Marco legal da Ciência , Tecnologia e Inovação é regulamentado no Brasil

ban_854b30e8d2ebb29b9c763c187a1084b9Diário Oficial da União de hoje (8) publicou decreto que regulamenta o Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação (Lei nº 13.243/2016)  e  traz a expectativa de desburocratizar as atividades de pesquisa e inovação no país. As novas regras criam mecanismos para integrar instituições científicas e tecnológicas e incentiva investimentos em pesquisa.

 

De acordo com o ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o novo marco legal deve simplificar a celebração de convênios para a promoção da pesquisa pública; facilitar a internacionalização de instituições científicas e tecnológicas e aumentar a interação elas e as empresas.

Deve ainda incrementar a promoção de ecossistemas de inovação; diversificar instrumentos financeiros de apoio à inovação e permitir maior compartilhamento de recursos entre entes públicos e privados.

Outros pontos são a simplificação de procedimentos de importação de bens e insumos para pesquisa; novos estímulos para a realização de encomendas tecnológicas e flexibilidade no remanejamento entre recursos orçamentários.

O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro, que participou da reunião no Palácio do Planalto, avaliou como positivo o regulamento do marco e lembrou que é resultado de anos de discussões.

“Vemos isso como um ponto positivo para a integração maior da ciência, tecnologia e inovação no país. Temos a preocupação clara de destravar uma série de dificuldades legais que o Brasil tradicionalmente tem para a ciência funcionar; dar mais flexibilidade para a ação da ciência é muito importante. Como essa regulamentação vai chegar na ponta, nas empresas, nas instituições de pesquisa, isso vai ser um processo de construção”.

 

http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?data=08/02/2018&jornal=515&pagina=10&totalArquivos=180

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Empresas usam técnicas psicológicas para obter adesão mais íntima e emocional de funcionários

Sair da ‘zona de conforto’ e outras bobagens do mundo corporativo

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Empresas usam técnicas psicológicas para obter adesão mais íntima e emocional de funcionários

Funcionário da empresa australiana Xero
Funcionário da empresa australiana Xero DAVID MAURICE SMITH THE NEW YORK TIMES

Adrián era amarelo: ao ser contratado por uma pequena empresa de marketing digital, aplicaram-lhe um teste de personalidade. Vermelhos são os líderes; amarelos, os criativos; verdes, os criadores de um clima bom; e azuis, os dóceis. Ao chegar ao trabalho, todas as manhãs, ele tinha de escolher um emoticon que expressasse o seu estado de ânimo do momento, assim como ao sair, depois da jornada de trabalho (embora ele nem sempre fosse sincero e costumasse abrandar suas emoções, para não transmitir uma impressão ruim aos seus superiores). Em certos dias havia aulas de yoga, em outros mindfulness ou dinâmicas para ele se abrir com os demais e vencer a timidez; em alguns finais de semana, práticas de team building.

Adrian era guiado por um mentor, que definiu o seu número dentro da teoria psicológica do eneagrama da personalidade. Era o três. E todas essas informações eram compartilhadas com a direção da empresa. “Tudo tinha um ar de pensamento positivo, de modernidade tipo Vale do Silício”, lembra Adrián, que prefere não revelar sua identidade, “mas eu tinha a sensação de que estavam invadindo a minha intimidade, de que manipulavam a minha mente. Eu preferia fazer os meus trabalhos de caráter psicológico por conta própria”. Por razões como essas, Adrián acabou deixando o emprego.

Práticas e discursos desse tipo (embora nem sempre com a mesma intensidade descrita nesse caso) proliferam cada vez mais nas empresas, em especial no setor da chamada nova economia: consultoria, marketing, tecnologia etc. E vem, sobretudo, do mundo anglo-saxão e nórdico, onde são mais comuns. Elas são justificadas como algo que faz bem à empresa e ao funcionário, como uma forma de inovação e aproximação, formas mais humanas, mais friendlies. Para muitas pessoas, porém, elas são vistas como invasivas, assemelhando-se, mais, a um método de controle.

Steve_Vinter_and_Deval_Patrick_play_ping_pong-1180x650“Essas culturas empresariais novas buscam obter do trabalhador um compromisso diferente daquele que se pedia tradicionalmente”, explica Carlos Jesús Fernández, professor do Departamento de Sociologia da Universidade Autônoma de Madrid (UAM). “Antes era preciso saber fazer um trabalho e desempenhar uma função durante oito horas por dia. Agora se procuram características pessoais, competências ligadas à personalidade”. Daí as palestras motivacionais que estimulam palavras mágicas como liderança, empreendimento, risco ou o mantra tão difundido do “é preciso sair da zona de conforto”. Daí, também, a proliferação de livros de autoajuda ligados ao mundo corporativo. O problema, segundo Fernández, é que “existe um vazio de regulamentação no controle dessas práticas”, o que faz com que elas, muitas vezes, cheguem longe demais.643769783213454

“Discursos sobre inovação aumentam, mas se trabalha cada vez mais, com mais disciplina e com um consumo cada vez maior de calmantes”, comenta especialista

“O que essas técnicas visam é, principalmente, que os funcionários se identifiquem com a empresa”, afirma Óscar Pérez Zapata, professor de Organização de Empresas no ICADE e na Universidade Carlos III de Madri e diretor de pesquisas do think tankDubitare. “O que se pretende é criar uma cultura corporativa forte em que os elementos emocionais e íntimos, como os apelos à paixão, são cada vez mais importantes”, acrescenta. O que, a rigor, não é algo novo, pois há décadas que os trabalhadores se identificam com suas empresas, sobretudo no caso de companhias grandes e poderosas. Mas antes, cabe dizer, os contratos de trabalho eram de uma vida inteira.google-3

