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O principal desafio do novo presidente da África do Sul é combater a corrupção

Cyril1CIDADE DO CABO – O vice-presidente sul-africano Cyril Ramaphosa foi eleito nesta quinta-feira o novo presidente da África do Sul após a renúncia de Jacob Zuma, que sofria pressões internas do partido Congresso Nacional Africano (CNA) diante de acusações de corrupção. Ramaphosa foi escolhido após votação no Parlamento. Aos 65 anos, ele diz que seu foco é acabar com a corrupção e revitalizar o crescimento econômico do país. Ele afirmou que trabalhará duro para “não desapontar o povo da África do Sul” em breve pronunciamento após ser eleito.

— As questões que vocês levantaram, questões que tem a ver com corrupção, questões sobre como podemos alinhar nossas empresas públicas e como podemos lidar com o Estado estão em nosso radar — afirmou o novo presidente.

Jacob Zuma tentou resistir após ter sua renúncia exigida pelo próprio partido, mas acabou entregando o cargo na quarta-feira. Sem perspectiva de sobreviver politicamente à crise interna alavancada pelas várias acusações de corrupção de que é alvo, Zuma cedeu e acabou anunciando a saída, reiterando que discordava da maneira como o processo havia sido levado. O CNA — que conduziu a luta contra o apartheid e teve entre seus quadros Nelson Mandela — havia anunciado uma moção de desconfiança no Parlamento que levaria a uma destituição certa.

No plenário do Parlamento sul-africano, o líder opositor da aliança democrática Mmusi Maimaine desejou força a Ramaphosa, mas disse que eles ficarão atentos para reponsabilizá-lo por qualquer erro cometido. Além disso, ele declarou que irá encontrá-lo nas urnas em 2019 — quando o período vigente de Zuma deveria acabar.

Talvez a maior expectativa é se Ramaphosa conseguirá salvar o CNA de si mesmo. A economia estagnada, junto aos escândalos quase contínuos, pela primeira vez na História da África do Sul, levou grande número de eleitores para longe do partido. No ano passado, o CNA perdeu o controle de três das maiores cidades do país: Johannesburgo, Pretória e Nelson Mandela Bay. Espera-se, portanto, que sua chegada ao poder seja um momento de virada.

— Um momento de grande renovação está sobre nós, e não devemos deixar passar — disse, na campanha que o elegeu presidente do CNA em dezembro. — Deveríamos entender e unir nosso país em torno de um objetivo. O objetivo de fazer a África do Sul grande e torná-la livre da corrupção.

 

As primeiras eleições livres da África do Sul pelo CNA em 1994, e era o possível indicado a sucedê-lo no cargo. No entanto, na época, foi preterido pelo partido e, desde então, atuou como advogado e entrou para o mundo dos negócios, onde acumulou uma fortuna milionária, sem se afastar da política.

Ramaphosa já foi conhecido como um grande sindicalista pela proximidade que manteve com mineradores quando atuava como advogado nos anos 1980. Nesse período, adquiriu experiência suficiente para se tornar um bom negociador reconhecido pela luta com grandes mineradoras de propriedade branca pela criação de organizações em defesa dos trabalhadores e pelo aprimoramento das leis trabalhistas no país.

Hoje, o presidente é um magnata com as mãos em quase todos os setores da economia e amealhou um patrimônio pessoal de quase US$ 500 milhões — o que lhe confere boa reputação com a classe empresarial sul-africana. Ele entrou para os negócios com o programa de empoderamento negro, quando empresas administradas por brancos passaram participações em ações a sócios negros para diversificar o empresariado no país.

Nos últimos anos, sentou-se nos conselhos de conglomerados de mineração e atuou como diretor de grandes empresas, incluindo a South African Breweries, maior cervejaria do país, subsidiária da SABMiller. Ele é casado com a irmã do homem de negócios mais rico da África do Sul.

Jacob Zuma (à esquerda) e Cyril Ramaphosa sentam-se lado a lado em conferência anual do partido governista em Johannesburgo, em dezembro de 2016 – Siphiwe Sibeko / REUTERS

CAMPANHA ANTICORRUPÇÃO

Em 2014, ele deixou um pouco de lado sua carreira empresarial para voltar à política, e o presidente Jacob Zuma o nomeou seu vice-presidente. Na campanha pela liderança do CNA, ele denunciou a corrupção na campanha de Zuma, que sustenta já ter se resolvido com a Justiça, e prometeu estimular a economia durante a sua campanha.

Venceu sua principal oponente por apenas 179 dos mais de 4.700 votos totais na convenção do CNA. Nkosazana Dlamini-Zuma, de 68 anos, que reconheceu a derrota, é considerada uma integrante leal do partido, tendo servido em vários cargos ministeriais — além de ser ex-mulher de Zuma. Muitos de seus apoiadores provavelmente receberão altos cargos em um CNA liderado por Ramaphosa, o que pode limitar sua capacidade de promulgar reformas radicais.

As expectativas são altas sobre o vice-presidente. Ramaphosa leva um ar urbano e pragmático à liderança do CNA, embora muitas vezes tenha sido atacado por um estilo de vida claramente em desacordo com o da maioria dos sul-africanos. Ele se comprometeu a erradicar a corrupção de um governo cujos funcionários — em todos os níveis — muitas vezes descaradamente usaram o poder para enriquecer.

