Editorial do Estadão comenta discurso de posse do Ministro de Relações Exteriores

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Bem-aventurada será a Nação se o tresloucado discurso de posse do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ceder à realidade – pois pareceu tratar de outra dimensão – e não se concretizar nisto que vem sendo chamado de “guinada” na política externa brasileira.

De antemão, é importante deixar claro que é próprio da democracia que a política externa de um país reflita as escolhas manifestadas nas urnas. Políticas de Estado são expressões da vontade dos cidadãos, uma vez que o Estado não é um fim em si mesmo. Mas não é disso que se trata. Está-se diante de algo mais profundo do que a mudança de algumas diretrizes que pautam nossas relações externas. Estão sob ataque valores que têm sido o esteio do posicionamento do Brasil no mundo há sucessivas gerações.

Do que se ouviu durante exasperantes 32 minutos de uma fala obscura, empetecada por suposta erudição e eivada de revanchismo e fundamentalismo religioso, nada há de inspirador. O sentimento suscitado pelo chanceler Ernesto Araújo em seu discurso de posse não é outro senão de apreensão.

Paradoxalmente, o chanceler que propõe uma “reaproximação” do Itamaraty com o povo começou seu discurso citando em grego um versículo do Evangelho de São João: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Araújo também fez recorrentes citações em hebraico e tupi-guarani. Seria apenas pedantismo do diplomata não estivesse ele buscando fazer-se de erudito para demonstrar nada além de submissão. Pois a “verdade” que “libertará” o País, segundo ele entende, não é o interesse nacional, mas a “verdade” de seu chefe. “O presidente Jair Bolsonaro está libertando o Brasil por meio da verdade. Nós também vamos libertar a política externa brasileira, vamos libertar o Itamaraty”, disse Araújo, para quem, como se vê, o presidente, antes de ser Bolsonaro, é Messias.

O novo chefe da diplomacia comete gravíssimo erro ao ignorar deliberadamente que a tradição diplomática do País foi construída muito antes da ascensão do PT ao poder e, uma vez cassada a presidente Dilma Rousseff, tal tradição – baseada no multilateralismo, no princípio da não ingerência e no respeito aos tratados e leis internacionais – em boa hora foi retomada pelo governo de Michel Temer. Logo, não há que se falar em “libertação” do Itamaraty do jugo esquerdista. Isso já havia ficado para trás.

Mas não é apenas contra o tal esquerdismo que Ernesto Araújo se insurge. O chanceler é um apaixonado crítico do que chama de “globalismo”. Enquanto estiveram circunscritas a seu blog, as ideias do diplomata não representavam danos potenciais ao País. Agora, como ministro das Relações Exteriores, tudo que Araújo diz, pensa e escreve diz respeito ao interesse nacional. E o Itamaraty não é lugar para experimentos inconsequentes.

O ministro fez questão de deixar clara sua reverência ao presidente Donald Trump, um dos mais ferrenhos críticos do tal “globalismo”. Para Araújo, o presidente dos Estados Unidos é nada menos do que o redentor da cultura ocidental e dos valores judaico-cristãos, que, em sua visão, devem pautar as relações externas do País a partir de agora. O único problema é que o Brasil não é os Estados Unidos, não tem a mesma pujança bélica, política e econômica para sustentar suas bravatas. O alinhamento automático, nas condições descritas, põe o Brasil como foco da chacota internacional, no melhor cenário, ou sob risco de perder significativos mercados, no pior.

O chanceler cerrou fileiras ao lado da Itália, da Hungria e da Polônia, além dos EUA, o que poderá gerar sérias consequências para o Brasil, tanto políticas como econômicas.

Mais preocupado em tecer considerações sobre uma “teofobia horrenda”, o “ódio contra Deus”, e em estabelecer correlações estapafúrdias para defender sua visão de mundo, quase nada se ouviu de Ernesto Araújo sobre questões práticas da política externa em sua gestão à frente do Ministério das Relações Exteriores. E o discurso de posse do chanceler deveria ser – como ocorre em qualquer país sério do mundo – uma definição da política externa a ser seguida dali em diante.

O ministro afirmou que o Itamaraty deve “regressar ao seio da pátria amada”, pois “não existe para si mesmo”. É verdade. Mas se deseja “reconectar” diplomacia e sociedade, servirá muito mais ao País se pautar a política externa pelo interesse nacional, e não por esdrúxulas crenças pessoais.

