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Os humanos estão à beira da extinção?

 

Douglas Rushkoff, um dos grandes teóricos do mundo digital, adverte: redes sociais mobilizam nosso lado réptil- primitivopara que troquemos a política pelo consumo

Entrevista a Juan Iñigo Ibánez | Tradução: Inês Castilho | Imagem: Steve Cutts

“Para o Facebook somos o produto, não o cliente”, repete o teórico da mídia estadunidense Douglas Rushkoff desde 2011. Embora o episódio Cambridge Analytica e o comparecimento de Mark Zuckerberg perante o Senado norte-americano tenham abalado a opinião pública, o que realmente chamou a atenção deste escritor e documentarista de 57 anos foi “como as pessoas ficaram surpresas”. “O plano de negócios do Facebook – assegura ele, falando do subúrbio novaiorquinho de Hastings-on-Hudson, onde reside – sempre foi extrair dados da atividade das pessoas, para vendê-los em seguida”.

As críticas do professor de Teoria dos Meios e Economia Digital da Universidade do Estado de Nova York à empresa de Mark Zuckerberg podem ser estendidas também à maioria das grandes companhias fundadas em tempos de economia digital. Em seu último livro, Throwing Rocks at the Google Bus: How Growth Became the Enemy of Prosperity [Atirando pedras no ônibus do Google: como o crescimento converteu-se no inimigo da prosperidade], editado pela Penguin Books nos Estados Unidos, o teórico de meios argumenta que empresas como Amazon, Netflix ou iTunes acabando utilizando a rede – que a seu ver prometia ser mais uma ferramenta de utilidade pública que uma plataforma comercial – para reviver as piores práticas do capitalismo industrial — agora, porém, “funcionando com esteroides digitais”.

Pioneiro e entusiasta da cibercultura, participante do movimento Occupy Wall Street e ativista da democracia de código aberto, Rshkoff é doutor em Novos Meios e Cultura Digital pela Universidade de Utrecht (Holanda).

Em 2013, o MIT – Massachusetts Institute of Tecnology, o incluiu – junto com Niall Ferguson e Steven Pinker – entre os dez intelectuais mais influentes do mundo. Considerado por muitos o mais fiel herdeiro das ideias de Marshall McLuhan e Neil Postman, é o responsável por cunhar termos como “nativos digitais”, “meios virais” e “moeda social”. Eis sua entrevista.

Como se explica o mea-culpa realizado por Mark Zuckerberg perante o Senado norte-americano, ao assumir a falta de maior responsabilidade sobre o modelo de negócios do Facebook?

Os jovens desenvolvedores abandonam a escola para iniciar suas empresas, com pouco ou nenhum conhecimento dos impactos políticos e sociais dos produtos que querem construir. Zuckerberg afirmou que não tinha ideia de que sua plataforma afetaria nossa sociedade e nossas eleições da maneira como fizeram. Se ele conhecesse algo sobre a economia política dos meios, não seria tão ignorante. Mas o Facebook é dirigido por alguém que só se formou na escola secundária.

No ano passado, o Facebook revelou os países que mais usaram sua nova modalidade de “interações” e o México se encontrava em primeiro lugar, em nível mundial. Como se relacionam as “interações” e as “curtidas” com o uso que a empresa poderia estar fazendo de nossos dados?

O Facebook usa a “aprendizagem automática” para determinar o que funciona e o que não funciona com você. Quanto mais informação tenham sobre você, maior a precisão com que poderão prever e manipular seu comportamento. Os botões de interação são como um dispositivo de votação instantâneo. São como um “grupo focal” mecânico. Estão fazendo as perguntas que lhe faria um psicólogo que tentasse hipnotizá-la.

No início de 2014 ficamos sabendo que o Facebook havia comprado a patente para desenvolver as lentes de realidade virutal Oculus VR. Em 2016, a empresa lançou seu primeiro protótipo. Qual sua opinião sobre uma empresa acusada de negociar com os dados dos usuários excursionar pelo campo da realidade virtual?

O Facebook quase perdeu a plataforma de telefones inteligentes. Chegaram aos telefones muito tarde, e muitos temiam que a companhia não os alcançasse. Ao comprar a Oculus Rift, asseguram-se de que, se a realidade virtual converter-se num grande negócio (embora eu creia que isso não ocorrerá), então estarão participando da corrida.

Mas eles ainda não sabem o que fazer com isso. Talvez jogos. O que é certo é que criarão um entorno muito mais controlado para manipular as pessoas, e poderão observar muitas dessas decisões insignificantes que tomamos costumeiramente. Obterão muita informação sobre nossas formas de movimentar-nos através desses entornos.

Que tipos de medida os governos devem tomar para controlar o que empresas como o Facebook poderiam fazer, através da realidade virtual, com nossos dados? Ainda dá tempo de regular isso?

A Europa é melhor nisso do que a América do Norte. Nos Estados Unidos acredita-se que impedir uma corporação de fazer algo é como dizer a Deus que se cale. O mercado é a sabedoria do universo, que se expressa nos assuntos humanos. Controlar uma empresa é considerado uma afronta à natureza.

O problema com a regulação é que as empresas que supostamente estão reguladas são com frequência as que terminam escrevendo as regras. E as escrevem de modo a garantir seus próprios monopólios. Creio que o mais fácil é converter as plataformas tecnológicas mais gigantescas – as que todos usam – em bens públicos.

Em seu último livro, Throwing Rocks at the Google Bus, você afirma que a Amazon proporciona o exemplo mais claro de como – contrariamente ao sonho da economia colaborativa que muitos imaginaram ser possível no início da internet – os velhos valores corporativos foram amplificados graças à rede. Que tipos de prática as grandes empresas surgidas em tempos de economia digital, como a Amazon, executaram?

Elas destroem as empresas com que trabalham. Exploram seus trabalhadores, conhecidos como os “turcos mecânicos” da Amazon. Pagam uma ninharia para que façam o trabalho com os computadores, inclusive porque não têm como denunciar, se quem os contrata decide não pagar. Exercem o controle do monopsônio [também chamado “monopólio do comprador”] para pagar menos e exigir mais. Não ajudam as pequenas empresas a intercambiar valor entre elas. Convertem-se na única plataforma e aproveitam seu monopólio para expulsar as pequenas empresas do negócio. É uma má estratégia a longo prazo, porque se ninguém tem dinheiro, não podem gastá-lo na Amazon.

Como a Amazon afetou a indústria do livro?

O que a Amazon fez de mais notável foi prejudicar editores e autores. Pagam por livro menos que as livrarias normais. Preferem perder dinheiro com a venda de livros para que as outras livrarias se arruinem. É um conceito difícil de entender: venderão livros abaixo do custo com o objetivo de fazer com que outras livrarias fechem. Não lhes importa o ganho de seus livros. Querem ser um monopólio. E assim, quando forem os livreiros mais importantes do mundo, poderão finalmente impor suas condições aos editores. Podem estabelecer preços, controlar a distribuição e cortar da lista de livros os que não estejam de acordo com eles. É muito assustador, na verdade. O plano, a longo prazo, é que todos os autores trabalhem diretamente para a Amazon. É o que já propõem, de fato, a alguns escritores.

Você mencionou numa entrevista anterior que empresas como a Uber estão realmente usando seus motoristas como “pesquisadores de desenvolvimento”, e assim preparam o terreno para o negócio real: treinar o algoritmo para as viagens que os veículos automatizados farão no futuro…

Ao longo da história da humanidade, e certamente desde a era industrial, as novas tecnologias fazem com que certas habilidades humanas tornem-se obsoletas. Então, as pessoas procuram outro trabalho. Agora mesmo está ocorrendo em múltiplos setores: alimentos, medicamentos, educação, transportes, recursos, energia e inclusive entretenimento e arte.

O importante a ser lembrado, ao analisar esses problemas, é enxergar o que as empresas de fato pretendem ao excluir o trabalho humano. É realmente mais barato? É melhor? Não. Simplesmente elimina os humanos da equação. A longo prazo, a consequência disso é que não sobrarão seres humanos para comprar os bens e serviços.

Em 1988, Isaac Asimov previu, numa entrevista à BBC, que graças aos computadores, em poucos anos, cada pessoa seria capaz de aprender em seu próprio ritmo, de forma autodidata e durante toda a vida. Você crê que, em certa medida, isso se cumpriu?