A retórica deu a Ramaphosa o apoio de alguns dos principais detratores de Zuma: líderes empresariais e negros urbanos de classe média. Muitos também se perguntam se Ramaphosa irá perseguir os casos de corrupção contra Zuma.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/mundo/proximo-presidente-sul-africano-cyril-ramaphosa-precisara-reunificar-partido-22396899#ixzz57CzPiWvx
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Parlamento confirma Ramaphosa como Presidente sul-africano

tamphosaVotação ocorreu menos de 24 horas depois de Zuma ter apresentado a sua demissão, pondo fim a nove anos na presidência.

Matamela Cyril Ramaphosa foi eleito presidente da África do Sul nesta quinta-feira, 15 de fevereiro.  Ele assumiu o cargo depois que o ex-presidente Jacob Zuma apresentou sua renúncia.
Cyril1Nascido em 17 de novembro de 1952 em Soweto, Ramaphosa se envolveu com o ativismo estudantil enquanto estudava direito na década de 1970.

Ele foi preso em 1974 e passou 11 meses em confinamento solitário.

mandela 3Depois de estudar, ele se voltou para o sindicalismo – uma das poucas formas legais de protestar contra o regime.

Quando Mandela foi libertada em 1990 após 27 anos de prisão por se opor ao apartheid, Ramaphosa foi uma parte fundamental do grupo de trabalho que levou a transição para a democracia.

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Ramaphosa aumentou a proeminência global como o principal negociador da ANC, com seu contributo visto como um fator no sucesso das negociações e a resultante transferência democrata democrática.

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Ramaphosa tem quatro filhos com sua segunda esposa, Tshepo Motsepe, um de les é  médico.

Ele foi acusado em 2017 de ter assuntos com várias mulheres jovens, que ele negou.

Ramaphosa admitiu um caso extraconjugal, mas disse à mídia local que desde então havia divulgado o relacionamento com sua esposa.

Alguns viram as revelações súbitas como uma campanha de difamação por associados de Zuma, que apoiou outro candidato na conferência do partido Crunch – sua ex-esposa Nkosazana Dlamini-Zuma.

O impacto do escândalo foi de curta duração, e Ramaphosa baseou sua campanha em sua promessa de reconstruir a economia do país, impulsionar o crescimento e criar empregos muito necessários.

“Ramaphosa não tem associação com nenhum dos escândalos de corrupção que atormentaram a África do Sul”, escreveu seu biógrafo Ray Hartley em “The Man Who Would Be King”.mandela5

 

Jacob Zuma, Presidente da África do Sul renuncia

RENUNCIA“Anuncio a minha renúncia do cargo de Presidente da República da África do Sul, com efeitos imediatos”

Em uma declaração ao país, feita através da televisão, Jacob Zuma anunciou que havia acabado de assinar, com efeitos imediatos, o seu pedido de renúncia  do cargo de Presidente da África do Sul.

Na sua alocução, Jacob Zuma disse que não concordava com as razões que estavam a ser apontadas para que apresentasse a sua demissão, mas sublinhou que o fazia em respeito pela unidade do seu partido, o ANC, e do povo sul-africano.

“Devo aceitar que meu partido e meus compatriotas querem que eu vá embora”, disse Zuma.

“Não tenho medo de qualquer moção de censura; Não tenho medo de qualquer impeachment”, disse Zuma, durante a sua comunicação.

Segundo deu a entender, a decisão terá sido motivada pela necessidade de preservar a integridade do partido, perante a violência e divisão que estava a acontecer.

“Ninguém merece morrer em meu nome. O partido não se deve dividir por minha causa” destacou.

Jacob Zuma cumpria agora o seu segundo mandato como Presidente da África do Sul.Cyril ra

Deixa o poder nas mãos do seu então vice-presidente da República, Cyril Ramaphosa, que deverá ser anunciado hoje como seu sucessor na chefia do Estado.

Zuma tem até hoje para deixar o poder

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Victor Carvalho

 

Aquilo que os sul-africanos mais temiam acabou mesmo por acontecer. O Congresso Nacional Africano e Jacob Zuma extremaram as suas posições, e pairando no ar a sensação do inicio de um processo de “impeachment” parlamentar para levar à queda do presidente.

O secretário-geral do ANC, Ace Magashule, assegurou ontem que o Presidente sul-africano, Jacob Zuma, vai pronunciar-se hoje sobre a ordem de demissão do partido.
Fotografia: Johannes Eisele | AFP