Paulo Cordeiro , Embaixador no Líbano visita Força Tarefa Marítima

No dia 19 de outubro, o Comandante da Força-Tarefa Marítima da UNIFIL (FTM-UNIFIL), Contra-Almirante Eduardo Machado Vazquez, recebeu pela primeira vez, a bordo da Fragata Liberal, o novo Embaixador do Brasil no Líbano, Paulo Cordeiro de Andrade Pinto, acompanhado do Ministro-Conselheiro, Jandyr Ferreira dos Santos Júnior.
O Embaixador teve a oportunidade de acompanhar uma apresentação proferida pelo Comandante da FTM-UNIFIL, abordando os aspectos gerais da missão no Líbano, as atividades diárias da Força Tarefa Marítima e seus desafios futuros; bem como os principais assuntos conjunturais do país e seus possíveis reflexos para a missão da FTM.
Posteriormente, a comitiva do Embaixador realizou uma visita às instalações do navio, passando pelo Centro de Operações de Combate, com explanação sobre a rotina diária de compilação do quadro tático de superfície e aéreo, realizada pelo Chefe de Operações da Fragata Liberal, e pelo Passadiço.
O Brasil faz parte da UNIFIL desde 2011, quando passou a integrar e a comandar a Força-Tarefa Marítima da UNIFIL, atualmente composta por 774 militares e seis navios, de seis diferentes nacionalidades: Alemanha, Bangladesh, Grécia, Indonésia com sua aeronave orgânica Dauphin AS 365, Turquia e, como Flag Ship da FTM-UNIFIL, a Fragata Liberal, com sua aeronave orgânica Super Linx AH-11A, da Marinha do Brasil.
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A nova embaixadora brasileira no Sudão

Da Redação | 31/10/2018, 17h15 – ATUALIZADO EM 31/10/2018, 17h32

Por 52 votos favoráveis e um voto contrário, o Plenário aprovou nesta quarta-feira (31) a indicação da diplomata Patrícia Maria Oliveira Lima para o cargo de embaixadora do Brasil no Sudão. A aprovação da indicação, relatada pela senadora Ana Amélia (PP-RS), será comunicada à Presidência da República.

Entre as funções desempenhadas por Patrícia Maria Oliveira Lima destacam-se a de chefe da Assessoria Internacional da Controladoria-Geral da União (CGU) da Presidência da República (2003/06); assessora do Departamento de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em 2006/07; coordenadora do Departamento de Estrangeiros do MRE (2007/09); conselheira na embaixada em Lima (2009/11); assessora técnica do Departamento da África do MRE (2011/14); e conselheira e ministra na embaixada no Kuwait (2014/17). Deste 2018, a diplomata encontra-se no Grupo de Assistência Operacional e Administrativa do MRE.

Sobre o Sudão

A república do Sudão ocupa território com dimensão equivalente à área dos estados do Amazonas e Tocantins somados. Trata-se do terceiro maior país da África, mesmo após ter perdido 25% de sua área territorial com a secessão do Sudão do Sul, em 2011. Nessa superfície vivem aproximadamente 37 milhões de habitantes. Em 2017, seu Produto Interno Bruto (PIB) foi, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), de US$ 119 bilhões de dólares, o que propicia um Produto Interno Bruto (PIB) per capita de US$ 3.186.

O Sudão é uma república presidencialista, com 97% da população de religião islâmica e cuja capital está sediada na cidade de Cartum, onde vivem cerca de 5 milhões de habitantes. Apesar de Brasil e Sudão terem estabelecido relações diplomáticas em 1968, elas adquiriram maior dinamismo neste século. Os longos conflitos civis entre o norte e o sul do país (1955-1972 e 1983-2005) constituíram entrave ao adensamento das relações bilaterais.

O fim do conflito, em 2005, contribui para o movimento de aproximação entre os dois países. Em 2004, o Sudão abriu embaixada residente em Brasília, a primeira daquele país na América do Sul. Em reciprocidade ao gesto sudanês, o Brasil estabeleceu embaixada em Cartum, em 2006.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

fonte:https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2018/10/31/aprovada-indicacao-de-patricia-lima-para-a-embaixada-do-brasil-no-sudao

O novo embaixador brasileiro na Tanzânia

Da Redação | 30/10/2018, 18h25 – ATUALIZADO EM 30/10/2018, 18h42

Por 42 votos a 2, e uma abstenção, o Plenário do Senado aprovou a indicação do diplomata Antonio Augusto Martins Cesar para exercer o cargo de embaixador do Brasil na Tanzânia. Ele também chefiará as embaixadas brasileiras em Comores e em Seicheles.

