diferença entre os homens e a participação feminina na força de trabalho permanece grande” em Angola, África do Sul, Botswana, Lesoto, Malawi, Moçambique, Namíbia, Swazilândia, Zâmbia e Zimbabwe.
O documento refere também que Angola foi o país do sul de África com mais investimento estrangeiro directo de 2000 até 2016.
Conjuntamente com o Zimbabwe e Sudão, Angola atraiu o maior número de projectos de investimento directo da China, entre o conjunto dos 54 países africanos. Moçambique ficou muito perto dos 30 por cento de investimento médio estrangeiro de 2000 a 2016 em percentagem do PIB, no sul de África. Nesse período de 16 anos, o investimento externo directo representou 21.200 milhões de dólares em 2016, o que reflecte um crescimento face a 2009, em que se ficou por 6.900 milhões de dólares.

Desigualdades sociais
De acordo com o relatório, África cresceu mais do que a América Latina e as Caraíbas entre 2000 e 2017, mas esse crescimento económico não proporcionou emprego suficiente, tendo aumentado a desigualdade.
Além de considerar que “os empregos de qualidade permanecem escassos”, o relatório aponta que o continente africano “experimentou fortes taxas de crescimento económico” no período analisado, com a média de 4,7 por cento ao ano.O documento apresenta a América Latina e as Caraíbas com 2,8 por cento de crescimento económico, enquanto o desenvolvimento da Ásia (sem a China) superou pouco mais de 7 por cento.
Em África, as razões do crescimento fundaram-se na “subida dos preços das matérias-primas, a melhoria da gestão macro-económica e as estratégias para diversificar as economias”.

 

Fonte; http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/emprego_e_o_maior_desafio_de_angola_e_mocambiquehttp://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/emprego_e_o_maior_desafio_de_angola_e_mocambique

Indice Mo Ibrahim vai mostrar como África se apresenta


A Fundação Mo Ibrahim (MIF) vai anunciar, no próximo dia 29, o lançamento do 12º Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG) anual, altura em que os dados serão comunicados publicamente. Para assinalar o lançamento, Mo Ibrahim vai participar em directo no Facebook Live para discutir ao vivo os principais resultados e as tendências verificadas este ano na evolução da governação pública em África.

Mo Ibrahim será acompanhado por um painel de especialistas africanos, representantes das vozes emergentes da nova geração do continente, Yvonne Apea Mensah do Gana, e Nasi Rwigema da África do Sul, que vão contribuir com as suas próprias opiniões sobre as conclusões do Índice deste ano. O painel vai também responder às questões colocadas no momento pelos utilizadores online.

Na sequência do lançamento, a Fundação Mo Ibrahim irá promover, em parceria com o Mecanismo Africano de Avaliação pelos Pares (African Peer Review Mechanism – APRM), um debate ao mais alto nível para discutir as conclusões a 2 de Novembro, sexta-feira, em Pretória, na África do Sul.DARCIFLORESTA

O Índice Ibrahim de Governação Africana constitui um instrumento sem paralelo que faculta a análise mundial mais abrangente da qualidade da governação nos países africanos. Através do Índice, a Fundação Mo Ibrahim procura capacitar os governos, os cidadãos, as empresas, o meio académico, os decisores políticos e os analistas para que usem as suas conclusões como uma ferramenta de avaliação rigorosa do fornecimento de bens e serviços públicos e na orientação da discussão sobre a governação em África. Neste sentido, os dados são livremente disponibilizados todos os anos através do Portal de Dados do IIAG.

Compilando uma recolha de dados de dez anos, o IIAG 2018 está numa posição privilegiada para medir as tendências na governação, fornecendo uma análise aprofundada da forma como a qualidade de governação tem evoluído nos últimos cinco anos (2013-2017), no contexto da última década (2008-2017) e na identificação de quais foram, ou poderão vir a ser, os factores-chave de transformação de África.

Em cada publicação anual, a Fundação Mo Ibrahim – com a colaboração do Conselho Consultivo do IIAG – procura continuamente melhorar a estrutura, o conteúdo e a metodologia do IIAG. Com a revisão anual do relatório, a Fundação actualiza todas as tabelas do Índice.

As versões anteriores do IIAG incluíam dados a partir de 2000 em diante. O IIAG 2018 faculta pela primeira vez dados de governação comparáveis apenas para a última década, reforçando assim a robustez das conclusões.

Pela primeira vez, uma avaliação da inclusão dos jovens faz parte do IIAG. Através do indicador Promoção da Integração Socioeconómica dos Jovens (fornecido pela Global Integrity), o Índice avalia a existência de estratégias e políticas governamentais para o incremento da integração socioeconómica dos jovens.

O IIAG deste ano conta com um foco de análise adicional que incide sobre o enquadramento de temáticas e assuntos mais abrangentes, incluindo as oportunidades económicas para os cidadãos de África, o crescimento demográfico, a transparência e a responsabilidade social.

A análise por década inclui os mais recentes desempenhos de governação, elevando a fasquia em áreas como Saúde, em que os países devem adoptar modelos de referência mais actuais.

O IIAG conta com análises relativas a 102 indicadores em 35 instituições de dados africanas e globais independentes, que abrangem os 54 países africanos em áreas como Segurança e Estado de Direito, Participação e Direitos Humanos, Oportunidade Económica Sustentável e Desenvolvimento Humano.

O Portal de Dados possui uma interface intuitiva que oferece análises personalizadas dos escalões, classificações e tendências de governação para cada país. Os utilizadores podem criar e imprimir tabelas e gráficos com base nos dados.

A Fundação Mo Ibrahim foi criada em 2006, orientada para a importância decisiva da liderança e da governação em África. Ao proporcionar ferramentas de apoio ao progresso da liderança e da governação, a Fundação visa promover a mudança relevante no continente.

