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Jornal The Guardian da Nigéria : “Lula do Brasil passa primeiro dia na prisão, já esperando sair”

6 horas atrás

O esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva serviu no primeiro dia de uma sentença de 12 anos de prisão por corrupção no domingo, mas já esperava sua saída para os tribunais nesta semana, ameaçando estender o drama antes das eleições presidenciais.

O homem de 72 anos, que cumpriu dois mandatos como chefe de Estado entre 2003 e 2010, entrou na prisão em Curitiba no sábado, tornando-se o primeiro ex-presidente do Brasil a ser preso por condenação criminal.

Sua cela está localizada no mesmo prédio da polícia federal que serve de base para as operações de “Car Wash”, a ampla investigação anti-enxerto que o derrubou.

Desde a Segunda Guerra Mundial, os presidentes do Brasil muitas vezes acabam em apuros – acusados, derrubados por um golpe e até mesmo por um suicídio -, mas Lula é o primeiro a ser condenado e preso.

Ele foi considerado culpado no ano passado por aceitar um apartamento de luxo como suborno de uma construtora e é o maior couro cabeludo até agora na investigação “Car Wash”. Ele insiste em sua inocência e diz que foi enquadrado para impedi-lo de concorrer nas eleições presidenciais de outubro, nas quais as pesquisas mostram que ele está na vanguarda.

Mas pode haver surpresas pela frente, com um desenvolvimento legal potencialmente explosivo ocorrendo já na quarta-feira, quando a Suprema Corte poderá rever a atual lei sobre o encarceramento durante os apelos, informou a mídia local.

Do jeito que as coisas estão, qualquer um condenado e perdendo um primeiro apelo, como no caso de Lula, deve conduzir novos apelos da prisão.

Mas há pressão para mudar isso para que os apelos do tribunal superior possam ser buscados em liberdade – o que poderia fornecer um alívio para Lula.

– “Tudo é possível” –
Os analistas são rápidos em apontar que, dada a história de mudanças rápidas e inesperadas do país, tudo pode acontecer.

“No Brasil, tudo é possível, para que ele pudesse passar uma semana na prisão e, em seguida, um juiz do Supremo Tribunal Federal poderia mandá-lo para prisão domiciliar, por exemplo”, disse Oliver Stuenkel, especialista em relações internacionais da Fundação Getulio Vargas. em São Paulo.

“Por um longo tempo, temos vivido com o inédito, por isso é muito difícil prever o que vai acontecer”, disse ele à AFP.

Com seis meses até a eleição presidencial no Brasil, e Lula ainda na liderança, as apostas são altas.

“Da prisão, ele continuará exercendo sua influência e também poderá explorar o simbolismo de sua vitimização”, disse Andre Cesar, analista da consultoria política Hold.

Estar preso quase certamente significa que Lula estará fora das eleições presidenciais de outubro, abrindo a disputa. Nas pesquisas, ele pontua mais do que o dobro de seus rivais mais próximos.

– Cuba, Venezuela atacam o aprisionamento de Lula provocou uma enxurrada de protestos da esquerda de Cuba e da Venezuela, que denunciaram que ele era uma trama política para afastá-lo da corrida presidencial de outubro, com Caracas dizendo que ele foi “vítima de uma inquisição judicial”. ”

Havana seguiu uma linha similar, dizendo que Lula havia sofrido “perseguição injusta” nas mãos do sistema político, do judiciário e da mídia.

Enquanto isso, em Curitiba, cerca de 150 dos fiéis apoiadores de Lula ainda estavam reunidos perto da prisão, onde a presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, disse a eles que a cidade se tornaria um centro de ação política para sua libertação.

Lula “não é um prisioneiro normal, ele é um prisioneiro político, o primeiro desde o ressurgimento da democracia” em 1985, disse ela.

“Curitiba será o centro da nossa ação política. Só sairemos quando Lula sair. Esta vigília será permanente.

Autoridades da Central Única dos Trabalhadores (CUT), maior federação sindical do Brasil, disseram que esperavam a chegada de dezenas de comboios, trazendo adeptos de todo o país.

