Primeira turbina da barragem hidroeléctrica de Laúca em Angola começa a funcionar

 

Cinco anos depois do início das obras, a barragem hidroeléctrica de Laúca entra em funcionamento hoje, com a inauguração da primeira de um conjunto de seis turbinas instaladas. Localizado na província de Malanje, o empreendimento que partilha o rio Kwanza com as barragens de Cambambe e Capanda, adiciona 2.070 megawatts (MW) à rede nacional de electricidade.

A primeira turbina da Barragem de Laúca começa hoje a produzir energia eléctrica
Fotografia: Rogerio Tuti | Edições Novembro

As restantes cinco turbinas entram gradualmente em funcionamento até 2018, mas já é ponto assente que Laúca é a maior barragem do país e que o rio Kwanza, onde perfilam agora três aproveitamentos hidroeléctricos, é a maior fonte de respostas às necessidades de electricidade do país, com margem para o surgimento de novas barragens.
Laúca resulta de um investimento público de 4,3 mil milhões de dólares, como parte do projecto “Angola Energia 2025”, que prevê o aumento substancial da oferta electricidade  às populações e ao sector produtivo.
Dados consultados pelo Jornal de Angola apontam para um aumento da procura de energia no país na próxima década, quatro vezes superior aos níveis actuais. Estima-se que a demanda atinja 7,2 Gigawatts até 2025, contra os 1,5 Gigawatts.
No quadro do projecto Angola Energia 2025, está previsto um incremento da potência instalada de 2 Gigawatts para 9,9 Gigawatts. A meta é chegar aos 60 por cento da população, o equivalente a 14 milhões de beneficiários em 2025. Para esse desiderato, Laúca garante um contributo de 2.070 megawatts.
O primeiro grupo gerador entra em funcionamento quatro meses depois do início do enchimento da albufeira, processo que, de acordo com técnicos, só termina em 2018, permitindo depois a entrada em funcionamento das seis turbinas.
Com 2.070 Megawatts, Laúca supera o dobro da capacidade das duas barragens, Cambambe (960 MW) e Capanda (520 MW), com as quais divide o médio Kwanza e reduz, em certa medida, o défice na produção de energia no país.
Considerada a maior obra de Engenharia Civil alguma vez feita em Angola, a barragem de Laúca, consumiu, só em betão, o equivalente à edificação de 40 estádios de futebol, 2.800 casas ou 465 edifícios de oito pisos.
A acomodação das turbinas implicou a construção de seis túneis subterrâneos numa extensão total de 12 quilómetros, além de um desvio do rio Kwanza. A quantidade de aço consumida equivale à construção de cinco torres Eiffel.
O gigante chamado Laúca tem duas centrais de produção de energia. A primeira é constituída por seis turbinas do tipo Francis Vertical, que vão produzir 334 MW cada. A segunda inclui uma central ecológica com capacidade para 65 MW.
O projecto Angola Energia 2025 obedece a várias etapas. Para o quinquénio 2013 -2017 estavam previstas, entre outras acções, a construção da segunda central da barragem de Cambambe, Laúca, a Central do Ciclo Combinado e a barragem de Caculo Cabaça.
A nova central constitui a segunda e a última etapa da barragem de Cambambe, que data de 1959. A intervenção resultou no aumento da capacidade de produção do empreendimento de 260 para 960 megawatts (MW).
A barragem de Laúca e a Central do Ciclo Combinado do Soyo que chegou a suscitar alguns receios quanto à capacidade de garantir a continuidade das obras face à crise financeira de 2014 estão no fim.

Melhor garantia

O início hoje da produção de Laúca, cujas obras iniciaram em 2012, com o lançamento da primeira pedra pelo então ministro de Estado e da Coordenação Económica, Manuel Vicente, actual Vice-Presidente da República, é a maior garantia de viabilidade do projecto Caculo Cabaça que vem para reforçar a estratégia de redução do défice de energia no país. À semelhança de Cambambe, Laúca e Capanda, Caculo Cabaça também nasce da força do rio  Kwanza.
O aproveitamento hidroeléctrico de Caculo Cabaça tem projectada uma barragem de betão com 103 metros de altura e 553 metros de desenvolvimento de coroamento, que vai permitir armazenar um volume total de cerca de 440 milhões de metros cúbicos de água.
Com a conclusão das obras prevista para 2022, a barragem de Caculo Cabaça deve acrescentar à rede nacional de electricidade 2.100 megawatts.

