Falar de racismo em Portugal é um tabu

mamadouOPINIÃO

Desafiámos Mamadou Ba a pronunciar-se sobre o episódio ocorrido este fim-de-semana na Feira do Livro durante um debate sobre activismo no qual era um dos participantes.

No dia 2 de Junho, a convite de Joana Gorjão Henriques [jornalista do PÚBLICO e autora de Racismo no país dos brancos costumes], fui à Feira do Livro de Lisboa discutir ativismos em torno deste seu último livro, editado pela Tinta da China, na companhia de Ana Tica, Beatriz Gomes Dias e Raquel Rodrigues.

Com vivacidade, intensidade e acutilância, as magistrais intervenções das minhas companheiras de ativismo puseram o dedo na ferida, vincando o caracter estrutural do racismo na sociedade portuguesa, mostrando como o ativismo pode – e está cada vez mais a consegui-lo –  quebrar o tabu sobre a sua existência e desconstruir o mito de uma certa excecionalidade do legado colonial português que seria uma espécie de maleita virtuosa que preveniria o racismo.

Enquanto decorria o debate, uma funcionária da APEL, visivelmente incomodada, manifestava a sua discordância com o teor da conversa, tecendo comentários e referindo-se a nós como “esta gente”. Ainda estávamos a meio do debate quando ela começou a pedir para apressarmos o seu fim, uma vez que se iria seguir um outro evento no mesmo local. Continuou a insistir para acabarmos o debate de imediato, estava a Raquel Rodrigues no uso da palavra. Quando chegou a minha vez, após ter agradecido à Joana pelo seu contributo na visibilidade do ativismo, de me orgulhar de ter ali três mulheres negras a usar da palavra, a falar por e sobre si próprias e sobre nós todo/as, o que achava mais um passo na conquista de lugar no espaço público, eis que sou diretamente interpelado pela funcionária nos seguintes termos: “Vê lá se te despachas!”

Aconteceu-me um momentâneo bloqueio mental. Não é que não esteja habituado a ser interrompido ou até, por vezes, apupado durante uma intervenção. Consoante as circunstâncias e os contextos, costumo lidar com frieza ou ira. Mas naquele momento, nem uma nem outra coisa aconteceram. Por instantes, tive um nó na garganta. Porque ficou claro para mim que, não fosse o debate sobre ativismo anti-racista e as e os seus protagonistas serem sujeitos racializados negros, obviamente que esta cena não teria nunca acontecido nos moldes em que aconteceu. Senti-me terrivelmente violentado, desrespeitado e humilhado e senti uma profunda desilusão tendo em conta o contexto e o ambiente.

Ainda assim, a indignação da editora Tinta da China, pela voz de Bárbara Bulhosa, da quase totalidade da assistência, das minhas companheiras de mesa foi um bálsamo para mim, bem como a avalancha de reclamações no livro de reclamações [da Feira do Livro] foi motivo de orgulho e esperança.

O que aconteceu connosco na Feira do Livro, e a inaceitavelmente tardia reação da própria APEL, levantam a questão sobre qual o nosso lugar na sociedade portuguesa. Pois a questão do lugar é das mais centrais no debate sobre o racismo nas sociedades como a nossa, onde a colonialidade, âncora da banalização do racismo, assume relevância cultural. A invisibilidade do corpo negro no espaço público prende-se, em larga medida, com o lugar de fala que lhe é reconhecido e/ou atribuído. Porque falar é poder. Poder de luta, de confronto com a realidade, de capacidade de propostas e de potencial transformador das relações de força. A partir do momento em que negras e negros querem e podem falar por si, sobre si próprios e a sua condição, mas também com e sobre a sociedade, com autonomia política, estala o verniz. O que aconteceu na Feira do Livro inscreve-se basicamente na lógica do que tem acontecido ultimamente no país, em que vozes negras que ousam falar do racismo e da sua ligação com o legado colonial sofrem uma injunção ao silêncio.

