Trump se envolve na reforma agrária da Africa do Sul

Johannesburgo – O governo da África do Sul criticou nesta quinta-feira uma mensagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Twitter, na qual o americano disse que pediu ao secretário de Estado, Mike Pompeo, que apure a reforma agrária sul-africana e a “matança em larga escala de fazendeiros” no país. O tuíte da noite da quarta-feira se referia a uma matéria da Fox News que criticava a posição do governo americano sobre a reforma agrária sul-africana.

Donald J. Trump

@realDonaldTrump

I have asked Secretary of State @SecPompeo to closely study the South Africa land and farm seizures and expropriations and the large scale killing of farmers. “South African Government is now seizing land from white farmers.” @TuckerCarlson @FoxNews

O rand sul-africano recuou em relação ao dólar após a mensagem de Trump. “A África do Sul rejeita totalmente a percepção estreita que apenas busca dividir nossa nação e nos lembrar de nosso passado colonial”, afirmou o governo em mensagem em sua conta oficial no Twitter. “A África do Sul acelerará o ritmo da reforma agrária de modo cuidadoso e inclusivo, que não divida nossa nação.”

O partido governista, Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), já disse que planeja mudar a Constituição para permitir a expropriação de terras sem o pagamento de indenizações, como forma de superar grandes desigualdades na posse da terra. Os brancos, que formam 8% da população nacional, detêm 73% das terras agricultáveis, segundo estimativas da associação de fazendeiros Agri. O presidente Cyril Ramaphosa diz que o processo será conduzido com cuidado para evitar desrespeito ao direito à propriedade e garantir a segurança alimentar e a produção agrícola.

Proprietários podem entrar na Justiça local contra o governo, caso tenham terras tomadas sem compensação justa. Mas ataques violentos sobre fazendeiros brancos chamam a atenção da imprensa local e estrangeira nos últimos anos, gerando protestos dos fazendeiros e de grupos de interesse dos brancos.

Levantamentos locais mostram que o número de fazendeiros mortos tem recuado nos últimos 20 anos, chegando à mínima de 47 em 2017/2018. Já os ataques contra fazendas, que incluem estupro, roubos e agressões, aumentaram nos dois últimos anos, para 561 em 2017/2018, embora bem abaixo da máxima de 1.069 ataques de 2001/2002.

Os jornais do ocente, sempre viram o meodelo de desenvolvimento econômico da Africa do Sul, em comparação ao que ocorria no Zimbabwe. O vlaor da defesa da branquitude sempre falou mais alto. Enquanto não se mexia nos direitos econômicos dos sul africanos,

Conselho de Segurança da ONU visita zona da pior crise humanitária de África

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O Conselho de Segurança da ONU iniciou hoje uma visita à zona da pior crise humanitária em África, na região do lago Chade, onde milhões enfrentam o risco de fome e a violência do ‘jihadista’ Boko Haram.


Os membros do conselho estão hoje nos Camarões, tendo previstas reuniões com altos responsáveis, bem como com a força multinacional que têm lutado contra os extremistas islâmicos nigerianos do Boko Haram.

A visita inclui deslocações ao Chade, ao Níger e à Nigéria, onde os membros do conselho devem visitar um campo de deslocados devido à violência do grupo terrorista.

A revolta do Boko Haram na Nigéria matou em sete anos mais de 20.000 pessoas e obrigou 2,6 milhões a abandonarem as suas casas. Nos últimos anos, o grupo extremista também tem atuado nos países vizinhos.

Numa conferência em Oslo na semana passada, o chefe da ajuda humanitária da ONU Stephen O’Brien disse que 14 países prometeram 672 milhões de dólares (637 milhões de euros) em três anos para evitar a fome nos quatro países africanos que rodeiam o lago Chade.

Os Estados Unidos, que são o maior doador humanitário, não se comprometeram a contribuir para combater a crise na Nigéria. Responsáveis norte-americanos indicaram que a administração de Donald Trump está a propor um corte de 37% nos orçamentos da diplomacia e da ajuda externa para ajudar a pagar o aumento dos gastos militares.