A única forma desse processo não avançar é Jacob Zuma, no prazo de 48 horas que agora lhe foi dado, assinar pelo pedido de demissão que lhe é exigido pelo próprio partido, à frente do qual foi eleito Presidente da África do Sul.
Mas, o grande problema é que Jacob Zuma continua renitente em aceitar este ultimato e já fez saber que pretende estar mais alguns meses no poder, mais concretamente até finalizar o seu mandato.
Um porta-voz da presidência desmentiu ainda ontem de manhã uma notícia que estava a ser avançada pela BBC e segundo a qual Jacob Zuma estava a elaborar a sua carta de demissão, sublinhando que o futuro do presidente será tratado, “a seu tempo”, longe dos holofotes da imprensa.
“Jacob Zuma continua a ser o Presidente da África do Sul e está disposto a terminar o seu mandato”, sublinhou o mesmo porta-voz. A decisão de avançar com este ultimato foi tomada nas primei-
ras horas de ontem no decorrer de mais uma da imensa maratona de reuniões, durante as quais os apoiantes de Jacob Zuma e os que defendem a sua demissão têm esgrimido longa e infrutiferamente os seus argumentos.
Desta feita, os 107 membros do Conselho Nacional Executivo do ANC estiveram reunidos até às primeiras horas de ontem num hotel da capital da nação sul-africana para uma tomada de decisão sobre o futuro do Presidente da África do Sul.
O conselho recordou o que aconteceu em 2008 quando o Presidente ThaboMbeki, que sucedeu no cargo a Nelson Mandela, renunciou por falta de apoio do ANC no parlamento. O apoio que Jacob Zuma ainda no seio da direcção do partido, sem o qual não conseguiria resistir este tempo todo, é expresso, fundamentalmente, pelos elementos provenientes das zonas rurais e pelos antigos combatentes, enquanto os quadros mais jovens, os empresários e os representantes dos sindicatos estão unidos à volta de CyrilRamaphosa, presidente do partido, na exigência pela sua saída imedia-
ta do cargo de Presidente da República.
Jacob Zuma terá sido informado da decisão sobre este recente ultimato de 48 horas para a sua saída do poder pela voz do próprio líder do partido, CyrilRamaphosa, que acompanhado pelo secretário geral, AceMagashule, se deslocou ontem de madrugada até à residência presidencial, em Pretoria, não se sabendo se nessa ocasião se terão encontrado pessoalmente com o ainda presidente da África do Sul ou se terão apenas feito a entrega formal do documento onde consta a posição saída da reunião.
Oposição avança com nova moção de censura
Depois de já ter vencido sete moções de censura apresentadas pela oposição, sempre com o apoio do ANC, o Presidente Jacob Zuma vai en-frentar no próximo dia 22 uma nova moção parlamentar pedida por um partido da oposição, a Aliança Nacional. Ontem de manhã, um porta-voz da Aliança Democrática disse que a oposição não vai parar até que o presidente Zuma se demita ou seja demitido, e diz que esta está atenta ao modo como o ANC está a tratar a situação. “Não vamos permitir que o partido no poder use paninhos quentes em relação ao Presidente da República. Ele vai ter que pagar pelos crimes que cometeu”, sublinhou o mesmo porta-voz em declarações à televisão sul-africana.
Após deixar a presidência do ANCno último congresso do partido, em Dezembro, a favor de CyrilRamaphosa – que não era o seu candidato preferido -, a pressão para que o chefe de Estado abandone o poder aumentou, especialmente nas últimas semanas.

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Independentemente do que agora suceder com Jacob Zuma, demissão voluntária ou forçada através da aprovação de uma moção parlamentar de censura, existe a certeza de que CyrilRamaphosa é o próximo presidente da África do Sul.
Isto, porque o veterano político ganhou a corrida para suceder a Jacob Zuma como líder do ANC, naquilo que foi na altura descrito por observadores internacionais como “o final de uma longa maratona”. O novo número 1 do principal partido sul-africano conseguiu vencer em Dezembro do ano passado NkosazanaDlamini-Zuma, ex-mulher de Zuma, por 179 votos (2.440-2.261).

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Pressões chegam de todo o lado do país

Vai ser muito difícil a Jacob Zuma resistir às pressões que chegam de todo o lado para que se demita. Tanto do seu próprio partido, como das forças da oposição e ainda de uma larga franja da sociedade civil. Ao ANC basta aguardar pela apresentação de mais uma moção de censura por parte da oposição, aliás já prevista para o dia 22, para assistir à queda do presidente.
Para isso é apenas necessário que os seus deputados respeitem a orientação que eventualmente venha a ser dada pelo partido, abstendo-se de votar, para que Jacob Zuma fique sem o apoio do parlamento. Se isso suceder, o presidente é forçosamente obrigado e demitir-se. De acordo com a constituição sul-africana, o Presidente da República é eleito pelo parlamento e este tem o poder de o destituir, bastando para tal retirar-lhe o apoio que emana do poder do voto. No seio da principal força da oposição, a Aliança Democrática tem sido o partido mais activo na luta para afastar Jacob Zuma do poder.
Este partido, o segundo mais votado nas últimas eleições, tem algumas aspirações para 2019 e quer ter a liderança do processo de destituição do actual presidente, de modo a apresentar isso como um argumento político forte para usar na próxima campanha eleitoral.
O ANC, por seu lado, apesar de ter praticamente garantida a vitória nas eleições de 2019, não quer perder mais votos para os seus adversários e, por isso mesmo, quer ter também a sua chancela no processo para o afastamento de Jacob Zuma.
Como se vê, politicamente, todos os partidos têm a ganhar com a saída imediata de Jacob Zuma. Só ele, visado pela justiça, tem a perder com a sua demissão, pois corre sérios riscos de ter que enfrentar a lei e responder pelos crimes de que vem sendo acusado.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/zuma_tem_ate_hoje_para_deixar_o_poder

Presidente da África do Sul pode renunciar hoje

O Congresso Nacional Africano (ANC) reúne hoje os seus principais dirigentes, a nível do poderoso Comité Executivo Nacional, para decidir o futuro de Jacob Zuma como Presidente da África do Sul, depois deste ter resistido até ao fim a todas as tentativas e a algumas pressões para que apresentasse já a sua demissão.

