Angola tem a segunda maior dívida da África

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Um relatório da agência internacional de notação financeira Standard & Poors (S&P) sobre o endividamento dos países africanos, publicado ontem na imprensa internacional, declara que Angola emite, este ano, dívida de 15,9 bilhões de dólares (cerca de 3,4 trilhões de kwanzas), mais 26,5 por cento que em 2017.

 

 

Apesar de próximos, os números da Standard & Poors diferem dos enunciados no Plano Anual de Endividamento do Ministério das Finanças
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

A agência de “rating” realça que este é o valor mais alto desde 2014, ano em que Angola recorreu aos mercados para angariar 17,3 bilhões de dólares (3,6 trilhões de kwanzas).
O documento mostra que Angola será o segundo maior emissor africano de dívida, atrás da África do Sul, que vai endividar-se em 18,7 bilhões de dólares (3,9 trilhões de kwanzas) este ano, o que representa uma subida de 7,8 por cento sobre 2017.
Os analistas da S&P afirmam que Angola tem o maior rácio de “dívida rolante” face ao Produto Interno Bruto (PIB), cerca de 36 por cento, o que significa que é o país que tem mais dívida a atingir a maturidade e é geralmente resolvido recorrendo a emissões de dívida de curto prazo para pagar a de longo prazo.
Os números da S&P são parcialmente díspares dos que constam no Plano Anual de Endividamento, um documento no qual o Executivo prevê captar, em emissões, 6,721 trilhões de kwanzas em 2018, totalizando 14 trilhões de kwanzas de endividamento total.
Este montante, repartido por 4,762 trilhões de kwanzas a captar em dívida emitida no mercado interno e 1,959 trilhões de kwanzas em desembolsos externos, visa “colmatar as necessidades de financiamento” do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2018.
“O ‘stock’ de dívida governamental deve permanecer com a tendência de crescimento verificada nos anos anteriores, que se fundamenta numa maior participação da dívida titulada”, refere o documento, apontando um crescimento da dívida de 18 por cento em relação a 2017.

Previsões de Lagarde

No total, o relatório da S&P sobre a dívida pública dos 17 países que a agência de “rating” avalia na África Subsaariana mostra que estes países vão endividar-se em mais 57 mil milhões de dólares (acima de 12 trilhões de kwanzas) este ano.
Este valor representa uma subida de 7,4 por cento face aos 53 bilhões (11,2 trilhões)  de dívida emitida no ano passado e comprova que a crise dos preços das matérias-primas, iniciada em 2014, continua a afetar fortemente estas economias dependentes dos recursos naturais para equilibrarem os orçamentos.
“Esta subida reflecte o aumento das emissões planeadas pelos maiores emissores, do ponto de vista histórico, [que são] África do Sul e Angola”, lê-se no documento, que aponta que, no caso do nosso país, o endividamento “deve-se parcialmente a grandes amortizações previstas para 2018”, enquanto na África do Sul a subida explica-se pela “fraca trajetória orçamental”.
Nos restantes, segundo o documento, as necessidades de financiamento vão manter-se relativamente estáveis, o que “reflete um equilíbrio entre o ambiente ligeiramente mais favorável no mercado das matérias-primas e o aperto nas condições de financiamento decorrente da normalização da política monetária norte-americana”.
A S&P espera que o ‘stock’ de dívida comercial chegue a 392 bilhões de dólares (83 triliões de kwanzas) no final deste ano em África e que o total (incluindo a concessional, a preços mais baixos do que os de mercado) atinja 514 bilhões de dólares (109 trilhões).
O relatório da S&P surge em linha com as preocupações repetidamente manifestadas pela diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, que admitiu numa entrevista recente que 2018 pode ser o ano em que o problema da dívida vai explodir em África.
Numa entrevista à revista “Quartz”, Lagarde, quando questionada sobre o perigo do problema da dívida explodir em 2018, respondeu: “pode muito bem ser”.
Para a líder do FMI, “o que pode desencadear esses sérios desenvolvimentos são, na verdade, as melhorias nas economias avançadas, nomeadamente a valorização de algumas moedas nacionais, o aperto da política monetária norte-americana e talvez na Zona Euro, que tornam o fardo da dívida mais pesado nalguns países”.

