As relações entre os governos de Angola e Portugal se reaproximam

O director do órgão de comunicação social detido pelo Estado angolano avisa que a decisão de transferir o processo Manuel Vicente para Angola, só por si, não “deixará tudo como era antes”.

Jornal de Angola: danos nas relações “ainda vão fazer-se sentir por algum tempo”
Lusa

Os governos de Portugal e Angola estão a reaproximar-se, depois de resolvido o caso Manuel Vicente, mas o regresso à normalidade das relações bilaterais ainda vão demorar tempo a concretizar-se. Esta é a convicção de Victor Silva, director do Jornal de Angola, que assina o editorial desta quarta-feira, 16 de Maio, deste órgão de comunicação social detido pelo Estado.

“O desconforto por que passaram as relações oficiais entre os dois países parece agora ultrapassado, mas deixou danos que, apesar de reparáveis, ainda vão fazer-se sentir por algum tempo”, alerta Victor Silva. O editorialista acrescenta: “passo a passo, vai-se quebrando o gelo que permitirá a reposição da cooperação política nos mais altos patamares, sendo, contudo, prudente não se pensar que a decisão do tribunal português, só por si, deixará tudo como era antes”.

Manuel Vicente, ex-vice-presidente de Angola, era acusado pela justiça portuguesa de ter corrompido o magistrado Orlando Figueira. Não chegou a ser notificado e o seu processo acabou por se destacado do julgamento de orlando Figueira que ainda decorre. A 10 de Maio deste ano, o Tribunal da Relação de Lisboa decidiu transferir o processo para Angola, acedendo assim à pretensão do Estado angolano e dos advogados de Manuel Vicente.

O director do Jornal de Angola sublinha que durante o decurso do chamado caso Manuel Vicente “nunca houve um extremar de posições”, uma observação assente no encontro que o presidente de Angola, João Lourenço, e o primeiro-ministro português, António Costa, tiveram em Davos e também na deslocação de Marcelo Rebelo de Sousa a Angola para assistir à tomada de posse do chefe de Estado angolano, mas salienta que a polémica criada em torno deste processo teve, sobretudo, contornos políticos.

“O problema estava na política, se bem que se ouviu até à exaustão o argumento da separação de poderes, com a alegada independência do judicial, uma regra elementar de qualquer Estado Democrático de Direito.

Mesmo depois do acórdão do Tribunal da Relação, a polémica sobre o assunto persiste, com as posições divididas quanto à eventual inclinação política na decisão do colectivo de juízes de enviar para Angola o processo do ex-vice Presidente Manuel Vicente, escreve Victor Silva.

O editorialista partilha a opinião de que os dois países estão condenados a entender-se mas deixa uma ressalva: “esse entendimento passa, acima de tudo, pelo respeito, pela soberania e pela não-ingerência, que recorrentemente são ignorados em nome de liberdades que agendas escondidas no tempo vão buscar para sustentar velhos desígnios”.

Advertisements

O Brasil não conhece a China

Poucos brasileiros conhecem e entendem seu maior parceiro comercial e investidor. Já os chineses sabem quase tudo sobre o Brasil. Essa é uma situação arriscada, que pode resultar numa relação como a da era colonial.

    
defaultEdifícios em Pequim: cada vez mais empresas brasileiras são controladas a partir da capital chinesa

Os primeiros contatos com correspondentes chineses no Brasil foram frustrantes. Era difícil de entender os colegas. Eles mal falavam português. E quando dava para entender as perguntas deles, elas faziam pouco sentido. Isso foi há cerca de 15 anos. Hoje, é completamente diferente.

Leia mais: China e suas ambições geopolíticas

Há alguns anos, eu viajei com alguns colegas chineses da agência de notícias Xinhua pela principal região agrícola do Brasil. O governo queria nos mostrar a força da agricultura brasileira. O meu colega chinês não só falava um excelente português: ele ainda conhecia quase todos os empresários, secretários de governo e governadores de encontros anteriores. E ainda mencionou, de passagem, que, quando o presidente chinês fazia visitas oficiais ao Brasil, ele servia de intérprete. Fiquei impressionado.

Há pouco tempo, encontrei dois jovens colegas chineses durante uma visita à periferia do Rio de Janeiro. Eles cantarolavam, alegres, os novos funks que tocavam nos bares ao redor. Não tinham nenhum sotaque, conheciam todas as letras.

Alexander Busch, Kolumne Tropiconomia bei DW Brasil	(Paulo Fridman)Alexander Busch

Em apenas uma década, não foi só a presença dos jornalistas chineses no Brasil e o conhecimento deles sobre o país que aumentaram enormemente. Também os diplomatas, empresários e bancários da China têm, já há alguns anos, uma presença cada vez mais firme. De forma despercebida, os bancos estatais chineses ocuparam prédios inteiros num importante centro financeiro de São Paulo, a Avenida Brigadeiro Faria Lima.

No ano passado, empresas chinesas entraram no setor energético brasileiro, com investimentos de cerca de 10 bilhões de dólares. Com a CPFL, a State Grid se tornou a maior empresa integrada de energia elétrica do Brasil e da América Latina. Já a chinesa Three Gorges é hoje a maior produtora privada de energia elétrica do Brasil.