Futuro político de Zuma ficou mais sombrio depois da eleição de Ramaphosa para liderar o ANC

Esta reunião surge depois de uma outra que decorreu no domingo em Joanesburgo e onde, mais uma vez, Jacob Zuma resistiu a todas as tentativas que foram feitas para que se demitisse uma vez que está sob fogo cerrado da justiça que o acusa da autoria de vários crimes de corrupção.
Embora um porta-voz do ANC tenha dito à imprensa que não estava previsto que Zuma apresentasse a sua demissão na reunião de do-mingo, a verdade é que havia muita gente a pensar o contrário, tal é a pressão que es-tava a ser feita para que este já não proferisse o discurso de amanhã sobre o “Estado da Nação”, entretanto adia-do, conforme anúncio do presidente do Parlamento, Baleka Mbete.
Mas, o futuro político de Zuma ficou comprometido depois de em Dezembro ter visto o seu vice, Cyril Ramaphosa, ter sido eleito para a Presidência do ANC.
Os relatos da imprensa sul-africana relativamente à reunião de domingo com seis membros seniores do partido, dão conta de que Jacob Zuma terá recusado mais uma vez aceder aos pedidos dos colegas para que abandonasse o cargo.
Julius Malema, ex-membro do ANC, avançou que Jacob Zuma justificou a decisão de resistir aos pedidos de demissão por “não ter feito nada de mal ao país”.
Apesar de já não ser membro do partido, Malema costuma ser uma fonte bem informada sobre tudo o que se passa nos corredores do ANC. Em Dezembro, por exemplo, foi das primeiras pessoas a anunciar que Cyrill Ramaphosa tinha vencido a corrida para a liderança do partido.

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Desde que o novo líder foi eleito que Jacob Zuma perdeu obviamente influência dentro do partido. Ramaphosa é visto como um reformista que quer afastar o Presidente devido às fortes suspeitas de corrupção que pendem sobre ele, o que tem provocado uma cisão interna, e para que possa governar mais à vontade.
Na passada sexta-feira, o tesoureiro-geral do partido, Paul Mashatile, foi claro ao dizer que “deve haver uma mudança da guarda. Não é possível existirem dois centros de poder. A melhor maneira de resolver isto é através da saída do Presidente.”
Cada vez mais isolado, Jacob Zuma estará a negociar o seu futuro após abandonar a Presidência do país, seja por vontade própria ou por imposição do seu próprio partido. No essencial, aquilo que Zuma pretende são garantias que lhe propiciem alguma impunidade face às acusações que lhe estão a ser movidas pela justiça e que lhe podem custar vários anos atrás das grades.
Terão sido essas negociações que estão a adiar, por parte de Jacob Zuma, a to-mada de uma decisão que permita resolver o problema do ANC entregando o poder a Cyril Ramaphosa de modo a que ele possa moldar o partido à sua medida e apresentar-se nas próximas eleições com uma retaguarda firme e, sobretudo, mais unida. É isso que todos no ANC esperam que possa ficar resolvido durante a reunião de hoje, sob pena de Jacob Zuma vir a ser ostracizado pelo seu próprio partido onde tem cada vez menos apoiantes, perdendo depois algum espaço de manobra para gerir com sucesso o período que se seguirá após abandonar o poder.
A mostrar o elevado grau de pressão que pauta, actualmente, a política sul-africana está o facto de Jacob Zuma ter decidido adiar, em cima da hora, o discurso sobre o “Estado da Nação” que devia proferir no Parlamento.
O anúncio do adiamento do discurso, que entretanto foi remarcado para amanhã, foi feito pelo presidente do Parlamento, Beleka Mbete, numa breve nota distribuída à imprensa uma hora antes do previsto para Zuma fazer o seu diagnóstico sobre o “Estado da Nação”.
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Acusações contra Zuma
Jacob Zuma enfrenta  acusações de corrupção, fraude, extorsão, branqueamento de capitais e evasão fiscal. Em causa estão centenas de pagamentos que, alegadamente, terá recebido em troca de um acordo de armamento nos anos 90.
Existe ainda uma forte possibilidade de ser aberto um inquérito num outro caso que envolve Zuma e a sua relação com a família Gupta, que poderá ter influenciado o Presidente para conseguir favores.
O ANC continua a ser o partido mais popular na África do Sul pós-apartheid. No entanto, os sucessivos escândalos de corrupção, a par de problemas económicos, têm levado a uma descida da po-pularidade do partido. Nas eleições municipais de 2016, por exemplo, o ANC perdeu o controlo de importantes cidades como Pretória e Port Elizabeth.
Na lista de problemas que envolvem o ainda Presidente da República destacam-se os seguintes:
2005: Acusado de crimes de corrupção por envolvimento num negócio multimilionário de compra de armas. Esta acusação acabou por ser retirada pouco antes de chegar à Presidente da República em 2009;
2005: Acusado de violação contra um membro de uma família amiga. A queixa foi retirada no ano seguinte;
2016: O tribunal recebe 18 queixas de crimes de corrupção;
2016: O tribunal inicia um processo por alegado uso de dinheiro do Estado para obras na sua casa privada em Nkandla. Mais tarde devolveu o dinheiro que havia utilizado.
2017: O Ministério Público inicia uma investigação para apurar a veracidade de queixas de que teria recebido di-nheiro da família Gupta para autorizar negócios com em-presas públicas.

