Inicio do ano letivo em Angola leva 10 milhões de alunos às salas de aula

Bernardo Capita | Cabinda

O ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República procedeu ontem, em Cabinda, à abertura do novo ano lectivo, que vai contar com cerca de dez milhões de alunos matriculados em diferentes subsistemas de ensino em todo o país.

Fotografia: Agostinho Narciso | Edições Novembro

Frederico Cardoso, que discursava em representa-ção do Presidente da República, João Lourenço, afirmou que, para o presente ano lectivo,  foram disponibilizadas 2.543.176 vagas para o ensi-no primário e secundário, enquanto ao nível de creches e jardins infantis, foram preenchidos 930 mil lugares.
O Executivo, disse o mi-nistro, colocou à disposição do Ministério da Educação 2.016 novas salas de aula e reforçou a capacidade do-cente com cerca de 20 mil novos professores, admitidos através do concurso público no ano passado.
O ministro de Estado e Che-fe da Casa Civil do Presidente da República afirmou que a Educação ocupa um lugar prioritário na agenda política do Executivo daí que, reforçou, “tudo tem estado a fazer no sentido de dignificar a classe do professorado”. Para sustentar as suas declarações, Frederico Cardoso destacou o Estatuto dos Agentes da Educação e o Programa Nacional de Formação e Gestão do Pessoal Docente, aprovados a 3 de Julho e 3 de Setembro do ano passado, respectivamente.
Frederico Cardoso disse tratarem-se de dois instrumentos que demonstram o empenho do Executivo na busca de soluções tendentes a aferir uma melhor qualidade, quer profissional quer da vida dos professores.
O governante reconheceu, entretanto, serem enormes os desafios que se afiguram para os agentes da educação, mas deixou claro a plena disposição do Executivo em tudo fazer para que, gradualmente, sejam ultrapassadas tais dificuldades, para que, até 2022, “não tenhamos crianças fora do sistema de ensino”.
Por seu turno, a ministra da Educação, Maria Cândida Teixeira, defendeu que o sistema de ensino no país promova o desenvolvimento humano, como base numa educação e aprendizagem ao longo da vida para todos os indivíduos.
Com a promoção do desenvolvimento humano, disse a ministra, o sector estará a contribuir no aumento da qualidade de ensino, ajudar de forma mais efectiva para o empreendedorismo e o desenvolvimento científico, técnico e tecnológico de todos os sectores da vida nacional.
Cândida Teixeira chamou atenção aos agentes da educação sobre a necessidade da interacção que deve existir entre o professor e o aluno, privilegiando o diálogo, para que possa existir um processo de intercâmbio capaz de propiciar a construção de conhecimentos sólidos.
“Para haver um processo de intercâmbio que propicie a construção de conhecimentos é preciso que a relação professor aluno, tenha como base o diálogo” disse a ministra, para quem a principal meta do sector é a formação de professores para que esses sejam capazes de corresponder com as exigências que o país pretende alcançar a curto médio e longo prazos.

Fonte: http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/dez_milhoes_de_alunos_no_inicio_do_ano_lectivo

Gana enviará trabalhadores para o Brasil para treinamento em gestão de petróleo

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Serviços de Produção da MODEC, empresa japonesa, lançou um programa internacional de treinamento em petróleo e gás para 16 cidadãos de Gana.

Espera-se que os beneficiários realizem o treinamento no Brasil em três lotes, a partir de fevereiro de 2019, para obter treinamento prático em Armazenamento e Transferência de Produção Flutuante (FPSOs – Floating Production Storage and Offloading).Cada trainee deve passar um total de seis meses no treinamento que aconteceria nos FPSOs da MODEC Brasil.

Os beneficiários devem ser treinados em manutenção, operações e gerenciamento de FPOSs e, após seu retorno a Gana, os trainees devem impactar seus conhecimentos para outros no setor de petróleo e gás do país, com o objetivo de construir um conteúdo local muito mais forte a nação.

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Egbert Faibille Junior, Diretor Executivo Interino da Comissão de Petróleo, falando na inauguração do programa de treinamento em Accra,explicou que isso foi possível através de um esforço colaborativo entre a Comissão e os Serviços de Produção da MODEC.

Ele disse em 2018 que a MODEC se aproximou da Comissão, pedindo permissão para trazer 15 estrangeiros para administrar seus dois FPSOs, FPSOs Kwame Nkrumah e FPSO John Evans Atta Mills. Informou ainda que a Comissão de Petróleo, em consonância com a Lei de Conteúdo Local de Gana, propôs que a MODEC financie o treinamento de 16 ganeses no exterior em gerenciamento, operações e manutenção de FPSOs.

O Sr. Faibille Jnr indicou que a proposta pretendia que alguns Gana fossem treinados para que, quando os 15 expatriados deixassem o país, os ganeses pudessem administrar os FPSOs sem depender de estrangeiros.
Ele disse que o programa de treinamento construirá as capacidades dos ganenses para impulsionar o setor de petróleo e gás.

O Sr. Faibille Jnr exortou os beneficiários a aproveitarem bem a oportunidade e a impactarem positivamente os seus conhecimentos no Gana para melhorar o sector e ressaltou o compromisso do governo em treinar os ganenses para ocupar seu lugar de direito no espaço petrolífero à montante, exortando os beneficiários que têm trabalhado principalmente em terra, a levar a sério seu programa de treinamento quando visitarem o Brasil.

Takashi Nishino, chefe de Operações Globais da MODEC, disse que o treinamento aumentaria o conhecimento dos beneficiários para serem competitivos no setor de petróleo e gás. Citou que a MODEC apoiaria os beneficiários durante sua permanência no Brasil com as instalações necessárias para ter sucesso e contribuir para
as operações do setor de petróleo e gás de Gana.

fonte:https://www.opetroleo.com.br/ganenses-passam-por-treinamento-em-petroleo-e-gas-no-brasil/

Professores brasileiros são os mais desprestigiados

professorOs governos que almejam pontuações mais altas na classificação mundial do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) – que mede as habilidades de jovens em leitura, matemática, ciências e trabalho em equipe – deveriam concentrar seus esforços na valorização e nos salários de professores, afirmou o estudo. A pesquisa foi encomendada pela Fundação Varkey, organização voltada para a educação baseada em Dubai.

O Índice Global de Status de Professores (GTSI) da fundação verificou “uma ligação direta entre o status do professor e o desempenho dos alunos medidos pelo Pisa”. As pesquisa do programa internacional são publicadas regularmente pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O GTSI foi calculado por meio do cruzamento dos resultados existentes do Pisa com respostas sobre professores obtidas por um instituto econômico baseado na Universidade de Sussex, que analisou mil adultos em cada um dos 35 países pesquisados, além de 5.500 professores espalhados desses países.

A equipe, liderada pelo pesquisador Peter Dolton, também comparou os resultados de uma amostragem menor de 2013, de 21 países, assim como os níveis atuais de remuneração e as horas em que os professores afirmam realmente trabalhar e a carga horária estimada pela opinião pública.

No GTIS, os países asiáticos – mais especificamente China, Malásia, Taiwan, Indonésia, Coreia do Sul e Índia – ficaram à frente “de todos os países europeus e de todas as nações ocidentais”.

Ao comparar seus estudos de 2013 e de 2018, a equipe de pesquisadores concluiu que o prestígio do professor aumentou em 13 países, tendo a China a melhor avaliação – embora seja a sétima colocada no Pisa. As maiores quedas foram registradas na Grécia e no Egito.

Por outro lado, todos os países da América do Sul tiveram resultados ruins e foram classificadas na parte inferior do índice, com o Brasil em último, e a Argentina apenas quatro posições acima. Em 2013, o Brasil aparecia na penúltima para a última posição.

O estudo destaca que o respeito pelos professores é particularmente baixo no Brasil: apenas 9% acreditam que os alunos o fazem.

Na maioria dos países europeus, os entrevistados afirmaram achar que os alunos tendiam a desrespeitar os professores. Apenas 22% dos alemães afirmaram sentir que os estudantes respeitavam seus professores, em comparação com a China, na qual 81% dos entrevistados afirmaram que os professores eram respeitados.

Na Alemanha, onde o salário dos professores é relativamente alto, apenas um em cada cinco pais encorajava seus filhos a se tornarem professores, segundo o estudo. No Brasil, a proporção é a mesma. Enquanto isso, metade dos pais em China, Índia, Gana e Malásia encorajam os filhos a serem educadores.