Formado pelo Instituto Rio Branco em 1997, Antonio Augusto Martins Cesar já serviu nas embaixadas do Brasil em Caracas (Venezuela), San Salvador (El Salvador), Assunção (Paraguai), Lisboa (Portugal), Pretória (África do Sul) e Windhoek (Namíbia).

O Brasil estabeleceu relações diplomáticas com a Tanzânia em 1970. Em 1979, foi criada a embaixada brasileira em Dar es Salam, desativada em 1991. Em março de 2005, a representação brasileira foi reaberta. O governo tanzaniano estabeleceu sua embaixada em Brasília em 2007.

Localizada na África Oriental, é um país populoso, com 56 milhões de habitantes distribuídos em uma área de 885.800 km². Dodoma é a capital oficial e sede do Legislativo. Já a cidade de Dar es Salam é a sede do Executivo e do Judiciário.

Em setembro de 2016, o Senado aprovou projeto de acordo para perdão de 86% da dívida da Tanzânia com o Brasil e reescalonamento dos restantes 14% em duas parcelas iguais de US$ 16,69 milhões, pagas em 15 de novembro de 2017 e 15 de maio de 2018. O acordo foi assinado em setembro de 2017.

O equacionamento definitivo da questão da dívida constitui passo fundamental para normalizar as relações econômico-comerciais bilaterais, uma vez que permite a abertura de novos canais de financiamento de projetos que tenham a participação de empresas brasileiras, sobretudo na área de infraestrutura, incremento dos negócios e financiamento de exportações, o que deverá favorecer as trocas comerciais entre os dois países.

Em 2017, as exportações brasileiras para a Tanzânia foram de US$ 29,84 milhões e as importações foram de apenas US$ 50 mil. Basicamente, o Brasil exportou açúcar (bruto e refinado) e máquinas e aparelhos agrícolas (incluindo tratores) e importou serviços de mesa e outros artigos domésticos de plástico. Conforme o Itamaraty, há registro de 131 cidadãos brasileiros na Tanzânia.

Comores

Comores é um conjunto de três ilhas no litoral sudeste africano, com cerca de 2 mil km² e 800 mil habitantes, sendo um dos menores países do continente africano em termos territoriais, populacionais e econômicos.

Com PIB per capita de apenas US$ 869,01 (44ª posição entre os países africanos), Comores está entre os países mais pobres do mundo.

A economia do país tem apresentado taxas de crescimento econômico da ordem de 2% (2,5%, em 2017). O setor agrícola, incluída a pesca, representa cerca de 49,5% do PIB e fornece a maioria dos produtos exportados.

Os principais itens de exportação são baunilha, cravo e ylang-ylang (essência para a indústria de perfumes). A dependência da importação de itens de primeira necessidade resulta em déficit estrutural na balança comercial comoriana.

As relações do Brasil com a União das Comores são relativamente recentes (estabelecidas em 2005) e ainda carecem de densidade. Em 2017, as exportações brasileiras para Comores foram de US$ 2,65 milhões e as importações foram de somente US$ 20 mil. Basicamente, o Brasil exportou carne bovina e importou óleos essenciais.

Seicheles

Seicheles é um país formado por 115 ilhas a norte e nordeste de Madagascar. Com 455 km² e cerca de 94 mil habitantes, é o menor país da África.

Seicheles é uma das vinte menores economias do mundo, conforme dados do Banco Mundial. Apesar disso, conta com a segunda maior renda per capita da África e o melhor índice de IDH do continente.

Estima-se que, em 2017, o PIB seichelense tenha sido da ordem de US$ 1,5 bilhão, com crescimento acima de 4% em relação a 2016. O país alcançou a maior parte dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU, principalmente aqueles relacionados a educação, saúde, erradicação da pobreza e meio ambiente.

Fortemente baseada no setor terciário, a economia seichelense é caracterizada pela grande dependência das atividades de turismo e de pesca e pela vulnerabilidade às mudanças no cenário econômico internacional.

Apesar de o setor de turismo ser o principal motor da economia seichelense, o país tem buscado diversificar sua economia. Seicheles e Brasil estabeleceram relações diplomáticas em 1986, quando a Embaixada do Brasil em Dar es Salam assumiu cumulativamente os temas relacionados àquele país.

Em 2017, as exportações brasileiras para Seicheles foram de US$ 9,46 milhões e as importações foram de apenas US$ 120 mil. Basicamente, o Brasil exportou pescados e carnes de frango, suína e bovina e importou artigos de plástico para transporte ou embalagem.

Embaixadorbrasileiro em Angola afirma que a politica externa não mudará

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Mundo

O embaixador do Brasil em Angola disse hoje que, com a mudança de Presidente, a política brasileira para Angola e para África vai manter-se, recusou a existência de partidos extremistas no país e negou que Jair Bolsonaro “seja fascista”.