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Sabemos que dói quando se toca na ferida, mas se não a tratarmos enquanto é tempo será muito mais difícil extirpar a gangrena e evitar episódios como aquele que aconteceu no sábado. A sociedade e as instituições têm de se habituar que o debate sobre racismo jamais será quando e como quiserem. O episódio de sábado revela o quão importante é não deixar o espaço do debate aos arautos da verdade única que querem silenciar o ativismo para continuar a legitimar o racismo.

Os sujeitos racializados negros vão continuar a afirmar com autonomia e determinação a escolha do momento de fala. E a força e as circunstâncias do seu aparecimento no espaço público são, efetivamente, uma posição política clara de luta pelo reconhecimento do seu direito à palavra, o seu direito ao lugar na sociedade portuguesa. Mais do que objetos de uma condição histórica determinada apenas por outrem, assumem-se como sujeitos políticos que lutam pela sua afirmação.

No sábado ficou claro que falar de racismo na sociedade portuguesa ainda incomoda e é por isso que importa manter o debate aceso no espaço público. O nosso ativismo nunca foi para mendigar lugar, mas sim para conquistar lugar, direito e legitimidade política para ocupar todos os espaços de cidadania em liberdade.

Mamadou Ba escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Fonte: https://www.publico.pt/2018/06/04/sociedade/opiniao/falar-de-racismo-em-portugal-incomoda-e-e-por-isso-tambem-que-importa-1833148?utm_source=notifications&utm_medium=web&utm_campaign=1833148#

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O que aprender sobre o racismo no caso do café Starbucks nos EUA ?

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Essa semana no Brasil a Policia Militar de São Paulo foi condenada a indenizar um advogado negro por abordagem policial abusiva, em que a juíza em sua argumentação da sentença reconhecia que a Policia tinha um histórico de discriminação racial na cidade de São Paulo.

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SIN2665 SÃO PAULO 16/04/2018 CIDADES SINVALDO JOSÉ FIRMO Sinvaldo José Firmo pai do estudante Nathan, que foi vítima de revista Polícia Militar considerada abusiva pelo Tribunal de Justiça, local Praça Clóvis Bevilácqua tendo ao fundo o Tribunal de Justiça . FOTO: JFDIORIO/ESTADÃO

Nos EUA, na cidade de Filadelfia na Pensilvania, dois jovens negros marcaram um encontro para discutir questões de imobiliárias e decidiram marcar um encontro em um bairro branco, em um loja do café Starbucks. Ao chegar um dos jovens pediu para ir ao banheiro e não foi atendido, foi lhe dito que ele precisava consumir. Em resposta disseram que iriam aguardar uma terceira pessoa para fazer o pedidod e forma coletiva.

dixon-469633-f-wp-content-uploads-2018-04-1112878_12e2c967a02abbe-e1523725890965-1200x801.jpgO gerente da loja pediu para a eles que deixassem o café, como  se recusaram, chamou a polícia e os negros  acabaram detidos, sem esboçar nenhuma reação. A situação foi filmada e colocada na internet e logo venalizou.

Em consequência houve uma grande mobilização e pressão da  sociedade americana, a empresa Starbucks emitiu um comunicado de e pediu desculpas e  comprometeu-se publicamente a fechar as 8000 lojas nos EUA, por uma tarde, para que todos fossem treinados a não discriminar racialmente.

Em 2010 a  União Americana de Liberdades Civis ( ACLU) da Pensilvânia e os escritórios de advocacia Kairys, Rudovsky, Messing e Feinberg já haviam entrado com uma ação coletiva federal, em nome de oito afro-americanos e latinos que foram parados por policiais da Filadélfia exclusivamente com base em sua raça ou etnia. . A ação alegava que milhares de pessoas a cada ano eram paradas,  revistadas e detidas ilegalmente pelo Departamento de Polícia da Filadélfia, como parte de sua política de abordagem de suspeitos.

 

O que aprender com essas histórias ?