Sim e não. A rede oferece enormes possibilidades educativas, desde a Wikipedia até o aprendizado a distância. Mas elas certamente não representam a cultura em rede dominante hoje em dia. E em muitos casos está sendo utilizada para minar o impacto mais subversivo e verdadeiramente humano da educação. Uma aula ou uma biblioteca digital online oferece uma grande oportunidade a quem não as teve antes, mas também prescinde do fator humano: o intercâmbio vivo de ideias e valores. Um bibliotecário humano é muito mais que uma base de dados.

Todos tinham os mesmos pensamentos otimistas sobre a televisão logo que ela apareceu. Ia ser a grande educadora. Supunha-se que em particular a televisão a cabo desencadearia uma nova revolução na educação. Contudo, nada disso aconteceu. Nenhuma mídia promoverá valores por si mesma. Ela só pode expressar os valores daqueles que a estão desenvolvendo. Neste momento, esses são os valores dos especuladores, razão pela qual as soluções educativas que vemos se desenvolvendo são as que têm modelos de negócios ampliáveis.

Há alguns dias, o New York Times voltou a publicar um artigo sobre a tendência, entre os executivos do Google, de inscrever seus filhos em escolas Waldorf. Parece que ali aprendem a tecer, interagem com a natureza, mas sobretudo não é permitido que se exponham a monitores e são proibidos de usar gadgets. O que isso revela a você?

Escrevi sobre isso há anos, quando as pessoas sequer acreditavam que fosse verdade. Para mim, significa que são hipócritas. Como os executivos de televisão e publicidade dos anos 1980, que não deixavam seus filhos ver televisão. É porque sabem que esses meios foram intencionalmente desenhados para frustrar a cognição, fazer com que as pessoas tenham medo, sejam burras e sintam-se sós e desesperadas. Isso não é teoria da conspiração. Os designers de interfaces das principais empresas tecnológicas do Vale do Silício estudam “captologia” em Stanford. Leem livros sobre o funcionamento das máquinas caça níqueis de Las Vegas para desenhar algoritmos que viciem.

As tecnologias digitais estão desenhadas especificamente para viciar, criar comportamentos obsessivos e fazer com que as pessoas prefiram as experiências digitais às reais. Os que fazem esse trabalho sabem que muito ruim e insano, e com razão querem proteger suas famílias dos possíveis danos.

Algumas pessoas apontam a simplicidade moralista, a agressividade e a irritação diante de opiniões contrárias que as pessoas demonstram na internet. Há alguma relação entre a forma como essas plataformas foram configuradas e a ascensão online, nos últimos anos, de grupos como ultra-direita [alt-right] nos Estados Unidos?

Essas plataformas foram concebidas para provocar respostas simplistas, impulsivas e primitivas — subreptícias. Estas são menos reflexivas que as reações dos mamíferos, e muito menos que as das comunidades de humanos.

Nossas emoções e condutas mais humanas provêm de uma parte do cérebro chamada neocortex. É a parte que as plataformas digitais tratam de evitar a todo custo. A captologia é a ciência de driblar o neocórtex e chegar diretamente no tronco do encéfalo. Essa é a parte que diz “matar ou morrer”. Se essa é a parte do cérebro que está ativa online, ela fomentará esse tipo de comportamento primitivo.

Você incluiu os efeitos das tecnologias digitais no conceito de “choque de presente”. Como se poderia vincular essa ideia a nossa propensão a crer em fake news e pós-verdade?

Minha ideia de “choque do presente” se referia à ênfase que as tecnologias digitais aplicam ao momento presente. Mas não ao presente real, e sim a uma instantaneidade e avalanche de dados e escolhas que fazem com que pareça que temos de estar alertas o tempo inteiro. É muito desorientador. Isso nos leva a desejar algo familiar. Qualquer coisa com uma forma familiar, seja ou não verdadeira. Odiamos o caos. Preferiríamos que uma pessoa malvada governasse o mundo a que ninguém o governasse. Isso é mais familiar e seguro.

No ano passado, veio a público a notícia de que o governo mexicano estava usando o software Pegasus para espionar jornalistas através de seus telefones celulares. Que potencial têm esses aparatos para intrometer-se em nossa privacidade?

Nossos dispositivos têm capacidade de conseguir acesso total a nossas vidas. Tudo. E não somente as coisas que você sabe sobre si mesmo, que tipo de sexo gosta, como se masturba, que drogas usa, mas também as coisas que não sabe sobre si. Essa é a parte mais perigosa. Podem usar macrodados (Big Data) para saber o que provavelmente fará no futuro. Eles sabem, antes de você, se ficará doente, se se divorciará, se mudará de sexo… qualquer coisa.

A única coisa que impede as empresas de explorar essa capacidade é o medo da lei ou seu sentido ético. Mas até o momento não as vejo preocupadas com nenhum desse aspectos.

Frequentemente nos chegam notícias de novos protótipos robóticos que fazem piruetas e se movem com incrível agilidade por terrenos acidentados. Qual é, na sua opinião, a característica humana que os robôs nunca poderão adquirir ou imitar?

É precisamente esse o tema de dois dos meus livros, de modo que talvez possa responder um pouco mais brevemente. Que significa ser humano? Podemos ver isso da perspectiva da consciência, da inteligência, da biologia, da espiritualidade, da arte ou do amor? Em que diferem os humanos dos animais em cada um desses aspectos, como diferem dos computadores? Como você pode ver, é um grande conjunto de problemas.

Penso haver uma diferença entre informática e pensamento. Creio que os computadores podem resolver muitos dos problemas que um cérebro humano pode resolver, mas não creio que sejam conscientes de que estão resolvendo os problemas, do mesmo modo que uma pá não sabe que está cavando. Então, quando decidimos substituir a humanidade por computadores, temos que perguntar: por que se incomodar, se as máquinas nem sabem que estão lá?

No início dos anos 1990, em São Francisco, você foi testemunha de como surgiu a cultura rave, junto com o otimismo tecno e a espiritualidade psicodélica. A promessa parecia ser de que a tecnologia e os valores do humanismo se uniriam, numa simbiose promissora. Como crê que poderíamos voltar ao ethos original desse renascimento digital, sem que ele implique um retiro perpétuo nas montanhas ou o ingresso numa espécie de idade pré-digital?

O mais provável é que façamos isso por necessidade. Simplesmente seremos pobres demais para participar desta sociedade industrial digital. Precisaremos de casa e comida, e para isso teremos de voltar a aprender os conceitos básicos. Isso nos fará trabalhar com nossas mãos e com as outras pessoas. Aprenderemos a trabalhar juntos. Olharmo-nos nos olhos, tomar decisões juntos e colaborar.

A outra possibilidade é que a geração que cresce agora simplesmente compreenda que os humanos estão à beira da extinção, e que a sobrevivência requer desconectar-se dessas máquinas, acabar com a escravidão adotada para fabricá-las e romper com o controle mental que nos liga a elas.

Que papel teriam os artistas e os humanistas nesse renascimento digital?

Os artistas rompem mitos. Ao admitir que o que fazem é artifício, revelam o artifício à sua volta. Seu papel sempre foi explorar o significado de nossa existência: romper as ilusões que se colocam no caminho, sejam elas o medo, o mercado, a dominação ou as leis. A arte pode ajudar a nos demonstrar que os humanos são especiais, inexplicáveis e dignos de existir. Que há neste mundo algo além do valor utilitário. Que o mundo é mais complexo do que aquilo que nossos cálculos algum dia resolverão. Penso que os humanistas são os que tentam convencer-nos de que nossa arte realmente possui essa capacidade. Essa arte verdadeira é mais que entretenimento ou cuidados paliativos. Essa arte é o caminho a seguir.

Fonte:https://outraspalavras.net/capa/maquinas-digitais-hora-de-desconectar/

O uso dos dados de funcionários pelas empresas

Como o uso de dados de funcionários pelas empresas está mudando o mercado de trabalho

Se você acha que vigilância se restringe a câmeras de segurança no seu local de trabalho, pense duas vezes; nós estamos todos sendo monitorados e avaliados.
José Luis Peñarredonda – Da BBC Capital

6 AGO2018

Se você trabalhasse na fábrica da Ford em 1914, em algum momento de sua carreira um detetive particular seria contratado para segui-lo até em casa.

Funcionários da linha de produção dentro de uma Fábrica de Motores da Ford em Dearborn, Michigan

Funcionários da linha de produção dentro de uma Fábrica de Motores da Ford em Dearborn, Michigan

Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Se você parasse para beber no caminho, brigasse com sua esposa ou fizesse qualquer coisa que o marcasse como um funcionário problemático, seu chefe ficaria sabendo disso no dia seguinte.

Essa investigação se deve, em parte, ao salário mais alto dos funcionários da Ford em relação à concorrência.

