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OPAS/OMS divulga alerta epidemiológico sobre febre amarela para as Américas

09.01.17 - vacinafasite10 de janeiro de 2017 – A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) divulgou na tarde desta segunda-feira (9) uma atualização de alerta epidemiológico sobre febre amarela para a Região das Américas. O documento informa que, desde 2016, Brasil, Colômbia e Peru reportaram casos confirmados da doença. A febre amarela é uma enfermidade hemorrágica viral aguda transmitida por mosquitos infectados. Pode ser prevenida por uma vacina eficaz, segura e acessível.

No ano passado, o Brasil confirmou seis casos de febre amarela em humanos (sendo um importado da Angola) e, na sexta-feira passada (6 de janeiro de 2017), o país notificou à OPAS/OMS a ocorrência de 23 casos suspeitos e prováveis da doença, incluindo 14 mortes no estado de Minas Gerais (cujas causas ainda estão sendo investigadas).

Na Colômbia, foram reportados no ano passado 12 casos de febre amarela silvestre (ou selvagem), dos quais 7 confirmados em laboratório e 5 prováveis. Conforme já indicado na atualização epidemiológica sobre febre amarela divulgada em 14 de dezembro de 2016, a confirmação de casos nos departamentos colombianos de Vichada (fronteira com a Venezuela), Chocó (fronteira com o Panamá) e Guainía (fronteira com Venezuela e Brasil), representam um risco de circulação do vírus para esses países fronteiriços, especialmente em áreas onde compartilham o mesmo ecossistema.

No Peru, foram notificados 80 casos de febre amarela silvestre no ano passado, dos quais 62 confirmados e 18 classificados como possíveis, incluindo 26 mortes.

Tendo em vista o aumento no número de casos confirmados de febre amarela em países das Américas, assim como o crescimento de epizootias de febre amarela em primatas não humanos, a OPAS/OMS recomenda que os Estados Membros continuem seus esforços para detectar, confirmar e manejar casos de febre amarela em um contexto de circulação de diversas arboviroses (como zika, dengue e chikungunya).

Para isso, é importante que os profissionais de saúde estejam atualizados e treinados para detectar e tratar casos especialmente em áreas de circulação do vírus. A OPAS/OMS insta os Estados Membros a implementar as ações necessárias para informar e vacinar viajantes que se dirigem para áreas onde a certificação da vacina contra a febre amarela é obrigatória.

A Organização não recomenda qualquer restrição de viagem ou comércio com países em que houver surtos de febre amarela.

Transmissão
O vírus da febre amarela é um arbovírus do gênero flavivírus, transmitido por mosquitos pertencentes às espécies Aedes eHaemagogus. Ambas vivem em diferentes habitats – algumas em volta das casas (domésticas), outras na floresta (silvestres) e algumas nos dois locais (semi-domésticas).

Populações em risco
Quarenta e sete países da África (34) e das Américas Central e do Sul (13) são endêmicos ou possuem regiões endêmicas de febre amarela. Um estudo modelo baseado em fontes de dados africanas estima que em 2013 a febre amarela foi responsável por 84.000 a 170.000 casos graves e 29.000 a 60.000 mortes.

Ocasionalmente, viajantes que visitam países endêmicos podem levar a febre amarela para outros locais livres da doença. Com o objetivo de impedir a importação da enfermidade, muitos governos exigem comprovante de vacinação contra febre amarela antes de emitir o visto, particularmente no caso de viajantes que vêm de ou visitaram áreas endêmicas.

Efeitos secundários
No mundo, são raros os relatos de efeitos secundários graves da vacina contra febre amarela. O risco é maior para pessoas com idade acima de 60 anos e qualquer pessoa com imunodeficiência grave devido aos sintomas do HIV/aids e outras causas, como disfunções na glândula timo. Pessoas com mais de 60 anos devem receber a vacina após avaliação cuidadosa de risco-benefício.