Numa conferência de imprensa na missão diplomática em Luanda, destinada a esclarecer dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro e o que será o futuro das relações do Brasil com África, Paulino Carvalho Neto assegurou que a ligação com Angola não será alterada e garantiu que as 35 embaixadas brasileiras em África continuarão a trabalhar em prol do desenvolvimento.

“As relações com Angola continuam e continuarão intensas e tradicionais. Já cooperamos com Angola em diversas frentes, na cooperação técnica, na saúde, na educação, além das relações comerciais, que são intensas, sem falar nas culturais, pois temos o Centro cultural Brasil-Angola em Luanda”, afirmou.

Questionado pela agência Lusa sobre se a política brasileira para África, lançada pelo antigo presidente Luís Inácio Lula da Silva, estaria em perigo com a mudança de chefe de Estado, Paulino Neto disse que nada irá mudar.

“Não, de modo algum. O Brasil mantém e manterá relações intensas com todos os países. Temos uma prioridade básica inicial, como Angola tem aqui com os países da África Austral e subsaariana, [que é desenvolver as relações comerciais] na América do Sul. Mas mantemos e manteremos relações intensas com todos os países africanos”, disse, lembrando a rede de 35 embaixadas em África, que vai manter-se.

Sobre a política interna brasileira, Paulino Neto considerou “equivocados” os que pensam que o Presidente eleito está ligado à extrema-direita ou que é “fascista”.

“No Brasil não há extrema-direita nem extrema-esquerda. Há partidos conservadores de direita e partidos de esquerda. O Presidente eleito é um liberal conservador, não é um político de extrema-direita, ao contrário do que muitas vezes é dito, equivocadamente”, sublinhou.

“Como também o Partido dos Trabalhadores (PR) não é um partido de extrema-esquerda, é um partido de centro-esquerda e de esquerda nalguns momentos. Essa tendência de alguns setores da opinião pública e de alguns meios de comunicação [social] verem aí algum extremismo parece-me absolutamente inadequada e não corresponde à realidade”, acrescentou.

Para o diplomata brasileiro, Jair Bolsonaro já indicou que irá adotar uma política liberal e privilegiar a iniciativa privada, facto que os analistas económicos afirmam que “poderá fazer crescer ainda mais” a economia brasileira, criando riqueza, emprego e mais investimentos.

“E isso tem também um efeito externo, pois as empresas brasileiras que estão presentes noutros países poderão investir mais”, sublinhou.

Sobre as acusações de “fascismo, xenofobia e racismo” feitas a Bolsonaro, o embaixador brasileiro afirmou tratar-se de uma visão “absolutamente equivocada”.

“Acho uma visão absolutamente equivocada essa ideia de usar a expressão `fascismo` sem saber exatamente do que se trata. Historicamente, o fascismo não foi isso e o Presidente eleito Bolsonaro está muito longe disso. É uma opinião, respeitável, mas equivocada. O discurso e a campanha política que [Bolsonaro] se fez no Brasil não corresponde a essas qualificações. É uma opinião que terá de estar baseada em facto, e os factos não favorecem essa opinião”, referiu.

O candidato do Partido Social Liberal (PSL, extrema-direita) Jair Messias Bolsonaro, 63 anos, capitão do Exército reformado, foi eleito no domingo, na segunda volta das eleições presidenciais, o 38.º Presidente da República Federativa do Brasil, com 55,1% dos votos.

De acordo com os dados do Supremo Tribunal Eleitoral, Fernando Haddad, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT, esquerda), conquistou 44,9% dos votos, enquanto a abstenção foi de 21%, do total de mais de 147,3 milhões de eleitores inscritos.

fonte:https://www.rtp.pt/noticias/mundo/embaixador-em-angola-diz-que-politicas-para-africa-vao-continuar_n1108139

Embaixadora do Brasil em Camarões e Chade afirma Brasil precisa investir na África

Brasil precisa investir mais na África, alerta diplomata na CRE

 


Senador Fernando Collor (PTC-AL), presidente da CRE, recebe a diplomata Vivian Loss SanMartin Pedro França/Agência Senado



A África é hoje um continente com enorme potencial de crescimento, com 300 milhões de pessoas na classe média, riquíssimo em recursos naturais e com uma maioria de população “jovem e entusiasmada”. Esse foi o quadro apresentado pela diplomata Vivian Loss Sanmartin durante sua sabatina na Comissão de Relações Exteriores (CRE) nesta quinta-feira (22). A indicação de seu nome para chefiar as embaixadas brasileiras no Camarões e no Chade foi aprovada pelo colegiado. A MSF 8/2018 segue para análise do Plenário do Senado.central-africa

Vivian Sanmartin  defendeu a diplomacia Sul-Sul e a abertura e manutenção de representações brasileiras no continente africano. Reforçou que a África já é tratada internacionalmente como “a próxima fronteira do desenvolvimento capitalista”, e disse que o Brasil vai ficar para trás se não solidificar estratégias para a ocupação desses mercados.