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A seca que abala o país do “arco íris”

Como se não bastasse toda a instabilidade política que abala neste momento a África do Sul, a natureza também está a causar preocupações acrescidas no quotidiano do país do “arco íris”.
Novas imagens de satélite publicadas pela Planet Labs Inc. mostram que a barragem de Theewaterskloof, o maior reservatório de água da Cidade do Cabo, secou quase por completo em sete anos. A capital sul-africana está a atravessar uma crise de água motivada pelas alterações climáticas e pelo crescimento populacional. A situação é tão grave que a Cidade do Cabo pode tornar-se a primeira do planeta a ficar completamente seca: o Dia Zero, dizem as autoridades, deve chegar a 16 de Abril.
Neste momento, a água de todas as barragens da cidade chegam para abastecer apenas um quarto da população.
Na semana passada a capacidade da barragem de Theewaterskloof estava apenas a 13 por cento, ou seja, dos 480 milhões de metros cúbicos que suporta, apenas estavam ali armazenados 62,4 milhões. O problema é que só esta barragem fornece água a mais de 56 por cento dos 4 milhões de pessoas que vivem na Cidade do Cabo.
Neste momento, estima-se que mais de metade da população da cidade viva com menos de 87 litros por dia, mas é possível que esse valor ainda baixe para os 25 litros.
Trata-se de uma situação catastrófica e que pode abalar muito seriamente o sector do turismo, uma das grandes fontes de captação de receitas do país.

 

Domingos Simões Pereira, candidato único, reeleito líder do PAIGC

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Domingos Simões Pereira, de 55 anos, foi reeleito este domingo, 04, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), principal partido no actual parlamento da Guiné-Bissau, anunciou o presidente do 9.º congresso daquela formação política, Francisco Benante. «Assumo não só o desafio de liderar o nosso partido durante os próximos quatro anos, mas também o desafio de vencer as próximas eleições”, declarou o reconduzido presidente do partido de Amílcar Cabral, frisando que a disciplina e a coesão internas serão elementos fundamentais daqui para frente.

Guiné-Bissau: Domingos Simões Pereira reeleito líder do PAIGC e quer maioria absoluta nas próximas eleições

Segundo a Lusa, Simões Pereira, que era único candidato à sua própria sucessão, obteve 1.113 votos a favor, três contra, num universo de 1.135 delegados que votaram. Noventa e seis delegados inscritos não compareceram ao congresso e 16 abstiveram-se, indicou ainda o presidente da mesa do conclave. Este congresso, que foi palco de polémicas ao ponto de só se iniciar com um dia de atraso, decorreu sob o lema: Unidade, Disciplina, Progresso e Desenvolvimento.

No seu discurso de consagração, Domingos Simões Pereira afirmou que a votação alcançada “é uma mensagem clara” que os militantes quiseram transmitir para dentro e fora do partido, visando a “reposição do PAIGC na governação” nas próximas eleições.

“Assumo não só o desafio de liderar o nosso partido durante os próximos quatro anos, mas também o desafio de vencer as próximas eleições”, declarou Domingos Simões Pereira, frisando que a disciplina e a coesão internas serão elementos fundamentais daqui para frente.

Segundo a mesma fonte, Simão Pereira prometeu continuar a colocar o PAIGC a nível da sua “dimensão histórica”, das expectativas do povo e dos seus parceiros internacionais, apresentando já nas eleições legislativas – ainda sem data marcada- um programa com o qual visará “resgatar o sonho guineense”, disse.

Regresso ao Governo e direito de tendências abolido

Domingos Simões Pereira diz que vai pedir aos guineenses uma maioria qualificada nas eleições que o Presidente do país espera venham a ter lugar ainda este ano, sublinhando que o PAIGC “tem que estar” alinhado com desafios de atualidade mesmo sendo um partido ao serviço das massas.

A pensar nisso, o reeleito líder do PAIGC promete, segundo a RFI, preparar o partido para as próximas eleições legislativas e voltar a pedir a confiança dos guineenses. Caso o PAIGC ganhar, promete recuperar o tempo perdido e colocar em marcha o programa “Terra Ranka” com o qual idealizou lançar a Guiné-Bissau na senda do desenvolvimento num horizonte de até 2025.

Mas tudo isso só será possível se Domingos Simões Pereira desembaraçar-se da luta jurídica que vai ter que enfrentar nos tribunais com o grupo
dos 15 deputados expulsos do PAIGC, que prometem, para já, impugnar o congresso que hoje terminou este Domingo,04.

Referindo-se aos desentendimentos que marcaram o partido nos últimos quatro anos, que ditaram a expulsão de 15 deputados ao parlamento, Domingos Simões Pereira afirmou, conforme Lusa, que as portas do PAIGC “continuam sempre abertas” e que os contestatários deverão ir à sede discutir os seus pontos de vista. “Mas no final do dia têm que reconhecer que a maioria é que governa em democracia”, salientou Simões Pereira.

O 9º congresso confirmou algumas mudanças nos estatutos do PAIGC, nomeadamente a extinção do artigo que permitia a existência de sensibilidades no partido. Entretanto, o porta-voz do partido, João Bernardo Vieira indicou que aquele dispositivo “propiciava interpretações confusas aos militantes”, ao ponto de alguns afrontarem a direção, refere a Lusa.