A vacina contra a febre amarela não deve ser administrada em:

  • Pessoas com doença febril aguda, cujo estado de saúde geral está comprometido
  • Pessoas com histórico de hipersensibilidade a ovos de galinha e/ou seus derivados
  • Mulheres grávidas, exceto em uma emergência epidemiológica e situações em que há recomendação expressa de autoridades de saúde
  • Pessoas severamente inmunodeprimidas por doenças (por exemplo, cancro, leucemia, aids etc.) ou medicamentos
  • Crianças com menos de 6 meses de idade (consulte a bula do laboratório da vacina)
  • Pessoas de qualquer idade com uma doença relacionada ao timo

Principais fatos
A febre amarela é uma doença hemorrágica viral aguda transmitida por mosquitos infectados. O termo “amarela” se refere à icterícia que acomete alguns pacientes.

  • Os sintomas de febre amarela são febre, dor de cabeça, icterícia, dores musculares, náusea, vômitos e fadiga.
  • Uma pequena proporção de pacientes que contraem o vírus desenvolve sintomas graves e aproximadamente metade deles morre entre 7 e 10 dias.
  • O vírus é endêmico em áreas tropicais da África, América Central e América do Sul.
  • Desde o lançamento da “Yellow Fever Initiative” (ação liderada pela OMS) em 2006, foram feitos progressos significativos no combate à doença na África Ocidental e mais de 105 milhões de pessoas foram vacinadas em campanhas de massa. Não foram notificados focos de febre amarela na África Ocidental durante 2015.
  • Grandes epidemias de febre amarela ocorrem quando pessoas infectadas introduzem o vírus em áreas densamente povoadas, com alta densidade de mosquitos e onde a maioria das pessoas tem pouca ou nenhuma imunidade devido à falta de vacinação. Nessas condições, mosquitos infectados transmitem o vírus de pessoa para pessoa.
  • A febre amarela pode ser prevenida por uma vacina eficaz, segura e acessível. Apenas uma dose da vacina é suficiente para garantir imunidade e proteção ao longo da vida contra a febre amarela. A vacina confere imunidade eficaz dentro de 30 dias para 99% das pessoas imunizadas.
  • Tratamentos de apoio de qualidade em hospitais melhoram as taxas de sobrevivência. Não há, atualmente, nenhum medicamento antiviral específico para febre amarela.

http://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5329:opasoms-divulga-alerta-epidemiologico-sobre-febre-amarela-para-as-americas&catid=1272:noticiasdtent&Itemid=816

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Brasil enviará 2, 5 milhões de doses de vacina para Angola e Rep. Dem. do Congo

 

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O Brasil fechou um acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para abastecer uma campanha inédita de vacinação contra a febre amarela na África. O governo brasileiro enviará 2,5 milhões de doses que farão parte de um plano internacional para frear o surto da doença a partir de julho. A agência de saúde da Organização das Nações Unidas (ONU) também apontou que o governo brasileiro indicou que poderia até mesmo ampliar a oferta, com um total de 5 milhões de doses em um segundo momento.

A partir do final deste mês, a OMS iniciará um plano para vacinar 15 milhões de pessoas na República Democrática do Congo e em Angola. Para isso, a entidade lançou um apelo para coletar doações de governos no valor de US$ 20 milhões e, assim, completar os recursos avaliados em US$ 14 milhões já existentes nos cofres da entidade.

Desde o início do ano, 14 milhões de pessoas já foram vacinadas e, até o final de 2016, a meta é de chegar a 30 milhões de pessoas. “Isso é sem precedentes”, disse Bruce Aylward, diretor da OMS para Epidemias.

Em dezembro, a OMS registrou os primeiros casos de febre amarela em Luanda, o que deixou a entidade alarmada diante do risco de uma proliferação em centros urbanos de uma doença que estava concentrada apenas em áreas rurais. Nas avaliações internas da entidade, o risco era de que o número de pessoas contaminadas poderia ser sem precedentes e em uma das regiões mais pobres do mundo.

Desde então, 3,5 mil casos foram registrados no país, com cerca de 300 mortes. Nos últimos três meses, o Congo já somou 1,3 mil casos de febre amarela, com 75 mortes. Segundo os dados da OMS, o número de caso caiu nas últimas semanas diante da chegada do inverno no Hemisfério Sul.

