Celso Amorim tece duras críticas à politica externa brasileira

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O Brasil deixou de ter uma política externa e um projeto nacional. Na verdade, o que existe hoje é um projeto anti-nação, um assustador processo de desnacionalização e de destruição de ativos nacionais. O diagnóstico é do ex-ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, que participou nesta quarta-feira (25) da sétima edição do Fórum de Grandes Debates, promovido pela presidência da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Amorim foi recebido, no final da tarde, pelo presidente da Assembleia, deputado Edegar Pretto (PT), conversou com jornalistas e, logo e seguida, proferiu uma conferência no auditório Dante Barone. O ex-chanceler do governo Lula criticou os rumos da política externa brasileira no governo Temer que, segundo ele, abandonaram completamente o protagonismo que o Brasil vinha exercendo nos últimos anos, voltando a assumir uma postura subalterna aos interesses econômicos e políticos de Washington.

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“A Lava Jato promoveu uma brutal criminalização de tudo, inclusive, de práticas absolutamente normais, feitas em todos os países.” A declaração é do diplomata e ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, que participou como palestrante da 7ª edição do Fórum dos Grandes Debates da Assembleia Legislativa na noite desta quarta-feira (25). O evento, que ocorreu no Teatro Dante Barone, tratou do tema A Política Externa Brasileira e o Desenvolvimento.

Última edição
Ao anunciar que o evento da quarta-feira é a última edição do ano do Fórum dos Grandes Debates, o presidente da Assembleia Legislativa, Edegar Pretto (PT), afirmou que a presença do embaixador Celso Amorim tem como objetivo lançar luzes sobre o papel da política externa no desenvolvimento do País. “Ele é uma cabeça iluminada, que irá nos ajudar a refletir sobre um tema que está mais presente no nosso dia a dia do que pensamos. Precisamos olhar para além de nosso muro para que possamos entender o momento que atravessamos”, declarou.

Os deputados Altemir Torteli (PT), Adão Villaverde (PT), Miriam Marroni (PT), Tarcísio Zimmermann (PT), Zé Nunes (PT) e Ronaldo Santini (PTB) acompanharam a palestra do diplomata. O painel foi coordenado pelo professor Benedito Tadeu Cézar, membro do Comitê Gaúcho do Projeto Brasil Nação

Na avaliação do embaixador, ao colocar grande número de empresas jub-júdice, a operação da Polícia Federal contribuiu para a destruição de ativos nacionais. “Mais do que privatizações, há um processo em curso de desnacionalização de nossas empresas. Não se vê empresa nacional comprando ativos na área do petróleo ou na área elétrica. São grandes grupos internacionais ou estatais estrangeiras que estão se apoderando de nossas riquezas”, apontou.

Política externa ativa e altiva
Amorim apresentou uma trajetória da política externa brasileira nos governos Lula e Dilma, lembrando seus principais marcos, como a criação dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), após o surgimento do IBAS (Índia. Brasil e África do Sul). “O IBAS foi uma iniciativa do segundo dia do governo Lula, que abriu espaço para os BRICS”, lembrou.

O embaixador elencou ainda as iniciativas para a integração da América do Sul e fortalecimento do Mercosul. “Uma das grandes mentiras da grande mídia é que o Mercosul não deu certo. Até 2012, o comércio na região cresceu 12 vezes contra um avanço três vezes menor do comércio mundial”, comparou.

Ele lembrou ainda que o Brasil teve papel central na eliminação dos subsídios agrícolas pagos pelos países ricos, ao liderar uma aliança de 110 nações na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A saída da atual crise, na sua opinião, passa pelo fortalecimento da democracia e pela distribuição de renda. Ele considera também que a questão racial no Brasil está tomando proporções “bastante preocupantes”.

O Brasil, acrescentou Celso Amorim, era chamado para facilitar conversas na America Latina, na África e no Oriente Médio. “O Brasil estava a frente dessas conversas. Agora, não está nem a reboque. Está parado lá atrás. Todo mundo olha hoje e pergunta: onde está o Brasil? O Brasil hoje vai nas reuniões dos organismos internacionais para cumprir tabela, não apresenta nenhuma iniciativa. Nós sempre tínhamos uma iniciativa nova. O próprio G-20 nasceu, entre outros fatores, pelo papel que o Brasil passou a desempenhar no cenário internacional. O nosso país tinha um papel muito importante no cenário internacional, tanto na parte econômica como na parte política. O Brasil foi chamado para intervir em questões envolvendo o Oriente Médio. Muita gente questionou o envolvimento do Brasil no Irã. Mas não foi o Brasil que quis se envolver no Irã. O presidente do Estados Unidos, Barack Obama, pediu que o Brasil ajudasse, apenas para dar um exemplo”.
Celso Amorim falou sobre as relações entre a política externa e o desenvolvimento, na Assembleia Legislativa. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
Falando sobre o cenário internacional, Celso Amorim avaliou que o mundo pode estar entrando, mais do que na era Trump, na “era Xi”, uma referência ao novo presidente da China, Xi Jinping. O grande fato novo, enfatizou, é o crescimento da China, não só o crescimento econômico, mas a disposição desse país em assumir uma postura de liderança. O ex-chanceler lembrou que, na primeira reunião dos BRICS (grupo que reúne Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul), a China não mostrava muito engajamento, ao contrário do Brasil e da Rússia. Hoje, a China desempenha um papel central, sendo a sede, inclusive, do banco dos BRICS. “No último congresso do Partido Comunista chinês ficou claro não só o fortalecimento do presidente Xi, como também uma disposição de atuar com liderança”.

Questionado sobre o futuro dos BRICS a partir da mudança política ocorrida no Brasil, Celso Amorim disse não acreditar que o país saia dessa iniciativa. “Por mais subserviente que a nossa classe empresarial possa ser, há fortes interesses econômicos em jogo, como os do agronegócio que exporta muito para esses países. Por mais voltado ideologicamente para Washington que possa ser o atual governo, não vejo a possibilidade de o Brasil sair dos BRICS. Acho que há aí um mínimo de pragmatismo que não permite que eles saiam. Só não vão tomar nenhuma iniciativa, até porque não têm nenhuma credibilidade para lançar alguma coisa nova. Vão indo na rabeira. Hoje, nestes encontros internacionais, ninguém quer tirar foto com o Temer. Na época do Lula, todo mundo queria aparecer na foto com ele”.