Tudo é coberto por um verniz de sorrisos, desse pensamento positivo tão em voga e criticada por livros como Sorria ou Morra, de Barbara Ehrenreich, ou A Indústria da Felicidade, de William Davies. “Trata-se de uma mentalidade que se encaixa muito bem com o objetivo pretendido”, avalia Pérez Zapata. “O pensamento positivo elimina qualquer possibilidade de crítica e desloca a culpa e a dúvida para o indivíduo e não para a estrutura onde ele atua. Liga-se, assim, à concepção fantasiosa do eu empreendedor, da iniciativa pessoal do herói que tudo pode com a autogestão e que, no limite, é o único responsável pelos êxitos ou pelos fracassos”.

Esses problemas são analisados pelos chamados critical management studies(CMS), um conjunto de disciplinas surgidas nos anos noventa e que estudam o funcionamento das empresas de forma crítica a partir das obras de pensadores como Michel Foucault (sobretudo seus estudos sobre a sociedade disciplinadora), a teoria crítica da Escola de Frankfurt ou a teoria do processo de trabalho, entre outras fontes teóricas. Elas foram criadas por professores de escolas de negócios e faculdades de administração de empresas, como Mats Alvesson ou Hugh Willmott, que propunham uma visão crítica e procuravam trazer à luz as relações de poder no seio das organizações empresariais. “Embora a palavra crítica pareça muito beligerante, pode se tratar de uma crítica construtiva para a empresa”, afirma Pérez Zapata. “No que se refere a essas técnicas, o veneno está na dosagem”.

O panorama descrito é típico da era pós-fordista, em que proliferam a ausência de proteção, a mobilidade e a flexibilidade no trabalho, a dissolução das classes sociais bem definidas e a atomização das relações trabalhistas. A conexão permanente via Internet, além disso, torna fluidos os limites dos horários e das jornadas de trabalho. Tudo que se refira ao trabalho se torna líquido também. “Rompem-se, dessa maneira, os limites e as regulamentações de quase tudo: onde se trabalha, quanto se trabalha, com quem, como etc, hoje em dia muito da responsabilidade recai sobre o trabalhador”, diz Pérez Zapata. “Normalmente há uma sobrecarga para o trabalhador, a quem se pede que ultrapasse seus limites e ao mesmo tempo saiba impô-los a si mesmo”.

“Há uma individualização e uma psicologização crescentes”, observa Luis Enrique Alonso, catedrático de Sociologia da UAM e coordenador do grupo de pesquisas de Estudos sobre trabalho e cidadania. “O que se busca é uma adesão psicológica integral e que não exista nada intermediário entre o funcionário e a empresa, que não exista nenhum tipo de ação ou identidade coletiva”, afirma. Esse ar de criatividade individualista e de modernidade hipster poderia ser visto como uma herança da contracultura dos anos sessenta assimilada pelo capitalismo contemporâneo: a rebeldia individualista antissistema transformada em ambição individualista empresarial, como observam Chiapello e Boltanski em O novo espírito do capitalismo. O pebolim no escritório. “O fato é que falar hoje em dia em organização e direitos coletivos soa como algo muito velho”, conclui o professor, “o que nos leva a uma espécie de darwinismo social estimulado pela precariedade existente. Mascara-se, assim, a disputa encarniçada pelos poucos postos disponíveis: salve-se quem puder”.

“Estamos agindo de forma ética nas empresas?”, questiona Fernández. “Os discursos sobre inovação aumentam, mas se trabalha cada vez mais, com mais disciplina e com um consumo cada vez maior de calmantes para suportar tudo isso”, conclui.

 

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/24/economia/1508848045_385114.html

Presidente de Ruanda no comando da União Africana

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O presidente de Ruanda, Paul Kagame,  foi eleito como novo presidente da União Africana para o ano de 2018.

A Assembléia de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA) reuniu-se na 30ª Sessão Ordinária na Sede da UA em Adis Abeba, Etiópia, elegeu em 28 de janeiro de 2018 uma nova mesa para coordenar as atividades de a União para o ano de 2018.

O presidente Kagame  disse que o desafio da África é criar um caminho para a prosperidade para o nosso povo, especialmente para os jovens, e que  em outros lugares, isso foi alcançado através da industrialização. Mas essa trajetória de crescimento que transformou a Ásia, não é necessariamente mais uma opção viável para a África, simplesmente porque esperou-se demais para agir.

Ele acrescentou que, a tecnologia evoluiu tão rapidamente nos últimos anos, que a janela de África para seguir essa estratégia está se estreitando muito mais rapidamente do que se acreditava anteriormente.

“Estamos ficando sem tempo, e devemos agir agora para salvar a África de uma privação permanente”, afirmou o Presidente da União.

De acordo com o novo presidente da União a escala é essencial. O grande objetivo é criar um único mercado no continente, integrar a infraestrutura e infundir as economias com tecnologia. Nenhum país ou região pode gerenciar por conta própria. Temos que ser funcionais, e temos que ficar juntos. A reforma financeira e institucional da União Africana é  urgente.  África tem recursos e forças para construir, começando com esta organização, e seu firme  compromisso com a unidade.