 

http://www.asemana.publ.cv/?Guine-Bissau-Domingos-Simoes-Pereira-reeleito-lider-do-PAIGC&ak=1

Uma mulher na presidência da Guiné Bissau em 2019?

Nancy Schwarz vai candidatar-se como independente ao mais alto cargo da Nação na Guiné-Bissau. A socióloga quer marcar a diferença em 2019 e contrariar a marginalização da mulher guineense.

Guinea-Bissau Nancy Schwarz, Präsidentschaftskandidatin (DW/J. Carlos)

“Amanhã Guiné” é o slogan de Nancy Germano Schwarz Okeigwe, socióloga e ex-diretora de Gabinete do Ministério da Defesa Nacional e dos Combatentes da Liberdade da Pátria. No seu manifesto, a candidata, sobrinha do conceituado músico José Carlos Schwarz, diz que o povo guineense é a sua prioridade. Por isso, defende valores como o amor e o perdão para reconciliar e unir a população da Guiné-Bissau.

Em entrevista à DW África, Nancy Schwarz diz que concorrer à Presidência da Guiné-Bissau em 2019 foi uma decisão difícil de tomar. A decisão surgiu em resposta ao repto que lhe foi lançado, há cerca de dois anos, por um grupo de cidadãos guineenses na diáspora, nomeadamente no Reino Unido, Suíça, França, Canadá, Holanda, Espanha e Portugal.  A ativista, nascida em 1973, tem consciência de que esta é “uma grande responsabilidade”.

DW África: Foi uma decisão difícil de tomar?

Nancy Schwarz (NS): Foi e continua a ser muito difícil, porque tenho uma criança de três anos. Vai ser um grande embate a nível pessoal e familiar. Todos os dias há que ponderar, mas o caminho já está a ser trilhado, portanto, não posso olhar para trás.

Nancy Schwarz

Guiné-Bissau: “É necessário que as mulheres se levantem”

DW África: Mas tomou a decisão atenta à situação política que se vive na Guiné-Bissau. Como é que olha para o contexto em que o país se encontra?

NS: Foi esse o motivo que me fez decidir e arregaçar as mangas, porque considero que nesta azáfama de conflitos que tem sido a Guiné-Bissau, já lá vão 44 anos, é necessário que as mulheres se levantem. É necessário que a força da mulher faça parte deste trabalho grandíssimo que é de todos os guineenses. Este é realmente o momento de eu e todas as demais mulheres da Guiné-Bissau nos juntarmos para este grande trabalho de mudança. Houve um projeto de luta de libertação nacional, mas todos nós sabemos que não houve um projeto de construção da Nação. É necessário que se pense nessa construção. Por isso, coloco o meu projeto em cima da mesa.

DW África: E quais são as linhas orientadoras do seu projeto como candidata às eleições presidenciais?

NS: Começo por defender o conceito da família, com destaque para a mulher como mãe e também como fazedora da sociedade. São linhas de pensamento necessárias para a construção de uma sociedade. Depois, vem evidentemente a estabilidade. Para esse trabalho de mudança e construção dos alicerces, é preciso incluir todos. Se não houver esse diálogo entre todos os atores sociais, não será possível desenvolver a Guiné-Bissau.

DW África: Há vários atores e vários interesses e a Guiné-Bissau parece ser uma sociedade fragmentada…

NS: Completamente. Esse é o objetivo desse projeto. Primeiro, defender a coesão nacional. Os valores negativos têm estado a comandar a esfera política. O nosso objetivo é ir buscar os valores da irmandade, do perdão, da partilha e da comunicação, baseados num diálogo sincero, de simplicidade, de amor, de respeito, do cuidar do outro, que é próprio da cultura africana e que está a ser esquecido.

DW África: Considera importante a realização de um fórum de unidade e de reconciliação nacional?

NS: É necessário e urgente organizar esse fórum. Há um movimento, o Movimento Guiné Amanhã, cujo objectivo é criar um espaço de discussão em que todos os guineenses terão voz para se poder debater a real situação do país. Não estarmos apenas a criticar, mas a apresentar propostas coesas que possam ser usadas neste trabalho de mudança que defendemos.

Guinea-Bissau José Mário Vaz trifft P5 Presidente guineense, José Mário Vaz, num encontro com representantes da ONU, CPLP, UE, CEDEAO e UA para tentar resolver a crise guineense

DW África: O Presidente da República em exercício tem sido bastante criticado pela sua postura ao longo deste período de crise. Como candidata, qual será a sua postura face a eventuais situações semelhantes?

NS: Há que criar um diálogo constante com todos os atores sociais guineenses. E esse diálogo tem de ser de igual para igual. Se o povo se identificar com os meus princípios e se for escolhida para ocupar o cargo, não quer dizer que passei a ser um ídolo para o povo. Não sou e não serei jamais. Sou um ser humano, normal como qualquer, que está ao serviço da Nação. Ninguém é dono da verdade. Esse é o grande problema de toda a governação na Guiné-Bissau. Afasta-se o povo, que é a voz da democracia e aparece um indivíduo que quer usar o povo para os seus próprios benefícios.

DW África: Como avalia o papel da CEDEAO e da CPLP perante a crise guineense?

