Relatório sobre a economia africana insiste sobre a diversidade econômica e o empreendedorismo

Trabalho da OCDE sobre perspetivas económicas em África será apresentado a 9 de outubro em Lisboa, no auditório da CPLP.


Portugal Digital



O secretariado executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua vão apresentar a 9 de outubro em Lisboa a edição em português do relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) intitulado “Perspetivas Económicas em África 2017: Empreendedorismo e Industrialização”.

A apresentação decorrerá no auditório da sede da CPLP. A secretária executiva da CPLP, Maria do Carmo Silveira, e a presidente do Camões, Ana Paula Laborinho, vão participar na sessão de abertura do evento e a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal, Teresa Ribeiro, intervém no encerramento.

O relatório vai ser apresentado pelo diretor adjunto do Centro de Desenvolvimento da OCDE, Federico Bonaglia, seguindo-se uma mesa-redonda – com a participação do presidente da Confederação Empresarial da CPLP, Salimo Abdula, do vice-presidente da Associação Industrial Portuguesa, André Magrinho, e do diretor de inovação social da Fundação EDP, Guilherme Colares Pereira, e moderação do professor do ISEG Manuel Ennes Ferreira – e um momento de debate.

Esta publicação foi elaborada conjuntamente pelo Banco Africano de Desenvolvimento, pelo Centro de Desenvolvimento da OCDE e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

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TACV autorizada a contrair empréstimo bancário

TACV

O Governo de Cabo Verde autorizou a companhia aérea de bandeira (TACV) a contrair um empréstimo bancário de 1,7 milhões de euros (cerca de 200 mil contos) junto do Banco Privado Internacional (BPI), depois de ter confirmado esta segunda-feira, que a companhia vai deixar de operar os voos domésticos a partir de 01 de Agosto.


África 21 Digital, com agência


Na última segunda-feira, o ministro da Economia e Emprego, José Gonçalves confirmou o fecho das operações domésticas da TACV, quando intervinha na sessão parlamentar deste mês que teve início nesse mesmo dia na Cidade da Praia.

Entretanto, em Boletim Oficial (BO) posto a circular hoje, o Governo autoriza a Direção Geral do Tesouro a conceder um aval a favor dos Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) para garantir um financiamento bancário junto do Banco Privado Internacional (BPI), no valor de dois milhões de dólares (cerca de 200 mil contos), informa a agência de notícias Inforpress.

A nota justificativa a propósito desta autorização, diz que a companhia “depara-se com a necessidade de recorrer a um empréstimo bancário”, e que a empresa tinha já contactado o BPI no início do ano.

A TACV vai retirar-se dos voos domésticos a partir de 01 de Agosto, passando esta responsabilidade a ser assumida na íntegra pela nova companhia aérea Binter Cabo Verde, de capital maioritariamente canário, com o Estado de Cabo Verde a comparticipar com 49%.

A saída da TACV das operações domésticas vem na decorrência do processo de reestruturação da companhia em curso, que continua, no entanto, a operar ainda a nível regional e internacional, encontrando-se em negociações para privatizar a linha internacional.

Entretanto, é de domínio público que a TACV tem atualmente uma dívida acumulada de 100 milhões de euros (cerca de 100 mil contos).

Recentemente, durante a sessão de audições perante a Comissão Especializada de Finanças e Orçamento, no Parlamento, o presidente do Conselho de Administração da empresa, José Luís Sá Nogueira, informou que a companhia aérea iria reduzir cerca de 50% dos seus trabalhadores e tem uma estimativa de 14 milhões de dólares para os processos de indemnização.

Na terça-feira, José Gonçalves, o ministro que tutela a empresa, disse que a partir de 01 de Agosto os trabalhadores vão continuar na TACV e que o plano de reestruturação da mão-de-obra será feito “muito mais a fundo”, e que se vai respeitar todos os direitos dos trabalhadores.

O ministro informou ainda que está em “extrema análise” o número de trabalhadores que poderão passar para a Binter CV e também os que serão indemnizados, pois, segundo disse, “queremos ter o mínimo de impacto negativo possível nas pessoas, desde que salvaguardemos o negócio, porque há quer ter negócio rentável”, afirmou.

Anteriormente, o PCA da TACV, José Luís Sá Nogueira indicara também que a saída da empresa dos voos domésticos permite ao Estado evitar um prejuízo de 500/600 mil contos anuais, com a agravante da “eminência da paralisação dos dois ATR” por causa da dívida acumulada junto dos proprietários.

Entretanto, tomam posse hoje os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), solicitada pelo Movimento para a Democracia (MpD, poder) que vai apurar os actos de gestão da TACV desde 1975.

A comissão em apreço será presidida pelo deputado Emanuel Barbosa (MpD).

https://africa21digital.com/2017/07/26/29986/

Crédito jovem para a região da África Austral

Bernardino Manje | Victoria

14 de Julho, 2017

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) vai incentivar os Estados membros a aprovarem leis e elaborar políticas que melhorem o acesso dos jovens ao crédito, bem como a criação de fundos nacionais e regionais da juventude, a fim de aumentar o acesso dos jovens ao capital empresarial.

