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Indice Mo Ibrahim vai mostrar como África se apresenta


A Fundação Mo Ibrahim (MIF) vai anunciar, no próximo dia 29, o lançamento do 12º Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG) anual, altura em que os dados serão comunicados publicamente. Para assinalar o lançamento, Mo Ibrahim vai participar em directo no Facebook Live para discutir ao vivo os principais resultados e as tendências verificadas este ano na evolução da governação pública em África.

Mo Ibrahim será acompanhado por um painel de especialistas africanos, representantes das vozes emergentes da nova geração do continente, Yvonne Apea Mensah do Gana, e Nasi Rwigema da África do Sul, que vão contribuir com as suas próprias opiniões sobre as conclusões do Índice deste ano. O painel vai também responder às questões colocadas no momento pelos utilizadores online.

Na sequência do lançamento, a Fundação Mo Ibrahim irá promover, em parceria com o Mecanismo Africano de Avaliação pelos Pares (African Peer Review Mechanism – APRM), um debate ao mais alto nível para discutir as conclusões a 2 de Novembro, sexta-feira, em Pretória, na África do Sul.DARCIFLORESTA

O Índice Ibrahim de Governação Africana constitui um instrumento sem paralelo que faculta a análise mundial mais abrangente da qualidade da governação nos países africanos. Através do Índice, a Fundação Mo Ibrahim procura capacitar os governos, os cidadãos, as empresas, o meio académico, os decisores políticos e os analistas para que usem as suas conclusões como uma ferramenta de avaliação rigorosa do fornecimento de bens e serviços públicos e na orientação da discussão sobre a governação em África. Neste sentido, os dados são livremente disponibilizados todos os anos através do Portal de Dados do IIAG.

Compilando uma recolha de dados de dez anos, o IIAG 2018 está numa posição privilegiada para medir as tendências na governação, fornecendo uma análise aprofundada da forma como a qualidade de governação tem evoluído nos últimos cinco anos (2013-2017), no contexto da última década (2008-2017) e na identificação de quais foram, ou poderão vir a ser, os factores-chave de transformação de África.

Em cada publicação anual, a Fundação Mo Ibrahim – com a colaboração do Conselho Consultivo do IIAG – procura continuamente melhorar a estrutura, o conteúdo e a metodologia do IIAG. Com a revisão anual do relatório, a Fundação actualiza todas as tabelas do Índice.

As versões anteriores do IIAG incluíam dados a partir de 2000 em diante. O IIAG 2018 faculta pela primeira vez dados de governação comparáveis apenas para a última década, reforçando assim a robustez das conclusões.

Pela primeira vez, uma avaliação da inclusão dos jovens faz parte do IIAG. Através do indicador Promoção da Integração Socioeconómica dos Jovens (fornecido pela Global Integrity), o Índice avalia a existência de estratégias e políticas governamentais para o incremento da integração socioeconómica dos jovens.

O IIAG deste ano conta com um foco de análise adicional que incide sobre o enquadramento de temáticas e assuntos mais abrangentes, incluindo as oportunidades económicas para os cidadãos de África, o crescimento demográfico, a transparência e a responsabilidade social.

A análise por década inclui os mais recentes desempenhos de governação, elevando a fasquia em áreas como Saúde, em que os países devem adoptar modelos de referência mais actuais.

O IIAG conta com análises relativas a 102 indicadores em 35 instituições de dados africanas e globais independentes, que abrangem os 54 países africanos em áreas como Segurança e Estado de Direito, Participação e Direitos Humanos, Oportunidade Económica Sustentável e Desenvolvimento Humano.

O Portal de Dados possui uma interface intuitiva que oferece análises personalizadas dos escalões, classificações e tendências de governação para cada país. Os utilizadores podem criar e imprimir tabelas e gráficos com base nos dados.

A Fundação Mo Ibrahim foi criada em 2006, orientada para a importância decisiva da liderança e da governação em África. Ao proporcionar ferramentas de apoio ao progresso da liderança e da governação, a Fundação visa promover a mudança relevante no continente.

A Fundação, que não tem por objecto a concessão de subvenções, concentra-se na definição, na avaliação e no aperfeiçoamento da governação e da liderança em África através de quatro iniciativas principais:

Índice Ibrahim de Governação Africana; Prémio Ibrahim de Excelência na Liderança Africana; Fórum Ibrahim e Bolsas de Investigação e de Estudo Ibrahim.

Ellen Johnson Sirleaf venceu em 2017

Ellen Johnson Sirleaf venceu o Prémio Ibrahim para a Excelência na Liderança Africana de 2017. A ex-presidente da Libéria foi elogiada pelos seus esforços e por liderar a recuperação do país após a guerra civil.

Ellen Johnson Sirleaf, que serviu dois mandatos como presidente da Libéria de 2006 a 2017, foi a quinta vencedora do Prémio Ibrahim, que reconhece e comemora a excelência na liderança Africana.

O Prémio Ibrahim tem como objectivo distinguir líderes que, durante o seu mandato, desenvolveram seus países, fortaleceram a democracia e os direitos humanos pelo benefício compartilhado de seus povos, e avançaram o desenvolvimento sustentável.

Na nota de divulgação, o Comité elogiou a liderança excepcional e transformadora de Ellen Johnson Sirleaf, diante de desafios sem precedentes e renovados, para liderar a recuperação da Libéria após muitos anos de uma guerra civil devastadora.

Ao anunciar a decisão, Salim Ahmed Salim, Presidente do Comité do Prémio, disse: “Ellen Johnson Sirleaf tomou o comando da Libéria após o país ter sido completamente destruído pela guerra civil e conduziu um processo de reconciliação concentrado na construção da unidade nacional e de fortes instituições democráticas. Ao longo de seus dois mandatos, ela trabalhou incansavelmente em nome do povo da Libéria. Tal jornada não pode estar sem algumas falhas e, hoje, a Libéria continua a enfrentar muitos desafios. No entanto, durante os seus doze anos no cargo, Ellen Johnson Sirleaf lançou as bases sobre as quais a Libéria pode agora construir um futuro melhor”.

Ellen Johnson Sirleaf tornou-se presidente da Libéria no dia 16 de Janeiro de 2006, depois de vencer as eleições nacionais de 2005. Serviu o seu primeiro mandato 2006-11 e foi reeleita com sucesso para um segundo mandato, 2012-17. Desde 2006, a Libéria foi o único país a melhorar em todas as categorias e subcategorias do Índice Ibrahim de Governança Africana. Isso levou a Libéria a subir dez lugares na classificação geral do Índice durante esse período.

Durante os seus doze anos de liderança, Ellen Johnson Sirleaf lançou as bases sobre as quais a Libéria pode agora construir um futuro melhor. No processo, restaurou a dignidade e o orgulho dos liberianos no seu país. Durante a sua presidência, manteve-se firme e determinada para ter êxito em nome do povo da Libéria. De 2006 a 2014, antes da crise do Ébola ter atingido o país, a economia da Libéria cresceu a uma taxa anual média de mais de 7%.

Ellen Johnson Sirleaf enfrentou a prisão, o exílio e risco pessoal no caminho até à liderança, e ainda perseverou na procura por um governo honesto para o seu povo. Corajosamente abraçou oponentes e lutou por mudanças geracionais, e abriu o caminho para o seu sucessor seguir a recuperação. As suas conquistas inspiraram e deram confiança a milhões de mulheres no serviço público. Além da sua liderança na Libéria, ela sempre foi uma campeã para a África.

O seu sucesso é o sucesso da África e o testemunho do poder de uma liderança excepcional. Hoje, Ellen Johnson Sirleaf pode orgulhar-se desta vitória, como destinatária do Prémio Ibrahim 2017 para a Excelência na Liderança Africana.

Ao ouvir o resultado das deliberações do Comité do Prémio, Mo Ibrahim disse: “Estou satisfeito que o Comité do Prémio tenha decidido fazer de Ellen Johnson Sirleaf a laureada do Prémio Ibrahim. Em circunstâncias muito difíceis, ela ajudou a guiar a sua nação para um futuro pacífico e próspero, e preparou o caminho para seu sucessor seguir. Estou orgulhoso de ver a primeira mulher Laureada Ibrahim e espero que Ellen Johnson Sirleaf continue a inspirar mulheres na África e além”.