 Maior parte do financiamento externo provém da China

Pelo menos 51 por cento da dívida contratada pelo Governo angolano, ao longo deste ano provém da China, de acordo com dados do Plano Nacional de Endividamento (PAE), que cifra o valor dos empréstimos externos, durante esse período, em 1,556 trilhões de kwanzas.
Quarenta e dois por cento do total, 653 bilhões de kwanzas, será proveniente do Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) e nove por cento, 140 bilhões de kwanzas, do Eximbank daquele país, declara o PAE.
Na lista do financiamento em enquadramento para 2018 consta ainda 28 por cento através de uma emissão de “eurobonds” – títulos da dívida pública em moeda estrangeira -, equivalente a 435 bilhões de kwanzas (uns dois bilhões de dólares) e um apoio do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) de 11 por cento do total, que deverá ascender a mais de 171 bilhões de kwanzas.
O documento acrescenta que os financiamentos estão “em fase de enquadramento” e  serão em maior percentagem empregues nos sectores da Energia e Águas, Construção e Defesa.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/angola_e_o_segundo_maior_emissor_de_divida_em_africa_1

Ministros do Brasil e Angola assinam “memorando de entendimento” para novos financiamentos

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Foto do embaixador Marcos Galvão, Secretario Geral do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e Archer Mangueira, o Ministro de Finanças de Angola

O ministro da Fazenda do Brasil, Henrique Meirelles, assinou, na segunda-feira, em Brasília, um “memorando de entendimento” com o ministro angolano das Finanças, Archer Mangueira, relacionado com futuros empréstimos e linhas de crédito para investimentos em Angola, noticiou a imprensa brasileira.

A noticia mereceu destaque  nos principais jornais de Angola,  mas  no  Brasil, pouca repercussão nem mesmo na pagina do Ministério da Fazenda, não se encontra nenhuma noticia registrada. O teor do noticiário brasileiro de ontem registra que o Ministério da Fazenda e O BNDES negam que vão levar um calote de Angola, que nas últimas décadas foi o país que mais recebeu investimentos do Brasil.

Não há uma só foto do ministro da Fazenda brasileiro, nem do presidente do BNDES com o ministro de Finanças de Angola registrando os encontros.

O memorando de entendimento entre o Brasil e Angola é um excelente negócio para os dois países, e termina um período de quase dois anos de suspensão de ações restritas do BNDES junto a Angola. O teor do memorando de entendimento não foi divulgado.

Há um mal estar promovido pela  mídia quando o assunto são relações entre Brasil e África, se já era difícil promover a imagem do continente africano, nos últimos tempos ficou mais complexo. Um pouco contaminado pelas ações da Odebrecht,  a empresa brasileira envolvida em escândalos de corrupção, e ainda ser considerada a maior presença brasileira em Angola. Não só, mas também porque o presidente Lula marcou sua gestão por uma aproximação com Africa.

A política de promover as exportações de serviços de engenharia com crédito público é prática de muitos países, afirmam especialistas. Ainda assim a estratégia do BNDES é alvo de críticas.

“A Odebrecht monopolizou os financiamentos do BNDES. Essa é a anomalia”, diz Mathias Alencastro, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) especializado nas relações Brasil-África. Segundo ele, o foco em Angola seguiu uma estratégia comercial da Odebrecht.

Ministério das Finanças avalia com brasileiros os contratos em vigor relacionados com Angola
Fotografia: Rogério Tuti | Edições Novembro

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“Angola é um país que tem cumprido os seus compromissos financeiros para com o Brasil, pelo que decidimos elaborar um memorando de entendimento que possa facilitar futuros empréstimos e linhas de crédito também do sector privado”, disse o ministro Henrique Meirelles, logo após o encontro.
O ministro das Finanças de Angola, que concluiu ontem uma visita de trabalho ao Brasil, iniciada a 27 de Janeiro, foi  recebido pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, com quem analisou os contratos em vigor relacionados com Angola.
Um comunicado divulgado pelo banco estatal brasileiro informa que a reunião teve também por objectivo “discutir a montagem de novos financiamentos em máquinas e equipamentos brasileiros” e garante que “Angola mantém-se em dia com as suas obrigações financeiras para com o BNDES”.