Líder do Fórum Parlamentar com o deputado das Seycheles
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro – Victoria

A intenção consta da resolução sobre o Aproveitamento do Dividendo Demográfico da SADC apostando na Juventude, que foi aprovada ontem, por unanimidade, na 41.ª sessão plenária do Fórum Parlamentar da região, que decorre nas  Seychelles.
A resolução, cujo assunto é o lema da sessão plenária, foi proposto pela deputada Patricia Kainga, do Malawi.
O documento prevê a aprovação de leis para os sectores do emprego e empreendedorismo, ensino e formação de quadros, saúde e bem-estar e direitos, governação e empoderamento da juventude. A garantia de aplicação de políticas como a Estratégia da Ciência, Tecnologia e Inovação (STISA 2014-24), e a Estratégia Continental da Educação para a África (CESA 2016-25), para facilitar a revisão dos currículos dos estabelecimentos de ensino, é o que, entre outros aspectos, se prevê fazer

no sector do ensino e formação de quadros.
A ideia é aumentar a qualidade e relevância no mercado de trabalho e as necessidades de desenvolvimento nacional e um maior enfoque sobre Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Na saúde e bem-estar, destaca-se a promoção de serviços de saúde integrados favoráveis aos adolescentes e jovens nos estabelecimentos públicos e privados, nas clínicas e em outros locais, com serviços adequados de saúde sexual e reprodutiva.
Consta ainda da resolução a eliminação da mortalidade materna e neonatal evitáveis, assegurando que os partos sejam assistidos por um pessoal de saúde competente, e a garantia do acesso universal aos cuidados pré e pós-natais e ao planeamento familiar.Os deputados  aprovaram vários projectos de resoluções, como o para a adoção do Relatório da Comissão Permanente de Democratização.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/credito_jovem_para_a_regiao

Empresas de Angola discutem crédito de dois milhões de dólares com Israel

forum empressarial com israel

 

Israel tem disponíveis dois milhões de dólares (mais de 300 milhões de kwanzas) para ajudar empresas angolanas a elevarem as trocas bilaterais, anunciou ontem, em Luanda, o embaixador daquele país.

 

Israel acredita no potencial existente em Angola e promete financiar projectos nos vários sectores da vida económica para realizar negócios

 

Oren Rosemblat disse no I fórum empresarial Angola-Israel que, apesar da baixa do preço do petróleo – que afetou em grande medida a economia angolana -, Israel considera haver em Angola oportunidades de negócio, pelo que “Israel vai ajudar a financiar e os bancos vão dar créditos para que os negócios se efectivem.”

Quinze dos sectores de serviços: energia, agricultura, defesa, segurança militar e social, imigração e comércio participam no encontro que encerra amanhã, inspirado pela declaração do embaixador que afirmou que se “os dois países têm boas relações, temos a obrigação de levá-los a fazer bons negócios.”
O fórum, promovido pela Câmara de Comércio Angola-Israel (CCAI) visa uma troca de experiências para elevar os níveis de conhecimento mútuo entre empresas dos dois países e assinar contratos de parceria.
O presidente da CCIA, Haim Taib, disse que o órgão tem como objectivo “construir pontes” entre os empresários e instituições empresariais dos dois países e constitui uma plataforma de promoção e desenvolvimento de relações comerciais bilaterais, através de missões empresariais e de entidades oficiais.
“A CCAI tem como prioridade o estreitamento de laços empresariais entre os dois Estados, a promoção de cooperação bilateral, a promoção das relações empresariais entre os dois países e a apresentação de áreas de interesse”, disse. Os últimos dados disponíveis, de 2014, indicam que o volume de negócios israelitas em Angola se cifrou em 64 milhões de dólares (cerca de 11 mil milhões de kwanzas), absorvidos pelos sectores de maquinaria, metais, transportes, plásticos e borracha, instrumentos, têxteis, vegetais, produtos alimentares e químicos.
O embaixador de Angola em Israel, Francisco dos Santos, afirmou que Angola está aberta para cooperar com empresas estrangeiras de vários países e que o fórum é uma oportunidade para criar parcerias, principalmente para a transferência de conhecimento. “A presença do CCAI vai impulsionar as relações já existentes nas diversas áreas e aumentar o volume de comércio entre os dois países”, sublinhou.
José Alentejo, do secretariado geral da CCAI, disse à delegação israelita que Angola é um bom destino para investir e que o mercado oferece oportunidades às empresas sediadas no país, para expandirem os seus negócios na região da Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral (SADC), um mercado com mais de 200 milhões de consumidores.
São razões para investir em Angola, continuou José Alentejo, o facto de ser o sétimo maior território de África, o quinto maior produtor mundial de diamantes, o segundo maior produtor de petróleo e gás do continente e ter acesso a 12 por cento dos lençóis aquáticos africanos nos principais rios: Kwanza, Zaire, Cunene e Cubango.
Angola é rica em fauna e flora, tem a segunda maior floresta do mundo, o Maiombe, e tem os 25 principais minérios, tais como diamantes, ferro, ouro, fosfato, manganês, cobre, chumbo, zinco, volfrâmio, tungsténio, titânio, crómio, mármore, granito e urânio, microclimas diversos além da estabilidade política e económica desde 2002.

José Alentejo acrescentou que Angola tem, no âmbito da estratégia da diversificação da economia, o Plano Nacional de Desenvolvimento PND 2013/ 2017, no qual são inventariados 390 projectos estruturantes para o desenvolvimento industrial.
A delegação israelita é liderada pelo ex-vice-primeiro ministro de Israel, Silvano Shalom, e integra potenciais parceiros interessados em partilhar conhecimentos e recursos tecnológicos.