A empresa automobilística aumentou o salário de US$ 2,39 para US$ 5 por dia, o equivalente a US$ 124 (R$ 440) em números de hoje. Mas você precisava ser um cidadão modelo para fazer jus a essa remuneração.

Sua casa tinha de ser limpa, seus filhos tinham de ir à escola, sua conta-poupança devia estar em ordem. Se alguém na fábrica achasse que você estava no caminho errado, você poderia não apenas perder uma promoção, mas seu emprego estaria por um fio.

Essa operação ‘Big Brother’ era tocada pelo Departamento Sociológico da Ford, uma equipe de inspetores que visitava as casas dos trabalhadores sem anunciar sua chegada. Seu objetivo era promover “a saúde, a segurança e o bem-estar dos funcionários”, como dizia um documento interno. O departamento oferecia tudo, desde planos médicos até cursos de manutenção da casa.

O programa durou oito anos. Era caro, e muitos trabalhadores não gostavam do seu tom paternalista e o consideravam intrusivo. Hoje, a maioria de nós o consideraria inaceitável – o que o meu trabalho tem a ver com as minhas roupas lavadas, minha conta bancária ou meus relacionamentos?

Ainda assim, a ideia de empregadores tentando controlar a vida dos funcionários além do local de trabalho se manteve, e ferramentas digitais facilitaram essa prática mais do que nunca. É provável que você use várias tecnologias que podem criar um perfil detalhado de suas atividades e hábitos, dentro e fora do escritório. Mas o que empregadores podem (e não podem) fazer com esses dados? E como podemos impor limites a essa prática?

Homem se exercita às margens de rio em Berlim, na Alemanha

Homem se exercita às margens de rio em Berlim, na Alemanha

Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Qual é minha pontuação como funcionário?

Todos estamos sendo avaliados todos os dias. As passagens caras de avião que eu comprei recentemente já entraram na minha avaliação de crédito. O fato de que eu parei de correr todas as manhãs foi percebido pelo meu aplicativo de exercícios – e, se estivesse conectado com uma companhia de seguros, essa mudança poderia influenciar nos preços.

Pelas minhas atividades online, o Facebook sabe que eu amo cerveja e acredita que a minha tela é um bom lugar para colocar publicidade de cervejarias hipsters. Um site recentemente afirmou que eu sou o 1.410° usuário de Twitter mais influente da Colômbia – algo que poderia aumentar minha pontuação de crédito, aparentemente. E, sim, minha eficiência como funcionário também pode ser avaliada e determinada por um número.

E não estamos apenas falando de serviços avulsos. Um sistema de pontos foi incorporado ao mundo corporativo.

Departamentos de recursos humanos estão lidando com volumes cada vez maiores de informações para avaliar funcionários de uma forma mais meticulosa. Desde softwares que gravam cada registro nos teclados até máquinas de café tecnológicas que só lhe darão um café se você usar seu crachá. Há mais oportunidades do que nunca para chefes acompanharem comportamentos. Alguns analistas acreditam que essa indústria valerá mais de um bilhão de dólares (RS$ 3,68 bilhões) até 2022.

Um grande objetivo da coleta de dados é fazer “previsões sobre quanto tempo um funcionário ficará no cargo, o que pode influenciar contratações, demissões ou retenção de empregados”, diz Phoebe Moore, professora de Política Econômica e Tecnologia da Universidade de Leicester (Reino Unido) e autora do livro The Quantified Self in Precarity: Work, Technology and What Counts (O Ser Quantificado na Precariedade: Trabalho, Tecnologia e o Que Vale, em tradução livre).

A coleção de dados está “mudando relações de empregabilidade, a forma como as pessoas trabalham e as expectativas de como poderia ser”, diz Moore.

Um problema dessa estratégia é que ela é cega a alguns aspectos não-quantificáveis do trabalho. Algumas das coisas mais sutis que eu faço para escrever melhor, por exemplo, não são quantificáveis: tomar um drink com alguém que me conta uma ótima história, ou imaginar um texto durante o caminho até o trabalho. Nenhuma dessas coisas apareceria na minha “pontuação profissional”. “Muitos dos aspectos qualitativos do trabalho estão sendo descartadas”, diz Moore, “porque se você não pode medi-las, elas não existem”.

Análises de trabalho combinam software e metodologia para ler as informações relacionadas a funcionários

Análises de trabalho combinam software e metodologia para ler as informações relacionadas a funcionários

Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O dilema dos dados

Uma pessoa saudável e fisicamente ativa é um funcionário melhor? Pesquisas indicam que atividades físicas diminuem as ausências e aumentam a produtividade. Isso levou ao crescimento da indústria de saúde e bem-estar com programas que valem bilhões.

Funcionários dão valor a esses programas de saúde não só porque seus chefes podem lhes dar folga para participar deles, mas também porque se eles gravarem seus exercícios pelo celular ou pulseiras de monitoramento, podem receber recompensas.

“Eu uso esse aparelho, ganho pontos e compro coisas por fazer coisas que eu já faria sem ele”, diz Lauren Hoffman, uma ex-vendedora de um desses programas de saúde dos Estados Unidos e que também participava deles.

Há vários motivos econômicos para coletar dados dos funcionários – desde fazer uma melhor administração de riscos até avaliar se comportamentos sociais no local de trabalho podem levar à discriminação de gênero. “As empresas não entendem como as pessoas interagem e colaboram no trabalho”, diz Ben Waber, presidente e CEO da Humanyze, uma empresa americana que agrupa e analisa dados sobre o local de trabalho.

Algumas empresas usam câmeras e sensores infravermelhos para detectar quantas pessoas estão trabalhando em uma parte específica do escritório e o quanto estão se movendo

Algumas empresas usam câmeras e sensores infravermelhos para detectar quantas pessoas estão trabalhando em uma parte específica do escritório e o quanto estão se movendo

Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A Humanyze coleta dados de duas fontes. A primeira é a metadata das comunicações do funcionário: email, telefone e serviço corporativo de mensagens. A empresa diz que analisar metadata não inclui ler o conteúdo dessas mensagens, nem as identidades das pessoas envolvidas, mas envolve avaliar a informação mais geral, como duração, frequência e localização geral para que se saiba em que departamento o funcionário está.

A segunda área remete aos dados coletados de gadgets como sensores infravermelhos de Bluetooth que detectam quantas pessoas estão trabalhando em uma determinada parte do escritório e como elas se movem. Eles também usam crachás de identidade ‘supercarregados’ que, como diz Waber, contêm ‘microfones que não gravam o que você diz, mas fazem processamento de voz em tempo real’. Isso permite a medição da proporção de tempo que você fala ou quão frequentemente você é interrompido.

Após seis semanas de pesquisa, o empregador recebe um quadro geral do problema que quer resolver com base nos dados avaliados. Se o objetivo, por exemplo, for aumentar as vendas, eles podem analisar o que o(a) melhor vendedor(a) faz que outros não fazem. Ou, se quiserem medir produtividade, eles podem deduzir que os funcionários mais eficientes falam mais frequentemente com seus gestores.

Waber diz que é “uma lente em questões muito grandes do trabalho, como diversidade, inclusão, avaliação de cargas de trabalho, planejamento do escritório ou riscos regulatórios”. Seu argumento financeiro é que essas ferramentas ajudarão empresas a poupar milhões de dólares e anos de tempo.

Coleta e proteção

Mas nem todos estão convencidos da utilidade dessas técnicas ou se tecnologias intrusivas nas vidas pessoais podem ser justificadas. Uma pesquisa da empresa de consultoria PwC de 2015 indicou que 56% dos empregados usariam um dispositivo móvel ‘wearable’ dado por seu empregador se fosse para aumentar seu bem-estar no trabalho. “Deveria haver algum tipo de recompensa por algo assim, algum benefício em termos de condições de trabalho ou vantagens”, diz Raj Mody, um analista da firma. E Hoffman lembra que esses programas não são um negócio fácil de vender. “Você vai pegar os dados e usá-los contra mim”, ouvia ela frequentemente de funcionários desconfiados.

E há um problema crucial: essas medidas de exercícios físicos frequentemente não são exatas. As pessoas não são boas em reportar a si mesmas e esses aparelhos não são os mais precisos. Uma avaliação recente apontou que diferentes modelos e técnicas apontam para diferentes resultados e é muito difícil fazer comparações entre eles.

Estudos indicam que nossa potência mental está diretamente ligado à nossa saúde física

Estudos indicam que nossa potência mental está diretamente ligado à nossa saúde física

Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Mas também não está claro se contar degraus, por exemplo, é uma maneira realmente boa de medir atividade, tanto porque essa medição não leva intensidade em conta – um passo correndo conta tanto quanto um passo em casa – e caminhar é mais difícil para uns do que para outros.