Mas, para Aylward, se o surto não for congelado imediatamente, existe um forte risco de que ganhe outros países africanos. “Se não fizermos essa ampla campanha de vacinação, o risco é de que tenhamos uma explosão no número de casos a partir de setembro e em certos urbanos”, alertou.

Diante da emergência do caso, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, pediu ao Brasil para que avaliasse a capacidade de abastecer os estoques internacionais, já que são apenas quatro o número de empresas que produzem a vacina.

“A resposta foi positiva e estamos muito impressionados com a postura do Brasil”, disse Aylward. “Em casos de surtos mundiais, os países normalmente fecham seus estoques para se proteger e garantir o abastecimento a sua população. Mas o Brasil decidiu ampliar sua produção e é exatamente isso que outros países devem fazer.”

Segundo ele, parte do envio brasileiro será uma doação e parte será comprada. “Estamos negociando isso neste momento”, indicou.

Em sua avaliação, a dose da vacina brasileira é “especialmente valiosa” por ser capaz de ser fracionada em duas e, ainda assim, atender à exigência de imunização. Por causa da falta de produtos no mercado, a OMS vai dar apenas metade de uma dose em determinadas regiões, na esperança de atingir o máximo número de pessoas possível até o fim de agosto.

http://new.d24am.com/noticias/saude/brasil-enviara-2-5-milhoes-doses-vacina-para-africa/154817

Angola esgotou duas vezes as reservas mundiais da vacina de febre-amarela

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) assume que a resposta à epidemia de febre-amarela em Angola, que em seis meses matou cerca de 350 pessoas, levou pela primeira vez à ruptura das reservas mundiais de emergência da vacina. A informação consta de um recente relatório da OMS sobre a propagação da epidemia de febre-amarela de Angola – onde surgiu em Dezembro de 2015 -, a outros países africanos, como a República Democrática do Congo (RD Congo) e o Uganda.

A gestão das reservas mundiais de vacinas contra a febre-amarela, cólera e meningite, para situações de emergência, é assegurada pelo International Coordinating Group (ICG), criado por organizações internacionais, incluindo a OMS e a Unicef, em 1997.

“A resposta ao surto de Angola esgotou as reservas globais de seis milhões de doses de vacina contra a febre-amarela, duas vezes este ano. Isso nunca aconteceu antes. No passado, o ICG nunca usou mais de quatro milhões de doses para controlar um surto num país”, admite a OMS.

A organização recorda que até meados de Junho, já quase 18 milhões de doses da vacina contra a febre-amarela tinham sido distribuídas para campanhas de emergência em Angola, RD Congo (2,2 milhões) e Uganda (700 mil).

Segundo a OMS, a vacina contra a febre-amarela “leva muito tempo a produzir”, à volta de 12 meses, sendo “difícil prever com antecedência as quantidades que serão necessárias a cada ano para responder aos surtos”.

As autoridades de saúde angolanas vacinaram perto de metade da população contra a febre-amarela em quatro meses, tentando desta forma travar a propagação da doença, que desde 05 de Dezembro já provocou 345 mortos no país e infectou quase 3.200 pessoas.

http://asemana.publ.cv/spip.php?article119175&ak=1

Vacina da febre amarela será exigida para Angola e Congo

Enfermeira prepara vacina contra gripe H1N1, dia 20/11/2009

Vacina: até o momento, foram relatados 2.954 casos suspeitos de febre amarela na região atingida, com 819 confirmações

Brasília – O governo brasileiro vai passar a exigir o Certificado de Vacinação contra Febre Amarela para viajantes procedentes ou que embarcam para Angola e República Democrática do Congo a partir do dia 15 de julho.

A mudança na regra, determinada pelo Ministério da Saúde, atende a uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e deverá se estender até o fim do surto registrado nos dois países africanos.

 

Até o momento, foram relatados 2.954 casos suspeitos de febre amarela na região atingida, com 819 confirmações.

