Venda ilegal de divisas em Angola faz aumentar a inflação

Fotografia: Eduardo Pedro

O Banco Nacional de Angola (BNA) defende o combate da venda ilegal de dólares nas ruas, uma das formas de acesso a divisas no país, transacionadas três vezes acima da taxa de câmbio oficial.

 

A posição vem expressa na mais recente nota mensal do Comité de Política Monetária do BNA.
O CPM do Banco Nacional de Angola (BNA) recomendou às autoridades competentes maior controlo e responsabilização dos agentes promotores do mercado informal de moeda estrangeira, ao mesmo tempo que pretende que a supervisão do banco central seja “mais atuante e enérgica na preservação da ética e cumprimento das normas do sistema financeiro”.

 
Perante a atuação da Polícia, que tenta combater o fenómeno, as “kínguilas” tendem agora a não fazer as transacções nas ruas mas em casa, mais resguardadas, onde negoceiam com os clientes.
Ontem, os vendedores informais de divisas já transaccionavam, em algumas zonas de Luanda, cada nota de dólar a mais de 600 kwanzas, quando a taxa de câmbio oficial ronda os 166 kwanzas, tendo em conta a elevada procura por dólares e a cada vez mais reduzida oferta no mercado formal.
Na semana passada, a venda de divisas no mercado primário atingiu 217,8  milhões de dólares, muito mais que os cinco milhões passados aos bancos comerciais nos sete dias anteriores. Uma semana antes, o banco central vendeu 1,9 milhões de dólares e dois milhões de euros para o pagamento de operações da companhia de Transportes Aéreos de Angola (TAAG) e da Televisão Pública de Angola (TPA).
O BNA declarou que, na semana passada, vendeu 65,3 milhões de dólares para cobertura de importações dos programas setoriais do Executivo, nomeadamente insumos, matérias-primas e equipamentos para a agricultura, indústria e pescas.
Trinta milhões de dólares foram vendidos para cobertura das operações das companhias aéreas, 20 milhões para os serviços de telecomunicações e 15,6 milhões para a importação de medicamentos e material hospitalar, afirma o documento. As vendas incluíram 24 milhões de dólares para pagamentos ­relacionados com ajuda familiar, saúde, educação, viagens e remessas de dinheiro, sete  milhões para cobertura cambial de salários de não residentes e dez milhões para operações bancárias diversas.
O banco central  declarou a transação de 45,4 milhões de dólares em leilão de preço para a cobertura de operações de importação das empresas prestadoras de serviço ao sector petrolífero.
A cotação do dólar no mercado primário publicada segunda-feira no site do BNA foi de 166,708 kwanzas e a do euro de 186,262 kwanzas, quase inalteradas face à da semana de 2 a 6 de Maio, quando as duas divisas foram cambiadas a 166,707 kwanzas e a 186,261 kwanzas

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/venda_ilegal_de_divisas_faz_aumentar_a_inflacao

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Produção de e petróleo na Nigéria sofre forte abalo

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Ataques de militantes contra instalações de petróleo e uma ameaça de greve geral levaram a produção da Nigéria e também a moeda do país, a naira, a novas mínimas. O ministro do Petróleo da Nigéria, Ibe Kachikwu, disse na segunda-feira que Angola tornou-se o maior produtor de petróleo da África, diante do recuo da produção nigeriana para 1,4 milhão de barris por dia.

O ministro afirmou que o orçamento nigeriano foi baseado em uma produção de 2,2 milhões de barris por dia, portanto a piora ameaça as contas nacionais. A produção de Angola, por outro lado, manteve-se constante perto de 1,8 milhão de barris por dia, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

A naira recuou para 350 ante o dólar no mercado paralelo, quando o câmbio oficial aponta 199 nairas por dólar. O governo do presidente Muhammadu Buhari nega ter planos de desvalorizar em breve a moeda, o que tem sido defendido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para melhorar o quadro econômico.

O Congresso Nacional do Trabalho da Nigéria e o Congresso do Sindicato Comercial, que dizem representar 6,5 milhões de trabalhadores, e também algumas entidades cívicas convocaram uma greve para esta quarta-feira, a fim de protestar contra um aumento de 70% nos preços da gasolina, adotado em meio a um quadro de falta de moeda estrangeira no país. A Nigéria depende das importações do petróleo, que representam 70% da receita governamental.

A crise divide os líderes trabalhistas e religiosos em grupos étnicos, com aqueles de maioria muçulmana do norte contra a greve, enquanto os cristãos do sul, que dominam a produção de petróleo, pedem aos cidadãos que se manifestem e “Ocupem a Nigéria!”. Buhari é do norte do país.

A divisão pode significar que o país não estará sujeito aos grandes protestos que fizeram o governo anterior desistir de planos de acabar com um subsídio ao combustível em 2012, ainda que muitos nigerianos já estoquem alimentos e água, com medo de uma crise maior.

A inflação oficial subiu para quase 14% no mês passado e os preços dos alimentos dobraram, enquanto dezenas de milhares de trabalhadores não recebem há meses. Muitos nigerianos descontentes dizem que o governo não pode escolher hora pior para acabar com o subsídio, porque a escassez forçou pessoas a pagar o dobro do preço fixado em alguns casos.

 

Cerca de 70% dos nigerianos vivem abaixo da linha da pobreza, segundo a Organização das Nações Unidas, apesar das riquezas naturais do país.

Buhari assumiu há mais de um ano o posto que era antes ocupado pelo presidente Goodluck Jonathan, cujo governo é acusado de saquear o erário em bilhões de dólares.

A ameaça de greve ocorre no momento em que militantes no Delta do Níger retomaram os ataques e forçaram grandes companhias do setor petrolífero a retirar trabalhadores da área.

Há relatos de que os Vingadores do Delta do Níger sejam patrocinados por políticos do sul do país para sabotar Buhari. O presidente enviou milhares de soldados para a área, onde o grupo exige uma parcela maior da receita do país com petróleo e protesta contra cortes em um programa de anistia de 2009, que pagava a 30 mil militantes para proteger áreas que eles antes atacavam. Fonte: Associated Press.