 

A lição que aflora é que nos EUA essas ações cívis contra a  abordagem racistas tem sido feitas de forma coletiva com a participação de diversos escritórios de advogados, não foi o caso do Brasil que foi uma ação individual. O que mostra um trabalho de articulação das organizações não governamentais em defesa dos direitos civis.

Outro aspecto é o reconhecimento por parte das autoridades policiais americanas de que o racismo ocorre na abordagem policial, não se procura negar a existência. Reconhece-se e trabalha para a sua superação. Com resultados muitas vezes muito tímidos.

No caso americano muitas pessoas alegaram que havia um “preconceito inconsciente”,  e uma da maiores organizações negras soltou um comunicado “a NAACP afirmou  que a “situação da Starbucks fornece uma visão perigosa sobre o fracasso de nossa nação em levar a sério os ‘preconceitos implícitos’”.

“Preconceitos implícitos “que nós negros brasileiros sofremos diariamente, mas não conseguimos ainda estabelecer um canal de diálogo sério que se discuta e defina políticas de superação que sejam  implementadas e monitoradas.

Lá como cá se invoca a educação como forma de superação de atos de racismo. A empresa Starbucks irá treinar  as pessoas , durante uma tarde para combater o racismo. Boa iniciativa, mas  fadada ao fracasso.

Racismo não se combate e supera com medidas pontuais, é necessário  um esforço de longo prazo, com recursos financeiros, planos de  avaliação e monitoramento  das ações, com a participação da comunidade negra. Estruturas empresariais e de governo praticam o racismo institucional .

O racismo institucional constitui-se na produção sistemática da segregação étnico-racial, nos processos institucionais. Manifesta-se por meio de normas, práticas e comportamentos discriminatórios adotados no cotidiano de trabalho, resultantes da ignorância, falta de atenção, preconceitos ou estereótipos racistas. Em qualquer caso, sempre coloca pessoas de grupos raciais ou étnicos discriminados em situação de desvantagem no acesso a benefícios gerados pela ação das instituições e organizações.

 

Para superar o racismo institucional exige muito trabalho por parte das empresas e da administração pública.

Starbucks fecha 8 mil lojas nos EUA para treinar equipes contra racismo

O conselheiro municipal Kenyatta Johnson durante coletiva de imprensa em Starbucks da Filadélfia, em 16 de abril de 2018. REUTERS/Mark Makela

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A rede de cafeterias Starbucks anunciou nesta terça-feira (17) que fechará mais de 8.000 lojas nos Estados Unidos na tarde de 29 de maio para realizar uma formação contra o racismo. A decisão foi tomada após a prisão de dois homens negros em um de seus estabelecimentos que gerou uma onda de indignação no país.
A medida é uma resposta às convocações de boicote à marca Starbucks após a detenção de dois homens negros que ainda não haviam consumido nada e esperavam um amigo em uma cafeteria do grupo na Filadélfia. A situação foi filmada e se tornou viral nas redes sociais.

“Passei os últimos dias na Filadélfia com a minha equipe de liderança ouvindo a comunidade, aprendendo o que fizemos de errado e os passos que temos que dar para solucionar”, disse o presidente da empresa, Kevin Johnson. “Embora não se limite a Starbucks, estamos comprometidos a sermos parte da solução”, acrescentou um comunicado publicado no site da empresa, fundada em 1971 e que tem mais de 25 mil lojas em todo o mundo.

A formação contra o racismo envolverá os 175 mil funcionários em todo o país e foi pensada “para enfrentar preconceitos, promover a inclusão, prevenir a discriminação e assegurar que todos dentro de uma cafeteria Starbucks se sintam seguros e bem-vindos”.

O ex-procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, e Bryan Stevenson, fundador da ONG Iniciativa para uma Justiça Equitativa, além de um advogado internacional que defende condenados à morte, destacam-se entre os especialistas consultados para projetar a formação anti-racismo, indicou a Starbucks.