NS: A Guiné-Bissau faz parte do mundo global e das organizações. As organizações são necessárias, mas – disse-o uma vez numa entrevista – o conflito na Guiné-Bissau fala o crioulo, o mandinga, o fula, o balanta, fala as línguas autóctones. Portanto, não pode ser discutido ou resolvido a nível internacional, onde se fala o inglês, o português, o alemão ou o francês. Há que entender. Há que resolver esse problema internamente.

 DW África: Quando é que apresenta oficialmente a sua candidatura na Guiné-Bissau?

NS: A candidatura será logo no início do ano de 2019.

 

Fonte:http://www.dw.com/pt-002/guiné-bissau-é-necessário-que-as-mulheres-se-levantem/a-42354612

Robert Mugabe anuncia demissão do Vice-Presidente

O Presidente do Zimbabwe demitiu das suas funções o seu Vice-Presidente, Emmerson Mnangagwa, até então considerado um dos seus potenciais sucessores.

Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

“O Presidente Robert Mugabe exerceu o seu poder de exonerar, com efeitos imediatos, Mnangagwa, das suas funções de Vice-Presidente da Republica do Zimbabwe”, anunciou o ministro da Informação.
Até à sua demissão, a ZANU-PF estava dividida entre o sucessor de Robert Mugabe, mais concretamente entre o agora ex-Vice-Presidente da República e Grace Mugabe, a esposa de 52 anos do Chefe de Estado.
Robert Mugabe, já designado candidato da ZANU-PF, partido no poder, para a eleição presidencial de 2018, admitiu em Setembro poder revelar quem gostaria de ter como sucessor  no partido e na Chefia do Estado, mas sublinhou que cabe ao partido tomar a decisão final. “Eu posso ter o meu próprio candidato, mas essa pessoa vai ter de lutar no congresso contra os outros”, disse na altura.

Protestos no Togo continuam

A situação permanece tensa no Togo, com manifestações previstas para esta quarta-feira (18.10). Milhares de pessoas protestam há semanas contra o Presidente Faure Gnassingbé, no poder desde 2005.

Togo Demonstration Togo (picture-alliance/dpa/A.Obafemi)Manifestantes vestem camisa: Faure tem que sair da Presidência!

No Hospital Sylvanus Oympio, no centro de Lomé, a capital togolesa, há colchões na relva, junto a caixotes do lixo. Com um esforço visível, pacientes entram e saem dos edifícios. Nos quartos, as camas amontoam-se.

“Olha para isto, algumas pessoas estão deitadas no chão. Era suposto haver serviço social, mas a administração não quer saber. As pessoas estão a sofrer e a morrer,” expressa um jovem enfermeiro que prefere não revelar o nome, temendo pela sua segurança.

O togolês está revoltado com a situação e, por isso, juntou-se à oposição e tem apoiado os recentes protestos pela demissão do Presidente Faure Gnassingbé. O mesmo pdem 14 partidos políticos e organizações da sociedade civil.

No Togo, dezenas de milhares de pessoas protestam há várias semanas contra o Presidente Faure Gnassingbé, no poder desde 2005, após a morte do pai, o antigo Presidente Gnassingbé Eyadéma. A família está no poder há 50 anos. E a população não está satisfeita: o Togo é um dos países mais pobres do mundo e os sistemas de saúde e de educação deixam a desejar. Os manifestantes pedem, por isso, a demissão do chefe de Estado. O Governo proibiu os protestos, mas os togoleses continuam nas ruas. Novas manifestações estão marcadas para esta quarta-feira (18.10).

Togo David Ekoue Dosseh (DW/K. Gänsler)David Ekoue Dosseh luta pelos direitos dos togoleses

Estratégia da oposição

O cirurgião David Ekoue Dosseh, de 48 anos, está na linha da frente de um movimento recém-formado para exigir o respeito dos direitos dos cidadãos togoleses.

Há vários anos que Dosseh critica o sistema de saúde do país, que descreve como “catastrófico”. Mas noutros sectores, como a educação, o cenário não é mais positivo: um em cada três togoleses com mais de 15 anos não sabe ler nem escrever. Cerca de 58% da população vive abaixo do nível de pobreza. E na África Ocidental, o Togo é o único país que não tem um limite para os mandatos presidenciais.

“Porque é que o Togo tem de ser uma exceção? Queremos ser cidadãos como todos os outros, queremos que a nossa voz conte quando vamos votar”, critica Dosseh.

Referendo não serveria

Perante a contestação, o Governo do Togo afirma que está preparado para realizar um referendo sobre o limite dos mandatos presidenciais.

Togo Nathanael Olympio (DW/K. Gänsler)Nathanael Olympio espera que democracia chegue ao Togo ainda este ano

A mudança de posição de Gnassingbé foi anunciada no início de setembro, altura em que os protestos anti-Governo subiram de tom.

Mas muitos togoleses, como Nathanael Olympio, dirigente da oposição e presidente interino do Partido Popular Togolês, vêem a proposta de referendo como um insulto. Isto, porque levanta a hipótese de Faure Gnassingbé permanecer no poder por mais dois mandatos.

“O referendo baseia-se numa lei criada pelo Governo. Quer a resposta seja sim ou não, o regime continuará no poder. O mais importante é continuarmos a resistir. Tenho uma posição da qual não abdico que é a posição da população. Temos de negociar a demissão do chefe de Estado”, argumenta Nathanael Olympio.