Outra questão é a quantidade de dados que esses programas conseguem coletar. Eles não apenas monitoram sua atividade diária, mas muitas vezes também oferecem exames de saúde para os participantes, o que permite que eles registrem coisas que não parecem ser da conta do seu chefe: seu nível de colesterol, seu peso, ou até mesmo seu DNA.

Na maioria dos casos, é ilegal nos EUA e na Europa a discriminação contra funcionários com base em seus dados sobre saúde ou qualquer teste genético sobre saúde, mas há algumas áreas cinzentas. Em 2010, Pamela Fink, a chefe de relações públicas de uma empresa de energia americana, processou seu empregador alegando ter sido demitida devido a uma mastectomia dupla para reduzir sua probabilidade de desenvolver câncer. Por mais que a empresa não tivesse acesso aos seus resultados de DNA, ela disse que eles sabiam sobre o risco porque a cirurgia apareceu em suas contas de seguro. O caso foi resolvido na corte.

Os que oferecem esses programas de bem-estar dizem que os empregadores só veem dados agregados e anonimizados para que não seja possível focar em empregados específicos com base em seus resultados de bem-estar. A Humanyze diz que seus clientes não estão forçando seus empregados a serem monitorados, mas lhes dando uma chance de participar. Assim como outros programas de bem-estar, eles anonimizam e comparam a informação que compartilham com funcionários. Waber enfatiza que sua empresa nunca vende dados pra terceiros e afirma que há transparência no processo.

Mas esse tipo de informação pode ser usada de maneiras mais controversas e a boa vontade das empresas envolvidas não elimina todos os riscos. Dados podem ser roubados em um ataque cibernético, por exemplo, ou usado de uma forma que não seja transparente para os usuários. “Pode ser vendida basicamente para qualquer um, com qualquer propósito, e recirculada de outras maneiras”, diz Ifeoma Awunja, uma socióloga e professora da Universidade de Cornell (EUA) que pesquisa o uso de dados de saúde no mercado de trabalho.

Há casos de companhias que já estão fazendo isso – mesmo que os dados que elas vendam seja anônimo, eles podem ser cruzados com outras informações anônimas para identificar pessoas. Nem todas essas empresas o fazem, e algumas dizem que não é uma boa ideia fazê-lo. “Tirar um lucro a curto prazo no dado de usuários pode prejudicar a reputação da empresa, o que diminuirá o volume de usuários e também o seu valor para clientes”, diz Scott Montgomery, CEO da Wellteq, uma empresa de “bem-estar corporativo” com base em Singapura.

Mas mesmo que todas as empresas fizessem a coisa certa e agissem de acordo com o interesse dos clientes, a boa intenção desses programas é a única proteção para muitas pessoas. A lei dos Estados Unidos está “muito atrás” daquelas da União Europeia (UE) e de outras partes do mundo em termos de proteção a clientes, diz Awunja.

Na UE, uma nova Regulação Geral de Proteção de Dados (GDRP) entrará em vigor em maio, o que proibirá qualquer uso de dados pessoas sem o consentimento explícito do usuário. Nos Estados Unidos, a legislação varia de Estado para Estado. Em alguns deles, compartilhar informações sobre saúde com terceiros não é ilegal contanto que os dados não identifiquem as pessoas. Segundo Gary Phelan, um advogado da firma Mitchell & Sheridan, desde que esse tipo de informação não seja considerada médica, não tem as mesmas restrições de privacidade. Já o Brasil ainda discute propostas para uma legislação específica que discipline a proteção de dados pessoais. Na América Latina, diversos países têm legislações de proteção de dados, como Chile, Argentina, Uruguai e Colômbia.

Há também a questão de retorno de investimento para os empregadores. Eles realmente estão poupando dinheiro? Esses programas são feitos com o intuito de diminuir o valor dos seguros de saúde tanto para as empresas quanto para os funcionários, já que deveriam diminuir riscos de saúde, faltas devido a problemas de saúde e custos hospitalares. Mas não está claro se isso realmente acontece. Um estudo feito em 2013 pela Corporação Rand indicou que, enquanto esses programas poupam dinheiro suficiente para que as empresas paguem por eles, eles “têm pouco ou sequer algum efeito imediato na quantidade de dinheiro gasto em planos de saúde”.

Com todas essas ferramentas, “seres humanos são avaliados em termos dos riscos que eles oferecem às empresas”, diz Awunja. Qualquer que seja o benefício dessas tecnologias, elas precisam ser balanceadas com os direitos de privacidade e as expectativas dos funcionários.

Balanço

Há um episódio da série Black Mirror, da Netflix, que traz um anúncio assustador. Nesse episódio, cada pessoa recebe uma pontuação com base em suas interações em uma plataforma social que parece muito com o Instagram. Esses pontos definem quase toda oportunidade que elas terão na vida: que empregos conseguirão, onde vão morar, quais passagens de avião podem comprar ou com quem namorar. Aliás, em 2020, a China terá uma Pontuação de Cidadão obrigatória calculada a partir de uma série de fontes de informação, desde seu histórico de compras até os livros que você lê.

Uma projeção de dados ao vivo do Twitter, Instagram e o departamento de transporte de Londres é exibido na Somerset House em Londres

Uma projeção de dados ao vivo do Twitter, Instagram e o departamento de transporte de Londres é exibido na Somerset House em Londres

Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Ainda que a realidade não seja tão sinistra quanto o episódio de Black Mirror, ele ilustra as limitações éticas, tecnológicas e legais de fazer algo parecido em algum lugar. Na maior parte do mundo, a lei proíbe que o departamento de Recursos Humanos compartilhe ou peça dados sobre seu cartão de crédito, seu plano de saúde ou seu site de encontros preferido, a não ser que você dê um consentimento explícito para isso.

Isso deve manter a maioria das tentações cínicas à distância por ora, mas como aproveitar os benefícios dos dados de uma maneira aceitável? É preciso achar esse balanço: como diz Waber, dados podem lhe dar conselhos com base em evidências para avançar na sua carreira ou para aumentar sua eficiência no trabalho. Ter um espaço para tomar conta de sua saúde no trabalho pode aumentar sua felicidade no emprego e alguns estudos sugerem que isso também é traduzido em um aumento de produtividade.

Parte da resposta parece depender de padrões éticos. Em um artigo, Awunja propõe algumas práticas, como informar empregados sobre os riscos em potencial de discriminação com base em dados, não penalizar o que não quiserem participar desses programas e determinar uma data de validade aos dados coletados.

É uma conversa importante para se ter, mesmo que você não tenha nada a esconder. Aparentemente, abrir mão de seus dados fará parte do futuro do trabalho, ao menos no mundo corporativo.

Fonte:https://www.terra.com.br/economia/como-o-uso-de-dados-de-funcionarios-pelas-empresas-esta-mudando-o-mercado-de-trabalho,7f116eb606aba6a0e1d35b5243258a66erum5ve7.htmltecn

Comissão da União Africana lança plataforma de Gestão de Conhecimento

união-africana-5176648710 de abril de 2018

Addis Abeba, Etiópia, 10 de abril de 2018: A Comissão da União Africana fez a sua incursão no mundo cibernético ao revelar oficialmente a sua plataforma online de Gestão do Conhecimento (KM) do Fórum Africano de Governança da Internet (AfIGF).

A plataforma de Gestão do Conhecimento foi criada em resposta ao pedido esmagador das partes interessadas da Internet na África, especialmente durante o 6º Fórum Mundial e Africano de Governança da Internet (IGF), realizado em dezembro de 2017 no Egito e na Suíça, respectivamente.

“A plataforma está conectada aos recursos do site do IGF africano ( https://www.afigf.africa )”, explica Moctar Yedaly, chefe da Sociedade da Informação no Departamento de Infraestrutura e Energia da Comissão da União Africana.

“Servirá também como um espaço para a troca regular de pontos de vista e informação, bem como para um melhor planeamento e implementação dos programas africanos de TIC e Governação da Internet da Comissão da União Africana, das Comunidades Económicas Regionais e dos estados membros para o processo de preparação de políticas na Internet. importa ”, acrescentou Yedaly.

Através da plataforma de Gestão do Conhecimento, que é ativa com várias comunidades e fóruns, os interessados ​​ajudariam a abordar os desafios das TIC em geral e as questões de política da Internet em particular. Isto, idealmente, deveria ajudar a estabelecer posições africanas comuns em várias questões.

