Presidente Bolsonaro ameaça acelerar os licenciamentos ambientais

20181029153134469326iLicenciamento ambiental está sendo ameaçado pela bancada ruralsita de mudar ainda nesta legislatura. A bancada rualista procurou o presidente Bolsonaro, para propr alterações na  Lei d Licenciamento ambiental.

O presidente tem afirmado que dará celeridade aos licenciamentos das hidrelétricas. O presisente Boldonaro ,  tem dado sinais de que pretende avançar nos processos que envolvem licenciamentos ambientais. A tendência é judicializar esses processos.

O presidente do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico (FMASE), Marcelo Moraes, afirmou que nos últimos anos novas regras foram impostas, tornando o licenciamento ambiental mais burocrático e moroso
O plano de governo do presidente eleito Jair Bolsonaro para a área ambiental ainda não está claro, mas a expectativa de agentes do setor elétrico ligados à pauta ambiental é de que haja maior abertura ao diálogo, de maneira que seja possível acelerar o processo de licenciamento. Para o presidente do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico (FMASE), Marcelo Moraes, uma esperada conversa mais aberta pode permitir a retomada da discussão sobre novas hidrelétricas com reservatórios.

 

 

“A gente sabe que o viés do novo presidente é um pouco mais liberal do ponto de vista ambiental, então a gente vê, de certa forma, com bons olhos, de um lado, mas também com certa preocupação, por outro. Acho que tem mais a ganhar do que perder”, disse Moraes, em breve comentário. Ele lembrou da possibilidade, já aventada pela equipe de Bolsonaro, de fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, mas demonstrou otimismo com a possibilidade de maior celeridade do processo de licenciamento, “mantendo a segurança e mantendo todas as prerrogativas ambientais”.

 

Moraes afirmou que nos últimos anos novas regras foram impostas, tornando o licenciamento ambiental mais burocrático e moroso. E destacou, no setor elétrico, a suspensão do processo de licenciamento da usina São Luiz do Tapajós, no Pará, e uma resolução da Agência Nacional de Águas (ANA) impedindo qualquer nova outorga na Bacia do Rio Paraguai, sem qualquer análise prévia. Agora, vislumbra a possibilidade de retomada das discussões sobre a construção de hidrelétricas com reservatórios que considera “uma dádiva”. “Talvez dois ou três países no mundo podem ter ainda exploração de potencial hidrelétrico, o Brasil é um deles, e estamos praticamente impedidos de fazer novas hidrelétricas, seja do porte que for, até PCHs com dificuldade”, disse.

 

Com base na expectativa de uma conversa “mais aberta, mais franca” com diversas frentes – governo, setor elétrico, Organizações não-governamentais (ONGs), Ministério Público e Justiça -, o dirigente defendeu um “maior equilíbrio na relação entre setor produtivo e setor ambiental”. “Acho que no governo Bolsonaro vamos ter uma oportunidade nova de começar um diálogo diferente”, disse, defendendo “a convivência harmoniosa entre o desenvolvimento econômico do País e essa preservação ambiental”.

Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/economia/2018/10/29/internas_economia,766846/fmase-quer-acelerar-processo-de-licenciamento-de-hidreletricas-no-novo.shtml

Como podemos nos mobilizar para limitar o aquecimento global em 1,5ºC?

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Limitar o aquecimento global em 1,5°C é um tremendo desafio, mas de enfrentamento ainda possível, segundo a ciência climática. A limitação do aquecimento traria muitos cobenefícios e custaria muito menos do que a posterior remediação dos danos. Analisamos aqui o que precisa ser feito em cada setor da economia responsável pelas emissões de gases de efeito estufa para que esta limitação seja possível.

 

Em 2015, quando os governos de todo o mundo adotaram o Acordo de Paris pelo clima do nosso planeta, solicitaram aos cientistas do IPCC uma análise dos impactos que a humanidade sofreria caso o aquecimento global chegasse a 1,5°C e, também, uma análise das maneiras pelas quais seria possível aos países cumprir a meta de manutenção do aquecimento global abaixo desta temperatura.

 

Pois bem, os milhares de cientistas de todo o mundo reunidos no IPCC entregaram estas análises em outubro de 2018, em um relatório especial que busca responder (i) quais são os impactos de um aquecimento global de 1,5oC e de um aquecimento de 2oC? O que é necessário para limitar o aumento da temperatura em 1,5oC? E quais são os trade-offs com as metas de desenvolvimento sustentável da ONU?

 

Tentamos aqui sintetizar as ações que precisam ser feitas em cada setor para que o aquecimento global não ultrapasse os 1,5oC. Esta não é uma síntese do relatório do IPCC, mas somente uma guia para sua compreensão. O Sumário para Formuladores de Políticas do relatório do IPCC pode ser lido aqui.

 

 

Qual é o tamanho do desafio?

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Manter o aumento da temperatura média global sob 1,5°C será um empreendimento massivo com implicações para todos os setores da economia – mas ainda é uma meta alcançável.

 

Os cientistas desenvolveram diferentes cenários possíveis para os níveis futuros de emissão de gases de efeito estufa ano a ano, conhecidos como “trajetórias”. Nas trajetórias compatíveis com um aumento da temperatura limitado em 1,5°C, o mundo tem que ser neutro em carbono por volta do meio deste século, ou seja, nestes cenários a humanidade não poderia mais adicionar dióxido de carbono (CO2) à atmosfera já em 2050. Isto dependeria de um corte sem precedente nas emissões de CO2 e, também, de cortes rápidos das emissões dos demais gases de efeito estufa. Uma resposta fraca ou tardia fará com que a temperatura média global ultrapasse os 1,5°C, e que dependamos mais e mais de tecnologias capazes de extrair CO2 da atmosfera (que são ainda arriscadas, não comprovadas e muitas vezes bastante caras) para baixar a temperatura da Terra. Sem nenhuma ação adicional pelo clima, o aquecimento global ultrapassará os 1,5°C já por volta de 2040.[1]

 

Mantermo-nos dentro da meta de 1,5°C dependerá de cortes nas emissões rápidos e profundos em todos os setores responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa. Delineamos abaixo uma série de medidas de corte de emissão que poderiam ajudar a cumprir esta meta, agrupadas nos seguintes setores: oferta de energia, uso da terra, indústria, transporte e edificações. No último trecho deste texto delineamos também as opções para a remoção de CO2 da atmosfera. Achamos importante observar que todos os setores têm opções sobre quanto e como cortar suas emissões, mas as escolhas de um determinado setor afetarão os demais.

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Cada um de nós, individualmente, terá que mudar seu comportamento para contribuir com a limitação do aquecimento global em 1,5°C. Como? Mudando a dietas de modo a reduzir o consumo de carnes, reduzindo o desperdício de comida, usando menos os carros e mais o transporte público, usando equipamentos mais eficientes e instalando melhores sistemas de isolamento térmico para dependermos menos de aparelhos de ar condicionado, nas regiões quentes, e de aquecedores de ambiente, nas regiões frias. Mas é bom ressaltar que estas mudanças comportamentais, embora relevantes, não suficientes por si só. A economia tem que mudar.

 

 

O que precisa ser feito na oferta de energia

 

O setor energético – o conjunto de atividades econômicas que extrai recursos como petróleo, gás natural e carvão, gera eletricidade, produz combustíveis como gasolina, diesel e etanol, e transporta a energia para onde ela é usada – é responsável por cerca de 35% das emissões globais de gases de efeito estufa, o que faz do setor o que mais emite estes gases.[2] No Brasil de 2016, este setor foi responsável por 19% das emissões do país. O setor é o terceiro em importância no Brasil, atrás apenas da agropecuária e das mudanças no uso do solo[3].

 

Cortar estas emissões rapidamente será essencial para mantermo-nos na meta de 1,5°C. Como outros setores terão que fazer mais uso da eletricidade para substituir combustíveis fósseis como o petróleo, o carvão e o gás, será importante assegurar que o suprimento de eletricidade venha de fontes de energia de baixas emissões de CO2(muitas vezes referidas como de “baixo carbono”). Isto depende de cortes no uso de combustíveis fósseis e do crescimento do uso de fontes de energia de baixo carbono.

 

Cortes no uso de energia

 

Para limitarmos o aquecimento global em 1,5°C, o uso de combustíveis fósseis tem que cair rapidamente. Isto é particularmente importante para o carvão, que deve ser praticamente abandonado até mais ou menos 2040.[4] Mas o uso do petróleo também precisa cair ao longo do século. E o uso do gás natural deve ser pequeno por volta de 2100, embora em algumas trajetórias de emissão o uso do gás deva cair imediatamente.

 

O uso da captura e estocagem de carvão (CCS) – o grupo de tecnologias que busca capturar os gases gerados pela queima dos combustíveis fósseis e os estocar em rochas – poderia, em teoria, permitir que tanto o gás quanto o carvão sejam usados ainda por algum tempo sem que se ultrapasse o limite de 1,5°C. Mas as tentativas de desenvolvimento concreto destas possibilidades têm falhado sistematicamente. Pelo menos 32 projetos de termelétricas a carvão com captura e estocagem de CO2 foram cancelados ou suspensos em todo o mundo, e somente dois estão em operação.[5]

 

Alcançar a meta de 1,5°C será muito mais fácil, barato e disruptivo se os governos de todo o mundo tomarem medidas imediatas para a substituição dos combustíveis fósseis por fontes limpas de energia. O investimento continuado em termelétricas movidas a combustíveis fósseis implicará cortes futuros mais drásticos e rápidos. Isto será mais difícil e acabará gerando “ativos podres”, como termelétricas a carvão e a gás que não poderão mais operar – fazendo com que os investidores não sejam mais capazes de gerar os rendimentos necessários para cobrirem seus custos e terem algum retorno.

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A esperança vem de iniciativas como a Powering Past Coal Alliance[6] criada em 2017 por 21 países, estados, empresas e cidades comprometidos com o fim do uso de termelétricas tradicionais movidas a carvão. Em setembro de 2018, a Aliança já tinha 74 membros, incluindo 29 países, com uma significativa participação de estados, cidades e empresas dos EUA contrárias à retórica usada pela administração Trump em apoio ao carvão.