“Ministros devem levar professores a sério”

Nos 35 países avaliados, os professores ficaram, em média, em sétimo lugar em termos de status entre 14 profissões mencionadas, com os entrevistados equiparando o prestígio dos docentes ao dos assistentes sociais. Na China, os professores receberam uma valorização parecida com a dos médicos, enquanto no Brasil foram comparados a bibliotecários.

“Há uma relação clara e sutil entre o respeito pela ocupação de ensino e as percepções de remuneração que as pessoas têm em relação às profissões listadas”, afirmou o relatório.

“O alto status do professor não é apenas algo bom para se ter – é cada vez mais provável que leve a melhores resultados dos alunos”, concluíram os autores do GTSI, que acrescentaram que a confiança nos sistemas de ensino nos países pesquisados cresceu desde 2013. “Os ministros devem levar o status do professor a sério e se esforçar para melhorá-lo.”

O estudo do índice GTIS também verificou que, em 28 dos 35 países analisados, os professores recebiam uma remuneração menor do que os habitantes de seus países consideravam ser justa. As horas trabalhadas semanalmente pelos professores também foram subestimadas em 29 países, com os profissionais latino-americanos com a maior carga horária – chegando a 13 horas extras no Peru.

A Fundação Varkey é dirigida por Sunny Varkey, um empreendedor nascido na Índia e residente em Dubai, cuja empresa GEMS Education, de acordo com relatórios anteriores da Bloomberg e do jornal americano New York Times, tornou-se um dos maiores provedores privados de educação no mundo desde os anos 80. Seus mercados incluem o leste da Ásia e a África.

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Fonte: https://www.terra.com.br/noticias/brasil-fica-em-ultimo-lugar-em-ranking-sobre-prestigio-do-professor,326d7df893e21a7d3146be0334c1a057wzwf36kl.html

Brasil um país sem diplomas de ensino médio

naom_5a5f65d5dcffaBrasil é um dos países com o maior número de pessoas sem diploma do ensino médio: mais da metade dos adultos (52%) com idade entre 25 e 64 anos não atingiram esse nível de formação, segundo o estudo Um Olhar sobre a Educação, divulgado nesta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A organização, com sede em Paris, destaca que o menor nível de escolaridade tende a ser associado com a maior desigualdade de renda.

No caso do Brasil, o país registra o segundo maior nível de desigualdade de rendaentre os 46 países do estudo, ficando atrás apenas da Costa Rica.

A informação foi publicada por BBC Brasil, 11-09-2018.

resultado-educacao-mec-160812-lute-humor-politicoO índice de pessoas que não cursaram o ensino médio no Brasil representa mais do que o dobro da média da OCDE. Na Costa Rica e no México, o percentual é ainda maior que o do Brasil: 60% e 62%, respectivamente, os mais elevados do estudo.

Outros países latino-americanos, contudo, têm melhor desempenho que o Brasil. Na Argentina, 39% dos adultos na faixa de 25 a 64 anos não concluíram o ensino médio, no Chile, o percentual é de 35% e, na Colômbia, de 46%.

O estudo abrange as 36 economias da OCDE, a maioria desenvolvidas, e dez países parceiros da organização, como África do Sul, Argentina, China, Colômbia, Índia, Rússia e Brasil.

“Na maioria dos países da OCDE, a ampla maioria dos jovens adultos, com idade entre 25 e 34, tem pelo menos a qualificação do ensino médio. Em poucas décadas, o ensino médio passou de um veículo de ascensão social ao mínimo exigido para a vida em uma sociedade moderna”, afirma o relatório.

Segundo a organização, os que deixam a escola antes de completar o ensino médioenfrentam não apenas dificuldades no mercado de trabalho, com menores salários, mas também têm competências cognitivas – memória, habilidades motoras, atenção, entre outras – bem inferiores aos das pessoas que possuem essa formação.

A organização também ressalta o número relativamente baixo de alunos com mais de 14 anos de idade inscritos em instituições de ensino no Brasil.

Apenas 69% daqueles entre 15 e 19 anos e somente 29% dos jovens de 20 a 24 anos estão matriculados, de acordo com a OCDE. A média nos países da organização é, respectivamente, de 85% e 42%.

Desigualdades regionais

Brasil enfrenta ainda “desigualdades regionais significativas” em relação ao ensino superior, diz o relatório.

No Distrito Federal, 33% dos jovens adultos chegam à universidade. No Maranhão, o Estado com o menor PIB per capita, esse número é de apenas 8%.

Essa disparidade regional entre alunos que conseguem atingir o ensino superior no Brasil “é, de longe, a maior na comparação com toda a OCDE e países parceiros”, incluindo grandes países como os Estados Unidos e a Rússia, que também possuem várias áreas de diferentes tamanhos e populações.

“Assegurar que as pessoas tenham oportunidade de atingir níveis adequados de educação é um desafio crítico. O acesso ao ensino superior vem crescendo no Brasil, mas ainda é uma das taxas mais baixas entre a OCDE e países parceiros, e está abaixo de todos os outros países da América Latina com dados disponíveis”, ressalta o estudo, citando a ArgentinaChileColômbiaCosta Rica e México.

No Brasil, 17% dos jovens adultos com idade entre 24 e 34 anos atingem o ensino superior. Em 2007, o índice era de 10%. Apesar da melhora, o desempenho ainda está cerca de 27 pontos percentuais abaixo da média da OCDE.

“Para melhorar a transição entre o ensino e o mercado de trabalho, independentemente do cenário econômico, os sistemas de educação têm de se assegurar que as pessoas tenham as competências exigidas na vida profissional”, diz a organização.

Segundo a OCDE, apesar do Brasil investir uma fatia importante de seu PIB na Educação, os gastos por aluno, sobretudo no ensino básico, são baixos.

Brasil destina cerca de 5% do PIB à rubrica (dados de 2015), acima da média de 4,5% do PIB dos países da OCDE, diz o relatório.

O governo brasileiro gasta, porém, cerca de US$ 3,8 mil por estudante no ensino fundamental e médio, menos da metade dos países da OCDE.

A despesa com os estudantes de instituições públicas de ensino superior, no entanto, é quatro vezes maior, US$ 14, 3 mil, pouco abaixo da média da OCDE, que é de US$ 15,7 mil.

A diferença de gastos por estudante entre o ensino superior e o básico no Brasil é o maior entre todos os países da OCDE e economias parceiras analisadas no estudo da organização.

Não é mais suficiente para um professor conhecer o conteúdo, mas sim entender como cada aluno aprende

Linda Darling-Hammond afirma que um formador vale por mil reformadores e aponta caminhos para a construção desses formadores

Por: Soraia Yoshida

A professora norte-americana Linda Darling-Hammond afirma que o grande indicador do sucesso de um aluno é a habilidade de aprender coisas novas e melhorar seu repertório à medida que desenvolve capacidades para criar, colaborar e solucionar problemas. “As sociedades estão mudando muito rapidamente”, disse em sua palestra no evento Ciclo de Debates: A Formação dos Professores no Contexto da BNCC, em São Paulo, iniciativa do Instituto Ayrton Senna e Fundação Itaú Social. “Os alunos estão trabalhando na resolução de problemas que são novos para nós. Eles estão aprendendo coisas que nós ainda estamos inventando”, disse. Para ela, os professores que estão lidando com essa geração devem estar dispostos a aprender – e muito. “Prestem atenção nesses verbos: explorar, pesquisar, analisar, avaliar, aprender, criar, formular, expressar. Temos as diretrizes do que os nossos jovens têm que aprender”.

 

Em sua primeira visita ao Brasil, a professora emérita da Universidade de Stanford, na Califórnia, reforçou a necessidade de grandes investimentos na preparação de professores para que eles sejam capazes de lidar com as demandas trazidas por essa sociedade em evolução. Logo nos primeiros minutos de sua palestra, Linda afirmou que quaisquer que sejam os padrões de ensino, eles não são os responsáveis pelo ensino em si. “Nós amamos as palavras, mas são os professores e diretores de escola que dão vida a elas”, disse. “Nenhuma sociedade pode sobreviver ou ser bem-sucedida sem uma boa Educação”.

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A educadora norte-americana entende que, da mesma maneira que acontece na Medicina, os professores precisam experimentar um processo de aprendizado contínuo em sua formação. “A educação dos professores precisa mudar”, afirmou. Para ela, é importante trabalhar com referências de estruturas de aprendizado mais profundas nas escolas, para que os professores (principalmente os iniciantes) possam experimentar antes de adotar as estratégias que usarão nas práticas de ensino. “Professores não podem aprender como se ensina a ler, eles precisam experimentar aquela pedagogia”, disse.