A Fundação, que não tem por objecto a concessão de subvenções, concentra-se na definição, na avaliação e no aperfeiçoamento da governação e da liderança em África através de quatro iniciativas principais:

Índice Ibrahim de Governação Africana; Prémio Ibrahim de Excelência na Liderança Africana; Fórum Ibrahim e Bolsas de Investigação e de Estudo Ibrahim.

Ellen Johnson Sirleaf venceu em 2017

Ellen Johnson Sirleaf venceu o Prémio Ibrahim para a Excelência na Liderança Africana de 2017. A ex-presidente da Libéria foi elogiada pelos seus esforços e por liderar a recuperação do país após a guerra civil.

Ellen Johnson Sirleaf, que serviu dois mandatos como presidente da Libéria de 2006 a 2017, foi a quinta vencedora do Prémio Ibrahim, que reconhece e comemora a excelência na liderança Africana.

O Prémio Ibrahim tem como objectivo distinguir líderes que, durante o seu mandato, desenvolveram seus países, fortaleceram a democracia e os direitos humanos pelo benefício compartilhado de seus povos, e avançaram o desenvolvimento sustentável.

Na nota de divulgação, o Comité elogiou a liderança excepcional e transformadora de Ellen Johnson Sirleaf, diante de desafios sem precedentes e renovados, para liderar a recuperação da Libéria após muitos anos de uma guerra civil devastadora.

Ao anunciar a decisão, Salim Ahmed Salim, Presidente do Comité do Prémio, disse: “Ellen Johnson Sirleaf tomou o comando da Libéria após o país ter sido completamente destruído pela guerra civil e conduziu um processo de reconciliação concentrado na construção da unidade nacional e de fortes instituições democráticas. Ao longo de seus dois mandatos, ela trabalhou incansavelmente em nome do povo da Libéria. Tal jornada não pode estar sem algumas falhas e, hoje, a Libéria continua a enfrentar muitos desafios. No entanto, durante os seus doze anos no cargo, Ellen Johnson Sirleaf lançou as bases sobre as quais a Libéria pode agora construir um futuro melhor”.

Ellen Johnson Sirleaf tornou-se presidente da Libéria no dia 16 de Janeiro de 2006, depois de vencer as eleições nacionais de 2005. Serviu o seu primeiro mandato 2006-11 e foi reeleita com sucesso para um segundo mandato, 2012-17. Desde 2006, a Libéria foi o único país a melhorar em todas as categorias e subcategorias do Índice Ibrahim de Governança Africana. Isso levou a Libéria a subir dez lugares na classificação geral do Índice durante esse período.

Durante os seus doze anos de liderança, Ellen Johnson Sirleaf lançou as bases sobre as quais a Libéria pode agora construir um futuro melhor. No processo, restaurou a dignidade e o orgulho dos liberianos no seu país. Durante a sua presidência, manteve-se firme e determinada para ter êxito em nome do povo da Libéria. De 2006 a 2014, antes da crise do Ébola ter atingido o país, a economia da Libéria cresceu a uma taxa anual média de mais de 7%.

Ellen Johnson Sirleaf enfrentou a prisão, o exílio e risco pessoal no caminho até à liderança, e ainda perseverou na procura por um governo honesto para o seu povo. Corajosamente abraçou oponentes e lutou por mudanças geracionais, e abriu o caminho para o seu sucessor seguir a recuperação. As suas conquistas inspiraram e deram confiança a milhões de mulheres no serviço público. Além da sua liderança na Libéria, ela sempre foi uma campeã para a África.

O seu sucesso é o sucesso da África e o testemunho do poder de uma liderança excepcional. Hoje, Ellen Johnson Sirleaf pode orgulhar-se desta vitória, como destinatária do Prémio Ibrahim 2017 para a Excelência na Liderança Africana.

Ao ouvir o resultado das deliberações do Comité do Prémio, Mo Ibrahim disse: “Estou satisfeito que o Comité do Prémio tenha decidido fazer de Ellen Johnson Sirleaf a laureada do Prémio Ibrahim. Em circunstâncias muito difíceis, ela ajudou a guiar a sua nação para um futuro pacífico e próspero, e preparou o caminho para seu sucessor seguir. Estou orgulhoso de ver a primeira mulher Laureada Ibrahim e espero que Ellen Johnson Sirleaf continue a inspirar mulheres na África e além”.

Ellen Johnson Sirleaf juntou-se a Hifikepunye Pohamba da Namíbia (2014), Pedro Pires de Cabo Verde (2011), Festus Mogae do Botswana (2008) e Joaquim Chissano de Moçambique (2007) como Laureada do Prémio Ibrahim. Nelson Mandela foi nomeado o Laureado Honorário inaugural em 2007.

Os candidatos ao Prémio Ibrahim são todos ex-chefes executivos de estado ou governo africanos que deixaram o cargo nos últimos três anos, tendo sido democraticamente eleitos e que cumpriram seu termo constitucionalmente mandatado.

Partilhe este Artigo

“Uma nova classe de pessoas surgirá : a dos inúteis”

 gettyimages-863228596

Com o avanço da inteligência artificial, os humanos serão substituídos na maioria dos trabalhos que hoje existem. Novas profissões irão surgir, mas nem todos conseguirão se reinventar e se qualificar para essas funções. O que acontecerá com esses profissionais? Como eles serão ocupados? Yuval Noah Harari, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém e autor do livro Sapiens – Uma Breve História da Humanidade, pensa ter a resposta. Yuval Noah Harari1

Em artigo publicado no The Guardian, intitulado O Significado da Vida em um Mundo sem Trabalho, o escritor comenta sobre uma nova classe de pessoas que deve surgir até 2050: a dos inúteis. “São pessoas que não serão apenas desempregadas, mas que não serão empregáveis”, diz o historiador.

