Kwanza , moeda angolana, sofre desvalorização de 10,8 % frente ao dólar

A moeda angolna, o kw­anza, sofreu ontem uma depreciação de 10,8 por cento face ao dólar e de 18,9 por cento face ao euro,  resultado do novo regime flutuante cambial em vigor, segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA) divulgados ontem.

Banco Nacional de Angola aplica desde ontem novas regras cambiais
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

De acordo com informação do BNA, que no primeiro leilão do novo regime cambial vendeu 83,6 milhões de euros, a compra de cada dólar ficou ontem cotada, à taxa de câmbio oficial, em 184,528 kwanzas, contra os anteriores 166 kwanzas, enquanto o euro, igualmente na compra, passa a custar 220,160 kwanzas, face aos anteriores 186 kwanzas.
Esta depreciação do kwanza resulta da aplicação das novas regras cambiais, pela primeira, em leilão de divisas (euros) por parte do BNA à banca comercial, e quando as Reservas Internacionais Líquidas do país estão em mínimos históricos, de 15.000 milhões de dólares, devido à crise da cotação do petróleo.
Os preços indicativos propostos pelos bancos comerciais vão passar a definir o novo regime flutuante cambial no país, conforme informação do BNA, que já definiu o intervalo de cotação deste modelo. Em reunião extraordinária do Comité de Política Mo­netária (CPM) do BNA, realizada no dia 4 deste mês aquele órgão definiu “os limites mínimo e máximo da banda cambial” deste novo modelo.
Desde o primeiro trimestre de 2016 que a taxa de câmbio oficial definida pelo BNA estava fixa nos 166 kwanzas por cada dólar norte-americano e nos 186 kwanzas por cada euro.
No comunicado libertado no final da reunião do CPM de 4 de Janeiro é explicado que o regime cambial que vigorou até à data consistia numa taxa de câmbio “administrada”, determinada pelo BNA, “independentemente da relação entre a procura e a oferta”.
“Doravante, o Banco Nacional de Angola adopta um regime cambial caracterizado pela flutuação da taxa de câmbio dentro de um intervalo, com um limite máximo e um limite mínimo. Esse intervalo é denominado de banda cambial”, acrescenta.
O BNA explicou que passará a organizar leilões de compra e venda de moeda estrangeira, nos quais os participantes, caso dos bancos comerciais, indicam o preço para a compra ou venda de moeda estrangeira.
“A média ponderada dessas transacções será publicada no portal institucional do BNA, como a taxa de câmbio de referência”, explica ainda.
Após fazer uma “análise do comportamento dos fundamentos macroeconómicos da economia angolana” e da “tendência decrescente das reservas internacionais”, além de ter “presente o actual desequilíbrio entre a oferta e procura de divisas”, o CPM “definiu limites máximo e mínimo da banda cambial”.
O governador do banco central disse anteriormente que o kwanza não vai ser desvalorizado por acção do Governo, mas deverá sofrer uma depreciação face a outras moedas, consequência do novo regime cambial, que passa da taxa fixa para flutuante.
Acrescentou que quem vai ditar as novas regras é o mercado, entendendo que a probabilidade de haver uma depreciação “é grande”, devido à escassez de moeda, o grande diferencial de mercado.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/kwanza_tem_ligeira_depreciacao

 

 

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Angola e Moçambique entram em 2017 no ‘top ten’ das moedas mais desvalorizadas

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As moedas nacionais de Angola e Moçambique estão entre as dez que mais desvalorizaram durante o ano passado, com o kwanza a cair quase 20% e o metical a perder mais de 30% em 2016.

 

De acordo com a evolução das moedas nacionais durante 2016, estas duas divisas dos maiores países lusófonos em África estão entre as dez piores, só superadas pelas moedas da Nigéria, Venezuela, Suriname e Egipto, no caso de Moçambique, que teve uma desvalorização de 33,2%.

Angola, cujo kwanza desvalorizou 18,9% durante os últimos doze meses, ficou ligeiramente melhor do que Moçambique, à frente das moedas da Mongólia, Congo e Serra Leoa.

Angola e Moçambique enfrentam um significativo abrandamento económico decorrente da quebra dos preços das matérias-primas, nomeadamente do petróleo, e do abrandamento do crescimento mundial.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e os doadores do Orçamento do Estado suspenderam a ajuda a Moçambique em Abril deste ano, no seguimento da divulgação de empréstimos escondidos garantidos pelo Governo, entre 2013 e 2014, no valor de mais de 1,4 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros), e que se somaram aos encargos já conhecidos da Empresa Moçambicana de Atum (Ematum), contratados em igual circunstância.