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– A China por exemplo, somente em seu plano quinquenal 2016-2020, está investindo U$ 60 bilhões em países africanos. São 300 projetos de infraestrutura, uma presença avassaladora. E eles não querem só recursos. Estão olhando para o potencial desses mercados. É claro que não vamos concorrer com a China, mas alerto que países como a Índia e a Turquia também já têm estratégias próprias voltadas para este continente – informou.

Leia:  PRB faz mistério sobre Taques e lança Serys para federal

Diplomacia Sul-Sul

Para o vice-presidente da CRE, senador Jorge Viana (PT-AC), o Brasil é muito beneficiado, inclusive economicamente, quando busca aproximar-se de nações em desenvolvimento da África, Ásia e América Latina. Ele citou dados relativos ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) segundo os quais estratégias nessa direção produziram um superavit comercial da ordem de U$ 330 bilhões.

– Um número muito superior aos oito anos anteriores, quando o índice foi de U$ 30 bilhões. Além disso, elegemos brasileiros para as presidências da OMC [Organização Mundial do Comércio] e da FAO [Organização das Nações Unidas], algo que jamais conseguiríamos sem o apoio das nações do Sul – afirmou.

Na sabatina, Vivian Sanmartin disse que o governo de Camarões analisa a possibilidade de aquisição de aviões Supertucano da Embraer, o que será um dos focos de sua atuação caso tenha sua indicação confirmada pelo Senado. Outra prioridade, disse ela, será a exportação de produtos industriais como tratores, escavadoras e máquinas niveladoras.

– Aí a concorrência é direta com a China também. O mesmo se dá na exportação de automóveis, pneumáticos e turbinas hidráulicas, mas o potencial existe, é uma questão de ocupação de mercados – disse.

A senadora Ana Amélia (PP-RS) pediu que a embaixada priorize a importação de arroz por parte de Camarões, uma vez que a nação africana não produz cereais, enquanto o Rio Grande do Sul tem experimentado excedente na produção. Sanmartin informou que o Itamaraty já desenvolve estratégias nesse sentido, mas observou que até aí será necessário enfrentar a já estabelecida concorrência chinesa.

Dibrw:https://www.cenariomt.com.br/2018/03/22/brasil-precisa-investir-mais-na-africa-alerta-diplomata-na-cre/

Ministro das Finanças de Angola visita o Brasil em busca de reabertura de linha de crédito

                  Archer Mangueira, ministro das Finanças de Angola                                   Foto: Angop

De acordo com uma nota de imprensa do Ministério das Finanças, a visita do governante angolano inclui a negociação para a reabertura dos desembolsos da Linha de Crédito para o financiamento de alguns projetos de investimento público, inscritos no Orçamento Geral do Estado de 2018.ministro das finanças1

Durante a visita a Brasília estão previstos, entre outros, encontros oficiais com os ministros das Relações Exteriores e da Fazenda do Brasil, respectivamente Aloysio Nunes e Henrique Meirelles, bem como Paulo Rebelo de Castro, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES).39261213464_6fd721ee26_b

Ainda em Brasília, Archer Mangueira vai reunir-se com vários CEO de empresas brasileiras com interesses em Angola, assim como altos responsáveis de instituições financeiras internacionais, como o Credit Suisse, o Standard Bank e o Banco UBS.26099171688_6edc5955da_b.jpg

O BNDES já financiou vários projetos de impacto socioeconômico em Angola,  na sua maioria realizados pelo grupo brasileiro Odebrecht, no centro do escândalo de corrupção em torno da estatal de petróleos Petrobras, investigado pelas Justiça, com realce para a construção da Barragem Hidroelétrica de Laúca, a Barragem de Cambambe, o sistema de abastecimento de águas às cidades de Benguela, Lobito e Catumbela, a construção da Via Expresso Luanda-Viana, a construção do Aeroporto Internacional da Catumbela e a construção do Pólo Industrial de Capanda, entre outros.