É uma vantagem para os africanos , que nenhuma outra região do mundo possui, com tanta abundância.

“A unidade deve ser o nosso ponto de partida, pois fazemos o trabalho necessário para redefinir nossos planos e ambições, em termos continentais … Essas mudanças precisam acontecer. Não existe um país no nosso continente que não quer fazer parte de uma África mais assertiva e visível “, assim afirmou Paul Kagame.

Angola passa por reformas no inicio do mandato do presidente João Lourenço

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Depois das eleições de Agosto de 2017, Angola jamais será a mesma, porque depois de João Lourenço tem deixado claro que não quer ser uma réplica de José Eduardo dos Santos. Com a experiência de que se precisa fazer mudanças, que as faça logo no primeiro ano de governo. Foi o que fez

Realizou substituições no Executivo, nas Forças Armadas e Polícia, nas administrações das empresas públicas  nos mais variados setores da atividade econômica e social levou o presidente da República João Lourenço a uma nova imagem aos olhos do cidadãos.

Trouxe à opinião pública uma nova postura na relação entre o Executivo e a sociedade, que tem sido pautado pela transparência. Procurou salvaguardar a sua ação na legalidade constitucional, e sem subalternizar o MPLA, João Lourenço assumiu como um Presidente da República cumprindo simultaneamente os fundamentos da Constituição.

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Angola também testemunhou acontecimentos cuja proeminência será determinada pela história, como a mudança do Conselho a principal empresa publica a Sonangol, que era ocupada pela filha do ex-presidente da República. E ontem exonerou , por conveniência de serviço, o presidente do Conselho de Administração do Fundo Soberano de An­gola, José Filomeno dos Santos,que também é filho do ex presidente José Eduardo dos Santos,  e os seus administradores executivos.

Cerca de trezentas exonerações e outras tantas nomeações em pouco mais de três meses não podem passar despercebidas.  Trocou a liderança do Banco Nacional de Angola, mudou ministros e secretários de estado, reduziu o tamanho do executivo, mudou o foco e uniu Ministérios e Secretarias de Estado.

Foi notória a mudança de paradigma, pois elevou a luta contra a corrupção e a impunidade dando poder real e liberdade de ação à Procuradoria Geral da Republica, ao Tribunal de Contas bem como deu novo folego a policia nacional e aos serviços de investigação criminal.

Mudou a cara da diplomacia nacional, o Ministério das Relações Exteriores vai abrir um concurso público interno para o processo de rotatividade dos funcionários das missões diplomáticas e postos consulares de Angola no exterior, o objectivo dessa medida é tornar o processo mais transparente e trazer elementos que abram a possibilidade de todos os funcionários participarem. A diplomacia econômica será a nova diretriz dos diplomatas procurando atrair investidores para o país

Conclamou que fosse realizado a repatriação dos capitais transferidos ilegalmente por governantes e ex-governantes, bem como todos aqueles que o fizeram durante a guerra, passando a mensagem que ninguém está acima da lei. Esses capitais serão repatriados para serem investidos no país no setor produtivo, o que na verdade, não estará a “receber” dinheiro a angolano algum, mas sim a tornar aquele capital que hoje é ilícito lá fora em capital licito cá dentro, onde aqueles que antes se apoderaram do erário, minérios e outros bens públicos, poderão no futuro se tornar empresários nacionais de sucesso.

João Lourenço recebeu pessoalmente investidores estrangeiros para áreas produtivas, agricultura, pecuária e pescas, virou-se rapidamente para os mercados regionais, ao ralizar a primeira vista oficial à Africa do Sul eliminado as barreiras à entrada para pessoas e mercadorias, levando a acreditar que estará em curso o processo de adesão a zona da comercio livre da africa austral.

São sinais muito claros de que há mudanças ocorrendo no país, liderado por João Lourenço, mas é cedo para conclamar vitórias. Com o passado aprendemos a ter paciência e reconhecer os erros. A burocracia angolana é muito lenta e resiste às mudanças, o cidadão  sabe que gestos são importantes, mas a elite angolana tem sido pouco solidária junto aos mais pobres. A entrevista do presidente essa semana foi um dos melhores momentos desse governo, pois esclareceu muitos dos pontos do novo estilo de administração.

Para nós brasileiros muitas das mudanças abrirão oportunidades de negócios e trabalho, que deverão ser acompanhado com atenção, pois muitos brasileiros serão atraídos a tornarem investidores no pais, face essa nova postura do novo Presidente da República.

Botswana a experiência de democracia a ser acompanhada de perto

  • Por: Moises M. Antunes “Wima the Poet”

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Existe uma percepção nas mentes de muita gente incluindo de muitos analistas politicos que tendo um Partido-Estado não é bom para democracia de um país; e que para haver mudança num país tem de haver mudanças de partidos politicos no poder.

Por Moises Monteiro Antunes

Eu sou um dos analistas que discorda com esse school of thought (escola de pensamentos) e para ilustrar o meu argumento vos apresento o caso de Botswana Democratic Party-BDP ou seja (Partido Democrático de Botsuana).

A Dominação Política do BDP em Botswana e a Dominação Política do MPLA em Angola.

Botsuana tem muitas características completamente diferente de Angola, começando pelo sua história e factores culturais; factores étnicos linguísticos; a cultura política e muitos outros factores. Mas existe um factor denomidor na Política de Botsuana, neste caso a Competição Política de Botsuana que pode eventualmente mostrar os sinais de parto na nossa competição Política Angolana.