As partes interessadas podem ir para https://knowledge.afigf.africa/ para começar a colaborar, compartilhar e atribuir.

Nota para os editores

A Governança da Internet é vista como a evolução das políticas e mecanismos sob os quais os principais interessados ​​da comunidade da Internet (governo, empresas, sociedade civil, academia) fazem recomendações sobre o desenvolvimento e o uso da Internet. Ela abrange os principais objetivos da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (WSIS) (Genebra 2003, Tunis 2005).

As partes interessadas africanas que desejarem se registrar enviariam um pedido via e-mail para yedalym@africa-union.org e Suliemana@africa-union.org

Para mais informações, contacte a
Direcção de Informação e Comunicação | Comissão da União Africana I E-mail: dic@africa-union.org I Site na Web: www.au.int I Addis Ababa | Etiópia
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Fonte:https://au.int/en/pressreleases/20180410/auc-launches-online-knowledge-management-platform

Professor ganense ganhou computadores depois que suas aulas viralizaram nas redes sociais

Muitos de vocês devem se lembrar da emocionante história do professor de Gana que, na falta de acesso a computadores, acabou por desenhar uma janela inteira do Word para ensinar seus alunos sobre o funcionamento dessas tecnologias. O caso, embora recente, levou a uma resposta intensa do público, com direito a uma declaração da própria Microsoft informando que iria fornecer equipamentos para o Prof. Richard Akoto.

Felizmente, toda a comoção do público não ficou nas palavras. Para começar, a gigante de Redmond manteve sua promessa e levou Akoto até Cingapura para participar do evento educacional Microsoft Education Exchange e receber um computador para ajudá-lo nas tarefas.

Além disso, como relata o site Quartz, outras doações foram feitas para o professor pouco depois. Um notebook novinho em folha, por exemplo, teria sido doado por um benfeitor da University of Leeds, no Reino Unido. Dias depois, cinco desktops teriam sido doados para a escola pela NIIT, uma escola de treinamento em computação localizada em Accra, capital de Ghana, junto de um laptop para uso pessoal de Akoto.

Não parece suficiente? Então que tal dizer que muitos estão cotando o Akoto para receber o prêmio anual “Melhor Professor Nacional”, que dá ao vencedor uma casa de três quartos para ele morar em qualquer lugar de sua escolha, entre outros ganhos? Pois é. Não dá pra negar que as mudanças na vida desse professor foram enormes – e, convenhamos, bastante merecidas.

Fonte:https://www.tecmundo.com.br/ciencia/128208-professor-gana-recompensado-varios-computadores-doados.htm

Inteligência artificial vai mudar todos os relacionamentos humanos

Para historiador, Google, Facebook e Amazon competem em revolução digital e redes sociais ficam arcaicas

Silas Martí
NOVA YORK
O historiador Andrew Keen, fala ao público durante debate da União Europeia
O historiador Andrew Keen, durante debate da União Europeia – Mélanie Wenger/ DLD

Quando descreveu os perigos da internet em seu primeiro livro há dez anos, Andrew Keen ficou conhecido como o anticristo do Vale do Silício, uma rara voz dissonante num momento em que o mundo parecia celebrar as maravilhas das redes sociais.

Em “O Culto do Amador”, o historiador que trocou seu Reino Unido natal pela meca do “big tech” na Califórnia, onde fundou uma série de start-ups que fracassaram, já falava na erosão da confiança em instituições que são pilares da sociedade moderna.

Ele previu a era das “fake news”, com a crise da mídia tradicional diante da ascensão da opinião de amadores na rede mundial, e o fim de certas experiências humanas, como a solidão e a privacidade, que desapareceriam num ambiente dado ao exibicionismo total.

Uma década depois, Keen aponta as consequências de um mundo inebriado pela internet em seu mais novo livro.

“How to Fix the Future”, recém-lançado nos Estados Unidos, descreve o quadro de medo e paranoia que domina a época atual e aponta a eleição de Donald Trump como fenômeno de um momento em que a crença cega na suposta transparência do ambiente virtual acabou gerando sociedades mais opacas.

Nesta entrevista, Keen comenta a crise de imagem do Vale do Silício, prevê um futuro controlado por inteligência artificial e aponta ameaças que o amor à tecnologia pode impulsionar, entre elas o levante de uma tecnocracia digital na China e de uma nova guerra fria causada por políticas digitais divergentes.

Folha – Seus livros e artigos são um alerta sobre os perigos da internet há uma década. Como vê a rede mundial hoje?

Andrew Keen – Tenho uma visão histórica sobre a revolução digital e a vejo como outras grandes mudanças tecnológicas e culturais do passado, como a Revolução Industrial e a Reforma Protestante, mas já não gosto mais de usar essa palavra internet.

A internet está em todos os lugares hoje em dia e provocou uma mudança profunda na forma como aprendemos, conversamos e administramos governos e os negócios.

É uma mudança tão forte quanto a Revolução Industrial, com a diferença que já não há crianças trabalhando em fábricas que cospem fumaça nem o surgimento de uma nova classe proletária.

Em vez disso, as empresas de tecnologia se tornaram as mais ricas e poderosas do planeta e estão todas concentradas na costa oeste dos Estados Unidos. Isso gerou outros níveis de riqueza e figuras como Jeff Bezos, o dono da Amazon que é talvez o homem mais rico da história.

O que está no horizonte como próxima fase dessa evolução?

Sempre tendemos a superestimar a velocidade com a qual a tecnologia pode mudar o mundo, mas acredito que nos próximos 15 anos a inteligência artificial vai mudar todas as indústrias e todos os relacionamentos humanos, por isso empresas como Google, Facebook e Amazon agora estão competindo para ver quem vai dominar essa área.

Mas acredito que pode até haver uma nova empresa, uma espécie de novo Google ou Amazon, que vai surgir e transformar todas as coisas.

A inteligência artificial já é uma realidade, não é só conversa ou uma propaganda vazia. E ela vai mudar a maneira em que pensamos sobre nós mesmos quando começar a substituir as pessoas em fábricas ou a servir fast food ou a trabalhar como médicos, advogados e até professores.

Os humanos podem se tornar obsoletos no futuro próximo?

Não penso isso, mas precisamos entender o que está acontecendo e desenvolver novas formas de agir. Na era das máquinas inteligentes e dos algoritmos, precisamos entender o que só os humanos ainda conseguem fazer.

Mas, enquanto essa reflexão não amadurece, acredita que a tecnologia e as redes sociais vão continuar a agravar o quadro de descrença em relação à política da atualidade descrito em seu livro mais recente?

A tecnologia não é o que levou Donald Trump ao poder ou o que está por trás da xenofobia. Mas a realidade é que a revolução digital criou outras formas de escassez. Há escassez de confiança e de capacidade de prestar atenção. Estamos confiando cada vez menos em todas as coisas.

Isso começou com a maneira como a internet gerou um fetiche em torno de amadores, minando nossa confiança em especialistas, curadores, profissionais e críticos. Foi a natureza democrática dessa tecnologia que nos levou a essa crise de confiança.

Trump é o presidente da internet. Ele representa os piores elementos das redes sociais, o narcisismo, a obsessão com o próprio ego, a inabilidade de ouvir. É o primeiro presidente antissocial.

Qual o antídoto para isso?

Mesmo que a tecnologia tenha provocado essa crise, acredito que nossa confiança possa ser reconstruída usando essa mesma tecnologia.

Seu livro dá exemplos bons e ruins de nações como Estônia e Cingapura, que estão ancorando seus governos em inovações tecnológicas. Quais são as vantagens e os perigos da ideia de país inteligente?

Nada é inevitável em relação à tecnologia, então tudo depende de como ela é usada. A Estônia é um bom exemplo de como um governo pode ser mais transparente com a tecnologia. Não é perfeito, mas está inspirando sistemas parecidos em todo o planeta.

O caso de Cingapura é mais preocupante porque há uma ausência de democracia, mas até o sistema paternalista deles parece funcionar melhor do que a democracia disfuncional que estamos vivendo agora nos Estados Unidos.

A China também está avançando nesse cenário e exerce grande controle sobre seus cidadãos censurando a internet e monitorando manifestações online. Como avalia isso?

O modelo de países inteligentes tem problemas, mas em todos eles há um grau de prestação de contas à sociedade que não existe na China.

Deveríamos estar bem mais preocupados com o caso chinês. Eles estão construindo um sistema orwelliano, em que o governo determina o destino das pessoas em termos de moradia, educação e privilégios sociais com base nos dados que tem sobre eles.