Empresas estatais da China investem hoje mais no Brasil do que nos demais países da América do Sul: portos, participação em empresas de mineração e petróleo, ferrovias municipais e interurbanas são cada vez mais controladas a partir do Extremo Oriente. “A China tem um plano claro, uma elevada disposição para enfrentar riscos, grandes conhecimentos em mercados emergentes e dispõe de capital praticamente ilimitado”, disse Georgina Baker, vice-presidente da International Finance Cooperation, durante uma recente passagem por São Paulo, para explicar essa rápida expansão.

A China segue uma estratégia: suas empresas investem diretamente no DNA industrial do Brasil. Quem controla as redes de energia, as rodovias, as ferrovias e talvez logo também as redes de telefonia terá uma vantagem enorme como investidor quando chegar a hora da digitalização e transmissão de dados no Brasil. A imponente presença da China, como nova potência mundial, preenche o vazio cada vez maior deixado pelos Estados Unidos.

Mas, à parte alguns especialistas, quase ninguém percebe isso no Brasil. E parece que também ninguém se importa. De um modo geral, os conhecimentos sobre a China no Brasil são ínfimos diante do fato de que o país se tornou seu principal parceiro comercial e investidor.

Isso vale para os formadores de opinião na mídia, para os políticos e para o setor privado e também para as autoridades. Pouquíssimos empresários, diretores e diplomatas conhecem a China, viveram por lá ou falam chinês. A imprensa não tem nenhum correspondente por lá. No Ministério do Exterior, os especialistas em China podem ser contados nos dedos de uma mão. Pode-se aprender chinês em vários lugares do Brasil, mas a procura é baixa.

Esse desconhecimento sobre a China vale também para todos os outros brasileiros. “Quase ninguém conhece um esportista, músico ou astro do cinema chinês”, comenta Oliver Stünkel, professor de relações internacionais na Fundação Getúlio Vargas. Segundo ele, a maioria das pessoas na América Latina não tem uma opinião sobre a China, seja positiva, seja negativa. “Para elas tanto faz.” Em relação aos Estados Unidos, a situação é completamente outra. Apesar de a influência do país ser cada vez menor, quase todo brasileiro têm alguma opinião sobre o vizinho do norte.

Acho isso muito arriscado. O Brasil está desperdiçando uma oportunidade enorme. Só se o Brasil conhecer e entender melhor seu principal parceiro comercial e investidor, poderá impedir que as relações se tornem de mão única, como eram com as potências coloniais, antigamente, e durante um certo período com os Estados Unidos. Com a China, o Brasil corre o risco de se tornar, de novo, o eterno fornecedor de matérias-primas e mercado de consumo para produtos industrializados – e a China ainda estará sentada no centro de comando da economia brasileira.

Há mais de 25 anos, o jornalista Alexander Busch é correspondente de América do Sul do grupo editorial Handelsblatt (que publica o semanário Wirtschaftswoche e o diário Handelsblatt) e do jornal Neue Zürcher Zeitung. Nascido em 1963, cresceu na Venezuela e estudou economia e política em Colônia e em Buenos Aires. Busch vive e trabalha em São Paulo e Salvador. É autor de vários livros sobre o Brasil.

http://www.dw.com/pt-br/o-brasil-n%C3%A3o-conhece-a-china-isso-%C3%A9-perigoso/a-43715399

José Viegas Filho, brasileiro, é nomeado chefe da ONU em Guiné-Bissau

José Viegas Filho, novo chefe da ONU em Guiné-Bissau. Foto: Ministério das Relações Exteriores do Brasil

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, anunciou nesta sexta-feira (4) a nomeação de José Viegas Filho, do Brasil, como seu novo representante especial para a Guiné-Bissau e chefe do Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS).

Viegas Filho assume o cargo ocupado atualmente por Modibo Touré, do Mali, que completará a sua missão no próximo 6 de maio. O secretário-geral agradeceu a liderança de Touré e pelas realizações da missão durante o seu mandato no UNIOGBIS.

Viegas Filho traz mais de quatro décadas de experiência em serviço governamental e diplomacia. Sua missão mais recente foi como embaixador do Brasil na Itália de 2009 a 2012. Antes disso, ele foi embaixador na Espanha (2005 a 2009), Rússia (2001 a 2002), Peru (1998 a 2001) e Dinamarca (1995 a 1998).

Também atuou como ministro da Defesa do Brasil de 2003 a 2004 e ocupou os cargos de subsecretário-geral de Planejamento de Políticas e Assuntos Multilaterais de 1993 a 1995 e de chefe do Departamento de Assuntos Multilaterais de 1991 a 1995, ambos no Ministério de Relações Exteriores brasileiro.

Viegas Filho liderou as delegações brasileiras que negociaram a reforma do Tratado de Tlatelolco para a desnuclearização da América do Sul (1992 a 1993) e a proibição mundial de minas terrestres antipessoais (1995 a 1997). Ele também serviu nos Estados Unidos, Chile, Itália, França e Cuba de 1969 a 1990, em várias missões diplomáticas

Por sua vez, o novo representante da ONU atuou entre 2009 e 2012 como embaixador do Brasil na Itália, cargo que ocupou após sua passagem por Espanha, Rússia, Peru e Dinamarca, segundo um comunicado da ONU.

 

Entre 1992 e 1993 liderou a delegação brasileira que participou das negociações para reformar o Tratado de Tlatelolco – assinado inicialmente por 14 países em 1967 – para a desnuclearização da América do Sul.