O Governo moçambicano assumiu, a 25 de Outubro, incapacidade financeira para pagar as próximas prestações dos seus encargos com os credores, defendendo uma reestruturação dos pagamentos, indispensável para um novo programa do FMI, cujas regras impedem a ajuda a países numa trajectória insustentável da dívida, como é o caso de Moçambique.

Devido à crise decorrente da quebra na cotação internacional do petróleo, Angola viu reduzir a receita fiscal para menos de metade em 2015, assim como a entrada de divisas no país, agravando o custo das importações e o acesso a produtos, inclusive alimentares, cujos preços dispararam.

O FMI antecipa que Angola registe um crescimento de 1,5% este ano, enquanto a previsão de expansão econômica para Moçambique aponta para os 5,5%.

http://noticias.sapo.ao/info/artigo/1494516.html

Dólar nas ruas de Luanda volta a desvalorizar e desce aos 490 kwanzas

O valor médio do dólar nas ruas de Luanda voltou a descer, chegando hoje aos 490 kwanzas (2,60 euros), uma quebra superior a cinco por cento numa semana, constatou a Lusa numa ronda pela capital angolana.



Este preço contrasta com os 520 kwanzas cobrados nos mesmos locais há cerca de uma semana, naquela que foi a primeira subida da nota norte-americana em cerca de um mês.


O preço praticado no mercado de rua permaneceu próximo dos 600 kwanzas por cada dólar em Agosto e Julho, depois de máximos acima dos 630 kwanzas em Junho, embora com pontuais flutuações semanais, mas ainda cerca de três vezes acima da taxa oficial de câmbio.


A descida da última semana foi explicada à Lusa pelas ‘kinguilas’ de Luanda, como são conhecidas estas mulheres que se dedicam à compra e venda de divisas na rua, pela falta de kwanzas (moeda nacional) no mercado. Esta descida acontece numa altura de sucessivos aumentos na injeção de divisas na banca, em curso pelo Banco Nacional de Angola (BNA).


A Lusa encontrou hoje quem vendesse a nota de um dólar, no bairro do São Paulo, a 490 kwanzas, o mesmo preço praticado pelas ‘kinguilas’ do bairro dos Mártires de Kifangondo, pelas do Maculusso, igualmente no centro de Luanda, e também na Mutamba.


O BNA vendeu cerca de 900 milhões de euros de divisas aos bancos comerciais em agosto e 930 milhões de euros em Julho, valores máximos de 2016. Só em Setembro, o banco central angolano vendeu à volta de 1.000 milhões de euros em divisas aos bancos.


Aos balcões dos bancos ainda persistem as dificuldades no acesso a divisas – devido à crise que afecta o país, decorrente da quebra nas receitas petrolíferas -, levando clientes a optarem pelo mercado de rua, apesar de taxas de câmbio, que ainda são três vezes superiores à oficial (166 kwanzas).


São preços especulativos que, em muitos casos, como para os trabalhadores expatriados, é a única forma de ter acesso a divisas no actual contexto de crise económica, financeira e cambial.


Desde Setembro de 2014, a moeda nacional angolana desvalorizou-se em mais de 40 por cento face ao dólar norte-americano, para 166 kwanzas por dólar, à taxa oficial, muito longe dos valores do mercado paralelo.


A inflação também se ressente e os preços a 12 meses atingiram, segundo o Instituto Nacional de Estatística angolano, os 40% de aumento, até Setembro.


Um documento do Governo angolano prevê que a desvalorização da moeda nacional chega até aos 215,5 kwanzas por cada dólar norte-americano até final do ano.


O BNA revelou já em Julho que está a trabalhar com os bancos comerciais numa “melhor programação na venda de divisas” para “repor de forma gradual, programada, organizada e prudente” as necessidades de todos os sectores da economia.


O Presidente angolano exigiu anteriormente ao BNA que encontre soluções para resolver as dificuldades dos clientes e empresas no acesso a divisas, reconhecendo que no momento actual quem tem dinheiro prefere mantê-lo fora do país.


José Eduardo dos Santos explicou que a venda de divisas aos bancos por parte das empresas petrolíferas estrangeiras que operam no país, para obterem moeda nacional para o pagamento das despesas em Angola, são na ordem dos 300 milhões de dólares por mês e não cobrem atualmente as necessidades, como no passado.


O chefe de Estado disse que o Governo recomendou ao BNA que “trate desta matéria com urgência”, em articulação com os bancos comerciais, “para melhor proteger os interesses” de Angola.

http://noticias.sapo.ao/info/artigo/1487841.html

Lusa