Eles estão se aproximando cada vez mais de um regime totalitário. É um pesadelo, uma tecnocracia digital onde os direitos individuais são ignorados.

No século 21, podemos ter uma nova guerra fria em que a base do conflito não será mais a diferença entre regimes econômicos e sim a maneira como cada país conduz as suas políticas digitais.

Mas mudanças como a decisão dos EUA de acabar com a neutralidade da rede não contribuem para um controle excessivo no resto do mundo?

Essa coisa de neutralidade da rede é uma ilusão completa, é “fake news” criada pela esquerda americana.

Eles sugerem que o perigo está no controle da rede por empresas como AT&T e Comcast, mas elas são minúsculas perto do Google e da Amazon.

Esse debate é um desperdício de tempo que só reflete o medo e a paranoia dessa época em que estamos vivendo.

A real ameaça à democracia está em como o Facebook e o Google se tornaram superpoderes globais enquanto o governo americano não funciona. Ninguém ali trabalha.

Você acredita que os EUA deveriam seguir os passos da União Europeia e impor mais restrições a essas empresas?

Os americanos sempre gostam de pensar que são mais avançados do que o resto do mundo, mas nesse ponto ficaram muito para trás em relação aos europeus. O século 21 já nos deu motivos para repensar as regras antitruste.

Haverá cada vez mais pressão para uma proteção maior de dados pessoais, como já existe na Europa. E penso que nas próximas eleições aqui os candidatos vão disputar cargos com plataformas anti-Vale do Silício da mesma forma que já atacaram Wall Street.

O “big tech” está vivendo o auge de uma crise de imagem?

O espírito dessa época é outro. A histeria em torno das redes sociais já se esgotou. Elas se tornam cada vez mais arcaicas e fora de moda.

Há dez anos eu era o único a dizer que elas enfraquecem a credibilidade e a verdade, enquanto hoje todos concordam com isso.

Elas prometiam transparência, mas nosso mundo só se tornou mais opaco e ninguém sabe o que essas empresas fazem com todos os nossos dados.

Os consumidores vão começar a peitar essas firmas. E o Google e o Facebook vão precisar aprender algumas lições com outras indústrias, como a dos automóveis, que se repensou para sobreviver.

A tecnologia é tão perigosa quanto o nosso amor por ela.

RAIO-X

Vida
Nasceu em Londres, em 1960, e hoje vive em Berkeley, nos Estados Unidos

Formação
Estudou história e ciências políticas na Universidade de Londres e na Universidade da Califórnia, em Berkeley

Carreira
Em 1995, ele fundou a Audiocafe.com, que fechou cinco anos depois. Trabalhou em empresas de tecnologia como Pulse 3D, SLO Media e Santa. Ele hoje faz palestras sobre a revolução digital e é autor de quatro livros, entre eles “O Culto do Amador” e “How to Fix the Future”

HOW TO FIX THE FUTURE
AUTOR Andrew Keen
EDITORA Atlantic Monthly Press
QUANTO US$ 16,30 (R$ 52,98), 288 págs.

 https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/03/inteligencia-artificial-vai-mudar-todos-os-relacionamentos-humanos.shtml

Marco legal da Ciência , Tecnologia e Inovação é regulamentado no Brasil

ban_854b30e8d2ebb29b9c763c187a1084b9Diário Oficial da União de hoje (8) publicou decreto que regulamenta o Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação (Lei nº 13.243/2016)  e  traz a expectativa de desburocratizar as atividades de pesquisa e inovação no país. As novas regras criam mecanismos para integrar instituições científicas e tecnológicas e incentiva investimentos em pesquisa.

 

De acordo com o ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o novo marco legal deve simplificar a celebração de convênios para a promoção da pesquisa pública; facilitar a internacionalização de instituições científicas e tecnológicas e aumentar a interação elas e as empresas.

Deve ainda incrementar a promoção de ecossistemas de inovação; diversificar instrumentos financeiros de apoio à inovação e permitir maior compartilhamento de recursos entre entes públicos e privados.

Outros pontos são a simplificação de procedimentos de importação de bens e insumos para pesquisa; novos estímulos para a realização de encomendas tecnológicas e flexibilidade no remanejamento entre recursos orçamentários.

O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro, que participou da reunião no Palácio do Planalto, avaliou como positivo o regulamento do marco e lembrou que é resultado de anos de discussões.

“Vemos isso como um ponto positivo para a integração maior da ciência, tecnologia e inovação no país. Temos a preocupação clara de destravar uma série de dificuldades legais que o Brasil tradicionalmente tem para a ciência funcionar; dar mais flexibilidade para a ação da ciência é muito importante. Como essa regulamentação vai chegar na ponta, nas empresas, nas instituições de pesquisa, isso vai ser um processo de construção”.

 

http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?data=08/02/2018&jornal=515&pagina=10&totalArquivos=180

Empresas usam técnicas psicológicas para obter adesão mais íntima e emocional de funcionários

Sair da ‘zona de conforto’ e outras bobagens do mundo corporativo

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Empresas usam técnicas psicológicas para obter adesão mais íntima e emocional de funcionários

Funcionário da empresa australiana Xero
Funcionário da empresa australiana Xero DAVID MAURICE SMITH THE NEW YORK TIMES

Adrián era amarelo: ao ser contratado por uma pequena empresa de marketing digital, aplicaram-lhe um teste de personalidade. Vermelhos são os líderes; amarelos, os criativos; verdes, os criadores de um clima bom; e azuis, os dóceis. Ao chegar ao trabalho, todas as manhãs, ele tinha de escolher um emoticon que expressasse o seu estado de ânimo do momento, assim como ao sair, depois da jornada de trabalho (embora ele nem sempre fosse sincero e costumasse abrandar suas emoções, para não transmitir uma impressão ruim aos seus superiores). Em certos dias havia aulas de yoga, em outros mindfulness ou dinâmicas para ele se abrir com os demais e vencer a timidez; em alguns finais de semana, práticas de team building.

Adrian era guiado por um mentor, que definiu o seu número dentro da teoria psicológica do eneagrama da personalidade. Era o três. E todas essas informações eram compartilhadas com a direção da empresa. “Tudo tinha um ar de pensamento positivo, de modernidade tipo Vale do Silício”, lembra Adrián, que prefere não revelar sua identidade, “mas eu tinha a sensação de que estavam invadindo a minha intimidade, de que manipulavam a minha mente. Eu preferia fazer os meus trabalhos de caráter psicológico por conta própria”. Por razões como essas, Adrián acabou deixando o emprego.

Práticas e discursos desse tipo (embora nem sempre com a mesma intensidade descrita nesse caso) proliferam cada vez mais nas empresas, em especial no setor da chamada nova economia: consultoria, marketing, tecnologia etc. E vem, sobretudo, do mundo anglo-saxão e nórdico, onde são mais comuns. Elas são justificadas como algo que faz bem à empresa e ao funcionário, como uma forma de inovação e aproximação, formas mais humanas, mais friendlies. Para muitas pessoas, porém, elas são vistas como invasivas, assemelhando-se, mais, a um método de controle.

Steve_Vinter_and_Deval_Patrick_play_ping_pong-1180x650“Essas culturas empresariais novas buscam obter do trabalhador um compromisso diferente daquele que se pedia tradicionalmente”, explica Carlos Jesús Fernández, professor do Departamento de Sociologia da Universidade Autônoma de Madrid (UAM). “Antes era preciso saber fazer um trabalho e desempenhar uma função durante oito horas por dia. Agora se procuram características pessoais, competências ligadas à personalidade”. Daí as palestras motivacionais que estimulam palavras mágicas como liderança, empreendimento, risco ou o mantra tão difundido do “é preciso sair da zona de conforto”. Daí, também, a proliferação de livros de autoajuda ligados ao mundo corporativo. O problema, segundo Fernández, é que “existe um vazio de regulamentação no controle dessas práticas”, o que faz com que elas, muitas vezes, cheguem longe demais.643769783213454

“Discursos sobre inovação aumentam, mas se trabalha cada vez mais, com mais disciplina e com um consumo cada vez maior de calmantes”, comenta especialista

“O que essas técnicas visam é, principalmente, que os funcionários se identifiquem com a empresa”, afirma Óscar Pérez Zapata, professor de Organização de Empresas no ICADE e na Universidade Carlos III de Madri e diretor de pesquisas do think tankDubitare. “O que se pretende é criar uma cultura corporativa forte em que os elementos emocionais e íntimos, como os apelos à paixão, são cada vez mais importantes”, acrescenta. O que, a rigor, não é algo novo, pois há décadas que os trabalhadores se identificam com suas empresas, sobretudo no caso de companhias grandes e poderosas. Mas antes, cabe dizer, os contratos de trabalho eram de uma vida inteira.google-3

Tudo é coberto por um verniz de sorrisos, desse pensamento positivo tão em voga e criticada por livros como Sorria ou Morra, de Barbara Ehrenreich, ou A Indústria da Felicidade, de William Davies. “Trata-se de uma mentalidade que se encaixa muito bem com o objetivo pretendido”, avalia Pérez Zapata. “O pensamento positivo elimina qualquer possibilidade de crítica e desloca a culpa e a dúvida para o indivíduo e não para a estrutura onde ele atua. Liga-se, assim, à concepção fantasiosa do eu empreendedor, da iniciativa pessoal do herói que tudo pode com a autogestão e que, no limite, é o único responsável pelos êxitos ou pelos fracassos”.