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O Ministério das Finanças informou que o ministro Archer Mangueira manteve encontros em Brasília com os presidentes executivos de algumas empresas brasileiras com interesses em Angola, bem como com responsáveis de instituições financeiras internacionais, como o Crédit Suisse, Standard Bank e UBS (Union de Banques Suisses).
O BNDES já financiou vá­rios projectos em Angola, na sua maioria realizados pelo grupo brasileiro Odebrecht, com realce para a Barragem Hidroeléctrica de Laúca, Barragem de Cambambe, sistema de abastecimento de águas às cidades de Benguela, Lobito e Catumbela, construção da Via Expressa Luanda-Viana, construção do Aeroporto Internacional da Catumbela e construção do Pólo Industrial de Capanda, entre outros.

BNDES nega burla angolana

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O Ministério da Fazenda e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) negaram que o Brasil esteja à beira de levar um calote da República da Angola. Na última década, Angola foi um dos maiores destinatários dos pacotes de investimentos do Brasil no exterior. Sinalizando confiança nos compromissos assumidos pelo Governo angolano junto ao Brasil, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles assinou, na tarde desta segunda-feira, um ”memorando de entendimento” para alavancar futuros empréstimos e linhas de crédito para investimentos em Angola.

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O documento foi assinado durante uma reunião de Henrique Meirelles com o ministro das Finanças Archer Mangueira, que também aproveitou a ida ao Brasil para se reunir com o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro. Sobre a especulação de que o país  estava prestes a dar um calote ao Brasil, o banco estatal brasileiro assegurou que a “Angola mantém-se em dia com as suas obrigações financeiras com o BNDES”.
Já o Ministério da Fazenda destacou que as conversações com o Governo angolano envolvem também a negociação de investimentos por parte do sector privado.
O embaixador de Angola no Brasil, Nelson Cosme, disse que a reunião tratou das relações bilaterais entre Angola e Brasil, mas não quis dar detalhes o que foi falado, sob o argumento de que as negociações com o Governo e as entidades brasileiras ainda não haviam terminado.
No entanto, o BNDES firmou oito operações de crédito, entre Junho de 2007 e Junho 2012, para a construtora Camargo Corrêa investir em Angola um montante de 213.123 milhões de dólares. A maioria dos contratos parcelou os empréstimos em 120 meses, a uma taxa de juros que variou entre 3,065 por cento e 7,965 por cento ao ano. As tranches foram feitas no mesmo período em construtoras como a Andrade Gutierrez, a Odebrecht e a Queiroz Galvão.

E para os negros brasileiros, os africanos que vivem na diáspora, essas negociações tem algum impacto em nossas vidas ?  Receio que não, poucos negros brasileiros serão favorecidos por essa reabertura do governo brasileiro, na criação de novas  linhas de crédito. Quem sabe um dia consigamos incluir uma clausula nos acordos firmados com países africanos, em que os negros da diáspora tenham que participar, e deixemos de só mencionar os negros na cultura e na herança histórica.

 

Fonte: http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/angola_e_brasil_acertam_novos_financiamentos

Maputo está com longas filas nos postos de combustível

Alguns postos de abastecimento de combustível fecharam, noutros há filas longas. Autoridades garantem que está tudo sob controle, mas analistas temem que a situação se repita.

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Há dias que falta combustível na capital moçambicana, Maputo, além de outras cidades.

“A situação é crítica. Passei em mais de dez bombas e não há combustível. Não sei como vão ser os próximos dias”, diz Carlos Bernardo, um automobilista.

As autoridades garantem que não há “crise” de combustível, justificando a escassez apenas com uma “rotura” de stocks temporária.

“Houve alguma falha de logística em termos de recepção do combustível [importado], o que originou a quebra da cadeia de distribuição”, disse o Director Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, Moisés Paulino. “Neste momento, o Governo está a fazer a reposição de stocks nos postos que tiveram essa rotura, em coordenação com as empresas distribuidoras de combustíveis e as gasolineiras.”

Paulino adiantou que já chegou combustível aos terminais oceânicos de Maputo, Beira e Nacala, no sul, centro e norte do país respetivamente, esperando-se que a situação comece a voltar à normalidade ainda esta segunda-feira (30.01).

defaultAutomobilistas estão preocupados com os próximos dias, autoridades garantem que está tudo sob controlo

E a crise económica?

Muitos associam, no entanto, a falta de combustível à atual crise económica e financeira no país, na sequência da retirada da ajuda dos parceiros internacionais ao Orçamento do Estado moçambicano desde o ano passado, após a descoberta de dívidas não declaradas pelo Governo. O Fundo Monetário Internacional também suspendeu um empréstimo que concedeu a Moçambique.