Desculpas não bastam: entenda o caso

Embora Johnson já tenha pedido desculpas aos dois homens detidos, o prefeito da Filadélfia, Jim Kenney, considerou que isso não era suficiente e ordenou investigar as práticas da empresa. O vídeo da prisão, que teve mais de 10 milhões de visualizações e foi divulgado por uma cliente branca da Starbucks, Melissa DePino, mostra vários policiais interrogando e depois algemando os dois homens negros, que não resistem.

Em primeiro plano, o vídeo mostra um homem branco, também cliente, que questiona a detenção e pergunta repetidamente a um policial: “O que eles fizeram? O que eles fizeram?” “Chamaram a polícia porque esses dois homens não haviam comprado nada. Estavam esperando que um amigo aparecesse, que chegou enquanto os levavam algemados por não fazerem nada. Todo o resto de pessoas brancas perguntaram o porquê nunca aconteceu algo assim conosco quando fizemos o mesmo”, tuitou DePino.

A advogada dos detidos, Lauren Wimmer, disse ao canal CBS que os dois estavam esperando que outra pessoa chegasse para uma reunião de negócios. O delegado de polícia da Filadélfia, Richard Ross, que é negro, disse que a polícia recebeu uma chamada do número de emergência de um funcionário do Starbucks por invasão.

Ross disse que os agentes “educadamente” pediram que os dois homens saíssem da cafeteria, antes de finalmente prendê-los. Os dois foram liberados quando a Starbucks não apresentou acusações.

 

 

Racista é presa no Piauí

 

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As pessoas vão presas por racismo?

Eu costumo perguntar e invariavelmente me respondem que não.

O fato é que diariamente no Brasil as pessoas estão sendo detidas. |O caso que ganhou os jornais envolve uma pessoa branca  de classe média e da área da saúde.

 

A dentista identificada como Delzuíte Ribeiro de Macêdo estava sendo investigada pela Polícia Civil, acusada de fazer comentários racistas há cerca de um mês, em sua rede social contra uma bebê em São Raimundo Nonato.

 

A bebê, que na época possuía apenas um mês de idade, é filha de uma ex-amiga de Delzuíte. A mãe da bebê registrou o boletim de ocorrência no dia 09 de abril, na Delegacia de Polícia Civil de São Raimundo Nonato.

 

Na publicação, a suspeita compara seu filho com a bebê: “O Gui é lindo e branco! Uma coisa eu caprichei nessa vida: eu não misturo o meu sangue com merda! Sou neta do Sr. João Apolônio. Já dizia o meu avô: ‘quando não caga na entrada, caga na saída’. Aí minhas amigas só me chegam com *…* mulher como a filha de fulana é feia você já viu? kkk e eu só respondo: Não amiga! Não me interesso por gente que nunca chegará ao meu tom de pele. Não adianta pintar o cabelo de vela, se os cromossomos condenam! […]

‘Preconceito’ sim, eu sou ‘preconceituosa’, mas abraço e beijo meus amigos de outras cores e coloridos. Mas escolhi a dedo com quem me misturar os A+ e O+”, disse a dentista na publicação.

 

 

A dentista Delzuíte Ribeiro de Macêdo foi presa na manhã desta terça-feira (17), por volta das 6h20, na casa de hospedagem do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Piauí (SINTE-PI), no centro de Teresina. A odontóloga é acusada de fazer comentários racistas há cerca de um mês, em sua rede social contra um bebê no município de São Raimundo Nonato.

 

“Nós recebemos a cópia do mandado de prisão nesta segunda-feira (16) e, em seguida, realizamos algumas investigações. Então, nós decidimos entrar na casa de hospedagem do sindicato para ver se a acusada estava lá e logramos êxito”, informou o delegado Emir Maia, gerente de policiamento do interior.

 

Com o cumprimento do mandado de prisão, Delzuíte foi encaminhada para a penitenciária feminina. “Ela ficou inconformada com a situação, mas não resistiu à prisão. Já foi feito o exame de corpo de delito e a dentista foi encaminhada para a penitenciária feminina. Além disso, a mãe dela se faz presente com ela”, relatou o delegado.