O significado da vida em um mundo sem trabalho

 Yuval Noah Harari

Como a tecnologia torna os trabalhos obsoletos, o que nos manterá ocupados? O autor de Sapiens, Yuval Noah Harari, examina “a classe desocupada” e uma nova tentativa de propósito 

 

Por: Yuval Noah Harari

 

A maioria dos empregos que existem hoje pode desaparecer dentro de décadas. À medida que a inteligência artificial supera os seres humanos em tarefas cada vez mais, ela substituirá humanos em mais e mais trabalhos. Muitas novas profissões provavelmente aparecerão: designers do mundo virtual, por exemplo. Mas essas profissões provavelmente exigirão mais criatividade e flexibilidade, e não está claro se os motoristas de táxi ou agentes de seguros desempregados de 40 anos poderão se reinventar como designers do mundo virtual (tente imaginar um mundo virtual criado por um agente de seguros!?). E mesmo que o ex-agente de seguros de alguma forma faça a transição para um designer de mundo virtual, o ritmo do progresso é tal que, dentro de mais uma década, ele pode ter que se reinventar novamente.

 

O problema crucial não é criar novos empregos. O problema crucial é a criação de novos empregos que os humanos apresentam melhor desempenho do que os algoritmos. Consequentemente, até 2050, uma nova classe de pessoas poderá surgir – a classe desocupada. Pessoas que não estão apenas desempregadas, mas desempregáveis.A mesma tecnologia que torna os seres humanos inúteis também pode tornar viável alimentar e apoiar as massas desempregadas através de algum esquema de renda básica universal. O problema real será, então, manter as massas ocupadas e o conteúdo. As pessoas devem se envolver em atividades propositadas, ou ficam loucas. Então, o que a classe desocupada irá fazer o dia todo?

 

Uma resposta pode ser jogos de computador. Pessoas economicamente redundantes podem gastar quantidades crescentes de tempo dentro dos mundos da realidade virtual 3D, o que lhes proporcionaria muito mais emoção e engajamento emocional do que o “mundo real” externo. Isso, de fato, é uma solução muito antiga. Por milhares de anos, bilhões de pessoas encontraram significado em jogar jogos de realidade virtual. No passado, chamamos essas “religiões” de jogos de realidade virtual.

 

O que é uma religião, se não um grande jogo de realidade virtual desempenhado por milhões de pessoas juntas? Religiões como o Islã e o Cristianismo inventam leis imaginárias, como “não comem carne de porco”, “repita as mesmas preces um número determinado de vezes por dia”, “não faça sexo com alguém do seu próprio gênero” e assim por diante. Essas leis existem apenas na imaginação humana. Nenhuma lei natural exige a repetição de fórmulas mágicas, e nenhuma lei natural proíbe a homossexualidade ou a ingestão de porco. Muçulmanos e cristãos atravessam a vida tentando ganhar pontos em seu jogo de realidade virtual favorito. Se você reza todos os dias, você obtém pontos. Se você esqueceu de orar, você perde pontos. Se, no final da sua vida, você ganhar pontos suficientes, depois de morrer, você vai ao próximo nível do jogo (também conhecido como o paraíso).

 

Como as religiões nos mostram, a realidade virtual não precisa ser encerrada dentro de uma caixa isolada. Em vez disso, ele pode se sobrepor à realidade física. No passado, isso foi feito com a imaginação humana e com livros sagrados, e no século 21 pode ser feito com smartphones.

 

Algum tempo atrás, fui com o meu sobrinho de seis anos, Matan, para caçar Pokémon. Enquanto caminhávamos pela rua, Matan continuava a olhar para o seu telefone inteligente, o que lhe permitia detectar Pokémon à nossa volta. Eu não vi nenhum Pokémon, porque não carregava um smartphone. Então vimos outras duas crianças na rua que estavam caçando o mesmo Pokémon, e quase começamos a lutar com eles. Parecia-me como a situação era semelhante ao conflito entre judeus e muçulmanos sobre a cidade sagrada de Jerusalém. Quando você olha a realidade objetiva de Jerusalém, tudo que você vê são pedras e edifícios. Não há santidade em qualquer lugar. Mas quando você olha através de smartbooks (como a Bíblia e o Alcorão), você vê lugares sagrados e anjos em todos os lugares.

 

A ideia de encontrar um significado na vida ao jogar jogos de realidade virtual é, evidentemente, comum não apenas às religiões, mas também às ideologias seculares e estilos de vida. O consumo também é um jogo de realidade virtual. Você ganha pontos adquirindo carros novos, comprando marcas caras e tendo férias no exterior, e se você tiver mais pontos do que todos os outros, dizendo a si próprio que ganhou o jogo.

 

Você pode contrariar dizendo que as pessoas realmente gostam de seus carros e férias. Isso certamente é verdade. Mas os religiosos realmente gostam de orar e realizar cerimônias, e meu sobrinho realmente gosta de caçar Pokémon. No final, a ação real sempre ocorre dentro do cérebro humano. Não importa se os neurônios são estimulados observando pixels em uma tela de computador, olhando para fora das janelas de um resort do Caribe ou vendo o céu nos olhos da mente? Em todos os casos, o significado que atribuímos ao que vemos é gerado pelas nossas próprias mentes. Não é realmente “lá fora”. Para o melhor de nosso conhecimento científico, a vida humana não tem significado. O significado da vida é sempre uma história de ficção criada por nós humanos.

 

Em seu ensaio inovador, Deep Play: Notas sobre a Briga de Galos em Bali (1973), o antropólogo Clifford Geertz descreve como na ilha de Bali, as pessoas passaram muito tempo e dinheiro apostando em brigas de galos. As apostas e as lutas envolveram rituais elaborados, e os resultados tiveram um impacto substancial na posição social, econômica e política de jogadores e espectadores.

 

As brigas de galos eram tão importantes para os balineses que, quando o governo indonésio declarou a prática ilegal, as pessoas ignoraram a lei e se arriscavam a prisão e multas pesadas. Para os balineses, as brigas eram “jogo profundo” – um jogo confeccionado que é investido com tanto significado que se torna realidade. Um antropólogo balines poderia, sem dúvida, ter escrito ensaios semelhantes sobre futebol na Argentina, Brasil ou no judaísmo em Israel.