Além disso, liderou entre 1995 e 1997 a missão brasileira nas deliberações para a proibição global das minas antipessoais.

O novo representante da ONU para Guiné-Bissau cumpriu igualmente diferentes dotações diplomáticas em Estados Unidos, França, Chile, a França e Cuba entre 1969 e 1990.

Nascido em 1942, Viegas Filho é formado pelo Instituto Rio Branco, uma escola de pós-graduação de relações internacionais e academia diplomática em Brasília.

https://nacoesunidas.org/brasileiro-e-nomeado-chefe-da-onu-em-guine-bissau/

Primeiro-ministro de Cabo Verde dá lições aos brasileiros em como cooperar

Brasil / Cabo Verde

Brasil / Cabo Verde

Luísa Rogério |Cidade da Praia

Ao ler a entrevista do Primeiro Ministro de Cabo Verde,nós brasileiros recebemos uma lição de como cooperar com os africanos. Uma disponibilidade aberta a receber do outro um entendimento que os paises tem a ganhar em uma negociação.

Um livro aberto, que comporta desde envio de professores até a utilização de tecnologia de informação. Uma atitude receptiva paa atrair novos investidores, para ser uma plataforma para a África ocidental.

Olhar para Cabo Verde, para nós brasileiros, que estamos a 4 horas desse país, é cada vez mais importane e estratégico. A seguir há uma entrevista com o Primeiro- Ministro que deve ser lida e refletida.

O Primeiro-Ministro de Cabo Verde, José Ulisses Correia e Silva, está em Angola desde sábado para uma visita oficial. A realização de encontros bilaterais ao mais alto nível com individualidades angolanas, reuniões com empresários e visita à comunidade cabo-verdiana residente no país são os pontos altos da primeira visita de Ulisses Correia efectua, enquanto Primeiro-Ministro, a um país africano. Em entrevista concedida ao Jornal de Angola na cidade da Praia, poucos dias antes de se deslocar à Angola, o Chefe do Governo de Cabo Verde ressaltou a importância
de promover o reforço das relações bilaterais, comerciais e do diálogo político com vista ao desenvolvimento de mecanismos eficazes de cooperação que sustentem uma almejada parceria estratégica diversificada.  Ulisses Correia não avança receitas para o aprofundamento dos laços históricos entre os dois Estados, razão pela qual diz viajar com um “livro aberto”. A inserção de Cabo Verde na sub-região africana em que está inserido, a visão estratégica sobre a CPLP e outras notas dominantes do seu Programa de Governo, com ampla repercussão na política externa do arquipélago insular situado num ponto de extrema relevância geopolítica, constituem igualmente pontos altos da entrevista.

Fotografia: Dombele Bernardo | Edições NovembroQue significado atribui a esta primeira visita que efectua a Angola na condição de Primeiro-Ministro de Cabo Verde? 
Ulisses Correia e Silva – Temos uma grande expectativa, posso dizer que é o primeiro país africano que visitamos enquanto Primeiro-Ministro. Tem significado no propósito de estabelecermos com Angola uma parceria estratégica forte. Quando digo parceria estratégica, é mais do que um quadro de cooperação. É a nível do diálogo político, das relações institucionais e também da cooperação empresarial e para o investimento. São áreas que nos interessam particularmente. Nesta primeira visita, vamos essencialmente abrir perspectivas políticas para depois podermos concretizar essas várias vertentes, reforçando as nossas relações com Angola.

De um modo geral,que enquadramento faz das relações entre Angola e Cabo Verde? 
São boas e antigas, baseadas em laços de história e de cultura. Nós temos uma comunidade emigrada importante em Angola. O que pretendemos é aquilo que normalmente são ambições também dos governos, dar um salto mais qualitativo e de intensidade dessas relações tendo em conta que Angola é importante em África e na comunidade do países de língua portuguesa. Cabo Verde tem interesse em reforçar essas relações.

Em que eixos consiste a cooperação entre os dois países? 
Neste momento, temos investimentos angolanos. É preciso lembrar que no sector financeiro, temos o BAI, no domínio das telecomunicações, a UNITEL e no sector dos combustíveis, a SONANGOL que tem uma participação na ENACOL que já vem da década de noventa. Há investidores angolanos no sector do turismo. Esse é um dos campos que queremos desenvolver, quer dizer, atrair investimentos angolanos para Cabo Verde no sentido de aproveitar as oportunidades aqui existentes e juntos podermos operacionalizar aquilo que Cabo Verde definiu como uma das grandes prioridades. Nós funcionamos como uma plataforma de relação com a África Ocidental. Desde a plataforma aérea à da economia digital, investimentos e o comércio. Cabo Verde, por ser um país estável, previsível e com uma boa localização pode, através dessa relação com investidores, empresários angolanos e também com o Governo ambicionar uma relação mais forte com a África Ocidental. Pretendemos juntar a estabilidade mais o capital e vontade política para termos uma relação de aumento das trocas comerciais e de investimentos inter-africano. Quanto digo inter-africano estou a falar da nossa região, a África ocidental.