Linda Darling-Hammond pesquisou programas de formação na Austrália, Singapura, China, Canadá, Finlândia, além de várias regiões dos Estados Unidos. Os governos finlandês e singapuriano bancam a formação de professores em qualquer parte do país e oferecem salários competitivos em relação a outras profissões. “Não é suficiente preparar os professores de maneira mais compreensiva, é preciso um sistema com salários mais adequados para termos uma força estável de professores tratados com respeito”, afirmou.

A pesquisadora compreende que é preciso ter recursos para criar um esquema de colaboração e planejamento que permita aos professores trabalhar dentro de novas perspectivas. Ela apontou pontos em comum em países de culturas e sistemas educacionais variados e indicou oportunidades quando se parte da visão do ensino centrado no aluno, guiando um conjunto coerente de cursos e trabalhos clínicos e oportunidades de aprendizado para os professores. Partindo de ambiente interativos, do investimento em pesquisas e criação de comunidades de aprendizagem em sala de aula para apoiar a aprendizagem socioemocional e acadêmica. Tudo isso deve estar apoiado em um currículo focado na aprendizagem e no desenvolvimento das crianças em diversos contextos sociais. “O processo de memorização, em lugar da compreensão, é inútil hoje”, disse. linda

Um formador vale por mil reformadores
Linda defende que emoções e o aprendizado estão diretamente relacionados. Se um aluno incorre em emoções negativas, como ansiedade, falta de confiança, isso irá afetar a maneira como ele aprende. Da mesma forma, um aluno com emoções positivas, que se sinta estimulado pelo professor, vai gostar mais do processo de aprendizado. Ela citou as diretrizes curriculares das Nações Unidas: “A educação deve se tornar um caminho que conduz a um desenvolvimento mais harmonioso e autêntico”. E completou: “Eu amo essa parte, harmonioso e autêntico”.

A educadora afirma que no mundo em que vivemos, não é mais suficiente para um professor conhecer o conteúdo, mas sim entender como cada aluno aprende aquele conteúdo. Diante da adoção do Common Core, nos Estados Unidos, e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no Brasil, ela diz que o professor deve juntar o conhecimento dos alunos com os objetivos do currículo. “Não há duas crianças que sejam iguais, mas os objetivos do currículo o são, então formadores precisam se tornar mais ‘personalizados’ para ajudar professores que vêm de diferentes níveis econômicos e sociais”. Em resumo “Trazer o currículo até a criança e levar a criança até o currículo”.

Se a formação de professores é uma parte essencial do eixo de transformação da Educação, Linda acredita que o papel do formador de professores é ainda mais precioso. Ela elencou alguns pontos para garantir o sucesso da empreitada:

– Invista na formação de professores e líderes
– Arranje tempo para que todos possam participar
– Um formador vale por mil reformadores

Antes de se despedir de uma plateia que contava com secretários de Educação e formadores, ela afirmou: “Mais do que desejar boa sorte a vocês, eu desejo uma profunda compreensão. E que a Força esteja com vocês”.

https://novaescola.org.br/conteudo/11722/nenhuma-sociedade-pode-ser-bem-sucedida-sem-uma-boa-educacao

Ensinar é um acordo entre duas pessoas, um que será o professor e outro que será o aluno.

É hora de criar formas de avaliar habilidades do século 21

A professora norte-americana Katherine Merseth quer mudar a maneira como os professores aprendem, para que eles possam ensinar de forma diferente

Por: Soraia Yoshida
Katherine Merseth é professora sênior da Escola de Educação da Universidade de Harvard e veio ao Brasil para o lançamento do livro Desafios reais para o cotidiano brasileiro   Foto: Acauã Fonseca 

A professora norte-americana Katherine Merseth está em busca de casos. Ela e sua equipe já acompanharam as aflições, problemas e conquistas de professores em países como Chile, África do Sul e, mais recentemente, Brasil. Ao levantar e publicar as histórias de professores e seus desafios em sala de aula, Katherine expõe fracassos – mas também incríveis vitórias. “O maior elogio que posso receber de um professor é quando ele pega meu livro e diz: ‘Mas essa escola da qual você fala aqui parece com a minha escola’”, afirma. “Quando falamos nos desafios da Educação, há questões que são comuns a professores nos Estados Unidos, Alemanha ou Japão e que nos conectam aos estudantes”.

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O livro “Desafios reais do Cotidiano Escolar Brasileiro: 22 dilemas vividos por diretores, coordenadores e professores em escolas de todo o Brasil” reúne relatos de professores e gestores sobre experiência em sala de aula e na organização escolar. Professora sênior da Escola de Educação da Universidade de Harvard, Katherine Merseth coordenou o trabalho que utilizou a metodologia da instituição norte-americana para levantar a discussão sobre os desafios enfrentados pelos educadores nas escolas brasileiras. Há casos de bullying, violência, questões étnico-raciais, tudo dentro da experiência de quem viveu o problema e foi buscar uma solução – com a ajuda dos colegas, gestores, alunos e da comunidade escolar.

 

Para Katherine, o estudo dos casos, com suas evidências, é uma forma de compartilhar experiências com professores em situações muito similares, ainda que separados por fronteiras estaduais e municipais. Da mesma maneira, poderia servir ainda para dar exemplos em sala de aula de como adotar competências socioemocionais, seguindo o que diz a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). “Os professores podem ler casos de outros professores que dão uma aula que envolve o aprendizado de competências socioemocionais. E, com isso, eles passam a entender melhor”, afirma. É muito mais fácil assimilar a experiência de alguém que passa pelas mesmas dificuldades e fala a mesma língua, garante a professora. “Precisamos de mais casos para que os formadores, os professores em início de carreira e os professores experientes possam assimilar essas competências”.

 

A dinâmica desse aprendizado também é um ponto muito importante. Com a implementação da Base, há uma discussão que toma corpo sobre como deve ser feita a formação dos professores. Katherine é enfática em sua posição. “A melhor maneira de um professor aprender é estudando um caso, não através de aula expositiva. Então precisamos registrar mais casos sobre aprendizado de colaboração, resolução de problemas, resiliência, pois essas são as habilidades que os alunos precisam. Eles não precisam de mais aulas sobre como conjugar verbos”.

Ainda que Katherine possa ter um olhar crítico para as demandas não atendidas em sala de aula, ela não se vê acima dos educadores que, diariamente, enfrentam os desafios de transpor as barreiras da desigualdade para oferecer conhecimento. Toda vez que ela tinha de se apresentar, não hesitava: “Eu sou uma professora”. “É assim que eu me apresento às pessoas porque é o que eu sou”.

Em sua passagem pelo Brasil, a convite do Instituto Peninsula, Katherine Merseth conversou com NOVA ESCOLA sobre os dilemas dos professores, formação continuada e algumas observações para melhorar a Educação no país.

Em seus estudos sobre a experiência dos professores em sala de aula em países como Chile e África do Sul, você encontrou semelhanças com o cenário brasileiro?
No trabalho que fizemos no Chile, encontramos um diretor que tinha em sua escola de ensino médio alunos bolivianos e chilenos. Os bolivianos queriam comemorar o Dia da Independência na Bolívia, mesmo vivendo no Chile. Aqui no Brasil, registramos o caso de um professor que fala sobre os venezuelanos que cruzaram a fronteira e estão no Brasil. Em qual nível, as escolas dessas cidades de fronteira devem respeitar a cultura venezuelana é uma questão levantada por ele. Aqui estamos falando de assimilação da comunidades. Tivemos casos em que o problema não estava na escola, mas no entorno. Conversamos com Jefferson, um diretor de uma escola situada em uma comunidade no Rio de Janeiro. O dilema dele era decidir se, em certos dias, ele deveria manter a escola aberta ou fechá-la, sabendo que a escola estivesse fechada, as crianças voltariam para casa e estariam suscetíveis ao perigo nessa caminhada, além de ficarem sozinhas em casa, pois os pais trabalham. Mas há casos semelhantes na África do Sul se pensarmos em termos de diminuir a desigualdade, um desafio que pode ser visto em muitos lugares e culturas. Há um caso de um educador na favela de Sowetto que tenta educar crianças que não contam com apoio da família. E há casos semelhantes aqui no Brasil. Então há semelhanças e, claro, diferenças. E acho que essa é a coisa mais poderosa nesse trabalho.

Como a sra. espera que professores façam uso desses casos?
Eles podem conhecer e entender experiências vividas por outros professores, seja em Brasília, no Amazonas, no Rio de janeiro. Eles podem ler os casos e ver algo que pode servir para eles. O maior elogio por parte de um professor é quando ele pega meu livro e diz: “Esta escola parece com a minha escola” ou “Isso aconteceu comigo ontem”. Quando falamos nos desafios do ensino, há desafios que enfrentamos nos Estados Unidos, na Alemanha, no Japão. Existe uma questão que é comum conectando os professores aos estudantes.