“A medida tem como principal objetivo proteger viajantes que vêm ao Brasil durante a Olimpíada, uma vez que boa parte dos brasileiros já está imunizada contra a doença”, explicou o coordenador geral de Vigilância e Resposta às Emergências em Saúde do ministério, Wanderson Kleber de Oliveira.

A febre amarela é considerada endêmica no País. Os casos registrados, no entanto, são da forma silvestre da doença. Desde 1942, o Brasil não registra febre amarela urbana.

A decisão da exigência, formalizada na quarta-feira, 15, deverá ser agora informada às Embaixadas de Angola e República Democrática do Congo.

O comunicado também será encaminhado ao Comitê Olímpico Internacional (COI) e às delegações esportivas dos dois países. A mudança também vale para brasileiros que se destinam às duas nações africanas.

A vacina terá de ser tomada pelo menos 10 dias antes da viagem. Para embarcar, não basta a apresentação da carteira de vacinação. O viajante deverá apresentar o certificado, de modelo internacional.

“O recomendável é que mesmo pessoas vacinadas procurem um posto com antecedência, para verificar se está tudo certo com sua carteira de vacinação e, a partir daí, solicitar o certificado internacional”, disse Oliveira.

A recomendação da OMS para vacinação contra febre amarela mudou. A vacina era considerada válida por um período de até 10 anos. Passado esse prazo, todas as pessoas teriam de se revacinar, caso vivessem ou fossem para áreas de risco da doença. A exigência do reforço, no entanto, foi retirada.

Com a nova regra internacional, basta que a pessoa tenha se vacinado uma vez apenas. No Brasil, no entanto, a regra é mais rígida. Para brasileiros, a recomendação é de que crianças recebam a primeira dose e um reforço, aos 4 anos.

Para adultos, o ideal é que a pessoa seja vacinada uma vez e receba um passado 10 anos.

Oliveira afirmou que o Brasil recebe três voos diretos procedentes de Angola, por semana. Ele afirmou também ser recomendável que turistas que venham para a Olimpíada e depois se destinem a áreas de risco de febre amarela também se vacinem contra a doença, pelo menos 10 dias antes de embarcarem para o Brasil.

http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/vacina-da-febre-amarela-sera-exigida-para-angola-e-congo

Aside

A mobilização contra a febre amarela em Angola

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O país vive desafios ao nível do sector da saúde, que estão a merecer da parte das entidades governamentais e de toda a sociedade a tomada de medidas para inverter o quadro.

Felizmente, já se pode dizer que o cenário dantesco que as unidades hospitalares viviam, fruto do impacto do paludismo e da febre amarela, conheceram uma redução notável.
Fruto do empenho do Estado angolano e da ajuda dos seus parceiros, dentro e fora do país, está a ser controlado o surto de paludismo e de febre-amarela que nas últimas semanas enlutou centenas de famílias. Em Angola, o que é notável é que ninguém ficou de braços cruzados ante os desafios provocados por aquelas duas enfermidades.
É verdade que até muito recentemente o quadro era assustador, a julgar pela combinação de uma série de factores que sobrecarregaram demasiado as unidades sanitárias. Luanda, pelas especificidades demográficas, continua a ser o centro nevrálgico quando se trata de questões que se levantam ao nível do sector da saúde.
O fundamental era manter os níveis de controle para que os desafios provocados pelo surto das enfermidades não complicasse a capacidade de resposta das autoridades sanitárias.
Temos ainda muito trabalho pela frente, mas a campanha desencadeada pelo Executivo no sentido de mobilizar entidades e pessoas, dentro e fora de Angola, começam a gerar os resultados que pretendemos.