FGV suspense aluno por três meses após comentário racista

A Fundação Getúlio Vargas (FGV), de São Paulo, suspendeu por três um aluno, de 19 anos, do quarto período, após ele fazer um comentário racista sobre outro aluno da Instituição em um grupo de Whatsapp. O acadêmico tirou uma foto de um estudante negro e postou a seguinte frase: “Achei esse escravo no fumódromo! Quem for o dono avisa!”.
A vítima, João Gilberto Lima, de 25 anos, registrou um boletim de ocorrência. Ele contou, por meio de um post nas redes sociais que foi chamado pela Coordenação de Administração Pública na terça-feira (06/03) onde foi informado sobre o ocorrido.
A Instituição repudiou o ocorrido e informou por meio de nota que: “Ante a possível conotação racista da ofensa, firme em sua postura de repúdio a toda forma de discriminação e preconceito, a FGV, tão logo tomou conhecimento dos fatos, tal qual prevê seu Código de Ética e Disciplina, de imediato aplicou severa punição ao ofensor, que foi suspenso de suas atividades curriculares por três meses, estando impedido de frequentar a escola, sem ressalva da adoção de medidas complementares, a partir da apuração dos fatos pelas autoridades competentes”.
De acordo com o Correio Braziliense, a vítima fez um post em um grupo de Facebook da Faculdade onde chamou o colega de covarde. “Tão perto de mim…porque não foi falar na minha cara? Mas você optou pela atitude covarde de tirar uma foto minha e jogar no grupo dos amiguinhos. Se seu intuito foi fazer uma piada, definitivamente você não tem esse dom. Acha que aqui não é lugar de preto? Saiba que muito antes de você pensar em prestar FGV eu já caminhava por esses corredores. Se você me conhecesse, não teria se atrevido. O que você fez além de imoral é crime! As providências legais já foram tomadas e você pagará pelos seus atos”, diz post.

Mulheres de Guiné Bissau denunciam a discriminação

  • Lassana Cassamá

Mulheres no mercado de Bandim, Bissau
Mulheres no mercado de Bandim, Bissau

Apesar dos avanços, dizem que a mentalidade dos homens não ajuda

Na Guiné-Bissau, apesar dos avanços da mulher desde a independência nacional, em 1973, a mulher queixa-se de discriminação.

A título de exemplo, num universo de 102 deputados na actual legislature, contam-se apenas oito parlamentares mulheres.

No último Governo, dos 39 membros, apenas três assumiram funções de secretárias de Estado.

Guiné-Bissau: Mulheres queixam-se de discrminação na vida pública - 2:14
 

Para Nelvina Barreto, da organização Miguilam – que significa “mulheres guineenses levantemos – este número revela a representatividade política da mulher na Guiné-Bissau.

Nelvina Barreto, activista guineense
Nelvina Barreto, activista guineense

“É uma fraca posição da mulher guineense no espaço politico”, diz Barreto que reconhece, no entanto, alguns avanços, sobretudo, na matéria da legislação sobre o combate à descriminação da mulher nomeadamente, a aprovação, em 2011, da lei sobre a equidade e igualdade do género, assim como a lei que penalizada a violência baseada no género.

Mentalidade do homem

A activista lembra, no entanto, que o papel da mulher guineense continua a ser confinado à garantia da sobrevivência da família.

“É ela que garante que os filhos vão à escola, é pai e mãe, membro da comunidade e quando se dedica a isso resta-lhe pouco tempo para se ocupar de outras coisas. Ela está no campo, é ela que trabalha, encarrega-se de ir buscar água, cuidar dos filhos…”, acrescenta Nelvina Barreto.

Leitura semelhante tem Cadi Seide, oficial militar na reserve e antiga ministra da Defesa e de Saúde.

Apesar de ter chegado ao poder, Seide não se convence de que as coisas melhoraram.