Ellen Johnson Sirleaf juntou-se a Hifikepunye Pohamba da Namíbia (2014), Pedro Pires de Cabo Verde (2011), Festus Mogae do Botswana (2008) e Joaquim Chissano de Moçambique (2007) como Laureada do Prémio Ibrahim. Nelson Mandela foi nomeado o Laureado Honorário inaugural em 2007.

Os candidatos ao Prémio Ibrahim são todos ex-chefes executivos de estado ou governo africanos que deixaram o cargo nos últimos três anos, tendo sido democraticamente eleitos e que cumpriram seu termo constitucionalmente mandatado.

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Brasil defende que o Brics seja aliado do desenvolvimento da África.

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Último dia do encontro é marcado por reunião com líderes do continente

Foto do último dia da cúpula com os chefes de Estado e de governo do Brics, do Brics Plus e do Brics Outreach África – Foto: Foto: Cesar Itiberê/PR

O Governo do Brasil defendeu, durante a última reunião entre os chefes de Estado e de governo do Brics, que o grupo seja um “aliado no desenvolvimento da África”. O encontro reuniu, na manhã desta sexta-feira (27), os representantes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de líderes africanos (Brics Outreach) e de fora da região (Brics Plus).  

Para o presidente da República, Michel Temer, as parcerias com o continente africano são uma prioridade permanente. “Queremos que a agenda do Brics para a África seja tão intensa quanto intensa é a ligação histórica e afetiva do Brasil com este continente”, afirmou em discurso. No caso do Brasil, as cooperações com o continente incluem ações em áreas como a tecnologia e a saúde. Uma delas é o novo centro de treinamento da Embraer, que será inaugurado em breve em Joanesburgo, capital da África do Sul. Com equipamentos de última geração, o centro formará profissionais de toda a África.  

Recentemente, o País auxiliou a construção, em São Tomé e Príncipe, de um laboratório que reduzirá o tempo para o diagnóstico da tuberculose no país. Agora, a prioridade do Brasil junto aos países do Brics, é a criação do Centro de Pesquisa em Vacinas, na África do Sul. O objetivo é contribuir para a redução da dependência de fabricantes tradicionais de vacinas. 

Nos últimos anos, o Brasil ainda assinou acordos de investimentos com Moçambique, Angola, Malawi e Etiópia. Em setembro do ano passado, entrou em vigor o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e o Egito. 

Além de expandir os acordos econômicos com países da África, o Brasil vai cooperar com a promoção da paz e da segurança no continente. Para isso, o País apoia a proposta da África de Sul de criar, no Brics, o Grupo de Trabalho sobre Manutenção da Paz.

Presidente de Moçambique e FRELIMO não conseguiram implementar as idéias de desenvolvimento

Nyusi está prestes a terminar o seu primeiro mandato e não se conhecem projetos seus de desenvolvimento. Por outro lado, nos últimos tempos os seus discursos têm sido marcados por alguma inflexibilidade e dureza.

    

defaultFilipe Nyusi, Presidente de Moçambique

 Só na última semana o Presidente moçambicano causou bastante polémica ao fazer a seguinte afirmação: “Se não estás preparado para viver na capital procura lá outro sítio [para viver]”. Essa foi a reação de Filipe Nyusi as manifestações populares à morte de uma criança de uma escola primária por atropelamento na estrada circular em Maputo.

Também na última semana contra-atacou de forma dura os empreiteiros da área da construção civil que pediram medidas para fazer frente as consequências da crise económica, ao exigir o combate à corrupção no setor.

A rispidez no discurso será o reflexo de alguma saturação por parte do Presidente? Eduardo Sitói é cientista político e acredita que sim: “Talvez seja isso, o que quero dizer é: ele provavelmente não tem muito tato para lidar com grandes multidões. Os seus improvisos não têm aquela áurea, aquele carisma dos outros líderes. Mas ele tem sido eficaz no trabalho mais controlado e direto com os seus principais subordinados, portanto, ele tem esses dois lados diferentes.”

Chinesische öffentliche Arbeiten in Maputo (DW/Romeu da Silva)Estrada circular em Maputo

Nyusi impaciente e frustrado?

Já o sociólogo Elísio Macamo acredita que existam motivos mais profundos na origem da postura de Filipe Nyusi e apresenta justificações para o que chama de deslizes: “Acho que a questão é mais complexa. Ser Presidente de Moçambique, e com todo o respeito que tenho pelos países que vou mencionar agora, não é o mesmo que ser Presidente de Cabo Verde, da Guiné ou do Malawi. Moçambique é um país grande, complexo, com problemas e com desafios extremamente complexos.”

E por isso Macamo argumenta que “é normal que quem esteja à frente de um país destes possa uma e outra vez não conseguir camuflar uma certa impaciência, uma certa frustração em relação à forma como as coisas estão a andar, quando ele tem expetativas que as coisas andem bem. Penso que os deslizes que tem tido explicam-se mais por essa via do que pelo facto de estar cansado ou de lhe faltar tato.”

Depois das fortes críticas ao “empregado do povo”, como é chamado o Presidente no país, Nyusi terá feito um “mea culpa” ao visitar nesta segunda-feira (11.06.) a escola em questão e ter prometido uma ponte aérea e ter apelado para outras medidas para evitar acidentes.

Mea culpa é igual a um pedido de desculpas?

Schweiz Basel Elísio MacamoElísio Macamo, sociólogo moçambicano

Mas isso exclui um pedido de desculpas do “empregado do povo” ao seu “patrão”? Elísio Macamo começa por reconhecer que “foi uma atitude boa da parte dele, deu-se conta de que, de facto, cometeu um deslize. E ao visitar a escola depois dessa celeuma toda ele revelou uma certa “mea culpa“.

E o sociólogo lembra que “isso para um país como o nosso não é coisa de se esperar de um político no lugar onde ele se encontra. Então, ele tem todo o mérito por ter feito isso aí.”

Entretanto faz ressalvas: “Mas é claro que eu acho que ele continuou a não ser feliz na forma como reagiu, porque a questão não é só ir visitar a escola. A questão é pedir desculpas, acho que os nossos políticos precisam de ganhar a coragem de pedir desculpas por deslizes. Ele devia ter feito isso, teria sido bom para a sua própria imagem e para o Governo que dirige.”

Mais um deslize de Nyusi não vai fazer diferença nas eleições

A rispidez discursiva do Presidente moçambicano exacerba quando o país está à beira de eleições: autárquicas em outubro de 2018 e gerais em outubro de 2019. Filipe Nyusi e o seu partido não correm o risco de saírem penalizados nos próximos escrutínios?

O sociólogo responde: “Eu não acho que os resultados das eleições que se avizinham vá depender do comportamento do Presidente agora, porque o maior problema que a FRELIMO enfrenta neste momento é o da sua impopularidade geral. Então, mais um deslize não vai fazer diferença.”

Macamo acredita que “se a FRELIMO tem de desenvolver alguma estratégia em relação a este assunto, essa estratégia não pode ser de controlar o que [Nyusi] diz, vai ter de ver como é que a FRELIMO vai lidar com esta perceção de que a FRELIMO está cansada e que não está com vontade de fazer as coisas.”

 

Onde estão as propostas de desenvolvimento de Nyusi?

Filipe Nyusi já vai no quarto ano do seu primeiro mandato. Até aqui não se conhecem projetos seus ou do seu Governo focados no desenvolvimento do país, à semelhança, por exemplo, do que aconteceu na Presidência anterior. Armando Guebuza implementou alguns projetos, como é o caso do que visava o desenvolvimento do distrito.

Eduardo Sitói apresenta uma justificação que “muito provavelmente Nyusi esteve muito focado na questão da paz e julgo que por causa desse foco eventualmente não tenha tido a oportunidade e nem espaço para muitas outras iniciativas. Por outro lado, todo este contexto económico e do corte da ajuda internacional criou uma espécie de desaceleração da capacidade do Governo central de fazer investimentos significativos no país.”

Filipe Nyusi é o candidato da FRELIMO para as presidenciais de 2019. Se vencer, eventualmente transitará com os mesmos problemas.E a questão que fica é: Continuará ele sem propostas de projetos para Moçambique?