Do palácio à cela de prisão
Mas outras pessoas da cidade expressaram satisfação pelo destino do ex-presidente, tirando fotos em frente à prisão, que chamaram de “casa de Lula”.

“Deixe Lula ficar lá por muito tempo e todo o seu bando com ele. Ele merece ”, disse o empresário Mauro Celli, 49 anos.

“A justiça foi feita neste país”, disse Glaucio Zeni, 53 anos.

A nova casa de Lula, uma cela de aproximadamente 15 metros quadrados, é quase luxuosa pelos padrões das prisões muitas vezes violentas e desesperadamente superlotadas do Brasil.

Tem seu próprio banheiro privado e chuveiro quente – e até mesmo uma televisão, disseram as autoridades, para que ele possa assistir seu time de futebol favorito, o Corinthians, enfrentando o Palmeiras na final do campeonato paulista.

Fonte:https://guardian.ng/news/brazils-lula-spends-first-day-in-prison-already-hoping-to-get-out/

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Jornal de Cabo Verde: PT reafirma Lula como candidato a Presidente e transfere provisoriamente sede para Curitiba

O Partido dos Trabalhadores (PT) reafirmou hoje a intenção de apresentar Lula da Silva como candidato à presidência do Brasil e anunciou a transferência provisória da sua sede para Curitiba, onde o ex-Presidente está a cumprir pena de prisão.
PT reafirma Lula como candidato a Presidente e transfere provisoriamente sede para Curitiba
epa06654270 Brazilian former president Lula da Silva (R) attends a ceremony in memory of his wife, Marisa Leticia Lula da Silva, after leaving the headquarters of the Workers’ Party (PT) in Sao Bernardo do Campo, Brazil, 07 April 2018 (issued 08 April 2018). Lula had been at the party’s headquarters for two days in order to delay his imprisonment ordered by judge Sergio Moro. Finally, Lula surrendered and was imprisoned to serve his 12-years sentence for corruption and money laundering 07 April 2018. EPA/Sebastiao Moreira Lusa

As decisões foram anunciadas pela presidente do PT, a senadora Gleissi Hoffmann, depois de uma reunião que a direção executiva do maior partido de esquerda da América Latina teve em Curitiba.

“Decidimos reafirmar a candidatura do presidente Lula. É o nosso candidato sob qualquer circunstância”, assegurou a senadora ao indicar que o PT manterá a intenção de ter Luiz Inácio Lula da Silva na corrida às presidenciais, apesar deste estar a cumprir desde sábado uma pena de 12 anos de prisão por corrupção.

“Entendemos que a libertação de Lula constitui a sua candidatura efetiva à presidência do Brasil, pelo que vamos lutar muito pela candidatura de Lula”, acrescentou Hoffmann ao referir-se aos esforços dos advogados do PT para garantir a liberdade do antigo dirigente sindical o mais rápido possível.

Apesar de pretendem manter a candidatura, o partido tem ainda como desafio inscrevê-lo na corrida, já que está legalmente inabilitado.

De acordo com a legislação brasileira, estão inabilitados eleitoralmente por oito anos os condenados em segunda instância, como é o caso do líder emblemático da história do Brasil, mas o PT assegura que irá às últimas instâncias judiciais para inscrevê-lo e que apresentará recursos tanto perante o Tribunal Superior Eleitoral como na Corte Suprema.

A outra decisão importante adotada pela direção do PT foi a transferência provisória da sua sede para Curitiba, onde centenas de manifestantes se concentraram no sábado para exigir a libertação do líder socialista.

Fonte:https://noticias.sapo.cv/actualidade/artigos/pt-reafirma-lula-como-candidato-a-presidente-e-transfere-provisoriamente-sede-para-curitiba-2

Jornal “O País” de Moçambique: PT mantém Lula como seu candidato e transfere sede para Curitiba

PT mantém Lula como seu candidato e transfere sede para Curitiba

O Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou esta segunda-feira a transferência simbólica da sede do partido para Curitiba, onde está preso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fisicamente, a sede segue em São Paulo. Segundo o partido, a mudança é em caráter provisório e, na prática, vai fazer com que as decisões sejam discutidas e divulgadas pelas lideranças em Curitiba.