 

Desde 2010 foram cancelados no mundo 1.705 projetos de construção de termelétricas a carvão.[7] O primeiro país a se comprometer com o abandono gradativo, mas total, do carvão foi o Reino Unido, em 2015. Desde aquele momento, a proporção da eletricidade gerada no Reino por meio da queima de carvão caiu rapidamente, e a fonte foi responsável pelo atendimento de menos de 7% da demanda de 2017.[8]

 

O rápido crescimento da energia de baixo carbono

 

A energia de baixo carbono, que inclui as fontes solar, eólica (dos ventos), biomassa, nuclear, hidro e geotérmica, precisa crescer rapidamente para preencher o vazio deixado pela declínio no uso dos combustíveis fósseis e, provavelmente, atender à crescente demanda por eletricidade que ajudará o mundo a se manter dentro do limite de 1,5°C.

 

Existem diferentes maneiras pelas quais as fontes de energia de baixo carbono podem vir a atender as necessidades energéticas globais. A maioria das trajetórias sugere que as energias solar e da biomassa se expandirão rapidamente e estarão entre as mais importantes. Existe uma incerteza maior sobre quanto de energia nuclear será necessária – sendo que algumas trajetórias sugerem que esta será uma fonte importante de energia outras sugerem que esta não será necessária.[9]

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Como um possível benchmark, a eletricidade gerada pelos ventos e pelo Sol podem ter que continuar seguindo as taxas recentes de crescimento (entre 25% a 30%) até 2025, de acordo com uma publicação científica recente. Depois disso, o crescimento destas pode se ralentar para algo entre 4% e 5%, o que levaria a uma total descarbonização da geração de eletricidade global por volta de 2050.[10]

 

Esta transição está bem encaminhada: em 2016, 24% da eletricidade global já veio de fontes renováveis,[11] fazendo do conjunto destas fontes a segunda maior fonte de eletricidade depois do carvão.[12] Em 2016, o mundo tinha 32 vezes mais capacidade de geração solar e cinco vezes mais capacidade eólica que em 2007.[13]

 

Os custos das energias solar e eólica estão caindo rapidamente. Entre 2010 e 2017, o custo de produção da eletricidade via eólica nos continentes caiu da ordem de 25%, enquanto o custo da geração em grande escala da eletricidade de fonte solar caiu 73%.[14]

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Os custos destas fontes renováveis são comumente competitivos com os do carvão. Os custos médios da geração de eletricidade por carvão foram, em 2017, de entre US$ 50 a US$ 73 por MWh. Enquanto isso, o custo médio global da produção eólica em terra foi da ordem de US$ 67/MWh, e de entre US$ 56 e US$ 86/ MWh para a fonte solar fotovoltaica.[15] No final de 2017, os mais baixos preços das energias solar e eólica foram de US$21/MWh e US$19/MWh, ambos conseguidos pelo México.[16] Dentro dos próximos 15 anos é provável que seja mais barato construir uma nota usina solar ou eólica do que usar termelétricas a gás já existentes.[17]

 

O apoio governamental será importante para dar confiança aos investidores na transição para as energias limpas. O governo da Índia, por exemplo, definiu como meta a instalação de 175 GW de capacidade de geração renovável de eletricidade até 2022.[18]No ultimo ano, a Índia investiu mais em energia renovável do que em energia fóssil, mais que dobrando o investimento em geração de eletricidade solar, e investiu valores recordes na geração eólica em terra.[19]

 

Infelizmente no Brasil os sinais dados pelo governo ao mercado não são tão claros. Em certos momentos são realizados leilões de compra específicos para energia renovável, em outros, os responsáveis pelo planejamento sinalizam em favor de térmicas a gás, por exemplo. O resultado disto é que a tendência da matriz elétrica neste século é de queda na participação da hidroeletricidade – de 87% em 2000 para 66% em 2016 – e de aumento da termeletricidade fóssil, de 9% para 17% no mesmo período. [20] Isto, porém, não impediu um aumento importante da geração de eletricidade por usinas eólicas, que cresceu 55% contra um crescimento de 6% na geração hidrelétrica e uma queda de 28% na geração térmica fóssil neste século.[21]

 

O armazenamento de eletricidade será também crucial para a transição energética. Como algumas fontes renováveis de energia – como a eólica e a solar – são intermitentes, armazenar a energia gerada por estas fontes pode assegurar que o suprimento sempre atenda à demanda. A tecnologia de armazenamento está se desenvolvendo e se expandindo rapidamente. E os custos rapidamente decrescentes, a necessidade de manutenção da qualidade do ar, as regras contra a poluição e as políticas climáticas provavelmente continuarão pressionando pela sua expansão.

 

 

O que precisa ser feito no uso da terra

 

A superfície dos continentes e sua biodiversidade podem tanto absorver quanto emitir gases de efeito estufa, de modo que as decisões sobre como as terras são usadas terão grande papel na determinação do aquecimento global exceder ou não 1,5°C. As atividades ligadas ao uso da terra – Agricultura, Florestamento e outros usos da terra são agrupadas no jargão das negociações climáticas internacionais como setor AFOLU (na sigla em  inglês). Este setor, atualmente, emite mais do que absorve gases de efeito estufa, e é responsável por 24% das emissões globais.[22] No Brasil, as emissões somadas da atividade agropecuária e da mudança no uso da terra chegam a 73% das emissões em 2016.[23]

 

Mas reduzir as emissões não é a única consideração necessária neste setor. As terras e a biodiversidade nelas existente também precisam prover alimento para as pessoas e os animais, habitats para a vida selvagem e biomassa para a energia. Além disso, elas também precisam seguir provendo outros serviços vitais para os seres humanos, como água e ar limpos, controle de enchentes e polinização de culturas agrícolas – os chamados serviços ecossistêmicos.

 

É possível cortar as emissões do uso da terra de muitas maneiras, mas cada escolha tem consequências. Por exemplo, a expansão das florestas remove o CO2 da atmosfera, mas reduz a área disponível para a agricultura. Plantar árvores e outros cultivos para queimá-los para a geração de energia, ao mesmo tempo em que se captura e se estoca nas rochas terrestres o CO2 gerado (a bioenergia com captura e estocagem de carbono, ou BECCS), aumenta a pressão por terras e água, compete com a produção de alimentos e pode comprometer a qualidade do ar local.

 

Duas abordagens podem nos ajudar a manter o aquecimento global sob 1,5°C: proteger e expandir os ecossistemas que estocam carbono, e introduzir práticas agrícolas que reduzem as emissões do uso da terra.

 

Proteção de florestas e solos

 

Florestas e solos estocam grandes quantidades de carbono. O estado destes ecossistemas terá uma influência importante no nível do aquecimento que enfrentaremos.

 

O que as pessoas comem é um fator relevante na determinação do estado das florestas e dos solos. A produção de carne, frutos do mar, ovos e laticínios é responsável por entre 56% e 58% das emissões geradas pela produção de alimentos, apesar desta produção contribuir com somente 37% das proteínas e 18% das calorias consumidas pelas pessoas.[24] Os alimentos que geram a maioria das emissões incluem a carne de bovinos e ovinos e a produção de queijos – sendo que as emissões da produção da carne bovina é aproximadamente 25 vezes maior que as emissões da produção do equivalente em tofu, e mais de 60 vezes maior do que a da produção de legumes e frutas secas.

 

Quanto mais carnes, peixes, laticínios e ovos as pessoas comerem, mais difícil será limitar o aquecimento global em 1,5°C, portanto a redução do consumo destes alimentos faria uma grande diferença. Reduzir o consumo de carne de mais de 100 gramas por dia para menos de 50 gramas por dia pode cortar as emissões de uma pessoa em 35%. Mudar para uma dieta vegetariana poderia cortar as emissões pessoais em 47%, e mudar para uma dieta vegana poderia reduzir estas emissões em 60%, de acordo com um estudo de 2014.[25]

 

Reduzir o desperdício de comida também pode ajudar na redução das emissões de CO2, por meio da redução da quantidade de comida que precisa ser produzida. Hoje, um terço dos alimentos produzidos em todo o mundo são desperdiçados. As emissões deste desperdício são maiores do que todas as emissões da Índia.[26] Cortar o desperdício de alimentos pela metade até 2030 é um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU.[27]

 

Políticas públicas para a proteção florestal podem ajudar na redução de emissões. A Costa Rica é um bom exemplo de como é possível reverter o impacto da agropecuária: em 1943 as florestas cobriam 77% do país; nas décadas seguintes, a produção agrícola e pecuária reduziu as florestas de modo tal que, em 1986, somente 41% da área da Costa Rica era coberta por florestas; mas então o país começou a regenerar suas florestas; os subsídios para a pecuária foram removidos, a pressão por áreas de pasto caiu, ao mesmo tempo em que a produção da pecuária caia em um terço; como resultado deste processo, em 2012 as florestas haviam já se recuperado em parte e cobriam 52% da área do país.[28]

 

Desafio de Bonn é um esforço global que busca restaurar 150 milhões de hectares desmatados e degradados em todo o mundo até 2020, e 350 milhões de hectares até 2030.[29] Estima-se que isto possa absorver o equivalente a 7% das emissões provenientes do uso de combustíveis fósseis (veja mais sobre o potencial de absorção de carbono das florestas e dos solos no último trecho deste texto).[30]

 

Práticas que podem cortar emissões do uso da terra

 

Também é possível cotar as emissões do uso da terra sem mudar a destinação dada às terras. O carbono estocado nos solos pode ser aumentado por meio de várias técnicas de restauração de solos degradados e de preparo para o cultivo.[31] Um exemplo é o plantio direto muito usado no Brasil.

 

Aumentar a eficiência da agricultura e da produção florestal poderia também reduzir a área total utilizada, o que reduziria as emissões e permitiria a expansão das florestas. Uma opção seria intensificar a produção agropecuária, embora se esta intensificação não for feita de maneira sustentável pode vir a criar outros problemas como a degradação de solos, a poluição por pesticidas e a redução do bem-estar animal.