Já se pode falar com mais precisão de investimentos de Cabo Verde em Angola? 
Tem havido algumas iniciativas,, como no sector da construção civil. Mas, é algo que se pode perspectivar, tendo em conta que o empresariado cabo-verdiano em determinados sectores pode ter algum potencial de entrada. Estou a falar, por exemplo, de tecnologias de informação e comunicação, e de economia digital, onde temos empresas a posicionarem-se e muitos jovens com talento. É umas áreas em que podemos abrir espaço para empresários cabo-verdianos em Angola.

Tendo em conta as valências de Cabo Verde e a sua localização estratégica, que tipo de serviços o país está em condições de exportar para Angola? 
Nós queremos e temos estado a desenvolver um quadro da parceria institucional, o que pressupõe considerar não só o que Cabo quer e deseja, mas também o que Angola quer e deseja. Estou a dizer que vamos para esta missão com um livro aberto. Não vamos com receitas pré-definidas. Vamos com temas, mas vamos com abertura para casar os interesses. Saber do lado angolano em que podemos ser úteis, e do lado cabo-verdiano em que domínios Angola pode ser útil, no quadro de uma cooperação institucional, creio que pode ser interessante. Estou a falar do reforço institucional no domínio da descentralização, sei que é uma ambição do governo angolano. Cabo Verde tem uma experiencia interessante que podemos partilhar. No Sector da educação temos toda abertura para explorar áreas de cooperação e no domínio empresarial há uma vertente forte para explorar.

Há algum tempo foi ventilada a possibilidade de Cabo Verde enviar professores para Angola ao abrigo da cooperação no sector da educação. Há algo de concreto em relação à matéria? 
Aventou-se essa possibilidade, mas não há ainda nada em concreto. São matérias que podem ser discutidas em Angola, como eu disse, sempre no sentido de conciliarmos aquilo que de facto o Governo de Angola e o de Cabo Verde consideram importante para reforçar a parceria.

O  Núcleo Operacional da Sociedade de Informação (NOSI) trata-se de um mecanismo através do qual Cabo Verde acumulou experiência em países africanos como a Guiné-Bissau, Moçambique e Guiné Equatorial. Até que ponto essa experiencia pode ser também implementada em Angola? 
Cabo verde está bem cotada em África a nível das tecnologias de informação. Estamos nos quatro primeiros lugares. Há uma experiência que já vem de mais de duas décadas relativamente ao desenvolvimento do NOSI. Hoje, temos competências instaladas e experiências no desenvolvimento de aplicações de tecnologias, nomeadamente no E-GOV IGOCBA?, que visa utilizar a tecnologia para permitir a maior eficiência de todos departamentos governamentais, desde o sector das finanças, fiscalidade, saúde, educação e tudo que tem a ver com a administração do Estado. Foi assim que o NOSI nasceu, uma experiência que pode ser partilhada. Temos todo interesse em fazer uma forte parceria nessa área.

Cabo Verde tem sido referência de boa governação e de conquistas que lhe permitem estar bem cotada no índice mundial de desenvolvimento humano. Existe alguma receita para se tornar um caso de sucesso de África? 
Receitas não há. Cada país é um país, tem as suas condições sociais, culturais e institucionais. O que existe, e nós partilhamos, são os valores, experiências universais e as boas práticas. Depois, há a realidades concreta dos países. No caso de Cabo Verde entendemos que um dos factores fundamentais para o nosso desenvolvimento é a estabilidade económica, social e política, baixos riscos e um nível de democracia elevado que colocam este país em condições de ter um papel relevante na economia mundial e no concerto das nações. Por isso é que não nos baseamos em outros recursos que não sejam esses, a estabilidade e a qualificação dos recursos humanos. Pensamos que são matérias sobre as quais qualquer país se deve debruçar. Hoje não se faz desenvolvimento e crescimento apenas na base dos recursos naturais e minerais, esses são apenas instrumentos para os transformarmos em educação, saúde, em bem estar e rendimento.
O fundamental são as relações de confiança que as economias e os países criam para os seus cidadãos, investidores e para as relações com outras nações. É fundamental criar instrumentos de progresso. A inovação, a tecnologia, a ciência, a alta qualificação dos recursos humanos é de facto a base para essencial para conseguirmos o progresso e desenvolvimento. É sobre esses factores que este pequeno país trabalha, fazendo com que os activos sejam mais qualificados.

O turismo representa cerca de 20 por cento do Produto Interno Bruto de Cabo Verde. Qual o peso daquela percentagem na economia do país?  
Na verdade é relevante, estamos a falar de 20 por cento e vai aumentar. Já recebemos cerca de 700 mil turistas por ano e, pensamos atingir um milhão até 2021. O turismo é o sector que gera mais emprego e maior rendimento na economia pelo facto de também potencializar duas coisas: os naturais, a natureza, sol, praia, diversidade das ilhas e a sua localização. A estabilidade faz com que os turistas cheguem a Cabo Verde com sossego e tranquilidade. Evidente que não pretendemos desenvolver a economia só na base do turismo. Isso tem riscos, por isso queremos diversificar o próprio turismo para não ficarmos apenas dependentes do sol e praia. Há o turismo da natureza, por exemplo, que se pode fazer em Santo Antão, no Fogo ou na Brava, o turismo balnear que é para ilhas do tipo Sal e Boavista. Pretendemos desenvolver a indústria, o sector da economia digital e as exportações via comércio. Temos que ter um conjunto de sectores a se desenvolver para não ficarmos presos ao turismo.
Com base no turismo criamos condições de desenvolvimento de outros sectores como a agro-indústria, as pescas e as indústrias criativas para oferta desse mercado. Portanto, é um conjunto de sectores que pode contribuir para atingir um mercado que está em crescimento. O nosso mercado hoje não é apenas o de 500 mil cabo-verdianos com um PIB per capita de quatro mil dólares. É de mais de um milhão, quer dizer os 500 mil mais o número anual de turistas. A tendência vai criar um mercado interessante, não só pela quantidade, mas também pela capacidade de imposto de consumo de qualidade. Queremos alargar esse mercado quando olhamos para os 300 milhões de consumidores da África Ocidental, na CEDEAO. Podemos ter aqui um potencial grande.