“Nós vamos transferir, não a sede física, mas a direcção política do PT para Curitiba”, afirmou a presidente do partido, a senadora Gleisi Hoffmann, citada pelo G1.

Gleisi também disse que governadores ligados ao partido devem ir à Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, para tentar visitar o ex-presidente.

“Temos a confirmação dos governadores que vem para cá, vão até à Polícia Federal e nós estamos vendo a possibilidade de visitarem o presidente Lula”, comentou a senadora.

Por outro lado, o PT também disse que Lula continua candidato à Presidência da República “e sua candidatura será registada no dia 15 de Agosto, conforme a legislação eleitoral”.

Segundo o partido, Glesi Hoffmann foi designada como porta-voz política petista por Lula até que ele seja solto e ficará responsável pela articulação com outros partidos.

Fonte:http://opais.sapo.mz/pt-mantem-lula-como-seu-candidato-e-transfere-sede-para-curitiba

 

Jornal de Angola: Lula anima a cena política e conquista voto de milhões

por Altino Matos

Lula da Silva está na cadeia desde sábado mas continua a dominar a cena no Brasil muito por “culpa do seu carisma e percurso político”que o tornaram um homem bastante admirado  e perto de conseguir, agora, mais um feito: mudar “as leis da gravidade”, por ser o pré-candidato com a perspectiva mais forte de vitória nas presidenciais de Outubro.

Tecnicamente, Lula da Silva continua em campanha para a satisfação dos seus apoiantes
Fotografia: DR

Os brasileiros e o mundo aguardam, com grande expectativa, uma resposta sobre o futuro político imediato de Lula, que se traduz unicamente na sua participação ou não nas próximas eleições. Analistas políticos e especialistas em direito eleitoral divergem tanto em matéria jurídica como em aspectos de direitos humanos.
Mas, antes deste debate, o Brasil foi apanhado por um “cem número de conversas”a favor e contra a detenção de Lula da Silva, sendo que os ataques verbais mais violentos foram registados nas redes sociais, onde os internautas citavam a torre de controlo do aeroporto Afonso Pena e os tripulantes da aeronave que o transportou, como terem falado na hipótese de se desfazerem do embrulho ainda no ar, a que muitos julgam estarem a se referir a Lula. Especulações postas a parte, o certo é que o antigo Presidente do Brasil cumpre hoje o seu terceiro dia da pena de 12 anos e um mês sob acusação de corrupção.
As manifestações de afecto e solidariedade a Lula vão ser mantidas pelos seus apoiantes e partidários, como juraram figuras de destaque do PT, o Partido dos Trabalhadores. Os meios de comunicação social no Brasil reportaram que no primeiro dia da sua prisão na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula da Silva acordou num quarto “espartano”, tomou café com pão e assistiu ao jogo de sua equipa -numa TV muito simples-,  o Corinthians que venceu a disputa e se sagrou campeão paulista. A BBC Brasil cita uma fonte da Polícia Federal. Lula chegou à cadeia por volta das 22h locais de sábado (perto das 4h de domingo em Angola), e foi recebido por duas multidões separadas por um cordão da Polícia Militar do Paraná. Uma delas entoava palavras de ordem como “Lula guerreiro do povo brasileiro”, a outra gritava “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”.
No local, já estão montados, desde domingo, banheiros químicos, barracas de comida, eventos culturais e até um centro de informação, que distribui água e lanches. Por ironia do destino, o prédio foi inaugurado dez anos antes, em 2007, no segundo mandato de Lula, como parte dos esforços para dar mais estrutura à Polícia Federal no combate à lavagem de dinheiro – um dos crimes pelo qual Lula foi condenado.
A cela especial tem cerca de 15 metros quadrados e está localizada no terceiro andar. A sala, adaptada para receber o antigo Presidente, fica no centro do prédio e tem três janelas cobertas por vidros fumados, para impedir o contacto com o lado de fora, quarto de banho privado e não tem ar condicionado.
Apenas três oficiais têm acesso a Lula e não podem dizer nem se ele está acordado ou a dormir, de acordo com uma fonte da BBC Brasil na Polícia Federal.