 

A geração de energia por meio da queima de biomassa pode ter sua eficiência aumentada por meio do uso de resíduos da agricultura e da produção florestal, como o bagaço de cana e resíduos de cultivos, de colheitas ou de serrarias. Um exemplo disso é a usina de geração combinada de calor e energia que é alimentada pela queima de biomassa e que fornece calor a uma rede distrital de aquecimento da cidade de Pfaffenhofen, Alemanha. Em 2014, a planta substituiu a queima de resíduos de serrarias pela queima de resíduos da produção florestal, e esta mudança cortou suas emissões de CO2 em aproximadamente 70 mil toneladas por ano.[32]

 

O que precisa ser feito na indústria

 

A indústria é diretamente responsável por 21% das emissões globais, embora este número possa ser ainda mais alto se forem contabilizadas as emissões da geração de eletricidade e de calor utilizados no setor.[33]

 

Para o mundo se tornar neutro em carbono até 2050, estas emissões precisarão cair nitidamente. Algumas maneiras pelas quais estas emissões podem ser reduzidas são discutidas a seguir.

 

Mudança para a eletricidade e outros combustíveis limpos

 

Já que a produção de eletricidade deve ser limpa até 2050 para que seguremos o aquecimento global em 1,5°C, a indústria será comumente capaz de cotar suas emissões de CO2 usando mais eletricidade, ao invés de combustíveis fósseis para suprir suas demandas energéticas.

 

Um exemplo disso é a fabricação de aço, na qual fornos de arco elétrico podem substituir os altos-fornos tradicionais. Fornos de arco elétrico convertem sucata em aços de alta qualidade por meio de um processo que usa menos energia do que o da produção de aço em altos-fornos. A participação do uso de fornos de arco elétrico na produção total de aço nos EUA aumentou de 38% para 61% entre 1991 e 2010.[34]

 

Onde a eletricidade não é opção, a indústria pode migrar para combustíveis mais limpos, como a biomassa, substituindo particularmente o carvão. Por exemplo, o primeiro fabricante de cimento do Senegal substituiu parcialmente o carvão pela biomassa. Desde 2013, os frutos de árvores de Jatropha e outros resíduos de biomassa entregam até 35% do calor demandado pela fábrica de cimento, o que evita a emissão de 54 mil toneladas de CO2 por ano.[35] O hidrogênio, que pode ser separado da água com o uso de eletricidade, é um outro combustível limpo que poderia ser mais usado na indústria.[36]

 

Cortando emissões de processos industriais

 

A indústria também precisará fazer um uso amplo da captura e estocagem de carbono (CCS) para ser possível manter o aquecimento global em 1,5°C. Isto será particularmente importante em setores nos quais outras mudanças não podem eliminar inteiramente as emissões, como a produção de cimento, de ferro e aço. Mas até agora o desenvolvimento de CCS tem sido lento; medidas governamentais – que incluem a precificação de carbono – podem ser um possível caminho para esta mudança.

 

Outras inovações serão também essenciais. Por exemplo, grande parte das emissões de CO2 da produção de alumínio vem dos anodos de carbono usados durante o derretimento do minério. Um novo desenho do anodo, desenvolvido pela Alcoa e a Rio Tinto, tem o potencial de cortar emissões, somente no Canadá, em 6,5 milhões de toneladas de CO2 por ano.[37]

 

Aumentando a eficiência e reduzindo os resíduos

 

Sem ação climática a indústria seguirá aumentando seu consumo de energia. Evitar um aquecimento superior a 1,5°C dependerá da limitação deste aumento. Medidas de eficiência energética poderiam ajudar. Entre estas a redução de resíduos, mudanças para tecnologias mais modernas e captura e reuso de calor.

 

Por exemplo, um programa de eficiência energética desenvolvido para a indústria chinesa cortou 400 milhões de toneladas de CO2 em cinco anos.[38] O programa 1,000 Energy-Consuming Enterprises introduziu metas para a economia de energia, auditorias e sistemas de relato, além de incentivos e investimentos.

 

O corte do uso de materiais industriais também contribuiria para a redução de emissões. Existem várias maneiras para fazer isso, incluindo o projeto de produtos de maior durabilidade, redução das perdas de material durante a manufatura, projeto de produtos que demandem menor quantidade de materiais e aumentem a capacidade de reciclagem e remanufatura (na qual velhos produtos podem ser restaurados até novas condições de uso, um parte-chave da ideia de economia circular).

 

Por exemplo, o aumento do uso de aço reciclado poderia cortar as emissões em aproximadamente 75% para cada tonelada de sucata reciclada. 64% do consumo de aço europeu já vem da reciclagem da sucata – esta proporção poderia aumentar com uso de mais aço reciclado na construção civil, nas embalagens e na fabricação de equipamentos. E outras regiões do mundo poderiam também aumentar a reciclagem de aço.[39]

 

Quanto à remanufatura, seu potencial é elevado, mas em grande parte não realizado. Somente 1,9% da produção manufaturada da União Europeia é composta de produtos remanufaturados, mas só esta pequena fração evita a emissão de 8,3 milhões de toneladas de CO2 por ano,[40] o que é aproximadamente equivalente às emissões anuais de todos os carros da Bélgica. A Volvo tem remanufaturado componentes deste 1945, quanto uma escassez de matéria prima levou a empresa a criar um sistema de trocas. Por meio da remanufatura, a Volvo deixou de usar 780 toneladas de aço e 300 toneladas em 2015. A remanufatura de uma caixa de câmbio emite 36% menos CO2 do que a produção de uma caixa nova.[41]

 

 

O que precisa ser feito no transporte

 

O transporte é responsável por 14% das emissões globais de CO2.[42] Três quartos destas emissões vêm dos veículos que trafegam nas rodovias de todo o mundo,[43]embora a contribuição da aviação e da navegação esteja aumentando.

 

Existem duas principais maneiras pelas quais é possível cortar as emissões do transporte – fazer um transporte mais limpo e reduzir a demanda por transporte.

 

Tornar o transporte mais limpo

 

Veículos mais eficientes podem ser construídos para reduzir o consumo de combustíveis. Exemplos incluem a injeção direta de combustíveis, que torna os motores mais eficientes, e geradores/motores de partida integrados, que desligam motores e lâmpadas em momentos específicos. O uso de materiais mais leves, como a fibra de carbono, reduz o peso dos veículos, enquanto a redução do arrasto, o uso de estruturas mais leves e rodas menores também aumentam a eficiência.[44] Para veículos de transporte de mercadorias, melhorias da eficiência podem ser combinadas com melhorias nas cadeias de suprimento, na logística e nas rotas.

 

A eletrificação poderia cortar em muito as emissões de veículos de passageiros e ajudar a manter alcançável a meta de 1,5°C. Se por volta de 70% dos veículos forem elétricos em 2050, as emissões anuais globais de CO2 serão reduzidas em aproximadamente 3,3 bilhões de toneladas – o equivalente a 8% das atuais emissões totais.[45] Quinze países já anunciaram planos para acabar com a venda de carros movidos a diesel e gasolina e 20 cidades já definiram datas para banir veículos não elétricos[46].

 

Existem agora mais de quatro milhões de veículos elétricos de passageiros nas ruas de todo o mundo, incluindo 400 mil ônibus elétricos. As vendas estão se acelerando rapidamente: praticamente nenhum destes veículos tinha sido vendido antes de 2011, e da ordem de dois milhões deles estão agora sendo vendidos a cada ano.[47] Se espera que este crescimento exponencial continue: a venda anual de veículos elétricos alcançará 11 milhões de veículos em 2025 e 30 milhões em 2030, segundo projeção da BNEF.[48] A China será responsável por grande parte deste crescimento, com 50% da venda global de carros elétricos em 2025.

 

Vários governos estão investindo em estações de carregamento de baterias para encorajar as pessoas a usar veículos elétricos. Alguns exemplos:

– O governo chinês tem planos de construção de 4,8 milhões de estações de carga até 2022, o que requererá investimentos da ordem de US$ 1,9 bilhão em infraestrutura.[49]

– O governo do Reino Unido anunciou em julho de 2018 um fundo de investimento em infraestrutura de carga de baterias de £ 400 milhões em apoio às empresas que querem instalar pontos de carga.[50]

– A California Public Utility Commission aprovou projetos de carga de baterias no valor de US$ 738 milhões em junho de 2018.[51]

– A New York Power Authority se comprometeu em maio de 2018 a investir até US$ 250 milhões na construção de infraestrutura para veículos elétricos.[52]

 

É difícil alimentar veículos comerciais pesados com eletricidade, mas a tecnologia para isto está avançando. Caminhões elétricos e veículos comerciais leves têm sido testados em projetos de demonstração apoiados por iniciativas governamentais na Califórnia, Suécia, Alemanha e Holanda.[53] As montadoras Tesla, Daimler, Volvo, Renault Caminhões e VW planejam comercializar caminhões elétricos em 2022.

 

Por outro lado, as projeções das emissões da aviação e da navegação mostram que estas devem crescer da participação atual de 20% nas emissões totais do setor de transporte global, em 2018, para 34% em 2060.[54] O corte destas emissões será um desafio particular. Isto porque se espera que a demanda por estes dois modos de transporte cresça rapidamente, e sabe-se que é difícil substituir os combustíveis fósseis utilizados por aviões e navios por combustíveis limpos, ou substituir estes modos de transporte por outros alternativos. Biocombustíveis avançados, hidrogênio e baterias podem ser parte da solução, mas precisarão ser combinados com melhorias de eficiência. Estes setores não são cobertos pelo Acordo de Paris e ambos estão desenvolvendo planos para o corte de suas emissões.

 

Cortar a demanda por transporte

 

Mudanças comportamentais podem ser mais importantes para o setor de transporte do que para qualquer outro setor, e precisam ser apoiadas por políticas públicas e regulações. Estas mudanças podem ser divididas entre aquelas que reduzem a demanda por transporte, por exemplo por meio da implantação de cidades mais caminháveis e do teletrabalho, e aquelas que mudam a demanda em direção a modos mais eficientes de transporte de pessoas e mercadorias, como ônibus, bondes e trens.