“Se o país enfrenta escassez de divisas, naturalmente que não está em condições de comprar combustível quando precisa dele”, comenta o analista Fernando Gonçalves.

Gonçalves admite que o país possa registar crises cíclicas de combustível enquanto não resolver a atual situação: “Vamos ter estas quebras, apesar de o Governo ter vindo dizer que é apenas um problema logístico, que seria resolvido imediatamente”, diz Gonçalves.

Mas Moisés Paulino nega que haja qualquer ligação entre a falta de combustível e a atual situação econômico-financeira.

“Não tem nada a ver com a crise financeira, porque o Governo faz questão de prover serviços básicos, apesar da existência desta crise “, afirmou o Director Nacional de Combustíveis. “O combustível é um serviço básico que tem que existir, à semelhança da água, energia e pão. É importante para sairmos da situação financeira não boa em que nos encontramos.”

Moisés Paulino negou, igualmente, que a falta de combustível esteja relacionada com um eventual aumento dos preços.

http://www.dw.com/pt-002/falta-combust%C3%ADvel-em-maputo/a-37338679

Roubo de divisas em Angola

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O Serviço de Investigação Criminal (SIC) deteve em Luanda sete cidadãos que se faziam passar por altos funcionários do Banco Nacional de Angola e tinham como principal atividade burlar valores monetários aos cidadãos e empresas, a pretexto de facilitarem a aquisição de divisas.
 
 
O chefe do departamento dos Crimes Financeiros, Fiscais e Tributários do SIC, superintendente-chefe Soares Sala, explicou ontem à imprensa que os burladores identificavam previamente as vítimas e mediante um contacto quer telefônico quer interpessoal se apresentavam como facilitadores para a aquisição de divisas e entregavam às vítimas os números de contas bancárias para estas efectuarem os depósitos dos valores acordados.
Uma vez consumado o depósito, os meliantes levantavam o dinheiro e desligavam os telefones, passando a usar outros contactos com outras vítimas.
 
 
O grupo, além dos sete detidos, era composto por outros cidadãos, em número não revelado pelo SIC e que se encontram em fuga.
 
Soares Sala deu a conhecer que o grupo começou com a prática de burla há já algum tempo, mas as primeiras queixas junto do Serviço de Investigação Criminal surgiram em Setembro passado, quando os lesados, inconformados com a perda dos seus valores monetários, recorreram às autoridades.
 
Para melhor convencer os burlados, os meliantes usavam passes de identificação do Banco Nacional de Angola, no sentido de levar as vítimas a acreditarem na idoneidade dos mesmos.
O Serviço de Investigação Criminal não revelou o montante concreto do dinheiro que os burladores conseguiram angariar.
Soares Sala disse que os grupos de meliantes usam várias formas para conseguir arrecadar dinheiro, principalmente tendo como alvo cidadãos estrangeiros que desconhecem a legislação financeira.
 
Algumas burlas são realizadas com a conivência de funcionários dos bancos comerciais e explicou o modus operandi dos mesmos.
Uma conta disponível num banco, o funcionário acessa a conta e sabe que nela tem avultadas somas que não são muito movimentadas pelo legítimo proprietário.
O funcionário bancário, com outras pessoas, procura formas de retirar grandes somas daquela conta. O Serviço de Investigaçao Criminal toma conhecimento ou por via do lesado ou da direcção do banco.
 

O dólar nas ruas de Luanda chega a 570 kwanzas

Luanda, 12 set (Lusa) – A injeção de divisas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) na banca comercial aumentou 45 por cento no espaço de uma semana, para 314,6 milhões de euros, cobrindo nomeadamente necessidades da indústria e do setor petrolífero.

A informação consta do relatório semanal do BNA sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, no período entre 05 e 09 de setembro, contrastando com os 217,4 milhões de euros (MEuro) da semana anterior, mantendo-se as vendas, há vários meses, apenas em moeda europeia.

Segundo o documento, consultado hoje pela agência Lusa, as divisas disponibilizadas na última semana, equivalentes a 351,5 milhões de dólares, destinaram-se a cobrir, nomeadamente, necessidades do setor da indústria (53,8 MEuro), das telecomunicações (35,8 MEuro) e das empresas petrolíferas, neste caso com vendas de divisas em leilão no valor de 35,8 MEuro.