A Câmara de Comércio Angola-Israel foi criada há um ano e tem 44 membros registados. O fórum aborda temas ligados às “Oportunidades de negócio em Angola”, “Investir em Angola” e “Áreas privilegiadas para o investimento em Angola”.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/governo_de_israel_anuncia_financiamento

Projeto Jovem Empreendedor Angolano.

Ontem  celebrou-se  o dia da juventude angolana. A efeméride é celebrada em homenagem ao herói José Mendes de Carvalho, conhecido por Hoji-ya-Henda, morto em combate a 14 de Abril de 1968, no Moxico, durante um assalto ao quartel de Karipande, do exército colonial português.

Jair Miguel Jerónimo Pereira

Uma das principais preocupações da juventude angolana é o emprego.

O Executivo, no âmbito da implementação da política da juventude, aprovou este ano uma linha de crédito de apoio ao empreendedor jovem, denominado Projovem. A linha de crédito é financiada pelo Banco de Desenvolvimento de Angola, operacionalizada pelo BCI e conta com a participação do Inapem, Conselho Nacional da Juventude e com o Instituto Angolano da Juventude (IAJ). Vários jovens já remeteram os seus projectos de candidatura para o crédito. Jair Miguel Jerónimo Pereira, 31 nos, é funcionário da TAAG, colaborador  no Instituto Angolano da Juventude, através do projecto “Meu Padrinho meu Mentor”e fundador do projecto Jovem Empreendedor Angolano. Jair Pereira tem a missão de sensibilizar os jovens a aderirem ao projecto Projovem, devido à sua dura experiência familiar, e no mundo dos negócios. Jair Pereira fala ao Jornal de Angola do desafio de sensibilizar os jovens com palestras motivacionais para aderirem ao crédito dirigido aos jovens empreendedores.

Jornal de Angola – Qual é a sua experiência de vida?


Jair Pereira
– É uma experiência muito forte e humilde. Dessa humildade, consigo ser exemplo para outros jovens. Consigo apontar caminhos para outros jovens de que a vida não se faz num dia, a vida faz-se lutando. As coisas não acontecem por acaso, as coisas acontecem em função do nosso trabalho. Tudo na vida é uma fase. É acção e efeito. Tudo vai acontecendo em função das nossas acções.

Jornal de Angola – Qual é a estratificação social da sua família?

Jair Pereira
– Sou de uma família pobre. O meu pai foi professor do ensino de base. A minha mãe era educadora de infância. Naquela altura, os salários no sector da Educação não eram altos e havia atrasos. Em função disso, nós passávamos muitas necessidades. Viemos do Cuanza Norte e chegámos a Luanda. Não tínhamos condições básicas, mas pela batalha e luta do meu pai, foi possível nós nos formarmos e hoje estamos com uma orientação.

Jornal de Angola – Para além das suas ocupações profissionais na TAAG e nos negócios, é prelector motivacional. Qual é a sua experiência neste domínio?

Jair Pereira
– Tem sido uma experiência peculiar, porque nós estamos na parte da orientação, estamos ligados ao associativismo juvenil, na orientação dos jovens para a questão da criação do primeiro emprego. Tem sido uma experiência muito boa, porque os jovens vêem em nós uma luz no fundo do túnel. Porque quando começam a procurar soluções para os seus problemas, nós apontamo-las, daí o grande benefício. Os jovens olham para nós com veneração, no sentido de que somos um exemplo para um futuro melhor.

Jornal de Angola – Qual é o seu ponto de vista sobre o projecto Projovem?

Jair Pereira – É um projecto muito bom. É uma linha de crédito para os jovens empreendedores, para aqueles jovens que desejam realizar os seus negócios. Porque o grande objectivo é tirar os jovens da informalidade, para os negócios formais. Esta linha de crédito é uma linha com taxas bonificadas e com períodos de carência longos. É uma experiência diferente e com planos de negócios também diferentes, tudo dependendo de valores que o jovem desejar.

Jornal de Angola – O que fazias quando estavas no sector informal da economia?

Jair Pereira – Eu já vendi bolinhos, água fresca, já fiz vários trabalhos, como taxista. Mas hoje, graças a Deus dei a volta por cima. Fui lutando e hoje consegui fazer coisas diferentes.

Jornal de Angola – Como conseguiu sair do negócio informal para o formal?

Jair Pereira – Não foi fácil. Foi preciso muita disciplina, muito planeamento porque almejava um futuro melhor para mim. Também tive Deus ao lado, porque houve momentos de desespero. Acima de tudo, foi preciso muita persistência. Acredito que o amanhã será melhor.

Jornal de Angola – Quais são as reacções que recebes dos jovens sobre o projecto Projovem?

Jair Pereira – Encntramos muitas objecções no que concerne ao crédito. Mas depois das explicações, as pessoas ficaram mais esclarecidas. As objecções eram sobre os requisitos que são normais para um crédito em função dos valores e os prazos de pagamento. Por exemplo, no requisito sobre a certificação da empresa, se queremos passar para a formalização, a certificação é importante. A empresa tem que estar certificada no INAPEM. Muitas vezes, quando os  jovens lêm certificação, não sabem onde ir, e nós aparecemos para dar este esclarecimento e orientação.