Amorim manifestou preocupação, por outro lado, com a destruição dos ativos nacionais, que estão sendo entregues a outros países. Para ele, o que está ocorrendo no governo Temer não é propriamente uma privatização, mas sim uma desnacionalização. “Comparando com o que está acontecendo hoje, Roberto Campos seria considerado um desenvolvimentista desvairado. “Muitos dos nossos ativos estão sendo comprados por estatais de outros países. O que não presta é a estatal brasileira, a estatal de outros países serve? As empresas brasileiras ficaram sob suspeita com essa questão da Lava Jato, de uma maneira que não se vê em país nenhum. A Volkswagen teve um problema sério recentemente com a falsificação de resultados envolvendo um software de meio ambiente. Você ouve falar que a Alemanha está destruindo a Volkswagen por isso? Aqui há uma autoflagelação que está a toda velocidade”.
“Quando os Estados quiseram vender os aviões F-18 para o Brasil teve carta da Condolezza Rice, da Hillary Clinton”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
Na opinião do diplomata, a Lava Jato acabou provocando a criminalizando coisas que são absolutamente normais como oferecer subsídios para um investimento na África, por exemplo. “Está sendo colocado como tráfico de influência uma coisa que todos os países fazem. Pergunte ao rei da Suécia, ao presidente da França ou ao presidente dos Estados Unidos o que eles fazem? Quando os Estados quiseram vender os aviões F-18 para o Brasil teve carta da Condolezza Rice, da Hillary Clinton. Essas coisas são normais. No Brasil, tudo isso foi criminalizado. Fico até com pena dos diplomatas brasileiros. Eu não sei o que eu faria se eu fosse um diplomata brasileiro no exterior diante de uma oportunidade comercial para uma empresa brasileira. Ele vai pensar: melhor não falar nem fazer nada, senão vão dizer que estou sendo corrompido”.

Celso Amorim questionou também alguns mitos que ficam sendo repetidos pela grande imprensa como se fossem verdade, como o suposto fracasso do Mercosul. “Uma das mentiras mais repetidas é que o Mercosul deu errado. Desde a criação do Mercosul até 2014, o comércio envolvendo os países do bloco cresceu 12 vezes, enquanto, no mesmo período, o comércio mundial cresceu cinco vezes. Que fracasso é esse?”.

Na avaliação de Celso Amorim, a política externa brasileira praticamente desapareceu. “O Brasil tem participado de certas reuniões, meio na lógica de cumprir tabela. Não se tem notícia de nenhuma iniciativa importante, como houve sobretudo no governo Lula. Pode ser que tenha alguma coisa acontecendo e o problema seja com o porta-voz que não está comunicando”, ironizou. “Nas poucas coisas em que parece haver uma orientação”, acrescentou, “eu não concordo com ela”. Celso Amorim citou o exemplo da Venezuela:

“Você pode ter a preferência que quiser, mas não pode, em uma situação grave envolvendo um país vizinho ao nosso, se dar ao luxo de não contribuir para a construção de um diálogo. Eu fico chocado quando ouço que o Brasil não pode participar de uma mediação na Venezuela porque tomou partido. Acusavam o presidente Lula de ter uma política externa ideológica, mas o Brasil ouvia a oposição da Venezuela da mesma forma que ouvia o governo. Quando havia uma disputa entre a Venezuela e a Colômbia, que tinha um governo de centro-direita, o Brasil participava tentando construir uma situação de diálogo, pois nos interessava a paz e esta se baseia no diálogo. O que o país não pode é se auto-excluir do diálogo, o que aconteceu confessadamente”.

Ele classificou de gravíssima o fato de o governo americano ter ameaçado de usar as forças armadas no país vizinho. “Nunca houve uma ameaça deste tipo em relação a países da América do Sul. Isso é gravíssimo. Hoje, foi a Venezuela. Amanhã, poderá ser qualquer outra nação”, alertou.

Ao analisar a imagem do Brasil no exterior, Amorim afirmou que a mudança do conceito de trabalho escravo, promovida pelo governo Temer, representou um golpe para o País. “É uma vergonha. O Brasil passou da condição de exemplo mundial no combate ao trabalho escravo para uma situação em que só reconhece a escravidão se houver restrição do direito de ir e vir. Praticamente, exige a presença do grilhão. Obviamente, isso reflete na política externa e provoca perda de respeitabilidade e prestígio para o País”, frisou.

Fontes: http://www2.al.rs.gov.br/forumdemocratico/Notícias/Notícia/tabid/3240/IdOrigem/1/IdMateria/311916/Default.aspx

https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/324478/Todo-mundo-olha-hoje-e-pergunta-onde-est%C3%A1-o-Brasil-diz-Celso-Amorim.htm

 

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João Lourenço é o novo presidente de Angola

João Lourenço é hoje investido no cargo de Presidente da República, tornando-se o terceiro Chefe de Estado de Angola independente, depois de António Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos.

Presidente da República Eleito João Lourenço
Fotografia: Jaimagens | Edições Novembro

Com mais de mil convidados nacionais e estrangeiros, entre os quais 30 chefes de Estado e de Governo, a cerimónia começa com a leitura da transcrição da declaração da Comissão Nacional Eleitoral que proclama João Manuel Gonçalves Lourenço como Presidente da República de Angola eleito e do seu percurso de vida. que o Jornal de Angola publica nesta edição.João Manuel Gonçalves Lourenço toma posse hoje como Presidente da República e é o terceiro dirigente do MPLA a assumir o mais alto cargo do aparelho do Estado desde a Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975.
Numa entrevista que concedeu à agência noticiosa EFE, em Madrid, após a divulgação dos resultados na altura provisórios que já indicavam que seria o próximo Presidente da República, João Lourenço reconheceu a “situação financeira menos boa” que Angola atravessa, com quebras avultadas e sucessivas nas receitas do petróleo, que ainda é o principal produto de exportação do país.
Apesar do cenário enevoado no plano financeiro, João Lourenço prometeu “dar a volta por cima”, mas “trabalhando muito”. Vários analistas destacaram o discurso “sóbrio e a frontalidade” do então futuro inquilino do Palácio Presidencial da Cidade Alta, ao assumir-se como um “reformador ao estilo Deng Xiaoping”, tendo a paz que Angola vive há 15 anos como principal garantia nessa “difícil missão”.
“A situação financeira é menos boa devido à queda dos preços do petróleo, mas Angola é um país em paz. Um país no qual os cidadãos se reconciliaram e esta é uma vantagem em comparação com 38 anos em que o meu antecessor era o Chefe de Estado, que durante pelo menos 27 anos governou em situação de guerra”.
João Lourenço fez questão de vincar que tem perfeita noção de que governar em situação de guerra é bem mais difícil: “Felizmente enfrento esta nova fase de paz com este espírito. Vamos concentrar-nos principalmente no desenvolvimento económico e social do país”, disse João Lourenço, colocando a captação do investimento estrangeiro e a luta contra a corrupção e o nepotismo, como questões essenciais para a recuperação económica de Angola.
“Uma vez ganhas estas batalhas, vai ser mais fácil captar investimento para o país”, rematou.
Essa terá sido uma das passagens mais comentadas dessa entrevista de João Lourenço, por evidenciar traços distintivos da sua personalidade, entre os quais a coragem, elevação, foco nas questões essenciais e, acima de tudo, o elevado sentido de Estado.