 

Em seus estudos em outros países, a sra. se deparou com alguma solução que poderia ser usada em qualquer escola ou sempre há uma barreira local que torna isso impossível?
O contexto de uma escola, onde está localizada, quem são os alunos, como é a comunidade, se essa escola tem apoio do governo, qual a política pública para esse local, todas essas coisas vão variar bastante. Mas quando estou dentro da sala de aula, quando estou diante dos meus alunos, é um contrato entre eu e meus estudantes. Ensinar é um acordo entre duas pessoas, um que será o professor e outro que será o aluno. E isso é universal. Quanto mais pudermos ajudar os professores brasileiros a reconhecer os alunos que estão diante deles, a educação se tornará melhor. E isso considerando famílias, pais, governos, dadas todas as diferenças. O problema é que vemos uma ânsia enorme em vários países em copiar o que está sendo feito na Finlândia, Singapura, Japão ou Canadá. Algumas coisas vão funcionar, mas você não pode simplesmente pegar um modelo e colocar em prática, na esperança que os professores levem a ideia adiante.

No ano passado, tivemos a aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 
Eu acho que o Brasil deu o primeiro passo ao aprovar a Base e isso é excelente. Todos agora têm um objetivo em comum e há um entendimento sobre o que deve ser ensinado. E poderá ajudar os professores a entender como dar sua aula de forma diferente. É um exemplo perfeito de boa política pública. Agora, se vai fracassar ou se será bem-sucedido vai depender de quão bem será implementada, como a maioria das políticas públicas.

A Base deixa claro que o ensino das disciplinas deve ser perpassado pelo ensino de competências socioemocionais. É claro que não existe receita de bolo, mas como trazer essa nova mentalidade para a sala de aula?
A melhor maneira de um professor aprender é estudando um caso, não através de uma aula expositiva. Precisamos registrar mais casos sobre o aprendizado de habilidades socioemocionais para que os formadores, os professores em início de carreira e os professores experientes possam assimilar esse ensino. Podem ser casos sobre colaboração, resolução de problemas e outras competências que os estudantes precisam desenvolver. É disso que eles precisam, não mais aulas sobre como conjugar verbos.

Então o que precisamos fazer é colocar os professores, durante a formação, no lugar do aluno em atividades colaborativas, para que saibam como dar essa aula depois aos seus alunos?
É isso mesmo. Professores ensinam do jeito que foram ensinados. Não deveria ser uma surpresa, portanto, que um professor que aprendeu através de aula expositiva, vá ensinar seus alunos com aulas expositivas. Se os professores forem ensinados com atividades, trabalho colaborativo, eles vão dar aulas com essas características a seus alunos. É por isso que precisamos mudar a prática de trabalho. Se continuarmos apenas com aulas expositivas, acabaremos nos concentrando na teoria e eles não estarão preparados para dar aula nesse novo formato. Então eles precisam ser ensinados em uma nova maneira, exatamente como você mencionou. Precisamos quebrar esse círculo.

E para quebrar esse círculo, a sra. acha que deveríamos primeiro atacar a formação dos professores que ainda estão na faculdade ou pegar aqueles que já são experientes?
Eu quero os dois. Esse processo vai depender de quantos novos professores são necessários no Brasil. Nos Estados Unidos, já contamos com um bom número e nosso esforço tem de ir para a formação continuada. Os professores experientes são mais difíceis de convencer porque eles querem entender o que é essa novidade, se isso significa mais trabalho. Outro ponto, além do fato de que professores ensinam do jeito que foram ensinados, é que quando você implementa mudanças em qualquer organização, governo, escola, negócio, há uma perda. Eu sou professora de Matemática e adoro esta equação: mudança = perda. Como seres humanos, não gostamos de perder coisas e, portanto, nós reagimos. Mesmo que estejamos mudando para algo melhor, seja nos negócios, na lei, na medicina, as pessoas vão resistir. Os professores não são exceção. “Não preciso disso. Eu sei como dar aula”.

Outro aspecto da mudança é que leva tempo. Não podemos mudar a prática em sala de aula do dia para a noite. Mas nós podemos começar. E eu defendo a tese de que se você não começar em algum lugar, você nunca vai mudar nada. E se você começar, será capaz de mostrar evidências. Será capaz de mostrar que há escolas com melhor desempenho, nas quais os estudantes estão se saindo melhor, estão mais engajados porque suas aulas são interessantes. Eles vão para a escola mais animados porque o professor está ensinando algo que querem aprender, em lugar de uma aula expositiva chata, cheia de teoria.

Como professora, a sra. acredita que essa mudança pode ganhar mais força se professores compartilharem boas práticas com os colegas?
Com certeza. Uma prática que funciona no Japão e que poderia ser adotada aqui chama-se estudo de lição (lesson study). Um grupo de professores que dá aula da mesma disciplina e do mesmo assunto trabalha junto para montar a melhor aula, digamos, de divisão de frações. Esse plano de aula é executado por um deles em sala de aula, enquanto os outros ficam no fundo da sala observando e fazendo anotações. Eles se reúnem outra vez e discutem o que não funcionou na classe e revisam o plano de aula. O plano é levado para os alunos novamente para ver se funciona. Depois de três ou quatro aulas práticas, nós temos um plano de aula muito bom. Os professores japoneses salvam esse plano. E na próxima vez que um professor tiver de ensinar divisão de frações, ele vai usar esse plano. Então, há colaboração, desenvolvimento da melhor maneira de dar esse conteúdo e o plano está baseado no contexto daquela escola, portanto ele é local. Isso é muito poderoso. E acho que isso poderia ser usado aqui no Brasil.

Na Base do Ensino Médio, há uma discussão neste momento de que uma parte do aprendizado poderia ser feita à distância para que os alunos tivessem acesso a mais conteúdo. O que a sra. acha da proposta?
Eu acho que o ensino híbrido pode funcionar. Não sou uma grande entusiasta de que tudo seja feito online. Eu acredito que precisamos ter o contato pessoal, isso é imprescindível, mas ter algum conteúdo online pode ser útil. Em alguns casos, pode ser positivo para o aluno assistir a uma mesma aula dada por outro professor. Mas como professora, eu preciso ver os seus olhos, preciso saber se você está entendendo, se está animado com o que estou ensinando.

Aqui no Brasil consideramos muito os testes, como o Pisa. E eu sei que a sra. não é muito afeita a testes. 
Não sou mesmo.

Mas é preciso ter algum instrumento para medir se os alunos e as escolas estão indo bem. Que tipos de testes deveríamos ter, então?
Esse é um problema. Se você tem um padrão, você precisa ter uma maneira de medir se os estudantes estão atingindo esse padrão. Ter essa responsabilidade é uma coisa boa. Que tipo de testes vocês têm no Brasil?

Temos testes nacionais [faço uma breve explicação da Prova Brasil e do Enem] e consideramos muito os resultados do Pisa. Quando olhamos para o Pisa, a sensação é de que a educação brasileira está muito mal.
Tenham cuidado ao usar o Pisa. Xangai tem um dos melhores desempenhos no Pisa, mas eles testam apenas 20% dos seus alunos. Na cidade de Xangai há muitos alunos que são filhos de trabalhadores imigrantes que vieram de outros países para se estabelecer lá, mas eles não são testados. Quem faz o teste são apenas os melhores alunos, das melhores escolas.

Mas isso é trapacear.
Sim, eles trapaceiam. Por isso eu diria que é preciso ter cuidado ao olhar para o que é feito na Finlândia, em Singapura, porque você não está comparando sistemas semelhantes. No Brasil, vocês deveriam olhar para os resultados do Chile ou do México, talvez Colômbia. Mas isso não resolve o problema. Nós ainda não sabemos como testar, em larga escala, colaboração, resolução de problema ou como medir criatividade. Precisamos criar novas formas de avaliar as habilidades que são necessárias no século 21. Criatividade, colaboração, cooperação, resolução de problema. É nisso que deveríamos estar nos focando agora.

(toca o sino da escola)

Viu só? Está na hora de irmos para o próximo período. (risos).