Olhando para a política externa, Cabo Verde assume em Junho  a presidência da CPLP. Qual é a visão do seu governo sobre a comunidade que alguns observadores consideram pouco mais do que um bloco de países que usa a mesma língua oficial? 
A CPLP deve ser muito mais, é a construção dos países que a integram. Temos o domínio da língua como importante porque justifica o facto de estarmos juntos e a História, mas a CPLP tem um potencial grande. Não é por acaso que outros países que não são de língua portuguesa estão a pedir adesão, estando hoje como observadores. Representamos um mercado de mais de 250 milhões de consumidores. Quando digo consumidores não me refiro só ao consumo, mas aà produção de arte, ciência, cultura, tecnologia e nível de desenvolvimento diferente que podemos partilhar. Vamos partir para a presidência com a missão de dar um contributo para termos o reforço do conceito de comunidade através de mobilidade, portanto a livre a circulação dos cidadãos no espaço da CPLP. A circulação não é só de pessoas. A possibilidade de fazer investimentos, turismo, ciência, tecnologia e inovação circula através das pessoas.
Um outro tema é referente a pessoas e oceanos porque estamos banhados pelo mar que traz uma perspectiva muito grande de desenvolvimento futuro em tudo, desde a energia à investigação, isto é comum para todos os países da CPLP. Sobre a cultura começamos a discutir a criação de um mercado comum de artes e cultura que dará a possibilidade de bens e serviços culturais circularem livremente no espaço da CPLP. No fundo, quebrar as barreiras aduaneiras e fiscais relativamente a circulação da produção de arte cultural na CPLP é uma experiência que queremos desenvolver durante a nossa presidência.

Por falar em comunidades, teria sentido reforçar as relações entre os PALOP criando uma entidade formal?     
Acho que devemos apostar na CPLP que já integra os países africanos de língua portuguesa, independentemente das relações bilaterais ou outras que possam existir entre os cinco. Devíamos potenciar mais a CPLP que é uma potência grande de desenvolvimento nos diversos domínios económicos e partilha de conhecimentos em áreas que fazem inovação na ciência, tecnologia e cultura. Temos um potencial grande a desenvolver.

Quer dizer que uma CPPLP forte acaba por ter repercussão entre os PALOP… 
Não tenho dúvidas sobre isso porque fazem parte da comunidade. Não são maioritários em população, porque só o Brasil já tem um peso grande, mas maioritários em termos de países, impulso e liderança dentro da CPLP.

O seu programa de governo é muito assertivo em relação à  integração na sub-região africana em que Cabo verde está inserida, à CEDEAO, e ao continente em geral. A nomeação de um ministro da integração pode ser interpretada como um sinal nessa direcção? 
Faz parte, é uma questão de colocarmos foco em matérias que têm a ver com a integração regional e termos maior domínio dos dossiers, quer políticos, quer técnicos e estarmos mais presentes. O ministro tem só essa incumbência delegada directamente pelo Primeiro- Ministro – porque é um ministro adjunto – para podermos ter um papel muito mais activo no seio da CEDEAO e defendermos Cabo Verde já que o nosso país tem especificidades na comunidade. Somos o único arquipelágico e insular. O nosso país é pequeno, com uma configuração diferente das economias do continente. Por isso temos todo interesse em estar presentes, vincar as nossas especificidades, contribuirmos e tirar proveito da nossa presença na CEDEAO.

Qual é o posicionamento actual de Cabo Verde no seio da CEDEAO, comunidade que alberga Nigéria, país detentor de uma das economias mais fortes do continente? Cabo Verde teve problemas, ou divergências, com a comunidade… 
Não houve problemas, nós estávamos a tentar firmar uma candidatura para a presidência da Comissão Executiva da CEDEAO. Segundo os Estatutos e critérios da rotatividade seria a vez de Cabo Verde. Outros critérios foram colocados pelo meio e o país não conseguiu a presidência. Esse é o único problema que temos a apontar. Quanto à nossa estratégia, é de facto assumir um papel de utilidade enquanto membro e de ter participação activa do ponto de vista institucional. Há um conjunto de matérias que vinculam a comunidade do ponto de vista económico onde há um potencial muito grande de desenvolvimento. As relações de comércio de Cabo Verde com a CEDEAO são a volta de 2 por cento. Aliás, o comércio intra-africano não passa de 13 por cento, valor muito baixo. Nós queremos contribuir e para Cabo Verde isso é relevante. Somos uma economia pequena que precisa de se integrar para podermos dar uma quota de contribuição para que esse nível de comércio e investimento entre países africanos aumente sem pôr em causa a sua abertura para o mundo exterior. É fundamental também que Africa consiga vender, transaccione para o resto do mundo e não produza apenas para dentro.