Potencial por explorar

O país explora apenas cinco por cento da potencialidade que dispõe em energia hídrica. Estudos revelam que Angola dispõe de 159 locais com potencial para grandes aproveitamentos hidroeléctricos.
O projecto Angola Energia 2025 procura inverter esta situação. Entre os objectivos a que se propõem estão o estudo da evolução da procura, necessidade do aumento das capacidades de produção, transporte e transformação, interligações dos sistemas, incluindo o sistema Leste ao Norte, assim como o sistema Norte ao Centro e, a posteriori ao sistema Sul e o mapeamento dos recursos renováveis.
Especialistas defendem que, além dos grandes empreendimentos, a malha energética do país deve contar com os pequenos empreendimentos hidroeléctricos locais, sobretudo, de iniciativa dos fazendeiros. São conhecidos casos em que, além de garantirem o fornecimento de electricidade aos equipamentos fabris e comerciais e aldeamentos, empresários agrícolas assistem as autoridades locais no fornecimento de electricidade a vilas e povoações.
O objectivo do Governo é que essas iniciativas satisfaçam entre cinco e 10 por cento das necessidades de energia eléctrica no país até 2025. O Instituto Regulador do Sector Eléctrico (IRSE) prevê que o Programa Nacional de Electrificação Rural garanta, até 2017, o acesso à energia eléctrica a 86 sedes municipais e 124 sedes comunais do país.

Segurança energética

As iniciativas no sector sucedem-se. Em 2011, foi aprovada, através do Decreto Presidencial nº 256/11 de 29 de Setembro, a Política e Estratégia de Segurança Energética Nacional, com o objectivo de definir as principais orientações estratégicas para o sector e redefinir o respectivo enquadramento institucional.

A longo prazo, a política assume a necessidade de transformação do sector para responder ao enorme desafio associado ao crescimento da procura, ao longo de seis eixos, nomeadamente crescimento do parque de geração, potenciação do papel das energias renováveis, expansão da electrificação, revisão tarifária e sustentabilidade económico-financeira, reestruturação e reforço dos operadores e promoção da entrada de capital e know-how privado.

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No âmbito da estratégia “Angola Energia 2025”, a rede nacional de transporte de energia eléctrica, sobre a qual incidem avultados investimentos públicos, passa a interligar todas as capitais provinciais do país, dentro dos próximos nove anos.
Datado de 2008 e concebido em linha com o Programa Nacional de Desenvolvimento de Longo Prazo 2018/2025, o projecto, considerado ambicioso por muitos, assenta num conjunto de infra-estruturas, grande parte delas já executadas e algumas em vias de conclusão, que vão permitir que, dentro de dois anos, Angola parta para a auto-suficiência energética.
A estratégia “Angola Energia 2025” marca a rotura com as soluções paliativas e assume o compromisso de garantir o acesso à energia eléctrica à generalidade da população angolana como forma de promover o desenvolvimento humano e impulsionar a indústria.
Para garantir uma maior participação de agentes privados no sector, a estratégia “Angola Energia 2025” pretende criar condições para reduzir os encargos de exploração e, por via disso, atrair novos agentes privados no sector.
Em 2013, o país tinha apenas 2.850 km de linhas eléctricas (de 60, 220 e 400kv) e o objectivo é atingir os 16.350 km em 2025. De igual modo, há relativamente pouco tempo, três anos sensivelmente, Angola dispunha apenas de 36 subestações ao longo da Rede Nacional de Transporte. O número tem vindo a subir, embora ainda esteja longe das 152 estações programadas para 2025.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/lauca_entra_em_producao

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A produção de açúcar está aquém das necessidades de Angola

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As projecções apontam a necessidade de importação de açúcar em Angola atinja os cerca de 15 por cento em 2020, com a Biocom nesta altura a atingir as 256 mil toneladas por ano e a cobrir pouco mais de 85 por cento do abastecimento ao mercado interno.
Um dos principais focos do Projecto Biocom para a primeira fase é cobrir a procura no mercado interno.

