As Falências atingem mais empresas comerciais em Angola

 

 

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por Lourenço Bule

Parte significativa das 648 empresas comerciais licenciadas nos últimos anos na província do Cuando Cubango fecharam as portas, devido a dificuldades de importação de produtos da Namíbia, revelou o presidente da Câmara do Comércio e Indústria local.
Longui António Bongui disse que, por sobreviverem essencialmente das importações, com a escassez de divisas no mercado nacional os proprietários de 50 por cento dos estabelecimentos comerciais ficaram sem saída e como resultado tiveram que encerrar.
“A situação sócio-económica que o país vive actualmente reflecte-se nas nossas empresas, dada a realidade da região, onde não existem grandes armazéns para apoiar os pequenos empreendedores”, referiu.
O responsável disse haver pouco incentivo por parte da banca, para que cresçam os volumes de negócios da classe empresarial local. Para o crescimento da classe empresarial e diversificação da economia, sugere a necessidade de mais créditos bancários, para o financiamento dos projectos. “Não existe nenhum homem de negócios que trabalhe somente com o seu próprio capital”, ressaltou.
Por sua vez, o secretário de Estado para o Comércio Interno, Jaime Fortuna, exortou a classe empresarial do Cuando Cubango a apostar nas actividades agro-pecuárias e em outras fontes de produção com vista a mitigar os efeitos da crise económica e financeira e aumentar a venda de produtos nacionais em todas as superfícies comerciais do país. Durante um encontro com os empresários locais, Jaime Fortuna sublinhou que as crises geram oportunidades e nesta ordem de ideias é necessário apostar na produção nacional e diminuir a importação para a valorização dos bens e serviços locais.
O secretário de Estado disse que os produtos importados devem complementar a produção nacional e não o inverso. “Actualmente, a pirâmide do país está invertida, visto que temos um excesso de produtos oriundos do exterior e que dominam o circuito de comércio angolano”, frisou. Com o esforço redobrado de todos, disse, é possível ultrapassar rapidamente a actual crise económica, salvaguardar as empresas licenciadas, garantir empregos e ajudar o país a crescer cada vez mais.
Jaime Fortuna reiterou a necessidade de os operadores logísticos penetrarem mais no interior do país para escoarem os produtos do campo para os estabelecimentos comerciais das áreas urbanas. “Todos os anos, há relatos de camponeses e agricultores que se queixam da deterioração de grandes quantidades de alimentos por falta de escoamento”, reconheceu.
O secretário de Estado lembrou que o país está a viver um momento difícil, condicionando em alguns casos a capacidade de importação e o abastecimento do mercado nacional, “mas, se nos empenharmos mais nas actividades do campo, podemos mitigar esta situação”. Jaime Fortuna garantiu que, apesar da actual conjuntura, não existe rotura de “stocks”.
Em Menongue, a comitiva chefiada por Jaime Fortunato visitou alguns estabelecimentos comerciais, designadamente as lojas Shoprite, Nosso Super, Ferplas e a empresa de venda de automóveis Indagro, que declarou falência por falta de recursos financeiros.

Comércio transfronteiriço

O vice-governador do Cuando Cubango para o sector Económico e Produtivo, Ernesto Kiteculo, disse que o governo provincial gizou um programa de reparação das estradas que ligam os municípios de Menongue, Cuangar, Calai e Dirico, bem como Cuito Cuanavale, Nancova e Mavinga, com o intuito de impulsionar o desenvolvimento do comércio transfronteiriço e a circulação de pessoas.
Ernesto Kiteculo acredita que, com a conclusão das obras, vão surgir melhorias substanciais na circulação de pessoas e mercadorias, visto que a região do Cuando Cubango faz fronteira com a Namíbia e Zâmbia, e situa-se próximo do Botsuana. Dada a sua localização geográfica na África Austral, uma boa rede rodoviária no Cuando Cubango pode servir uma grande plataforma logística para as províncias do Bié, Cunene, Huíla e Moxico.
O vice-governador salientou que o governo provincial está a preparar um conjunto de acções que visam a implantação de vários projectos sócio-económicos e a manutenção das infra-estruturas rodoviárias, com o objectivo de melhorar a circulação de pessoas e mercadorias.
“O governo da província e o Ministério do Comércio têm vindo a desenvolver um conjunto de esforços na perspectiva de abordar vários assuntos que afligem a classe empresarial, com realce para a falta de crédito bancário para o financiamento dos seus negócios, incluindo a importação, e a escassa distribuição de bens produzidos localmente para exportação”, disse.

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A falência da empresas angolanas e a burocracia despreparada

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Falta de informação sobre os negócios, expectativa fora de ordem, falta de transparência da autoridades financeiras, burocracia despreparada, falta de financiamento, nepotismo e privilégios no acesso aos créditos são algumas da razões da falência dos empreendimentos angolanos. As autoridades não dizem, mas basta ler a fala oficial para descobrir.
 
 
O presidente do Conselho de Administração do Inapem, do Ministério da Economia, António de Assis disse que a maior dificuldade com que os empreendedores se deparam prende-se com a opção estratégica, quando muitos querem começar um negócio sem noção ou ideias objectivas, somente com o foco de obter dinheiro.
 
“Vários optaram por criar empresas de prestação de serviços e de pequeno porte – como salões de beleza, tabacarias e lojas – com a finalidade de apenas adquirir crédito bancário”, denunciou.
Estas empresas não podem beneficiar do crédito do programa Angola Investe e, quando muito, o Banco de Desenvolvimento da Angola (BDA) financia-as com material de trabalho.
 
As empresas de pequeno porte também não podem contar com o financiamento da banca comercial por falta de credibilidade dos seus projectos, o que agrava as expectativas de sobrevivência nesse sector, apontou António de Assis.
 
Outro fator da inviabilização dos negócios e das empresas é o que considerou “a mania das grandezas”, quando, pelos elevados valores dos créditos solicitados, os empreendedores ficam sem poder pagar os dez por cento de comparticipação no financiamento exigido pelos bancos.
 
António de Assis entende que os empreendedores devem iniciar os negócios com o pouco que têm ou associarem-se a outros para começar, um processo no qual o Inapem joga um “papel fundamental” enquanto entidade responsável pela certificação das empresas com acesso aos programas institucionais de financiamento. O instituto, informou, tem registadas mais de sete mil empresas certificadas a nível do país.
 
“Começar um negócio com o pouco que tem?”, numa sociedade com um governo pouco transparente, com uma burocracia burra, que mais desinforma que prepara seus empreendedores. pedir que as pessoas invistam suas parcas economias parece ser no minimo cruel.