O novo Presidente

Nascido no Lobito, província de Benguela, aos 5 de Março de 1954, é filho de Sequeira João Lourenço natural de Malange, enfermeiro, e de Josefa Gonçalves Cipriano Lourenço, natural do Namibe, costureira, ambos já falecidos.
Em Fevereiro deste ano, e depois de eleito vice-presidente do MPLA em Congresso, foi confirmado pelo Comité Central como candidato do partido às eleições gerais de 23 de Agosto. Nessa altura, exercia no governo o cargo de ministro da Defesa Nacional.
João Lourenço desempenhou, entretanto, várias funções de relevo no aparelho do Estado e no partido. Na sua trajectória exerceu os cargos de Governador Provincial e 1º Secretário do Comité Provincial do Partido no Moxico e em Benguela. Na antiga Assembleia do Povo, João Lourenço foi Deputado e nas Forças Armadas para Libertação de Angola (FAPLA) foi chefe da Direcção Política Nacional.
Entre os cargos de maior relevo a nível do partido, foi Secretário-Geral e Presidente da Comissão Constitucional, Secretário do Bureau Político para a Informação, Presidente do Grupo Parlamentar, Membro da Comissão Permanente e 1º Vice-Presidente da Assembleia Nacional.
João Lourenço é casado com Ana Afonso Dias Lourenço e pai de seis filhos. Tem como hobby a leitura, a equitação e o xadrez, e mantém a boa forma, praticando futebol e karaté. Para além do português, o novo inquilino do Palácio da Cidade Alta fala inglês, russo e espanhol.

Um dia na História

É comum nas democracias modernas que haja uma data definida por lei para início de cada novo ciclo governativo. Nos Estados Unidos, a cerimônia de posse do Presidente é realizada impreterivelmente a 20 de Janeiro. No Brasil, o novo inquilino do Palácio do Planalto assume o cargo no primeiro dia do ano.
Em Angola as coisas parecem encaminhar-se para aí. Apesar de nada haver em termos legais – a Constituição fala em até 15 dias após a divulgação dos resultados eleitorais definitivos-, a verdade é que o 26 de Setembro volta a fazer história como a data da investidura do Presidente da República escolhido nas urnas.
Num dia como hoje, há exactos cinco anos, e no mesmo local, João Manuel Gonçalves Lourenço é investido no cargo de Presidente da República e assume a mais alta magistratura do Estado angolano.
Da cerimónia anterior, uma única diferença: quando prestou juramento, assinou o termo de posse e recebeu do juiz-presidente do Tribunal Constitucional, a mais alta instância do poder judicial, os símbolos distintivos das novas funções, José Eduardo dos Santos sucedia a si próprio.
No discurso que fez como primeiro Presidente eleito, José Eduardo dos Santos destacou a importância da transição e da estabilidade política e social, como condições essenciais para o desenvolvimento de Angola. Hoje, 26 de Setembro de 2017, João Lourenço recebe o testemunho de José Eduardo dos Santos e inscreve o seu nome na história como terceiro Presidente da República de Angola.

 Novo inquilino do Palácio da Cidade Alta

O Palácio Presidencial da Cidade Alta, que desde 2000 passou a residência oficial do mais alto magistrado e sede do poder político, tem a partir de hoje um novo inquilino.
Nos próximos cinco anos será residência oficial do casal Ana Afonso Dias e João Manuel Gonçalves Lourenço e onde este passará a reunir-se com os seus auxiliares como Presidente da República e Titular do Poder Executivo.
Em Angola, o Presidente da República é o Chefe de Estado, o titular do Poder Executivo e o Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas. O Presidente da República promove e assegura a unidade nacional, a independência e a integridade territorial do País e representa a Nação no plano interno e internacional.
O Presidente da República exerce o poder executivo, auxiliado por um Vice-Presidente, Ministros de Estado e Ministros, que por sua vez são auxiliados por Secretários de Estado ou vice-ministros.

 Resgate do prestígio do Ministério da Defesa Nacional e relançamento da cooperação

Nomeado Ministro da Defesa Nacional em Abril de 2014, João Lourenço teve o mérito de resgatar e consolidar a dignidade e o prestígio da instituição e das Forças Armadas Angolanas.
A elevação do Ministério da Defesa Nacional e das FAA para patamares elevados e reconhecidos, por instituições regionais e internacionais, nas quais Angola tem tido o privilégio de actuar no domínio da Defesa, como garantem os seus antigos colaboradores directos é apenas um exemplo do esforço e diligências empreendidas no reforço da operacionalidade e da capacidade combativa das tropas.
Fruto do seu empenho, nas Tropas Terrestres e na Força Aérea é visível uma mudança qualitativa em meios blindados, aeronaves e outros equipamentos. Embora condicionada pelos constrangimentos de ordem económica e financeira, prossegue o redimensionamento e reequipamento da Marinha de Guerra Angolana, um projecto ambicioso e de grande envergadura, de segurança e vigilância da plataforma marítima de Angola.
No plano internacional, o ponto alto do consulado do Presidente da República eleito, à frente do Ministério da Defesa Nacional, foi o encontro de trabalho que teve, em meados do mês de Maio, na sede do Pentágono, em Washington, com o seu homólogo norte-americano, James Mitts.
Recebido com honras militares, no encontro, os dois governantes assinaram um Memorando de Entendimento, instrumento de cooperação que doravante vai permitir assinar acordos mais específicos em vários domínios da cooperação militar entre Angola e os Estados Unidos. “Encaramos a cooperação com os Estados Unidos no domínio da Defesa como algo de  muito sério. Acreditamos que ambos os países sairão a ganhar com este acordo”, declarou na ocasião.
No âmbito da cooperação militar, o mandato de João Lourenço possibilitou também o relançamento da cooperação militar com a China, outra potência militar à escala mundial, país que Angola conta para modernizar as Forças Armadas.