O elevado volume de divisas disponibilizado pelo BNA foi suficiente ainda para garantir vendas diretas para reposição cambial nos bancos, no valor de 44,8 MEuro, para viagens, ajuda familiar, saúde e educação no exterior (26,9 MEuro), para cobertura de operações de cartões de crédito (17,9 MEuro), do setor da Defesa (14,5 MEuro) e para venda, em leilão, para o setor da agricultura (17,3 MEuro), entre outros.

A taxa de câmbio média de referência de venda do mercado cambial primário, apurada ao final da última semana, permaneceu inalterada, nos 166,716 kwanzas por cada dólar e nos 186,270 kwanzas por cada euro.

Contudo, no mercado de rua, a única alternativa, embora ilegal, face à falta de divisas aos balcões dos bancos, a nota de um dólar continua a ser transacionada acima dos 570 kwanzas.

Angola enfrenta uma crise financeira e econômica com a forte quebra (50%) das receitas com a exportação de petróleo devido à redução da cotação internacional do barril de crude, tendo em curso várias medidas de austeridade e a revisão do Orçamento Geral do Estado de 2016.

A conjuntura nacional levou a uma forte quebra na entrada de divisas no país e a limitações no acesso a moeda estrangeira aos balcões dos bancos, dificultando as importações.

A falta de divisas dificulta ainda a transferência de salários dos trabalhadores expatriados, as necessidades dos cidadãos que precisam de fazer transferências para o pagamento de serviços médicos ou de educação no exterior do país ou que viajam para o estrangeiro.

O BNA informou a 22 de julho que está a trabalhar com os bancos comerciais numa “melhor programação na venda de divisas” para “repor de forma gradual, programada, organizada e prudente” as necessidades de todos os setores da economia.

 

http://noticias.sapo.ao/lusa/artigo/21253889.html

Angola tem elevado volume de venda de divisas

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Fotografia: vigas da Purificação

As transações cambiais do mercado primário atingiram, na semana passada, 217,4 milhões de euros (242,9 milhões de dólares), muito mais do que os 38,4 milhões de euros (42,9 milhões de dólares) vendidos nos sete dias precedentes, anunciou, ontem, o Banco Nacional de Angola (BNA) num comunicado.

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A taxa de câmbio da moeda angolana depreciou-se ligeiramente para 186,269 kwanzas por euro e 166,715 kwanzas por dólar, contra 186,268 e 166,714 uma semana antes, indicam os números divulgados pelo BNA. O banco central declarou que vendeu 40,8 milhões de euros para necessidades do sector empresarial, 39,9 milhões para os bancos, 35,8 milhões para viagens, ajuda familiar, saúde e educação e 32 milhões para operações dos órgãos auxiliares do Estado.
As vendas incluíram 17,9 milhões de euros para a cobertura de operações com cartões de crédito, 13,4 milhões para o pagamento de salários dos expatriados, 10,9 milhões para a aquisição de bens alimentares e 7,3 milhões como “plafond” atribuído aos bancos comerciais.
O BNA também declarou a venda de 1,9 milhões de dólares para a cobertura de necessidades do sector das pescas, 1,8 milhões para o Ministério da Juventude e Desportos, 1,3 milhões para a cobertura das necessidades das operadoras de remessas e 415,9 mil para a Expo-Milão. O valor da dívida emitida desceu, na semana passada, para 50,9 bilhões de kwanzas, menos do que os 55,7 bilhões em títulos públicos vendidos uma semana antes. O BNA colocou 39 bilhões de kwanzas em Bilhetes do Tesouro (BT) a 91, 182 e 364 dias, a juros de 13,91, 16,72 (-0,03 pontos percentuais) e 18,50 por cento, e 10,7 mil milhões em Obrigações do Tesouro (OT) a dois, três e cinco anos, a juros 7,00, 7,25 e 7,75 por cento.