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Numa altura em que se encontra no país a directora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) e, a nível de África, a responsável regional, as autoridades angolanas reafirmam o compromisso de contar com os esforços de todos, dentro e fora do país. Abrir as portas do país a entidades responsáveis da OMS para, pelas suas próprias avaliações, fazerem as observações e recomendações que se impõem.
E foi bom ouvir de Margareth Chan que os esforços para reduzir a incidência do paludismo e da febre-amarela resultam na baixa dos números.
O importante foi sobretudo o facto da OMS associar-se às iniciativas das autoridades angolanas, instituição com a qual o Executivo conta muito para empreender lado a lado a cruzada contra as enfermidades.
A ajuda com meios humanos e materiais, prometida pela directora-geral da OMS, vai fazer toda a diferença sobretudo nesta fase em que cresceram os desafios, mas estão igualmente controlados. É salutar que, na província de Luanda, a vacinação contra a febre-amarela já abrangeu cerca de 87 por cento da população.
Acreditamos que Angola e os angolanos registram com satisfação a vinda e o trabalho desempenhado no país pelas duas distintas entidades da OMS. É preciso continuar a alargar o raio de vacinação em todo o país contra a febre-amarela, tal como recomenda a médica sino-canadiana que dirige a OMS. “Nós tivemos a oportunidade de visitar alguns centros de vacinação, bem como o Hospital Geral de Luanda e registamos que há progressos, na medida em que o número de casos está a reduzir”, disse Margareth Chan, numa alusão à delegação da OMS.
Uma outra recomendação, várias vezes já salientada entre nós, tem a ver com o envolvimento das populações e das famílias para que determinadas metas no controlo e combate contra o paludismo sejam eficazes. Vale insistir que as comunidades e as famílias devem também fazer a sua parte para melhor se prevenir doenças.
A directora da OMS, na sua curta visita ao nosso país, não deixou de sublinhar a necessidade do engajamento de todos, tendo apelado ao voluntarismo traduzido em várias iniciativas. As campanhas de limpeza, promovidas por muitas organizações da sociedade, os actos públicos de doação de sangue, apenas para mencionar estes, têm o potencial de prevenir dezenas de enfermidades e salvar milhares de vidas humanas.
No fundo, o essencial deve passar pelo aumento da vigilância epidemiológica, pelo reforço dos cuidados elementares ao nível da casa e da comunidade e a ida aos hospitais e postos de assistência aos primeiros sintomas de qualquer enfermidade. Esta é também a mensagem trazida pela OMS, que deve ser passada e observada pelas famílias para serem bem sucedidas na contenção das enfermidades em causa. Afinal, como é evidente, a maioria dos mosquitos vectores da febre-amarela reproduz-se nos agregados familiares, razão pela qual o empenho a partir de casa é vital.
Da parte do Executivo há o firme compromisso de empenho e de mobilização de todos os seus parceiros, dentro e fora de Angola, para o êxito no controlo e erradicação das enfermidades. A parceria com a OMS é, neste momento, de suma importância para que possamos acelerar todas as formas para se erradicar a febre-amarela, tal como tinha sucedido no passado.
Temos a certeza de que todos estes esforços vão resultar em avanços significativos que o sector conhece, tal como testemunhado pela directora da OMS. O que precisamos, para o sucesso de todos os esforços que fazemos para travar a febre-amarela e atenuar os números do paludismo, é que cada um, pessoa ou instituição, faça a sua parte.

Aside

OMS apoia combate à febre-amarela em Angola que precisa de 18 milhões de dose da vacina

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A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde elogiou ontem os esforços das autoridades angolanas no sentido de controlar o surto de febre-amarela. Margaret Chan prometeu apoio técnico e financeiro para acelerar a redução de casos mortais devido à doença.