Jornal de Angola – Que diferença existe entre o crédito normal e o Projovem?

Jair Pereira – A diferença é abismal. Primeiro, é o período de carência que se oferece e, segundo, são as taxas que são muito atractivas. Depois, também tem o período de maturidade. As garantias, para um valor ínfimo, abaixo de 10 milhões. Muitas vezes, as garantias são pequenas e não são aquelas que muitos esperam. Muitos esperam hipotecas. Um jovem empreendedor não tem ainda nada para hipotecar. Em função dos valores, vamos fazendo atribuições. Este crédito acho que é muito atraente, porque escalona os sectores de actividade a financiar, por exemplo na agricultura, pecuária e prestação de serviços. O projecto dispõe de informações na internet a que se pode aderir directamente.

Jornal de Angola – Que dificuldades é que os jovens apresentam?


Jair Pereira
– Muitas vezes, é a falta de orientação. Nós, quando fizemos a apresentação do projecto Projovem, há uma questão que transmitimos aos jovens que é de trabalharem em função das suas habilidades. Tudo isto fica entendidoquando falamos da formação sobre o empreendedorismo onde se aprende como começar e fazer o plano de negócio. É um leque de explicações e eles sentem-se satisfeitos. Acontece que muitos olham para o valor total ou o valor máximo do crédito, às vezes, não pensam que as habilitações que têm pode levá-los para um crédito de menor valor. Daí, o papel do gestor bancário de poder aconselhar a rever o plano do negócio ou o estudo de viabilidade no sentido de orientar os jovens.

Jornal de Angola – Qual é a primeira impressão dos jovens sobre o crédito?

Jair Pereira – A primeira impressão que temos dos jovens é de um certo imediatismo. A ideia de fazer crédito lhes vem a visão de que o dinheiro é para outros fins, como por exemplo comparar carro, casa ou outros bens de luxo. Nós estamos a passar a mensagem certa que é mesmo de um crédito para empreendedores, porque os valores não são disponibilizados na sua totalidade. O valor disponibilizado é o capital do fundo de maneio. O resto do capital é empregue no negócio. Os jovens têm a visão de comprar carro ou outros bens.

Jornal de Angola – Quando passam a mensagem de que o dinheiro não é dado ao vivo, qual é a reação que recebem dos jovens?

Jair Pereira – Em princípio, por falta de informação, a reacção é drástica e de desespero. O fundamental na vida não é dar dinheiro. O fundamental é dar dinheiro para que as pessoas consigam evoluir. A dependência dos jovens ao Estado, muitas vezes, não pode ser contínua. O jovem cria hoje a sua empresa, mas esta iniciativa não é só para ficar aqui é para dar sequência, criando assim, emprego para si e emprego para outras pessoas, resolvendo os seus problemas sociais e dos outros.

Jornal de Angola – Os jovens já começaram a apresentar os projectos?

Jair Pereira – O processo de candidatura já começou. Alguns estão na fase de criação de empresa, abertura de contas, entrega de formulários por via correio electrónico. Então, já começou o processo de cadastramento. Neste momento, temos os gestores bancários a receberem os jovens e a darem mais explicações sobre o projecto. Nós também continuamos a esclarecer todas as dúvidas que eles apresentam. O Instituto Angolano para a Juventude está presente para esclarecer todas as dúvidas apresentadas pelos jovens .

Jornal de Angola – Como é que o IAJ passa a informação aos jovens de outras províncias?

Jair Pereira – Nós temos o Ministério da Juventude e Desportos, porque o IAJ é uma instituição deste departamento ministerial, que por sua vez dissemina a informação noutras províncias. Mas nós temos ido a todas as províncias passando a informação de como tem funcionado o Projovem. Em breve, estaremos no Cuando Cubango. Este projecto é para todos os jovens angolanos.

Jornal de Angola – Ontem foi dia da juventude angolana. Qual deve ser o foco para os jovens?

Jair Pereira – Os jovens devem assinalar mais a formação, acima de tudo. Eu, por exemplo, não consegui fazer a formação com que sempre sonhei, porque tínhamos poucos institutos. Hoje, temos várias universidades credíveis. Então, o jovem hoje é um jovem actualizado e mais capacitado intelectualmente. Já começa a surgir uma geração diferente e que não quer estar na bebedeira, droga, festas. Temos jovens que estão compenetrados nos seus objectivos. Os jovens angolanos começam a dar respostas diferentes às questões do dia-a-dia. Hoje, já se vêm jovens com mais foco, mais objectivos. E, a par disso, é o nosso projecto. Temos jovens com grandes projectos que têm ajudado outros jovens. É esta a juventude, essa sociedade que queremos. Todas as sociedades foram constituídas por jovens. Os mais velhos hoje, um dia foram jovens. Como diz o saudoso Dr. Agostinho Neto, “nós somos de quem se espera.” Nós não podemos esperar. Somos aqueles de quem se espera. Então, vamos vendo uma juventude mais inteligente, mais batalhadora e mais consciente. Sejamos esta juventude para que os mais velhos depositem mais credibilidade nas nossas acções.

Jornal de Angola – Como é que a jovem mulher participa nos negócios em Angola?

