O risco de investimento na África é o mesmo que na Europa e nas Américas

por Kumuênho da Rosa
12 de Abril, 2017

Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

É completamente falso que África seja o lugar no mundo onde é maior, em termos absolutos, o risco de investimento por causa de questões ligadas à instabilidade política. É um facto que este risco persista em alguns países africanos em conflito armado.

No entanto desengane-se quem acredita que, em contraponto, a América ou a Europa sejam garantidamente o porto seguro para pôr dinheiro a render e simplesmente estar descansado. Basta analisar o efeito “Trump” na América e o efeito “Brexit” na Europa. O risco político para o negócio existe em qualquer economia e em qualquer região. A afirmação é de Miguel Carneiro, um jovem gestor angolano, que recentemente esteve como orador convidado num painel, com outros especialistas de investimento de diferentes regiões do mundo, numa conferência organizada pelo IESE – Instituto de Estudos Superiores da Empresa, da Universidade de Navarra, em Barcelona.


Jornal de Angola – Como caracterizar as diferentes regiões do globo por incidência de risco. Quais os factores que determinam o risco potencial para a realização de bons negócios?


Miguel Carneiro –
O mundo vive hoje, momentos atípicos, pois as regiões que tradicionalmente possuíam um risco de negócio baixo ou moderado, passaram recentemente a viver fenómenos políticos e sociais que elevaram consideravelmente o seu risco. Assistimos a esses fenómenos um pouco por toda a parte, América do Norte, América do Sul, Europa, Médio Oriente, Sudeste Asiático, e África. A análise de risco e a sua caracterização quase que deixou de ser uma ciência exacta, passando a ser quase uma arte, pois, nos dias de hoje se fizermos uma análise detalhada não existem regiões do globo, com risco inquestionavelmente baixo. O mundo esta totalmente globalizado, e por isso a melhor forma de caracterização de risco é a da classificação do risco especificamente para o negócio que se está a lançar. Com um total sentido de pragmatismo e objectividade, diria que o bom negócio é aquele que está estruturado de forma a florescer num ambiente, no qual, está inserido, seja em Angola, Espanha, Alemanha ou outro país.

JA – Porquê que o risco nos negócios por eventos políticos tanto dá para África como para qualquer outra região do mundo?

MC –
Não é possível haver negócios estanques de risco políticos, e isso é valido tanto em África como em qualquer outro continente. É um facto que todas as nações do globo têm estruturas políticas e consequentemente governativas na condução dos seus destinos. No negócio, os riscos políticos são projectados com base no historial do país ou da região no qual o negócio está ou pretende estar instalado. Por isso, no contexto dos negócios sempre que se termina e se inicia um novo ciclo político, repete-se o exercício de análise de risco, quer seja em África, América ou na Europa. Todas as sociedades são dinâmicas e os negócios também forçosamente precisam de ser dinâmicos para se poderem adaptar ao meio envolvente e continuar a crescer.

JA- Fale-nos um pouco da experiência de ser orador numa conferência para um público tão segmentado?

MC –
Foi claramente um desafio ser orador no IESE. Trata-se de uma instituição que conheço bem, sendo a melhor escola de negócios da Europa e top nos  rankings mundiais.
Numa instituição com o prestígio e reputação desta escola de negócios, a fraquia está sempre bem alta. Apesar dos negócios e investimentos em mercados emergentes, serem temas técnicos com os quais sinto-me perfeitamente à vontade, foi sobretudo necessário colocar-me nas vestes do público para poder responder de forma clara e objectiva a todas perguntas colocadas. São alunos de Mestrado e futuros gestores de topo, empreendedores, e investidores de todas as partes do mundo, com ideias bem claras e dúvidas objectivas. O moderador em si, o professor doutor Alejandro Lago é um acadêmico

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de elevado calibre, com credenciais que incluem um phd na Berkeley. Procurei elevar-me ao desafio.

JA – Com que impressão ficou?