Guiné é uma promessa que pode dar certo

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Uma recuperação bem retomada e aura internacional recuperada, o país mostrou nos últimos dois anos uma frente bastante serena. Mas desde janeiro, o descontentamento social está aumentando. Quanto ao clima político, depois do local e antes do legislativo, em setembro, é novamente agitado.

Na tela do computador, com suas curvas e diagramas dinâmicos, a Guiné parece ter recuperado sua forma. Crescimento de mais de 6% para dois anos, um déficit orçamentário controlado, inflação reduzida para 8%, contra 21% em 2010 … A maioria de seus indicadores é verde.carte-conakry_guinee_agriculture_carte31

Depois de dois anos de crise de saúde, depois de dois outros marcados por uma situação internacional difícil, virada de cabeça para baixo pela queda nos preços das commodities, a economia guineense está melhor e, no papel, suas perspectivas parecem boas. Como prova, o novo programa de três anos foi concluído em dezembro com o Fundo Monetário Internacional.

Gradualmente, os investidores voltam. Vários hotéis de luxo foram construídos pelo mar. Andando em Kaloum, no centro de Conakry nas obras, sob os enormes guindastes que a raia o céu eo barulho incessante de betoneiras, a pessoa começa imaginar a capital do futuro .

Na costa, as torres gêmeas Weily Kakimbo e seus vinte e cinco andares que abrigarão em breve um shopping center, um hotel e escritórios certamente têm um lado “bling-bling”, mas também mostram que a capital aspira a mudar o século.

Um verdadeiro mal-estar

Algumas semanas atrás, enquanto ele ainda estava no comando da União Africana, o Presidente Alpha Condé teve que se alegrar com todos esses bons sinais. Mas dificilmente ele passou a mão para sua contraparte ruandesa no topo de Adis Abeba que ele encontra um país novamente dilacerado por seus velhos demônios. A violência pós-eleitoral consecutiva para 04 de fevereiro de som comum como um ultimato.

Depois de uma campanha que nem apaixonou nem mobilizou multidões – enquanto foram as primeiras eleições locais desde 2005 -, a condução da pesquisa e seus resultados parciais se transformaram em pretexto para externar um verdadeiro mal-estar e agitar alguns frustrações sociais.

Tenores da oposição, Cellou Dalein Diallo na liderança, denunciaram fraudes. Outros, como Faya Millimouno, levantaram a questão da relevância de tal votação este ano, considerando o custo de sua organização – cerca de 800 bilhões de francos guineenses (mais de 70 milhões de euros).

Cortes de energia, más condições das estradas, problemas de coleta de lixo e prisões de jornalistas chegaram ao auge. Sem mencionar os recorrentes rumores sobre um hipotético terceiro mandato presidencial de “idade” – 80 anos em 4 de março.

Uma grande parte da população, especialmente os jovens, não se beneficia dos frutos do crescimento

É uma geração inteira que é impaciente. “Boa parte da população, especialmente os jovens, não está aproveitando os benefícios do crescimento”, disse Abdourahmane Sanoh, presidente da United Citizens for Development Platform. Enquanto as desigualdades forem fortes, vivenciaremos crises cíclicas. Em resumo, para os mais críticos, esse crescimento positivo parcialmente impulsionado pelo setor de mineração beneficiaria principalmente, se não apenas, alguns investidores estrangeiros.

Enquanto aguarda um melhor diálogo entre o Estado e o setor privado, nomeadamente através do Fórum Empresarial da Guiné, criado no final de 2017, Madani Dia, o secretário executivo da plataforma de consulta do setor privado da Guiné, desenha também o alarme.

Deixe o setor privado respirar e dê a oportunidade de criar empregos

“Deixe o setor privado respirar e dê a oportunidade de criar empregos. Hoje, a taxa real de desemprego dos jovens é superior a 80%. Se continuarmos assim, temos direito ao desastre, ele insiste. O governo entendeu e está fazendo esforços, mas devemos ir mais rápido e mais longe, priorizando urgentemente os investimentos intensivos em mão-de-obra, por exemplo, para pavimentar as ruas das cidades, estradas de construção e asfalto, etc. Devemos dar um objetivo e uma renda a todos esses jovens, enquanto esperamos treiná-los e oferecer-lhes outras perspectivas. ”

A cidade no campo

No lado executivo, leva tempo. “Nós colocamos o país de volta aos trilhos”, disse o primeiro-ministro Mamady Youla. Mais de € 1 bilhão já foi investido na melhoria de estradas em Conakry, para atualizar a estrada nacional 1 (Coyah-Mamou Dabola), construir a linha de energia Linsan-Forni proceder à expansão do porto de Conakry … como muitos projetos tangíveis.

Mas o que fazemos para atraí-los para as aldeias? Pensamos em criar moradias rurais?

O governo parece determinado a atender aos outros grandes desafios do Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social 2016-2020 (PNDES). Ele fez esforços para obter a economia da “todo meu” através da diversificação, graças à reafectação de agricultura, muito promissor, eo ressurgimento de indústrias que geram mais renda e divisas (café, cacau, palm óleo e castanha de caju).

 

“Está tudo bem para desenvolver esses canais, mas também devemos interessar aos jovens, nuances Madani Dia. Claro, vendendo lenços ao longo das ruas da capital, não sonha. Então, se lhes dermos oportunidades reais, elas retornarão ao campo. Mas o que fazemos para atraí-los para as aldeias? Pensamos em criar moradias rurais? ”

Tantas questões que poderiam encontrar um eco positivo no ouvido do Presidente Alpha Condé, que sempre quis apostar na abertura, na descentralização e na transformação do potencial das áreas rurais.

“Esta é a prioridade do governo: investir pesadamente no campo”, confirma o ministro da Juventude, Moustapha Naité. Para criar oportunidades econômicas e dar esperança aos jovens, nossa ideia – e já estamos trabalhando no PNDES – é reproduzir os benefícios do ambiente urbano no campo. É por isso que nos concentramos no desenvolvimento de tecnologias, particularmente através dos muitos projetos que empreendemos para desenvolver fibras ópticas em áreas rurais. Também estamos melhorando o transporte. Quando eles sabem que podemos estar bem conectados ao campo e à cidade, em vez de tentar a sorte na Europa, nossos jovens irão para uma aventura em seu próprio país. ”

Na Guiné, a nova geração não pede mais nada. Mas ela não é mais seduzida por belas promessas.

Objetivos e coletivos

Além dos protestos pós-eleitorais, o descontentamento social se intensificou em fevereiro, especialmente na educação , onde a greve paralisou escolas públicas e privadas. A sociedade civil não é deixada de fora.

Diversos coletivos surgiram, como o Third Dynamic 2020, para promover a unidade nacional e encorajar o estado a investir na formação de jovens. Um objetivo semelhante para Wonkhai 2020 , “correr para 2020” em Soussou ,  que apela aos políticos para colocar os jovens no centro dos seus programas e guineenses para superar as divisões. Seu slogan: “unir ou perecer”.

http://www.jeuneafrique.com/mag/538702/politique/guinee-une-annee-sous-tension/

omada e aura internacional recuperada, o país mostrou nos últimos dois anos uma frente bastante serena. Mas desde janeiro, o descontentamento social está aumentando. Quanto ao clima político, depois do local e antes do legislativo, em setembro, é novamente agitado.

Na tela do computador, com suas curvas e diagramas dinâmicos, a Guiné parece ter recuperado sua forma. Crescimento de mais de 6% para dois anos, um déficit orçamentário controlado, inflação reduzida para 8%, contra 21% em 2010 … A maioria de seus indicadores é verde.

Depois de dois anos de crise de saúde, depois de dois outros marcados por uma situação internacional difícil, virada de cabeça para baixo pela queda nos preços das commodities, a economia guineense está melhor e, no papel, suas perspectivas parecem boas. Como prova, o novo programa de três anos foi concluído em dezembro com o Fundo Monetário Internacional.

Gradualmente, os investidores voltam. Vários hotéis de luxo foram construídos pelo mar. Andando em Kaloum, no centro de Conakry nas obras, sob os enormes guindastes que a raia o céu eo barulho incessante de betoneiras, a pessoa começa imaginar a capital do futuro .