 

Um planejamento urbano efetivo é crucial para que estas soluções tenham sucesso. As cidades precisarão de projetos que tornem mais fácil o abandono dos carros em favor de caminhadas, das bicicletas ou do transporte de massa. O planejamento integrado do uso do solo urbano e dos sistemas de transporte pode diminuir as jornadas e até evitar parte dos deslocamentos.[55] A cobrança pelos congestionamentos e outras políticas que desencorajam o uso do carro particular, enquanto encorajam o uso do transporte público, podem ajudar a reduzir o uso do carro. A cidade de Portland, no Oregon, EUA, é líder na integração dos planejamentos urbano e de transporte. Enquanto a cidade crescia rapidamente, esta se focou no desenvolvimento e no encorajamento do uso do transporte público, e também em evitar o espalhamento da malha urbana, dando ênfase no adensamento populacional e ao uso misto das proximidades das vias e estações do Sistema de transporte público.[56]

 

 

O que precisa ser feito nas edificações

 

A construção e o uso das edificações são diretamente responsáveis por 6% das emissões globais de gases de efeito estufa – porcentagem que pode ser ainda maior se contabilizarmos as emissões da geração da eletricidade e das outras fontes de energia eventualmente utilizadas nas edificações.[57]

 

A uso de energia nas edificações cresce à medida em que crescem as populações e estas têm suas rendas aumentadas – tendências que implicam usos incrementais de condicionamento ambiental e de outros equipamentos, particularmente nos países em desenvolvimento. Este crescimento deve continuar, aumentando a pressão sobre os esforços de redução de emissões de gases de efeito estufa. A maneira pela qual o mundo suprirá esta demanda crescente ajudará a determinar se o aquecimento global poderá ser limitado em 1,5°C.

 

Subindo os padrões para as novas edificações

 

Será importante definir padrões de eficiência mais elevados para as novas edificações de modo a reduzir a demanda por energia, particularmente aquela utilizada para o condicionamento ambiental e a calefação. Padrões mais elevados podem ser alcançados por meio de melhorias no isolamento térmico das edificações, e com o emprego de aparelhos e sistemas de ar condicionado e de calefação mais eficientes.

 

Um exemplo do progresso nesta matéria vem da Dinamarca, onde as regras para o consumo de energia das novas edificações estão entre as mais estritas do mundo.[58]Como resultado destas regras, as casas construídas desde 2008 usam metade da energia usada nas construídas antes de 1977.[59]

 

Tornando as edificações existentes mais eficientes

 

Uma grande proporção dos edifícios hoje existentes ainda será usada em 2050, particularmente nos países desenvolvidos. Estas edificações têm que ser transformadas em edificações mais eficientes para que cortem seu consumo de energia e ajudem a manter o aquecimento global limitado em 1,5°C. O ‘retrofit’ das edificações existentes pode reduzir dramaticamente seu consumo de energia. Em prédios de apartamentos ou escritórios, a economia de energia de um ‘retrofit’ pode chegar a 90%, enquanto em edificações isoladas as reduções podem chegar a 75%.[60] Mas estas melhorias acontecerão somente se os governos introduzirem e colocarem em prática códigos de edificação mais restritivos quanto ao consumo de energia.

 

Um exemplo: o Kuyasa Project[61] da Cidade do Cabo, na África do Sul, fez o ‘retrofit’ de mais de 2,3 mil casas de famílias de baixa renda, instalando aquecedores solares de água, lâmpadas eficientes e isolamento térmico de tetos. As medidas proporcionaram casas mais quentinhas e água quente, evitaram a emissão de aproximadamente 7 mil toneladas de CO2 por ano, além de reduzirem significativamente as contas de energia das famílias.

 

Um código de eficiência energética implantado na cidade do México, o qual certificou inicialmente 40 edificações, economizou a emissão de 66 mil toneladas de CO2. O código prevê a instalação de aquecimento solar de água, de iluminação eficiente e de isolamento térmico.[62]

 

Cortando o consumo de energia dos equipamentos

 

Eletrodomésticos – como refrigeradores e máquinas de lavar – são responsáveis pela maioria do consumo de energia das residências, embora eletrônicos como TVs e computadores tenham uma participação crescente neste consumo.[63] O crescimento da renda global tem levado mais pessoas a usar mais eletrodomésticos, os quais tornarão mais difícil o corte das emissões de gases de efeito estufa. Mas se os eletrodomésticos continuarem tendo sua eficiência aumentada, o consumo total de energia pode até cair.

 

Regras de eficiência energética tiveram até agora um efeito que alguns consideram dramático. Por exemplo, os produtos cobertos pelas regras de eficiência energética na Coreia do Sul se tornaram 59% mais eficientes entre 1996 e 2010, uma melhoria anual equivalente a 3,4%. A eficiência dos refrigeradores nos EUA melhorou a uma taxa media anual ainda mais alta – 4% ao ano – entre 1989 e 2010.[64]

 

Entretanto, muitos dos atuais padrões são muito fracos – em muitos casos os modelos mais eficientes são 50% mais eficientes que o requerido pelos padrões.

 

 

É possível remover CO2 da atmosfera?

 

Para manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C, as emissões globais de gases de efeito estufa terão que cair a zero por volta de meados deste século. Mas algumas emissões de redução difícil devem persistir, e podem ser compensadas por medidas deliberadas para a remoção de CO2 da atmosfera, o que resultaria em zerar as emissões líquidas.[65] Se os cortes de emissão forem lentos e não conseguirem brecar o aquecimento global em 1,5°C, mais remoções de CO2 serão necessárias para trazer a temperatura media do planeta de volta a abaixo dos 1,5oC.

 

É altamente improvável que a remoção de CO2 seja capaz de prover mais que uma menor parte das mudanças necessárias para trazer as emissões líquidas a zero. As atividades humanas atualmente lançam da ordem de 41 bilhões de toneladas de CO2por ano[66] enquanto algumas abordagens para a redução de CO2 podem ser capazes de remover entre 12 e 13 bilhões de toneladas de CO2 por ano, com o agravante de demandarem grandes porções de terra e energia, o que indica que estes níveis teóricos de remoção têm alcance pouco prováveis.

 

Uma série de métodos de remoção de CO2 tem sido estudada, incluindo o reforço dos ecossistemas que absorvem carbono, o cultivo de biocombustíveis e a captura de carbono emitida quando da sua queima, ou o uso de processos químicos e industriais para a captura direta de CO2 da atmosfera.

 

Plantando mais árvores

 

Aumentar a quantidade de florestas por meio da restauração de áreas recentemente desmatadas (reflorestamento) e plantando árvores para criar novas florestas (florestamento) é uma via relativamente barata de remoção de CO2 da atmosfera. E têm as vantagens de prover habitats para a vida selvagem e reduzir a erosão e inundações.

 

Mas existem desafios para o emprego do plantio de árvores como método para a remoção de CO2 da atmosfera. A abordagem pode requerer quantidades significativas de terra – tanto quanto 50% da área arável global, de acordo com algumas estimativas.[67] Além disso, as florestas precisam ser mantidas indefinidamente para impedir que o CO2 retorne à atmosfera.

 

Outras mudanças no uso da terra para a absorção de CO2 incluem a restauração de pastos e ecossistemas costeiros como mangues e salinas.

 

Estocando carbono no solo

 

A adição de carvão vegetal ao solo para nele estocar carbono, prática conhecida como biocarvão, poderia ser uma maneira de remover CO2 da atmosfera. Isto poderia, potencialmente, remover o equivalente a 6% das emissões globais.[68]

 

Mudanças no cultivo da terra podem também estocar mais carbono no solo. Estas incluem o plantio direto, no qual resíduos das culturas são deixados no campo, o aumento da dispersão de esterco animal no solo, e a manutenção de uma cobertura contínua de vegetação ao invés de deixar os campos nus depois das colheitas. Estas abordagens podem também enriquecer o solo e prevenir a erosão.

 

Estas mudanças podem ser mais baratas, mas demandam manutenção indefinida para que se evite o retorno do carbono à atmosfera. Em algumas trajetórias que vislumbram cortes rápidos das emissões, a necessidade da remoção de CO2 pode ser inteiramente obtida por estas atividades e pela plantação de árvores.

 

Bioenergia com captura e estocagem de carbono

 

Pode vir a ser possível capturar o CO2 da atmosfera por meio da captura dos gases emitidos quando da queima de biomassa para a geração de energia, ou quando do seu uso para a produção de combustíveis como o etanol, e então estocar estes gases no subsolo. Esta ideia é conhecida como captura e estocagem de carbono (BECCS) e a grande maioria das trajetórias do IPCC que limitam o aquecimento em 1,5°C usa um pouco mais ou um pouco menos BECCS.

 

As tecnologias BECCS podem ser capazes de absorver uma fração significativa das emissões feitas pela humanidade: alguns cálculos sugerem até um terço das atuais emissões.[69] Mas isto pode requerer uma quantidade muito grande de terra para o cultivo de biocombustíveis,[70] o que pode colocar pressão adicional sobre ecossistemas e a produção de alimentos – algumas estimativas sugerem entre um quarto e metade das terras aráveis de todo o mundo, apesar que a inovação pode ser capaz de reduzir esta demanda por área.

 

Existem poucos incentivos financeiros para o desenvolvimento das BECCS e o progresso tem sido lento. Atualmente somente um único projeto demonstrativo de grande escala está em operação no mundo. O projeto, em Decatur, no estado norte-americano de Illinois, captura CO2 da produção de etanol e injeta o gás no subsolo.[71]

 

Captura direta de CO2 do ar

 

Alguns dispositivos capturam diretamente CO2 da atmosfera. A tecnologia não precisa de grandes quantidades de terra, o que pode fazer mais fácil seu uso em grande escala, e é atualmente proibitivamente cara, além de demandar muita energia. Remover da ordem de 30% das atuais emissões anuais humanas de CO2, por exemplo, poderia requerer o equivalente a 30% do atual uso de energia.[72]

 

Como as BECCS, tecnologias de captura direta de CO2 não existem em larga escala, somente em alguns poucos e pequenos projetos. As empresas que atualmente desenvolvem projetos deste tipo são:

  • a Climeworks, uma empresa suíça que tem instalações na Islândia, lançou a primeira planta comercial do tipo em 2017[73] e vende créditos de captura de CO2.[74] Os consumidores podem pagar para a empresa capturar dióxido de carbono do ar e estocá-lo no subsolo, o que significa que, em princípio, o carbono fica permanentemente retirado da atmosfera.
  • e a Carbon Engineering, uma empresa canadense que produz combustíveis usando o CO2 capturado do ar.[75] Estes combustíveis podem potencialmente serem usados em substituição aos combustíveis fósseis, cortando assim emissões.