MC – Fiquei com uma excelente impressão. Escolas de negócios como o IESE, são simplesmente exímias em termos organizacionais e de procura incansável pela excelência. Foi uma experiência fantástica, após anos voltar a rever professores e gestores com os quais tive a oportunidade de conviver aquando do meu mestrado.
O evento correu muito bem, tendo o fórum tocado nos pontos críticos de interesse para o público, que assistiu e teve oportunidade de fazer perguntas directamente aos oradores. Tópicos como riscos, desafios e oportunidades estão na vanguarda de qualquer negócio em mercados emergentes.

JA – Percebemos a sua preocupação em clarificar que África é um continente e não um país. Sente que isso tem sido um obstáculo ao investimento em países africanos?

MC – Algumas correntes de informação no mundo, apresentam África e alguns países africanos de uma forma sobreposta, ou seja, uma mistura entre o continente e os países que o compõem. Várias vezes assistimos por exemplo, a temas positivos como recursos naturais (exemplo da agricultura e minério) apresentados num modelo continental. Ao mesmo tempo também assistimos a temas menos positivos e que de facto não correspondem à verdade, como o risco em países como o Congo e Angola, apresentados também num modelo continental.

JA – Falou de Angola e de alguns programas governamentais, como o Angola Investe. Qual foi a percepção do auditório ao abordar algo tão específico?

MC – Angola está numa posição única no continente africano. Programas com o modelo do Angola Investe, não são comuns em África, sobretudo na questão da partilha do risco entre o investidor e o Estado. Este modelo, cumprindo com o preconizado, tem o potencial de se apresentar como uma clara alavanca ao investimento e ao empreendedorismo. Trata-se de uma demonstração de compromisso do país com os seus investidores e investimentos, o que foi entusiasticamente recebido pelo auditório.

JA – Outra questão é o acesso aos mercados financeiros. Porquê que os países africanos sentem tanta dificuldade em aceder a financiamentos no exterior?

MC – Primariamente o acesso aos mercados financeiros e consequentemente financiamento internacional, que requer acima de tudo capacidade de endividamento, um pré-requisito que, por questões históricas, há duas décadas esteve restrito a muito poucos países no continente africano. Segundo, além de terem de estar enquadrados nas melhores práticas de gestão financeira, os países africanos que à data, já cumprem com o primeiro requisito, precisam de ter uma articulação e execução mais objectiva e directa com as grandes praças financeiras mundiais.

JA – A crise financeira tem feito mossa em economias emergentes, como a de Angola. Mas ela (a baixa dos preços das matérias-primas) é também uma oportunidade para fazer negócios. Que segmentos poderiam ser apostas para os investidores?

MC – Angola é uma excelente aposta para o investimento, pelo facto de ser um país do futuro. Os contra ciclos económicos em termos técnicos, constitui a melhor altura para se realizar investimentos. Como em todas as regiões já abordadas, os riscos existem e no caso de Angola estes riscos podem ser amplamente mitigados. Todas as oportunidades de investimento por excelência em Angola têm de estar enquadradas no contexto do país, e forçosamente de utilizar uma cadeia produtiva nacional. Independentemente do sector, Angola tem de ser um país focado, e o estado jogar um papel crucial neste aspecto. Garantindo a intervenção do Estado dando as bases, apostar em alguns segmentos da Agricultura e agro-business, podem claramente ser apostas para investidores angolanos ou internacionais, tal como podem ser alguns segmentos do sector mineiro. Para a materialização do futuro promissor de Angola, é crítica a implementação de um foco, porque a dispersão enfraquece a maior parte das estratégias.

http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/nos_negocios__o_risco_existe__em_todo_o_lado

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A produção de açúcar está aquém das necessidades de Angola

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As projecções apontam a necessidade de importação de açúcar em Angola atinja os cerca de 15 por cento em 2020, com a Biocom nesta altura a atingir as 256 mil toneladas por ano e a cobrir pouco mais de 85 por cento do abastecimento ao mercado interno.
Um dos principais focos do Projecto Biocom para a primeira fase é cobrir a procura no mercado interno.