Na costa, as torres gêmeas Weily Kakimbo e seus vinte e cinco andares que abrigarão em breve um shopping center, um hotel e escritórios certamente têm um lado “bling-bling”, mas também mostram que a capital aspira a mudar o século.

Um verdadeiro mal-estar

Algumas semanas atrás, enquanto ele ainda estava no comando da União Africana, o Presidente Alpha Condé teve que se alegrar com todos esses bons sinais. Mas dificilmente ele passou a mão para sua contraparte ruandesa no topo de Adis Abeba que ele encontra um país novamente dilacerado por seus velhos demônios. A violência pós-eleitoral consecutiva para 04 de fevereiro de som comum como um ultimato.

Depois de uma campanha que nem apaixonou nem mobilizou multidões – enquanto foram as primeiras eleições locais desde 2005 -, a condução da pesquisa e seus resultados parciais se transformaram em pretexto para externar um verdadeiro mal-estar e agitar alguns frustrações sociais.

Tenores da oposição, Cellou Dalein Diallo na liderança, denunciaram fraudes. Outros, como Faya Millimouno, levantaram a questão da relevância de tal votação este ano, considerando o custo de sua organização – cerca de 800 bilhões de francos guineenses (mais de 70 milhões de euros).

Cortes de energia, más condições das estradas, problemas de coleta de lixo e prisões de jornalistas chegaram ao auge. Sem mencionar os recorrentes rumores sobre um hipotético terceiro mandato presidencial de “idade” – 80 anos em 4 de março.

Uma grande parte da população, especialmente os jovens, não se beneficia dos frutos do crescimento

É uma geração inteira que é impaciente. “Boa parte da população, especialmente os jovens, não está aproveitando os benefícios do crescimento”, disse Abdourahmane Sanoh, presidente da United Citizens for Development Platform. Enquanto as desigualdades forem fortes, vivenciaremos crises cíclicas. Em resumo, para os mais críticos, esse crescimento positivo parcialmente impulsionado pelo setor de mineração beneficiaria principalmente, se não apenas, alguns investidores estrangeiros.

Enquanto aguarda um melhor diálogo entre o Estado e o setor privado, nomeadamente através do Fórum Empresarial da Guiné, criado no final de 2017, Madani Dia, o secretário executivo da plataforma de consulta do setor privado da Guiné, desenha também o alarme.

Deixe o setor privado respirar e dê a oportunidade de criar empregos

“Deixe o setor privado respirar e dê a oportunidade de criar empregos. Hoje, a taxa real de desemprego dos jovens é superior a 80%. Se continuarmos assim, temos direito ao desastre, ele insiste. O governo entendeu e está fazendo esforços, mas devemos ir mais rápido e mais longe, priorizando urgentemente os investimentos intensivos em mão-de-obra, por exemplo, para pavimentar as ruas das cidades, estradas de construção e asfalto, etc. Devemos dar um objetivo e uma renda a todos esses jovens, enquanto esperamos treiná-los e oferecer-lhes outras perspectivas. ”

A cidade no campo

No lado executivo, leva tempo. “Nós colocamos o país de volta aos trilhos”, disse o primeiro-ministro Mamady Youla. Mais de € 1 bilhão já foi investido na melhoria de estradas em Conakry, para atualizar a estrada nacional 1 (Coyah-Mamou Dabola), construir a linha de energia Linsan-Forni proceder à expansão do porto de Conakry … como muitos projetos tangíveis.

Mas o que fazemos para atraí-los para as aldeias? Pensamos em criar moradias rurais?

O governo parece determinado a atender aos outros grandes desafios do Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social 2016-2020 (PNDES). Ele fez esforços para obter a economia da “todo meu” através da diversificação, graças à reafectação de agricultura, muito promissor, eo ressurgimento de indústrias que geram mais renda e divisas (café, cacau, palm óleo e castanha de caju).

 

“Está tudo bem para desenvolver esses canais, mas também devemos interessar aos jovens, nuances Madani Dia. Claro, vendendo lenços ao longo das ruas da capital, não sonha. Então, se lhes dermos oportunidades reais, elas retornarão ao campo. Mas o que fazemos para atraí-los para as aldeias? Pensamos em criar moradias rurais? ”

Tantas questões que poderiam encontrar um eco positivo no ouvido do Presidente Alpha Condé, que sempre quis apostar na abertura, na descentralização e na transformação do potencial das áreas rurais.

“Esta é a prioridade do governo: investir pesadamente no campo”, confirma o ministro da Juventude, Moustapha Naité. Para criar oportunidades econômicas e dar esperança aos jovens, nossa ideia – e já estamos trabalhando no PNDES – é reproduzir os benefícios do ambiente urbano no campo. É por isso que nos concentramos no desenvolvimento de tecnologias, particularmente através dos muitos projetos que empreendemos para desenvolver fibras ópticas em áreas rurais. Também estamos melhorando o transporte. Quando eles sabem que podemos estar bem conectados ao campo e à cidade, em vez de tentar a sorte na Europa, nossos jovens irão para uma aventura em seu próprio país. ”

Na Guiné, a nova geração não pede mais nada. Mas ela não é mais seduzida por belas promessas.

Objetivos e coletivos

Além dos protestos pós-eleitorais, o descontentamento social se intensificou em fevereiro, especialmente na educação , onde a greve paralisou escolas públicas e privadas. A sociedade civil não é deixada de fora.

Diversos coletivos surgiram, como o Third Dynamic 2020, para promover a unidade nacional e encorajar o estado a investir na formação de jovens. Um objetivo semelhante para Wonkhai 2020 , “correr para 2020” em Soussou ,  que apela aos políticos para colocar os jovens no centro dos seus programas e guineenses para superar as divisões. Seu slogan: “unir ou perecer”.

http://www.jeuneafrique.com/mag/538702/politique/guinee-une-annee-sous-tension/

Marco legal da Ciência , Tecnologia e Inovação é regulamentado no Brasil

ban_854b30e8d2ebb29b9c763c187a1084b9Diário Oficial da União de hoje (8) publicou decreto que regulamenta o Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação (Lei nº 13.243/2016)  e  traz a expectativa de desburocratizar as atividades de pesquisa e inovação no país. As novas regras criam mecanismos para integrar instituições científicas e tecnológicas e incentiva investimentos em pesquisa.

 

De acordo com o ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o novo marco legal deve simplificar a celebração de convênios para a promoção da pesquisa pública; facilitar a internacionalização de instituições científicas e tecnológicas e aumentar a interação elas e as empresas.

Deve ainda incrementar a promoção de ecossistemas de inovação; diversificar instrumentos financeiros de apoio à inovação e permitir maior compartilhamento de recursos entre entes públicos e privados.

Outros pontos são a simplificação de procedimentos de importação de bens e insumos para pesquisa; novos estímulos para a realização de encomendas tecnológicas e flexibilidade no remanejamento entre recursos orçamentários.

O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro, que participou da reunião no Palácio do Planalto, avaliou como positivo o regulamento do marco e lembrou que é resultado de anos de discussões.

“Vemos isso como um ponto positivo para a integração maior da ciência, tecnologia e inovação no país. Temos a preocupação clara de destravar uma série de dificuldades legais que o Brasil tradicionalmente tem para a ciência funcionar; dar mais flexibilidade para a ação da ciência é muito importante. Como essa regulamentação vai chegar na ponta, nas empresas, nas instituições de pesquisa, isso vai ser um processo de construção”.

 

http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?data=08/02/2018&jornal=515&pagina=10&totalArquivos=180

Presidente de Ruanda no comando da União Africana

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O presidente de Ruanda, Paul Kagame,  foi eleito como novo presidente da União Africana para o ano de 2018.

A Assembléia de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA) reuniu-se na 30ª Sessão Ordinária na Sede da UA em Adis Abeba, Etiópia, elegeu em 28 de janeiro de 2018 uma nova mesa para coordenar as atividades de a União para o ano de 2018.

O presidente Kagame  disse que o desafio da África é criar um caminho para a prosperidade para o nosso povo, especialmente para os jovens, e que  em outros lugares, isso foi alcançado através da industrialização. Mas essa trajetória de crescimento que transformou a Ásia, não é necessariamente mais uma opção viável para a África, simplesmente porque esperou-se demais para agir.