 

https://africa21digital.com/2018/01/29/34633/

Ex-Embaixadores dos Estados Unidos pedem a Trump para reavaliar suas opiniões sobre a África

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Prezado Sr. Presidente,

Como ex-embaixadores dos EUA em 48 países africanos, escrevemos para expressar nossa profunda preocupação com os relatos de suas recentes observações sobre países africanos e para atestar a importância de nossas parcerias com a maioria dos cinquenta e quatro países africanos. A África é um continente de grande talento humano e rica diversidade, bem como extraordinária beleza de recursos naturais quase incomparáveis. É também um continente com profundos laços históricos com os Estados Unidos.

Como embaixadores americanos no exterior, vimos as complexas e ricas culturas de África, um acolhimento impressionante e uma generosidade e compaixão de tirar o fôlego. Mesmo que haja algumas nações enfrentando desafios, contamos entre nossos contatos empresários dinâmicos, artistas talentosos, ativistas comprometidos, ambientalistas apaixonados e educadores brilhantes. Aprendemos a dar novas soluções a problemas complexos, ajudamos as empresas americanas a encontrar parceiros críticos para o sucesso e a contarmos  com funcionários públicos,  militares  de inteligência africanas que muitas vezes assumiram riscos reais para ajudar a alcançar resultados críticos para nossa segurança.

Sabemos que o envolvimento respeitoso com esses países é uma parte vital da proteção de nossos próprios interesses nacionais. Os Estados Unidos da América são mais seguros, mais saudáveis, mais prósperos e melhor equipados para resolver problemas que enfrentam toda a humanidade quando trabalhamos, ouvimos e aprendemos com nossos parceiros africanos. Nós também sabemos que o mundo inteiro é mais rico por causa das contribuições dos africanos, incluindo os muitos americanos de ascendência africana.

 
Foi uma das maiores honras de nossas vidas  representar os Estados Unidos da América no exterior. Também foi um privilégio viver e aprender com os diversos e esplendidos países  da África. Esperamos que você reavalie suas opiniões sobre a África e seus cidadãos e reconheça as importantes contribuições que os africanos e os afro-americanos criaram e continuam a fazer em nosso país, nossa história e os laços duradouros que sempre ligará a África e os Estados Unidos.

Atenciosamente,

Mark L. Asquino – Equatorial Guinea
Shirley E. Barnes – Madagascar
William (Mark) Bellamy – Kenya
Eric D. Benjaminson – Gabon, Sao Tome and Principe
Michele Thoren Bond – Lesotho
Parker W. Borg – Mali
Aurelia E. Brazeal – Kenya, Ethiopia
Pamela Bridgewater – Benin, Ghana
Reuben E. Brigety II – African Union
Kenneth L. Brown – Ivory Coast, Ghana, Republic of the Congo
1Steven A. Browning – Malawi, Uganda
Edward P. Brynn – Burkina Faso, Ghana
John Campbell – Nigeria
Katherine Canavan – Botswana
Timothy Carney – Sudan
Johnnie Carson – Uganda, Zimbabwe, Kenya, Assistant Secretary of State for African Affairs
Phillip Carter – Ivory Coast, Guinea-Conakry
Herman Cohen – Senegal, Assistant Secretary of State for African Affairs
Frances D. Cook – Burundi, Cameroon
Walter L. Cutler – Democratic Republic of the Congo, Tunisia
Jeffrey S. Davidow – Zambia
Ruth A. Davis – Benin, Director General of the Foreign Service
Scott H. DeLisi – Uganda, Eritrea
Christopher Dell – Angola, Zimbabwe, Deputy Ambassador at AFRICOM
Harriet Elam-Thomas – Senegal, Guinea-Bissau
Gregory W. Engle – Togo
James F. Entwistle – Nigeria, Democratic Republic of the Congo
Robert A. Flaten – Rwanda
Robert S. Ford – Algeria
Patrick Gaspard – South Africa
Michelle D. Gavin – Botswana
Donald H. Gips – South Africa
Gordon Gray – Tunisia
Robert E. Gribben – Central African Republic, Rwanda
Patricia McMahon Hawkins – Togo
Karl Hofmann – Togo
Patricia M. Haslach – Ethiopia
Genta Hawkins Holmes – Namibia
Robert G. Houdek – Uganda, Eritrea
Michael S. Hoza – Cameroon
Vicki J. Huddleston – Madagascar, Mali
Janice L. Jacobs – Senegal
Howard F. Jeter – Botswana, Nigeria
Dennis C. Jett – Mozambique
Jimmy J. Kolker – Burkina Faso, Uganda
Edward Gibson Lanpher – Zimbabwe
Dawn M. Liberi – Burundi
Princeton N. Lyman – Nigeria, South Africa
Jackson McDonald – The Gambia, Guinea
James D. McGee – Swaziland, Madagascar, Comoros, Zimbabwe
Roger A. Meece – Malawi, Democratic Republic of the Congo
Gillian Milovanovic – Mali
Susan D. Page – South Sudan
David Passage – Botswana
Edward J. Perkins – Liberia, South Africa, Director General of the Foreign Service
Robert C. Perry – Central African Republic
Thomas R. Pickering – Nigeria
Jo Ellen Powell – Mauritania
Nancy Powell – Uganda, Ghana
Anthony Quainton – Central African Republic
Elizabeth Raspolic – Gabon, Sao Tome and Principe
Charles A. Ray – Zimbabwe
Fernando E. Rondon – Madagascar, Comoros
Richard A. Roth – Senegal, Guinea-Bissau
Robin Renee Sanders – Republic of the Congo, Nigeria
Mattie R. Sharpless – Central African Republic
David H. Shinn – Burkina Faso, Ethiopia
A. Ellen Shippy – Malawi
George M. Staples – Rwanda, Cameroon, Equatorial Guinea, Director General of the Foreign Service
Linda Thomas-Greenfield – Liberia, Director General of the Foreign Service, Assistant Secretary of State for African Affairs
Jacob Walles – Tunisia
Lannon Walker – Senegal, Nigeria, Ivory Coast
Melissa F. Wells – Cape Verde, Guinea-Bissau, Mozambique, Zaire (Congo-Kinshasa)
Joseph C. Wilson – Gabon, Sao Tome and Principe
Frank G. Wisner – Zambia, Egypt
John M. Yates – Cape Verde, Benin, Cameroon, Equatorial Guinea, Permanent Charge (3 years) Zaire, Special Envoy for Somalia
Mary Carlin Yates – Burundi, Ghana, Sudan
Johnny Young – Sierra Leone, Togo