Fonte:https://novaescola.org.br/conteudo/11802/precisamos-criar-formas-de-avaliar-as-habilidades-necessarias-no-seculo-xxi

Declaração da X Reunião de Ministros da Educação da CPLP, realizada em Salvador-2018

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Salvador, 16 de março de 2018

 

DECLARAÇÃO FINAL

 

Os Ministros da Educação, ou seus Representantes, da República de Angola, da República Federativa do Brasil, da República de Cabo Verde, da República da Guiné-Bissau, da República da Guiné Equatorial, da República de Moçambique, da República Portuguesa, da República Democrática de São Tomé e Príncipe e da República Democrática de Timor-Leste, reunidos na cidade de Salvador, no dia 16 de março de 2018, com o objetivo de debater assuntos relacionados à educação;

 

Tendo em conta que a IX Reunião de Ministros da Educação da CPLP, que teve lugar em Díli, em 2016, aprovou o Plano de Ação de Cooperação Multilateral no Domínio da Educação da CPLP, para o período de 2016 a 2020;

 

Empenhados em reforçar a implementação do Plano de Ação por meio de atividades, projetos e programas de cooperação multilateral nos domínios da educação e do Ensino Técnico e Profissional;

 

Considerando que a alfabetização e o acesso equitativo e universal à educação de qualidade em todos os níveis e tipos de ensino são fundamentais para garantir o bem-estar físico, mental e social, em alinhamento com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4, da «Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável», das Nações Unidas;

 

Reafirmando o compromisso de fortalecer a cooperação multilateral no domínio da educação, para assegurar a inclusão, a equidade social e o desenvolvimento, por meio do reforço da capacitação das instituições de educação, particularmente do Ensino Técnico e Profissional, nos Estados membros da CPLP;

 

Destacando a importância da promoção contínua e engajada de uma educação inclusiva e equitativa de qualidade e de oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para as gerações presentes e futuras da CPLP;

 

Reconhecendo que a Educação Técnica e Profissional ajuda a superar o desafio de integrar os jovens ao mercado de trabalho e desempenha um papel fundamental na formação de recursos humanos qualificados de que o mundo moderno necessita;

 

Reconhecendo a necessidade de aprimorar a capacitação de professores para reforço de uma política de difusão e promoção da Língua Portuguesa condizente com sua magnitude;

 

Realçando a importância da alimentação escolar, como incentivo ao consumo de alimentos saudáveis que possa contribuir para o crescimento, desenvolvimento e aprendizagem dos alunos de nossos países;

 

Tomando nota de que, em sua Presidência Pro Tempore, o Brasil buscou enfatizar o intercâmbio de boas práticas, com vista à construção de uma agenda concreta de ações no marco da CPLP, no domínio da Língua Portuguesa; do Ensino Técnico e Profissional; da Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos; e da Alimentação Escolar.

 

Decidem:

 

Recordar as deliberações constantes nas Declarações Finais das Reuniões de Ministros da Educação (Luanda, 2012, Maputo, 2014, Díli, 2015, Díli, 2016);

 

Saudar a realização, durante a Presidência Pro Tempore brasileira, em conformidade com a definição de temas prioritários para seu mandato, dos seguintes eventos:

 

“Reunião Técnica CPLP: Desafios no Ensino Profissional e Agenda de Cooperação Técnica”, que teve lugar em Brasília, de 30 de agosto a 1 de setembro 2017, com a participação de representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe;
“Curso de Aperfeiçoamento para Docentes da Educação Básica – CPLP em Língua Portuguesa”, que teve lugar em Brasília, de 19 de fevereiro a 2 de março de 2018, em parceria com a UNESCO, com a participação de representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
“I Oficina sobre Boas Práticas de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos”, que teve lugar em Brasília, 12 e 13 de março de 2018, com a participação de representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste;
“Seminário Internacional Sustentabilidade dos Programas de Alimentação Escolar nos Países da CPLP” (Salvador, 14 e 15 de março de 2018), organizado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores, Centro de Excelência Contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO/BR) e do Ministério de Desenvolvimento Social com a participação de representantes técnicos de todos os Estados membros da CPLP;

 

Reconhecer o excelente trabalho desenvolvido em todos esses fóruns e tomar boa nota das Recomendações anexas a esta Declaração;
Registrar, com agrado, os avanços do Grupo de Trabalho “Produção de Estatísticas da Educação da CPLP” e a dinamização do Portal da Educação da CPLP e recomendar a continuação dos trabalhos de elaboração do Glossário Técnico da Educação e Formação da CPLP e da Brochura CPLP Educação, no âmbito da implementação do Plano de Ação no primeiro biênio (2016-2018);
Recomendar a transversalização da promoção da Igualdade de Género na agenda de trabalho dos Ministros da Educação da CPLP;
Mandatar a próxima Reunião Técnica Extraordinária dos Pontos Focais da Educação, a ter lugar na Sede da CPLP, em Lisboa, no final do mês outubro de 2018, em articulação com o Secretariado Executivo, a elaborar um cronograma de trabalho de ações concretas para o biênio 2018-2020, relacionadas ao Ensino Técnico e Profissional, à promoção da Igualdade de Género, à promoção da Língua Portuguesa, à Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos e à Alimentação Escolar, a saber:

 

Estruturação de curso / oficina de capacitação / qualificação para professores, formadores e gestores em Ensino Técnico e Profissional, com módulos ofertados pelos Estados membros, de acordo com as suas expertises;
Realização anual de cursos de capacitação para docentes sobre aperfeiçoamento das práticas pedagógicas no ensino de e em Língua Portuguesa de acordo com as especificidades dos contextos nacionais dos Estados membros;
Criação e implementação de mecanismos de incentivo e apoio à participação e permanência de mulheres, jovens e adultas, em programas de alfabetização e educação;
Desenvolvimento de ações de formação, inicial e contínua, específicas para alfabetizadores, educadores e professores de jovens e adultos;
Realização de seminários para a troca de experiências e a identificação de boas práticas, com a finalidade de elaborar diretrizes e um plano de ação para a sustentabilidade dos Programas de Alimentação Escolar dos Estados membros;

 

Mandatar o Secretariado Técnico Permanente a buscar, junto a organismos internacionais, tais como a União Europeia, Organização dos Estados Iberoamericanos para a Educação, Cultura e Ciência (OEI), a UNESCO, o Programa Alimentar Mundial (PAM), o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento, recursos para a implementação das ações concretas indicadas no parágrafo acima.

 

Registar o depósito dos estudos realizados por Angola, relativos à implementação do Acordo Ortográfico de 1990, e recomendar que os mesmos sejam remetidos para parecer da próxima reunião do Conselho Científico do IILP e posterior submissão deste ao Conselho de Ministros.
Congratular a realização das reuniões técnicas, oficinas e seminários, o alto nível dos debates realizados, bem como as condições de trabalho proporcionadas pela Presidência Pro Tempore do Brasil.

 

Os Ministros manifestam, de igual modo, o seu apoio à próxima Presidência Pro Tempore da República de Cabo Verde, desejando que a mesma seja coroada de êxito.

 

Salvador, 16 de março de 2018.

 

Pela República de Angola

Maria Cândida Pereira Teixeira, Ministra da Educação

 

Pela República Federativa do Brasil

Silvio de Sousa Pinheiro, Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação

 

Pela República de Cabo Verde

Maritza Rosabal, Ministra da Educação

 

Pela República da Guiné-Bissau

Sandji Fati, Ministro da Educação e do Ensino Superior

 

Pela República da Guiné Equatorial

Jesús Engonga Ndong Eyono, Ministro da Educação, Ensino Superior e Desporto

 

Pela República de Moçambique

Conceita Ernesto Xavier Sortane, Ministra da Educação e Desenvolvimento Humano

 

Pela República Portuguesa

José Correia Fontes Couto, Representante do Ministro da Educação

 

Pela República Democrática de São Tomé e Príncipe

Olinto da Silva e Sousa Daio, Ministro da Educação, Cultura, Ciência e Comunicação

 

Pela República Democrática de Timor-Leste

Maria de Lurdes Martins de Sousa Bessa, Vice-ministra da Educação e Cultura

Evasão escolar em Cabo Verde entre 2015/2016 foi de 1,1%

alunos

 

Cidade da Praia, 28 Dez (Inforpress) – A taxa de abandono escolar referente ao ano lectivo 2015/2016, no Ensino Básico, foi de 1,1%, correspondendo a uma variação de 0,5 pontos percentuais, comparativamente a 2011/2012 (1,6%), revela o Instituto Nacional de Estatística (INE).

No que tange ao Ensino Secundário, foi verificado um aumento de 0,1 pontos percentuais, passando de 6,9% para 7,0%, no mesmo período, confirma o INE.

Analisando por sexo, constata-se que a taxa de abandono no Ensino Básico é maior em relação ao sexo masculino (1,4%) do que ao sexo feminino (0,7%), o que leva a salientar que a percentagem dos alunos do sexo masculino que abandonam o Ensino Básico é o dobro em comparação com os do sexo feminino.