Ele acrescentou que, a tecnologia evoluiu tão rapidamente nos últimos anos, que a janela de África para seguir essa estratégia está se estreitando muito mais rapidamente do que se acreditava anteriormente.

“Estamos ficando sem tempo, e devemos agir agora para salvar a África de uma privação permanente”, afirmou o Presidente da União.

De acordo com o novo presidente da União a escala é essencial. O grande objetivo é criar um único mercado no continente, integrar a infraestrutura e infundir as economias com tecnologia. Nenhum país ou região pode gerenciar por conta própria. Temos que ser funcionais, e temos que ficar juntos. A reforma financeira e institucional da União Africana é  urgente.  África tem recursos e forças para construir, começando com esta organização, e seu firme  compromisso com a unidade.

É uma vantagem para os africanos , que nenhuma outra região do mundo possui, com tanta abundância.

“A unidade deve ser o nosso ponto de partida, pois fazemos o trabalho necessário para redefinir nossos planos e ambições, em termos continentais … Essas mudanças precisam acontecer. Não existe um país no nosso continente que não quer fazer parte de uma África mais assertiva e visível “, assim afirmou Paul Kagame.

Angola passa por reformas no inicio do mandato do presidente João Lourenço

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Depois das eleições de Agosto de 2017, Angola jamais será a mesma, porque depois de João Lourenço tem deixado claro que não quer ser uma réplica de José Eduardo dos Santos. Com a experiência de que se precisa fazer mudanças, que as faça logo no primeiro ano de governo. Foi o que fez

Realizou substituições no Executivo, nas Forças Armadas e Polícia, nas administrações das empresas públicas  nos mais variados setores da atividade econômica e social levou o presidente da República João Lourenço a uma nova imagem aos olhos do cidadãos.

Trouxe à opinião pública uma nova postura na relação entre o Executivo e a sociedade, que tem sido pautado pela transparência. Procurou salvaguardar a sua ação na legalidade constitucional, e sem subalternizar o MPLA, João Lourenço assumiu como um Presidente da República cumprindo simultaneamente os fundamentos da Constituição.

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Angola também testemunhou acontecimentos cuja proeminência será determinada pela história, como a mudança do Conselho a principal empresa publica a Sonangol, que era ocupada pela filha do ex-presidente da República. E ontem exonerou , por conveniência de serviço, o presidente do Conselho de Administração do Fundo Soberano de An­gola, José Filomeno dos Santos,que também é filho do ex presidente José Eduardo dos Santos,  e os seus administradores executivos.

Cerca de trezentas exonerações e outras tantas nomeações em pouco mais de três meses não podem passar despercebidas.  Trocou a liderança do Banco Nacional de Angola, mudou ministros e secretários de estado, reduziu o tamanho do executivo, mudou o foco e uniu Ministérios e Secretarias de Estado.

Foi notória a mudança de paradigma, pois elevou a luta contra a corrupção e a impunidade dando poder real e liberdade de ação à Procuradoria Geral da Republica, ao Tribunal de Contas bem como deu novo folego a policia nacional e aos serviços de investigação criminal.

Mudou a cara da diplomacia nacional, o Ministério das Relações Exteriores vai abrir um concurso público interno para o processo de rotatividade dos funcionários das missões diplomáticas e postos consulares de Angola no exterior, o objectivo dessa medida é tornar o processo mais transparente e trazer elementos que abram a possibilidade de todos os funcionários participarem. A diplomacia econômica será a nova diretriz dos diplomatas procurando atrair investidores para o país

Conclamou que fosse realizado a repatriação dos capitais transferidos ilegalmente por governantes e ex-governantes, bem como todos aqueles que o fizeram durante a guerra, passando a mensagem que ninguém está acima da lei. Esses capitais serão repatriados para serem investidos no país no setor produtivo, o que na verdade, não estará a “receber” dinheiro a angolano algum, mas sim a tornar aquele capital que hoje é ilícito lá fora em capital licito cá dentro, onde aqueles que antes se apoderaram do erário, minérios e outros bens públicos, poderão no futuro se tornar empresários nacionais de sucesso.

João Lourenço recebeu pessoalmente investidores estrangeiros para áreas produtivas, agricultura, pecuária e pescas, virou-se rapidamente para os mercados regionais, ao ralizar a primeira vista oficial à Africa do Sul eliminado as barreiras à entrada para pessoas e mercadorias, levando a acreditar que estará em curso o processo de adesão a zona da comercio livre da africa austral.

São sinais muito claros de que há mudanças ocorrendo no país, liderado por João Lourenço, mas é cedo para conclamar vitórias. Com o passado aprendemos a ter paciência e reconhecer os erros. A burocracia angolana é muito lenta e resiste às mudanças, o cidadão  sabe que gestos são importantes, mas a elite angolana tem sido pouco solidária junto aos mais pobres. A entrevista do presidente essa semana foi um dos melhores momentos desse governo, pois esclareceu muitos dos pontos do novo estilo de administração.

Para nós brasileiros muitas das mudanças abrirão oportunidades de negócios e trabalho, que deverão ser acompanhado com atenção, pois muitos brasileiros serão atraídos a tornarem investidores no pais, face essa nova postura do novo Presidente da República.

Por que fracassou o programa sueco para ajudar os pobres de Moçambique?

Desfalques e apropriação de terras são herança de programa financiado pelo Governo sueco

Objetivo do projeto era reduzir a pobreza a partir de investimentos privados na região

Delinda, de 25 anos, trabalha nas terras de sua família em Lichinga.Ver galeria de fotos
Delinda, de 25 anos, trabalha nas terras de sua família em Lichinga. PASCAL VOSSEN

Ao longo da década passada, Moçambique foi testemunha do arrendamento de um milhão de hectares (10.000 quilômetros quadrados) de terras cultiváveis —uma área maior do que a de Chipre— para investidores privados estrangeiros do setor agrícola. O Governo, que mantém a propriedade legal de todas as terras do país, ofereceu concessões a empresas estrangeiras como parte de uma campanha voltada a manter o crescimento econômico e ajudar 35% dos domicílios moçambicanos que ainda não têm seu sustento garantido.

Em 2005, o programa Malonda, financiado em parte pelo Governo sueco, foi uma das primeiras iniciativas estrangeiras em Moçambique. O programa oferecia o investimento florestal em grande escala —concentrada em pinheiros e eucaliptos— na região de Niassa à empresa Chikweti, filial da companhia sueca de investimentos GSFF. O plano prometia uma situação benéfica para todos, com a criação de postos de trabalho e desenvolvimento para a região, tendo como base as comunidades, e uma rentabilidade substancial dos investimentos para os acionistas da GSFF (entre os quais estavam as Igrejas luteranas da Noruega e da Suécia, assim como o fundo de pensões holandês ABP).

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Nos anos seguintes, a Chikweti se viu envolvida nas disputas locais pelos direitos sobre a terra e foi vítima de inúmeros incêndios provocados por funcionários descontentes. Atualmente, apenas um quinto das terras da empresa estão plantadas, e as comunidades da região perderam a confiança nas declarações que diziam que o investimento estrangeiro traria riqueza e trabalho à região.

Com seus 69 anos, Nconda goza de boa saúde. Com sua nora Delinda, arranca as espigas dos talos de milho —o principal meio de subsistência na região— no pátio da frente à sua casa. Tem o mesmo nome da aldeia que preside como líder tradicional (régulo, em português), cargo que herdou por via materna, e é um personagem importante para a aprovação do arrendamento de terras nos arredores de sua comunidade. “No início, as pessoas resistiam [às empresas privadas], e houve muitos conflitos, mas quando começaram a limpar a terra e plantar, houve mais trabalho para a comunidade e a imagem [da empresa] começou a mudar para melhor.”