Jair Pereira – Os maiores projectos e com histórias mais fortes são mesmo das mulheres. Nós temos tido várias situações de empresárias que começaram a fazer viagens, com salão de cabeleireiro bolos e contam as suas histórias. Os nossos encontros são muito interactivos. Eu acho que a jovem mulher está mais focada nos negócios que os homens.

Jornal de Angola – O que quer transmitir quando diz que a jovem mulher está mais focada?

Jair Pereira
– Quero dizer que, actualmente, dos 100 projectos, 60 por cento são projectos de mulheres que estão a dar passos no mundo dos negócios. Actualmente, é assim que tem acontecido. Das experiências que temos, são de mulheres a vencerem no mundo dos negócios. Das inquietações que recebemos, é mais de mulheres a pedirem para transmitirmos mais conhecimentos. Geralmente, são as mulheres que aderem à legalidade, à formalização. Então, eu acho que o papel da jovem mulher tem sido muito importante de um tempo a esta parte. Eu tenho uma visão positiva quanto à jovem mulher.

Jornal de Angola – Qual é a sua opinião sobre os jovens ambulantes?

Jair Pereira – Fruto da experiência que tenho, é que o empreendedorismo tem diversas vertentes. Muitos de nós enveredamos pelo caminho de empreendedorismo pela necessidade. Estes jovens que buscam o seu dia-a-dia pela necessidade, a minha visão particular, isto não pondo outras instituições, são grandes batalhadores e vencedores na vida. Infelizmente, ainda não criamos métodos que permitem agregá-los, regê-los em função das suas actividades. São jovens que têm dado o seu contributo à sociedade e constituem um exemplo a seguir. É essa visão que todo o jovem angolano deve ter. Todos os dias devemos acordar e ir a busca do nosso pão. Muitas vezes, podemos seguir conselhos, livros, mas um exemplo vivo do que tem acontecido na nossa sociedade, essa mamã zungueira que acorda todos os dias para ir a procura do pão. A minha avó, por exemplo, vendeu múcua por muitos anos, educou-nos para nós, é uma grande experiência.  Acho que é esta visão que devemos ter, de ir à luta. Para mim, só existe um feitiço: acordar cedo para ir trabalhar.

Jornal de Angola – Qual é a tua opinião sobre a dependência do sector público?

Jair Pereira
– A minha ideia é que só em Angola é que temos a questão do Estado ser o maior empregador. Para mim, deveria ser o sector privado a ser o maior empregador. Mas criarem-se políticas, como o Projevem para podermos reduzir a avalanche de desempregados que temos.

Jornal de Angola – Como vê a participação dos jovens nas próximas eleições?

Jair Pereira – A participação dos jovens nas eleições é evidente. Vimos, durante o período do registo eleitoral, a sua aderência massiva. Na verdade, há muito por fazer no que diz respeito à informação. É este trabalho que o IAJ está a fazer. Porque uma pessoa não orientada não tem conhecimentos. Infelizmente, não consegue  fazer o que é certo, porque não tem conhecimento da verdade.
Os jovens têm participado nesse processo de forma massiva. Muitos activistas do registo eleitoral foram, na sua maioria, jovens. Nota positiva para a nossa juventude quanto à sua participação ao processo eleitoral.

Jornal de Angola – Quer acrescentar mais alguma coisa?

Jair Pereira – O empreendedorismo não se limita só na vertente financeira que é empresarial, mas também na vertente familiar e no amor. Acho que nós, os jovens, devemos demonstrar mais amor ao próximo. Os trabalhos que temos feito aqui no instituto é sempre amando o próximo e amando o país. Respeito ao patriotismo, à natureza humana e às nossas famílias.

http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/processo_de_candidaturas_ja_comecou

O risco de investimento na África é o mesmo que na Europa e nas Américas

por Kumuênho da Rosa
12 de Abril, 2017

Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

É completamente falso que África seja o lugar no mundo onde é maior, em termos absolutos, o risco de investimento por causa de questões ligadas à instabilidade política. É um facto que este risco persista em alguns países africanos em conflito armado.

No entanto desengane-se quem acredita que, em contraponto, a América ou a Europa sejam garantidamente o porto seguro para pôr dinheiro a render e simplesmente estar descansado. Basta analisar o efeito “Trump” na América e o efeito “Brexit” na Europa. O risco político para o negócio existe em qualquer economia e em qualquer região. A afirmação é de Miguel Carneiro, um jovem gestor angolano, que recentemente esteve como orador convidado num painel, com outros especialistas de investimento de diferentes regiões do mundo, numa conferência organizada pelo IESE – Instituto de Estudos Superiores da Empresa, da Universidade de Navarra, em Barcelona.


Jornal de Angola – Como caracterizar as diferentes regiões do globo por incidência de risco. Quais os factores que determinam o risco potencial para a realização de bons negócios?