 

De fato, uma seção particularmente interessante da sociedade israelense fornece um laboratório exclusivo de como viver uma vida satisfeita em um mundo pós-trabalho. Em Israel, um percentual significativa de homens judeus ultra-ortodoxos nunca trabalhou. Eles passam toda a vida estudando escrituras sagradas e realizando rituais de religião. Eles e suas famílias não morrem de fome, em parte porque as esposas muitas vezes trabalham, e em parte porque o governo lhes fornece generosos subsídios. Embora geralmente vivam na pobreza, o apoio do governo significa que eles nunca faltam para as necessidades básicas da vida.

 

Isso é uma renda básica universal em ação. Embora sejam pobres e nunca trabalhem, em pesquisa após pesquisa, esses homens judeus ultra-ortodoxos relatam níveis mais elevados de satisfação com a vida do que qualquer outra parte da sociedade israelense. Nos levantamentos globais sobre a satisfação da vida, Israel está quase sempre no topo, graças em parte ao contributo destes pensadores profundos e desempregados.

 

Você não precisa ir a Israel para ver o mundo do pós-trabalho. Se você tem em casa um filho adolescente que gosta de jogos de computador, você pode realizar sua própria experiência. Fornecer-lhe um subsídio mínimo de Coca-cola e pizza e, em seguida, remover todas as demandas de trabalho e toda a supervisão dos pais. O resultado provável é que ele permanecerá em seu quarto por dias, colado na tela. Ele não vai fazer qualquer lição de casa ou tarefas domésticas, vai ignorar a escola, ignorar as refeições e até mesmo ignorar os chuveiros e dormir. No entanto, é improvável que ele sofra de tédio ou uma sensação de sem propósito. Pelo menos não no curto prazo.

 

Fonte:http://fernandessc.wixsite.com/blog/single-post/2017/06/23/O-significado-da-vida-em-um-mundo-sem-trabalho

 

Portanto, as realidades virtuais provavelmente serão fundamentais para fornecer significado à classe desocupada do mundo pós-trabalho. Talvez essas realidades virtuais sejam geradas dentro dos computadores. Talvez sejam gerados fora dos computadores, sob a forma de novas religiões e ideologias. Talvez seja uma combinação dos dois. As possibilidades são infinitas, e ninguém sabe com certeza que tipos de peças profundas nos envolverão em 2050.

 

Em qualquer caso, o fim do trabalho não significará necessariamente o fim do significado, porque o significado é gerado pela imaginação em vez de pelo trabalho. O trabalho é essencial apenas para o significado de acordo com algumas ideologias e estilos de vida. Os escravos ingleses do século XVIII, os judeus ultra-ortodoxos atuais e as crianças em todas as culturas e eras encontraram muito interesse e significado na vida, mesmo sem trabalhar. As pessoas em 2050 provavelmente poderão jogar jogos mais profundos e construir mundos virtuais mais complexos do que em qualquer momento anterior da história.

 

E quanto à verdade? E a realidade? Realmente queremos viver em um mundo no qual bilhões de pessoas estão imersas em fantasias, buscando objetivos criativos e obedecendo leis imaginárias? Bem, goste ou não, esse é o mundo em que vivemos há milhares de anos.

 

Yuval Noah Harari é professor na Universidade Hebraica de Jerusalém e é autor de ‘Sapiens: Uma Breve História da Humanidade’ e ‘Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã’

T

Empresa de petróleo Total Angola está demitindo trabalhadores angolanos e gera clima de incerteza

total1

Madalena José |

A direcção da petrolífera Total Angola está em processo de reorganização e numa profunda análise e projecção da empresa para os próximos anos, informou ontem, em entrevista ao “Jornal de Angola”, o director-geral adjunto, Pedro Ribeiro.

O director-geral adjunto da Total Angola, Pedro Ribeiro, em entrevista ao Jornal de Angola
Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro

O director adiantou que o projecto de reorganização tem como base a situação do preço actual do petróleo e a redução significativa da actividade petrolífera, factores que leva a petrolífera a procurar a sua optimização.

total-petróleo
Contrariando uma circular estampada nas redes sociais, que dá conta de despedimentos de trabalhadores angolanos pela petrolífera Total Angola, à margem da lei, com a finalidade de se reduzir os custos operacionais, Pedro Ribeiro nega as informações e diz que não são verdadeiras.
A situação, segundo informou, é do conhecimento dos colaboradores da empresa. Em reunião realizada na semana passada com  mais de 700 trabalhadores, alguns em vídeo-conferência, a direcção prestou esclarecimentos sobre o estado do projecto de reorganização, a ser implementado no decorrer de 2018.