Direitos políticos

Apesar da detenção de Lula da Silva, o PT mantém a intenção de inscrevê-lo como candidato à presidência na Justiça Eleitoral – e a legislação permite que isso seja feito. “Não será o PT que vai retirar Lula das eleições”, disse à imprensa o vice-presidente nacional do PT, Alexandre Padilha, nos Estados Unidos. “A lei estabelece que em Agosto são registadas as candidaturas. O nome de Lula estará lá. Vamos seguir a lei e caberá ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) avaliar esse registo. Lula continuará a ser o nosso candidato, preso ou não”, disse Padilha.
Mas existe no entanto a probabilidade de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) travar a candidatura do  antigo Presidente com base na “Lei da Ficha Limpa”. Esse processo não é automático, afirmam analistas. Segundo juristas ouvidos pela imprensa, a análise do pedido tende a levar algumas semanas, pois é preciso tempo para o Ministério Público e a defesa se manifestarem e pode haver também depoimento de testemunhas. O prazo final para o TSE se pronunciar é 17 de Setembro.
“A análise da Justiça Eleitoral pode durar de 20 a 25 dias. Enquanto isso está a acontecer, a pessoa que entrou com o pedido de inscrição tem direito a fazer campanha”, nota Lara Ferreira, professora de Direito Constitucional na faculdade Dom Helder Câmara e servidora do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais.
Não há previsão na legislação, porém, sobre como a campanha poderá ser feita na prática se Lula estiver na prisão, ressalta a professora.
De acordo com especialistas em Direito Eleitoral ouvidos pela BBC Brasil, caberá ao juiz responsável pela execução penal autorizar que o petista deixe a cadeia por algumas horas para gravar propaganda eleitoral, por exemplo, ou permitir a entrada de equipas de imagem na prisão. “Se ele estiver preso, estará sob a guarda do juiz Sergio Moro ou do juiz de execução penal. Então ele precisará pedir autorização. Se o juiz recusar, ele poderá recorrer às instâncias superiores”, explica Alberto Rollo, advogado na área eleitoral.
Um procurador eleitoral, ouvido pela BBC Brasil sob condição de não ser identificado, disse ter o mesmo entendimento. “Se a lei permite que a pessoa seja candidata enquanto sua inscrição está em análise, devem ser dados os meios para fazer a campanha”, afirmou.
Há também a possibilidade de Lula ser solto antes da campanha (16 de Agosto a 7 de Outubro), caso o Supremo Tribunal Federal reveja a sua decisão de permitir a prisão após condenação em segunda instância. Pode ser que a Tribunal reavalie o tema já na próxima semana, já que o ministro Marco Aurélio disse que levará a discussão ao plenário na quarta. Enquanto isso, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos aceitou a denúncia do antigo Presidente Lula da Silva sobre a conduta do juiz federal Sérgio Moro durante a Operação Lava Jacto. A informação foi divulgada pela defesa do político.
Os advogados de Lula, citados na imprensa, dizem que “na matéria protocolar de Julho, foram listadas diversas violações ao Pacto de Direitos Políticos e Civis, adoptado pela ONU, praticadas pelo juiz Sérgio Moro e pelos procuradores da Operação Lava-Jacto contra Lula”. “De acordo com a lei internacional, o Juiz Moro, por já haver cometido uma série de acções ilegais contra Lula, seus familiares, colaboradores e advogados, perdeu de forma irreparável a imparcialidade para julgar o antigo Presidente”, argumenta a defesa de Lula.