Intemperismo intensificado

 

A pulverização de rochas para aumentar sua área superficial pode aumentar a taxa de absorção de CO2 dissolvido na água da chuva. Este processo é conhecido como intemperismo intensificado. As estimativas mais altas do potencial desta ideia sugerem uma capacidade de remoção de até 7% das emissões atuais.[76] Embora os custos e o uso de energia possam ser menores do que os da captação direta de CO2 do ar, e as necessidades de terra serem relativamente baixas, seria necessário processar aproximadamente duas toneladas de rocha por tonelada de dióxido de carbono armazenado, o que implica mineração em grande escala.[77]

 

Fertilização oceânica

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Existem várias maneiras para aumentar o armazenamento de CO2 no oceano. Adicionar nutrientes à água ou aumentar a taxa de mistura de águas profundas com águas superficiais pode fazer com que as plantas marinhas absorvam mais CO2. Mas o potencial destas técnicas é relativamente pequeno e estas podem causar problemas significativos nos ecossistemas oceânicos.[78]

 

[1] https://www.nature.com/articles/s41561-018-0156-y

[2] https://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar5/wg3/drafts/fgd/ipcc_wg3_ar5_summary-for-policymakers_approved.pdf

[3] http://seeg.eco.br/wp-content/uploads/2018/08/Relatorios-SEEG-2018-Sintese-FINAL-v1.pdf

[4] https://www.nature.com/articles/s41558-018-0091-3#Sec15 Supplementary Figure 14

[5] http://sequestration.mit.edu/tools/projects/index_cancelled.html

[6] https://poweringpastcoal.org/

[7] https://docs.google.com/spreadsheets/d/1TmGMtqoUnUlxQ0Z8kDwBob5nV-W4Y2EWwgrq2RE3yR8/edit#gid=0

[8] https://www.ft.com/content/437c4e8a-efc0-11e7-ac08-07c3086a2625

[9] https://www.nature.com/articles/s41558-018-0091-3#Sec15 Supplementary Figure 14

[10] Kuramochi, Takeshi, et al. “Ten key short-term sectoral benchmarks to limit warming to 1.5 C.” Climate Policy 18.3 (2018): 287-305.

[11] https://www.iea.org/publications/renewables2017/

[12] https://webstore.iea.org/world-energy-outlook-2017

[13]http://www.irena.org/-/media/Files/IRENA/Agency/Publication/2017/Mar/IRENA_RE_Capacity_Statistics_2017.pdf

[14]http://irena.org/-/media/Files/IRENA/Agency/Publication/2018/Jan/IRENA_2017_Power_Costs_2018.pdf

[15] Bloomberg New Energy Finance

[16] https://about.bnef.com/blog/long-term-clean-energy-optimism-short-term-caution/

[17] https://data.bloomberglp.com/bnef/sites/14/2017/09/BNEF-Summit-London-2017-Michael-Liebreich-State-of-the-Industry.pdf p.94

[18] IRENA (2017), Renewable Energy Prospects for India, a working paper based on REmap. The International Renewable Energy Agency (IRENA), Abu Dhabi.

[19]IEA, World Energy Investment 2018

[20] http://seeg.eco.br/wp-content/uploads/2018/08/Relatorios-SEEG-2018-Sintese-FINAL-v1.pdf

[21] Idem referência acima

[22] https://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar5/wg3/drafts/fgd/ipcc_wg3_ar5_summary-for-policymakers_approved.pdf p8

[23] Idem referência 20

[24] http://science.sciencemag.org/content/360/6392/987

[25] https://www.researchgate.net/publication/263353807/download

[26]http://www.fao.org/fileadmin/templates/nr/sustainability_pathways/docs/FWF_and_climate_change.pdf

[27] https://sustainabledevelopment.un.org/sdg12

[28] http://wriorg.s3.amazonaws.com/s3fs-public/WRI_Restoration_Diagnostic_Case_Example_Costa_Rica.pdf

[29] http://www.bonnchallenge.org/content/challenge

[30] https://www.sei-international.org/mediamanager/documents/Publications/Climate/SEI-WP-2016-08-Negative-emissions.pdf

[31] http://science.sciencemag.org/content/304/5677/1623?ijkey=69da9114089ea6ae63346864c0333289b6664635&keytype2=tf_ipsecsha

[32] Wood Waste to Energy – A Case Study for Zero Waste SA

[33] https://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar5/wg3/drafts/fgd/ipcc_wg3_ar5_summary-for-policymakers_approved.pdf p8

[34] https://www.eia.gov/todayinenergy/detail.php?id=27292

[35] https://aera-group.fr/gallery/sococim/

[36] http://www.diva-portal.org/smash/get/diva2:1073841/FULLTEXT01.pdf

[37] https://www.nature.com/articles/d41586-018-05158-1

[38]  2014: Industry. In: Climate Change 2014: Mitigation of Climate Change. Contribution of Working Group III to the Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, Ch10.11.1 (p782) https://web.archive.org/web/20140722233728/http://www.climateworks.org/imo/media/doc/Knowledge%20Series%20China%20Clean%20Economy.pdf

[39] http://climatestrategies.org/wp-content/uploads/2014/10/20141014-steel-report—final-formatted-4.3.pdf

[40] http://www.remanufacturing.eu/assets/pdfs/remanufacturing-market-study.pdf

[41] http://publications.lib.chalmers.se/records/fulltext/252053/252053.pdf

[42] https://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar5/wg3/drafts/fgd/ipcc_wg3_ar5_summary-for-policymakers_approved.pdf p8

[43]https://www.iea.org/publications/freepublications/publication/CO2EmissionsfromFuelCombustionHighlights2017.pdf

[44] http://www.eesi.org/topics/vehicle-efficiency/description

[45] http://www.carbontracker.org/wp-content/uploads/2017/02/Expect-the-Unexpected_CTI_Imperial.pdf

[46] Países: Áustria, China, Finlândia, França, Alemanha, Índia, Irlanda, Países Baixos, Noruega, Escócia, Eslovênia, Sri Lanka, Suécia, Reino Unido e Taiwan. Cidades: Atenas, Auckland, Barcelona,Bruxelas, Cidade do Cabo, Copenhagen,Heidelberg, Londres, Los Angeles, Madri, Cidade do México,  Milão, Oxford, Paris, Quito, Roma, Seattle, Estocolmo, Taipei e Vancouver.

[47] https://about.bnef.com/blog/cumulative-global-ev-sales-hit-4-million/

[48] https://about.bnef.com/electric-vehicle-outlook/#toc-download

[49] https://www.ft.com/content/f9aece28-d65f-11e7-8c9a-d9c0a5c8d5c9

[50] https://www.gov.uk/government/news/management-of-400-million-electric-vehicles-charge-fund-opens-to-bidders

[51] http://docs.cpuc.ca.gov/PublishedDocs/Published/G000/M215/K380/215380424.PDF

[52] https://www.governor.ny.gov/news/governor-cuomo-announces-250-million-initiative-expand-electric-vehicle-infrastructure-across

[53] https://webstore.iea.org/global-ev-outlook-2018

[54]https://www.theicct.org/sites/default/files/publications/Beyond_Road_ZEV_Working_Paper_20180718.pdf

[55] http://ledsgp.org/wp-content/uploads/2016/01/SUTP_GIZ_FS_Avoid-Shift-Improve_EN.pdf

[56] http://www.ecotippingpoints.org/our-stories/indepth/usa-portland-sustainable-regional-planning.html

[57] https://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar5/wg3/drafts/fgd/ipcc_wg3_ar5_summary-for-policymakers_approved.pdf

[58] https://www.iea.org/policiesandmeasures/pams/denmark/name-22142-en.php

[59] https://www.eesi.org/articles/view/denmark-a-model-of-a-low-carbon-prosperous-economy

[60] Climate Change 2014: Mitigation of Climate Change. Contribution of Working Group III to the Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, Ch9 (p690)

[61] http://i2ud.org/2012/09/kuyasa-clean-development-project-south-africa/

[62] https://issuu.com/c40cities/docs/urbanefficiencyii_final_hi_res__1_

[63] Climate Change 2014: Mitigation of Climate Change. Contribution of Working Group III to the Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, Ch9 (p683)

[64]https://www.iea.org/publications/freepublications/publication/4E_S_L_Report_180915.pdf

[65] https://www.nature.com/articles/nclimate2572

[66] http://www.globalcarbonproject.org/carbonbudget/17/highlights.htm

[67] https://www.nature.com/articles/nclimate2870

[68] https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/gcb.13178

[69] https://www.nature.com/articles/nclimate3369

[70] https://www.nature.com/articles/nclimate2870

[71] https://www.energy.gov/fe/articles/doe-announces-major-milestone-reached-illinois-industrial-ccs-project

[72] https://www.nature.com/articles/nclimate2870

[73] http://www.climeworks.com/wp-content/uploads/2017/05/02_PR-Climeworks-DAC-Plant-Case-Study.pdf

[74] http://www.climeworks.com/historic-carbon-dioxide-removal-contracts-signed/

[75] http://carbonengineering.com/news/

[76] https://www.nature.com/articles/nclimate2870

[77]https://royalsociety.org/~/media/Royal_Society_Content/policy/publications/2009/8693.pdf

[78]https://royalsociety.org/~/media/Royal_Society_Content/policy/publications/2009/8693.pdf

Economia de Guiné focado na agricultura, energia e capital humano

Com um novo plano estratégico, controle de gastos e investimentos, o crescimento está de volta e parece sustentável. O grande desafio agora é que seja compartilhado.

Asfaltagem de estradas, novas infraestruturas nos setores de energia, mineração e logística, construção de torres de escritórios em Conacri … Os canteiros de obras estão se multiplicando tanto na capital quanto dentro do país, prova de que A economia guineense está se recuperando gradualmente da epidemia de Ebola e da queda nos preços das commodities que a atingiram duramente em 2014 e 2015.

O país possui um Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (PNDES) 2016-2020 , cuja prioridade é a transformação sustentável e inclusiva da economia. Enfoca a energia e a agricultura, o capital humano e o desenvolvimento sustentável na gestão de recursos naturais e patrimônio.

Com o aumento da produção de bauxita e ouro, a boa resiliência da agricultura e o investimento em infraestrutura, o crescimento alcançou 6,6% do PIB em 2016 (ao invés de 5,2% espera-se que suba para 6,7% em 2017 (de 5,4%), de acordo com as projeções do corpo técnico do FMI após sua missão em Conacri em agosto de 2017 (ver gráfico). Quanto ao estado das finanças públicas, recuperou-se graças a uma mobilização mais forte das receitas domésticas e a uma redução das despesas públicas, o que permitiu reduzir o défice orçamental.

