Conselho de Segurança da ONU visita zona da pior crise humanitária de África

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O Conselho de Segurança da ONU iniciou hoje uma visita à zona da pior crise humanitária em África, na região do lago Chade, onde milhões enfrentam o risco de fome e a violência do ‘jihadista’ Boko Haram.


Os membros do conselho estão hoje nos Camarões, tendo previstas reuniões com altos responsáveis, bem como com a força multinacional que têm lutado contra os extremistas islâmicos nigerianos do Boko Haram.

A visita inclui deslocações ao Chade, ao Níger e à Nigéria, onde os membros do conselho devem visitar um campo de deslocados devido à violência do grupo terrorista.

A revolta do Boko Haram na Nigéria matou em sete anos mais de 20.000 pessoas e obrigou 2,6 milhões a abandonarem as suas casas. Nos últimos anos, o grupo extremista também tem atuado nos países vizinhos.

Numa conferência em Oslo na semana passada, o chefe da ajuda humanitária da ONU Stephen O’Brien disse que 14 países prometeram 672 milhões de dólares (637 milhões de euros) em três anos para evitar a fome nos quatro países africanos que rodeiam o lago Chade.

Os Estados Unidos, que são o maior doador humanitário, não se comprometeram a contribuir para combater a crise na Nigéria. Responsáveis norte-americanos indicaram que a administração de Donald Trump está a propor um corte de 37% nos orçamentos da diplomacia e da ajuda externa para ajudar a pagar o aumento dos gastos militares.

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/onu-conselho-de-seguranca-visita-zona-da-pior-crise-humanitaria-de-africa

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Lumumba assassinado há 56 anos

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A família Kiambata, em Luanda, manda rezar hoje, às 18h30, na Igreja do Carmo, uma missa em memória do antigo primeiro-ministro do então Congo-Léopoldville, Emery Patrice Lumumba, do ex-vice-presidente do Senado, Joseph Okito, e de Maurice Mpolo, ex-ministro da Defesa, assassinados há 56 anos (17 de Janeiro de 1961).

Foram assassinados por forças lideradas pelo então sargento Mobutu Sesse Seko e apoiadas pela Bélgica e Estados Unidos.
Na necrologia publicada ontem no Jornal de Angola, a família Kiambata destaca que Patrice Lumumba “foi uma figura africana que marcou a sua época, contribuindo corajosamente para a libertação do seu Congo e para a independência de toda a África”.
Lumumba chefiou o primeiro Governo eleito livremente na República do Congo-Léopoldville, após a independência da Bélgica. Mas esteve apenas quatro meses no poder. Aos 34 anos, foi afastado do cargo e assassinado.
O que aconteceu no dia da proclamação da independência, a 30 de Junho de 1960, prenunciava já talvez o desfecho do jovem primeiro-ministro. Durante as celebrações oficiais, Lumumba denunciou publicamente as práticas racistas dos colonizadores. Os congoleses rejubilaram, não só os que participavam na cerimônia mas também aqueles que ouviam o discurso em casa, através da rádio. Mas o rei belga e os diplomatas estrangeiros ficaram chocados. Os objectivos políticos de Lumumba não condiziam com os planos dos poderes ocidentais: o jovem político queria libertar o Congo dos grilhões coloniais. Queria unir os grupos étnicos e advogava a gestão local das riquezas naturais do país. A Bélgica e os Estados Unidos começaram a sentir a sua influência declinar.
“Por isso é que decidiram acabar com o Governo e, finalmente, com o próprio primeiro-ministro”, diz o sociólogo belga Ludo de Witte, que estuda o Congo há mais de 20 anos e aborda meticulosamente a queda de Lumumba num livro. A partir desse momento, tudo se desenrolou muito rapidamente. Em Setembro, Lumumba foi destituído do cargo de primeiro-ministro e colocado em prisão domiciliária. Em Novembro, conseguiu escapar, mas foi depois capturado pelas tropas de Mobutu, que o espancaram e torturaram.
“As pessoas amavam Lumumba. Os seus apoiantes queriam libertá-lo”, explica De Witte. “Isso teria sido um desastre para a Bélgica e para os Estados Unidos. Por isso, decidiram que ele devia ser morto no dia em que chegou a Katanga. Foi executado por um pelotão organizado por oficiais belgas.” Lumumba foi morto a 17 de Janeiro de 1961.
A explicação oficial para a morte de Patrice Lumumba foi a de que ele teria sido assassinado por moradores de uma vila em fúria. A verdade sobre o papel das potências ocidentais só viria a público mais tarde.
O livro de De Witte, “O Assassinato de Lumumba”, levou a Bélgica a criar, em 2000, uma comissão parlamentar de inquérito. Dois anos mais tarde, o então ministro belga dos Negócios Estrangeiros e agora membro do Parlamento Europeu, Louis Michel, pediu desculpas à família e ao povo congolês pelo papel dos oficiais belgas no assassinato de Lumumba e companheiros.
De Witte não ficou satisfeito com este pedido de desculpas. “A comissão de inquérito belga concluiu que a Bélgica teve uma responsabilidade moral no assassinato de Lumumba, algo muito vago. Fica a meio caminho entre negar o que aconteceu e publicar toda a verdade.” A Bélgica quer continuar a desfrutar da sua posição diplomática no Congo, comenta o especialista. Se o país tivesse assumido todas as responsabilidades isso não seria possível. Além disso, as propostas da comissão de inquérito, tais como o estabelecimento de um fundo em nome de Lumumba para promover a democracia no Congo, ainda não foram implementadas, acrescenta De Witte. Até agora, ninguém foi punido pelo assassinato de Lumumba e companheiros.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/lumumba_assassinado_ha_56_anos