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/onu-conselho-de-seguranca-visita-zona-da-pior-crise-humanitaria-de-africa

Lumumba assassinado há 56 anos

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A família Kiambata, em Luanda, manda rezar hoje, às 18h30, na Igreja do Carmo, uma missa em memória do antigo primeiro-ministro do então Congo-Léopoldville, Emery Patrice Lumumba, do ex-vice-presidente do Senado, Joseph Okito, e de Maurice Mpolo, ex-ministro da Defesa, assassinados há 56 anos (17 de Janeiro de 1961).

Foram assassinados por forças lideradas pelo então sargento Mobutu Sesse Seko e apoiadas pela Bélgica e Estados Unidos.
Na necrologia publicada ontem no Jornal de Angola, a família Kiambata destaca que Patrice Lumumba “foi uma figura africana que marcou a sua época, contribuindo corajosamente para a libertação do seu Congo e para a independência de toda a África”.
Lumumba chefiou o primeiro Governo eleito livremente na República do Congo-Léopoldville, após a independência da Bélgica. Mas esteve apenas quatro meses no poder. Aos 34 anos, foi afastado do cargo e assassinado.
O que aconteceu no dia da proclamação da independência, a 30 de Junho de 1960, prenunciava já talvez o desfecho do jovem primeiro-ministro. Durante as celebrações oficiais, Lumumba denunciou publicamente as práticas racistas dos colonizadores. Os congoleses rejubilaram, não só os que participavam na cerimônia mas também aqueles que ouviam o discurso em casa, através da rádio. Mas o rei belga e os diplomatas estrangeiros ficaram chocados. Os objectivos políticos de Lumumba não condiziam com os planos dos poderes ocidentais: o jovem político queria libertar o Congo dos grilhões coloniais. Queria unir os grupos étnicos e advogava a gestão local das riquezas naturais do país. A Bélgica e os Estados Unidos começaram a sentir a sua influência declinar.
“Por isso é que decidiram acabar com o Governo e, finalmente, com o próprio primeiro-ministro”, diz o sociólogo belga Ludo de Witte, que estuda o Congo há mais de 20 anos e aborda meticulosamente a queda de Lumumba num livro. A partir desse momento, tudo se desenrolou muito rapidamente. Em Setembro, Lumumba foi destituído do cargo de primeiro-ministro e colocado em prisão domiciliária. Em Novembro, conseguiu escapar, mas foi depois capturado pelas tropas de Mobutu, que o espancaram e torturaram.
“As pessoas amavam Lumumba. Os seus apoiantes queriam libertá-lo”, explica De Witte. “Isso teria sido um desastre para a Bélgica e para os Estados Unidos. Por isso, decidiram que ele devia ser morto no dia em que chegou a Katanga. Foi executado por um pelotão organizado por oficiais belgas.” Lumumba foi morto a 17 de Janeiro de 1961.
A explicação oficial para a morte de Patrice Lumumba foi a de que ele teria sido assassinado por moradores de uma vila em fúria. A verdade sobre o papel das potências ocidentais só viria a público mais tarde.
O livro de De Witte, “O Assassinato de Lumumba”, levou a Bélgica a criar, em 2000, uma comissão parlamentar de inquérito. Dois anos mais tarde, o então ministro belga dos Negócios Estrangeiros e agora membro do Parlamento Europeu, Louis Michel, pediu desculpas à família e ao povo congolês pelo papel dos oficiais belgas no assassinato de Lumumba e companheiros.
De Witte não ficou satisfeito com este pedido de desculpas. “A comissão de inquérito belga concluiu que a Bélgica teve uma responsabilidade moral no assassinato de Lumumba, algo muito vago. Fica a meio caminho entre negar o que aconteceu e publicar toda a verdade.” A Bélgica quer continuar a desfrutar da sua posição diplomática no Congo, comenta o especialista. Se o país tivesse assumido todas as responsabilidades isso não seria possível. Além disso, as propostas da comissão de inquérito, tais como o estabelecimento de um fundo em nome de Lumumba para promover a democracia no Congo, ainda não foram implementadas, acrescenta De Witte. Até agora, ninguém foi punido pelo assassinato de Lumumba e companheiros.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/lumumba_assassinado_ha_56_anos

Presidente da Gâmbia está no poder há mais de 22 anos.