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Um dos projetos mais emblemáticos deste revival é o da barragem e da usina de Souapiti , cuja capacidade instalada será de 550 MW. O seu comissionamento parcial em 2019 deve permitir reduzir a totalidade do déficit de eletricidade do país, estimado em 400 MW, o que continua sendo uma das principais desvantagens de seu desenvolvimento econômico e humano. O projeto foi concluído por US $ 1,4 bilhão (€ 1,14 bilhão) pela China International Water and Electric Corporation , principal empreiteira do complexo hidrelétrico de Kaleta (240 MW), que entrou em serviço em 2015.

No noroeste do país, os investimentos também estão aumentando no desenvolvimento, exploração e, sobretudo, na transformação da bauxita – a industrialização do setor é essencial para agregar valor. Este é particularmente o caso em Kamsar, na região de Boké, onde a Guinea Alumina Corporation, a subsidiária guineense da Emirates Global Aluminium, está investindo mais de US $ 1,3 bilhão em seu complexo de mineração Sangarédi – cujas reservas são estimadas em 1,3 bilhão de toneladas – que entrará em operação em 2019 e cuja componente logística inclui o fortalecimento das instalações ferroviárias da Compagnie des Bauxites de Guinée.

No final de novembro de 2017, a Boké Mining Corporation anunciou um investimento de US $ 3 bilhões para a construção de uma refinaria de alumina e uma linha férrea para transportar bauxita para o porto de Dapilon. 2022. No mês seguinte, o grupo chinês TBEA assinou com a Conakry um contrato de investimento de 2,89 bilhões de dólares para desenvolver uma cadeia de produção integrada (bauxita de alumina) nas prefeituras de Boffa, de Télimélé e Boké.

Inclui a construção de uma mina, com início de operação previsto para junho de 2019, para uma produção de 10 milhões de toneladas de bauxita por ano, uma refinaria de alumina (1 milhão de toneladas / ano, operacional em meados de 2021) e uma fundição de alumínio (200.000 t / a, operacional até ao final de 2024), mas também uma central térmica (75 MW) e um complexo hidroeléctrico em Amaria (300 MW). Embora esses projetos de mineração contribuam para o crescimento do PIB, este último permanece muito pouco inclusivo, já que as indústrias extrativas são pobres em mão de obra (3% dos empregos).

Projetos estruturantes

À medida que o desemprego aumenta, especialmente para os jovens, e o país ainda exporta quase exclusivamente matérias-primas não processadas do setor de mineração, uma das prioridades é diversificar a economia com base na redistribuição. da agricultura. O setor emprega mais de 50% da população ativa, e seu potencial é ainda mais importante que o país é estragado pela natureza: boa pluviosidade, rede hidrográfica impressionante, enormes reservas de terra arável, etc.

A despesa total necessária para financiar os 50 projetos estruturais incluídos no PNDES 2016-2020 foi fixada em US $ 14,6 bilhões (em cinco anos), dos quais 32% devem ser fornecidos por investimentos externos …

E é claro que eles se juntam nos últimos meses. Em setembro de 2017, Conakry recebeu um empréstimo de US $ 20 bilhões em China , que será lançado mais de vinte anos, em troca de concessões mineiras (principalmente em bauxita), dos quais um montante imediatamente disponível por US $ 3 bilhões.

Uma das maiores dificuldades será manter uma política monetária prudente e uma estratégia de endividamento

No final de outubro, a União Europeia concedeu 120 milhões de euros ao governo guineense, incluindo 60 milhões para as cidades de Conakry e Kindia, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Urbano e Saneamento (Sanita), e outros 60 milhões para o Programa de Apoio à Consolidação do Estado.

A fim de mobilizar doadores internacionais e parceiros privados, o executivo guineense também organizou um grupo consultivo em Paris nos dias 16 e 17 de novembro de 2017, com o apoio do Banco Mundial, que levantou US $ 20 bilhões. promessas de financiamento bem além dos US $ 4,5 bilhões esperados.

Finalmente, em meados de dezembro, o FMI aprovou o novo acordo de três anos sob o Mecanismo de Crédito Ampliado, um pacote de empréstimos não concessionais de US $ 650 milhões durante o período 2018-2020, para permitir ao país alcançar maior crescimento, diversificar sua economia, reduzir as desigualdades e fortalecer as redes de segurança social – mais de 55% dos guineenses ainda vivem abaixo da linha da pobreza.

Esses objetivos só podem ser alcançados se o Estado buscar reformas para melhorar o clima de negócios para fomentar o desenvolvimento do setor privado e se continuar a aumentar o investimento público em infraestrutura. Uma das maiores dificuldades será a manutenção de uma política monetária e uma estratégia de endividamento prudentes ao mesmo tempo, para que a dívida permaneça viável, a inflação seja moderada e o sistema bancário tenha a liquidez necessária para um crescimento saudável. crédito ao setor privado.

Fonte:http://www.jeuneafrique.com/mag/538699/economie/guinee-economie-une-relance-sous-surveillance/

Grande reivindicação dos Africanos é o acesso à energia elétrica ininterrupta

 

Projeto-IMS-1030x541Um novo estudo divulgado pelo Centro para o Desenvolvimento Global descobriu que, tanto a eletricidade em rede como as soluções fora da rede, como geradores, são atualmente inadequadas para satisfazer as necessidades modernas de energia dos consumidores africanos.

Fotografia: João Gomes| Edições Novembro

A pesquisa de consumidores em doze países africanos descobriu que os clientes na rede ainda dependem fortemente de soluções para suas vidas diárias fora da rede, como geradores, e que os clientes fora da rede querem acesso à electricidade da rede.
Os pesquisadores analisaram os dados de pesquisas baseadas em telefones celulares, para avaliar a qualidade e oferta do serviço de energia em 12 países africanos, como Benim, República Democrática do Congo, Etiópia, Gana, Quénia, Moçambique, Nigéria, Ruanda, Senegal, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.
As pesquisas foram conduzidas entre Julho de 2015 e Dezembro de 2016 e receberam respostas de 39 mil consumidores em 28 idiomas. “Fazer a electricidade mais acessível, confiável e receptiva à procura africana deve ser uma prioridade”, disse Todd Moss, um co-autor do relatório e um técnico sénior do Centro de Desenvolvimento Global.
“Embora muitos políticos controlem se as soluções de rede ou de fora da rede são mais apropriadas, os consumidores africanos não vêem essas opções como uma ou outra questão. Os clientes que estão na rede também podem usar electricidade fora da rede. E os clientes que têm energia fora da rede querem acesso à electricidade da rede para atender a necessidade crescente”.

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As interrupções diárias são uma norma em quase todos os lugares. Entre aqueles com acesso à electricidade da rede, pelo menos metade das quedas de energia eléctrica, em torno de uma vez por dia, foram registadas em quase todos os países pesquisados.
Os entrevistados em Mo-çambique, Gana e Zâmbia relataram a maior prevalência de interrupções diárias. O país com menor prevalência de interrupções frequentes foi o Ruanda, onde apenas 18 por cento dos entrevistados experimentaram várias interrupções por dia. Em todos os países, a grande maioria informou pelo menos uma interrupção por semana.Os clientes na rede ainda dependem fortemente de geradores, especialmente na Nigéria. Quase metade dos inquiridos na Nigéria dependia de um gerador durante as interrupções de energia, o mais alto de qualquer outro país. Os clientes fora da rede ainda desejam energia eléctrica. Na maioria dos países, os entrevistados fora da rede não estão completamente satisfeitos com as soluções eléctricas fora da rede e mantêm uma alta procura por electricidade da rede.

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A eletricidade fora da rede e não geradora é inadequada para a maioria das necessidades energéticas dos entrevistados. Uma proporção significativa de entrevistados em todos os países pesquisados informou que a sua solução eléctrica fora da rede não atendia a nenhuma das suas necessidades de energia. Isso inclui quase dois terços (65 por cento) de ruandeses com electricidade fora da rede, não geradora. Em todos os países, a maioria deseja uma conexão de rede. A procura para a rede foi mais alta na Zâmbia e no Gana, onde mais de 50 por cento disseram que queriam uma conexão eléctrica muito.

energia eletrica
Em todos os outros países, exceto o Senegal e o Benim, a procura parece ser alta, mas menos apaixonada. Mais de dois terços dos entrevistados sem conexão eléctrica indicaram que queriam uma ligação eléctrica à rede nacional, um pouco ou muito. A satisfação com o serviço da rede varia muito. A satisfação relatada com a eletricidade da rede ocorreu de Moçambique (74 por cento satisfeito) e Ruanda (71) no extremo superior para Gana (19)

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/procura_de_electricidade_em_africa_e_ainda_maior

Produção de energia solar no Brasil ultrapassa 1GW

energia-solar-no-brasil-estadio-mineirao-com-solar-1024x699A produção de energia solar fotovoltaica brasileira acaba de ultrapassar 1 gigawatt segundo a Absolar, entidade que reúne o ecossistema do setor. Agora, o país está entre os 30 no mundo com uma geração acima de 1 GW. Traduzindo para a realidade, a produção de 1 GW é suficiente para abastecer 500 mil residências ou aproximadamente o consumo de 2 milhões de brasileiros. Na avaliação do presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia, o primeiro gigawatt solar fotovoltaico é resultado do forte crescimento dos mercados de geração centralizada e geração distribuída solar fotovoltaica no ano de 2017.

Dispositivo solar fotovoltaico

Créditos: InfraRoi

“Na geração centralizada, contamos com a inauguração de grandes usinas solares fotovoltaicas contratadas pelo governo federal em leilões de energia elétrica realizados em 2014 e 2015”, afirma Sauaia. Segundo ele, as usinas em funcionamento estão localizadas principalmente nos estados da Bahia, Piauí, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Pernambuco e representam uma potência total de 0,935 GW.