Miguel Carneiro –
O mundo vive hoje, momentos atípicos, pois as regiões que tradicionalmente possuíam um risco de negócio baixo ou moderado, passaram recentemente a viver fenómenos políticos e sociais que elevaram consideravelmente o seu risco. Assistimos a esses fenómenos um pouco por toda a parte, América do Norte, América do Sul, Europa, Médio Oriente, Sudeste Asiático, e África. A análise de risco e a sua caracterização quase que deixou de ser uma ciência exacta, passando a ser quase uma arte, pois, nos dias de hoje se fizermos uma análise detalhada não existem regiões do globo, com risco inquestionavelmente baixo. O mundo esta totalmente globalizado, e por isso a melhor forma de caracterização de risco é a da classificação do risco especificamente para o negócio que se está a lançar. Com um total sentido de pragmatismo e objectividade, diria que o bom negócio é aquele que está estruturado de forma a florescer num ambiente, no qual, está inserido, seja em Angola, Espanha, Alemanha ou outro país.

JA – Porquê que o risco nos negócios por eventos políticos tanto dá para África como para qualquer outra região do mundo?

MC –
Não é possível haver negócios estanques de risco políticos, e isso é valido tanto em África como em qualquer outro continente. É um facto que todas as nações do globo têm estruturas políticas e consequentemente governativas na condução dos seus destinos. No negócio, os riscos políticos são projectados com base no historial do país ou da região no qual o negócio está ou pretende estar instalado. Por isso, no contexto dos negócios sempre que se termina e se inicia um novo ciclo político, repete-se o exercício de análise de risco, quer seja em África, América ou na Europa. Todas as sociedades são dinâmicas e os negócios também forçosamente precisam de ser dinâmicos para se poderem adaptar ao meio envolvente e continuar a crescer.

JA- Fale-nos um pouco da experiência de ser orador numa conferência para um público tão segmentado?

MC –
Foi claramente um desafio ser orador no IESE. Trata-se de uma instituição que conheço bem, sendo a melhor escola de negócios da Europa e top nos  rankings mundiais.
Numa instituição com o prestígio e reputação desta escola de negócios, a fraquia está sempre bem alta. Apesar dos negócios e investimentos em mercados emergentes, serem temas técnicos com os quais sinto-me perfeitamente à vontade, foi sobretudo necessário colocar-me nas vestes do público para poder responder de forma clara e objectiva a todas perguntas colocadas. São alunos de Mestrado e futuros gestores de topo, empreendedores, e investidores de todas as partes do mundo, com ideias bem claras e dúvidas objectivas. O moderador em si, o professor doutor Alejandro Lago é um acadêmico

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de elevado calibre, com credenciais que incluem um phd na Berkeley. Procurei elevar-me ao desafio.

JA – Com que impressão ficou?

MC – Fiquei com uma excelente impressão. Escolas de negócios como o IESE, são simplesmente exímias em termos organizacionais e de procura incansável pela excelência. Foi uma experiência fantástica, após anos voltar a rever professores e gestores com os quais tive a oportunidade de conviver aquando do meu mestrado.
O evento correu muito bem, tendo o fórum tocado nos pontos críticos de interesse para o público, que assistiu e teve oportunidade de fazer perguntas directamente aos oradores. Tópicos como riscos, desafios e oportunidades estão na vanguarda de qualquer negócio em mercados emergentes.

JA – Percebemos a sua preocupação em clarificar que África é um continente e não um país. Sente que isso tem sido um obstáculo ao investimento em países africanos?

MC – Algumas correntes de informação no mundo, apresentam África e alguns países africanos de uma forma sobreposta, ou seja, uma mistura entre o continente e os países que o compõem. Várias vezes assistimos por exemplo, a temas positivos como recursos naturais (exemplo da agricultura e minério) apresentados num modelo continental. Ao mesmo tempo também assistimos a temas menos positivos e que de facto não correspondem à verdade, como o risco em países como o Congo e Angola, apresentados também num modelo continental.

JA – Falou de Angola e de alguns programas governamentais, como o Angola Investe. Qual foi a percepção do auditório ao abordar algo tão específico?

MC – Angola está numa posição única no continente africano. Programas com o modelo do Angola Investe, não são comuns em África, sobretudo na questão da partilha do risco entre o investidor e o Estado. Este modelo, cumprindo com o preconizado, tem o potencial de se apresentar como uma clara alavanca ao investimento e ao empreendedorismo. Trata-se de uma demonstração de compromisso do país com os seus investidores e investimentos, o que foi entusiasticamente recebido pelo auditório.

JA – Outra questão é o acesso aos mercados financeiros. Porquê que os países africanos sentem tanta dificuldade em aceder a financiamentos no exterior?

MC – Primariamente o acesso aos mercados financeiros e consequentemente financiamento internacional, que requer acima de tudo capacidade de endividamento, um pré-requisito que, por questões históricas, há duas décadas esteve restrito a muito poucos países no continente africano. Segundo, além de terem de estar enquadrados nas melhores práticas de gestão financeira, os países africanos que à data, já cumprem com o primeiro requisito, precisam de ter uma articulação e execução mais objectiva e directa com as grandes praças financeiras mundiais.

JA – A crise financeira tem feito mossa em economias emergentes, como a de Angola. Mas ela (a baixa dos preços das matérias-primas) é também uma oportunidade para fazer negócios. Que segmentos poderiam ser apostas para os investidores?