A eleição

Caso o Tribunal Superior Eleitoral recuse a candidatura de Lula, o PT pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal, alongando o processo. E se não houver uma definição até à eleição, marcada para Outubro, ele pode disputar as presidenciais.
Na hipótese de ele ficar entre os dois primeiros colocados na primeira volta, mas ser impedido da disputa antes da segunda volta, os seus votos seriam anulados e o terceiro colocado disputaria a corrida final no lugar de Lula, afirma o advogado Marcelo Peregrino, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina.
Uma eventual votação significativa mas que seja impedida na segunda volta pode levar a uma discussão séria sobre a “legitimidade do novo presidente”, observa Peregrino. Essas condições técnicas, no quadro da disposição jurídico-legal, mantêm a esperança de milhões de eleitores de votar em Luiz Inácio Lula da Silva.
O único dado certo é que Lula é de longe o político com a perspectiva mais forte de vencer as presidenciais. Caso vença, ainda pode ser impedido de assumir o cargo. “Nesse caso, o presidente da Câmara assume a Presidência da República e convoca novas eleições directas num prazo de 90 dias”, segundo o advogado Marcelo Peregrino.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/lula_anima_a_cena_politica_e_conquista_voto_de_milhoes

Guiné em busca de superar a crise politica

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O governo da Guiné deve garantir que suas forças de segurança atuem com moderação e respeito para preservar a vida humana em resposta aos protestos da oposição, disseram hoje a Human Rights Watch e a Anistia Internacional. Desde as eleições locais de 4 de fevereiro de 2018, pelo menos 15 pessoas foram mortas e dezenas de feridos em confrontos entre as forças de segurança, os manifestantes da oposição e os partidários do governo. Líderes da oposição suspenderam os protestos no final de semana da Páscoa, mas disseram que retomarão o dia 5 de abril.

Um aumento da retórica cada vez mais divisora ​​de todos os lados da divisão política, incluindo incidentes de discurso de ódio nas mídias sociais, aumentou a tensão social e criou o risco de mais violência. As autoridades devem tomar medidas imediatas para coibir o uso do discurso de ódio e os partidos políticos devem condenar os membros que o usam.

“Desde o início de 2018, a violência política mortal tem aumentado, levando a uma dolorosa perda de vidas e propriedades na capital da Guiné e além”, disse Corinne Dufka, diretora da Human Rights Watch na África Ocidental. “Como a Guiné se prepara para novas manifestações, é vital que as forças de segurança provem que podem agir imparcial e profissionalmente para facilitar as manifestações e proteger a oposição e os apoiadores do governo.”

A violência política na Guiné é alimentada por profundas divisões étnicas, com o partido no poder, o Rally do Partido Popular Guineense (Rassemblement du Peuple de Guinée, ou RPG), dominado pela etnia Malinké. Os apoiantes do maior partido de oposição, a União das Forças Democráticas da Guiné (União das Forças Democráticas da Guiné, ou UFDG) são em grande parte retirados do grupo étnico Peuhl.

As eleições locais da Guiné – a primeira desde 2005 – foram adiadas repetidamente desde 2010, quando o governo e a oposição não chegaram a um acordo sobre como organizá-las. A Comissão Eleitoral anunciou em 21 de fevereiro que o RPG havia ganho 3.284 assentos no conselho para os 2.156 da UFDG. Os vereadores eleitos, que também incluem centenas de representantes de partidos menores e candidatos independentes, elegerão agora prefeitos nas 342 comunas da Guiné.F039041A

Embora o dia das eleições fosse relativamente pacífico, no dia seguinte a oposição acusou o partido do poder de fraude eleitoral. A Comissão Eleitoral defendeu os resultados eleitorais, mas os partidários da oposição realizaram protestos semanais nas ruas, estabelecendo barreiras nos subúrbios de Conakry, a capital.guinee-conakry-regions

Várias manifestações corresponderam a uma greve de professores de um mês sobre remuneração e condições, e protestos estudantis sobre o fechamento de escolas devido à greve. Embora o governo tenha fechado um acordo para acabar com a greve dos professores em 13 de março, os líderes da oposição disseram em 23 de março que os protestos contra os resultados das eleições locais continuariam.aaaaguinee

As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo e, em alguns casos, munição, para dispersar os manifestantes e responder à violência dos manifestantes. Esses confrontos levaram à morte de pelo menos nove manifestantes ou espectadores, incluindo quatro pessoas assassinadas em 14 de março, e um gendarme que um porta-voz da polícia disse ter sido morto por uma pedra lançada por um manifestante em 19 de fevereiro.