À luz do programa AGOA (Lei de Crescimento e Oportunidade para África) em vigor nos Estados Unidos da América, Cabo Verde pode exportar produtos para aquele país. A medida implica a reestruturação do mercado exportador do país? 
Sim, implica e já estamos a trabalhar nisso. Quer dizer que temos que ter indústrias preparadas para exportar nas condições em que os Estados Unidos exigem para os produtos entrarem no seu mercado. Estamos a trabalhar no sentido de definir que nichos de produção desenvolver para podermos exportar ao abrigo do AGOA. É uma oportunidade que Cabo Verde tem aproveitado muito pouco. Já começa a  haver alguma actividade, nomeadamente no sector da indústria pesqueira, mas precisamos de aumentar esse nível de exportação. Lá está uma área de oportunidade que podemos desenvolver em conjunto com investidores angolanos porque se trata de exportar para os Estados Unidos sem barreiras e sem pagamento de imposto de taxas aduaneiras.

Quais sãos os principais produtos de exportação de Cabo Verde? 
A indústria pesqueira de conservas, temos uma fábrica em São Vicente, a Frescomar, que exporta para o mercado europeu um conjunto de produtos ligados à pesca. Temos duas empresas têxteis exportadoras nesse domínio também em São Vicente e componentes para a produção de calçados. São essencialmente áreas industriais que têm grande potencial de crescimento.
Assinou em Washington um acordo que prevê a circulação de militares norte-americanos em Cabo Verde. Estamos diante do prenúncio da instalação de uma base militar, apesar de a Constituição da República proibir bases militares estrangeiras no território?
Não é o prenúncio, nós assinamos um acordo que é um estatuto que permite dar cobertura a operações de militares americanos em Cabo Verde, nomeadamente no sector de vigilância marítima e exercícios da nossa zona económica exclusiva que já fazemos com os Estados Unidos, assim como cpm o Brasil, França, Portugal e outros países da Europa. É importante para a nossa guarda costeira. Ao mesmo tempo contribui para a vigilância da nossa zona económica exclusiva. Temos interesse sim, não em instalação de bases militares, mas em ter um papel relevante na segurança cooperativa, tendo em conta a localização de Cabo Verde numa zona de muita circulação. Nós queremos ter um papel relevante. Cabo verde precisa de reforçar o seu próprio nível de segurança. Ter bons aliados como os Estados Unidos da América e a União Europeia é importantíssimo para a nossa segurança e para o papel que Cabo Verde pode desempenhar na segurança cooperativa nesta zona da Africa Ocidental e do Golfo da Guiné. Isso potencializa a nossa posição relativamente à própria CEDEAO.

A propósito de segurança , Cabo-Verde situa-se numa encruzilhada, ou seja num ponto estratégico entre os três continentes, nomeadamente África, as Américas e a Europa. Face  à ameaça global patenteada pelo terrorismo precisaria Cabo Verde de uma âncora? Como é que o país se pode precaver? 
É isso mesmo, ter uma âncora e ter bons aliados. Hoje, é um desafio global. Nenhum país, nem os Estados Unido da América, consegue resolver o seu problema de segurança sozinho. Ter bons aliados é um desafio que se coloca a Cabo Verde e a qualquer outro pais que queira estar seguro. Como disse, temos estado a resolver programas de reforço da segurança com os Estados Unidos e a União Europeia.

Cabo Verde tem manifestado interesse em reforçar relações com a União Europeia. O propósito vai ficar pelas relações com as vizinhas Ilhas Canárias, Madeira e Açores ou vai mais além do eixo?  
Reforçar as relações com a União europeia através da Macaronésia é uma das nossas prioridades. Estamos a trabalhar afincadamente para podermos ter o reforço da nossa parceria estratégica, mas a nossa relação com a União europeia é noutro âmbito mais alargado. Um pequeno país tem que ter, não diria apenas âncoras, mas tem que estar situado em zonas económicas que sejam dinâmicas e uma dessas zonas é o espaço da União Europeia. Daí que tenhamos desenvolvido uma série de instrumentos para permitir que essa relação ganhe cada vez mais reforço, sem prejuízo do nosso papel relativamente a zona de integração económica onde estamos inseridos.

PERFIL

José Ulisses Correia e Silva 
Nasceu a 4 de Junho de 1962, na Cidade da Praia, Cabo Verde. Casado e pai de dois filhos, é Primeiro-Ministro, desde Abril de 2016, altura em que MpD venceu as eleições legislativas com maioria absoluta. O partido presidido por Ulisses Correia e Silva substituiu o PAICV na governação, confirmando assim a tendência de alternância do poder no arquipélago. Licenciado em Organização e Gestão de Empresas pelo Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, em 1988, acumulou experiência no sector bancário ,onde desempenhou cargos importantes entre 1989 e 1994.
Em 1995, tinha 32 anos, entrou para o governo ao ser nomeado de secretário de Estado das Finanças, função que desempenhou até 1998. No ano seguinte chegou a ministro das Finanças.. Durante o seu mandato o escudo cabo-verdiano passou a estar ligado ao euro, facto estruturante da economia de Cabo Verde por ter envolvido reformas económica

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/ha_um_salto_qualitativo_nas_relacoes_entre_angola_e_cabo_verde

Nota do Itamaraty: Visto humanitário para haitianos

haitianaos

 10 de Abril de 2018 – 15h33

O governo brasileiro decidiu atribuir a haitianos e apátridas residentes no Haiti tratamento prioritário para fins humanitários. Nesse sentido, foi publicada ontem, 9 de abril, a Portaria Interministerial nº 10, de 6 de abril de 2018, que “dispõe sobre a concessão do visto temporário e da autorização de residência para fins de acolhida humanitária para cidadãos haitianos e apátridas” que residam naquele país. Novas portarias poderão ser publicadas oportunamente para contemplar outras situações concretas.