Botswana continua a ser governado pelo mesmo partido que é o Botswana Democratic Party (BDP) ou seja Partido Democrático de Botsuana desde a data de independencia de Botsuana ocorrido em 1966. Em outras palavras o BDP é um Partido-Estado de Botsuana que apesar ser um Partido-Estado, instalou uma democracia exemplar em África.

 

Angola continua a ser governado pelo mesmo partido o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) desde a independencia de Angola em 1975. É também um Partido-Estado mas ainda não se compara com o BDP em termos de performance políticas e em matéria de democracia.

O factor comum entre O BDP em Botsuana e o MPLA em Angola é exactamente o facto que esses partidos continuam a dominar a competição política dos seus respectivos países desde a indendencia e nunca foram desalojados do poder pela oposição. Claramente existem factores diferentes que distinguem esses dois países.

Por exêmplo, Botsuana optou cedo pela democracia e Angola optou cedo pelo comunismo e muito mais tarde pela democracia e isso condicionou Angola em conflicto armado prolongado em Angola; enquanto o Botsuana evitou isso e hoje Botsuana é visto no mundo como o modelo de um País democrático em África.

Botsuana até aqui teve cinco (5) Presidentes enquanto Angola soma apenas três (3) presidentes com João Lourenço. A moeda de Botsuana que se chama Pula é uma das mais fortes moedas em África, não se compara nem tão pouco com o nosso kwanza.

Um outro factor que deve-se levar em consideração é o facto que tanto o Botswana Democratic Party (BDP) em Botsuana assim como o MPLA em Angola continuam a perder terreno eleitoral nos centros Urbanas à favour da oposição. Em Angola notamos que em Luanda o MPLA continua a perder votos e o BDP também continua a perder votos na capital em Gabarone. Enquanto após a independencia as capitais dos países eram considerávelmente os maiores terrenos eleitorais desses partidos (BDP e MPLA).

O Botswana Democratic Party (BDP) tem sabido servir os interesses do povo de Botsuana ou seja as suas políticas, leis aprovadas pela maioria parlamentar do BDP assim como a vontade política dos presidentes até aqui tem sempre rimado com os ensejos do povo.

O BDP tem gerido bem os recursos naturais de Botsuana em benefício do povo, os diamantes tem sido gerido de forma eficiente e hoje Botsuana é um dos maiores productor de diamantes no mundo e tem uma economia estável.  O Povo de Botsuana apoia maioritáriamente o partido no poder (BDP) e isso tem fragilizado a oposição em Botsuana, causa dos problemas que a oposição em Africa e em Angola tem e que eu tenho chamado atenção.

Falando de exêmplos concretos, qui na África do Sul, todos Botsuanos estudam com bolsas de estudos totalmente pagas pelo Estado, apartir do Médio até ao ensino Superior.

Qual é o govern Africano que faz isso?

Todo Botsuano tem direito a bolsa de estudo para se formar em qualquer páis do mundo, maioritariamente nos Estados Unidos e África do Sul irrespectivamente se são filhos de camponês ou filhos da elite. Portanto, acho que o MPLA tem muito que aprender do Botswana Democratic Party e o govern Angolano deve aprender muito do governo de Botsuana.

O modelo de governação do BDP prova ao mundo que é possível ter um Partido- Estado com uma democracia exemplar. Por outro lado, também é um exêmplo prático que uma das melhores formas de fragilizar a oposição em Democracia é servir bem o interesse do povo.

Quando o povo sente e acha que o partido no poder está servir melhor o seu interesse, então claro que não veja necessidade de votar num outro partido da oposição. Porque ninguêm se atreve em mudar o que ja está bem (you cannot change what is already working out). E esse é o desafio que os partidos da oposição em Botsuana tem enfrentado até ao momento.

Um dia perguntei a um estudante de Botsuana na África do Sul, concretamente em Cape Town; ”porquê que vocês continuam a votar pelo BDP desde a independencia, sempre o mesmo partido, porque não votam num Partido da Oposição?”

Ele respondeu-me:” Mas porquê devemos votar na Oposição se o partido no poder está fazendo aquilo que nós queremos?...” continou : “ por exêmplo eu sou filho de Camponês, nós somos do campo mas estou aqui a estudar tudo pago pelo governo do BDP. Por isso no nosso País o BDP continua no poder não por engendrar fraudes eleitorais como nos outros países Africanos mas porque está fazendo um bom trabalho”.

Entrentanto, a sua resposta me convenceu e faz sentido foi assim que percebi a dominação política do Botswana Democratic Party. Essa conversa ocorreu já 10 anos atrás, mas hoje fiquei a pensar nissso tendo em conta o pramagatismo positivo de JLO. Será que se o MPLA continuar com essa virada política introduzida pelo JLO, Angola pode ter a mesma realidade de Botsuana onde o MPLA continuará no poder e a oposição sem chance de ganhar o poder?

Acredito que os partidos da oposição devem também aprender alguma coisa da realidade política de Botsuana. Isso deve servir de alerta que a oposição em Angola deve se reiventar, porque se o MPLA melhorar nas suas políticas ao ponto de ganhar de volta toda simpatia do povo e servir melhor o povo. Ou seja decidir fazer a mudança por dentro (o que pode estar acontencer) evitanto que a mudança venha de fora (pela oposição); então acho que ficará afastada para bem longe a possibilidade de Angola ser governado por um partido da oposição um dia.