As forças de segurança da Guiné têm uma história de usar força desnecessária e excessiva – muitas vezes resultando na perda de vidas – e sem neutralidade política. Enquanto isso, o governo alega que, nos últimos anos, pedras lançadas por manifestantes ou objetos pontiagudos de estilingues feriram e, em alguns casos, mataram membros da força de segurança e que alguns manifestantes carregam armas.

As tensões políticas também levaram à violência entre a oposição e os apoiadores do governo, disseram a Human Rights Watch e a Anistia Internacional. Um suposto incêndio criminoso em 5 de fevereiro matou cinco pessoas, incluindo quatro crianças, após confrontos entre o governo e partidários da oposição em Kalinko.

Líderes da oposição também pediram uma investigação sobre um incêndio em 17 de março no mercado de Madina, em Conakry, que destruiu centenas de lojas e quiosques, alegando que os partidários do governo haviam ameaçado atingir o mercado. O governo disse que a investigação sobre a causa do incêndio está em andamento, mas suspeitam que o incêndio tenha sido causado acidentalmente por um curto-circuito elétrico. A Human Rights Watch e a Anistia Internacional documentaram, desde 2010, a destruição de propriedade nos mercados por multidões associadas ao partido no poder, muitas vezes junto com membros das forças de segurança e, em menor escala, por partidários da oposição. Em 12 de março, os manifestantes vandalizaram meios de comunicação em Conakry.g

Os monitores de mídia, incluindo a Associação Guineense de Blogueiros, levantaram preocupações sobre um, que se refere à defesa do ódio nacional, racial ou religioso para incitar violência, hostilidade ou discriminação.

O governo tomou medidas preliminares para reduzir a tensão nas comunidades e garantir a responsabilização por supostos abusos. Em 14 de março, Gassama Diaby, ministro da unidade nacional e da cidadania, prometeu justiça às vítimas de violência durante as manifestações e disse que a Ordem dos Advogados guineenses forneceria advogados para as famílias das vítimas. Grupos de direitos humanos, incluindo a Human Rights Watch e a Anistia Internacional, escreveram para Diaby em 20 de março para apoiar a iniciativa e pedir a ele que cumprisse essas promessas.

Em 6 de março, Diaby também anunciou a criação de um comitê para monitorar o potencial discurso de ódio na mídia e na internet. Ele pediu um processo judicial contra um ministro do governo que, em discurso no dia 20 de fevereiro, disse aos membros do partido governista que eles deveriam “se vingar” dos responsáveis ​​por tumultos e danos materiais depois das eleições locais. Ao policiar o discurso do ódio, o governo guineense deve se referir ao Plano de Ação de Rabat, um conjunto de diretrizes apoiadas pela ONU que discutem como evitar a incitação à violência, hostilidade ou discriminação, ao mesmo tempo em que protegem a liberdade de expressão.

O governo também deve orientar todos os membros da força de segurança a respeitar os Princípios Básicos da ONU sobre o Uso da Força e Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis ​​pela Aplicação da Lei e pelas Diretrizes da Comissão Africana sobre Direitos Humanos e Povos nas Assembléias de Policiamento na África. aplicação prática desses princípios. Membros da força de segurança envolvidos em crimes graves e manifestantes que cometerem violência devem ser levados à justiça em julgamentos justos.