MC – Angola é uma excelente aposta para o investimento, pelo facto de ser um país do futuro. Os contra ciclos económicos em termos técnicos, constitui a melhor altura para se realizar investimentos. Como em todas as regiões já abordadas, os riscos existem e no caso de Angola estes riscos podem ser amplamente mitigados. Todas as oportunidades de investimento por excelência em Angola têm de estar enquadradas no contexto do país, e forçosamente de utilizar uma cadeia produtiva nacional. Independentemente do sector, Angola tem de ser um país focado, e o estado jogar um papel crucial neste aspecto. Garantindo a intervenção do Estado dando as bases, apostar em alguns segmentos da Agricultura e agro-business, podem claramente ser apostas para investidores angolanos ou internacionais, tal como podem ser alguns segmentos do sector mineiro. Para a materialização do futuro promissor de Angola, é crítica a implementação de um foco, porque a dispersão enfraquece a maior parte das estratégias.

http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/nos_negocios__o_risco_existe__em_todo_o_lado

A falência da empresas angolanas e a burocracia despreparada

zungueiras-e-lixo
 
 
Falta de informação sobre os negócios, expectativa fora de ordem, falta de transparência da autoridades financeiras, burocracia despreparada, falta de financiamento, nepotismo e privilégios no acesso aos créditos são algumas da razões da falência dos empreendimentos angolanos. As autoridades não dizem, mas basta ler a fala oficial para descobrir.
 
 
O presidente do Conselho de Administração do Inapem, do Ministério da Economia, António de Assis disse que a maior dificuldade com que os empreendedores se deparam prende-se com a opção estratégica, quando muitos querem começar um negócio sem noção ou ideias objectivas, somente com o foco de obter dinheiro.
 
“Vários optaram por criar empresas de prestação de serviços e de pequeno porte – como salões de beleza, tabacarias e lojas – com a finalidade de apenas adquirir crédito bancário”, denunciou.
Estas empresas não podem beneficiar do crédito do programa Angola Investe e, quando muito, o Banco de Desenvolvimento da Angola (BDA) financia-as com material de trabalho.
 
As empresas de pequeno porte também não podem contar com o financiamento da banca comercial por falta de credibilidade dos seus projectos, o que agrava as expectativas de sobrevivência nesse sector, apontou António de Assis.
 
Outro fator da inviabilização dos negócios e das empresas é o que considerou “a mania das grandezas”, quando, pelos elevados valores dos créditos solicitados, os empreendedores ficam sem poder pagar os dez por cento de comparticipação no financiamento exigido pelos bancos.
 
António de Assis entende que os empreendedores devem iniciar os negócios com o pouco que têm ou associarem-se a outros para começar, um processo no qual o Inapem joga um “papel fundamental” enquanto entidade responsável pela certificação das empresas com acesso aos programas institucionais de financiamento. O instituto, informou, tem registadas mais de sete mil empresas certificadas a nível do país.
 
“Começar um negócio com o pouco que tem?”, numa sociedade com um governo pouco transparente, com uma burocracia burra, que mais desinforma que prepara seus empreendedores. pedir que as pessoas invistam suas parcas economias parece ser no minimo cruel.

TAAG com “sérias dificuldades” em pagar a fornecedores por falta de divisas

 
 
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A transportadora aérea estatal angolana TAAG admitiu que enfrenta “sérias dificuldades” para cumprir as “obrigações contratuais” com fornecedores e credores, devido à conjuntura em Angola, nomeadamente a falta de divisas.
 
A situação é admitida num comunicado divulgado hoje pela transportadora, confirmando a suspensão da compra, com recurso a moeda nacional angolana, o kwanza, de bilhetes para viagens com destino a Luanda e o início no exterior do país, que a Lusa noticiou na quinta-feira.
 
“Tendo em consideração a crise económica que assola a República de Angola”, que tem criado “desequilíbrios financeiros e contabilísticos de forma generalizada” e “bem notável e acentuada escassez no acesso e disponibilidade da moeda estrangeira, particularmente no setor da aviação civil”, justifica a companhia.
 
“Os elevados custos operacionais no exterior do país”, diz ainda a TAAG no comunicado enviado à Lusa, tem levado a companhia a “enfrentar sérias dificuldades em honrar com as obrigações contratuais junto dos fornecedores e credores”.
 
Daí que a companhia espere aumentar as vendas em moeda estrangeira, como em dólares e euros, para fazer face às necessidades operacionais fora do país.
 
A Lusa noticiou na quinta-feira que a compra de viagens aéreas para Luanda, com início fora de Angola, em kwanzas, deixou de ser possível a partir, com a suspensão, desde aquele dia, dessas operações pela companhia de bandeira angolana, que desde o final de 2015 está sob gestão da Emirates.
 
A informação foi então confirmada à Lusa por fonte oficial da transportadora área estatal de Angola, que segue os passos de todas as restantes companhias internacionais que operam a rota de Luanda, incluindo a portuguesa TAP, que há vários meses deixaram de aceitar kwanzas na compra de passagens para viagens que não se iniciem na capital angolana, face à dificuldade em repatriar divisas.
 
Angola vive desde o final de 2014 uma profunda crise decorrente da quebra da cotação de petróleo no mercado internacional.
 
A portuguesa TAP aplicou a mesma medida em janeiro de 2015, alegando a crise no acesso a divisas que já então se fazia sentir.
 
A espanhola Ibéria deixou de voar para Luanda no final de maio e a moçambicana LAM desde o início de julho.
 
Só a TAP, segundo o relatório e contas da Parpública tinha depósitos em Angola no montante de 27,7 milhões de euros, no final de 2015, que estava com dificuldade de repatriar.
 