Tendo em conta a ventania reformista que JLO está provocando e os aplausos que o povo está batendo; posso dizer que se essa ventania reformista estiver mesmo enraizado no MPLA e não apenas a vontade política de JLO, então estarémos perante à uma realidade de Botsuana. Mas para isso acontecer terémos de ter um Poder Judicial completamente independente; uma CNE completamente independente onde os integrantes não sejam membros dos partidos politicos mas apenas pessoas apartidarios ou independentes da sociedade civil como em Botsuana e na África do Sul.

Para concluir, nem sempre a mudança de partidos no poder garante a democracia ou o bem estar do povo; as vezes o que se precisa é apenas a mudança de coração dos líderes e dos atores politicos. Espero que esse artigo ajudou para reflectir um pouco sobre a nossa realidade e o sonho que temos por uma Angola diferente.

 

Consultor Político e de Relações Internacionais & Diplomacia (Angola & África do Sul) Consultor Internacional de Inteligência de Mercado-SADC (Angola & África do Sul) Orador Motivacional |Tradutor Ajuramentado (Inglês e Português)

South Africa

http://www.angola24horas.com/index.php?option=com_k2&view=item&id=9300:quando-um-partido-estado-e-sinonimo-de-democracia-o-caso-do-bdp-em-botsuana-e-licoes-para-o-mpla&Itemid=649

Brasil inaugura centro de pesquisa em cosméticos

Centro de Inovação e Pesquisa da L’Oréal no Rio d e Janeiro | Divulgação/L’Óreal

 

A empresa  francesa L’Óreal  inaugurou o Centro de Inovação e Pesquisa da L’Óreal, na terça feira dia 24/10, no Rio de Janeiro e custou R$ 160 milhões.   O primeiro centro de pesquisa da L’Óreal  na América Latina,  os demais estão na França, Estados Unidos, África do Sul, China, Índia e Japão. 

A empresa explica que escolheu o Brasil porque o país conta a maior diversidade de tipos de pele e cabelo em todo o mundo, o que ajudará a empresa a acelerar o desenvolvimento de produtos específicos para o público brasileiro e customizar o que é criado no exterior à realidade local e latino-americana.

Segundo a L’Oréal, existem oito tipos de cabelo no mundo. No Brasil, é possível encontrar sete deles. Já em relação aos tipos de pele, existem 66 no mundo, sendo 55 por aqui.

O empreendimento está localizado na Ilha de Bom Jesus, mesma região em que está o Parque Tecnológico do Rio de Janeiro e a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele tem cerca de 15 mil metros quadrados e emprega cerca de 100 pessoas. A sede da L’Oréal, que também fica no Rio de Janeiro, será levada para o local.

O local desenvolverá produtos para cuidados com os cabelos e proteção solar e higiene, com foco em atender o mercado brasileiro e latino-americano. Mas há a possibilidade que as inovações sejam lançadas mundialmente também.

 

 

Crescimento sem industrialização? Etiópia, Costa do Marfim, Tanzânia, Senegal, Burkina Faso e Ruanda

 

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Apesar dos baixos preços mundiais das commodities das quais tendem a

depender, muitas das economias mais pobres do mundo estão em boa

situação. O crescimento da África Subsaariana desacelerou

drasticamente desde 2015, mas isso reflete problemas específicos em

três de suas maiores economias (Nigéria, Angola e África do Sul).

 

As projeções para Etiópia, Costa do Marfim, Tanzânia, Senegal, Burkina

Faso e Ruanda apontam para a obtenção de um crescimento de 6% ou

mais neste ano. Na Ásia, o mesmo ocorre com Índia, Mianmar,

Bangladesh, Laos, Cambodja e Vietnã.

 

Essas são boas novas, mas são também surpreendentes. Economias em desenvolvimento que conseguem crescer aceleradamente de maneira sustentável, sem depender de surtos de crescimento dos recursos naturais -como a maioria desses países dependeu por uma década ou mais -, normalmente são impulsionadas pela industrialização voltada para as exportações. Só que poucos desses países estão vivenciando muita industrialização.

 

A participação da indústria de transformação nos países subsaarianos de baixa renda está, em grande medida, estagnada – e, em alguns casos, em queda. E, apesar de muito se falar do “Make in India”, uma das máximas do premiê Narendra Modi, o país dá poucos indícios de contar com uma industrialização acelerada.

 

A produção industrial se tornou uma poderosa força propulsora do desenvolvimento econômico para países de baixa renda por três motivos. Em primeiro lugar, era relativamente fácil absorver a tecnologia do exterior e gerar empregos de alta produtividade.

Em segundo lugar, os empregos industriais não exigiam muita qualificação: agricultores podiam ser transformados em trabalhadores da produção em fábricas, com pouco investimento em treinamento adicional.

E, em terceiro lugar, a demanda por produtos industrializados não era limitada pela baixa renda interna: a produção podia se expandir virtualmente de forma ilimitada, por meio das exportações.

 

Mas as coisas mudaram. Está atualmente bem documentado que a produção se tornou cada vez mais intensiva na utilização de qualificações nas últimas décadas.

 

Juntamente com a globalização, isso dificultou muito para os recém-chegados o ingresso com força nos mercados mundiais e a reedição da experiência dos superastros asiáticos da indústria de transformação. Com a exceção de um punhado de exportadores, as economias em desenvolvimento passaram por uma desindustrialização prematura. É omo se a força propulsora tivesse sido retirada dos países retardatários.