As conversações ao mais alto nível entre delegações de Angola e da China, chefiadas pelos ministros da Defesa dos dois países, nas cidades de Pequim, em Setembro de 2015, e Luanda, em Julho de 2017, são indicadores da disponibilidade do Executivo angolano para consolidar e estreitar a cooperação mutuamente vantajosa com a China, na base de uma nova abordagem e de uma nova dinâmica, que obedeça sempre ao princípio do respeito mútuo, tratamento e valorização equitativa dos interesses de cada país. Neste particular, o ministro da Defesa chinês, Chang Wanquan, tem dado garantias que a parceria com Angola tem como objectivo a implementação dos consensos estabelecidos entre os Chefes de Estado dos dois países para impulsionar, com maior profundidade, os laços de cooperação entre as Forças Armadas Angolanas e as chinesas. Outro exemplo do contributo no processo de modernização das FAA está na reiterada disponibilidade que a Universidade de Defesa Nacional da China, tem para cooperar com instituições de Angola ligadas ao ensino militar.
A dinâmica de trabalho implementada nos últimos três anos pelo Ministério da Defesa Nacional fez da Itália outro parceiro estratégico de Angola no seu processo de reequipamento e modernização. Em Junho de 2016, no decorrer da visita de quatro dias que efectuou àquele país europeu, João Lourenço admitiu a possibilidade de implantação de uma indústria de equipamentos militares no país. Além do encontro de trabalho que teve com a ministra da Defesa, Roberta Pinotti, a permanência do Presidente da República eleito, na Itália, serviu para consolidar alguns dos projectos iniciados em 2015 na área da segurança e vigilância marítima.
Em Março de 2017, na cidade de Madrid, numa demonstração da excelência do estado das relações bilaterais estabelecidas com a Espanha, ainda nos primórdios da Independência Nacional, o ministro da Defesa Nacional cessante e a sua homóloga espanhola, María Dolores de Cospeda rubricaram um acordo de cooperação no domínio da Defesa. Dias antes, João Lourenço havia sido recebido pelo presidente do Governo de Espanha, Mariano Rajoy, no Palácio de Moncloa.
No plano regional, nas reuniões da comissão mista de Defesa e Segurança Angola-Zâmbia, incentivou o combate ao tráfico de drogas e imigração ilegal que constituem ameaças às fronteiras comuns e preocupam as autoridades dos dois países. O mesmo sucedeu com as autoridades de Defesa da Namíbia, para desencorajar a criminalidade transfronteiriça, sobretudo o roubo de gado, falsificação de documentos, a pirataria e à ameaça de terrorismo.
O consulado do ministro cessante fica particularmente marcado pelo seu “incansável compromisso”, na qualidade de Presidente em exercício do Comité de Ministros da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos na busca de soluções duradouras para a pacificação regional, no espírito do pacto de segurança, estabilidade e desenvolvimento, particularmente em países como o Burundi, República Democrática do Congo, República Centro Africana, Sudão do Sul e Sudão.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/a_investidura_de_joao_lourenco

CEO da terceira maior empresa farmacêutica dos Estados Unidos, deixou o Conselho de Trump

 

O CEO da Merck, a terceira maior empresa farmacêutica dos Estados Unidos, demitiu-se ontem do painel de empresários que aconselha o Presidente, uma decisão tomada para “combater a intolerância e extremismo” nos EUA.

Kenneth Frazier deixa de prestar assessoria ao Presidente dos Estados Unidos
Fotografia: Nicholas Kamm | AFP

Donald Trump não tardou a reagir no Twitter, dizendo que o empresário terá agora mais tempo para “baixar os preços dos medicamentos que são uma exploração”.
Kenneth Frazier deixa de fazer parte do grupo de conselheiros do mundo dos negócios criado pela administração de Trump numa altura em que o Presidente dos EUA está a ser criticado por não ter condenado especificamente a extrema-direita pelos incidentes no estado da Virgínia, que resultaram em três mortos.
“Os líderes norte-americanos devem honrar os nossos valores de base ao rejeitarem claramente expressões de ódio, intolerância e supremacia de grupos, que vão contra o ideal americano de que as pessoas são todas iguais”, defendeu o empresário de 62 anos, que lidera a Merck desde 2011.

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Durante o fim de semana, três pessoas morreram e 19 ficaram feridas numa manifestação organizada por extremistas brancos em Charlottesville, Virgínia.
O empresário negro disse que, “por uma questão de consciência” e “como CEO da Merck”, sente a “responsabilidade de tomar uma posição para combater a intolerância e o extremismo”, conforme se lê no comunicado publicado na conta oficial da farmacêutica no Twitter.

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A Casa Branca afirmou no domingo que o Presidente dos Estados Unidos também se referia a “supremacistas brancos, KKK [Ku Klux Klan], neo-nazis e todos os grupos extremistas” quando condenou a “violência, intolerância e ódio” nas declarações sobre Charlottesville.
No sábado, Trump publicou no Twitter um vídeo em que apelava à unidade social. “Acima de tudo, devemos lembrar-nos desta verdade: Não importa a nossa cor, credo, religião, ou partido político, somos todos americanos primeiro”, disse o presidente no vídeo.

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Kenneth Frazier não é o primeiro a deixar o painel de empresários conselheiros. Elon Musk, CEO da Tesla, demitiu-se em Junho após o anúncio de que os EUA vão sair do Acordo de Paris, que prevê o combate às alterações climáticas, e o então presidente executivo da Uber, Travis Kalanick, saíra já em Fevereiro.

Governo angolano comprará geradores e equipamentos de geração fotovoltaica

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O Governo angolano pretende comprar geradores e equipamentos de geração fotovoltaica para garantir electricidade em locais isolados do país, num negócio de quase 100 milhões de euros.De acordo com uma autorização presidencial para o contrato de aquisição, que será feito à empresa angolana Aenergia, constituída em 2012 e parceira da norte-americana General Electric, o negócio envolve o fornecimento, instalação, comissionamento e assistência técnica de geradores industriais, geradores domésticos, bem como de “kits de geração fotovoltaica”.fotovaicoSerá ainda assegurado o fornecimento de equipamentos para montagem de redes de alimentação, envolvendo sistemas eléctricos isolados da cobertura nacional, num contrato global, autorizado por despacho presidencial, a rubricar entre o Ministério da Energia e Águas e a Aenergia, por 114,2 milhões de dólares (98,7 milhões de euros).aaSolar-Animacaoenergi

O recenseamento da pop7ulação realizado em Angola no mês de maio de 2014 concluiu que o acesso à rede de electricidade é apenas garantido a 1,7 milhões de casas (31,9% do total), quase exclusivamente em zonas urbanas, já que na área rural apenas 48.173 agregados familiares são servidos.

O estudo identifica que as lanternas são a segunda principal fonte de iluminação e servem mais de 1,752 milhões de famílias (31,6%) em Angola.

Seguem-se em alternativa os candeeiros (14,3%) e os geradores (9,3%).