“Dada a longa história da Guiné em confrontos relacionados às eleições, o risco de mais violência continua alto”, disse François Patuel, Pesquisador da Anistia Internacional na África Ocidental. “O governo deveria enviar uma mensagem que os abusos de direitos humanos cometidos no contexto de manifestações serão investigados imparcialmente e processados ​​em julgamentos justos. Os líderes políticos na Guiné também devem fazer declarações públicas claras e fortes, nos níveis mais altos de cada partido, denunciando violência comunitária e discurso de ódio “.

Fonte:http://allafrica.com/stories/201803300110.html

Julius Maada Bio é o novo presidente de Serra Leoa

O candidato da oposição, Julius Maada Bio, foi proclamado vencedor da segundo turno das eleições realizadas sábado na Serra Leoa, anunciou quarta-feira a Comissão Nacional Eleitoral (NEC), tendo já sido ontem empossado numa cerimónia que decorreu num hotel da capital, Freetown.

Julius Maada Bio anuncia o começo de nova era para Serra Leoa
Fotografia: DR

Julius Bio, antigo militar golpista e líder do Partido Popular da Serra Leoa (SLPP), obteve 51,81 por cento dos votos, enquanto Samura Kamara, ex-ministro das Relações Exteriores e Finanças do Congresso de Todo o Povo (APC), no poder, terminou com 48,19 por cento, de acordo com os resultados divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral (NEC).
Ontem, o novo Presidente tomou posse num hotel de Freetown perante o presidente do Tribunal Supremo, Abdulai Hamid Charm.
Ernest Bai Koroma cumpriu dois mandatos de cinco anos e, face à Constituição, não se podia recandidatar.
Desde a Independência, em 1961, que os partidos APC e o SLPP alternam no poder neste país africano de cerca de sete milhões de habitantes.
Entre 1991 e 2002 o território foi devastado por uma guerra civil que causou 120 mil mortos e milhares de refugiados e de deslocados.
Os dois partidos contam com o apoio nas suas respectivas regiões, num país onde as preferências políticas geralmente coincidem com as etnias. A situação económica e social da Serra Leoa sofreu as consequências da queda do preço das matérias-primas e de uma epidemia de ébola  entre 2014 e 2016.  As condições de vida da população continuam a ser muito precárias, apesar de o país ter enormes reservas de minerais, em particular ferro e diamantes.
Na primeiro turno das eleições,  a 7 de Março, Julius Maada Bio obteve 43,3 por cento dos votos, enquanto  Samura Kamara registou 42,7 por cento. No seu discurso de tomada de posse, o novo Presidente afirmou que a Serra Leoa está a assistir ao início de uma nova era.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/oposicao_elege_novo_presidente

Crises frequentes afetam Presidência da Nigéria a menos de um ano das eleições

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Atentados e ataques terroristas, frequente falta de combustível, violência ligada à propriedade das terras e instabilidade no sudoeste do país (Biafra) são algumas das sucessivas crises que estão a pôr em causa uma eventual recandidatura do Presidente da Nigéria.

PRESIDENT BUHARI HOST ECOWAS LEADERS ON THE GAMBIA

PRESIDENTE BUHARI

Segundo a Bloomberg, a mais recente crise para Muhammad Buhari surgiu a 01 deste mês, quando alegados membros terroristas ligados ao Boko Haram assassinaram três funcionários humanitários das Nações Unidas e oito soldados num ataque nem Rann, nordeste do país, na mesma região em que, duas semanas antes, foram raptadas mais de 100 raparigas entre os 11 e os 19 anos.

As ações do Boko Haram acabaram por minar a reivindicação governamental que insistia na ideia de que o Boko Haram estava “tecnicamente derrotado”, lembra o site Bloomberg, alertando para os perigos de convulsão militar na já fustigada Áfroica Ocidental.

“Vão haver consequências políticas, pois é um profundo soco no estômago no moral dos soldados. É mais uma preocupação para Burahi”, afirmou Chetra Nwanze, analista e conselheiro da empresa de segurança e de informações SBM Intelligence, com sede em Lagos.

Apesar de Buhari, 75 anos, ainda não ter dado indicações quanto a uma recandidatura, o partido que lidera, o Congresso de Todos os Progressistas (APC), tem-no apoiado nessa ideia.