No segmento de venda directa de títulos ao público, foi colocado o montante de 1,2 bilhões de kwanzas, em que 860,7 milhões eram OT indexadas ao dólar a dois e três anos e 315,2 milhões BT nas maturidades de 91, 182 e 364 dias. Para efeitos de regulação monetária, o BNA realizou operações de mercado aberto (OMA) avaliadas em 7,3 mil milhões de kwanzas nas maturidades de 28 e 63 dias. No mercado interbancário, os bancos comerciais realizaram entre si operações de cedência de liquidez sem garantia de títulos, no montante acumulado de 8,1 mil milhões de kwanzas em diversas maturidades, a taxas médias de juro situadas entre 13,93 e 14 por cento.
A luibor “overnight” (um dia), apurada na sexta-feira, situou-se em 13,93 por cento, com uma variação de 0,01 pontos percentuais face à semana anterior. Para as maturidades de 30, 90, 180, 270 e 360 dias, situou-se em 15,08, 16,28, 17,39, 17,06 e 17,87 por cento, com uma variação de 0,33 pontos percentuais na maturidade de 180.

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http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/elevado_o_volume_de_venda__de_divisas

O PIB de Angola crescerá 1,2 %

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A previsão do crescimento de Angola sofre nova revisão, as perspectivas iniciais do crescimento do Produto Interno Bruto, de 3,3 por cento, tiveram de ser revistas em baixa de 2,69 por cento para 1,2 por cento.

O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, enviou uma mensagem dirigida aos deputados à Assembleia Nacional, com uma nova  política fiscal a ser executada através do Orçamento Geral do Estado revisto para  o crescimento econômico e a captação de financiamento externo para execução de projetos de investimento público.

 

A estratégia macroeconômica do Executivo angolano  nos primeiros seis meses deste ano foi condicionada pelo comportamento do preço do petróleo no mercado internacional, cuja média, no primeiro semestre, ficou em torno de 37,5 dólares por barril, abaixo dos 45 dólares previstos no Orçamento Geral do Estado de 2016.Em meados de Janeiro, o preço do barril do petróleo chegou a atingir patamares inferiores a 28 dólares, os mais baixos da última década, o que influenciou o crescimento da economia angolana.

O comportamento do preço de barril de petróleo influenciou significativamente o nível de captação de divisas, de modo que, para garantir a sustentabilidade da despesa pública e a manutenção das reservas internacionais líquidas, a moeda nacional, que se mantinha estável desde Setembro de 2015 em torno dos 135 kwanzas por dólar americano, tem vindo a sofrer uma forte depreciação.

A proposta do Orçamento Geral do Estado Revisto para este ano aprovado ontem, na generalidade, pelos deputados comporta receitas estimadas em 6.959.728.851.527,00 kwanzas (seis trilhões, novecentos e cinquenta e nove bilhões, setecentos e vinte e oito milhões, oitocentos e cinquenta e um mil e quinhentos e vinte e sete kwanzas) e despesas fixadas em igual montante.

O setor social, representa 40,6 por cento das despesas fiscais. a despesa no setor econômico é de 18 por cento. Já os órgãos de defesa e segurança absorvem 19 por cento e os serviços públicos 21 por cento.

A oposição parlamentar questiona os indicadores de produção previstos por cultura, os incentivos reais aos agricultores, os níveis de auto-emprego na agricultura familiar e emprego na agro-indústria.

A economia do país atravessa um quadro macroeconômico comprometido com o desenvolvimento e diversificação da economia e que o petróleo não deu uma resposta necessária à grande necessidades do país.

Estudantes angolanos no Brasil aconselhados a regressar a Angola

João Dias | Rio de Janeiro
11 de Agosto, 2016

Fotografia: Mota Ambrósio | Rio de Janeiro

O cônsul-geral de Angola no Rio de Janeiro, Rosário de Ceita, apelou às autoridades dos dois países para estudarem a possibilidade de assinatura de um acordo que permita aos estudantes que regressarem continuar a estudar nos anos académicos em que se encontravam nas universidades brasileiras.

 

A sugestão surge devido às dificuldades que muitos estudantes angolanos no Brasil enfrentam, por causa da crise econômica e das dificuldades cambiais no país.
Em declarações à imprensa, Rosário de Ceita apelou aos estudantes angolanos que frequentam estabelecimentos de ensino superior naquele Estado brasileiro a “reconsiderarem e analisarem com coerência” a possibilidade de continuarem os seus estudos em Angola, devido ao atual quadro e às condições econômicas e financeiras difíceis em que se encontram.
Desde que a situação econômica no país se tornou menos favorável, familiares de muitos estudantes no Brasil perderam a capacidade de continuar a apoiá-los financeiramente face à crise cambial, que eleva ainda mais o grau de dificuldades. Este quadro, explicou, faz com que cheguem ao consulado dezenas de situações dramáticas de estudantes que por iniciativa individual ou em conjunto com familiares decidiram frequentar estabelecimentos de ensino superior no Brasil.