Até final deste ano, o Governo prevê praticamente duplicar a electricidade produzida e injectada na rede pública nacional, com a construção de novas barragens e uma central de ciclo combinado, a gás, chegando aos 5.000 MegaWatts de potência instalada, ainda insuficiente para cobrir o défice nacional de produção eléctrica.

http://noticias.sapo.ao/info/artigo/1510083.html

Historiadores dos EUA dizem que Portugal deve desculpas por tráfico de escravos

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Agência Brasil

Os líderes políticos portugueses devem pedir desculpas pelo papel do país no tráfico de escravos e incentivar uma discussão sobre o tema na sociedade portuguesa, defendem especialistas americanos. “O apoio do Estado a estas iniciativas pode galvanizar a investigação e ajudar a informar melhor o público”, disse à agência Lusa o professor da Universidade de Columbia, de Nova York, Christopher Brown.

“O fato de que vários países decidiram que era importante fazê-lo sugere uma nova norma que merece reflexão. Do meu ponto de vista, um reconhecimento do passado contribui para um sentimento coletivo de reconhecimento da desumanidades do passado”, reforçou o também professor americano Walter Hawthorne, da Universidade de Michigan.

Para Christopher Brown , o impacto da ação do Estado nessa área ficou evidente com o Museu de História Afro-Americana, inaugurado em Washington no ano passado e que se tornou o primeiro espaço na capital dos EUA dedicado à história dos afro-americanos, numa iniciativa do presidente George W. Bush, autorizada pelo Congresso.

Brown acredita que quando um líder político fala sobre estes temas “leva a história a uma audiência muito mais ampla do que os acadêmicos conseguiriam e desperta a curiosidade de todos aqueles que nem tinham pensado sobre isso antes. Por isso, sim, a liderança política pode fazer uma grande diferença, sobretudo se acompanhada por um apoio do estado para melhorar o conhecimento e compreensão sobre o tema”, atestou.

Da África ao Brasil

Em abril, o presidente português Marcelo Rebelo de Sousa visitou a ilha de Gorée, no Senegal, de onde partiram milhares de escravos para o Novo Mundo, e disse que o poder político português reconheceu a injustiça da escravatura quando a aboliu em parte do seu território, “pela mão do Marquês de Pombal, em 1761”.

As declarações foram feitas no mesmo local em que, anos antes, o Papa João Paulo II pediu perdão pela escravatura. A decisão de Rebelo de Sousa trouxe para a opinião pública uma discussão que até então estava praticamente reduzido à academia.

Walter Hawthorne, autor de livros como From Africa to Brazil: Culture, Identity, and an Atlantic Slave Trade 1600-1830 [Da África ao Brasil: Cultura, Identidade e o Comércio de Escravos no Atlântico 1600-1830], acredita que “um pedido de desculpas deve focar-se numa ação, com reconhecimento das consequências, e terminar com uma ação corretiva”, como a criação de um museu ou um centro de investigação.

Desculpas elevam

“Um pedido de desculpas ajudaria os 5.8 milhões de africanos tornados escravos e embarcados em navios com a bandeira de Portugal? Ajudaria aqueles que foram mortos em guerras causadas pelo tráfico de escravos? Aqueles que sofreram há centenas de anos? Não, mas seria um passo em frente para melhorar a relação hoje em dia entre pessoas com coresdiferentes”, defendeu.

“Grandes pessoas pedem desculpas e tornam-se melhores pessoas. Grandes países cometeram atrocidades. Grandes países pedem desculpa. Quando os seus líderes tomam essa ação, elevam os seus países”, acrescentou  Hawthorne,que cresceu no sul dos EUA, um território marcado pela escravatura, e diz que conhece “bem as atrocidades que foram cometidas e a ligação que existe entre o trafico de escravos no Atlântico e racismo, desigualdades globais em termos monetários, educação, emprego, saúde e muito mais.”

“Portugal acolhe coleções de arquivos incríveis e bibliotecas que iluminam a história da escravatura. Nas suas universidades, encontram-se alguns dos melhores historiadores da área, pessoas que dedicaram a sua vida a escrever livros e artigos para envolver o público nestas importantes, mas distantes, discussões”, concluiu o historiador.

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2017/07/17/historiadores-dos-eua-dizem-que-portugal-deve-desculpas-por-trafico-de-escravos/

Transparência em Moçambique é cobrado

governo_2O Governo norte-americano pediu hoje às autoridades moçambicanas que tomem “ações concretas após a divulgação no sábado do sumário do relatório da auditoria internacional independente às chamadas dívidas ocultas de Moçambique, considerando que “há mais por fazer”.

Em relação à auditoria internacional independente “há mais por fazer. Os Estados Unidos aguardam que o Governo de Moçambique tome acções concretas em resultado das recomendações chave e resultados da auditoria”, refere um comunicado distribuído hoje à imprensa pela embaixada norte-americana em Maputo.

A nota adianta que os EUA estão empenhados em trabalhar com o Governo de Moçambique na melhoria da transparência e responsabilização das suas operações financeiras.4743_artigo_Parlamento_Mocambicano

Para o Governo norte-americano, prossegue o texto, a realização de uma auditoria internacional independente constitui um passo importante no sentido da restauração da confiança dos investidores e doadores.

“A divulgação pública do sumário executivo demonstra a vontade de resolver esta questão de forma responsável e transparente”, acrescenta o comunicado.

Como maior doador bilateral de Moçambique, continua a nota de imprensa, os Estados Unidos têm um interesse na gestão apropriada e transparente de fundos por parte do Governo de Moçambique.

A auditoria às dívidas ocultas de Moçambique foi divulgada no sábado, mas deixou por esclarecer o destino dos dois bilhões de dólares contraídos por três empresas estatais entre 2013 e 2014, disse a PGR no domingo.

“Lacunas permanecem no entendimento sobre como exatamente os 2.bilhões de dólares (1,78 bilhões de euros) foram gastos, apesar dos esforços consideráveis” para esclarecer o assunto, refere a PGR em comunicado sobre a investigação da Kroll.

Por outro lado, “a auditoria constatou que o processo para a emissão de garantias pelo Estado parece ser inadequado, sobretudo no que respeita aos estudos de avaliação que devem ser conduzidos, antes da sua emissão”, acrescenta-se.

As garantias foram passadas sob a presidência de Armando Guebuza, sem conhecimento do parlamento, nem dos parceiros internacionais – como o Fundo Monetário Internacional (FMI) – para suportar os empréstimos contraídos pelas empresas Ematum, Proindicus e MAM.