O descontentamento das comunidades chegou ao auge em abril de 2011, quando a Chikweti ocupou regiões que não tinham cedidas à empresa

Quando começaram a contratar em 2010, Nconda estimulou sua nora a trabalhar nas plantações adjacentes ao povoado, mas depois de alguns meses intensivos, a contratação de mão-de-obra diminuiu e começaram a surgir os problemas. “Só precisavam de trabalhadores para certas temporadas. Depois os empregos começaram a desaparecer. As pessoas se sentiam frustradas, já que a única coisa a fazer era ficar em casa esperando trabalho, então atearam fogo nas plantações florestais.”

Já em 2010, a Chikweti começou a receber duras críticas quando os relatórios da UNAC (União Nacional de Camponeses de Moçambique) fizeram referência a vários casos de promessas não cumpridas e desalojamentos forçados de agricultores de suas terras. Segundo um estudo do Ministério da Agricultura do país e da Direção Nacional de Agricultura e Florestas (DNTF, em sua sigla em inglês), a empresa tinha plantado ilegalmente uma superfície de 32.000 hectares em Niassa.

O descontentamento das comunidades chegou ao auge em abril de 2011, quando, durante a temporada de plantação, a Chikweti ocupou áreas que não tinham sido cedidas a ela. Os camponeses dos povoados de Licole e Lipende arrancaram e cortaram 60.000 pinheiros e destruíram parte dos equipamentos agrícolas.

Kauguanha, de 23 anos, é um dos líderes mais jovens. Vive em Licole e tem sob sua responsabilidade uma grande extensão de plantações de milho que faz limite com o bosque de pinheiros. As árvores já estão bem altas e fazem sombra em alguns de seus cultivos. Ele pensa que, em parte, o conflito ocorreu porque os representantes da comunidade não foram realmente consultados. “Nesta região a empresa [Chikweti] falou com um líder apenas. Ele concordou em entregar-lhes terras que não eram dele e tiveram que parar e voltar a negociar.”

Quando, em 1975, Moçambique se separou de Portugal, sobreveio uma dolorosa guerra civil que se prolongou por 15 anos. Em 1997, em um esforço para conciliar os interesses dos investidores estrangeiros com os das comunidades locais, introduziu-se um sistema de direitos de uso e aproveitamento da terra (DUAT, em sua sigla em português) que permitia que os investidores arrendassem uma superfície de terra para o Governo por um período de 50 anos.

Para muitos agricultores de Niassa que cultivavam para a própria subsistência, isso significava que, como não havia documentos oficiais ou legais que declarassem que suas terras —que com frequência tinham sido cultivadas por suas famílias durante gerações— estavam em uso, a decisão de se estas podiam ser entregues ou não ficava nas mãos dos líderes locais tradicionais, que eram quem as empresas consultavam.

Consequentemente, opina Kauguanha, era algo que ia além do conflito comercial. Era também uma questão de formas tradicionais de identidade, algo que as empresas passaram por cima. “Pode ser que não sejamos proprietários da terra, mas estamos conectados com ela. Se for preciso, podemos sair por três ou quatro anos, mas sempre voltamos.”

Em junho de 2013, uma auditoria da ajuda econômica prestada pela Agência Sueca Internacional de Cooperação ao Desenvolvimento (SIDA, em sua sigla em inglês) para a fundação Malonda —a qual tinha intermediado os investimentos da GSFF na região— encontrou irregularidades notáveis. Não demorou para que se descobrisse que nos escritórios de Niassa tinha havido um desfalque de 32.000 dólares e que cheques falsos tinham sido utilizados. A instituição sueca cancelou imediatamente o contrato, mas a metade dos nove milhões de dólares comprometidos para o período 2010-2013 já tinha sido desembolsada.

Depois de uma torrente de propaganda desfavorável, a GSFF seguiu os passos da SIDA e saiu da região. Em 2014, a Green Resources comprou a GSFF. A empresa norueguesa adquiriu também 83% dos bosques da Chikweti.

Na frente da aldeia de Nconda há uma ampla faixa de pinheirais carbonizados e reduzidos a cinzas. Uma pista estreita e enlameada conduz às plantações, onde está uma placa destruída da Green Resources. A base foi cortada a machado, e o logotipo da companhia foi arrancado e jogado na lama. Passaram-se três anos e mesmo com a mudança de propriedade muitos dos problemas enfrentados pelas plantações continuam os mesmos.

Mussa está agachado em um banquinho de madeira junto à porta de sua casa, na aldeia de Mapudje. Abre por um momento o tecido grosso que envolve seu filho de um ano, doente de malária, para observar sua palidez. Às suas costas, o sol da manhã banha as fileiras de pinheiros perfeitamente alinhadas que cobrem as ondulantes colinas até o horizonte, interrompidas apenas por um pequeno maciço solitário que lembra que, apesar dessa surpreendente paisagem escandinava, estamos no sul da África.

Apesar dos problemas com as comunidades locais, Mussa foi um dos muitos habitantes do povoado que acreditou no discurso da empresa e em seus ambiciosos planos de emprego. “No início eles estavam sempre aqui. Diziam que ficariam 50 anos (período do arrendamento das terras), então as pessoas abandonaram seus campos.”

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A Green Resources acumulou uma área de 126.471 hectares. Do total, só plantou 19%

Maskuini, um régulo de Liconhile, acredita que quando a Chikweti se consultou com ele sobre a compra das terras vizinhas a sua aldeia, não o comunicou que o trabalho seria temporário. “Sua chegada nos parecia muito positiva, sobretudo quando deram trabalho a tanta gente, mas logo os contratos acabaram sem mais. Éramos 80 pessoas [trabalhando para a Chikweti], e agora somos quatro.”

Os idosos de Liconhile têm a impressão de que foi divulgada informação falsa a fim de obter permissão para estabelecer direitos de uso e aproveitamento da terra, como também fica claro pelo relatório da UNAC sobre as plantações no norte de Moçambique. O documento conclui que “o principal problema está na maneira enganosa que se transmitiu a informação durante as consultas à comunidade, o que faz parte de uma estratégia traiçoeira para que as comunidades renunciem a suas terras”.

Inocencio Sotomane, diretor regional da Green Resources em Niassa, explica que havia “muitas expectativas. Acreditavam que nossa presença ali significaria empregos estáveis, mas temos que plantar e processar, e depois repetir o processamento. Entre uma coisa e outra há um longo período. Por exemplo, precisaremos de muito pouca [mão-de-obra] até 2018, quando começaremos a processar”.

Segundo um relatório da UNAC publicado em agosto de 2016, a Green Resources acumulou uma área de 126.471 hectares. E plantou apenas 23.864, o que representa um índice real de uso da terra de 19%. A situação aprofundou a confusão da população local em relação a por que as empresas escandinavas investiram na região.

Assim como muitos de seus colegas agricultores, Mussa se sente frustrado por ter podido desfrutar de um bom nível de vida graças ao trabalho na plantação, para logo ver tudo desaparecer sem qualquer explicação. Está há anos esperando que um representante da Green Resources esclareça por que encerrou seu contrato. “Que venham nos dizer o que acontece e nos deem informações reais.” Acredita que essa falha de comunicação se deva ao choque entre dois mundos diferentes. “Em seus países (Noruega e Suécia), em Maputo (a capital, a 1.430 quilômetros de distância) e em Lichinga (capital da região) há pessoas que entendem coisas de forma diferente. O que vocês entendem, nós podemos não entender a menos que nos expliquem. Em lugares diferentes há formas diferentes de entender.”

Os idosos de Liconhile têm a impressão de que se divulgou informação falsa a fim de se obter autorização para usar a terra

Em Natemangue —povoado de cerca de 3.000 habitantes situado no ponto mais alto do planalto— há quem diga que a Chikweti empregou meninos de apenas 14 anos. Antonio estava contente que seu filho Saguate trabalhasse enquanto era adolescente. “Quando ele trabalhava, estava tudo bem para nós. Tínhamos dinheiro e conseguíamos comprar coisas.” Saguate brinca com sua moto, que a família comprou com os salários que ele ganhava e cuida como um tesouro. Diz que quando tinha 14 anos trabalhava com muitos outros menores. “O acordo é que trabalharíamos por dois ou três meses, e que nesse período poderíamos colocar em ordem nossa documentação. Quando comecei a trabalhar, eles [a Chikweti] não voltaram a falar de documentos.”

A contratação de tantos trabalhadores jovens se associou ao aumento de pequenos delitos e ao consumo de kacholima, uma bebida alcoólica de cana-de-açúcar fermentada.