“Eu diria que o primeiro entrave radica na mentalidade do homem guineense, em como a mulher não tem capacidade de poder ascender e que a mulher deve dedicar-se à família e assuntos sociais, em vez de assumir as responsabilidades mais altas, mas isso é um mito”, assegura a antiga ministra.

Para assinalar a data, muitas associações de mulheres guineenses promovem ações de reflexões sobre o papel da mulher guineense na esfera de decisões.

Fonte:https://www.voaportugues.com/a/mulheres-queixam-se-discriminacao-guine-bissau/4286654.html

Trump: “Para que queremos haitianos aqui? Para que queremos toda esta gente da África aqui?”.

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O presidente dos EUA, Donald Trump,  teceu comentários sobre o que verdadeiramente acredita em relação aos povos do mundo. Ele divide o mundo entre negros ,  africanos e haitianos,  e brancos como os noruegueses.

Donald Trump, chamou na quinta-feira de “buracos de merda” El Salvador, Haiti e vários países africanos, e sugeriu que preferiria receber em seu país mais imigrantes da Noruega ao invés dessas nações, de acordo com publicação do jornal “The Washington Post”.trump

“Por que temos todas essas pessoas de países (que são um) buraco de merda vindo aqui?”, afirmou Trump, durante uma reunião com parlamentares na Casa Branca, que apresentavam uma proposta sobre imigração. Os comentários deixaram os congressistas presentes chocados, noticiam vários órgãos norte-americanos.

O deputado Cedric L. Richmond (D-La.), Presidente do Congressional Black Caucus, disse no Twitter que as observações de Trump “são mais uma prova de que a agenda da “Make America Great Again” é realmente uma agenda da “America White Again”. O deputado traduziu o que Trump acredita: em um Estados Unidos branco.

Os insultos racistas de Trump são assustadores, por partir do presidente da nação mais poderosa do mundo, e queé um indicativo do que pensam seus seguidores.

Alguns republicanos também levantaram objeções. O representante Mia Love (R-Utah), cuja família é do Haiti, disse que as declarações de Trump eram “indeléveis, divisivas, elitistas e  se distanciavam dos valores da nossa nação”. Esse comportamento  do líder da nossa nação é inaceitável “.

O New York Times também lembrou que no ano passado,  Trump disse que imigrantes do Haiti têm AIDS. A Casa Branca negou.

<> on January 9, 2018 in Washington, DC.

O embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Paul G. Altidor, disse que “o presidente estava mal informado ou mal educado sobre o Haiti e seu povo”. Ele disse que a embaixada do Haiti foi inundada com e-mails de americanos se desculpando pelo que disse o presidente.

Alix Desulme, membro do conselho da cidade no norte de Miami, que abriga milhares de haitianos americanos, disse que as últimas declarações do presidente eram “nocivas”.

“Meu Deus. Oh, meu Deus Jesus “, disse Desulme. “Não sei o quanto pior podemos chegar”.

“Isso é muito alarmante. Sabemos que ele não é polido, mas isso é muito baixo “, disse ele. “É desanimador que alguém que seja o líder do mundo livre use uma linguagem tão humilhante para conversar sobre outras pessoas, referindo-se aos negros”.

É difícil interpretar a declaração de Trump – comparando o Haiti e a África com a Noruega, na verdade – como qualquer coisa além de um ataque aos negros ao redor do mundo. Mas mesmo aqueles que não a interpretam dessa maneira devem ficar horrorizados com o fato de o presidente expressar tal desdém e desprezo pelos países, onde a pobreza é desenfreada, onde as pessoas lutam porque não têm as vantagens econômicas dos americanos, onde as guerras e crises são frequentes.

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Há dez meses, o conselho editorial do jornal americano Los Angeles Times publicou uma série matérias  sobre o presidente Trump denominando-o de “nosso presidente desonesto”. Mostrando que em suas manifestações  havia um padrão de mentiras, distorções e negativas de realidade que argumentamos foram projetados não apenas para desviar as críticas, mas para minar a própria ideia de verdade objetiva.

Mas, às vezes, Donald Trump é mais assustador quando está dizendo o que ele realmente acredita.