A Lusa noticiou a 03 de junho que Angola é o quinto país do mundo com mais fundos retidos às companhias aéreas, que não paga há sete meses, acumulando dividendos de 237 milhões de dólares (213 milhões de euros) que as transportadoras não conseguem repatriar.
 
Os dados constam de um comunicado da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) que coloca Angola numa lista de países liderada pela Venezuela, com 3.180 milhões de dólares (16 meses sem transferir dividendos), seguida da Nigéria (591 milhões de dólares, sete meses), Sudão (360 milhões de dólares, quatro meses) e Egito (291 milhões de dólares, quatro meses).
 
No mesmo comunicado, a IATA, que representa 264 companhias aéreas e 83% do tráfego global, afirma que pediu aos governos “que respeitem os acordos internacionais que os obrigam a garantir que as companhias aéreas sejam capazes de repatriar suas receitas”.
 
 

FMI diz que Moçambique deve adotar pacote urgente e decisivo de medidas

O Fundo Monetário Internacional (FMI) defende que Moçambique deve adotar um pacote urgente e decisivo de medidas para evitar uma maior deterioração da economia e alerta que o país pode ter atingido um risco elevado de sobreendividamento.

“A missão (técnica do FMI) e as autoridades (moçambicanas) acordaram que este contexto exige um pacote urgente e decisivo de medidas de política para evitar uma deterioração acrescida do desempenho econômico”, refere um comunicado do FMI enviado à Lusa, no final da visita, na sexta-feira, a Moçambique, de uma equipa técnica da organização para avaliar a situação econômica decorrente da descoberta de avultadas dívidas contraídas pelo Governo moçambicano fora das contas públicas.

Em particular, especifica o FMI, são necessários apertos substanciais ao nível fiscal e monetário, flexibilidade da taxa de câmbio, para restaurar a sustentabilidade macroeconômica, redução das pressões sobre a inflação e a balança de pagamentos, bem como o alívio das pressões sobre o mercado cambial, para restaurar o equilíbrio entre oferta e procura no mercado cambial.

“Foi ainda acordado (entre o FMI e o Governo moçambicano) que o ajustamento deve preservar os programas sociais críticos”, refere ainda a nota de imprensa.

O FMI prossegue assinalando que Moçambique tem agora alta probabilidade de ter atingido um nível de risco elevado de sobre-endividamento e a sua dívida pública atingia 86% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de 2015, na sequência da descoberta de 1,4 mil milhões de dólares de empréstimos contraídos pelo Governo moçambicano entre 2013 e 2014 e não revelados à Assembleia da República e às organizações financeiras internacionais.

“Perante um tal cenário, o desempenho ao abrigo do programa de Facilidade de Crédito Stand-by (acordado entre o FMI e o Governo) foi decepcionante, tendo sido falhada a maior parte dos critérios de avaliação e de desempenho ou metas indicativas para o fim de dezembro de 2015 e fim de março de 2016”, enfatiza o FMI.

A organização frisa que Moçambique enfrenta desafios económicos difíceis e que se espera que o crescimento económico em 2016 reduza para 4,5%, contra de 6,6% em 2015, quase 3,3 pontos percentuais abaixo dos níveis históricos, com riscos substanciais de baixa nesta projecção.

Segundo o FMI, a inflação tem vindo a subir rapidamente, atingindo 16% em maio, e a política fiscal em 2015 e na primeira metade do ano foi excessivamente expansionista, com um aumento do crédito líquido ao governo que excedeu largamente as metas do programa.

“Simultaneamente, o metical (moeda nacional) desvalorizou-se em cerca de 28% desde o início do ano e as reservas internacionais continuaram a declinar”, lê-se no comunicado.

O FMI salienta que a sua missão técnica realizou bons progressos na identificação, com as autoridades, de um pacote de medidas com vista ao reforço da transparência, melhoria da governação e garantia da responsabilização e para, tanto quanto possível, evitar o recurso a dívida não revelada.

https://www.noticiasaominuto.com/economia/611764/fmi-diz-que-mocambique-deve-adotar-pacote-urgente-e-decisivo-de-medidas

União Européia impõe condições para desbloquear quatro milhões de euros a São Tomé e Príncipe

 

Comissão-Europeia-bandeiras-UEA União Europeia (UE) impôs ao governo são-tomense o cumprimento de “um conjunto de requisitos” como condição para desbloquear quatro milhões de euros ainda este ano, disse o ministro da Economia e Cooperação Internacional, Agostinho Fernandes.

Aquela verba faz parte do pacote de 20 milhões de euros acordado entre as duas partes em 2015 para serem desbloqueados até 2020, em parcelas anuais e variáveis, essencialmente para o desenvolvimento de projetos nos domínios da água e saneamento básico.

O governo são-tomense e a União Europeia (UE) iniciaram quinta-feira negociações para a libertação dos quatro milhões de euros, mas, segundo Agostinho Fernandes, as condições de Bruxelas condicionam a entrega, designadamente questões relacionadas com a gestão das finanças públicas e a atualização de alguns indicadores no domínio da água e saneamento básico.

A delegação da UE, chefiada por Helmut Kulitz, representante dos 28 em São Tomé, foi recebida hoje pelo primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada.

http://www.impala.pt/detail.aspx?id=232491&idCat=2059