Ontem, depois de uma audiência com o Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, no Palácio Presidencial da Cidade Alta, a directora-geral da OMS reconheceu os progressos registados por Angola, desde a primeira vez que visitou o país em 2008.
Nesta visita a Angola, a convite do Governo angolano, a número um da OMS visitou alguns centros de vacinação e o Hospital Geral de Luanda, onde pôde constatar melhorias significativas que se reflectem na redução do número de casos mortais.
“Felicitamos o Governo por este esforço”, disse Chan, antes de exortar as autoridades sanitárias a prosseguirem com o mesmo empenho a campanha de vacinação que está em curso em Luanda. “A campanha continua e cerca de 87 por cento da população já foi vacinada”, realçou Chan.
A diretora-geral da OMS disse ter recebido garantias do Presidente José Eduardo dos Santos de mais apoio ao sector da saúde, quer em termos financeiros quer em pessoal. Margaret Chan encorajou as autoridades a prosseguirem com o mesmo empenho e lançou ela própria um repto às empresas para que se associem nessa luta para acabar com a febre-amarela.
Chan referiu-se ao ecossistema angolano, em que os mosquitos que são vectores da febre-amarela devem ser combatidos com medidas rigorosas de controlo ambiental, dos resíduos e de saneamento público. “Muitos tipos de mosquitos que são vectores dessas epidemias são controláveis, daí que se impõe a tomada de medidas no sentido de reduzir o número de insectos com papel ativo na propagação da doença”, afirmou.
Mas o êxito dessa campanha, referiu, impõe o envolvimento de todos, particularmente das famílias. “Quero fazer um apelo especial às famílias, para que percebam que dois terços dos mosquitos vectores da febre-amarela e também da malária reproduzem-se em casa. Daí a necessidade de um engajamento sério de todas as famílias para acabarem com essa doença.”
Dados do Ministério da Saúde indicam que foram registados em 16 províncias perto de 1.600 casos de febre-amarela, com uma mortalidade de cerca de 14 por cento. A OMS mobilizou 65 técnicos, vindos tanto do escritório regional como da sede, que participam nos esforços empreendidos pelo Governo angolano para combater a febre-amarela.

Acompanhada da directora regional da OMS, Matshidiso Moeti, Margaret Chan está em Angola desde domingo, a convite do Governo angolano, para analisar e apoiar a resposta à epidemia da febre-amarela, que afeta o país desde  Dezembro do ano passado. A visita serve também para acompanhamento dos progressos e desafios na área da saúde em Angola.

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O ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, que também acompanhou a directora-geral da OMS na audiência com o Presidente da República, disse que a província de Luanda está à beira de completar a campanha de vacinação contra a febre-amarela e existem perspectivas de se estender a campanha para outras províncias tão cedo quanto possível.
“Fizemos a encomenda de vacina anti-amarílica e já chegou uma parte, cerca de três milhões de doses”, disse o ministro, antes de confirmar o pedido feito à OMS no sentido de facilitar a compra dessa vacina no exterior para que chegue a Angola o mais cedo possível.

Momento difícil

O coordenador residente e representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) disse ontem em Luanda que situações difíceis, como a que Angola atravessa devido ao surto de febre-amarela e malária, são “oportunidades para os aliados internacionais demostrarem a sua amizade e compromisso”.
“Nós, os parceiros internacionais, estamos a dizer que acreditamos neste país, apoiamos o seu Governo e defendemos a sua população”, declarou Paolo Balladelli, antes de reconhecer a “determinação e os esforços” do Governo angolano para controlar as duas epidemias, incluindo o compromisso para a aquisição das vacinas, operacionalizar a logística e integrar todos os sectores da vida pública.
Balladelli interveio num encontro alargado em que participaram os ministros das Relações Exteriores e da Saúde e membros do corpo diplomático acreditado em Angola. No encontro estiveram presentes os representantes da OMS, da UNICEF e de outras agências do sistema das Nações Unidas. Paolo Balladelli disse que a presença em Luanda das autoridades de saúde mais importantes a de África e mundial, a fim de analisar e apoiar a resposta do país ao surto de febre-amarela, atesta o compromisso da OMS e do sistema das Nações Unidas de apoiar Angola.
“Neste período difícil para a economia angolana, marcado pela queda do preço do petróleo a nível internacional, que levou à necessidade de controlar o orçamento, manifestamos a nossa satisfação por ver que sectores sociais e em particular o da saúde estão a ser geridos de forma a proteger a população angolana”, frisou.Balladelli defendeu que nesta fase de intensificação da resposta nas províncias, vai ser preciso que os governadores estejam “muito comprometidos e operativos para uma resposta satisfatória no combate à epidemia”.
O representante do PNUD referiu que para materializar estes esforços é preciso que a negociação para compra da vacina ao nível internacional seja rápida, já que a vacina é a “arma número um”, num processo que envolve investigação epidemiológica, mobilização social e controlo do vector através do saneamento básico e o tratamento do lixo.
Balladelli apelou também para a necessidade de se “insistir na mobilização de recursos financeiros nacionais e internacionais” que ajudem a acelerar a resposta contra a febre-amarela e a malária. Garantiu que, depois de um encontro ontem à tarde, o Fundo Global, o Banco Mundial e o sector privado estão empenhados em mobilizar apoios para Angola. O encontro decorreu no Ministério das Relações Exteriores e visou esclarecer sobre o quadro actual da doenç, além de juntar sinergias para enfrentar a situação. Para o combate à febre-amarela, as autoridades angolanas têm contado com o apoio técnico da OMS, da UNICEF, do PNUD, da OCHA com o fundo para as emergências, e de outras agências das Nações Unidas, do CDC dos Estados Unidos, da Cooperação Cubana, do MSF-Espanha, entre outros parceiros. A situação também mobilizou o apoio de países como a China e Coreia do Sul.