totalw
Pedro Ribeiro acrescentou que o projecto está baseado num estudo iniciado em Abril do corrente ano e visa optimizar a estrutura organizacional da empresa, a fim de assegurar uma adaptação ao novo contexto da indústria petrolífera e torná-la numa organização mais ágil, eficiente e competitiva. Trata-se de uma reflexão da empresa, que olha para a sua estratégia de futuro a médio prazo, fazendo uma projecção anual, essencialmente olhando para os aspectos organizativos, enquanto procura perceber se está preparada para conseguir gerir os desafios que tem pela frente.
Pedro Ribeiro disse que a Total Angola fez, nos últimos 20 anos, avultados investimentos no Bloco 17, dado que elevou a criação de empregos e estaleiros para desenvolvimento do pessoal angolano. Hoje, avançou, o último projecto em carteira é o “Cahombo”, que deve iniciar a sua produção nos primeiros meses do próximo ano, acabando por fechar um ciclo de grandes desenvolvimentos. “Cahombo” foi o último projecto de investimento da Total, com mais de 16 mil milhões de dólares, que tem vindo a criar quadros angolanos competentes, com uma taxa de angolanização de mais de 75 por cento, dos 1.300 trabalhadores.
O director-geral adjunto revelou que a indústria petrolífera está a passar por uma crise profunda, que se traduz na redução brutal da actividade. A título de exemplo, disse que em 2014 a Total Angola tinha cerca de 30 sondas de perfuração e hoje apenas tem quatro, trazendo uma contracção industrial, económica e financeira tão elevada nas actividades da empresa.
Pedro Ribeiro disse que a partir do momento em que se deixa de fazer investimentos de maneira continuada, na indústria petrolífera, a produção entra em declínio inevitável e é o que está a acontecer com a Total Angola. Hoje, no Bloco 17, não há nenhuma sonda em funcionamento. “Há uma contracção industrial e a última está a ser desmobilizada agora”, revelou.
A direcção da empresa reconhece que este processo, principalmente nesta fase de transição, deve introduzir um nível de incerteza na organização. Contudo, Pedro Ribeiro garantiu aos trabalhadores que o mesmo será justo e baseado nos valores da empresa, como na segurança, respeito pelo próximo, solidariedade e foco no desempenho, realçando a necessidade de se manter a eficiência e a excelência operacional dentro das regras de segurança. “É um processo difícil, que tem de ser tratado com muita responsabilidade e seriedade, por se tratar de colaboradores e organizações que trabalham na empresa há mais de 20 ou 30 anos. Numa reflexão de eficiência não existem números, nem datas, nem se procura reduzir apenas colaboradores nacionais ou expatriados. Isso pode tocar tanto nacionais como estrangeiros e, no momento, estamos a definir qual deve ser a forma de organização que nos permitirá enfrentar o futuro”, acrescentou.
A partir do ano de 2018, a Total deve pronunciar-se-á sobre qualquer decisão. Contudo, realçou Pedro Ribeiro, “hoje não está definido, nem em números, nem em datas, nem em eixos, porque o processo está a decorrer e os trabalhadores estão de sobreaviso”.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/direccao_da_total_nega_despedimentos

Botswana o país africano que deu certo

Seretse KhamaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionSeretse Khama foi o primeiro presidente de Botswana.

Quando Charles King, correspondente do Serviço de Notícias Sul-Africano, fez seu relato sobre a independência de Botswana, em setembro de 1966, ele descreveu o país como um “grande terreno sem estradas” e pouco para celebrar. Afinal, dois anos de seca e más colheitas haviam, nas palavras de King, “espalhado o caos e a fome por uma população camponesa dispersa”.

Na opinião do jornalista, o recém-formado país tinha poucas esperanças de estabilidade econômica. Apesar de ter um território comparável ao da França, Botswana tinha apenas 12 quilômetros de estradas asfaltadas e poucos hospitais. A maioria da população vivia da agricultura de subsistência.

Porém, a história não poderia ser tão diferente cinco décadas depois: Botswana é hoje aclamado como uma história de êxito na África. O PNUD, órgão das Nações Unidas para o desenvolvimento, descreve o país como um caso verdadeiro de sucesso em termos de progresso humano e econômico.

Encanto natural

Isso é algo evidente quando se chega a Gaborone, a capital de Botswana. As ruas estão limpas e organizadas, e o trânsito flui com facilidade em meio a modernos arranha-céus. Diferentemente do caos pós-colonial de tantas capitais africanas, as coisas aqui funcionam. E bem.

Greg Mills, da Fundação Brenthurst, um grupo sul-africano de pesquisas em economia, explica que a transformação é o resultado de uma visão a longo prazo, de estabilidade política e de “governos prudentes”.

Diamante brutoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionBotswana tem uma poderosa indústria mineradora

Mills poderia ter acrescentado ainda o fator sorte. Botswana foi abençoado com vastas reservas de diamantes e imensas áreas de deserto virgem, onde grandes felinos andam livres. E é ainda o país que tem mais elefantes no mundo. Tudo isso ajudou o país a, em apenas 50 anos, aumentar em mais de 100 vezes sua renda per capita, desenvolvendo setores como a mineiração e o eco-turismo.

Botswana map

Mas recursos naturais por si só não explicam o sucesso de Botswana. Foi com um gerenciamento cuidadoso levado a cabo por seus governantes que o país evitou a chamada “maldição dos recursos”, em que a falta de governança resultou em desperdício de riqueza mineral, como no caso da Nigéria e o petróleo, por exemplo.

Kebapetse Lotshwao, professor de política da Universidade de Botswana, explicas que as primeiras quatro décadas de independência foram particularmente vitoriosas.

Resort en BotswanaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA indústria turística de Botswana é bem desenvolvida

“O país teve a sorte de contar com líderes como Seretse Khama e Ketumile Masire (os dois primeros presidentes)”.

Esses políticos priorizaram o desenvolvimento e usaram a ajuda financeira internacional e as receitas das vendas de diamantes para investirr fortemente em políticas de saúde e educação. Houve uma queda grande na pobreza, ainda que a carência ainda afete um em cada cinco habitantes de Botswana – a população total é de pouco mais de 2 milhões de pessoas.

As taxas de alfabetização são altas e o índice de comparecimento à escola primária até 13 anos é de quase 90%.

Problemas

No entanto, alguns especialistas se preocupam com a situação do país. Um dos problemas é o desemprego, que se mantém na casa de 20%.

Analistas veem uma falta de diversificação em uma economia concentrada demais no garimpo e no turismo.

Protesto en Gaborone, BotswanaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionPaís foi palco de protestos recentemente

E, apesar dos investimentos em saúde, a expectativa média de vida em Botswana é de 54 anos, uma das mais baixas do mundo. Quase um quarto da população é HIV positiva.

Há ainda problemas políticos: o Partido Democrático de Botswana (BDP), no poder desde a independência, está perdendo sua popularidade. Críticos do governo falam em atitudes autoritárias e de perseguição a jornalistas que investigam denúncias de corrupção.

Mineiração em BotswanaDireito de imagemAFP
Image captionA indústria dos diamantes foi chave para o desenvolvimento

Um relatório da Freedom House, ONG americana denuncia corrupção em licitações públicas, diz que não há grandes restrições às atividades empresariais de funcionários públicos – incluindo o presidente, um importante investidor do setor do turismo.

