“Seres humanos e não ameaças biológicas”, na República Democrática do Congo

ebola3A tempestade perfeita que une episódios de violência ao surto de ebola na República Democrática do Congo. Pois, agora, a diretora internacional da Médicos Sem Fronteiras abriu o jogo. Segundo Joanne Liu, as organizações estrangeiras que atuam na resposta ao surto (incluindo a dela) falharam em encarar os pacientes locais “como seres humanos e não como ameaças biológicas”. Isso estaria criando um clima de animosidade entre as equipes de saúde e a população, com a última alienada dos esforços para debelar o surto. “Os profissionais estão sendo vistos como o inimigo”, disse ela. E continuou: “As pessoas ouvem constantemente recomendações para lavar as mãos, mas nada sobre a falta de água e sopa. Eles veem constantemente seus parentes sendo aspergidos com cloro e embalados em sacos de plástico, enterrados sem cerimônia. Eles veem seus objetos sendo queimados.”

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Dois centros de tratamento do Médicos Sem Fronteiras foram atacados nas últimas semanas, o que levou a ONG a tomar a decisão de fechá-los. O clima no país é “tóxico”, segundo Liu, que avalia que os grupos de ajuda precisam repensar suas táticas, se aproximando de maneiras que as comunidades aceitem, mesmo que isso signifique encerrar a política de isolamento dos doentes e achar meios de tratá-los em casa. Já são sete meses do segundo maior surto da história da doença, com 907 casos e 569 mortes, de acordo com a OMS.

Fonte\; https://outraspalavras.net/outrasaude/