No Ensino Secundário, a maior taxa de abandono também se verifica no seio dos estudantes do sexo masculino (8,4%), quando comparado com os do sexo feminino (5,5%).

A análise por concelho revela que as taxas de abandono mais altas, no Ensino Básico, foram registadas nos concelhos de São Filipe (1,9%) e Ribeira Brava (1,8%) e as mais baixas em Santa Catarina do Fogo (0,1%).

De realçar que o concelho do Maio não apresentou nenhum caso de abandono, em 2015/2016, confirma o INE, no Anuário Estatístico de Cabo Verde (AECV) de 2016.

No Ensino Secundário, São Filipe (14,4%) e Ribeira Grande de Santiago (13,7%) detêm as taxas de abandono mais elevadas, estando o concelho de Santa Cruz no extremo oposto, com 1,2%.

O Anuário Estatístico de Cabo Verde (AECV) de 2016 sublinha que São Filipe do Fogo é o concelho do país com maior taxa de abandono, no referido ano lectivo, quer no Ensino Básico, quer no Secundário.

Relativamente à taxa de reprovação, em 2015/2016, comparativamente ao ano de 2011/2012, tanto no Ensino básico como no secundário, verificaram-se diminuições, sendo no Ensino Básico 0,9 pontos percentuais e 2,2 pontos percentuais no Ensino Secundário.

No que concerne ao sexo, constata-se a mesma tendência em relação ao abandono escolar, com maior número de reprovações entre os alunos do sexo masculino.

O concelho do Sal apresentou o valor mais elevado da taxa de reprovação no ensino básico (13,6%), enquanto no secundário foi o concelho de Ribeira Grande de Santiago (32,2%).

A taxa de reprovação mais baixa foi registada no concelho dos Mosteiros (4,4%), no Ensino básico, e no Maio (10,4%), a nível do Ensino Secundário, em 2015/2016.

JL/JMV
Inforpress/Fim

http://www.inforpress.publ.cv/ensino-basico-taxa-abandono-escolar-cabo-verde-no-ano-lectivo-20152016-oi-11-ine/

Primeiro-ministro de Cabo Verde dá lições aos brasileiros em como cooperar

Brasil / Cabo Verde

Brasil / Cabo Verde

Luísa Rogério |Cidade da Praia

Ao ler a entrevista do Primeiro Ministro de Cabo Verde,nós brasileiros recebemos uma lição de como cooperar com os africanos. Uma disponibilidade aberta a receber do outro um entendimento que os paises tem a ganhar em uma negociação.

Um livro aberto, que comporta desde envio de professores até a utilização de tecnologia de informação. Uma atitude receptiva paa atrair novos investidores, para ser uma plataforma para a África ocidental.

Olhar para Cabo Verde, para nós brasileiros, que estamos a 4 horas desse país, é cada vez mais importane e estratégico. A seguir há uma entrevista com o Primeiro- Ministro que deve ser lida e refletida.

O Primeiro-Ministro de Cabo Verde, José Ulisses Correia e Silva, está em Angola desde sábado para uma visita oficial. A realização de encontros bilaterais ao mais alto nível com individualidades angolanas, reuniões com empresários e visita à comunidade cabo-verdiana residente no país são os pontos altos da primeira visita de Ulisses Correia efectua, enquanto Primeiro-Ministro, a um país africano. Em entrevista concedida ao Jornal de Angola na cidade da Praia, poucos dias antes de se deslocar à Angola, o Chefe do Governo de Cabo Verde ressaltou a importância
de promover o reforço das relações bilaterais, comerciais e do diálogo político com vista ao desenvolvimento de mecanismos eficazes de cooperação que sustentem uma almejada parceria estratégica diversificada.  Ulisses Correia não avança receitas para o aprofundamento dos laços históricos entre os dois Estados, razão pela qual diz viajar com um “livro aberto”. A inserção de Cabo Verde na sub-região africana em que está inserido, a visão estratégica sobre a CPLP e outras notas dominantes do seu Programa de Governo, com ampla repercussão na política externa do arquipélago insular situado num ponto de extrema relevância geopolítica, constituem igualmente pontos altos da entrevista.

Fotografia: Dombele Bernardo | Edições NovembroQue significado atribui a esta primeira visita que efectua a Angola na condição de Primeiro-Ministro de Cabo Verde? 
Ulisses Correia e Silva – Temos uma grande expectativa, posso dizer que é o primeiro país africano que visitamos enquanto Primeiro-Ministro. Tem significado no propósito de estabelecermos com Angola uma parceria estratégica forte. Quando digo parceria estratégica, é mais do que um quadro de cooperação. É a nível do diálogo político, das relações institucionais e também da cooperação empresarial e para o investimento. São áreas que nos interessam particularmente. Nesta primeira visita, vamos essencialmente abrir perspectivas políticas para depois podermos concretizar essas várias vertentes, reforçando as nossas relações com Angola.

De um modo geral,que enquadramento faz das relações entre Angola e Cabo Verde? 
São boas e antigas, baseadas em laços de história e de cultura. Nós temos uma comunidade emigrada importante em Angola. O que pretendemos é aquilo que normalmente são ambições também dos governos, dar um salto mais qualitativo e de intensidade dessas relações tendo em conta que Angola é importante em África e na comunidade do países de língua portuguesa. Cabo Verde tem interesse em reforçar essas relações.

Em que eixos consiste a cooperação entre os dois países? 
Neste momento, temos investimentos angolanos. É preciso lembrar que no sector financeiro, temos o BAI, no domínio das telecomunicações, a UNITEL e no sector dos combustíveis, a SONANGOL que tem uma participação na ENACOL que já vem da década de noventa. Há investidores angolanos no sector do turismo. Esse é um dos campos que queremos desenvolver, quer dizer, atrair investimentos angolanos para Cabo Verde no sentido de aproveitar as oportunidades aqui existentes e juntos podermos operacionalizar aquilo que Cabo Verde definiu como uma das grandes prioridades. Nós funcionamos como uma plataforma de relação com a África Ocidental. Desde a plataforma aérea à da economia digital, investimentos e o comércio. Cabo Verde, por ser um país estável, previsível e com uma boa localização pode, através dessa relação com investidores, empresários angolanos e também com o Governo ambicionar uma relação mais forte com a África Ocidental. Pretendemos juntar a estabilidade mais o capital e vontade política para termos uma relação de aumento das trocas comerciais e de investimentos inter-africano. Quanto digo inter-africano estou a falar da nossa região, a África ocidental.

Já se pode falar com mais precisão de investimentos de Cabo Verde em Angola? 
Tem havido algumas iniciativas,, como no sector da construção civil. Mas, é algo que se pode perspectivar, tendo em conta que o empresariado cabo-verdiano em determinados sectores pode ter algum potencial de entrada. Estou a falar, por exemplo, de tecnologias de informação e comunicação, e de economia digital, onde temos empresas a posicionarem-se e muitos jovens com talento. É umas áreas em que podemos abrir espaço para empresários cabo-verdianos em Angola.

Tendo em conta as valências de Cabo Verde e a sua localização estratégica, que tipo de serviços o país está em condições de exportar para Angola? 
Nós queremos e temos estado a desenvolver um quadro da parceria institucional, o que pressupõe considerar não só o que Cabo quer e deseja, mas também o que Angola quer e deseja. Estou a dizer que vamos para esta missão com um livro aberto. Não vamos com receitas pré-definidas. Vamos com temas, mas vamos com abertura para casar os interesses. Saber do lado angolano em que podemos ser úteis, e do lado cabo-verdiano em que domínios Angola pode ser útil, no quadro de uma cooperação institucional, creio que pode ser interessante. Estou a falar do reforço institucional no domínio da descentralização, sei que é uma ambição do governo angolano. Cabo Verde tem uma experiencia interessante que podemos partilhar. No Sector da educação temos toda abertura para explorar áreas de cooperação e no domínio empresarial há uma vertente forte para explorar.

Há algum tempo foi ventilada a possibilidade de Cabo Verde enviar professores para Angola ao abrigo da cooperação no sector da educação. Há algo de concreto em relação à matéria? 
Aventou-se essa possibilidade, mas não há ainda nada em concreto. São matérias que podem ser discutidas em Angola, como eu disse, sempre no sentido de conciliarmos aquilo que de facto o Governo de Angola e o de Cabo Verde consideram importante para reforçar a parceria.