Lotshwao diz que o governo “não distribui ude maneira uniforme, os frutos do crescimento econômico”.

“Há uma necessidade de encontrar uma maneira de reduzir a disparidade entre ricoss e pobres”, argumenta.

“Tal como está, a situação pode levar à instabilidade política”.

Para Lotshwao, o país precisa ainda de uma reforma política para diminuir o poder da presidência – o cargo hoje é ocupado por Ian Khama, filho de Seretse, o primeiro mandatário pós-independência.

Política de consenso

“A democracia de Botswana não progrediu. Seguimos utilizando uma constituição imposta pelo Reino Unido como parte do processo de independência. O presidente tem poderes para governar por capricho”, opina o acadêmico.

Ian KhamaDireito de imagemAFP
Image captionO atual presidente de Botswana, Ian Khama

Em um informe do Banco Mundial, publicado recentemente, o economista Michael Lewin, fala de uma tradição local chamada kgotla, em que os membros de uma comunidade se sentam para conversar durante horas sobre um problema comum. À medida que a receita dos diamantes vai diminuindo, por conta do esgotamento das jazidas, a kgotla pode ajudar Botswana a encontrar um novo caminho de êxito.KGOTLA

http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37306069

TACV autorizada a contrair empréstimo bancário

TACV

O Governo de Cabo Verde autorizou a companhia aérea de bandeira (TACV) a contrair um empréstimo bancário de 1,7 milhões de euros (cerca de 200 mil contos) junto do Banco Privado Internacional (BPI), depois de ter confirmado esta segunda-feira, que a companhia vai deixar de operar os voos domésticos a partir de 01 de Agosto.


África 21 Digital, com agência


Na última segunda-feira, o ministro da Economia e Emprego, José Gonçalves confirmou o fecho das operações domésticas da TACV, quando intervinha na sessão parlamentar deste mês que teve início nesse mesmo dia na Cidade da Praia.

Entretanto, em Boletim Oficial (BO) posto a circular hoje, o Governo autoriza a Direção Geral do Tesouro a conceder um aval a favor dos Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) para garantir um financiamento bancário junto do Banco Privado Internacional (BPI), no valor de dois milhões de dólares (cerca de 200 mil contos), informa a agência de notícias Inforpress.

A nota justificativa a propósito desta autorização, diz que a companhia “depara-se com a necessidade de recorrer a um empréstimo bancário”, e que a empresa tinha já contactado o BPI no início do ano.

A TACV vai retirar-se dos voos domésticos a partir de 01 de Agosto, passando esta responsabilidade a ser assumida na íntegra pela nova companhia aérea Binter Cabo Verde, de capital maioritariamente canário, com o Estado de Cabo Verde a comparticipar com 49%.

A saída da TACV das operações domésticas vem na decorrência do processo de reestruturação da companhia em curso, que continua, no entanto, a operar ainda a nível regional e internacional, encontrando-se em negociações para privatizar a linha internacional.

Entretanto, é de domínio público que a TACV tem atualmente uma dívida acumulada de 100 milhões de euros (cerca de 100 mil contos).

Recentemente, durante a sessão de audições perante a Comissão Especializada de Finanças e Orçamento, no Parlamento, o presidente do Conselho de Administração da empresa, José Luís Sá Nogueira, informou que a companhia aérea iria reduzir cerca de 50% dos seus trabalhadores e tem uma estimativa de 14 milhões de dólares para os processos de indemnização.

Na terça-feira, José Gonçalves, o ministro que tutela a empresa, disse que a partir de 01 de Agosto os trabalhadores vão continuar na TACV e que o plano de reestruturação da mão-de-obra será feito “muito mais a fundo”, e que se vai respeitar todos os direitos dos trabalhadores.

O ministro informou ainda que está em “extrema análise” o número de trabalhadores que poderão passar para a Binter CV e também os que serão indemnizados, pois, segundo disse, “queremos ter o mínimo de impacto negativo possível nas pessoas, desde que salvaguardemos o negócio, porque há quer ter negócio rentável”, afirmou.

Anteriormente, o PCA da TACV, José Luís Sá Nogueira indicara também que a saída da empresa dos voos domésticos permite ao Estado evitar um prejuízo de 500/600 mil contos anuais, com a agravante da “eminência da paralisação dos dois ATR” por causa da dívida acumulada junto dos proprietários.

Entretanto, tomam posse hoje os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), solicitada pelo Movimento para a Democracia (MpD, poder) que vai apurar os actos de gestão da TACV desde 1975.

A comissão em apreço será presidida pelo deputado Emanuel Barbosa (MpD).

https://africa21digital.com/2017/07/26/29986/

Angola deseja reforçar o sistema de empregabilidade e o incentivo ao empreendedorismo.

JOSE

O Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, orientou ontem, no Palácio Presidencial da Cidade Alta, os trabalhos da 11ª reunião ordinária conjunta das comissões Econômica e para a Economia Real do Conselho de Ministros.

 

A reunião aprovou o Relatório de Balanço do Plano de Caixa do mês de Junho, cujas despesas foram executadas em 91 por cento do montante programado.

 

O Presidente foi informado do Relatório de Atividades sobre “As medidas para fazer face à situação econômica atual/Junho de 2017”destacando no seu conteúdo as ações levadas a cabo no sentido de promover-se a inserção dos jovens na vida ativa, o reforço da capacidade institucional do sistema de emprego e formação profissional, o incentivo ao empreendedorismo, a valorização e mobilização dos recursos humanos e a qualidade e sustentabilidade do sistema de segurança social.

Para fazer face à diminuição das receitas, em função da acentuada redução da queda do preço do petróleo no mercado internacional, o Governo definiu ações de resposta em vários domínios, para, entre outros objectivos, manter o ritmo de crescimento econômico, acelerar a diversificação da economia, através do apoio a projetos empresariais privados dirigidos, inseridos no sector produtivo não produtivo, como a agricultura, pescas, indústria, comércio, transportes, logística e hotelaria e turismo.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/executivo_aprova_despesas

Governo de Cabo Verde celebra conquistas, oposição discorda

MERCADO.jpg

Ainda não se nota na prática a melhoria da segurança e justiça, criação de emprego, entre outras áreas importantes para a vida do país e da população, UCID.