Actualmente o mercado consome cerca de 300 mil toneladas por ano. A Biocom, que é o único produtor no país, prevê atingir este ano as 47 mil toneladas e aumentar progressivamente a oferta até às 256 mil toneladas anuais em 2020. Os dados correspondem a projeções para a primeira fase do projecto que se propõe reduzir para apenas 15 por cento a necessidade de importação desse produto.
Para a segunda fase, já com mecado interno consolidado em termos de cobertura, está reservada para a exportação do açúcar “Kapanda”. Por essa altura a produção anual da Biocom andará a volta das 500 mil toneladas.
Depois da Independência Nacional é a primeira vez que o país produz açúcar cristal branco, etanol e energia através do bagaço da cana-de-açúcar. O Projecto Biocom tem-se destacado como um dos “grandes exemplos da viabilidade do processo de diversificação da economia angolana”.
Desde que começou a fase de produção, a Biocom tem somado resultados positivos. Na colheita de 2015-2016 produziu 24.770 toneladas de açúcar, 10.243 metros cúbicos de etanol e gerou 42 megawatts de energia eléctrica.
Na campanha de 2016-2017, que começou em Junho deste ano, foi definida a meta de 47 mil toneladas de açúcar, tendo sido superada para 51.514 toneladas, a produção do etanol chegou a 16 mil metros cúbicos para garantir a co-geração de 155 mil megawatts de energia. Em 2020-2021, altura em que se prevê atingir a capacidade máxima de produção da primeira fase, vão ser produzidas 256 mil toneladas de açúcar, 235 mil megawatts de energia eléctrica e 33 mil de metros cúbicos de etanol.

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A produção do açúcar da Biocom nesta primeira fase é destina ao mercado nacional, já a energia eléctrica é comercializada pela Empresa Nacional de Energia de Angola (RNT). O etanol hidratado vai atender a indústria nacional de produtos de limpeza e de bebidas alcoólicas espirituosas.
A Biocom representa o maior investimento privado de Angola fora do sector petrolífero, para o início da produção foram investidos 750 milhões de dólares. Ao longo da implementação do projecto foram alocados outros recursos dada a dinâmica da produção, com aquisição de mais meios técnicos e outros recursos, já foram investidos cerca de mil milhões de dólares.
A Biocom é uma empresa privada que tem como sócios a Cochan, com 40 por cento do capital, a Odebrecht detém também a mesma percentagem, e a Sonangol Holdings tem 20 por cento.
O projecto emprega 2.047 trabalhadores nacionais, em cada emprego directo são criados dez indirectos, a mão-de-obra é 91 por cento nacional. No processo agrícola e industrial a empresa utiliza tecnologia moderna e de ponta, que permite produzir açúcar, etanol e energia tendo como matéria-prima a cana-de-açúcar.

Melhor tecnologia

A Biocom conta com o mais moderno laboratório agrícola do país, que faz 320 análises por dia. Com capacidade para analisar o solo, folhas, corretivos e adubos, que fornece informações necessárias para tomada de decisões técnicas que resultam numa melhor produtividade da cultura de cana.
É através da análise do solo que se  avalia a sua fertilidade química. Com os resultados obtidos é possível determinar as quantidades adequadas de calcário e adubo necessários para melhorar a produtividade de forma tecnicamente correcta e economicamente adequada, para evitar gastos desnecessários.
Pereira Panzo, natural de Luanda, técnico de laboratório há sete meses na Biocom, explicou que para a realização de qualquer análise é necessária uma amostra de 300 gramas de solo. Para a colecta ideal é necessário seguir algumas orientações, como a escolha dos talhões homogêneos, que identificam a proporção de argila, areia, pedras, declividade, a cor e a profundidade do solo, posição no relevo, características de vegetação e o histórico de uso e adubação.
A colecta deve ser realizada após o término da colheita ou em áreas que serão plantadas pela primeira vez. O resultado da análise e a recomendação da adubação e calagem devem estar em mãos antes da primeira etapa de preparo do solo.
Para plantios convencionais que possam requerer calagem, recomenda-se colectar 120 dias antes do plantio.
Os pontos onde não podem ser realizadas colectas são aqueles que existem a presença de salalé, formigas ou que tenham sinais claros de atividade animal, áreas de depósito de adubos e calcário, próximo de instalações, estradas e trilhas.
A empresa mantém o seu próprio viveiro, onde são avaliadas as espécies de cana-de-açúcar mais adequadas às condições climáticas e de solo da região. O viveiro de mudas pré-brotadas da Biocom tem por objectivo acelerar, através de multiplicação rápida, as variedades com alto potencial de produtividade agrícola e alta qualidade da matéria-prima.
Pioneira no uso de técnicas avançadas de manejo, a empresa começou este ano a pulverização agrícola, para controlo de praga e adubação, com o uso de aeronave.
Tércia Bento, 37 anos, trabalha há oito anos na Biocom na área do laboratório de produção industrial. Natural de Malanje, disse que está satisfeita com o trabalho que faz. A técnica vive com um filho de dois anos, contou que o seu sonho sempre foi trabalhar em laboratórios. “Fiz um curso no Brasil de seis meses, onde aprendi quase tudo que sei hoje. Sinto-me satisfeita pelo que ganho aqui, dá para sustentar a mim e o meu filho”.