Banjul – A Gâmbia que elege quinta-feira o actual c Chefe de Estado gambiano, Yahya Jammeh, pela quinta vez ou o seu sucessor a frente do país, registou desde a chegada do actual presidente no poder as seguintes datas chaves.

PRESIDENTE DA GÂMBIA, YAHYA JAMMED, QUE CONCORRE A SUA SUCESSÃO

FOTO: LUCAS NETO

Chegada ao poder do presidente Jammeh, através de um golpe de Estado em 1994, tendo sido eleito pela primeira vez em 1996 e reeleito três vezes.

Desta vez concorrem para o escrutínio três candidatos, nomeadamente, Yahya Jammeh, presidente cessante, Adama Barrow designado por uma coligação da oposição, e Mama Kandeh, um ex- deputado do partido no poder que se apresenta sob as cores de uma nova formação.

Pelo menos 890 mil gambianos – sobre um universo de dois milhões de habitantes – serão chamados para escolher o seu novo presidente por um período de cinco anos.

Eis o rescaldo das importantes datas – chaves do governo de Yahya Jammeh, que dirige a Gâmbia desde 1994 e disputa um novo mandato de cinco anos, depois de sobreviver a numerosas tentativas do seu derrube:

A 22 de Julho de 1994, o Exército derrubou Dawda Jawara, “Pai da Nação”, que estava no poder há quase 30 anos, depois de um motim e  Yahya Jammeh é empossado para ocupar o cargo de um conselho militar provisório das Forças Armadas.

Em Novembro do mesmo ano, é frustrado um golpe de Estado  e mortas 40 pessoas em dois campos militares na capital. Inúmeras tentativas de golpe de Estado já foram denunciadas pelas autoridades.

A 26 de Setembro de 1996, Yahya Jammeh ganhou a eleição presidencial face o seu principal rival, Ousainou Darboe.

Em Janeiro de 1997, a Aliança Patriótica para a Reorientação e Construção (APRC) de Jammeh ganha as legislativas que garantem o regresso a uma ordem constitucional, após 29 meses de governo militar.

O Presidente Jammeh foi reeleito três vezes (2001, 2006 e 2011)

A 30 de Dezembro de 2014, a guarda presidencial repele um ataque de homens armados contra o palácio presidencial, dirigido por opositores gambianos com apoio dos Estados Unidos, na ausência de Yahya Jammeh, em viagem à Dubai, Emirados Árabes Unidos.

Três soldados acusados de estar envolvidos no ataque e são condenados à morte e três à prisão perpétua, após julgamentos secretos perante um tribunal militar, segundo a Amnistia Internacional e os militares.

A 14 de Abril de 2016, um dirigente do Partido Democrático Unido (UDP), principal formação da oposição, Solo Sandeng, é preso com várias outras pessoas durante um comício para exigir reformas políticas, na altura em que o presidente Jammeh encontrava-se na Turquia para a cimeira da Organização da Cooperação Islâmica (OCI). Solo Sandeng morre na prisão.

Dois dias depois, uma manifestação denunciando a sua morte é reprimida e resulta em novas prisões, incluindo a do chefe do partido, Ousainou Darboe, advogado e defensor dos direitos humanos.

A 20 de Julho, vários responsáveis da UDP, incluindo Ousainou Darboe são condenados a três anos de prisão por várias  acusação, por manifestação ilegal.

 

A 20 de Agosto de 2016, um outro quadro da UDP, preso em Maio, morre detido, provocando críticas da comunidade internacional.

A 31 de Outubro deste ano, após meses de discussões, quase todos os partidos da Oposição elegem um candidato comum, dando a sua escolha à Adama Barrow, 51 anos, membro da direcção da UDP.

A 25 de Outubro de 2016 à noite, seguindo o caminho do Burundi e da África do Sul, a Gâmbia anunciou a sua retirada do Tribunal Penal Internacional (TPI), acusado de “perseguir os Africanos, em particular dos seus líderes”.