 

Fonte:https://www.washingtonpost.com/politics/trump-attacks-protections-for-immigrants-from-shithole-countries-in-oval-office-meeting/2018/01/11/bfc0725c-f711-11e7-91af-31ac729add94_story.html?hpid=hp_hp-top-table-main_trumpmeeting-445pm%3Ahomepage%2Fstory&utm_term=.d584da6fccdd

http://www.latimes.com/politics/la-na-pol-trump-congress-dreamers-20180111-story.html

Frente Favela Brasil :”As famílias negras hoje mobilizam R$ 1,5 trilhão por ano.”

CEO da terceira maior empresa farmacêutica dos Estados Unidos, deixou o Conselho de Trump

 

O CEO da Merck, a terceira maior empresa farmacêutica dos Estados Unidos, demitiu-se ontem do painel de empresários que aconselha o Presidente, uma decisão tomada para “combater a intolerância e extremismo” nos EUA.

Kenneth Frazier deixa de prestar assessoria ao Presidente dos Estados Unidos
Fotografia: Nicholas Kamm | AFP

Donald Trump não tardou a reagir no Twitter, dizendo que o empresário terá agora mais tempo para “baixar os preços dos medicamentos que são uma exploração”.
Kenneth Frazier deixa de fazer parte do grupo de conselheiros do mundo dos negócios criado pela administração de Trump numa altura em que o Presidente dos EUA está a ser criticado por não ter condenado especificamente a extrema-direita pelos incidentes no estado da Virgínia, que resultaram em três mortos.
“Os líderes norte-americanos devem honrar os nossos valores de base ao rejeitarem claramente expressões de ódio, intolerância e supremacia de grupos, que vão contra o ideal americano de que as pessoas são todas iguais”, defendeu o empresário de 62 anos, que lidera a Merck desde 2011.

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Durante o fim de semana, três pessoas morreram e 19 ficaram feridas numa manifestação organizada por extremistas brancos em Charlottesville, Virgínia.
O empresário negro disse que, “por uma questão de consciência” e “como CEO da Merck”, sente a “responsabilidade de tomar uma posição para combater a intolerância e o extremismo”, conforme se lê no comunicado publicado na conta oficial da farmacêutica no Twitter.

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A Casa Branca afirmou no domingo que o Presidente dos Estados Unidos também se referia a “supremacistas brancos, KKK [Ku Klux Klan], neo-nazis e todos os grupos extremistas” quando condenou a “violência, intolerância e ódio” nas declarações sobre Charlottesville.
No sábado, Trump publicou no Twitter um vídeo em que apelava à unidade social. “Acima de tudo, devemos lembrar-nos desta verdade: Não importa a nossa cor, credo, religião, ou partido político, somos todos americanos primeiro”, disse o presidente no vídeo.

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Kenneth Frazier não é o primeiro a deixar o painel de empresários conselheiros. Elon Musk, CEO da Tesla, demitiu-se em Junho após o anúncio de que os EUA vão sair do Acordo de Paris, que prevê o combate às alterações climáticas, e o então presidente executivo da Uber, Travis Kalanick, saíra já em Fevereiro.

Brasil : Ministério Público apura racismo institucional em shopping de SP

Abertura de inquérito é motivada por caso de pai abordado por segurança quando jantava com filho negro no Pátio Higienópolis

Felipe Cordeiro, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2017 |

SÃO PAULO – O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu nesta terça-feira, 13, um inquérito civil para investigar possíveis práticas racistas do Shopping Pátio Higienópolis, na região central da capital paulista, após o artista plástico Enio Jorge Arizio Squeff, de 73 anos, acusar o estabelecimento de discriminar seu filho de 7.

Shopping Higienópolis
O Shopping Pátio Higienópolis se localiza na região central de São Paulo Foto: Kathia Tamanaha/Estadão

No dia 2, Squeff jantava com o menino no shopping quando uma segurança o abordou e perguntou se o garoto estava o incomodando. “Ela viu uma criança negra e imediatamente assumiu que se tratava de um pedinte”, contou o pai ao Estado na semana passada.