Programa de produtividade

A Biocom está empenhada na aplicação de um programa de produtividade que tem como meta conquistar a eficiência a partir da consciencialização dos seus quadros, gestos simples como a manutenção da limpeza e organização no local de trabalho, são exemplos de atitudes que contribuem para gerar a eficiência, que é sinônimo de produtividade.
Na área agrícola, quando um integrante se mantém atento às ocorrências que geram perdas e comunica esse facto ao seu líder, ele está a ser produtivo. Na indústria é fundamental observar o funcionamento das máquinas. Os integrantes da área administrativa devem primar pela pontualidade, assiduidade e agilidade. A empresa cumpre todos requisitos impostos pela Lei Geral do Trabalho, nomeadamente o abono de família.
Recebem horas extraordinárias todos aqueles que não estão no turno rotativo e trabalham entre as 20h00 e as 6h00, o valor adicional é de 20 por cento por cada hora de trabalho.
Para garantir os direitos sociais e a Segurança Social de cada trabalhador, a Biocom paga uma taxa de 11 por cento ao INSS e é descontado ao integrante três por cento todos os meses. O imposto Sobre o Rendimento de Trabalho é descontado numa percentagem que varia de acordo com o salário. É também pago o subsídio de aleitamento para os filhos  entre os zero e os três anos.

Processo de transformação

A colheita da cana é 100 por cento mecanizada. Depois de colhida na lavoura, ela passa por várias etapas, até ser transformada em açúcar e etanol, que da queima do bagaço ainda é gerada a energia eléctrica. Bartolomeu Zumba, líder de produção do açúcar, explicou à ­reportagem do Jornal de Angola que o transporte até à indústria é feito por 20 camiões, depois a cana é picada e desfibrada até chegar à moagem. A cana passa pelo difusor onde é extraído o caldo para a fabricação de açúcar e etanol e nesta etapa o bagaço é separado.
Natural do Cuanza Norte, Bartolomeu Zumba disse que na fase seguinte o bagaço é processado nas caldeiras para gerar vapor,  enviado para as turbinas de geradores de electricidade. Depois do caldo ser clarificado passa por evaporadores que removem grande parte da água e o transformam em um “xarope”. Esse líquido é bombeado para os tachos de cozimento para a cristalização do açúcar (sacarose).
As centrifugadoras separam os cristais de açúcar do líquido açucarado, denominado melado, contou. Em seguida, o açúcar passa no secador para retirar a umidade contida nos cristais. Na saída do secador o produto é enviado até ao silo ou armazém de onde é feito o ensacamento ou expedição a granel. “Diariamente produzimos entre oito a dez mil sacos de 50 quilos”, disse.
Após a fermentação a levedura é separada do vinho e recuperada por meio da centrifugação, depois segue para o aparelho de destilação onde o álcool é separado, concentrado e purificado até 99,6 por cento para a produção do etanol anidro (isento de água), por último o biocombustível é armazenado em grandes tanques ou reservatórios, onde diariamente podem produzir até 20 mil litros.
A área de produção conta com 25 máquinas colhedoras, dez plantadoras, com quatro distribuidora de cana. Só no mês de Outubro, no sector produtivo foram consumidos um milhão e 400 litros de combustível, com uma média diária de 46 mil litros.
Samba Domingos, operadora de máquina colhedora, recorda como foi difícil e ao mesmo tempo enriquecedor o início da sua carreira no campo, principalmente pelo facto de ser mulher. Vive em Malanje e para chegar a horas ao trabalho tem de acordar às 5h00, e larga às 15h20.
“Sinto orgulho por fazer parte deste projecto, antes sofria discriminação, os colegas desincentivavam a dizer que este não era trabalho para mim, mas esta contrariedade deu-me mais força para aprender e superar as expectativas e hoje faço o trabalho normalmente sem sobressaltos”, revelou.