Ainda de acordo com a entidade, houve um forte crescimento no uso pela população, empresas e governos de sistemas fotovoltaicos em residências, comércios, indústrias, prédios públicos e na zona rural, em todas as regiões do país, resultando em uma potência total de 0,164 GW. A soma dos dois segmentos – centralizada e distribuída – levou o Brasil ao patamar de 1,1 GW operacionais.

imagesApesar do avanço, Sauaia destaca que o Brasil ainda continua abaixo do seu potencial. “O Brasil está mais de 15 anos atrasado no uso da energia solar fotovoltaica. Temos condições de ficar entre os principais países do mundo neste mercado, assim como já somos em energia hidrelétrica, biomassa e eólica”, avalia. A sugestão do executivo é a de que o Brasil adote um programa nacional estruturado para acelerar o desenvolvimento da energia solar fotovoltaica.

InfraRoi. Posted: Jan 09, 2018.

fONTE:http://lqes.iqm.unicamp.br/canal_cientifico/lqes_news/lqes_news_cit/lqes_news_2018/lqes_news_novidades_2412.html

Moçambique venderá energia elétrica para Malawi

Maputo – A empresa pública Electricidade de Moçambique (EDM) anunciou nesta segunda-feira a realização de consultas públicas sobre o projecto de construção de uma linha de 218 quilómetros para fornecer energia eléctrica ao Malawi.

MAPA DE MOÇAMBIQUE

Em comunicado, a EDM refere que vai levar a cabo uma auscultação pública nos próximos dias 28 e 29 na província de Tete, centro de Moçambique, onde está localização a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), que vai fornecer a energia eléctrica ao Malawi.

A nota de imprensa adianta que o empreendimento consistirá ainda na construção de duas subestações, uma em Matambo, na província de Tete, e outra em Phombeya, no Malawi.

A infra-estrutura deverá ficar pronta dentro de cinco anos e está orçada em 120 milhões de dólares.

Moçambique vende energia eléctrica à África do Sul, Zimbabwe, Swazilândia e Zâmbia.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/7/33/Mocambique-Empresa-electricidade-realiza-consulta-publica-sobre-venda-energia-Malawi,447a6606-64aa-4928-b699-4211f3554b1f.html

Governo angolano comprará geradores e equipamentos de geração fotovoltaica

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O Governo angolano pretende comprar geradores e equipamentos de geração fotovoltaica para garantir electricidade em locais isolados do país, num negócio de quase 100 milhões de euros.De acordo com uma autorização presidencial para o contrato de aquisição, que será feito à empresa angolana Aenergia, constituída em 2012 e parceira da norte-americana General Electric, o negócio envolve o fornecimento, instalação, comissionamento e assistência técnica de geradores industriais, geradores domésticos, bem como de “kits de geração fotovoltaica”.fotovaicoSerá ainda assegurado o fornecimento de equipamentos para montagem de redes de alimentação, envolvendo sistemas eléctricos isolados da cobertura nacional, num contrato global, autorizado por despacho presidencial, a rubricar entre o Ministério da Energia e Águas e a Aenergia, por 114,2 milhões de dólares (98,7 milhões de euros).aaSolar-Animacaoenergi

O recenseamento da pop7ulação realizado em Angola no mês de maio de 2014 concluiu que o acesso à rede de electricidade é apenas garantido a 1,7 milhões de casas (31,9% do total), quase exclusivamente em zonas urbanas, já que na área rural apenas 48.173 agregados familiares são servidos.

O estudo identifica que as lanternas são a segunda principal fonte de iluminação e servem mais de 1,752 milhões de famílias (31,6%) em Angola.

Seguem-se em alternativa os candeeiros (14,3%) e os geradores (9,3%).

Até final deste ano, o Governo prevê praticamente duplicar a electricidade produzida e injectada na rede pública nacional, com a construção de novas barragens e uma central de ciclo combinado, a gás, chegando aos 5.000 MegaWatts de potência instalada, ainda insuficiente para cobrir o défice nacional de produção eléctrica.

http://noticias.sapo.ao/info/artigo/1510083.html

Primeira turbina da barragem hidroeléctrica de Laúca em Angola começa a funcionar

 

Cinco anos depois do início das obras, a barragem hidroeléctrica de Laúca entra em funcionamento hoje, com a inauguração da primeira de um conjunto de seis turbinas instaladas. Localizado na província de Malanje, o empreendimento que partilha o rio Kwanza com as barragens de Cambambe e Capanda, adiciona 2.070 megawatts (MW) à rede nacional de electricidade.

A primeira turbina da Barragem de Laúca começa hoje a produzir energia eléctrica
Fotografia: Rogerio Tuti | Edições Novembro

As restantes cinco turbinas entram gradualmente em funcionamento até 2018, mas já é ponto assente que Laúca é a maior barragem do país e que o rio Kwanza, onde perfilam agora três aproveitamentos hidroeléctricos, é a maior fonte de respostas às necessidades de electricidade do país, com margem para o surgimento de novas barragens.
Laúca resulta de um investimento público de 4,3 mil milhões de dólares, como parte do projecto “Angola Energia 2025”, que prevê o aumento substancial da oferta electricidade  às populações e ao sector produtivo.
Dados consultados pelo Jornal de Angola apontam para um aumento da procura de energia no país na próxima década, quatro vezes superior aos níveis actuais. Estima-se que a demanda atinja 7,2 Gigawatts até 2025, contra os 1,5 Gigawatts.
No quadro do projecto Angola Energia 2025, está previsto um incremento da potência instalada de 2 Gigawatts para 9,9 Gigawatts. A meta é chegar aos 60 por cento da população, o equivalente a 14 milhões de beneficiários em 2025. Para esse desiderato, Laúca garante um contributo de 2.070 megawatts.
O primeiro grupo gerador entra em funcionamento quatro meses depois do início do enchimento da albufeira, processo que, de acordo com técnicos, só termina em 2018, permitindo depois a entrada em funcionamento das seis turbinas.
Com 2.070 Megawatts, Laúca supera o dobro da capacidade das duas barragens, Cambambe (960 MW) e Capanda (520 MW), com as quais divide o médio Kwanza e reduz, em certa medida, o défice na produção de energia no país.
Considerada a maior obra de Engenharia Civil alguma vez feita em Angola, a barragem de Laúca, consumiu, só em betão, o equivalente à edificação de 40 estádios de futebol, 2.800 casas ou 465 edifícios de oito pisos.
A acomodação das turbinas implicou a construção de seis túneis subterrâneos numa extensão total de 12 quilómetros, além de um desvio do rio Kwanza. A quantidade de aço consumida equivale à construção de cinco torres Eiffel.
O gigante chamado Laúca tem duas centrais de produção de energia. A primeira é constituída por seis turbinas do tipo Francis Vertical, que vão produzir 334 MW cada. A segunda inclui uma central ecológica com capacidade para 65 MW.
O projecto Angola Energia 2025 obedece a várias etapas. Para o quinquénio 2013 -2017 estavam previstas, entre outras acções, a construção da segunda central da barragem de Cambambe, Laúca, a Central do Ciclo Combinado e a barragem de Caculo Cabaça.
A nova central constitui a segunda e a última etapa da barragem de Cambambe, que data de 1959. A intervenção resultou no aumento da capacidade de produção do empreendimento de 260 para 960 megawatts (MW).
A barragem de Laúca e a Central do Ciclo Combinado do Soyo que chegou a suscitar alguns receios quanto à capacidade de garantir a continuidade das obras face à crise financeira de 2014 estão no fim.

Melhor garantia

O início hoje da produção de Laúca, cujas obras iniciaram em 2012, com o lançamento da primeira pedra pelo então ministro de Estado e da Coordenação Económica, Manuel Vicente, actual Vice-Presidente da República, é a maior garantia de viabilidade do projecto Caculo Cabaça que vem para reforçar a estratégia de redução do défice de energia no país. À semelhança de Cambambe, Laúca e Capanda, Caculo Cabaça também nasce da força do rio  Kwanza.
O aproveitamento hidroeléctrico de Caculo Cabaça tem projectada uma barragem de betão com 103 metros de altura e 553 metros de desenvolvimento de coroamento, que vai permitir armazenar um volume total de cerca de 440 milhões de metros cúbicos de água.
Com a conclusão das obras prevista para 2022, a barragem de Caculo Cabaça deve acrescentar à rede nacional de electricidade 2.100 megawatts.

Potencial por explorar

O país explora apenas cinco por cento da potencialidade que dispõe em energia hídrica. Estudos revelam que Angola dispõe de 159 locais com potencial para grandes aproveitamentos hidroeléctricos.
O projecto Angola Energia 2025 procura inverter esta situação. Entre os objectivos a que se propõem estão o estudo da evolução da procura, necessidade do aumento das capacidades de produção, transporte e transformação, interligações dos sistemas, incluindo o sistema Leste ao Norte, assim como o sistema Norte ao Centro e, a posteriori ao sistema Sul e o mapeamento dos recursos renováveis.
Especialistas defendem que, além dos grandes empreendimentos, a malha energética do país deve contar com os pequenos empreendimentos hidroeléctricos locais, sobretudo, de iniciativa dos fazendeiros. São conhecidos casos em que, além de garantirem o fornecimento de electricidade aos equipamentos fabris e comerciais e aldeamentos, empresários agrícolas assistem as autoridades locais no fornecimento de electricidade a vilas e povoações.
O objectivo do Governo é que essas iniciativas satisfaçam entre cinco e 10 por cento das necessidades de energia eléctrica no país até 2025. O Instituto Regulador do Sector Eléctrico (IRSE) prevê que o Programa Nacional de Electrificação Rural garanta, até 2017, o acesso à energia eléctrica a 86 sedes municipais e 124 sedes comunais do país.

Segurança energética

As iniciativas no sector sucedem-se. Em 2011, foi aprovada, através do Decreto Presidencial nº 256/11 de 29 de Setembro, a Política e Estratégia de Segurança Energética Nacional, com o objectivo de definir as principais orientações estratégicas para o sector e redefinir o respectivo enquadramento institucional.

A longo prazo, a política assume a necessidade de transformação do sector para responder ao enorme desafio associado ao crescimento da procura, ao longo de seis eixos, nomeadamente crescimento do parque de geração, potenciação do papel das energias renováveis, expansão da electrificação, revisão tarifária e sustentabilidade económico-financeira, reestruturação e reforço dos operadores e promoção da entrada de capital e know-how privado.