Actualmente o mercado consome cerca de 300 mil toneladas por ano. A Biocom, que é o único produtor no país, prevê atingir este ano as 47 mil toneladas e aumentar progressivamente a oferta até às 256 mil toneladas anuais em 2020. Os dados correspondem a projeções para a primeira fase do projecto que se propõe reduzir para apenas 15 por cento a necessidade de importação desse produto.
Para a segunda fase, já com mecado interno consolidado em termos de cobertura, está reservada para a exportação do açúcar “Kapanda”. Por essa altura a produção anual da Biocom andará a volta das 500 mil toneladas.
Depois da Independência Nacional é a primeira vez que o país produz açúcar cristal branco, etanol e energia através do bagaço da cana-de-açúcar. O Projecto Biocom tem-se destacado como um dos “grandes exemplos da viabilidade do processo de diversificação da economia angolana”.
Desde que começou a fase de produção, a Biocom tem somado resultados positivos. Na colheita de 2015-2016 produziu 24.770 toneladas de açúcar, 10.243 metros cúbicos de etanol e gerou 42 megawatts de energia eléctrica.
Na campanha de 2016-2017, que começou em Junho deste ano, foi definida a meta de 47 mil toneladas de açúcar, tendo sido superada para 51.514 toneladas, a produção do etanol chegou a 16 mil metros cúbicos para garantir a co-geração de 155 mil megawatts de energia. Em 2020-2021, altura em que se prevê atingir a capacidade máxima de produção da primeira fase, vão ser produzidas 256 mil toneladas de açúcar, 235 mil megawatts de energia eléctrica e 33 mil de metros cúbicos de etanol.

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A produção do açúcar da Biocom nesta primeira fase é destina ao mercado nacional, já a energia eléctrica é comercializada pela Empresa Nacional de Energia de Angola (RNT). O etanol hidratado vai atender a indústria nacional de produtos de limpeza e de bebidas alcoólicas espirituosas.
A Biocom representa o maior investimento privado de Angola fora do sector petrolífero, para o início da produção foram investidos 750 milhões de dólares. Ao longo da implementação do projecto foram alocados outros recursos dada a dinâmica da produção, com aquisição de mais meios técnicos e outros recursos, já foram investidos cerca de mil milhões de dólares.
A Biocom é uma empresa privada que tem como sócios a Cochan, com 40 por cento do capital, a Odebrecht detém também a mesma percentagem, e a Sonangol Holdings tem 20 por cento.
O projecto emprega 2.047 trabalhadores nacionais, em cada emprego directo são criados dez indirectos, a mão-de-obra é 91 por cento nacional. No processo agrícola e industrial a empresa utiliza tecnologia moderna e de ponta, que permite produzir açúcar, etanol e energia tendo como matéria-prima a cana-de-açúcar.

Melhor tecnologia

A Biocom conta com o mais moderno laboratório agrícola do país, que faz 320 análises por dia. Com capacidade para analisar o solo, folhas, corretivos e adubos, que fornece informações necessárias para tomada de decisões técnicas que resultam numa melhor produtividade da cultura de cana.
É através da análise do solo que se  avalia a sua fertilidade química. Com os resultados obtidos é possível determinar as quantidades adequadas de calcário e adubo necessários para melhorar a produtividade de forma tecnicamente correcta e economicamente adequada, para evitar gastos desnecessários.
Pereira Panzo, natural de Luanda, técnico de laboratório há sete meses na Biocom, explicou que para a realização de qualquer análise é necessária uma amostra de 300 gramas de solo. Para a colecta ideal é necessário seguir algumas orientações, como a escolha dos talhões homogêneos, que identificam a proporção de argila, areia, pedras, declividade, a cor e a profundidade do solo, posição no relevo, características de vegetação e o histórico de uso e adubação.
A colecta deve ser realizada após o término da colheita ou em áreas que serão plantadas pela primeira vez. O resultado da análise e a recomendação da adubação e calagem devem estar em mãos antes da primeira etapa de preparo do solo.
Para plantios convencionais que possam requerer calagem, recomenda-se colectar 120 dias antes do plantio.
Os pontos onde não podem ser realizadas colectas são aqueles que existem a presença de salalé, formigas ou que tenham sinais claros de atividade animal, áreas de depósito de adubos e calcário, próximo de instalações, estradas e trilhas.
A empresa mantém o seu próprio viveiro, onde são avaliadas as espécies de cana-de-açúcar mais adequadas às condições climáticas e de solo da região. O viveiro de mudas pré-brotadas da Biocom tem por objectivo acelerar, através de multiplicação rápida, as variedades com alto potencial de produtividade agrícola e alta qualidade da matéria-prima.
Pioneira no uso de técnicas avançadas de manejo, a empresa começou este ano a pulverização agrícola, para controlo de praga e adubação, com o uso de aeronave.
Tércia Bento, 37 anos, trabalha há oito anos na Biocom na área do laboratório de produção industrial. Natural de Malanje, disse que está satisfeita com o trabalho que faz. A técnica vive com um filho de dois anos, contou que o seu sonho sempre foi trabalhar em laboratórios. “Fiz um curso no Brasil de seis meses, onde aprendi quase tudo que sei hoje. Sinto-me satisfeita pelo que ganho aqui, dá para sustentar a mim e o meu filho”.