Esse visto será emitido exclusivamente pela Embaixada do Brasil em Porto Príncipe e permitirá a concessão de residência temporária de dois anos no Brasil, passível de transformação em residência por prazo indeterminado ao final desse período.

A edição da portaria regulamenta o visto temporário para acolhida humanitária previsto na Lei de Migração (lei nº 13.445/2017). A medida permitirá a manutenção da política humanitária brasileira no Haiti no campo migratório.

http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/notas-a-imprensa/18622-visto-humanitario-para-haitianos

Jeuneafrique: Lula o Africano

lula africa

Escrito por Élise Colette

Dos ritmos “africanos” do samba aos ingredientes picantes da feijoada, nas ruas de São Paulo ou do Rio, a África está em toda parte. Como lembrou o presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva, durante sua viagem pela África de 2 a 8 de novembro, o Brasil tem uma “dívida histórica” ​​para o continente. “A obrigação política, moral e histórica” ​​de fortalecer os laços entre o gigante latino-americano e os países africanos valeu a pena uma peregrinação para o chefe de estado brasileiro, um ano após sua eleição. Um passeio Africano que teve o mérito de enviar um sinal de reconhecimento para os 76 milhões de brasileiros eles africanos, que fazem do Brasil o segundo país população negra do mundo depois da Nigéria e a maioria ainda formam os batalhões das classes desfavorecidas .1488825404_331609_1488832390_noticia_normal

Começando a sua visita a três países de língua portuguesa – São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique -, Lula enviou uma mensagem forte aos seus parceiros históricos. Para o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, assegurou que o Brasil, como “o país lusófono mais ruidoso, mais populoso e mais rico, teve que fazer gestos de solidariedade para com a África”. Saia do antigo poder colonial Português! Afinal, os filhos das elites angolanas e moçambicanas escolhem hoje o Brasil para estudar, em vez de Portugal?
Acompanhado por nove ministros e uma centena de empresários, Lula proclamou porta-estandarte da revolta contra os países do Norte, colocou sua jornada sob o signo da “G3”, criado recentemente nas Nações Unidas pelo seu África do Sul e Índia, lançando as bases para a cooperação “Sul-Sul”. Em São Tomé, onde a Agência Nacional do Petróleo brasileira já está envolvido na gestão de hidrocarbonetos, Lula prometeu que a Petrobras, a companhia petrolífera brasileira já está presente em Angola, vai explorar as costas do arquipélago. Em Luanda, o quarto maior parceiro comercial do Brasil, os dois lados concordaram com a assistência brasileira no setor de petróleo. Mas as autoridades angolanas sublinharam a necessidade de desenvolver outros sectores, O ministro do Comércio brasileiro decidiu investir 100 milhões de dólares no relançamento da indústria canavieira. Em Moçambique, finalmente, o Brasil, interessado em diversos projetos de extração e transporte de carvão, chegou a pleitear sua causa. Mas os brasileiros prometeram principalmente às autoridades moçambicanas para ajudá-los a lutar contra a AIDS. Reconhecido por dominar a propagação da pandemia, o Brasil anunciou o estabelecimento de um laboratório de medicamentos anti-retrovirais em Moçambique. Enquanto esperava para resolver a questão do financiamento da usina (US $ 23 milhões), Lula assegurou ao seu homólogo moçambicano, Joaquim Chissano, o apoio científico de seus especialistas. interessado em vários projetos relacionados à extração e transporte de carvão, chegou a pleitear seu caso. Mas os brasileiros prometeram principalmente às autoridades moçambicanas para ajudá-los a lutar contra a AIDS. Reputado por ter dominado a disseminação da pandemia, o Brasil anunciou o estabelecimento de um laboratório de medicamentos anti-retrovirais em Moçambique. Enquanto esperava para resolver a questão do financiamento da usina (US $ 23 milhões), Lula assegurou ao seu homólogo moçambicano, Joaquim Chissano, o apoio científico de seus especialistas. interessado em vários projetos relacionados à extração e transporte de carvão, chegou a pleitear seu caso. Mas os brasileiros prometeram principalmente às autoridades moçambicanas para ajudá-los a lutar contra a AIDS. Reconhecido por dominar a propagação da pandemia, o Brasil anunciou o estabelecimento de um laboratório de medicamentos anti-retrovirais em Moçambique. Enquanto esperava para resolver a questão do financiamento da usina (US $ 23 milhões), Lula assegurou ao seu homólogo moçambicano, Joaquim Chissano, o apoio científico de seus especialistas. O Brasil anunciou o estabelecimento de um laboratório de medicamentos anti-retrovirais em Moçambique. Enquanto esperava para resolver a questão do financiamento da usina (US $ 23 milhões), Lula assegurou ao seu homólogo moçambicano, Joaquim Chissano, o apoio científico de seus especialistas. O Brasil anunciou o estabelecimento de um laboratório de medicamentos anti-retrovirais em Moçambique. Enquanto esperava para resolver a questão do financiamento da usina (US $ 23 milhões), Lula assegurou ao seu homólogo moçambicano, Joaquim Chissano, o apoio científico de seus especialistas.