Esses problemas são analisados pelos chamados critical management studies(CMS), um conjunto de disciplinas surgidas nos anos noventa e que estudam o funcionamento das empresas de forma crítica a partir das obras de pensadores como Michel Foucault (sobretudo seus estudos sobre a sociedade disciplinadora), a teoria crítica da Escola de Frankfurt ou a teoria do processo de trabalho, entre outras fontes teóricas. Elas foram criadas por professores de escolas de negócios e faculdades de administração de empresas, como Mats Alvesson ou Hugh Willmott, que propunham uma visão crítica e procuravam trazer à luz as relações de poder no seio das organizações empresariais. “Embora a palavra crítica pareça muito beligerante, pode se tratar de uma crítica construtiva para a empresa”, afirma Pérez Zapata. “No que se refere a essas técnicas, o veneno está na dosagem”.

O panorama descrito é típico da era pós-fordista, em que proliferam a ausência de proteção, a mobilidade e a flexibilidade no trabalho, a dissolução das classes sociais bem definidas e a atomização das relações trabalhistas. A conexão permanente via Internet, além disso, torna fluidos os limites dos horários e das jornadas de trabalho. Tudo que se refira ao trabalho se torna líquido também. “Rompem-se, dessa maneira, os limites e as regulamentações de quase tudo: onde se trabalha, quanto se trabalha, com quem, como etc, hoje em dia muito da responsabilidade recai sobre o trabalhador”, diz Pérez Zapata. “Normalmente há uma sobrecarga para o trabalhador, a quem se pede que ultrapasse seus limites e ao mesmo tempo saiba impô-los a si mesmo”.

“Há uma individualização e uma psicologização crescentes”, observa Luis Enrique Alonso, catedrático de Sociologia da UAM e coordenador do grupo de pesquisas de Estudos sobre trabalho e cidadania. “O que se busca é uma adesão psicológica integral e que não exista nada intermediário entre o funcionário e a empresa, que não exista nenhum tipo de ação ou identidade coletiva”, afirma. Esse ar de criatividade individualista e de modernidade hipster poderia ser visto como uma herança da contracultura dos anos sessenta assimilada pelo capitalismo contemporâneo: a rebeldia individualista antissistema transformada em ambição individualista empresarial, como observam Chiapello e Boltanski em O novo espírito do capitalismo. O pebolim no escritório. “O fato é que falar hoje em dia em organização e direitos coletivos soa como algo muito velho”, conclui o professor, “o que nos leva a uma espécie de darwinismo social estimulado pela precariedade existente. Mascara-se, assim, a disputa encarniçada pelos poucos postos disponíveis: salve-se quem puder”.

“Estamos agindo de forma ética nas empresas?”, questiona Fernández. “Os discursos sobre inovação aumentam, mas se trabalha cada vez mais, com mais disciplina e com um consumo cada vez maior de calmantes para suportar tudo isso”, conclui.

 

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/24/economia/1508848045_385114.html

Presidente de Ruanda no comando da União Africana

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O presidente de Ruanda, Paul Kagame,  foi eleito como novo presidente da União Africana para o ano de 2018.

A Assembléia de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA) reuniu-se na 30ª Sessão Ordinária na Sede da UA em Adis Abeba, Etiópia, elegeu em 28 de janeiro de 2018 uma nova mesa para coordenar as atividades de a União para o ano de 2018.

O presidente Kagame  disse que o desafio da África é criar um caminho para a prosperidade para o nosso povo, especialmente para os jovens, e que  em outros lugares, isso foi alcançado através da industrialização. Mas essa trajetória de crescimento que transformou a Ásia, não é necessariamente mais uma opção viável para a África, simplesmente porque esperou-se demais para agir.

Ele acrescentou que, a tecnologia evoluiu tão rapidamente nos últimos anos, que a janela de África para seguir essa estratégia está se estreitando muito mais rapidamente do que se acreditava anteriormente.

“Estamos ficando sem tempo, e devemos agir agora para salvar a África de uma privação permanente”, afirmou o Presidente da União.

De acordo com o novo presidente da União a escala é essencial. O grande objetivo é criar um único mercado no continente, integrar a infraestrutura e infundir as economias com tecnologia. Nenhum país ou região pode gerenciar por conta própria. Temos que ser funcionais, e temos que ficar juntos. A reforma financeira e institucional da União Africana é  urgente.  África tem recursos e forças para construir, começando com esta organização, e seu firme  compromisso com a unidade.

É uma vantagem para os africanos , que nenhuma outra região do mundo possui, com tanta abundância.

“A unidade deve ser o nosso ponto de partida, pois fazemos o trabalho necessário para redefinir nossos planos e ambições, em termos continentais … Essas mudanças precisam acontecer. Não existe um país no nosso continente que não quer fazer parte de uma África mais assertiva e visível “, assim afirmou Paul Kagame.

Angola passa por reformas no inicio do mandato do presidente João Lourenço

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Depois das eleições de Agosto de 2017, Angola jamais será a mesma, porque depois de João Lourenço tem deixado claro que não quer ser uma réplica de José Eduardo dos Santos. Com a experiência de que se precisa fazer mudanças, que as faça logo no primeiro ano de governo. Foi o que fez

Realizou substituições no Executivo, nas Forças Armadas e Polícia, nas administrações das empresas públicas  nos mais variados setores da atividade econômica e social levou o presidente da República João Lourenço a uma nova imagem aos olhos do cidadãos.

Trouxe à opinião pública uma nova postura na relação entre o Executivo e a sociedade, que tem sido pautado pela transparência. Procurou salvaguardar a sua ação na legalidade constitucional, e sem subalternizar o MPLA, João Lourenço assumiu como um Presidente da República cumprindo simultaneamente os fundamentos da Constituição.

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Angola também testemunhou acontecimentos cuja proeminência será determinada pela história, como a mudança do Conselho a principal empresa publica a Sonangol, que era ocupada pela filha do ex-presidente da República. E ontem exonerou , por conveniência de serviço, o presidente do Conselho de Administração do Fundo Soberano de An­gola, José Filomeno dos Santos,que também é filho do ex presidente José Eduardo dos Santos,  e os seus administradores executivos.

Cerca de trezentas exonerações e outras tantas nomeações em pouco mais de três meses não podem passar despercebidas.  Trocou a liderança do Banco Nacional de Angola, mudou ministros e secretários de estado, reduziu o tamanho do executivo, mudou o foco e uniu Ministérios e Secretarias de Estado.

Foi notória a mudança de paradigma, pois elevou a luta contra a corrupção e a impunidade dando poder real e liberdade de ação à Procuradoria Geral da Republica, ao Tribunal de Contas bem como deu novo folego a policia nacional e aos serviços de investigação criminal.

Mudou a cara da diplomacia nacional, o Ministério das Relações Exteriores vai abrir um concurso público interno para o processo de rotatividade dos funcionários das missões diplomáticas e postos consulares de Angola no exterior, o objectivo dessa medida é tornar o processo mais transparente e trazer elementos que abram a possibilidade de todos os funcionários participarem. A diplomacia econômica será a nova diretriz dos diplomatas procurando atrair investidores para o país

Conclamou que fosse realizado a repatriação dos capitais transferidos ilegalmente por governantes e ex-governantes, bem como todos aqueles que o fizeram durante a guerra, passando a mensagem que ninguém está acima da lei. Esses capitais serão repatriados para serem investidos no país no setor produtivo, o que na verdade, não estará a “receber” dinheiro a angolano algum, mas sim a tornar aquele capital que hoje é ilícito lá fora em capital licito cá dentro, onde aqueles que antes se apoderaram do erário, minérios e outros bens públicos, poderão no futuro se tornar empresários nacionais de sucesso.