O escândalo das dívidas ocultas rebentou em abril de 2016 – a dívida de 850 milhões de dólares (759 milhões de euros) da Ematum era conhecida, mas não os 622 milhões (556 milhões) da Proindicus e os 535 (478) da MAM – e atirou Moçambique para uma crise sem precedentes nas últimas décadas.

Os parceiros internacionais suspenderam apoios, a moeda desvalorizou a pique e a inflação subiu até 25% em 2016, agravando o custo de vida já de si elevado para os cidadãos.

Segundo a procuradoria, a investigação da Kroll descobriu “divergências entre as explicações” para uso da verba e detetou “falhas graves na forma como foram feitas as avaliações para emissão de garantias pelo Estado”.

Há mesmo um valor de bilhões de dólares (893 mil milhões de euros) correspondente a três garantias, do total de cinco que foram emitidas, em que “não há evidências de ter sido feita qualquer avaliação”.

Foram ainda identificados “potenciais conflitos de interesse em relação a algumas pessoas intervenientes no processo de autorização das garantias do governo para as empresas auditadas”.

A PGR destaca ainda que o Grupo Privinvest, contratado pelas empresas estatais para fornecer bens e serviços para os quais supostamente serviria o dinheiro, teve “um papel determinante no projeto” participando em quase todo o seu desenho, inclusivamente na ligação aos bancos que emprestaram o dinheiro, o Credit Suisse e o VTB.

Nigéria ultrapassará EUA em termos demográficos no ano 2050 – ONU

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Nova Iorque – A Nigéria, que regista um crescimento demográfico muito rápido, irá ultrapassar os Estados Unidos do terceiro lugar em índice da população no ano 2050, estima a Organização das Nações Unidas (ONU) num relatório publicado quarta-feira.

 

O documento, no qual calcula que a Índia se tornará em breve o país mais habitado do planeta, superando a China, prevê que a população mundial atingirá os 9,8 biliões de pessoas em 2050.

Actualmente habitada por 7,6 biliões de habitantes, o planeta Terra acolherá 8,6 biliões em 2030, 9,8 biliões em 2050 e 11,2 biliões em 2100, segundo estimativas do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas.

A Índia tornar-se-á o Estado mais populoso do mundo em sete anos, ao superar a China.

O número de pessoas de 60 ou mais anos de idade, mais que dobraria no mesmo período.

Segundo o relatório, consequentemente, a população envelhecida passaria de 962 milhões em 2017 para 2,1 biliões em 2050 e 3,1 biliões em 2100.

Moçambique participa da reunião de cupula com os EUA

Encontro-com-empresrios-moambicanos1.gifAcelerar a implementação dos acordos já alcançados sobre a exploração do gás natural na bacia do Rovuma será determinante para que Moçambique não perca as oportunidades que atualmente se oferecem no mercado internacional deste recurso. A tese é do presidente do Conselho de Administração da ENH, Omar Mithá, que integra a delegação moçambicana que participa na cimeira bienal Estados Unidos-África, que hoje inicia na cidade norte-americana de Washington.

Para participar no encontro e cumprir uma agenda de diplomacia econômica e política, o Presidente da República, Filipe Nyusi, chegou ao princípio da manhã de ontem a Washington, tendo iniciado logo os contactos que se prolongaram até ao fim do dia.

No breve encontro que manteve com a delegação empresarial que o acompanha, Nyusi garantiu que, à semelhança do que fez no encontro similar realizado também em Washington com a comunidade de investidores norte americanos, vai aproveitar todos os encontros agendados para falar da disponibilidade que o sector empresarial moçambicano tem de trabalhar em parcerias que viabilizem os negócios em Moçambique.

Um dos encontros mais importantes que o Presidente manteve ontem foi com o Secretário de Estado Norte americano, Rex Tillerson, ele que foi um dos dinamizadores da entrada da firma norte-americana EXXON no negócio do gás natural do Rovuma.

Sobre o ponto da situação destes, o PCA da ENH disse que numa altura em que a oferta de gás natural é particularmente excessiva no mercado internacional, Moçambique precisa assegurar que se acelere o passo particularmente em relação aos projectos operados pela companhia norte-americana Anadarko, na Bacia do Rovuma mas, acima de tudo, importa que haja equilíbrio entre os interesses de ambas partes.

“A nossa visão é que tudo que possa depender do Governo ou da Anadarko neste projecto, seja discutido e ultrapassado rapidamente. Mas mais importante ainda é que Moçambique localize benefícios para si, que pode ser, por exemplo, a industrialização da península de Palma e abertura para um acesso maior às infra-estruturas que estão a ser desenvolvidas ao abrigo do projecto”, disse o PCA da ENH, que também se referiu à necessidade de se acelerar também os projectos da EXXON que, segundo disse, acaba de ser admitida na área quatro da Bacia do Rovuma.

Mithá anunciou ainda que a EXXON ganhou os concursos para a concessão dos blocos de Angoche e Zambézia, estando agora em curso negociações visando a aproximação de interesses de parte a parte.

“Vamos encontrar zonas de concórdia. Por vezes, é apenas uma questão de linguagem, porque por vezes ficam reservas sobre problemas de estabilidade, embora Moçambique não tenha algum histórico de turbulências em períodos pós-eleitorais. No entanto, como se trata da primeira experiência da EXXON em Moçambique, é natural que haja essas preocupações que, seguramente, serão tratadas e ultrapassadas sem prejudicar os projectos”, explica a fonte.

Em relação ao bloco quatro, Mithá disse que a linguagem daqui para frente é acção pois, segundo advertiu, a derrapagem dos custos pode prejudicar o modelo do projecto.

Hoje o Chefe do Estado vai participar na abertura oficial da cimeira bienal EUA-África e num encontro restrito de trabalho com homens de negócio das áreas de agricultura e agro-negócio. Estão igualmente agendados encontros com representantes de várias companhias multinacionais norte-americanas, incluindo a Exxon Mobil, Caterpillar, Mosanto, Anadarko e John Deere, esta última especializada em equipamentos agrícolas.

http://www.jornalnoticias.co.mz/index.php/destaque/68489-mocambique-na-cimeira-bienal-eua-africa-ha-motivos-para-acelerar-o-passo.html

Cabo Verde é o 18º país mais atrativo para investir em África

A-Montagem-fotos-de-rostos-cabo-verdianos-cabeçalho-a-abrir-a-peça-983x550-33n8z3aavgnwl126iei51c Cabo Verde é o 18.º país mais atrativo para os investidores em África, e o primeiro entre os lusófonos, segundo a edição deste ano do Programa de Atratividade do Investimento Estrangeiro, elaborado pela consultora EY.