Maior investimento

A Biocom representa atualmente o maior investimento privado em Angola, fora do sector petrolífero, e é um importante activo de desenvolvimento nacional. ­
Localizada no Pólo Agro-Industrial de Kapanda, ocupa uma área total de 81.201 hectares, dos quais 70.106 são cultiváveis e 11.095 reservados à preservação da fauna e flora local. As atividades da empresa englobam duas áreas de produção agrícola e industrial.
Os trabalhos na área agrícola funcionam durante todo o ano e incluem a preparação do solo, plantio e replantio e colheita da cana-de-açúcar, que este ano teve início em Junho e terminou em Outubro.
O terreno utilizado para o plantio e replantio precisa de correcções e nutrientes que permitem maior produtividade agrícola. Nesta primeira fase, a plantação de cana-de-açúcar está a ser feita numa área de 42.500 hectares, dos quais 15 mil já plantados.
A atividade industrial funciona em tempo integral durante todo o período de colheita, produzindo açúcar, etanol e energia.
Nos demais meses do ano, a indústria opera com a produção de energia através da queima de cavaco de madeira oriunda do processo de supressão vegetal das áreas da fazenda. Este período também é aproveitado para proceder à manutenção de todos os equipamentos da indústria.
Este regime de operação é típico da indústria de álcool proveniente da cana-de-açúcar em qualquer parte do Mundo e decorre da impossibilidade de colheita no período de chuva.

Consumo de açúcar

O açúcar produzido pela Biocom é destinado ao mercado interno. Já o etanol hidratado tem servido a indústria nacional de produtos de limpeza e de bebidas espirituosas, tendo reduzido em mais de 60 por cento as importações. A energia eléctrica é negociada com a Empresa Nacional de Energia de Angola (RNT), estando actualmente a fornecer ao município de Cacuso e parte de Luanda.
A aposta forte em recursos humanos e estruturas físicas tem contribuído significativamente para a continuação da produção agrícola, estudos, pesquisas de laboratório, equipamentos de ponta e mão-de-obra qualificada.
A empresa mantém o seu próprio viveiro, onde são avaliadas as espécies de cana-de-açúcar mais adequadas às condições climáticas e de solo da região. O viveiro de mudas pré-brotadas da Biocom tem por objectivo acelerar, através da multiplicação rápida, as variedades com alto potencial de produtividade agrícola e alta qualidade da matéria-prima. São 36 as variedades de cana-de-açúcar importadas da África do Sul, Brasil e Índia, das quais dez já se encontram plantadas.
A produção em Malanje é multifacetada. Homens e máquinas tiram partido do potencial de desenvolvimento. No total, 2.047 trabalhadores dão suporte ao projecto.
O espaço onde exercem a atividade corrente correspondente a 50 campos de futebol.
Toda a produção agrícola tem como objectivo alimentar a indústria instalada numa área de 17 mil hectares para a produção de açúcar, etanol e energia eléctrica.

Projecto social

O incentivo ao desenvolvimento econômico e sustentável para a promoção de renda faz parte da política social da empresa. Mais de 300 famílias beneficiam de um programa de agricultura familiar, onde todos os produtos são vendidos directamente à Biocom. Existe também a fabricação de sabão neutro a partir do óleo de cozinha usado. Mais de 20 mulheres da comunidade de Cacuso beneficiam do programa e têm a oportunidade de se desenvolverem profissionalmente e contribuir para o sustento das suas famílias.
Existe também um programa de desporto, educação, cultura e lazer que beneficia centenas de pessoas. A escola Palancas Negras, agregada ao projecto, oferece aulas de judo, jiu-jitsu e actividades culturais para dezenas de crianças e jovens da região de Cacuso.