João Lourenço recebeu pessoalmente investidores estrangeiros para áreas produtivas, agricultura, pecuária e pescas, virou-se rapidamente para os mercados regionais, ao ralizar a primeira vista oficial à Africa do Sul eliminado as barreiras à entrada para pessoas e mercadorias, levando a acreditar que estará em curso o processo de adesão a zona da comercio livre da africa austral.

São sinais muito claros de que há mudanças ocorrendo no país, liderado por João Lourenço, mas é cedo para conclamar vitórias. Com o passado aprendemos a ter paciência e reconhecer os erros. A burocracia angolana é muito lenta e resiste às mudanças, o cidadão  sabe que gestos são importantes, mas a elite angolana tem sido pouco solidária junto aos mais pobres. A entrevista do presidente essa semana foi um dos melhores momentos desse governo, pois esclareceu muitos dos pontos do novo estilo de administração.

Para nós brasileiros muitas das mudanças abrirão oportunidades de negócios e trabalho, que deverão ser acompanhado com atenção, pois muitos brasileiros serão atraídos a tornarem investidores no pais, face essa nova postura do novo Presidente da República.

Botswana a experiência de democracia a ser acompanhada de perto

  • Por: Moises M. Antunes “Wima the Poet”

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Existe uma percepção nas mentes de muita gente incluindo de muitos analistas politicos que tendo um Partido-Estado não é bom para democracia de um país; e que para haver mudança num país tem de haver mudanças de partidos politicos no poder.

Por Moises Monteiro Antunes

Eu sou um dos analistas que discorda com esse school of thought (escola de pensamentos) e para ilustrar o meu argumento vos apresento o caso de Botswana Democratic Party-BDP ou seja (Partido Democrático de Botsuana).

A Dominação Política do BDP em Botswana e a Dominação Política do MPLA em Angola.

Botsuana tem muitas características completamente diferente de Angola, começando pelo sua história e factores culturais; factores étnicos linguísticos; a cultura política e muitos outros factores. Mas existe um factor denomidor na Política de Botsuana, neste caso a Competição Política de Botsuana que pode eventualmente mostrar os sinais de parto na nossa competição Política Angolana.

Botswana continua a ser governado pelo mesmo partido que é o Botswana Democratic Party (BDP) ou seja Partido Democrático de Botsuana desde a data de independencia de Botsuana ocorrido em 1966. Em outras palavras o BDP é um Partido-Estado de Botsuana que apesar ser um Partido-Estado, instalou uma democracia exemplar em África.

 

Angola continua a ser governado pelo mesmo partido o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) desde a independencia de Angola em 1975. É também um Partido-Estado mas ainda não se compara com o BDP em termos de performance políticas e em matéria de democracia.

O factor comum entre O BDP em Botsuana e o MPLA em Angola é exactamente o facto que esses partidos continuam a dominar a competição política dos seus respectivos países desde a indendencia e nunca foram desalojados do poder pela oposição. Claramente existem factores diferentes que distinguem esses dois países.

Por exêmplo, Botsuana optou cedo pela democracia e Angola optou cedo pelo comunismo e muito mais tarde pela democracia e isso condicionou Angola em conflicto armado prolongado em Angola; enquanto o Botsuana evitou isso e hoje Botsuana é visto no mundo como o modelo de um País democrático em África.

Botsuana até aqui teve cinco (5) Presidentes enquanto Angola soma apenas três (3) presidentes com João Lourenço. A moeda de Botsuana que se chama Pula é uma das mais fortes moedas em África, não se compara nem tão pouco com o nosso kwanza.

Um outro factor que deve-se levar em consideração é o facto que tanto o Botswana Democratic Party (BDP) em Botsuana assim como o MPLA em Angola continuam a perder terreno eleitoral nos centros Urbanas à favour da oposição. Em Angola notamos que em Luanda o MPLA continua a perder votos e o BDP também continua a perder votos na capital em Gabarone. Enquanto após a independencia as capitais dos países eram considerávelmente os maiores terrenos eleitorais desses partidos (BDP e MPLA).

O Botswana Democratic Party (BDP) tem sabido servir os interesses do povo de Botsuana ou seja as suas políticas, leis aprovadas pela maioria parlamentar do BDP assim como a vontade política dos presidentes até aqui tem sempre rimado com os ensejos do povo.

O BDP tem gerido bem os recursos naturais de Botsuana em benefício do povo, os diamantes tem sido gerido de forma eficiente e hoje Botsuana é um dos maiores productor de diamantes no mundo e tem uma economia estável.  O Povo de Botsuana apoia maioritáriamente o partido no poder (BDP) e isso tem fragilizado a oposição em Botsuana, causa dos problemas que a oposição em Africa e em Angola tem e que eu tenho chamado atenção.

Falando de exêmplos concretos, qui na África do Sul, todos Botsuanos estudam com bolsas de estudos totalmente pagas pelo Estado, apartir do Médio até ao ensino Superior.

Qual é o govern Africano que faz isso?

Todo Botsuano tem direito a bolsa de estudo para se formar em qualquer páis do mundo, maioritariamente nos Estados Unidos e África do Sul irrespectivamente se são filhos de camponês ou filhos da elite. Portanto, acho que o MPLA tem muito que aprender do Botswana Democratic Party e o govern Angolano deve aprender muito do governo de Botsuana.

O modelo de governação do BDP prova ao mundo que é possível ter um Partido- Estado com uma democracia exemplar. Por outro lado, também é um exêmplo prático que uma das melhores formas de fragilizar a oposição em Democracia é servir bem o interesse do povo.

Quando o povo sente e acha que o partido no poder está servir melhor o seu interesse, então claro que não veja necessidade de votar num outro partido da oposição. Porque ninguêm se atreve em mudar o que ja está bem (you cannot change what is already working out). E esse é o desafio que os partidos da oposição em Botsuana tem enfrentado até ao momento.

Um dia perguntei a um estudante de Botsuana na África do Sul, concretamente em Cape Town; ”porquê que vocês continuam a votar pelo BDP desde a independencia, sempre o mesmo partido, porque não votam num Partido da Oposição?”

Ele respondeu-me:” Mas porquê devemos votar na Oposição se o partido no poder está fazendo aquilo que nós queremos?...” continou : “ por exêmplo eu sou filho de Camponês, nós somos do campo mas estou aqui a estudar tudo pago pelo governo do BDP. Por isso no nosso País o BDP continua no poder não por engendrar fraudes eleitorais como nos outros países Africanos mas porque está fazendo um bom trabalho”.

Entrentanto, a sua resposta me convenceu e faz sentido foi assim que percebi a dominação política do Botswana Democratic Party. Essa conversa ocorreu já 10 anos atrás, mas hoje fiquei a pensar nissso tendo em conta o pramagatismo positivo de JLO. Será que se o MPLA continuar com essa virada política introduzida pelo JLO, Angola pode ter a mesma realidade de Botsuana onde o MPLA continuará no poder e a oposição sem chance de ganhar o poder?

Acredito que os partidos da oposição devem também aprender alguma coisa da realidade política de Botsuana. Isso deve servir de alerta que a oposição em Angola deve se reiventar, porque se o MPLA melhorar nas suas políticas ao ponto de ganhar de volta toda simpatia do povo e servir melhor o povo. Ou seja decidir fazer a mudança por dentro (o que pode estar acontencer) evitanto que a mudança venha de fora (pela oposição); então acho que ficará afastada para bem longe a possibilidade de Angola ser governado por um partido da oposição um dia.

Tendo em conta a ventania reformista que JLO está provocando e os aplausos que o povo está batendo; posso dizer que se essa ventania reformista estiver mesmo enraizado no MPLA e não apenas a vontade política de JLO, então estarémos perante à uma realidade de Botsuana. Mas para isso acontecer terémos de ter um Poder Judicial completamente independente; uma CNE completamente independente onde os integrantes não sejam membros dos partidos politicos mas apenas pessoas apartidarios ou independentes da sociedade civil como em Botsuana e na África do Sul.

Para concluir, nem sempre a mudança de partidos no poder garante a democracia ou o bem estar do povo; as vezes o que se precisa é apenas a mudança de coração dos líderes e dos atores politicos. Espero que esse artigo ajudou para reflectir um pouco sobre a nossa realidade e o sonho que temos por uma Angola diferente.

 

Consultor Político e de Relações Internacionais & Diplomacia (Angola & África do Sul) Consultor Internacional de Inteligência de Mercado-SADC (Angola & África do Sul) Orador Motivacional |Tradutor Ajuramentado (Inglês e Português)

South Africa

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