Moçambique está na 22.ª posição, numa lista liderada por Marrocos, Quênia e África do Sul, e que até ao 25.º lugar não contempla mais nenhum país de língua oficial portuguesa, tendo Cabo Verde melhorado seis lugares face à classificação do ano passado, enquanto Moçambique piorou dois níveis.

“O sentimento dos investidores relativamente a África deve continuar menos animado nos próximos anos, o que tem a ver menos com as condições fundamentais de África do que com um mundo caracterizado pelo aumento da incerteza geopolítica e por uma maior aversão ao risco”, comentou o diretor executivo da EY Africa, Ajen Sita.

Os investidores que não estão presentes em África permanecem positivos sobre a atratividade para o investimento de longo prazo no continente, mas estão cautelosos e atentos às dificuldades”, acrescentou o responsável.

O estudo da EY baseia-se numa análise de 46 países africanos e assenta em seis pilares que são considerados fundamentais para os investidores escolherem a localização do seu investimento: resiliência macroeconómica, tamanho do mercado, facilidade nos negócios, investimento em infraestrutura e logística, diversificação económica e governança e desenvolvimento humano, com os primeiros dois a valerem 20% e os restantes 15% cada.

O maior investidor estrangeiro no continente em número de projetos continua a ser os Estados Unidos, com 91 novos investimentos, seguidos da França, com 81, e da China, com 66 projetos, o que representou um aumento de 106% face ao ano anterior.

Em termos do montante do investimento, a China é, de longe, a que investe mais, tendo canalizado no ano passado 36,1 mil milhões de dólares, o que vale mais de um terço do total investido no continente, e quase três vezes mais que o segundo maior investidor, os Emirados Árabes Unidos, que enviaram para o continente 11 mil milhões de dólares para 35 projetos.

http://www.dn.pt/lusa/interior/cabo-verde-e-o-18o-pais-mais-atrativo-para-investir-em-africa—consultora-7201925.html

Diplomacia na era Trump

diplomaciaO sistema internacional nasceu e continua predominantemente marcado pelas relações de poder. Quem tem poder, manda. Quem não tem se conforma em obedecer ou é forçado a buscar alianças que o fortaleçam. A chamada era Trump está a nos levar por este perigoso caminho

Não foram poucas as tentativas no século XX de relativizar esse conceito: os 14 pontos de Wilson e a Carta da ONU, para citar apenas os mais ilustrativos. Ambos acabaram submetidos à realidade pouco ética dos interesses nacionais.

A ética serve de modelo para a organização internacional. Em seu nome busca-se reprimir atos ou decisões que reflitam interesses unilaterais dos parceiros mais fortes.

Entre a ação e seu resultado, tenta-se, em circunstâncias normais, o que veio a ser chamado de diplomacia. Diplomacia preventiva — usada para impedir a ação da força — e diplomacia conclusiva — usada para minimizar os efeitos do uso da força ou prevenir novas situações que o provoquem. São infindáveis as variedades de medidas que podem ser empregadas antes, durante ou depois do uso da força. A guerra usualmente dá-se quando essas medidas, aos olhos do atacante, esgotam-se e a intimidação não surte o efeito desejado. De alguma forma pode-se simplesmente dizer que a ética, o convencimento, os meios pacíficos precedem eventuais agressões com uso de força. Algumas vezes têm êxito e impedem — mediante a intimidação — a guerra. É quando se obtém uma solução pacífica da controvérsia. Um lado cede ao fazer as contas e perceber que não teria recursos efetivos para enfrentar o conflito e muito menos vencê-lo. Em outras situações, o lado atacado prefere imolar-se a perder a honra. Deixa-se arrasar.

São raros — mas existem — os casos em que, defrontado com uma agressão iminente, um país consegue negociar uma solução equilibrada para o conflito. É tudo uma questão de poder ou não poder. Algo que se aprende desde logo no ofício da diplomacia é que nada se resolve mediante generosidade. A parte que insinua generosidade num conflito é tida como fraca e fica, portanto, mais vulnerável.

Atribui-se a um analista francês, Le Prosne, uma descrição da diplomacia como certa arte obscura que se esconde nas entranhas do fingimento, que não se deixa ver e que acredita que só pode existir na escuridão profunda dos mistérios. Há outras descrições que também acentuam o lado, por assim dizer, vil da diplomacia: “um Embaixador é um homem honesto que é mandado para o exterior a fim de mentir pelo bem de seu país”; “um Embaixador é um homem capaz de mandar seu interlocutor para as profundezas do inferno e fazê-lo antecipar o prazer da viagem.”

Justamente nos anos 60, quando eu me preparava para o ingresso na carreira, muitos analistas previam o declínio e o fim da diplomacia. O telefone vermelho entre Washington e Moscou tornaria tudo mais fácil, menos complicado, menos envolto em punhos de renda. Por um tempo minha geração temeu haver entrado para uma carreira condenada de antemão.

Pois aconteceu exatamente o contrário e os contatos instantâneos de cúpula muitas vezes criaram mais problemas do que resolveram e foram os aparatos diplomáticos que acabaram tendo que desenredar as situações mais complicadas. Além do mais, com a gradual expansão das atividades internacionais e posteriormente com a chamada globalização, a diplomacia passou a estar presente em praticamente todos os campos da atividade humana. Não mais apenas a paz e a guerra, mas todo um campo de atividades e decisões antes desreguladas: transações financeiras, comércio, investimentos, meio ambiente, ciência e tecnologia, direitos humanos. E muito mais….

Os ministérios cresceram e os diplomatas passaram a ter que lidar com temas que tradicionalmente estavam fora de seu alcance. Tornamo-nos, segundo algumas línguas maldosas, “especialistas em assuntos gerais”. As carreiras ao mesmo tempo se profissionalizaram e os aparatos diplomáticos cresceram, inclusive em função do aumento do número de países soberanos.

Outro aspecto que mudou foi o da relação entre a diplomacia e os serviços de informação. Antes, os segundos estavam integrados à primeira. Pouco a pouco foram se especializando e se separando. Hoje, muitas vezes, entram em conflitos internos.

Abba Eban, ex-ministro das Relações Exteriores de Israel e extraordinário pensador em matéria de relações internacionais, diz em seu livro sobre a Nova Diplomacia, que os diplomatas, quando não estão se queixando de sua impotência, ficam reduzidos a ouvir reflexões a respeito dos defeitos morais de sua profissão. Stalin disse certa vez que “falar de ‘diplomacia honesta’ é como falar de água seca”.

Na verdade, a diplomacia (mesmo não conhecida por esse nome) vem da noite dos tempos. A Bíblia refere-se a inúmeros casos de reis, rainhas, generais, príncipes que trocavam mensagens com seus pares em suas regiões. A imunidade começou mesmo nessa época, de vez que as mensagens podiam ser frequentemente agressivas ou injuriosas. Algumas vezes era respeitada. Outras não, dando-se ao portador de más notícias a pena máxima.