O  Núcleo Operacional da Sociedade de Informação (NOSI) trata-se de um mecanismo através do qual Cabo Verde acumulou experiência em países africanos como a Guiné-Bissau, Moçambique e Guiné Equatorial. Até que ponto essa experiencia pode ser também implementada em Angola? 
Cabo verde está bem cotada em África a nível das tecnologias de informação. Estamos nos quatro primeiros lugares. Há uma experiência que já vem de mais de duas décadas relativamente ao desenvolvimento do NOSI. Hoje, temos competências instaladas e experiências no desenvolvimento de aplicações de tecnologias, nomeadamente no E-GOV IGOCBA?, que visa utilizar a tecnologia para permitir a maior eficiência de todos departamentos governamentais, desde o sector das finanças, fiscalidade, saúde, educação e tudo que tem a ver com a administração do Estado. Foi assim que o NOSI nasceu, uma experiência que pode ser partilhada. Temos todo interesse em fazer uma forte parceria nessa área.

Cabo Verde tem sido referência de boa governação e de conquistas que lhe permitem estar bem cotada no índice mundial de desenvolvimento humano. Existe alguma receita para se tornar um caso de sucesso de África? 
Receitas não há. Cada país é um país, tem as suas condições sociais, culturais e institucionais. O que existe, e nós partilhamos, são os valores, experiências universais e as boas práticas. Depois, há a realidades concreta dos países. No caso de Cabo Verde entendemos que um dos factores fundamentais para o nosso desenvolvimento é a estabilidade económica, social e política, baixos riscos e um nível de democracia elevado que colocam este país em condições de ter um papel relevante na economia mundial e no concerto das nações. Por isso é que não nos baseamos em outros recursos que não sejam esses, a estabilidade e a qualificação dos recursos humanos. Pensamos que são matérias sobre as quais qualquer país se deve debruçar. Hoje não se faz desenvolvimento e crescimento apenas na base dos recursos naturais e minerais, esses são apenas instrumentos para os transformarmos em educação, saúde, em bem estar e rendimento.
O fundamental são as relações de confiança que as economias e os países criam para os seus cidadãos, investidores e para as relações com outras nações. É fundamental criar instrumentos de progresso. A inovação, a tecnologia, a ciência, a alta qualificação dos recursos humanos é de facto a base para essencial para conseguirmos o progresso e desenvolvimento. É sobre esses factores que este pequeno país trabalha, fazendo com que os activos sejam mais qualificados.

O turismo representa cerca de 20 por cento do Produto Interno Bruto de Cabo Verde. Qual o peso daquela percentagem na economia do país?  
Na verdade é relevante, estamos a falar de 20 por cento e vai aumentar. Já recebemos cerca de 700 mil turistas por ano e, pensamos atingir um milhão até 2021. O turismo é o sector que gera mais emprego e maior rendimento na economia pelo facto de também potencializar duas coisas: os naturais, a natureza, sol, praia, diversidade das ilhas e a sua localização. A estabilidade faz com que os turistas cheguem a Cabo Verde com sossego e tranquilidade. Evidente que não pretendemos desenvolver a economia só na base do turismo. Isso tem riscos, por isso queremos diversificar o próprio turismo para não ficarmos apenas dependentes do sol e praia. Há o turismo da natureza, por exemplo, que se pode fazer em Santo Antão, no Fogo ou na Brava, o turismo balnear que é para ilhas do tipo Sal e Boavista. Pretendemos desenvolver a indústria, o sector da economia digital e as exportações via comércio. Temos que ter um conjunto de sectores a se desenvolver para não ficarmos presos ao turismo.
Com base no turismo criamos condições de desenvolvimento de outros sectores como a agro-indústria, as pescas e as indústrias criativas para oferta desse mercado. Portanto, é um conjunto de sectores que pode contribuir para atingir um mercado que está em crescimento. O nosso mercado hoje não é apenas o de 500 mil cabo-verdianos com um PIB per capita de quatro mil dólares. É de mais de um milhão, quer dizer os 500 mil mais o número anual de turistas. A tendência vai criar um mercado interessante, não só pela quantidade, mas também pela capacidade de imposto de consumo de qualidade. Queremos alargar esse mercado quando olhamos para os 300 milhões de consumidores da África Ocidental, na CEDEAO. Podemos ter aqui um potencial grande.

Olhando para a política externa, Cabo Verde assume em Junho  a presidência da CPLP. Qual é a visão do seu governo sobre a comunidade que alguns observadores consideram pouco mais do que um bloco de países que usa a mesma língua oficial? 
A CPLP deve ser muito mais, é a construção dos países que a integram. Temos o domínio da língua como importante porque justifica o facto de estarmos juntos e a História, mas a CPLP tem um potencial grande. Não é por acaso que outros países que não são de língua portuguesa estão a pedir adesão, estando hoje como observadores. Representamos um mercado de mais de 250 milhões de consumidores. Quando digo consumidores não me refiro só ao consumo, mas aà produção de arte, ciência, cultura, tecnologia e nível de desenvolvimento diferente que podemos partilhar. Vamos partir para a presidência com a missão de dar um contributo para termos o reforço do conceito de comunidade através de mobilidade, portanto a livre a circulação dos cidadãos no espaço da CPLP. A circulação não é só de pessoas. A possibilidade de fazer investimentos, turismo, ciência, tecnologia e inovação circula através das pessoas.
Um outro tema é referente a pessoas e oceanos porque estamos banhados pelo mar que traz uma perspectiva muito grande de desenvolvimento futuro em tudo, desde a energia à investigação, isto é comum para todos os países da CPLP. Sobre a cultura começamos a discutir a criação de um mercado comum de artes e cultura que dará a possibilidade de bens e serviços culturais circularem livremente no espaço da CPLP. No fundo, quebrar as barreiras aduaneiras e fiscais relativamente a circulação da produção de arte cultural na CPLP é uma experiência que queremos desenvolver durante a nossa presidência.

Por falar em comunidades, teria sentido reforçar as relações entre os PALOP criando uma entidade formal?     
Acho que devemos apostar na CPLP que já integra os países africanos de língua portuguesa, independentemente das relações bilaterais ou outras que possam existir entre os cinco. Devíamos potenciar mais a CPLP que é uma potência grande de desenvolvimento nos diversos domínios económicos e partilha de conhecimentos em áreas que fazem inovação na ciência, tecnologia e cultura. Temos um potencial grande a desenvolver.

Quer dizer que uma CPPLP forte acaba por ter repercussão entre os PALOP… 
Não tenho dúvidas sobre isso porque fazem parte da comunidade. Não são maioritários em população, porque só o Brasil já tem um peso grande, mas maioritários em termos de países, impulso e liderança dentro da CPLP.

O seu programa de governo é muito assertivo em relação à  integração na sub-região africana em que Cabo verde está inserida, à CEDEAO, e ao continente em geral. A nomeação de um ministro da integração pode ser interpretada como um sinal nessa direcção? 
Faz parte, é uma questão de colocarmos foco em matérias que têm a ver com a integração regional e termos maior domínio dos dossiers, quer políticos, quer técnicos e estarmos mais presentes. O ministro tem só essa incumbência delegada directamente pelo Primeiro- Ministro – porque é um ministro adjunto – para podermos ter um papel muito mais activo no seio da CEDEAO e defendermos Cabo Verde já que o nosso país tem especificidades na comunidade. Somos o único arquipelágico e insular. O nosso país é pequeno, com uma configuração diferente das economias do continente. Por isso temos todo interesse em estar presentes, vincar as nossas especificidades, contribuirmos e tirar proveito da nossa presença na CEDEAO.

Qual é o posicionamento actual de Cabo Verde no seio da CEDEAO, comunidade que alberga Nigéria, país detentor de uma das economias mais fortes do continente? Cabo Verde teve problemas, ou divergências, com a comunidade… 
Não houve problemas, nós estávamos a tentar firmar uma candidatura para a presidência da Comissão Executiva da CEDEAO. Segundo os Estatutos e critérios da rotatividade seria a vez de Cabo Verde. Outros critérios foram colocados pelo meio e o país não conseguiu a presidência. Esse é o único problema que temos a apontar. Quanto à nossa estratégia, é de facto assumir um papel de utilidade enquanto membro e de ter participação activa do ponto de vista institucional. Há um conjunto de matérias que vinculam a comunidade do ponto de vista económico onde há um potencial muito grande de desenvolvimento. As relações de comércio de Cabo Verde com a CEDEAO são a volta de 2 por cento. Aliás, o comércio intra-africano não passa de 13 por cento, valor muito baixo. Nós queremos contribuir e para Cabo Verde isso é relevante. Somos uma economia pequena que precisa de se integrar para podermos dar uma quota de contribuição para que esse nível de comércio e investimento entre países africanos aumente sem pôr em causa a sua abertura para o mundo exterior. É fundamental também que Africa consiga vender, transaccione para o resto do mundo e não produza apenas para dentro.