Programa de produtividade

A Biocom está empenhada na aplicação de um programa de produtividade que tem como meta conquistar a eficiência a partir da consciencialização dos seus quadros, gestos simples como a manutenção da limpeza e organização no local de trabalho, são exemplos de atitudes que contribuem para gerar a eficiência, que é sinônimo de produtividade.
Na área agrícola, quando um integrante se mantém atento às ocorrências que geram perdas e comunica esse facto ao seu líder, ele está a ser produtivo. Na indústria é fundamental observar o funcionamento das máquinas. Os integrantes da área administrativa devem primar pela pontualidade, assiduidade e agilidade. A empresa cumpre todos requisitos impostos pela Lei Geral do Trabalho, nomeadamente o abono de família.
Recebem horas extraordinárias todos aqueles que não estão no turno rotativo e trabalham entre as 20h00 e as 6h00, o valor adicional é de 20 por cento por cada hora de trabalho.
Para garantir os direitos sociais e a Segurança Social de cada trabalhador, a Biocom paga uma taxa de 11 por cento ao INSS e é descontado ao integrante três por cento todos os meses. O imposto Sobre o Rendimento de Trabalho é descontado numa percentagem que varia de acordo com o salário. É também pago o subsídio de aleitamento para os filhos  entre os zero e os três anos.

Processo de transformação

A colheita da cana é 100 por cento mecanizada. Depois de colhida na lavoura, ela passa por várias etapas, até ser transformada em açúcar e etanol, que da queima do bagaço ainda é gerada a energia eléctrica. Bartolomeu Zumba, líder de produção do açúcar, explicou à ­reportagem do Jornal de Angola que o transporte até à indústria é feito por 20 camiões, depois a cana é picada e desfibrada até chegar à moagem. A cana passa pelo difusor onde é extraído o caldo para a fabricação de açúcar e etanol e nesta etapa o bagaço é separado.
Natural do Cuanza Norte, Bartolomeu Zumba disse que na fase seguinte o bagaço é processado nas caldeiras para gerar vapor,  enviado para as turbinas de geradores de electricidade. Depois do caldo ser clarificado passa por evaporadores que removem grande parte da água e o transformam em um “xarope”. Esse líquido é bombeado para os tachos de cozimento para a cristalização do açúcar (sacarose).
As centrifugadoras separam os cristais de açúcar do líquido açucarado, denominado melado, contou. Em seguida, o açúcar passa no secador para retirar a umidade contida nos cristais. Na saída do secador o produto é enviado até ao silo ou armazém de onde é feito o ensacamento ou expedição a granel. “Diariamente produzimos entre oito a dez mil sacos de 50 quilos”, disse.
Após a fermentação a levedura é separada do vinho e recuperada por meio da centrifugação, depois segue para o aparelho de destilação onde o álcool é separado, concentrado e purificado até 99,6 por cento para a produção do etanol anidro (isento de água), por último o biocombustível é armazenado em grandes tanques ou reservatórios, onde diariamente podem produzir até 20 mil litros.
A área de produção conta com 25 máquinas colhedoras, dez plantadoras, com quatro distribuidora de cana. Só no mês de Outubro, no sector produtivo foram consumidos um milhão e 400 litros de combustível, com uma média diária de 46 mil litros.
Samba Domingos, operadora de máquina colhedora, recorda como foi difícil e ao mesmo tempo enriquecedor o início da sua carreira no campo, principalmente pelo facto de ser mulher. Vive em Malanje e para chegar a horas ao trabalho tem de acordar às 5h00, e larga às 15h20.
“Sinto orgulho por fazer parte deste projecto, antes sofria discriminação, os colegas desincentivavam a dizer que este não era trabalho para mim, mas esta contrariedade deu-me mais força para aprender e superar as expectativas e hoje faço o trabalho normalmente sem sobressaltos”, revelou.