 

Como, então, entender o recente surto de crescimento de alguns dos países mais pobres do mundo? Será que esses países descobriram um novo modelo de crescimento?

 

Em pesquisa recente, Xinshen Diao, do Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, Margaret McMillan, da Universidade Tufts, e eu examinamos os padrões de crescimento ostentados por essa nova safra de países de alto desempenho. Nosso foco está nos processos de mudança estrutural vivenciados por esses países.

Documentamos algumas descobertas paradoxais.

Em primeiro lugar, a mudança estrutural promotora de crescimento foi significativa na experiência recente de países de baixa renda como Etiópia, Malawi, Senegal e Tanzânia, apesar da ausência de industrialização.

 

A mão de obra tem migrado das atividades agrícolas de baixa produtividade para atividades de maior produtividade, mas estas são, principalmente, serviços, e não indústria de transformação.

 

A agricultura teve papel

fundamental na África por si

só e também ao impulsionar

mudanças estruturais que

ampliam o crescimento.

Diversificação e adoção de

novas técnicas de produção

podem transformá-la em

atividade virtualmente

moderna

 

Em segundo lugar, a rápida mudança estrutural ocorrida nesses países

sucedeu à custa de um crescimento da produtividade do trabalho

primordialmente negativo nos setores não agrícolas. Em outras

palavras, embora os serviços que absorviam os novos postos de trabalho

ostentassem uma produtividade relativamente alta de saída, sua

dianteira diminuiu à medida que se expandiam.

 

Esse comportamento contrasta acentuadamente com a experiência clássica de crescimento do Leste da Ásia (como as de Coreia do Sul e China), na qual a mudança estrutural e aumentos da produtividade da mão de obra não agrícola contribuíram significativamente para o crescimento total.

 

A diferença parece ser explicada pelo fato de que a expansão de setores urbanos, modernos, em recentes episódios de crescimento acelerado é impulsionada pela demanda interna, e não pela industrialização voltada para as exportações.

 

Em especial, o modelo africano parece ser sustentado por choques positivos de demanda agregada gerados ou por transferências procedentes do exterior ou pelo crescimento da produtividade na agricultura.

 

Na Etiópia, por exemplo, os investimentos públicos em irrigação, transportes e energia elétrica geraram um aumento significativo da produtividade e das rendas agrícolas. Isso resulta em mudança estrutural promotora do crescimento, uma vez que o aumento da demanda se propaga para os setores não agrícolas.

Mas, como efeito colateral, a produtividade da mão de obra não agrícola é deprimida com a diminuição dos retornos sobre o capital e a atração de empresas menos produtivas.

Não se pretende com isso minimizar a importância do crescimento acelerado da produtividade na agricultura, o setor arquetipicamente tradicional. Nossa pesquisa sugere que a agricultura desempenhou papel fundamental na África não apenas por si só como também como impulsionadora de mudança estrutural magnificadora do crescimento.

 

A diversificação para produtos não tradicionais e a adoção de novas técnicas de produção podem transformar a agricultura em uma atividade virtualmente moderna.

 

Mas há limites para o quanto esse processo consegue puxar a economia. Em parte devido à baixa elasticidaderenda da demanda por produtos agrícolas, o êxodo da mão de obra da agricultura é resultado inevitável durante o processo de desenvolvimento.

 

A mão de obra liberada tem de ser absorvida nas atividades modernas. E, se aprodutividade não se expandir nesses setores modernos, o crescimento de toda a economia vai, em última instância, estacionar. A contribuição que o componente da mudança estrutural pode dar é necessariamente autolimitadora, caso o setor moderno não experimente um crescimento acelerado da produtividade por si só.

 

Países africanos de baixa renda conseguirão sustentar taxas moderadas de crescimento da produtividade no futuro, calcadas em persistentes aprimoramentos do capital humano e da governança. A continuidade da convergência com níveis de renda de países ricos parece alcançável. Mas as evidências sugerem que as taxas de crescimento infundidas recentemente pela mudança estrutural acelerada são excepcionais e poderão não durar.

 

Jornal Valor 17 de outubro de 2017

(Tradução de Rachel Warszawski).

Dani Rodrik é professor de economia política internacional na Faculdade de Governo John F. Kennedy, de Harvard. Copyright: Project Syndicate, 2017.

www.project-syndicate.org

Fonte:http://www.valor.com.br/opiniao/5157940/crescimento-sem-industrializacao

Angola e Ceará unidos por um cabo submarino

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No início do mês de agosto, o governador cearense, Camilo Santana, esteve em Angola para participar da cerimônia de lançamento da South Atlantic Cable System, a primeira rede de cabos submarinos de fibra óptica que ligará o continente africano diretamente ao Brasil. A obra, orçada em cerca de 160 milhões de dólares, será liderada pela multinacional Angola Cables e servirá para estreitar as relações comerciais entre a África e a América do Sul, especialmente no setor de tecnologia, mas também deverá reforçar o papel do Ceará como polo nacional de infraestrutura e comunicação de dados.