Para completar sua viagem pela África Austral, Lula também viajou para a Namíbia, onde o Brasil participa de um programa militar desde a independência do país. Mas ele manteve o melhor para o fim: o alter-ego africano da África do Sul, Thabo Mbeki. O encontro deve reforçar a estratégia da “borboleta” cara a Mbeki, que consiste em fazer do seu país (o corpo dos Lepidoptera) uma ponte entre a América Latina e a Ásia (suas duas alas). Fortemente concordando com a necessidade de reformar o sistema de relações internacionais, os dois homens de esquerda, convertidos ao livre comércio e aficionados diplomáticos, já exigiram lugares de escolha para seus países dentro das Nações Unidas – como um assento ao Conselho de Segurança, por exemplo. De mãos dadas, eles começaram
Em seu retorno a Brasília, apesar de a África representar atualmente apenas 5% do comércio do Brasil, o presidente Lula pode ficar satisfeito com sua viagem. A recepção entusiasmada que recebeu nos cinco países foi a prova de que ele acabara de ganhar parte do continente para sua causa. Quase 50 anos após a Conferência de Bandung e o nascimento do Não-Alinhados, que tem esmaecido desde o fim da Guerra Fria, um novo eixo Sul-Sul nasce na família das nações.

fonte:http://www.jeuneafrique.com/118250/archives-thematique/lula-l-africain/

Embaixadora do Brasil em Camarões e Chade afirma Brasil precisa investir na África

Brasil precisa investir mais na África, alerta diplomata na CRE

 


Senador Fernando Collor (PTC-AL), presidente da CRE, recebe a diplomata Vivian Loss SanMartin Pedro França/Agência Senado



A África é hoje um continente com enorme potencial de crescimento, com 300 milhões de pessoas na classe média, riquíssimo em recursos naturais e com uma maioria de população “jovem e entusiasmada”. Esse foi o quadro apresentado pela diplomata Vivian Loss Sanmartin durante sua sabatina na Comissão de Relações Exteriores (CRE) nesta quinta-feira (22). A indicação de seu nome para chefiar as embaixadas brasileiras no Camarões e no Chade foi aprovada pelo colegiado. A MSF 8/2018 segue para análise do Plenário do Senado.central-africa

Vivian Sanmartin  defendeu a diplomacia Sul-Sul e a abertura e manutenção de representações brasileiras no continente africano. Reforçou que a África já é tratada internacionalmente como “a próxima fronteira do desenvolvimento capitalista”, e disse que o Brasil vai ficar para trás se não solidificar estratégias para a ocupação desses mercados.

images

– A China por exemplo, somente em seu plano quinquenal 2016-2020, está investindo U$ 60 bilhões em países africanos. São 300 projetos de infraestrutura, uma presença avassaladora. E eles não querem só recursos. Estão olhando para o potencial desses mercados. É claro que não vamos concorrer com a China, mas alerto que países como a Índia e a Turquia também já têm estratégias próprias voltadas para este continente – informou.

Leia:  PRB faz mistério sobre Taques e lança Serys para federal

Diplomacia Sul-Sul

Para o vice-presidente da CRE, senador Jorge Viana (PT-AC), o Brasil é muito beneficiado, inclusive economicamente, quando busca aproximar-se de nações em desenvolvimento da África, Ásia e América Latina. Ele citou dados relativos ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) segundo os quais estratégias nessa direção produziram um superavit comercial da ordem de U$ 330 bilhões.

– Um número muito superior aos oito anos anteriores, quando o índice foi de U$ 30 bilhões. Além disso, elegemos brasileiros para as presidências da OMC [Organização Mundial do Comércio] e da FAO [Organização das Nações Unidas], algo que jamais conseguiríamos sem o apoio das nações do Sul – afirmou.

Na sabatina, Vivian Sanmartin disse que o governo de Camarões analisa a possibilidade de aquisição de aviões Supertucano da Embraer, o que será um dos focos de sua atuação caso tenha sua indicação confirmada pelo Senado. Outra prioridade, disse ela, será a exportação de produtos industriais como tratores, escavadoras e máquinas niveladoras.

– Aí a concorrência é direta com a China também. O mesmo se dá na exportação de automóveis, pneumáticos e turbinas hidráulicas, mas o potencial existe, é uma questão de ocupação de mercados – disse.

A senadora Ana Amélia (PP-RS) pediu que a embaixada priorize a importação de arroz por parte de Camarões, uma vez que a nação africana não produz cereais, enquanto o Rio Grande do Sul tem experimentado excedente na produção. Sanmartin informou que o Itamaraty já desenvolve estratégias nesse sentido, mas observou que até aí será necessário enfrentar a já estabelecida concorrência chinesa.

Dibrw:https://www.cenariomt.com.br/2018/03/22/brasil-precisa-investir-mais-na-africa-alerta-diplomata-na-cre/