Presidente da Gâmbia está no poder há mais de 22 anos.

Banjul – A Gâmbia que elege quinta-feira o actual c Chefe de Estado gambiano, Yahya Jammeh, pela quinta vez ou o seu sucessor a frente do país, registou desde a chegada do actual presidente no poder as seguintes datas chaves.

PRESIDENTE DA GÂMBIA, YAHYA JAMMED, QUE CONCORRE A SUA SUCESSÃO

FOTO: LUCAS NETO

Chegada ao poder do presidente Jammeh, através de um golpe de Estado em 1994, tendo sido eleito pela primeira vez em 1996 e reeleito três vezes.

Desta vez concorrem para o escrutínio três candidatos, nomeadamente, Yahya Jammeh, presidente cessante, Adama Barrow designado por uma coligação da oposição, e Mama Kandeh, um ex- deputado do partido no poder que se apresenta sob as cores de uma nova formação.

Pelo menos 890 mil gambianos – sobre um universo de dois milhões de habitantes – serão chamados para escolher o seu novo presidente por um período de cinco anos.

Eis o rescaldo das importantes datas – chaves do governo de Yahya Jammeh, que dirige a Gâmbia desde 1994 e disputa um novo mandato de cinco anos, depois de sobreviver a numerosas tentativas do seu derrube:

A 22 de Julho de 1994, o Exército derrubou Dawda Jawara, “Pai da Nação”, que estava no poder há quase 30 anos, depois de um motim e  Yahya Jammeh é empossado para ocupar o cargo de um conselho militar provisório das Forças Armadas.

Em Novembro do mesmo ano, é frustrado um golpe de Estado  e mortas 40 pessoas em dois campos militares na capital. Inúmeras tentativas de golpe de Estado já foram denunciadas pelas autoridades.

A 26 de Setembro de 1996, Yahya Jammeh ganhou a eleição presidencial face o seu principal rival, Ousainou Darboe.

Em Janeiro de 1997, a Aliança Patriótica para a Reorientação e Construção (APRC) de Jammeh ganha as legislativas que garantem o regresso a uma ordem constitucional, após 29 meses de governo militar.

O Presidente Jammeh foi reeleito três vezes (2001, 2006 e 2011)

A 30 de Dezembro de 2014, a guarda presidencial repele um ataque de homens armados contra o palácio presidencial, dirigido por opositores gambianos com apoio dos Estados Unidos, na ausência de Yahya Jammeh, em viagem à Dubai, Emirados Árabes Unidos.

Três soldados acusados de estar envolvidos no ataque e são condenados à morte e três à prisão perpétua, após julgamentos secretos perante um tribunal militar, segundo a Amnistia Internacional e os militares.

A 14 de Abril de 2016, um dirigente do Partido Democrático Unido (UDP), principal formação da oposição, Solo Sandeng, é preso com várias outras pessoas durante um comício para exigir reformas políticas, na altura em que o presidente Jammeh encontrava-se na Turquia para a cimeira da Organização da Cooperação Islâmica (OCI). Solo Sandeng morre na prisão.

Dois dias depois, uma manifestação denunciando a sua morte é reprimida e resulta em novas prisões, incluindo a do chefe do partido, Ousainou Darboe, advogado e defensor dos direitos humanos.

A 20 de Julho, vários responsáveis da UDP, incluindo Ousainou Darboe são condenados a três anos de prisão por várias  acusação, por manifestação ilegal.

 

A 20 de Agosto de 2016, um outro quadro da UDP, preso em Maio, morre detido, provocando críticas da comunidade internacional.

A 31 de Outubro deste ano, após meses de discussões, quase todos os partidos da Oposição elegem um candidato comum, dando a sua escolha à Adama Barrow, 51 anos, membro da direcção da UDP.

A 25 de Outubro de 2016 à noite, seguindo o caminho do Burundi e da África do Sul, a Gâmbia anunciou a sua retirada do Tribunal Penal Internacional (TPI), acusado de “perseguir os Africanos, em particular dos seus líderes”.