As tradições diplomáticas modernas começaram a tomar corpo na Grécia. Foram os gregos clássicos que criaram termos como “armistício”, “arranjos”, “tréguas”, “alianças”, “convenções” e “paz”. Foram os gregos que começaram a usar procedimentos de arbitragem.

Abba Eban recorda que o elemento central da diplomacia grega era o “patriotismo”: “minha cidade acima de tudo!”

Os romanos levaram a diplomacia a dar um passo adiante. Os enviados passaram a se imiscuir na vida das cidades em que estavam acreditados e a enviar relatórios para seus superiores. Essa tradição é que deu margem à reputação vigente até hoje de os embaixadores não deixarem de ser espiões.

Mas foram os italianos na Renascença que tornaram comum a prática dos Embaixadores residentes. Desde então, a suprema ética do diplomata — e volto a Abba Eban — é a “razão de Estado”. Maquiavel sustenta que os padrões pelos quais se medem a moralidade de um indivíduo — a ‘ética’ — não se aplicam aos atos do Estado.

Com o colapso do sistema italiano de equilíbrio de poder, seus métodos foram de certo modo incorporados pelos poderosos reinados em processo de unificação na Europa. Grotius falava de “um sentido de justiça e de razão” como base para a cooperação entre os Estados. Richelieu, sob Luis XIII na França, estabeleceu um Ministério das Relações Exteriores. A prática espalhou-se pela Europa. Acabaram incorporadas pelo Congresso de Viena de 1815 que reorganizou o mundo após a queda de Napoleão. A estabilidade passaria a ser mantida pelo Concerto da Europa (Áustria-Hungria, Grã Bretanha, França, Prússia e Rússia), antecedente remoto do Conselho de Segurança da ONU, com praticamente o mesmo sistema hierárquico.

Ficou assim, de certa forma, assegurada uma expressão formal do sistema de “equilíbrio de poder” (balance of power, em inglês). Não se falava então em ética nas relações internacionais.

O poder reinava e a paz seria garantida pelo seu equilíbrio.

As guerras Franco-Prussiana, a Primeira e Segunda Guerras Mundiaisdestruíram, porém, esse equilíbrio. E acabaram dando margem a que, assegurado o equilíbrio alterado que emergiu desses conflitos, se buscasse trazer para o centro do sistema, considerações e práticas ligadas à ética, assim como a chamada diplomacia pública.

A peça introdutória desse novo período foram os 14 pontos de Wilson lançados pelo presidente norte-americano ao final da Primeira Guerra. Já no princípio, Wilson expressava uma utopia: “Acordos públicos, negociados em público, depois dos quais não mais haveria entendimentos internacionais privados de qualquer natureza; a diplomacia será sempre franca e transcorrerá em público.”

Pode-se dizer que começou então a fase em que nos achamos até hoje. Uma diplomacia pública e ética encarnada pelas organizações internacionais em coexistência com a diplomacia secreta, tradicional, amparada na ameaça e/ou no uso da força. Não há dúvida de que é imperioso obter uma moralidade internacional compartilhada. E que, portanto, a implantação de uma ética social efetiva deve incorporar os modos de praticar as relações entre os países.

Mas o que se vê é que a própria Carta da ONU, ao criar o Conselho de Segurança com 5 membros permanentes com direito a veto, colocando-o, portanto, acima da Assembleia Geral, onde tudo é decidido por voto majoritário, sacramentou a desigualdade nas relações internacionais. Em seu Guerra e Paz: uma teoria das Internacionais, Raymod Aron é enfático: “As relações internacionais sempre foram reconhecidas por todas as nações pelo que efetivamente são: relações de poder! No nosso tempo, porém, alguns juristas estão intoxicados por conceitos e alguns idealistas confundem seus sonhos com a realidade”.

Onde fica em tudo isso a ética? É a pergunta que me faço e tenho dificuldade em responder. Fica no espaço? Na mente das pessoas? Nas instituições coletivas? Ou fica nos arsenais nucleares das grandes potências? Fica no Iraque, na Líbia, na Síria, na Ucrânia? Fica em Cuba? No Kremlin? Na Casa Branca? Nas regiões pobres da África, da Ásia, das Américas?

Difícil, talvez impossível, de responder. Minha impressão é de que a ética fica na consciência das pessoas que se preocupam com as desigualdades que caracterizam o mundo, com a violência, com a fome, a falta de segurança.

Uma ética idealizada. Uma utopia. Um dever ser. A consciência universal. É sempre bom tê-la presente!

Lembro-me de uma das máximas de Montesquieu: “Se eu soubesse de alguma coisa que me fosse útil e que fosse prejudicial à minha família, eu a rejeitaria. Se eu soubesse de alguma coisa que fosse útil à minha família e que não o fosse para minha Pátria, eu tentaria esquecê-la. Se eu soubesse de alguma coisa que fosse útil à minha Pátria, mas que fosse prejudicial à Europa e ao gênero humano, eu a tomaria por um crime”

São palavras que expressam um sonho, uma utopia. e bem traduzem os dilemas característicos da dualidade Guerra e Paz.

Assim sucede nestes momentos que estamos vivendo. Os EUA sob uma liderança despreparada e convencida de sua autossuficiência. A Rússia aproveitando-se dessa situação e do Brexit para recuperar espaços perdidos na sua periferia. A China tão bem sucedida econômica e socialmente busca exercer a influência que tem para evitar conflitos maiores. E a UE, às voltas com eleições na França e na Alemanha, aparentemente nunca esteve tão debilitada.

Um país completamente fechado, a Coreia do Norte, sente-se confortável ameaçando direta ou indiretamente os principais atores do sistema.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A esquerda latino-americana se decompôs com os acontecimentos no Brasil e na Argentina, e com a debilidade exposta da Venezuela.

Mas ainda não surgiu a liderança e não está clara a mensagem que estes nosso tempos carregam.

São esses historicamente sinais de descontrole que podem desencadear tragédias.

É hora de fortalecer a negociação diplomática. É profundamente penoso ver o Brasil — sempre tão atuante nos grandes momentos de transformação multilateral — completamente à margem, envolto que está na sua tragédia interna. Praticamente inerte no plano internacional. Nem mesmo se interessa mais por pertencer ao Conselho de Segurança da ONU. Como que desaparecemos!

http://brasil.elpais.com/brasil/2017/04/24/opinion/1493060248_830134.html

 

 

 

 

 

Não pensei que fosse ver este período.