À luz do programa AGOA (Lei de Crescimento e Oportunidade para África) em vigor nos Estados Unidos da América, Cabo Verde pode exportar produtos para aquele país. A medida implica a reestruturação do mercado exportador do país? 
Sim, implica e já estamos a trabalhar nisso. Quer dizer que temos que ter indústrias preparadas para exportar nas condições em que os Estados Unidos exigem para os produtos entrarem no seu mercado. Estamos a trabalhar no sentido de definir que nichos de produção desenvolver para podermos exportar ao abrigo do AGOA. É uma oportunidade que Cabo Verde tem aproveitado muito pouco. Já começa a  haver alguma actividade, nomeadamente no sector da indústria pesqueira, mas precisamos de aumentar esse nível de exportação. Lá está uma área de oportunidade que podemos desenvolver em conjunto com investidores angolanos porque se trata de exportar para os Estados Unidos sem barreiras e sem pagamento de imposto de taxas aduaneiras.

Quais sãos os principais produtos de exportação de Cabo Verde? 
A indústria pesqueira de conservas, temos uma fábrica em São Vicente, a Frescomar, que exporta para o mercado europeu um conjunto de produtos ligados à pesca. Temos duas empresas têxteis exportadoras nesse domínio também em São Vicente e componentes para a produção de calçados. São essencialmente áreas industriais que têm grande potencial de crescimento.
Assinou em Washington um acordo que prevê a circulação de militares norte-americanos em Cabo Verde. Estamos diante do prenúncio da instalação de uma base militar, apesar de a Constituição da República proibir bases militares estrangeiras no território?
Não é o prenúncio, nós assinamos um acordo que é um estatuto que permite dar cobertura a operações de militares americanos em Cabo Verde, nomeadamente no sector de vigilância marítima e exercícios da nossa zona económica exclusiva que já fazemos com os Estados Unidos, assim como cpm o Brasil, França, Portugal e outros países da Europa. É importante para a nossa guarda costeira. Ao mesmo tempo contribui para a vigilância da nossa zona económica exclusiva. Temos interesse sim, não em instalação de bases militares, mas em ter um papel relevante na segurança cooperativa, tendo em conta a localização de Cabo Verde numa zona de muita circulação. Nós queremos ter um papel relevante. Cabo verde precisa de reforçar o seu próprio nível de segurança. Ter bons aliados como os Estados Unidos da América e a União Europeia é importantíssimo para a nossa segurança e para o papel que Cabo Verde pode desempenhar na segurança cooperativa nesta zona da Africa Ocidental e do Golfo da Guiné. Isso potencializa a nossa posição relativamente à própria CEDEAO.

A propósito de segurança , Cabo-Verde situa-se numa encruzilhada, ou seja num ponto estratégico entre os três continentes, nomeadamente África, as Américas e a Europa. Face  à ameaça global patenteada pelo terrorismo precisaria Cabo Verde de uma âncora? Como é que o país se pode precaver? 
É isso mesmo, ter uma âncora e ter bons aliados. Hoje, é um desafio global. Nenhum país, nem os Estados Unido da América, consegue resolver o seu problema de segurança sozinho. Ter bons aliados é um desafio que se coloca a Cabo Verde e a qualquer outro pais que queira estar seguro. Como disse, temos estado a resolver programas de reforço da segurança com os Estados Unidos e a União Europeia.

Cabo Verde tem manifestado interesse em reforçar relações com a União Europeia. O propósito vai ficar pelas relações com as vizinhas Ilhas Canárias, Madeira e Açores ou vai mais além do eixo?  
Reforçar as relações com a União europeia através da Macaronésia é uma das nossas prioridades. Estamos a trabalhar afincadamente para podermos ter o reforço da nossa parceria estratégica, mas a nossa relação com a União europeia é noutro âmbito mais alargado. Um pequeno país tem que ter, não diria apenas âncoras, mas tem que estar situado em zonas económicas que sejam dinâmicas e uma dessas zonas é o espaço da União Europeia. Daí que tenhamos desenvolvido uma série de instrumentos para permitir que essa relação ganhe cada vez mais reforço, sem prejuízo do nosso papel relativamente a zona de integração económica onde estamos inseridos.

PERFIL

José Ulisses Correia e Silva 
Nasceu a 4 de Junho de 1962, na Cidade da Praia, Cabo Verde. Casado e pai de dois filhos, é Primeiro-Ministro, desde Abril de 2016, altura em que MpD venceu as eleições legislativas com maioria absoluta. O partido presidido por Ulisses Correia e Silva substituiu o PAICV na governação, confirmando assim a tendência de alternância do poder no arquipélago. Licenciado em Organização e Gestão de Empresas pelo Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, em 1988, acumulou experiência no sector bancário ,onde desempenhou cargos importantes entre 1989 e 1994.
Em 1995, tinha 32 anos, entrou para o governo ao ser nomeado de secretário de Estado das Finanças, função que desempenhou até 1998. No ano seguinte chegou a ministro das Finanças.. Durante o seu mandato o escudo cabo-verdiano passou a estar ligado ao euro, facto estruturante da economia de Cabo Verde por ter envolvido reformas económica

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/ha_um_salto_qualitativo_nas_relacoes_entre_angola_e_cabo_verde

Starbucks fecha 8 mil lojas nos EUA para treinar equipes contra racismo

O conselheiro municipal Kenyatta Johnson durante coletiva de imprensa em Starbucks da Filadélfia, em 16 de abril de 2018. REUTERS/Mark Makela

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A rede de cafeterias Starbucks anunciou nesta terça-feira (17) que fechará mais de 8.000 lojas nos Estados Unidos na tarde de 29 de maio para realizar uma formação contra o racismo. A decisão foi tomada após a prisão de dois homens negros em um de seus estabelecimentos que gerou uma onda de indignação no país.
A medida é uma resposta às convocações de boicote à marca Starbucks após a detenção de dois homens negros que ainda não haviam consumido nada e esperavam um amigo em uma cafeteria do grupo na Filadélfia. A situação foi filmada e se tornou viral nas redes sociais.

“Passei os últimos dias na Filadélfia com a minha equipe de liderança ouvindo a comunidade, aprendendo o que fizemos de errado e os passos que temos que dar para solucionar”, disse o presidente da empresa, Kevin Johnson. “Embora não se limite a Starbucks, estamos comprometidos a sermos parte da solução”, acrescentou um comunicado publicado no site da empresa, fundada em 1971 e que tem mais de 25 mil lojas em todo o mundo.

A formação contra o racismo envolverá os 175 mil funcionários em todo o país e foi pensada “para enfrentar preconceitos, promover a inclusão, prevenir a discriminação e assegurar que todos dentro de uma cafeteria Starbucks se sintam seguros e bem-vindos”.

O ex-procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, e Bryan Stevenson, fundador da ONG Iniciativa para uma Justiça Equitativa, além de um advogado internacional que defende condenados à morte, destacam-se entre os especialistas consultados para projetar a formação anti-racismo, indicou a Starbucks.

Desculpas não bastam: entenda o caso

Embora Johnson já tenha pedido desculpas aos dois homens detidos, o prefeito da Filadélfia, Jim Kenney, considerou que isso não era suficiente e ordenou investigar as práticas da empresa. O vídeo da prisão, que teve mais de 10 milhões de visualizações e foi divulgado por uma cliente branca da Starbucks, Melissa DePino, mostra vários policiais interrogando e depois algemando os dois homens negros, que não resistem.

Em primeiro plano, o vídeo mostra um homem branco, também cliente, que questiona a detenção e pergunta repetidamente a um policial: “O que eles fizeram? O que eles fizeram?” “Chamaram a polícia porque esses dois homens não haviam comprado nada. Estavam esperando que um amigo aparecesse, que chegou enquanto os levavam algemados por não fazerem nada. Todo o resto de pessoas brancas perguntaram o porquê nunca aconteceu algo assim conosco quando fizemos o mesmo”, tuitou DePino.

A advogada dos detidos, Lauren Wimmer, disse ao canal CBS que os dois estavam esperando que outra pessoa chegasse para uma reunião de negócios. O delegado de polícia da Filadélfia, Richard Ross, que é negro, disse que a polícia recebeu uma chamada do número de emergência de um funcionário do Starbucks por invasão.

Ross disse que os agentes “educadamente” pediram que os dois homens saíssem da cafeteria, antes de finalmente prendê-los. Os dois foram liberados quando a Starbucks não apresentou acusações.