Milhões de vacinas

Para a completa imunização de toda a população contra o surto da febre-amarela que assola o país desde Dezembro do ano passado, vai ser necessária uma quantidade adicional de 18 milhões de doses de vacina da doença, declarou  o ministro da Saúde.
Para o efeito, o Executivo já se preparou financeiramente para comprar as vacinas necessárias. “A vacina não está disponível nas quantidades necessárias no mercado internacional e precisamos de ajuda de parceiros para que os fabricantes produzam e disponibilizem o mais rápido possível”, disse o ministro.
Luís Gomes Sambo disse que as determinantes do actual quadro epidemiológico passam pela alta densidade do vector que transmite a febre-amarela, as condições de higiene e saneamento no país e também da determinante relacionada com a cobertura vacinal contra a febre-amarela, que afecta nacionais e estrangeiros. Muitos dos casos estão relacionados com pessoas que não foram vacinadas.
Explicou que o Executivo elaborou um Plano de Resposta contra a febre-amarela, que contém cinco pontos. O primeiro tem a ver com a investigação epidemiológica e laboratorial, o segundo com a vacinação com a qual se pretende imunizar toda a população. Com sete milhões de doses disponibilizadas, foi possível fazer uma cobertura vacinal de 88 por cento da população em Luanda.
A terceira componente está relacionada com a luta antivectorial. “Se conseguíssemos eliminar em 90 por cento a população de mosquitos, controlávamos rapidamente a situação. Estamos a reactivar as brigadas de vacinação e de luta anti-vectorial que devem trabalhar a nível dos municípios”, assegurou, agradecendo o apoio das organizações internacionais, principalmente a ONU.
A quarta componente tem a ver com o tratamento de casos e a quinta está relacionada com a comunicação, que deve jogar o papel de informar as pessoas para que percebam o modo como é transmitida a doença.
Sem avançar dados, o ministro falou igualmente do quadro epidemiológico do paludismo, e disse que o país registou um número excessivo de casos nos primeiros dois meses deste ano em comparação com os dois primeiros do ano passado. “A partir de um estudo realizado, chegou-se à conclusão que se trata de uma epidemia de paludismo que tem atingido crianças com idade inferior a cinco anos, adolescentes e jovens com um índice de mortalidade considerável”, referiu, informando que o Executivo continua a adquirir meios adicionais para evitar que a epidemia continue.
Gomes Sambo disse ser preciso combinar o tratamento com a melhoria das condições do meio ambiente, e falou na criação de uma plataforma multissectorial para mobilizar recursos nacionais e assim executar os planos de respostas necessários.