Buhari, aliás, conta ainda com alguma popularidade na região de onde é natural e que constitui a sua base política, situada no norte muçulmano da Nigéria, onde os problemas com o terrorismo e com extremismos islâmicos são constantes.

No entanto, muitos lembram que, em 2017, o Presidente nigeriano passou cinco meses em Londres em tratamento médico a uma doença ainda por revelar, situação agravada pelo facto de a coligação que o apoia começar a dar sinais de enfraquecimento.

Depois de uma visita aos cinco Estados nigerianos mais afetados pela violência, realizada ao longo da semana passada, Buhari decidiu reforçar a segurança nessas regiões para baixar a tensão.

“Todos pudemos testemunhar os inimagináveis atos de violência cometidos este ano. Aumentámos o número de agentes da segurança e de equipamentos e aceleramos o combate às armas ilegais”, sublinhou o Presidente nigeriano, agastado, paralelamente, com a descida de 12 lugares (caiu para o 148.º lugar entre 172 países) nos dados relativos a 2017 do Índice de Perceção de Corrupção, elaborado pela Transparência Internacional, com sede em Berlim.

Aspeto positivo para Buhari é o facto de a oposição do Partido Democrático Popular (PDP), ainda não ter conseguido recuperar da derrota eleitoral de 2015, o que tem inviabilizado, internamente, o surgimento de alternativas.

Também no lado positivo, apesar da frequente falta de combustíveis no país, a economia de um dos principais países exportadores de petróleo em África tem melhorado ligeiramente, tal como indicou o Gabinete Nacional de Estatísticas (NBS), com sede em Abuja, poderá crescer 2,1% já este ano, depois de um crescimento de 0,8% em 2017 e de uma contração de 1,6% em 2016.

buhari na onu“Se decidir recandidatar-se, Buhari será o principal candidato”, opinou Amaka Anku, diretora para África do Grupo Eurásia, instituição com sede em Washington, destacando que o Presidente nigeriano terá de manter a coligação das forças políticas que criaram a APC e que o levou a derrotar Goodluck Jonathan nas presidenciais de 2015.

De qualquer forma, alertou, os recentes raptos de raparigas voltaram a ser a notícia principal no país e não seria a primeira vez que o Boko Haram teria uma influência decisiva em eleições no país.

Amaka Anku sustentou que, em abril de 2014, quando os apoiantes do Boko Haram raptaram 276 raparigas em Chibok, no nordeste da Nigéria, abriram-se “brechas” na Presidência de Jonathan que nunca foram fechadas, dando espaço para Buhari.

No entanto, segunda-feira, Buhari indicou que, para já, privilegia o diálogo com o movimento extremista a uma ação militar para libertar as mais de uma centena de raparigas em poder do Boko Haram.

Antigo comandante militar na década de 1980, Buhari prometeu acabar com o Boko Haram nos meses que se seguiram ao início do mandato e, sob as suas ordens, as tropas nigerianas foram conseguindo importantes avanços, obrigando os insurgentes a largar os territórios ocupados e forçando-os também a regressar à velha tática da guerrilha. As incursões do Boko Haram, porém, não cessaram.

“O «timing» e o que sucedeu em Chibok são demasiado perfeitos, o que demonstra a perceção política dos insurgentes. Se as raparigas não forem resgatadas, as eleições serão influenciadas”, sublinhou à Bloomberg Idayat Hassan, diretor executivo do Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), com sede em Abuja.

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Mas os problemas de Buhari também vêm do lado do antigo Presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, que o apoiou nas eleições de 2015, e que, em janeiro deste ano, escreveu uma “carta aberta” a apelar ao atual chefe de Estado que não se recandidate e a acusá-lo de nepotismo e de incompetência na gestão económica do país.

“Esperemos que as primeiras páginas dos jornais não nos levem a crer que Buhari será fácil de bater. Não será fácil não”, concluiu Amaka Anku.