Rede nacional de transporte de energia03_lauca

No âmbito da estratégia “Angola Energia 2025”, a rede nacional de transporte de energia eléctrica, sobre a qual incidem avultados investimentos públicos, passa a interligar todas as capitais provinciais do país, dentro dos próximos nove anos.
Datado de 2008 e concebido em linha com o Programa Nacional de Desenvolvimento de Longo Prazo 2018/2025, o projecto, considerado ambicioso por muitos, assenta num conjunto de infra-estruturas, grande parte delas já executadas e algumas em vias de conclusão, que vão permitir que, dentro de dois anos, Angola parta para a auto-suficiência energética.
A estratégia “Angola Energia 2025” marca a rotura com as soluções paliativas e assume o compromisso de garantir o acesso à energia eléctrica à generalidade da população angolana como forma de promover o desenvolvimento humano e impulsionar a indústria.
Para garantir uma maior participação de agentes privados no sector, a estratégia “Angola Energia 2025” pretende criar condições para reduzir os encargos de exploração e, por via disso, atrair novos agentes privados no sector.
Em 2013, o país tinha apenas 2.850 km de linhas eléctricas (de 60, 220 e 400kv) e o objectivo é atingir os 16.350 km em 2025. De igual modo, há relativamente pouco tempo, três anos sensivelmente, Angola dispunha apenas de 36 subestações ao longo da Rede Nacional de Transporte. O número tem vindo a subir, embora ainda esteja longe das 152 estações programadas para 2025.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/lauca_entra_em_producao

Empresas de Angola discutem crédito de dois milhões de dólares com Israel

forum empressarial com israel

 

Israel tem disponíveis dois milhões de dólares (mais de 300 milhões de kwanzas) para ajudar empresas angolanas a elevarem as trocas bilaterais, anunciou ontem, em Luanda, o embaixador daquele país.

 

Israel acredita no potencial existente em Angola e promete financiar projectos nos vários sectores da vida económica para realizar negócios

 

Oren Rosemblat disse no I fórum empresarial Angola-Israel que, apesar da baixa do preço do petróleo – que afetou em grande medida a economia angolana -, Israel considera haver em Angola oportunidades de negócio, pelo que “Israel vai ajudar a financiar e os bancos vão dar créditos para que os negócios se efectivem.”

Quinze dos sectores de serviços: energia, agricultura, defesa, segurança militar e social, imigração e comércio participam no encontro que encerra amanhã, inspirado pela declaração do embaixador que afirmou que se “os dois países têm boas relações, temos a obrigação de levá-los a fazer bons negócios.”
O fórum, promovido pela Câmara de Comércio Angola-Israel (CCAI) visa uma troca de experiências para elevar os níveis de conhecimento mútuo entre empresas dos dois países e assinar contratos de parceria.
O presidente da CCIA, Haim Taib, disse que o órgão tem como objectivo “construir pontes” entre os empresários e instituições empresariais dos dois países e constitui uma plataforma de promoção e desenvolvimento de relações comerciais bilaterais, através de missões empresariais e de entidades oficiais.
“A CCAI tem como prioridade o estreitamento de laços empresariais entre os dois Estados, a promoção de cooperação bilateral, a promoção das relações empresariais entre os dois países e a apresentação de áreas de interesse”, disse. Os últimos dados disponíveis, de 2014, indicam que o volume de negócios israelitas em Angola se cifrou em 64 milhões de dólares (cerca de 11 mil milhões de kwanzas), absorvidos pelos sectores de maquinaria, metais, transportes, plásticos e borracha, instrumentos, têxteis, vegetais, produtos alimentares e químicos.
O embaixador de Angola em Israel, Francisco dos Santos, afirmou que Angola está aberta para cooperar com empresas estrangeiras de vários países e que o fórum é uma oportunidade para criar parcerias, principalmente para a transferência de conhecimento. “A presença do CCAI vai impulsionar as relações já existentes nas diversas áreas e aumentar o volume de comércio entre os dois países”, sublinhou.
José Alentejo, do secretariado geral da CCAI, disse à delegação israelita que Angola é um bom destino para investir e que o mercado oferece oportunidades às empresas sediadas no país, para expandirem os seus negócios na região da Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral (SADC), um mercado com mais de 200 milhões de consumidores.
São razões para investir em Angola, continuou José Alentejo, o facto de ser o sétimo maior território de África, o quinto maior produtor mundial de diamantes, o segundo maior produtor de petróleo e gás do continente e ter acesso a 12 por cento dos lençóis aquáticos africanos nos principais rios: Kwanza, Zaire, Cunene e Cubango.
Angola é rica em fauna e flora, tem a segunda maior floresta do mundo, o Maiombe, e tem os 25 principais minérios, tais como diamantes, ferro, ouro, fosfato, manganês, cobre, chumbo, zinco, volfrâmio, tungsténio, titânio, crómio, mármore, granito e urânio, microclimas diversos além da estabilidade política e económica desde 2002.

José Alentejo acrescentou que Angola tem, no âmbito da estratégia da diversificação da economia, o Plano Nacional de Desenvolvimento PND 2013/ 2017, no qual são inventariados 390 projectos estruturantes para o desenvolvimento industrial.
A delegação israelita é liderada pelo ex-vice-primeiro ministro de Israel, Silvano Shalom, e integra potenciais parceiros interessados em partilhar conhecimentos e recursos tecnológicos.

A Câmara de Comércio Angola-Israel foi criada há um ano e tem 44 membros registados. O fórum aborda temas ligados às “Oportunidades de negócio em Angola”, “Investir em Angola” e “Áreas privilegiadas para o investimento em Angola”.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/governo_de_israel_anuncia_financiamento

Gana aos 60 anos: Lembrar Kwame Nkrumah

O Gana celebra o sexagésimo aniversário da sua independência. Cidadãos recordam o primeiro Presidente ganês, Kwame Nkrumah.

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Neste 6 de março, dia em que o Gana comemora o sexagésimo aniversário da sua independência, recordar Kwame Nkrumah é incontornável: “Atualmente, o nome de Nkrumah está envolto em mistério e controvérsia”, diz Atsu Aryee, da Universidade do Gana.

No passado, era diferente. Quando o Gana conquistou a independência da Grã-Bretanha em 1957, os apoiantes de Nkrumah aclamaram-no em massa. “Finalmente chegou ao fim a batalha! O Gana, a nossa pátria amada, será, a partir de agora, livre para sempre”, afirmou Nkrumah na altura. Em resposta, a multidão gritava “viva!”

Nos primeiros anos depois da independência, o Governo de Kwame Nkrumah colocou em prática um programa económico ambicioso, com o objetivo de colocar o país, tradicionalmente rural, no mapa dos países industrializados. As barragens hidroelétricas construídas ao longo do rio Volta ainda hoje são vistas como marcos da engenharia africana e é nelas que o Gana continua a confiar para garantir a produção energética no país de 27 milhões de habitantes. Mas nem todos os projetos de Nkrumah resultaram. As grandes empresas geridas pelo Estado foram, na maior parte dos casos, mal sucedidas, acumulando enormes dívidas ao longo dos anos, sobretudo devido à má gestão e à corrupção.

Os ganeses conheceram então um outro lado de Kwame Nkrumah. O líder político tornou-se cada vez mais autoritário, tendência que culminou na transformação do Gana num Estado de partido único, em 1964, e na auto-proclamação de Nkrumah como Presidente eterno. Milhares de cidadãos viram-se obrigados a abandonar o país. Com a economia em queda livre, a popularidade de Nkrumah também decresceu. Um golpe militar colocou um ponto final na era Nkrumah, quando o Presidente se ausentou do país para uma visita de Estado à China, em 1966.

Ghana Kwame NkrumahKwame Nkrumah é lembrado como um herói da luta contra o colonialismo

Legado cada vez mais esquecido?

Hoje a imagem de Kwame Nkrumah é mais positiva: Os observadores dizem que o líder histórico contribuiu de maneira decisiva para que o Gana goze atualmente de uma certa estabilidade política.

“O legado mais importante de Nkrumah é o patriotismo e o nacionalismo que ele incutiu no povo enquanto esteve no poder”, diz o politólogo Atsu Aryee. “É esta noção de que somos todos ganeses, que temos um país e que é preciso manter a estabilidade.”

Mas, embora muitas crianças e jovens continuem a visitar o mausoléu de Kwame Nkrumah em Accra, poucas parecem compreender o seu legado: “Nkrumah ainda é um nome importante no Gana, pois conduziu o Gana à independência. Mas muitos jovens conhecem apenas o nome e já não conhecem as suas políticas enquanto Presidente e primeiro-ministro”, afirma Burkhardt Hellemann, chefe do escritório da fundação alemã Konrad Adenauer na capital do Gana, próxima ao partido no poder na Alemanha, a CDU.

“Ainda dá para ver que o nome de Nkrumah tem alguma influência, mas as suas políticas pouco ou nada influenciam os debates políticos deste país hoje em dia”, diz. O partido criado por Nkrumah em 1949, o Partido da Convenção do Povo (CPP, na sigla em inglês) desempenha hoje um papel menor na arena política ganesa.


Ainda assim, muitos na África subsaariana continuam a lembrar o legado de Nkrumah. Em 2004, a revista “New African” pediu aos leitores para elegerem os maiores líderes africanos de todos os tempos e Nkrumah ficou em segundo lugar, atrás do ex-Presidente sul-africano e líder da luta anti-apartheid Nelson Mandela.

Nkrumah defendia uma união pan-africana para contrabalançar a influência ocidental. Ele foi um dos fundadores da Organização da Unidade Africana, predecessora da União Africana (UA).

“Ainda se fala dos conceitos de Nkrumah nos corredores da UA”, conta o historiador nigeriano Toyin Falola.

Mas, apesar de a União ter hoje mais influência no continente, a concretização da ideia de Nkrumah de criar uns “Estados Unidos de África” está muito longe, sublinha Falola.

“Depois de Mbeki e Obasanjo saírem, não há líderes africanos dinâmicos que advoguem a ideia. Os países parecem interessar-se apenas nos seus assuntos, concentrando-se na sua política interna, preocupados com o declínio das suas economias. Portanto, a ideia do pan-africanismo foi tirada de cima da mesa.”

http://www.dw.com/pt-002/gana-aos-60-anos-lembrar-kwame-nkrumah/a-37819580