Alberto, um rapaz de 18 anos da região de Chimbolina, explica que para eles [a geração de jovens] há duas opções: “trabalhar aqui como agricultores ou fazer isso para uma empresa como a Green Resources. Não sabemos ler nem escrever e não conseguimos um emprego em Lichinga”.

Na opinião de Mussa, essa opção deixou os jovens que trabalharam nas plantações sem rumo na vida. “A empresa [Chikweti] empregou um monte de garotos, e entre eles havia muitos que eram ruins. Quando ficaram sem trabalho começaram a criar problemas outra vez. Não tinham outra meta na vida; não estavam acostumados ao trabalho agrícola como os demais habitantes do povoado. Era melhor quando trabalhavam.”

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Recentemente, a Green Resources tornou públicos seus planos de se dedicar à produção de soja

Recentemente, a Green Resourcestornou públicos seus planos de se dedicar à produção de soja depois de um período de testes que começou em 2011. Sotomane explica que seu principal objetivo “era proporcionar um cultivo comercial, e depois se tornou uma resposta à questão da segurança alimentar”.

Segundo Sotomane, apesar de ser possível que no início a comunicação não tenha sido boa, o que teve como resultado centenas de incêndios provocados nas plantações, desde então a empresa melhorou sua estratégia de comunicação. “Agora a Green Resources está em diálogo permanente e tenta envolver a comunidade o máximo possível e criar várias comissões e representantes.”

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Quando a Green Resources decidir aumentar o nível de emprego, encontrará uma mão-de-obra latente preparada e disposta a trabalhar. Só o tempo dirá se o que começou como um experimento industrial escandinavo para reduzir a pobreza acabará oferecendo riqueza e segurança à região.

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/16/internacional/1510845305_107641.html

Botswana a experiência de democracia a ser acompanhada de perto

  • Por: Moises M. Antunes “Wima the Poet”

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Existe uma percepção nas mentes de muita gente incluindo de muitos analistas politicos que tendo um Partido-Estado não é bom para democracia de um país; e que para haver mudança num país tem de haver mudanças de partidos politicos no poder.

Por Moises Monteiro Antunes

Eu sou um dos analistas que discorda com esse school of thought (escola de pensamentos) e para ilustrar o meu argumento vos apresento o caso de Botswana Democratic Party-BDP ou seja (Partido Democrático de Botsuana).

A Dominação Política do BDP em Botswana e a Dominação Política do MPLA em Angola.

Botsuana tem muitas características completamente diferente de Angola, começando pelo sua história e factores culturais; factores étnicos linguísticos; a cultura política e muitos outros factores. Mas existe um factor denomidor na Política de Botsuana, neste caso a Competição Política de Botsuana que pode eventualmente mostrar os sinais de parto na nossa competição Política Angolana.

Botswana continua a ser governado pelo mesmo partido que é o Botswana Democratic Party (BDP) ou seja Partido Democrático de Botsuana desde a data de independencia de Botsuana ocorrido em 1966. Em outras palavras o BDP é um Partido-Estado de Botsuana que apesar ser um Partido-Estado, instalou uma democracia exemplar em África.

 

Angola continua a ser governado pelo mesmo partido o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) desde a independencia de Angola em 1975. É também um Partido-Estado mas ainda não se compara com o BDP em termos de performance políticas e em matéria de democracia.

O factor comum entre O BDP em Botsuana e o MPLA em Angola é exactamente o facto que esses partidos continuam a dominar a competição política dos seus respectivos países desde a indendencia e nunca foram desalojados do poder pela oposição. Claramente existem factores diferentes que distinguem esses dois países.

Por exêmplo, Botsuana optou cedo pela democracia e Angola optou cedo pelo comunismo e muito mais tarde pela democracia e isso condicionou Angola em conflicto armado prolongado em Angola; enquanto o Botsuana evitou isso e hoje Botsuana é visto no mundo como o modelo de um País democrático em África.

Botsuana até aqui teve cinco (5) Presidentes enquanto Angola soma apenas três (3) presidentes com João Lourenço. A moeda de Botsuana que se chama Pula é uma das mais fortes moedas em África, não se compara nem tão pouco com o nosso kwanza.

Um outro factor que deve-se levar em consideração é o facto que tanto o Botswana Democratic Party (BDP) em Botsuana assim como o MPLA em Angola continuam a perder terreno eleitoral nos centros Urbanas à favour da oposição. Em Angola notamos que em Luanda o MPLA continua a perder votos e o BDP também continua a perder votos na capital em Gabarone. Enquanto após a independencia as capitais dos países eram considerávelmente os maiores terrenos eleitorais desses partidos (BDP e MPLA).

O Botswana Democratic Party (BDP) tem sabido servir os interesses do povo de Botsuana ou seja as suas políticas, leis aprovadas pela maioria parlamentar do BDP assim como a vontade política dos presidentes até aqui tem sempre rimado com os ensejos do povo.

O BDP tem gerido bem os recursos naturais de Botsuana em benefício do povo, os diamantes tem sido gerido de forma eficiente e hoje Botsuana é um dos maiores productor de diamantes no mundo e tem uma economia estável.  O Povo de Botsuana apoia maioritáriamente o partido no poder (BDP) e isso tem fragilizado a oposição em Botsuana, causa dos problemas que a oposição em Africa e em Angola tem e que eu tenho chamado atenção.

Falando de exêmplos concretos, qui na África do Sul, todos Botsuanos estudam com bolsas de estudos totalmente pagas pelo Estado, apartir do Médio até ao ensino Superior.

Qual é o govern Africano que faz isso?

Todo Botsuano tem direito a bolsa de estudo para se formar em qualquer páis do mundo, maioritariamente nos Estados Unidos e África do Sul irrespectivamente se são filhos de camponês ou filhos da elite. Portanto, acho que o MPLA tem muito que aprender do Botswana Democratic Party e o govern Angolano deve aprender muito do governo de Botsuana.

O modelo de governação do BDP prova ao mundo que é possível ter um Partido- Estado com uma democracia exemplar. Por outro lado, também é um exêmplo prático que uma das melhores formas de fragilizar a oposição em Democracia é servir bem o interesse do povo.

Quando o povo sente e acha que o partido no poder está servir melhor o seu interesse, então claro que não veja necessidade de votar num outro partido da oposição. Porque ninguêm se atreve em mudar o que ja está bem (you cannot change what is already working out). E esse é o desafio que os partidos da oposição em Botsuana tem enfrentado até ao momento.

Um dia perguntei a um estudante de Botsuana na África do Sul, concretamente em Cape Town; ”porquê que vocês continuam a votar pelo BDP desde a independencia, sempre o mesmo partido, porque não votam num Partido da Oposição?”

Ele respondeu-me:” Mas porquê devemos votar na Oposição se o partido no poder está fazendo aquilo que nós queremos?...” continou : “ por exêmplo eu sou filho de Camponês, nós somos do campo mas estou aqui a estudar tudo pago pelo governo do BDP. Por isso no nosso País o BDP continua no poder não por engendrar fraudes eleitorais como nos outros países Africanos mas porque está fazendo um bom trabalho”.

Entrentanto, a sua resposta me convenceu e faz sentido foi assim que percebi a dominação política do Botswana Democratic Party. Essa conversa ocorreu já 10 anos atrás, mas hoje fiquei a pensar nissso tendo em conta o pramagatismo positivo de JLO. Será que se o MPLA continuar com essa virada política introduzida pelo JLO, Angola pode ter a mesma realidade de Botsuana onde o MPLA continuará no poder e a oposição sem chance de ganhar o poder?

Acredito que os partidos da oposição devem também aprender alguma coisa da realidade política de Botsuana. Isso deve servir de alerta que a oposição em Angola deve se reiventar, porque se o MPLA melhorar nas suas políticas ao ponto de ganhar de volta toda simpatia do povo e servir melhor o povo. Ou seja decidir fazer a mudança por dentro (o que pode estar acontencer) evitanto que a mudança venha de fora (pela oposição); então acho que ficará afastada para bem longe a possibilidade de Angola ser governado por um partido da oposição um dia.