Embaixadas de Portas Abertas visita o Gabão

Estudantes do Centro de Ensino Fundamental 21 de Taguatinga estiveram na residência oficial do país africano nesta quinta-feira (24)

LARISSA SARMENTO, DA AGÊNCIA BRASÍLIA

Trinta alunos do Centro de Ensino Fundamental 21 de Taguatinga conheceram hoje um pouco da cultura do Gabão, por meio do Embaixada de Portas Abertas.

O embaixador do Gabão, Jacques Michel Moudoute-Bell, e a embaixatriz, Julie Pascale Moudoute-Bell.
O embaixador do Gabão, Jacques Michel Moudoute-Bell, e a embaixatriz, Julie Pascale Moudoute-Bell. Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Na visita à residência oficial do país africano, no Lago Sul, eles puderam assistir a documentários e experimentar comidas típicas. Além disso, conheceram artefatos locais como máscaras, esculturas, roupas e adereços.

Idealizadora do programa, a colaboradora do governo Márcia Rollemberg participou do encontro de hoje e ressaltou as semelhanças do Brasil com o Gabão, por causa da origem africana. “Conhecer os países da África é sempre uma descoberta do próprio Brasil.”

Ela reafirmou ainda que cuidar das crianças é uma prioridade de governo — as atividades do Embaixadas de Portas Abertas fazem parte do programa Criança Candanga, conjunto de políticas públicas voltadas para a infância e a adolescência em Brasília.

O embaixador do Gabão, Jacques Michel Moudoute-Bell, disse ter aceitado o convite de imediato porque acredita que crianças são os melhores canais para captar informação. “É muito bom ajudar meninos e meninas dessa idade a conhecerem um novo país.”

A embaixatriz local, Julie Pascale Moudoute-Bell, fez questão de mostrar como o prato oferecido foi feito. Segundo ela, a culinária gabanesa é parecida com a brasileira. Foi servido aos alunos espinafre com camarão e algumas receitas com banana-da-terra.

A embaixatriz do Gabão, Julie Pascale Moudoute-Bell, demonstrou aos alunos e à colaboradora do governo e idealizadora do projeto, Márcia Rollemberg, como a banana-da-terra é amassada em pilão de madeira
A embaixatriz do Gabão, Julie Pascale Moudoute-Bell, demonstrou aos alunos e à colaboradora do governo e idealizadora do projeto, Márcia Rollemberg, como a banana-da-terra é amassada em pilão de madeira. Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Na cozinha da residência, Julie demonstrou como a banana é amassada com a ajuda de um grande pilão de madeira, o que é, de acordo com ela, uma tradição.