Maior investimento

A Biocom representa atualmente o maior investimento privado em Angola, fora do sector petrolífero, e é um importante activo de desenvolvimento nacional. ­
Localizada no Pólo Agro-Industrial de Kapanda, ocupa uma área total de 81.201 hectares, dos quais 70.106 são cultiváveis e 11.095 reservados à preservação da fauna e flora local. As atividades da empresa englobam duas áreas de produção agrícola e industrial.
Os trabalhos na área agrícola funcionam durante todo o ano e incluem a preparação do solo, plantio e replantio e colheita da cana-de-açúcar, que este ano teve início em Junho e terminou em Outubro.
O terreno utilizado para o plantio e replantio precisa de correcções e nutrientes que permitem maior produtividade agrícola. Nesta primeira fase, a plantação de cana-de-açúcar está a ser feita numa área de 42.500 hectares, dos quais 15 mil já plantados.
A atividade industrial funciona em tempo integral durante todo o período de colheita, produzindo açúcar, etanol e energia.
Nos demais meses do ano, a indústria opera com a produção de energia através da queima de cavaco de madeira oriunda do processo de supressão vegetal das áreas da fazenda. Este período também é aproveitado para proceder à manutenção de todos os equipamentos da indústria.
Este regime de operação é típico da indústria de álcool proveniente da cana-de-açúcar em qualquer parte do Mundo e decorre da impossibilidade de colheita no período de chuva.

Consumo de açúcar

O açúcar produzido pela Biocom é destinado ao mercado interno. Já o etanol hidratado tem servido a indústria nacional de produtos de limpeza e de bebidas espirituosas, tendo reduzido em mais de 60 por cento as importações. A energia eléctrica é negociada com a Empresa Nacional de Energia de Angola (RNT), estando actualmente a fornecer ao município de Cacuso e parte de Luanda.
A aposta forte em recursos humanos e estruturas físicas tem contribuído significativamente para a continuação da produção agrícola, estudos, pesquisas de laboratório, equipamentos de ponta e mão-de-obra qualificada.
A empresa mantém o seu próprio viveiro, onde são avaliadas as espécies de cana-de-açúcar mais adequadas às condições climáticas e de solo da região. O viveiro de mudas pré-brotadas da Biocom tem por objectivo acelerar, através da multiplicação rápida, as variedades com alto potencial de produtividade agrícola e alta qualidade da matéria-prima. São 36 as variedades de cana-de-açúcar importadas da África do Sul, Brasil e Índia, das quais dez já se encontram plantadas.
A produção em Malanje é multifacetada. Homens e máquinas tiram partido do potencial de desenvolvimento. No total, 2.047 trabalhadores dão suporte ao projecto.
O espaço onde exercem a atividade corrente correspondente a 50 campos de futebol.
Toda a produção agrícola tem como objectivo alimentar a indústria instalada numa área de 17 mil hectares para a produção de açúcar, etanol e energia eléctrica.

Projecto social

O incentivo ao desenvolvimento econômico e sustentável para a promoção de renda faz parte da política social da empresa. Mais de 300 famílias beneficiam de um programa de agricultura familiar, onde todos os produtos são vendidos directamente à Biocom. Existe também a fabricação de sabão neutro a partir do óleo de cozinha usado. Mais de 20 mulheres da comunidade de Cacuso beneficiam do programa e têm a oportunidade de se desenvolverem profissionalmente e contribuir para o sustento das suas famílias.
Existe também um programa de desporto, educação, cultura e lazer que beneficia centenas de pessoas. A escola Palancas Negras, agregada ao projecto, oferece aulas de judo, jiu-jitsu e actividades culturais para dezenas de crianças e jovens da região de Cacuso.