Reforçar a vigilância

A diretora geral da OMS falou da necessidade de as famílias redobrarem a prevenção e combate ao mosquito, destacando que o fundamental é reforçar a vigilância e diagnóstico como via para evitar que a doença saia do controlo das autoridades. Sobre a necessidade de vacinas, Margaret Chan assegurou que os quatro fabricantes da vacina da febre-amarela estão disponíveis para aumentar a produção.
A diretora regional da OMS disse que o país é o primeiro beneficiário com 300 mil dólares do Fundo para Emergências de Saúde Pública criado pela Organização,  canalizado para  primeira campanha de vacinação.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/oms_apoia_combate_a_febre-amarela

Aside

EPIDEMIA DE FEBRE-AMARELA EM ANGOLA A CAMINHO DOS 200 MORTOS EM QUATRO MESES

A epidemia de febre-amarela que assola Angola matou praticamente 200 pessoas em quatro meses e só nos últimos dois dias os novos casos suspeitos da doença chegam à centena.

créditos: Febre Amarela no Cunene

De acordo com o mais recente boletim sobre a evolução da epidemia, do Ministério da Saúde angolano e da Organização Mundial de Saúde (OMS), até 29 de março estavam confirmados laboratorialmente 490 casos de febre-amarela, havendo registo de mais 13 óbitos desde o balanço anterior, há dois dias.
Entre 05 de dezembro e 29 de março, a epidemia da doença – segundo a OMS a pior em 30 anos – provocou a morte de 198 pessoas, entre 1.409 casos suspeitos, contra os 1.311 identificados dois dias antes.
O mesmo boletim, a que a Lusa teve acesso, indica que entre o total de mortes por febre-amarela confirmadas em Angola, 151 foram na província de Luanda, tendo as autoridades de saúde identificado a presença do mosquito transmissor da doença no mercado do “Quilómetro 30”, no município de Viana, na capital angolana.
Para travar a epidemia de febre-amarela, o Ministério da Saúde e a OMS lançaram uma campanha de vacinação que até 29 de março já imunizou 5.804.475 pessoas, o equivalente a 88% da população-alvo da capital angolana.

A campanha, segundo a OMS, será agora alargada a outras cinco províncias com risco de transmissão local da doença.
O lixo acumulado nas ruas, falta de saneamento, dificuldades dos hospitais com falta de medicamentos devido à crise financeira generalizada no país e as fortes chuvas que se têm feito sentir, nomeadamente em Luanda, ajudam a explicar a rápida propagação da doença desde dezembro.
O ministro da Saúde de Angola, Luís Gomes Sambo, afirmou na última quinta-feira que Luanda vive epidemias de malária grave e febre-amarela que estão a deixar os hospitais sem capacidade de resposta, mas afastou declarar a situação de emergência na capital.
O governante anunciou a disponibilização de uma dotação adicional de mais de 30 milhões de dólares (26,8 milhões de euros) para a compra de vacinas, medicamentos e outro material médico para combater as duas epidemias que afetam a capital, verba que ainda será reforçada.
“Registámos desde o início deste ano, aqui na província de Luanda, uma epidemia de paludismo [malária] grave que tem, juntamente com a febre-amarela, aumentado a procura por parte dos utentes das unidades de saúde”, apontou Luís Gomes Sambo.
Só a epidemia de malária já terá afetado cerca de 500.000 pessoas em Luanda nas últimas semanas, sendo a doença a principal causa de morte em Angola.
Angola vive uma profunda crise económica e financeira devido à quebra das receitas fiscais com a exportação de petróleo, o que levou o Estado a cortar nos gastos.

Nos últimos dias multiplicaram-se donativos de empresários e população aos hospitais de Luanda, sem consumíveis e alimentos.
“A situação é controlável, os meios de controlo estão a chegar, já foram mobilizados.

O engajamento do Governo é suficiente para controlar a situação, até este momento, e portanto não vemos a necessidade de declarar o estado de emergência, esta é uma questão de momento”, disse ainda.
Já esta terça-feira, o ministro anunciou uma dotação excecional para contratar, nos próximos dias, cerca de 2.000 médicos e paramédicos angolanos recentemente formados no país e no estrangeiro para reforçar a capacidade de combate dos hospitais às epidemias que assolam sobretudo Luanda, província com quase sete milhões de habitantes.

 

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