Entusiasmado após ter contato com a comida diferente, o estudante Guilherme Kauã, de 11 anos, ficou com vontade de conhecer mais países. “Foi uma experiência nova aprender sobre outras culturas”, disse.

Segundo o colega Ryckellme de Souza, também de 11 anos, o interessante foi ver as esculturas de pedras raras apresentadas. “A gente ganha aprendizado, antes eu não conhecia o Gabão.”

Para a coordenadora da escola, Alexandra Pereira, apresentar novas possibilidades para os alunos é importante para ampliar a visão de mundo deles. “É aumentar em cada um o sonho de ir mais longe e construir uma vida diferente.”

O programa Embaixadas de Portas Abertas tem como objetivo proporcionar visitas de estudantes de 9 a 11 anos da rede pública às representações diplomáticas sediadas na capital do País.

As atividades ocorrem às quintas-feiras, e os alunos conhecem mais sobre a história, a geografia, a cultura e a língua dos 12 países que até agora se tornaram parceiros na iniciativa. gabão é a segunda representação diplomática a receber alunos neste ano. A primeira foi a de Israel, em 17 de agosto. A próxima será a Embaixada do Chile, na quinta-feira (31).

Neste ano, ainda estão previstas visitas às embaixadas dos seguintes países: Paraguai, Nicarágua, Argélia, Países Baixos, Coreia do Sul, China, Vietnã, Suécia e Itália.

Embaixadas interessadas em participar devem procurar a Assessoria Internacional do governo de Brasília, pelo e-mail assessoria.internacional@buriti.df.gov.br.

Desde a criação do piloto do projeto, em 2015, 500 crianças já participaram.

Ministras da África do Sul comandam a negociação com o Brasil

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Na penúltima etapa de sua viagem ao continente africano, o ministro Aloysio Nunes Ferreira liderou missão empresarial brasileira à África do Sul. Acompanhado pelo senador Antônio Anastasia, o chanceler brasileiro encerrou com a ministra Lindiwe Zulu (Desenvolvimento de Pequenas Empresas) seminário empresarial reunido mulheres e homens de negócios dos dois países. Maior economia da África subsaariana, a África do Sul é um dos principais parceiros do Brasil no continente.

 34522025322_07de0e0f43_b ministra Lindiwe Zulu das pequenas empresas

Nos últimos 16 anos, o comércio entre os dois países cresceu 227%, saltando de US$ 530 milhões para US$ 1,7 bilhão por ano. Em sua intervenção, o ministro Aloysio ressaltou que a entrada em vigor do acordo de comércio preferencial entre o Mercosul e a Sacu (União Aduaneira da África Austral) já colaborou para dinamizar as relações empresariais os dois lados do Atlântico. A título de exemplo, as exportações do Brasil para os países do bloco (África do Sul, Botsuana, Lesoto, Namíbia e Suazilândia) cresceram 19% nos primeiros três meses de 2017 em relação a igual período do ano passado.33841443994_1e1580aaee_b trade mission

O ministro Aloysio Nunes Ferreira manteve reunião de trabalho com sua homóloga sul-africana, Maite Mashabane, com quem passou em revista temas da agenda bilateral e global, particularmente a participação dos dois países nos agrupamentos Ibas e Brics. Ao relembrar que a África do Sul é um dos dois países africanos com os quais o Brasil mantém parceria estratégica, o chanceler confirmou o apoio do Brasil ao estabelecimento em Joanesburgo do primeiro centro regional do Novo Banco de Desenvolvimento, fundado pelos países Brics e aberto à adesão de novos integrantes.

 34683694515_774f1c899a_b mesa de negociação entre os dois ministérios

No campo bilateral, para além das excelentes relações políticas entre dois países que compartilham valores de democracia e respeito aos direitos humanos no campo doméstico e internacional, os dois chanceleres ressaltaram as possibilidades de aprofundamento das parcerias econômicas. Exemplo disso é a associação entre empresas dos países para o desenvolvimento de produtos de alta tecnologia na área de defesa.

 encontro do dois ministros das relações exteriores

Após as reuniões, o ministro Aloysio visitou o memorial Oliver Tambo, onde homenageou este líder do combate ao apartheid no centésimo aniversário de seu nascimento. Para a ministra Mashabane, a visita da delegação brasileira ao centro é muito significativa para os sul-africanos, ainda mais porque são poucos os chanceleres estrangeiros que realizam essa homenagem.34299058360_8636942e0f_b tumulo.jpg

 

fonte:https://www.flickr.com/photos/mrebrasil/34643301096/in/album-72157680717023384/