Togo Oppositionsführer Jean-Pierre Fabre (DW/K. Gänsler)O líder da oposição no Togo, Jean-Pierre Fabre

Esta não é a primeira vez que se discute o limite dos mandatos presidenciais no Togo. Em 1992, a Constituição foi alterada para limitar a presidência a dois mandatos de cinco anos. Mas, em 2002, a lei foi novamente alterada para permitir que Eyadema Gnassingbé, pai do atual Presidente, se candidatasse a um terceiro mandato. Para o líder da oposição Jean-Pierre Fabre, os limites devem ser respeitados.

“O mais importante é continuarmos a resistir. Tenho uma posição da qual não abdico que é a posição da população. Temos de negociar a demissão do chefe de Estado.”

Ruas lotadas de manifestantes

Quase 100 mil pessoas participaram nos protestos pela demissão do Presidente, reforçando o apelo da oposição. Nathanael Olympio está confiante: “Com todo o compromisso e dedicação do povo que temos hoje, vamos celebrar o fim do ano como uma democracia.”

Há, no entanto, um outro cenário possível: Faure Gnassingbé pode manter-se no poder até ao final do seu mandato, em 2020, e decidir não voltar a candidatar-se.

http://www.dw.com/pt-002/governo-proíbe-protestos-no-togo-mas-população-permanece-nas-ruas/a-41006299

Partidos de Oposição de Angola faltaram à investidura de João Lourenço

Josina de Carvalho |

A ausência da maioria dos presidentes e demais membros dos partidos da oposição na cerimónia de investidura do Presidente e Vice-Presidente da República foi criticada pelo economista Fernando Heitor.

Diversas personalidades afirmam que as questões nacionais devem estar acima das diferenças políticas
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

 

Na sua opinião, apesar das diferenças políticas que dividem os partidos, os seus integrantes são todos angolanos e irmãos. Por este motivo, defende, deviam marcar presença na cerimónia.  “A investidura do mais alto mandatário da nação é um momento alto. Além disso, o actual Presidente da República é uma pessoa da nossa geração e conhecemo-lo bem”, lamentou, defendendo ainda que a presença dos presidentes da UNITA, CASA-CE, PRS, FNLA podia marcar o início de uma nova era de aproximação entre o Chefe de Estado  e os partidos políticos. Fernando Heitor é também de opinião que os líderes da oposição, que também estiverem ausentes no acto de investidura de 2008 e 2012, não deviam continuar com condutas pouco cordatas com o alto mandatário da nação, uma vez que vão integrar o Conselho da República.  “Deviam esquecer as mágoas e dar um sinal positivo ao estrangeiro, com a presença deles na cerimónia para saudar o novo Presidente da República”.  O antigo deputado da UNITA justificou que não participou no acto de investidura de 2012, por disciplina partidária, embora estivesse disponível para o efeito.
O economista disse acreditar que o Presidente João Lourenço terá sucesso na sua magistratura, por ser um homem “bastante simples e aberto”, que se conseguir criar um governo dinâmico e aberto vai  fazer o país sair da situação difícil que se encontra e relançar a economia para níveis altos de desenvolvimento, através da diversificação das fontes de receitas nacionais.
“Temos outras potencialidades, além do petróleo. Mas é preciso que essas potencialidades se traduzam em dinheiro, rendimento disponível para as famílias e empresas, para levarmos o país a altos níveis de desenvolvimento”, alertou, afirmando que o país tem condições para isso.
No seu ponto de vista, o actual Presidente João Lourenço com a sua equipa governativa vai levar o país para o caminho de bem-estar de todos os angolanos.
O combate à corrupção e o desemprego juvenil são também desafios  que o novo Executivo deve  ter em conta. “Vamos torcer para que o novo Presidente trabalhe para o bem de todos os angolanos e que combata os males principais que ainda temos”, declarou. O Bispo da Igreja Tocoísta, Dom Afonso Nunes, também disse acreditar que o Presidente João Lourenço vai introduzir mudanças significativas em todos os sectores da vida nacional.
Para o religioso, a prioridade deve ser a resolução de problemas sociais ligados à energia eléctrica, água, saneamento básico, transporte e à reabilitação de estradas  secundárias e terciárias para o desenvolvimento.
No âmbito religioso, Dom Afonso Nunes disse aguardar pelo seu apoio, uma vez ter manifestado tal intenção no período da campanha eleitoral e ter demonstrado o seu reconhecimento sobre a importância de Deus e da Igreja na vida dos homens.
“Pensamos que vai estreitar o relacionamento com as lideranças religiosas do país, que têm a missão de pacificar os espíritos e de transmitir a mensagem de Deus”.
Dom Afonso Nunes considerou a cerimónia de investidura do Presidente e Vice-Presidente da República o início de uma nova era para o país e a chuva miúda que caiu na manhã de ontem um sinal divino que confirma tal facto e renova as esperanças do povo angolano.
A líder da Igreja Teosófica, Suzeth João, perspectiva bons níveis de desenvolvimento durante o mandato do Presidente João Lourenço, tendo em conta a capacidade demonstrada nas funções anteriores.  “Não vai ser tarefa fácil, porque vai governar num momento de crise económica, mas a Igreja vai ajudar com oração e conselhos”, disse a profetiza, manifestando ainda a sua disponibilidade para contribuir em projectos para o resgate dos valores morais e pacificação dos espíritos.