A nova ligação com a África será totalmente integrada ao Cinturão Digital do Ceará, que atualmente já conecta o Brasil aos Estados Unidos, à Europa e a vários países da América do Sul. A parceria com a Angola Cables prevê também a construção de um moderníssimo data center em Fortaleza, ao custo de 30 milhões de dólares, que aumentará ainda mais a capacidade de armazenamento e transmissão de dados das empresas da região. “Trata-se de uma grande oportunidade para os empresários dos segmentos de TI, produção de conteúdo e games”, afirma o secretário do Planejamento do estado, Maia Júnior, destacando os incentivos fiscais concedidos para as companhias de tecnologia. “Esse é um setor que interessa muito ao Ceará. Queremos investir ainda mais nessa nova economia e atrair startups”, diz.

Atrativos

O investimento em tecnologia está diretamente ligado aos avanços conquistados pelo estado na área da educação. Hoje, o Ceará é referência em ensino de qualidade, abrigando 77 das 100 melhores escolas públicas de ensino fundamental do Brasil – incluindo as 24 primeiras da lista – e vem formando um grande contingente de profissionais altamente qualificados e capacitados para atuar nos mais diferentes setores.

A economia sólida é outro atrativo do Ceará, estado brasileiro com o melhor equilíbrio fiscal de acordo com estudo recente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) –  cresceu 1,9% no primeiro trimestre de 2017, índice bem acima da média nacional. No mesmo período, o PIB do Brasil registrou aumento de 1%.

“O Ceará vive um momento de atração de investimentos nacionais e internacionais por ser um importante hub digital no Brasil”, afirma o secretário do Desenvolvimento Econômico do estado, Cesar Ribeiro. “Além disso, o estado vem se consolidando também como hub logístico, devido principalmente ao crescimento do complexo do Pecém. O potencial do nosso porto e a chegada da operadora alemã Fraport, que vai administrar o Aeroporto Internacional de Fortaleza pelos próximos anos e deve expandir as rotas aéreas a partir do Ceará, garantirão maior agilidade ao escoamento de produtos perecíveis produzidos no estado, como flores, frutas e pescados.”

Situado em uma área de 13 000 hectares, o complexo do Pecém abriga hoje alguns dos maiores investimentos privados do Brasil, como a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP). Inaugurada em abril deste ano, a CSP é uma joint-venture da mineradora brasileira Vale com as sul-coreanas Dongkuk (maior compradora global de chapas de aço) e Posco (maior siderúrgica da Coreia e quarta maior do mundo) que deve produzir 3 milhões de toneladas de chapas de aço logo em seu primeiro ano de operação. Boa parte da produção já é exportada via Porto do Pecém para Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Coreia do Sul, Taiwan, entre outros.

O complexo do Pecém abriga ainda a única Zona de Processamento de Exportação (ZPE) atualmente em operação no Brasil, condição que tem despertado o interesse de companhias multinacionais e outras indústrias brasileiras com foco na exportação. A ZPE é uma zona de livre comércio onde toda a produção conta com tributação diferenciada, como a isenção de IPI, PIS e Cofins, além da possibilidade de recebimento dos pagamentos fora do país.

A logística é outro diferencial competitivo do complexo do Pecém. Graças à localização privilegiada e à sua moderna infraestrutura portuária, a movimentação de cargas no porto vem crescendo em média 25% ao ano e, hoje, chega a 15 milhões de toneladas. A meta dos administradores, no entanto, é dobrar esse volume em pouco tempo. “Por estar ‘na esquina do Atlântico’, como costumamos dizer, a quatro dias de distância da África, a oito dias da Europa e a sete da costa leste dos Estados Unidos, o Ceará pode garantir uma maior rapidez às exportações marítimas. Esse é um diferencial do Pecém”, conclui o secretário Cesar Ribeiro.

 

Gana cria importante projeto no campo da astronomia

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Não é preciso ser rico para isso, basta vontade política, começando lá de baixo. Gana por exemplo. Tem o 87º PIB do mundo. O Uruguay está em 79º. Eles tem a 126ª renda per capita do mundo. Nós que somos essa desgraça, estamos em 80. Mesmo assim eles conseguem juntar uns caraminguás e investir em ciência.

O mais recente projeto é o radio-observatório de Kuntunse. Os cientistas conseguiram uma antiga antena de comunicação doada pela Vodafone, e com apoio do governo transformaram as instalações em um radiotelescópio.

Esse equipamento não só permitirá observações sofisticadas, como será integrado a telescópios em outros países, inclusive Europa e África do Sul. Através de um processo de interferometria, é criada uma antena virtual com milhares de km, possibilitando muito mais resolução.

O custo do projeto foi de US$ 9,2 milhões, ou “você me fez dar pause em Game of Thrones pra ISSO?” em valores de políticos brasileiros. Foi bancado pelo African Renaissance and International Cooperation Fund, um Departamento que promove investimentos pacíficos em países africanos.

A meta agora é incluir Astronomia nas universidades locais, assim não será mais preciso ir para o exterior estudar. Dickson Adomako, diretor do Instituto Ganense de Tecnologia e Ciência Espacial ressalta que o observatório será uma chance dos astrônomos botarem a mão na massa, saindo do campo teórico.

O observatório foi inaugurado quinta-feira passada pelo presidente Nana Addo Dankwa Akufo-Addo, e descrito como o começo de uma nova era de pesquisa e cooperação internacional, incluindo a African Very Long Baseline Interferometry Network.ghana-radio-astronomy-observatory.jpg

Essa iniciativa vinda de um país tão pobre mostra que não importa o seu tamanho. Ninguém é tão pequeno que não possa olhar pra cima e sonhar com as estrelas.