Após quinze meses de governação, o Movimento para a Democracia faz um balanço positivo do estado da nação, por considerar que a economia está e crescer e o governo a caminhar no rumo certo para a resolução de vários problemas que o país enfrenta.

Mas o maior partido da oposição, PAICV, diz que as coisas não vão bem, uma vez que há sinais de regressão na democracia, incumprimento do programa sufragado e aprovado no Parlamento em matéria de segurança, criação de emprego, transportes e outras áreas.

A UCID afirma que apesar de se notar alguma melhoria no crescimento da economia, não se pode fazer balanço positivo, tendo em conta, que volvidos quase ano e meio, ainda não se nota na prática a melhoria da segurança e justiça, criação de emprego, entre outras áreas importantes para a vida do país e da população.

O analista politica, António Ludgero Correia entende que as principais matérias podem estar a ser equacionadas pelo Governo, mas ainda não se nota efeitos práticos, o que coloca algum desconforto no seio dos cidadãos tendo em conta as promessas de campanha.

Para Correia, a pressão resulta de algumas promessas feitas quando se sabia que o país não possuía condições financeiras para resolver um conjunto de situações.

“Faz-se as propostas passando a ideia de que com um clique ou passo de mágica passaria a haver leite e mel em abundância, e na prática as pessoas estão vendo que até os sinais se atrasam de que isso possa estar atrás do horizonte (…) penso que uma coisa é elaborar os planos em ambiente climatizado e quando se vai a tapadinha – terreno – se percebe que afinal não temos muitos recursos para resolver determinados problemas”, considera Correia.

O analista político faz também menção à oposição, que para ele precisa ser mais acutilante na fiscalização e ajudar com apresentação de propostas concretas para o desenvolvimento do país. Uma sociedade civil mais activa também se recomenda, diz Ludgero Correia.

Daniel Medina também é de opinião que o Governo ainda não conseguiu apresentar na prática os resultados desejados para projectar a criação de mais empregos, melhorar a segurança, justiça e outras questões como as populações esperam.

Ainda assim, Medida reconhece que há sinais de melhoria no crescimento económico, situação que poderá a medio prazo permitir a criação de empregos e resolver outros problemas.

“ Julgo ser necessário a formação de um triângulo que é desenvolvimento da economia para que possa haver mais geração de emprego, menos desemprego e naturalmente menos insegurança. De resto os partidos como já nos apercebemos, o que está no Governo vai dizer que está tudo bem, para a oposição tudo mal, por isso vamos dar mais um espaço ao executivo para demonstrar trabalho e resolver os problemas candentes do país que ainda enfrenta muitas dificuldades”, frisa Medina.

O estado da Nação vai estar em debate esta sexta-feira, 28, no Parlamento cabo-verdiano.

 

https://www.voaportugues.com/a/cabo-verde-partido-no-poder-celebra-crescimento-economico-oposicao-desqualifica/3961729.html

Os recursos naturais de África poderiam melhorar dramaticamente as vidas de milhões de pessoas

kofi annan Mas embora os recursos naturais tenham fomentado uma década de rápido crescimento econômico, a maioria dos africanos ainda não testemunhou os benefícios, de acordo com o relatório
CIDADE DO CABO, África do Sul, 10 de Maio – África está à beira de uma oportunidade
extraordinária, é a conclusão do Relatório do Progresso em África deste ano, e os
responsáveis políticos africanos têm de tomar decisões críticas. Podem optar por investir as receitas dos seus recursos naturais nas pessoas para gerar empregos e oportunidades para milhões de pessoas no presente e para as futuras gerações. Ou podem desperdiçar esta oportunidade, permitindo a proliferação do crescimento do desemprego e da desigualdade.
Em muitos países africanos, as receitas dos recursos naturais estão a alargar o fosso entre os ricos e os pobres. Embora muito se tenha alcançado, uma década de crescimento a um ritmo impressionante não representou melhorias comparáveis no âmbito da saúde, educação e nutrição.
O Africa Progress Panel está convicto que África pode gerir melhor a sua vasta riqueza em recursos naturais para melhorar as vidas das pessoas da região estabelecendo programas de ação nacionais arrojados para fortalecer a transparência e a responsabilidade.
Contudo, a elisão e a evasão fiscal internacional, a corrupção e a governação fraca
representam desafios importantes.  Por conseguinte, o relatório valoriza o empenho por parte da atual presidência do G8, a cargo do Reino Unido, e de outros governos em colocar os impostos e a transparência no centro do diálogo deste ano. O relatório desafia todos os países da OCDE a reconhecerem os custos da inação nesta área fundamental. África perde em fluxos financeiros ilícitos o dobro do valor que recebe em ajuda internacional.