Tendo em conta a ventania reformista que JLO está provocando e os aplausos que o povo está batendo; posso dizer que se essa ventania reformista estiver mesmo enraizado no MPLA e não apenas a vontade política de JLO, então estarémos perante à uma realidade de Botsuana. Mas para isso acontecer terémos de ter um Poder Judicial completamente independente; uma CNE completamente independente onde os integrantes não sejam membros dos partidos politicos mas apenas pessoas apartidarios ou independentes da sociedade civil como em Botsuana e na África do Sul.

Para concluir, nem sempre a mudança de partidos no poder garante a democracia ou o bem estar do povo; as vezes o que se precisa é apenas a mudança de coração dos líderes e dos atores politicos. Espero que esse artigo ajudou para reflectir um pouco sobre a nossa realidade e o sonho que temos por uma Angola diferente.

 

Consultor Político e de Relações Internacionais & Diplomacia (Angola & África do Sul) Consultor Internacional de Inteligência de Mercado-SADC (Angola & África do Sul) Orador Motivacional |Tradutor Ajuramentado (Inglês e Português)

South Africa

http://www.angola24horas.com/index.php?option=com_k2&view=item&id=9300:quando-um-partido-estado-e-sinonimo-de-democracia-o-caso-do-bdp-em-botsuana-e-licoes-para-o-mpla&Itemid=649

Crescimento sem industrialização? Etiópia, Costa do Marfim, Tanzânia, Senegal, Burkina Faso e Ruanda

 

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Apesar dos baixos preços mundiais das commodities das quais tendem a

depender, muitas das economias mais pobres do mundo estão em boa

situação. O crescimento da África Subsaariana desacelerou

drasticamente desde 2015, mas isso reflete problemas específicos em

três de suas maiores economias (Nigéria, Angola e África do Sul).

 

As projeções para Etiópia, Costa do Marfim, Tanzânia, Senegal, Burkina

Faso e Ruanda apontam para a obtenção de um crescimento de 6% ou

mais neste ano. Na Ásia, o mesmo ocorre com Índia, Mianmar,

Bangladesh, Laos, Cambodja e Vietnã.

 

Essas são boas novas, mas são também surpreendentes. Economias em desenvolvimento que conseguem crescer aceleradamente de maneira sustentável, sem depender de surtos de crescimento dos recursos naturais -como a maioria desses países dependeu por uma década ou mais -, normalmente são impulsionadas pela industrialização voltada para as exportações. Só que poucos desses países estão vivenciando muita industrialização.

 

A participação da indústria de transformação nos países subsaarianos de baixa renda está, em grande medida, estagnada – e, em alguns casos, em queda. E, apesar de muito se falar do “Make in India”, uma das máximas do premiê Narendra Modi, o país dá poucos indícios de contar com uma industrialização acelerada.

 

A produção industrial se tornou uma poderosa força propulsora do desenvolvimento econômico para países de baixa renda por três motivos. Em primeiro lugar, era relativamente fácil absorver a tecnologia do exterior e gerar empregos de alta produtividade.

Em segundo lugar, os empregos industriais não exigiam muita qualificação: agricultores podiam ser transformados em trabalhadores da produção em fábricas, com pouco investimento em treinamento adicional.

E, em terceiro lugar, a demanda por produtos industrializados não era limitada pela baixa renda interna: a produção podia se expandir virtualmente de forma ilimitada, por meio das exportações.

 

Mas as coisas mudaram. Está atualmente bem documentado que a produção se tornou cada vez mais intensiva na utilização de qualificações nas últimas décadas.

 

Juntamente com a globalização, isso dificultou muito para os recém-chegados o ingresso com força nos mercados mundiais e a reedição da experiência dos superastros asiáticos da indústria de transformação. Com a exceção de um punhado de exportadores, as economias em desenvolvimento passaram por uma desindustrialização prematura. É omo se a força propulsora tivesse sido retirada dos países retardatários.

 

Como, então, entender o recente surto de crescimento de alguns dos países mais pobres do mundo? Será que esses países descobriram um novo modelo de crescimento?

 

Em pesquisa recente, Xinshen Diao, do Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, Margaret McMillan, da Universidade Tufts, e eu examinamos os padrões de crescimento ostentados por essa nova safra de países de alto desempenho. Nosso foco está nos processos de mudança estrutural vivenciados por esses países.

Documentamos algumas descobertas paradoxais.

Em primeiro lugar, a mudança estrutural promotora de crescimento foi significativa na experiência recente de países de baixa renda como Etiópia, Malawi, Senegal e Tanzânia, apesar da ausência de industrialização.

 

A mão de obra tem migrado das atividades agrícolas de baixa produtividade para atividades de maior produtividade, mas estas são, principalmente, serviços, e não indústria de transformação.

 

A agricultura teve papel

fundamental na África por si

só e também ao impulsionar

mudanças estruturais que

ampliam o crescimento.

Diversificação e adoção de

novas técnicas de produção

podem transformá-la em

atividade virtualmente

moderna

 

Em segundo lugar, a rápida mudança estrutural ocorrida nesses países

sucedeu à custa de um crescimento da produtividade do trabalho

primordialmente negativo nos setores não agrícolas. Em outras

palavras, embora os serviços que absorviam os novos postos de trabalho

ostentassem uma produtividade relativamente alta de saída, sua

dianteira diminuiu à medida que se expandiam.

 

Esse comportamento contrasta acentuadamente com a experiência clássica de crescimento do Leste da Ásia (como as de Coreia do Sul e China), na qual a mudança estrutural e aumentos da produtividade da mão de obra não agrícola contribuíram significativamente para o crescimento total.

 

A diferença parece ser explicada pelo fato de que a expansão de setores urbanos, modernos, em recentes episódios de crescimento acelerado é impulsionada pela demanda interna, e não pela industrialização voltada para as exportações.

 

Em especial, o modelo africano parece ser sustentado por choques positivos de demanda agregada gerados ou por transferências procedentes do exterior ou pelo crescimento da produtividade na agricultura.

 

Na Etiópia, por exemplo, os investimentos públicos em irrigação, transportes e energia elétrica geraram um aumento significativo da produtividade e das rendas agrícolas. Isso resulta em mudança estrutural promotora do crescimento, uma vez que o aumento da demanda se propaga para os setores não agrícolas.

Mas, como efeito colateral, a produtividade da mão de obra não agrícola é deprimida com a diminuição dos retornos sobre o capital e a atração de empresas menos produtivas.

Não se pretende com isso minimizar a importância do crescimento acelerado da produtividade na agricultura, o setor arquetipicamente tradicional. Nossa pesquisa sugere que a agricultura desempenhou papel fundamental na África não apenas por si só como também como impulsionadora de mudança estrutural magnificadora do crescimento.

 

A diversificação para produtos não tradicionais e a adoção de novas técnicas de produção podem transformar a agricultura em uma atividade virtualmente moderna.

 

Mas há limites para o quanto esse processo consegue puxar a economia. Em parte devido à baixa elasticidaderenda da demanda por produtos agrícolas, o êxodo da mão de obra da agricultura é resultado inevitável durante o processo de desenvolvimento.

 

A mão de obra liberada tem de ser absorvida nas atividades modernas. E, se aprodutividade não se expandir nesses setores modernos, o crescimento de toda a economia vai, em última instância, estacionar. A contribuição que o componente da mudança estrutural pode dar é necessariamente autolimitadora, caso o setor moderno não experimente um crescimento acelerado da produtividade por si só.

 

Países africanos de baixa renda conseguirão sustentar taxas moderadas de crescimento da produtividade no futuro, calcadas em persistentes aprimoramentos do capital humano e da governança. A continuidade da convergência com níveis de renda de países ricos parece alcançável. Mas as evidências sugerem que as taxas de crescimento infundidas recentemente pela mudança estrutural acelerada são excepcionais e poderão não durar.

 

Jornal Valor 17 de outubro de 2017

(Tradução de Rachel Warszawski).

Dani Rodrik é professor de economia política internacional na Faculdade de Governo John F. Kennedy, de Harvard. Copyright: Project Syndicate, 2017.

www.project-syndicate.org

Fonte:http://www.valor.com.br/opiniao/5157940/crescimento-sem-industrializacao