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Botswana o país africano que deu certo

Seretse KhamaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionSeretse Khama foi o primeiro presidente de Botswana.

Quando Charles King, correspondente do Serviço de Notícias Sul-Africano, fez seu relato sobre a independência de Botswana, em setembro de 1966, ele descreveu o país como um “grande terreno sem estradas” e pouco para celebrar. Afinal, dois anos de seca e más colheitas haviam, nas palavras de King, “espalhado o caos e a fome por uma população camponesa dispersa”.

Na opinião do jornalista, o recém-formado país tinha poucas esperanças de estabilidade econômica. Apesar de ter um território comparável ao da França, Botswana tinha apenas 12 quilômetros de estradas asfaltadas e poucos hospitais. A maioria da população vivia da agricultura de subsistência.

Porém, a história não poderia ser tão diferente cinco décadas depois: Botswana é hoje aclamado como uma história de êxito na África. O PNUD, órgão das Nações Unidas para o desenvolvimento, descreve o país como um caso verdadeiro de sucesso em termos de progresso humano e econômico.

Encanto natural

Isso é algo evidente quando se chega a Gaborone, a capital de Botswana. As ruas estão limpas e organizadas, e o trânsito flui com facilidade em meio a modernos arranha-céus. Diferentemente do caos pós-colonial de tantas capitais africanas, as coisas aqui funcionam. E bem.

Greg Mills, da Fundação Brenthurst, um grupo sul-africano de pesquisas em economia, explica que a transformação é o resultado de uma visão a longo prazo, de estabilidade política e de “governos prudentes”.

Diamante brutoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionBotswana tem uma poderosa indústria mineradora

Mills poderia ter acrescentado ainda o fator sorte. Botswana foi abençoado com vastas reservas de diamantes e imensas áreas de deserto virgem, onde grandes felinos andam livres. E é ainda o país que tem mais elefantes no mundo. Tudo isso ajudou o país a, em apenas 50 anos, aumentar em mais de 100 vezes sua renda per capita, desenvolvendo setores como a mineiração e o eco-turismo.

Botswana map

Mas recursos naturais por si só não explicam o sucesso de Botswana. Foi com um gerenciamento cuidadoso levado a cabo por seus governantes que o país evitou a chamada “maldição dos recursos”, em que a falta de governança resultou em desperdício de riqueza mineral, como no caso da Nigéria e o petróleo, por exemplo.

Kebapetse Lotshwao, professor de política da Universidade de Botswana, explicas que as primeiras quatro décadas de independência foram particularmente vitoriosas.

Resort en BotswanaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA indústria turística de Botswana é bem desenvolvida

“O país teve a sorte de contar com líderes como Seretse Khama e Ketumile Masire (os dois primeros presidentes)”.

Esses políticos priorizaram o desenvolvimento e usaram a ajuda financeira internacional e as receitas das vendas de diamantes para investirr fortemente em políticas de saúde e educação. Houve uma queda grande na pobreza, ainda que a carência ainda afete um em cada cinco habitantes de Botswana – a população total é de pouco mais de 2 milhões de pessoas.

As taxas de alfabetização são altas e o índice de comparecimento à escola primária até 13 anos é de quase 90%.

Problemas

No entanto, alguns especialistas se preocupam com a situação do país. Um dos problemas é o desemprego, que se mantém na casa de 20%.

Analistas veem uma falta de diversificação em uma economia concentrada demais no garimpo e no turismo.

Protesto en Gaborone, BotswanaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionPaís foi palco de protestos recentemente

E, apesar dos investimentos em saúde, a expectativa média de vida em Botswana é de 54 anos, uma das mais baixas do mundo. Quase um quarto da população é HIV positiva.

Há ainda problemas políticos: o Partido Democrático de Botswana (BDP), no poder desde a independência, está perdendo sua popularidade. Críticos do governo falam em atitudes autoritárias e de perseguição a jornalistas que investigam denúncias de corrupção.

Mineiração em BotswanaDireito de imagemAFP
Image captionA indústria dos diamantes foi chave para o desenvolvimento

Um relatório da Freedom House, ONG americana denuncia corrupção em licitações públicas, diz que não há grandes restrições às atividades empresariais de funcionários públicos – incluindo o presidente, um importante investidor do setor do turismo.

Lotshwao diz que o governo “não distribui ude maneira uniforme, os frutos do crescimento econômico”.

“Há uma necessidade de encontrar uma maneira de reduzir a disparidade entre ricoss e pobres”, argumenta.

“Tal como está, a situação pode levar à instabilidade política”.

Para Lotshwao, o país precisa ainda de uma reforma política para diminuir o poder da presidência – o cargo hoje é ocupado por Ian Khama, filho de Seretse, o primeiro mandatário pós-independência.

Política de consenso

“A democracia de Botswana não progrediu. Seguimos utilizando uma constituição imposta pelo Reino Unido como parte do processo de independência. O presidente tem poderes para governar por capricho”, opina o acadêmico.

Ian KhamaDireito de imagemAFP
Image captionO atual presidente de Botswana, Ian Khama

Em um informe do Banco Mundial, publicado recentemente, o economista Michael Lewin, fala de uma tradição local chamada kgotla, em que os membros de uma comunidade se sentam para conversar durante horas sobre um problema comum. À medida que a receita dos diamantes vai diminuindo, por conta do esgotamento das jazidas, a kgotla pode ajudar Botswana a encontrar um novo caminho de êxito.KGOTLA

http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37306069