O Africa Progress Panel considera que é inaceitável que alguma empresas, geralmente apoiadas por representantes governamentais desonestos, recorram à elisão fiscal, a preços de transferência e à propriedade anónima de empresas para maximizar os seus lucros, enquanto milhões de africanos são privados de acesso a nutrição, saúde e educação adequadas.
O relatório destaca cinco contratos celebrados entre 2010 e 2012, que custaram à
República Democrática do Congo mais de 1,3 mil milhões de dólares em receitas através da subavaliação e venda de bens a investidores estrangeiros. Este soma representa o dobro do valor dos orçamentos anuais para a saúde e para a educação de um país com uma das piores taxas de mortalidade infantil e com sete milhões de crianças e jovens fora da escola.
Kofi Annan, antigo Secretário‐Geral das Nações Unidas e Presidente do Africa Progress
Panel, afirmou: “A elisão e a evasão fiscal são questões globais que nos afetam a todos. O impacto para os governos do G8 é uma perda de receitas. Mas em África, esta situação tem um impacto direto nas vidas das mães e das crianças. Em todo o mundo, milhões de cidadãos precisam que os seus líderes tomem uma posição e liderem. Felizmente, o impulso necessário para a mudança parece estar a ganhar força.”
Parceiros diferentes têm objetivos semelhantes e os seus interesses coincidem, conclui o relatório. É mais difícil estabelecer uma relação de confiança do que mudar políticas –contudo é uma condição indispensável para uma reforma de políticas bem‐sucedida. O relatório deste ano identifica um programa de ação compartilhado com vista à mudança:
 Os governos africanos têm de melhorar a sua governação e reforçar a capacidade
nacional de gerir as indústrias extractivas como parte de uma estratégia económica
e de crescimento mais ampla  Os governos africanos devem colocar a transparência e a responsabilidade no centro das políticas de recursos naturais, assegurar uma parte equitativa das receitas dos recursos naturais para os seus cidadãos, e distribuir os benefícios desta receita através de despesas públicas executadas com equidade;
 A comunidade internacional deve basear‐se na lei Dodd‐Frank dos EUA e em
legislação comparável da UE para desenvolver uma norma global para transparência
e divulgação de informações, desenvolver uma resposta multilateral credível e
efetiva à evasão e à elisão fiscal, e enfrentar o branqueamento de capitais e as
“empresas fantasma” anônimas;
 As transações comerciais internacionais devem seguir as melhores práticas no
âmbito da transparência, ajudar a construir a capacidade nacional, obter mais
produtos e serviços localmente, e elevar as normas em todas as áreas de
responsabilidade empresarial;
 A sociedade civil deve incrementar a sua capacidade e continuar a responsabilizar os governos e as empresas.
Graça Machel, Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, fundadora do Graça Machel Trust e membro do Africa Progress Panel, afirmou: “Este relatório faz um contributo crítico para os debates sobre a riqueza dos recursos naturais de África. Se as suas recomendações forem tomadas em consideração, África irá acelerar o seu progresso em direção aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Mais crianças irão à escola, menos mulheres vão morrer durante o parto, mais crianças vão sobreviver à sua infância.”
Strive Masiyiwa, fundador e director executivo da Econet Wireless e membro do Africa Progress Panel, afirmou: “Embora algumas empresas muito importantes demonstrem uma liderança excepcional no âmbito da transparência, outras demonstram indiferença em relação à ética e à vida humana. Ao defraudarem o sistema, tornam o trabalho mais difícil para as empresas honestas.”
Linah Mohohlo, Presidente do Banco Central do Botswana e membro do Africa Progress Panel, afirmou: “A principal lição do Botswana é que os recursos naturais de África pertencem ao povo. Deste modo, os nossos diamantes são um elemento central para o nosso sucesso.”
*     *     *     *     *
Presidido por Kofi Annan, antigo Secretário‐Geral das Nações Unidas, o Africa Progress Panel composto por dez membros defende ao mais alto nível um desenvolvimento equitativo e sustentável para África. O Painel divulga a sua publicação emblemática, o Relatório do Progresso em África, todos os anos em Maio.
Para mais informações, contacte:
Matt Gould – matthew.gould@portland‐communications.com
(telemóvel) +44 (0) 795 890 9078 e (telefone) +44 (0) 207 822 1721
Peter Kelley – peter.kelley@portland‐communications.com
(telemóvel) +44 (0) 795.142 1247 e (telefone) +44 (0) 207 842 01247
Francisca Souto de Moura – francisca.sdm@portland‐communications.com
(telefone) +44 (0)207 8420148
http://www.africaprogresspanel.org e http://www.facebook.com/africaprogresspanel
@africaprogress e #APR2013

 

Fonte:www.kwigoo.com/agendaafricana/

Desemprego e insegurança em Cabo Verde preocupam partido político

O Partido Africano para Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), manifestou, este sábado (15) a sua “profunda preocupação” pela situação em que o país se encontra, nomeadamente no que toca ao aumento do desemprego e insegurança.

PAICV preocupado com o aumento do desemprego e insegurança no país

De acordo com o maior partido da oposição liderado por Janira Hopffer Almada, a situação, tanto o aumento do desemprego e insegurança como em relação a sectores variados, deve-se àquilo que considerara ser o “descalabro” da governação do Movimento para Democracia (MpD) nesses de 15 meses.

O PAICV considera ainda que há um “claro recuo” por parte do Governo em sectores estratégicos para o país e o “não cumprimento dos compromissos emergenciais que assumiu na campanha”.

Da leitura feita à comunicação social pelo membro do Conselho Nacional do PAICV João Baptista, que esteve em reunião este sábado na Cidade da Praia, com a governação do MpD (poder) em cima da mesa, o desemprego aumentou de 12 por centro para 15 e o país “continua agraciado com a insegurança”.

A mesma fonte refere ainda que o aumento da insegurança é visível, mas que tem tido menos divulgação, isto porque a o executivo sustentado pelo MpD faz de ” tudo para escamotear a realidade do país”.

A Comissão Política Nacional do PAICV entende que o Governo “não pode deixar agravar, a olhos nus”, a questão da segurança para os cabo-verdianos, tendo em conta que fizeram da problemática da insegurança sua bandeira de campanha, afirmando que tinham “solução” para o problema.

João Baptista Pereira afirmou que a situação está a complicar-se, argumentando que agora “os homicídios associam-se à ocultação de cadáver, assaltos aos bancos e supermercados e raptos de turistas”.

“O PAICV não pode fugir deste combate, desta realidade (aumento da insegurança), que é lutar e combater para que os cabo-verdiano tenham mais segurança, condição ‘sine qua non’ para promoção e desenvolvimento de Cabo verde”, enfatizou.

O partido avisa que vai fiscalizar e fazer com que se cumpra as promessas de campanha para que os problemas dos cabo-verdianos sejam resolvidos. Fonte: Inforpress

http://www.asemana.publ.cv/?PAICV-preocupado-com-o-aumento-do-desemprego-e-inseguranca-no-pais&ak=1