“Os estudantes passam por várias dificuldades, principalmente os que aqui chegam sob responsabilidade dos pais. Aconselhamos aos que se encontram a frequentar o primeiro e segundo anos a reconsiderarem a sua posição, pois acreditamos que ainda que se regularize a situação cambial, o envio de remessas por parte dos pais vai ser reduzido, na medida em que quer o Brasil quer Angola se encontram em estado inflacionário, fruto da crise”, notou Rosário de Ceita.
O cônsul-geral qualificou a situação como insustentável pelo grau de dificuldades que enfrentam os estudantes que vão ao Brasil, enviados e suportados por familiares e não tanto os que estão sob regime de bolsas suportadas pelo Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE).

“Não vale a pena tapar o sol com a peneira”, apelou. Na sua opinião, ainda há tempo de estudantes em dificuldades e sem soluções aparentes voltarem e continuarem os estudos em Angola, considerando ser esta a melhor solução, principalmente para aqueles que se encontram no terceiro, quarto e quinto anos.
“Continuar como estão aqui, dificilmente vão terminar os seus cursos. Temos falado nisso, porque sabemos em que ponto está a situação. Ficar aqui para sofrer, tal como temos visto, não adianta. Existem estudantes a serem expulsos das casas onde residem por falta de pagamento de rendas e chegam a ter sérias e sucessivas dificuldades para comer. Vemos também estudantes sem capacidade de liquidarem as dívidas junto das instituições de ensino, chegando a quadros insustentáveis de acúmulo de juros.”
Com uma situação assim, referiu, mesmo que estudem não têm direito a nenhum documento. O documento é importante para renovação do visto no Brasil. O que se vê é o aumento de angolanos a ficarem em situação migratória irregular. Em face disso, o cônsul disse que a única e melhor solução passa por, junto da TAAG, que vai fazendo promoções de bilhetes, ajudá-los a regressar ao país.
Rosário de Ceita reconheceu que a vida de parte considerável de angolanos no Rio de Janeiro é difícil, lembrando que filhos de compatriotas apresentam problemas no processo de aprendizagem. Para minimizar a situação, o consulado contratou estudantes com bom nível de aproveitamento e em período de férias para darem aulas de reforço. Mas no meio destas dificuldades, o cônsul lembrou que existem angolanos que têm tido sucesso na vida no Rio de Janeiro, embora em números pouco expressivos.

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A comunidade de angolanos no Rio de Janeiro é constituída, na sua maioria, por cidadãos que antes eram comerciantes do antigo mercado do Roque Santeiro e que depois se foram estabelecendo como residentes, chamando pouco tempo depois os seus familiares.
Outra parte de angolanos residentes é constituída por estudantes. Até agora estão cadastrados no Rio de Janeiro perto de nove mil angolanos residentes. O consulado geral de Angola no Rio de Janeiro responde igualmente pelos Estados de Espírito Santo, com 205 angolanos cadastrados, e Minas Gerais, com 179.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/estudantes_no_exterior_aconselhados_a_regressar

Dívida pública colocada por Angola sobe 15% em agosto

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A dívida pública colocada pelo Banco Nacional de Angola (BNA) subiu mais de 15% na primeira de agosto, para 47,1 mil milhões de kwanzas (255 milhões de euros), com os juros a um ano a aproximarem-se dos 19%.

Segundo dados compilados hoje pela Lusa com base no relatório semanal sobre a evolução dos mercados monetário e cambial do BNA, enquanto operador do Estado, o banco central colocou no mercado primário, entre 01 e 05 de agosto, 17 mil milhões de kwanzas (92 milhões de euros) em Bilhetes do Tesouro (BT), 27,9 mil milhões de kwanzas (151,1 milhões de euros) em Obrigações do Tesouro (OT).

As taxas de juro médias pela emissão de BT oscilaram entre os 13,95% na maturidade a 91 dias e os 18,51% no prazo a 364 dias (18,44% na semana anterior), enquanto as OT fecharam, uma vez mais, com taxas de juro de até 7,75%, a 05 anos.