“Meu filho estava do meu lado, com o uniforme (do Colégio Nossa Senhora de Sion, localizado na mesma rua do shopping) e a mochila. Isso não significou nada, apenas a cor da pele dele foi o suficiente para o julgamento de que ele seria um pedinte”, disse.

Segundo Squeff, a funcionária teria dito que tinha ordens da direção do shopping para não deixar “mendigos importunarem os clientes”. Ao ser informada que o menino era filho do artista plástico, a mulher pediu desculpas.

“Ela ficou muito sem graça e disse que só cumpria as ordens da casa, que também é negra e tem muito respeito pelos negros. Mas ela não tem respeito, ela assumiu o racismo dos patrões.”

O MP informou, em nota, que o artista plástico foi convidado a comparecer à Promotoria de Justiça para ser ouvido.

A promotoria determinou que o Pátio Higienópolis preste, em 30 dias, esclarecimentos sobre o caso e informe quais orientações dá aos funcionários em relação à abordagem de pessoas supostamente pedintes ou em situação de rua. Além disso, o MP quer saber quais são os critérios usados pelo centro comercial para a escolha de pessoas a serem abordadas e se há alguma orientação dada quanto a aspectos étnicos.

‘Racismo institucional’

Para o promotor de Justiça Eduardo Ferreira Valério, que instaurou o inquérito, o caso e o diálogo sugerem que o estabelecimento pratica “racismo institucional”.

(O shopping Pátio Higienópolis) orienta seus trabalhadores a abordar e expulsar pedintes, entendendo como tal pessoas negras. Mesmo que seja uma criança e mesmo que seja uma criança com o uniforme de uma tradicional escola privada do bairro”, declarou o promotor. “Mas, sendo uma criança negra, é tida como indesejada, a quem há de se negar acesso aos seus direitos.”

Valério argumentou que a Constituição Federal estabelece a promoção do “bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

O promotor citou ainda o Estatuto da Igualdade Racial, “destinado a garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica”.

O Shopping Pátio Higienópolis afirmou, em nota, “que todos os frequentadores são e serão sempre bem-vindos, sem qualquer tipo de discriminação”. “O empreendimento lamenta profundamente pelo fato isolado ocorrido, destaca que não compactua com este tipo de procedimento e esclarece ainda que reorientou a colaboradora envolvida”, disse o estabelecimento.

 

É revoltante saber que crio meu filho em sociedade que discrimina pela cor da pele’

Enio Squeff jantava com o filho de 7 anos, que é negro, quando foi abordado por uma segurança do Shopping Higienópolis

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

 

SÃO PAULO – O artista plástico Enio Squeff, de 73 anos, jantava com o filho de 7 anos no Shopping Higienópolis, na região central de São Paulo, quando uma segurança o abordou e perguntou se o menino estava o incomodando. “Ela viu uma criança negra e imediatamente assumiu que se tratava de um pedinte”, contou o pai ao Estado.

O episódio aconteceu na sexta-feira, depois de Squeff buscar o menino na escola, na mesma rua do shopping. “Meu filho estava do meu lado, com o uniforme e a mochila. Isso não significou nada, apenas a cor da pele dele foi o suficiente para o julgamento de que ele seria um pedinte”, disse.

Fachada do Shopping Pátio Higienópolis
Pai acusa que segurança do Shopping Pátio Higienópolis confundiu seu filho com um mendigo por ser negro. Foto: Marcio Fernandes/ESTADÃO

Segundo Squeff, a segurança teria dito que tinha ordens da direção do shopping para não deixar “mendigos importunarem os clientes”. Ao ser informada que o menino era filho do artista plástico, a mulher pediu desculpas. “Ela ficou muito sem graça e disse que só cumpria as ordens da casa, que também é negra e tem muito respeito pelos negros. Mas ela não tem respeito, ela assumiu o racismo dos patrões.”