Acrescem 500 milhões de kwanzas (2,7 milhões de euros) colocados em OT não reajustáveis.

As taxas de juro médias pela emissão de BT oscilaram entre os 14,16% na maturidade a 91 dias e os 18,44% no prazo a 364 dias (18,39% na semana anterior), enquanto as OT fecharam, uma vez mais, com taxas de juro de até 7,75%, a 05 anos.

No segmento de venda direta de títulos ao público foram ainda colocados pelo BNA mais 2,2 mil milhões de kwanzas (11,9 milhões de euros).

O Governo angolano prevê, no Orçamento Geral do Estado de 2016, necessidades de financiamento interno e externo de 2,912 biliões de kwanzas (15,7 mil milhões de euros, à taxa de câmbio atual).

Angola vive desde meados de 2014 uma crise financeira, económica e cambial decorrente da quebra das receitas da exportação de petróleo, recorrendo à emissão de dívida para garantir o funcionamento do Estado e a concretização de vários projetos públicos.

Num contexto de agravamento das quebras nas receitas da exportação de petróleo no primeiro semestre de 2016, o Governo já aprovou uma revisão do OGE deste ano, tendo avançado em julho com uma revisão em baixa de indicadores macroeconómicos, nomeadamente a redução da previsão do crescimento da economia, de 3,3 para 1,3% e do défice das contas públicas, que passa de 5,5 para 6%.

Um documento de suporte à estratégia do Governo angolano para ultrapassar a crise financeira provocada pela quebra nas receitas do petróleo, ao qual a Lusa teve acesso, indica que o ‘stock’ de dívida pública atingiu em 2015 os 42,9 mil milhões de dólares (38,7 mil milhões de euros), correspondendo a 48,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

O endividamento do Estado angolano tem sido utilizado para colmatar a forte quebra nas receitas com a exportação de petróleo e só em 2015 o serviço da dívida pública angolana ascendeu a 18 mil milhões de dólares (16,2 mil milhões de euros).

http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1481808.html

 

Crise em Angola abala imobiliário da Namíbia com partida de angolanos

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A crise em Angola está a ter repercussões no setor imobiliário da Namíbia, que vê sair do país centenas de angolanos que já não têm dinheiro ou divisas para pagar o alojamento, relata hoje a imprensa local.A situação afecta sobretudo angolanos instalados na capital, Windhoek, alguns dos quais já foram forçados a desocupar apartamentos devido às rendas em atraso, enquanto outros proprietários passaram a aceitar pagamentos em kwanzas (moeda nacional angolana), através de depósitos em contas bancárias em Angola.

Angola vive desde finais de 2014 uma profunda crise financeira e económica decorrente da quebra para metade nas receitas com a exportação de petróleo, que reduziu igualmente a entrada e a disponibilidade de divisas.

Essas divisas são necessárias para o pagamento dos arrendamentos na Namíbia, sendo que os inquilinos angolanos, descritos pela imprensa local como “disponíveis para pagar qualquer valor que fosse exigido pelos senhorios” antes da crise, são acusados de terem feito subir fortemente o valor das rendas, pela procura e negociação.

Estudantes angolanos em colégios e instituições de ensino superior são os mais afectados pela situação, segundo o jornal “The Namibian”, com meses de rendas em atraso, porque as famílias não conseguem enviar divisas para o país vizinho.

Estudante numa universidade local, Silvestre de Oliveira, de 24 anos, admite ter que voltar a Angola em breve porque não tem dinheiro para pagar o aluguel do apartamento com dois quartos, em Windhoek Ocidente, que partilha com um primo, pelo qual paga 7.000 dólares namibianos (450 euros) por mês.

“Ele já está há dois meses sem receber qualquer dinheiro em casa”, disse ao jornal namibiano o estudante, admitido a pressão dos proprietários para receberem as rendas.

“Os meus amigos estão a regressar a Angola e acho que vou eu a seguir em breve”, lamentou.

Dorado Park, Windhoek Oeste, Norte e Windhoek Hochland Park são algumas zonas da capital namibiana afectadas pela debandada angolana, que também passa pela procura de apartamentos mais em zonas mais acessíveis.

“A maioria dos meus clientes era angolana. Tem sido muito difícil ultimamente “, afirmou o agente imobiliário Esther Nicodemos.

 

http://noticias.sapo.ao/info/artigo/1481485.html